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Português

Professora: Eli

Que me contas tu? Talvez poesia?

“Simic Guild”, Alexis Briclot

Trabalho realizado por: Nome: Pedro Almeida Nº: 25 Turma: 10º E

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Introdução Foi-nos proposto pela professora de Português realizar um trabalho, com o objetivo de selecionar dez poemas de dez poetas diferentes, de autores portugueses e contemporâneos e destes escolher um, que deveria ser interpretado e ilustrado. A partir desta proposta refleti e decidi que iria retirar os poemas com uma sequência. Assim pretendo perceber se no meu crescimento existiu uma evolução de complexidade poética ao longo dos anos que tenho frequentado esta disciplina. Para tal recolhi poemas dos manuais de Língua Portuguesa, começando pelo 2º ano e terminando no 10º ano. O poema ilustrado não se inclui nesta sequência, pois contará a história de uma nova vida. Espero que a viagem na história da minha aprendizagem através da poesia seja tão boa como a minha.

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Índice Introdução ......................................................................................................................................... 2 Poema do 2º ano ............................................................................................................................. 4 “O pato-ganso” ............................................................................................................................. 4 Poema do 3º ano ............................................................................................................................. 5 “A fada gigante” ........................................................................................................................... 5 Poema do 4º ano ............................................................................................................................. 6 “As bocas do mundo” .................................................................................................................. 6 Poema do 5º ano ............................................................................................................................. 7 “Diz o Avô” .................................................................................................................................... 7 Poema do 6º ano ............................................................................................................................. 8 “Os nomes” ................................................................................................................................... 8 Poema do 7º ano ............................................................................................................................. 9 “As palavras” ................................................................................................................................ 9 Poema do 8º ano ........................................................................................................................... 10 “Passagem dos elefantes” ....................................................................................................... 10 Poema do 9º ano ........................................................................................................................... 11 “E alegre se fez triste” ............................................................................................................... 11 Poema do 10º ano ......................................................................................................................... 12 “O poema”................................................................................................................................... 12 Poema Ilustrado............................................................................................................................. 13 “Aniversários” ............................................................................................................................. 13 llustração do poema ...................................................................................................................... 16 Ligação explícita ao poema ......................................................................................................... 17 Conclusão ....................................................................................................................................... 18 Bibliografia ...................................................................................................................................... 19

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Poema do 2º ano “O pato-ganso” Os patos riem do ganso, Do seu andar pachorrento Que parece dar balanço Como empurrado pelo vento.

Mas quem ri melhor no fim É o ganso que não é tanso Quando come antes dos outros O pão todo que lhe lanço. Maria Isabel Mendonça Soares, 365 Histórias de Encantar, Verbo

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Poema do 3º ano “A fada gigante” Havia antigamente Um reino muito distante. Não tinha rei nem rainha A única coisa que tinha Era uma fada gigante De olhos azul reluzente.

Quem nos seus olhos olhasse Fosse velho ou menino Ficava cego para sempre Só de olhá-la de frente. Não tinha outro destino Quem uma tal coisa ousasse.

E nesse reino solteiro Todos fitavam o chão E dele nasciam rosas E outras flores preciosas: Dos olhos ao coração Floriam o ano inteiro.

Uma Primavera dura Sem ter o azul do céu E a fresca luz da Lua. Pão dos olhos só da rua E a alma adoeceu Numa doença sem cura. Nuno Higino, O menino que namora paisagens e outros poemas, Campo das letras, 2001

