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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE - UFRN DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - DECOM LABORATÓRIO DE LINGUAGEM JORNALÍSTICA - 2017.2

EDITOR CHEFE

Mycleison Costa

REPÓRTERES

Letícia Clemente Adri Torquato Allan Almeida Marcela Palhares EDITORES Ana Clarice Maria Eduarda Fernandes Adri Torquato Antônio de Pádua Maria Vasconcelos Geraldo Cordeiro Maurílo Medeiros Cinthia Medeiros Nathália Souza Letícia Clemente Elias Bernardo Paula Cunha Priscila Lima Felipe Salustino Pedro Afonso Jefferson Bernardino JORNALISTA RESPONSÁVEL Pedro Brandão Jefferson Taffarel Priscila Lima Antonino Condorelli Jonatas Moura Ranyere Fonseca José Filho PROJETO GRÁFICO Renato Batista Virgínia Fróes José Luiz Mycleison Costa


SUMÁRIO 4

CAPA - DIREITOS HUMANOS

5

O ENDÊMICO SETOR DE HUMANAS DA UFRN

6

PARA ALÉM DOS CORREDORS

8

MACAÍBA PODERÁ TER EM BREVE SUA PRIMERA ESCOLA INDÍGENA

9

BOLSA FAMILIA - A VERDADE POR TRÁS DO PRECONCEIITO

10

PARA O HOMEM DO CAMPO: A T-E-M-E-R-O-S-A REFORMA DA CLT

19 “EU, OBVIAMENTE, ESCOLHI VIVER E NÃO DURAR”

20

RAP SE PROLIFERA EM NATAL

22

GALERIA - IAN RASSARI

23

CAPA - MEIO AMBIENTE

24

EXISTE VIDA INTELIGENTE NA TERRA?

25

LIXO ELETRÔNICO - O PLANETA PEDE SOCORRO

11

CAPA - PERIFERIA

12

OS DIAS QUE AINDA NÃO ACABARAM

13

UMA COMUNIDADE QUE RESSURGIU DAS CINZAS

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PROJETO PARNAMIRINENSES INCENTIVA A LEITURA NAS PERIFERIAS POTIGUARES

17

CAPA - CULTURA

18

AGORA AS FEMINISTAS FORAM LONGE DEMAIS


Coluna

Maurílio Medeiros

O endêmico setor “de humanas” da UFRN

Berço de movimentos políticos, o CCHLA constitui-se uma zona de acolhimento, liberdade e revolução. Mas por qual razão essas características únicas parecem, historicamente, indissociáveis dele? É corriqueiro caminhar pelo Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e ser “surpreendido” por transgêneros, drag queens ou, até mesmo, heterossexuais cisgêneros sem preconceito (Pasmem!). Todos parecem conviver em harmonia. As minorias sociais se mostram, quantitativamente, uma maioria nesse ambiente. Portanto, ai de quem ousar assobiar para uma menina que esteja transitando. Pode parecer normal em outros lugares, mas, ali, indubitavelmente, caracteriza-se assédio sexual. Produto do machismo, este tipo de comportamento não é aceito e, logo, será repudiado. Em instantes, alguém aparecerá para constranger o constrangedor. O endemismo, assim sendo, transfere esta parte da Universidade a uma realidade paralela e semiutópica. É realmente possível ser você mesmo em algum lugar da Terra? O setor “de humanas” diz que sim. CONTAMINADO Os seres que ali habitam ratificam que um contexto social tem a capacidade de transformar a percepção humana. Basta pôr os pés e, de coração (e cérebro!), abrir-se para a diversidade. Daniel Dantas Lemos, 39, ex-discente e, agora, docente do Departamento de Comunicação Social (Decom) constitui-se a prova disso. Do alto de sua pele alva, de sua heterossexualidade

e de sua devoção à Bíblia, o ex

essa tese, recordando que existiam várias faculdades espalhadas por Natal. As forças de repressão precisavam se distribuir para conter as ideias contrárias à Ditadura. Como ficava tudo separado, o trabalho da polícia tornava-se mais fácil. Além dis Daniel reitera que a con- so, a atenção aos cursos da área vivência com as pessoas dife- de humanidades era “especial”. rentes de nós tem o poder de nos desafiar acerca de nós mes- Na década de 1970, Emamos. Quando iniciou a vida noel deparou-se com policiais acadêmica, viu-se diante das militares infiltrados nas salas de mais distintas pessoas, fazendo aula. Tudo isso, no entanto, eram surgir “gratas reflexões”: “Quem suposições. Os estudantes julsomos? Por que somos como gavam, “extraoficialmente (risomos?”, “Ah, ser gay é imoral e sos)”, que eram infiltrados para os gays vão para o inferno! Mas, observar e evitar atos interpreespera, meu amigo é gay. Ele me tados como subversivos, infere. contou o quanto sofreu por ser Orgulhoso, corrobora a ideia o que é e como não conseguia de que a revolução surge nas deixar de sê-lo”, “Aquela amiga ciências humanísticas, pois feminista me explicou por qual “nós, ‘de humanas’, somos o motivo determinada prática era grande núcleo que vai respalmachista e, para a minha sur- dar a difusão de ideias as quais presa, fez sentido”. Essas expe- confrontam o sistema. Isso não riências mostraram-se capazes virá, jamais, dos outros setores”. de modificá-lo profundamente e podem, portanto, contri- MÁ-FÉ E IGNORÂNCIA UNIbuir para a nossa evolução se DAS CONTRA O RESPEITO não nos fecharmos à mudança. A tão almejada sensação de liberdade, no entanto, pode NEM SEMPRE FOI ASSIM ser interpretada pejorativamen Já houve tempos em que te pela parcela conservadora as liberdades individuais esti- (ou preconceituosa!) da socieveram em xeque. Acredita-se dade. Ao declarar-se aluno de que, em todo o Brasil, duran- um curso da área humanística te o regime militar, houve uma e, desta maneira, frequentador tentativa de facilitar a repressão das zonas cujas “libertinagem”, aos movimentos estudantis. “devassidão” e “depravação” são equivocadamente correlacio Graduado em Jor- nadas, deve-se estar preparado nalismo e professor apo- para a gozação. A associação ao sentado do Decom, Ema- envolvimento, neste ambiente noel Barreto, endossa acadêmico, com drogas ilícitas, -preconceituoso e atual militante de movimentos sociais confidencia o quão transformadora pode ser a experiência de transitar pelos mágicos corredores “de humanas”.


Expoente do CCHLA, o Setor II exala política e liberdade (Foto: Maurílio Medeiros)

homossexualidade ou quaisquer comportamentos socialmente discriminados revela-se intrínseco em nossa cultura. O combate a este estigma funciona, pois, como uma retaliação ao desserviço da tentativa de segregar aqueles que lutam pela igualdade nas esferas sociais.

surpresas (positivas!). Conquanto, por vezes, a nudez explícita ou a liberação de entorpecentes sejam temas destes atos políticos, parar e observar é o indicado. Mesmo o espectador não sendo acostumado, por exemplo, à exposição de corpos desnudos na Academia, a oportunidade poderá A LIBERDADE ESTÁ NO AR surgir à sua frente, literalmen Defrontar-se com as te. A curiosidade e a carência mais distintas manifestações ar- de parar, olhar e, talvez, comtísticas revela-se mais uma das preender uma expressão

artística e política inspirarão o observador a analisar o mundo mais alicerçado no respeito, fundamental para a construção de uma sociedade harmônica e, sobretudo, democrática. Quem passa por este ambiente com o coração e, principalmente, a cabeça abertos, abraça o novo, a diversidade, vislumbrando, em suas mais distintas formas, as antes ocultas belezas do mundo. Clichê? Absolutamente. Mas um belo e necessário clichê.

