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HUGO NASCIMENTO RE L ATÓ RIO

DE

E S TÁ G IO

_

V IA

P RO FIS S IO N ALIZANTE

UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA _ FACULDADE DE ARQUITECTURA _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS ASSOCIADOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008

UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE

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A UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA LER ABERTO ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE


INDICE

1

5

AGRADECIMENTOS

7

INTRODUÇÃO

9

ESTÁGIO Contexto e Motivação Estagiário Supervisor Orientador Entidade de Acolhimento Cronograma de Estágio

2

13

EXPERIÊNCIA Apontamentos

3

ESCOLA LINDA-A-VELHA

14

01 P170

16

02 PUB

PUBLICAÇÕES

17

03 P167

FÓRUM MUNICIPAL

20

04 P162

CASA LOURO

22

05 P187

PARQUE MAYER

24

06 P188

HUAMBO I - II

28

07 P185

SEDE DA AMI, CRECHE E JARDIM PÚBLICO

32

08 P189

40 FOGOS SÃO MARÇAL

33

09 WRK

WORKSHOP FAUTL - GOA

34

10 P194

RECUPERAÇÃO DO MERCADO DE ALGÉS

38

11 P196

SILO DE ALGÉS

39

12 P170

MORADIAS MARISOL

40

REFLEX(OS) Considerações finais

4

44

BIBLIOGRAFIA Seleccionada

5

46

ANEXOS/ DOCUMENTOS Declaração da Entidade e Orientador Ficha do Historial de Estágio Painel Sintese I e II

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AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, agradeço à Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, que desde 1998 facultou os meios e conhecimentos necessários à minha formação pessoal e como futuro arquitecto. Em particular aos meus professores, que me entusiasmaram e motivaram, a ter sempre curiosidade em aprender e aprofundar as várias matérias do curso (Projecto, Desenho, Urbanismo, Ambiente, Teoria, Materiais e Construção, Recuperação, História, Geografia), e sobretudo as que se referem ao domínio disciplinar da arquitectura. A todos os colegas que partilharam as inúmeras experiências, conversas e diversões, desde a minha entrada no curso de Arquitectura de Interiores, até à minha transferência para o curso de Arquitectura. Um especial obrigado à Prof. Arqt.ª Maria Manuel Godinho de Almeida, além dos ensinamentos, pelas oportunidades únicas e enriquecedoras: o workshop EWSEMS (Eastern and Western Southern European Market Squares), com o estudo do Mercado do Rato (2007), e o workshop FAUTL-GOA (2008), com o estudo urbano da cidade de Panjim. À Arqt.ª Cristina Veríssimo e Arqt.º Diogo Burnay pelo convite de participar no atelier “CVDB arquitectos”, e à equipa: Tiago Santos, João Falcão, Luís Cruz, André Barbosa, Joana Barrelas, Paio Pinheiro, Ângelo Branquinho, Federico Garcia. Em segundo lugar, à família e aos meus amigos, que sempre me acompanharam, pelo que deixo um reconhecimento muito particular à minha mãe, Dr.ª Mª Regina Soares, como estima do percurso que tivemos até hoje, por todo o apoio, pela dedicação e paixão pelas crianças, e sobretudo pelas dicas importantes num dos projectos do quinto ano do curso de arquitectura. Um grande abraço ao meu tio, Eng.º Virgílio Soares que tem sido como um pai para mim, com as conversas longas, conselhos, provérbios simples e úteis. À minha avó, Maria José, pela mentalidade positiva, atitude entusiasta, e experiência de vida. Aos amigos do “redondo”, à Cláudia Serra, Daniel Garcia, Diana de Almeida, Edgar Silva, Filipe Minderico, João Bento, Marta Bártolo, Nuno Bártolo, Patrícia Carreira, Ramya Govind, Ricardo Cortes, Sarah Wickenburgh, Sandra Pereira, Sónia Reis dos Santos, Tiago Frazão, Madalena Baetu, aos vizinhos Valter Abade, M. Helena Tavares e Raquel Abade Tavares. A todos os que me acompanham de um modo ou de outro, um grande abraço. Com todo o carinho, à Anita.

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INTRODUÇÃO POSTURA, VIAGEM, JORNADA, EXPERIÊNCIA

Postura A arquitectura permite quase sem restrições a adaptação de metodologias, sistemas, situações diversas, meios de comunicar, vontades de exprimir, em que “tudo é possível” 1, tudo o que sonhamos, imaginamos, desejamos, está ao alcance das nossas mãos, dos nossos corpos, da nossa mente.

Relatório Pretendo elaborar um relatório que sintetize o percurso, mas sobretudo, evidencie aqueles momentos notoriamente mais eficazes no meu crescimento, na formação enquanto individuo e profissional.

O mundo enche-nos de memórias, de existências, de ritmos, de texturas, ambientes, mentalidades... Outra imensidão por explorar, experimentar, descobrir - livre-se de algum de nós dizer que já experimentou tudo, acomodando-se em sua alegre poltrona a ver um filme sobre o mundo exterior, sem qualquer contacto com ele.

É interessante olhar para trás. Com introspecção sobre todos os conteúdos, como o ritmo de uma melodia musical, através de momentos frenéticos de entrega de concursos, outros de pausa, de “arrumar a casa”, ou por trabalhos que requerem a máxima capacidade de persistência ao longo do tempo, sem deixar perder aquela essência do primeiro gesto de projecto, a ideia, a síntese do diagrama que nos convence a seguir em frente. Para mim, o mais cativante é o processo que abraça o desenvolvimento de cada fase. Para darmos tudo por tudo para a nossa visão sobre os objectivos pretendidos ser a melhor resposta, resulte no melhor do espaço arquitectónico, orientado para as pessoas.

Julgo que este relatório não será nada mais do que um ponto a acrescentar à minha história, ao meu percurso. Assumo-o com extrema simplicidade. Sobre um acontecimento que recaiu por consequência natural dos eventos, do resultado do meu esforço pela fase académica, em que tentei levar à exaustão possível da pesquisa, da ambição, de procura de alguns temas, creio interessantes, relevantes para mim, e sobretudo, como contributo para todos. Porque como futuro arquitecto, acredito na nossa experiência como veículo de contacto para tentar criar uma ligação mais honesta entre o nosso modo de ver e criar, para o outro mundo que experimenta a nossa contribuição. É nesta postura, de desejo de busca, de síntese pelo que observamos, de aprender, de absorver conhecimentos para exprimir com sensações, espaciais ou verbais; tentar contribuir com todos os intrumentos e meios disponíveis ao nosso alcance, para outros compreenderem a nossa linguagem. Torna-se fundamental recorrer a estratégias variadas consoante a tarefa em mesa, consoante cada projecto, cada desejo. Creio que esta experiência vem a enriquecer a minha viagem pela arquitectura, uma amante que se deseja próxima, enriquecida por todos os discursos, poesias, leituras, visitas, viagens, “workshops”, rabiscos nos diários, conversas de café, ou meros apontamentos de luz surgidos do vazio contra uma superficie num lugar qualquer revelando uma textura, ou até uma pessoa com uma expressão carregada e caracterizada, alheia a este nosso modo de olhar. Ao virar da página, espero que encontrem uma nova rua, uma nova experiência, fruto de estados de humor, por vezes constantes e algo descontraídos, ou o oposto, enraivecido ou desiludido com um ou outro desfecho.

1

Contudo, resta introduzir o conteúdo desta jornada, elaborado em cinco partes distintas: 1 . Estágio Pretende contextualizar, através da apresentação resumida do percurso académico, e justificar a escolha da entidade de acolhimento, em simultâneo com a identificação formal do estágio, o programa e cronograma de estágio. 2 . Experiência Ambiciona descrever com maior atenção os momentos mais revelantes, embora não menosprezando os restantes. 3 . Reflexos Toma lugar a reflexão crítica sobre a experiência de estágio, colidindo os objectivos pessoais com os objectivos do estágio curricular, apontar os contratempos e ambições futuras. 4 . Bibliografia Referências de apoio ao relatório e aos projectos em si. 5 - Anexos Documentação formal do estágio.

Recordo o 3º ano académico, na disciplina de projecto, com a ass. arqtª Cristina Verssimo tentando alertar para a procura de novas alternativas, e experimentar outras possibilidades.

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ESTÁGIO CONTEXTO E MOTIVAÇÃO

(...) it seems impossible to distinguish between architecture and life (...)

1

(...) a diagram is able to absorb (...) complexity and information (...)

2

(...) qualidade de evocar uma imagem forte num dado observador (...)

3

Em retrospectiva ao percurso académico, noto de um modo insistente o conflito entre a via poética, e outro mais vocacionado para a prática e explicação do projecto. Só a meio do curso julgo ter estabilizado e adquirido um certo equilibrio entre a capacidade de investigar, de imaginar, de realizar, tentando experimentar em vários aspectos, e questionando até certo limite.

Este estudo não teria tido o desenvolvimento esperado sem a experiência enriquecedora do Workshop EWSEMS, em que exigia um cuidado especial no tratamento urbano. Com agradável surpresa, após o exame, recebo um convite da Arqtª Cristina Veríssimo, para pertencer à equipa CVDB.

Aquele “bicho” 4 interior que persiste em não ficar calmo, ansioso por capturar uma instância, um momento novo, explorar, experimentar. Qual a próxima ansiedade? Qual o desafio? O que fazer de novo?...

Reconheço que pouco conhecia sobre o atelier, fundado em 1998, pelos arquitectos Cristina Veríssimo e Diogo Burnay. A informação que detinha relacionava-se com a experiência de terceiro ano com a arquitecta como assistente da disciplina de Projecto, e três obras difundidas nas revistas de arquitectura, o Centro Cultural do Cartaxo, o Centro de Convívio, e a Habitação Colectiva de Caldas da Rainha.

No quinto ano (2006/2007) tive oportunidade de investigar a projecto, um equipamento para uma paisagem urbana de dificil resolução, capaz de celebrar dois mundos: arquitectura e respeito pela natureza. A escolha recaiu naturalmente para o ensino pré-escolar, aproveitando os conhecimentos profissionais da minha mãe.

No entanto, essa experiência veio influenciar o meu entusiasmo por participar na nova equipa, julgando usufruir do mesmo tipo de espírito, dinâmica, pesquisa, associado ao acompanhamento académico. Surge assim uma excelente oportunidade de continuar as minhas aspirações.

2000/ 2001 _ projecto 1º ano _ ass. arqt.ª Marta Felicinao _ “cubo e a escada” _

efeito de torção sobre uma caixa que revela várias relações espaciais no seu interior e para o exterior

2001/2002 _ projecto 2º ano _ idem _ “metamorfose torre da ajuda” _ 2004/ 2005 _ projecto 3º ano _ ass. aqrtª Cristina Verissimo _ habitação colectiva _ habitação temporária (maqueta/ diagrama)

2005/ 2006 _ projecto 4º ano _ ass. arqt.º Pedro Rodrigues _ “FORUM” _ tema: “o prazer da arquitectura” _ conceito de “imaginabilidade” (teoria da arquitectura)

2006/

2007

_

projecto

ano

_

prof.

arqtª

M.

Manuel

G.

de

Almeida

_

apresentação

de

exame

final

_

enquadramento

urbano

e

equipamento

pré-escolar

ZUMTHOR, Peter, “Thinking Architecture”, Ed. Birkhäuser, p. 45 2 FOA - Nexus, Code Remix 2000. Rev. 2G, Ed. GG. IV:16, 2000, p. 139. 3 Trabalho de 4º ano, disciplina de Teoria de Arquitectura, sobre a Imaginabilidade, com base no livro de Kevin Lynch, A Imagam da Cidade 4 Sempre alerta como uma esponja, captava uma das inúmeras conversas do Arqtº Alberto Caetano, sobre o que é sentir arquitectura, não no sentido formal, mas no que nasce dentro de nós. 1

UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE

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ESTAGIÁRIO

Hugo Alexandre dos Santos Nascimento

SUPERVISOR

Prof. Arqt.ª Maria Manuel Godinho de Almeida

ORIENTADOR

Arqt.ª Cristina Veríssimo

ENTIDADE DE ACOLHIMENTO

C V D B, arquitectos associados, Lda

ATELIER

Atelier como uma família Ao entrar no atelier, renascemos dentro de um novo seio, um voltar aos primeiros passos, o reaprender até ao nivel do comportamento pessoal. O eu e o “Nós”1, enquanto família, uma casa a quem pertencemos sem receio de partilhar os pensamentos sobre as matérias ou até sobre o modo de estar, e sobretudo não ter medo de criticar sobre os aspectos mais básicos de funcionamento do atelier. Julgo saudável esta postura perante um ambiente de trabalho. Um local onde a participação de uma forma aberta, cativa e exponencia a aptidão de cada um evoluir, criar o seu próprio espaço, não esquecendo o respeito perante a equipa, e sobretudo, aprender novas abordagens ainda por explorar.

_ BI 11768829 _ NM 5215 _ 6º ANO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA

A interacção das pessoas Parte da filosofia do atelier é o funcionamento como uma sala aberta a todos os intervenientes, como equipa que vive individualmente e em comum. Este revela-se na postura de “team-play” 2, e no fluxo variado de pessoas que animam o espaço: desde os fundadores, os arquitectos residentes e estagiários, ou colaboradores de reforço em tempos de crise; até aos participantes externos, relacionados com o processo de projecto - os clientes, os consultores, os fornecedores de materiais, outras especialidades (engenharia, paisagismo, etc). O processo O processo de trabalho assenta numa discussão de ideias, onde as múltiplas experiências vividas são transpostas para o projecto quase como mutações que se transformam e se apropriam, entre jogos de escala e linguagens numa procura de uma lógica que lhes dê sentido e significado. 3 Na prática o projecto é abordado através de sessões estratégicas de “brainstorming”, de síntese, passando por um estudo mais visivel do que foi debatido. Este estudo varia consoante o planeamento de trabalho (condicionantes do projecto, tempo de realização, prazos a cumprir); permite aprofundar conhecimentos; tirar partido de ferramentas de apoio à produção (maquetas experimentais, diagramas e estratégias de representação, etc); não esquecendo o saber lidar com a adequação regulamentar em vigor, os documentos escritos, as estimativas de custo e cálculos de honorários. Actividade do Atelier Activo nos campos variados da arquitectura - projectos urbanísticos, de novos edifícios e conjuntos de edifícios de recuperação e reabilitação de edifícios, arquitectura de interiores, estruturas temporárias - a equipa dedica períodos importantes para Publicações, Exposições, Eventos, Conferências, Concursos Nacionais e Internacionais, sendo presente em diversos lugares: Portugal, Brasil, Europa e Estados Unidos.

brainstorming na sala de reuniões CVDB 1 2 3

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Recordo-me do Diogo a alertar para o uso da palavra “Eu”. “Nós” como parte integrante de uma equipa que se pretende ser como uma família. A Arqtª Cristina e o Arqtº Diogo reforçam sempre que possível, a filosofia de colaboração entre individuo e equipa, conceito “team-player”. Favorecer da discussão aberta com todos. Extraído da Nota Biográfica do Portfolio CVDB, 2008

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CRONOGRAMA DE ESTÁGIO

2007

ano

OUT

00

NOV

DEZ JAN

FEV

MAR

ABR

MAI

JUN

(s)emana

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42

dia

01_05 08_12 15_19 22_26 29_30 05_09 12_16 19_23 26_30 03_07 10_14 17_21 03_04 07_11 14_18 21_25 29_31 _01 04_08 11_15 18_22 25_29 03_07 10_14 17_21 24_28 _31 02_04 07_11 14_18 21_24 28_30 _02 05_09 12_16 19_23 26_30 02_06 09_13 16_20 23_27 _30

MÊS

2008

CVDB APOIO, GESTÃO, “ARRUMAR A CASA”...

