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A poesia da minha vida

Escola Secundária Artística António Arroio Língua Portuguesa Professora Elisabete Miguel Beatriz Teixeira Lira n.º 5 - 10.º ano - turma F 2011/2012


Índice 

Introdução

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro), “ VII”

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro), “ XXVII”

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) , “ XXXI”

Fiama Hasse Pais Brandã, “ Metafísica da Malva”

Fiama Hasse Pais Brandão, “ O Nada. Sobretudo na Fase de Exaltação”

Charles Baudelaire, “ Correspondências”

Charles Baudelaire, “A Giganta”

António Gomes Leal, “Carta ao Mar”

Alberto Caeiro, “O que Ouviu os Meus Versos”

Alberto Caeiro, “O quê? Valho Mais que uma Flor”

Olavo Bilac, “Velhas Árvores”

Machado de Assis, “Manhã de Inverno”

Florbela Espanca, “Tarde no Mar”

António Nobre, “A Poezia do Outomno”

Guerra Junqueiro, “Génios”

António Nobre, “Sê Altivo!”

Machado de Assis, “As Rosas”

Florbela Espanca, “Mistério”

Francisco Joaquim Bringe, “Quem não Ama, Desmente a Natureza”

Gastão Cruz, “Que Farei no Outono quando Tudo Arde”

Das justificações

Conclusão

Webgrafia


Introdução

Este dossiê representa a resposta ao repto lançado pela professora de portugês. Como objetivos e/ou metas para a sua concretização, tenho a seleção de vinte poemas, preferencialmente de autorias diferentes, de modo a poder comparar o tipo de escrita, a mensagem “enviada”, e qualquer outro pequeno detalhe, e ainda a ilustração de um poema escolhido, que irá ao encontro do meu modo de ver, de sentir, a natureza, com a escrita de cada um dos poemas, selecionando o com que mais me identifico. Com a ilustração do poema escolhido, quero ir ao encontro não da natureza comum, mas de todos os significados que esta palavra pode ter, de modo a mostrar todos os tipos de natureza existentes no meu viver diário. Em qualquer uma das minhas justificações, como por exemplo referentes à seleção do poema ou a sua ilustração, explico o porquê do que escolhi e o modo como o fiz, dizendo ainda se me agradou a escolha, se fiquei satisfeita, e ainda se aprendi algo com a minha leitura e a minha interpretação.


VII

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo… Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura… Nas cidades a vida é mais pequena Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave, Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu, Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar, E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) Obra Poética e em Prosa Ed. António Quadros. Porto, Lello & Irmão, 1986


XXVII

Só a Natureza é divina, e ela não é divina… Se falo dela como de um ente É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens Que dá personalidade às cousas, E impõe nome às cousas. Mas as cousas não têm nome nem personalidade: Existem, e o céu é grande a terra larga, E o nosso coração do tamanho de um punho fechado… Bendito seja eu por tudo quanto sei. Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) Obra Poética e em Prosa Ed. António Quadros. Porto, Lello & Irmão, 1986


XXXI

Se às vezes digo que as flores sorriem E se eu disser que os rios cantam, Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores E cantos no correr dos rios… É porque assim faço mais sentir aos homens falsos A existência verdadeiramente real das flores e dos rios. Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes À sua estupidez de sentidos… Não concordo comigo mas absolvo-me, Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza, Porque há homens que não percebem a sua linguagem, Por ela não ser linguagem nenhuma.

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) Obra Poética e em Prosa Ed. António Quadros. Porto, Lello & Irmão, 1986


Metafísica da Malva

Imaginava que as arestas das grandes folhas esmaeciam e que a malva odorífera era o coração verde mais vivo entre as plantas daqueles campos. Campos que em si esmaeciam também na luz jacente celeste espalhada pelo chão sem fim. Céu inteiro no mundo sem diferença. Folhagem a ser imaginada somente, depois de a ver e apalpar o poeta, guardada no coração para a rever.

Fiama Hasse Pais Brandão, in Três Rostos - Arómatas


O Nada. Sobretudo na Fase de Exaltação

Os ramos de árvores despidos que nos lembram o nada. Sobretudo na fase de exaltação do espírito. Com a cabeça encostada aos vidros altos.