“A constituição acontece a todo momento” DIREITOS SOCIAIS

A Constituição de 1988, símbolo maior da redemocratização do país e de uma nova ordem jurídica, verteu um modelo de estado baseado na privação de direitos civis para o do bem -estar social com fundamento na doutrina da dignidade da pessoa humana. Tais garantias representaram um avanço na sociedade jamais visto. Todavia, atualmente, crescem movimentos que tentam desconstruir a “Cidadã”, baseado, sobretudo, na desinformação da população e na dificuldade de alguns setores de lidarem com as suas conquistas.

“Para além dos corredores”

Sistema Único de Saúde faz parte do dia a dia de todos os brasileiros, mas não é reconhecido em suas diversas dimensões. Por Adri Torquato Fruto da luta do movimento sanitário que promoveu a mudança no sistema de saúde pública na Constituição de 1988 definindo a saúde como um direito de todos, o Sistema Único de Saúde teve na sua idealização a participação das mais brilhantes mentes da vanguarda pensante nacional, sendo premiado internacionalmente em vários países e consolidou uma conquista política: “saúde é democracia”.

Todavia, com graves ataques desde a sua criação, o sistema representa bem a guerra entre o modelo de estado de bem-estar social e o neoliberal. Desde o governo de Fernando Collor, primeiro executor e opositor do SUS, até o último grande ato de austeridade fiscal pós impeachment de Dilma Roussef, a aprovação da Emenda Constitucional 055 que congelou durante 20 anos os gastos em saúde, vários foram os entraves políticos postos à sua total implementação.


estaria sobrevivendo?”. Afirma ainda que não gosta nem de pensar o que poderia acontecer se o SUS acabasse: “uma tragédia, um retrocesso muito grande na vida das pessoas”.

Riudete Sousa (foto: Adri Torquato)

“Uma perda irreparável, um desastre!” “O SUS acontece a todo momento” (foto: Adri Torquato)

Para piorar, conta ainda com a crônica desinformação da população e a manipulação da mídia que toda hora tenta deslegitimar seus feitos e grandeza, priorizando a divulgação de pontos negativos em detrimento dos positivos. Porém, de forma anônima e eficaz, milhares de profissionais de saúde, sobretudo, mulheres, trabalham para o seu fortalecimento, defendendo-o diariamente, sem os holofotes e muitas vezes o reconhecimento social que merecem. “O SUS acontece a todo momento”

Esse é o caso de Alaíde Porpino, 35, farmacêutica do hospital Giselda Trigueiro de Natal e ex-diretora da UNICAT (Unidade Central de Agentes Terapêuticos) que acredita no modelo, mas diz que existem muitas barreiras como a econômica, a política, a organizacional e o desconhecimento da população e reconhece na participação social algo de extrema importância para a sua existência. Afirma ainda que a judicialização da saúde muitas vezes promove “um desencontro”, pois passa por cima da legislação.

O mesmo sentimento é Apesar disso, afirma com os olhos brilhando: “O SUS compartilhado por Lúcia Sanacontece a todo momento”. tos, 39, enfermeira do Complexo Hospitalar Walfredo Gurgel, maior hospital público para atendimento de trauma noEstado. Entende que um maior investimento, controle social efetivo e motivação dos profissionais aumentariam a confiança da população, mas, quando as políticas são coloAlaíde Porpino (Arquivo Pessoal) cadas em prática há uma assistência de qualidade. Questio“Eu fico imaginado se não fosse nada sobre o término do SUS, o SUS, como essa população foi taxativa: “seria uma perestaria sobrevivendo? ” da irreparável, um desastre”! Outra guerreira incansável é Riudete Sousa, 62, psicóloga, coordenadora do Serviço de Atenção Domiciliar da Secretaria Estadual de Saúde que tem como missão prestar o serviço na casa dos pacientes, através de equipe composta por médico, psicólogo, nutricionista, enfermeiro e pessoal de apoio evitando a hospitalização. Crê que o SUS veio para ficar e que a sua maior dificuldade é a escassez de recursos humanos. Mas, que a assistência é realmente uma coisa que funciona e preocupada sequestiona: “eu fico imaginado se não fosse o SUS, como essa população

Para os que ainda não compreenderam o que esse avanço representa para o povo brasileiro fica a dica de Fernando Pessoa aos portugueses no poema “O Bojador”: “Para se ir ao Bojador, tem que se ir além da dor. Deus o mar e o abismo deu, mas, foi nele que espelhou o sol.”

Lúcia Santos (foto: Adri Torquato)


Macaíba poderá ter em breve sua primeira escola indígena Escola Luís Cúrcio, no Tapará, será a unidade de ensino do povo Tapuia

Por José Luiz locais”,

Secretário de Educação garantiu na audiência pública que o município está comprometido com o projeto. (foto: José Luiz)

O movimento indígena do RN caminha para mais uma conquista. Reconhecidos pela Funai como povo indígena, os Tapuias de Macaíba agora terão sua primeira escola indígena. Já foi realizada a primeira audiência pública no município e os vereadores demonstram interesse pelo tema. O secretário de educação, Domingos Sávio, delegou à Coordenação de Educação Indígena, a tarefa de conduzir os processos burocráticos e pedagógicos necessários à transição da escola municipal Luís Cúrcio Marinho para unidade de ensino indígena. A escola passará a funcionar em tempo integral, sendo um turno específico para os índios, visando manter sua cultura, costumes e ancestralidade, e mantendo no contra turno a base curricular nacional, visando à preparação para os exames nacionais. As modificações serão analisadas pelo Conselho Municipal de Educação até o final deste ano. A constituição de currículo indígena será feita com a participação

da comunidade do Tapará através de audiências públicas. Esta luta do povo Tapuia é inspirada na experiência exitosa da aldeia Catu, onde foi implantada a primeira escola indígena do RN. Mas o acesso a uma unidade de ensino diferenciada, intercultural, bilíngue/multilíngue e comunitária, é um direito dos povos nativos amparado pela Constituição Federal, LDB, Lei 11.645/2008 e pelo Decreto n. 26/1991, entre outras legislações específicas. A PALAVRA DO NATIVO Na opinião do índio Tapuia Josué Jerônimo Campelo, uma escola fundamentada na cultura indígena é essencial para formar as novas gerações e evitar que a cultura Tapuia se perca. “É também muito importante que o ensino seja feito por pessoas, professores, da comunidade, que leve em conta oscostumes e as particularidades

complementa.

