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institucional, sala de aula e de convivência, a disposição dos alunos, a possibilidade de contato com a cidade e natureza ou permanência dentro dos ambientes internos, os mecanismos criados para gestão e controle das crianças pelo espaço são reflexos da pedagogia utilizada. O modelo de ensino adotado formalmente no Brasil reflete o sistema de ensino do séc. XIX. As escolas são construídas com espaços conformados para atender a esse sistema de ensino. Há a necessidade de se discutir as novas demandas educacionais, referentes à atualidade do séc. XXI, que extrapolam o plano físico dos espaços educativos e atingem o plano das relações humanas, das novas relações de trabalho, da presença da tecnologia, da percepção de autonomia do indivíduo. Para Dowbor, (1994, pág. 119) “O impacto tecnológico, da globalização, da urbanização, das polarizações e do novo papel do Estado leva a uma sociedade marcada por uma maior complexidade, diversidade e desigualdade, a um ritmo de transformação extremamente rápido, exigindo respostas mais flexíveis e mecanismos participativos que envolvem todos os membros da sociedade.” (...) Assim, “a luta pelo acesso aos espaços de conhecimento vincula-se ainda mais profundamente ao resgate da cidadania.” Enquanto arquitetos, cuja prática reflete nossa ética e desígnio, influenciamos através dos espaços escolares e de equipamentos de convivência a formação de inúmeros jovens. Temos, portanto, a responsabilidade de questionar como são os espaços que conformamos, quais relações estes permitem e incentivam, como auxiliam no desenvolvimento de cidadãos que irão agir ativamente no futuro e na sociedade. Para Hertzberger (2011, pág. 11) * “architecture has unfailingly appproached the 14

designing of schools from a less than critical position. All the while, it seems, architetcs meekly followed their briefs and were mainly concerned with formal aspects of the exterior without busying themselves with spatial opportunities that might lead to better education and with the role they themselves might fulfil there” Nos países em desenvolvimento, alunos assistem avidamente às aulas tradicionais, na qual o conhecimento é transferido pela lousa e pela figura do professor, entendendo esta como uma forma de se libertarem de suas circunstâncias. O reflexo são salas mais amplas, abrigando grupos maiores e currículos voltados às necessidades locais. Já nos países desenvolvidos a demanda por aprendizagem autônoma e integral cresce, junto com um contexto cultural que preza pela diferenciação, resultando em grupos menores, espaços diversos que permitam trabalho em grupos, concentração; escolas flexíveis com múltiplas possibilidades para que o aluno possa escolher em qual ação deseja se engajar. Nos termos de relações humanas, está cada vez mais em pauta e sendo incentivadas as relações de cooperação ao invés da competição. O ambiente escolar projetado deve então ser tão rico e variado o quanto possível, permitindo que as apropriações espontâneas, mas tendo precisão nas condições que oferecem aos usuários. Kowaltowski (2011) nos traz estudos e * “A arquitetura tem abordado de forma infalível o desenho das escolas a partir de uma posição menos que crítica. Ao mesmo tempo, ao que parece, os arquitetos seguiam humildemente seus escritos e se preocupavam principalmente com os aspectos formais do exterior, sem se ocuparem com oportunidades espaciais que pudessem levar a uma melhor educação e ao papel que eles mesmos poderiam cumprir ali ”

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Escola da Ponte | TFG FAU USP | Natália Rezende  

Projeto Escola da Ponte - Questionamentos sobre ensino e arquitetura Trabalho de Conclusão de Curso - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo...

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