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Seleção de Poemas (O Amor)

Escola Artística António Arroio Língua Portuguesa Professora: Elisabete Miguel Eduardo Carvalho Nº:10 / 10ºF

1


Índice

Introdução

3

Vinícius de Moraes

4-9

Joaquim Pessoa

10-14

Agostinho da Silva

15

Manuel Maria Barbosa du Bocage

16-17

Alexandre O`Nell

18

Mia Couto

19-20

Paula Fernandes

21-22

Pedro Abrunhosa

23

Apresentação

24

Justificação

25

Conclusão Referências na Internet

26 27

2


Introdução

No âmbito da disciplina de Português, este trabalho tem com objetivo a construção de uma antologia pessoal com, pelo menos, vinte poemas em língua portuguesa.

3


Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos Das horas que passei à sombra dos teus gestos Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos Das noites que vivi acalentado Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente E posso te dizer que o grande afeto que te deixo Não trai o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas Nem as misteriosas palavras dos véus da alma... É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias E só te pede que te repouses quieta, muito quieta E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

Vinícius de Moraes

4


Soneto de Devoção

Essa mulher que se arremessa, fria E lúbrica aos meus braços, e nos seios Me arrebata e me beija e balbucia Versos, votos de amor e nomes feios. Essa mulher, flor de melancolia Que se ri dos meus pálidos receios A única entre todas a quem dei Os carinhos que nunca a outra daria. Essa mulher que a cada amor proclama A miséria e a grandeza de quem ama E guarda a marca dos meus dentes nela. Essa mulher é um mundo! — uma cadela Talvez... — mas na moldura de uma cama Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

Vinícius de Moraes

5


O velho e a flor

Por céus e mares eu andei Vi um poeta e vi um rei Na esperança de saber o que é o amor Ninguém sabia me dizer E eu já queria até morrer Quando um velhinho com uma flor assim falou: O amor é o carinho É o espinho que não se vê em cada flor É a vida quando Chega sangrando Aberta em pétalas de amor

Vinícius de Moraes

6


Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe Já que a vida quis assim Que nada nesse mundo levará você de mim Eu sei e você sabe Que a distância não existe Que todo grande amor Só é bem grande se for triste Por isso meu amor Não tenha medo de sofrer Que todos os caminhos Me encaminham a você. Assim como o Oceano, só é belo com o luar Assim como a Canção, só tem razão se se cantar Assim como uma nuvem, só acontece se chover Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer Assim como viver sem ter amor, não é viver Não há você sem mim E eu não existo sem você!

Vinícius de Moraes

7


Pela luz dos olhos teus

Quando a luz dos olhos meus E a luz dos olhos teus Resolvem se encontrar Ai que bom que isso é meu Deus Que frio que me dá o encontro desse olhar Mas se a luz dos olhos teus Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar Meu amor, juro por Deus Que a luz dos olhos meus já não pode esperar Quero a luz dos olhos meus Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará Pela luz dos olhos teus Eu acho meu amor que só se pode achar Que a luz dos olhos meus precisa se casar.

Vinícius de Moraes

8


Soneto do amor total Amo-te tanto meu amor... não cante O humano coração com mais verdade... Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade. Amo-te enfim, de um calmo amor prestante E te amo além, presente na saudade. Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um bicho, simplesmente De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente. E de te amar assim, muito e amiúde É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

9


Houve uma Ilha em Ti Houve uma ilha em ti que eu conquistei. Uma ilha num mar de solidão. Tinha um nome a ilha onde morei. Chamava-se essa ilha Coração. Que saudades do tempo que passei. Nenhum desses momentos foi em vão. Do teu corpo, de ti, já nada sei. Também não sei da ilha, não sei, não. Só sei de mim, coberto de raízes. Enterrei os momentos mais felizes. Vivo agora na sombra a recordar. A ilha que eu amei já não existe. Agora amo o céu quando estou triste por não saber do coração do mar. Joaquim Pessoa

10


Amei Demais Madruguei demais. Fumei demais. Foram demais todas as coisas que na vida eu emprenhei. Vejo-as agora grávidas. Redondas. Coisas tais, como as tais coisas nas quais nunca pensei. Demais foram as sombras. Mais e mais. Cada vez mais ardentes as sombras que tirei do imenso mar de sol, sem praia ou cais, de onde parti sem saber por que embarquei. Amei demais. Sempre demais. E o que dei está espalhado pelos sítios onde vais e pelos anos longos, longos, que passei à procura de ti. De mim. De ninguém mais. E os milhares de versos que rasguei antes de ti, eram perfeitos. Mas banais.

