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BOLETIM AGROECOLÓGICO Núcleo de Agroecologia Apêtê-Caapuã

GT Comunicação

Boletim n.7 - Outubro/2019

Feira de Primavera A primavera que começou dia 23 de setembro e vai até 22 de dezembro, é conhecida como o período de reflorestamento da flora terrestre, de renovação, caracterizado pela presença da Lua Cheia e muito propício para traçar novas metas com boas energias. E para comemorar esse ciclo tão bonito, a Feira Agroecológica foi decorada no dia 24 para receber a tão esperada Primavera. Cheia de flores, filtros e gaiolinhas decorativas ficaram em harmonia com o clima gostoso de terça-feira. Tivemos a honra de receber desde os jovens estudantes do ensino médio, universitários, professores e agregados, até o pessoal da terceira idade. Foi um dia muito especial, cheio de descobertas e novos ciclos de amizade e prosperidade. Larissa Belinazi

Práticas de extensão do Núcleo de Agroecologia Apetê-Caapuã

A cromatografia de Pfeiffer foi criada por Ehrenfried Pfeiffer em meados do século XX, sendo utilizado para determinar a qualidade de substâncias extraídas do solo, compostos orgânicos e alimentos. Pfeiffer também foi um dos pioneiros da Agricultura Biodinâmica. Através do livro “Chromatography Applied to Quality Testing”, pode-se observar os padrões e analisar os resultados da cromatografia circular plana, detalhando experimentações e estudos sobre a determinação da qualidade de solos e biocompostos. E o Núcleo de Agroecologia Apetê Caapuã está cada vez mais engajado nesse assunto! [Leia mais]

Resistência e Rebeldia é nosso lema. Precisamos ocupar cada vez mais espaços, disseminando nosso saber para a sociedade de modo claro e didático. O NAAC faz a extensão universitária através de eventos no SESC, atividades no assentamento, seminários, palestras e encontros. Fique por dentro de tudo o que rola. Siga nossas redes sociais. Instagram @naac.ufscar. Facebook Apetê Caapuã [Leia mais]


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Boletim n.7 - Outubro/2019

EM BUSCA DE CONHECIMENTO: TREINAMENTO DE CROMATOGRAFIA DE PFFEIFER NA ABD Por Raissa Razera

Em Julho, três membros do NAAC, Raissa, Carlos e Fernando, fizeram um treinamento com um professor de biologia para aprender e aperfeiçoar a metodologia de cromatografia de Pffeifer. O treinamento aconteceu no laboratório da Associação Biodinâmica em Botucatu/SP, onde já vem se realizando essas análises há algum tempo. Esse tipo de cromatografia consiste em um papel de filtro circular que irá reter frações de uma amostra (pode ser de solo, folhas de planta, semente, Amostras de solo em solução de NaOH (Foto: Raissa Razera) fertilizantes, leite, farinhas, entre outros) a fim de analisar qualitativamente o objeto de estudo. Por capilaridade, uma solução de sua amostra com hidróxido de sódio é percorrida sob o papel filtro sensibilizado com nitrato de prata que atua como um revelador (como se fosse revelar uma “foto” da qualidade do produto em questão). Cada tipo de substância contida na amostra percorre uma determinada distância, criando diversas zonas que são possíveis de se interpretar, e a interpretação irá variar de acordo com padrões, formatos, cores e distância. Com isso, podemos ter informações principalmente relacionadas com a vitalidade presente no material em que estamos analisando, e no caso do solo, onde já se tem um grande avanço de estudos, podemos observar qualidades referentes à saúde do mesmo em função por exemplo de práticas de manejo, tais como compactação, presença de nutrientes e de matéria orgânica, atividade microbiana e atividade enzimática. Para o grupo, o principal objetivo do treinamento foi a realização de estudos para auxiliar o desenvolvimento da iniciação científica da bolsista Raissa Razera (que vos escreve), onde serão analisados solos e material vegetal em diferentes tipos de manejo, incluindo cultivos transgênicos, e a dissertação de mestrado do aluno Carlos (...), que envolve pesquisa com os sistemas agroflorestais implantados no Assentamento Horto Bela Vista. Ambos Processo de maceração do coprólito alunos são orientados pelo Prof. Dr. Fernando Silveira Franco. (Foto: Raissa Razera)

