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Recife I 28 de maio de 2014 I quarta-feira

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Mata atlântica encolhe no País O

Brasil perdeu 23.948 hectares de mata atlântica entre os anos de 2012 e 2013. O desmatamento aumentou 9% em relação ao período anterior (2011-2012). Para se ter uma ideia do que isso representa, a clareira aberta na floresta corresponde a 24 mil campos de futebol. Essa e outras informações estão no Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, apresentado ontem pela Fundação SOS Mata Atlântica e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Pernambuco aparece em 7º lugar no ranking do desmatamento, entre os 17 Estados onde há cobertura desse bioma. Segundo o Atlas, elaborado com imagens de satélite e tecnologias na área da informação, sensoriamento remoto e de geoprocessamento, a taxa de desmatamento é a maior desde 2008, quando o País perdeu 34.313 hectares da ameaçada floresta. Os campeões da lista são os Estados de Minas Gerais, Piauí, Bahia e Paraná. Juntos, eles respondem por 92% do desflorestamento, equivalente a 21.973 hectares de mata nativa. Mas, apesar da liderança, Minas apresentou uma redução de 22% em relação ao levantamento anterior. Segundo o relatório, os dados de Pernambuco são de desmatamentos identificados em 2012. Foi constatada a supressão de 155 hectares de mata atlântica, um acréscimo de 21% em relação ao estudo an-

terior de 2011 (128 hectares). O Estado possui hoje, pouco mais de 10% da cobertura original do bioma. O secretário executivo de Meio Ambiente, Élvio Polito, declara que, no momento, não sabe informar se houve (e onde) a supressão de 37 hectares de floresta. “Preciso analisar melhor esses dados.” Ele argumenta que, no último ano, o Estado ampliou áreas protegidas, como a Mata do Engenho Uchôa e o Parque Dois Irmãos, no Recife, e ganhou novas unidades de conservação (UC) no bioma, como a Mata do Siriji, em São Vicente Ferrer, que possui 645 hectares, e a Mata de Água Azul, na Zona da Mata Norte. “Essa é a maior unidade de conservação de mata atlântica no Estado, com área de 4.852 hectares”, informa, acrescentando que, das 76 UCs de Pernambuco, 68 são de mata atlântica. “As UCs ampliadas não foram de áreas reflorestadas. Mas esses fragmentos incorporados a elas agora estão protegidos da especulação imobiliária e podem ser preservados”, argumenta o secretário. Nos últimos 28 anos, a mata atlântica perdeu 1.850.896 hectares, o equivalente à área de 12 cidades de São Paulo, segundo o Atlas. Somados todos os fragmentos de vegetação, restam apenas 12,5% dos 1,3 milhão de km² da cobertura original. Na área de ocorrência do bioma, vivem mais de 60% da população brasileira.

Leonardo Brito/Wikimedia Commons

DESMATAMENTO Uma área equivalente a 24 mil campos de futebol foi devastada, segundo estudo divulgado pelo Atlas do bioma

ALDEIA Pernambuco ficou em 7º na lista dos Estados que mais desmataram entre 2012 e 2013

Distribuição de sementes de ipê-roxo Árvore nativa da mata atlântica e com lugar de destaque em praças, parques e jardins brasileiros, o ipê (Handroanthus) será a estrela de uma ação sustentável promovida pelo Shopping Guararapes, localizado em Jaboatão, em homenagem ao Dia do Meio Ambiente, no próximo dia 5 de junho. Com o objetivo de estimular a consciência ambiental dos consumidores, quem visitar o centro de compras nesta data receberá sementes de ipê-roxo para realizar o plantio da espécie. A árvore tem crescimento rápido e, normalmente, mede de 8 a 12 metros, podendo alcançar 30 metros no interior da mata. Sua casca, sobretudo do ipê-roxo, é muito utilizada no tratamento de doenças como amidalites, estomatites, infecções renais, dermatites, varizes e algumas doenças dos olhos. Sua madeira resistente, inclusive à umidade, é usada na construção civil e naval e na fabricação de móveis. Mas o ipê também é muito valorizado por sua beleza. Eles recebem os nomes de acordo com as cores que suas flores ou madeira apresentam. No período da floração, de julho a setembro, as folhas caem e dão lugar às flores em tonalidades amarelo-ouro, brancas e roxas.

Jc1 28052014 foz01  
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