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IENN – INSTITUTO DE ENGENHARIA NANOCIÊNCIAS E NANOTECNOLOGIA

Repensando a Engenharia e seu Papel Perante a Nova Economia

Edilson Gomes de Lima Engenheiro Mecânico e Pesquisador Científico

Em uma entrevista com o engenheiro e pesquisador Edilson Lima, discutimos a atual situação da Engenharia Mecânica na atualidade, e a busca pelo seu papel na nova econômica. Após décadas de protecionismo houve uma desvalorização de toda cadeia produtiva, incluindo em especial a engenharia que trabalha direto com a produção, refletindo em um aumento do desemprego dos engenheiros. A crise econômica explica de forma fácil o alto desemprego desses profissionais, mas o excesso de rentismo, especulação e estrutura do estado não são os únicos, o protecionismo exagerado de muitas empresas é o principal causador de todo esse desemprego. Além da alta concentração de renda cultural do país, há embutido no desemprego a exclusão desses profissionais do mercado. As engenharias são disciplinas raiz de base, como a física e a matemática, porém, há também quem comente que a maioria das academias está carcomida por disciplinas engessadas no tempo, ao qual algumas já não mais atendem as necessidades da alta produção do mercado e da inovação. É algo muito além da modinha do termo 4.0 que teve um grande interesse no brasil, em parte simplesmente porque mostra a oportunidade de se excluir mão de obra e não pela produtividade e competitividade. Sendo que a automação em massa já e praticada no Japão desde a década de 60, e jamais na história o Japão criou tanto emprego quanto agora, no qual o Japão já está praticando a revolução 5.0 que está beirando a inteligência artificial em massa unida a muitas novas tecnologias que muita gente nem ouviu falar ainda. Embora haja discussões positivas a grande imprensa reporta as pesquisas realísticas, por meio de algumas notícias que apontam a mais pura realidade. Em recente matéria do jornal Estadão e outros veículos de imprensa, noticiaram pesquisas indicando que a Industria Brasileira caiu 15% em 5 anos enquanto no mundo cresceu 10%. E já em outra reportagem indicando que o Brasil perdeu a 10º colocação de país mais industrializado do mundo. Um país no qual pessoas eleitas sem nenhuma qualificação ganham salários exorbitantes, enquanto a maioria absoluta dos engenheiros estão no desemprego em massa, induz a dizer que o país não é nada sério. Tudo em conluio com um sistema produtivo em grande parte que por décadas apenas surfando no protecionismo e suas reservas de mercado, e utilizando de aparatos do estado para se manter longe de qualquer concorrência externa, bastando ver o nível da indústria nacional pelos índices. Tudo é uma questão de ciências e envolve toda uma conjuntura de fatores, a incluir a capacidade dos engenheiros de pesquisar inovações. Não é à toa que já há comentários criticando a engenharia por não inovar, e há até quem diga que a engenharia no brasil é uma fraude, por apenas servir para cobrir burocracias. A maior parte do sistema produtivo olha o engenheiro como um número de ART para driblar a burocracia e não como um profissional técnico, como capacidade de criar, inovar e ajudar a empresa ganhar tecnologia e ciência agradada, e assim ambos progredirem. O engenheiro tornou-se uma assinatura. Tanto é assim que se alguém investigar o mercado dos engenheiros, os que não estão “vendendo” ART estão ou em outras funções ou desempregados, é essa a situação que o tal do “mercado nacional” reservou ao engenheiro. Se isso não é motivo de comedia então, é melhor nem pensar. Na maioria das empresas no brasil como já observado a engenharia analítica nem é comentada, é algo descartado, a engenharia é apenas para cobrir burocracias e papelada, e mesmo assim, muita gente usa das atribuições da engenharia em seus trabalhos. A digitalização da produção é algo que está crescendo e tende a se ampliar, mas não é motivo para que muitas atribuições da engenharia sejam usadas. 1


