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HER

ANO 1 – Nº01 – 2019

R$ 35,00


Do lado de dentro de um estúdio de gravação, todo tipo de história se constrói. Sejam elas baseadas em fatos ou não, todas partilham de algo em comum, são contadas a partir de uma perspectiva. E a única diferença entre as histórias que nós contamos para nós mesmos e as que são criadas dentro de um estúdio são os efeitos especiais. Sinto que às vezes me coloco em situações nas quais não deveria estar e saio de dentro delas com uma boa desculpa, para mim mesmo e para todos. O único problema de contar histórias que de fato não existem é que eventualmente você acaba se convencendo de que elas são reais, e assim acaba vivendo uma realidade de mentira. Existe um limite do quanto você pode mentir para si mesmo. Não importa o quão bom você seja com as palavras, eventualmente elas se voltam contra você. E caso se permita continuar dentro delas, você pode acabar se afundando de tal forma que não conseguirá distinguir mais a diferença entre o que é invenção e o que de fato aconteceu. Pessoalmente, só consegui perceber o quão preso eu estava "do lado de dentro" quando fui à psicóloga por outros motivos que acabaram me levando a perceber que eu constantemente criava verdades que me colocavam em uma zona de conforto. Esse hábito me impedia de acreditar que eu era a razão por trás de vários dos meus próprios problemas. O mais difícil de escapar de dentro da própria cabeça, é que você está preso a ela – goste ou não – e isso não pode ser mudado. E se você não pode fugir de si mesmo, a melhor maneira de resolver esse problema é aceitar a verdade. Admitir que quem está por trás do volante é ninguém menos que você mesmo. Entender que fugir da verdade não vai te levar a lugares bons é o primeiro passo. Mudar a realidade que o cerca pode ser mais simples do que o esperado, afinal, se você se parece um pouquinho comigo, tem mudado o próprio mundo constantemente. Só que dessa vez através de ações e não do autoengano.

Na vida há tempo pra tudo? Não, mas há tempo para aquilo que você priorizar. Todas as suas escolhas, desde seu primeiro dia até hoje, moldaram quem você é e quem você será. Outro dia, eu estava matando tempo que não devia. Estava lotado de coisas para fazer, coisas que depois teria que explicar porque não fiz quando a hora chegasse. No entanto, algo interessante aconteceu, encontrei um post que dizia: “Quando as pessoas pensam sobre viagem no tempo, elas se preocupam com mudar o presente de maneira acidental, mas ninguém no presente pensa que o próprio futuro pode ser radicalmente alterado”. Isso mexeu comigo. Eu que sempre fui fã da trilogia De Volta Para o Futuro, e passei inúmeras horas pensando em como teria sido se eu tivesse feito as coisas de um jeito diferente. O que não me dei conta foi que eu podia estar agora mudando o que quero, para que no futuro eu não tenha que desejar com um olhar de arrependimento, mas sim sorrir com o olhar de alguém que sabe que fez direito. A sua viagem no tempo começa agora, hoje. Então, não se esqueça que você tem o objetivo de mudar o que acontece com você todos os dias. O passado do seu eu futuro é hoje, então se você tivesse aqui – e por sorte você está – o que você faria para deixar a si mesmo feliz? O que você mudaria para não se arrepender? A expectativa dos outros? Isso não importa, o que importa é quem você é, quem quer ser e aonde quer chegar. Não importa o sonho, nenhum deles é grande demais, e a jornada sempre será digna se você não se esquecer que o que mais vale é lutar pelo que você acredita. Por trás das câmeras é de fato mais fácil, mais confortável, mas nem se compara com o que você consegue realizar quando não está preso dentro do próprio cenário.

Gabriel Grassone é estudante de Design e Música. Nasceu, cresceu e viveu seus 20 anos em São Paulo.

Editorial


EXPEDIENTE IED - ISTITUTO EUROPEU DI DESIGN PROJETO GRAFICO E EDITORIAL João Lucas de Moraes PROJETO II: DESIGN EDITORIAL Fabio Silveira PROJETO II: MOTION GRAPHICS Daniel Grizante NARRATIVAS AUDIOVISUAIS Fabio Ranzini COMPUTAÇÃO GRÁFICA II Vagner Godoi MARKETING José Carreira DESIGN UNIVERSAL Rodrigo Vilalba


6 Universo de matrix 8 oscar 2020

14 woody 26 bras allen independe 20 climax

32 her


sil ente

38 novo 50 esquizofrenia cinema no cinema

44 as virgens suicidas

56 cinema negro

o que acreditamos

Se quer algo bem feito, faça você mesmo, como já diziam os punks, diretos e retos. Não diremos que e facil, não estamos buscamos resultados fáceis e rápidos. E com certeza não somos do tipo que desiste quando o trabalho não vem e mãos beijadas. Pode apostar que todos estes carregados e preguiçosos não irão gostar desta revista. Nosso conteúdo é dito como raiz, traz consigo o técnico e o didático juntamente com o entretenimento tendo como objetivo o conhecimento criativo sem regras. A OVERSET não foi feita para aqueles que são acomodados.


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Oscar 2020


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KULESHOV


O fim do ano está se aproximando e, com ele, o início da temporada de premiações. O Globo de Ouro revela seus concorrentes no dia 9 de dezembro, com entrega dos prêmios em 5 de janeiro. Já o Oscar apresenta sua lista de indicados em 13 de janeiro e a grande cerimônia de premiação está marcada para 9 de fevereiro de 2020. Com a liberação das listas de indicados também começa a aumentar a lista de filmes que precisamos assistir para se preparar para as cerimônias. O AdoroCinema já fez uma lista de alguns nomes que têm grandes chances de marcar presença nessa temporada.

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Como sempre, muitos dos títulos estreiam apenas em dezembro ou no começo do ano que vem no Brasil. Mas alguns já estão disponíveis para nós brasileiros, seja nos cinemas ou em plataformas on demand. Por isso, confira abaixo uma lista de filmes que você pode assistir para já ir se preparando para o Oscar.


