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Vidas perdidas no Canal do Arruda MANIFESTAÇÃO Morador protesta contra capotamentos que terminam com carros caindo no curso-d’água. Nos últimos dois anos, pelo menos cinco pessoas morreram

Igo Bione/JC Imagem

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os últimos dois anos, moradores da Avenida Professor José dos Anjos, em Campo Grande, bairro da Zona Norte do Recife, viram mais de dez carros capotarem e serem lançados no Rio Beberibe. Cinco pessoas morreram nos acidentes. Numa tentativa de chamar a atenção da prefeitura para o problema, um morador do local fincou cinco cruzes brancas na beira do rio. “Essa é uma reclamação silenciosa, protesto não se faz apenas queimando pneus e parando o trânsito”, declara João Batista Soares de Miranda (China), o autor da ideia. Uma cruz pequena, junto de outra grande, simboliza uma mulher grávida que morreu quando o carro caiu no rio. Os últimos acidentes aconteceram nos últimos dias 13 e 15. Moradores conseguiram socorrer com vida o motorista e os passageiros, na sextafeira, 13. Porém, no domingo, 15, o motorista envolvido no acidente não sobreviveu. “Mesmo que a pessoa tenha bebido, é uma vida que se perde, isso não pode acontecer”, destaca João Batista, que trabalha com mudanças. “A rua tem uma curva muito fechada e um poste tira a visi-

SILÊNCIO Cruzes fincadas na beira do Canal do Arruda lembram as vítimas dos acidentes bilidade do condutor”, opina. Ele colocou as cruzes há pouco mais de uma semana e tem o apoio da comunidade. “A avenida é mal sinalizada, faltam placas, não há travessia de pedestre demarcada e não há pintura no chão para dividir a pista em duas faixas”, observa o ajudante de pedreiro Daniel dos Santos, morador de Campo Grande. A via é de mão dupla num pequeno trecho, beirando o rio e o Canal Arruda-Vasco

da Gama. Passará a ter mão única, quando a outra margem do canal e do rio estiver totalmente urbanizada. Daniel e João Batista sugerem instalação de lombada eletrônica, para forçar os motoristas a reduzirem a velocidade. “É certo que alguns condutores se excedem na velocidade e deveriam ter mais consciência no trânsito. Tem gente que passa acima de 70 quilômetros por hora. Mas as autoridades precisam investir mais em sinalização”,

reforça Daniel dos Santos. Procurada para comentar o assunto, a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) limitou-se a enviar uma nota pela assessoria de imprensa. Informa que pretende enviar técnicos para vistoriar a avenida e “averiguar a real necessidade de implantação de sinalização na via”. A prefeitura promete, se for o caso, elaborar projeto de sinalização, como reivindicam os moradores.

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