IENN – INSTITUTO DE ENGENHARIA NANOCIÊNCIAS E NANOTECNOLOGIA Diante destes pontos e de muitos outros, como engenheiro chamo a atenção de todos os colegas profissionais e demais amigos e órgãos da engenharia. E lhes pergunto: vamos repensar a engenharia no Brasil? Já não é hora de revermos e redesenharmos o nosso papel na economia, nos sistemas produtivos e no mercado como um todo? Qual é o valor agregado da engenharia a oferecer ao brasil? O que essa bela profissão oferece na atualidade além de resolver burocracias? Não adianta criticar e filosofar em cima da questão sem apresentar solução. Diante desta realidade, o que resta a cada engenheiro é por partir para outras profissões, e nas horas vagas, e por conta própria, aplicar no limite as disciplinas da engenharia, como uma técnica de faça você mesmo. Dessa forma, se cada engenheiro que foi excluído do mercado nacional e das multinacionais sequestradas pelo nepotismo, criar por conta própria, algo de engenharia relevante. Em pouco tempo, os engenheiros terão o seu lugar reconhecido no mercado, mas não para trabalhar para o mercado de coronelismo nacional, para empreendendo. Além da grade curricular da engenharia estar defasada e engessada, não atendendo mais a alta tecnologia que está disponível, cabe ao engenheiro por conta própria se atualizar e aplicar em suas criações o alto nível da tecnologia. Algumas questões precisam ser levantadas: diante deste novo mercado digital, no qual quase ninguém quer investir em produzir nada, apenas manipular informações, especulação e rentismo, e já a sombra da automatização completa, mesmo assim do exterior, não há motivo para pânico, porque os bons engenheiros já notaram que dentro dessa tempestade há muita inovação em potencial a ser desenvolvida por eles mesmos. E retornando as Universidades, não estaria as grades das cátedras de engenharia defasadas ou ao menos, precisando ser atualizadas em alguns pontos? Obviamente que não na ciência de base, como as ciências clássicas, física, matemática, geometria, termodinâmica, mas na parte mais prática, a incluir o empreendedorismo, disciplinas de criatividade, inovação, além de uma infinidade de potenciais novas disciplinas. Segundo uma pesquisa ao qual realizamos com 200 engenheiros mecânicos, é entendido que a grade curricular se encontra engessada e não atende o atual mercado. Assim como há uma elevada interferência de outras engenharias e profissões nas atribuições da engenharia mecânica. A verdade precisa ser dita, e vamos reconhecer algo que vem ocorrendo nos meios de comunicação em grande parte, assim como na política, a realidade é bem simples. No brasil os engenheiros nem voz tem. Em país comandado por coronéis e excesso de leis ligadas a politicagem, os engenheiros são e foram excluídos do mercado, da mídia e de tudo, inclusive de suas atribuições pelo excesso populacional e as pressões da concentração de renda que empurram pessoas demais para a profissão. Os engenheiros estão excluídos de todo o sistema, basta verificar como comparação a quantidade de outros profissionais versus técnicos com voz nos poderes de estado e da mídia é total. Um país de concentração de renda absoluta e excesso de direitos a alguns, com um regime econômico dos mais fechados do mundo. No qual as chamadas elites têm como único objetivo se escorar no estado e seus altos salários. O técnico, inovador, o cientista e aquele que quer produzir ficam como o palhaço da história, ou melhor, os excluídos e sem voz. A engenharia está em um momento em que deve parar e se auto avaliar, em todos os sentidos, jamais houve na história tamanhas oportunidades de inovação nas engenharias. E realmente estamos em um ponto no qual é preciso repensar a sua atuação e recuperar o seu espaço no mercado e na sociedade. A engenharia tem muito a oferecer ao país, é pela engenharia que empregos podem ser criados, porque a engenharia além da burocracia cria aquilo que ainda não existe, e soluciona problemas que consequentemente resulta em empregos, renda e melhoria econômica. A exemplo, o brasil poderia investir em motores elétricos, novas usinas nucleares renovadas, a energia mais limpa do mundo que é a nuclear, com usinas atualizadas e com novas tecnologias de segurança, assim como a união por uma inovação em massa pela engenharia, e a busca pela recolocação de mais engenheiros atuando e buscando soluções. O mundo está se digitalizando, mas para tornar os algoritmos mais inteligentes em algo físico e real há a necessidade da criação de conecções dessa inteligência com as máquinas inovadoras e de alta precisão, assim como melhorias no que já existe. Há pessoas criativas que conseguem inovar em algo simples como em um salão de barbeiro, de tal forma que o ambiente e os serviços fiquem irreconhecíveis ao que era, em questão de melhorias. Imaginem o que não seria possível fazer em todos os outros setores da econômica, desde indústrias a qualquer outro setor da econômica. Na atualidade, todo mundo quer ser virtual, viver das planilhas bem inteligentes, e o espertinho que com um sistema economizou muito para a empresa. Mas, a pergunta é a mesma sempre: de onde vem o dinheiro? Infelizmente, precisamos refazer essa pergunta, algo como as crianças que pergunta, de onde veem os bebês, que são 2