Exemplo de cromatografia de Moringa e Mel (Foto: Raissa Razera)

Outra atividade relacionada a cromatografia em julho foi a participação do prof. Fernando em uma banca de tese na UENP em Bandeirantes no Paraná, do agrônomo Igor Graciano, que estudou solos sob diferentes manejo e comparou as imagens obtidas, fazendo uma validação do método, usando análises laboratoriais convencionais, de teor de matéria orgânica, atividade microbiana, e presença de enzimas, obtendo resultados muito bons que reforçam o grande potencial desse método. Na oportunidade foi possível visitar o Núcleo de Agroecologia da UENP, coordenado pelo Prof. Rogério e estabelecer uma parceria para a utilização das dependências do laboratório de microbiologia do solo daquela universidade para as pesquisas a serem realizadas pelo NAAC.


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PROJETO RONDON: OPERAÇÃO PALMARES E AGROECOLOGIA Por Thamirys Ramos

Entre os dias 13 e 26 de julho de 2018 ocorreu a Operação Palmares do Projeto Rondon, na qual, cerca de 200 estudantes foram para o estado do Alagoas realizar trabalho voluntário em cidades distintas e aprender sobre cidadania. O Projeto Rondon é um programa do Governo Federal vinculado ao Ministério da Defesa. Foi fundado em 1967, quando houve a primeira expedição no estado de Rondônia, e seu nome foi dado em homenagem ao bandeirante do século (Foto: Thamirys Ramos) XX Marechal Rondon. Atualmente é feita uma parceria entre o governo estadual, municipal e instituições de ensino superior (IES) para o desenvolvimento de atividades organizadas em três conjuntos A) Saúde, Educação, Direitos Humanos, Justiça e Cultura; B) Trabalho, Meio ambiente, Tecnologia e Produção e C) Comunicação. Os professores da UFSCar Victor Forti e Fábio Freire inscreveram a Universidade para o conjunto B no edital da Operação Palmares, no qual fomos selecionados. O projeto incluía propostas de ações em formato de oficinas para servir a população tendo o intuito de melhorar o bem viver e capacitar agentes multiplicadores. Tais propostas de oficinas vieram a ser melhor trabalhadas após a viagem precursora dos professores coordenadores, a qual teve função muito importante para o conhecimento da realidade, leitura da paisagem, aproximação com a prefeitura, secretários, etc. Também, com a seleção dos rondonistas foi possível plasmar melhor o conteúdo das oficinas de acordo com as habilidades e competências de cada uma e um. A seleção para participar do projeto Rondon foi divulgada nos campus Araras e São Carlos onde os professores Victor e Fábio lecionam, respectivamente. Foram 4 estudantes de cada campus que formaram a equipe interdisciplinar do Rondon com representantes dos cursos, Biotecnologia, Agroecologia, Agronomia, Letras, Engenharia Civil, Gestão e Análise Ambiental e Química. Durante o semestre, foram realizadas reuniões semanais para construir as oficinas que, desde então, possibilitaram o aprendizado específico das áreas que ministraríamos. Com o término do período letivo, chegou o momento de arrumar as malas e ir para o tão sonhado Projeto Rondon. A van que nos levou para a base aérea da FAB em Guarulhos saiu de São Carlos e passou em Araras, juntando a equipe da UFSCar e os materiais necessários para (Foto: Thamirys Ramos) a missão. Ela se iniciara! Para cada cidade que recebeu o Projeto Rondon na Operação Palmares, foi destinada uma equipe constituída pelos 2 eixos (A e B), sendo a UFSCar representante do eixo B em Coité do Nóia, e a UNISUL representante do eixo A. Foi simplesmente uma combinação incrível, de muito companheirismo, união, amizade, superação de diferenças e trocas inesquecíveis. Como foram muitas atividades realizadas, aproximadamente 60 oficinas (eixo A e B), seria complicado discorrer sobre todas. Portanto, focaremos aqui no tema Agroecologia. Coité do Nóia é uma cidade predominantemente rural. Suas bases são as culturas da mandioca, milho, feijão, abacaxi e fumo. Existem aproximadamente 30 povoados rurais que foram criados pelos moradores antigos da região e seus moradores atuais são descendentes destes, tendo assim bem estabelecida a relação com a terra. À título de curiosidade, Coité do Nóia possui este nome porque é uma região de grande ocorrência da planta de coité pertencente à espécie Crescentia cujete, uma árvore que pode atingir 6 metros de altura e produz frutos também conhecidos como maçã-de-elefante, utilizados antigamente como cuias para o transporte de água. A fazenda aonde iam buscar o fruto era de posse da família Nóia, por isso comum se dizer de buscar coité nos Nóia. E assim o território veio a ganhar esse


