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A L Q A N T A R A

P U B L I C A Ç Ã O

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PUBLICAÇÃO

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(ALCÂNTARA) # 1

∙ Projecto de Comunicação ∙ ∙ Fotografia ∙ (analógia e digital) ∙ Edição ∙ NARCISO GUERREIRO CUSTÓDIO

+ narciso5211@gmail.com

+ Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa JULHO AGOSTO 2012

# 1

(ALCÂNTARA) A

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PUBLICAÇÃO

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A



Entristece? Talvez não. CRISE + DEGRADAMENTO

URBANO

O P O R T U N I D A D E

C R I A T I V A


N O T A I N T R O D U T Ó R I A

A L - Q A N T A R A ( n o m e d e r i v a d o d a l í n g u a á r a b e ) é uma revista de cariz intervertido com o objectivo de alertar para a problemática da degradação da cidade. A necessidade de fazer uma P U B L I C A Ç Ã O (janela

para

a

realidade)

prende-se com a passividade dos cidadão que moram na cidade e a inquietação dos que nela habitam. Morar é uma acção vazia em que não olhamos de dentro da nossa casa para fora, através das nossas janelas para o estado físico dos prédios que nos rodeiam pois h a b i t a r diz respeito ao envolvimento e ao cuidado a ter para com a nossa cidade. — O estado da zona de Alcântara é problemática e carismática ao mesmo tempo. Apesar de não existirem dados relativamente ao número de casas se encontram vazias e abandonadas, qualquer cidadão, mesmo os menos atentos, ao passarem por esta zona pós-industrial, deparam-se com baldios e devolutos que empobrecem e entristecem a zona.

→ Entristece? Talvez não. Se não se quiser agir e apenas lamentar Alcântara é uma boa zona para se chorar junto a paredes velhas e vidros partidos. Agora, quem quiser ou tiver uma boa ideia e precisar de um espaço (grande ou pequeno) Alcântara é uma excelente zona de visita / trabalho e de investimentos. Mas falta de propostas não faltam, mas as burocracias as burocracias…

→ Projectos realizados? alguns hotéis e casa de "luxo". — Aproveitamento Urbano? (mesmo mal explicados) LX Factory e alguns armazéns restaurados por empresas. — Ideias e locais? ficam aqui algumas..


I N D I C E

9 A L C Â N T A R A

12/13 U T I L I D A D E S O C I A L D A A R Q U I T E C T U R A

16/17 C O E S Ã O S O C I A L N A S C I D A D E S

22/23 L X F A C T O R Y

24/25 C O N T E N T O R E S C O M V I D A

26/27 C I D A D E C R I A T I V A


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O seu nome deriva do árabe al-qantara , que significa “ponte” . Assim se chamava a ponte que atravessava a ribeira nessa área, que acabou por se chamar ribeira de Alcântara. Alcântara é uma freguesia portuguesa do concelho de Lisboa, com 4,39 km² de área e 13 943 habitantes (2011) .

O crescimento de Alcântara fez com que, na remodelação das freguesias de 8 de Abril de 1770, fosse transferida para lá, a que até então era a freguesia de S. Pedro em Alfama. Em 1780, foi acrescentado parte do território a leste da ribeira que pertencia à freguesia de Senhor Jesus da Boa Morte; em 1959, esse mesmo território foi integrado na freguesia dos Prazeres. Moravam nessa época 4769 pessoas na freguesia. As fábricas continuavam a fixar-se, contribuindo para o crescimento da população; em 1801 a freguesia já tinha subido para os 9830 habitantes. A partir de 1840 a população deixou de crescer; pouco antes, em 1833, uma epidemia de cólera tinha reduzido a população a 6627 pessoas. A construção da Estrada da Circunvalação de Lisboa, em 1852, que marcava os limites da cidade, dividiu a freguesia em duas partes: intramuros e extramuros. Com a criação do Concelho de Belém, a freguesia passou a fazer parte dos dois concelhos, Alcântara intramuros pertencia a Lisboa, eAlcântara extramuros fazia parte de Belém. Porém, quando o concelho de Lisboa se alargou até Algés, a freguesia voltou a ficar unida. Mesmo com a epidemia de febre amarela que se fez sentir no ano de 1857, a população cresceu; tinha 22745 habitantes na viragem para o século XX.

