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n01 - março 2017

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Denise Grun

C U LT U R A D E S E G U R A N Ç A E PRODU T I V I DA DE Em todo o mundo, os gestores da área de segurança do trabalho estão focados no mesmo objetivo: reduzir o número de acidentes.

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EDIÇÃO ESPECIAL

NÚMERO 1 A 1ª edição da NasceCME Magazine é luxuosa.

Bastante abrangente devido ao grande retorno positivo que recebemos dos profissionais convidados para compor esta edição, que é o marco da nossa nova caminhada, a revista está vasta em conteúdo para celebrarmos esta edição inicial. Para as próximas edições, o projeto gráfico seguirá um único padrão. Boa leitura!

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CARTA AO LEITOR

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á anos, venho construindo minha história profissional que iniciou-se na Central de Material e Esterilização (CME) de um hospital da Rede Pública Municipal de São Paulo. Ana Miranda e CME caminham lado a lado mas, não se confundem, ao contrário, se complementam. Assim como a CME evoluiu a nivel Brasil, nós também evoluímos. É fato: “o tempo não para”. Fundamos e presidimos uma associação voltada à CME e centro cirúrgico, criamos o site NasceCME, que encerra no seu nome o propósito da criação, tornando-se hoje um Portal rico em temas específicos e de abrangência nacional e internacional e, continuamos com a idealização e realização do 1° Congresso Nacional de Limpeza e Esterilização online no Brasil, também com enorme repercussão interna e externa. Agora, porém, não finalmente, porque como já disse, o tempo não para, lançamos a primeira edição da Revista Digital NasceCME Magazine, com a certeza de uma proposta de inovação para o setor de esterilização e demais áreas afins. Não diria que é a realização de um sonho mas sim, uma consequência natural dos caminhos que me propus a trilhar. Meu caminhar é constante, irriquieto, enfrenta e supera desafios na busca contínua de a cada dia, poder levar aos profissionais que atuam no segmento de esterilização: conhecimento, informação, educação e atualizações num misto de entretenimento, cultura e lazer, associados ao compromisso social de inserção do profissional no contexto maior, que é a Saúde em nosso país. Considero as práticas desenvolvidas na CME como uma ciência ainda incipiente com muito a evoluir e, entendo nosso papel como veículo de comunicação nesta dinâmica de evolução, com um potencial transformador de sonhos em realidades pois, tanto eu, quanto a Stella, nossa diretora de redação e o Pedro, nosso diretor de arte, acreditamos que o conhecimento transforma e dá forma as coisas e as pessoas. Nesse sentido, pensamos essa revista com muita dedicação e cuidado mas, sobretudo, com o coração. Esse mesmo coração que pulsa no toque da magia digital e chega a todos os lugares, rompendo distâncias, atingindo indistintamente pessoas, profissionais, organizações e instituições em geral. Faço aqui em meu nome, e em nome de todos os colaboradores e anunciantes que acreditaram e seguem conosco nessa caminhada (que está apenas começando), o convite à você, para que junte-se a nós! Assim, poderemos ultrapassar limites e construir histórias reais, que contribuirão para melhoria da saúde em nosso País. Boa leitura! Ana Miranda Presidente ana.miranda@nascecme.com.br

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Presidente: Ana Miranda

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Seja um assinante: assinatura@nascecme.com.br

Diretora de Redação: Stella Curzio MTB: 0070289/SP

Para anunciar: publicidade@nascecme.com.br

Diretor de Arte: Pedro Campos pedro.campos@nascecme.com.br

Fale com a Redação: Envie suas perguntas, críticas e sugestões de pauta revista@nascecme.com.br

Revisora: Estela Bianchi

MENSAGEM

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o longo da minha carreira como jornalista, estar a frente de uma revista é, sem dúvida, um dos projetos mais desafiantes e significativos que eu poderia me incumbir. É muito gratificante saber que, a pessoa e profissional a quem tanto respeitamos e admiramos, deposita confiança em nós. Assim fez Ana Miranda ao assumir esse compromisso comigo, possibilitando que um sonho antigo tornasse realidade. Gratidão, Ana! Saber que iremos receber o melhor de quem realmente confiamos ao compartilharmos os nossos ideais é um (grande) regalo da vida. Assim foi com o nosso Diretor de Arte, Pedro Campos. Com muito esmero, extremo bom gosto e total dedicação, Pedro deu vida à NasceCME Magazine de forma única. Que profissional! A ele, dedico a frase: “Qualquer pessoa que te motiva a ser melhor é alguém que vale a pena manter por perto”. Muito obrigada, Pedro! Você é incrível (sou sua maior fã). Aos nossos colaboradores e parceiros, agradeço a disponibilidade e prontidão. Vocês estão de parabéns! E a você, querido leitor, espero que goste do que o espera nas próximas páginas. Tenha a certeza de que estamos dedicados integralmente a disseminar informação genuína com o intuito de obter um resultado final esclarecedor e substancial, com benefícios voltados para a saúde, seja de si próprio, dos pacientes e da população em geral, afinal, conhecimento se adquire e se renova diariamente. Tudo ao nosso redor oferece conexão 24 horas por dia com a internet. A leitura digital é linear, permite uma liberdade multimidiática que possibilita o acesso por vários tipos de tecnologia, como smartphone, tablet, computador e, com a vida social digitalizada, as pessoas nunca leram tanto. Então, boa leitura! Até a próxima edição. Um abraço grato.

Stella Curzio Diretora de Redação stella.curzio@nascecme.com.br

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N E S TA E D I Ç Ã O (2)

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O PROGRAMA CÍRCULO DE EXCELÊNCIA DA ASP Thiago Vicenzi

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ENTREVISTA

INTERNACIONAL

ROBÔ CIRURGIÃO Armando Melani

PERGUNTE PARA POR QUÊ ALGUNS DETERGENTES ENZIMÁTICOS NÃO LIMPAM?

SAIBA MAIS A IMPORTÂNCIA DE UMA BOA FOTOGRAFIA COMERCIAL Stella Curzio

O TRABALHO DOS ENFERMEIROS EM CME E SUA IMPORTÂNCIA Elena Lorenzo

ALIMENTAÇÃO ORGÂNICOS E NATURAIS: A IMPORTÂNCIA DA BOA ALINENTAÇÃO Fabio Silva de Paula HIGIENE NA ALIMENTAÇÃO Laine Gimenez

SAÚDE

O QUE O PODER JUDICIÁRIO TEM FEITO PARA A SAÚDE Camila Crespi

O CORPO REVELA Jeanine Adami

SUPERBACTÉRIAS Juarez Py de Freitas

TERAPIAS COMPLEMENTARES Julia Mayumi Matsuda

LEAN NA ÁREA DA SAÚDE: UMA EXPERIÊNCIA DE SUCESSO Geraldo Amaral Jr.

COMPORTAMENTO TRABALHANDO A AUTO-ESTIMA FEMININA Alice Gonçalves

EDUCAÇÃO ACREDITAÇÃO HOSPITALAR: PAPEL NO PROGRAMA DE SEGURANÇA DO PACIENTE Aléxia Costa A COMUNICAÇÃO ME LEVOU AO CAMINHO Maria Júlia P. da Silva

A PELE QUE HABITO Julia Meirelles

INSTITUIÇÃO IN FOCO

EDUCAÇÃO EM SAÚDE E A PRÁTICA DE ENFERMAGEM Alva Helena

HRC É O 1° HOSPITAL PÚBLICO DO CEARÁ A SER CREDITADO COM EXCELÊNCIA Raquel Oliveira

A CULTURA DE SEGURANÇA DO PACIENTE EM ORGANIZAÇÃO HOSPITALAR Cintia Fassarella

INTITUTO HIPÓLITO MONTE Terezinha N. de Oliveira

Fotos Johnson & Johnson | Divulgação (1), Depositphotos (2), Matachana | Divulgação (3)

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CAPA

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TECNOLOGIA

CULTURA DE SEGURANÇA NAS ORGANIZAÇÕES E PRODUTIVIDADE Denise grun

INFLUENCIADORES

A IMPRESSÃO 3D NA SAÚDE E OS SEUS BENEFÍCIOS: O PIONEIRISMO DO CTI Jorge Silva

CME

PROFISSÃO: CUIDADOR Mara Gabrilli

VITRINE REUTILIZAÇÃO DE PRODUTOS PARA SAÚDE DE USO ÚNICO Maria Virginia G. da Silva

SELEÇÃO DE TÍTULOS PARA LEITURA

A RDC 15 E O CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO Ricardo Meneses MÁQUINAS LAVADORAS TERMODESINFECTADORAS MEIKO Maria Edutânia

Fotos Pedro Campos | Kakto Fotografia (1), Depositphotos (2), Divulgação (3)

O USO DE PCDs DE ESTERILIZAÇÃO A VAPOR SATURADO Laine Gimenez

COLUNISTAS Suzy Altran - SAÚDE PÚBLICA NOS TEMPOS MODERNOS Sarah Fernandes - DIABETES

EU SOU ENFERMEIRA DE CME Teresinha N. de Oliveira

O QUE A VIDA ME ENSINOU FICA A DICA A LAMA NEGRA DE PERUÍBE E SUAS PROPRIEDADES MEDICINAIS Stella Curzio E FOI ASSIM QUE SURGIU A PRIMEIRA ORQUÍDEA Rafael Neto

TECNOLOGIA MEDICONTAINER 2.0 Rogério Campos

GRATIDÃO. SEMPRE! Silvana Miranda


PUBLIEDITORIAL

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PERGUNTE PARA

A NA M I R A N DA

Por que alguns detergentes enzimáticos não limpam? Ana Paula Neves Quintino - FAMESP Bauru

Vou apresentar a você cinco hipóteses, sem tão pouco ter a pretensão de esgotar o assunto com tais argumentações: 1. A atividade enzimática comprovada na etapa de testes para concessão do registro de produto por algum motivo não está presente de forma ativa na formulação e na solução de uso na sua CME; 2. O prazo de validade da atividade enzimática está vencido, devido ao modo de utilização, armazenamento pela CME em desacordo com instruções de uso do fabricante do detergente enzimático. Água com temperatura, dureza, conteúdo de contaminantes diferente do que é recomendado, por exemplo; 3. A diluição do produto que foi realizada pela CME, está em desacordo com as instruções de uso do fabricante do detergente enzimático, e isto impede a ação eficaz de limpeza do detergente;

4. Processo de compras normalmente baseado no menor preço um exemplo prático: em conversa com um fornecedor que entrega insumos químicos para todo o mercado, ele nos ajuda a elucidar essa questão. O custo de químicos, sem impostos, para o desenvolvimento de um detergente enzimático de performance satisfatória é de aproximadamente R$ 20.00/ litro, com uma recomendação de uso de 2 m/l, o que representa um custo aproximado de R$ 100,00/ galão de 5 litros (custo de químicos, sem impostos, e sem o custo da embalagem). Considerando uma margem de lucro ao redor de 10%, uma despesa operacional de 15% e o preço da embalagem próximo de R$ 5,00 pode-se concluir que o preço mínimo para entrega de um detergente enzimático de performance satisfatória seria o equivalente a R$ 140,00 galão de 5 litros, sem impostos. É muito comum encontrar licitações com detergentes enzimáticos à menos de R$70,00 / galão de 5 litros.

5. Reaproveitamento sucessivo da solução de detergente enzimático, pode causar saturação da solução por contaminantes impedindo a ação de limpeza. Recomenda-se o descarte da solução detergente após cada uso. Agradeço resposta,

a

oportunidade

de

Ana Miranda Envie sua pergunta para: ana.miranda@nascecme.com.br

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CME

Thiago R. Vicenzi JOHNSON & JOHNSON M E D IC A L D EV IC E S

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m círculo não é apenas uma forma geométrica, mas também pode representar um grupo de pessoas com opiniões, interesses e habilidades compartilhadas. Com o Círculo de Excelência da ASP (Advanced Sterilization Products) - unidade de negócio da Johnson & Johnson Medical Devices, que é líder mundial no segmento de esterilização de equipamentos, totalmente dedicada ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras de prevenção a infecções - criamos uma comunidade para profissionais de Centrais de Material e Esterilização (CME) que tenham interesse em melhorar sua performance para reduzir os índices de infecção hospitalar, enquanto buscam economia para seus hospitais. A iniciativa representa a primeira comunidade Latino Americana de Centrais de Esterilização (CMEs), que por meio de indicadores de qualidade, busca promover melhoria contínua dos processos, performance e otimização de recur-

sos, com o uso de uma ferramenta online com 13 indicadores, que ajuda a medir, reportar e comparar os resultados com outras CMEs, tanto na região em que o usuário está situado quanto internacionalmente. O projeto foi desenvolvido pela ASP com objetivo de aumentar o valor agregado para seus clientes. Durante a fase de pesquisa de mercado, foram conduzidas 35 entrevistas com gerentes de CMEs de 35 países, que resultaram em insights importantes. Alguns relataram, por exemplo, que os enfermeiros são os principais tomadores de decisão nessa área e têm impacto significativo na segurança dos pacientes, enquanto outros acreditam que seu trabalho não é valorizado, assim como acreditam que os cirurgiões não entendem a importância de seu papel. Segundo o levantamento, muitas vezes a área é colocada no porão do hospital e sua contribuição não recebe a devida visibilidade, além de ser considerada pelos hospitais como uma área que gera custos. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Com a ideia de que “o que é medido é gerenciado”, a ASP desenvolveu então o Círculo de Excelência, disponibilizando uma plataforma online, na qual os profissionais de CME inserem os dados de sua área mensalmente, gerando um relatório de produtividade e performance. O relatório é uma fotografia de como o profissional está gerenciando a infecção através de suas atividades, produtividade e erros, quando comparado com outros hospitais da região e internacionalmente. A partir desses dados, o profissional pode identificar oportunidades de melhoria para aumentar a segurança dos pacientes ou descobrir potenciais pontos de economia. Os gerentes de CME demonstraram grande interesse pela ferramenta e acreditam que ela agregará muito à rotina da área. Para ilustrar a aplicação da nova ferramenta, uma enfermeira descobriu através de seu relatório, que ela reprocessava 1.500 pacotes de instrumental cirúrgico que não eram utilizados em um mês, representando um custo para o hospital de aproximadamente $5.000. Com a descoberta, ela e a equipe do Centro Cirúrgico puderam atuar juntos para levar esse número para perto de zero. Com o Círculo de Excelência, criaremos uma cultura de autoconhecimento e melhoria contínua para reduzir erros e aumentar a segurança do paciente. Além disso, os enfermeiros de CME podem estabelecer contato e ajudar uns aos outros, em conjunto com o time de consultores clínicos educacionais da Johnson & Johnson, para atingir a excelência, e, ao mesmo tempo, demostrar o valor da área. É um programa onde todos se beneficiam: o profissional da CME, que tem a oportunidade de aprimorar suas habilidades, o hospital que pode economizar custos e o mais importante, o paciente que pode ter o risco de infecção reduzido. Por que participar do Programa Circulo de Excelência? Proposta do Programa Circulo de Excelência. Círculo da Excelência é a primeira Comunidade de Centrais de Esterilização da América Latina que através da cultura de Medição e Comparação de indicadores de processos e qualidade, busca a melhoria contínua baseado nos mais altos padrões internacionais. Qual o objetivo da ASP para implementar o Programa no Brasil? A Johnson & Johnson Medical Devices tem como um dos objetivos, ajudar a melhorar o sistema de saúde como um todo. Esse programa está bastante alinhado a isso, promovendo a NASCECME MAGAZINE | março 2017


Imagem: ASP Johnson & Johnson | Divulgação

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melhoria continua nos processos de Centrais de Esterilização. Muitas vezes fica difícil para uma Central de Materiais Esterilizáveis (CME) saber como estão os seus processos e indicadores, então esse programa oferece parâmetros e indicadores que permitem que uma CME enxergue como está em relação a outros hospitais da América Latina e também internacionalmente. O que são indicadores de qualidade de processo? Como serão medidos? Os indicadores de qualidade de processo têm como objetivo medir parâmetros para identificar o andamento dos processos internos. Eles são medidos pela própria equipe da CME, que alimenta uma ferramenta online. Os indicadores presentes no Circulo de Excelência vieram de indicadores de sociedades internacionais como a AAMI e IAHCSMM e são esses os parâmetros de comparação internacional apresentados nos relatórios gerados pela ferramenta. Como as CMEs do Brasil poderão participar do Circulo de Excelência? Já faz parte do dia a dia da ASP, unidade de negócio da Johnson & Johnson Medical Devices, o acompanhamento dos clientes que possuem a tecnologia STERRAD® através de nossa equipe de representantes e também do ponto de vista de educação continuada com o nosso time de consultoria clínica. O Circulo de Excelência é mais uma ferramenta disponibilizada pela nossa companhia para dar suporte aos clientes. Quais são os requisitos necessários para participar do Programa? É bastante importante que a CME tenha a disciplina de medir mensalmente os indicadores e alimentar a ferramenta, pois é isso que possibilita a comparação e consequente melhoria continua. A quem compete oferecer o suporte técnico do Programa? Nós mesmos oferecemos todo o suporte técnico do programa. Nossa equipe de consultoria está treinada e apta para suportar todos os participantes, inclusive do ponto de vista da ferramenta online. Vale ressaltar que a J&J trata os dados do cliente com total confidencialidade, item que consta inclusive NASCECME MAGAZINE | março 2017


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em contrato. Isso para que o cliente tenha a tranquilidade e segurança dos seus dados. O Programa é desenvolvido seguindo orientação de algum manual? A partir do momento que o cliente entra para o Circulo de Excelência, o consultor clínico responsável pelo hospital oferece todo o treinamento da equipe e dá suporte no dia a dia. Além disso, são disponibilizados documentos e fichas que auxiliam na utilização da ferramenta. Quais países da América Latina já fazem parte do Programa? O programa foi lançado na América Latina como um todo, com destaque para países como Colômbia, Chile, Argentina, México e Brasil, onde a adesão a essa comunidade tem sido muito grande. Há quanto o Programa foi implementado na América Latina? O Programa foi lançado em meados de 2016. Existe contrapartida do cliente? A participação no Circulo de Excelência é destinado aos clientes que possuem a tecnologia STERRAD® sem nenhum tipo de ônus, basta que ele meça os indicadores e alimente a ferramenta online. Quais são os benefícios obtidos pela CME participante do Programa? Entre os principais motivos estão: • Ter uma ferramenta de medição e melhoria dos resultados entregues pela CME • Demonstrar à Diretoria da instituição o valor entregue pela CME • Ferramenta para avaliação de recursos, pessoas e orçamento • Compartilhar com a equipe de trabalho os indicadores de desempenho da CME • Preparação para os processos de Acreditação • Poder comparar a área com outras instituições de referência • Ter dados de Qualidade e Desempenho e poder apresentar em Simpósios e Congressos NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Qual o tempo médio para a CME ingressar efetivamente no Programa? O processo é bastante rápido. Nós disponibilizamos uma minuta de contrato para avaliação do cliente e a partir do momento que a ocorre a aprovação pela direção do hospital e o contrato é assinado, nós disponibilizamos o link e o acesso. Quais indicadores são avaliados pelo programa nacional? Segue lista dos indicadores na página ao lado Há condições de incluir indicadores? Sim. Como o Circulo de Excelência é uma ferramenta da própria J&J é possível ser atualizada conforme a necessidade. Quais as CMEs no Brasil que aderiram ao Programa? Esse programa no Brasil iniciou no segundo semestre de 2016 e já tivemos um bom número de adesões. São clientes de diversas regiões do país.

Thiago Rigo Vicenzi Formado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Paraná com mestrado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas. Possui mais de 11 anos de experiência nas áreas da saúde e de biociências em empresas de dispositivos médicos. Vicenzi trabalha na Johnson & Johnson Medical Devices desde 2012 e atualmente ocupa o cargo de Coordenador de Gerenciamento de Produtos da ASP (Advanced Sterilization Products), líder mundial no segmento de esterilização de equipamentos, área totalmente dedicada ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras de prevenção a infecções.

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SAIBA MAIS

Stella Curzio A I M P O RTÂ N C IA D E UM A B OA F O T O G R A F IA C OM E R C IA L 75% da quantidade de informação que ingressa a cada instante dentro do nosso cérebro é de natureza puramente visual.

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nvestir em fotografia, ou seja, na apresentação do seu produto, traz prestígio e, consequentemente, retorno financeiro. Fotografia comercial ou corporativa é a produção de fotos para vender alguma coisa, como um produto, serviço ou uma ideia. O mesmo precisa acontecer com o nosso marketing pessoal. A forma como nos apresentamos para as pessoas releva muito sobre nós. O velho ditado: “a primeira impressão é a que fica”, nunca deixou de ser realidade. Ao sermos convidados para participar de um evento, seja uma palestra, escrever um artigo, montar uma aula, um dos itens fundamentais apresentação

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é a nossa fotografia. É por meio dela que as pessoas vão identificar quem é o (a) então palestrante, escritor (a), professor (a) e, acredite: ela diz muito sobre você. A consultora de imagem e visagista, Ana Cris, comenta sobre a importância da mensagem que queremos passar na fotografia: “A fotografia para qualquer etapa da vida profissional deve inspirar credibilidade técnica e atitudinal de acordo com o que se busca profissionalmente ou na colocação no mercado de trabalho. Assim, fotos recortadas de festas, viagens, passeios e das redes sociais não transmitem a mensagem apropriada ao que você almeja. Não conferem


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Imagem: Facebook

credibilidade. Ao contratar um fotógrafo profissional, ele irá instrui-lo e prepará-lo para que você revele o seu melhor, o que demonstra o cuidado e o envolvimento com que você, como profissional, tem ao buscar o seu desenvolvimento técnico e profissional. Seja simples, assertivo e mostre a que veio.” O mesmo acontece com o conteúdo que será apresentado por você. A sua aula pode ser extremamente valiosa, com informações exclusivas, constar um importante trabalho de pesquisa de anos, mas, se não houver a preocupação com a forma como este conteúdo será apresentado, tanto esteticamente quanto visualmente, ele também não irá passar credibilidade e, consequentemente, não irá despertar o interesse das pessoas. Na publicidade, boas fotografias e um belo trabalho de criação visual realçam a beleza do produto e fazem com que o consumidor se sinta mais atraído, despertando assim o seu desejo de compra. O mesmo acontece com a nossa imagem e com o conteúdo que apresentamos.

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EDUCAÇÃO

Aléxia Costa AC R E D I TAÇ ÃO H O S P I TA L A R Papel no Programa de Segurança do Paciente

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RDC 36 da ANVISA, publicada em 25 de julho de 2013, foi talvez, o principal marco do movimento de Segurança do Paciente no Brasil. Com ela, tornou-se obrigatória a implantação de um Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), nas organizações de saúde e o desenvolvimento de um Plano de Segurança do Paciente (documento que aponta situações de risco e descreve as estratégias e ações definidas para a gestão de risco, visando a prevenção e a mitigação dos incidentes, desde a admissão até a transferência, a alta ou o óbito do paciente no serviço de saúde). A mesma se aplica aos serviços de saúde, sejam eles públicos, privados, filantrópicos, civis ou militares, incluindo aqueles que exercem ações de ensino e pesquisa. Excluem-se da obrigatoriedade de

implementação, apenas os consultórios individualizados, laboratórios clínicos e os serviços móveis e de atenção domiciliar. O Núcleo de Segurança do Paciente assumiu então uma função importantíssima: a de gerenciar os riscos clínicos e não clínicos de toda a organização (assunto este já sustentado pela publicação da Norma NBR ISO 31.000, em 2009). As organizações de saúde têm se movimentado, desde então, para a implantação dos Protocolos de Segurança do Paciente, publicados depois, pelo Ministério da Saúde. Porém, pelo fato do tema segurança do paciente ainda estar pouco disseminado no ensino (graduação, pós graduação e cursos técnicos), muitos profissionais sentem enormes dicifuldades em adquirir conhecimentos sobre o tema.

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Um dos aspectos fundamentais para qualidade em saúde e segurança do paciente é a criação de uma cultura de segurança do paciente. Esta é definida como um “conjunto de valores, atitudes, competências e comportamentos que determinam o comprometimento com a gestão da saúde e da segurança, substituindo a culpa e a punição pela oportunidade de aprender com as falhas e melhorar a atenção à saúde”. Não é simples. Mesmo as organizações acreditadas, nacional ou internacionalmente, entendem a construção desta cultura como um grandioso desafio, pautado na construção de um movimento de conscientização sobre segurança, que pode levar anos. A segurança do paciente precisa ser encarada como uma questão estratégica. Deve estar inserida no Planejamento Estratégico das organizações, como por exemplo, através do objetivo de criação do próprio NSP, implementação de protocolos de prevenção, gerenciamento de protocolos de tratamento, diminuição das taxas de infecção hospitalar, entre outros eventos. A prática assistencial segura é sustentada, também, pela Liderança efetiva e envolvida. O enfermeiro hoje, é o principal facilitador no gerenciamento dos fatores potenciais de risco e eventos adversos (pois conhece intensamente a rotina da instituição e as necessidades dos clientes e dos serviços). Não devemos apenas incluir os líderes dos diversos setores, mas também, o corpo clínico, como importante formador de opinião. Ademais, o paciente deve ser inserido no centro da assistência multiprofissional (cuidado centrado no paciente). Gerenciar riscos nas instituições de saúde é o primeiro passo para a certificação da qualidade (Acreditação). O Nível 1 da ONA – Organização Nacional de Acreditação, principal metodologia do país, é pautado em Segurança: do paciente, do colaborador, da organização e dos demais envolvidos (fornecedores, familiares, comunidade, entre outros). A segurança e a prevenção de eventos adversos ao paciente está incluída nos padrões e requisitos de avaliação definidos nos manuais de acreditação, acreditados pela ISQua (International Society for Quality in Healthcare), como é o caso do Manual da ONA. Os países europeus, bem como Austrália e Estados Unidos, já compreenderam a importância de se disseminar e sedimentar a segurança nas organizações de saúde, escolas, universidades, NASCECME MAGAZINE | março 2017


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programas e organizações não governamentais com intuito de prevenção de danos e de fortalecimento das ações na assistência ao paciente. No Brasil, estamos iniciando a caminhada, pois o movimento de segurança do paciente chegou aqui há pouco mais de 15 anos. O grande desafio é fazer com que instituições de saúde entendam que qualidade e segurança são, juntas, um elo permanente para se manter o padrão de excelência com vigilância de riscos. A Acreditação é apenas uma consequência, e não um meio. E é através deste caminho, que as organizações poderão, então, compreender que segurança do paciente também se traduz em diminuição de custos (por diminuição de danos), maior satisfação do paciente e do colaborador, e maior competitividade financeira. Cada vez mais o próprio mercado se posiciona a favor de práticas de qualidade e segurança. O fator Qualidade, da ANS – Agência Nacional de Saúde, é prova disso. Este é um modelo de remuneração de serviços estabelecido pela Lei 13.003, Resolução Normativa 364/2014 e Instrução Normativa nº 61/2015. É usado para reajustar contratos entre operadoras e prestadores, usando como base, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ao qual será aplicado o Fator de Qualidade, que possui três níveis para aplicação de reajustes: (A) 105%, (B) 100% e (C) 85%. Até 2016, o fator valia apenas para hospitais. Para este ano, foram incluídos mais serviços de saúde: hospital-dia, clínicas, consultórios e Serviços de Apoio à Diagnose e Terapia (SADT). Portanto, qualidade e segurança agora também são sinônimos de sustentabilidade organizacional.

Aléxia Costa Farmacêutica pela Universidade Católica de Santos. Mestre em Genética e Genomas pela UNIVAP. MBA em Gestão e Engenharia da Qualidade pela Escola Politécnica da USP. Monitora de Pesquisa Clínica pela Sociedade Brasileira de Profissionais de Pesquisa Clínica. Avaliadora de Sistemas de Saúde, através da metodologia ONA e Accreditation Canada. Docente da disciplina Gerenciamento de Riscos aplicado à Gestão da Qualidade, no MBA da Escola Politécnica da USP. Experiência em Gerenciamento de Farmácia Hospitalar e Oncológica em instituições de saúde. Fellow da ISQua – International Society for Quality in Healthcare.

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EDUCAÇÃO

Maria Júlia P. da Silva A C OMUNICAÇÃO ME LEVOU AO “CAMINHO”

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ntrei na EEUSP (Escola de Enfermagem da USP) muito jovem, 18 anos, e só tive dúvidas durante o curso se deveria continuar ou não em duas situações: 1ª achei Bioquímica horrível! Decorei, sem entender; 2ª quando morreu um jovem da minha idade que eu estava ajudando a cuidar, e não tive a mínima ideia do que falar para a família, como interagir numa situação dessas e se eu aguentaria conviver com perdas tão grandes a vida toda. Mas, ainda na graduação, fui me apaixonando pelas pessoas que ia conhecendo, aprendendo com suas histórias, considerando que elas eram muito

mais fortes que eu em muitos sentidos, reconhecendo o “curso intensivo de vida” que a Enfermagem oferece. Depois de formada tive muitos privilégios: fazer residência e especialização em saúde mental (que me foi útil a vida toda para lidar com qualquer pessoa “normalzinha”), ajudar a abrir e montar o HU -USP (voltei depois de 30 anos como Responsável Técnica e encontrei muitos parceiros “daquela” época), ensinar/aprender na graduação e pós-graduação da EEUSP (“o bom filho a casa torna! ”), entre outros. Como cada pessoa é uma história, para mim foi inevitável NASCECME MAGAZINE | março 2017


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querer estudar comunicação que é, justamente, a “ponte” que nos liga ou nos afasta das pessoas. Como aprender e entender as pessoas se não puder “trocar” com elas? (Comunicare implica ser capaz de pôr em comum; receber e enviar mensagens adequadamente). E, convivendo com doentes mentais, inicialmente, ficou evidente para mim que, ninguém fala tudo que pensa e sente, portanto, precisava ir além da comunicação verbal. Há quase 30 anos comecei a estudar o não verbal. Havia pouquíssima coisa escrita na Enfermagem sobre o tema, daí o doutorado ter gerado o livro “Comunicação tem Remédio – A Comunicação nas Relações Interpessoais na Saúde” (hoje na sua 14ª edição!). Atualmente não se questiona a importância do toque afetivo aliado ao toque instrumental, do olhar direto, da atenção à postura corporal (do outro e nossa), do tom de voz utilizado em qualquer setor da saúde. Inclusive, claro, na clínica cirúrgica. Só que, como a comunicação possui uma relação direta com a cultura de cada povo, as pesquisas precisam ser revistas e refeitas periodicamente nessa área. O jovem de hoje, por exemplo, como é sabido, tem muita facilidade com as tecnologias que podem gerar interação, mas mais dificuldade nas relações tete-a-tete. De certa forma, estão mais “grupalmente” sozinhos. E, um dos grandes desafios para o jovem profissional da saúde e, portanto, de Enfermagem, é se lembrar que nessas profissões tem diante de si pessoas que estão fragilizadas, enfermas (não firmes) e precisam de outras pessoas que se ocupem delas como realmente são: um todo que envolve o físico, o mental, o emocional e o espiritual (não estou me referindo a religiões, mas ao sentido que ela dá para a própria vida). Precisam de profissionais que entendam que nem tudo que conta (que importa) pode ser contado (é objetivo, pode ser medido ou mensurado), daí a necessidade de estarmos atentos e ser aptos a decodificação do verbal e do não verbal. Quando o profissional entende que sua capacidade de escuta e de atenção pode reduzir muito as suas situações de conf lito, percebe que, por pior que seja o contexto onde se encontra, ele pode escolher ser o melhor dele, ser o melhor de si. O outro só está expressando o que é também; ou o que é capaz de ser naquele momento.