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Poema do 4º ano “As bocas do mundo” Um velho, um rapaz e um burro na estrada Em fila indiana os três caminhavam. Passou uma velha e pôs-se a troçar: - O burro vai leve e sem se cansar! O velho então para não ser mais troçado, Resolve no burro ir ele montado. Chegou uma moça e pôs-se a dizer: - Ai que coisa feia! Que triste é ver. O velho no burro enquanto o rapaz Pequeno e cansado a pé vai atrás! O velho desceu e o filho montou. Mas logo na estrada alguém lhes gritou: - Bem se vê que o mundo está transtornado! O pai vai a pé e o filho montado! O velho parou, pensou e depois Em cima do burro montaram os dois. Assim pela estrada seguiram os três. Mas ouvem ralhar pela quarta vez: - Um rapaz já grande e um velho casmurro São carga de mais no lombo do burro! Então o velhote seu filho fitou E com tais palavras sério falou: - Aprende, rapaz, a não te importar Se a boca do mundo de ti murmurar. Sophia de Mello Breyner Andersen

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Poema do 5º ano “Diz o Avô” Tens cabelos brancos. Mas porquê, avô? Caiu muita neve Na estrada onde vou.

Tens rugas na face. Mas porquê, avô? Bateu muito sol Na estrada onde vou.

Tens os olhos baços. Mas porquê, avô? Pousou nevoeiro Na estrada onde vou.

Tens calos nas mãos. Mas porquê, avô? Parti muita pedra Na estrada onde vou.

Tens o coração grande. Mas porquê, avô? Nele mora muita gente Que por mim passou. Luísa Ducla Soares, A Cavalo no Tempo, 2003

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Poema do 6º ano “Os nomes” Porque é que me chamo coelho E não me chamo melão? Porque é que me chamo lagartixa E não me chamo cão? Porque é que me chamo uva E não me chamo chuva? Porque é que me chamo Maria do Céu E não me chamo chapéu? Porque é que me chamo pedra E não me chamo perna? Porque é que me chamo cebola E não me chamo papoila? Porque é que me chamo casa E não me chamo asa? Porque é que me chamo Sol E não me chamo Lua? Porque é que me chamo Lua E não me chamo caracol? Cada coisa tem seu nome Por assim ser conhecida. Maria Alberta Menéres, Conversas com versos, 2005

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Poema do 7º ano “As palavras” São como um cristal, As palavras. Algumas, um punhal, Um incêndio. Outras, Orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam: Barcos ou beijos, As águas estremecem.

Desamparadas, inocentes, Leves. Tecidas são de luz E são a noite. E mesmo pálidas Verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem As recolhe, assim, Cruéis, desfeitas, Nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade, Coração do Dia, 1958

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Poema do 8º ano

“Passagem dos elefantes” Elefantes na água otimistas à solta Otimistas à solta elefantes na árvore

Elefantes na árvore otimistas na esquadra Otimistas na esquadra elefantes no ar

Elefantes no ar otimistas em casa Otimistas em casa elefantes na esposa

Elefantes na esposa otimistas no fumo Otimistas no fumo elefantes na ode

Elefantes na ode otimistas na raiva Otimistas na raiva elefantes no parque

Elefantes no parque otimistas na filha Otimistas na filha elefantes zangados

Elefantes zangados otimistas na água Otimistas na água elefantes na árvore Mario Cesariny

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Poema do 9º ano “E alegre se fez triste” Aquela clara madrugada que viu lágrimas correrem no teu rosto E alegre se fez triste como se Chovesse de repente em pleno Agosto.

Ela só viu meus dedos nos teus dedos Meu nome no teu nome. E demorados Viu nossos olhos juntos nos segredos Que em silêncio dissemos separados.

A clara madrugada em que parti. Só ela viu teu rosto olhando a estrada Por onde um automóvel se afastava.

E viu que a pátria estava toda em ti. E ouviu dizer-me adeus: essa palavra Que fez triste a clara madrugada.

Manuel Alegre, Trinta anos de Poesia, 2003

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Poema do 10º ano “O poema” O poema cresce inseguramente Na confusão da carne, Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto, Talvez como sangue Ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência Ou os bagos de uva de onde nascem As raízes minúsculas do sol. Fora, os corpos genuínos e inalteráveis Do nosso amor, Rios, a grande paz exterior das coisas, Folhas dormindo o silêncio - A hora teatral da posse.