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nome, Coité do Nóia. Como na maioria das localidades, em Coité, pôde-se observar as tendências da agricultura convencional tentando se sobressair à agricultura alternativa, tradicional. O uso do “pacote tecnológico” sementes híbridas e/ou transgênicas, adubos químicos, maquinários, agrotóxicos em geral, era comum dentre alguns produtores rurais que vim a conhecer nas oficinas de Agroecologia. Também conheci dezenas de agricultores que tinham bons argumentos para o não uso dos mesmos e os espaços de discussão foram muito ricos e altamente gratificantes para todos nós. Todos aprendemos muito! Foram 4 oficinas de Agroecologia em diferentes comunidades rurais, em que, inicialmente, foram abordadas algumas problemáticas da agricultura nos dias atuais, tais como a poluição de lençóis freáticos, poluição do ar, contaminação do solo a partir de substâncias contidas em insumos químicos, gasto de energia, gasto de água em demasia na irrigação de grandes culturas, diminuição da vida no solo, diminuição da diversidade da vida acima do solo, erosão e muito mais. Esse levantamento foi feito conjuntamente entre agricultoras e agricultores e nós rondonistas presentes. Logo após a problematização, também definimos o que é a Agroecologia, de onde veio, o que preza, como é difundida e como poderia ser realizada. Outro momento interessante da oficina de Agroecologia, era como de fato ela poderia ser praticada. Neste “Me lembro bem do momento trocávamos muitos conhecimentos sobre momento em que caía técnicas de conservação e nutrição do solo, cultivo de a ficha de todos ali: plantas, controle alternativo de pragas e doenças, etc. Ali, foi possível construir conhecimentos práticos soa Agroecologia bre como fazer agricultura a partir da vida e vislumexiste para defendê-los, brar como os produtos agroecológicos poderiam ter eles são os qualidade igual ou superior aos convencionais se fossem realizados manejos inteligentes, a favor da natuprotagonistas aqui.” reza afim de otimizar os processos. No final de cada oficina afirmávamos cada vez mais a Agroecologia como socialmente justa, ambientalmente segura e economicamente viável. Muitas vezes, era feita uma dobradinha em que primeiro era ministrada a oficina de Uso de Agrotóxicos, EPI’s e Cuidados com a Saúde ministrada pelos amigos rondonistas Luan Burger da engenharia agronômica juntamente com o Otto, da medicina, de forma a abrir o debate sobre os benefícios e malefícios de tais práticas na atividade rural e a oficina de Agroecologia logo em seguida, ministrada por mim, Thamirys, como alternativa e solução aos problemas encontrados e apresentação de novo paradigma de produção. Também realizamos aproximadamente 5 oficinas sobre compostagem na zona rural de Coité do Nóia em que na maioria delas foi possível a confecção prática de uma composteira. Trabalhar com aquelas pessoas que souberam nos acolher e reconhecer os benefícios das técnicas que apresentamos foi muito gratificante. Nas oficinas de Agroecologia, compostagem e uso de agrotóxicos, EPI’s e cuidados com a saúde estiveram presentes aproximadamente 200 agricultores. No mais, ao final de cada oficina os participantes receberam certificados, dos quais ficaram muito orgulhosos. Eu e meus colegas recebemos muitos agradecimentos pelo trabalho realizado, muitos sorrisos, apertos de mão, abraços, olhares radiantes cheios de emoção e esperança. Ao final de cada dia, sentia como aquela experiência estava sendo transformadora, algo em mim estava mudando, com certeza eu jamais me esqueceria. (Foto: Thamirys Ramos)