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Nesse livro mais recente, “No caminho – Fragmentos Para Ser o Melhor”, exponho exatamente meu aprendizado nesse caminho percorrido cuidando e ensinando a cuidar de pessoas; deixando claro minha crença que não posso modificar ninguém que não queira se modificar, mas posso ser o meu melhor e dormir tranquila se fiz o melhor possível! Afinal, estamos todos no caminho.

Autor: Maria Júlia P. da Silva Editora: Loyola

Maria Júlia P. da Silva Profa. Titular aposentada pela EEUSP, Mestrado, doutorado e livre docência na área de Comunicação Interpessoal. Pesquisadora Nível 1A pelo CNPq. Autora de vários livros, entre eles: Comunicação tem Remédio; O amor é o caminho – Maneiras de Cuidar; Qual o Tempo do Cuidado? Liderança em 5 atos; No caminho – Fragmentos Para Ser o Melhor; entre outros)

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ALIMENTAÇÃO

Fabio S. de Paula O R G Â N I C O S E NAT U R A I S Você já deve ter pensado muito sobre o assunto e agora vamos começar a esclarecer sobre os benefícios de consumir um produto orgânico

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oje o Brasil é o país que mais consome pesticidas no mundo, sendo que vários são proibidos em muitos países. Já parou para pensar o quanto isso afeta a sua saúde, a dos agricultores e do solo? Como será a sua saúde com o consumo exagerado dos agrotóxicos? Como será o planeta que vamos ou que gostaríamos de deixar para as futuras gerações? Por esses poucos pontos levantados, já percebemos a importância de uma alimentação orgânica e natural. Além de inúmeros benefícios à saúde, os alimentos orgânicos são muito mais saborosos e com uma durabilidade muito maior (caso das frutas e verduras), isso porque nos solos balanceados e fertilizados com adubos naturais, se obtém alimentos mais nutritivos pois conservam-se suas propriedades naturais como vitaminas, sais minerais, carboidratos e proteínas. Um alimento orgânico não contém substâncias tóxicas e nocivas à saúde. Em solos

equilibrados, as plantas crescem mais saudáveis, preservam-se suas características originais como aroma, cor e sabor, portanto, consumindo produtos orgânicos, é possível apreciar o sabor natural dos alimentos e são ideias para manter o equilíbrio e pleno funcionamento do seu organismo. É importante lembrar que os produtos orgânicos nem sempre são light, entretanto, no caso da carne, por exemplo, a proteína animal pode levar a distúrbios no sistema endocrinológico, especialmente da mulher, beneficiando o acúmulo de gordura. Já os alimentos que recebem agrotóxicos, podem causar intoxicação do organismo, o que promove, dentre outras disfunções, o inchaço e dificuldade na perda de peso. Uma dieta balanceada, uma alimentação sem hormônios e agrotóxicos, juntamente com atividade física, favorecem uma perda de peso sempre saudável. Para os bebês, a partir do sexto mês, é recomendada a inNASCECME MAGAZINE | março 2017


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trodução de novos alimentos, e sempre surge a dúvida de como iniciar esta introdução. A primeira dica é a escolha de alimentos orgânicos, que são mais saborosos e cultivados sem agrotóxicos, aditivos químicos ou modificações moleculares em semente. Uma grande vantagem da alimentação orgânica desde a introdução dos alimentos aos seis meses, é a formação do hábito alimentar. Bebês e crianças alimentadas com papinhas, sopinhas e comidinhas orgânicas, formam hábitos alimentares diferenciados, pois os alimentos orgânicos têm muito sabor e isto estimula a palatabilidade e o interesse por experimentar novos alimentos. Se aprendermos a “comer bem desde cedo” e repetirmos o aprendizado por toda nossa vida, teremos uma grande vantagem com o alimento orgânico – aprenderemos a comer e escolher alimentos mais saudáveis. É muito importante que o consumidor de produtos orgânicos entenda que o cultivo de vegetais orgânicos respeita a sazonalidade de cada variedade, nem sempre é possível achar morango ou mexerica todos os meses do ano. Um dos pilares da agricultura orgânica é evitar situações artificiais que force a produção fora das épocas apropriadas. Alimentos orgânicos são aqueles que utilizam, em todos seus processos de produção, técnicas que respeitam o meio ambiente e visam a qualidade do alimento. Desta forma, não são usados produtos químicos que possam causar danos à saúde. Podem ser naturais ou industrializados. Para ser considerado orgânico, o processo de industrialização deve respeitar as normas de fabricação para evitar qualquer contaminação do produto com substâncias indesejadas. Seus ingredientes devem ser inofensivos à saúde do consumidor. O produto deve ser composto de no mínimo 95% de ingredientes orgânicos. Os que têm proporção menor só podem ser chamados de “produto com ingredientes orgânicos” e essa porção tem que ser de, no mínimo, 70%. Já os com menos de 70% de ingredientes orgânicos não podem ser vendidos como tal e não podem ter o selo brasileiro. O produto orgânico não pode ter nenhum tipo de conservante, corante, ou aromatizante químico. Além disso, no processo produtivo, não pode ter sido utilizados defensivos químicos. O produtor orgânico se preocupa com o meio ambiente e com o meio social. Normalmente são pequenas unidades produNASCECME MAGAZINE | março 2017


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tivas, que se unem para fornecer uma variedade maior de produtos à sociedade. Um auxiliando o outro em todos os sentidos. Outra preocupação constante é com o desperdício, que é sempre evitado ao extremo. O mercado brasileiro de alimentos orgânicos está crescendo a taxas invejáveis, que passam de 20% ao ano, conforme registros do projeto Organics Brasil. O índice foi de 25% em 2015, e provavelmente passou de 30% em 2016, enquanto no mundo a taxa entre 5% e 11%, mostram dados da consultoria Organics Monitor, o Brasil é considerado um mercado em franca expansão no segmento orgânico. As projeções para 2016 reafirmam tendência de crescimento maior no Brasil. O mercado de orgânicos teria movimentado o equivalente a R$ 350 bilhões no mundo e R$ 2,5 bilhões no país (0,71%) – perto de US$ 80 bilhões e US$ 600 milhões, respectivamente. Se a previsão do Organics Brasil de crescimento entre 30% e 35% se concretizar, o faturamento brasileiro pode ter ultrapassado a marca de R$ 3 bilhões em 2016 – um terço referente às exportações. Alguns dados: • 70% do povo brasileiro pratica consumo consciente – Pesquisa Kantar Worldpanel 2015; • Aumento de 32% nas vendas de orgânicos – Pesquisa Nielsen 2015; • Entre 2009 e 2015 o segmento de orgânicos cresceu 173,8% - Euromonitor. Perfil dos Consumidores • 56% pertencem às classes A/B+; • 71% são donas de casa maduras; • 48% têm filhos adolescentes.

Fonte: Nielsen

Para concluirmos, 10 razões rápidas para consumir um alimento orgânico: 1.São mais saborosos; 2. São mais nutritivos; 3. Têm mais fitoquímicos (antioxidantes, anti-inflamatórios e promovem a eliminação de substâncias tóxicas ao organismo); 4. Não possuem agrotóxicos; 5. Quanto mais consumidores, menor será o preço; 6. Duram mais; 7. Varia o seu cardápio; 8. Fortalece a economia loca; 9. Protege o meio ambiente; 10. Preserva a saúde dos agricultores.

Fabio S. de Paula

Bio per tutti

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EDUCAÇÃO

Alva Helena E D U C AÇ ÃO E M S AÚ D E E A P R ÁT I C A D E E N F E R M A G E M

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nicio esse diálogo considerando que a Enfermagem e a Educação são reconhecidas como práticas sociais, isto é, são “modos de ação social de um grupo de agentes sociais que constituem um conjunto de práticas estruturadas que influenciam a forma de organização da sociedade”1. Nesta perspectiva, tais práticas vão se constituindo com base em determinações históricas e sociais e se caracterizam como trabalho, pois são dotadas de um objeto de intervenção, de instrumentos e uma finalidade1. O trabalho por sua vez, constitui característica definidora da espécie humana2, logo, refletir sobre a prática de enfermagem e as práticas educativas diz respeito à compreensão da intersecção e complementariedade desses processos de trabalho na prestação do cuidado integral em saúde. A partir dessa consideração, devo reforçar a incontestável rela-

ção entre enfermagem e educação, ou seja, dentre as práticas de enfermagem, sejam assistenciais ou gerenciais, estão compreendidas as práticas educativas. Dito isso, há de se discutir: o que se entende por educação? Para diversos autores, a educação é elemento central na compreensão da natureza humana, é construída historicamente e constitui então, os conhecimentos, ideias, conceitos, valores, símbolos, hábitos, atitudes, habilidades resultantes do processo de transformação da natureza e das relações sociais estabelecidas pela produção humana. Além disso, “o processo de trabalho educativo é a via específica e privilegiada para o acesso à produção e usufruto dos bens culturais criados pelos homens” 3. Cabe ainda uma outra questão: com qual finalidade se educa? Educa-se para o “livre processo de desenvolvimento das potencialidades humanas”4, para a formação do NASCECME MAGAZINE | março 2017


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homem adequada às necessidades e tarefas da sociedade5. Compreendendo essa função social da educação, cabe outra reflexão: qual sociedade desejamos construir? Educo os homens para ajustarem-se à sociedade tal como ela é ou educo para para a transformarem? Ressalto até aqui, a intencionalidade de explicitar que, ações educativas em saúde, não são e nem podem ser consideradas atividades mais simples, que dispensam tecnologias e que não acarretam implicações para os sujeitos envolvidos. Vale lembrar que a educação não se processa apenas na escola. Os indivíduos quando chegam à escola ou, aos serviços de saúde em particular, já se encontram impregnados de saberes socializados em todos os espaços sociais que percorreram6. Essa condição deve ser considerada no desenvolvimento dos processos educativos nos serviços de saúde, pois constituem o instrumental com o qual os indivíduos interpretam a realidade em que vivem e os problemas de saúde que enfrentam. Portanto, os instrumentos – saberes, estratégias e recursos - que os profissionais de saúde devem necessariamente escolher para desenvolver as ações educativas, não podem se limitar apenas, ao evento “doença”, como se essa representasse um obstáculo ou “anormalidade” na vida dos sujeitos. Assim como não podem acreditar que, para lidar com essa “disfunção”, basta apenas o conhecimento técnico-científico produzido no campo biomédico. Na perspectiva da educação em saúde, que se escolheu problematizar nesse diálogo, os “problemas” de saúde se configuram como um processo, alinhados ao conceito ampliado de saúde referido na Constituição Brasileira7, resultante dos embates constantes entre fortalecimentos e desgastes inerentes às formas de viver e de trabalhar dos diferentes grupos sociais(6ˈ8ˈ9). Educar em saúde significa desenvolver um processo de trabalho específico, pautado nas interações entre os profissionais de saúde e a população, buscando superar o polo técnico do cuidado, afim de alcançar o polo político, cuja intencionalidade é contribuir para mudar as condições de trabalho, vida e saúde desses grupos6. No que se refere em particular aos profissionais da área, educar em saúde pressupõe a compreensão dos mecanismos e funções do processo de produção no setor saúde e o poder e compromisso de interferir nas relações sociais a favor de processos de mudanças na sociedade, assim como com a construção de sentido positivo para o trabalho10.

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Referências 1. MENDES-GONÇALVES, R.B. Medicina e história - raízes sociais do trabalho médico. São Paulo: USP. 1979. Dissertação (Mestrado) — Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, 1979. ALMEIDA, M,C.P.; ROCHA, J.S.Y. O saber da enfermagem e sua dimensão prática. São Paulo, Cortez, 1986. SILVA, G.B. Enfermagem profissional: análise crítica. São Paulo, Cortez, 1986. 2. SAVIANI D. Escola e democracia. Campinas: Autores Associados; 2003. 3. SEVERINO AJ. Filosofia. São Paulo: Cortez; 1994. 4. VIANA N. MARX E A EDUCAÇÃO. Revista Estudos /UCG 2004; 31(3):543-66. 5. SUCHODOLSKI B. Teoria marxista da educação. Vol. 1. Lisboa: Estampa: 1976. 6. Almeida AH, Trapé CA, Soares CB. Educação em saúde no trabalho de enfermagem. In: Cassia Baldini Soares Celia Maria Sivalli Campos (orgs). Fundamentos de saúde coletiva e o cuidado de enfermagem. Barueri, SP: Manole, 2013. pg. 293-12. 7. Brasil. Constituição (1998). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília;1998 8. Queiroz VM, Salum MJF. Reconstruindo a intervenção de enfermagem em saúde coletiva: In: Livro resumo do 48º Congresso Brasileiro de Enfermagem; 1996 out 6-11; São Paulo. São Paulo; ABen-Seção-SP; 1996. P.347. Texto integral mimeografado gentilmente cedido pelas autoras. 9. Viana N. Soares CB, Campos CMS. Reprodução social e o processo saúdedoença: para compreender o objeto da saúde coletiva. In: Soares CB, Campos CMS, organizadoras. Fundamentos de saúde coletiva e o cuidado de enfermagem; Barueri: Manoele; 2013. p.107-142. 10. Cordeiro L, Soares CB. Implementation of evidence-based health care using action research: An emancipatory approach. Int J Nurs Pract. 2016; 22:333-338.

Dra. Alva Helena Graduação em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP (1979). Licenciatura em Enfermagem pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (1983). Mestrado em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP (2000). Doutorado em Ciências pela Escola de Enfermagem da USP (2009). Desenvolvi atividades assistenciais e gerenciais junto ao Hospital Público Municipal, Unidade de Pronto Socorro, especializado em politraumatismo (1981-1991). No período de 1991 a 2014, me dediquei mais diretamente, à educação permanente dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde no município de São Paulo, compreendendo ações de planejamento, desenvolvimento de ações educativas e elaboração de materiais didáticos requeridos por essas ações, para os níveis médio e superior. Reúno experiência nos temas de formação pedagógica e planejamento de ensino, educação professional, formação em serviço, educação em saúde, educação à distância, gestão de pessoas, políticas de saúde e atenção às urgências e emergências.

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ENTREVISTA

Dr. ArmandoMelani ROB Ô-CIRURGIÃO por Stella Curzio

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irurgia realizada com maior precisão, mais detalhes e melhor visualização, que evita o cansaço médico e traz vantagens ao paciente. A cirurgia robótica, um dos tipos da cirurgia minimamente invasiva, é decorrente dos recentes avanços na tecnologia que oferece aos pacientes significativas alternativas que não existiam há pouco mais de uma década atrás. Em entrevista concedida a Revista NasceCME, Dr. Armando Melani, Diretor Científico do IRCAD (Instituto de Treinamento em Técnicas Minimamente Invasivas e Cirurgia Robótica) e, Cirurgião Oncológico e Chefe do Departamento de Cirurgia Oncológica do Aparelho Digestivo Baixo no Centro Médico Americas Medical City, aborda quais os benefícios para o país em ter um centro de treinamento e educação de última geração e comenta a respeito da cirurgia robótica.

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A cirurgia robótica é considerada como uma das maiores inovações tecnológicas na área médica. Há quanto tempo se pratica esse tipo de cirurgia e quem foi o idealizador dessa tecnologia? A cirurgia com interface robótica vem sendo desenvolvida desde a década de 80. Inicialmente com instrumentais para a cirurgia aberta e depois para laparoscopia com o intuito militar. A partir de 1994, surgiram no mercado novos sistemas robotizados como AESOP para cirurgia cardiovascular e em 1997, o Zeus para laparoscopia. A empresa Intuitive lançou a primeira geração do equipamento DaVinci em 1998. Muitas melhorias foram introduzidas na interface robô-cirurgião, movimentos mais delicados, movimentos que a mão humana não é capaz de executar (sete graus de liberdade), visão do campo cirúrgico tridimensional com percepção de profundidade, distinto da laparoscopia, perspectivas de desenvolvimento de ferramentas com capacidades múltiplas, integração com modelos tridimensionais virtuais. Como se compõe o sistema robótico? O sistema robótico compõe-se de um console para o cirurgião, um carrinho para o paciente e uma torre de controle vídeo. Os procedimentos cirúrgicos com o sistema de robótica estão sob o comando de quem? Estão sob o comando do cirurgião. O robô não executa nenhum movimento per se (do latim), por si. Existe uma relação mestre-escravo. Pode-se inferir que os procedimentos exigem qualificação do cirurgião para manuseio da tecnologia robótica. Quais centros ou institutos fornecem essa qualificação? Os profissionais são certificados? Essa certificação deve ser atualizada e renovada com qual periodicidade? Sim, há uma necessidade de treinamento e uma habilitação muito similar a carteira de motorista. Porém, é necessária a mesma habilitação para a equipe cirúrgica, ou seja, assistente, instrumentador e circulante de sala. A cirurgia robótica exige uma equipe multiprofissional muito bem treinada. O cirurgião sozinho não consegue executá-la. Existe um processo de certificação elaborado pela empresa Intuitive. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Qual a importância do instrumentador cirúrgico na equipe? O instrumentador cirúrgico deve responder pelo cuidado e manutenção das pinças? O instrumentador é muito importante na utilização desta tecnologia. Existem vários detalhes relacionados com a manipulação da pinças e óticas robóticas, seja na montagem, manutenção e limpeza das mesmas. O processamento das pinças da robótica em termos de limpeza e esterilização exige requisitos específicos? Sim, requisitos específicos designados pela empresa Intuitive Quais especialidades cirúrgicas podem utilizar a robótica? Cirurgias Urológicas, Ginecológicas, Gastrointestinais, Coloretais, Bariátricas, Toraxicas, Hérnias entre outras. Existe acompanhamento dos resultados clínicos das cirurgias robóticas? Poderia apresentar alguns dados estatísticos a nível nacional e internacional? Sim vários trabalhos estão disponíveis na literatura médica Na sua opinião, quais os benefícios para o paciente da cirurgia robótica versus cirurgia laparoscópica? Menos dor, menor índice de conversão, melhor qualidade de dissecção. A cirurgia robótica (sistema Da Vinci®) é o tratamento de escolha (primeira opção) de alguma especialidade cirúrgica? Como estamos na quarta geração da cirurgia robótica, os dados que temos hoje estão relacionados a tecnologias já ultrapassadas. Porém, estudos multicêntricos não foram capazes de demonstrar superioridade do método mesmo na cirurgia urológica (próstata), que é a mais difundida. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Em termos estatísticos, qual o percentual de cirurgias robóticas realizadas no Brasil, comparando-se outros países como os Estados Unidos, por exemplo? O acesso é menor do que 1%. Existem no Brasil não mais do que 20 sistemas, já nos Estados Unidos há mais de 2000 sistemas. Na sua opinião qual o maior desafio para a expansão da cirurgia robótica no Brasil? O custo é um dos grandes desafios a introdução desta técnica. Para finalizarmos, o que nos reserva o futuro da cirurgia robótica em termos tecnológicos e no segmento de pesquisas? Creio que estamos na era pré-histórica da cirurgia robótica. Daqui há 30 anos, nós teremos mais estes questionamentos pois, todo tipo de cirurgia será executado por uma interface robótica. Hoje, já temos robôs para introdução de cateteres vasculares, endoscopia, implantes capilares, ortopedia, cirurgia de catarata.

Dr. Armando Melani Diretor do IRCAD América Latina desde 2011, Graduação e Residência pela Universidade de São Paulo – Ribeirão Preto, Titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia – SBCP, Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões – CBC, Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica – SBCO, Membro da Sociedade Americana de Cirurgiões Gastrointestinais – SAGES, Membro Honorário da Sociedade Peruana de Videocirurgia, Membro Honorário da Sociedade Chilena de Coloproctologia, Membro Honorário da Sociedade Portuguesa de Videocirurgia, Membro Distinto da Sociedade Mexicana de Cirurgia Endoscópica – AMCE, Mestre em Ciências pela Universidade Federal Paulista – Unifesp, Presidente Nacional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica Sobracil – 2017/2018, Atua como Cirurgião Oncológico e Chefe do Departamento de Cirurgia Oncológica do Aparelho Digestivo Baixo no Centro Médico Americas Medical City

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Soluções totais Matachana Para centros de reprocessamento de material estéril NASCECME MAGAZINE | março 2017

www.strattner.com.br


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RECEÇÃO E LAVAGEM DE CARROS

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REPARAÇÃO E EMBALAGEM

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CLASSIFICAÇÃO

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CARGA DE ESTERILIZADORES

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LAVAGEM MANUAL

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DESCARGA DE ESTERILIZADORES

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CARGA LAVAGEM AUTOMÁTICA

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ARMAZÉM ESTÉRIL

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DESCARGA DE LAVAGEM

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DISTRIBUIÇÃO DO MATERIAL ESTÉRIL

NASCECME www.matachana.com

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Foto Matachana | Divulgação

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ENTREVISTA

ELENA LORENZO entrevista e tradução: Stella Curzio

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ão muitos os questionamentos recorrentes dos profissionais que atuam em CME. O trabalho dos enfermeiros e a sua importância como cuidado de enfermagem precisa ser mais valorizado. Fornecer o material esterilizado ao hospital, promover interação entre as áreas, adequar as condições ambientais às necessidades do trabalho, planejar e implementar programas de treinamento e reciclagem junto à Educação continuada, são alguns dos exemplos dos objetivos da assistência prestada aos pacientes. Em entrevista exclusiva para a Revista NasceCME, Elena Lorenzo, Mestre em Educação Ambiental e Especialista em Genética Molecular, atua há 16 anos na empresa Matachana, em Barcelona, na Espanha, como responsável pelo Controle de Infecção e comenta sobre o papel do líder frente à equipe de CME, destaca recomendações e fala a respeito de outros desafios que os profissionais da área enfrentam.

Aqui no Brasil há várias maneiras de se referir a Central de Material e Esterilização (CME), mas confesso que a expressão “caráter transversal da CME” é pouco difundida entre nós. Você poderia comentar um pouco a respeito? Quando CMEs são entendidos como serviços centralizados e únicos dentro do hospital, oferecem o material estéril para todas as unidades hospitalares que requerem este tipo de material. Portanto, o CME oferece um serviço horizontal que “atravesssa” toda a instalação.

Cuando las Centrales de reprocesamiento de dispositivos médicos (CME) se entienden como servicios centralizados y únicos dentro del hospital, ofreciendo material estéril para todas las unidades que requieren este tipo de material. Por tanto, la CME ofrece un servicio horizontal que “ atraviesa” toda la instalación.

No contexto da resposta anterior, como você percebe o papel do líder frente a equipe da CME? Se a questão deve compreender o papel crucial da CME no hospital, considero essencial. Temos sempre em mente o objetivo final de “paciente seguro” mas sem uma sala de operação segura e sem uma CME segura, essa meta é impossível de alcançar. Portanto,

Si la cuestión debe ser entendida como cuál es el papel crucial que juegan las CME dentro del hospital, lo considero esencial. Siempre tenemos en mente el objetivo final del “ paciente seguro”, pero sin un quirófano seguro y sin una CME segura, esta meta será imposible de alcanzar. Por NASCECME MAGAZINE | março 2017


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o CME é um dos pilares fundamentais para o bom funcionamento dos nossos hospitais e é uma das principais barreiras para a prevenção de infecções nosocomiais em nossas instalações de saúde.

tanto, la CME es uno de los pilares fundamentales para el buen funcionamiento de nuestros hospitales y actúa como una de las barreras principales para la prevención de las infecciones nosocomiales en nuestras instalaciones de salud.

Aqui no Brasil não existe muita preocupação com a área destinada a descarga do material esterilizado. Gostaria de saber como as CMEs da Espanha veem esta questão? Na Espanha, também compartilhamos essa preocupação, mas, a partir de dois pontos de vista diferentes para sua melhoria:

En España compartimos también esta preocupación, pero desde 2 puntos de vista diferentes para su mejora:

ERGONÔMICO: Buscar sistemas que melhorem as ações de descarga para facilitar as tarefas dos trabalhadores, melhorando o seu conforto e comodidade no trabalho, já que trabalham normalmente, com material muito pesado e correm o risco de queimaduras. Cada vez mais, cargas e descargas de carrinhos são incorporados com altura ajustável, sistemas automáticos que permitem a transferência automática do material, sem a intervenção do usuário, além de ajudar na secagem de materiais, evitando o risco de condensação por mudanças muito bruscas de temperatura quando os mesmos são colocados na matriz de estrutura de armazenamento estéril. Tais sistemas automatizados estão ligados ao próprio esterilizador, permitindo que o equipamento abra e feche a porta sem a intervenção de operadores, gerindo muito melhor o movimento de carga e descarga e rotação de materiais, não perdendo tempo entre os processos.

ERGONÓMICO: Buscar sistemas que mejoren las acciones de descarga facilitando las labores de los trabajadores, mejorando su confort y comodidad en estos trabajos, normalmente efectuados con material muy pesado y con riesgo de quemaduras. Cada vez más se incorporan carros de carga y descarga con altura regulable, sistemas automáticos que permiten la descarga automática del material sin la intervención del usuario y que ayudan en el secado de los materiales, evitando el riesgo de condensaciones por cambios muy repentinos de temperatura cuando los materiales se colocan sobre las estructura de almacenaje del arsenal estéril. Este tipo de sistemas automatizados están conectados con el propio esterilizador y permiten que el equipamiento abra y cierre la puerta sin la intervención de los operarios, gestionando mucho mejor los tiempos de carga y descarga y la rotación de los materiales, sin tiempos perdidos entre procesamientos.

AMBIENTAL: Devido as áreas limpas e estéreis serem classificadas como sala limpa conforme o ISO 8, em conformidade com a NASCECME MAGAZINE | março 2017

AMBIENTAL: Debido a que las zonas limpias y las zonas estériles reciben una clasificación como salas blancas tipo ISO 8 en conformidad con la norma internacional ISO


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norma internacional ISO 14644-1,2, as condições ambientais nessas áreas são cada vez mais controladas: temperatura, umidade, pressão relativa e quantidade relativa de partículas que existem no ar, com seu acompanhamento e monitorização regular dos filtros e seus níveis.

14644-1,2, las condiciones ambientales de estas zonas cada vez son más controladas: temperatura, humedad, presión relativa y cantidad de partículas que existen en el aire, con su monitorización y control regular de los filtros y nivel de las mismas.