01

P170

CV_DB _TFS _LC _JF _JB _HN

ESCOLA LINDA-A-VELHA

produção

CONCURSO, OEIRAS

02

CV_DB _HN_JB

PUBLICAÇÕES CVDB: WEBSITE, PORTFOLIO, OUTROS

03

P167

CV_DB _TFS _LC _JF _JB _HN

FÓRUM MUNICIPAL

produção

CONCURSO, OEIRAS

04

P162

CASA LOURO MORADIA UNIFAMILIAR, GRANDOLA

05

P187

CV_DB _TFS _LC _JF _JB _HN _PP

PARQUE MAYER

produção/ coordenação

CONCURSO, LISBOA

06

P188

CV_DB _HN _TFS

HUAMBO (I, II)

concepção/ produção

EDIFICIO USO MISTO, ANGOLA

07

P185

CV_DB _TFS _LC _JF _JB _HN _PP

SEDE AMI, CRECHE e JARDIM

concepção/ produção/ coordenação

CONCURSO, CASCAIS

08

P189

CV_DB _TFS _JF _JB _HN

40 FOGOS SÃO MARÇAL

produção

CONCURSO, OEIRAS

09

WORKSHOP FAUTL - GOA CIDADE DE GOA, INDIA

10

P194

CV_DB _TFS _HN

MERCADO DE ALGÉS

geral

RECUPERAÇÃO ARQUIT., OEIRAS CV_DB _TFS _HN_JF _JB

11

P196

produção

SILO ALGÉS CONCURSO, OEIRAS

CV_DB _HN

12

P195

conceoção/ produção

MORADIAS MARISOL (331, 332) LICENCIAMENTO INTERRUPÇÃO

fase OUTROS equipa de atelier

A PROG PRELIMINAR

B PROG. BASE

C ESTUDO PRÉVIO

_CRISTINA VERISSIMO _DIOGO BURNAY _ TIAGO F SANTOS _ JOÃO FALCÃO

CV

DB

TFS

JF

D PROJ. LICENCIAMENTO

FIM DE ESTÁGIO

E PROJ. EXECUÇÃO

ENTREGA

_ LUÍS CRUZ _ JOANA BARRELAS _HUGO NASCIMENTO _ PAIO PINHEIRO

LC

JB

HN

PP

notas A estutura do cronograma é organizada consoante a data de entrada de cada tarefa no atelier.

Apesar do tempo mínimo de estágio de 6 meses, assumi a duração total de 8 meses, sendo que teve início a 1 de Outubro de 2007 - com interrupção entre 24 de Fevereiro e 10 de Março, ocupado pelo Workshop FAUTL/GOA - e fim de estágio a 1 de Junho de 2008. Justifico pelo surgir de um novo desafio, importante para mim, relacionado com o tema do Mercado, uma oportunidade de continuar a pesquisa iniciada no workshop EWSEMS 2007 Lisboa, agora com o Projecto de Recuperação do Mercado de Algés [P194]. UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE

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EXPERIÊNCIA CONTEXTO; ABORDAGEM E ORGANIZAÇÃO

Contexto A experiência enriquecida por uma variedade de actividades e temas de projecto, níveis de contribuição individual e colectivos distintos, desenvolveram gradualmente determinadas competências: desde tarefas de rotina do atelier (arquivo, gestão e funcionamento), ao apoio constante a Publicações (exposições, revistas, livros, website); à simples participação no decorrer do projecto (concepção, discussão de ideias), ao desenvolvimento de capacidades técnicas relativamente à produção (desenho assistido por computador - CAD; 3D; Renderização; Grafismos; Booklet; Painéis; Peças Escritas); em particular o planeamento de trabalho, coordenação de equipa, apresentação directa ao cliente, concepção; e a indispensável pesquisa sobre os temas abordados. Pretendo descrever e avaliar cada projecto, na perspectiva da evolução gradual de conhecimentos, competências e contribuição de maior significado para o estágio. Não menosprezando a devida importância de cada um, sumarizo os restantes projectos, em acréscimo para uma abordagem mais aprofundada dos seguintes: O Concurso Fórum Municipal (P167) porque permitiu o comprovar dos conhecimentos tridimensionais e de renderização do projecto da Casa Louro (P162); seguido do Concurso Parque Mayer (P187) com a possibilidade de reintroduzir no atelier um outro meio de apresentação, um booklet interactivo e a importância do diagrama, através de uma nova ferramenta de ilustração. Os resultados positivos do último, pela capacidade de coordenação e instrução de equipa, e simultânea execução de trabalho, garantiram um voto de confiança para o planeamento e concepção do projecto seguinte, o Edifício de Comércio, Escritórios e Habitação, designado por Huambo I (P188), incluindo participação activa em algumas reuniões de apresentação ao cliente. Entretanto, devido à experiência do projecto de quinto ano, sobre um Equipamento Pré-Escolar, cumpri a concepção da Creche para o Concurso da Sede da AMI (P185), um tema que aceitei de bom grado, tendo consciência de que teria de concluir todas as peças necessárias antes do dia de partida para Goa. Motivado, aproveitei para testar o máximo do que aprendi, e tentando aumentar a exigência. O workshop de Goa, “Pangim Cidade Viva”, reforçou, com relativa surpresa, o meu olhar sobre a arquitectura, e em particular a curiosidade sobre os lugares e pessoas de outras origens e costumes. Tentei assimilar e contribuir, em horizonte de partilha de experiências, num esforço conjunto para entender e resolver alguns dos problemas da cidade. Apesar de interromper o estágio durante cerca de quinze dias, retribuiu de modo significativo para os projectos subsequentes, em particular, no desenvolvimento do Huambo II (P188), com o aprofundar dos esquemas tipológicos de habitação; e o tão esperado projecto de Recuperação do Mercado de Algés (P194), delegado também pela prática em 2007/08 do Workshop EWSEMS sobre mercados.

Abordagem e Organização Independentemente do tipo de projecto ou tarefa em vigor, o funcionamento minucioso e meditado do atelier apresenta flexibilidade no trabalho de equipa e garante coerência na metodologia através de critérios tipificados, e modos de operação fundamentais. Quer isto dizer que o planeamento de trabalho é definido, em primeiro lugar, pela atribuição de uma equipa, seguido pela organização a priori dos elementos necessários (Biblioteca), estrutura (Dados), e consequente entrega do projecto (Documentos), de acordo com os prazos estabelecidos. Esta lógica assegura a organização do projecto, e de cada interveniente, mentalmente e na prática. Assim todos sabemos a localização de cada peça do projecto, e podemos trabalhar em conjunto sem atropelos. Os modos de operação estipulam igualmente critérios de grafismo, ferramentas, utilitários, entre outros. Contudo, o mais importante é a garantia de um processo arquitectónico que consegue estabelecer o equilíbrio entre a teoria e prática, sem prejuízo do risco de desperdício de tempo muitas vezes provocado pela falta de adequabilidade técnica. O processo é pontualmente revisto e rectificado consoante a estratégia mais adequada. Como referido anteriormente, neste relatório, são estipuladas duas abordagens distintas de apresentação dos projectos, sendo que a abordagem simplificada consiste apenas na descrição breve do projecto, com considerações pessoais. A abordagem aprofundada, detém considerações de maior detalhe, tanto na descrição teórica/ prática do projecto, como no processo e comentários pessoais. Assim sendo, os aspectos comuns estão organizados de acordo com: Ficha Técnica; Lugar; Programa; Projecto; Processo; Considerações Pessoais A Ficha Técnica apresenta os elementos necessários à identificação do projecto: Data do Projecto; Fase de Projecto (A_Programa Preliminar; B_Programa Base; C_Estudo Prévio; D_Projecto Licenciamento; E_Projecto Execução, Assistência Técnica); Escala; Tempo de Participação; Contribuição (Apoio; Gestão; Concepção; Coordenação; Produção); Tipo de Projecto (Concurso Público Nacional/Internacional, Privado, Limitado, etc); Cliente; Área Bruta de Construção; Custo de Construção; Arquitectura e coordenação (Equipa de projecto; Paisagismo; Engenharia; Outros)

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ESCOLA LINDA-A-VELHA ESCOLA PRIMÁRIA COM CRECHE, BIBLIOTECA PÚBLICA, PARQUE URBANO E ESTACIONAMENTO

Lugar e Programa De acordo com o programa de concurso, o projecto parte da necessidade de qualificar os espaços exteriores dos equipamentos a construir – escola, biblioteca pública e parque de estacionamento subterrâneo, integrando um jardim público com perto de 5.000m2, pretendendo-se que este conjunto constitua um vector de valorização e dinamização urbana de Linda-a-Velha. O terreno apresenta uma centralidade importante na malha urbana de Linda-a-Velha. A relação forte e directa à Rua dos Lusíadas, a envolvente, a topografia e a orientação solar, foram elementos decisivos na concepção do edifício.

maqueta final com implantação

Data do Projecto Setembro 2007 Fase de Projecto/ Escala C -Estudo Prévio (1:200) Tempo de Participação S01 a S03 Contribuição Produção (Maqueta de terreno; Planta de Estacionamento; Apoio em 3D e fotomontagens; Estudo Solar; Diagramas e texto sobre sustentabilidade) Concurso Público Internacional 2º Lugar Cliente Câmara Municipal de Oeiras Área Bruta de Construção 16.000 m2 Custo de Construção 8 200 000,00 € Arquitectura e coordenação CVDB Arquitectos Equipa de projecto Cristina Veríssimo, Diogo Burnay, Allison Gonçalves, André Barbosa, Hugo Nascimento, Joana Barrelas, João Falcão, Luís Cruz, Marcin Sztaba, Tiago Santos Paisagismo F&C Arquitectura Paisagista Engenharia Tecnopert RADIAÇÃO REFLECTIDA

POENTE

VERÃO 78º

RADIAÇÃO REFLECTIDA NO INTERIOR

ISOLAMENTO TÉRMICO E ACÚSTICO COM CONTROLO DE PONTES TÉRMICAS

NASCENTE

ARREFECER PELA VENTILAÇÃO

PLATIBANDA SOMBREAMENTO VIDRO DUPLO

CALOR HUMANO

GRELHA COM REGISTO DE CONTROLO DE ABERTURA DE AR

ISOLAMENTO TÉRMICO E ACÚSTICO COM CONTROLO DE PONTES TÉRMICAS

INVERNO RADIAÇÃO REFLECTIDA NO INTERIOR

24º

RADIAÇÃO REFLECTIDA POENTE

RADIAÇÃO ABSORVIDA ISOLAMENTO TÉRMICO E ACÚSTICO COM CONTROLO DE PONTES TÉRMICAS NASCENTE

VIDRO DUPLO

PAVIMENTO RADIANTE LIBERTA CALOR

REGISTO DE CONTROLO ISOLAMENTO TÉRMICO E ACÚSTICO COM CONTROLO DE PONTES TÉRMICAS

esquemas de sustentabilidade (salas de aulas)

maqueta de estudo 14 50

Projecto O projecto propõe um espaço público integrado por diferentes programas e condições topográficas. A biblioteca, o café, o estacionamento e a escola são organizados ao longo deste espaço publico permeável. Este jardim público torna-se num atravessamento que articula todos os diferentes programas e relacionam o edifício com o contexto da envolvente. Uma grande rampa pública permite o acesso ao primeiro piso do edifício onde ficam localizadas a escola e creche. Este piso superior relaciona-se directamente com a cota natural do terreno permitindo definir um recreio de nível com as salas de aulas. O ginásio e as áreas sociais ficam localizadas junto à entrada e rua principal enfatizando a possibilidade destes espaços pela comunidade local. O projecto propõe um misto de áreas pavimentadas e ajardinadas reforçando as relações entre o edifício e os espaços públicos. A biblioteca localizada no piso térreo articula bem esta relação permitindo expandir-se para o exterior. A materialidade do edifício procura enfatizar a identidade e horizontalidade do edifício em contraponto às edificações existentes. Considerações Pessoais Integrei-me no atelier quando este tinha em curso dois projectos em simultâneo e algo desenvolvidos, este e o Fórum Municipal, pelo qual a equipa estava dividida em duas frentes de trabalho (Tiago Santos e Luís Cruz no Fórum; e João Falcão, Joana Barrelas, Hugo Nascimento). Os primeiros passos começaram com a participação de uma reunião de equipa, em que se redefiniu a estratégia de trabalho, pelo que me seria destacada a modelação de uma maqueta do terreno à escala 1:2000, com o intuito de testar algumas soluções expectantes, e adaptar posteriormente o modelo da solução final. Terminado este contributo, deu-se inicio ao apoio das peças desenhadas, à escala 1:200, nomeadamente a Planta de Estacionamento, tendo por referência um trabalho sobre Regulamento de Estacionamento na disciplina de Construções III, os critérios estabelecidos de projecto, e aspectos regulamentares adicionais da equipa de engenharia Tecnopert. Com o prazo de entrega eminente, vimo-nos forçados a convidar um colaborador externo de reforço à equipa (André Barbosa), para lidar com os diagramas explicativos, 3D, renders, e fotomontagens. Em simultâneo com a minha tarefa, ia dando apoio no que podia, incluindo o modelo virtual tridimensional (terreno em ArchiCAD), diagramas de sustentabilidade (sala e esquema urbano), apoio na memória descritiva (texto de sustentabilidade), e estudo solar para perceber a viabilidade do projecto. A fase de adaptação a um novo espaço e ritmo de trabalho, a um novo sistema e modos de operação, exigiam uma rápida adaptação, e sobretudo paciência, perseverança e resistência. Em particular pela capacidade de sobrevivência nas reuniões de discussão de ideias, para mim algo intensas, por serem em geral ao fim do dia. Porém, animadas de opiniões diversas, manifestavam o interesse de todos à participação, e ao crescimento do projecto.

UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE


Norte

corte longitudinal e planta de estacionamento

perspectiva panorâmica da Rua dos Lusíadas UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE

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PUB 0 2

PUBLICAÇÕES

ELABORAÇÃO DE PUBLICAÇÕES COM DIVERSOS FINS CVDB WEBSITE, APRESENTAÇÕES, PAINÉIS (UNIVERSIDADE CORNELL, HARVARD, ETC), PORTFOLIO CVDB, IMAGEM CVDB, OUTROS

Âmbito A publicação, como acto de tornar público conteúdos até então privados no núcleo da CVDB arquitectos, é um instrumento fundamental para comunicar ao exterior os resultados da actividade do atelier, demonstrando os valores, filosofias, projectos ou outros propósitos. Torna-se portanto essencial dar a conhecer para ser conhecido.