Joaquim Pessoa

11


Canção de Amor Eu cantaria mesmo que tu não existisses, faria amor, assim, com as palavras. Eu cantaria mesmo que tu não existisses porque haveria de doer-me a tua ausência. Por isso canto. Alegre ou triste, canto. Como se, cantando, tocasse a tua boca, ainda antes da tua presença. Direi mesmo, depois da tua morte. Eu cantaria mesmo que tu não existisses, ó minha amiga, doce companheira. Eu festejo o teu corpo como um rio, onde, exausto, chegarei ao mar. Sim, eu cantaria mesmo que tu não existisses, porque nada eu direi sem o teu nome. Porque nada existe além da tua vida, da tua pele macia, dos teus olhos magoados. Assim quero cantar-te, meu amor, para além da morte, para além de tudo.

Joaquim Pessoa

12


Morrer de Amor é Assim Quem morre de tempo certo ao cabo de um certo tempo é a rosa do deserto que tem raízes no vento. Qual a medida de um verso que fale do meu amor? Não me chega o universo porque o meu verso é maior. Morrer de amor é assim como uma causa perdida. Eu sei, e falo por mim, vou morrer cheio de vida. Digo-te adeus, vou-me embora, que os versos que eu te escrever nunca os lerás, sei agora que nunca aprendeste a ler. Neste dia que se enquadra no tempo que vai passar, termino mais esta quadra feita ao gosto popular.

Joaquim Pessoa

13


Bastava-nos Amar

Bastava-nos amar. E não bastava o mar. E o corpo? O corpo que se enleia? O vento como um barco: a navegar. Pelo mar. Por um rio ou uma veia. Bastava-nos ficar. E não bastava o mar a querer doer em cada ideia. Já não bastava olhar. Urgente: amar. E ficar. E fazermos uma teia. Respirar. Respirar. Até que o mar pudesse ser amor em maré cheia. E bastava. Bastava respirar a tua pele molhada de sereia. Bastava, sim, encher o peito de ar. Fazer amor contigo sobre a areia.

Joaquim Pessoa

14


Meu Amor que Te Foste sem Te Ver Meu amor que te foste sem te ver que de mim te perdeste sem te amar quem sabe se outra vida tu vais ter ou se tudo se perde sem voltar ou se é dentro de mim que tem de haver tanta força no meu imaginar que o poeta que é Deus o vá reter e te dê vida e faça regressar para de novo o sonho desfazer num contínuo surgir e retornar ao nada que dá ser ao que é querer ao fado que só dá para se dar por tudo estou amor e merecer o que venha para eu te relembrar só adorando o nada pretender só vogando nas águas de aceitar.

Agostinho da Silva

15


Nada se Pode Comparar Contigo O ledo passarinho, que gorjeia D'alma exprimindo a cândida ternura; O rio transparente, que murmura, E por entre pedrinhas serpenteia; O Sol, que o céu diáfano passeia, A Lua, que lhe deve a formosura, O sorriso da Aurora, alegre e pura, A rosa, que entre os Zéfiros ondeia; A serena, amorosa Primavera, O doce autor das glórias que consigo, A Deusa das paixões e de Citera; Quanto digo, meu bem, quanto não digo, Tudo em tua presença degenera. Nada se pode comparar contigo. Manuel Maria Barbosa du Bocage

16


Se é Doce Se é doce no recente, ameno Estio Ver toucar-se a manhã de etéreas flores, E, lambendo as areias e os verdores, Mole e queixoso deslizar-se o rio; Se é doce no inocente desafio Ouvirem-se os voláteis amadores, Seus versos modulando e seus ardores Dentre os aromas de pomar sombrio; Se é doce mares, céus ver anilados Pela quadra gentil, de Amor querida, Que esperta os corações, floreia os prados, Mais doce é ver-te de meus ais vencida, Dar-me em teus brandos olhos desmaiados. Morte, morte de amor, melhor que a vida.

Manuel Maria Barbosa du Bocage

17


O Amor é o Amor

O amor é o amor — e depois?! Vamos ficar os dois a imaginar, a imaginar?... O meu peito contra o teu peito, cortando o mar, cortando o ar. Num leito há todo o espaço para amar! Na nossa carne estamos sem destino, sem medo, sem pudor e trocamos — somos um? somos dois? espírito e calor! O amor é o amor — e depois?

Alexandre O`Neill

18


A Demora O amor nos condena: demoras mesmo quando chegas antes. Porque não é no tempo que eu te espero. Espero-te antes de haver vida e és tu quem faz nascer os dias. Quando chegas já não sou senão saudade e as flores tombam-me dos braços para dar cor ao chão em que te ergues. Perdido o lugar em que te aguardo, só me resta água no lábio para aplacar a tua sede. Envelhecida a palavra, tomo a lua por minha boca e a noite, já sem voz se vai despindo em ti. O teu vestido tomba e é uma nuvem. O teu corpo se deita no meu, um rio se vai aguando até ser mar. Mia Couto

19


Para Ti

Foi para ti que desfolhei a chuva para ti soltei o perfume da terra toquei no nada e para ti foi tudo Para ti criei todas as palavras e todas me faltaram no minuto em que talhei o sabor do sempre Para ti dei voz às minhas mãos abri os gomos do tempo assaltei o mundo e pensei que tudo estava em nós nesse doce engano de tudo sermos donos sem nada termos simplesmente porque era de noite e não dormíamos eu descia em teu peito para me procurar e antes que a escuridão nos cingisse a cintura ficávamos nos olhos vivendo de um só amando de uma só vida. Mia Couto