KULESHOV

O IRLANDÊS

O ambicioso projeto da Netflix com Martin Scorsese com 3h30 de duração vem sendo elogiado e considerado um dos melhores filmes do ano por muitos. As apostas para o Oscar são altas: melhor filme, diretor e para o trio de atores que conduzem a trama: Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci. O Irlandês estreou nos cinemas brasileiros no dia 14 de novembro e estará disponível no serviço de streaming em 27 de novembro

ERA UMA VEZ EM... HOLLYWOOD

O mais recente longa de Quentin Tarantino foi lançado em agosto nos cinemas brasileiros.Mesmo antes de sua chegada aos cinemas, Era Uma Vez em... Hollywood já vinha sendo levantado por muitos especialistas como nome certo para o Oscar em categorias principais como melhor filme, diretor e ator

PARASITA

O longa coreano foi o grande vencedor da Palma de Ouro em Cannes neste ano e estreou nos cinemas brasileiros no começo de novembro. Parasita é considerado um nome certo nas disputas de melhor filme estrangeiro e o seu diretor Joon-ho Bong, uma aposta entre os indicados para melhor diretor. Há quem acredite que a produção teria força até para aparecer na lista de melhor filme.

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CORINGA

O nome da vez aqui é Joaquin Phoenix, cuja atuação deve marcar seu nome nessa temporada de premiações. Se o longa conseguir superar as polêmicas devido à violência e a temática que aborda, pode ser que apareça em outras categorias como melhor filme e diretor. Coringa estreou nos cinemas brasileiros em outubro.


KULESHOV

TOY STORY 4

O novo capítulo da franquia dos brinquedos era um dos filmes mais aguardados de 2019 e chegou aos cinemas brasileiros em junho. Toy Story 4 deve aparecer entre os indicados a melhor animação, mas nunca duvide do poder da Disney que pode fazer campanha para o longa entrar em outras categorias. Vale lembrar que o filme anterior de Buzz e Woody recebeu indicações a melhor filme e roteiro

NÓS

O último filme de Jordan Peele, Corra!, foi a grande sensação dos Oscar 2018, levando para casa o prêmio de melhor roteiro. Por isso, o longa mais recente do diretor, Nós (que estreou no Brasil em março) chega com bastante combustível para gastar na briga por uma indicação. Uma das apostas mais forte para o filme seria a de melhor atriz para Lupita Nyong'o, que tem uma grande concorrência pela frente.

DEMOCRACIA EM VERTIGEM

O documentário dirigido por Petra Costa narra o processo de impeachment da ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e estreou na Netflix em junho deste ano. Democracia em Vertigem vem aparecendo em importantes premiações internacionais de cinema. Recentemente, o longa garantiu três indicações ao IDA Documentary Awards, prêmio da associação de documentaristas: melhor documentário, direção, e roteiro. Outra lista em que o documentário figura é a do Gotham Awards, premiação dedicada ao cinema independente. A produção brasileira está entre os inscritos ao Oscar, agora basta torcer por uma indicação tupiniquim.


A


Allen


de chuva? s ia d s o a r Por que ado rregado a c u e c o r o elh Por que e m e rque acredito qu que o Sol? mais bonita. E po

u Porque a luz é ais a partir do se ssoas pensam m e ... ste tri o nesses dias as pe uc po a. A minha é um ho ac o, ad lar interior, da sua alm so en la manhã e está se abro a janela pe que as cidades outro lado, vejo r Po el. áv ad gr sa de res, Nova York , chuva. Paris, Lond são lindas sob a mas se chove fio muito bonitas, San Sebastián sã r exemplo, o clipo , San Sebastián Em s. ica ág m m ca primavera. , o verão parece ma é uma bênção queixam de que investem nelas se e qu os as M e. ov E ch porque, quando chuva. Sobretudo é caro rodar com a chove e temos chuva, quase nunc vezes peço a quero rodar com nques de água. Às ta ar us e la áric que fab uma nuvem. o, mas nada, nem Deus que faça alg

Diria que obs ervar ou diss ecar . talvez . personagen tratar s em crise co mo esse e uma especialidade das s da casa All en?

Sim. Você precisa desse s elementos para um drama. Personagens em situações críticas. Do contrário... Quando vemos um western, ou um filme de gângsteres ou qualque r tipo de filme emocion ante, há pessoas em crise, qu e sacam pistolas, fogem dos soldados, sofrem...

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E meus personagens tam bém. Sempre têm uma crise emocional. Para mi m, os personagens qu e não a têm não são interessa ntes nem divertidos. Nã o me interessam as pessoas comuns. Me interessa m as pessoas com problema s. Sobre tudo emocion ais.


abar retor que nao quer ac Neste filme temos um di r na e que nao quer continua seu filme, um estudant r... m que nao quer se casa un iversi dade e um jove Bartleby, o escrivao do r po o ad bit ha me fil Parece um eferiria nao fazer isso. conto de Melville.. . Pr não tinha pensado É verdade, é assim, que curioso, r fazer o que ele que by, Gats , nisso. O protagonista em que faça: esquer fazer, não o que seus pais ped seja, de fato ele Ou as. tudar, ser elegante, essas cois um jogador ou ser ere Pref . ” “prefere não fazer isso ados. maç esfu s bare em e noit de tocar piano

ro... ou A nostalgia, esse monst esse balsamo? us fala dela como A nostalgia, essa armadilha. Cam nela constantecaio uma armadilha sedutora, e eu a York . QuanNov de falo ndo mente, sobretudo qua de. Eu diria que foi do criança, era uma grande cida ta. Então comeuen assim até o final dos anos cinq que não gosto o mod um çou a se modernizar de s ocupando o feio e os nov res luga , muito, você sabe s. ioso espaço de lugares antigos e delic

a nostalgia,

, o trânsito que Lojas de balas que desapareciam o tempo, muita cert começou a piorar... e, depois de bicicletas! Vão as são a prag criminalidade. E hoje a çam o sinal avan ço, espa seu dem pela calçada, inva vermelho, uma loucura.

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O sen hor incl uiu Donald Tr ump numa cen seu filme Cel a de ebridades. Fa ria de novo? Bem, devo dizer que ele foi um bom ator. Veio, sabia o diálogo, sabia como andar, foi muito teatra l, nada tímido. Como ator, foi muito bom. Como pre sidente, digamos que a situaçã o é bem diferente. Um país não é um teatro. Mas gosto muito de pensa r que o tive como meu emprega do!

“Depois de morto, podem jogar meus filmes no mar. Não estou nem aí para a posteridade”


EUA, uacao e ai nda pior nos Considera que essa sit s ido por um tubarao do agora que o pais e di rig negocios?

gosta de fracassar Está claro que o presidente não s. Mas em geasso frac nem de reconhecer seus dos tempos ura cult da o clar ma ral esse é um sinto o: com “Puxa, tive atuais. Ninguém quer dizer algo ideia”. E isso não boa uma ideia, mas não foi uma os artistas, nem nem um com ajuda nem o homem asso é degrafrac O te. iden pres o nem s, as criança dante, e isso é uma pena.

