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Toque de recolher na folia

CARNAVAL Com medo dos arrastões e roubos, blocos de Olinda estão encurtando o percurso de suas prévias

Diego Nigro/JC Imagem

Guga Matos/JC Imagem/17-1-2010

A

s agremiações carnavalescas de Olinda estão encurtando o percurso de suas prévias. Não se trata de cansaço dos foliões. O problema é a ação das galeras, que se infiltram atrás das orquestras de frevo, promovem arrastões, distribuindo tapas e furtando os brincantes. Moradores e carnavalescos reclamam do problema e pedem ajuda da prefeitura e do governo do Estado. O governo municipal alega que haverá reforço de policiamento no final de semana e que orienta o encerramento de festas, em locais fechados, às 21 horas. “Essa situação está sem controle e vai acabar prejudicando o Carnaval de Pernambuco. Os arrastões são assustadores”, diz Sílvio Botelho, que há décadas cria bonecos gigantes para animar a folia. No último domingo, a casa dele, no Amparo, seria o ponto final da prévia do Menino da Tarde. Mas a brincadeira recolheu no Guadalupe, de onde saiu. “É impossível colocar um policial para cada pessoa, mas deve haver uma forma de debelar o problema.” Por causa da insegurança, desde outros carnavais, muitas agremiações evitam passar nas vielas da Cidade Alta. “Desfilamos apenas pelas ruas principais do Sítio Histórico e contratamos segurança particular”, contou Adriano Cirino, da Troça Anárquica Trinca de Ás. Moradores da Rua e da Travessa do Bonfim pedem mais policiamento. Acreditam que até a câmera do Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciods) está desativada. “Ocorrem assaltos na área”, conta a médica veterinária Cristiane Gondim. A comunidade diz que os ladrões abordam entre a Travessa do Bonfim e a Rua Antônio Francisco Gomes. Vera Cavalcanti, funcionária pública, conta que fica refém dos flanelinhas e do desordenado comércio ambulante. Ela também reclama da insegurança e da iluminação pública deficiente. O professor Luiz Adolfo Silva, presidente do Homem da Meia Noite, personagem famoso da folia olindense, diz que sem o auxílio da polícia seria impossível desfilar pelas ladeiras. Mas ele não acredita que a repressão solucione tudo. Vê que o comportamento violento dos jovens tem relação com a cultura do consumo e o desleixo com a educação. “Com mais educação e incentivo à cultura e ao esporte nas comunidades de origem desses jovens, o comportamento será outro”, afirma. A Prefeitura de Olinda, respondeu, por meio de sua assessoria, que desde dezembro realiza reuniões para avaliar e ajustar ações durante as prévias. “Estamos ampliando o número de banheiros químicos, reforçando a iluminação em alguns pontos e o policiamento”, afirma, em nota. Neste fim de semana, informa, 120 homens da Companhia Independente de Apoio ao Turista (CIATur) mais 40 policiais militares do 1º Batalhão da PM e outros 40 guardas municipais estarão nas ruas. A Secretaria de Defesa Social informou que todas as 16 câmeras de monitoramento do Sítio Histórico de Olinda estão ligadas e nenhuma registrou arrastões. A Polícia Militar acrescenta que desde setembro vem planejando ações para o Sítio Histórico e que são realizadas reuniões constantes com a prefeitura e agremiações sobre estratégias de segurança para os finais de semana. Nessa época de festas, a CIATur tem o reforço de outras unidades da PM.

A única rua favelizada do Sítio Histórico de Olinda é a do Bonfim. É preciso arrumar um espaço para os ambulantes e acabar com o esgoto que escorre no beco do Colégio Estadual”, diz

Cristiane Gondim

INSEGURANÇA Na Rua do Bonfim (acima), moradores alegam que assaltos costumam ocorrer na área. Violência também afetou desfiles das agremiações, que cobram providências

Fantasias à solta em Olinda

Os flanelinhas tomam conta da rua, impedem que os filhos da gente venham nos visitar. Há lâmpadas apagadas e, por causa dos arrastões, a gente não pode mais ficar na porta de casa”, reclama Vera

Cavalcanti, funcionária pública

Só a repressão não adianta. Percebo que o problema requer solução mais estruturadora. A meninada do arrastão poderia estar produzindo cultura”, afirma

Luiz Adolfo Silva

É hora de os marmanjos começarem a soltar seu lado feminino para bolar uma fantasia e se dar ao desfrute de ser mulher por um dia. A 14ª edição do desfile do bloco Virgens Abraça Brasil – antigamente conhecido como Virgens de Verdade, uma dissidência das Virgens de Bairro Novo – acontece no dia 16 de fevereiro, no mesmo local e horário do ano passado: um trecho de 2,5 quilômetros da orla de Bairro Novo, Olinda, Região Metropolitana, entre o Hotel Samburá e os Correios, das 9h às 17h. Nove trios vão participar do desfile – no sentido contrário ao tráfego – tocando os mais variados ritmos, entre frevo, samba, axé e forró. “Queremos abraçar a música brasileira, mas valorizando a cultura pernambucana”, salientou Antônio Bernardi, diretor da agremiação, em coletiva para divulgar o evento, ontem, em Olinda. Abrindo alas, passistas de frevo, bonecos gigantes, orquestras e carros alegóricos em homenagem ao cantor Reginaldo Rossi e ao Bloco da Saudade. A primeira apresentação é da banda Pinguim, que acompanha o bloco desde sua fundação. Depois dela, vêm Almir Rouche, Saia Rodada, Claudia Leitte, Cheiro de Amor, Cavaleiros do Forró, Banda Eva, André Rio e João do Morro. Na próxima segunda-feira (20), estarão abertas as inscrições para as virgens que quiserem participar do concurso de fantasias. Elas custam R$

as

Inscrições para as Virgens Abraça Brasil começam segunda e custam R$ 30

30 e podem ser feitas no Restaurante Espigão, na beiramar, mas só há 200 vagas – com direito a coquetel, café da manhã e seis latas de cerveja, podendo levar um acompanhante. A concentração começa às 6h. É lá que serão escolhidas as virgens a serem premiadas em seis categorias: grupo, luxo, originalidade, a mais sapeca, a mais tímida e a mais malamanhada. Três camarotes oficiais, com atrações próprias, já vendem ingressos, com custo de R$ 40 a R$ 180,00.

Jc 17012014