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a dupla hélice emparelhamento específico que postulámos sugere imediatamente um mecanismo possível de replicação do material genético.»

Em busca da estrutura Já no início da década de 1950 se suspeitava da importância que o ADN podia ter para a hereditariedade e havia várias equipas de investigadores a procurar resolver a estrutura dessa molécula. Nos Estados Unidos, Linus Pauling já demonstrara que muitas proteínas estavam enroladas numa hélice parecida com um botão de mola e avançara, erradamente, com a ideia de uma tripla hélice do ADN. Entretanto, no King’s College, em Londres, Rosalind Franklin e Maurice Wilkins estudavam o ADN por efeito de difracção dos raios X, processo que analisa o modo como as moléculas disseminam as radiações na tentativa de encontrar a solução para a sua forma. Francis Crick e James Watson, na Universidade de Cambridge, em Inglaterra, estavam a usar a mesma ferramenta mas sob diferentes perspectivas – o objectivo de Crick era a estrutura da proteína e o de Watson o vírus da planta do tabaco – mas ambos consideravam o ADN bem mais interessante. No entanto, durante algum tempo, Laurence Bragg, o chefe de equipa, proibiu-os de investigar o ADN porque pensava que isso poderia constituir um elemento distraidor e uma atitude não muito elegante, pois significaria que se iriam imiscuir na investigação do laboratório de outra universidade, King’s College. Crick e Watson continuaram a trabalhar na estrutura do ADN, a princípio de forma sub-reptícia, tendo depois acabado por obter a autorização de Bragg. Com um pouco de sorte, genialidade e alguma perfídia, resolveram a questão conciliando o trabalho de outros investigadores com a sua própria investigação. O

A «Dama Negra» do ADN O papel desempenhado por Rosalind Franklin na descoberta da dupla hélice continua a gerar enorme controvérsia. É inegável a importância das imagens de raios X tirados por Franklin. Brenda Maddox, autora da sua biografia, argumenta que Franklin foi vítima de sexismo porque nunca lhe foi dado o mérito devido. Crick, Wilkins e especialmente Watson não reconheceram na altura o importante contributo dado por Franklin, embora contraargumentassem, com alguma razão, que ela nunca entendera exactamente o significado inicial dessa investigação. Franklin acabou também por ser excluída do Prémio Nobel de Medicina, que os três cientistas partilharam em 1962, por uma razão perfeitamente inocente: morrera de cancro do ovário, em 1958, e o Prémio Nobel não é atribuído a título póstumo.

1952

1953

Rosalind Franklin (1920-58) tira a imagem cristalográfica com raios X do ADN que sugere uma dupla hélice

Francis Crick (1916-2004) e James Watson (1928 - ) identificam a dupla hélice

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50 ideias genética que precisa mesmo de saber mark hernderson  
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