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6 jornal do commercio

Recife I 25 de janeiro de 2014 I sábado

economia

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Transposição em ritmo lento A

propriedade. “Num dos assentamentos em Floresta, um posto de saúde e quatro casas vão ser demolidas para dar continuidade às obras. Mas até hoje não foram construídas as novas casas nem o posto”, contou.

O Eixo Norte está com índice de realização de 50,2%. O Leste alcançou 55% Se continuar no ritmo de 2013, o governo federal vai levar, pelo menos, mais cinco anos para concluir o empreendimento, que consiste na construção de dois grandes canais: o Eixo Leste – que tem uma extensão de 217 quilômetros, começando em Floresta e indo até a cidade de Monteiro, na Paraíba; e o Eixo Norte, com 260 km, ligando Cabrobó até Jati, no Ceará. Os dois canais vão levar a água a 390 municípios nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Além deles, serão construídos 13 aquedutos, nove estações de bombeamento, 27 reservatórios e quatro túneis. A assessoria de imprensa do Ministério argumentou que todos os trechos (que estão em construção) obedecem a um planejamento de execução das obras, ou seja, uma sequência construtiva, sendo que “as frentes de serviço es-

tão concentradas no início em sentindo ao final de cada lote de obra – no caso do Eixo Leste, as obras seguirão do reservatório de Itaparica, em Petrolândia (PE) no sentido de Monteiro (PB), passando por Floresta (PE), Betânia (PE) e Custódia (PE)”. O Eixo Norte está com um índice de realização de 50,2%, enquanto o Leste alcançou 55%, de acordo com o Ministério da Integração Nacional. Cada um desses eixos, foi dividido em três lotes no quadro ao lado. Inteira, a obra será concluída em 2015, segundo informações do Ministério da Integração Nacional. As obras ficaram quase paralisadas durante 2011 e 2012, sendo retomadas em agosto de 2013. O que provocou a paralisação foi o fato de que as construtoras pediram revisão dos preços dos contratos já assinados e o Ministério teve até que realizar novas licitações. Além do atraso, a demora na execução do projeto trará outra consequência: uma parte do que já foi construído terá que ser refeito ou recuperado, porque, com o tempo, ocorre uma depreciação natural do que ficou inacabado. Hoje, a expectativa é que o projeto custe R$ 8,2 bilhões, incluindo R$ 1 bilhão a ser gasto em 38 projetos sócioambientais. Inicialmente, o projeto custaria R$ 5,4 bilhões. Ainda de acordo com o Ministério da Integração Nacional, atualmente as obras do Projeto São Francisco empregam 8.135 trabalhadores, que utilizam duas mil máquinas ao longo dos 477 km de extensão do empreendimento.

Edmar Melo/JC Imagem/8-1-2014

execução das obras da transposição das águas do Rio São Francisco continua devagar. No final do ano passado, atingiram um índice de realização de 52,2%, contra os 43% registrados em dezembro de 2012. As obras avançaram pouco mais de 9% em 2013, ano em que foi divulgada a retomada das obras pelo Ministério da Integração Nacional – em todos os seus trechos. A conclusão do empreendimento poderia ter tornado mais ameno os efeitos de uma estiagem que castigou o Nordeste nos últimos dois anos, provocando perda da safra e mortes de animais. Embora oficialmente todos os trechos estejam em obras, o padre Sebastião Gonçalves da Silva percorreu, na semana passada, 40 quilômetros do Eixo Leste, um dos canais da transposição. Ele encontrou somente 10 operários no meio do caminho e o abandono do que já foi realizado. Os 40 kms percorridos pelo religioso estão nos municípios de Floresta – incluindo o assentamento Serra Negra –, Custódia e Betânia, todos no Eixo Leste. “A água não chegou e nota-se claramente que a obra está longe de ser concluída. Há muito por fazer e para ser resolvido de pendências que se arrastam desde que a obra teve início em 2007”, comenta o padre que atua na Diocese de Floresta, a 433 km do Recife. Entre as pendências, ele cita o caso de alguns moradores de Floresta que tiveram a sua propriedade cortada pelo canal, mas até hoje não receberam a indenização da União pelo uso da

MOVIMENTAÇÃO Os principais operadores de carga de Suape não tiveram problemas ontem

Padre Sebastião Gonçalves da Silva/Divulgação

INFRAESTRUTURA As obras avançaram pouco mais de 9% em 2013 – ano em que o governo federal divulgou a sua retomada

EIXO LESTE Padre Sebastião percorreu 40 km e encontrou trechos abandonados (acima)

Suape e Porto do Recife operam normalmente S ÃO PAULO e RECIFE – Os portos de Suape e de Paranaguá e Antonina (PR) não sofreram com a paralisação nacional de trabalhadores, que foi realizada ontem, e operaram normalmente. Em Suape, a administração portuária informou não ter recebido nenhuma informação de funcionários com os braços cruzados. Os principais operadores de carga de Suape não sentiram consequências do movimento nacional, que da paralisação. No Porto do Recife, a movimentação de cargas também foi realizada normalmente. “As operações que envolvem combustíveis ocorreram com os problemas de sempre, como pouco combustível chegando, mas não sentimos o impacto dessa paralisação”, disse o diretor do Sindicato do do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis), Alfredo Pinheiro Ramos. O abasteci-

mento de combustíveis de Pernambuco é feito a partir do Porto de Suape. No caso dos portos paranaenses, a assessoria de imprensa informou que a manifestação atinge portos sob administração federal e este não é o caso de Paranaguá e Antonina, pois a autoridade portuária em ambos os portos é uma entidade estadual. Na Bahia, a paralisação não afeta a operação dos três principais portos do Estado – Salvador, Aratu e Ilhéus –, informou a Companhia Docas (Codeba), responsável pela administração dos terminais. De acordo com a estatal, a paralisação abrange apenas funcionários dos setores administrativos dos portos baianos. Os trabalhadores responsáveis pelas operações dos terminais não foram impedidos de entrar nos portos e cumprem as funções normalmente. A Federação Nacional dos Portuários (FNP) informou

que a paralisação realizada ocorreu no período das 7h às 13h. Segundo a FNP, a manifestação serve como uma “advertência” ao governo federal para reivindicações a respeito de plano de carreira, regulamentação de atividades da Guarda Portuária e regularização de pagamentos da previdência complementar da categoria. A categoria quer pressionar o governo federal para não permitir a contratação de segurança terceirizada nos terminais Os sindicalistas marcaram uma nova paralisação, desta vez de 24 horas, para a próxima quinta-feira. Ontem, os portos que aderiram ao movimento foram os do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Alagoas, Rio Grande do Norte e Pará, de acordo com a FNP. Ficaram de braços cruzados os trabalhadores de 12 portos encarregados de liberar a atracação dos navios e responsáveis pelo controle de acesso aos cais.

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