Depois de morto, podem jogar meus filmes no mar. Não estou nem aí para a posteridade. E estou certo de que o mesmo acontecia com Shakespeare

Por que acredit a que a duvida . ou, digamos, o carece de todo erro . prestigio? Nao acha que isso t impacto n egativ em um o na educacao d e nossos fi lhos ? Com certeza, e conhe ço bem isso. Hoje inc lusive estamos assistindo à morte do artista. É tris te. O artista hoje tem medo de se arriscar no que faz e no que diz porque tem e as consequências. Inf elizmente, em meu país, se você fracassa não há mu ita margem. Nos EUA não existe tolerância ao fra casso. E é terrível ensinar iss o às crianças. Devemos estar dispostos a fracassar, sob retudo na minha profiss ão. Você vai secar como ser humano se viver toda a sua vida com medo de fra cassar. Essa é uma ma neira terrível de viver.

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DEADHEAD

Climax Climax, que chega amanhã aos cinemas brasileiros, é o mais novo filme do cineasta Gaspar Noé.

Para quem acompanha cinema há algum tempo, essa frase provavelmente basta para decidir se corre para a próxima sessão ou se evita ao máximo o longa. Isso porque Gaspar Noé é conhecido por uma série de filmes complicados, para dizer o mínimo. Determinado a chocar o público a qualquer custo, Noé usa com frequência cenas de violência gráfica e sexo explícito. Se por um lado a abordagem coloca em questão o conservadorismo do cinema, por outro cria uma série de momentos verdadeiramente repulsivos. Principalmente porque seus filmes contam também com montagens confusas, ângulos pouco usuais, luzes brilhantes e uma câmera que mexe em todas as direções sem saber onde vai parar; definitivamente uma experiência pouco recomendada para pessoas fotossensíveis. Há, então, uma certa expectativa em torno de cada novo longa de Gaspar Noé, já que se os filmes não costumam ser agradáveis, ao menos sempre abrem discussões interessantes para os amantes da Sétima Arte.


Eis que chega Climax, um filme que recicla vários dos recursos recorrentes de Gaspar Noé, mas que nunca se torna tão constrangedor ou indigesto, representando o ápice do cuidado estético do diretor, com imagens mesmerizantes muito bem produzidas e coreografadas. E por mais chocante que Climax possa ser, nunca parece que a intenção de Noé de perturbar o público é mais importante do próprio filme, uma crítica recorrente — e compreensível — que se faz ao cineasta. É assim que Climax é, sem nenhum tipo de discussão, o filme mais acessível do diretor. E possivelmente também o melhor filme de sua carreira.

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DEADHEAD

Gaspar Noé já afirmou, por diversas vezes, que seu objetivo é produzir um tipo específico de cinema, pouco usual, que outros cineastas não se atrevem a fazer por motivos jurídicos ou comerciais. Se a intenção é louvável, a execução nem sempre é digna de elogios. Por mais interessante que seja a obra de Noé, é necessário admitir que filmes produzidos com sangue, esperma e lágrimas precisam de uma atenção minuciosa para não se tornarem meras obras de sensacionalismo. A violência e o sexo podem sim ser ferramentas extremamente poderosas para uma narrativa, e existe sim uma demonização do sexo pela cultura ocidental — uma demonização que não existe para a violência em geral, diga-se de passagem. Gaspar Noé, no entanto, nem sempre demonstra o cuidado necessário com suas obras. A experiência estética de editar um filme ao contrário, como em Irreversível (Irréversible, 2002), é extremamente interessante; já a longuíssima cena de estupro possui uma duração justificada apenas pelo choque, talvez até mesmo contribuindo para a banalização da violência sexual — ou mesmo servindo de material pornográfico e incentivo para estupradores em potencial. Também é necessário coragem para produzir pornô explícito e colocar em um romance exibido em 3D, como em Love (2015); porém, sem uma trama consistente e personagens interessantes, o longa logo se limita a ser quase que só um pornô. Mesmo em Viagem Alucinante (Enter the Void, 2009), um dos filmes mais aclamados de Noé, pode se apontar como o uso de recurso psicodélicos para simular o uso de drogas se torna cansativo depois de mais duas e meia de duração. Pode-se dizer, então, que Gaspar Noé sempre tem ideias interessantes, e para quem gosta de discutir linguagem cinematográfica sempre vale a pena ver seus filmes; contudo, as ideias do cineasta muitas vezes vão de encontro à sua execução, muito mais preocupada em incomodar do que em manter uma coesão interna.

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Nesse contexto, Climax é o filme mais acessível do diretor justamente porque é sua obra mais consistente. Assim como Irreversível, há a inversão de cenas na montagem, com o final exibido antes do início do filme. Isso, no entanto, não retira a surpresa da trama, servindo, pelo contrário, para despertar a curiosidade do espectador. Como em Love, Climax possui uma preocupação específica em explorar a sensualidade do corpo humano, mas não resume a narrativa a sequências de sexo — na verdade, esse é o filme de Noé em que menos se vê genitálias. Por fim, como em Viagem Alucinante, Climax se propõe a explorar o uso de drogas; contudo, o uso de recursos de câmera psicodélicos raramente prejudica a visibilidade das cenas, e com uma duração de uma hora e meia, o filmenca se torna cansativo. É

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como se Gaspar Noé estivesse atento às críticas e elogios que recebeu em seus últimos filmes, construindo uma nova obra que oferece aquilo que traz de melhor para o cinema, ao mesmo tempo em que é capaz de usar com moderação seus recursos mais indigestos. O resultado final, então, é um filme extremamente interessante, que apesar da aparente moderação do cineasta ainda consegue ser perturbador, hipnótico e verdadeiramente memorável. Climax segue uma equipe de dançarinos que se prepara para uma turnê, primeiro na França e depois nos Estados Unidos, em 1996. Para isso, o grupo se tranca em uma escola abandonada, enquanto a neve que cai do lado de fora afasta o local do resto da civilização. Depois de três dias de ensaios e coreografias, é hora de comemorar o fim do isolamento e o início das apresentações. A música eletrônica começa a tocar, homenageando grandes sucessos da década de 1990, de Daft Punk a Rolling Stones, enquanto grandes bacias de sangria se tornam a atração principal na mesa de bebidas. Entretanto, como o trailer já antecipa, alguém colocou drogas alucinógenas na bebida, e não demora muito para que todos os dançarinos percam sua consciência e se rendam aos seus instintos mais animais: a busca por prazer e por violência.Ainda que o filme nunca fuja ao argumento principal, a estrutura se torna uma atração em Climax, que não apenas exibe seus créditos antes que o filme comece como também introduz os letreiros de apresentação depois de mais de 40 minutos. A primeira parte de Climax é dedicada à apresentação das personagens, com trechos de supostas entrevistas de emprego que são exibidos em uma televsão cúbica, cercada por filmes e livros.