EDUCAÇÃO FÍSICA INDÍGENA A educação física em unidades de ensino dentro de aldeias segue rituais próprios. E os Tapuia tem sua contribuição a dar para o ensino da educação física. Além de praticarem a “corroveara” - Corrida da tora, esporte indígena em que correm com um pedaço de tronco de carnaúba (tora) no ombro, os Tapuia também jogam peteca, jogo genuinamente indígena e brasileiro que originou o esporte olímpico badmínton. Mas o índio Jurandir Santos da Silva também gosta muito de futebol e futsal. “Há quatro anos fundamos o time dos índios Tapuia e já participamos do campeonato de Macaíba”.

Corroveara - Corrida em que os índios carregam um tronco (tora) de carnaúba (foto: José Luiz)

MOVIMENTO INDÍGENA DO RN O líder do movimento indígena do RN, Cacique Potiguara Luiz Catu, que está acompanhando o processo, disse que “As escolas que atendem aos Curumins das nove aldeias precisam se adequar às necessidades de aprendizagem destas comunidades.


Bolsa família – a verdade por trás do preconceito A realidade do projeto social que mais auxilia na renda das famílias carentes do Brasil Por Ana Clarice, Nathália Souza e Paula Cunha Muito tem se discutido a respeito do Bolsa Família nesses últimos anos. Com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e com o ex-presidente Lula preso, todos os projetos sociais criados pelos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) vêm sendo colocados em xeque. Criou-se a ideia de que beneficiários do Bolsa família, por exemplo, pertencem a um grupo de pessoas preguiçosas, que não trabalham ou procuram por melhorias por puro comodismo. Nossos entrevistados, contudo, nos mostram uma face contrária a essa ideia.

junto aos meus dois irmãos totalizava aproximadamente R$ 90,00. Esse valor era atualizado anualmente, nós tínhamos que renovar o cadastro no benefício apresentando declarações da escola que estudávamos e o acompanhamento médico feito nos postos de saúde para o melhor desenvolvimento das crianças”, contou.

Manoel Ataíde (foto: Agência Fotec)

Lucas Emanoel (foto: Nathália Souza)

Lucas Emanoel de Souza Gomes, 17 anos, aluno de Edificações no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), foi beneficiário do projeto até atingir a idade limite. Questionado sobre como o projeto do Governo Federal o auxiliou tantos anos, Lucas disse que foi de grande ajuda para a família. “Eu recebia inicialmente um valor de R$ 30,00 mensalmente,

Manoel Ataíde de Melo Neto tem 19 anos, é aluno de Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e formado em Geologia pelo IFRN. Sobre a diferença que o Bolsa Família trouxe para a vida de sua família, ele disse que qualquer renda para uma família com pais desempregados tem sua importância. “É significativo. Imagine uma família onde a mãe é desempregada e o pai trabalha realizando bicos. A renda dessa família é irregular. O valor do Bolsa Família, no meu caso R$ 100,00, metade meu e metade do meu irmão, fazia muita diferença.

É uma conta de água ou de luz que pode ser paga. Sem falar que beneficiário do Bolsa Família tem desconto na conta de energia. Por tanto, digo que muitas vezes nós não passamos fome por causa do auxílio”. Pedro Henrique Almeida, 19 anos, iniciará sua graduação no curso de Audiovisual da UFRN no segundo semestre de 2018, o jovem relatou que o valor que recebia do programa utilizou para custear um reforço matemático para conseguir ingressar no IFRN algo que sem o auxílio não teria conseguido, visto que sua família não possuía renda suficiente para custear as despesas de casa mais um curso preparatório. Diante desses e de outros relatos, é notório que o valor do Bolsa Família é pequeno aos olhos daqueles que têm um valor aquisitivo elevado, no entanto, para uma família de baixa renda, o programa faz muita diferença no dia-a-dia. O valor do benefício não é suficiente para sustentar uma família, muito menos para que seja sua única fonte de renda, porém é claro que o Bolsa Família permitiu que muitos jovens, como os citados, fossem longe e alcançassem a Universidade, por exemplo, alguns sendo até mesmo os primeiros de suas famílias a conseguir tal feito.


Para o homem do campo: A T-E-M-E-R-OSA reforma da CLT

Reflexos dos 300 anos de escravidão no Brasil, Reforma da CLT e PL do trabalhado rural são retrocesso aos direitos humanos. Por Jussara Felix e Pedro Afonso Em 2018, celebramos as três décadas da Carta Magna, que em seu artigo 7° dispõe sobre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais assegurando a ambos igualdade perante a lei. Porém, o país que, há 130 anos libertou centenas de milhares de escravos por meio da Lei Áurea, ainda não pode soltar rojões em virtude da reforma trabalhista assinada pelo presidente Temer. Em vigor desde novembro de 2017, a reformulação atualiza a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) que regulamenta o trabalho urbano. Contudo, em relação ao trabalhador do campo, o deputado Nilson Leitão (PSDB/MT) tentou aprovar o PL 6.442/2016 que prevê a possiblidade de “remuneração de qualquer espécie” para esta categoria. Na prática o empregador poderia substituir o salário por comida ou moradia.

Em contrapartida, no último 25 de maio (Dia do Trabalhador Rural) o Ministério do Trabalho comemorou que 1,5 dos 4,5 milhões de trabalhadores rurais trabalham com carteira assinada, conforme dados de 2016 do Rais (Relação Anual de Informações Sociais). Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Nova Cruz/RN, Edmilson Gomes, a reforma não afeta o trabalhador do campo, pois a maioria não possui vínculo empregatício, sendo assim constituem-se como segurados especiais, categoria que trabalha informalmente na agricultura familiar.

Eduardo de Lima, 22, faz parte deste grupo, é funcionário fixo em uma fazenda da cidade, e trabalha cinco dias por semana para receber R$ 40,00 por diAlém disso, também institui ária. Contudo, não tem registro acordos coletivos ou individu- deste nem de outros trabalhos ais diretamente entre patrão e na carteira, reconhece que tem empregado em ques tões como a jornada de trabalho, que poderá ser acrescida de até 4 horas por “motivo de força maior”. Diante do caráter inconstitucional, e porque não dizer: escravocrata, o projeto não foi levado a diante e o deputado responsável disse que fará modificações no texto.

esse direito, “mas por aqui não tem isso, não”, afirma. Assim como Eduardo, outros 3 milhões de trabalhadores

rurais permanecem na informalidade. Essa realidade já é tão comum neste grupo que eles estão até acostumados, por isso se submetem a ficar expostos ao sol 8 horas por dia e em contato com agrotóxicos. Joel de Souza, 48 anos, 40 deles dedicados a agricultura, conta que um colega teve o dedo cortado num motor ao moer ração, mas o patrão não prestou nenhuma assistência. Para os agricultores, isso é aceitável, pois como não são registrados como empregados da fazenda, o proprietário não deve assumir nenhuma responsabilidade além do pagamento. Essas são algumas das questões que ainda afetam o meio rural. E é com a reforma trabalhista, que não afeta diretamente o empregado rural, e o PL (6.442/2016) do retrocesso proposta para “prestigiar” esse setor tão importante da economia, que os governantes pretendem modernizar a legislação e gerar novos postos de trabalho.