Área de armazenamento - Hospital San Juan de Dios de Manresa - Barcelona - Espanha | Foto: Matachana/Divulgação

Um outro questionamento recorrente dos profissionais que atuam em CME diz respeito a pacotes molhados. Que critério é adotado nas CMEs que você conhece com relação a problemática do pacote molhado. Existe algum padrão internacional que recomenda o uso de pacote molhado? A questão da umidade é um dos maiores problemas de manutenção de esterilidade. A AORN (Association of periOperative Registered Nurses) assim como a AAMI (Associação for the Advancement of Medical Instrumentation) desencorajam o uso de um item que está molhado no final do ciclo de esterilização a vapor, mesmo se o material estiver dentro de um recipiente rígido. A secagem

El tema de las humedades es uno de los mayores problemas de mantenimiento de la esterilidad. La AORN como la AAMI (asociaciones americanas de enfermería y de tratamiento del instrumental) desaconsejan el uso de un artículo que esté mojado al final de un ciclo de esterilización por vapor, aún si ese material está dentro de un contenedor rígido. El secado se convierte en un parámetro crítico para mantener la esteNASCECME MAGAZINE | março 2017


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torna-se um parâmetro crítico para manter a esterilidade. Se os pacotes ainda estão molhados quando a porta do esterilizador é aberta, os microrganismos podem cair sobre esses pacotes e contaminar o seu conteúdo interno. Descartar os pacotes que estão infectados pela presença de umidade é considerada uma recomendação tipo 1B pelo último guia elaborado pelo Ministério da Saúde Espanhol sobre a gestão de uma Unidade de Esterilização, (2011) uma recomendação tipo 1B, significa que se aconchega segui-la com base em alguns estudos experimentais, clínicos e epidemiológicos fundados em uma justificação teórica sólida. Na verdade, o mesmo guia nos adverte que a vida útil de um objeto em embalagem estéril depende da qualidade das embalagens, as condições de armazenamento, condições de transporte, o número de manipulações e outros eventos, incluindo a humidade, o que pode comprometer a integridade da embalagem. Tendo em conta todos esses fatores e que todos estão corretos, os materiais poderiam ser usados indefinidamente, a menos que a EMBALAGEM ESTEJA COMPROMETIDA. Como recomendação da categoria II (sugerido por estudos experimentais, clínicos ou epidemiológicos ou uma justificação teórica), o mesmo guia nos diz que, antes de usar um objeto estéril, deve ser verificada a integridade da embalagem (por exemplo, observar a presença de rasgos, umidades ou perfurações). Se for detectada alguma anormalidade, os pacotes que mostram uma perda de integridade na sua embalagem não devem ser usados. No entanto, nos últimos anos, estão surgindo alguns estudos científicos relacionados

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rilidad. Si los paquetes todavía están húmedos cuando la puerta del esterilizador se abre, los microorganismos pueden caer sobre los paquetes y contaminar su contenido interno. Descartar los paquetes que están afectados por la presencia de humedad está considerada como una recomendación de tipo 1B por la última de las guías elaboradas por el Ministerio de Sanidad Español sobre la gestión de una Unidad de esterilización (2011). Una recomendación de tipo 1B significa que se aconseja enormemente seguir esta recomendación por estar fundamentada en algunos estudios experimentales, clínicos o epidemiológicos y en una justificación teórica sólida. De hecho, la misma guía nos advierte que la vida útil de un objeto esterilizado empaquetado depende de la calidad del envoltorio, las condiciones de almacenaje, las condiciones de transporte, la cantidad de manipulaciones y otros eventos, entre ellos la humedad, que pueden comprometer la integridad del paquete. Si se tienen en cuenta todos estos eventos y todos son correctos, los materiales podrían ser usados indefinidamente a menos que el EMPAQUETADO ESTÉ COMPROMETIDO. Como recomendación de categoría II (sugerida por estudios experimentales, clínicos o epidemiológicos o por una justificación teórica), la misma guía nos dice que antes de usar un objeto esterilizado debe comprobarse la integridad del embalaje ( p.ej, observar la presencia de rasgados, humedades o perforaciones). Si se detecta alguna alteración, no deben usarse aquellos paquetes que muestren una pérdida de integridad en su envoltorio. A pesar de todo, en los últimos años han surgido algunos estudios científicos relacionados con la presencia de humedad en los paquetes y el mantenimiento de la esterilidad. Existe un


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à presença de umidade em pacotes e a manutenção da esterilidade. Existe artigo do Brasil a este respeito. Um resultado foi obtido em uma recente pesquisa francesa publicada no Congresso Mundial de Lille de 2015, com um experimento muito parecido ao do Brasil e conclusões semelhantes, mas com uma redução considerável sobre os tempos de esterilidade. Os investigadores testaram recipientes e embalagens em um tecido duplo enrolado contaminado com certos microrganismos, mantendo os pacotes uma vez esterilizados em um ambiente externo desfavorável e com presença microbiana. Neste caso, a esterilidade da embalagem foi mantida durante 14 dias. Este estudo, “Assessment of residual Moisture and Maintenance of Sterility in Surgical Instrument sets after sterilization”, elaborado por Camille Fayard, Christopher Lambert & Cols.y publicado em ICHE em agosto de 2015. Apesar de todos estes estudos, e para não correr riscos, todo pacote que apresente umidade deve ser descartado. O ideal é que NÃO APAREÇA ESTA UMIDADE, então você deve rever os pontos acima para encontrar a causa do problema. Se você não chegar a uma solução diante de situações de urgência perfeitamente protocoladas, eles poderiam chegar a aceitar pacotes com um pouco de umidade sempre que os processos prévios de limpeza e desinfecção forem efetuados perfeitamente (processos automatizados para controlar a limpeza são NEGATIVOS), materiais envolvidos em tecidos sem terem o polipropilenos e preferencialmente, em embalagem dubla, onde a umidade é observada na segunda camada mais externa (que a norma EN ISO 11607-1 descreve como

artículo publicado por investigadores brasileños sobre este tema. Un resultado similar fue obtenido en una reciente investigación francesa que se publicó en el Congreso Mundial de Lille de 2015 con un experimento bastante parecido y conclusiones similares pero con una reducción considerable sobre los tiempos de esterilidad. Los investigadores hicieron pruebas con contenedores y embalajes en doble envoltura de Tejido sin tejer y contaminaron con determinados microorganismos, manteniendo los paquetes, una vez esterilizados en un ambiente externo desfavorable y con presencia microbiana. En este caso, la esterilidad del paquete se mantuvo durante 14 días. Este studio, “ Assessment of residual Moisture and Maintenance of Sterility in Surgical Instrument sets after sterilization”, elaborado por Camille Fayard, Christopher Lambert & Cols fue publicado en ICHE en Agosto del 2015. A pesar de todos estos estudios y para no correr riesgos, cualquier paquete que presente humedad debería ser descartado. Lo ideal es que NO APAREZCA ESTA HUMEDAD, por lo que se deben revisar los puntos anteriormente expuestos para buscar la causa del problema. Si no se llega a una solución y ante situaciones URGENTES perfectamente protocolizadas, se podrían llegar a aceptar paquetes con cierta humedad siempre que los procesos previos de limpieza y desinfección se hayan efectuado perfectamente (procesos automatizados con controles de limpieza NEGATIVOS), materiales envueltos en TEJIDOS SIN TEJER ó polipropilenos, y preferentemente en doble embalaje, donde la humedad se observe en la segunda capa más externa ( lo que la norma EN ISO 11607-1 califica como “Transport cover” o embalaje protector de la barrera microbiológica más interna).

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Serviço Transversal da CME | Imagem: Matachana/Divulgação NASCECME MAGAZINE | março 2017


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“tampa de transporte” ou embalagem protetora da barreira microbiana mais interna). O ideal seria analisar o problema para encontrar a causa e fazer o seu próprio departamento de análises microbiológicas de medicina preventiva para ter uma evidência científica e que esteja de acordo com as condições ambientais de instalação/estéreis para um armazenamento criterioso.

Lo ideal sería analizar el problema de mojados que pueda aparecer para encontrar la causa y realizar ensayos microbiológicos propios con su departamento de Medicina preventiva para tener una evidencia científica y acorde con las condiciones ambientales de su instalación/almacén estéril para tener un criterio claro.

Com relação a Sistema de Barreira Estéril (SBE), ainda há CMEs no Brasil que utilizam o tecido de algodão como embalagem de produtos para saúde, na sua opinião esta prática pode gerar riscos quanto a garantia da manutenção da esterilidade do conteúdo? As embalagens têxteis não cumprem com a ISO 11607-1,2, não são barreira microbiológica e, portanto, não podem ser utilizadas como embalagem de esterilização. Ao mesmo tempo, o nível de partículas emitidas por uma embalagem têxtil quando manuseada, é tão alta e seu tamanho é tão grande que os hospitais não poderiam cumprir com a norma ISO 14644 de controle ambiental das zonas de preparação limpa, que são classificadas como sala limpa pelo ISO 8. Não é possível cumprir com essa norma se é utilizada a embalagem têxtil para acondicionar os pacotes estéreis. Na Europa, isso não é utilizado e tudo foi substituído por materiais em conformidade com a norma ISO 11607-1,2.

Los embalajes textiles no cumplen con la ISO 11607-1,2, por lo que no son barrera microbiológica y por tanto, no pueden ser utilizados como embalaje en esterilización. Al mismo tiempo, el nivel de partículas que emiten los embalajes textiles cuando se manipulan es tan elevado y su tamaño es tan grande, que los hospitales no podrían cumplir con la norma ISO 14644 de control ambiental de las zonas de preparación limpia, que son salas blancas con clasificación como ISO 8. NO es posible cumplir con esa normativa si se utiliza embalaje textil para cubrir nuestros paquetes estériles. En Europa no se utiliza y todo ha sido sustituido por materiales conformes con la ISO 11607-1,2.

A AAMI ST 79, emenda A4 de 2013, considera que o carregamento da carga com embalagem de papel/filme plástico não sofre interferência quando se coloca lado a lado filme plástico/filme plástico. Você concorda com esta orientação? Minha opinião é baseada em princípios simples da física e do comportamento dos gases e líquidos: o vapor será extraído durante

Mi opinión se basa en simples principios de la física y del comportamiento de gases y fluidos: el vapor será extraído durante la etapa NASCECME MAGAZINE | março 2017


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a fase de desvaporização após a etapa de exposição através da camada de papel de grau médico que faz parte do saco. Se as bolsas estão muito próximas umas das outras, porque a carga é muito densa e não há espaço suficiente para que o vapor se dissipe no interior da câmara, o vapor extraído colide com a camada de filme plástico do pacote anexo e condensará de novo em forma de água, molhando os pacotes. É que claro que, se a carga for efetuada corretamente, carregada a 75% do volume total da câmara, se permitir acomodar os pacotes, não deveria influenciar o fato de que os dois lados da película de plástico podem tocar entre si.

de desvaporización tras la fase de exposición a través de la capa de papel de grado médico que forma parte de la bolsa. Si las bolsas están muy próximas entre si porque la carga es muy densa y no hay suficiente espacio para que el vapor pueda disiparse en el interior de la cámara, ese vapor extraído chocará con la capa de film plástico del paquete anexo y condensará de nuevo en forma de agua, mojando los paquetes. Por supuesto que si la carga se efectúa de manera correcta, se carga a un 75% del volumen total de la cámara, se permite el paso de una mano de manera “cómoda” entre paquetes, no debería influir el hecho de que los dos lados de film plástico puedan estar tocándose entre sí.

A mídia tem noticiado episódios de contaminação ocorridos no Estado de São Paulo, em pacientes que foram submetidos a cirurgia de catarata via “Mutirão da Catarata“. Uma das hipóteses aponta para o detergente enzimático. Você considera que detergente enzimático é adequado para limpeza de instrumentais oftalmológicos? É sempre adequado para o detergente enzimático que se enxague de maneira abundante e que se remova os vestígios de enzima sobre os instrumentos cirúrgicos. O problema é quando esse material é lavado manualmente (procedimento bastante comum, porque esse tipo de instrumento é muito pequeno e delicado), é muito difícil de ver por algum tipo de método qualitativo/quantitativo, o nível de resíduos químicos que foram deixados na superfície de instrumentos. Por esta razão, no material de lavagem manual de oftalmologia são usados detergentes de pH neutro, semelhante a um enzimático, mas sem qualquer enzima e, fácil de enxaguar. Na verdade, se consultarmos as insNASCECME MAGAZINE | março 2017

El detergente enzimático es adecuado siempre que se enjuague de manera abundante y no queden restos de los enzimas sobre los instrumentos quirúrgicos. El problema es que cuando este material se lava manualmente ( procedimiento bastante habitual debido a que este tipo de instrumental es muy pequeño y delicado), es muy difícil comprobar por algún tipo de método cualitativo/cuantitativo el nivel de residuos químicos que hayan podido quedar sobre la superficie de los instrumentos. Por esta razón, en el lavado manual de material de oftalmología se están utilizando detergente de pH neutro, igual que el enzimático, pero sin ningún tipo de enzima y de fácil aclarado. De hecho, si consultamos las instruc-


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truções de reprocessamento de conjuntos de cataratas, fabricantes de equipamentos oftalmológicos reconhecidos (Karl Storz, Alcon, Bausch & Lomb,etc), recomendam que não sejam usados detergentes enzimáticos para a limpeza de material. Detergentes enzimáticos foram listados como uma das causas mais comuns que podem causar a Síndrome do Segmento Tóxico Anterior (TASS) após cirurgia de cataratas, e nos últimos anos, tem-se rejeitado a sua utilização por este motivo. Se é realizado um procedimento automatizado em uma lavadora termodesinfectadora, é recomendado que a medição do nível de processo de validação da condutividade da água de enxaguamento final (fase de termodesinfecção), seja feita, para assegurar que todos os vestígios de detergente utilizado, quer enzimática ou alcalina, não ocorram. Nesse sentido, os fabricantes de produtos químicos devem proporcionar níveis máximos tolerados toxicológicos que podem ser encontrados na água do último enxague.

ciones de reprocesamiento de los sets de cataratas de los fabricantes de material oftálmico más reconocido ( Karl Storz, Alcon, etc) están recomendando que NO SE UTILICEN detergentes enzimáticos para la limpieza del material de cataratas. Los detergentes enzimáticos se han catalogado como una de las causas más habituales que podrían provocar el Síndrome del Segmento Tóxico Anterior (TASS) tras una intervención de cataratas, y en los últimos años, se ha desestimado su uso por esta razón. Si se realiza un procedimiento automatizado en lavadora termodesinfectora, es recomendable que durante la validación de los procesos se realice una medición del nivel de conductividad del agua del último aclarado ( fase de termodesinfección) para asegurarnos que no quedan restos del detergente utilizado, ya sea enzimático o alcalino. En este sentido, el fabricante del químico debe facilitar los niveles toxicológicos máximos admitidos que podrían ser encontrados en el agua del último enjuague.

Ainda com relação ao processamento de instrumental de oftalmologia, quais características deveria ter a sala onde este material é preparado? Uma vez que o material tenha sido limpo e desinfetado, o conjunto de materiais devem ser embalados para sua esterilização posterior, seja por vapor ou por métodos de baixa temperatura seguindo as instruções do fabricante. Antes da esterilização, o material deverá ser inspecionado, para avaliar que não há nenhum tipo de defeito na angulação das pinças, a finura e precisão dos ganchos de íris, e que os phacos de eletro emulsificação não estão bloqueados em seu interior por restos de partículas, etc. Para fazê-lo, o material deve ser visto um a um com uma

Una vez el material ha sido limpiado y desinfectado, el conjunto de materiales debe ser embalado para su posterior esterilización, ya sea por vapor o por métodos de baja temperatura siguiendo las instrucciones del fabricante. Previo a su esterilización, el material deberá ser inspeccionado, para evaluar que no haya ningún tipo de defecto en la angulación de las pinzas, la finura y precisión de los ganchos de iris, que los phacos de electroemulsificación no estén bloqueados en su interior por restos de partículas, etc. Para ello, el material deberá ser visualizado uno por uno con una lente de NASCECME MAGAZINE | março 2017


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lente de aumento e deve-se proteger as pontas daqueles materiais mais pontiagudos que poderiam ser danificados durante a esterilização. Portanto, é altamente recomendado que os materiais sejam esterilizados em caixas com tapetes/suportes de silicone que impedem o movimento dos instrumentos dentro da autoclave para que eles não se toquem entre si, não causando assim, transferência, por exemplo, de oxidação indesejável. A sala onde se preparada o material deveria ser, preferencialmente, uma sala limpa tipo 8, de acordo com a norma ISO 14644, para monitorar o nível de partículas, filtrando a mesma e evitando, dentro do possível, a utilização de embalagens de materiais têxteis.

aumento y se deberán proteger las puntas de aquellos materiales más punzantes que podrían dañarse durante su esterilización. Por ello es altamente recomendable que los materiales se esterilicen en cajas con alfombrillas/soportes de silicona que impidan el movimiento de los instrumentos dentro del autoclave y que éstos no se toquen entre sí, para no provocar transferencia, por ejemplo, de oxidación no deseada. La sala donde se prepare el material preferentemente debería ser una sala blanca de tipo 8 en conformidad con la ISO 14644, vigilando el nivel de partículas, filtrado de la misma y evitando, dentro de lo posible, la utilización de materiales de empaquetado textiles.

Aqui no Brasil o sistema de abastecimento de material ortopédico (implantes/ instrumentais) é praticado por sistema de consignação. Algumas empresas têm recomendado ciclo de esterilização estendido para esses conjuntos de caixas. Você tem observado a mesma recomendação em CMEs europeias? O término “estendido” não é comumente usado na Europa para citar os ciclos adequados para esterlização de material ortopédico. Normalmente, os usuários irão selecionar os ciclos para “containers” e como o material ortopédico deve chegar aos hospitais em recipientes com filtro ou caixas perfuradas que vem embalados de acordo com EN ISO 11607-1 O ciclo de CONTAINERS tem acessórios especiais em sua característica que vai evitar a condensação indesejada dentro das caixas que possam comprometer a integridade dos materiais após a esterilização. Tais ciclos tem uma etapa de pré-condicionamento, onde a autoclave vai fazer uma fase de aquecimento de toda a carga para secar os possíveis restos de umidade residual que NASCECME MAGAZINE | março 2017

El término “extendido” no es el que habitualmente se utiliza en Europa para nombrar los ciclos apropiados para la esterilización del material ortopédico. Normalmente los usuarios seleccionarán ciclos para “contenedores” , ya que el material ortopédico suele llegar a los hospitales en contenedores reales con filtro o cajas perforadas que deberán ser empaquetadas con embalajes acordes con la EN ISO 11607-1. EL ciclo de CONTENEDORES posee acondicionamientos especiales en su perfil que evitarán la formación de condensación no deseada en el interior de las cajas que comprometería la integridad de los materiales tras su esterilización. Este tipo de ciclos poseen una etapa de acondicionamiento previo donde el autoclave efectuará una fase de calentamiento de toda la


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Exemplo de caixas pesadas - Material Ortopédico | Foto: Matachana/Divulgação

pode permanecer no interior das caixas e elevar a temperatura de todos os instrumentos em um mesmo momento. Dessa forma, quando o vapor entra no interior da câmara para iniciar a subida para o platô de esterilização e manter a pressão, temperatura e tempo, o vapor que está em contato com os instrumentos, condensará ao mesmo tempo e, não haverá atrasos na condenação que poderia provocar umidades. Da mesma forma, o vácuo se alarga e a fase de secagem se prolonga por mais tempo. Normalmente, a fase de secagem é geralmente de 20 minutos, mas, em alguns casos, e seguindo as recomendações do fabricante, esta etapa pode ser estendida para 30 minutos em um típico ciclo de pré vácuos.

carga para secar los posibles restos de humedad que puedan quedar en el interior de las cajas y subir la temperatura de todo el instrumental hasta un mismo momento. De esa forma, cuando el vapor entre en el interior de la cámara para iniciar la subida hasta la meseta de esterilización y mantener presión, temperatura y tiempo, el vapor que contacte con los instrumentos condensará al mismo tiempo y no existirán retrasos en la condenación que podrían provocar humedades. Así mismo, los vacíos se alargan y la fase de secado se alarga en el tiempo. Normalmente la fase de secado suele ser de 20 minutos, pero en algunos casos y siguiendo las recomendaciones del fabricante, esta etapa puede ser ampliada hasta los 30 minutos en un típico ciclo de prevacíos NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Já que abordamos material consignado como as CMEs que você conhece tem estabelecido as políticas para recebimento do material consignado, em especial os de ortopedia? Ao receber o material consignado, o hospital deve ter em mente estes aspectos:

En el momento de recibir el material consignado, el hospital debe tener presente estos aspectos:

• Certificado de termodesinfecção por parte da empresa credora para garantir que este chegue limpo e termodesinfectado e a manipulação por parte do pessoal do hospital seja segura e higiênica. Se o material não chega com essa documentação, deveria ser devolvido.

• Certificado de termodesinfección por parte de la empresa prestamista para garantizar que éste llega limpio y termodesinfectado y la manipulación por parte del personal del hospital es segura e higiénica. Si el material no llega con esta documentación, debería ser descartado.

• Peso de caixas/recipientes, de modo que não excedam 10kg. Na verdade, em muitos hospitais, estão colocando balanças na entrada da CME para pesar o conteúdo consignado.

• Peso de las cajas/contenedores, para que estos no superen los 10 Kg de peso. De hecho, en muchos hospitales se están colocando básculas en la entrada de las CME para pesar el contenido consignado.

• A rastreabilidade dos materiais recebidos, para depois poder entregar o mesmo material que se recebeu e ordenar da mesma forma. Esta rastreabilidade pode ser feita através de sistemas de computador de rastreabilidade, adicionando imagens do conteúdo exato de cada uma das caixas. Neste sentido, é fundamental a colaboração por parte da empresa de consignação que deve fornecer listagens de todos os instrumentos enviados.

• Trazabilidad de los materiales recibidos, para posteriormente poder entregar el mismo material que se recibe y ordenado de la misma forma. Esta trazabilidad se puede efectuar mediante sistemas de rastreabilidad informática añadiendo imágenes del contenido exacto de cada una de las cajas. En este sentido, es fundamental la colaboración por parte de la empresa prestamista que debe facilitar los listados de todo el instrumental enviado.

Elena Lorenzo Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Central de Barcelona, com especialidade em Genética Molecular. Estudou Microbiologia Clínica e possui certificação em Aptidão Pedagógica pela Universidade Politécnica da Catalunha. Mestre em Educação Ambiental. Estudos complementares na legislação e importação de produtos médicos. Há mais de 16 anos, trabalha na empresa Matachana, em Barcelona, ​​Espanha, onde é responsável pelo Controle de Infecção e Matachana International Education Center, departamento especificamente concebido para satisfazer as necessidades de formação de todos os hospitais que solicitam uma atualização teórica e prática sobre o reprocessamento de dispositivos médicos. Colaboradora regular de Congressos e Jornadas Científicas relacionadas ao controle de infeção, contribuindo com a sua experiência, desde o ponto de vista dos fabricantes aos usuários. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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SAÚDE

Jeanine Adami O CORPO REVELA

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corpo pode ser visto como unidade que inclui todos os aspectos do ser e sua conexão com um contexto mais amplo. A energia vital é a conf luência da energia externa com aquela que circula dentro de nós. Corpo e mente interagem o tempo todo. Excesso de preocupações, medos, stress e outros fatores constringem nossa energia e causam danos ao corpo ou à mente. Para a saúde e o equilíbrio, é importante tratar mente e corpo como um sistema integrado. Assim, embora nossas dificuldades mentais e físicas sejam causadas por um desequilíbrio de nosso sistema, tendemos a atribuir a culpa dessas limitações geralmente às inf luências

externas. Quando aprendemos a olhar e escutar as mensagens que nos chegam através do corpo, abrimos nossa percepção às novas possibilidades. Rompemos a estagnação interior, fazendo a energia f luir natural e harmoniosamente. É quando dizemos sim à vida. A saúde é sentimento de vitalidade e prazer com o corpo ao reconhecer nossa interligação com o universo. A saúde se manifesta concretamente na graciosidade dos movimentos do corpo que, quanto mais f lexível, indica que estamos próximos do bem-estar. Mudança no modo de pensar, sentir e se comportar, está condicionada à alteração do funcionamento do corpo, que se NASCECME MAGAZINE | março 2017


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ref lete na respiração. A postura corporal é um espelho da nossa postura diante da vida. A maneira de ficarmos parados ou de nos mover nos define. Quem é consciente do seu corpo, se movimenta nos vários aspectos da vida com desenvoltura e discernimento, favorecendo seu processo de cura. Toda vivência nos oferece oportunidade de crescimento, inclusive as doenças. O corpo é marcado pela história individual. Nele, estão inscritas memórias, expressões, costumes, tudo o que foi transmitido pela família e meio ambiente. Não existe lugar fora de nós para onde possamos viajar a fim de encontrar a nós mesmos. Em nosso interior, estão as respostas para o mistério da vida. Ref lexões: • O que está acontecendo exatamente agora? (O que estou fazendo? O que estou sentindo? O que estou pensando? Como estou respirando?); • O que eu quero para mim, neste novo momento? (Quero continuar com o mesmo fazer, pensar, sentir, respirar? Ou quero fazer algumas mudanças?).

Dra. Jeanine Adami Psicóloga com formação na Abordagem Relacional Sistêmica, Gestalt-terapia, Bioenergética e Psicologia Transpessoal. Criou e desenvolve o trabalho “Novos Começos” há 20 anos. Ministra outros cursos: Autoestima, Comunicação para Casais, Corpo em Sintonia, Vestibular em Foco. Em Brusque, atende no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário (Sintricomb). É coautora do livro “Doutor Nica” (DOM, 2012) e coordenadora de oficinas literárias com Saulo Adami.

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FILOSOFIA

É coisa preciosa, a saúde, e a única, em verdade, que merece que em sua procura empreguemos não apenas o tempo, o suor, a pena, os bens, mas até a própria vida; tanto mais que sem ela, a vida acaba por tornar-se penosa e injusta.

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SAIBA MAIS

Camila Crespi O QUE O PODER JUDICIÁRIO T E M F E I T O PA R A A Á R E A D A S AÚ D E ?

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negavelmente que, nos últimos anos, houve um crescente número de processos judiciais envolvendo diversos temas do direito à saúde. A litigiosidade excessiva nos Tribunais pátrios é consequência da má prestação de serviços públicos, daí incluídos a ineficiência e inexecução na área da saúde, bem como a inexecução contratual por parte dos planos de saúde. A Constituição Federal, ao tratar o direito à saúde em seu artigo 196, consagrou-o como um direito de todos e dever do Estado. Sob esta ótica é que o direito à saúde se tornou um direito fundamental para toda a população. A professora de Direito Sanitário da USP, Sueli Gandolfi

Dallari1 , afirma que a saúde é “o estado de bem-estar físico, mental e social”, que envolve o homem com si próprio e o ambiente. Entretanto, quando pensamos imediatamente sobre o ter direito à saúde, o qual constitui como um tema abrangente, imediatamente somos remetidos à ideia de doença, tratamentos médicos, acesso a medicamentos e hospitais, e não em saúde propriamente dito. É sob este tema que o Judiciário tem se debruçado durante os últimos anos. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, ocasião em que o direito à saúde passou a ter status de direito fundamental, litígios diversos

1 Em entrevista concedida à Revista do Movimento do Ministério Público Democrático – Ano IV – n. 13, p. 9. Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007.

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referentes à igualdade de atendimento, acesso à medicamentos de alto custo, bem como a responsabilidade dos entes federais na efetividade e prestação do serviço público do Sistema Único de Saúde, são recorrentes nos Tribunais pátrios, denominando-se “judicialização da saúde”. Assim, a judicialização na área da saúde trouxe elevados custos ao governo federal destinados ao cumprimento de decisões judiciais somam R$ 3,9 bilhões. Um aumento de 727% nos gastos da União no cumprimento de ações para aquisição de medicamentos, equipamentos, insumos, realização de cirurgias e depósitos judiciais. Só neste ano já foram desembolsados R$ 730,6 milhões.2 Diante da problemática enfrentada pelo Poder Judiciário, coube ao Ministério da Saúde assinar um termo de cooperação com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no último ano, o qual irá proporcionar subsídios técnicos para qualificar as decisões judiciais com base em evidências científicas nas ações relacionadas à saúde no Brasil, trazendo maior segurança jurídica a todos e assim evitar decisões judiciais abusivas ou arbitrárias a ambos os lados da lide. Assim, vemos que mesmo diante da crescente litigiosidade que envolve o tema, o Poder Judiciário têm buscado a efetivação do direito à saúde que alcance toda a população, assegurando-lhe acesso igualitário e universal.

Dra. Camila Crespi Advogada em São Paulo/SP. Pós Graduada em Direito Constitucional pela Escola Paulista de Direito. Especialista em Recuperação de Empresas e Falência pela Fundação Getúlio Vargas. Membro Rete-Giovani da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura de São Paulo. Membro Efetivo da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil/SP. Membro da Associação dos Advogados do Estado de São Paulo. 2 http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/25275-ministro-da-saudefala-sobre-impacto-de-acoes-judiciais-no-sus

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FILOSOFIA

A saúde depende mais das precauções que dos médicos.

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COMPORTAMENTO

Alice Gonçalves TRABALHAND O A AU T O - E S T I M A F E M I N I NA

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mulher saiu de um tempo em que as suas atribuições estavam ligadas à casa e à família, direto para o século XXI, onde tudo isso (e mais um pouco), faz parte de nossa rotina diária. Hoje, muitas mulheres são as provedoras do sustento da casa e esse número está em constante crescimento. Claro que a vida moderna nos traz muitas facilidades, mas em contraponto, temos também alguns desafios, afinal, tudo está à distancia de um click e, consequentemente, nos tornamos sedentárias crônicas. Nossa vida se resume basicamente a trabalho, casa e fins de semana de correria entre supermercado, organização do lar, marido e filhos, restando pouquíssimo tempo para cuidar da nossa aparência. Quando o fim de semana acaba, voltamos à mesma rotina e encerramos o ano sem grandes realizações e com a sensação de sempre fazer mais do mesmo.