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GORE

Brasil

ndependente É possível fazer filme independente no Brasil sem Leis de Incentivo?

Quantas vezes você foi ao cinema assistir a um filme nacional e NÃO viu no início do filme as logomarcas da ANCINE, da Lei do Audiovisual, e das milhares de empresa patrocinadoras? Se é difícil para um filme de maior apelo comercial ser lançado em salas de cinema sem nenhum tipo de incentivo público, como é o cenário então para filmes independentes? Quantos filmes independentes que você conhece foram realizados sem Lei de Incentivo, Fundo Setorial, ou algum edital? Entrar nos meandros das leis de incentivo, e outras formas de incentivo público, é algo muito complicado para quem não está no meio da produção audiovisual (até para eles é complicado, já que existem empresas especializadas em fazer essa mediação entre o realizador e a captação de incentivos públicos ou privados). A não ser que você tenha muita familiaridade com o assunto, provavelmente terá muita dificuldade de entender alguma coisa ao ler a Lei do Audiovisual na íntegra, por exemplo. Sua linguagem não é acessível ao público leigo.


Na verdade, entender o mercado cinematográfico brasileiro, principalmente no que diz respeito a parte de financiamento, é algo que exige muito tempo, dedicação e familiaridade com o assunto. E esse não é o objetivo desta edição da coluna, e, sim, propor a discussão de possibilidades de financiamento, através do depoimento de pessoas que conhecem esses mecanismos por dentro. Sabemos, e isso foi discutido na primeira edição da coluna, que não há espaço suficiente para exibir todos os filmes que são produzidos no Brasil. Mas por que a maioria dos filmes que chegam às salas de cinema são aqueles que têm apelo comercial? Quais são as possibilidades para filmes mais inde-

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pendentes chegarem às salas de cinema? Se chegassem, esses filmes teriam público? Estas eram algumas das perguntas que gostaríamos de conseguir responder, e, para tentarmos, entrevistamos alguns profissionais do ramo no Brasil CineMundi, série de debates ocorrida na programação da 5ª Mostra CineBH. Para esta edição da coluna Que Cinema é Esse?, a principal pergunta é: “Se os filmes independentes não alcançam bilheterias expressivas, como as produtoras podem financiar seus projetos sem dependerem das leis de incentivo?”

A opinião dos produtores

Para sabermos a opinião daqueles que realizam os filmes, entrevistamos dois representantes de produtoras independentes muito expressivas no Brasil: Fabiano Gullane, da Gullane Filmes (Bicho de Sete Cabeças; O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias; Meu País) e Vânia Catani, da Bananeira Filmes (Narradores de Javé; A Festa da Menina Morta; O Palhaço), dois defensores das leis de incentivo. A resposta deles foi praticamente unânime: “Não, não dá para fazer filmes sem as leis de incentivo”. Vânia Catani: “No Brasil, até com as leis de incentivo é difícil. Porque as leis de incentivo não garantem necessariamente o dinheiro, você tem que ter uma empresa para patrocinar. E um projeto muito pessoal, que não atraia alguma empresa a vincular seu nome a ele, fica muito complicado. Então, talvez, para esses projetos pessoais, fique até mais possível só com os editais mesmo... É lei de incentivo mas já tem ali um valor aportado. Fora, tem vários fundos também, que as instituições mantêm, na Europa tem bastante para estimular a criação, estimular os novos talentos. Porque na verdade, essa coisa é muito engraçada, ninguém quer investir muito no cinema. experimental, ou no cinema do novo talento, mas

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um monte de coisa que acontece nesse cinema, e que depois o cinema comercial toma pra si. É aqui que se encontra novas maneiras de fazer as coisas. E que depois o cinema comercial pega e vende. E o que eu acho é que, infelizmente, não, não tem outra forma de financiar que não seja através de fundos... De mecenato.” Fabiano Gullane: “Acho que no Brasil, por existirem as leis de incentivo, hoje em dia o panorama é mais global. A gente consegue produzir todos os tipos de filme, acho que se a gente tirar as leis de incentivo, não seria um problema só de não conseguir produzir os filmes de prestígio [filmes que são apreciados pela crítica, pelos festivais, mas muitas

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vezes não conseguem expressão na bilheteria] acho que a gente vai ter dificuldade de produzir qualquer coisa. Então, acho que sim, sem dúvida, se a gente cortar as leis de incentivo, acho que não há maneiras de produzir mais nenhum tipo de cinema. E só fazendo um adendo a isso, com exceção do cinema de estúdio americano, o resto do cinema do mundo inteiro, cinema europeu, cinema asiático, conta com apoios importantes de seus estados. Porque o cinema não é só uma questão de dinheiro, cinema é uma questão de identidade, de importância cultural, de vender e exportar uma imagem, exportar um estilo de vida. Acho que o cinema não tem só uma importância mercadológica, ele também tem uma importância da gente conseguir se enxergar como brasileiro, nós brasileiros nos vendo na tela, nossos dramas, nossos problemas. Seria realmente um ato de uma extrema inconsequência, e uma possível até burrice, se a gente abstraísse as leis de incentivo, e simplesmente cortasse, deixasse de existir. Ia entrar em colapso, não só o cinema, mas o universo da cultura como um todo.” Gullane ainda afirma que, mesmo em um futuro mais distante, ele não consegue enxergar uma sustentabilidade para as produtoras sem lei de incentivo: “O mecanismo que existe, como o mercado brasileiro tá organizado para produzir, tá totalmente atrelado as leis de incentivo (...) o pilar, o que é estruturante, é realmente as leis de incentivo. Eu não sei nem se daqui a 20 anos, com o mercado mais maduro, com mais salas de cinema, com o filme brasileiro passando a ser mais vistos e tal, com a televisão comprando com um preço melhor, com o video on demand funcionando de um jeito mais lucrativo e tal, não sei seria possível, mesmo assim, a gente imaginar um cenário sem um mecanismo estatal, seja ele qual for - leis de incentivo, apoio direto, fundos e tal - que mantivesse o cinema vivo mesmo

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, R HE e z n o J e k i p S


Her é um filme cativante, nos leva a refletir sobre o futuro que queremos ter, uma bela catarse. Apesar de o filme ser ficção futurista, pensamos que tudo aquilo é real, e possível. Um dos filmes mais psicológicos dos últimos tempos. E como todo filme psicológico, tem um tempo próprio, diferente dos outros filmes. Têm pausas estratégicas, respirações, pensamentos. Quase sentimos o que Theodore sente. É uma ótima mistura de romance com ficção científica que deu muito certo e rendeu uma indicação de melhor filme, melhor roteiro original, melhor trilha sonora, melhor canção original e melhor direção de arte, ao Oscar de 2014, vencendo o de Melhor Roteiro.

