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Escola Artística António Arroio

20 poemas

Professora Elisabete Miguel Ana Catarina Vaz Prata nº3 10ºF Ano letivo 2011/2012


Índice Introdução Já não me importo

Fernando Pessoa

Teus olhos têm uma cor

Florbela Espanca

Seio de Virgem

Álvaro Alvares

Tomara

Vinícius de Morais

Ausência

Miguel Torga

Esperança Amorosa

Bocage

O poeta asseteado por amor

Bocage

Tenho tanto sentimento

Fernando Pessoa

Esperança

Miguel Torga

Sofro de não te ver

Saúl Dias

Aquele que partiu

Sophia de Mello Breyner

Espero

Sophia de Mello Breyner

Amei-te

Saúl Dias

Soneto de Amor

José Régio

Lágrimas ocultas

Florbela Espanca

Tenho tanto sofrimento

Fermnando Pessoa

Amor

Florbela Espanca

Terror de te amar

Sophia de Mello Breyner

E eu gosto tanto dela que não sei

Fernando Pessoa

O amor é uma companhia

Alberto Caeiro

Escolha dos vinte poemas Poema escolhido e imagem que lhe associo Conclusão

Todos os textos foram colhidos na internet.


Introdução

A professora de português propôs a recolha de 20 poemas, de autores portugueses diferentes. A temática era livre, mas deveria ser perceptível um tema aglutinador, que deveria ser explicitado. Deveria ser feita a ilustração de um dos poemas selecionados e explicada a interpretação visual. Optei por centrar a minha pesquisa em autores do século XX, e, porque gosto muito, quis também incluir Bocage, que viveu no século anterior. Norteei a minha escolha dos 20 poemas em função de um tema, o Amor. Dos vinte, “Terror de te amar” é, talvez, o meu poema preferido, daí que o tivesse escolhido para a ilustração.


Já não me importo Já não me importo até com o que amo ou creio amar. sou um navio que chegou a um porto e cujo movimento é ali estar.

Nada me resta do que quis ou achei. Cheguei da festa como fui para lá ou ainda irei.

Indiferente a quem sou ou suponho que mal sou.

Fito a gente que me rodeia e sempre rodeou, com um olhar que, sem o poder ver, sei que é sem ar de olhar a valer . Com um olhar que, sem o poder ver, sei que é sem ar de olhar a valer.

E só me não cansa o que a brisa me traz de súbita mudança no que nada me faz.

Fernando Pessoa


Teus olhos têm uma cor

Teus olhos têm uma cor de uma expressão tão divina, tão misteriosa e triste como foi minha sina!

É uma expressão de saudade Vagando num mar incerto Parecem negros de longe… Parecem azuis de perto.

Mas nem negros nem azuis São teus olhos meu amor… Seriam da cor da mágoa, Se a mágoa tivesse cor.

Florbela Espanca


Seio de Virgem

O que eu sonho noite e dia O que me dá poesia E me torna a vida bela, O que num brando roçar Faz meu peito agitar, E o teu seio, donzela!

Oh! Quem pintara o cetim Desses limões de marfim, Os leves cerúleos veios Na brancura deslumbrante E o tremido dos teus seios!

Quando os vejo, de paixão Sinto pruridos na mão De os apalpar e conter… Sorriste do meu desejo? Loucura! Bastava um beijo Para neles se morrer!

Álvares de Azevedo


Tomara

Tomara Que você volte depressa Que você não se despeça Nunca mais do meu carinho E chore, se arrependa E pense muito Que é melhor se sofrer junto Viver feliz sonhando.

Tomara Que a tristeza te convença Que a saudade não comensa E que a ausência não dá paz E o verdadeiro amor de quem se ama Tece a mesma antiga trama Que não se desfaz!

E a coisa mais divina que há no mundo é viver cada segundo como nunca mais…

Vinícius de Morais


Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo De amar os teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto No entanto a tua presença é qualquer coisa Como a luz e a vida.

Miguel Torga


Esperança Amorosa

Grato silêncio, trémulo arvoredo Sombra propícia aos crimes e aos amores, Hoje serei feliz! – Longe, temores, Longe, fantasmas, ilusões do medo.

Sabei, amigos Zéfiros, que cedo Entre os braços da Nise, entre estas flores, Furtivas glórias, táctitos favores, Hei-de enfim possuir enfim: porém segredo!

Nas asas frouxos ais , brandos queixumes Não leveis, não faças isto patente, Quem nem quero que o saiba o pai dos numes:

Cale-se o caso a Jove omnipotente; Porque, se ele souber, terá ciúmes, Vibrará contra mim seu raio ardente.

Bocage


O poeta asseteado por amor

O poeta asseteado por amor Ó céus! Que sinto n’alma! Que tormento! Que repentino frenesi me anseia! Que veneno a ferver da veia em veia

Me gasta a vida, me desfaz o alento! Tal doce amada, ó meu alento! Eis que esse deus, que em prantos se recreia, Me diz “A que se expõe quem não receia

Contemplar ursulina um só movimento. “Insano!” eu bem te vi dentro a luz pura De teus olhos travessos, e cum tiro

Puni tua sacrílega loucura: De morte, por piedade hoje te firo: Vai pois, vai merecer na sepultura Á tua linda ingrata algum suspiro.

Bocage


Tenho Tanto Sentimento

Tenho tanto sentimento Que é frequente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira E qual errada, ninguém Nos saberá explicar; E vivemos de maneira Que a vida que a gente tem É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa, Cancioneiro


Esperança

Tantas formas revestes, e nenhuma Me satisfaz! Vens ás vezes no amor, e quase te acredito. Mas toso o amor é um grito Desesperado Que apenas ouve o eco…

Peco Por absurdo humano: Quero não sei que cálice profano Cheio de um vinho herético e sagrado.

