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Professora: -Eli

Disciplina:

Trabalho realizado por:

Português

Constança Petrucci Nº10 10ºE 2012/2013


Índice: I - Introdução II - Poemas escolhidos 

Eugénio de Andrade, “É urgente o amor”

António Gedeão, “Pedra filosofal”

Al Berto, “Ao anoitecer adquires nome de ilha ou vulcão”

António Ramos Rosa, “Um caminho de palavras”

Pedro Tamen, “Mosca”

Sophia de Mello Breyner, “Porque nos outros há sempre qualquer nojo”

Ricardo Reis, “Para ser grande, sê inteiro: nada”

Manuel Alegre, “E alegra se fez triste”

David Mourão-Ferreira, “Paraíso”

Almada Negreiros, “A flor”

III - Ilustração de um dos poemas IV- Texto explicativo da imagem V - Conclusão VI - Web grafia


I - Introdução: Este trabalho foi-nos proposto pela professora Eli, no âmbito da sua disciplina de Língua Portuguesa. O objetivo deste trabalho é o de, a partir da seleção de dez poemas de autores contemporâneos de expressão portuguesa, eleger um e ilustrá-lo com desenho, fotografia, imagem ou escultura. Posteriormente será necessário elaborar um texto explicativo da imagem.


II - Poemas escolhidos É urgente o amor. É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer.

Eugénio de Andrade “ É urgente o amor“


Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer, como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso, como este ribeiro manso em serenos sobressaltos, como estes pinheiros altos que em verde e oiro se agitam, como estas aves que gritam em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma, é fermento, bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho é tela, é cor, é pincel, base, fuste, capitel, arco em ogiva, vitral, pináculo de catedral, contraponto, sinfonia, máscara grega, magia, que é retorta de alquimista, mapa do mundo distante, rosa-dos-ventos, Infante, caravela quinhentista, que é Cabo da Boa Esperança, ouro, canela, marfim, florete de espadachim,


bastidor, passo de dança, Colombina e Arlequim, passarola voadora, para-raios, locomotiva, barco de proa festiva, alto-forno, geradora, cisão de átomo, radar, ultrassom, televisão, desembarque em foguetão na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.

António Gedeão “ Pedra Filosofal ”


E ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão deixas viver sobre a pele uma criança de lume e na fria lava da noite ensinas ao corpo a paciência o amor o abandono das palavras o silêncio e a difícil arte da melancolia

Al berto “E ao anoitecer adquires nome de ilha ou vulcão”


Caminho um caminho de palavras (porque me deram o sol) e por esse caminho me ligo ao sol e pelo sol me ligo a mim

E porque a noite não tem limites alargo o dia e faço-me dia e faço-me sol porque o sol existe

Mas a noite existe e a palavra sabe-o.

António Ramos Rosa “Um caminho de palavras…”


Poisa na merda e no chocolate poisa na pera e no abacate salta qual pulga em qualquer balança salta de Espanha e pula pra França cruza Alentejo e logo se abeira dum litoral ou dum interior veste de preto e é varejeira ou faz-se roxa e multicolor há uma - a té - que transmite o sono molhando a asa no morno charco foi à Madeira valha-nos Zarco e de avião de carro e de barco sabe mais que o céu a seu dono voa baixinho no seu Outono não toma banho e gosta de praia pica na areia e nos pinheirais gosta de campo e adora animais pica os avós filhos netos pais pica o Barredo e pica Cascais

poisando poisando zumbindo zumbindo lá vai tão certeira tão cantando e rindo té que a mão ligeira ou o DDT a pá de plástico ou o jornal dobrado chega do destino com o bruto recado chega de mansinho e a faz em puré

Pedro Tamen ” MOSCA”


Porque nos outros há sempre qualquer nojo Que me gela e me afasta E em ti há sempre um pouco de mar largo Que de olhos cegos atrás de ti me arrasta.

Sophia de Mello Breyner “Porque nos outros há sempre qualquer nojo”


Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis, in “Para ser grande, sê inteiro: nada“


Aquela clara madrugada que Viu lágrimas correrem do teu rosto E alegre se fez triste como se Chovesse de repente em pleno Agosto.

Ela só viu meus dedos nos teus dedos Meu nome no teu nome. E demorados Viu nossos olhos juntos nos segredos Que em silêncio dissemos separados.

A clara madrugada em que parti. Só ela viu teu rosto olhando a estrada Por onde um automóvel se afastava.