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NAAC realiza em parceria com SESC Sorocaba evento com tema: “Soberania alimentar e análise na conjuntura” Por Érica Monteiro e Adriel Vaz

No dia 29 de agosto de 2018 foram realizadas uma oficina e uma palestra no SESC de Sorocaba, ambas ministradas pelo vice-presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) Paulo Petersen, como atividade do curso “Transição agroecológica na agricultura familiar: do cultivo ao consumo”, onde um dos principais temas abordados foi a soberania alimentar e o atual cenário político. Durante a oficina foi debatido os impactos que o neoliberalismo vem tendo na agricultura desde a década de 90, onde se verifica que ao passar dos anos, os recursos e insumos para a agricultura foram sendo centralizados e monopolizados por grandes corporações do agronegócio, o chamado “Grande Império Agroalimentar”, onde quem não expande é dominado. Com esse controle do grande império agroalimentar, a soberania alimentar fica em risco - vale ressaltar que a soberania está relacionada à autonomia na tomada de decisão - autonomia essa que deixa de existir uma vez que o agricultor fica refém das corporações em praticamente todas as etapas da produção - da compra da semente à venda do alimento e até mesmo aos empréstimos em bancos (que obriga o produtor a seguir um protocolo de manejo atrelado aos produtos das grandes corporações). Foi exposta também a fragilidade do sistema do agronegócio, que precisa se manter numa política expansiva para não quebrar e como a agricultura familiar vem sendo sufocada pelo agronegócio o crédito para o agronegócio aumenta todos os

Paulo Petersen, Fernando Silveira Franco e Marcos Bravin (Foto: Rodrigo Brezolin)

(Foto: Rodrigo Brezolin)

os anos, enquanto políticas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) é atacado. Como consequências à isso temos: Perda do controle, Artificialização da comida (expansão dos ultraprocessados), marginalização do campesinato e ameaça à soberania alimentar. Hoje podemos ver como grandes empresas fomentam uma agenda política golpista, os famosos lobistas, que buscam facilitar suas ações por meio da política (criando isenções fiscais e aprovações de crédito) e dificultar o mercado para os pequenos produtores criando várias regras. Um exemplo recente disso é a ligação da JBS com Eduardo Cunha, onde, por ação do lobby, foi criada a regra do rigor sanitário para os pequenos produtores usando como desculpa a saúde pública, sendo que tempos depois a própria JBS foi flagrada na operação da Polícia Federal “Carne Fraca” vendendo carne com papelão. Nessa perspectiva, a oficina e a palestra foram de suma importância para reunir e aproximar agricultores e agricultoras, técnicos, estudantes e professores envolvidos/as com a produção sustentável, especialmente com a agroecologia, e que lutam pela soberania e segurança alimentar, e debater sobre a importância da agroecologia como um processo de democratização quanto ao direito de escolha de cada agricultor e agricultora no que tange o que produzir, como produzir e os processos decisórios para comercialização, viabilizando também discussões sobre a agricultura familiar no que diz respeito a uma visão não apenas democrática, mas também de transformação social.