Agricultores de Nova Cruz/RN (foto: Jussara Felix)


Coluna

José Filho

Os dias que ainda não acabaram Entre os anos 60 e 70 o crescimento desgovernado das cidades expulsou a população mais pobre dos grandes centros, dando origem as imensas regiões periféricas, conglomerados que não recebiam a menor estrutura para se viver. Foi nesse cenário que se intensificou a marginalização dessa população e ela passou a ser vista como perigosa.

nas rodovias, porque a cidade não foi pensada para quem mora na periferia. Chegar tarde de volta em casa e… batida hostil de policial, opressão, toque de recolher, chacina, pessoas mortas inocentemente e etc. Esse é o cenário de quem mora nas vielas do Brasil e, consequentemente, que caíram no esquecimento do Estado. Ele esqueceu de entrar nessas regiões com escolas, hospitais, quadras de esportes e outras oportunidades de inclu Também, nessa época, viviamos o difícil são, pois estava ocupado demais entrando com o período da ditadura militar. Nele houve a desmo- camburão, com a bala, ou seja, com a violência. bilização dos movimentos sociais que começavam a surgir dali e já começavam a amadurecer. E, é interessante frisar que, a principal Era de interesse do Estado que toda capacidade causa dessa violência não é a falta de polícia ou de de organização popular fosse desfeita, e foi aí mais ações diretas, mas sim o próprio Estado em que as forças armadas passaram a atuar de for- sua sanha criminalizante, o que enriquece crimima mais clara como agente protetor do Estado e nosos e aumenta a vulnerabilidade das comunide seus interesses, estes que historicamente nun- dades que perdem a capacidade de organizar sua ca foram os mesmos da população mais pobre. própria segurança. Para a periferia a ditadura não acabou, a repressão e o medo da policia continu Quem mora na periferia já se acostu- am os mesmos. A única mudança foi o interesse mou com a rotina: sair cedo de casa para pegar desse Estado que agora dedica-se em manter os alguns ônibus lotados e com engarramentos interesses do ricos em detrimento dos pobres.

Jardim Celeste, São Paulo (foto: resumofotografico.com)


Uma comunidade que ressurgiu das cinzas A população do Assentamento 8 de março tenta se reerguer em um novo lar após o incêndio ocorrido em outubro, porém, continua sofrendo com a falta de serviços essenciais Por Cinthia Medeiros, Elias Bernardo, Felipe Salustino A comerciante Rogéria Carla Firmino, 34, dormia com uma de suas três filhas em um barraco no assentamento 8 de Março, vizinho ao conjunto Leningrado, quando labaredas despontaram, começando por sua moradia. O fogo atingiu todas as ruas da comunidade onde morava. Era manhã do dia 04 de outubro de 2017 e as quase 100 famílias do assentamento, situado no bairro planalto, zona oeste de Natal, viram desaparecer entre cinzas tudo o que haviam conquistado com esforço. Rogéria lembra que, ao abrir os olhos, a parede do barraco estava em chamas. “Eu gritava e ninguém parecia me ouvir. Quando as pessoas vieram olhar, meu barraco estava praticamente destruído”.

Rogéria Firmino (foto: Elias Bernardo)

Rogéria possuía uma pequena mercearia em casa. Vendia sobremesa para sustentar a si própria e às filhas. Perdeu o material de trabalho, todo o dinheiro obtido com as vendas - cerca de R$ 650,00 - além do estoque e de uma moto. “Eu sei que a gente perde e a gente constrói. Mas quando eu me lembro, principalmente do balcão de pão, me dói. Em segundos, já tinha

perdido as roupas de batizado das meninas, fotos delas recémnascidas e minhas roupas”, conta emocionada. Junto com as filhas, ela e outras famílias foram levadas ao Centro de Atenção Integral à Criança (Caic) do conjunto Cidade Satélite, bairro vizinho. Lá, a comerciante revela que teve inúmeras dificuldades. Cozinhava sozinha para todas as famílias. Às vezes, acordava às 4h da manhã de um dia e só ia dormir à 1h30 da madrugada seguinte. Não restava tempo para se alimentar, nem para cuidar das filhas. As duas mais novas, menores de cinco anos, ficaram sob o cuidado da mais velha, de treze anos. Aos poucos, ela busca reconstruir a vida em um dos apartamentos, do residencial Mestre Lucarino, que integra o condomínio Village de Prata, localizado a alguns quilômetros de onde perderam tudo. Recém-separada, Rogéria alega que as contas são sua maior dificuldade. Entretanto, com a nova moradia, acredita que o primeiro passo em busca de uma vida digna foi dado. Esse também é o pensamento da dona de casa Joyce Pamela Batista, 21. A jovem havia dado a luz ao segundo filho um dia antes e estava na maternidade quando o incêndio aconteceu. “Meu marido tinha ido trabalhar e a minha irmã estava comigo na maternidade com meu outro filho. Eu soube do incêndio pelo jornal”. Ao deixar a maternidade, Joyce levou os filhos para a residência de seu pai, em outra região do bairro Planalto. Em seguida

alugou uma casa, mas por dificuldades financeiras, decidiu ir para o Caic, onde permaneceu durante três meses. Após isso, recebeu o apartamento. “Não deu para salvar nada. Perdi tudo e tive que recomeçar do zero. A única coisa que eu tinha comigo, eram os documentos”. Animada com o novo lar, ela afirma que o marido é ajudante de pedreiro e trabalha com carteira assinada. A renda é complementada pelo Bolsa Família. “É muito bom morar aqui. Tem um teto e não tem goteira. Agora vai dar para comprar as coisas aos poucos”, planeja.

Joyce Pamela (foto: Felipe Salustino)

SOLIDARIEDADE FEMININA

As amigas e donas de casa Lidayane Adelino, 26, e Luciana Santos, 20, não quiseram ir para o Caic. Viúva, com dois filhos pequenos, Lidayane optou por permanecer no assentamento. “Encontrei um barraco desocupado que não pegou fogo, aproveitei uma cama que tinham jogado fora e fiquei lá até vim para o condomínio”, relata. A dona de casa perdeu tudo, inclusive documentos. Atualmente, ela conta somente com o Bolsa Família, cujo valor é de R$ 257,00. Precisa arcar


com a parcela do apartamento e despesas de água e luz. Não conseguiu pagar o apartamento no último mês. Prefere pagar água e luz e comprar comida para os filhos. O menino mais velho, de 5 anos, está na escola. O caçula tem 1 ano e 3 meses. A dona de casa sonha com um futuro diferente para os dois. “Não quero que eles passem pelo que eu estou passando. A gente fica triste, porque está sozinha, sem auxílio. Mas é preciso seguir em frente, se não enlouquece”, desabafa. Luciana é mãe de dois meninos pequenos. Do mesmo modo que Lidayane, sobrevive do Bolsa Família e é mãe solteira. Decidiu ficar junto da amiga após o incêndio. “Eu estava dando banho nos meninos. De repente, chegaram dizendo que tudo estava pegando fogo. Quando meu filho mais velho viu a fumaça ficou desesperado ao se lembrar dos colegas que moravam na mesma rua. Ele dizia: ‘Mãe, minha bicicleta, minhas roupas!’ Os dois nunca esqueceram aquele dia”, lembra entre lágrimas. Para tentar superar o trauma, Luciana se apega à fé. “A gente não tinha lugar para ficar, mas um amigo emprestou um barraco lá perto. Eu e Lidayane ajudamos uma à outra e Deus nos deu conforto e um lar”. CELEBRANDO A DIGNIDADE

O Movimento de Luta nos Bairros (MLB) acompanha a comunidade desde sua ocupação no assentamento 8 de Março, em 2012.O coordenador do movimento em Natal, Hudson Batista, 26, estava entre os moradores atingidos pelo fogo. “Meu pai me avisou por telefone do incêndio porque eu não estava no assentamento.