Para esse aumento contribuiu sobretudo o crescimento no sector dos transportes públicos. Em 1864, operava na freguesia a Companhia de Carruagens Lisbonenses; os Americanos chegaram em 1870; em 1901, construção da linha de eléctricos entre o Terreiro do Paço e Algés. Os caminhos de ferrotambém começaram a servir a freguesia (1887), tendo sido criado primeiro o troço entre Sintra e Alcântara-Terra. A última foi prolongada, em 1891, até Alcântara-Mar ligando-se assim até Cascais. Este novo troço implicou a conquista de terreno ao rio Tejo, facto que adicionou também mais terreno para que novas fábricas pudessem abrir no local. A população começou a aglomerar-se em bairros nomeadamente o Bairro de Santo Amaro e o Bairro do Calvário. Na primeira metade do século XIX houve alguns acontecimentos relevantes na freguesia, dos quais se destacam a estada do General Junot, em 1807, durante as Invasões Francesas; a construção de um celeiro público em 1811, do Chafariz da Junqueira (1821), do Chafariz da Praça da Armada (1846) e o estabelecimento de uma carreira de ómnibus para Belém. O sector da indústria continuava a crescer em Alcântara, sendo que as estamparias etinturarias predominavam nas muitas fábricas que aí trabalhavam.

∙9∙


▶ “

Digo:

L I S B O A” “L I S B O A” Quando atravesso - vinda do sul

- O RIO

E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturnaEm seu longo luzir de A Z U L e rio ...................................................................................................................

D I G O ..............

L I S B O A — D I G O

P A R A

V E R

P O E M A:

Sophia de Mello Breyner Andresen LISBOA

∙ 10∙

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P O R Q U E


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.......................................................................................... Em seu corpo amontoado de colinas Vejo-a melhor porque a DIGO.......

Tudo se mostra melhor porque DIGO.......

PORQUE

DIGO ..............

[

Tudo mostra melhor o seu ESTAR e a sua CARÊNCIA

L I S B O A com seu nome de S E R e de N Ã O - S E R Com seus meandros de espanto insónia e lata E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro

∆ ∆

Seu conivente SORRIR de I N T R I G A eMÁSCARA Lisboa cruelmente construída ao longo

da sua própria A U S Ê N C I A

DIGO O NOME DA CIDADE - DIGO PARA VER

L I S B O A”

L I S B O A”

∙ 11 ∙


U T I L I D A D E S O C I A L ∆ Que diz respeito à sociedade. Que tem tendência para viver em SOCIEDADE. SOCIÁVEL≠INSOCIAL

Os arquitectos são hoje forçados, pelo próprio condicionalismo socio-económico em que a sua actividade se exerce, a interrogar-se sobre o tipo de responsabilidade social da arquitectura e sobre a rentabilidade social da sua função de arquitectos. Entendendo a arquitectura como modelação de espaços praticáveis interiores ou exteriores ela não pode, porém, ser considerada um «luxo» desde que, através do trabalho de grupo e do diálogo com as Ciências Humanas, se situe numa relação dialéctica com a realidade social. PERGUNTAS QUE SURGEM AO HABITAR A CIDADE NOS DIAS DE HOJE: ?

Qual é verdadeiramente o TIPO DA RESPONSABILIDADE da arquitectura? Qual a «UTILIDADE SOCIAL» da actividade profissional do A R Q U I T E C T O ? Ordenando as dificudades podemos talvez detectar para a arquitectura, TRÊS N Í V E I S FUNDAMENTAIS DE PROGRESSIVA a RESPONSABILIZAÇÃO

SOCIAL

d 1

a arquitectura é uma ACTIVIDADE APENAS ARTÍSTICA e como tal enquadrada em esquemas de estética, filosofia, sociologia da arte,...;

2

a arquitectura como actividade que reflecte vários tipos de preocupações, revela ao arquitecto a gravidade dos problemas à escala nacional (problema da habitação, urbanístico, da planificação do território), mas é através de outro tipo de acção que se vai medir não a responsabilidade do arquitecto enquanto arquitecto, mas a sua responsabilidade de homem;

3

como actividade enraizada sociologicamente, a arquitectura ela própria responde e propõe novas formulações das necessidades, comportamentos e aspirações do homem de hoje.

∙ 12 ∙


r u a A R C O d e A

∙ 13 ∙

L C Â N T A R

D A

A R Q U I T E C T U R A A

T E X T O:

Pedro Vieira de Almeida, Da Utilidade Social da Arquitectura;


∆ B E C O

D E S C O N H E C I D O C O M

V I D A

P R E V I L I G I A D A

VISTA

[ 

ABANDON ADO

LX factory

ABANDON ADO

CIDADE SEM COESÃO É COMO CIDADE SEM CIDADÃO A l ai n B o u rd i n

∙ 14 ∙


atravessa alcântara de lés a lés

RECUPERADO

RECUPERADO

RECUPERADO

[

ponte 25 de abril

ABANDON ADO

VIDA LOCAL

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C E S Ã O S C I A L N A S C I D A D E S

Qualidade de uma coisa em que todas as partes

estão ligadas umas às outras.