A baixa auto estima está ligada a vários fatores, inclusive signos trazido de nossa infância e adolescência para a nossa vida adulta, onde deparamos com situações que não conseguimos lidar e, muitas vezes, nem nos damos conta do grau de insatisfação que temos. Pessoas insatisfeitas, mau humoradas, inseguras, medrosas, exteriorizam tudo isso no seu comportamento do dia-a-dia e trazem para seu círculo de convivência, os mesmos semelhantes, ou seja, relacionamentos destrutivos, trabalhos frustrantes, amigos ingratos, relacionamentos infiéis. A boa noticia é que temos o poder de mudar tudo isso quando tomamos consciência de nossa auto-responsabilidade diante da vida e das situações que nos envolvemos ao longo do tempo. No meu trabalho como consultora de beleza, atendo mulheres todos os dias, com essas mesmas dificuldades e, por vezes, mulheNASCECME MAGAZINE | março 2017


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res que nunca se permitiram ser diferentes e vivem em constante guerra com o espelho. Durante uma sessão de cuidados com a pele, trazemos à tona uma nova mulher, empoderada de si mesma. Apenas com um cuidado, um carinho no atendimento, percebo que estamos em um tempo que, elogios e respeito pelo próximo, tornaram-se algo raro e até mesmo estranho; um sorriso para um estranho parece algo difícil de aceitar. E no fim das contas, pode ser isso que transformará o dia daquela pessoa. Hoje tratar o outro como gostaria de ser tratado parece um clichê, mas quando praticado no trabalho, em casa ou em qualquer lugar, você percebe o quão importante e significativo isso representa para elevar a auto estima de uma pessoa. Lembrando que tudo que fazemos ref lete em nosso universo como um espelho, que somos aquilo que acreditamos e que nossas crenças são palavras e idéias que repetimos ao longo dos anos (ou que escutamos e aceitamos como verdade), podemos alterar o curso das coisas mudando a chave do negativo para o positivo, do ruim para o bom. Temos uma tendência ao exagero e normalmente, ao exagero ruim. Com uma nova possibilidade de visão, somos capazes de sair de uma auto estima baixa para uma auto estima elevada e, muitas vezes, precisamos apenas de uma maquiagem leve, do dia a dia mesmo, mas que encobrirá tudo aquilo que nos incomoda no nosso rosto quando olhamos no espelho e realçar os nossos pontos positivos e, dessa forma, veremos ref letida uma nova mulher e várias possibilidades. Ao longo desses anos, eu vi ao vivo, várias histórias de vida e superação que começaram com uma simples maquiagem. Claro que a maquiagem é apenas um gatilho e o restante deverá ser trabalhado de várias formas, mas temos histórias de mulheres que superaram doenças como câncer e depressão por conta de uma sessão de cuidados com a pele. E por que isso? Porque tiramos o foco do problema e passamos olhar as várias possibilidades, afinal, a teoria dos mundos paralelos veio para nos apresentar que, para cada atitude, haverá sempre um leque de possibilidades. Uma mulher é, sem dúvida, mais poderosa quando está com uma aparência cuidada. Existem várias pesquisas científicas que apontam isso então, mesmo que trabalhar a auto estima possa ser desafiador, é algo simples e encorajador, se tivermos NASCECME MAGAZINE | março 2017


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o olhar de observador para com aquela pessoa a nossa frente. Com uma simples maquiagem poderemos transformar uma mulher frágil em uma mulher poderosa e isso já aconteceu várias vezes (elas ficam tão encantadas com o resultado que não largam o espelho e tiram muitas fotos para postar em redes sociais). Isso é empoderar uma mulher, dar a ela o que ela precisa, mostrar as infinitas possibilidades de mudanças. Hoje a indústria de cosméticos já pegou o gancho e a cada dia busca inovar com novos produtos, novas tecnologias, usando produtos com bases minerais e tratamentos que restauram a pele firmando e melhorando o aspecto geral, removendo manchas e atendendo todas as mais diversas necessidades. Hoje um batom não é mais um simples batom, mas um tratamento antissinais o que leva as mulheres a buscarem alternativas para melhorar a sua aparência e, com isso, sua autoestima. Uma mulher de bem com a vida sorri muito mais, comemora tudo o que conquista por mais simples que seja (e perdemos isso ao longo do tempo), é positiva e tem pessoas com o mesmo padrão de comportamento ao seu redor, ou seja, nos cercamos de nós mesmos: se estamos bem e somos felizes, e só olhar ao nosso entorno e encontraremos pessoas de bem com a vida e felizes. O que podemos fazer para dar um up em nossa auto estima? O primeiro passo é encarar nosso espelho, quem realmente somos. A beleza é muito relativa e devemos encontrar um meio termo, fazendo essa avaliação sempre de forma positiva e buscando realçar aquilo que é bonito, com mudanças nas atitudes e nos pensamentos, tanto sobre nós quanto ao nosso corpo. Já que exteriorizamos aquilo que vemos em nós, vamos ouvir coisas boas ao longo do dia, boas músicas, bons filmes, vamos estar em contato com pessoas de bem e desligar os nossos ouvidos, fechar os nossos olhos, para o que não nos interessa ou não nos acrescenta nada. E por onde começar? Praticar exercícios físicos, como uma caminhada de trinta minutos, andar de bicicleta ou dançar, organizar nossa agenda para que nosso dia seja produtivo, montando uma lista do que é importante, urgente, classificando cada coisa que temos de fazer buscando operar sempre no campo do importante, isso nos dará direção. Muitas vezes não sabemos onde está indo o nosso tempo e vivemos dizendo “não tenho tempo” e, dessa forma, nós nunca teremos mesmo. Você NASCECME MAGAZINE | março 2017


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manda essa informação todos os dias para o seu cérebro e isso certamente se tornará a sua realidade. Praticar boas ações durante seu dia, como abrir porta de elevadores para pessoas mais velhas, dar seu acento no transporte público, pedir licença para passar, dizer obrigada, isso te dará uma alegria sutil, porém transformadora com o passar do tempo. Procure não se envolver com aquilo que não te diz respeito e respeite sempre o espaço do outro, sem cobranças. Cuide do seu corpo como o seu bem mais precioso, porque ele é. Quando você muda quem você é, você muda todos a sua volta, e não ao contrário. Acredite: uma mulher pode ter tudo o que desejar, tudo o que sonhar. Tudo está a um braço de distância de você, é só esticar a sua mão para poder alcançar. Redescobrir uma mulher é a melhor historia que podemos contar de nós mesmo. Não importa como você está hoje, o importante está em quem você se tornará daqui para frente, com esse novo olhar, com essa nova perspectiva de vida transformada e, sem dúvida, essa vida levará esse legado adiante através dessa corrente do bem.

Alice Gonçalves Secretária executiva. Artesã. Formação técnica em arquietura e decoração, universidades de matemática e artes visuais. Na Mary Kay me formei diretora em 5 meses. Formei uma Diretora de 1 geração. Fiz cursos de imersão com Paulo Vieira, estudo sobre filosofia, física quântica e outros, ligados à comportamento humano. Atualmente trabalho em um projeto de palestras sobre auto estima.

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MATÉRIA DE CAPA

Denise Grun C U LT U R A D E S E G U R A N Ç A NAS ORGANIZ AÇ ÕES E PRODUTIVIDADE Em todo o mundo, os gestores da área de segurança do trabalho estão focados no mesmo objetivo: reduzir o número de acidentes. Denise Grun, executiva de negócios com mais de 25 anos de experiência, comenta sobre como manter o bem-estar dos colaboradores ao prevenir acidentes inserindo a cultura de segurança dentro da empresa, de modo que todos compreendam a necessidade de mudar determinadas atitudes e pensamentos, passando assim, a visualizar a segurança de um novo ângulo.

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uma fria manhã de agosto de 1997, entrava pela primeira vez no prédio da DuPont como funcionária da empresa. Fui contratada para gerenciar o negócio de roupas de proteção individual, conhecido como EPI para proteção química. Logo na entrada, o segurança me parou, abordando como deveria me comportar ao dirigir e estacionar: “Você deve manter a velocidade a 20km/hora; aguardar que o carro que estiver estacionando à sua frente pare totalmente na vaga; isso quer dizer o momento em que o motorista der um sinal com o farol e retirar o cinto de segurança, então, você pode estacionar de ré. Se houver algum carro atrás de você, faça o

mesmo procedimento realizado pelo colega que está à sua frente. Além disso, quando subir e descer as escadas, utilize o corrimão.” Obviamente que, depois de tanta informação junta, me dirigi à recepção e fui subir as escadas, adivinhe, esqueci de colocar a mão no corrimão. Fui corrigida na hora por uma funcionária que descia a escada no mesmo momento em que eu subia. Finalmente depois de passar pelas minhas tarefas, cheguei ao meu andar e me apresentei para minha chefe. Após algumas conversas protocolares, ela me apresentou a um colega, Carlos Eduardo, conhecido como Jaú, que seria responsável pelo meu tour pela companhia e algumas orientações NASCECME MAGAZINE | março 2017


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de segurança. Realmente nesse momento comecei a ficar preocupada, afinal de contas, estava em um prédio de escritórios e não numa fábrica de explosivos, por que tanto papo de segurança? Eu e o Jaú, rodamos todas as unidades. Toda vez que descíamos e subíamos a escada, meu colega lembrava fortemente meu compromisso de usar o corrimão e não apenas dar aquela passadinha leve na mão, tinha que segurar o corrimão. Comecei a reparar que todas as pessoas o utilizavam, sem exceções. Num determinado momento estávamos esperando uma pessoa e comecei a fazer uma aposta mental de quantas pessoas esqueceriam de usá-lo, mas acabei perdendo, todo mundo usava aquele maldito corrimão, para subir e descer, além de todos seguirem o f luxo certo: mão direita no corrimão. Caramba, aquilo era surpreendente, um bocado de gente subindo e descendo e todo mundo fazendo igualzinho.

Denise, aqui você pode até fazer uma burrada de negócios que o pessoal vai te perdoar, mas se fizer uma burrada de segurança você está na rua O ponto máximo do meu primeiro dia foi quando o Jaú virou para mim e disse: Denise, aqui você pode até fazer uma burrada de negócios que o pessoal vai te perdoar, mas se fizer uma burrada de segurança você está na rua. Como o Jaú é um cara muito gozado e tirador de sarro, pensei que aquilo era uma brincadeira. Quando cheguei em casa, contei a história para o meu marido e achamos engraçado. Como isso poderia ser verdade? O Jaú deveria estar brincando comigo mas, na verdade, não estava. Para a DuPont segurança era condição de emprego, uma questão de valor e passível de qualquer funcionário ser mandado embora se ocasionasse um ato inseguro de alto risco, mesmo se fosse o CEO da empresa. Foi nesse pequeno exemplo, que aprendi e vivi pela primeira vez, como o valor de uma organização é transmitido, respeitado e praticado por todos. Nos quase 20 anos seguintes que vivi, respirei e cresci dentro dessa organização, fui aprendendo por que segurança é um de seus valores. Na DuPont são apenas NASCECME MAGAZINE | março 2017


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quatro: Segurança, ética, respeito às pessoas e proteção ao meio ambiente. Posso garantir que durante o período que estive lá todos esses valores eram transmitidos, praticados, respeitados, sem distinção na organização. Somente como exemplos: vi um vice-presidente ser mandado embora por desrespeitar um funcionário; diretores e vice-presidentes perderam seus bônus anuais (o que não era pouco dinheiro), por ocorrência de desvios de segurança e meio ambien-

te em suas plantas; vi plantas serem fechadas devido a fatalidade de funcionários. Nessa altura do campeonato, você pode estar pensando que existe um processo de lavagem cerebral na organização para que todos se comportem de forma segura e, que quando você não estiver mais lá, tudo volta a ser como era antes. Posso garantir para vocês que no meu caso, levo isso para minha vida pessoal e para o meu trabalho, já que hoje, ajudo através da minha con-

sultoria, as empresas a implantarem uma cultura de segurança baseada em valores organizacionais. Todos os meus colegas que hoje, não trabalham mais na empresa, levaram consigo esses ensinamentos, seja para outras organizações em que foram trabalhar ou para suas casas. Então o que está por detrás dessas organizações que possuem valores de segurança praticados no dia a dia e por que tantas empresas sonham em ter isso implantado em suas organizações?

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Poderíamos responder prontamente de forma simplista: nenhuma organização quer conviver com acidentes de trabalho, pois do ponto de vista social e humano, isso é inaceitável e prejudicial para a organização. No entanto, se isso fosse verdade, não teríamos mais de 600 mil acidentes de trabalho e mais de 2000 fatalidades registradas no ano de 2015 (última estatística disponível), acontecendo em nosso País, lembrando que ainda vivemos uma grande quantidade de subnotificações de acidentes de trabalho no Brasil. Gastar em segurança não é um custo a mais para a organização, mas sim, um grande investimento. É exatamente isso que as empresas que puderam ver além de uma linha a mais nas despesas de sua contabilidade, perceberam que empresas mais seguras, são também, mais produtivas e rentáveis. Mas como todo isso funciona? Vamos entender alguns pilares formados a partir dos valores organizacionais para chegarmos ao que nos interessa. Todas organizações necessitam de lideranças, estrutura, sistemas, tecnologia e pessoas. Esses pilares são formados a partir das crenças que as organizações se baseiam. A grande maioria das

Muitas organizações escrevem aquilo que gostariam de ser, no entanto, agem de forma diferente, baseando suas ações em outras direções organizações médico assistenciais tem como valores: paciente em primeiro lugar, segurança, qualidade, excelência, trabalho em equipe, integridade, entre outros. Se os valores que os hospitais inserem em seus documentos e publicam para a população e interessados como um todo, forem verdadeiros, ou seja, ref letem no dia a dia o comportamento de cada funcionário ou terceirizados, eles serão a base para a construção dos pilares que citamos. No entanto, se não reconhecemos o que está escrito nas atitudes do dia a dia dessa organização e na tomada de decisões estratégicas, temos o que chamamos de valores de papel. Muitas organizações escrevem aquilo que gostariam de ser, no entanto, agem de forma diferente, baseando suas ações em outras direções, como por exemplo, cortar custos de forma indiscriminada para maximizar os lucros.


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Vamos analisar o valor de segurança para o hospital. Creio que quando as lideranças ou seus fundadores pensaram em segurança como valor, estavam mais focados em segurança do paciente mas, no decorrer do tempo, esse valor passou a abrigar uma dimensão maior. Nesse caso podemos dizer, segurança dos ativos dos hospitais (equipamentos e estrutura física), segurança de processo (garantir que os processos ocorram de forma planejada e sem desvios e continuamente), segurança da informação e finalmente, segurança dos colaboradores, sejam funcionários próprios e/ou terceirizados. Para que o valor possa ref letir as ações no dia a dia, é primordial que exista o que chamamos de gestão de segurança, saúde e meio ambiente. Para isso, precisamos iniciar com uma

Vi um vice-presidente ser mandado embora por desrespeitar um funcionário; diretores e vicepresidentes perderam seus bônus anuais, por ocorrência de desvios de segurança e meio ambiente política de segurança, formulada e assinada pela mais alta liderança do hospital. A liderança será a principal responsável para que todas as decisões e ações tomadas tenham como base a política emitida. Uma vez elaborada a política, todos dentro daquela organização devem ter conhecimento dela e devem ser informados e reciclados periodicamente. No entanto, a política necessita de normas, ou seja, a organização precisa entender claramente o que é esperado dela em cada atividade. Para isso, são estabelecidos os procedimentos operacionais. Dentro desses procedimentos operacionais, cada atividade, cada equipamento, cada estrutura física existente, deve passar por uma análise de risco detalhada, descrevendo dentro daquele procedimento, os riscos existentes e quais as atividades devem ser executadas para minimizar esses riscos. Uma vez entendido por todos e disseminados na organização, os procedimentos operacionais, onde estarão inclusos os procedimentos de segurança, deverão ser seguidos por todos, sem exceções. Se os procedimentos não atenderem as necessiNASCECME MAGAZINE | março 2017


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dades da atividade executada, deverão ser reavaliados e refeitos e, não simplesmente ignorados. Executar os procedimentos de forma correta sempre nos leva ao que chamamos de Disciplina Operacional. Era isso que acontecia na DuPont, na escada, todos seguíamos o procedimento, sem exceção, e se alguém não o fizesse, era abordado de forma adequada para que passasse a fazer. Imaginem essa disciplina ampliada em todos os procedimentos, por todas as fábricas, por todos

os escritórios, por todas afiliadas e terceirizados da organização. Nesse momento temos consistência na operação, temos aumento de produtividade, temos segurança no processo, reduzimos os custos de operação. Vejamos um exemplo onde não seguir a disciplina operacional causou um grande acidente e perda de produtividade e de ativo: Estava iniciando um trabalho de implementação de cultura de SSMA (Segurança, Saúde e Meio Am-

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biente), em um importante cliente no segmento aéreo. Iniciamos com um diagnóstico e entrevistas. Durante uma das entrevistas com um líder, ele me relatou uma história. O segmento aéreo por ser um setor muito crítico quanto a segurança, possui uma gama de processos e procedimentos que devem ser rigorosamente seguidos. Entre eles, existe um procedimento claro para carregamento do compartimento de carga do avião, inclusive, estabelecendo quantas pessoas


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devem trabalhar nesse processo e qual a qualificação dos funcionários de acordo com o tipo do equipamento. Segundo o meu cliente, houve um carregamento na aeronave, no compartimento de carga, de um equipamento tubular muito extenso, o mesmo deveria ser ancorado de acordo com o procedimento estabelecido, no entanto, a ancoragem não foi realizada, não sei o motivo: poderia ser por falta de conhecimento do operador ou por pressa do piloto decolar, não havia essa informação disponível. Uma vez carregado o compartimento, o avião foi liberado para decolagem. O piloto verificou todos os instrumentos como de costume e decolou do aeroporto. Conforme ganhava altitude, percebeu que não conseguia pressurizar o avião e que algo muito sério estava acontecendo. Pediu autorização à torre e voltou para o aeroporto. Graças a Deus não houve nenhum ferido nesse caso. Vejamos o que ocorreu: logo que o piloto decolou do aeroporto, o equipamento tubular deslocou-se e perfurou a fuselagem do avião causando um rompo no mesmo. Essa era a razão do piloto não conseguir pressurizar o avião em altitude. Ou seja, o procedimento não foi seguido, a supervisão não checou a atividade, o desvio ocasionou um sério acidente que poderia ter causado fatalidades além dos danos materiais.

Para que o valor possa refletir as ações no dia a dia, é primordial que exista o que chamamos de gestão de segurança, saúde e meio ambiente Claramente, houve um desvio operacional. Podemos entender que esse desvio de segurança ocasionou sérias consequências: dano à aeronave, a mesma não poderia mais ser utilizada a curto prazo na frota; perda de combustível; atraso no voo; realocação dos passageiros; taxas da Infraero; insatisfação do cliente; danos à imagem e reputação da empresa, ou seja, poderia citar mais meia dúzia de prejuízos causados nesse caso. No entanto, o mais importante que podemos tirar disso tudo é que, havia um procedimento e esse não foi seguido. Por que não foi seguido? Seria muito extenso discutirmos nesse artigo quais as razões que fazem as pessoas não seguirem os procedimentos NASCECME MAGAZINE | março 2017


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como deveriam, mas posso garantir a vocês que isso é muito mais comum do que vocês possam imaginar. Quando realizamos a investigação de um acidente, detectamos que praticamente em 95% dos casos, os procedimentos não foram seguidos ou não eram conhecidos pelas pessoas que o praticavam. Outro dado curioso, verificamos também que em mais de 90% dos casos onde ocorrem acidentes com alto grau de severidade, o desvio praticado não havia sido feito pela primeira vez, ou seja, o erro era repetido sistematicamente. O não cumprimento dos procedimentos, por si só, não são os principais responsáveis pelos acidentes e perdas de produtividade. Podemos dizer que os procedimentos fazem parte de um sistema de gestão. Gestão é um processo sistêmico, onde cada departamento, cada atividade, cada estrutura, está ligada a outra e impacta no resultado de cada departamento, área e no todo.

Verificamos também que em mais de 90% dos casos onde ocorrem acidentes com alto grau de severidade, o desvio praticado não havia sido feito pela primeira vez, ou seja, o erro era repetido sistematicamente A gestão de segurança, saúde e meio ambiente, juntamente com a disciplina operacional implementada de forma efetiva e eficaz, oferecem o melhor caminho em busca da excelência operacional, ou seja, elimina acidentes e doenças ocupacionais, melhora a qualidade, reduz os custos e aumenta a produtividade. As empresas que seguiram esses passos, iniciaram sua jornada através da segurança, pois através dela, as organizações podem entender claramente que os procedimentos devem ser seguidos para garantir a integridade dos ativos e colaboradores. Essa disciplina é conseguida através da liderança em todos os níveis da organização, seja através do próprio exemplo, seja através de processos de exigência do cumprimento dos procedimentos estabelecidos. Diferente do que possa parecer, essas organizações não são engessadas, são organizações altamente participativas, uma vez que os funcionários fazem parte da elaboração dos procedimentos e avaliam os riscos a que estão NASCECME MAGAZINE | março 2017


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expostos no dia a dia. Ninguém melhor para saber como fazer uma atividade de forma segura do que aqueles que o fazem, logicamente, com o apoio das áreas técnicas pertinentes. Para que uma gestão seja eficaz e eficiente, deve haver participação de toda a liderança e vários elementos devem compor essa gestão de forma a acompanhar e melhorar os processos existentes. Todos os processos e procedimentos devem ser conhecidos e registrados de forma clara e compreensível por todos, mensurados e comparados com metas e objetivos, padronizados, seguros e sem risco para o meio ambiente, checados periodicamente, reavaliados e melhorados quando necessários. Finalmente para que tenhamos uma implementação bemsucedida de uma gestão de segurança, saúde e meio ambiente, precisamos ter em mente alguns pontos: • Não posso melhorar aquilo que não conheço; • Não posso estabelecer requisitos se não meço e não comparo com metas e objetivos; • Não posso tomar decisões que estão acima dos valores da organização; • Preciso de gente capacitada e treinada para execução das tarefas e atividades; • Procedimentos operacionais (incluso segurança), devem ser claros, escritos e cobrados sempre pela liderança; • A liderança é responsável em estabelecer o padrão de desempenho do seu time; • A liderança deve cobrar o padrão de desempenho

Entendo que possa parecer estranho aos nossos sentimentos, refletir sobre nossa segurança enquanto funcionários e líderes de equipe, uma vez que nossa opção de vida como profissionais foi, e é, buscar o bem-estar, saúde e qualidade de vida dos pacientes. No entanto, temos que ter em mente que buscar a nossa segurança e de nossa equipe é fundamental para que tenhamos todos os instrumentos que garantam a nossa contribuição como profissionais e melhorem o desempenho no nosso dia a dia. A disciplina operacional como descrevi para você no início desse artigo, é a base que utilizo em todos os meus clientes, com grande sucesso, na sua jornada em busca da excelência NASCECME MAGAZINE | março 2017


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operacional. Vários de nossos clientes em diversos segmentos de mercado, já reduziram seus índices de acidentes e doenças ocupacionais, assim como melhoraram sua produtividade de forma considerável. A segurança, saúde ocupacional e o meio ambiente, devem ter um lugar estratégico na sua organização se realmente fizerem parte do valor de vocês. Evitar acidentes é o mínimo que temos que buscar, pois uma cultura de segurança quando implementada e praticada, mudará o comportamento de sua organização e o levará a excelência operacional. Boa jornada.

Denise Grun Executiva de negócios com mais de 25 anos de experiência em empresas multinacionais de grande porte, entre elas Johnson & Johnson e DuPont, possui conhecimento em diversos setores industriais e de serviços, tais como médico-hospitalar, segurança do trabalho, consultoria estratégica e logística. Possui vasta experiência internacional como gestora de negócios regionais na América Latina. Graduada em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP com Pós-Graduação em Enfermagem do Trabalho pela Escola Paulista de Medicina e Fundacentro. Atualmente é sócia diretora da IDEA Consultoria, empresa especializada em segurança, saúde ocupacional, meio ambiente e excelência operacional.

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SAÚDE

Julia Mayumi Matsuda TERAPIAS C O M P L E M E N TA R E S

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ada vez mais pessoas têm procurado saber sobre as possíveis formas de tratar doenças e, melhor, preveni-las. As terapias complementares são um ótimo caminho para a vida saudável e a medicina alopática pode andar de mãos dadas com elas. Sabe-se que é importante aliar um estilo de vida equilibrado para que não precisemos de medicamentos, mas às vezes, são necessários. As linhas que trabalho são a Auriculoterapia Francesa (ou acupuntura auricular francesa) e os Florais Joel Aleixo. A técnica de tratar a orelha como microrganismo que ref lete todo o corpo já vem da técnica chinesa de acupuntura de meridianos de energia, porém, na técnica do médico francês Nogier, desde 1951, a orelha é vista como um rico órgão de

finalizações nervosas. Ou seja, como todas as nossas extremidades, contém todas as partes da estrutura física e relações emocionais, podendo, ao manipular agulhas somente nela, termos resultados fantásticos com inúmeros tipos de doenças, dores e males emocionais. Existem protocolos para obesidade, tabagismo, depressão, dores na coluna, vitiligo. Mas os pontos podem ser usados também a partir do que é trazido pelo paciente, como alergias e questões pontuais. Vamos além da anamnese e conversas. Ao olhar, tocar e sentir o pulso, podemos analisar quais partes do corpo podem estar em desarmonia, ajudando muito na rapidez de diagnóstico. A variação de frequência vai da urgência, do protocolo e até mesmo da recuperação. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Os f lorais que manipulo foram desenvolvidos pelo alquimista Joel Aleixo em 1992, e a cada dia ele aprimora e desenvolve novas combinações de f lores e minerais para o desenvolvimento da resolução de males. Este método terapêutico tem como princípio a antiga alquimia, que aspirava buscar a “arte de curar todos os males”. Associa conhecimentos da química, da aura, dos chakras, da astrologia e, por que não, os conhecimentos de física quântica. Parte do princípio de que tudo é constituído por três substancias e movimentado pelos quatro elementos. Somos como uma árvore, onde a raiz (físico), o tronco (sentimento) e a copa (pensamento) precisam estar em sintonia e equilíbrio. Fogo, terra, água e ar trazem as mudanças que precisamos para o bem-estar do nosso corpo, emoção e mente. As f lores e minerais trazem a energia que falta ou está em demasia no indivíduo, não só como corpo físico, mas como corpo energético e espírito. Os benefícios são muitos, já que a intenção é mudar padrões comportamentais prejudiciais. Os encontros são mensais, pois os f lorais duram por volta de 28 dias. Por fim, devo salientar que nunca retiramos medicamentos sem indicação médica. Tratamentos medicamentosos acontecem concomitantemente, por isso, terapias complementares para trabalharmos todos juntos para um bem comum: o bem -estar e a saúde por completo dos nossos pacientes.

Julia Matsuda Formação em Auriculoterapia Francesa Avançada pelo CEATA, terapeuta e alquimista Joel Aleixo e, reikiana. Atende no Espaço Casulo | Terapia Natural e Transformação Pessoal: espacocasulo.com.br

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SAIBA MAIS

Juarez Py de Freitas SUPERBACTÉRIAS Orientações Atualizadas para a Prevenção da Transmissão de Enterobactérias Resistentes a Carbapenem (CRE) e outras Superbactérias Multidrogas Resistentes durante a Endoscopia Gastrointestinal

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iversos surtos mortais causados por CRE têm sido documentados recentemente após o procedimento de endoscopia gastrintestinal (GI). Os profissionais da saúde associam esses surtos aos duodenoscópios ou endoscópios contaminados, que são utilizados para realizar a CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica) e a USE (ultrassonografia endoscópica), respectivamente. A importância de uma limpeza e desinfecção adequadas, ou reprocessamento, destes tipos específicos de endoscópios GI, é primordial para evitar a contaminação dos equipamentos com superbactérias. Os desenhos de duodenoscópios e endoscópios de ultrassom, no entanto, são únicos: ambos apresentam um mecanismo de elevador de fórceps, que, embora crucial para controlar e manipular a cânula, agulha ou outro acessório du-

rante a CPRE e a USE, são difíceis de reprocessar. A maioria dos surtos notificados de CRE ligados a um endoscópio GI contaminado ocorreu entre 2008 e início de 2015, nos EUA e na Europa. Todos os hospitais onde ocorreram o surto de CRE nos EUA utilizaram o reprocessamento automatizado (AER) e, 90% dos duodenoscópios no país são reprocessados dessa forma. No centro da Flórida, em 2008 e 2009, duodenoscópios contaminados com CRE foram responsabilizados por um surto que afetou 70 pacientes em dois hospitais, totalizando 15 óbitos. Da mesma forma, um hospital francês informou que 16 pacientes que foram submetidos a CPRE, também entre 2008 e 2009, foram infectados com um superbactéria relacionada com a CRE. Possivelmente associado a mais mortes do que qualquer ouNASCECME MAGAZINE | março 2017


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tro surto notificado de CRE, um hospital em Seattle constatou que duodenoscópios contaminados usados entre 2012 e 2014 foram responsáveis pela infecção de 39 pacientes, 18 dos quais foram a óbito. As autoridades sanitárias concluíram que “a limpeza rotineira dos endoscópios e duodenoscópios, conforme recomendado pelo fabricante, não elimina completamente a CRE.” Em resposta a este e outros surtos de CRE, o Food and Drug Administrtion (FDA) e o Centers for Disease Control e Prevention (CDC), entre outras agências e organizações, incluindo a Society of Gastroenterology Nurses and Associates (SGNA), publicaram uma série de recomendações para a prevenção de infecções causadas por CRE e superbactérias relacionadas após os procedimentos de CPRE e USE. O trabalho de Lawrence F. Muscarella Ph.D (LFM Healthcare Solutions, LLC) discute estas recomendações e defende mudanças, o que pode razoavelmente ser concluído para definir um novo padrão de cuidados em relação ao controle da infecção no cenário de endoscopia GI. A maioria dos surtos reportados de CRE ou de superbactérias ligados à endoscopia GI desde 2012, tanto nos EUA como na Europa, foram associados mais significativamente a um modelo específico de duodenoscópio: o TJF-Q180V, marca Olympus. O trabalho centra-se no reprocessamento desta marca e modelo específico de duodenoscópio, embora as recomendações e orientações deste relatório possam também ser aplicadas ao reprocessamento de duodenoscópios e endoscópios de outros fabricantes, incluindo Pentax Medical, Hoya e FUJIFILM; servem também para a prevenção de surtos de superbactérias multiresistentes em outros tipos de procedimentos endoscópicos como: citoscopia, broncoscopia e colonoscopia. As recomendações e orientações deste relatório são divididas em três seções. Na primeira, são discutidas as práticas e padrões associados: reprocessamento, tempo de armazenagem e vida útil dos endoscópios e duodenoscópios, manutenção e reparo, reprocessamento de válvulas reutilizáveis, utilização e diferenciação de endoscópios para o TG inferior e superior, uso de detergentes enzimáticos que comprovem cientificamente sua capacidade de remoção de proteínas e outras matérias orgânicas dos endoscópios, além da amostragem “non-culture” (sem a realização de cultura microbiológica). NASCECME MAGAZINE | março 2017


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De acordo com a American Society of Gastrointestinal Endoscopy (ASGE), as técnicas de ensaio químico utilizando o ATP “podem fornecer uma ferramenta eficaz para a vigilância das etapas do reprocessamento manual do endoscópio” e a capacidade dessa ferramenta de produzir resultados imediatos é uma “vantagem significativa” em comparação com as culturas microbianas padrão. O foco da segunda seção está nas políticas e procedimentos de controle de infecção. As unidades de endoscopia GI devem fornecer aos profissionais da saúde um conjunto de diretrizes e regras que regem suas práticas de controle de infecção. Essas regras, que se baseiam nas recomendações de diretrizes publicadas (bem como as leis estaduais e federais aplicáveis), visam melhorar a qualidade e segurança, em parte, através da educação da equipe e da padronização do atendimento ao paciente. O cumprimento dessas políticas e procedimentos é essencial para a segurança do paciente. A terceira seção discute medidas reforçadas e suplementares cuja adoção pode reduzir ainda mais o risco de transmissão de superbactérias durante a CPRE e a USE. Em agosto de 2015,

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o FDA publicou uma comunicação de segurança intitulada “Supplemental Measures to Enhance Duodenoscope Reprocessing” (Medidas Suplementares para Reforçar o Reprocessamento de Duodenoscópios), esta comunicação lista quatro medidas complementares que podem ajudar a reduzir o risco de transmissão de infecção associada ao uso de duodenoscópios, se realizadas juntamente com a estrita adesão às instruções de reprocessamento do fabricante dos equipamentos. Sugere-se que as unidades endoscópicas gastrointestinais considerem implementar, pelo menos a curto prazo, uma (ou mais) destas quatro medidas suplementares para mitigar ainda mais o risco de transmissão de CRE ou de uma superbactéria relacionada durante a CPRE. Antes que uma ou mais dessas medidas possam ser implementadas, no entanto, recomenda-se a revisão completa da unidade de endoscopia GI, suas potenciais limitações, viabilidades e custos. São encorajadas comparações diretas entre essas quatro medidas para determinar quais podem ser mais seguras, mais viáveis e confiáveis, e menos dispendiosas. O relatório do Dr. Muscarella cita as práticas recomendadas e endossadas que podem ser consideradas conclusivas para definir um novo padrão ad hoc para intensificar os cuidados no reprocessamento de duodenoscópios e endoscópios. Essas orientações devem ser periodicamente atualizadas a medida que novas informações/dados se tornem disponíveis.