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A época de Agrossilvicultura e Biodinâmica da Escola Waldorf Aitiara no Assentamento Horto Bela Vista Por Fernando Silveira Franco

(Foto: Fernando Silveira Franco)

De acordo com Tobias Richter, nas indicações para as metas do ensino Waldorf, a época prática de silvicultura (cultivo e manejo com árvores e florestas) se situa, nas escolas Waldorf entre a Agrimensura e o Estágio Social. “A agrimensura leva à compreensão técnica da Geomorfologia, o estágio social exige a dedicação altruísta às necessidades do outro; a Silvicultura faz a ponte. Com técnicas ecológicas e de silvicultura pesquisam-se as relações inerentes a um ecossistema silvestre, compreendem-se as suas necessidades e tomam-se as medidas necessárias (manejo). Resulta daí o currículo da época prática de silvicultura, o qual está naturalmente sujeito a modificações de acordo com a situação local.” A partir do entendimento que a Agricultura que é cultura do ser humano na natureza, a Agrossilvicultura, seria então a junção dos elementos do ecossistema natural com o social e cultural dos homens e mulheres, assim surge a Época de Agrossilvicultura realizada no chão do Assentamento Horto Bela Vista, em Iperó. Para isso, contou-se com uma preparação anterior, tendo a oportunidade local de contar com o entorno educativo do Bairro Demétria e dos projetos

desenvolvidos pela Associação Biodinâmica e Apete-Caapuã- UFSCAR, junto a comunidades de camponeses. Entendemos a Agrossilvicultura ou Agrofloresta (SAF), justamente como uma forma de ajudar a cuidar das florestas e das pessoas (agricultores e consumidores) de forma conjunta, pois trata de manejar árvores junto com as culturas agrícolas de forma integrada e ecológica. Para isso, observamos a dinâmica e a estrutura do ecossistema local (ecológica) e dos agroecossistemas (social), que são os cultivos agrícolas cuidados pelos homens e mulheres do campo. Aqui juntamos as contribuições teóricas e práticas, da Agricultura Biodinâmica, proposta por Rudolf Steiner, como a forma mais saudável de produzir alimentos que contenham a vitalidade que o ser humano necessita para agir no mundo. Para integrar a questão social de forma mais viva, optamos por realizar essa prática no Assentamento Horto Bela Vista, onde existem projetos de agroflorestas implantados e em implantação, bem como experiência em mercado solidário e justo dos produtos biodinâmicos certificados de forma


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participativa. Assim essa época além dos aprendizados e conhecimentos sobre técnicas, plantas e práticas e organização social, tivemos a contribuição para a melhoria da qualidade de vida de 04 famílias camponesas envolvidas nos projetos. Durante os 5 dias em que ficamos acampados no assentamento, atuamos nos fizemos atividades práticas de implantação desde áreas iniciais em que introduzimos árvores e culturas agrícolas onde já haviam mudas de café com um mês de plantio (Ana e Dirceu – Implantação de Café agroflorestal), e o enriquecimento com o plantio de mudas de café feitas pelos estudantes, no viveiro da escola, mudas de árvores, bananas, abacaxi, e espécies de adubação verde em agroflorestas já iniciadas e trabalhadas no ano anterior pelo Décimo ano da Aitiara (Marinau e Cleide - Lote Mãe Terra da Maria e Wilian) e áreas iniciadas pelo agricultor (Vanildo e Nilda). Em um dos dias de trabalho, tivemos a oportunidade de juntar ao grupo da Escola Aitiara, os estudantes membros do NAAC, e também da engenharia florestal da UFSCAR Sorocaba, da disciplina de Sistemas Agroflorestais. Foi uma experiência muito rica de troca de vivências e trabalho em mutirão, com jovens de diferentes idades, locais, formações e individualidades. Foram realizadas atividades de enriquecimento com mudas de espécies nativas e frutíferas, banana, abacaxi e sementes de adubação verde, seguidas

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(Foto: Fernando Silveira Franco)

da dinamização e aplicação de preparados biodinâmicos, no lote da Sra. Cleide e Sr. Marinau. Da parte de nós, integrantes do NAAC, foi lindo de ver a energia e disposição dos jovens da Escola Waldorf Aitiara em trabalhar na terra e de vivenciar a experiência do mutirão, além da intimidade que demonstraram no cuidado com as plantas. Sim, valeu a pena, vemos que apesar de tudo que passamos e iremos passar num futuro breve, a resiliência e a resistência surge da alegria e do amor em compartilhar com o outro