E viu que a Pátria estava toda em ti. E ouviu dizer-me adeus: essa palavra Que fez tão triste a clara madrugada.

E ALEGRE SE FEZ TRISTE In "O Canto e as Armas" Manuel Alegre


Deixa ficar comigo a madrugada, para que a luz do Sol me não constranja. Numa taça de sombra estilhaçada, deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto, onde eu ouça o estertor de uma gaivota... Crepite, em derredor, o mar de Agosto... E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho que acendas, para tudo ser perfeito, à cabeceira a luz do teu joelho, entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso para a minha ilusão do Paraíso.

David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal" "PARAÍSO"


Pede-se a uma criança. Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis, A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém. Passado algum tempo o papel esta cheio de linhas, Umas numa direção, outras noutra; Umas mais carregadas outras mais leves; Umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu. Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais. Depois a criança vem mostrar essas linhas ás pessoas: uma flor! As pessoas não acham parecidas essas linhas com as de uma flor! Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, á procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor !

Almada Negreiros “ A Flor “


III – Ilustração


IV - Texto explicativo da imagem Depois de ter lido algumas vezes este poema surgiu-me a ideia de fazer uma sequência de imagens que ilustrasse o processo criativo que é, para mim, o tema central do mesmo. Inicialmente imaginei uma criança a desenhar uma flor numa folha de papel num canto de uma sala, isolando-se para que se pudesse concentrar. A criança começou a desenhar linhas, traços e riscos. Eu imagino que esta se sentia livre para poder arriscar, sem o peso do juízo crítico externo, ilustrar a flor à sua maneira. Para mim esta sensação de liberdade é ótima, importante e essencial para que nos possamos exprimir sem medos nem vergonhas. Durante o processo de realização deste trabalho, pensei em diferentes formas de o ilustrar, bem como em diferentes materiais a explorar. Para esta ilustração decidi utilizar a fotografia, folhas de papel e lápis de cor, que embora sejam materiais simples, podem ser utilizados de múltiplas formas. Com este trabalho descobri que gosto de poesia, descobri também novos autores, sendo que escolhi para este trabalho, aqueles que mais gostei.


V - Conclusão: Este trabalho tinha como objectivo selecionar um poema para ilustrar, a partir de dez já previamente escolhidos. Pesquisei alguns poemas na internet. Conversei também com algumas pessoas que me mostraram outros poemas. Destes, procurei escolher os que mais gostei e fiz a pesquisa na internet. Dos dez poemas selecionados, escolhi um que posteriormente ilustrei com uma montagem de fotografias. A sua realização permitiu-me compreender as dificuldades do ato criativo, bloqueei várias vezes, no entanto, com esforço e trabalho consegui realizá-lo. Fazendo uma comparação com o poema, em que a criança fluía no seu processo de criação, eu não senti o mesmo. Durante a realização deste trabalho, não senti o continuum de movimento que imagino esteja reflectido no poema. Pelo contrário, várias vezes tive que parar porque não surgiam ideias. Dei-me conta que ao parar nada acontecia...por vezes quando passava à ação pouco surgia também, até que quando arrisquei experimentar mais um pouco, começou a fluir. Parece-me que respeitar o ritmo de parar, iniciar, voltar a parar e voltar à ação, é importante. Confirmei que pouco se cria sem trabalho, sem experimentação e disciplina.


VI - Web grafia Dia: 28/01/2013

Horas:16:56 http://boticelli.no.sapo.pt/eugenio_de_andrade.htm#É urgente o amor

Horas:16:58 http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/antonio_gedeao/pedra_filo.html

horas:17:01 http://www.astormentas.com/alberto.htm

horas:17:05 http://www.estudioraposa.com/index.php/14/01/2012/antonio-ramos-rosa-umcaminho-de-palavras/

horas:17:15 http://www.arscives.com/pedrotamen/poemas10.asp

horas:17:31 http://pipi-nelas.blogspot.pt/2005/10/porque-nos-outros-h-sempre-qualquer.html

horas: 17:36 http://simecqcultura.blogspot.pt/2011/09/flor-almada-negreiros.html

horas:18:21 http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v067.txt

Dia :15-02-13

horas:15-37


http://arquivopessoa.net/textos/503

horas: 15:55 http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v067.txt

Poesia_ E_10  

Constança Petrucci. 10.º ano, n.º10, turma E, 2012-2013_2.º per._ Escola Artística António Arroio -Disciplina de Português - Professora Eli