Publicação Online “www.cvdbarquitectos.com” Data Outubro 2007 Tempo de Participação S04 a S05 Contribuição Concepção; Produção; Manutenção Coordenação CVDB Arquitectos Equipa Cristina Verissimo, Diogo Burnay, Hugo Nascimento Outras Publicações: Conferência “Portugal Now: Country Positions in Architecture and Urbanism” 1 Data Novembro 2007 Entidade Universidade de Cornell (Texas) Arqts. Diogo Brunay e Cristina Verissimo Conteúdos Exposição e Apresentação (Projectos seleccionados, Painéis, Multimédia). Equipa Cristina Verissimo, Diogo Burnay, Joana Barrelas, (Hugo Nascimento) Exposição “Teatro e Arquitectura” Data Abril 2008. Entidade Teatro Académico de Gil Vicente 2 (Universidade de Coimbra) Conteúdos Planeamento da Exposição (disposição dos os elementos do projecto do Centro Cultural do Cartaxo: Painel Expositivo para afixar na Parede, mesas de apoio para as maquetas com restauro pontual, e formato multimédia de apresentação da evolução do projecto.) Equipa Cristina Verissimo, Diogo Burnay, Joana Barrelas, (Hugo Nascimento)

A transmissão é efectuada por origens e meios diversificados. A procura por terceiros, quer instituições, editoras, ou formalidades relacionadas com a actividade académica/ profissional dos arquitectos Diogo Burnay e Cristina Veríssimo e do atelier CVDB, motivam a produção de elementos de comunicação para um melhor entendimento das matérias em causa. Estas são então preparadas e organizadas consoante a sua finalidade - eventos de arquitectura ou outras áreas, Exposições, Conferências, Apresentações Multimédia, Livros e Revistas, Artigos, Jornais, Folhetos, Actualização do Portfolio, Publicações Online, entre outros. Processo Esta actividade apresenta-se de modo constante, com algum factor de surpresa (porque é raro sabermos efectivamente quando irão surgir), e é muitas vezes sincrónica com outras acções em curso, sobretudo os projectos, pelo que se torna muitas vezes urgente e rápida a formalização. Exige normalmente uma pessoa ou uma pequena equipa, neste caso, a tarefa é delegada à Joana Barrelas, e sempre que posso, assisti-la no que puder. Geralmente apoio na fase de montagem, ou expedição (preparação digital, despacho via correio, etc.). No entanto, existiram dois casos excepcionais em que tomei cargo: a primeira apresentação na internet, a página de rosto interactiva do atelier (www.cvbarquitectos.com), e o folheto cvdb 2007. A metodologia acomoda uma série de procedimentos, sempre com especial acuidade e atenção ao pormenor, com supervisão e apoio dos arquitectos Diogo Burnay e Cristina Veríssimo. Consoante o intuito, há que preparar, organizar, sintetizar, realizar, testar/finalizar, e expedir. A título de exemplo, para o planeamento de uma exposição, é relevante pensar a disposição dos elementos, quer as peças gráficas, quer o verificar do estado de conservação das maquetas, preparar o suporte das mesmas, e elaborar os textos explicativos (resumos, em alguns casos, em formato bilingue). Considerações Pessoais Independentemente da importância das publicações, como meio de apresentação do atelier, não é frequente existir muito tempo ou disponibilidade para esta tarefa que requer cuidados especiais, pelo que nos obriga a esforços redobrados, e por vezes paragens súbitas das acções em curso, mesmo que por breves momentos. O que a transforma, a meu ver, num factor positivo, porque permite a quem ainda não aprofundou as obras integrantes do atelier, a conhecê-las, obrigando à introspecção, reflexão, e entendimento do percurso do atelier. Apreendemos matérias através de um propósito útil. Como nota explicativa, a formalização urgente do website CVDB, conquistou lugar pela necessidade de existir uma página de rosto na internet, pela permanência do Arqtº Diogo Burnay na Univ. Cornell. Contudo, foi e é desde início uma aspiração do atelier conter um website capaz de expor a essência das suas obras através de um sistema mais robusto e disponível para o público em geral.

folheto cvdb 2007 1 2

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Evento CORNELL: http://www.aap.cornell.edu/arch/news/newsitem.cfm?customel_datapageid_2892=73190; Website PORTUGAL NOW: http://www.portugalnow.net/ Website TAGV: http://dupond.ci.uc.pt/tagv/index.asp

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FÓRUM MUNICIPAL

EDIFICIO DA SEDE DA CAMARA MUNICIPAL DE OEIRAS

Lugar e Programa O concurso exigia a adaptação de um programa e conceito arquitectónico ambicioso a uma envolvente caracterizada por uma forma e pendente acentuada do terreno, bem como um conjunto de intervenções edificadas dispersas que ainda não estabilizaram por completo a identidade desta área do município.

planta de localização

Data do Projecto Setembro 2007 Fase de Projecto/ Escala C -Estudo Prévio (1:200) Tempo de Participação S04 a S05 Contribuição Concepção (Modelo 3D, Estudo Solar); Produção (3D, Fotomontagens; Diagramas) Concurso Público Internacional Cliente Câmara Municipal de Oeiras Área Bruta de Construção 41 000 m2 Custo de Construção 33 500 000,00 € Arquitectura e coordenação CVDB Arquitectos Equipa de Arquitectura Cristina Veríssimo, Diogo Burnay Tiago Santos, Luís Cruz, João Falcão, André Barbosa, Hugo Nascimento, Joana Barrelas Paisagismo F&C Arquitectura Paisagistica Engenheiros AFA Consult Consultores Cristiana Afonso (Org. Programatica) Arqª Helena Massa (Arqª BioClimática)

A partir deste enquadramento urbano, com a orientação solar de Sudoeste, fica definida a fachada principal, que funciona como um fechar da alameda. Todo este espaço urbano existente ganha um remate, ganha escala e ganha outra urbanidade uma vez que é a partir dele que se localizam os acessos principais aos diversos serviços do Fórum. A organização dos Serviços Municipais foi pensada de forma a promover uma estrutura destinada a dar resposta às necessidades colectivas públicas dos munícipes, do Executivo Municipal e também dos funcionários da autarquia. Esta organização assenta num modelo de administração aberta, que permite prosseguir o interesse público de forma eficaz. Assim, é necessário que se verifique uma adequada coordenação e articulação entre as diferentes unidades orgânicas que os constituem, respeitando sempre as hierarquias. Não existem barreiras arquitectónicas nos espaços exteriores e jardim, onde se procurou definir percursos internos do jardim público, com traçados que suavizam os declives e que permitem através de rampas e pavimentos o acesso a pessoas com mobilidade reduzida. O declive procura plataformas mais confortáveis de estadia e de relação com o piso 01 do edifício, de modo a reforçar o sentido de complementaridade que se pretende que a paisagem tenha em relação ao Fórum. Este encaixa o programa das lojas, áreas de estadia e esplanada exteriores, e faz a ligação em túnel ao Parque dos Poetas.

Projecto O projecto pretende dar uma identidade à envolvente urbana fragmentada, através de um edifício marcante, com volumetria assente sobre um “pódio” natural, funcionando como o catalisador e organizador de novos espaços urbanos, privilegiando uma imagem arquitectónica contemporânea. Conceptualmente a proposta foi pensada a partir de um volume quadrangular de 8 pisos, suspenso sobre um jardim público. A topografia existente foi ligeiramente moldada, como se fosse uma grande superfície contínua que ocupa toda a dimensão do terreno, que fica ocupada pelo jardim público. Essa superfície foi “levantada” junto às cotas baixas e futura entrada principal, sob a qual se localizou grande parte do programa público. Este grande “pódio” de fachada em vidro é coberto por um manto de coberto vegetal, evidenciando a continuidade do jardim público. O edifício, “suspenso” sobre o jardim público, alberga todos os serviços municipais e é organizado através de um vazio central, que atravessa todo o edifício a meio numa direcção sudoeste/ nordeste. Este vazio ao nível do piso térreo define o átrio principal, que para além de uma função bioclimática, junta todos os pisos numa relação espacial, reforçando a interligação entre os diversos serviços municipais. É também de grande plasticidade, com o salão nobre como volume que se evidencia, suspenso dentro deste espaço revestido a perfis da madeira que acentuam um volume ondulante, humanizando o espaço.

diagrama funcional

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O projecto procura uma interacção entre Arquitectura e tecnologia através da sua materialidade e tectónica contrastando entre superfícies e interiores em madeira e superfícies metálicas e de vidro que revestem as fachadas. O piso térreo consiste num volume em betão negro e vidro onde as áreas culturais e públicas estão localizadas. Os serviços municipalizados localizados superiormente são construídos através de uma estrutura metálica suspensa, de metal e vidro permitindo o controlo lumínico adequado. O projecto define um vazio central ligando todos os pisos que funciona também como regulador térmico. Os espaços interiores estão organizados à volta desse vazio que proporciona conforto térmico para os utentes. diagrama geral/ conceptual

estudos do átrio central com recurso directo ao modelo 3D (1ª fase: variação de limite das pontes e galerias por piso; 2ª fase: alçados com ritmos de prumos em madeira)

estudo de “pele” do salão nobre (prumos)

do átrio central para o salão nobre

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Processo Após a entrega do Projecto da Escola de Linda-a-Velha, a equipa reorganizou-se em pleno para afinar e melhorar o conceito, adequação do programa, e problemas decorrentes da aplicação prática. As várias sessões de brainstorming tentaram com sucesso arbitrar vários aspectos que precisavam ser estudados com outro tipo de atenção e tempo para digerir toda essa informação. O mais difícil de assegurar era a transição suave entre as cotas inferiores e superiores, pelo que ocorreram alguns momentos de ansiedade, não existindo consenso na solução mais adequada. Outro dos problemas era a insolação nos escritórios que se pretendia o mais homogénea possível, sem incidência directa da luz solar, pelo que o modelo tridimensional fora aproveitado ao máximo, no sentido de fornecer estudos diversos e perceber qual a amplitude de incidência solar no interior do projecto, tal como o viabilizar da capacidade do projecto integrar um sistema de “pele” na fachada. Desenvolvido por mim, o átrio central também requeria um aprofundamento do que seria o revestimento das galerias dos pisos de escritórios (prumos com variações de ritmo horizontal e vertical, com várias densidades), e o salão nobre (elemento ex-libris do átrio) que revelava uma continuidade similar de material e ritmo estrutural do anterior. O estudo da “pele” da fachada exterior, com várias camadas, veio a ser possível com o esforço particular da Joana Barrelas, e confirmação/ teste no modelo tridimensional. A fachada conjuga três camadas: a primeira, protege o edifício dos raios solares através de lâminas verticais com diversas densidades e orientações favoráveis à protecção solar, e de materialidade algo transparente de metal perfurado; a segunda, corresponde a um sistema envidraçado de fachada cortina e por painéis opacos (distribuídos e intercalados por vãos fixos cada piso); a terceira, uma treliça estrutural, capaz de atribuir um efeito de teia enriquecido pelo jogo efectuado por aparentes desalinhamentos que atribuíssem uma carácter informal a ela mesma. Esta estrutura permite libertar os espaços interiores de estrutura e ainda permite dar a ideia que o edifício está suspenso ao nível do piso 1. Considerações Pessoais No momento de abordagem ao projecto, o Tiago Santos e o Luís Cruz, tinham o programa estabilizado e distribuído consoante os critérios iniciais de projecto. Contudo, todas as afinações e melhoramentos decorrentes facultaram um alargamento de horizontes, no que respeita ao entendimento de um invólucro, e como este se revela capaz de atribuir uma imagem forte para o imaginário da população, e simplicidade na transmissão do conceito para os júris do concurso. É necessário não exagerar, e em simultâneo não perder a essência do primeiro gesto.

resultado (esq. para a direita): 1 - da ponte do átrio central para o salão nobre; 2 - interior do salão nobre, do palco para a plateia; 3 - interior tipo de“open-space” de escritório UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE


corte transversal

O cativante deste concurso teve, em primeiro lugar, a capacidade de reproduzir um programa bastante ambicioso e pesado, atribuindo a qualidade de ser talvez o primeiro na relação recíproca e honesta entre instituição e cidadão – o espaço é partilhado, não é separado do utente de raiz. Em segundo lugar, pela capacidade de atribuir significado a um troço congestionado da cidade, e rematá-lo com um edifício aparentemente a levitar do solo, imbuído de um espírito solto e livre de obstáculos, devolvendo também percursos exteriores à população – um edifício que consegue cruzar os hábitos da vida quotidiana com a vida intrínseca a ele próprio. Em terceiro lugar, pela proposta temática em torno da “pele”, quer no interior ou no exterior, introduzindo alternativas arquitectónicas e tectónicas nem sempre comuns no espectro da actualidade local. Foi um percurso algo divertido, em busca de matérias (in)tangíveis, na expectativa de que o resultado viesse a apaixonar. Estávamos então convencidos de que tinha finalmente persuadido todos os elementos da equipa, e vimos os nossos esforços compensados com o desabrochar de um projecto que ao inicio demonstrava ter imenso potencial, mas sem ter em si o necessário para incutir em todos nós um espírito vencedor: “é com este que vamos ganhar!”. Contudo, ficámos exasperados no final. Algo tinha corrido mal na entrega (em contra-relógio), algo denunciou a nossa identidade, deitando tudo a perder. Lágrimas caíram quando mais tarde soubemos que tinha tudo para ser vencedor de facto. Abalou a nossa moral, mas aprendemos com os erros, superamos/ ultrapassamos este mau momento, e afinal de contas, acumulámos conhecimentos. «Não ganhámos, mas serviu-nos de aviso. O próximo terá de ser ainda mais cauteloso. Há que antecipar o momento de entrega para evitar erros futuros.» No âmbito pessoal, o desenvolver das partes que me competiam para o projecto, vieram a ser possíveis após experiências positivas no projecto paralelo da Casa Louro, desde a destreza técnica na construção da maqueta virtual com o “gatinho” (alcunha atribuida pelo Arq. Diogo ao Archicad) e diagramas explicativos, às experiências de renderização (imagens finais a partir do modelo 3D), para um objectivo de estudo de um tema (pele, fachada, ritmo), agradável para mim. Gerou-se alguma diversão em torno da pesquisa, e gosto pelo apreciar dos resultados negativos ou positivos, resultantes de tentativa e erro, e consequentes decisões de equipa. A experiência global revelou o melhor e o pior de todos os elementos da equipa, com o “stress “ característico deste tipo de trabalho. Mas permitiu-me apreender como se coordena uma equipa de modo eficiente, directo e dirigido a um fim que se pretendia rápido, dinâmico, consciente, e de síntese.

perspectiva da alameda

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CASA LOURO MORADIA UNIFAMILIAR, GRÂNDOLA.

Lugar e Programa A Casa Louro insere-se no Loteamento “Urbanização da Piscina”, numa área de expansão do tecido urbano de Grândola.

planta de localização

Data do Projecto 2007, Obra a finalizar em 2009 Fase de Projecto/ Escala D -Licenciamento (1:50) E - Projecto Execução Tempo de Participação (duas fases) D - S07 a S10 E - S36, S37 Contribuição Produção (Modelo 3D; Book; Estudos de texturas; Fotomontagens; Estudo Solar; Outros) Projecto de iniciativa privada Cliente Jorge e Carla Louro Área Bruta de Construção 350 m2 Custo de Construção 300 000, 00 € Arquitectura e coordenação CVDB Arquitectos Equipa de projecto Cristina Veríssimo, Diogo Burnay, Tiago Santos com Hugo Nascimento, Joana Barrelas, Luís Cruz, João Falcão, David Wilson Engenharia Joel Sequeira Engenheiros

A Casa sonhada pelos clientes era um lugar de repouso, trabalho e lazer. Um organismo de permanente interacção física e visual entre os seus diferentes espaços, estabelecendo sempre uma relação de continuidade com os espaços exteriores – o Jardim. Projecto Deseja-se uma volumetria de carácter abstracto, que seja uma peça esculpida, procurando assim resguardar os espaços interiores do severo sol alentejano, criando pátios e espaços de continuidade/transição que actuem como filtros térmicos, bolsas de luz e de ventilação contínua. O piso térreo acima da rua alberga todas as áreas comuns da casa. A sala de estar pode ser completamente aberta para o exterior ligando ao jardim e piscina. No piso superior localizam-se os quartos distribuídos ao longo de um corredor que permite aberturas sobre a área de jantar e sobre dois pátios exteriores localizados nas suas extremidades. Existem sobretudo três materiais diferentes e texturas que ligam todos os espaços da casa: pedra, como material que esculpe a casa no piso térreo, reboco que define todas as superfícies e volumes sobre o embasamento, e um ripado de madeira que cobre todo o primeiro piso e que filtra a luz para as zonas mais privadas da casa. Este ripado também serve de portadas para os quartos que se abrem para o jardim introduzindo uma certa diversidade no modo como os futuros residentes podem apreciar a relação da casa com o jardim. Considerações Pessoais O atelier além dos concursos, detém projectos considerados de continuidade, de relação estreita com o cliente, em que persiste um contacto mais aberto entre equipa e o dono da obra. Neste caso, uma moradia para uma família jovem, com dois filhos, trazendo consigo ideais, convicções, desejos ou sonhos de um “casa de família”. As sessões são animadas, diria mais “reuniões familiares”, com um carácter doméstico, pela presença das crianças, e espírito descontraído. Este contacto próximo permite um evoluir maduro do projecto, introduzindo várias opções, opiniões, e sobretudo estudos para demonstrar e criticar. Um deles foi o tema da fachada, alvitrando o material, o ritmo, ou densidade. Outra ligação constante, relacionada com a compatibilidade financeira e a vontade do projecto sobreviver como essência, sem perder o encanto de apaixonar a família.

perspectiva que relaciona o interior com o jardim e um dos pátios 20 50

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perspectivas para deliberar sobre três hipóteses de materialidade e resolução de fachada (A: prumos em madeira; B: prumos em metal; C: alternado entre prumos e reboco)

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PARQUE MAYER “CIDADE DO TEATRO”

PARQUE MAYER, JARDIM BOTÂNICO, EDIFÍCIOS DA POLITÉCNICA E ÁREA ENVOLVENTE, LISBOA

Data do Projecto Dezembro 2007 Fase de Projecto/ Escala C - Estudo Prévio (1:500) Tempo de Participação finais de S10 S13 a S16 Contribuição Coordenação de/e Produção (Modelo 3D; Booklet; Fotomontagens) Concurso Público Internacional Cliente Câmara Municipal de Lisboa Área Bruta de Construção 88 000 m2 Custo de Construção (incluindo equipamento para teatros ) 88 000 000 € Arquitectura e coordenação CVDB Arquitectos Plano Urbano Diogo Burnay, Cristina Veríssimo com João Falcão Equipa de projecto Cristina Veríssimo, Diogo Burnay, Hugo Nascimento, Joana Barrelas, João Falcão, Luís Cruz, Paio Pinheiro, Tiago Santos Paisagismo Implanta, arquitectura paisagista Engenheiros Tecnopert Consultores Elsa Valentim (Actriz), Vera Cortez (galerista de arte), Pedro Mendonça (Teatro), José Crespo (Geógrafo).