Juarez Py de Freitas Administrador de Empresas. Diretor da Planitrade Ltda. empresa representante no Brasil da The Ruhof Corporation - EUA. Foi o responsável pela introdução do conceito e lançamento do primeiro detergente enzimático (Endozime) para limpeza de artigos médicos no Brasil em 1992.

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FILOSOFIA

O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem.

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TECNOLOGIA

Jorge L. da Silva I M P R E S S ÃO 3 D NA S AÚ D E E OS SEUS BENEFÍCIOS O Pioneirismo do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI)

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impressão 3D, conhecida tecnicamente como manufatura aditiva, é baseada no conceito simples: produção automatizada de objetos físicos pela adição de camadas sucessivas de material. É totalmente fundamentada na engenharia, ciência da computação e na ciência dos materiais. Há dezenas de tecnologias disponíveis, o que permite uma ampla escolha de materiais e processos para produzir um objeto, sempre tendo como referência um modelo 3D virtual no computador. É uma tecnologia transversal e pode ser aplicada desde o desenvolvimento de um produto até a produção de réplica da anatomia de um paciente para intervenção cirúrgica. Em todos os casos, os ganhos são substanciais, permi-

tindo a manipulação do objeto físico fidedigno e de complexidade geométrica detalhada, típica da anatomia humana. A impressão 3D na área da saúde é uma revolução em curso. Oferece ao especialista desde modelos para discutir com a equipe e usar como referência nos casos cirúrgicos altamente complexos, até produzir instrumentais e soluções como guias e próteses específicas. Resultados positivos são comprovados mundialmente com cirurgias de maior qualidade, menores riscos e custos. Há ganhos para os sistemas de saúde (público e privado) e para a sociedade como um todo, em função da integração efetiva do paciente à sociedade e da otimização dos custos de previdência social. A impressão 3D aporta NASCECME MAGAZINE | março 2017


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benefícios para a educação, treinamento, comunicação entre cirurgião e paciente, até o desenvolvimento e a produção de dispositivos e soluções específicas de tecnologias assistivas. As tecnologias 3D são um caminho sem volta nos países desenvolvidos e também no Brasil, para apoio à um sistema de saúde moderno e eficiente. Desde o ano de 2000, o CTI Renato Archer, um instituto de pesquisas público, tem pesquisado, desenvolvido e divulgado as tecnologias 3D na área da saúde. Esta ação foi pioneira no País e mundialmente reconhecida, com resultados expressivos, sob forma de projeto-piloto. O CTI coopera com centenas de hospitais em todos os estados brasileiros e alguns do exterior. São quase 5.000 casos de cirurgias complexas que aportam informações e novos desafios para melhores pesquisas. Uma delas, o software livre InVesalius, que gera modelos 3D a partir de exames de tomografia e ressonância para posterior impressão 3D, é o pioneiro no mundo, com usuários em 140 países. O CTI pesquisa, a longo prazo, em parceria com universidades no Brasil e no exterior, o uso de simulações computacionais na saúde e a bioimpressão de órgãos e tecidos. Esta última como uma solução potencial de grande impacto socioeconômico. O Ministério da Saúde tem apoiado estas pesquisas, com recursos financeiros, desde 2009. O CTI está sempre aberto para estabelecer novas cooperações com hospitais e universidades.

Jorge L. da Silva Graduado e mestre em engenharia elétrica e doutor em engenharia química. Fundou, em 1997, a área de tecnologias 3D do CTI Renato Archer com visão pioneira e inovadora no Brasil. Publicou mais de 100 artigos em revistas científicas internacionais e é membro do corpo editorial e revisor de várias destas revistas. Participa frequentemente como convidado de importantes conferências nacionais e internacionais.

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INSTITUIÇÃO IN FOCO

Raquel Oliveira HRC É O PRIMEIRO H O S P I TA L P Ú B L I C O D O C E A R Á A S E R A C R E D I TA D O C OM EXCELÊNCIA Hospital Regional do Cariri após processo de recertificação passa a ser o 13º Hospital Público do Brasil a ser Acreditado com Excelência.

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eferência no atendimento ao trauma e ao AVC Agudo, o Hospital Regional do Cariri, gerido pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar ISGH, foi o primeiro hospital terciário inaugurado pelo Governo do Estado no interior do Ceará, e agora se consolida com o reconhecimento pela excelência nos serviços oferecidos a população dos 44 municípios que compõem a macrorregião do Cariri. O Hospital Regional do Cariri acaba de conquistar o título de Acreditado com Excelência - Nível III conferido pela ONA (Organização Nacional de Acreditação), que homologa requisitos de segurança e gestão integrada até o nível de excelência gerencial.

Em 2014, o HRC iniciou o processo de avaliação externa, onde a ONA, através do Instituto Qualisa de Gestão (IQG), conferiu a certificação de Acreditado Pleno – Nível 2. Com isso, o HRC tornou-se o primeiro hospital público do interior do estado com emergência e mais de 200 leitos, das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País a ser Acreditado Pleno. Dois anos depois, no processo de recertificação, o IQG evidenciou o amadurecimento do trabalho realizado por toda a equipe de gestão, colaboradores, além de prestadores de serviços e fornecedores, e desta vez, o HRC foi certificado “Acreditado com Excelência – Nível 3”. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Em busca do fortalecimento e aperfeiçoamento do sistema de saúde, o hospital teve como foco principal o esforço para que os quase 1500 colaboradores, compreendessem o seu papel na prestação de uma assistência segura, com qualidade e excelência no atendimento ao público. “Ser excelente na saúde é uma meta ousada, no entanto, comprovadamente possível. Fazer com que todos os colaboradores entendam o quão importante são para o fortalecimento e aperfeiçoamento da unidade, é tão imprescindível, quanto cumprir os requisitos legais, possuir equipamentos com tecnologia de ponta e instalações adequadas. Quando o assunto é segurança assistencial, para prestar um trabalho com excelência, é necessário comprometimento, confiança e constância de propósitos. E foi exatamente isto que todos os colaboradores do HRC fizeram. O resultado é uma explosão de orgulho e ainda mais responsabilidade”, destacou a Diretora Geral do HRC, Demostênia Coelho. A gestão foi um dos principais pontos avaliados de forma criteriosa pela equipe de avaliadores. Na Central de Material e Esterilização (CME), por exemplo, foi ressaltada a maturidade gerencial da equipe, que mesmo diante das adversidades e limitações de recursos, apresentou resultados exitosos. “Esse resultado é fruto não somente da gestão, mas principalmente, do envolvimento e comprometimento da equipe”, afirma a coordenadora da CME, Clarissa Gondim. No Brasil, 97 hospitais possuem este selo, destes, apenas 12 são públicos. O HRC passa a ser o 13º do país, sendo o 1º do Estado do Ceará e o 2º do Nordeste. Acreditação O processo de Acreditação é uma metodologia reconhecida pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, sendo concedida pela Organização Nacional de Acreditação – ONA. A Acreditação Hospitalar é uma certificação de qualidade conferida as (às) instituições de saúde que apresentam critérios e padrões pré-estabelecidos, e se apresenta em tres níveis: Nível 1 – Acreditado; Nível 2 – Acreditado Pleno e Nível 3 – Acreditado com Excelência. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Diretora Geral do HRC, Demostênia Coelho Rodrigues, recebendo o título de Acreditado com Excelência - Nível III, conferido pela ONA | Foto: Divulgação

Corpo Clínico do HRC celebrando o título de Acreditado com Excelência - Nível III, conferido pela ONA | Foto: Divulgação

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O que representa para o HRC ser Acreditado Nível III Para o HRC, o principal objetivo do processo de Acreditação Hospitalar é melhorar a qualidade dos cuidados prestados aos usuários do hospital. Proporcionando a segurança assistencial, o gerenciamento de processos, inclusive os administrativos, reforçando a credibilidade, a confiança e a sustentabilidade da instituição, visando sempre uma assistência segura e de qualidade para população dos 44 municípios da macrorregião do Cariri. Ser Nível 3 significa que somos Acreditados com Excelência. Isto faz do Hospital Regional do Cariri, uma referência em Assistência Segura, Processos Integrados e Excelência em Gestão.

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Demostênia Coelho Rodrigues Diretora Geral HRC; Bacharel em Enfermagem pela UFC; Mestranda em Desenvolvimento Regional Sustentável pela UFCA; Especialista em Gestão dos Serviços de Saúde pela ESP/CE; Especialista em Gestão da Qualidade em Ambientes Hospitalares pela ESP/CE; Especialista Internacional de Qualidade em Saúde e Segurança do Paciente pela FIOCRUZ; Especialista em Auditoria nos Serviços de saúde Pública e Privada pelo CEQUALE

Clarissa Gondim de Souza Coordenadora de Enfermagem da CME/HRC; Bacharel em Enfermagem pela UNILEÃO; Coach em formação pelo Instituto Brasileiro de Coaching - IBC; MBA em Gestão Empresarial com ênfase em liderança pelo Centro Universitário São Camilo; Especialista em Centro Cirúrgico, CME e SRPA pelo Centro Universitário São Camilo; Especialista em Gestão da Qualidade em Ambientes Hospitalares pela ESP/CE

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EDUCAÇÃO

Cintia Fassarella A C U LT U R A D E S E G U R A N Ç A D O PA C I E N T E E M O R G A N I Z A Ç Ã O H O S P I TA L A R

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termo “cultura de segurança” foi introduzido pelo International Nuclear Safety Advisory Group, em 1993, após o acidente nuclear de Chernobyl, para denotar que a gestão e o fator organizacional são importantes para a segurança, sobretudo, o conceito subjacente de que, crenças e atitudes dos profissionais de uma organização afetam o desempenho de segurança (SORENSEN, 2002). O enfoque da cultura de segurança na saúde teve início posterior às discussões do relatório do Institute of Medicine, em 1999. Desde então, justifica-se o investimento de algumas organizações e o número expres-

sivo e significante de estudos nacionais e internacionais na área. O conceito de cultura de segurança de uma organização, adotado também pela Organização Mundial da Saúde, é “o produto de valores individuais e de grupo, atitudes, capacidades de percepção, e modelos de comportamento que determinam o compromisso com a gestão da saúde e segurança de uma organização e o seu estilo e proficiência” (HSC, 1993). Nesta matéria, o foco se baseia em um dos achados da tese de Doutorado em Cotutela Internacional com a Universidade do Porto e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, NASCECME MAGAZINE | março 2017


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da Enfermeira e Professora Cintia Fassarella, na qual uma das questões do estudo, foi identificar se a cultura de segurança do paciente era menos frágil em enfermeiros que atuavam em hospital acreditado comparado aos que atuavam em hospital não acreditado. O estudo comparativo envolveu 762 enfermeiros, brasileiros e portugueses, de hospitais públicos e universitários, utilizando o questionário da Agency for Healthcare Research and Quality, contendo doze dimensões de cultura de segurança. Os resultados revelam que ao se comparar os dados dos dois hospitais, houve diferença estatisticamente significativa para a maioria das dimensões de cultura de segurança. Evidencia-se, baseado nas respostas dos enfermeiros, que a cultura de segurança do paciente é menos frágil em enfermeiros que atuam em hospital acreditado comparado à percepção de enfermeiros que trabalham em hospital não acreditado. Além disso, o hospital não acreditado apresentou valores nas respostas positivas mais inferiores, sendo consideradas assim, dimensões frágeis de cultura de segurança do paciente. Esses resultados podem nortear os gestores das organizações e permitir implementação de melhorias contínuas da cultura de segurança do paciente. Espera-se que uma organização de elevada fiabilidade, como é o caso da saúde, tenha uma cultura de segurança pautada no compromisso com a segurança articulada nos níveis mais elevados da organização e traduzidos em valores partilhados, crenças e normas de comportamento a todos os níveis; recursos necessários para execução das atividades fins; uma cultura de confiança; a segurança valorizada como uma prioridade, mesmo à custa da “produção” ou da “eficiência”; comunicação entre os trabalhadores e todos os níveis da organização frequente e sincera; os atos inseguros raros apesar dos elevados níveis de produção; há uma abertura para se falar dos erros e dos problemas; a aprendizagem organizacional valorizada; resposta a um problema concentra-se em melhorar o desempenho do sistema ao invés de se centrar na culpa individual (SINGER, 2007). Diante desses indicadores da cultura de segurança, há um grande desafio para os gestores das organizações de saúde, pois NASCECME MAGAZINE | março 2017


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criar uma cultura de segurança não é uma tarefa muito fácil e rápida, frente às diversidades do dia a dia. A segurança do paciente deve ser uma prioridade estratégica nas organizações hospitalares, por entender que, segurança é investimento, e não, isoladamente, um custo direto. Referências: HEALTH AND SAFETY COMMISSION. ACSNI Human Factors Study Group: Organising for safety. Third report. Advisory Committee on the Safety of Nuclear Installation. England: HSE, 1993. 100p. SINGER, S. et al. Workforce perceptions of hospital safety culture: development and validation of the patient safety climate in healthcare organizations survey. Health Serv Res., v. 42, n. 5, p. 1999-2021, 2007. Disponível em: <http:// www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2254575/>. Acesso em: 30 set. 2014 SORENSEN, J. N. Safety culture: a survey of the state-of-the-art. Reliab Eng Syst Safe., v. 76, p.189-204, 2002. Disponível em: <http://pbadupws.nrc.gov/ docs/ ML0827/ML082740187.pdf>. Acesso em: 14 jan. 2014.

Dra. Cíntia Fassarella Doutora em Cotutela Internacional em Ciências de Enfermagem pela Universidade do Porto e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Professora da Faculdade de Enfermagem da UERJ e da Universidade do Grande Rio – UNIGRANRIO, Vice-Coordenadora da Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP) – Núcleo Rio de Janeiro

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SAIBA MAIS

Geraldo Amaral Júnior L E A N NA Á R E A DA S AÚ D E : UMA EXPERIÊNCIA DE SUCESSO

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tualmente estamos vivendo uma grande revolução tecnológica a qual chamamos de 4.0 - Quarta Fase do Desenvolvimento Tecnológico Humano. Consiste na aquisição e tratamento de dados de forma praticamente instantânea, permitindo a tomada de decisões em tempo real, uso de robôs em linhas de produção e em centros cirúrgicos, inteligência artificial, impressoras 3D, entre outros. Qual será o impacto desta revolução na área da saúde? Como nos manter competitivos e trafegar em uma nova faixa de desempenho aonde se exige velocidade nas informações, uso adequado de recursos, qualidade no atendimento aos pacientes e custo operacional adequado? Estamos preparados para todas estas novas mudanças na área da saúde? Em nosso País, e em muitos outros, um grande número de organizações surgiram, como

por exemplo, clínicas, que com a crescente demanda, foram se expandindo e se tornaram hospitais sem layout adequado, sem processos bem desenhados e com recursos sendo utilizados sem uma estratégia definida. Em outras palavras, desperdício! Como nos preparar para a nova revolução? As empresas de manufatura passaram por este problema em décadas anteriores e utilizaram o modelo japonês, mais precisamente o Sistema Toyota de Produção, que através de uma mudança cultural, colocava o cliente e os desperdícios como focos principais no novo modelo de gestão. Modelo este, que foi chamado de Lean em um estudo conduzido pelo Massachussets Institute of Technology que buscava as melhores práticas em manufatura automobilística. Lean em inglês significa magro e em português, foi NASCECME MAGAZINE | março 2017


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traduzido por enxuto. As empresas que investiram nesta mudança estão tendo sucesso e hoje são as mais competitivas no mercado. O que consiste esta metodologia? Antes de mais nada, não é uma ferramenta como muitos dizem, é algo muito mais profundo, é uma transformação cultural, uma nova forma de se fazer as coisas: • Cliente como o foco principal - o cliente determina os valores, qualidade, prazo de entrega, custo; • Novo enfoque na utilização dos recursos - a necessidade real naquilo que agrega valor para o cliente (o que não agrega é desperdício e como tal, deve ser reduzido ou eliminado); • Nova postura da liderança na criação de um ambiente de trabalho altamente eficaz, desafiador e de alto desempenho - participação efetiva da liderança; • Uso do talento humano como fator de sucesso - reconhecimento dos indivíduos e das equipes de trabalho; • A simplicidade como fator de sucesso - as ferramentas que são utilizadas na metodologia são aquelas bem simples que em alguma etapa de nossa vida profissional tivemos contato porém, nunca utilizamos -SIPOC, VOC, Pareto, Ishikawa, 5S, 5W2H, entre outros.. Começamos no Brasil, mais precisamente em São Paulo, a implementação da Metodologia Lean especialmente desenhada para os hospitais através de parceria Industria/Hospital em 2007/2008. O Hospital São Camilo, Unidade Pompeia, São Paulo/SP, foi o primeiro hospital no Brasil a participar desta parceria, com excelentes resultados no desempenho organizacional e financeiro. De lá para cá, muitos hospitais já caminharam nesta direção: Hospital Bandeirantes, Hospital São Luiz, Hospital Sirio Libanês, Hospital Unimed Bauru, Santa Casa de Porto Alegre e Beneficência Portuguesa de São Paulo são alguns hospitais que já começaram com muito sucesso esta jornada em busca da melhoria continua e da excelência. É uma jornada sem fim, é a busca da melhoria continua, a busca da excelência. Devido ao sucesso do projeto, a metodologia está sendo disseminada atualmente em alguns hospitais na Argentina e acredito que teremos muito sucesso, devido ao comprometimento da alta liderança das organizações nesta parceria. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Comecei minha vida profissional em 1963, como funcionário em uma Siderúrgica em Minas Gerais. Manutenção, Produção, Recursos Humanos, Processos, foram atividades que desempenhei ao longo de minha carreira em diversas empresas nacionais e multinacionais. Em 2007 minha vida mudou. Trabalhava em uma empresa que fabrica suturas cirúrgicas e devido aos excelentes resultados que obtivemos com a implementação da metodologia Lean, desenvolvemos um projeto de levar a metodologia aos nossos principais clientes – os hospitais. Desta forma, fecharíamos a cadeia produtiva, pois já havíamos disseminado a metodologia para nossos principais fornecedores. O projeto foi aprovado pela presidência e desde então, eu passei a atuar do chão de fábrica para os corredores dos hospitais, das linhas de produção para os centros cirúrgicos, das oficinas de manutenção para as Engenharias Clínicas, com toda a complexidade e desafios. As barreiras que esperávamos encontrar foram caindo à medida que os médicos entendiam que estávamos trabalhando para facilitar os processos sem nos envolvermos na parte clínica. Eles seriam os grandes beneficiados. Desde então, trabalhei muito, tive muitos sucessos, fiz uma infinidade de novos amigos, tive algumas frustações em algumas organizações (aquelas que acharam que Lean era uma ferramenta) e, hoje se me perguntam o que faço na vida, respondo com muito orgulho e alegria: eu implemento a Metodologia Toyota de Produção nos Hospitais!

Geraldo Amaral Trabalhou nas empresas: Usiminas, Alcoa, Fiat, General Motors Terex, Tectran, Avibrás Aeroespacial, Johnson & Johnson Medical Brasil. Hoje possui a empresa de consultoria Amaral & Amaral, dedicada a implementação da Metodologia Lean na Área da Saúde. Técnico na área Mecânica com cursos de especialização na FGV, Fiat S.p.A – Torino Italia, J&J Quality Institute - USA. Black Belt pela J&J.

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Hipólito Monte ESTERILIZAÇÃO

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INSTITUIÇÃO IN FOCO

Teresinha N. de Oliveira INSTITUTO HIPÓLITO MONTE

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Instituto Hipólito Monte é um grupo de empresas prestadoras de serviços de saúde em vários segmentos: diagnóstico por imagem, medicina e cirurgia, laboratórios de análises clínicas e microbiologia e processamento de produtos para saúde. O serviço de processamento de produtos para saúde - Instituto Hipólito Monte - Esterilização, é oferecido em duas sedes, uma em Fortaleza e outra na região do Cariri, na cidade de Juazeiro do Norte – Ceará, implantado para oferecer aos clientes (Clínicas, Hospitais, Profissionais da Saúde e Empresas de Materiais Consignados), produtos processados para uso nos procedimentos, atendendo aos requisitos legais e sanitários, para a assistência com segurança ao paciente. Um complexo de tecnologias é utilizado para garantir o resultado do processamento. Dentre os quais: equipamento para limpeza a vapor, lavadora ultrassônica, pistola de ar e água, etiquetadora, lente intensificadora de imagem, seladora de embalagens, incubadora leitora de teste biológico, equipamentos para esterilização por gás Plasma de Peróxido de Hidrogênio e em breve, esterilizadora a vapor. Além desses, os saneantes, indicadores químicos e biológicos, insumos e acessórios para os processos de trabalho. A escolha inicial pela tecnologia STERRAD® teve como objetivo atender demandas reprimidas dos serviços e profissionais de saúde que não tinham acesso à tecnologia nos seus locais de trabalho ou região. Baseado nas características de segurança para o paciente, profissional e ambiente, na dinâmica que a tecnologia permite, na sustentabilidade, na rapidez, durabilidade do material e economia resultante desse processo. O Instituto Hipólito Monte participa, como pioneiro no Brasil, do programa educacional Circulo de Excelência da Johnson &Johnson- ASP. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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INFORMATIVO

Fabiana Traldi Terzian A A G A P E S A N TA M A R C E L I N A I M P U L S I O N E A S UA C A R R E I R A N A Á R E A D A S AÚ D E

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AAGAPE Santa Marcelina é uma associação de fomento e fortalecimento das ações de ensino, pesquisa, aprimoramento e gestão pública ou privada, nas áreas da Saúde, Educação e Cultura. Promove por meio de sua prestação de serviços, os atributos necessários para o desenvolvimento no campo das práticas, de forma inovadora, com informações sempre atualizadas e processos bem definidos, contemplando os diferentes modelos assistenciais, gerenciais e organizacionais exigidos nos diferentes ambientes corporativos contemporâneos. Tem foco no aprendizado orientado para o desenvolvimento profissional, por meio de cursos de especialização e aperfeiçoamento, em parceria com

renomadas instituições, considerando que uma das principais estratégias está centrada na metodologia ativa inserida no Ensino Presencial e a Distância. A associação foi fundada em outubro de 2013 e desde então, vem aprimorando suas práticas voltadas para a oferta de cursos e inciativas educacionais que podem ser resumidas pelos números abaixo:

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Dentre as inovações que traz em seu programa para o ano de 2017, lança seus cursos de Especialização, com destaque abaixo, em parceria com o INESP – Instituto Nacional de Ensino Pesquisa: Especialização em Centro Cirúrgico Público alvo: Profissionais Graduados de Enfermagem Inscrições: até 10 de abril de 2017 Início: 28 de abril Sem Taxa de Inscrição Duração: 12 meses (80% presencial e 20% EAD) Objetivos: Qualificar profissionais da Saúde no processo assistencial e gerencial do trabalho em Centro Cirúrgico, Sala de Recuperação Pós-anestésica e Central de Esterilização. O curso de especialização em Centro Cirúrgico (CC), Recuperação Pós Anestésica (RPA) e Centro de Material e Esterilização (CME) capacita enfermeiros e profissionais da saúde de maneira empreendedora a atuarem nesses setores que requerem vasto conhecimento e profunda visão dos processos de trabalho, incluindo a Biossegurança e a Saúde do Trabalhador, as Medidas para Controle das Infecções Cirúrgicas e a capacitação com tecnologias modernas. Diferenciais • Referência da Rede de Saúde Santa Marcelina | 55 anos de existência • Estratégia EAD (acesso a plataforma exclusiva) • Docentes com experiência profissional e Vivência em Serviços de Saúde • Oportunidade para expansão do campo de atuação profissional • Flexibilidade de horários (aulas presenciais e a distância) • Material didático em meio digital NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Investimento Profissionais da Saúde e estudantes: R$ 479,00 Forma de pagamento: PagSeguro ou Boleto Bancário Conheça outros cursos oferecidos em: www.aagapesantamarcelina.com.br Tel.: (11) 2522-5865 / 2523-2478

Profa. Ms. Fabiana Traldi Terzian Coordenadora Acadêmica Especialista em Clínica Médica e Cirúrgica pela UNIFESP, Mestre pela UNIFESP, Gestora Estratégica do Bloco Operatório do Hospital Santa Marcelina.

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INFLUENCIADORES

Mara Gabrilli PROFISSÃO: CUIDAD OR por Stella Curzio

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ão existe o hábito de se falar sobre os cuidadores de pessoas com deficiência e também não existe a profissão de cuidador. A deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP) é a primeira parlamentar a necessitar de um assistente pessoal dentro do plenário ou em qualquer outro lugar que ela vá. Há 19 anos, Mara sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica, ficando impossibilitada de se mexer do pescoço para baixo. Precisando do auxílio de cuidador em tempo integral, Mara criou um projeto com quatro propostas de sua autoria, para valorizar o cuidado de pessoas com deficiência e trazer impacto positivo para as suas vidas, que garantam a criação, regulamentação e valorização do profissional de assistência pessoal. Uma das maiores influenciadoras Regulamentação da profissão, criação do auxílio-cuidador, garantia do direto aos mais pobres de terem um cuidador e melhorias das condições de aposentaria. Já imaginou todos esses benefícios para as pessoas com deficiência? Acompanhe a entrevista com Mara Gabrilli para a Revista NasceCME.

Não existe o hábito nem a profissão de cuidador e a senhora é a primeira deputada que precisa do auxílio de um cuidador. Gostaria que comentasse a respeito. Na Câmara, sou a primeira e única parlamentar que requer esse suporte. E isso trouxe uma nova mentalidade para outros deputados, que puderam entender na prática a importância desses profissionais. A figura de um cuidador representa autonomia e dignidade na vida de uma pessoa com deficiência. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Com esse cuidado, a senhora acredita que muitos brasileiros poderiam estar trabalhando? Não tenha dúvida. Se hoje sou uma pessoa produtiva é porque tenho o auxílio 24 horas desse profissional, que atua como uma extensão dos meus movimentos. Tem muita gente com deficiência cheia de vontade de produzir, mas sem poder para arcar com os custos de um profissional desse tipo. A regulamentação deve pressupor a existência de qualificação profissional específica, indispensável à proteção da coletividade e deve visar ao interesse público. Regulamentar uma profissão que ainda não existe envolve muita burocracia? Toda regulamentação requer cuidado e entendimento do tema para entender as reais necessidades dos envolvidos. Dado o momento que o projeto entrar em vigor, teremos uma maior compreensão das dificuldades para regulamentar. As pessoas que vivem numa situação vulnerável poderão ter um cuidador treinado, fornecido pelo governo, não só para aqueles que tem uma doença grave, mas também, para quem tem deficiência intelectual, correto? Qual o objetivo dessas quatro propostas do projeto? Resumindo o objetivo dos quatro projetos: o primeiro regulamenta a profissão de cuidador porque essa profissão ainda não existe em nosso País. Outro, protocolado na Assistência Social, prevê que essas pessoas com deficiência, que vivem em situação de vulnerabilidade (ou também portadores de doenças graves ou mesmo mães de filhos com deficiência intelectual, que precisam prover todo o sustento de seus filhos) possam ter o direito de um cuidador a ser fornecido e treinado pelo Governo. Ainda há outro projeto, este da Previdência, que prevê ao cidadão que é contribuinte, o direito de receber o Auxílio cuidador, benefício que deverá ser proveniente da Previdência. A ideia é que com esse recurso a pessoa possa contratar o serviço de um assistente pessoal, seja de um profissional de fora ou mesmo alguém da família. Muitas pessoas com deficiência, mesmo não vivendo em situação de vulnerabilidade, não podem arcar com o custo de um profissional. O quarto projeto, também de minha autoria, é uma Proposta de Emenda Constitucional, que traz aos cuidadores uma aposentadoria especial, semelhantes à de quem tem uma deficiência. Afinal, esses profissionais sofrem um desgaste físico e emocional muito grandes e precisam de cuidados também. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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O que o auxílio-cuidador vindo da Previdência irá possibilitar ao contribuinte? Essas pessoas poderão ter muito mais qualidade de vida, porque poderão sair de casa para estudar, trabalhar, ter acesso à cultura, lazer, esporte etc. Além disso, teremos um contingente de pessoas com deficiência, que hoje não podem produzir, contribuindo para a economia do País. Gostaria de abordar sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição), que possibilita ao cuidador uma aposentaria especial. Esses profissionais demonstram uma solidariedade e respeito diante das limitações alheias. São responsáveis muitas vezes por resgatar a da dignidade humana e a valorização da pessoa com deficiência. Muitos desses profissionais abdicam de partes importantes de suas próprias vidas, nos campos profissional, afetivo e pessoal, para poder realizar bem suas tarefas. E eu posso afirmar isso com toda a convicção, pois vivo 24 horas essa realidade. Vale lembrar que esse compromisso faz com que muitas vezes, o cuidador não tenha hora nem jornada certa de trabalho, pois as necessidades das pessoas com deficiência são prementes e essenciais, muitas vezes relacionadas diretamente com as próprias funções vitais e fisiológicas. Portanto, é mais que necessário e justo que esses profissionais tenham uma aposentadoria especial. Elas precisam também de uma dose de cuidado e olhar humano. Qual a formação básica do cuidador? De acordo com o projeto, são requisitos para ter a habilitação como atendente pessoal a conclusão do ensino fundamental e a participação em cursos básicos de treinamento para formação profissional, promovidos por instituições de ensino profissional, assistenciais ou pelo governo. Quem está apto a formar os cuidadores? Este é um assunto ainda a se estudar para regulamentar. Mas acredito que não há uma única área especifica a formar esses profissionais, mas sim um campo multidisciplinar. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Quem fiscaliza os cuidadores? A fiscalização da profissão ficará a cargo da regulamentação Temos observado um aumento vertiginoso de cursos para cuidador. Esses cursos são validados por alguma entidade? Assim como outros cursos, a instituição de ensino deve ser credenciada pelo MEC. Será exigido algum registro do cuidador em alguma entidade? O que podemos dizer é que o atendente pessoal de pessoa com deficiência poderá ser contratado de duas formas: pelo regime da Consolidação das Lei do Trabalho ou por pessoa física, sem fins lucrativos, com contratos de trabalho regidos pela Lei Complementar. Temos o cuidador para idosos, mas também pode ser necessário para um jovem com sequelas de trauma, por exemplo. Neste caso, a formação será a mesma do idoso? Isso ficará a cargo da grade ofertada nos cursos de treinamento.

