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Agora só faltam os carros exemplar do assinante

Com orçamento consolidado em R$ 433 milhões, Via Mangue, esperança para trânsito da Zona Sul do Recife, entra na reta final e será entregue daqui a um mês. k cidades 1

BOA VIAGEM Complexo de elevados perto da Avenida Antônio Falcão compõe trecho importante, com saídas em direção às vias mais próximas do mar e para o lado da Imbiribeira

Bobby Fabisak/JC Imagem

QUARTA-FEIRA


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Editores: André Malagueta Galvão agalvao@jc.com.br Wilfred Gadêlha wgadelha@jc.com.br Fale conosco: (81) 3413.6187 www.jconline.com.br/cidades Twitter: @jc_cidades

cidades Recife I 30 de abril de 2014 I quarta-feira

Via Mangue na reta final Roberta Soares

betasoares8@gmail.com

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Via Mangue já é fato. É verdade que teve sua conclusão atrasada em mais de um ano e meio, que gerou polêmica por representar um alto investimento – atualmente de R$ 433 milhões – para o transporte individual e que destruiu quilômetros de mangue quando se deveria preservá-lo. Mas é verdade também que o corredor viário pensado e discutido há mais de dez anos como solução ao trânsito sufocante da Zona Sul do Recife está em vias de tornar-se realidade. Por isso, já é propriedade da cidade, não só dos recifenses, mas de toda a Região Metropolitana. Impossível ignorá-la. Se ficará pronta em 31 de maio, a tempo da Copa do Mundo, como garante com veemência a Prefeitura do Recife, ou se atrasará mais alguns dias, a essa altura, pouco importa. O JC percorreu toda a obra e constatou que o corredor está quase concluído. Falta pouco, muito pouco. Se os cinco quilômetros da Via Mangue vão resolver ou ao menos amenizar o tráfego pesado da Zona Sul por alguns anos, é impossível garantir. Mas olhando para a via, desapegado das intrigas políticas e do que ficou para trás, é indiscutível que será uma obra que ajudará na mobilidade das pessoas. Não terá faixa ou corredor para ônibus – até porque nunca foram previstos no projeto – mas terá ciclovia bidirecional com 2,5 metros e um passeio público de três metros. Quem hoje leva, quase sempre, mais de uma hora para sair, por exemplo, do Centro do Recife e chegar no fim de Boa Viagem ou em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, sentirá os benefícios. A Via Mangue tem duas pistas e a proposta de ser expressa, sem semáforos ou interferências. A Pista Oeste (próxima ao mangue) terá duas faixas, enquanto a Pista Leste contará com três – duas de tráfego e uma para aceleração e desaceleração dos veículos que entrarem na via pelos 13 acessos previstos inicialmente. O gradil verde, com quase dois metros, separa as pistas da via e o corredor do mangue e da área urbanizada de Boa Viagem. Além dos acessos, a via terá dois retornos, localizados a 800 metros um do outro, que permitirão mudar de pista. “Está tudo certo e dia 31 de maio nós entregamos a Via Mangue completa, funcionando totalmente. Essa é a nossa meta. Ela está quase pronta. Pelo relatório do dia 15 de abril último, estava com 96,5% concluída nas cinco frentes de trabalho que criamos. Pegamos essa obra com 38% e, em 17 meses, estamos finalizando. A Via Mangue começou a ser construída em abril de 2011. Ou seja, fizemos mais da metade dos trabalhos em metade do tempo”, argumenta o diretor de Engenharia da Empresa de Urbanização do Recife (URB), Vicente Perrusi. Os viadutos que ligam a Via Mangue às marginais dos Canais de Setúbal e Jordão, sobre a Avenida Antônio Falcão, estão prontos e até com a sinalização horizontal. Falta penas concluir a interligação com a via elevada. Esta, está praticamente pronta, já com os gradis em toda sua extensão e a iluminação instalada. A ciclovia e o passeio ainda serão implantados. A Ponte Encanta Moça também está avançada, faltando ligá-la à via elevada, na altura do terreno que pertenceu ao antigo Aeroclube de Pernambuco. A Ponte Estaiada, que terá um belvedere (mirante), ganhou esta semana os 12 estaios que ajudam na sustentação do mastro. E o alargamento da Ponte Paulo Guerra, que ganhará uma alça interligando-a com a alça construída a partir do Viaduto Capitão Temudo, na Rua Saturnino de Brito, já está sendo pavimentada. Ou seja, falta pouco para a Via Mangue ser usada pela população.

Fotos: Bobby Fabisak/JC Imagem

MOBILIDADE Obra do corredor expresso na Zona Sul está com 96,5% dos serviços prontos. Prefeitura diz que inaugura via até 31 de maio GRANDIOSIDADE Complexo de elevados chama a atenção de quem passa pela Avenida Antônio Falcão

PONTE Doze estaios já foram instalados

MENOS IMPACTO Vigas sustentam a estrutura viária, que também terá espaço para ciclistas e pedestres

Retenção na área do túnel vai permanecer As lacunas de projeto deixadas na Via Mangue permanecerão. A principal delas, o gargalo de tráfego existente na confluência do túnel construído sob a Avenida Herculano Bandeira, no Pina, desde a execução da primeira etapa do corredor, em 2009, não terá solução definitiva para o início da circulação, programada para o dia 31 de maio. A Prefeitura do Recife planeja apenas paliativos. A característica do corredor que vai mas não volta – numa referência ao fato de que os veículos que estiverem trafegando no sentido subúrbio-cidade enfrentarão retenções no túnel para acessar a Avenida Antônio de Góis, no Pina –, continuará. “As soluções para aquele ponto seriam o prolongamento do túnel sob a Antônio de Góis ou a construção de um elevado nessa mesma via, mas são grandes obras que não estão previstas para agora. Até porque não temos tempo. Vamos encontrar soluções de engenharia de tráfego que melhorem a circulação na área, facilitando o acesso da população”, explica o diretor de engenharia da URB, Vicente Perrusi. O planejamento da mobilidade da Via Mangue, ou seja, como será o plano de circulação, começou em setembro do ano passado e está para ser concluído até 15 de maio. “Temos algumas soluções, mas elas estão sendo analisadas pelos técnicos, inclusive pelo prefeito Geraldo Julio. Uma solução maior e definitiva só no futuro”, diz.

q Mais na web Veja vídeo da Via Mangue no Blog De Olho no Trânsito (jconlineblogs.ne10.uol.com.br/ deolhonotransito/)

OBRAS COMPLEMENTARES Guarda-corpo da Ponte Encanta Moça (no alto), gradil de dois metros que separa as Pistas Oeste e Leste e protege o manguezal (no centro) e um dos dois retornos localizados a 800 metros um do outro, que permitirão aos motoristas a mudança de sentido


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