(Fotos: Fernando Silveira Franco)

“Na primeira semana de outubro nós alunos da escola aitiara passamos uma semana em Iperó, SP. Durante essa semana fizemos agroflorestas e reflorestamos assentamentos do MST. O trabalho foi feito com base em decisões tomadas em conjunto com os trabalhadores, e em todas as propriedades foi aplicado o preparado biodinâmico. A rotina era ótima, com refeições nutridas e variadas, conversas com os trabalhadores e muito plantio! Em meio a tudo isso fomos conhecendo mais sobre agroflorestas, onde misturávamos árvores nativas com árvores frutíferas, adubação verde e vegetais. Foi incrível passar essa semana de sol, trabalho na terra e contato direto com a natureza e com pessoas que se preocupam tanto com o meio ambiente”. Clara Vidal, aluna do décimo ano da Escola Aitiara de Botucatu


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ALUNOS DO NAAC PARTICIPAM DO SEMINÁRIO SAF JUÇARA Por Adriel Vaz

(Foto: Pedro Poleti)

No dia 30 de Setembro de 2018 foram feitas visitas aos produtores que participam do Projeto SAF Juçara, no município de Sete Barras - SP. Foram seis propriedades visitadas ao longo do dia, tendo como objetivo principal o acompanhamento desses Sistemas Agroflorestais. Por Sete Barras estar inserido no Vale do Ribeira, que este abriga mais de 60% da Floresta de Mata Atlântica remanescente, a adoção de SAF’s como alternativa à monocultura é fundamental para a manutenção e conservação dos recursos naturais da região.

Apesar do projeto do SAF Juçara já existir a algum tempo, essa visita foi a primeira oportunidade de contato com o projeto que os novos membros do NAAC tiveram. Com uma tarde repleta de aprendizados, pode-se verificar a importância da valorização do conhecimento empírico, tendo como um exemplo que chamou a atenção de todos, a iniciativa do sr. Carlos, que propôs um novo espaçamento para a Juçara dentro do sistema - que já está sendo testado por ele - que leva em consideração a fenologia da espécie e a associação com o Maná Cubiu (Solanum sessiliflorum), que pode gerar retorno econômico no curto prazo. Como ninguém é de ferro, o dia também contou com um delicioso café da tarde oferecido pela dona Sandra, onde pudemos saborear um delicioso suco de Juçara com Cambuci (outra espécie da Mata Atlântica!).

SOBERANIA ALIMENTAR: A DIVERSIDADE ESTÁ NA NATUREZA Por Bruna Bertini

É importante relacionar a Soberania Alimentar aos sistemas agroflorestais, sendo a ação antrópica e o conhecimento do aspectos naturais algo fundamental para as progressões demográficas de 2050. Ou seja, é um momento de foco às crises da fome e escassez de alimentos saudáveis, diante do crescimento populacional, com a intervenção de um modelo sustentável de agricultura; segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). Quanto mais conheço a agroecologia mais vejo como viemos caminhando para o lado oposto da diversidade, com a destruição dos recursos ecossistêmicos e que podemos reverter isso. Ela traz o que ainda precisamos muito nos aproximar, a conservação da natureza como sinônimo de desenvolvimento humano, afinal, nossas demandas são cada vez mais variadas, como a nossa alimentação. Na pirâmide alimentar da saúde, em sua base, precisamos de alimentos altamente energéticos, os carboidratos, que estão presentes no arroz, pão, batata, mandioca e cereais,