Luciana e Lidayane (foto: Elias Bernardo)

Ele me disse: ‘A coisa é séria. O incêndio está atingindo várias ruas’. Chegando lá, não acreditei ao ver aquela fumaça. Eu só pensava na minha esposa, e no meu filho, mas os dois estavam bem”, relembra. Sunamita, a mulher de Hudson conseguiu salvar documentos, roupas, fogão e geladeira. Os três uniram-se às demais famílias no Caic.

Hudson, filho e esposa (foto: Felipe Salustino)

Hudson, que se tornou coordenador do MLB após o incêndio, não esconde a dificuldade de adaptação das famílias à nova moradia. Algumas delas foram embora, viver com parentes. Uma das dificuldades está na infraestrutura da região. Não há creches nas proximidades. Muitas crianças estão fora da escola. Dois ônibus se revezam para tentar suportar a demanda local de passageiros. Um deles, chamado pelos

condôminos de ‘circular’, leva os passageiros até o terminal do bairro Guarapes, ao preço de R$ 2,50. O mesmo acontece com o ‘alimentador’. Só que este leva os moradores até o terminal do Planalto e não cobra por isso. Os dois ônibus circulam apenas das 6h às 21h. Para as pessoas que precisam se deslocar fora desses horários, o jeito é seguir a pé até o terminal de ônibus do Planalto, num trajeto de aproximadamente quarenta minutos.


Wellington Bernardo (foto: Elias Bernardo)

Confiante no futuro, Hudson conta com o apoio da mulher, que dá aulas de reforço para complementar a renda do casal e não esconde a alegria dessa nova fase. “Estou tranquilo e feliz. Ter uma moradia digna é a realização de um sonho. Hoje, tenho orgulho de dizer: eu moro no condomínio Village de prata, residencial Mestre Lucarino”, reforça. Para o coordenador nacional do MLB, Wellington Bernardo, o momento é de comemoração, embora reconheça que a luta continua. “Com a entrega dos apartamentos, um ciclo de 6 anos, desde a primeira ocupação até as lutas e manifestações para conquistar um teto, foi concluído”. Wellington conta que a entrega dos apartamentos estava prevista inicialmente para 2016. Foi adiada para 2017 e novamente o prazo não se cumpriu. Só em março deste ano, os moradores se mudaram para o condomínio Village de Prata, do projeto Minha Casa Minha Vida.

Projeto parnamirinense incentiva a leitura nas periferias potiguares Fundado em 2015 pelo coletivo cultural “Camarão Com Cérebro”, o projeto “Minibiblioteca” estimula o hábito da leitura em comunidades pobres do Estado Por Jefferson Bernardino de 5.012 pessoas alfabetizadas entrevistadas não leu nenhum livro três meses antes dela ser realizada. Segundo os parâmetros da pesquisa, isso representa 93% dos brasileiros. Segundo a mesma pesquisa, 30% nunca comprou um livro e a média de livros lidos por ano é de 4,96. Outra evidência da falta de leitura é que o país está no 59º lugar no teste de leitura do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).

Uma das casinhas implantadas pelo projeto (foto: Jefferson Bernardino)

O Brasil não é um país de leitores assíduos. Segundo a 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Ibope ao Instituto Pró-livro e divulgada em maio de 2016, 44% de um número

Para tentar modificar o quadro indicado pelas estatísticas aqui no Estado, o coletivo de cultura do município de Paranamirim “Camarão com Cérebro” criou o projeto “Minibiblioteca” para aumentar o interesse pela leitura nas comunidades mais carentes, primeiramente na cidade e depois em municípios do interior e região metropolitana do Rio Grande do Norte. De acordo com um levantamento feito pelo

coordenador e criador do projeto Ednardo Lopes, conhecido popularmente como “Tocha”, dos 167 municípios do Estado, apenas 165 têm bibliotecas públicas. “A partir dessa deficiência de menos de uma biblioteca por cidade, a gente viu essa necessidade de tomar alguma atitude e como nós não tínhamos condições para fazer bibliotecas grandes, começamos a montar pequenas bibliotecas para chamar a atenção do poder público”, afirma o produtor cultural, que também diz que os preços ainda caros dos livros também dificultam o acesso da população mais pobre à leitura e gera desinteresse. O projeto se popularizou pela maneira como ele é implantado nas comunidades e até ganhou um novo nome a partir disso: “Casinha da Leitura”. O grupo constrói, implanta em praças públicas e mantém casas de madeira que são


posteriormente pintadas e adornadas, uma tentativa de atrair a atenção principalmente das crianças. “A partir desse momento, as pessoas podem pegar os livros e depois devolvê-los. O projeto tem meio que uma vida própria. Depois que a gente instala, ele toma o rumo dele”, diz Tocha. A captação de verbas para o custeamento do projeto é feita a partir de doações de voluntários, como empresários, ou da realização de festas e eventos culturais em que cobram pelos ingressos um valor simbólico para o financiamento ou doações de livros novos ou usados para que o acervo das casinhas seja alimentado. Uma via de mão-dupla para o incentivo da cultura e da leitura. Três bibliotecas já foram instaladas em escolas de Parnamirim e uma também foi implantada na comunidade de remanescentes quilombolas de Acauã, no município de Poço Branco. Além de uma ter sido implantada em uma instituição de recuperação de menores infratores. “Na periferia, o impacto é positivo. Ele é muito bem aceito e é nesses locais em que as pessoas melhor cuidam das casinhas. As pessoas têm pouco conhecimento mas elas tomam conta daquilo como se fosse um ente querido. No início, achávamos que as pessoas iriam quebrar, pichar e etc, mas elas são muito bem conservadas.” O projeto já rendeu bons frutos e transformou a vida do ex-morador de rua e usuário de drogas Mário Junior, que foi aprovado em 2º lugar para o curso de administração da UFRN, que está cursando atualmente após passar por um tratamento para se livrar de sua dependência química.

posteriormente pintadas e adornadas, uma tentativa de atrair a atenção principalmente das crianças. “A partir desse momento, as pessoas podem pegar os livros e depois devolvê-los. O projeto tem meio que uma vida própria. Depois que a gente instala, ele toma o rumo dele”, diz Tocha. A captação de verbas para o custeamento do projeto é feita a partir de doações de voluntários, como empresários, ou da realização de festas e eventos culturais em que cobram pelos ingressos um valor simbólico para o financiamento ou doações de livros novos ou usados para que o acervo das casinhas seja alimentado. Uma via de mão-dupla para o incentivo da cultura e da leitura. Três bibliotecas já foram instaladas em escolas de Parnamirim e uma também foi implantada na comunidade de remanescentes quilombolas de Acauã, no município de Poço Branco. Além de uma ter sido implantada em uma instituição de recuperação de menores infratores. “Na periferia, o impacto é positivo. Ele é muito bem aceito e é nesses locais em que as pessoas melhor cuidam das casinhas. As pessoas têm pouco conhecimento mas elas tomam conta daquilo como se fosse um ente querido. No início, achávamos que as pessoas iriam quebrar, pichar e etc, mas elas são muito bem conservadas.”