Lugar, Programa, Projecto Este plano urbano ambiciona estabelecer uma marca internacional, constituída por um centro urbano multifuncional, uma oferta para o mundo das artes performativas com grande visibilidade cultural e como ponto de atracção e sedução para o lazer e turismo. Este centro urbano promove densidade programática em espaços abertos e pluralistas. O intervenção estabelece uma rede de habitação, comercio, hotéis, escritórios, arte e teatro. Propõem-se percursos urbanos que quebram barreiras e ligam diferentes espaços que a cidade tinha isolado e interligando diferentes cotas da cidade. O sitio celebra uma nova urbanidade capaz de revitalizar a sua envolvente, atraindo ao centro histórico um novo dinamismo contagiante e activo de dia e noite. Os novos edificios têm uma imagem contemporânea que integra o passado com o futuro da cidade. Os novos espaços urbanos relacionam-se com o jardim botânico e estabelecem a cidade do Teatro como um centro de espaço verde e sustentável numa rede urbana verde mais alargada. Processo O projecto tinha de terminar antes do outro concurso em mesa, a Sede da AMI, logo carecia de um processo optimizado e capaz de dar resposta ao programa numa área complexa e algo difícil de se obter um resultado convincente. A nossa aposta recaiu em parte na experiência académica do João Falcão e Luís Cruz, outrora colegas de Faculdade com um projecto académico de valências mais ou menos similares. Já conheciam o território e o tema. Vantajoso de facto, pois permitiu lançar-nos directamente sobre a proposta, sem estudos demasiado aprofundados num período que se previa extremamente curto, e com agravante de coincidir com a época natalícia. Bastaria então actualizar a biblioteca, imagens, regulamentos, outros documentos, e estudar bem o programa pretendido pela entidade. A minha participação não foi muito proeminente na fase de concepção, visto estar ocupado com a surpresa da IMOCOM, imobiliária que introduzira um projecto pelo qual teria de concentrar-me e dar reposta a curto prazo (Huambo I). Ou a participação do Tiago, em seu cargo o concurso dos 40 fogos. Contudo, na fase de produção, sugeriram que fizesse parte activa da gestão de equipa, no que respeita à construção de todos os elementos necessários à estratégia de

LADO A

B

B LADO B

A A booklet de apresentação, formato A3, com dois lados, tipo harmónio, desenvolvendo um sentido de percurso na explicação do projecto (do geral para particular) 22 50

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apresentação (booklet em harmónio e painéis), visto que ao longo do tempo tinha vindo a enlevar o “Illustrator” como uma ferramenta detentora de outro tipo de possibilidades gráficas, porventura mais enriquecedoras do que as actuais do atelier, e adequadas ao propósito deste tipo de concurso de “ideias”. A coordenação foi particularmente feliz, e teve uma resposta da equipa bastante motivante, pela experiência de conhecer uma nova alternativa de construir as peças, visualmente mais acolhedora ou atractiva e directa (ao contrário do “Autocad” com os procedimentos exaustivos e código de cores). A resolução dependeu do ritmo de cada um (uns mais rápidos que outros), com constante curiosidade/ dúvidas, pelo que implicava deslocar-me constantemente em auxílio, em simultâneo com a consolidação do meu trabalho. Foi necessária uma boa capacidade de auto-gestão, de concentração, para não perder o sentido sobre o todo. O processo é bastante simples, tentar planear globalmente o que é pretendido, distribuir os elementos pela equipa consoante as aptidões próprias, apoiar e verificar o decorrer dos acontecimentos, e montar uma peça única no final. A Arqt.ª Cristina teve um papel fundamental, surgindo como um suporte de raciocínio, de alerta (verificar se estava tudo a decorrer como planeado e dentro do limite de tempo), mas sobretudo como “partner” gráfico. Os resultados foram óbvios, por um lado a aprendizagem de todos sobre uma nova metodologia de trabalho e novas experiências sobre novos tipos de diagramas; por outro lado, a colaboração entre mim e a Cristina, nas decisões gráficas e tendo por base a experiência anterior do “booklet” no projecto do Silo na “Experimenta Design 2003”. Infelizmente, o final atribulado quase destruía semanas de esforço e dedicação, provocado por falhas de impressão sem razão aparente, e outras pressas em cima da hora. Considerações Pessoais Aparentemente descansados, depois de entregarmos dois concursos, e após uma fase calma de continuidade da moradia Louro, aterra no atelier uma abundância de concursos (Parque Mayer, Huambo, Sede da AMI, e 40 Fogos). Há que gerir, distribuir, decidir períodos de trabalho, e entender qual a melhor estratégia. Decide-se ir a tudo, dar o melhor de todos nós. Desconheço a causa, mas parece existir uma certa necessidade de “esticar” ao limite, como um desporto radical, cheio de adrenalina, embora sempre conscientes e atentos a possíveis alterações de percurso e até desistências (estas são raras). O desporto de “escalada” é um exemplo, em que seguimos passo a passo, obstáculo a obstáculo, descansando por etapas, aprendendo os limites do corpo e da mente, até atingirmos o cume da montanha, o destino. Porque remeto a analogia? Simplesmente pelo carácter de risco que o concurso sofreu. Não tínhamos muito tempo, contudo arriscámos um processo de produção diferente do habitual, que todos desconheciam (excepto eu) e que teríamos de nos adaptar, em ganho de uma virtude gráfica, com capacidade de superar as metodologias comuns do atelier. Julgo que estávamos cientes do perigo, mas também auto-confiantes que mais uma vez superaríamos vicissitudes. Independentemente de ganharmos, creio que a partir deste momento sentiu-se a “família” cvdb a puxar por si, a acreditar que há sempre mais para dar, e que a seguir a maus desfechos emergem sempre resultados excelentes. Um muito obrigado. UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE

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HUAMBO I-II

EDIFICIO DE HABITAÇÃO, COMÉRCIO E ESCRITÓRIOS, ANGOLA

Nota prévia O estudo decorre em primeira abordagem (sem seguimento), com um edifício de escritórios de três pisos perto do centro da cidade (Huambo I). A segunda abordagem, definitiva, o Huambo II, introduz objectivos renovados, e relocaliza o projecto para junto da linha férrea.

planta de localização (Huambo II) Data do Projecto Dezembro 2007 Fase de Projecto/ Escala A - Programa Preliminar C - Estudo Prévio (1:200) Tempo de Participação S10 (Huambo I) S12 (Huambo II - 1ª fase) S27 a S30 (Huambo II - 2ª fase) Contribuição Investigação, Concepção, Produção Projecto por Convite Cliente IMOCOM, Lda Área Bruta de Construção 16 800 m2 Estimativa de Custos 11 000 000 € Arquitectura e coordenação CVDB Arquitectos Equipa de projecto Cristina Veríssimo, Diogo Burnay, com Hugo Nascimento, Tiago Santos Especialidades Tecnopert

Programa O programa considera a investigação de usos híbridos num edifício integrado, para perceber no futuro quais os mais adequados. Deste modo, foram direccionados critérios a um hipotético modo de vida urbano (comércio, lazer e cultura), e espaços de rentabilização para a classe média/alta (escritórios e habitação). O estudo programático é então composto por um piso de estacionamento abaixo do solo; um embasamento de dois pisos para os espaços comerciais de pequena/média escala (restauração, lojas, quiosques, espaços de estar, duas salas de cinema, um supermercado, incluindo cargas/ descargas); e duas torres, uma para seis pisos de escritórios ponderando a flexibilidade nas áreas de trabalho tendo em conta a simulação de variantes temáticas de ocupação (Design/ Atelier; Pesquisa/ Formação; Corporativo/ Gestão; Produção); e a outra torre, de oito pisos de habitação colectiva combinando tipologias pequenas (T0 a T2), e médias/ grandes (T3 a T5). Projecto A estratégia de implantação pretende salvaguardar e reforçar os alinhamentos existentes, tal como a importância da proximidade de algumas funções. Ou seja, a continuidade horizontal dos lotes/ futuros edifícios ao longo da Av. Craveiro Lopes (empenas de 20 m, cércea de referência de 36 m), a linha férrea, e a transversalidade da Rua de Moçambique conjugada com o armazém desalinhado, incute uma inflexão do volume do edifício de escritórios, determinando uma “cabeça” em consola que a relaciona com o horizonte da linha férrea, e convida a rua a entrar no átrio principal do pódio de comércio e lazer. Não sendo excepção, persiste a continuidade de um tema recorrente no atelier, entre a interacção

R. Moçambique

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cima: sol de norte ensombra a frente da avenida craveiro lopes. direita: diagrama evolutivo das premissas de implantação do projecto

Av. Craveiro Lopes

planta de localização (Huambo I)

Lugar Localizado a sul do hemisfério, a cidade angolana, Huambo (ex-Nova Lisboa, 1912-75), apresenta condições para um crescente interesse dos investidores com intuito de renovar certos aspectos da cidade (comércio, lazer e cultura), outrora existentes em abundância. O território revela uma malha concêntrica, sendo atravessado a Norte pela linha da Companhia de Caminho de Ferro de Benguela (concebida para drenar os minérios da rica região do Catanga para a costa do Atlântico). Esta inter-relaciona alguns pontos fundamentais da cidade: o centro (o Palácio, um núcleo de serviços com edificado qualificado), e jardins de média/grande escala. A envolvente tende para a descaracterização, com vazios urbanos, edifícios de pequena escala em contraste com as grandes avenidas, ausência de manutenção, escassez de materialidade e atmosfera. Permanecem ainda alguns indícios da guerra, uma aparente pobreza, e construções de fraca condição de habitabilidade.

UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE


referências temáticas de fachada - afectar uma imagem urbana pelo mecanismo conceptual e material (MOUSSAVI, Farshid - The Function of Ornament. Ed. ACTAR, 2006)

do edifício com o espaço urbano e o estudo da “pele”. Independente da organização interior, a fachada ganha um sentido de composição, reflectindo sobre um mecanismo conceptual e material, para um edifício que pretende ter uma presença forte, com densidade, e contribuir para uma nova imagem urbana capaz de influenciar a imaginabilidade do cidadão. Essa noção é transmitida pela ausência da percepção dos pisos, resultado de um volume “opaco” rasgado por vazios estratégicos, e envolvido por um ornamento que atenua a rigidez do edifício e a intensidade solar (pele interior integrada em elementos pré-fabricados de betão; e pele exterior densa – semelhante a uma rede metálica).

esquissos em torno do tema do invólucro

A lógica do invólucro do volume (recorte e ornamento) introduz valores de contraste de luz/ sombra nos espaços, ou relações espaciais entre interior/ exterior, cima/ baixo, largo/ estreito. No pódio, o átrio amplo, como elemento de chegada gratifica o visitante com uma ambiência de luz difusa, ou os vazios verticais ao longo do percurso em torno dos espaços comerciais, até ao momento de transição para o piso superior (cinemas), orientando o olhar tanto em profundidade para o interior do supermercado, como para cima, para o exterior das superfícies entre os dois corpos de escritórios e de habitação. A norte uma relação distinta dos espaços de lazer para a paisagem no exterior, revela a vegetação da periferia e a presença da linha de comboio. Para as torres de escritórios e habitação, o critério (do invólucro) subsiste de modo partilhado, através de um corredor interno prolongado até aos limites das fachadas. Na habitação com formato em “estrela” rasgado por alguns vazios nas lajes, permitindo uma relação espacial entre pisos. O consequente repartir interno de ambas as torres, no caso dos escritórios, privilegia a sul a concentração das soluções temáticas e a norte os espaços comuns (zonas húmidas, serviços, salas de reunião, conferência, multimédia, salas de espera, atendimento geral, arquivo, etc.); nas habitações, resulta em três zonas para distribuir as tipologias. Definidas as zonas para as tipologias, delineamos uma estratégia para a caracterização dos espaços, e organização interna, tendo em consideração o objectivo fundamental: garantir uma métrica/ modelo capaz de evoluir, e flexível o suficiente para poder escolher-se o tipo de densidade tipológica. Em formato simplex/ duplex, são definidos para cada dois pisos, conjuntos de tipologias: dois T1 intercalados com um T2 Duplex; um T4 Duplex a par de outro T2 Duplex; dois T0 acoplados na vertical ao núcleo de serviços; um T3 Duplex interligado com um T5 Duplex. Este define o exemplo base da proposta, realçando no interior o potencial da riqueza espacial, as relações de duplo pé-direito nos espaços de circulação vertical, o aproveitamento dos recortes do edifício para fazer chegar a luz ao interior através de terraços-varanda ou vazios, e janelas estreitas mas altas que glorificam o fogo e permitem uma maior relação com o exterior.

estudo para diversidade tipológica para dois pisos (com circulação em estrela)

Um tema comum entre as duas torres, é o mobiliário como corpo. Este limita e formaliza o espaço, animando-o com o mesmo conceito de recorte subjacente ao edifício. Gera situações de atravessamento visual, ajuda a estruturar a composição espacial e a compartimentar o programa funcional, servindo também de arrumos.