Mara Gabrilli Deputada Federal pelo PSDB/SP. Publicitária, psicóloga, foi secretária municipal da Pessoa com Deficiência e vereadora na Câmara Municipal de São Paulo. Empreendedora social, fundou o Instituto Mara Gabrilli, ONG que apoia atletas com deficiência, promove o Desenho Universal e fomenta pesquisas científicas desde 1997.

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CME

Maria Virginia G. da Silva R E U T I L I Z AÇ ÃO D E P R O DU T O S PA R A S AÚ D E D E U S O Ú N IC O O atendimento às necessidades de saúde nunca foi tão difícil em todo o planeta.

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s serviços de saúde são complexos porque envolvem a vida das pessoas, dependem de alta tecnologia, ambientes apropriados, profissionais qualificados, muitos e diferentes insumos específicos. Ao mesmo tempo, as tecnologias leves são ainda indicadas para a prevenção e cura de muitas doenças. O custo da saúde vem se constituindo em desafio em todo o mundo. Os países desenvolvidos contam com uma realidade muito mais favorável. Ainda assim, é sempre fonte de preocupação para governos e cidadãos. Uma das primeiras medidas do presidente dos Estados Unidos recém empossado, envolve mudanças no sistema de saúde repercutindo diretamente nos custos para os cidadãos americanos.

Os chamados países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos estão às voltas com o combate a doenças seculares como a tuberculose, febre amarela, hanseníase e se deparam também, com a ineficiência do serviço público em termos do acesso da população aos mesmos. Os planos de saúde privados têm um custo inacessível para mais de 50% da população brasileira. Faltam leitos nos hospitais do Brasil. A fila de pacientes que aguardam cirurgias é enorme. A população brasileira envelheceu. Saúde é um problema relevante e sempre atual em nosso País. Os problemas da saúde se somam aos da educação. O ensino na área da saúde não está descolado das mazelas da saúde NASCECME MAGAZINE | março 2017


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e educação do Brasil. Assim, a formação e a atualização dos profissionais representam um desafio e um problema antigo que ainda perdura. O quadro descrito acima não é uma fatalidade, mas um caminho percorrido pelos nossos gestores ao longo dos anos nas esferas federal, estadual, municipal e de certa forma, apenas acompanhado por nós brasileiros. Diante do exposto, falar de qualquer tema ligado à saúde parecerá sempre instigante e difícil. Nessa matéria, o foco são os produtos para a saúde utilizados nos hospitais especialmente aqueles chamados de uso único. O reuso de produtos de uso único é uma prática comum no Brasil e no mundo. Em nosso País, todas as regiões realizam essa prática. Trata-se de uma questão com muitas vertentes éticas, legais, regulatórias além dos custos. Hoje sabe-se dos riscos conhecidos associados ao reuso de produtos para a saúde de uso único como: infecção, formação de biofilme, contaminação do material com endotoxinas, perda da integridade física e funcional. Outros problemas incluem a própria matéria prima do produto, o desrespeito ao fabricante, a apirogenicidade e atoxicidade exigidas. O reuso não é uma prática recente, visto que se iniciou na década de 70. De lá para cá, os procedimentos terapêuticos e diagnósticos evoluíram muito. Com eles foram criados muitos instrumentos, artigos e insumos. A criação desses produtos gerou a necessidade de implementar boas práticas para o seu processamento de modo a garantir segurança para profissionais e pacientes que o utilizam. Nos hospitais, a Central de Material e Esterilização (CME) é responsável pelo processamento dos produtos para a saúde (PPS). Estes são classificados em reusáveis ou de uso único, sendo essa classificação definida pelos próprios fabricantes. Os PPS reusáveis terão que passar por uma série de etapas que incluem limpeza, enxague, secagem, preparo, esterilização ou desinfecção até que possam ser utilizados. No caso de produtos de uso único, surgem outras exigências. Assim, a responsabilidade do processamento de itens que deveriam ser utilizados uma única vez recai sobre aquele que executa tal prática ou delega para que alguém o faça. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Um PPS de uso único se processado novamente passará a se constituir em um novo produto. Os processadores passarão a assumir o papel e responsabilidades de um fabricante. As dificuldades ou pontos críticos desse novo processamento incluem a própria definição de uso único, o custo com a aquisição de materiais de uso único, a potencial obsolescência rápida da lista negativa, ausência na definição metodologias aceitáveis para estabelecimento de protocolos de processamento. A expressão lista negativa refere-se àqueles itens proibidos de processamento, ou seja, podem ser utilizados uma única vez. Com frequência, tomamos conhecimento na mídia de problemas com a reutilização de PPS de uso único. As matérias contêm muitas vezes, erros técnicos grosseiros, confundindo a população leiga e os profissionais de saúde. O processamento de produtos para a saúde é uma matéria legislada em nosso País através de inúmeras resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a ANVISA. Pode-se assim identificar as recomendações do órgão maior da vigilância sanitária em nosso País: RDC 15/2012, RDC 156/2006, RDC 2605 e 2606/2006. A RDC 15/2012 prevê a criação do Comitê de Processamento de Produtos para a Saúde certamente em função da complexidade de responsabilidades envolvidas na questão. Esse comitê poderá assessorar o estabelecimento assistencial de saúde na definição e escolhas que envolvem os produtos de uso único e eventual reuso. Destacam-se problemas desafiadores como a manutenção da funcionalidade do produto original, o próprio design dos materiais, itens não desmontáveis, produtos com conformação complexa; o conhecimento requerido em termos da funcionalidade e montagem; a biocompatibilidade. Essa matéria está sendo revista pela ANVISA após a Consulta Pública n° 257, de 28 de setembro de 2016 publicada no D.O.U de 29/09/2016. Nesta consulta foi criada a possibilidade para envio de comentários e sugestões sobre proposta de RDC que irá dispor sobre os requisitos para o registro e o cadastro de produtos para a saúde quanto à proibição de reuso, rotulagem e instruções de uso. O processamento de produtos para a saúde envolve muitos profissionais. Há muito tempo, enfermeiros e técnicos de NASCECME MAGAZINE | março 2017


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enfermagem das CMEs se debruçam sobre a matéria. Hoje com a crescente tecnologia, novos profissionais como engenheiros, microbiologistas, se somam com seus conhecimentos e expertise no cenário das CMEs para o processamento seguro dos PPS. Finalmente, destaca-se a importância do trabalho das sociedades de especialistas em âmbito nacional e internacional como a SOBECC, a AORN entre outras, com suas publicações e recomendações técnicas. Muitas questões permanecem sem resposta. Qual seria a metodologia aceitável para controles de qualidade? E os critérios para a escolha artigos que compõem a lista negativa? E o tempo de uso no paciente? Deveria ser criado um prontuário para cada artigo? Pode-se esterilizar um produto que somente a embalagem primária foi aberta? Pode-se esterilizar produtos novos, mas com a data de validade vencida? Nenhuma justificativa de qualquer ordem sustenta o risco criado para pacientes com o reuso de PPS.

Maria Virginia G. da Silva Enfermeira. Especialista em CC, CME e RA pela Escola de Enfermagem da USP. Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da UFRJ. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem Médico Cirúrgica da Faculdade de Enfermagem da UERJ.

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Imagem: Internet

FILOSOFIA

Alguns homens perdem a saúde para alcançar dinheiro; e depois, perdem o dinheiro para alcançar saúde.

Noel Clarasó NASCECME MAGAZINE | março 2017


FOTO: Pe dro C amp os | k a kto fotog r af i a

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FICA A DICA

Stella Curzio LAMA NEGRA A Lama Negra de Peruíbe e suas propriedades medicinais

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lama encontrada em Peruíbe, litoral sul de São Paulo, no Mar Morto, Egito e em outros pontos ainda desconhecidos, é considerada um pelóide em razão de suas propriedades medicinais. Mas, o que é a lama negra? Ocorreu um recuo do oceano e expôs uma Argila Marinha que foi se fundindo, junto a água do mar, a matérias orgânicas e inorgânicas, resultando disso alguns processos biológicos que formaram esse pelóide, uma lama viscosa de cor escura com forte odor de enxofre e grande poder terapêutico. No Complexo Termal da Lama Negra, localizado a beira mar, as portas da Estação Ecológica Jureia-Itatins, pode-se desfrutar dos benefícios da Lama Negra, em seu estado puro já descontaminada, maturada e pronta para o uso. A Lama Negra de Peruíbe é extraída em Peruíbe, da margem esquerda do Rio Preto e foi usada desde sempre pelos índios guaranis, que a consideravam como sagrada em vir-

tude de seus efeitos medicinais mas, com o tempo, foi esquecida. Após o final da segunda guerra mundial, o poder terapêutico desse Fango foi reconhecido pelo Dr Pech, médico termalista alemão, que estava em visita a Peruíbe e desenvolveu pesquisas e tratamentos com a Lama Negra, mas que entraram em declínio com o final da atividade profissional do pesquisador. No início da década de 70, a atenção se voltou novamente para a Lama Negra e nessa ocasião, foi construído um balneário, a Sociedade Recreativa e Fisioterápica de Peruíbe que ficou conhecida como Thermas de Peruíbe, porém, tempos depois, caiu em desuso. Em 2001, o uso da Lama Negra voltou a ser trabalhado, porém desta vez, com preocupação científica. Métodos e técnicas foram buscados no exterior. Deste trabalho, nasceu o Complexo Termal da Lama Negra de Peruíbe, como parte do projeto Lama Negra. Esse projeto, integrado à NASCECME MAGAZINE | março 2017


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rede do SUS (Sistema Único de Saúde), é subvencionado integralmente pela Prefeitura Municipal de Peruíbe e atualmente está sob a coordenação do Dr Paulo Flávio de Macedo Gouvêa: “Está sendo desenvolvido um trabalho na USP para uma tese de doutorado em física nuclear, onde é estudado tanto a composição e estrutura da jazida, quanto a composição química, geológica e mineralógica da lama, além dos seus efeitos no tratamento de pacientes portadores de artrose de joelhos e a melhor forma de preparar e aplicar o tratamento com a Lama Negra. Essa já é a segunda tese de doutorado desenvolvida dentro da USP utilizando a Lama Negra de Peruíbe como objeto de estudo, sendo que o primeiro fez o estudo do efeito anti-inf lamatório em animais. Este que atualmente se desenvolve, faz as observações em humanos. O primeiro trabalho está publicado e pode ser encontrado para consulta na internet sob o título de “Efeito anti-inf lamatório da Lama Negra de Peruíbe”. O trabalho atual ainda não está concluído, mas os resultados preliminares são os melhores possíveis. Além desses dois trabalhos, muitos outros, na sua maioria TCCs, foram feitos utilizando a Lama Negra de Peruíbe como tema, realizados por estudantes de cursos de turismo, administração, enfermagem, estética entre outros, demonstrando como a juventude local passa a se apoderar desse importante recurso natural e diferencial turístico do nosso município”, comenta Dr Paulo Flávio. A inf lamação das articulações e as dores como consequência delas, é um dos motivos que mais atrai pessoas para o Lamário. Para o tratamento desse tipo de problema, a Lama Negra é aquecida em banho-maria a uma temperatura de 40ºC e é aplicada em torno dos 39ºC. A área da aplicação é protegida com o uso de cobertores para manter a região aquecida e a aplicação dura em torno de 25 a 30 minutos. A lama que já utilizada é devolvida à jazida o que, além de aumentar a vida útil da mesma, ajuda a recompor o ambiente do mangue, que é um ambiente extremamente importante para a manutenção da ecologia. O tratamento é feito por aplicações diárias de segunda a sexta-feira, durante três semanas consecutivas, e após esse período, o paciente é novamente avaliado para que se possa indicar a melhor forma para dar sequencia ao tratamento, que é individualizado de acordo com as necessidades de cada paciente. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Os três primeiros ciclos são os mais importantes e, na maioria dos casos, são o suficiente para se atingir o resultado esperado. A fangoterapia, que é o uso dos peloides ou fangos com objetivos medicinais, consiste na utilização da lama negra com objetivo de tratamento, tem como indicações mais comuns as afecções das articulações e da pele, principalmente reumatismo, artrose e artrite, especialmente nos casos crônicos, que apresentam em geral, uma resposta mais rápida ao tratamento que os casos agudos. Na fase aguda, o tratamento fangoterápico não é um dos mais indicados. A psoríase, que é um processo inf lamatório da pele e cursa com erupção escamosa, onde as células cutâneas se acumulam e formam placas descamativas acompanhadas de muita coceira, é um problema que afeta um grande número de pessoas e causa um desconforto social e emocional muito grande mas que também pode ser tratada com o uso da Lama Negra de Peruíbe, trazendo conforto e melhoria no aspecto, além de amenizar muito as manifestações. A Lama Negra também age em problemas relacionados com alterações circulatórias e do estado emocional, agindo como anti-stress e ajudando a melhorar a qualidade do sono. Em Cuba é utilizada também no tratamento de asma, nódulos mamários, entre outros. Existem alguns trabalhos que demonstram a eficácia do uso da Lama Negra no tratamento da displasia mamária e até mesmo, para doenças chamadas de medicina interna, onde são utilizados cataplasmas de Lama associados às ervas medicinais. De forma geral, a Lama Negra é indicada para: artropatia crônica degenerativa, artrite reumatoide, artropatias crônicas e subcrônicas secundárias, gota, fibromiosite, tenosinovites, mialgias essenciais ou secundárias, neurites, afecções vasculares periféricas, artrites obliterantes, flebites, moléstia de Reynaud, entre outros. Se tratando em dermatologia, as principais indicações são para: psoríase, dermatite, caspa, seborreia do couro cabeludo, acnes, rosácea, eczemas crônico e de estase, manchas da pele, dermatite atópica, rugas, celulite e cloasmas. Complexo Termal da Lama Negra Avenida Tancredo Neves, 740 – Peruíbe/SP | CEP: 11750-000 Telefone: (13) 3455 2463 E-mail: lamanegradeperuibe@gmail.com Horário de Funcionamento: 2ª a 6ª das 08h às 17h | Sábado e Domingo das 10h às 16h

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COMPORTAMENTO

Júlia Meirelles A PELE QUE HABITO Quando você pensa em moda e estilo, quais imagens passam pela sua cabeça?

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uando você pensa em moda e estilo, quais imagens passam pela sua cabeça? Posso adiantar a vocês, leitores, o que se passa pela minha: muito glamour, passarelas, brilhos, festas, modelos magérrimas e, evidentemente, um universo muito distante do meu. Apesar dessa aura inacessível que a moda transmite, ela é vivida, sentida e pensada todos os dias pela grande maioria das pessoas que dividem esse mundo conosco. Ela é universal, plural e democrática. E, por ser um assunto que temos que pensar, pelo menos, uma vez por dia, que tal mudarmos nossa relação com a moda, o estilo pessoal e com as roupas? A moda é uma das ferramentas mais antigas e representativas para contarmos a histó-

ria da humanidade. É através dela que viajamos para o Egito e entendemos a indumentária usada pelos faraós; ou para a França do século XVIII e seus vestidos glamorosos; ou para o período das grandes guerras que abalaram o mundo e trouxeram consigo a simplicidade e austeridade nas roupas, propícias para tempos difíceis. As roupas contam uma história. Seja ela do mundo, de uma época específica ou até de nós mesmos. Se somos feitos das escolhas que fazemos durante a vida, a roupa também nos ajuda a transmitir nossa trajetória em detalhes. Uma blusa, uma cor, um acessório. Algo que nos represente e que acaba se tornando nossa marca registrada.

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Por isso, apesar do assunto ser tratado com distância por quem acredita que a moda e o estilo sejam fúteis, é de extrema importância ref letir na questão: qual mensagem eu desejo transmitir para o mundo? Porque mesmo que não queiramos transmitir nada, ao tomar essa decisão, já estamos transmitindo alguma coisa. Quer exemplo maior que o próprio Steve Jobs, criador da Apple, que usava somente calça jeans com uma camiseta preta de manga longa? Podemos entrar na questão das roupas brancas para profissionais de saúde, por exemplo: por mais que uma equipe use exatamente a mesma cor, cada membro deste time terá um estilo e personalidades diferentes. A mudança pode estar numa modelagem, na escolha do sapato, nos detalhes estéticos, num penteado diferente. O avental ou uniforme denota poder. Com relação a formatos, tudo que é pontudo, rígido, ou seja, terno, avental, camisa, peças de tecidos planos, tecidos que não tem elasticidade, denotam poder. São coisas que não se moldam à pessoa, a pessoa que tem que se moldar ao produto. Assim como a logomarca também denota poder. Em relação ao branco na concepção da moda, a cor por si só não significa poder, geralmente é o vermelho que cumpre esse papel. Nas combinações de branco com vermelho, branco com dourado, a conotação de poder fica mais evidente. A moda fomenta a criatividade, a originalidade e treina nosso olhar para os detalhes e gostos pessoais. Para fundamentarmos nosso estilo, apesar das referências externas, temos que voltar nossa atenção ao que faz nossos olhos brilharem. Independente do que é tendência no mundo hoje, o mais importante mesmo é fazer escolhas certeiras de estilo para agradar a pessoa que você mais gosta: você mesmo (a).

Júlia Meirelles Jornalista, especialista em marketing digital, apaixonada por moda, música, História e pessoas. Tem um blog onde eu posta suas histórias chamado “O Caderno”.

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FICA A DICA

Rafael Neto E FOI ASSIM QUE SURGIU A PRIMEIRA ORQUÍDEA Diferente de ir ao supermercado e acabar comprando uma flor, o melhor lugar para você escolher uma orquídea é sempre em um orquidário. Que tal fazer um passeio que humaniza o seu dia e te ajuda a praticar um momento “Detox”? por Stella Curzio

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egundo a lenda, na cidade chinesa de Anan, existia uma formosa jovem chamada Hoan-Lan. Essa linda menina-moça tinha por hábito se divertir às custas de quem se apaixonasse por ela, chegando a levar alguns rapazes ao suicídio, devido à sua frieza e desprezo. Cansado de ver tantos sofrimentos, um poderoso deus decidiu castigar Hoan-Lan e, como castigo, fez a volúvel jovem se apaixonar perdidamente pelo formoso Mun-Say, sem que esse lhe prestasse a mais pequena atenção. Desesperada de amor e Mun-Say, Hoan-Lan procurou o deus da montanha de Tan-Vien e implorou-lhe ajuda, mas este estava tão zangado com a atitude da jovem, que a mandou embora. Na saída da gruta, a jovem encontrou uma bruxa de pés de

cabra, que ofereceu vingança contra o seu amado em troca da alma da jovem. Perdidamente apaixonada, ela aceitou o pacto e a bruxa fez um feitiço com a folha de palmeira e a enterrou depois de pronunciar palavras desconhecidas. Passado alguns dias, Hoan-Lan viu seu amado de longe e correu ao seu encontro, mas, quando se preparava para abraça-lo, o jovem rapaz se transformou numa árvore de ébano. Chorando muito junto ao amado, ali ficou durante muito tempo até que despertou a compaixão de um deus que, colocando o dedo na testa da moça, a perdoou, transformando-a numa f lor antes que a brisa lhe retirasse a alma. No entendo, concedeu que jamais se separasse de seu amado. E foi assim que surgiu a primeira orquídea.

fonte: introdução da apostila da “oficina de plantio e cuidados com plantas e f lores” do Orquidário Mucuripe

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Rafael Neto, 74 anos, jornalista, é um ser humano exceção! De olhar atencioso, receptividade sempre altruísta, atendimento impecável, cuidado absoluto em cada detalhe e verdadeiro apaixonado por orquídeas e natureza de forma geral, Rafael optou por abrir um orquidário há 7 anos. Fundado em 2009, o Orquidário Mucuripe é um polo de novidades e informações sobre orquídeas e plantio de f lores em geral. Orquídeas dos mais variados tipos e originárias do mundo todo, adubos, defensivos orgânicos ou químicos, vasos, substratos, todos os tipos de acessórios necessários ao cultivo de orquídeas, encontros, cursos variados, oficinas sobre plantio e cuidados com plantas e f lores, além de projeção e construção de fontes ornamentais fazem parte desse paraíso de orquidófilos. Tudo no local é sustentável: desde o uso de adubos e defensivos orgânicos até a sua estrutura, toda feita com madeiras de árvores derrubadas pela chuva e bambú podado, além do local ainda ser composto por Mata Atlântica primária. Diferente de ir ao supermercado e acabar comprando uma f lor, o melhor lugar para você escolher uma orquídea é sempre em um orquidário. No Orquidário Mucuripe as f lores são selecionadas e cuidadas com muito amor, sendo dedicadas técnicas e carinho, mantendo-as em ambiente natural, além da oportunidade de se possibilitar a conversa com quem realmente entende do assunto para tirar todas as suas dúvidas e receber dicas que são imprescindíveis para o bom cultivo. Mas a visita ao Orquidário Mucuripe vai muito além das orquídeas. O local ainda conta com o “Café das Orquídeas”, um cantinho especial e aconchegante, que tem como destaque o café mineiro, de coador individual, servido em lindas canecas de ágata, bolos caseiros artesanais e os tradicionais pães de queijo fresquinhos. Para convidar ainda mais o paladar, o orquidário também oferece uma tapiocaria gourmet batizada de “Flor de Macaxeira” que apresenta um variado cardápio de recheios. E o carinho com os clientes não para por aí. Todos que frequentam o Mucuripe ganham o guia “Princípios Básicos do Cultivo de Orquídeas”. Que tal fazer um passeio que humaniza o seu dia e te ajuda a praticar um momento “Detox”? Vem pro Mucuripe, Vem! NASCECME MAGAZINE | março 2017


Foto Mucuripe | Divulgação

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Lago das Garças, um dos espaços para cursos e eventos do Orquidário Mucuripe

Orquidário Mucuripe Estrada Manoel Lajes do Chão, 2.293 - CEP: 06705-050 - Cotia/SP Telefone: (11) 4703-3866 facebook.com/OrquidarioMucuripe Horário de Funcionamento: De segunda-feira a domingo, das 09h às 17h O Paraíso para quem ama Orquídeas está localizado próximo ao Tempo Lu Zai

Rafael Neto Jornalista, cursou também a Escola Superior de Propagada e Marketing. Grande parte de sua vida trabalhou na Avon Cosméticos como Editor do House Organ e na Editora Abril como Diretor da área Internacional de Fascículos.

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CME

Ricardo Meneses A RDC 15 E O CENTRO DE M AT E R I A L E E S T E R I L I Z A Ç Ã O Um convite para discutir a realidade no Brasil nos tempos de mudanças

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Resolução da Diretoria Colegiada da ANVISA nº15, publicada em 15 de março de 2012 foi um marco sem dúvida às práticas nos processamentos de produtos para saúde (PPS) aos gestores e enfermeiros que atuam no Centro de Material e Esterilização (CME) no seguimento hospitalar. Ora não aplicável no âmbito dos consultórios, ela ainda permeia questões que devem ser refletidas e expostas à sociedade brasileira de forma que se possa pensar nesta realidade, tanto na forma de potencialidades nacionais, como nos processos de trabalho não exitosos que grande parte do Brasil tem vivenciado. Minha inquietação nesta matéria está em motivar os leitores a pensar em suas práticas como processamentos de produtos para saúde de forma que possam estampar seus cenários hospitalares e a forma como tem sido desafiador aplicar esta resolução, que

completará cinco anos de existência em março de 2017. Esta resolução da diretoria colegiada da ANVISA certamente destaca um marco conceitual às práticas orientadas no Brasil em CME que precisam estruturar ainda suas rotinas e seus programas em serviços de esterilização através de uma logística de trabalho desde a etapa de limpeza até a entrega do mesmo, conforme sua diretriz ao processo final, recomendado de acordo com sua classificação. No entanto, a construção dos aspectos que estruturam a CME como serviço complexo, dinâmico e empreendedor, ainda é carente de demarcações claras desta resolução, pois foi oriunda de recomendações e normatizações internacionais mistas, especialmente as norte-americanas e europeias, pelo arquétipo de produtos que dispomos no Brasil, como também, pela existência de maquinários que estão ligados NASCECME MAGAZINE | março 2017


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tanto a procedimentos de limpeza de produtos complexos ou não complexos, como a esterilização deles em si. Certamente, por termos este modelo híbrido de gerenciamento de produtos para saúde, que necessitam apresentar índices de segurança técnica para evitar patogenicidade, o enfermeiro, em especial, tem enfrentado muitas dificuldades no uso desta resolução como ferramenta de estruturação dos seus serviços. Outra dificuldade é associada também aos aspectos político-administrativos que envolvem a falta de concretude de uma prática isenta de riscos no cotidiano do Centro de Material e Esterilização, em contrapartida de uma logística de atendimento mercadológica e consumista na área da saúde. Nas escolas de formação superior do Brasil, não conseguimos ater uma concepção aos enfermeiros no empreendimento de ações embasadas nas necessidades de um Centro de Material e Esterilização, como também, as escolas técnicas de enfermagem não vislumbram uma formação que atenda preceitos teóricos e práticos mínimos para o CME. A própria concepção do Centro de Material e Esterilização estar associada ao bloco cirúrgico atenua a amplitude de direções que este serviço precisa ter no aspecto de suas diretrizes específicas de um programa de formação para limpeza, preparo, esterilização, armazenamento e distribuição segura de PPS. A formação para a área da saúde voltada para o Sistema Único de Saúde (SUS), imerge com concepções da saúde pública do Brasil que, não contemplam também a especificidade do CME, ainda que a RDC15 descreva que deve existir um profissional da saúde competente para coordenação dos serviços do CME, ainda que este não seja um enfermeiro, conforme o artigo 28. Para o Ministério da Saúde em suas políticas de gestão de recursos humanos, há empreendimento baixo e desconstrução política que explica as dissonâncias que se observam na área da saúde, no Brasil e em muitos países. As mudanças na composição da força de trabalho, nos processos de sua formação e regulação profissional e nas regras de contratação, são incógnitas que representam desafios para a formulação, acompanhamento e avaliação das políticas de recursos humanos nos cenários do país. A percepção dessas mudanças, ou pelo menos de suas tendências, constitui atributo indispensável para os enfermeiros gestores dessas políticas, em especial. Desse NASCECME MAGAZINE | março 2017


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modo, é necessário desenvolver ou mesmo criar metodologias que permitam aferir essas tendências e estimar as mudanças que devem ser introduzidas para que se possa resgatar este serviço em CME como afetivo da enfermagem hospitalar. Na fase de implantação, já encerrada em teoria com os dois anos pós publicação do seu texto, a RDC15 tem inúmeros desafios de tornar real as descrições que ela apresenta em território nacional, pois temos uma pluralidade de realidades deste País que apresenta dimensões continentais e pouco versadas nos relatos de experiência pela academia. Uma questão necessária para as evidências científicas nesta área é: os enfermeiros que atuam nos CME’s do Brasil tiveram formação específica nos seus currículos com a RDC15, ou mesmo, eles conhecem esta resolução em sua aplicabilidade? As áreas disciplinares que envolvem a gerência em enfermagem já devem orientar que em 2012, pela Resolução COFEN 424, constitui o enfermeiro nos processos de trabalho das CME’s classe II que apresentam risco médio no tratamento de produtos para saúde. Porém, as diretrizes curriculares nacionais não delimitam temas para concepção de um currículo mínimo de graduação em enfermagem com tal abrangência. Por outro lado, quando abordamos a prática, os enfermeiros ainda remetem o processamento de produtos que estão discordantes da RE da ANVISA 2605 que edita uma lista negativa e desatualizada de 66 produtos proibidos ao reuso. Se os gestores dos hospitais percebessem a relevância em consolidar um processamento de seus produtos para saúde de forma ecológica e segura ao consumidor, poderiam remover a relação incógnita dos riscos que são inerentes as práticas pouco estruturadas em seus CME’s matriciais e, discutir um plano de consumo cirúrgico mais assertivo. No entanto, qual seria a logística motivadora ao processo dos gestores com responsabilidade técnica dos hospitais? A produtividade cirúrgica? O aspecto ético-legal? Há de se pensar na racionalidade produtiva em girar produtos para saúde que possam ser limpos de forma segura, ainda que os processos de trabalho no Brasil não disponham de tecnologias avançadas, mas de evidências de etapas do processo que assegura esse centro de custo que representa o CME em uma missão clara: segurança. E deve-se pensar o quão extensivo é o trabalho do gestor do CME que deve legitimar NASCECME MAGAZINE | março 2017