UNIÃO CO N E X Ã O

∆ ∆ ∆

COMPOSIÇÃO ESPACIAL

A COERÊNCIA DAS CIDADES t t t t t t t t t t tradicionais não se baseava na sua composição espacial, mas no facto de que elas constituíam sociedades organizadas e hierarquizadas. Hoje, a realidade urbana é sociologicamente diversa, fragmentada, contraditória, e já não tem quase nada de uma sociedade. Nada permite pensar que seja de outra forma amanhã. COMO VIVER E AGIR EM CONJUNTO NESTE CONTEXTO? ?

Para evitar um urbanismo P O L I C I A L, não existe outra via senão desenvolver um urbanismo de coesão social. E a ideia de coesão social, ainda cheia de incertezas, necessita de um grande trabalho de elaboração, na TEORIA e na ACÇÃO. ..............................

++++++++ O URBANISMO DEFENDE QUE A CIDADE “FAZ SOCIEDADE”. Por vezes, pretende pôr em ordem esta sociedade.

Esta hipótese, durante muito tempo razoável e justificada, perde todo o valor. O que resta das sociedades urbanas constituídas não impede o enfraquecimento tendencial das estruturas sociais localizadas e o domínio de laços electivos ou contratuais, por vezes frouxos e frágeis, que provêm de compromissos individuais. Isto traduz-se de forma diferente nas M E T R Ó P O L E S e nas C I D A D E S M É D I A S. As primeiras constituem uma meada de relações muito enredada, as segundas, os fracos laços e as conexões a redes longínquas.

∙ 16 ∙


T E X T O:

»

CIDADE

Alain Bourdin; Um Urbanismo de Coesão Social;

»

A

FAZ SOCI

(E)

DADE

» ++++++++++++++ Nos países mais mundializados, a CIDADE - COMUNIDADE já não existe senão em p e q u e n a d i m e n s ã o e e m z o n a s e s q u e c i d a s , salvo se ela se tornar um gueto de ricos ou de emigrantes.

O B A I R R O - A L D E I A ainda presente nas f a n t a s i a (s) de muitos urbanistas já não tem outra realidade. Querer restaurar uma sociedade urbana ou um bairro-aldeia que já não pode existir não é solução. Viver em conjunto já não tem senão relações muito limitadas com a proximidade física, o que não impede que esta seja uma preocupação do urbanismo.

S URBANOS.

∙ 17∙

A partilha dos mesmos direitos produz reconhecimento; A sua operacionalização e o seu desenvolvimento constituem um p ro j e c t o c o l e c t i v o . A sua existência tem consequências para o urbanismo, porque se encarrega de os inscrever nos equipamentos e nos serviços. É mesmo possível fazer a cidade a partir da operacionalização dos direitos. O direito ao acesso para os deficientes motores e deficientes visuais ou cegos pode orientar um conjunto de escolhas respeitantes à arquitectura ou ao ordenamento do espaço público e tornar-se um recurso em lugar de um constrangimento. A definição rigorosa, a articulação e a hierarquia dos direitos urbanos - com as dificuldades e controvérsias que isso acarreta - constituem um quadro de referência de um urbanismo preocupado com a coesão social. Amanhã o urbanismo concederá grande atenção a estes direitos urbanos, em especial aos novos direitos.

Outra via que conduz igualmente à coesão social passa pela constituição e pela afirmação dos D I R E I T O

QUAIS SÃO ELES? DIREITO AO

A C O L H I M E N TO

DIREITO À

SEGURANÇA

DIREITO À

MOBILIDADE E AO ACESSO

DIREITO A

UM AMBIENTE SATISFATÓRIO


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D E S C O N H E C I D O

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Abertura para E N T R A R ou S A I R. Peça que · F E C H A (R) · essa abertura. ACESSO

C

∙ 18 ∙

ADMISSÃO

E


Do lado de fora não passa apenas de mais uma porta numa fachada descaracterizada e abandonada. Apesar do seu ornamento é confundida com tantas outras na mesma zona que aparentemente à Oà A E AA R L GT UE M A. N Ãà OO S S O C AE SC SEOS AS POA RA T P A L G U M A.

//////////////////////////////////////////////

A

RECEPÇÃO

Quando aproveitando uma falha nos vidros se espreita para o INTERIOR do edificio, surge a sala de atendimento de uma antiga empresa de MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO.

apesar do aspecto fantasmagórico mantémse “intacta”, ainda se pode ler a sua função numa placa, e observar os posters pendurados pelos seus trabalhadores. ∆

∙ 19 ∙


N Ã O

.................................................................