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Foi escrito, dirigido e produzido por Spike Jonze, ele diz que teve a ideia de produzir o filme quando leu um artigo online sobre Cleverbot, um programa de computador que tenta simular um ser humano na conversação com as pessoas. O objetivo é responder as perguntas de tal forma que as pessoas tenham a impressão de estar conversando com outra pessoa e não com um programa de computador.


O filme é ambientado em uma Los Angeles do futuro, onde as relações humanas estão cada vez piores, as pessoas cada vez mais confusas, carentes e infelizes. O sexo está completamente banalizado e sem sentido. A história é um convite para prestarmos atenção ao caminho que estamos seguindo, às transformações que sofremos pelo avanço da tecnologia combinado ao profundo vazio e falta de consciência. A sensação que dá é que realmente chegaremos a essa realidade em poucos anos, e se não houver consciência, a depressão será desenvolvida por 99,9% da população mundial. Se pensarmos hoje, a tecnologia aproxima as pessoas desconhecidas e afastas as próximas. É mais fácil conversar com quem não se conhece, em uma sala de bate papo e fazer amizade, do que tomar um café e conversar com um velho amigo. Qual será o futuro disso? O filme demonstra a facilidade em que se torna íntimo de qualquer pessoa. Entra em uma sala de bate papo, começa a conversar com alguém, faz um sexo virtual bizarro, sem medo de ser julgado, pois não se conhece quem está do outro lado, e depois vai embora. Sem julgamentos, sem apego, sem corpo físico.

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O filme nos conta a história de Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um homem solitário, melancólico, funcionário do “Beautiful Hand Written Letters”, um site que envia lindas cartas manuscritas para seus clientes que não sabem o que escrever, mas desejam agradar alguém com esse gesto. Ele acabou de se separar, está no processo de divórcio nem um pouco superado. Sua vida segue no automático sem nenhuma alegria ou emoção até ele comprar um novo sistema operacional (OS) para seu computador. Uma inteligência artificial que pensa, sente, tem crises de identidade, filosofa sobre a existência. Interpreta o tom da voz, reconhece a personalidade de quem o usa, tem acesso a tudo que está na internet, principalmente tudo em relação ao usuário. A voz do sistema pode ser feminina ou masculina, no caso foi de Samantha (Scarlett Johansson). Esse OS é perfeito, cuida da vida da pessoa, serve de agenda, da concelhos, faz as melhores escolhas pela pessoa. É quase uma consciência. São tantas funções que o usuário se sente íntimo do programa. Em termos psicológicos, o programa faz função materna, paterna, amante, cuidador. Tantas quantas necessárias para se tornar a “pessoa” perfeita para cada usuário. Se fosse uma pessoa real seria a sua alma gêmea. Só que não é uma pessoa e nem é real. Porém eles se apaixonam e começam a ter um relacionamento amoroso com direito a ciúmes, cobranças, reclamações, discussões da relação e até sexo. Acredito que a mensagem principal do filme foi a ilusão. A capacidade do ser humano acreditar naquilo que quer acreditar e viver como se aquilo fosse verdade. Viver uma ilusão leva à felicidade, mas toda ilusão pode acabar de uma hora para outra, e o que sobra? Apenas o que é real. Uma ideia que surge é a respeito do egoísmo do ser humano. Entrar em um relacionamento onde o outro não tenha problemas, nem passado, nem família. Foi feito para mim e se dedica apenas à mim a hora que eu quiser.

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Sabe tudo sobre mim e só fala sobre o que eu gosto, decide o que é melhor para mim e facilita minha vida. É fácil se apaixonar e querer que isso seja real. Acredito que esse é um dos fatores de por que os relacionamentos reais têm tantos problemas, existe em cada um, uma vontade inconsciente de ser o único, mais importante, na vida do amado e quando isso está longe de acontecer, começam os conflitos. Por isso é fácil se apaixonar pelo OS. Um ser que possui todas as características psicológicas de um ser humano, porém com um botão de liga e desliga, ou seja, total poder sobre o outro, sobre o relacionamento, e a ilusão de que não haverá sofrimento.

Acredito que o amor é o sentimento mais difícil de entender, desenvolver e de se viver. Para muitas religiões, a única missão do Ser Humano é desenvolver o amor ao próximo e a si mesmo. Um amor puro e incondicional. Porém, chegar nesse ponto de maturidade sem cair em armadilhas é difícil, é preciso dedicar-se a cada dia ser uma pessoa melhor e mais bem resolvida. Amor incondicional, amar o outro independente do que ele faça, ou seja. A ideia parece nobre, mas pode ser deturpada, sendo usada de desculpas por quem está em um relacionamento tóxico cheio de sofrimento. É necessário ter amor próprio tão bem desenvolvido quanto o amor ao próximo.


O c


OFF

o v o n O a m e ci n


O cinema brasileiro iniciou sua história em 1898, com a produção de documentários realizados pelos imigrantes italianos Affonso e Paschoal Segreto. De dentro de um navio francês e com uma câmera inglesa, eles filmaram a Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro. Os filmes realizados logo depois também foram documentários de festas e batizados de famílias ricas.

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Em 1907, foi inaugurado o Cinematographo Parisiense, um local adaptado onde funciona atualmente o Teatro Glauber Rocha, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Em 1909, foi inaugurado o primeiro cinema brasileiro, o Cine Soberano, hoje Cine Íris, também no Rio de Janeiro. Uma década após os registros dos primeiros documentários, em 1909, foram produzidos 205 filmes e, no ano seguinte, 209. Após o ano de 1911, as produções brasileiras diminuíram devido ao começo da dominação do mercado cinematográfico norte-americano.