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a realidade de sua logística de serviços de acordo com a planta física predisponente. Certamente vários Centros de Material e Esterilização passam por desarmonias de metragem ideal de acordo com parâmetros das Normas de Elaboração de Plantas Físicas em Estabelecimentos de Saúde. As primeiras publicações do Ministério da Saúde destes parâmetros em relação aos CME’s constituídos antes 1998, passam por dificuldades em readequação à RDC 50 de 2002, quando as necessidades de serviço não são pautadas entre a equipe de trabalho, engenharia e a arquitetura, ainda que esteja em pauta a readequação desta RDC. Uma questão associativa ao giro de sala e aumento da lucratividade, é o trabalho dos CME’s atender em maioria aos serviços cirúrgicos, como também a de rotatividade dos leitos. Isto favorece alguns aspectos da produção conforme outorga-se os serviços aos colaboradores deste cenário que precisa estabelecer seus tempos de execução para cada tarefa, para que haja menos conflitos de interesses entre as unidades consumidoras e a necessidade temporal em relação a produtividade do CME. Os serviços de consultoria na área apontam como estratégias de promoção da execução de tarefas exclusivas à supervisão técnica do CME, os programas de orientação padrão, pois eles legitimam a prática e permitem computação do tempo e da técnica. Os POP’s que estendem os serviços do CME aos polos de processamento fora da planta física, em contrapartida ao paradigma da centralidade dos processos, são dilemas éticos que precisam ser melhor esclarecidos em suas práticas. No entanto, existe um consenso da necessidade de pressão negativa do ar em áreas de limpeza e descontaminação dos PPS em CME, onde a RDC 15/2012, afirma que nos CME de classe II devese manter diferencial negativo de pressão do ar ambiente (mínimo 2,5Pa) entre as áreas adjacentes, o que deve ser devidamente planejado na diretriz de um plano para operações satélites. A prática pela RDC 15 destaca os artigos não críticos por meio de um POP específico que poderá ter legitimidade. Ainda que haja necessidade de maiores evidências científicas para comprovar os riscos e benefícios desta orientação técnica, devido a falhas grosseiras de limpeza e desinfecção, como também ao perfil microbiano que um determinado produto impele no NASCECME MAGAZINE | março 2017


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seu uso. Mas os trabalhos de construção destes POPs devem ser em parcerias com as especificidades biomédicas que atendem usuários em estado crítico, pois em alguns cenários destacamos peculiaridades como nos serviços de maternidades, unidades intensivas ou críticas, pacientes oncológicos ambulatoriais, renais, entre outros. Ainda assim, a prática em processar produtos para saúde, mesmo sendo majoritariamente o maior consumidor, o centro cirúrgico, precisa destacar vários arquétipos que visam segurança, dentre eles: temos mecanismos manuais ou automatizados para limpar produtos para saúde complexos e com lúmens muitos estreitos? Há possibilidade de remover toda gordura do material usado em cirurgia ou em um procedimento? Quanto tempo os materiais permanecem com sujidade aderida até realizar a limpeza? Há rotina de pré-limpeza instituída associada ao tempo de espera dos produtos? O material que é recebido consignado sofre limpeza no CME antes de esterilizar? Certamente, dentre estas questões, podemos elencar que a responsabilização de produtos com impossibilidade de limpeza impele a qualquer etapa posterior que ele deve sofrer, pois a barreira formada por biofilmes ou mesmo por gorduras, favorece o crescimento microbiano impedindo sua esterilização. O que não se limpa adequadamente não é possível esterilizar. A complexidade em CME está na invisibilidade das ações deste cenário escondido e pouco compreendido. Por isso, esta complexidade deve ser convergida em empoderamento de todos colaboradores do serviço do CME de forma técnica e consultiva na medida que o usuário do serviço e os desenhos dos PPS contextualizam o tempo todo com o (s) método (s) disponível (is) ao processo final, seja para desinfetar ou mesmo esterilizar. Destaca-se desta forma, que a classificação dos PPS deve ser validada para evitar falhas ao destino final dos mesmos pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Ela fornece os dados do perfil microbiológico, notificações específicas como doenças produzidas por príons e finalmente no controle de infecção de sítio cirúrgico. Apesar do processo de esterilização representar o mais seguro do ponto de vista de reprodutibilidade, o dilema atualmente é o prazo de validade de um produto passível de processar estimado por uma unidade hospitalar. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Não há dúvidas no sentido do consumo de produtos de uso único quanto a vulnerabilidade do material e na legislação racional proibitiva ao reuso. Porém, o lote descrito pela RDC15 aos PPS, que sofrem sucessivos tratamentos, destacam parâmetros pouco significativos na acepção real da rastreabilidade, funcionalidade e suas etapas que estimariam um loteamento numérico combinado (da limpeza ao armazenamento). Logo, percebe-se que o processo constituído pela validação temporal de um pacote estéril é subjetivo dentro das condições de armazenamento que podem atender ou não características da RDC15. Pois, os parâmetros subsidiados para eficácia desta etapa estão baseados em registros e parâmetros ambientais que a indústria ainda não pode elaborar evidências científicas sob testes que avaliem a eficácia destas condições. Destaco, finalmente, em meio às inúmeras possibilidades de um trabalho técnico, que a ação do enfermeiro, mesmo diante do caos, delimita focos tangíveis a aplicabilidade da ação conceitual da segurança na entrega de produtos esterilizados. Porém, o exercício da aplicabilidade desta legislação não pode ser focado em um único sujeito, pelo sentido que atribuí a ação da equipe empoderada do discurso crítico destacado no texto. O trabalho do profissional de CME deve ser associado às possibilidades políticas que enfrentamos como elo indissociável das novas lutas para o caminho das essencialidades em meio da transformação que essa legislação poderá sofrer.

Ricardo Meneses Graduado em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1996), e Mestrado em Enfermagem pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (2003). Atualmente é professor classe d 403 do Instituto de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, na área de Patologia e Semiologia. Atua com professor assistente do Departamento de Enfermagem Médico - Cirúrgico pela Faculdade de Enfermagem da UERJ responsável pelas disciplinas teórica e prática da Residência em Enfermagem em Bloco Cirúrgico. Professor horista pela Universidade Estácio de Sá nas disciplinas teórica e prática em Enfermagem cirúrgica.

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TECNOLOGIA

Rogério Campos M E D IC O N TA I N E R 2 . 0 Containers para Esterilização

alto padrão de qualidade em todos os seus produtos. Seguindo esta filosofia de trabalho, a Medicon lançou uma nova geração de containers de alumínio para esterilização que utilizam filtros de barreira permanente O MEDICONTAINER 2.0

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Medicon é uma empresa da região de Tuttlingen – Alemanha, fundada em 1941 e que possui mais de 30 mil itens produzidos atualmente na sua fábrica. Seus produtos são comercializados em mais de 120 países ao redor do mundo. Possui os mais importantes certificados mundiais que garantem alta qualidade em todos os processos de produção de forma consistente, desde a concepção, desenvolvimento e fabricação dos seus produtos. A empresa também investe fortemente em pesquisas e novas tecnologias, mantendo contato permanente com profissionais da saúde e usuários com experiência na otimização dos instrumentos existentes, assim como no desenvolvimento de produtos inovadores para novas técnicas cirúrgicas. Conta com equipamentos e produção de alta tecnologia, centros de produção controlados e destreza manual de especialistas experientes para garantir um

Dentre as vantagens deste produto podemos destacar o seu filtro permanente de barreira que garante a coleta eficiente de bactérias e germes através das suas vias de f luxo de Pasteur. Este novo sistema, além de agilizar o processamento, reduz drasticamente outros custos com insumos e acessórios. O disco do labirinto é facilmente encaixado na tampa e o sentido de rotação para abertura / travamento é gravado no próprio disco. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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O produto traz também a conexão “TOX ® Clinch” que garante 100% hemerticidade na junção entre os componentes e acessórios. Mesmo após anos de uso, não haverá abertura involuntária.

Além disso as tampas dos containers são fabricadas através de métodos especiais de produção, apresentando adequada rigidez, o que garante sua absoluta estanqueidade. Seu design harmonizado permite empilhamento de maneira segura de até quatro unidades. As alças grandes em aço inoxidável com parada em 90° permitem um transporte mais confortável e equilibrado. O produto possibilita ainda a utilização de rótulos diferentes para obter informações sobre o conteúdo, esterilização. Entre os acessórios, estão as etiquetas de identificação codificadas por cores e passíveis de gravação personalizada e etiquetas de papel com indicador biológico integrado. Os recipientes contam com diferentes modelos e tamanhos para melhor adequação dos instrumentos cirúrgicos e estão disponíveis em cinco cores distintas para facilitar a identificação e organização do serviço. Toda esta tecnologia e inovação do MEDICONTAINER 2.0, visa oferecer maior segurança e conforto aos profissionais de saúde, além de garantir uma efetiva redução de custos para a instituição. Saiba mais consultando MEDSINTESE Pelo telefone: (011) 3138-0180 e-mail: instrumentais@medsintese.com.br

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FILOSOFIA

A felicidade e a saúde são incompatíveis com a ociosidade.

Aristóteles NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Lavadora para ortopedia | Foto: Meiko/Divulgação NASCECME MAGAZINE | março 2017


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CME

Maria Edutânia MÁQUINAS LAVADORAS TERMODESINFECTADORAS MEIKO Avaliação do desempenho das máquinas lavadoras termodesinfectadoras Meiko | De comadres e papagaios, instaladas no HC UFPR | Monitoramento do desempenho da limpeza na máquina

INTRODUÇÃO Controle do processo e a garantia de reprodutibilidade são reconhecidas vantagens da limpeza e desinfecção automatizadas. Entretanto, as diversas variáveis do processo podem ser influenciadas por condições locais como qualidade e composição da água, conhecimento e comprometimento do operador, entre outros. É imprescindível que seja realizado monitoramento através de testes, os quais irão monitorar as diversas variáveis do processo, cujos resultados evidenciarão a eficácia na lavagem, indicarão falhas, que podem decorrer de problemas nos jatos d’água, na temperatura da

água, na concentração e/ou dose do produto desmineralizador e secante, nos tempos das etapas do ciclo, entre outros. Para a realização dos testes se lança mão de indicadores específicos. Foram realizados testes em nove das dez máquinas instaladas, uma vez que em uma lavadora termodesinfectadora não havia sido verificado o A0. OBJETIVO Verificar se o desempenho da lavadora está de acordo com os parâmetros estabelecidos pelo fabricante e recomendação da literatura e parâmetros estabelecidos pela instituição. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Identificar falhas no desempenho da lavadora a fim de assegurar a adequada limpeza de comadres e papagaios. Certificar-se de que a lavadora está funcionando adequadamente a fim de prevenir falhas na limpeza de comadres e papagaios e comprometer a segurança dos pacientes e equipes. MATERIAL No mercado nacional e local temos conhecimento da disponibilidade de um único dispositivo específico para monitorar a eficácia da limpeza de comadres e papagaios em máquinas lavadoras de comadres e papagaios. Este dispositivo é denominado Clean-Record ® Level 0 Cleaning Indicators for bedpan washers, fabricado pela gke, tendo sido utilizado para os testes de monitoramento da eficácia da limpeza das lavadoras desinfetadoras de comadres e papagaios marca MEIKO®, modelo TOPIC, instaladas no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Indicadores Clean-Record® Level 0 Cleaning Indicators for bedpan washers Os indicadores de limpeza de lavadoras de comadres e papagaios são simuladores de soil test desenvolvidos a partir da ISO/TS 15883-5 e em conformidade com esta norma. A apresentação deste indicador é em tiras de papel com soil test nele aplicado, é recoberto com uma película plástica e sua face oposta contém adesivo protegido por película. O soil test é aplicado em forma de hexágono, na cor laranja, com uma moldura branca e laranja. O bom e correto desempenho da máquina e segurança na limpeza da comadre ou papagaio são verificados por meio do nível de remoção do soil test laranja do interior do hexágono. Os resultados esperados são a completa remoção do soil, sendo mantida a moldura laranja, indicando sucesso no processo de limpeza. Também é esperado que o indicador revele alterações e falhas no processo para ter garantia e segurança, após estabelecido o padrão a ser usado em cada local e equipamento. Neste caso, ao final do teste não haverá completa remoção do soil test e a quantidade removida, bem como na tonalidade remanescente auxiliarão na identificação da provável causa da falha. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Neste estudo foram utilizados quatro indicadores para cada teste, dois na comadre, um no papagaio e um na parede do fundo da câmara, totalizando 12 indicadores para avaliação de cada máquina. Termômetro Digital marca Minipa® Termômetro digital para medir temperaturas acima de 40 graus Célsius. Impresso Relatório Impresso para registro dos dados dos testes e fixação dos indicadores soil test. MÉTODO Foram realizados testes nos três programas disponíveis para limpeza e desinfecção de comadres e papagaios: ciclo curto, ciclo intermediário e ciclo longo. A carga determinada para os testes foi composta de uma comadre e um papagaio, os próprios utensílios que seriam utilizados para o monitoramento (Figura 05). Considerou-se que a ausência de um item não interferiria nos resultados dos testes, uma vez que os utensílios são posicionados corretamente e os jatos d’água para limpeza interna são independentes para cada utensílio. Por outro lado, em testes de monitoramento de rotina, a carga deve ser máxima porque os indicadores irão detectar erros de carregamento por posicionamento incorreto que acarretam em formação de sombra ou impedimento do acesso dos jatos d’água em toda superfície dos utensílios e, consequentemente, falhas no processo de limpeza pré-definidos, os quais poderão ser corrigidos imediatamente. Todas as lavadoras realizam o processo sem detergente, tendo como variáveis críticas os jatos d’água, a temperatura da água, os tempos e o produto desmineralizador e secante. Após a realização de um teste piloto para ajuste dos ciclos, todas as lavadoras foram reguladas com o mesmo range do produto, variando a temperatura da água que alimenta as lavadoras. Os jatos d’água estavam em perfeito funcionamento. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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REALIZAÇÃO DO TESTE 1. Checar o range: informado pelo técnico da Meiko*; 2. Medir a temperatura da água com termômetro digital adequado: abrir a torneira de água quente próxima à lavadora, colocar o termômetro no fluxo de água quente até que os valores fiquem fixados, registrar no impresso a temperatura máxima detectada; 3. Fixar os indicadores de limpeza (soil test) nas posições definidas neste protocolo, comadre: no centro geométrico do fundo e na borda próximo ao cabo; papagaio: dentro do papagaio no fundo, (abra a “janelinha” para acessar o local de fixação, feche em seguida para que não haja acesso de jatos d’água pela “janelinha”. Fixar o quarto indicador de limpeza na parede do fundo da câmara entre os dois dispositivos de jatos d’água (chuveirinhos). Para fixar cada indicador de limpeza, remover o papel protetor do adesivo do indicador; 4. Carregar a máquina posicionando a comadre e o papagaio em conformidade com as recomendações do fabricante; 5. Fechar a porta e selecionar o programa a ser testado: Programa Normal, Programa Curto ou Programa Intenso; 6. Registrar o horário de realização do teste e os demais dados (range, temperatura e local e numero de série da máquina) no impresso denominado Protocolo de Testes; 7. Abrir a porta do painel de controle/display para acessar o botão para abortar o ciclo quando iniciar a desinfecção; 8. Observar atentamente o ciclo, quando iniciar a desinfecção (no display aparece o valor da temperatura crescendo), tracione o botão para abortar o ciclo. Terá início um alarme sonoro indicando erro; 9. No painel de controle da máquina e pressionar uma vez o botão que acusa erro, para interromper o alarme sonoro. 10. Retirar o papagaio, abrir a “janelinha” e remover o indicador de limpeza (adesivo); 11. Observar o resultado e fixe o indicador no quadrado correspondente à posição do indicador e no ciclo testado; 12. Retirar a comadre e remova os indicadores de limpeza; 13. Fixar os indicadores de limpeza no quadrado correspondente à posição do indicador e no ciclo testado; 14. Passar para o próximo teste. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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AVALIAÇÃO DE RESULTADOS Avaliação do resultado do indicador: aprovado quando há completa remoção do soil test (tinta laranja do interior do losango), ou seja, quando não há resíduo alaranjado ainda impregnado. Pode haver sombra do soil test, variando a intensidade de acordo com o desempenho da máquina, quanto menor a sombra melhor o desempenho e resultado. RESULTADOS Todos os testes foram aprovados, uma vez que houve completa remoção do soil test (tinta laranja do interior do losango) dos indicadores. Quanto ao desempenho propriamente dito, observa-se que nos ciclos curtos houve variabilidade de limpeza, diferentemente dos ciclos intermediário e longo, resultado esperado em função de tempo de cada ciclo, em todas as máquinas. Houve significativa variação da temperatura da água que abastece as máquinas, porém sem interferência no desempenho da lavagem. CONCLUSÃO Os resultados dos testes demonstraram eficácia das máquinas para a limpeza de comadres e papagaios, conferindo segurança no processo. Ressaltamos que o resultado final do ciclo completo com a desinfecção deve ser superior ao encontrado nestes testes de qualificação que avaliaram somente a limpeza. Sabe-se que a limpeza é a etapa mais importante para o sucesso da desinfecção e da esterilização. A limpeza remove mecanicamente detritos, sujidades, material biológico, microrganismos e a desinfecção irá inativar e/ou eliminar microrganismos remanescentes. Portanto, quanto menor for a quantidade de microrganismos presentes nos utensílios após a limpeza, menor será a quantidade de microrganismos a serem inativados ou eliminados na desinfecção. Importante enfatizar que lavadoras termodesinfetadoras de comadres utilizam A0 entre 60 e 600 (ISO 15883 3). Por isso, a etapa da limpeza nesses equipamentos deve reduzir o número microrganismos, incluindo esporos, a níveis que não possam causar NASCECME MAGAZINE | março 2017


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infecções (exemplo, Clostridium difficille). A combinação de limpeza com conformação adequada no design da câmara, número e posição dos jatos de cada equipamento mais a etapa de desinfecção constituem os fatores essenciais para eficiência do processo. Portanto, se na rotina surgirem falhas na limpeza, há de se rever o processo com a equipe usuária, quanto o fluxo do envio dos utensílios utilizados desde o paciente até a entrada do utensílio na máquina, presença de sujidades incomuns ao processo, o posicionamento dos utensílios, a seleção do programa e níveis de agentes químicos utilizados e por fim alguma falha mecânica no equipamento, tendo-se sempre em dia as manutenções preventivas. Enfim, resultados não esperados dos testes devem induzir à revisão de tudo que possa contribuir para falhas em processos da limpeza. Sugerimos que estes testes sejam realizados semanalmente.

Maria Edutânia Graduada em Enfermagem e Obstetrícia com licenciatura pela UFPR; Especialista em Epidemiologia pela FIOCRUZ; Mestre em Engenharia de Produção pela UFSC; Enfermeira do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Complexo Hospital de Clínicas da UFPR; Consultora em controle de Infecção e processamento de materiais no Hospital IPO de otorrinolaringologia

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Um hospital se caracteriza por sua criticidade em função de vários fatores que concorrem para tal, entre esses tem-se: o ambiente hospitalar (superfícies inanimadas e equipamentos médicos). Estudos comprovam o papel relevante de superfícies e equipamentos na transmissão de contaminação. Tais constatações reforçam a importância da limpeza e desinfecção dessas superfícies hospitalares evitandose desta forma que os agentes patogênicos possam ser transmitidos aos profissionais de saúde e pacientes. Os microrganismos comumente identificados nos equipamentos médicos e superfícies hospitalares são: Staphylococcus aureus(MRSA), Enterococcus(VRE), Clostridium difficile, Acinetobacter e Novovirus. Alguns destes são multirresistentes e respondem pelo contínuo aumento no nível de infecções hospitalares. A sobrevida de alguns microrganismos em superfícies e objetos hospitalares como por exemplo, Clostridium difficile, pode sobreviver por até 5 meses na forma esporulada e E.coli, 1,5 horas a 16 meses. A limpeza e desinfecção dessas superfícies hospitalares interrompe a cadeia de transmissão de contaminação e infecção cruzada.

O ambiente hospitalar bem como seus equipamentos atendem a uma classificação que é categorizada em função do risco de transmissão de infecção. Nesse sentido temos as áreas: “críticas”, “semicríticas” e “não críticas”. É necessário compreender tal classificação para implementar ações preventivas que visam manter a segurança e o controle de infecção do ambiente. SURFA SAFE PREMIUM Espuma detergente desinfetante pronto uso para limpeza e desinfecção de superfícies hospitalares, equipamentos e artigos médicos não críticos; a base de Cloreto de Didecildimetilamônio (0,30%), sem álcool, não corrosivo e biodegradável. Ampla atividade antimicrobiana na presença de matéria orgânica, comprovada por laudos bactericidas sobre Enterococcus faecium VRE, Staphylococcus aureus MRSA, KPC; virucidas sobre Norovírus murin; compatível com polímeros e metais. Apresentação em frasco spray de 750 ml. Saneante registrado no MS/ANVISA. Registro Anvisa: 328210012.

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ALIMENTAÇÃO

Laine Gimenez H I G I E N E N A A L I M E N TA Ç Ã O Trabalhar com alimentação é prazeroso, ainda mais quando se tem o compromisso de oferecer o melhor aos clientes mas, essa não é uma tarefa simples

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melhor pode ser questionável em termos de sabor, mas, quando o assunto é qualidade, não há dúvidas: o começo de tudo é a higiene! Na Bem Bonita Café e Delícias não produzimos alimentos, portanto, a escolha dos fornecedores é muito criteriosa, pois vamos oferecer aos nossos clientes algo produzido por terceiros. Todos os nossos fornecedores estão em conformidade com as normas da ANVISA e nos dão respaldo sobre a qualidade dos produtos comercializados.

Precisamos estar atentos às Boas Práticas de Alimentação, que, de acordo com a ANVISA, “são práticas de higiene que devem ser obedecidas pelos manipuladores desde a escolha e compra dos produtos a serem utilizados no preparo do alimento até a venda para o consumidor”. Para isso, medidas simples, como higienizar as mãos e conservar os alimentos em temperaturas adequadas desde o recebimento até no momento de servir o cliente, evitam a contaminação dos mesmos. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Além da confiança nos fornecedores, é preciso ter confiança na equipe profissional para que tudo funcione corretamente, o tempo todo. Todos os detalhes são muito importantes e é preciso ter cuidado em cada fase da rotina. Cada utensílio é lavado inúmeras vezes ao dia - o que torna a atividade, de certa forma, sujeita à falta de atenção. Mas qual é o cliente que gostaria de receber uma xícara de café com resquícios de batom? Claro que nenhum, por isso cada item tem que ser cuidadosamente higienizado. Secou um talher e na hora de guardar escapou, foi ao chão? Começa tudo de novo. Nada de dar só aquela passadinha na água! Ouvir do cliente que vem à nossa cafeteria porque gosta do atendimento é gratificante, mas, quando ele diz que vem porque somos a cafeteria mais limpa do shopping, aí todo o esforço é recompensado!

Laine Gimenez Com larga experiência na área de Atendimento a Clientes, é formada em Barista pelo Senac e sócia proprietária da Bem Bonita Café e Delícias, localizada no piso térreo do Shopping Penha.

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CME

Roberto Pereira O USO DE DISPOSITIVOS DE DESAFIO DE PROCESSO (PCDs) NO MONITORAMENTO DE PROCESSOS DE ESTERILIZAÇÃO A VAPOR SATURADO

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RDC 15 e normas como as EN 285:2015 e a ANSI/ AAMI ST 79:2010 determinam formas de monitorar os processos de esterilização a vapor saturado nas CMEs e preconizam o uso de desafios de diferentes configurações. Apesar da diversidade de: instituições, especialidades cirúrgicas, dispositivos médicos utilizados, com diferentes complexidades e dos recursos das CMEs, as empresas fornecedoras de insumos para os processos de limpeza e esterilização, insistem em oferecer monitores e desafios únicos. Duas situações são vivenciadas pelos consumidores: ou têm à disposição desafios subdimensionados que iludem quanto à margem de segurança monitorada, ou têm à mão desafios dimensionados além das capacida-

des dos equipamentos e cargas que apenas trazem frustração pela não superação. Em ambos casos, é importante ressaltar que sem o dimensionamento do desafio, que deve ser padronizado por Norma (ex: EN ISO 11140-4 Bowie Dick) ou validado ligeiramente acima da situação de carga mais desafiadora, corre-se o risco de um monitoramento inválido. Situações vivenciadas em visitas a CME’s de todo País, como indicadores biológicos e integradores químicos colocados dentro de envelopes de papel grau cirúrgico para monitorar cargas de caixas cirúrgicas, demonstram que muitos usuários não validam o processo de monitoramento e colocam uma “venda” em seus olhos, realizando um voo cego rumo à liberação de materiais aparentemente esterilizados. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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RDC 15 de forma simplificada A RDC trouxe em alguns de seus artigos, determinações objetivas quanto ao monitoramento dos processos de esterilização a vapor saturado: Art. 93 - Bowie Dick diário nas autoclaves com sistema de vácuo Art. 96 - Esterilização monitorada a cada ciclo com pacote teste desafio com integradores químicos Art. 98 -Para cargas de produtos implantáveis deve ser adicionado um indicador biológico Art. 99 - Ao menos um indicador biológico diário em pacote desafio no ponto de maior desafio

Grande parte dessas definições foram inf luenciadas pelo texto contido na ANSI/AAMI ST 79:2010, porém não se levou em consideração que: além dos equipamentos não serem dimensionados conforme esta norma, também as cargas, caixas e forma de embalar são muito particulares em nosso País, requerendo níveis de monitoramento mais exigentes. Em outras palavras, a determinação contida na RDC 15 é eficaz apenas nas situações onde haja coerência com as autoclaves utilizadas e com o dimensionamento da carga proporcional O que é um PCD e como ele deve ser escolhido Da tradução do inglês, (PCD) Process Chalenge Device, Dispositivo de Desafio de Processo é um aparato que deve ser validado para corresponder a uma determinada exigência normativa, por exemplo Teste Bowie Dick, ou para avaliar a liberação de lotes esterilizados. Em termos de legislação brasileira, o PCD assume no processo de esterilização, o papel de simulador do pacote desafio solicitado pela RDC 15. Em termos de legislação internacional, Normas como a EN 285 ou a EN 867-5, referenciam os PCDs como dispositivos de desafio capazes de atestar os níveis de remoção do ar e penetração do vapor no interior dos materiais, para que haja uma liberação segura da carga esterilizada, especialmente de materiais canulados. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Para monitorar, com sucesso, o processo de esterilização: 1. As cinéticas de morte bacteriana devem ser testadas atingindo um SAL de 10-6. 2. É necessário verificar se o vapor está penetrando de forma suficiente para atingir as superfícies internas com capacidade para transferir a energia térmica no tempo e na intensidade exigidos. Se os bens estão embalados e/ou são bens complexos, não faz sentido utilizar indicadores químicos ou biológicos sem proteção na câmara de esterilização porque isto só testa o ponto específico em que estão. É necessário utilizar indicadores biológicos e também químicos para simular estas condições de processo que são as mais difíceis de esterilizar (interior das caixas e mais precisamente dos canulados). Para simular essas condições de esterilização difíceis, dispositivos de desafio do processo são empregados nos quais o indicador biológico é colocado. Estes dispositivos de desafio do processo têm que ser adaptados para às reais condições dos itens a serem esterilizados. Para simular estas condições, embalagens porosas e artigos canulados são descritos em normas. Se bens canulados, como instrumentos cirúrgicos pouco invasivos (MIS) são utilizados, é necessário utilizar sistemas de canulados como um dispositivo de desafio do processo (PCD). Principais armadilhas das ofertas do mercado Sem a disponibilidade e o preparo específico para avaliar os produtos oferecidos, os consumidores são impelidos a utilizar PCDs e monitores de esterilização e limpeza pressionados pelas marcas de marketing mais agressivo. Os testes normalmente citados para monitorar esterilização nas normas EN 11140, EN 285, EN 867 são de difícil reprodução nos laboratórios brasileiros. Há a exigência da utilização de um equipamento denominado “resistômetro”, EN ISO 18472, que, de forma simplificada, assemelha-se a uma autoclave com câmara interna de dimensões reduzidas, com um potente e eficaz sistema de vácuo. Esse equipamento permite realizar testes NASCECME MAGAZINE | março 2017


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de esterilização, com uma inf luência insignificativa das fases de aquecimento e secagem. Desta forma, o resultado obtido é quase 100 % resultado da fase de platô, ou seja, esterilização propriamente dita. A responsabilidade do usuário. Nenhum dispositivo de teste de esterilização, tirará do usuário a responsabilidade pela interpretação correta do resultado e análise das causas. Um dispositivo negativado não indica com certeza que o produto está estéril. Fato esse reforçado ainda mais pelo uso de falsos PCDs. PCDs que prometem podem ser usados com quaisquer tipos de indicadores biológicos, ou quaisquer tipos de Integradores são na verdade uma grande farsa. Se o volume de ar contido no desafio canulado, puder se acomodar dentro da cápsula do PCD, então esse dispositivo é falso. A cápsula do PCD deve possuir um volume de ar desprezível se comparado ao volume de ar do tubo canulado, ou haverá penetração do vapor, mesmo que haja ar residual no tubo do desafio. Assim os testes devem sempre ser validados para as situações de uso e questionados quanto ao êxito na indicação de falhas. A melhor forma de entender sobre indicadores é a leitura das normas, onde o questionamento passa a ser fundamentado. Os usuários precisam conhecer melhor o que compram, não apenas com base nas informações comerciais, mas, preferencialmente com base na avaliação e validação comparativa dos monitores, escolhendo os que melhor sinalizem as falhas de processo e que permitam o monitoramento rotineiro seguro.

Roberto S. M. Pereira Engenheiro Graduado pela FESP, Participante de grupos ABNT para normas de embalagem, e monitores Químicos, Professor do Curso de MBA sobre fundamentos de Engenharia Clínica, Pós Graduado em Marketing pela FAAP, MBA em Gestão e Liderança pela Franklin Covery Brasil

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FILOSOFIA

Uma leitura alegre é tão útil à saúde como o exercício do corpo.

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CME

Teresinha N. de Oliveira EU SOU ENFERMEIRA DE CME A enfermeira de CME, Ana Miranda, entrevista a enfermeira de CME, Teresinha de Oliveira, na sessão de CME para CME.

