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Escola Artística António Arroio

“Uma esplanada sobre o mar”

Língua Portuguesa Professora: Eli

Ana Sofia Fernandes Magalhães 10º Ano Turma: I Nº: 3


Ficha da Leitura Autor: Vergílio Ferreira. Título da obra: “Uma Esplanada Sobre o Mar”, in Antologia do Conto Português, organizada e prefaciada por João de Melo Ano de publicação: 1ª edição:2002 4ª da Edição de 2004 Editor/Editora: Dom Quixote

Capa: Fundo verde-escuro com o título, Antologia do Conto Português, bem destacado, a meio e em branco. Ao longo da capa, num outro tom de verde, bem legível, os nomes dos 50 escritores presentes na antologia. Imediatamente abaixo do título, o nome do organizador e prefaciador do livro, em cinzento escuro. Em baixo, quase ao fim da linha da capa, destacada, num rectângulo, sobre fundo branco e com letras maiúsculas a verde muito escuro, o nome da editora e a i pequena imagem, também em branco, de um cavaleiro montado num cavalo com uma espada no ar – D. Quixote a cavalo. Ainda em final de página, mas à direita, num rectângulo preto, com os caracteres em branco o número da edição Contra – capa: Sem nada escrito, toda em verde seco escuro. Lombada: Em dois tons de verde. A parte superior, sem nada, mais clara, de cor igual à da contracapa e na parte inferior, com o mesmo tom da capa, em caracteres brancos, o nome do livro, Antologia do Conto Português e, em branco, o símbolo da editora – o cavaleiro D. Quixote.


Dados biográficos relevantes

Vergílio Ferreira nasceu em Melo, aldeia do concelho de Gouveia, na Beira Alta, no dia 30 de Fevereiro de 1996, filho de António Augusto Ferreira e, de Josefa. Aos dez anos, entrou no seminário do Fundão, onde esteve durante seis anos. Em 1932, deixa o seminário e acaba o Curso Liceal no Liceu da Guarda. Entrou para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Dedica-se à poesia, nunca publicada, salvo alguns versos lembrados em Conta-Corrente e, em 1939, escreve o seu primeiro romance, O Caminho Fica Longe. Licenciou-se em Filologia Clássica em 1940. Concluiu o Estágio no Liceu D. João III (1942), em Coimbra. Em 1946, casou-se com a professora polaca que se encontrava refugiada da guerra em Portugal, Regina Kasprzykowsky, com quem Vergílio ficaria até à sua morte. Foi professor no liceu de Évora, e depois em Lisboa, leccionando o resto da sua carreira no Liceu Camões. Ganhou,

entre

outros,

o

Prémio

do

Centro

Português

da

Associação Internacional de Críticos Literários, em 1985, pelo conjunto da sua obra, o Prémio Fémina, em 1990, o Prémio Europália, em 1991 e o Prémio Camões, em 1992. Em 1980, o realizador Lauro António adapta para o cinema, o romance Manhã Submersa e, Vergílio Ferreira intrepreta um dos principais papéis, o de Reitor do Seminário. Vergílio morreu no dia 1 de Março de 1996, em sua casa, em Lisboa, na freguesia de Alvalade.


Obras

O Caminho Fica Longe, 1943; Onde Tudo Foi Morrendo, 1944; Vagão J, 1946; Mudança, 1949; A Face Sangrenta, 1953; Manhã Submersa, 1954; Carta ao Futuro 1958; Aparição, 1959; Cântico Final, 1960;

da

Fenomenologia

a

Sartre,

1962;

Introdução

a

O

Existencialismo é um Humanismo, de Jean Paul Sartre, 1962; Estrela Polar, 1962; Apelo da Noite, 1963; Alegria Breve, 1965; Do Mundo Original, 1957; Invocação ao meu corpo, 1969; André Malreaux -Interrogação ao Destino, 1963; Espaço do Invisível, 4 volumes, 196576- 77- 87; Nítido Nulo, 1971; Apenas Homens, 1972; Rápida a Sombra, 1974; Contos, 1976; Signo Sinal, 1979; Para Sempre, 1983; Até ao Fim, 1987; Pensar, 1992; Conta-Corrente, cinco volumes, 1980-1988; Carta a Sandra, 1997 (edição póstuma)

