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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ INSTITUTO DE CULTURA E ARTE BACHARELADO EM CINEMA & AUDIOVISUAL CIBERCULTURA | 2019.2

Nádia Lidiane do Nascimento Carvalho

FICHAMENTO DE CITAÇÃO

PRIMO Alex. Crítica da cultura da convergência: participação ou cooptação. In: Elizabeth Bastos Duarte, Maria Lília Dias de Castro. (Org.). Convergências Midiáticas: produção ficcional – RBS TV. Porto Alegre: Sulina, 2010, p. 2132.

―Não apenas as novas mídias são devedoras dos meios que os antecederam, mas estes também transformam-se em virtude da popularização daqueles.‖ (p. 3). ―É justamente na contramão do viés tecnicista que o livro ‗Cultura da Convergência‘, de Jenkins (2009), tornou-se referencial tanto na academia quanto no mercado. Mais do que a combinação de diversas funções midiáticas, insiste o autor, a convergência deve ser pensada em termos culturais. ‗Meu argumento aqui será contra a ideia de que a convergência deve ser compreendida principalmente como um processo tecnológico que une múltiplas funções dentro dos mesmos aparelhos. Em vez disso, a convergência representa uma transformação cultural à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos de mídia dispersos‘. (Jenkins, 2009, p. 29-30) O autor compreende a convergência como o fluxo de conteúdos através de diferentes plataformas. Além disso, o conceito refere-se também ―à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação (p. 29)‖ (p.3). ― (...) o debate sobre convergência emerge justamente no seio da cibercultura. Uma explicação tecnicista parece ser a resposta óbvia para a questão. Contudo, é preciso discutir quais são as condições socioculturais que justificam (...) o problema da convergência agora.‖ (p. 4). ―(...) é preciso questionar: por que a cultura da convergência acontece? Que características epocais estão na base de sua constituição?


De fato, a cultura da convergência tem demandado que a mídia massiva tradicional tenha que se reinventar. (...) Já se disse que a liberdade de expressão existia apenas para os donos de jornais. Com a expansão de blogs, microblogs (Twitter), podcasts e de serviços digitais para a administração coletiva da produção e circulação de notícias, pessoas desvinculadas de grandes instituições midiáticas ganharam espaço para expressão pública e força de pressão coletiva.‖ (p. 4-5). ―O mesmo conceito (de ‗inteligência coletiva‘) também está na base da delimitação da chamada Web 2.0 (O‘Reilly, 2005), marcada pela transição do foco na publicação (a primeira geração da web) para a participação coletiva. Um grande número de novos serviços online soube aproveitar o ímpeto produtivo dessa cultura de cooperação na internet, montando negócios a partir de ‗conteúdo gerado pelo consumidor‘ (user-generated content). (...) A sabedoria das multidões (Surowiecki, 2006) está também por trás da seleção e publicação colaborativa de notícias — processo chamado de gatewatching (Bruns, 2003) — e do jornalismo participativo (Gillmor, 2005).‖ (p. 5). ―A ―arquitetura de participação‖ (O‘Reilly, 2005) da Web 2.0, os fóruns de discussão e os sites de produção colaborativa de fãs (...) conferiram maior visibilidade e poder à já existente cultura de fãs. Antes vistos simplesmente como público fiel e ávidos consumidores de subprodutos da indústria de entretenimento, os fãs hoje são reconhecidos como virtuais parceiros dos grandes produtores culturais. ‗A expressão cultura participativa contrasta com noções mais antigas sobre a passividade dos espectadores dos meios de comunicação. Em vez de falar sobre produtores e consumidores de mídia como ocupantes de papéis separados, podemos agora considerá-los como participantes interagindo de acordo com um novo conjunto de regras, que nenhum de nós entende por completo‘. (Jenkins, 2009, p. 30)‖ (p. 5). . ―É também o espírito de época, os relacionamentos da pós-modernidade, o histórico de atritos com a hegemonia da indústria cultural, as utopias hippies e acadêmicas presentes na criação da internet, entres outros aspectos sociais e políticos que fomentam a consolidação dos processos – da cultura participativa e convergente - antes listados‖ (p. 6). ―É preciso colocar em discussão justamente (...) as estratégias de poder do grande capital midiático e suas formas de cooptação das utopias libertárias da cibercultura‖ (p. 7). ―O grande capital midiático não está minguando, a mídia de massa não se tornou mero coadjuvante. É verdade que houve uma distensão da produção midiática, com o ingresso de criadores independentes de blogs, podcasts, vídeos e músicas alternativas, etc. (...) Mesmo que independentes, uma importante parcela da criação e conversação na rede colabora com o fortalecimento do grande capital. Logo, não se pode apenas celebrar a incorporação do fã na indústria de entretenimento, mas também avaliar (...) como se dá a resistência e subversão nesse processo.‖ (p. 7-8).


