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clonagem

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A técnica, que ficou conhecida como transferência nuclear de células somáticas (SCNT, em inglês), não era muito eficaz, pois os cientistas do Instituto Roslin fizeram 227 tentativas antes de conseguirem produzir a Dolly. Mas ao provarem que a clonagem é uma realidade, abriram as portas a inúmeras possibilidades, tais como a clonagem de gado de primeira qualidade no âmbito de programas agrícolas de reprodução animal. Caso se provasse que a SCNT funcionava com células humanas, poder-se-ia pensar em aplicações para fins terapêuticos.

Clonagem com fins terapêuticos As células estaminais embrionárias desenvolvem-se em qualquer tipo de tecido do organismo e, assim, podem ser utilizadas para substituir células doentes ou danificadas. A SCNT sugeria que a «clonagem terapêutica» realçaria a utilidade médica desta técnica. Se as células estaminais fossem cultivadas a partir de um embrião clonado do doente, partilhariam o seu código genético. Essas células seriam transplantadas sem receio de rejeição pelo sistema imunitário do doente. Esta técnica também poderia dar origem a modelos de doença. O ADN de indivíduos afectados com patologia dos neurónios motores, por exemplo, seria usado para clonar células estaminais embrionárias portadoras de defeitos genéticos que influenciam esta patologia, podendo vir a revelar-se muito úteis no estudo da doença e nos testes de novos fármacos. Contudo, em primeiro lugar, é preciso que se clonem embriões humanos por meio da SCNT, tarefa que tem pela frente dois grandes obstáculos, um de natureza ética e o outro de natureza técnica. Até mesmo alguns dos apologistas da investigação com células estaminais embrionárias

Alimentos clonados O potencial de aplicação da clonagem estende-se à criação de gado. A SCNT pode ser utilizada para clonar gado de primeira qualidade, aumentando a produção de leite e resistência muscular, e preservando perfis genéticos altamente valiosos para os criadores de gado. Dados os altos custos envolvidos na sua criação, estes clones não seriam abatidos, passando a ser usados na reprodução. As agências de segurança alimentar nos EUA e na União Europeia já declararam não haver razões científicas que impeçam o consumo de animais clonados e seus descendentes. As maiores objecções prendem-se com o bem-estar dos animais, uma vez que a clonagem ainda é uma técnica pouco desenvolvida e muitos clones sofrem de males congénitos. Mas com toda a probabilidade começaremos em breve a consumir carne e leite de animais clonados.

1996

2004

2005

Ian Wilmut (1944- ) e Keith Campbell (1954- ) criam a ovelha Dolly

Woo-Suk Hwang (1953- ) afirma ter criado o primeiro embrião humano clonado

A investigação levada a cabo por Hwang é desacreditada, mas uma equipa de cientistas do Reino Unido consegue clonar um embrião humano

50 ideias genética que precisa mesmo de saber mark hernderson  
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