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organograma axonométrico do projecto - estrutura programática e volumétrico (estaciuonament; piso comerial; torre de escritórios; torre de habitação; organização de tipologias)

O espaço dos escritórios é flexível, podendo-se remover as divisórias interiores e ampliar a área para o tamanho necessário, a partir de uma métrica base. Associamos a simulação de organização a quatro temas. O primeiro, “Design/ Atelier”, a organização espacial tira partido do conceito livre, de definição dos espaços por zonas funcionais, dispensando o compartimento convencional. Solução com elevado grau de interactividade e de espírito de equipa. O segundo, “Pesquisa/ Formação”, é destinado a empresas dedicadas à formação; de organização formal sectorial, por grupos de funções, geralmente de dimensões idênticas entre si. O terceiro, “Corporativo/ Gestão”, simula o carácter executivo, para empresas de gestão e afins; organizado de acordo com a lógica de célula, variando de dimensão de célula, consoante o estatuto do funcionário. O último, “Produção/ Trabalho”, vocacionado para grupos de grande dimensão, burocrático, e algum supervisionamento. Os espaços amplos são os mais aconselhados, geralmente livres de obstáculos, apenas com várias disposições de secretárias, e alguns compartimentos de direcção ou gabinetes. Não requer o atendimento a clientes ou visitantes. Processo/ Pesquisa «Architecture needs mechanisms that allow it to become connected to culture. It achieves this by continually capturing the forces that shape society as material to work with. Architecture’s materiality is therefore a composite one, made up of (…) concepts by which it becomes connected with this material, and it manifests itself in new aesthetic compositions and affects. (…) architects must in effect give the building an expression that is independent from the interior [and having] the opportunity (…) to find tools through which architecture can engage with the urban setting. (...) If architecture is to remain convergent with culture, it needs to build mechanisms by which culture can constantly produce new images and rather than recycle existing ones. (…) It is through ornament that material transmits affects. (…) Ornament becomes (…) capable of generating an unlimited number of resonances. (…) reveal the relationship between material and affect (…) [For example] Prada Tokyo store uses a diagrid with carefully selected concave glass panels to give a quilted affect to is exterior.(…)» 1 Influências provenientes da investigação envolveram todo um processo resolutivo do projecto. De inicio, a ausência de dados, recorrendo a um meio rápido como a internet, e consequente análise do lugar, permitindo aferir as premissas da implantação. Seguido em grande parte pelo estudo do volume/pele, através de raciocínios em equipa, e outras referências como a Residência de Estudantes 2 - projecto em que se verificou um mecanismo de recortes e uma grelha de elementos perfilados em alumínio, produzindo um efeito de densidade. Este lançava uma ambição no estudo para uma arquitectura relacionada com o meio urbano, retribuindo novos valores de imagem. O excerto acima representa uma metodologia pretendida para o invólucro do edifício, estruturando uma lógica de projectar independente da organização interior, e contribuindo para um processo autónomo de composição da fachada. 1 2

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MOUSSAVI, Farshid [et al.] - The Function of Ornament . Barcelona: ACTAR, 2006, p. 6-11. HOLL, Steven - Architecture Spoken, Simmons Hall Massachusetts Institue of Technologya . Nova Iorque: Rizzoli Publications, 2007. p. 118-200

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Numa primeira fase, recorremos a um processo de abstracção e delinear de intenções, com base em diagramas e referências, para uma explicação sucinta ao cliente, deixando em aberto uma formalização efectiva. Era necessário “deixar sonhar”, perceber quais as pretensões. A resposta garantiu a oportunidade de seguir o tema escolhido e desenvolver o programa interior na segunda fase.

cima: planta do piso 02 ao 04 (escritórios); planta do piso 02, 04, 06 (habitação). baixo: planta do piso 01 (escritório e habitação)

O plano de desenvolvimento do projecto, optimizado pela distribuição de partes do edifício, o pódio com o Tiago, os escritórios/ tipologias comigo, e estudo geral com sincronismo do Diogo e Cristina, permitiu de modo célere resolver os problemas do projecto (dentro do possível). Uma das condicionantes críticas, a profundidade de empena (c. 19 metros), revelava uma dificuldade acentuada na resolução das tipologias. Enferrujado, tentei recuperar metodologias do projecto de habitação colectiva (FAUTL, Ano 3, 2004/2005) e influências recentes do trabalho de Charles Correa1, sem prejuízo para o conceito do edifício e aspectos de natureza regulamentar. Introduziram-se pontos estratégicos de localização das infra-estruturas/acessos, colocando as circulações internas, instalações sanitárias e cozinhas, no interior do edifício, libertando as fachadas sul e norte para os espaços de habitar (salas, quartos, varandas, etc.). Contudo, para os fogos desenhados adjacentes à empena cega a Oeste (T5 Duplex), persistiu a dificuldade de gerir a entrada de luz em espaços demasiado profundos. Assim, aproveitamos o conceito de recortes do edifício, através de pátios ou varandas, transportando a luz para o interior, permitindo também uma ocupação complementar ao fogo. Considerações Pessoais Tendo presente a noção de que tinha recebido o voto de confiança ao delegarem responsabilidade de gerir o primeiro projecto, de modo autónomo, não podia vacilar. Tinha de garantir coerência, organização sistemática, agir em equipa, em simultâneo com a dedicação e gosto pelo fazer. Muitas vezes com o envolvimento, não dava pelo tempo passar, permitindo em conversas tardias, certos desabafos naturais do Diogo, sobre o atelier: como era no passado, o que pode evoluir com a contribuição de todos, o felicitar da prestação recente da Joana, e outras lições. O desabrochar dos resultados foi possível pela constante presença do Diogo, apoio da Cristina, e reforço bibliográfico no atelier, após o retorno do Diogo da Universidade de Cornell. Ou situações como sentar em frente do monitor, lado a lado com a Cristina, e experimentar hipóteses de fachada, ou a partilha de esquissos (guardanapos de papel, no verso de envelopes). Com este projecto tive a possibilidade de interagir pela primeira vez com o cliente. Intervir a par com o Diogo nem sempre é fácil, tendo em conta o “espaço” que ele ocupa. Contudo, foi possível complementar o discurso, introduzindo alguns aspectos incisivos. O apoio directo e indirecto foi fundamental, em particular, pelas circunstâncias de ausência. Quando voltei de Goa, era urgente formalizar a proposta a curto prazo (1 a 2 semanas), com todas as peças necessárias. Contactava por telefone, e-mail, skype, tanto o Diogo como a Cristina, em busca de esclarecimentos, simples relatar dos acontecimentos, ou alguns desabafos (“Não sei se vou conseguir resolver as tipologias a tempo, mas vou dar o meu melhor”).

perspectivas em torno do edificio 1

CORREA, Charles - Housing and Urbanisation . Ed. Thames & Hudson, UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE

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SEDE DA AMI CRECHE E JARDIM PÚBLICO

AV L . S. MIGUE

INSTALAÇÃOES PARA A FUTURA SEDE, CASCAIS

planta de localização

Data do Projecto Dezembro 2007 Fase de Projecto/ Escala C - Estudo Prévio Tempo de Participação finais de S10 S18 a S21 Contribuição Concepção (Geral, Creche) Produção () Concurso Público Internacional 2º prémio Cliente Fundação AMI Área Bruta de Construção 10 200 m2 Custo de Construção 6 200 000,00 € Arquitectura e Coordenação CVDB Arquitectos Equipa de Concurso Cristina Veríssimo, Diogo Burnay, Ângelo Branquinho, Ania Abrantes, Artur Campos, Filipe Del Rio, Hugo Nascimento, Joana Barrelas, João Falcão, Luís Cruz, Paio Pinheiro, Tiago Santos Paisagismo F&C Arquitectura Paisagista Engenheiros AFA Consult.

Lugar e Programa A particularidade do concurso consiste na importância atribuída à relação estreita entre os objectivos fundamentais da AMI (no Mundo, em Portugal, e alertar consciências) e contribuição da mesma para o lugar, recaindo sobre um lugar e programa integrados, direccionados para a comunidade local, com a capacidade de valorizar a Fundação como uma instituição mundial e receptora de diplomatas e delegações estrangeiras de alto nível. O lugar escolhido salvaguarda essa perspectiva de coesão social e do território, incidindo sobre Carcavelos – Cascais, em vazio urbano, descaracterizado, com descontinuidades viárias – excepto a Avenida S. Miguel, artéria principal que estabelece relações directas com a cidade. O programa reforça essa resposta através de um Edifício-Sede com condições para as necessidades actuais e futuras (funcional, flexível, contemporâneo, seguro, e digno), e para a população residente uma Creche, independente do edifício-sede, ambos articulados por um Jardim Público; um conjunto com finalidade de transmitir uma imagem positiva de Portugal. Projecto Tendo em conta a contribuição para o edifício da Creche, opto por resumir os aspectos gerais da proposta, concentrando a explicação sobre esse equipamento socioeducativo. O discurso entre jardim público e envolvente (proposta/ existente) é a premissa essencial do projecto. Uma intenção que pretende definir um lugar, a praça da AMI, através de dois edifícios com geometria e orientação similar, e um jardim informal, de representação da natureza humanitária da instituição. A praça da AMI contextualiza os edifícios através de um espaço exterior qualificado, reforçando uma noção de conjunto pelo definir de uma orla arbórea periférica em torno da clareira, percursos que interligam os espaços arquitectónicos, espaços de actividade, recreio e de protecção. Aproveitando a topografia natural e estrutura verde, garante continuidade exterior/ interior, em pontos-chave do projecto. No acesso ao edifício-sede, pela praça que liberta o olhar em profundidade entre a cobertura e o jardim. Seguindo o percurso longitudinal, passamos por um espelho de água, e por sua vez ao edifício da creche – corpo protegido por uma orla de zambujeiros. A acessibilidade é assegurada em torno da clareira, por passeios reabilitados, e bolsas de estacionamento indispensáveis ao projecto. Do ponto vista urbano, o edifício-sede procura consolidar a frente urbana (Av. S. Miguel), abrindo contudo o piso térreo no gaveto para criar uma entrada protegida tanto para o edifício como para o Jardim. O piso térreo funciona como uma extensão do espaço exterior, albergando o

perspectiva sobre o cruzamento entre a avenida principal (av. s. miguel) e entrada secundária em direcção ao topo do jardim/ creche 28 50

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programa com uma componente mais pública (auditório, museu, café), enquanto os andares de escritório (1º e 2º pisos) se voltam para o Jardim através de um peristilo contínuo no lado interior e se abrem para a vista na fachada oposta. O interior do edifício divide-se em dois corpos, um servindo o outro, ligados por um vazio transversal que estrutura os acessos verticais, a todo o edifício onde se desenvolvem todas as circulações, ao mesmo tempo que traz luz para o seu interior.

UR BAN A

O

PRAÇA DA AMI

CONSOLIDAÇÃO DA FRENTE URBANA, LIBERTANDO A ESQUINA

PÁTIO

ESPAÇO SERVIDOR VAZIO\CIRCULAÇÕES

ESPAÇO SERVIDOR

ESPAÇO SERVIDO ESPAÇO SERVIDO

OR GA NIZ AÇ ÃO

r. s. gabriel EDIFÍCIO COMO EXTENÇÃO DO JARDIM

PIS O

00

r. s. josé

O

O acesso principal efectua-se a partir do passeio contíguo à rua S. José, conduzido para o corredor de distribuição interior – um eixo central que interliga espaços servidos e servidores. Animado pelos vazios transversais dos pátios, recebe os pais e as crianças no átrio de entrada. Um espaço generoso, que incorpora a recepção, o gabinete do director, e permite ainda franca relação com o vazio gerado pelo refeitório/ pátio. Este pode ser um espaço polivalente e de ampliação do recreio através de painéis amovíveis na fachada junto ao pátio exterior.

REL AÇ ÃO

JARDIM DA AMI

O

A creche remata o terreno a topo poente/sul, definindo um espaço mais sossegado e um limite para o jardim público. O edifício é constituído por um único volume, esculpido por uma lógica formal de disposição de programas compactos com outros transparentes e pátios exteriores. Um conjunto envolvido por um ritmo de elementos exteriores estruturais e de sombreamento. A topografia natural do terreno foi mantida quanto possível, aproveitando árvores existentes, aumentando o volume do edifício nas cotas mais baixas, adequando a sua escala ao jardim público e ao diálogo com a sede da AMI, permitindo ainda colocar algum equipamento técnico sob o edifício.

EDIFÍCIO LIGA CIDADE

av. s. miguel

PÁTIO

OPEN SPACE

REFEITÓRIO GABINETES SALAS

PIS O

O

A hierarquia das salas de actividades é estabelecida de acordo com a evolução da idade das crianças, garantindo partilha de espaços de recreio (pátios exteriores) entre cada grupo etário. Persiste uma presença constante do jardim publico pela permeabilidade visual das salas para o exterior; uma relação directa com os espaços de apoio (sala de convívio dos educadores, sala de isolamento); e uma permanente vigilância dos responsáveis da creche (através de envidraçados à cota do olhar do adulto).

01

OPEN SPACE

GABINETES

02

O

PERISTILO RELAÇÃO COM O JARDIM

RELAÇÃO COM A PAISAGEM URBANA

GABINETES

OPEN SPACE

PERCURSO VERTICAL

PERCURSO HORIZONTAL

S

O

RS

U

RC

PE E

D EM IA

C ÊN

G

ER

O primeiro ciclo associado à idade entre os 3 e os 36 meses, corresponde ao núcleo do berçário, incluindo a sala de berços, sala parque, e a sala de actividades (12-36 meses). O espaço de recepção (intermédio às salas), no topo do corredor, recebe luz do exterior, e fica circunscrito pela proximidade dos vestiários, i.s. de apoio, copa de leites e sala de refeições do berçário, ou seja, um espaço polivalente animado pelas refeições e pelas actividades comuns. A sala de berços requer maior segurança, privacidade, silêncio e conforto para os períodos de repouso prolongado. Localizado no topo nascente usufrui da calma da natureza, e deve permitir obscurecimento total da sala contígua, através de painéis amovíveis, separando os bebés em repouso das brincadeiras dos que estão em actividade na sala parque. Associado à aquisição de marcha, a idade seguinte (12-36 meses), evolui para uma sala de actividades, com mais espaço para “correr”, não menosprezando o tempo fundamental de repouso. O ciclo seguinte, o núcleo de jardim-de-infância (3-5 anos), reclama valências reforçadas nas salas de actividades: flexibilidade, relação com o exterior, maior dimensão. A flexibilidade pela união das duas salas através de divisória central amovível, permitindo ampliação e prolongamento até aos pátios, transformando-as num espaço polivalente, com potencial p. ex. para actividades extra curriculares ao serviço da comunidade. Arrumos de partilha de material escolar são também integrados. A luz de uma clarabóia junto do corredor, recebe as crianças junto das salas, iluminando os vestiários, e instalações sanitárias contíguas.