IENN – INSTITUTO DE ENGENHARIA NANOCIÊNCIAS E NANOTECNOLOGIA trazidos por uma cegonha. A realidade é que já de cara podemos informar que o dinheiro não nasce em pé de árvore. Usualmente, o país emite uma certa quantia fechada de valor baseada em alguns de seus índices e tamanho. E neste momento, a impressora tem que ser desligada. A partir de então o crescimento só virá pela produção do país e de sua competitividade. Não há como estimar corretamente, mas a indústria quando sadia e competitiva representa uma porcentagem enorme do crescimento. A prestação de serviço para exportação igualmente, mas na maioria dos casos não se equivale a produção industrial quando realmente está ativa. Por este ângulo, é possível dizer que o dinheiro, ou seja, o excedente daquela primeira impressão vem da indústria quando competitiva e que investiu por décadas em inovação. Inovar custa tanto assim ou é má vontade, conformismo ou é a realidade de se usar o estado como provedor e babá de empresas acomodadas no protecionismo a oito décadas. O resultado está a mostra e escancarado nos índices, como sempre a tudo que é bom o Brasil está nos últimos lugares e bem merecido. A única coisa que incomoda nisso tudo é que poucas pessoas falam sobre isso, evidentemente por terem o traseiro preso com alguns desses encostos de estado. Todo repórter e profissional que escancarar essa derrota deve ser bem visto e valorizado. Difícil é não encontrar um engenheiro que não seja um derrotado neste regime de castas, onde quem não é tem amigos do rei está fadado a miséria. Eu sou engenheiro e não sou amigo de nenhum rei, e todos que conheço que também não são amigos de rei e nem parentes de gerentes que sequestram multinacionais, todos que conheço e que pesquisei foram excluídos do mercado e forçados a buscar outras profissões. Diante destes pontos de vista, devemos nos perguntar novamente. Até quando um país continente se manterá como uma econômica de um mercadinho de bairro? Os caminhos para mudar isso estão na ciência de verdade, na ciência prática e na engenharia aplicada. É necessária uma reinvenção das engenharias, em especial a Engenharia Mecânica. A quem conhece a Engenharia Mecânica sabe perfeitamente que é uma das disciplinas mais dinâmicas que existem, boa parte é apenas refazer o que já existe, incluindo manutenção e repetição de projetos. Porém, uma parte bem maior ainda não foi sequer começada. A incluir a função principal da engenharia mecânica que está calcada em sua possibilidade de inovação. A engenharia mecânica tem todas as ferramentas para se criar o que ainda não existe. Quais cálculos e habilidades necessárias para saber com total precisão a força de içamento vertical de uma hélice de helicóptero ou drone? Comece a formular perguntas e não respostas, é assim que o engenheiro realmente faz. A engenharia mecânica não precisa de ferramentas para inovar, constrói suas próprias ferramentas, porque a engenharia mecânica é uma máquina de inovação quando bem usada. Entenda essa conversa como um chamado a todos os engenheiros mecânicos a repensarem o seu lugar na economia. Para que você passou cinco anos ou mais estudando engenharia mecânica se qualquer um, incluindo técnicos, aprendizes, podem realizar à vontade as suas atribuições. Consideremos os cursos de engenharia mecânica uma fraude ou seria nossa passividade diante em relação ao nosso lugar no mercado e na economia? Por favor, vamos repensar a engenharia mecânica.

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