Simultaneamente procurar o centro da irradiação. O Sol matinal com os seus hiatos preenchidos por casas. Ameias onde se invertem os vértices do horizonte. Sol magnânimo

fixo sobre as árvores abençoadas sem folhas. Infinitos pormenores visíveis e espaços audíveis preenchem a hora exaltada. Ponto profusamente cheio. Um fino silêncio exterior

sinal do nada circundante. Graveto junto de graveto cruzados para além do fim da perspectiva. Um significado diverso naquelas ameias em outros planos. O nada sempre coeso. Uma respiração intangível e sem sombras. Fiama Hasse Pais Brandão, in Nova Natureza


Correspondências A natureza é um templo augusto, singular, Que a gente ouve exprimir em língua misteriosa; Um bosque simbolista onde a árvore frondosa Vê passar os mortais, e segue-os com o olhar.

Como distintos sons que ao longe vão perder-se, Formando uma só voz, de uma rara unidade, Tem vasta como a noite a claridade, Sons, perfumes e cor logram corresponder-se

Há perfumes subtis de carnes virginais, Doces como o oboé, verdes como o alecrim, E outros, de corrupção, ricos e triunfais

Como o âmbar e o musgo, o incenso e o benjoim, Entoando o louvor dos arroubos ideais, Com a larga expansão das notas d'um clarim.

Charles Baudelaire, in As Flores do Mal Tradução de Delfim Guimarães


A Giganta No tempo em que a Natura, augusta, fecundanta, Seres descomunais dava à terra mesquinha, Eu quisera viver junto d'uma giganta, Como um gatinho manso aos pés d'uma rainha!

Gosta de assistir-lhe ao desenvolvimento Do corpo e da razão, aos seus jogos terríveis; E ver se no seu peito havia o sentimento Que faz nublar de pranto as pupilas sensíveis

Percorrer-lhe a vontade as formas gloriosas, Escalar-lhe, febril, as colunas grandiosas; E às vezes, no verão, quando no ardente solo

Eu visse deitar, numa quebreira estranha estranha, Dormir serenamente à sombra do seu colo, Como um pequeno burgo ao sopé da montanha!

Charles Baudelaire, in As Flores do Mal Tradução de Delfim Guimarães


Carta ao Mar Deixa escrever-te, verde mar antigo, Largo Oceano, velho deus limoso, Coração sempre lyrico, choroso, E terno visionario, meu amigo!m

Das bandas do poente lamentoso Quando o vermelho sol vae ter comtigo, - Nada é mais grande, nobre e doloroso, Do que tu, - vasto e humido jazigo!

Nada é mais triste, tragico e profundo! Ninguem te vence ou te venceu no mundo!... Mas tambem, quem te poude consollar?!

Tu és Força, Arte, Amor, por excellencia! E, comtudo, ouve-o aqui, em confidencia; - A Musica é mais triste inda que o Mar!

António Gomes Leal, in Claridades do Sul


O que Ouviu os Meus Versos O que ouviu os meus versos disse-me: "Que tem isso de novo? Todos sabem que unia flor é uma flor e uma árvore é uma árvore. Mas eu respondi, nem todos, (?.......... ) Porque todos amam as flores por serem belas, e eu sou diferente E todos amam as árvores por serem verdes e darem sombra, mas eu não. Eu amo as flores por serem flores, diretamente. Eu amo as árvores por serem árvores, sem o meu pensamento.

Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos Heterónimo de Fernando Pessoa


O quê? Valho Mais que uma

Tenho perfume e tu não tens, porque

Flor

sou flor...

O quê? Valho mais que uma flor

Mas para que me comparo com uma

Porque ela não sabe que tem cor e eu sei,

flor, se eu sou eu E a flor é a flor?

Porque ela não sabe que tem perfume e eu sei,

Ah, não comparemos coisa nenhuma,

Porque ela não tem consciência de

olhemos.

mim e eu tenho consciência dela?

Deixemos análises, metáforas, símiles.

Mas o que tem uma coisa com a outra

Comparar uma coisa com outra é

Para que seja superior ou inferior a

esquecer essa coisa.

ela?

Nenhuma coisa lembra outra se

Sim tenho consciência da planta e ela

repararmos para ela.

não a tem de mim.

Cada coisa só lembra o que é

Mas se a forma da consciência é ter

E só é o que nada mais é.

consciência, que há nisso? A planta, se falasse, podia dizer-me: E o teu perfume? Podia dizer-me: Tu tens consciência

Separa-a de todas as outras o facto de que é ela. (Tudo é nada sem outra coisa que não é).

porque ter consciência é uma qualidade humana E só não tenho uma porque sou flor senão seria homem.

Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos Heterónimo de Fernando Pessoa


Velhas Árvores Olha estas velhas árvores, mais belas Do que as árvores novas, mais amigas: Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas Vivem, livres de fomes e fadigas; E em seus galhos abrigam-se as cantigas E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo! envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade, Agasalhando os pássaros nos ramos, Dando sombra e consolo aos que padecem!

Olavo Bilac, in Poesias


Manhã de Inverno Gelo não cobre o dorso das Coroada de névoas, surge a aurora

montanhas,

Por detrás das montanhas do

Nem enche as folhas trêmulas a

oriente;

neve;

Vê-se um resto de sono e de

Galhardo moço, o inverno deste

preguiça,

clima

Nos olhos da fantástica indolente.

Na verde palma a sua história escreve.

Névoas enchem de um lado e de outro os morros

Pouco a pouco, dissipam-se no

Tristes como sinceras sepulturas,

espaço

Essas que têm por simples

As névoas da manhã; já pelos

ornamento

montes

Puras capelas, lágrimas mais puras.

Vão subindo as que encheram todo o vale;

A custo rompe o sol; a custo invade

Já se vão descobrindo os horizontes.

O espaço todo branco; e a luz brilhante

Sobe de todo o pano; eis aparece

Fulge através do espesso nevoeiro,

Da natureza o esplêndido cenário;

Como através de um véu fulge o

Tudo ali preparou co’os sábios olhos

diamante.

A suprema ciência do empresário.

Vento frio, mas brando, agita as

Canta a orquestra dos pássaros no

folhas

mato

Das laranjeiras úmidas da chuva;

A sinfonia alpestre, — a voz serena

Erma de flores, curva a planta o

Acordo os ecos tímidos do vale;

colo,

E a divina comédia invade a cena.

E o chão recebe o pranto da viúva.

Machado de Assis, in Falenas


Tarde no Mar A tarde é de oiro rútilo: esbraseia O horizonte: um cacto purpurino. E a vaga esbelta que palpita e ondeia, Com uma frágil graça de menino,

Poisa o manto de arminho na areia E lá vai, e lá segue ao seu destino! E o sol, nas casas brancas que incendeia. Desenha mãos sangrentas de assassino!

Que linda tarde aberta sobre o mar! Vai deitando do céu molhos de rosas Que Apolo se entretém a desfolhar...

E, sobre mim, em gestos palpitantes, As tuas mãos morenas, milagrosas, São as asas do sol, agonizantes...

Florbela Espanca, in Charneca em Flor


A Poezia do Outomno

E nos seus leitos nupciaes, os ninhos, As lavandiscas noivam piando, piando! Noitinha. O sol, qual brigue em chammas, morre

O orvalho cae do céu, como um

Nos longes d'agoa... Ó tardes de

unguento.

novena!

Abrem as boccas, aparando-o, os

Tardes de sonho em que a poezia

goivos...

escorre

E a larangeira, aos repellões do

E os bardos, a sonhar, molham a

vento,

penna!

Deixa cair por terra a flor dos noivos.

Ao longe, os rios de agoas prateadas Por entre os verdes cannaviaes,

E o orvalho cae... E, á falta d'agoa,

esguios,

rega

São como estradas liquidas, e as

O val sem fruto, a terra arida e nua!

estradas

E o Padre-Oceano, lá de longe, prega

Ao luar, parecem verdadeiros rios!

O seu Sermão de Lagrymas, á Lua!

Os choupos nus, tremendo,

Tardes de outomno! ó tardes de

arripiadinhos,

novena!

O chale pedem a quem vae

Outubro! Mez de Maio, na lareira!

passando...

Tardes... Lá vem a Lua, gratiae plena, Do convento dos céus, a eterna freira!

António Nobre, in Só


Génios

Que a terra há-de estoirar em brancos estilhaços

E disse-me: Poeta, ao longe no

No círculo fatal dos seus enormes

horizonte

braços.

Não vês quase a lamber a abóbada

Como galope infrene! Ei-la que

do céu

chega!... voa

Brilhante e luminoso um túmido

Num ímpeto feroz, num salto de

escarcéu?

leoa

Como alvacento leão, na rápida

Aos rudes alcantis! e em hórrida

carreira

tormenta

Vem sacudindo a juba... A natureza

Na rígida tranqueira o vagalhão

inteira

rebenta,

Cisma, contempla, escuta o cântico

Bramindo pelo ar: trepa, vacila,

profundo

nuta,

Em trágico silêncio. O Sol já

E exânime por fim, vencida nesta

moribundo

luta,

Resvala-lhe no dorso, iria-lho de

Sem voz, sem força, inerte, exausta,

chamas,

esfarrapada .