PIS O

O

diagramas explicativos

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Norte

rua

s.

jos

é

av. s. miguel

rua s. gabriel

integração com a praça

da AMI (jardim público) para os edificios propostos: planta do piso de escrtórios do edificio-sede, do piso térreo da creche

Processo O tempo de dedicação à abordagem conceptual, um processo lento de inicio, deixou respirar. Sentia necessidade de parar um pouco, reflectir. O reboliço, ou ritmo mais ou menos “acelerado” patente nos concursos do atelier, raramente permitia ausentar-me no canto de silêncio e pensar sobre qualquer matéria. Desde a entrada no atelier, sentia uma certa pressão, individual ou colectiva, para em curto prazo, desabrochar uma ideia, um conceito, algo que despertasse um caminho a seguir. As sessões de brainstorming ajudam quando não temos tempo, e somos “forçados” a discursar sobre a matéria, debitar palavras-chave, concepções e interpretações do lugar, como um grupo. A solução nasce desse envolvimento em equipa, contínuo, até chegarmos a um consenso. As primeiras aproximações ao lugar, através de visitas pedonais, sugeriam algumas soluções, mas estabelecemos apenas duas. Relacionadas com o objectivo de atribuir uma dimensão pública ao projecto, convertendo um vazio urbano em jardim integrado com o tecido. Pretendia-se ligar as cotas baixas às cotas altas, através de um atravessamento pelo edifico-sede da Ami. Uma solução, compacta/ optimizada, em “U” com um pátio central que estabelecia essa relação, e outra, em “L”, charneira entre as traseiras de um edificado pouco qualificado e a Av. S. Miguel. A concepção de maquetas rápidas em esferovite ajudava na possível decisão. Qual a melhor proposta? Uma que resolve o programa de modo eficaz e relaciona o jardim, ou outra que permite atribuir uma maior generosidade com o exterior, contudo, de difícil resolução do programa. Quando decidimos pela segunda opção, o tempo não era tão lento. Tinha sido gasto. Vimo-nos a braços com um edifício mais complexo, a acrescentar à adaptação da morfologia acentuada do terreno e a uma certa presença de uma promenade interior, um corredor central que distribuía os dois braços do “L”. A par deste desenvolvimento conjunto, a creche seria um elemento autónomo, complemento de um plano que se pretendia estabilizado e circunscrevesse a implantação do terreno. Seria uma âncora de pequena dimensão, mas da mesma família como um todo. Fiquei encarregue deste edifício, com circunstâncias semelhantes ao meu projecto de segundo e quinto ano, sobre um talude, e em situação de gaveto, junto a um entroncamento declivoso. Virtualmente separados, havia necessidade de coordenar uma coerência com ambos os edificios. À vontade com o programa, consolidei uma filosofia com um espaço para as crianças, encerrado, mas com forte presença de e para o jardim. Os vários esquissos iam sempre em direcção à optimização de um polígono equilibrado entre programa, área (400m2) e 30 50

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corredor com relação dos pátios contíguos

a diversão de pátios interiores. Estes estabeleciam “bolsas” entre as várias etapas da criança, desde a idade de berço (3-12 / 12-36 meses) até à idade pré-escolar (3-5 anos). Para mim é importante criar laços com a natureza, crescer pela proximidade do mais velho ou mais novo, e ensino/ actividade de desenvolvimento psicológico/ afectivo/ racional/ lúdico. Mas sobretudo, favorecer espaços para a brincadeira. È necessária uma lógica de serenidade e de continuidade dos ciclos da vida. Por isso, apesar da pressão associada ao percurso do projecto e tentativa de terminar o trabalho antes da partida para Goa, julgo ter conseguido resumir as ambições principais do que pesquisei sobre jardins-de-infância1 (e colaboração de uma profissional). A urgência acelera o metabolismo, exige concentração. Tinha de preparar e coordenar a informação recolhida, para passar o testemunho a alguém que o terminasse. Neste momento, faltava ainda no projecto geral a escolha da materialidade ou estratégia estrutural/ conceptual da imagem exterior. Contudo, tinha apontado algumas soluções, em conjunto com a Joana, e o António (Engenheiro da AFA). Satisfeito com os resultados, fiquei com um ligeiro “aperto” por deixar o rumo por terminar. Considerações Pessoais Esta fase julgo ter contribuído para uma certa estabilidade no atelier, pessoalmente pela aptidão, capacidade de resposta, e finalmente por comprovar que estaria à vontade por deixar crescer algo que vem de dentro, uma influência pessoal, mais do que externa ou de grupo. Estava a precisar de projectar, de rabiscar, com alguma consistência, com algum tempo. A pressão ajuda a puxar, mas a não-pressão ajuda a apaixonar pelo que fazemos, ganhar um certo gozo. Como o simples caminhar pela cidade e deixar-nos agradar pela envolvente. Saborear, digerir, soltar espaço para experimentar com calma. Quer pelo esquisso, pela troca de ideias com ambiente sereno, ou pela maqueta que cresce sem nos apercebermos. Descobrir a surpresa, sem tentar forçar ou adivinhar o que poderá ser. Investigar.

planta do jardim de infância (creche)

atravessamento do jardim/ exterior na creche

A presença do Paio Pinheiro trouxe também um pouco de um carácter curioso, com vontade de conhecer e retribuir. Um personagem. Registava “provérbios” no seu bloco de notas, e sabia tudo sobre árvores e comboios. A Joana, que acompanhou parte do processo da creche, de espírito atento, ajudou a desbloquear certos aspectos cruciais do projecto. Ou aquele ar satisfeito da Cristina como reconhecimento de um bom trabalho. Já habituado ao Diogo, com as discussões diagramáticas eficazes e esclarecedoras. O Tiago, incisivo, pragmático, sem dúvidas. O João, de espírito critico, com um sentido apurado numa arquitectura discursiva. Embora atribuído um segundo lugar no concurso, o resultado evidenciava a evolução e consolidar da equipa, agora amadurecida. A solução vencedora, muito próxima da nossa primeira solução, contudo, para nós um tanto aquém de um jardim integrado para a comunidade. A justificação do nosso lugar prendeu-se à solução estrutural de um vão (c. 28m) “aparentemente” dispendioso.

processo enquanto diagrama - relação entre o programa e os pátios exteriores

Além da pesquisa acumulada do quinto ano na FAUTL, inclui: MOSTAEDI, Arian - Arquitectura en guarderías , Ed. epu.l, 2006.; TEZUKA Architects - Fuji Kindergarden . Rev. Mais Arquitectura, Lisboa: Arcatura, Nr 021 (Fevereiro 2008) Ano II, p. 44-55

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40 FOGOS SÃO MARÇAL CONCURSO, PORTELA DE CARNAXIDE, OEIRAS

Lugar, Programa, Projecto O projecto propõe que o edifício seja apreendido como parte integrante da área de terreno não edificada, sendo o espaço não construído entendido como um prolongamento visual do espaço público urbano tendo sido o edifício levantado do chão, permitindo um ponto de congregação da comunidade.

esboço conceptual Data do Projecto Fevereiro 2008 Fase de Projecto C - Estudo Prévio Tempo de Participação S17 a S20 Contribuição Produção Concurso Público 1º Prémio Cliente Câmara Municipal de Oeiras Área Bruta de Construção 5 000 m2 Custo de Construção 2 000 000 € Arquitectura e coordenação CVDB Arquitectos Equipa de projecto Cristina Veríssimo, Diogo Burnay e Tiago Santos com Hugo Nascimento, Joana Barrelas, Luís Cruz, João Falcão, Ângelo Branquinho Paisagismo Global Arquitectura Paisagística (Inês Norton) Engenheiros AFA Consult

O piso de entrada foi estruturado pensando o programa, entradas e sala de condomínio, como se fossem caixas colocadas por debaixo do edifício. Estas cinco caixas/ cinco entradas, são envolvidas por uma estrutura de pilares que ramificam a partir deste piso, dando a ideia que são troncos de árvores que apoiam o edifício. O facto de o programa ser reduzido neste nível reforçou a ideia de se prolongar um espaço de estar e de sombreamento para os residentes e comunidade. Todos os fogos são dotados das mesmas condições de habitabilidade e conforto. Os fogos estão orientados nascente /poente, permitindo uma ventilação transversal e com isto melhores condições de vida e uma vista desafogada para poente sobre o parque e para a paisagem urbana. Os 40 alojamentos foram distribuídos em cinco lotes de tipologias esquerdo/direito de quatro pisos. Cada piso articula uma tipologia T1 e T2. Considerações Pessoais O aparecimento do concurso dos 40 fogos foi sincrónico com o Parque Mayer, Huambo, e Sede da AMI. Assim que o Diogo tomou conhecimento deste, ficou entusiasmado com a possibilidade de introduzir um novo edifício ao lado do nosso “Centro de Apoio à Terceira Idade da Portela”, permitindo de certo modo uma continuidade e reforço do sentido agregador para a comunidade. Em conversa de café, nasciam esquissos rápidos, imediatos no que respeitava às premissas base do que o território tinha para oferecer. Parecia evidente o destino vencedor do projecto. O trabalho prosseguiu com o Tiago Santos, Luís Cruz e Joana Barrelas, e a minha participação foi simplesmente de apoio na modulação da maqueta virtual, a par da Cristina e do Ângelo que construíam a maqueta em “k-line”. A noção real deste tipo de modelo permite esclarecer todas as dúvidas possíveis de projecto, e até evitar erros, raramente detectados no virtual. O Diogo viu a maqueta, abriu os braços de contentamento, e esfregou as mãos: “É isto Cristina! Mas se os volumes estivessem…”. Como no Fórum a parceria entre o modelo e os alçados (da Joana) tinha de ser concordante, de modo a não existirem discrepâncias nos resultados, antes da minha saída para GOA. Fiz o que pude, enquanto orientava os preparativos para a viagem.

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UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE


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WORKSHOP FAUTL - GOA REABILITAÇÃO DA ZONA HISTÓRIA DA CIDADE DE PANJIM, GOA, INDIA

Âmbito A experiência “Pangim Cidade Viva”, com os professores de ambas as instituições, alunos portugueses de 3º e 6º ano da FAUTL, e com os alunos de 4º ano de Goa College of Architecture, foi um exercício conjunto, num esforço para entender e resolver problemas de desenvolvimento urbano, em particular na área central de Panjim, incluindo o Jardim Municipal, o “Old Secretariat”, a “Patto Bridge”, a área residencial das Fontainhas, e a Praça da Igreja. Foi dada especial atenção aos problemas relacionados com o movimento pedonal, conservação do património, e questões gerais de tráfego viário.

Data Fevereiro/ Março 2008 Tempo de Participação S22 a S24 Workshop Internacional “Pangim Cidade Viva” Instituições GOA College of Architecture (Prof. Ravi Azhra) Faculdade de Arquitectura - U.T.L. (Prof. M. M. Godinho de Almeida) Convidados Arqt. Charles Correa Participantes Portugueses Eline, Francisco, Hugo Nascimento, Joana, José Pedro

Considerações Pessoais/ Percurso Parti sem expectativas, nem “pré-conceitos”, seguia apenas com o sentido de curiosidade aguçado, olhos bem abertos, para assimilar o máximo nas duas semanas seguintes. Chegámos em plena noite-madrugada, exaustos de uma viagem atribulada, incluindo um acidente viário em Lisboa – e esperava-se talvez um em Goa, tendo em conta o aparente caos do tráfego local com “vanettes”, motas, pessoas e vacas sagradas (controlado com buzinas frenéticas, sinais de luzes, velocidade moderada e atenção cuidada). A sensação de calor quente e húmido, o silêncio interrompido apenas pelos corvos negros, o fascínio pelas cores garridas do “lâterìte”1, do vestuário2, das casas… Não era necessário fazer muitas perguntas, o esplendor estava em frente do nosso olhar. Percorremos todos os lugares possíveis: a Velha Goa, os Templos e Igrejas católicas, o Museu das casas de Goa (concebido por um ex-instruendo da Arqtª Laurie Baker) e as próprias casas pátio (com atmosferas singulares), o Ingoo Bazar, o Mercado local, as incursões de estudo com a simpatia dos alunos goeses (curiosos e expectantes). O final do dia era preenchido com a variedade gastronómica, reflexão e descanso no “Ernesto’s”, lugar onde também fizemos a despedida oficial. Moído das visitas de estudo, optei por ausentar-me em descoberta do que não era possível em grupo. Queria descobrir qual o modo de vida dos residentes, como usufruíam o espaço, qual a relação em família, o convívio. Procurava respostas para projectar um espaço adequado à população. Uma amizade recente favoreceu e ajudou esta procura. Partimos, eu e Ramya Govind, de “scooter”, em direcção a um dos cantos da cidade, o Kala Academy Park. Apercebime então que o hábito do jardim detém um ritual associado, tanto a locais “reservados” para as várias fases de um casal (namoro, casamento, filhos), quanto a um final do dia para descontrair e estabelecer contacto com o rio e o pôr-do-sol – dá vontade de respirar fundo e ficar por cá…

esboço no jardim da “casa-pátio” de velha goa

Resta voltar, e aprofundar os lugares em que persiste um modo de vida mais ligado à Índia “tradicional”: a Sul, Karnataka, Kerala, Tamil Naou, e a Norte, com Ponjab, e Kashmir.

VIVA - dia de apresentação e discussão dos trabalhos rocha sedimentar comum, de cor avermelhada (similar ao tijolo maciço ou barro), porosa, com eleva resistência térmica. 2 “salwar” - vestido considerado “citadino”, composto por duas peças principais, a blusa “chridar” (curta ou comprida) e as calças “pijama”. “saari” – vestido tradicional (religioso) constituído por um pano entre 5 a 8 metros enrolado no corpo, sobre uma blusa de manga curta. “khurta” – camisa típica com um corte vertical na gola, de variante “short” ou “long”, tecido de linho ou seda. O calçado em geral é menosprezado, à excepção de dias de festa. A marca avermelhada na testa (bindi), pode ter significado religioso ou tomar formas variadas consoante o estado de espírito. 1

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MERCADO DE ALGÉS RECUPERAÇÃO ARQUITECTÓNICA, OEIRAS,

Lugar e Programa Sito em zona central de Algés - Oeiras, apresenta uma volumetria qualificada, com forte proximidade e relação com a população residente e envolvente urbana. Com acessibilidades francas, as entradas mais utilizadas pelos consumidores, são a Sul e Poente, devido à maior visibilidade do mercado, proximidade com as ruas de maior fluxo pedonal, e tipo de comércio envolvente, complementar ao mercado. planta de localização

Data do Projecto Abril 2008 Fase de Projecto/ Escala C - Estudo Prévio R00 (1:200) C - Estudo Prévio R01 (1:100) Tempo de Participação S31 a S36 (EP R00) posterior a S42 (EP R01) Contribuição Gestão, Investigação, Concepção, Coordenação, Produção Concurso limitado por convite 1º prémio Cliente Câmara Municipal de Oeiras Área Bruta de Construção 1 523 m2 Custo de Construção 850 000,00 € Arquitectura e Coordenação CVDB Arquitectos Equipa de Projecto Cristina Veríssimo, Diogo Burnay, com Tiago Santos, Hugo Nascimento, Engenheiros Tecnopert Visitas a Mercados (de referência) Merc. Alvalade Norte Merc. Loulé Merc. Faro Merc. Benfica Merc. Boa Hora

A nascente (Av. Dr. Manuel Arriaga), estabelece relação com uma das artérias de distribuição de trânsito, com frente para o viaduto rodoviário, e enquadramento, no futuro, com a requalificação da praça urbana, pelo que o edifício do Mercado poderá reforçar o contributo como um elemento marcante na paisagem urbana para este novo espaço público. Facilita as cargas/descargas de produtos e de lixos do mercado, estabelecendo-se deste modo, como o acesso primordial de serviço. A poente (Rua de Luís de Camões), por sua vez, representa a via de maior influência, que estabelece ligação com comércio, equipamentos, transportes, e serviços (Pingo Doce, Lojas, Bancos, Escolas, Autocarros, Comboio, entre outros), e estabelece a continuidade até ao bairro de Algés. Na requalificação propõem-se algumas medidas de modo a tentar adaptar o local às novas exigências legais, mantendo-se, no entanto, o conceito de “Mercado Tradicional”. É necessário equipar este espaço com outras valências necessárias a uma utilização mais virada para o futuro. A vivência e a utilização de um mercado tradicional hoje em dia, obriga a todo um sistema de higiene e conservação de alimentos mais rigorosa e portanto com necessidades de equipamento e utilização um pouco diferentes do existente. Consideram-se também intervenções profundas e urgentes ao nível de: sistema de canalização (água e esgotos); electricidade; pavimentos; cobertura; pintura; bancas; arrecadações; caves; sistema de deposição de lixos (orgânicos e outros). Projecto O projecto define a priori critérios para competir com a crescente concorrência de outro tipo de estruturas comerciais, através da modernização, uma nova estratégia comercial pela dinamização de outro tipo de actividades ou eventos, e o apostar numa nova imagem de Mercado. Procura manter na generalidade a organização anterior (vendedores e ocupação); e o espaço arquitectónico como elemento digno e imagem forte para os utentes e cidade. O edifício pretende responder às necessidades do mesmo, renovando-o e lidando com o delicado sistema entre a gestão dos concessionários, espaços de venda, e hábitos quotidianos (ocupação, outros). A resposta social torna-se relevante. A particularidade de manter o conceito de “mercado

perspectiva do interior junto da entrada nobre a nascente - ressaltam ao olhar uma variedade de obstáculos que dificultam uma imagem global do mercado 34 50