O projeto já rendeu bons frutos e transformou a vida do ex-morador de rua e usuário de drogas Mário Junior, que foi aprovado em 2º lugar para o curso de administração da UFRN, que está cursando atualmente após passar por um tratamento para se livrar de sua dependência química. Foi através das simples casas de madeira que ele retomou o gosto pela leitura, encontrou material para os estudos, se dedicou ao ENEM e escreveu um capítulo de superação em sua triste história repleta de mazelas pessoais e sociais. “A contribuição mais importante foi o acesso fácil à leitura no lugar em que eu transitava. Uma pessoa que vive em situação de rua, por vezes, foge de estar dentro de lugares institucionalizados. Eu me sentia mal por não estar bem vestido ou até sujo. Mas a casinha estava ali à mão. O interessante disso tudo e que eu passei a ser mal visto pelos outros. Eu era tido como alguém esnobe, que queria ser melhor do que os outros porque eu buscava conhecimento. Isso foi aumentando meu repertorio de assuntos.”, relata o agora estudante. O próximos passos do projeto serão as execuções de implantações nos municípios de Arês, São José do Mipibu e no bairro do Paço da Pátria, em Natal.

Livros são distribuidos em comunidade pobre para incentivar crianças a buscar a leitura (foto: Jefferson Bernardino)


Coluna

Virgínia Fróes

Agora as feministas foram longe demais. “Isso me faz lembrar de uma frase que as feministas usam às vezes: ‘todo homem é um estuprador/assediador em potencial’.” Tive o desprazer de ler isso em um grupo da faculdade, quando falavam sobre um caso de assédio que aconteceu no campus. A verdade é que se você é homem, possivelmente é um assediador ou um estuprador em potencial. Se você não é, a sua consciência está limpa. Eu não tenho como saber. O por quê disso? Algo chamado cultura do estupro e que está tão enraizado na nossa sociedade que, se você é homem, provavelmente já fez algo mesmo sem querer. Se fala em “cultura” porque esse termo também é utilizado para referir à maneira como as pessoas vivem em sociedade. Afinal, a violência contra a mulher infelizmente é um fenômeno social. Fica difícil separar os realmente perigosos daqueles que “só estavam brincando” e que, de uma maneira ou de outra, acabam perpetuando esse comportamento. Entendeu o que nós feministas queremos dizer? Imagine uma sala, cheia de plantas. Algumas são mortalmente venenosas, outras não, mas todas são exatamente iguais. Então, como eu posso saber de quais eu posso me aproximar? Menosprezar e debochar da opinião de uma mulher faz parte sim da cultura do estupro e reflete a nossa sociedade machista. Porque se você não a escuta e não a leva a sério,

você a considera inferior, certo? Ela não está no mesmo patamar que você então por que ouvi-la? Seja sobre o quanto ela sabe sobre um assunto ou quando ela da sua casa. Você pega um Uber diz que foi assediada pelo che- tranquilo pra casa no fim da sua fe ou estuprada por um amigo. balada? Bom pra você! Eu não. Estou entrando no carro de um Ao contrário do que se homem desconhecido. Você já pensa, a cultura do estupro é trocou de roupa antes de sair muito mais do que o ato de vio- de casa porque não quer que lência sexual em si, até porque mexam com você na rua? Já te muitos homens que reprodu- beijaram a força? Já puxaram zem esses comportamentos não seu cabelo? Já passaram a mão são estupradores. Na verdade, é em você em um ônibus lotado? uma forma de violência contra Já te violentaram? Isso acontea mulher em suas mais variadas ce conosco todos os dias. Ficou formas: o “fiufiu” que você faz incomodado? Ótimo. Para que pra uma mulher que passa na a gente acabe com essa violênrua, os nudes que você compar- cia, temos que repudiar tal cultilha no seu grupinho de ami- tura. Aos poucos, vamos parar gos do WhatsApp, é não aceitar de achar que todos os homens um “não” como resposta achan- são assediadores em potencial. do que tudo é apenas charme. É quando você culpa uma vítima de assédio dizendo que ela estava usando roupas curtas, estava bêbada ou qualquer outra desculpa esfarrapada para não apontar o dedo para aquele seu brother, tão gente boa, que não faria mal a uma mosca, mas que puxa a moça pelo cabelo na balada. É qualquer forma de violência física e verbal contra uma mulher, o direito de controlar a vida e o corpo do outro, de diminuir a credibilidade e emudecer a voz do sexo feminino. A cultura do estupro está presente pra onde quer que você olhe. Na televisão, na música, nas redes sociais, na sala de aula, no seu trabalho e até dentro


“Eu, obviamente, escolhi viver e não durar” Alice Carvalho, autora, roteirista e protagonista da websérie Septo, fala sobre a produção audiovisual natalense mais premiada e difundida da história Por Ranyere Fonseca e Allan Almeida Apesar do cinema nordestino ser o detentor de clássicos brasileiros como o Auto da Compadecida (2000), Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Abril Despedaçado (2001) e tantos outros; Natal, ao que parecia, não estava inserida nesse circuito cultural produtor de bons materiais audiovisuais. Ao que parecia... Num projeto independente, Alice Carvalho, em parceria com o Coletivo Caboré Audiovisual, Mamorta Filmes e a fanpage Brasileiríssimos, foi a idealizadora de Septo, a primeira websérie gravada inteiramente em Natal. A série relata a história da jovem Jéssica Borges (Alice Carvalho), uma promissora triatleta à beira de disputar os jogos olímpicos de 2016 que, no entanto, possui conflitos internos quanto à sua identidade. Ela vê sua vida mudar completamente ao conhecer Lua (Priscila Vilella), uma instrutora voluntária de surf por quem se apaixona. Durante a trama, Jéssica passa a questionar se o seu futuro deve ser decidido por ela ou por seu pai, afinal, ela só se dedica ao esporte para agradá-lo. O roteiro da série contou com a participação também de Frank Aleixo e Aureliano Medeiros, além de Pipa Dantas na direção geral. Alice nos conta como se deu o começo da criação da série: “Eu escrevi o argumento em 2015, num feriado inclusive; e já estava querendo escrever alguma coisa há algum

tempo porque tinha a necessidade de fazer um produto que me fizesse sentir representada. Não representada no sentido mais puro da palavra, na questão de ser a personagem. Não sou a personagem, eu apenas interpreto. Porém, queria estar inteiramente envolvida no fazer do produto audiovisual porque até então não tinha feito nada profissionalmente”, diz.

mas depois me engajei e trabalhei para que fosse uma série e chegasse ao resultado que está hoje”. Septo foi a estreia de Alice, e que estreia! A série potiguar ganhou prêmios na Argentina, Coreia do Sul, Alemanha e Estados Unidos.