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema. Insustentável, único, Invade as casas deitadas nas noites E as luzes e as trevas em volta da mesa E a força sustida das coisas E a redonda e livre harmonia do mundo. - Em baixo o instrumento perplexo ignora a espinha do mistério.

- E o poema faz-se contra o tempo e a carne. Herberto Hélder, Ou o Poema Contínuo, 2004

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Poema Ilustrado “Aniversários” As abelhas não fazem anos. Nenhuma viveu um ano Para o poder fazer. Com um dia de vida Qualquer abelha vai trabalhar. Com dois já pode namorar E com cinco casa e tem filhos. Com vinte dias de vida Uma abelha está acabada: É uma avelha.

Micróbios, como as amibas, Vivem menos de um segundo E nesse segundo também Cabe uma vida inteira, Cheia de tudo o que uma vida tem. Passa tudo tão depressa Que não chegam a ter idade. Não fazem anos, nem meses, Nem dias, nem minutos, nem segundos. Fazem milésimos de segundo - Uma eternidade.

As tartarugas fazem muitos anos, Mas devagarinho. Sei de uma que faz hoje anos E ainda vem a caminho. Quando chega aos anos que fez,

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Os anos já lá não estão. Às vezes já falta pouco Para os fazer outra vez. Qual era a pressa? O que é isto? Pergunta ela, espantada. Os anos são um vento que nos mata Sem darmos por isso. Não servem para mais nada. Quanto mais os fazemos Mais eles nos fazem a nós. É preciso ver que depois morremos E não há mais nada a fazer. Estamos feitos.

Os mortos desfazem anos. No dia do seu aniversário Faz anos que não fazem anos. Fazem não anos, Que são anos que não se fazem. E quantos mais não fazem Mais se afastam da sua antiga vida. Mais não são vivos.

Os anões são tão pequeninos Que não fazem anos. Fazem aninhos. Os gigantes são tão grandalhões Que não fazem anos. Fazem anões.

Um segundo é uma hora

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E uma hora é um segundo No relógio alucinado da paixão. Não há tempo nesse tempo. Quem ama nunca sabe As horas que são. E as horas também não sabem Onde os amantes estão. No relógio alucinado da paixão O tempo pára, retrocede, avança. Não está parado nem está em movimento. Está perdido mas não está perdido. Como tu, que amas, apenas dança.

Os anos que fazemos Também nos fazem a nós. Os anos que fizemos nos fizeram. Os anos que faremos nos farão. É de anos que somos feitos, De breve e misterioso tempo. Em nós estão os anos que já fomos. Esses anos que fizemos, somos nós, Do cimo da cabeça até à ponta dos pés. Quanto tempo é? Quantos anos são? De que é feito o tempo que nos faz? Quanto tempo há? Para onde vai o tempo que já foi? Onde está o tempo que virá?

Álvaro Magalhães, O brincador, 2000

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llustração do poema

Ilustração de Pedro Almeida, “Pequenas Grandes Coisas”

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Ligação explícita ao poema Decidi ilustrar o poema “Aniversários” de Álvaro Magalhães, pois este é uma reflexão sobre a vida e o modo como esta passa por cada um de nós. Após ler o poema identifiquei uma estrofe que considerei a “chave” deste poema, nesta o sujeito poético diz que os anões, por serem tão pequenos, não podem fazer anos, mas sim aninhos e que pelo contrário os gigantes, por serem tão grandes, não fazem anos, fazem anões. Penso que com esta relação entre os gigantes e os anões, o ciclo da vida é resumido, ou seja o homem nasce incompleto ou insignificante, nasce apenas um “anão”, este vai crescendo e aprendendo, os “anos” vão passando, até se tornar capaz de grandes feitos, tornou-se um “gigante”, e agora já pode proporcionar o recomeço deste ciclo, já pode originar novamente um “anão”. Com esta ilustração pretendo transmitir, que é a partir de algo insignificante e pequeno, que podemos “segurar” algo mais importante, ou seja apesar de nos acharmos pequenos devemos continuar a tentar tornar-nos uma pessoa melhor.