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estudo prévio (revisao 00) - levantamento do mercado existente com planta da primeira proposta. Hierarquizar os espaços por sectores, e dignificar a relação nascente-poente

tradicional” implica manter aspectos essenciais desse tipo de vivência, e de funcionamento. Por um lado, a habitual confusão visual ou sonora; por outro lado, o funcionamento baseado no conceito de partilha de elementos (espaços de trabalho, serviços, lavagem, arrumos, vestiários, armazenagem, refrigeração, etc) tende para a evolução de um certo individualizar dos espaços sem ocultar os mesmos. Mantém-se a forma essencial do mercado, conjunto de um corpo periférico e uma praça central. Definido pelo polígono exterior de 44x36,4m, e métrica de 4x4m que corresponde à malha estrutural do corpo periférico, à área de cada loja, e na praça central a submúltiplos da estrutura das três naves. Com dois acessos nobres a nascente/poente pontuadas acima da cantaria com painéis de azulejos, e duas entradas secundárias a sul/norte. A noção de entrada é reforçada pelo anular das bancas/ obstáculos no corredor nascente-poente, libertando o olhar para todo o mercado. Note-se o ruído existente, preenchido por terrados fixos, bancas confusas com plataformas de apoio, estruturas em aço inox, acessórios recorrentes da ocupação da praça central. A proposta pretende atribuir uma imagem coerente, simplificada pela atribuição de Sectores de Actividade, com sinalética, e cores respectivas, consoante o tipo de actividade. O Sector de Pescado (bancas de pescado, loja de congelados, e serviços associados); o Sector de Outros (bancas de flores, pão, bacalhau, leitão/enchidos, charcutaria), o Sector de Hortofrutícolas (bancas de hortaliças, e frutas), e o Sector de Carnes (lojas de talhos, lojas de criação de aves e ovos). A praça central distribui os sectores de Hortofrutícolas a sul, Pescado a norte, e Outros no corredor nascente-poente, reestruturando o espaço para uma lógica de percursos em torno de ilhas – vantagem de garantir a exposição constante dos produtos dos concessionários em todas as direcções e visibilidade entre vendedores. Define-se uma rotação das bancas a 90º em relação ao existente, com orientação sul-norte. Apesar de reduzir de 128 para 104 bancas, tira-se máximo proveito com o mínimo espaço disponível, com módulos de 12 bancas por ilha. As bancas centrais do sector Outros, convidam ao entrar, através do carácter atractivo e colorido das bancas de Flores localizadas junto aos átrios destas entradas, que acolhem e gratificam a profundidade do olhar do visitante. Ao mesmo tempo que determinam uma charneira entre o pescado e hortofrutícolas. UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE

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Diagramas/ Secções Comparativas (transversal) A_ Levantamento do existente 1. obstrução da circulação por bancas e terrados 2. corredores estreitos, 6 vias de circulação B_Proposta de Estudo Prévio R00 1. alinhar circulação principal com entradas 2. alargar corredores, e reduzir de 6 para 5 vias 3. uniformizar a imagem do mercado 4. sectores (carne, pescado, hortofrutic., outros) 5. envolver a praça c/ material nobre e resistente 6. simplificar e uniformizar a sinalética C_Proposta de Estudo Prévio R01 1. rodar as bancas em 90º no sentido Sul-Norte 2. individualizar as bancas 3. estabilizar unidades de passagem nos corredores (ida/volta, e paragem de compra) 4. reduzir corredores de 6 para 4 5 a 7. idem de B (4 a 6)

alinhamentos com entradas (existente/ proposto) 36 50

O corpo periférico incorpora algumas das funções existentes, embora com actualização das condições físicas, e apresenta duas frentes de intervenção funcional: a primeira, contendo os serviços de apoio/técnicos na fachada norte (I.S.V. Hortofrutícolas/Pescado Masculino e Feminino; I.S. Público Masculino, Feminino e deficientes; Armazém e Câmara Refrigeração do Pescado; Armazém e Câmara Refrigeração das Hortofrutícolas; Fabrico de Gelo; Câmara de Lixos com separação de subprodutos) e metade da fachada nascente, próximo a R. Sport Algés e Dafundo (I.S.V. Carnes/Outros Masculino e Feminino; Gabinete Fiscal/ Vigilante/ Multibanco); a segunda frente, com lojas na fachada poente (Loja de Congelados; Loja de Criação e Ovos; Lojas de Talhos), na fachada sul (Lojas de Talhos) e em metade da fachada nascente, próximo a Rua Ernesto Silva (Loja de Criação e Ovos; duas novas lojas). As lojas dos talhos estabelecem agora relações espaciais atribuindo maior visibilidade ao interior do mercado, mantendo áreas equivalentes e uma lógica idêntica de localização com determinados melhoramentos, sobretudo pela introdução de salas de apoio ao talho com os elementos essenciais a esta função. Os talhos possuem flexibilidade no que respeita ao aumentar a área de apoio em detrimento das outras áreas. Processo A abordagem inicial ao tema do mercado revelou uma certa ignorância no domínio do mesmo, independentemente da experiência individual anterior, com o Workshop EWSEMS. A dificuldade prendia-se com a complexidade de uma componente mais real, o facto de existir um programa algo denso, e complexo em especial pela exigência do imprescindível conhecimento sobre a regulamentação em vigor. O entusiasmo sobre o mercado facilitou o nascer de um certo gozo sobre a investigação, as visitas a mercados de referência (Alvalade Norte, Campolide, BoaHora/Ajuda, Benfica, Arroios, Loulé, Faro), à partilha de conhecimentos e experiências com os técnicos e concessionários, reuniões com o cliente, prospecção de elementos com fornecedores, mas sobretudo um desejo de querer continuar a aprofundar a matéria. Partindo de uma análise do mercado existente, definiu-se uma proposta para um Estudo Prévio (R00) que pretendia simplificar a lógica interior do mercado, libertando o corredor nascentepoente para circulação. Este impacto resultou na apropriação dos pilares estruturais no meio dos corredores, solução que não agradou o vereador da câmara numa das reuniões. Contudo, o amadurecimento e domínio sobre os conteúdos apreendidos até à fase de revisão de estudo prévio, permitiu sintetizar e optimizar um conceito de banca, até então apenas simplificado. A maior dificuldade remetia sempre para a resolução do espaço central, coração do mercado, tentando seguir instruções ou ensinamentos dos concessionários (conversas in situ ou questionários informais), a par da gestão dos espaços, e tipo do funcionamento dos mesmos. Na fase de revisão do estudo, conseguíamos introduzir uma lógica optimizada de ilhas, sem prejuízo exagerado para a gestão de concessionários. É difícil a compatibilidade entre um espaço deste género e a quantidade (exagerada) das bancas existentes. Viríamos a apostar generosidade dos corredores, através de unidades de passagem (deslocação de ida e volta) e unidades de paragem (compra dos produtos sem atropelos). As bancas, julgamos, terem ganho momento e relevância para o mercado, permitindo um ritmo animado com o mínimo de obstáculos desnecessários. Os primeiros passos para uma futura ambiência do mercado estão dados. Considerações Pessoais É bastante enriquecedora esta experiência, sobretudo pela percepção de um tema como o mercado tem vindo a crescer ao longo do meu percurso. Tenho ganho uma vontade peculiar de aprender de tudo sobre este tipo de equipamento. Desde pequeno (?) até recentemente, pelo EWSEMS, pela viagem de Goa (Ingoos Bazar), ou pelos mercados locais, quase despercebidos por estarem tão entranhados num certo hábito quotidiano, ou escondidos precariamente na envolvente urbana. Actualmente, esta noção de utilização diária perdeu-se pela fraca harmonia entre população e o “mercado”. Talvez pela condicionante do horário de funcionamento? Talvez pela apetência pouco versátil, pouco polivalente, ou até escassez de diversidade de actividades e produtos? Pela escassez de estacionamento? Pela presença forte dos grandes estabelecimentos? Uma das visitas ao mercado de Loulé revelou algumas soluções para estes aspectos anteriores, embora, apesar de diversificar a oferta de actividade pela conversão de

UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE


concessionários (p.ex. frutas para frutos secos regionais ou mel), e introduzir novas valências ao programa mais relacionadas com a população (formação interna, eventos, animações, conferências, café, convívio), não resolve as operações de fundo. Uma reportagem televisiva sobre a vida do mercado indicava inclusivamente críticas relacionadas com a escassez de compra motivada pelos preços excessivos (?), ou uma mera curiosidade turística, ou interesse pelo património edificado. Tenho reflectido sobre algumas acções resolutivas, embora de difícil aceitação pela parte das entidades e dos próprios concessionários. O horário de funcionamento é a componente chave para coordenar os hábitos das pessoas com o rimo de trabalho/casa. É necessário adequar talvez um período matinal e um período ao fim do dia, favorecendo a oportunidade de um pai ou mãe, depois de sair do trabalho/ buscar o filho, ir ao mercado comprar os produtos frescos. O estacionamento temporário seria uma boa filosofia, uma vez que há que garantir acessibilidade. A introdução programática, arquitectónica, qualidade espacial, qualidade dos produtos, ou implementação de todas as regras higiénicas não creio garantirem um sucesso renovado do mercado. Ora, os que têm êxito (aparente), estão favorecidos por algumas situações. Em suma: a interacção franca e confiança entre concessionário/ cliente; os hábitos de comer saudáveis da população; a procura por pessoas que ainda cozinham em casa; a presença dos distribuidores, mas fundamentalmente dos pequenos produtores, que além de animarem a vida do mercado com as personalidades distintas, retribuem com produtos provenientes das suas quintas – é necessário deixar espaços, a baixo custo, que influencie um crescimento deste tipo de produção (talvez aproveitando a recente influência da agricultura biológica(?)). Gostava de deixar uma nota de atenção a este problema da cidade. Parece ser secundário para um panorama global, contudo, pela sua dimensão de coesão social, conceito de partilha, e como espaço frequentemente qualificado para albergar actividades, pode ter o potencial de integração dentro uma vida urbana, quer pelo turismo, pela organização de grandes eventos gastronómicos (usufruindo dos produtos), e como pólo agregador da população local, ou até implementação de novas áreas urbanas destinadas aos pequenos produtores, na proximidade do contexto urbano do mercado.

proposta de estudo prévio revisao 01 - simplificar das zonas dos sectores (talho, pescado, outros, hortofruticolas, serviços), e optimizar do espaço central com bancas-tipo “ilha” UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA .FACULDADE DE ARQUITECTURA _ HUGO NASCIMENTO _ LICENCIATURA ARQUITECTURA _ SUPERVISOR M. ARQ. MARIA MANUEL GODINHO DE ALMEIDA ENTIDADE DE ACOLHIMENTO CVDB ARQUITECTOS LDA _ ORIENTADOR M. ARQT. CRISTINA VERÍSSIMO _ ANO LECTIVO 2007/2008 _ RELATÓRIO DE ESTÁGIO VIA PROFISSIONALIZANTE

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SILO DE ALGÉS

PARQUE DE ESTACIONAMENTO, OEIRAS,

Lugar e Programa O lote apresenta características muito particulares à implantação de um Silo automóvel - área densa habitacional, e com parqueamento insuficiente. Estabelece uma forte relação com a Av. da Republica e articula através de diferença de cotas um contacto com o recreio da Escola EB1 Sofia de Carvalho, pelo que é necessário garantir a segurança e conforto das crianças.

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Data do Projecto Maio 2008 Fase de Projecto/ Escala C - Estudo Prévio Tempo de Participação S35 a S37 Contribuição Coordenação e Produção (Modelo 3D; Fotomontagens; Desenhos) Concurso Limitado Cliente Câmara Municipal de Oeiras Área Bruta de Construção 5 400 m2 Estimativa Global 1 500 000,00 € Arquitectura e coordenação CVDB Arquitectos Equipa de projecto Diogo Burnay, Cristina Veríssimo com Tiago Santos, Hugo Nascimento, Joana Barrelas, João Falcão Paisagismo Ana Luisa Felix Brogueira Engenheiros ?????

Projecto O Silo é um volume abstracto que procura dissimular-se na paisagem urbana, adquirindo uma imagem difusa e dinâmica. Aproveitando a topografia existente define uma plataforma na cobertura e ao nível da escola, permitindo um espaço de jogos para as crianças. O projecto pretende-se evolutivo, num aspecto, no dia e na noite, através da iluminação integrada na fachada, servindo de lanterna sobre a via pública, e a própria cobertura iluminando o recreio; por outro aspecto, o adicionar de mais um piso, albergando de 128 para 218 lugares de estacionamento. Deseja-se uma tectónica que revele a natureza dos materiais: a estrutura em betão à vista descofrado (elementos verticais e tectos), a betonilha esquartelada (pavimentos). As fachadas são revestidas por placas de GFRC “Glass Fiber Reinforced Concrete” que adquirem ritmos e nuances incutindo uma dinâmica particular às fachadas. Como este material é um pouco translúcido permite que a luz exterior entre através das placas. Também possibilita a circulação de ar, e os perfis com acabamento em verde, ajudam a integrar o edifício com o relvado contíguo da escola. Considerações Pessoais Este projecto foi bastante particular, pela velocidade em que foi concebido, revelando a fluidez consolidada da equipa, e pelo equilíbrio entre solução de projecto e vontade de introduzir valências interessantes ao nível dos materiais e capacidade de integração urbana. Contudo, de nada nos valeu o prazer de o conceber. Perdemos o concurso por um artigo incumprido do RGEU - a regra dos 45º. Este tipo de concurso/ programa, creio ter sido aceite pelo atelier para um manter de um “ganha-pão” que se pretende contínuo. No entanto, julgo que não apostámos bem no equilíbrio entre projecto e a entidade/ júri que se destinava. Tendo em conta o peso camarário / entidade reguladora quase se adivinhava uma resposta de cariz burocrático e regulamentativo, para eliminar propostas, independentemente da qualidade óbvia das mesmas, e da existência de rectificação à posteriori na fase de licenciamento. Afinal de contas, trata-se de um concurso e refere-se a um “estudo prévio”. Fiquei incrédulo com a decisão do júri, e algo frustrado. Parecia tudo tão directo, sem qualquer tipo de obstáculo. Se calhar, iludi-me com o motivo apresentado no inicio do texto.

perspectiva da rua principal sobre o enquadramento do silo e a escola. 38 50

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MORADIAS MARISOL LOTE 331, 330 , MARISOL, ALMADA

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Data do Projecto Anterior a Maio de 2008 Fase de Projecto/ Escala D - Proj. Licenciamento (1:100) Tempo de Participação posterior a S36 Contribuição Gestão, Concepção, Produção Cliente privado Área Bruta de Construção 120 m2 Custo de Construção 200 000,00 € Arquitectura e coordenação CVDB Arquitectos Plano Urbano Diogo Burnay, Cristina Veríssimo com Hugo Nascimento, Tiago Santos Engenheiros Tecnopert

Lugar e Programa As moradias inserem-se no Bairro da Marisol, resultante de um Plano de Loteamento do princípio dos anos 80. Este corresponde ao crescimento rápido da cidade de Lisboa, assumindo hoje uma área urbana densificada por habitação unifamiliar (de primeira habitação, de férias, de arrendamento para época balnear), com alguns equipamentos e comércio que lhe atribuem um sentido comunitário, e fixação de população. Os lotes 332, 331 e 330, situam-se na Rua Júlio Dinis, Aroeira, Charneca da Caparica, em proximidade de casas de arquitectura corrente, pouco qualificada e sem capacidade de diálogo entre si na criação de uma identidade arquitectónica e relação com a rua. O programa solicitado envolve uma tipologia T3 para um limite de área bruta de construção de 120 m2, é organizado por dois pisos e uma cave, estruturado em torno de um grande espaço central, uma sala com duplo pé-direito, uma mezanine como elemento de ligação entre todos os espaços da casa. No piso térreo, a cozinha e instalações sanitárias, e no piso superior, um núcleo de zonas húmidas, dois quartos e uma suite. Projecto Pretende-se uma volumetria definida pela leitura clara de um sólido que assenta no chão através de “pés” maciços, resultantes da subtracção dos espaços considerados públicos (sala, etc), e brincando com os longos pinheiros bravos. Esta lógica sistematiza todos os lotes, sendo que existem variantes na organização dos espaços. O lote 332 detém a suite orientada para a rua; no lote 331, os quartos foram invertidos, em que a suite passa a relacionar-se com o jardim a tardoz. O lote 330, mantém esta inversão, mas estabelece uma relação de profundidade entre a rua e o jardim no piso térreo – ao contrário das primeiras, que viram as costas para a rua. Considerações Pessoais A recepção do projecto vem em seguimento do cliente adquirir os lotes adjacentes ao 332 (actualmente em construção), e da actualização do programa: aumentar a área dos quartos, e remeter a suite para o jardim. Motivados com a surpresa, elaboraram-se estudos que arbitrassem as novas condicionantes (adaptação ao regulamento de mobilidade condicionada DL 163 de 2006), e da oportunidade de conjugar as novas moradias, reforçando a continuidade urbana. Deste modo, o 331 seria o “espelho” da 332, e a 330, afastada, une-se ao lote vizinho, alargando-se até aos limites definidos pelo alvará de loteamento nr. 175 (CMA). Este exercício obrigou a um equilíbrio redobrado, acuidade com os espaços, de modo a não extrapolar a área limitada, e o sentido de coerência contemporaneidade/ materialidade/ custo de construção. A visita de campo e espírito cativante do Diogo ajudou na consolidação das experiências, tal como o olhar crítico da equipa (Cristina e Tiago).