Alice representa a série Septo em Los Angeles no evento OUT Web Fest 2017. A série acaba de ser convidada para o seu nono festival internacional. Já ganhou prêmio em vários lugares como o de melhor série no Buenos Aires Webfestival. (foto: Revry)

Na trama, a personagem de Alice é confrontada pela pergunta “você quer viver ou durar?”. Questionada se esse dilema já se colocou em sua vida, ela responde: “a vida de quem é artista é lidar com esse questionamento. Eu nunca tive uma pressão familiar para que eu não fosse artista, mas tive uma pressão da sociedade já que arte aqui no nordeste não é rentável financeiramente;

Alice não idealizava Septo como uma série: “O que eu escrevi, inicialmente, era para ser um curta metragem. Mas quando mostrei o texto para Pipa Dantas, ela veio com a ideia de Septo ser uma websérie. Não coloquei muita fé no começo,

Em maio deste ano, Septo fechou contrato com um serviço de streamming que está em 100 países com 70 milhões de assinantes. Alice atribui o grande sucesso da série aos festivais: “a importância deles foi trazer visibilidade. É muito ruim ter que ser reconhecido fora do seu país, fora da sua cidade, para ter algum espaço aqui. Além da visibilidade, os festivais tornaram possível o financiamento da segunda temporada”, comemora. Septo foi custeada inicialmente através de doações de fãs, no entanto, mesmo com poucos recursos “Uma coisa que foi gravada aqui em Ponta Negra não deve em nada as séries gravadas no mundo com 1 milhão de euros de orçamento”, declara.


e, mesmo que o retorno financeiro da arte não seja de imediato, minhas contas vêm todo mês imediatamente. Então, como é que vive isso? Eu continuo fazendo o que amo, passando pelos percalços e dificuldades ou escolho um trabalho careta que vai sugar minha felicidade, mas vai me dá dinheiro? Obviamente, escolhi viver e não durar. Escolhi ser artista desde pequena.” Septo é uma série contextualizada na sociedade atual, porém sem perder os traços inconfundíveis da cultura nordestina. Sobre isso, Alice diz: “O que a gente tem muito forte em Septo é apresentar nossa identidade. É importante resgatar a nossa cultura que, muitas vezes, fica apagada devido a síndrome de vira-lata de só valorizar o que for feito no eixo Rio - São Paulo. É evidente que não é todo nordestino que quando quer muito consegue fazer um bom produto audiovisual porque existem barreiras por ser nordestino. Afirmar isso é defender uma meritocracia e não acredito nisto, pois sei que o contexto de onde a gente está determina muito o caminho da nossa obra. É resistência fazer arte no nordeste. Mas, apesar disso, jamais negarei minha cultura”, encerra.

Imagens retiradas dos episódios da série Septo

Imagens retiradas dos episódios da série Septo

Imagem do clipe Bicho Solto/Ujó, JB Perifa e seus parceiros musicais

Rap se prolifera em Natal As rimas de Lorena Nascimento, Miguel Carcará e Ujó exalam resistência poética potiguar Por Jefferson Taffarel, Letícia Clemente, Maria Vasconcelos e Renato Batista O rap em Natal encontra um espaço propício para sua existência: o gênero musical é bastante presente nos guetos e regiões populares no Brasil e no mundo. Nos últimos anos, alguns artistas da capital potiguar vêm encontrando no estilo um

um espaço para manifestar sua arte. Nomes como Cargo Chefe, Ujó, Shampoo, Miguel Carcará, Chico Bomba, JB Perifa, Zé Baga, Dubomrap, além das meninas do McCaboclas, Turimã, Pretta, Mariana Rasec, Flori, estão mandando ver nesse

nesse gênero musical ainda pouco reconhecido na cidade. Miguel Carcará afirma que, pra ele, “o rap é música de reinvindicação”. O rapper potiguar, popular no bairro da Redinha em Natal/RN, acredita que o estilo musical tem capacidade


de mudar a vida das pessoas. Ademais, o músico nos contou que as cantorias de emboladas e rimadores, conhecidos popularmente pela dupla Caju e Castanha, se somaram ao jeito de compor as suas canções, criando uma carga de influência nordestina nas composições. “Vi que tinha uma semelhança de métrica, que dava para ser utilizada.” O rapper contou que tem esperança no futuro do gênero, por causa da nova geração que tem surgido atualmente e que já produz rimas. Conversamos também com Ujó, o qual seus clipes musicais, que estão disponíveis no Youtube, possuem letras que falam de temas como amor e questões sociais. “No começo, eu tinha essa visão de fazer um rap totalmente voltado para os problemas sociais, antes era mais o gospel, eu deixei e fui para o secular.” Com essa ideia, Ujó declara que queria abordar outros temas, “ser mais eclético”. O rapper está para lançar um novo EP: “Eros”.

O novo trabalho tem como objetivo dar uma referência às mulheres, com a intenção de fazer com que elas se identifiquem com o novo projeto. “Existe um público feminino, porém a maioria dos rappers não se preocupa em dar essa voz para elas, em fazer com que elas se ouçam.” Em Eros, Ujó se inspirou nas deusas da mitologia grega: “Tá ficando muito bacana, eu acho que o público feminino tanto dentro do rap como fora dele vai gostar.”

Flori/Lorena (foto: Instagram)

Além disso, ele afirma querer fazer também umoutro projeto com músicas não muito sérias, com “zoação”, na procura de uma versatilidade dentro dos assuntos que coloca em suas músicas. Por ser um estilo musical que dá voz às minorias, o feminismo também encontra seu lugar e se expande. É assim que as vozes das mulheres ecoam encontrando um espaço no rap para reivindicar pelo seu espaço e respeito. A Lorena Nascimento, conhecida artisticamente como Flori, já tem duas músicas lançadas na plataforma Soundcloud: “Busque Seus Sonhos” (produzido por OKA) e “Pesadelo Peso Dela”. Sobre a música produzida pelo OKA, ela afirma que foi tanto feminista como autoexpressiva. Ou seja, através da música ela consegue expressar a sua própria vivência enquanto demonstra a resistência das mulheres que sofrem no ambiente machista.

Imagem do clipe Levando a Vida a Cantar do projeto Carcará na Viagem


Galeria - Ian Rassari


Coluna

Pedro Brandão

Existe vida inteligente na Terra? Quando o assunto é preservação do meio ambiente, quase sempre surge uma questão que se tornou senso comum: qual Planeta deixaremos para nossos filhos? Parece-me, que é preciso desconstruir essa velha máxima e refletir: que filhos deixaremos para este Planeta? Serão adultos capazes de construir uma consciência ambiental de preservação ou continuarão a progressiva destruição implementada pelo pensamento moderno? As últimas decisões para políticas ambientais de Donald Trump vão contra os anseios de ambientalistas do mundo todo. A saída dos Estados Unidos do acordo de Paris, em junho de 2017, foi um duro golpe nos avanços que vinham acontecendo no governo Obama. Baseado na prerrogativa do aumento da produção industrial como salvação para a economia do país, Trump desmantelou toda a política ambiental de seu antecessor. Ao passo que Obama criou e aprovou o Plano de Ação Climática, que visava reduzir a emissão de gases do efeito estufa, Trump assinou a Ordem Executiva da Independência Energética, que inviabilizou a permanência dos EUA no pacto de Paris. Além disso, as constantes declarações de Trump que desmentem o aquecimento global prestam enorme desserviço à conscientização da população e às políticas ambientais de outros governos.

