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NAVEGABILIDADE Obra do corredor fluvial no Capibaribe está parada. Estado diz que União não liberou recursos. Brasília nega. k cidades 4

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Recife I 12 de fevereiro de 2014 I quarta-feira

cidades

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Governo alega falta de verba e paralisa obra T

endo levado décadas para sair do papel, o projeto de navegabilidade do Rio Capibaribe, apresentado como alternativa de transporte para o problema de mobilidade da Região Metropolitana, está comprometido. Iniciadas em março do ano passado, as obras foram paralisadas pelo governo do Estado, sob alegação de que R$ 46 milhões em recursos federais estão pendentes. Mais de cem funcionários do Consórcio ETC & Brasília Guaíba, que executam o serviço, receberam aviso prévio. O investimento total na implantação de duas rotas com 13,9 km, integradas ao Sistema de Transporte Público de Passageiros (STPP/RMR) é de R$ 190 milhões. A previsão inicial era de conclusão em março deste ano com olhos na Copa do Mundo, mas o prazo foi estendido (após polêmicas e entraves ambientais) para setembro – e agora está sem data. Segundo a secretária-adjunta das Cidades no Estado, Ana Rita Suassuna, 80% da dragagem da Rota Oeste – que vai da BR-101 ao Centro, com 11 km de extensão – estão concluídas. E quatro das cinco estações do percurso (Santana, Derby, Torre e Recife), além

Bernardo Soares/JC Imagem

RIO CAPIBARIBE Estado afirma que União não liberou recursos e interrompeu trabalhos do corredor fluvial. Brasília nega atraso

SECRETÁRIA Ana Suassuna do galpão de manutenção, foram iniciadas. “O Estado investiu os R$ 25 milhões de contrapartida previstos para a dragagem e mais R$ 46 milhões a serem pagos pelo Governo Federal, mas esses recursos não chegam e não temos verba para continuar sozinhos”, declara. A construção da Rota Norte, com duas estações e 2,9 km de extensão, entre o Centro do Recife e Olinda, nas proximidades do Tacaruna, ainda não começou, pois houve uma desaceleração dos trabalhos

pela falta de recursos, conforme a secretária. O Ministério das Cidades encaminhou nota ao JC afirmando que “a autorização de início da obra ocorreu no dia 10 de janeiro. Portanto, não há atraso. Os recursos foram processados e suas liquidações estão em curso normal de acordo com as medições apresentadas e atestadas pela Caixa Econômica Federal, que já dispõe dos valores para o repasse ao Estado”. Nenhuma data específica ou valores foram informados. Em 27 de janeiro, o ministro Agnaldo Ribeiro veio ao Recife e assegurou a liberação de R$ 30 milhões. Mestre em transportes e professor da área na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Fernando Jordão lamenta a paralisação. “Esse projeto vai contribuir muito com a mobilidade e é o único que permitirá a ligação direta da periferia com o Centro num percurso mão e contramão, sem binários, o que é muito bom para a população”, avalia. “Se a dragagem é parada sem se consolidar, muito do trabalho se perde, precisa ser refeito. Espero que o atraso nos recursos, se houver, não seja uma questão política, seria um desserviço ao Estado”.

PARALISAÇÃO Na Estação Santana, uma das cinco da Rota Oeste, trabalho foi interrompido

cidades k ciência/meio ambiente Fotos: Capibaribe.info/Divulgação

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Arte e lazer para salvar o Capibaribe

PRESERVAÇÃO Grupos organizam eventos que alertam para a importância do uso consciente de espaços públicos como o rio

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PROJETO Praias do Capibaribe ocorre no último domingo do mês, já reuniu até mil pessoas e mostra ser possível preservar o curso-d’água e descobrir suas riquezas através de simples ações NOTA DA REDAÇÃO: Hoje, excepcionalmente, deixamos de publicar a coluna Educação. Aos leitores, nossas desculpas

u quero nadar no Capibaribe.” É esse desejo, quase improvável de ser vivido no Recife, que mobiliza centenas de pessoas por uma causa: conscientizar a população e, assim, tentar salvar um dos rios mais importantes da cidade. O método foi juntar várias iniciativas, ligadas à arte, lazer e educação, criando o projeto Praias do Capibaribe, que estimula o convívio mais aproximado entre o ser humano e a natureza. No início, a ação atraía uma média de público de 300 pessoas, mas chegou a mil na última edição. Tudo começou em 2008, quando foi criado o Eu quero nadar no Capibaribe – uma coletânea de 36 vídeos, onde recifenses mostram como contribuem com pequenos gestos para salvar o planeta. “Tem uma mulher que junta o óleo usado e faz sabão, porque sabe que se jogar no ralo, vai poluir o rio. São personagens verdadeiros”, explicou a coordenadora do projeto, Bruna Pedrosa. Todos os vídeos são chamados de cápsulas verdes e foram gravados em duas temporadas. Na festa de lançamento

da segunda, em 2011, nasceu a Prainha, como é carinhosamente chamada. “Foi no La Greca, no Parnamirim. Daí, decidimos levar a iniciativa para outras margens do Capibaribe.” A segunda edição, ainda em 2011, foi a Praia do Derby, no jardim do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-PE), como encerramento de um workshop de arquitetura. A terceira, foi a Praia da Aurora, no Aurora Eco Fashion. “Para padronizar, batizamos de Praias do Capibaribe e tornamos o evento mensal”, lembra Bruna. Todo último domingo do mês é voltado para a iniciativa, exceto quando coincide com feriados comemorativos, como ano-novo e Carnaval. O evento reúne cerca de 300 pessoas. Na última edição, no dia 2, no quintal da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Derby, mil pessoas participaram. “Tivemos o apoio de um workshop, numa parceria da Fundaj com o projeto Parque Capibaribe, da Prefeitura do Recife e UFPE. Lá, foram criados os mobiliários.” Após 15 dias de debates sobre como

aproveitar o espaço público para o bem comum, voluntários construíram um píer, piscinas fixas e flutuantes e outros objetos. Arquitetos franceses e suíços, experientes nesse tipo de trabalho em seus países, ministraram as aulas.

MUDANÇA

“Não ganhamos nem gastamos dinheiro. Vendemos produtos para manter o projeto, que tem bandas de música e projeção das cápsulas verdes.” A água das piscinas, claro, não vem do rio. “Elas ficam no nível da água, para que a pessoa tenha a sensação de estar no rio e pense que isso pode ser possível, se ajudarmos.” Bruna espera que o projeto seja copiado. “Queremos que se repita, para que o rio seja salvo e usufruído por todos.” A estudante de arquitetura, Rebecca Dantas, 20 anos, participou pela primeira vez do projeto. “Esta e outras ações provam que podemos mudar a realidade física e utilitária do espaço público. Sabemos a importância que o Capibaribe tem, só não damos o real valor. Experiência incrível.”

Jc 12022014  
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