Como dum monstro enorme as

Lá vai... aonde a leve a ríspida

fúlgidas escamas...

nortada.

Rugindo enovelada em turbilhão

No entanto uma outra vaga e outra e

insano,

outra e mais,

A vaga colossal, rasoira do oceano,

Exército sem fim de monstros colossais,

Lá vem rolando grave, e deixa ao

Lá partem do horizonte e vem uma

caminhar

por uma

Um campo atrás dum monte, um

Rugir e desfazer-se em flocos de alva

lago atrás dum

espuma.

[mar! Qual lúcida serpente agora ei-la

Mas neste galopar indómito,

decresce

infinito

Em curva indefinida;—alonga-se...

As ondas vão minando a rocha de

parece

granito... Guerra Junqueiro, in A Musa em Férias


Sê Altivo! Altos pinheiros septuagenarios E ainda empertigados sobre a serra! Sois os Enviados-extraordinarios, Embaixadores d'El-Rey Pan, na Terra.

A noite, sob aquelles lampadarios, Conferenciaes com elle... Ha paz? Ha guerra? E tomam notas vossos secretarios, Que o Livro Verde secular encerra.

Hirtos e altos, Tayllerands dos montes! Tendes a linha, não vergaes as frontes Na exigencia da côrte, ou beija-mão!

Voltaes aos homens com desdem a face... Ai oxalá! que Pan me despachasse Addido á vossa extranha legação!

António Nobre, in Só


As Rosas Passais do seio amante ao seio amante; Lá bate a hora infausta Rosas que desabrochais,

Em que é força morrer; as folhas

Como os primeiros amores,

lindas

Aos suaves resplendores

Perdem o viço da manhã primeira,

Matinais;

As graças e o perfume. Rosas que sois então? – Restos

Em vão ostentais, em vão, A vossa graça suprema; De pouco vale; é o diadema

perdidos, Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha Brisa do inverno ou mão indiferente.

Da ilusão. Tal é o vosso destino, Em vão encheis de aroma o ar da tarde; Em vão abris o seio úmido e fresco Do sol nascente aos beijos

Ó filhas da natureza; Em que vos pese à beleza, Pereceis;

amorosos;

Mas, não... Se a mão de um poeta

Em vão ornais a fronte à meiga

Vos cultiva agora, ó rosas,

virgem;

Mais vivas, mais jubilosas,

Em vão, como penhor de puro afeto,

Floresceis.

Como um elo das almas, Machado de Assis, in Crisálidas


Mistério Gosto de ti, ó chuva, nos beirados, Dizendo coisas que ninguém entende! Da tua cantilena se desprende Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados Uma alada canção palpita e ascende, Frases que a nossa boca não aprende Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio, Fazes passar o lúgubre arrepio Das sensações estranhas, dolorosas...

Talvez um dia entenda o teu mistério... Quando, inerte, na paz do cemitério, O meu corpo matar a fome às rosas!

Florbela Espanca, in Charneca em Flor


Quem não Ama, Desmente a Natureza Se a flor namora a flor que lhe é vizinha, Se uma palma com outra enlaça os ramos, Se nos prados, com cândidos reclamos, Namora uma avezinha outra avezinha.

Se o mundo o seu Autor quando o sustinha, Nos eixos do poder, que acreditamos, Na longa rotação que divisamos, Viu que, para o suster, Amor convinha:

Se Amor é um dever que impresso existe Em tudo que vegeta a redondeza, Em que o governo universal consiste:

Quem se exime de amor e a Amor despreza? Quem ataca esta Lei? Quem lhe resiste? Quem não ama, desmente a Natureza.

Francisco Joaquim Bingre, in Sonetos


Que Farei no Outono quando Tudo Arde Que farei no outono quando ardem as aves e as folhas e se chove é sobre o corpo descoberto que arde a água do outono

Que faremos do corpo e da vontade de o submeter ao fogo do outono quando o corpo se queima e quando o sono sob o rumor da chuva se desfaz

Tudo desaparece sob o fogo tudo se queima tudo prende a sua secura ao fogo e cada corpo vai-se

prendendo ao fogo raso pois só pode arder imerso quando tudo arde

Gastão Cruz, in As Aves


Das justificações


Após a leitura dos poemas que selecionei de diferentes poetas portugueses, é de fácil observação o principal tema a que se referem, neste caso, é a natureza. A natureza, assim dizendo, pode levar-nos aos mais diversos componentes, e foi esse mesmo o meu objetivo com a escolha deste tema que tanto pode abranger, pois assim posso levar a palavra “natureza” a todos os seus significados, como a natureza do corpo humano, das plantas, e, até mesmo, extrapolando um pouco, à natureza da vida.