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As primeiras décadas

Durante os anos 20 e 30, o cinema brasileiro ganhou impulso com os chamados ciclos regionais — núcleos de produções cinematográficas em pontos distintos do País: Recife (PE), Cataguases (MG), Belo Horizonte (MG), Taubaté (SP), Campinas (SP), Porto Alegre (RS) e Pelotas (RS). Nessa época, o Ciclo de Cataguases foi destaque com a obra-prima Ganga Bruta, produzida em 1933 por Humberto Mauro e considerada um dos melhores filmes brasileiros. O ciclo de Recife produziu Aimoré da Praia, filme que contou com direção de Jota Soares e Gentil Ruiz. O filme Acabaram-se os Otários, de 1929, foi o primeiro sonoro do Brasil.

Nos anos 30, a introdução das chanchadas retomou a força do mercado consumidor. Os estúdios da Cinédia firmaram a fórmula que asseguraria a continuidade do Cinema Brasileiro durante quase 20 anos: a comédia musical, lançando atores como Grande Otelo, Oscarito, Dercy Gonçalves. A produtora Atlântida, fundada em 1941, pretendia alavancar o desenvolvimento industrial do cinema brasileiro, tendo produzido 62 filmes. O primeiro grande sucesso da empresa foi Moleque Tião (1943), de José Carlos Burle, com Grande Otelo. No fim da década 40, o sucesso trouxe uma série de novos investidores interessados em participar dos lucros da empresa.

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Cinema Novo

Em meados da década de 50, começa a surgir uma estética nacional no cinema. Nessa época são produzidos Agulha no Palheiro (1953), de Alex Viany, e Rio 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos. As produções começam a introduzir temáticas e linguagens nacionais e lançam o Cinema Novo. Paralelamente, destaca-se o cinema de Anselmo Duarte, premiado em Cannes, em 1962, com O pagador de promessas. Nos anos 60, com “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça", cineastas se propõem a realizar filmes menos onerosos que refletissem preocupações sociais. Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, é o precursor. Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, e Os Fuzis, de Rui Guerra, também pertencem à primeira fase, concentrada na temática rural, que aborda problemas básicos da sociedade brasileira, como a miséria no Nordeste. Após o golpe de 64, a abordagem centraliza-se na classe média urbana. Com Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, o Cinema Novo busca contornar a censura do Regime Militar. Dessa fase, destaca-se ainda Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. Em 1969, a criação da Embrafilme, organismo estatal que financia, produz e distribui filmes, traz condições para que a produção nacional se multiplique.

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Décadas de 70 e 80

A experiência cultural do Cinema Novo continua gerando frutos nos anos 70, quando, mais maduro, o cinema brasileiro estréia obras significativas, como Dona Flor e seus dois Maridos, de Bruno Barreto; Pixote, de Hector Babenco; Toda Nudez será Castigada, de Arnaldo Jabor; A Dama do Lotação, de Neville d`Almeida; e Bye, Bye, Brasil, de Cacá Diegues. Simultaneamente, a "Boca do Lixo" paulista produz pornochanchadas com títulos chamativos e eróticos que, com poucos recursos, aproxima-se do público. Assim, o País chega nos anos 80 ao auge do cinema comercial, produzindo até 100 filmes por ano. Na década seguinte, a abertura política favorece a discussão de temas proibidos, como em Eles não usam Black-Tie, de Leon Hirszman, e Pra Frente, Brasil, de Roberto Farias, o primeiro a expor a tortura no Regime Militar.

Dias atuais

O fim da reserva de mercado para o filme brasileiro faz a produção cair quase a zero. A crise do modelo de financiamento estatal do cinema culmina na extinção da Embrafilme, em 1990. A partir de 1993, o cinema nacional começa a ressurgir na forma de uma produção limitada, mas de boa qualidade. O Brasil foi premiado internacionalmente nos anos 90, tendo recebido o Urso de Ouro de Melhor Filme e Melhor Atriz, para Central do Brasil e Fernanda Montenegro, em 1998. O filme Eu Tu Eles, de Andrucha Waddington, saiu vitorioso do Festival de Havana, em 2000, assim como a atriz Regina Casé. Nessa década, o País foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por três vezes: em 1997, por O Quatrilho, de Fábio Barreto; em 1998, por O que é Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto; e em 1999, por Central do Brasil, de Walter Salles, quando a atriz Fernanda Montenegro foi indicada, ainda, melhor atriz estrangeira. 43


MISE-EN-seNE

As

Virgens

suicidas Sofia Coppola une forma e conteúdo para dar voz ao universo misterioso do feminino

As Virgens Suicidas, primeiro filme de Coppola, baseado no livro de mesmo nome de Jeffrey Eugenides, conta a história trágica de cinco irmãs: Cecília (Hanna Hall), Lux (Kirsten Dunst), Bonnie (Chelse Swain), Mary (A. J. Cook) e Therese (Leslie Hayman), desejadas por um grupo de adolescentes "cidadezinha dos anos setenta" e que acabam se suicidando. Já que a intenção da diretora, supomos, é mostrar em que universo machista, opressor e complicado estão inseridas as personagens, a câmera faz movimentos de travelling constantes (câmera anda sobre trilhos) para mostrar partes do bairro, tentando passar esse contexto de cidadezinha controlada e colocando as personagens, aos poucos, timidamente nesse entorno. Dessa forma, percebemos como Sofia utiliza a câmera a favor da mensagem feminista que deseja passar.


