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PROBLEMÁTICA Na horticultura, as culturas do pimentão e da melancia são as que possuem as sementes mais visadas para a falsificação. Alécio Schiavon, diretor de Sementes da ABCSEM, explica que o material F2, “salvo/tirado” de uma plantação com híbridos comerciais, não conserva todas as características e atribuições do produto original e, por isso, impacta diretamente na comercialização das empresas sementeiras. “Com esta prática, as companhias têm suas variedades comercializadas ilegalmente, inclusive, em alguns casos, com embalagens falsificadas, que imitam as originais, a preços bastante inferiores. Isto porque não possuem o potencial genético e nem mesmo os tratamentos agregados durante o rigoroso processo de produção das sementes híbridas pela indústria”, alerta. Por isso, as sementes piratas são parte de um comércio totalmente clandestino de insumos, com concorrência desleal e sonegação de

impostos, que causam retração na economia e diminuição dos empregos formais na indústria e no campo. No campo, as consequências são baixa qualidade dos frutos e queda de produtividade, além do aumento das chances de presença de patógenos (agentes disseminadores de doenças) nestes materiais, ocasionando contaminação e perdas na lavoura. Além de prejudicar a comercialização destas hortaliças junto à varejistas, atacadistas e supermercados, impactando negativamente na economia e na rentabilidade dos negócios. Já para o mercado consumidor, o uso de semente piratas acarreta em problemas de segurança alimentar (sem procedência de origem), bem como na baixa qualidade dos produtos (com alterações no tamanho, formato, sabor, tempo de prateleira, etc.) causando descrédito e desinteresse pelo consumidor.

LINHAS DE ATUAÇÃO DA CAMPANHA - Contribuir para a coibição da prática comercial e do uso de sementes F2 no segmento hortícola em todas as esferas, tanto na aquisição do insumo, quanto na sua comercialização. - Conscientizar e advertir os produtores brasileiros quanto à ilegalidade do uso de sementes F2 para a produção de hortaliças, inclusive sobre a configuração de crime e de multa para quem adota esta prática. - Informar o mercado, a sociedade e a mídia em geral, sobre os principais danos que o uso de sementes ilegais pode gerar para a produção e o comércio de hortaliças. - Incentivar uma cultura de fiscalização e denúncia, por parte da sociedade civil e dos demais interlocutores do setor, sedimentando também os canais de comunicação destinados a isso, com a criação de uma política de vigilância constante deste mercado.

Revista da ABCSEM  
Revista da ABCSEM  

Ed. 10 - II Trimestre de 2017

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