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APRENDER -

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REFLEX(OS) CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os textos seguintes reflectem uma série de experiências, resultado da permanência no estágio curricular, traduzidas em pequenos reflexos. Introduzem questões, apontamentos importantes que enriqueceram de algum modo o percurso pessoal/ profissional. Pretendem zelar por uma síntese positiva, estabelecer um panorama geral, perceber os conhecimentos atingidos, e definir objectivos posteriores. Estágio O estágio curricular define objectivos imediatos como a promoção de relacionamento da Faculdade de Arquitectura com o meio socioprofissional e a sociedade em geral; o confronto dos licenciados com o exercício profissional; permitir o ajuste entre o académico/ profissional através do confronto de ambos; contribuir para o crescimento do recém formado; colocá-lo perante problemas de quotidiano, diálogo com os intervenientes durante o processo, legislação, e aspectos deontológicos. A continuidade de um percurso académico, pela inserção de um estágio curricular que estabelece a “ponte” entre universidade e meio profissional, no final do curso, assegura uma transição aparentemente suave, e como meio de comprovar a sólida formação cultural, científica e técnica de nível universitário. No entanto, coloco uma questão: O estágio curricular intermédio, após o terceiro ano académico, não seria proveitoso? Não estaríamos a incutir valências que permitissem esclarecer a vocação do indivíduo, e em simultâneo reforçar os conhecimentos? Poderia ter um senão, o de perverter um pensamento algo especulativo e ingénuo (por não comportar vícios laborais), destruindo de algum modo uma disciplina de pesquisa, investigação, de curiosidade pela inovação. O espaço académico permite de facto uma certa ausência do mundo exterior, fornecendo matérias abrangentes para essa exploração projectos hipotéticos, noções poéticas, noções teóricas, aplicações quase “reais” porque estão inseridas muitas vezes dentro de um território real, etc. Contudo, existe outro aspecto a ter em conta. Fará de novo sentido o estágio curricular quando persiste a obrigatoriedade do Estágio Profissional (para a entrada na Ordem dos Arquitectos)? Tenho em mente que este é o último ano lectivo em que o estágio académico de facto ocorre, devido ao actual processo de Bolonha. Como tal, porque não pensar no estágio intermédio/ intercalar, a meio do percurso universitário? Assim, reforçamos a estrutura do aluno, introduzem-se a priori alguns aspectos profissionais, atribuem-se capacidades robustas para uma resposta mais eficaz à sociedade, e sobretudo competitiva. Talvez cessem de existir algumas crises de vocação, e permitam abrir outros horizontes, outras vontades de continuar a inovar. As lacunas incisivas a que tenho assistido prendem-se não tanto com a capacidade de saber ver e “construir”/ imaginar uma arquitectura de qualidade, mas com a capacidade de reagir, dar resposta rápida, eficiente, e sobretudo coerente, de tirar partido de certos instrumentos (hoje em dia sobrevalorizados?), para um cliente ambicioso, ou uma sociedade de consumo (?). 1

A hipótese de introduzir um estágio intercalar justifica-se pelos bons comentários de alguns colaboradores externos no atelier CVDB, em larga maioria inseridos por programas de intercâmbio universitário, ou estagiários a meio do percurso académico. Noto uma competência positiva sobre o trabalho e modo de apreender a arquitectura. No final, então, um estágio profissional, dedicado a quem pretende seguir esta via, com outro tipo de profundidade de conhecimentos e experiências. Uma direcção que se pretende a médio/ longo prazo, adequado ao tempo e complexidade do projecto incumbido. Por exemplo, apercebi-me que a aprendizagem de um projecto adquirido como um todo, é assimilada pelo factor tempo/ aplicação do processo – desde a gestão do arranque (honorário, recursos, legislação); investigação e formalização da proposta; à aplicação em obra; e contacto com todos os intervenientes (equipa, clientes, fornecedores, colaboradores, técnicos). A via profissional deveria dar espaço/ tempo a uma visão mínima e integral do projecto, até à comprovação prática em obra das ideias/ conceitos atribuídos pelos autores. Experiência «When i think about architecture, images come into my mind. Many of these images are connected with my training and work as an architect. They contain the professional knowledge about architecture that i have gathered over the years. Some of the other images have to do with my childhood. There was a time when i experienced architecture without thinking about it. Sometimes i can almost feel a particular door handle in my hand, a piece of metal shaped like the back of a spoon.» 1 A experiência adquirida confirmou uma procura pessoal, o esclarecer de um ciclo, e comprovar de um pensamento de arquitectura. Disponibilizou um espaço comum, um tempo para pensar, matéria para sedimentar conhecimentos, variedade de questões e respostas, liberdade para experimentar, autonomia, independência para crescer, e sobretudo partilhar para aprender com todos. Forneceu uma segunda escola, um segundo veículo para celebrar a imaginação, aprender com os erros, reflectir sobre as problemáticas e obstáculos da profissão. Sinto-me meio cheio/meio vazio… O preenchimento das (doze) experiências permitiu em metade, um contacto próximo com uma “casa”, a noção do outro, do nós (não do eu ou do egocêntrico), de uma equipa que passa pela “dor de

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ossos” do crescimento, que “dá todo o esforço, suor, lágrimas, sangue…”; e outra metade, um misto de ritmos quase (in) esperados, abordando quase todas as dimensões, programas, materiais, contextos, processos... Quase, porque apesar da duração (curta) do estágio, da confiança conquistada, não se atingiu o pormenor (ainda). Aquele detalhe que faz vencer o espírito e o coração, ficar avassalado com o resultado de um projecto in situ, em matéria viva. O prazer daquela sensação, do toque que grava uma memória, da particularidade de criar imagens/ momentos. A elevada disponibilidade e ambiente solto para ouvir um pouco de tudo e de todos, para um atelier de pequena/ média dimensão (5 a 15 pessoas) funciona bastante bem, sem requerer uma estrutura muito “pesada”. No entanto, é ponderado um sistema de prevenção, de gestão. A exigência de rigor, independentemente do tipo ou dimensão do projecto/ publicação, implica porém uma excelente habilidade de afinar os elementos necessários ao correcto funcionamento, sem falhas. Ao nível do tratamento da informação – Informação Emitida (IE), e Informação Recebida (IR) –, arquivada cronologicamente, salvaguarda conflitos eventuais entre alguns intervenientes (por exemplo, a responsabilidade de técnicos relativamente a um determinado assunto), pela resolução e esclarecimento imediato. Ao nível das publicações, bastante delicado, por intervir em modo “surpresa”. Frequentemente impõe o seu próprio espaço a meio de um processo contínuo. Interrompe uma lógica de pensamento, obriga ao desligar da atenção para outra direcção. Ao nível dos projectos/ concursos, a estrutura predefinida pretende evitar deslizes, contudo, ao longo do estágio, tem sofrido diversos melhoramentos, por manifesta falha de resposta, ou inexequibilidade de resolver uma logística mais exigente como os concursos (acelerados, concentrados, intensos, fortes, incisivos). Outra dúvida persiste na importância que é dada à relação entre projecto/ concurso. Qual o benefício? O confronto de ambos revela o potencial do concurso como momento de intensidade, de testar os limites e limitações pessoais, da descoberta benigna da capacidade de gerir e criar espaços inovadores. Provar, refrescar, sonhar o imediato, ou até o surgir de mais uma oportunidade para dar continuidade a um rascunho/ ideia de outro contexto. O prejuízo prende-se com o factor decisão/ consequência. Somos impelidos a prescindir, por exemplo, de um pensamento conceptual com base na maqueta, através da diversidade e contraposição de vários modelos. Outro, a atribuição comum de um “coordenador” de equipa, tem estabelecido normalmente um denominador comum à linha orientadora do projecto: mesmo que exista uma recorrente sessão de brainstorming em todos os projectos, o viciar de um ritmo (de equipa) para um elemento pode induzir um único sentido. Por vezes, a escassez de tempo leva a vigorar uma solução (independentemente de terem existido outras duas 42 50

em mesa). A causa? Talvez a relação estreita com o inicio do projecto, aquele arranque relacionado com a leitura atenta das bases do concurso, do programa, do lugar, em que é necessário elaborar uma síntese, para uma discussão posterior em equipa. Ou seja, pode ocorrer uma certa parcialidade, mesmo que haja debate de ideias preambulares. Uma alternativa? Talvez tirar partido do conceito competitivo. Estipular miniequipas para o mesmo concurso, desde as bases do mesmo, isolados entre si ou lado a lado. Competir duas propostas, depois apresentadas em reunião, debatidas. Extrair conclusões, prós e contras de ambas, decidir por uma, ou melhor, tirar partido das soluções, juntando numa única. Há que despir preconceitos (?): talvez fosse benéfico por dar azo à possível diferença, mas sem ferir susceptibilidades. Não há que haver vencido e vencedor. Projectamos para uma arquitectura de qualidade. Projectar Sempre que me permito, recordo uma observação do autor Alberto Giacometti. Reflecte para mim uma noção de que a pesquisa, a investigação é por si o meio para alcançar um resultado plausível. Não tanto o imaginar imediato de uma imagem, de um retrato gratuito, mas o procurar do carácter mais adequado, deixar traçar o carvão na folha de papel, e revelar perante os olhos a busca do olhar, do pensamento, do que pretendemos. Um autor pelo qual acabou por influenciar o meu modo imaginar, através dos esquissos “confusos”, preenchidos por novelos de linhas de grafite. Esta noção de borrão, de nuvem, associada ao processo de projecto, permite uma certa flexibilidade, não viciada por uma forma a priori. São criadas condições de busca. Esta necessidade de investigar vem desde cedo, desde o primeiro ano, do semi-cerrar os olhos, e em complemento com um sistema regrado, pragmatismo, e sobretudo simplicidade, para o desenhar do espaço, com a qualidade etérea e única que lhe permite. Não se trata de isolar um procedimento ou outro, ou deixar de experimentar outros métodos. O envolvimento de equipa permitiu estabelecer este contacto próximo entre o modo de imaginar e a operatividade. Apesar do frenesim e nervoso miúdo dos debates, de disposição de ideias em conjunto, há uma certa liberdade de expressão individual para o grupo. Contudo, o verdadeiro crescimento julgo ser aquele que nos coloca em situações “perigosas”, exigentes, que requerem uma capacidade extra de reacção, a par do ritmo de cada um. A condição de operatividade/ produção é fundamental para uma arquitectura contemporânea ser capaz de responder e ultrapassar sistemas fixos, convenções, alterações exteriores constantes ou imposições regulamentares. Para permitir um evoluir no processo, torna-se obrigatório recorrer a estratégias, e criticas geradoras de novas possibilidades. Uma das dificuldades mais presentes relaciona-se com a interacção entre dispositivos legais e intervenientes de outras áreas. Exige uma ginástica mental de síntese, para poder prosseguir os estudos sem detrimento para a proposta. O caso da Recuperação do Mercado de Algés estabeleceu essa charneira, densa, de imposição de informação suplementar, por vezes supérflua à fluidez do projectar. A produção final, particularmente nos concursos, recorre a instrumentos, e outro tipo de definições de apresentação. Fundamenta uma lógica algo complexa pela quantidade, com o somar da qualidade das próprias peças

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(gráficas e escritas). É com pesar a sensação de que esta fase sofra constantemente as consequências de decisões de projecto de “última hora”, forçando à actualização de todo um trabalho efectuado, e prolongamento do período dedicado à comunicação. A comunicação pretende-se clara, directa, eficaz, e portanto, reclama um raciocínio e atenção diferente, de composição gráfica, e sem prejuízo para a temática do projecto – a meu ver, o comunicar tem obrigatoriamente de reflectir em síntese todo o processo/ projecto. Proliferar Gostava de recorrer a outros métodos, desenvolver ou descobrir outras capacidades. Por um lado o evoluir do processo a par dos instrumentos, por outro lado, a conclusão da proposta em obra, a dedicação “no lugar” propriamente dito. Uma hipótese poderia tirar partido dos diagramas enquanto processo (não para comunicação final), ou da maqueta rápida, “para pensar”. Os diagramas parecem-me mais ligados a uma maior variedade conceptual, do que a maqueta, que requer um maior tempo de observação directa. Complementam-se, no entanto, a última é de facto a mais esclarecedora, por permitir um contacto físico, com dimensão, escala, textura. O diagrama, porém, tem outras vantagens. Primeiro, recorrendo ao método analítico, é usado para condensar a informação sobre o programa o lugar, a relação entre componentes, tornando esta informação legível através da representação gráfica; segundo, os diagramas conceptuais, lidam com conceitos, ideias. Ambos são estáticos, precisando de ser pensados antes da sua representação. Os diagramas conceptuais necessitam de um forte nível de abstracção e continuam a limitar, dado que de cada vez que um diagrama é representado, o objectivo já se encontra estabelecido à partida; estanque. Outro, recente, o diagrama dinâmico, permite desenvolver estratégias para o projecto com diagramas animados. Podem ser considerados como máquinas abstractas que integram elementos de programa, contexto, tectónica, estrutura, sem congelar decisões formais acerca do projecto. Tornam-se uma ferramenta poderosa no desenvolvimento de estratégias. Se no inicio são simples relações entre programa, contexto e conceito, gradualmente, com o tempo, tornam-se muito elaborados e sofisticados.1 A obra construída, o acompanhamento e verificação da concepção do espaço/ projecto. Tenho tido experiência in situ, quer por visitas guiadas, por curiosidade a construções em curso, ou trabalhos académicos que induzem outro tipo de observação. Mas não passou de um interesse pelo material, pelo modo como foi aplicado, os elementos distintos ou o projecto como um todo. O aguçar deste apetite ganhou força com as visitas e testemunhos do Diogo, sobre as experiências com a casa Jarego, o Centro Cultural do Cartaxo, ou do mais recente, as moradias Marisol. Este outro espectro, frequentemente intocável, por não ter sido integrado no percurso académico, creio ser a lacuna maior a preencher, a compreender. Como é que um raciocínio evolui do papel, em sincronismo com a realidade? Quais as limitações? Qual a potencialidade? Como podemos assegurar que o projecto é concordante com a filosofia dele próprio?

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Texto influenciado por ELOUEINI, Ammar - Estratégia vs Composição. Rev. NU, Coimbra: NUDA/AAC - Núcleo de Estudantes de Arquitectura. Fevereiro 2004:17, p. 46 - 49.

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VIA DE ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE SELECCIONADA

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ANEXOS/ DOCUMENTOS Declaração da Entidade e Orientador Ficha do Historial de Estágio Painel Sintese I e II

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Relatório de Estágio