acima disso, não menos importantes são os alimentos reguladores, fontes de fibras, vitaminas e minerais que ajudam no controle e funcionamento do corpo, são elas, as verduras, as frutas e os legumes, e por fim, em menor quantidade, os alimentos construtores, fonte de proteínas, presentes em alimentos como as leguminosas, e o famoso/receoso coentro, tão proteicos como a carne e o leite, além dos alimentos gordurosos que devem ser evitados. Com isso, se soubermos reunir todas as nossas necessidades à modelos agrários que agreguem os seres vivos, conservando seus habitats, com toda a diversidade de cultivos, até com espécies nativas, estaremos muito próximo de levar mais saúde para vida das pessoas e mais, uma aproximação com o espaço que particularmente me inspira a manejar, cultivar cada vez mais no meu dia-dia, sem veneno, sendo capaz de cuidar das nascentes e da terra, o que é de fato, um compromisso real para tempos melhores.


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IV SIMPÓSIO DE MICROBIOLOGIA AGRÍCOLA DA ESALQ-USP Por Alne Cipriano e Marcia Mendes

As membros do NAAC (Camila, Aline e Raissa) participaram como ouvintes do IV Simpósio de Microbiologia Agrícola da Esalq-USP. O evento foi realizado pelos alunos da pós-graduação em microbiologia agrícola em parceria com diversos patrocinadores, a programação contou com minicursos, mesas redondas, palestras e apresentação de trabalhos. Foi um ótimo momento para conhecer o que vem sendo desenvolvido de pesquisas na área principalmente no governo atual, onde os cortes e contingenciamentos para a área da pesquisa estão cada vez mais ameaçados. Além de trabalhos voltados para temática acadêmica, também percebeu-se uma forte tendência em demonstrar o potencial mercadológico da área de microbiologia , desde a produção cervejeira a seleção de organismos destinados ao biocontrole. Dois momentos que se destacaram foram a mesa de abertura do evento, intitulada “Mulheres na microbiologia: uma história contada por elas” conduzida pelas professoras da universidade, expondo suas trajetórias e pontos de vista em períodos onde a presença de mulheres cientistas era escassa e circundada pelo machismo proveniente da predominância masculina e valores da época. O outro momento em evidência se deu na palestra “O desenvolvimento profissional e a saúde emocional na pós-graduação”, a pauta sobre a saúde mental dos estudantes está em alta devido as pressões e problemas psicológicos que se intensificam no meio acadêmico, e debater sobre esta problemática é significativo e necessário a fim de que a maioria da comunidade acadêmica goze de saúde enquanto desempenha seu trabalho para com a sociedade.

ALUNOS DO 9º ANO VISITAM A FEIRA AGROECOLÓGICA DA UFSCAR SOROCABA Por Pedro Poleti

No dia 24 de setembro a feira Orgânica e Agroecológica da UFSCar recebeu alunos da escola municipal de Salto de Pirapora. Os estudantes, através da professora de geografia, realizaram um trabalho sobre produção orgânica, desmatamento e impactos dos insumos químicos para o meio ambiente (conhecidos para muitos como veneno ou agrotóxicos). Para complementar a atividade deles, os estudantes realizaram entrevistas com os feirantes, e rolou uma roda de conversa juntamente com integrantes do Núcleo de Agroecologia Apetê Caapuã (NAAC).


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A BALBÚRDIA QUE A GENTE FAZ: CONFIRA AQUI OUTRAS ATIVIDADES QUE REALIZAMOS NOS ÚLTIMOS MESES Mutirão Agroecológico no SAF Primavesi Sabe aquela vontade de colocar a mão na terra e ainda aprender um pouquinho mais sobre agroecologia? Então, é aí que a Gestão UEPA (Unidade Experimental Participativa Agroecológica) trabalha. O mutirão teve como foco a adubação verde, onde foram plantados alguns tipos de leguminosas no nosso sistema agroflorestal Primavesi, localizado na UFSCar. Se você ainda não conhece o núcleo ou a NEPAL exibe o documentário “O sal da Terra” nossa agrofloresta seja mais que bem vin- Exibido no dia 29 de Novembro de 2018, “O do para nos conhecer e somar com a gente! Sal da Terra” é um documentário sobre a vida e obra do grande fotógrafo Sebastião Salgado. As NAAC na Universidade Aberta No dia 27 de Outubro de 2018 o NAAC par- temáticas presentes em seus diferentes projetos ticipou de mais uma edição da Universidade se referem à história recente da humanidade, e Aberta na UFSCar Sorocaba, evento no qual o nosso papel frente às crises ambientais e hualunos secundaristas da região tem a oportu- manitárias da atualidade. Ademais, e a exemplo nidade de conhecer um pouco da nossa reali- de suas fotografias, o documentário é belíssimo.