D I R E I :

Que o silêncio me sufoca e me amordaça. . .

SILÊNCIO SILÊNCIO SILÊNCIO

Pois que a língua que falo é doutra R A Ç A . Palavras consumidas se acumulam, · Se represam, CISTERNA DE ÁGUAS MORTAS,

Á c i d a s m á g o a s em limos transformadas,

[ 

CALADO E S T O U , CALADO ESTAREI

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Vasa de fundo em que há raízes tortas. NÃO DIREI:

Q u e n e m s e q u e r o e s f o r ç o de as dizer merecem, ·

Palavras que não digam quanto sei Neste retiro em que me não conhecem.

.. ..

Nem só todos se arrastam, nem só lamas, Nem só animais, bóiam, mortos, medos, Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam

.................................................................................

No N E G RO P O Ç O de onde sobem dedos.

[

!

Só direi, Crispadamente recolhido e mudo, Que quem se cala quanto me calei Não poderá morrer sem dizer tudo.

!

CALADO NO S I L Ê C I O

P O E M A:

José Saramago; Poema à boca fechada;

∙ 21 ∙


O A

LX

LxFactory

nasceu

no

espaço

da

· ANTIGA COMPANHIA DE FIAÇÃO E TECIDOS LISBONENSE ·

século

rio

em

co

tempo,

XIX,

junto

Alcântara, numa

ao

e

Largo

do

converteu-se,

ilha

criativa

Calvá-

em

na

pou-

cidade.

Com cerca de 120 empresas e espaços comerciais instalados, é hoje um ponto obrigatório de visita.

— A LXFactory foi criada pelo grupo de investimentos imobiliários MainSide para gerir o espaço comprado à GRÁFICA MIRANDELA . No projecto da empresa para o local estão previstas zonas de habitação, co-

do

+ + ILHA + CRIATIVA + +

mércio e serviços, mantendo a faceta industrial nos três edifícios principais, para não descaracterizar a zona, e não se perder parte da história da cidade. . . . . . . . . . . . . .

LX

A construção deste complexo fabril remonta à década

de

40

do século XIX e foi dos primeiros a adoptar uma tipologia típica da arquitectura do ferro em Portugal.

— Na

antiga

fábrica

de

tudo

um

pouco:

agências de publicidade, produtoras de cinema, moda e audiovisuais, ateliers de design e arquitectura, músicos, uma escola wde dança, restaurantes, esplanadas e até uma livraria, que espelha todo o ambiente fabril desta mini cidade criativa. ∙ 22 ∙

“ arquitectura do ferro”


++++++++++++++++

maismenos ± (1981) é um projecto de intervenção crítica de Miguel Januário, que questiona as implicações sociais do corrente modelo de gestão política, social e económica. —

· -LX-

Numa repleta tos, R

a E

de

prédios

LxFactory N

T

e

Lisboa espaços

devolu-

que

possível

demonstra

A

B

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L

I

é Z

A

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e contornar problemas de uma forma inteligente,

HAJA CRIATIVIDADE E DOIS DEDOS DE TESTA . . . . . . . . melhor exemplo de reabilitação urbana em Alcântara

reabilitar

▶ L I S B O A L X

»

talvez

F A C T O R Y

ou em

» fábric a dos sonhos ∙ 23 ∙


CONTENTORES ? A L C A N T A R A

( *** )

C O M V I D A !

( projecto de Hong Kong ) JAPÃO

O projeto Container Art é um projeto de arte provenientes de Hong Kong e é baseado no conceito de se mover ao redor do mundo por meio do contentores proporcionando uma jornada extraordinária de arte. (***) QUANDO A ARTE SE CONECTA COM UM CONTENTOR, TORNA-SE UM OBJETO FUNCIONAL, CONFERINDO-LHE VIDA PRÓPRIA.—

x

x

x

Este projecto de arte combina a criatividade de artistas, com especialistas do sector empresarial que juntam as mãos para descobrir um projecto de vida enriquecedor.

***

∆ j o r n a d a e x t r a o r d i n á r i a

d A

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e E

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∙ 24 ∙

TEXTO E FOTOGRAFIA: http://www.artcontainer.hk/index.html

x


VIAGEM ▶

3

partes

·

3

anos

1

Na primeira parte, os artistas participantes irão criar obras de arte no corpo dos contentores que assim estão prontos para a primeira viagem. — Através dos trabalhos, os artistas expressam não só a sua criatividade, mas também as suas preocupações com diferentes questões sociais. Esta parte inclui também projectos comunitários e escolares, permitindo que os membros do público participem.