Miguel Torga, Penas do Purgatório


Sofro de não te ver

Sofro De não te ver, De perder Os teus gestos Leves, lestos, A tua fala Que o sorriso embala, A tua alma, Límpida, tão calma…

Sofro De te perder, durante dias que me parecem meses Durante meses que parecem anos

Quem me vem regar o meu jardim de enganos, Tratar das árvores de tenrinhos ramos?

Saúl Dias


Aquele que partiu

Aquele que partiu Precedendo os próprios passos como um jovem morto Deixou-nos a esperança.

Ele não ficou para connosco Destruir com amargas mãos seu próprio rosto . Intacta é a sua ausência Como a estátua dum deus Poupada pelos invasores duma cidade em ruínas.

Ele não ficou para assistir À morte da verdade e à vitória do tempo.

Que ao longe Na mais longínqua praia Onde só haja espuma sal e vento Ele se perca tendo-se cumprido , Segundo a lei do seu próprio pensamento E que ninguém repita o seu nome proibido.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Espero

Espero por ti o dia inteiro, Quando na praia sobe, de cinza e oiro. O nevoeiro E hรก em todas as coisas o agoiro De uma fantรกstica vinda.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Amei-te

Amei-te Porque o teu olhar numa tarde se encheu de lágrimas, E falaste em morrer, e tremeste de medo. Contudo Não eras mais que uma flor corrupta, dessas que a vida enleia e usa E depois atira para uma sarjeta lamacenta.

Mas, para mim, eras toda a inocência, toda a pureza branca Porque inoncência é um dom de Deus, O dom só concedido Áqueles que mais ama. Por isso, os homens só aparentemente sujam As pequenas rosas. Ah! Tivesse eu forças para seguir-te, Embora de longe, mas atentamente, Ajudando-te a subir o agreste calvário!

Saúl Dias


Soneto de Amor

Não me peças palavras, nem baladas, Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio, Deixa cair as pálpebras pesadas, E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio, Nossas línguas se busquem, desvairadas... E que os meus flancos nus vibrem no enleio Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos, Nós trocaremos beijos e gemidos, Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada! Enterra-os bem nos meus; não digas nada... Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

José Régio


Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras Em que ri e cantei, em que era querida, Parece-me que foi outras feras, Parece-me que foi numa outras vida…

E a minha triste boca dolorida Que dantes tinha o rir das primaveras Esbate as linhas graves e severas E cai num abandono da esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago… Toma a brandura, plácida dum lago E o meu rosto de monja de marfim…

E as lágrimas que choro, Branca e calma, Ninguém as vê brotar dentro da minha alma! Ninguém as vê dentro de mim.

Florbela Espanca


Tenho tanto sentimento

Que é frequente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira E qual errada, ninguém Nos saberá explicar; E vivemos de maneira Que a vida que a gente tem É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa


Amor

Eu quero amar, amar, perdidamente! Amar só por amar: Aqui… além.. Mais Este e Aquele, o outro e toda a gente Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!.. Prender ou desprender? É mal? É bem? Quem disser que se pode amar alguém Durante uma vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida: É preciso cantá-la assim florida, Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada Que seja a minha noite uma alvorada, Que me saiba perder.. P’ra me encontrar.

Florbela Espanca


Terror de te amar

Terror de te amar Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.

Mal de te amar neste lugar de imperfeição Onde tudo nos quebra e emudece Onde tudo nos mente e nos separa

Sophia de Mello Breyner Andresen


E eu gosto tanto dela que não sei

Como dizia o poeta Quem já passou por essa vida e não viveu Pode ser mais, mas sabe menos do que eu Porque a vida só se dá pra quem se deu Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não Não há mal pior do que a descrença Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair Pra que somar se a gente pode dividir Eu francamente já não quero nem saber De quem não vai porque tem medo de sofrer Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não.

Fernando Pessoa


O amor é uma companhia

O amor é uma companhia. Já não sei andar só pelos caminhos, Porque já não posso andar só. Um pensamento visível faz-me andar mais depressa E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo. Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo. E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar. Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas. Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela. Todo eu sou qualquer força que me abandona. Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro


Escolha dos vinte poemas

Inicialmente, pensei orientar a minha pesquisa de acordo com a temática ‘esquecimento’, mas, a breve trecho, em grande medida influenciada pelas leituras que ía fazendo, comecei a recolher textos de amor, encarado este sentimento numa vertente abrangente, que passa, também, pela mágoa, pela saudade. E assim se encontram, unidos pelos invisíveis fios da trama desta minha breve antologia, Álvares de Azevedo Bocage e Caeiro, Sophia e Daúl Dias, Florbela e Régio, Torga e Vinícius,

.


Poema escolhido e imagem que lhe associo

Terror de te amar Terror de te amar Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo. Mal de te amar neste lugar de imperfeição Onde tudo nos quebra e emudece Onde tudo nos mente e nos separa.

Sophia de Mello Breyner


Conclusão

Este é um trabalho que fui fazendo com prazer, apesar das complicações de ordem prática que foram surgindo – computador avariado já há imenso tempo. Apesar das vicissitudes, dei o máximo que me foi possível e creio ter alcançado os objetivos essenciais. Lamentavelmente, durante as minhas consultas na internet esqueci-me

de

anotar

devidamente

os

endereços

dos

sítios

pesquisados e agora, porque há o prazo da entrega do trabalho a cumprir, não o posso fazer. Aspetos positivos que eu posso tirar deste trabalho é que, hoje, sei muito mais sobre poesia e sei, agora, que há muito mais poetas do que julgava haver.

Ana Catarina Prata, Poemas  

Ana Catarina Prata, 10.º ano, n.º3, turma F, Escola Artística António Arroio - Disciplina de Português - Professora Eli