2018

dade através da apresentação de entidades estudantis e projetos desenvolvidos no campus.

Palestra: A experiência do Armazém Terra Viva A segunda palestra do curso “Transição Agroecológica na Agricultura Familiar: do cultivo ao consumo”, que aconteceu no dia 13 de Novembro de 2018, trouxe um pouco da história do Armazém Terra Viva, que surgiu através da Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER, já praticada pelo Instituto Terra Viva de Agroecologia, que vinha fortalecendo a transição agroecológica na região de Sorocaba/SP. Hoje, a associação, sem fins lucrativos, busca através da facilitação de abertura de mercados, realização de logística e assistência técnica, aproximar campo e cidade através do trabalho de distribuição para o atacado e varejo de alimentos saudáveis à preço justo.

Roda de conversa com lançamento do livro “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia” na UFSCar Sorocaba Nos últimos cinco anos, Larissa Bombardi, mestre e doutura em Geografia Humana, tem se dedicado ao estudo do uso de agrotóxicos na agricultura brasileira, e sua conexão com a mundialização do capital. Como resultado de seu Pós-Doutorado, publicou em 2017 o atlas “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Européia”, vindo divulgá-lo em 30 de Novembro de 2018 na UFSCar, seguindo o evento com uma roda de conversa sobre Segurança Alimentar e


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A BALBÚRDIA QUE A GENTE FAZ: CONFIRA AQUI OUTRAS ATIVIDADES QUE REALIZAMOS NOS ÚLTIMOS MESES Transição Agroecológica com Maria Emília Pacheco Em mais uma parceria com o SESC Sorocaba no curso “Transição Agroecológica na Agricultura Familiar: do cultivo ao consumo”, tivemos a oportunidade de partilhar um pouco da experiência de Maria Emília Pacheco, antropóloga, assessora da FASE-Solidariedade e Educação, integrante no Núcleo Executivo da Articulação Nacional de Agroecologia e da CoRecepção dos Calouros 2019 Para receber bem nossos calouros, preparamos um ordenação Ampliada do Fórum Brasileiro de trote diferenciado, um trote agroecológico. Con- Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional tamos com a presença de calouros dos cursos de biologia, engenharia florestal e turismo. Foi explicado como se dá o funcionamento do viveiro, além da apresentação do nosso sistema agroflorestal. O trote contou com o plantio de mais de 20 mudas da Palmeira Juçara e algumas mudas de árvores como a Tefrósia. Foi um momento de troca de experiências entre calouros e veteranos e ficamos contentes de receber bem nossos bixos da melhor maneira possível: tendo contato com a mãe terra!

2019

Oficina de escrita científica Em 30 de Março de 2019 realizamos uma oficina de escrita científica para bolsistas do PET-Conexões e NEAPS, ministrada pelo


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GOSTOU DO NOSSO BOLETIM? VENHA FAZER PARTE DO NAAC Reuniões quinzenais às terças-feiras, 12h30, na sala CCTS 1002b-PET da UFSCar Sorocaba: Rodovia João Leme dos Santos, km110 - Itinga

Nosso coletivo é construído pelas mãos de:

Fernando

Eliana

Erica

Marcia

Rodrigo

Thais

Adriel

Aline

Everton

Gabriela

Júlia

Larissa

Pedro

Raissa

Thamirys

Camila

Clara

Letícia

Marcela

Margareth

Raul

Apoio:

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Boletim Agroecológico do Núcleo de Agroecologia Apetê Caapuã

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