2

As actividades da segunda parte serão realizadas após a partida dos contentores, incluindo pesquisa de arte relacionada com várias partilhas e intercâmbios. — Instituições fronteiriças e várias organizações serão convidadas a ajudar a acompanhar o intercâmbio cultural e a influência trazida pelos contentores que chegam aos diferentes locais. Artistas locais e exteriores terão a oportunidade de comunicar e mostrar suas obras.

3

A terceira parte será de grande escala, sob a forma de arquivo, pesquisa e exposições realizadas com o retorno da viagem.

— A viagem primeiro foi

CONTAINER iniciado em

ART 2008.

— ▶

x

x

x

x

Inúteis? Parte da Paisagem? ( *** )

SIGAM OS BONS EXEMPLOS

∙ 25 ∙

!


C I D A D E C R I A T I V A

latim civitas, -atis, condição de cidadão, direito de cidadão, conjunto de cidadãos, cidade, estado, pátria

COMO HORIZONTE

!

A ideia de que o urbanismo liberal se faz a partir da cidade, repousa sobre uma constatação: poucas cidades, sobretudo grandes e em países ricos, vivem da sua função de capital local, isto é, da animação de um território que funciona mais ou menos em circuito fechado. Na economia mundializada e cognitiva, os especialistas põem-se de acordo para associar a capacidade de concentrar riqueza, pelo menos fora da economia residencial, com a inovação. As actividades económicas locais mais inovadoras suportariam o desenvolvimento urbano.

A concorrência conduz-nos à inovação e à criatividade.

TUDO RESULTA DA IMAGEM DE GRUPOS SOCIAIS EFERVESCENTES

◆ CLIMA SOCIAL T E X T O:

Alain Bourdin; Um Urbanismo de Coesão Social;

(muitas vezes designados como inovadores), cuja importância parece reconhecida quando se torna necessária uma forte componente criativa, nomeadamente no caso do design e de uma parte da pesquisa, mas que se estende à inovação, mais classicamente tecnológica quando esta depende das relações entre pesquisa e indústria. — Um grupo social efervescente não se obtém por decreto; são os seus actores que o constroem ao longo do tempo. Apoia-se num tecido de relações e resulta de uma história, de uma aventura levada a cabo pelos seus interpretes. A sua história dá-lhe um sentido associando-o a características específicas, dos locais, dos ambientes, a um dado “clima social e urbano”.

E URBANO

∙ 26 ∙


MUITOS CRÊEM EFERVESCENTES

QUE PARA

BASTA QUE

CRIAR GRUPOS O RESTO SE

SOCIAIS SIGA:

a inovação desenvolverse-á nas suas diversas dimensões e produzirá uma riqueza que será captada localmente e que permitirá fazer funcionar toda a máquina urbana. Este raciocínio torna-se tanto mais um dogma quanto mais elementos factuais existirem para o confirmar. Duas condições interdependentes permitiriam chegar aí: atrair a população inovadora (investigadores, criadores, etc.) e criar um ambiente de inovação.

Para explicar este sucesso, ponhamos a hipótese de que o urbanismo tem tanta necessidade de um grupo social de referência como de um poder que o sustente. Seja como for, espalhou-se a crença de que existe um grande grupo portador da inovação – que é o ponto nevrálgico do sucesso urbano – e de que a aposta do urbanismo consiste em favorecer o desabrochar deste grupo, criando um ambiente de inovação à escala da cidade. Então, a crença resume-se a isto: façamos cultura, de preferência espectacular; assim atrairemos os portadores de inovação e teremos a inovação de que a cidade necessita para criar os círculos virtuosos de riqueza.

FAÇAMOS CULTURA, DE PREFERÊNCIA ESPECTACULAR

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NÃ O É EM ALCÂNTARA, MAS PODERIA SER PERFEITAM E N T E

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+ Intervenção no chiado do artista Miguel Januário que, apesar de não ser em Alcântara, reflecte o espírito intervertido da classe artística em relação ao que se passa na nossa sociedade. — Aqui +- utiliza uma prédio devoluto para passar uma mensagem à classe política num ano de austeridade. SILÊNCIO — Deixa em aberto a todas as interpretações, mas no que diz respeito ao campo do degradamento urbano a mensagem também "encaixa que nem uma luva". Tanto se debate sobre esta problemática e tanto os nossos políticos falam em programas de reconstrução e o resultado nas ruas não passa disto, silêncio.

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FOTOGRAFIA: http://www.stick2target.com/silencio-by-maismenos

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Alqantara