20


Meu eu em você Eu sou o brilho dos teus olhos ao me olhar Sou o teu sorriso ao ganhar um beijo meu Eu sou teu corpo inteiro a se arrepiar Quando em meus braços você se acolheu Eu sou o teu segredo mais oculto Teu desejo mais profundo, Teu querer.. Tua fome de prazer, sem disfarçar Sou a fonte de alegria..Sou o teu sonhar Eu sou a tua sombra, Eu sou teu guia Sou o teu luar em plena luz do dia Sou tua pele, proteção..Sou teu calor Eu sou teu cheiro a perfumar o nosso amor. Eu sou tua saudade reprimida Sou teu sangrar ao ver minha partida Sou teu peito a apelar gritar de dor Ao se ver ainda mais distante do meu amor Sou teu ego, Tua alma Sou teu céu, O teu inferno..A tua calma Eu sou teu tudo..Sou teu nada Sou apenas tua amada... Eu sou teu mundo, Sou teu poder Sou tua vida.sou meu eu em você.

Paula Fernandes

21


Pássaro de Fogo

Vai se entregar pra mim. Como a primeira vez, Vai delirar de amor, sentir o meu calor Vai me pertencer... Sou passaro de fogo, que canta ao teu ouvido. Vou ganhar esse jogo, te amando feito um louco. Quero teu amor bandido Minha alma viajante. Coração independente. Por você corre perigo. Tô a fim dos teus segredos. De tirar o teu sossego. Ser bem mais que um amigo.. Não diga que não Não negue a você. Um novo amor, uma nova paixão. Diz pra mim... Tão longe do chão Serei os teus pés. Nas asas do sonho, rumo ao teu coração. Permita sentir, se entrega pra mim. Cavalga em meu corpo. Ô minha eterna paixão. Vai se entregar pra mim...

Paula Fernandes

22


Pontes entre nós Eu tenho o tempo, Tu tens o chão, Tens as palavras Entre a luz e a escuridão. Eu tenho a noite, E tu tens a dor, Tens o silêncio Que por dentro sei de cor. E eu, e tu, Perdidos e sós, Amantes distantes, Que nunca caiam as pontes entre nós. Eu tenho o medo, Tu tens a paz, Tens a loucura que a manhã ainda te traz. Eu tenho a terra, Tu tens as mãos, Tens o desejo que bata em nós um coração. E eu, e tu, Perdidos e sós, Amantes distantes, Que nunca caiam as pontes entre nós.

Pedro Abrunhosa

23


Amor em paz

Eu amei Eu amei, ai de mim, muito mais Do que devia amar E chorei Ao sentir que iria sofrer E me desesperar Foi então Que da minha infinita tristeza Aconteceu você Encontrei em você a razão de viver E de amar em paz E não sofrer mais Nunca mais Porque o amor é a coisa mais triste Quando se desfaz “Vinícius de Moraes”

24


25


A minha escolha deve-se, fundamentalmente, à minha identificação com os textos. Escolhi a temática do amor.

O motivo pelo qual fiz a minha ilustração é por ter tido uma ideia inicial de fazer a separação de um casal.

Para a realização deste trabalho tive que fazer algumas pesquisas na internet.

Por fim, com o acabar do trabalho pude perceber que tive alguma dificuldade e penso que também aprendi alguma coisa na realização do mesmo.

26


Internet:

http://www.citador.pt/poemas/ternura-vinicius-de-moraes

http://www.citador.pt/poemas/soneto-de-devocao-vinicius-de-moraes

http://www.citador.pt/poemas/houve-uma-ilha-em-ti-joaquim-pessoa

http://www.citador.pt/poemas/amei-demais-joaquim-pessoa

http://www.citador.pt/poemas/cancao-de-amor-joaquim-pessoa

http://www.citador.pt/poemas/o-amor-e-o-amor-alexandre-oneill

http://www.citador.pt/poemas/a-demora-mia-couto

http://www.citador.pt/poemas/para-ti-mia-couto

http://www.astormentas.com/vinicius.htm

http://www.citador.pt/poemas/morrer-de-amor-e-assim-joaquim-pessoa

http://www.citador.pt/poemas/meu-amor-que-te-foste-sem-te-ver-agostinhoda-silva

http://www.citador.pt/poemas/nada-se-pode-comparar-contigo-manuelmaria-barbosa-du-bocage

http://www.citador.pt/poemas/se-e-doce-manuel-maria-barbosa-du-bocage

http://www.vagalume.com.br/paula-fernandes/meu-eu-em-voce.html

www.vagalume.com.br/paula-fernandes/passaro-de-fogo-2.html

http://www.vagalume.com.br/pedro-abrunhosa/pontes-entre-nos.html.

27


Eduardo Carvalho - (o amor)