―A participação das audiências na disseminação de spoilers, fan fiction 4, fanzines, fan art5, fansubbing6 e traduções colaborativas de livros7 é vista por muitos como uma forma contemporânea de resistência‖ (p. 8). ―Para outros, não se pode falar em resistência quando os fãs estão trabalhando de graça para a ampliação do alcance dos produtos midiáticos da grande indústria. As instituições midiáticas, cinicamente, observam a cultura da convergência como uma nova forma de lucro‖ (p. 8). ―Cada produção do fandom é uma reinterpretação, uma reinvenção, uma apropriação criativa da mídia‖ (p. 8). ―Por outro lado, ao se juntar ao sistema de produção e promoção, o fã se torna um parceiro da indústria‖ (p. 9). ―Consumer-generated contente (conteúdo gerado pelo consumidor) é sinônimo de exploração de trabalho não-remunerado?‖ (p. 9). ―(...) a atual estrutura midiática complexificou-se de tal forma que não é possível apontar mocinhos e bandidos. Com o borramento da fronteira entre produção e consumo, com a liberdade de expressão e circulação de informações na rede, com a simplificação das ferramentas de produção e com a popularização dos sites de redes sociais pode-se reconhecer um empoderamento das pessoas desvinculadas de instituições midiáticas‖ (p. 9). ―Na cibercultura (...) os sistemas de troca entre indústria e audiências transformaram-se. ‗A retórica da revolução digital deduzia que a nova mídia iria destronar a antiga, mas o YouTube exemplifica uma cultura da convergência (...) com suas interações complexas e colaborações entre a mídia corporativa e o público‘ (Burgess e Green, 2009, p. 148)‖ (p. 9). ―Segundo as utopias da cibercultura, a produção independente enfraqueceria o interesse por produtos globais à medida que a demanda por criações locais e segmentadas ganharia primazia. De fato, os mercados de nicho desenvolveram-se de forma surpreendente8, mas a grande mídia ainda mostrase hegemônica. (...) sites de jornalismo participativo dependem de sites noticiosos de corporações de mídia tradicionais. O que se vê, portanto, é uma maior interdependência mas não um jogo de soma zero, onde apenas um lado pode ganhar‖ (p. 10). ―(...) novos estudos são necessários para compreender-se a complexidade da estrutura midiática contemporânea, suas contradições e tensões. (..) Outras investigações precisam observar como coletivos fazem uso de redes sociais na internet para reagir, resistir, minar e subverter os empreendimentos do capital midiático. Movimentos de software livre e pirataria e o uso de blogs e Twitter em regimes ditatoriais são alguns exemplos de resistência política de notoriedade na cibercultura9‖ (p. 10).


―a intenção deste texto foi de alertar que o debate não pode resumir-se à celebração da convergência dos interesses da grande mídia com os desejos de consumo de fãs‖ (p. 10).

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Fichamento n° 04 | CIBERCULTURA 2019.2  

Fichamento de Citação do texto "Crítica da cultura da convergência: participação ou cooptação" de Alex PRIMO por Nádia Carvalho, atividade c...

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