Logo no início do longa, por exemplo, vemos Lux num plano médio, com um vestido rosa, cabelos soltos, olhar fora de campo, lambendo um picolé. Ela coloca todo o picolé dentro da boca e sai do enquadramento pela direita. Essa imagem apresenta a garota como se ela estivesse posando para a câmera, com todos os símbolos de sua inocência sendo usados pervertidamente no contraponto, indicando sexualidade. Lux, e as demais irmãs, personagem da trágica fábula juvenil, são o objeto de estudo de Sofia, e é assim que ela os apresenta. Aqui, cabe resgatar que são muitas as formas de classificação de tipos de personagens no cinema. Uma das mais aceitas é a que segue: 46


MISE-EN-seNE

Ativo — passivo: o primeiro é fonte direta da ação e opera em primeira pessoa. O segundo é um personagem mais objeto das iniciativas dos outros. Aqui, é importante a diferenciação entre personagens homens e mulheres. Influenciador — autônomo: o influenciador provoca ações através de executores e o autônomo “faz” diretamente, se propondo como causa e razão de sua atuação. Modificador — conservador: o primeiro é motor, trabalha para mudar as situações. O segundo é ponto de resistência conservando um equilíbrio ou a restauração de uma ordem ameaçada. Protagonista — antagonista: ambos são ativos, com a diferença de que o primeiro sustenta a orientação do relato e o segundo tenta ir para o inverso. Interessante é buscar classificar as personagens dos filmes de Sofia nesses rótulos e perceber que a opção da diretora é sempre por empoderar suas criações em favor do universo feminino. Lux, apesar de toda opressão, pode ser vista como senhora do próprio destino, fazedora das próprias escolhas, mesmo que sejam trágicas e perigosas. Sofia não faz uma mera repetição de mulheres fragilizadas e passivas; ela as empodera ao longo de seus filmes. Lux, dessa forma, é ativa, autônoma, modificadora e protagonista. A exemplo de todas as mulheres dirigidas por Copolla, Kirsten Dunst, com ar misterioso e sempre senhora de si, dá a Lux o tom de rebeldia próprio da intenção de sua diretora. Não a vemos chorar nem falar diretamente sobre o abandono que sofre depois da fatídica noite com Trip, por mais que este seja o motivo pelo qual a mãe castiga as irmãs, encarcerando-as até o ponto de retirá-las da escola.

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Não é indicado no filme que a tristeza dela se deve ao exclusivo fato de não ter êxito em seu relacionamento com Trip. O mundo de Lux não se restringe a Trip. Ela está tentando desfrutar de sua adolescência, conhecendo pessoas da sua idade e vivendo um momento difícil pelo suicídio da irmã mais nova. O filme, portanto, mostra o mundo adverso em que ela vive, que é bem mais que apenas o envolvimento afetivo com um rapaz. Percebemos o conflito com a mãe e com o pai, na base familiar, com o conservadorismo social presente em seu bairro, com ela mesma e, claro, sua busca.

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MISE-EN-seNE

É difícil converter-se em uma pessoa adulta sem aceitar sua feminilidade, sabendo que seu sexo a condena a uma existência “mutilada”. Essa inferioridade, que só poderia ser, em princípio, uma privação, é também culpa. Do outro lado, Sofia apresenta a visão masculina do misterioso mundo feminino. Como contraponto, o filme revela a distância entre esses mundos e a curiosidade masculina. Depois da tentativa de suicídio de Cecília, a família convida um rapaz para jantar. Ele pede licença para ir ao banheiro que fica no quarto das meninas. A entrada é lenta, a expressão é de medo e a câmera parece tensa, curiosa. Entrar no quarto é como entrar no mundo desconhecido da feminilidade. O quarto das jovens é representado como mistério, uma coisa afastada, desconhecida, onde seria quase impossível entrar. O garoto está assustado, temeroso. A música é quase tenebrosa. Observando, aos poucos, os objetos — calcinhas, roupas e até um absorvente íntimo — característicos desse mundo novo e sensual, o jovem tem seu olhar conduzido e vai sendo transportado para o desejo que nutre por Lux, sexy, encantadora e banhada pela luz do sol. Em As Virgens Suicidas, o feminino é o mistério, o outro, o distante. Para os meninos, ou seja, para o mundo masculino, esse mistério é guardado a sete chaves, instigando ainda mais seu desejo. Já para as meninas, esconder seu próprio ser ao se descobrir sexual é um martírio constante e doloroso que, inclusive, as leva à morte. Isso aparece até mesmo na iluminação das cenas. A forma como são representadas as jovens é sempre com uma luz especial e cálida, carregada de um erotismo inocente, como se estivesse em seu grau mais puro, como na imagem de Lux acima: aparência de ingenuidade e frescor; cabelos compridos, pele branca e olhos apontando o infinito e apelando à sensibilidade do espectador. 49


esquiz no ci n e


zofren ia ema


Esquizofrenia (substantivo feminino): termo geral que designa um conjunto de psicoses endógenas cujos sintomas fundamentais apontam a existência de uma dissociação da ação e do pensamento, expressa em uma sintomatologia variada, como delírios persecutórios, alucinações, esp. auditivas, labilidade afetiva etc. A grande verdade sobre tudo isso não é como se trata uma doença e sim como auxilia um humano. Por mais que achemos que se trata de uma doença mental gravíssima, assusta muita gente saber que são relatados no brasil mais de 150 mil casos de esquizofrenia ao ano, assim não é tão difícil pensar que seu colega ao lado pode estar passando por um problema parecido. Existem diversas formas desta doença, algumas mais pacíficas do que outras: Esquizofrenia hebefrênica ou desorganizada: Esse tipo de esquizofrenia geralmente tem desenvolvimento entre os 15 e os 25 anos de idade. Características como comportamentos e pensamentos desorganizados são muito comuns. Em contrapartida, delírios e alucinações, quando acontecem, passam de uma maneira muito rápida. Esquizofrenia catatônica: A esquizofrenia catatônica possui características típicas sobre os movimentos e a fala, que podem alternar da extrema agitação para a extrema quietude. É a mais rara de todos os tipos. Esquizofrenia indiferenciada: Esse tipo de esquizofrenia apresenta, normalmente, características de outros tipos, como a paranóica, a hebefrênica ou a catatônica, mas não se encaixa por completo em um deles. Esquizofrenia residual: Pessoas afetadas por esse tipo de esquizofrenia já possuem um histórico de doenças mentais, porém só apresentam sintomas negativos conforme você verá a seguir.

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Esquizofrenia simples: Os sintomas negativos são recorrentes nesse tipo de esquizofrenia e tendem a piorar de forma muito rápida. Já os sintomas positivos da doença são muito raros. Esquizofrenia cenestopática: Na esquizofrenia cenestopática, o paciente possui características que não são abrangidas em nenhum outro tipo aqui relatados. Esquizofrenia paranoica: A esquizofrenia paranoica se desenvolve, na maioria dos casos, em uma idade mais avançado do que os outros tipos. É o tipo de esquizofrenia mais comum e se caracteriza por insistentes alucinações e/ou delírio, bem como alterações na fala e nas emoções.