Comente um pouco sobre sua trajetória profissional. Você sempre trabalhou em CME? Iniciei a vida profissional no sul do Ceará, na Cidade do Crato, no Hospital Regional Manoel de Abreu, de propriedade do Dr. Humberto Macário de Brito. Àquela época, recém-formada, assumi a função de “Enfermeira Chefe”. Eu era a única no hospital. Foi uma grande escola: instrumentar e auxiliar cirurgia, cuidados assistenciais, curativos, administração de medicamentos, banho no leito, liderança da equipe, relações públicas, serviço social. Sim, à Enfermeira cabia assumir atividades além da enfermagem. As limitações também eram muitas, ora pela pouca idade, ora pela falta de experiência profissional. Morava no Hospital, na ala de internação num dos apartamentos. Recém-chegada à cidade, vivia a profissão dia e noite. Depois fui explorar o outro lado e descobri um mundão lá fora. Foram cinco anos de muito movimento profissional e pessoal. De volta à Fortaleza, fui lotada no Hospital César Cals, onde fiz minha iniciação em CME. Fiz curso de aperfeiçoamento em CME no HGF com a Enfermeira Maria do Livramento Vale, uma das minhas inspirações, de onde veio o entendimento da dimensão do que fazemos, a transcendência do CME no cenário da saúde e na vida dos pacientes. O César Cals foi a maior referência de trabalho. Muitas oportunidades de aprendizado. Primeira experiência com vaNASCECME MAGAZINE | março 2017


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lidação da esterilização a vapor. Foi tão forte o vínculo que o denominei “meu marido”, porque me tornei conhecida como “Tetê do César Cals”. Portas se abriram e os horizontes foram ampliados. Participei da elaboração do Guia “Recomendações Práticas para Processos de Esterilização em Estabelecimentos de Saúde”, patrocinado pela 3M, elaborado por dezoito Enfermeiros brasileiros. Eu estava naquele grupo. Um sonho. O encontro com os meus ídolos (autores do livro). Ali conheci Ana Miranda, hoje minha amiga irmã. A saída do César Cals foi traumática, litigiosa. Resolvi buscar o HGF, berço do meu aprendizado em CME. Lá estou há dez anos. O CME do César Cals, fez uma reforma, depois da minha saída, me prestou uma homenagem emocionante. Leva meu nome. Graças à Deus pude sentir essa emoção e agradecer a generosidade dos profissionais pelo feito. Em meio a tantos acontecimentos, em 1999, Fortaleza recebe um novo empreendimento hospitalar: o Hospital Monte Klinikum. Idealizado e presidido pelo Dr. Hipólito Monte. O sonho de todo enfermeiro. O ícone da saúde no Ceará. Entrei para o corpo de Enfermagem do Hospital não pelo resultado da prova, mas pelo histórico profissional no César Cals. Nesse Hospital escrevemos a mais bela página da história da Enfermagem cearense em todas as especialidades. Recebemos a primeira certificação padrão OURO em monitorização da esterilização a vapor, um programa da empresa 3M, num grupo de oito hospitais brasileiros. Os demais são do Sul e Sudeste. Depois o Monte Klinikum recebeu a primeira certificação GLOBAL OURO em cinco áreas assistenciais. O diferencial? As pessoas e essencialmente a liderança do Dr. Hipólito. Muitos profissionais se referem a CME como “paixão”. O que significa CME pra você? Paixão mesmo. Tive excelentes referências. Lembro de ter participado de um evento promovido pelo Hospital Geral de Fortaleza (hoje, um dos locais onde trabalho). Naquele evento assisti pela primeira vez uma palestra da Dra. Maria Lúcia Pimentel. Fiquei encantada! Foi a primeira de muitas, porque eu me tornei fã. Ela empolgava e contagiava qualquer um com seu NASCECME MAGAZINE | março 2017


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entusiasmo, altivez e conhecimento do que fazia e falava. Ela passava uma segurança impressionante, um orgulho de ser Enfermeira de CME. Resolvi que queria ser “Ela” quando crescesse. Bom, não cresci, rs. Anos depois ela me convidou para participar como palestrante em um evento que ela promovia a cada dois anos em São Paulo. Foi minha estreia no púlpito. Sou grata até hoje. Ainda busco a cada dia me aproximar do meu objetivo. Ela semeou em mim essa paixão pelo meu trabalho na CME. Uma passagem marcante foi ser uma das autoras do trabalho premiado com o troféu Silma Pinheiro no INFECON. Significado especial por tudo que a Silma semeou nas boas práticas da CME e pela gratidão por tudo que ela representou na minha vida profissional. Como ser um bom gestor de CME considerando-se o contexto atual da saúde em nosso País? Um bom gestor é um líder por excelência. Alguém que prima pela qualidade e segurança na assistência. Que investe, incentiva os colaboradores, dá liberdade de expressão e criação. Já tive um gestor assim: que dava “asas” para alçar voo. Voei alto, alcancei o “céu de Brigadeiro”. O CME importava, tinha visibilidade, eram eventos, certificações, inovações e grandes feitos pela saúde da população. Então um bom gestor é dar o exemplo, ser referencial, importar-se com as pessoas, acreditar e valorizar o profissional independente da categoria, reconhecer os talentos. É fazer o melhor com as condições que se tem. Entender as diferenças, focar nas qualidades, dar oportunidades, autonomia, liberdade, colher os melhores frutos de cada um e com isso obter o melhor resultado. Você também compartilha da mesma opinião de outros profissionais que se auto intitulam “eu sou quase um enfermeiro (a) de CME?”. É tão simples assim ser enfermeiro de CME? Não dá para brincar de ser enfermeiro de CME. Aliás, essa profissão que guarda em si a ciência e a arte, não pode ser simulada ou ser “quase”. Ou é verdadeira e inteiramente ou não é. Ser Enfermeiro (a) vai além da graduação. O reconhecimento não é oferecido na “bandeja”, ele é conferido pelos méritos. NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Acompanhamos por diversos meios de comunicação, a recente notícia sobre a pesquisa que apontou os enfermeiros como os profissionais mais respeitados do Reino Unido. Houve inúmeros questionamentos se poderíamos ser merecedores do mesmo respeito aqui no Brasil. Qual sua opinião a respeito? Claro que somos merecedores. O Reino Unido reconheceu a importância do enfermeiro porque estamos em todos os cenários da vida: do nascer ao morrer. Lá, eles valorizam e reconhecem. Aqui no Brasil, os traços da história se ref letem até os dias atuais, a relação de gênero, a natureza do trabalho da Enfermagem. O “cuidar” no Brasil é atividade assemelhada aos afazeres do lar e isso não tem importância para os coronéis. Aqui, vale quem fala alto, quem tem poder e quem tem dinheiro. O império social. Nós precisamos nos apropriar do poder que temos pela liderança, pela qualidade do nosso “fazer”. Se tomarmos consciência e exercermos a cidadania que nos cabe, ninguém nos deterá. Somos imprescindíveis do amanhecer ao anoitecer; nos quatro cantos do mundo. Temos o constante avanço tecnológico com produtos para saúde cada vez mais complexos, com componentes de diversas matérias prima, alguns não desmontáveis e, em contrapartida, temos a literatura apontando para o aparecimento de bactérias multirresistentes. Como enfrentar tanto desafio no dia a dia da CME? O caminho para enfrentar esses desafios é o conhecimento e a consciência do nosso papel na sociedade. Devemos ser os soldados na defesa da garantia da segurança do paciente em todas as esferas. Esse processo começa em cada um de nós. Por isso precisamos formar um exército. Em uma palavra, o que representa para você: Família: tudo Amigos: certeza Fé: amparo

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Religião: caminho Parceiros: projetos Trabalho: dignidade


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Ao longo de vários anos você é membro da organização da Jornada Norte Nordeste realizada pela ABEN seção Ceará. Para quem esteve presente na 14ª Jornada realizada em 2016, pode perceber a sua alegria e a dos demais participantes, congressistas, apoiadores, patrocinadores e palestrantes. Qual o segredo de tanto sucesso? A Jornada é um sonho que sonhamos juntos, por isso se torna real. O segredo é a junção dos elementos essenciais à vida: a família, os amigos, a Fé, a religião, os parceiros e o trabalho. Daí o jardim f lorido. “Sozinhos somos pétalas. Juntos somos rosas.“ - Dr. Hélder Câmara. A jornada é um belo jardim que é semeada com amor, compromisso e todos os bons sentimentos e ações que cabem num projeto grandioso. Teresinha Neide de Oliveira por Tetê Família, meu referencial e minha razão de ser. Orgulho de ser Mulher, Enfermeira, Nordestina. CME minha paixão. Sou feliz e grata com a minha profissão pelas conquistas e sonhos realizados por ela e por meio dela.

Teresinha N. de Oliveira Enfermeira Especialista Assistencial do CME do Hospital Geral de Fortaleza da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, Assistencial do CME do Hospital Monte Klinikum, Consultora em CME, Representante do Portal NasceCME para as Regiões Nordeste e Norte.

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VITRINE

Dirceu Carrara & Márcia Takeiti T E M P O D E VA L I DA D E D E E S T E R I L I Z AÇ ÃO D E P R O D U T O S PA R A A S AÚ D E

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ara se estabelecer o tempo de validade de esterilização dos produtos para saúde, devem-se considerar todas as etapas do processamento propriamente dito que antecedem o armazenamento. A estrutura física para armazenamento de produtos para saúde e suas instalações na Central de Material e Esterilização requer um dimensionamento de acordo com a quantidade de produtos, o mobiliário e os equipamentos utilizados para armazenamento. Recomenda-se que o armazenamento de produtos para saúde seja centralizado em local exclusivo e de acesso restrito, não podendo ocorrer em áreas de circulação, mesmo que temporariamente. As condições ideais para estocagem são: setor fechado, janelas vedadas, ambiente limpo, com controle de temperatura e umidade por ter-

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mohigrômetro e armário de fácil visualização e acesso para o controle de lotes. A seleção das embalagens é estabelecida considerando-se requisitos adequados e de acordo com o método de esterilização. É imperioso respeitar as características intrínsecas a cada modelo e a constituição de embalagem para garantir bom êxito e segurança no armazenamento de produtos de saúde. O prazo de validade da esterilização está intimamente ligado ao “evento relacionado”, ou seja, se o pacote estiver armazenado em condições adequadas de controle, é considerado estéril desde que, também esteja íntegro e seco. Destaca-se, como atividade mandatória, sempre identificar o tempo de validade da embalagem (p. ex., papel grau cirúrgico, SMS, polietileno de alta densidade, algodão duplo). No Brasil, as condições de armazenamento


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representam o maior desafio para os gestores de CME, especialmente nos serviços que operam de maneira descontínua, pois muitos produtos acabam tendo seu prazo de validade expirado antes mesmo de serem utilizados. Analisando esse contexto, identificamos que o assunto é bastante escasso na literatura, assim podemos destacar a recente obra organizada em parceria com a Dra Tânia Strabelli e o Prof David Uip, “Controle de Infecção: a prática no terceiro milênio”.Para compor o livro foram selecionados os assuntos mais relevantes do controle de infecção e dentre eles, há um capítulo dedicado à validade de esterilização. Foram convidados autores de destaque em cada área de conhecimento. Cada autor pode registrar seu conhecimento e expertise fundamentados nas evidências científicas e nas experiências vivenciadas na prática profissional do controle de infecção. O livro trás um conteúdo atualizado e bastante prático, como o próprio título identifica. A preocupação foi justamente nesse sentido, uma obra que norteasse a organização e execução das atividades diárias dos profissionais envolvidos com o controle de infecção e que procuram melhorar continuamente seus serviços na busca da excelência e também aqueles profissionais que almejam organizar um serviço de controle de infecção na instituição de saúde onde atuam, seja no Brasil ou no exterior.

Autores: Dirceu Carrara | Tânia Mara Varejão Strabelli | David Everson Uip Editora: GEN

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VITRINE

Virgínia G. da Silva T E O R IA E P R ÁT I C A NA PREVENÇÃO DA INFEC ÇÃO D O SÍTIO CIRÚRGIC O

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Organizadoras

Adriana Cristina de Oliveira Maria Virginia Godoy da Silva

Autoras: Adriana Cristina de Oliveira Maria Virginia Godoy da Silva Editora: Manole

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TEORIA E PRÁTICA NA PREVENÇÃO DA INFECÇÃO DO SÍTIO CIRÚRGICO

A infecção do sítio cirúrgico constitui uma das complicações mais relevantes nos pacientes cirúrgicos em todo o mundo, levando ao aumento dos custos relativos a hospitalização, medicamentos e, por consequência, necessidade adicional de procedimentos invasivos. Tem também um forte impacto social, pois está associada com diminuição da qualidade de vida do paciente, absenteísmo e mortalidade. Teoria e prática na prevenção da infecção do sítio cirúrgico é um livro que reúne em seus capítulos “Infecção do sítio cirúrgico”, “Limpeza”, “Esterilização”, “Preparo da pele”, “Normotermia” e “Ferida operatória” os principais aspectos a serem observados para minimizar os riscos da ocorrência de tal infecção. O livro baseia-se em evidências científicas recentes. O texto foi produzido por profissionais experientes na área e se destina a alunos de graduação, profissionais que prestam assistência aos pacientes e pesquisadores que poderão vislumbrar lacunas a serem preenchidas.

Organizadoras

Enfermeira Doutora pela Universidade de São Paulo (USP), pós-doutorado pela Universidade de Nova York. Professora Associada do curso de graduação e pós-graduação da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Líder do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Infecção Relacionada ao Cuidar em Saúde da UFMG. Diretora Científica da Associação Mineira de Epidemiologia e Controle de Infecções (AMECI). Pesquisadora (BP-1D) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Adriana Cristina de Oliveira Maria Virginia Godoy da Silva

Adriana Cristina de Oliveira

infecção do sítio cirúrgico constitui uma das complicações mais relevantes nos pacientes cirúrgicos em todo o mundo, levando ao aumento dos custos relativos a hospitalização, medicamentos e, por consequência, necessidade adicional de procedimentos invasivos. Tem também um forte impacto social, pois está associada com diminuição da qualidade de vida do paciente, absenteísmo e mortalidade. Teoria e prática na prevenção da infecção do sítio cirúrgico é um livro que reúne em seus capítulos “Infecção do Sítio Cirúrgico”, “Limpeza”, “Esterilização”, “Preparo da Pele”, “Normotermia” e “Ferida Operatória”, os principais aspectos a serem observados para minimizar os riscos da ocorrência de tal infecção. O livro baseia-se em evidências científicas recentes. O texto foi produzido por profissionais que prestam assistência aos pacientes e pesquisadores que poderão vislumbrar lacunas a serem preenchidas.

Organizadoras

Adriana Cristina de Oliveira Maria Virginia Godoy da Silva

Maria Virginia Godoy da Silva

Enfermeira. Doutora em Enfermagem pecialista em Enfermagem em Centr rúrgico, Centro de Material e Esteriliz e Recuperação Anestésica pela Esco Enfermagem da Universidade de São lo. Professora Adjunta da Faculdade d fermagem da Universidade do Estad Rio de Janeiro.


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VITRINE

Saulo Adami H O M E M NÃ O E N T E N D E NA DA ! A R Q U I VO S S E C R E T O S D O P L A N E TA D O S M A C A C O S

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ste livro – que tem mais de 600 páginas e 200 fotografias e ilustrações – começou a ser escrito em 1978. É a mais completa obra sobre o universo Planeta dos Macacos. Do livro de Pierre Boulle aos filmes de Arthur P. Jacobs. Dos seriados de televisão à literatura. Das histórias em quadrinhos à volta ao cinema. Entrevistas exclusivas com atores e técnicos, a história dos bastidores das produções para cinema e televisão: criação e aplicação da maquiagem que deu o Oscar a John Chambers; criação dos figurinos; a construção das cidades cenográficas e outras histórias jamais contadas! Saulo Adami é autor de outros três livros sobre o assunto, ele criou e coordena para a Editora Estronho a coleção TV Estronho, pela qual já publicou: Perdidos no Espaço (2016), com Carlos Gomes, e Shazan-Xerife & Cia. (2017).

Autor: Saulo Adami Editora: Estronho

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VITRINE

Maria Júlia P. da Silva “COMUNICAÇÃO TEM REMÉDIO – A COMUNICAÇÃO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS EM SAÚDE”

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livro chama a atenção para a importância da afetividade no dia-a-dia do trabalho hospitalar, tanto no tratamento dos pacientes quanto na relação entre profissionais de saúde, apresentando a aplicação concreta de técnicas de comunicação interpessoal, seja na dimensão verbal e na dimensão não verbal. Expõe situações que ensinam a importância das expressões faciais, das posturas corporais, da distância que se mantém das pessoas, da linguagem utilizada pelo profissional e pelo paciente.

“O AMOR É O CAMINHO MANEIRAS DE CUIDAR”

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livro traz histórias reais tiradas da experiência da autora, tanto de sua vivência nos hospitais, quanto em sala de aula, ref letindo seriamente sobre o papel de todas as pessoas na humanização dos serviços de saúde. O texto, entretanto, pode auxiliar não apenas os profissionais, mas a todos que já passaram ou que ainda vão passar por uma experiência hospitalar, seja pessoal, seja familiar. Autora: Maria Júlia Paes da Silva | Editora: Edições Loyola

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Imagem: Internet

FILOSOFIA

A saúde é o resultado não só de nossos atos como também de nossos pensamentos.

Mahatma Gandhi NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Suzy Altran C OLU N ISTA

S AÚDE PÚBLICA NO S T EM P O S MODER NO S

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ivenciamos um verdadeiro caos na saúde pública nos tempos modernos. Tempos estes de uma evolução surpreendente com tecnologia de ponta, computadores de última geração, mas de uma miséria total no que diz respeito ao ser humano. A evolução não chega em muitos lugares, citando de imediato, a saúde de milhares de beneficiários de planos e seguros de saúde com problemas dos mais variados possíveis, entre outros, mas não se limitando a, artrose grave de quadril, implantação de “stent”, que vem acometendo pessoas de todas as idades. No caso de a necessidade de se submeter a uma cirurgia para implante de prótese, muitas das vezes mesmo sendo o procedimento autorizado pelo médico especializado, convênios médicos insistem em barrar a disponibilidade das próteses prescritas, insistindo que sejam utilizadas aquelas de sua indicação e comercialização. Sabese, todavia, que ninguém melhor que o médico especialista em Ortopedia para indicar qual prótese com melhor qualidade será oferecida para seu paciente. Abusivamente, vê-se hoje a atuação da “máfia das próteses” (há muito já denunciada pela sociedade, inclusive por meio de

programas televisivos em canais abertos) que promove a comercialização de forma ilegal e desrespeitosa para com aquele que mais precisa de ajuda, prejudicando a recuperação e eficácia de condição de vida melhor do paciente, influenciando, muitas vezes na prescrição médica. Idosos são presas fáceis de convencimento de planos de saúde que oferecem próteses de qualidade inferior (muitas vezes de origem nacional) àquela solicitada pelo médico especializado em relação as importadas. Por motivos de desconfiança de resolução e durabilidade de próteses de procedência duvidosa, os Tribunais de Justiça vêm recebendo de usuários de planos de saúde inúmeras ações de obrigação de fazer por restrição de material. Reza o artigo 370 do Código de Processo Civil de 2015: “Caberá ao juiz , de oficio ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. Parágrafo único: O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias”. Assim, o juiz passa a ser o destinatário das provas a ser produzidas no processo judicial, cabendo a ele (juiz) averiguar sobre a necessidade ou não de sua realiza-

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ção, pois a cobertura de materiais cirúrgicos prescritos pelo médico que assiste o paciente é e sempre será um direito garantido pela legislação em vigor, ou seja, fica por conta do médico a decisão dos materiais a serem empregados no procedimento cirúrgico. Via de regra, se o médico não pode determinar com qual fabricante ou fornecedor o material será adquirido, bem como limitar medicamentos e equipamentos necessários para tal procedimento, o mesmo critério serve para o plano de saúde que também não pode modificar nenhuma conduta médica, entendimento esse há muito consolidado pela jurisprudência (que nada mais é do que a reunião de reiterados entendimentos sobre um determinado fato). Vê-se todos os dias uma afronta ao inciso IV do artigo 51 do Código de Defesa do Consumidor, que aduz: “Artigo 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: Inciso IV –estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa fé ou a equidade”. Prescreve, ainda, a Súmula 102 do Tribunal de Justiça do Estado


Imagem: Depositphotos

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de São Paulo: “ Havendo expressa indicação médica, é abusiva a negativa de cobertura de custeio de tratamento sob o argumento de sua natureza experimental ou por não estar previsto no rol de procedimentos da ANS”. Por fim, há de se ressaltar o respeito à moral e dignidade de todo paciente deverá ser preservada pelo médico especialista e respeitada pelos planos de saúde, esses no oferecimento de materiais cirúrgicos e próteses e órteses de qualidade superior para uma adequada execução dos procedimentos. No egoísmo de uma sociedade consumista onde se recusa o fornecimento de medicamentos de uso contínuo, materiais necessários a sobrevivência humana e equipamentos, o direito se faz necessário para que o paciente busque amparado no Poder Judiciário com o recebimento da prestação jurisdicional digna com o auxílio de um bom advogado que certamente

buscará, primeiramente autorização legal de forma liminar à realização da cirurgia e/ ou tratamento médico específico e, ao depois, por meio de confirmação da sentença judicial que certamente fará por condenar aquele plano de saúde (em danos materiais e morais) que se recusou prestar um bom serviço. Vale refletir que os contratos de prestação de serviços de saúde que estão previstos na legislação específica, sob a mira do princípio da dignidade da pessoa humana, frisam a saúde, dentre outros direitos sociais fundamentais à dignidade humana da Constituição da República Federativa do Brasil.

Dra Suzy Altran Advogada OAB 110303 | Formada em Direito (1987) pela Universidade de Mogi das Cruzes | Advogada Dativa no Forum Regional Penha De França | Sócia Co-Fundadora no escritório Curzio&Altran Advogados | Pós Graduada em Direito do Trabalho pela UNG - Universidade de Guarulhos | Professora de História formada pela Unicid Universidade Cidade de São Paulo | Palestrante e Professora na ETEC - Escola Técnica Estadual de São Paulo Tiquatira – São Paulo/SP NASCECME MAGAZINE | março 2017


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Sarah Fernandes C OLU N ISTA

Imagem: Depositphotos

DIABETE S

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enfermidade Diabetes é uma síndrome de Etiologia Múltipla caracterizada pela ausência e/ou dificuldade da Insulina exercer sua função. Ocasiona desta maneira hiperglicemia crônica pela destruição das células beta do pâncreas por exemplo com problemas no metabolismo de lipídeos, carboidratos e proteínas. Como resultado há falência e disfunção dos órgãos: olhos, rins, coração, vasos sanguíneos e nervos. Está configurada como epidemia mundial, e os grandes influenciadores são: obesidade, má alimentação e sedentarismo. Dois tipos bem comuns de Diabetes são: Diabetes tipo 1 que já teve o nome de Diabetes Juvenil e o Diabetes Tipo 2 que era classificada como Diabetes do Adulto. Vamos conhecer primeiro a Diabetes Tipo 1: é quando o sistema imunológico ataca as células beta e desta maneira pouquíssima ou

nenhuma insulina é liberada para o organismo. Como consequência a glicose permanece no sangue. De modo genérico, o Tipo 1 aparece em crianças e adolescentes mas há chances de adultos serem diagnosticados. Já a Diabetes Tipo 2 age da seguinte forma: surge no momento em que o organismo não administra corretamente a insulina que produz ou não gera quantidade suficiente para controlar a glicemia. Os adultos são os principais portadores dessa enfermidade. É encontrada também a Diabetes Gestacional, que é caracterizada pelo aumento de glicose na corrente sanguínea pelo fato da placenta reduzir a ação da insulina e o pâncreas aumentar a produção para obter a reversão. Por fim, há a Diabetes Tipo LADA que é o mais raro. A característica é: surge a partir dos 35 anos de idade e é autoimune. Sem o tratamento adequado pode

ocasionar nefropatia, neuropatia diabética entre outras sequelas. Exalta-se nesta coluna que todos os pacientes precisam manter bons hábitos alimentares, exercícios físicos e exames sazonais em especial, quando há histórico familiar.

Sarah Fernandes Graduada em Farmácia Generalista pela Universidade São Judas Tadeu. Pós-Graduação em Farmacologia Clínica. Maior vivência no Sistema Único de Saúde (SUS) - Posto de Atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Experiência de um ano em pesquisa, desenvolvimento e aprimoramento de produtos e fármacos, contatos com fornecedores, garantia da qualidade, análises clínicas. Experiência em hospital, atuação com enfermeiros e médicos. Controle de qualidade de cápsulas, recebimento de matéria-prima e seu cadastro, fracionamento de matéria-prima, organização dos laboratórios e seus pertences. Aplicação de injetáveis e coleta sanguínea. Graduada em Serviço Social.

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O QUE A VIDA ME ENSINOU

Silvana Miranda G R AT I DÃO. SE M P R E !

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raças a Deus, mais um ano começa. Terminei o ano agradecendo e começo o novo ano fazendo o mesmo. E não por falta de imaginação, mas sim por excesso de consciência: consciência de que, apesar de tantos percalços, Deus sempre esteve conosco, nos protegendo e nos fortalecendo. Foi um dos anos mais difíceis de nossas vidas, mas também um ano de vitórias, livramentos e bênçãos. No início do ano de 2016, fui diagnosticada com câncer, e foi uma barra tremenda, foram horas de reflexão, choro, questionamentos, mas nunca de murmuração. Confesso que por vezes pensei em não fazer o tratamento, já que acompanhei de perto todo o sofrimento de minha mãe, que teve o mesmo problema, mas, olhando minha família, tão ansiosa por minhas atitudes que sempre foram positivas, não tive como desistir. Sim, comecei o tratamento por minha família e, no decorrer das postagens, recebi tantas palavras de apoio, de carinho, de solidariedade, que só me impulsionaram mais e mais. Só quem faz quimioterapia sabe o que sentimos, só quem passa pelo problema sabe o que digo. Deus colocou pessoas em minha vida tão especiais, tão boas, tão sensíveis, tão solidárias que, por inúmeras vezes, me emocionei e sucumbi às lágrimas. É claro que Ele também colocou pessoas egoístas e sem noção em meu caminho, mas estas, sinceramente, nem vale a pena comentar. Na verdade, todos nós temos nossas falhas e necessitamos da misericórdia de Deus. Terminei o ano quase sem cabelos, mas, confiante de que Deus tem o melhor para mim. Os tumores têm diminuído e respondido bem ao tratamento, que está apenas na metade. Creio que o pior já passou, e caso não tenha passado, Deus me dará forças para enfrentar apenas mais estes obstáculos, de tantos outros que já tive que enfrentar. Não me sinto doente, mas, não nego a doença. Apenas não me sinto doente porque não sinto dores, nem desconforto, nem o câncer me impede de fazer nada, somente quando faço quimioterapia. Mais uma vez, o meu sentimento é gratidão pois, tudo isso, uniu mais minha faNASCECME MAGAZINE | março 2017


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mília e também pude sentir o carinho de tantas pessoas por mim; fiquei surpresa e tocada. Mudei, mudei bastante com este turbilhão de sensações boas e ruins. Não perdi minha essência, mas mudei. Melhorei, progredi, vejo as coisas de outra forma, encaro a vida com menos cobrança de mim mesma. Eu, que tinha mania de fazer tudo na hora, sem poder esperar um minuto, mania de arrumação, mania de perfeição, mania, mania, mania. Eu, que no início, sequer conseguia me olhar no espelho, sequer conseguia sair à rua, hoje me pego passando maquiagem, usando maxi colares e maxi brincos, roupas coloridas. Larguei os turbantes e ouso sair descoberta de vergonhas e pudores. Eu, que sempre me policiei e me cobrei, me aceito, me olho e gosto do que vejo, de quem vejo. Poder falar abertamente sobre os problemas nunca foi obstáculo para mim e tem sido menos ainda, já que percebi que muitos têm necessidade de ouvir e falar sobre doenças como câncer, problemas conjugais ou pessoais. Acho que este meu jeito, certas vezes irreverente, ajuda bastante. Tiro sarro de mim mesma, rio dos meus problemas e tropeços, enfim, sempre fui assim e me faz bem. Mais uma vez, agradeço a Deus por minha vida, pela minha família e amigos, por pessoas que me param na rua e me dão um abraço, por amigos de amigos que tem acompanhado a minha luta, pelos que me ligam, me mandam mensagens, me visitam e intercedem por mim. Por pessoas de outras cidades, outros estados, outros países. Como é bom saber que o ser humano é solidário. Não posso deixar de agradecer pela vida de meu marido, que há 34 anos está comigo e que ultimamente tem se dedicado mais intensamente à minha saúde. Há 34 anos começamos só nós dois, e agora, filhos criados e casados, somos só nós dois novamente.

Silvana Miranda 52 anos, paulistana, casada há 31 anos com Amarildo Oliveira, 52 anos, paranaense; mãe de dois filhos já casados: Douglas, 29 anos e Diogo, 27 anos. Um fato inusitado é que meu marido e eu nascemos no mesmo dia, mês e ano. Moradora da cidade de Itapevi/SP há 27 anos, cidade onde abrimos uma empresa de prestação de serviços há 15 anos, que gerencio até hoje, junto a meu marido. Amo artesanato, música, cozinhar (e comer), dirigir, viajar, a natureza e reuniões festivas de familiares e amigos, razões pelas quais nos motivaram a morar em chácara. Sou cristã evangélica, membro da Primeira Igreja Presbiteriana de Itapevi, sócia fundadora do Lions Clube de Itapevi Centro, onde também posso ajudar e fazer o bem a quem necessita. Admiro simplicidade, sinceridade e honestidade.

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FILOSOFIA

Mede a saúde pela alegria que te causam a manhã e a primavera.

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Revista Digital NasceCME  

Direcionada para a área de Central de Material e Esterilização (CME), saúde e público em geral, o objetivo da Revista Digital NasceCME é con...

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