Texto literário O autor usa um nível de língua cuidado, linguagem rica de imagens, de recursos expressivos. Exemplos:

[…] Vestia de branco e era loura, mas muito

queimada do sol. Ao lado da mesa estava montado um guarda-sol giratório de plano azul que o criado veio regular, para acertar bem a sombra. O criado não perguntou nada e inclinou-se apenas e a rapariga pediu um refresco. […] […] A espuma era mais branca, iluminada do sol, e o ruído do mar era quase contínuo e espalhado por toda a extensão das águas. […] […] A rapariga de vez em quando olhava de lado a porta que dava para a esplanada e depois olhava para o relógio. Voltava então a olhar o mar e ficava assim sem se mover. Tinha os olhos azuis muitos brilhantes, contra a pele morena e o traço negro que os contornava. Foi num desses momentos de alheamento que o rapaz entrou. À porta


da esplanada deteve-se um momento a orientar - se por entre as mesas ocupadas, mas logo localizou a rapariga sob o guarda – sol azul. […] […] O rapaz tinha o olhar absorto na extensão das águas e permaneceu calado algum tempo. As águas brilhavam com o reflexo do sol na agitação breve das ondas. A rapariga calava - se também, fitando o rapaz, porque percebia que ele não acabara de falar. Mas o rapaz calou – se como se não tivesse mais nada a dizer e ela perguntou […] O mais interessante foi a história em si mesma. Desde logo, quando a personagem masculina chega à esplanada e elogia o vestido da personagem feminina, enquanto esta lhe diz que já a tinha visto com aquele vestido muitas vezes, e a personagem masculina responde que, por vezes, acontecem coisas que fazem ver a vida com outros olhos, “olhos limpos”; a personagem feminina começa a fazer, com ansiosa insistência, a mesma pergunta “o que me queres dizer?” pois já havia começado a pensar que o seu companheiro queria acabar com a relação de namoro. O

rapaz nega e fala da importância do

ambiente, afirmando que num ambiente agradável como aquele em que se encontravam não era indicado dar uma má notícia. O nervosismo da rapariga aumenta, mas não força. Muda de assunto, e inquire sobre os exames em Outubro e a personagem masculina responde que não valeria a pena e, por fim, acaba por revelar que esteve no médico nessa tarde, e diz que só terá no máximo três meses de vida, e que vive agora todos os momentos intensamente. O menos interessante foi a parte descritiva, as caracterizações das personagens e do ambiente porque foram pausas muito grandes no que me estava a emocionar mais. O momento marcante: quando a personagem masculina revela à sua companheira que só terá três meses de vida e que irá agora viver todos os momentos intensamente.


Apreciação Global: Eu adorei a história, pois obriga a reflectir sobre a nossa própria vivência, que cada vida é curta, que teremos que aproveitar ao máximo o que a vida nos calha. O que eu aprendi nesta história é que nem vale a pena ter medo da morte. Basta saber que toda a natureza, homens, animais, nascem, crescem, morrem. Tudo acaba por terminar um dia. E penso que neste mundo, todos os dias, a qualquer hora, há sempre alguém ou alguma coisa, a nascer, outra a crescer, outra a fazer o seu aniversário e outra a morrer. Por isso, aproveitemos bem cada momento!

Principais sítios consultados:

 Imagem:  http://vferreira.no.sapo.pt/  Para a biobibliografia:  :http://cvc.instituto-camoes.pt/filosofia/1910j.html  http://pt.wikipedia.org/wiki/Verg%C3%ADlio_Ferreira


Uma esplanada sobre o mar-Vergílio Ferreira