No Brasil, via decreto assinado por Michel Temer, foi autorizada a exploração mineral na Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), ou seja, uma reserva que pretende preservar a Amazônia do desmatamento e poluentes da ação mineradora, por decreto presidencial poderia virar um imenso garimpo. Claro que tal decreto deixou descontentes vários setores da sociedade e foi revogado em uma atabalhoada ação do atual governo que sofreu mais uma derrota. Impossível não recordar o desastre da Samarco em Mariana – MG que destruiu o distrito de Bento Rodrigues, poluiu irreversivelmente a bacia do Rio Doce e matou 19 pessoas em 2015. Tramita na justiça o pedido de indenização que a Samarco deveria pagar ao Estado e às famílias atingidas além das ações de recuperação ambiental. Por enquanto a empresa continua operando normalmente enquanto perdura o impasse jurídico. Em fevereiro passado, as águas avermelhadas dos igarapés que circundam a cidade de Barcarena – PA eram o prenuncio de mais uma agressão ao meio ambiente. Análises do Instituto Evandro Chagas encontraram metais pesados, inclusive chumbo, em diversas áreas da cidade e nas comunidades ribeirinhas. A empresa responsável pela refinaria de bauxita Alunorte é a Hydro, uma empresa norueguesa que agora responde judicialmente, porém o dano

ambiental jamais será reparado. O acumulo de lixo em aterros que poluem o solo, o descarte equivocado de plástico que gerou uma ilha desse material no oceano Atlântico e atormenta a vida marinha, a emissão de gases que aceleram o efeito estufa, a geração sempre mais acelerada de lixo eletrônico, a ineficácia de políticas públicas voltadas para a regulação e sustentabilidade da produção industrial e a vista grossa de governos neoliberais às causas climáticas criaram uma bomba prestes a explodir. A natureza vem dando sinais de que não está suportando a presença humana há algum tempo. Os tornados cada vez mais devastadores nos Estados Unidos, os recentes terremotos no Chile e México, a alta na temperatura global no último século que vem causando secas cada vez mais rigorosas na África e em partes da America Latina. Tudo isso revela um caminho sem volta. Não para o Planeta, esse com certeza se recuperará. Mas sim para a raça humana que depende de aspectos naturais e não renováveis que são degradados cotidianamente. Desta maneira, a educação ambiental se faz extremamente importante para o futuro desta civilização ou então será necessário se guir a recomendação de Stephen


Hawking

e

buscar

um

novo

planeta

para

nos

abrigar.

Retomando a obra prima “2001 – Uma odisséia no espaço” de Stanley Kubrick, deixo a pergunta: qual será o cenário na Terra da próxima vez que o osso for jogado para o alto?

Lixo eletrônico o meio ambiente pede socorro. Por Antônio de Pádua, Jonatas Moura, Kassyo Hennan, Marcela Palhares, Maria Eduarda Fernandes e Priscila Lima A revolução tecnológica, iniciada na década de 1990, trouxe equipamentos que nos proporcionam conforto, acesso rápido a todo tipo de informação e uma imensa produção de lixo eletrônico. Lixo eletrônico é todo material proveniente do descarte de equipamentos eletrônicos. Televisores, telefones, baterias, computadores, impressoras e tantos outros equipamentos se encaixam nessa categoria que, segundo relatório feito pela Universidade das Nações Unidas (UNU) em parceria com outras instituições, a produção desse tipo de resíduo está crescendo gradativamente a cada ano. A quantidade gerada em 2016 alcançou o recorde de 45 milhões de toneladas de resíduo eletrônico e estima-se uma produção de 50 milhões em 2018.

As matérias-primas descartadas foram orçadas no valor de 55 bilhões de euros (242 Bilhões de reais). O peso do lixo eletrônico gerado é equivalente a cerca de 4,5 mil Torres Eiffel. O Brasil é o maior produtor de lixo eletrônico da América Latina de acordo com o Global E-waste Monitor 2017, produção com mais de 2 milhões de toneladas em 2016. Um crescimento de quase 10% em relação ao relatório de 2014. Segundo a ONU, o país não tem estatísticas padronizadas nem políticas de abrangência nacional para o manejo desse tipo de descarte. O relatório mostrou ainda que, apenas 20% do lixo eletrônico foram reciclados em 2017, o que equivale a 8,9 milhões de toneladas.

Foto: eco4u\ edição Priscila Lima

A ONU fez um alerta sobre a situação e pediu que fosse ampliada a reciclagem dessa categoria de lixo, que representa uma séria ameaça ao meio ambiente e à saúde. Empresas especializadas em materiais eletrônicos, como a Itautec desde o ano de 2004, vem faturando mais de R$ 200 mil com a venda de material usado, reaproveitando os micros computadores da própria empresa. A população também tem o dever de reduzir a contaminação do meio ambiente e esse cuidado inicia-se em casa, com a separação do lixo eletrônico de outros materiais e a destinação correta dos dejetos. A quantidade de empresas que realizam a coleta e a correta destinação do resíduo eletrônico não é grande, por isso o apoio de outras empresas e da população


se faz necessário para que possamos reduzir e evitar possíveis danos ao meio ambiente. De acordo com o coordenador de ecopontos da Natal Reciclagem Jurandir Nunes, o Brasil não tem tecnologia para reaproveitar o produto eletrônico coletado de maneira correta. Porém, alguns desses produtos são vendidos e/ou reaproveitados, ocasionando a diminuição de seu acúmulo, evitando-se os riscos à saúde da população, tais como: doenças inflamatórias, estresses oxidantes a problemas no coração e câncer. Em relação ao meio ambiente, constata-se a contaminação do solo, do ar e da água devido à decomposição (contém chumbo, cádmio, mercúrio, berílio, etc.) e acúmulo desses materiais cada vez mais produzidos. Ainda segundo Jurandir, os pontos de coleta são distribuídos estrategicamente em locais com grande circulação de pessoas, além disso os profissionais habilitados fazem visitas periódicas a lojas de eletrônicos e mercados

para realizar a coleta e a des- pela indústria brasileira. tinação correta desse material concomitantemente com A empresa também é o trabalho de conscientização. responsável pela campanha de arrecadação de lixo eletrôni A Natal Reciclagem é co que ocorre pelo sétimo ano uma das empresas que par- seguido e conta com a particiticipa ativamente da coleta e pação de várias outras empredestinação de lixo eletrônico sas. Estas concordam em se em nossa cidade. A empresa tornar ecopontos participando arrecada em torno de 120 toda arrecadação e divulgação da neladas anualmente através de descarte de grandes empresas, campanha que ocorre, tradicoleta e compra de material. cionalmente, na semana nacioO lixo eletrônico, após a cole- nal do meio ambiente. Durante ta, é desmontado, algumas pe- essa semana, são arrecadas em ças mais complexas, como as torno de 7 toneladas de lixo placas, são enviadas para uma eletrônico através dos ecoponempresa na Bélgica e o restan- tos e alguns mantém a arrete é processado e reaproveitado cadação durante todo o ano.

Fotos: Pedro Brandão \ Edição Priscila Lima


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Revista TABU  

Trabalho elaborado pelos alunos da turma de Jornalismo 2017.2, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), para a disciplina Labo...

Revista TABU  

Trabalho elaborado pelos alunos da turma de Jornalismo 2017.2, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), para a disciplina Labo...

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