Para fazer a seleção dos poemas, tive como principal referência a qualidade dos textos que pesquisei, estando presentes aqui apenas aqueles com que mais me identifiquei. O meu tema poderia levar-nos aos mais variados versos, por ser tão abrangente, mas, por gosto, decidi publicar os que têm a ver com a natureza nas plantas. Escolhi este tema porque, através dos textos sobre eles escritos, consigo pensar, imaginar, e criar, isto é, frequentemente, uso-os como principal fonte de inspiração, pois cada poeta, pensando de maneira diferente, faz-me conhecer mundos novos, nos quais gostaria de poder entrar plenamente. Em suma, são fonte de fruição, bebedouro de conhecimento. As plantas, de certo modo, “falam conosco”. Por vezes o que ouvimos delas é o mais certo, e ao ler um poema sobre a natureza, percebemos que o que o poeta escreve, é o mesmo que pensamos e sentimos. Em todos os poemas que escolhi, estabeleci uma ligação entre mim e o que está escrito, e, em alguns casos, entre mim e o próprio poeta, pois, ao ler, entendo que a ideia que transmite através do poema é o que eu penso, o que me levará, mais tarde, a ler mais poemas do mesmo poeta.


Duas formas de pensar - e ver - a natureza nua.

Fotografias de Beatriz Lira


Da fotografia ao desenho

Realizado por Beatriz Lira - na aula de desenho - 2011


O quê? Valho Mais que uma Flor Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos Heterónimo de Fernando Pessoa

Este foi o poema que mais me cativou, com o qual me identifiquei mais e melhor, porque, para além de retratar a natureza, o sujeito poetico compara também a natureza ao homem, mostrando vários exemplos em que este se sobrepõe à natureza (aqui, uma flor) e, consecutivamente, a resposta ao homem se ela tivesse consciência. O poeta mostra-se humilde ao tentar, na última estrofe, equilibrar um pouco o peso da natureza e do homem mostrando que as comparações não devem ser feitas para não se esquecer nenhuma das partes, tudo é exacto e nada deve ser deixado de parte. É interessante ver que o poeta tenta não racionalizar ou pensar sobre o que se está a passar à volta dele, admitindo que uma flor é uma flor e nada mais do que isso, e o homem é apenas um homem. É desta pura simplicidade que me vem o agrado sobre esta poesia, muito transparente, de Fernando Pessoa, no seu heterónimo Alberto Caeiro.


Conclusão

Como objetivo principal tinha conhecer novos poetas e as suas obras, antigas ou recentes, e na minha opinião esse foi um objetivo conseguido pois agora posso falar de novas poesias e de alguns autores com quem mais me identifiquei. Para a escolha da ilustração, decidi utilizar duas fotografias da minha autoria, juntamente com um desenho feito no decorrer do primeiro período, nas aulas de desenho, pois abrangiam todo o tema principal que decidi dar ao meu trabalho de língua portuguesa. Não optei por pesquisar poemas em musicas, preferindo assim alguns poemas mais conhecidos, poemas clássicos, e outros menos conhecidos, para que pudesse também conhecer diferentes tipos de escrita e opinião de poetas mais recentes. Com este trabalho, não só aprendi a gostar mais da poesia, como aprendi a respeitá-la ainda mais. Ler poesia não é olhar, saltar as linhas, ou rimar; ler poesia é saber ler linha a linha, palavra a palavra, é saborear, com paixão, cada letra, cada pausa, cada ritmo, cada som, cada silêncio. Ao ter de procurar, ler, pensar, enjeitar, escolher, descobri um novo mundo, fantástico, e, provavelmente, sem o desafio que este trabalho constituiu demoraria muito mais tempo a lá chegar.


Webgrafia

 Sítios pesquisados, ao longo dos meses de janeiro e de fevereiro:

http://www.citador.pt/

http://texere.blogspot.com/

http://novelosdesilencio.blogspot.com/

http://arquivopessoa.net/

http://ruialme.blogspot.com/

http://poesiailimitada.blogspot.com/

http://poediapoedia.blogspot.com/


Beatriz Lira - A poesia da minha vida  

Beatriz Lira, 10.º ano, n.º5, turma F, Escola Artística António Arroio - Disciplina de Português - Professora Eli

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