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Conclusão Após nos ter sido feita esta proposta de trabalho pela professora de Português e de ter compreendido que estes poemas deveriam relacionar-se, recolhi-os recorrendo aos livros de Português que utilizei desde o segundo, ao décimo ano. Nesta recolha tive em especial atenção retirar os poemas, de modo a criar um contraste significativo entre eles, podendo-se verificar uma evolução de complexidade. Por fim, conclui, que existiu uma evolução poética ao longo destes anos. No segundo ano, a poesia era simples, como era de esperar, e os poemas falavam apenas do essencial da vida, como os animais e a natureza. Já o terceiro ano introduzia os contos de fadas e as histórias com personagens fictícias. A partir do quarto ano já se falava nas próprias pessoas e na sua relação com os outros. O quinto ano! Não foi só uma mudança de escola e de amigos, mas, foi também a importante altura em que questionava a vida e a morte, já não era a poesia que nos respondia a uma questão que desconhecíamos, eramos nós que questionávamos, e eram essas questões que formavam os poemas. No sexto ano as perguntas que fazíamos passaram a ser influenciadas por aquilo que não somos ou por aquilo que os outros têm e nós não. “- Porque é que me chamo Maria do Céu e não me chamo chapéu?”. “Porque e que o João tem uma bola de futebol e eu não?” Após o oitavo ano a poesia tornou-se mais complexa, na sua estrutura e temática passando a falar sobre assuntos impossíveis, sobre situações intrigantes. Fomos iniciados na poesia surrealista. O nono ano foi muito importante, pois iniciamos uma altura difícil da nossa vida, a adolescência. Aquela altura em que os sentimentos mais profundos aparecem. Num dia estamos felizes e no dia a seguir já estamos tristes. E são destes sentimentos que nos fala a poesia. Por fim, hoje, aprendemos não apenas a ler a poesia mas também a interpretá-la de modo a podermo-nos aventurar a escrevê-la. Com este trabalho voltei a lembrar os anos que, outrora vividos, me levaram a gostar da poesia.

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Bibliografia 

“O pato-ganso”, em “Eu e o Bambi”- Língua Portuguesa 2ºano, Pinto, A., Carneiro, M.A., Porto Editora, 2004

“A fada gigante”, em “Trampolim 3” - Língua Portuguesa 3ºano, Antunes, F., Lemos, F., Porto Editora, 2005

“As bocas do mundo”, em “Giroflé” - Língua Portuguesa 4ºano, Marques, M., J., Santos, M., A., Gonçalves, A., Santillana, 2006

“Diz Avô”, em “O Segredo das Palavras” - Língua Portuguesa 5ºano, Horta, E., Romão, S., Santillana, 2003

“Os nomes”, em “O Segredo das Palavras” - Língua Portuguesa 6ºano, Horta, E., Romão, S., Oliveira, M., M., Santillana, 2005

“As palavras”, em “Entre Linhas” - Língua Portuguesa 7ºano, Ferreira, I., L., Lopes., M., L., Mendes, R., Santillana, 2006

“Passagem dos elefantes”, em “Ser em Português” - Língua Portuguesa 8ºano, Serpa, A., I., Veríssimo, A., Santillana, 2006

“E alegre se fez feliz”, em “Focus” - Língua Portuguesa 9ºano, Ferreira, I., L., Lopes, M., F., Mendes, R., Santillana, 2003

“O poema”, em “Expressões”- Língua Portuguesa 10ºano, Silva, P., Cardoso, E., Mendes, R., Costa, S., Correia, R., Porto Editora, 2004

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