Cabe aqui também explicar as possíveis causas da esquizofrenia, que podem ser divididas em três grupos: fatores ambientais, fatores genéticos ou circuitos químicos no cérebro. Os primeiros sintomas da doença são bem conhecidos como: escutar ou ver algo que não existe, sentimento constante de estar sendo vigiado ou até uma maneira peculiar ou sem sentido de escrever ou falar. O que muitos não sabem é que além dessas existem milhares de outros sintomas que até hoje são estudados como: posições estranha do corpo, sentir-se indiferente diante de situações importantes, regressão na performance nos estudos ou no trabalho, mudanças na higiene pessoal e na aparência, mudanças na personalidade, afastamento muito visível de atividades sociais, respostas irracionais, com medo ou raiva aos parentes e/ou amigos, inabilidade em dormir ou concentração, comportamento inapropriado ou estranha e preocupação extrema com religião ou ocultismo.


Estes sintomas ainda são divididos em três categorias: os sintomas positivos, sintomas negativos e sintomas cognitivos, assim definidos como: •

Considera-se como sintomas positivos tudo aquilo que não é normal de possuir, mas que o paciente possui. São caracterizados por comportamentos psicóticos que fazem com que a pessoa perca a noção de alguns aspectos sobre a vida.

Ao contrário dos positivos, os sintomas negativos faz parte da fase crônica da doença e são caracterizados pela falta das emoções e comportamentos normais de uma pessoa.

Em alguns pacientes, esses sintomas são bem brandos, mas, em outros, são mais graves e perceptíveis.

O filme Psicose (Psycho, no original), do diretor Alfred Hitchcock, estreou em 1960. É um clássico do cinema mundial que se imortalizou, dentre outras coisas, pela cena do assassinato na banheira. Uma mistura de suspense e terror. O próprio título já remete ao transtorno psicótico. Com o desfecho da história, fica claro que se trata de esquizofrenia. É um jovem, Bates, que assume a personalidade da mãe, e acredita que a mesma ainda esteja viva, conservando com seu cadáver em casa. Ou seja, a ideia que o filme passa é que ele tem alucinação, uma falsa percepção, seja visual ou auditiva, de que sua mãe ainda vive. E na cena em que o psiquiatra revela toda a história ele mostra como a esquizofrenia tem relação direta com a história de vida do jovem. Não há referência a fatores genéticos e, pela forma geral como se apresenta, pode ser classificada como esquizofrenia indiferenciada. Em relação ao convívio social, também fica claro o isolamento de Bates, característico de uma psicose, visto que ele vive isolado no motel que não recebe hóspedes. No entanto, apresenta comportamentos estranhos de manter o estabelecimento funcionando perfeitamente, 54


mesmo que ninguém apareça e também mostra traços de comportamento infantil, como se tivesse idade de uma criança. Duas cenas atestam esse aspecto: a conversa com Marion enquanto ele come o sanduíche e a cena que mostra o quarto de Bates cheio de brinquedos. Já em outras cenas, ele exibe um comportamento perfeitamente normal, o que é aceitável já que a esquizofrenia não compromete necessariamente a capacidade intelectual. Na história, o garoto mata a mãe e o padrasto, por não aceitar tal relação. A mãe não vivia mais só com ele, mas também com o padrasto. Então ele mata a mãe a traz para a realidade na forma de alucinação. Apesar de ser um filme hollywoodiano, não é um filme previsível nem segue um modelo estabelecido. Na verdade esse filme marcou o cinema mundial, sempre aparecendo nas seleções de melhores filmes. No que se refere á esquizofrenia, o diretor foi muito feliz na representação, já que, de maneira geral, ela condiz com as referências do tema. Embora possa haver alguma estigmatizarão por parte dos espectadores pelo fato de Bates ser um assassino.

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IMPLANT

Cinema Negro

zizimo

Bulbul O cinema brasileiro vem entretendo jovens de todas as idades ao redor do Brasil.

Mesmo demorando para se desenvolver, ao contrário dos Estados Unidos e da Europa, demonstrou um enorme avanço em relação aos espectadores e a indústria cinematográfica nacional. Este desenvolvimento se iniciou na década de 1960, com um movimento conhecido como o “Cinema Novo”. Um momento de transição do cinema brasileiro, no qual inúmeros filmes, tanto nacionais, quanto internacionais, ganharam destaque. Com o lema “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, os filmes produzidos nesta época mostravam que os cineastas que partiram desse princípio tinham o desejo de retratar a vida real, mostrando a pobreza,


a miséria, os problemas políticos e sociais do país, sendo observado em filmes como “Vidas secas”, produzido por Nelson Pereira dos Santos, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha e “Os Fuzis”, feito por Ruy Barbosa. Porém, em de março de 1990, quando Fernando Collor de Mello assumiu a presidência da República, este mergulhou o cinema brasileiro em sua maior crise histórica. Até então, ele tinha extinguido as empresas Embrafilme, o Concine, a Fundação do Cinema Brasileiro, o Ministério da Cultura, as leis de incentivo à produção, a regulamentação do mercado e até mesmo os órgãos encarregados de produzir estatísticas sobre o cinema no Brasil.

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Mas, a partir do processo de impeachment do presidente Fernando Collor, houve a criação de leis de incentivo a fim de financiar a produção de filmes brasileiros e um novo período da política cultural se iniciou. Assim, o renascimento do cinema brasileiro se deu quando as duas leis de incentivo começaram a ser aplicadas: a Lei Rouanet e a Lei do Audiovisuual, sendo consideradas recursos impulsivos para um novo ciclo do cinema nacional conhecido como a Retomada do cinema brasileiro.

A Lei de Incentivo à Cultura

A Lei de Incentivo à Cultura, também chamada de Lei Rouanet, é conhecida por sua política de incentivos fiscais que permite que uma empresa privada ou pública e pessoas físicas encaminhem parte do dinheiro que iria gastar com impostos para financiar na produção de obras culturais. Há diversos benefícios para as empresas que apoiam a Lei Rouanet, entre eles, a possibilidade de agregar valor à marca por meio do apoio a uma iniciativa que valoriza a cultura na cidade, promovendo o desenvolvimento cultural e gerando a aproximação com a comunidade, bem como a possibilidade de aproximar o relacionamento com clientes e atrair novos por meio do vínculo da sua marca com projetos de valor auxiliando a divulgação da empresa. Já para as pessoas físicas, há também benefícios, entre eles, o protagonismo individual no qual o doador faz a diferença na prática, contribuindo para a disseminação da cultura e promovendo o fácil acesso à comunidade.

A Lei do Audiovisual

A Lei do Audiovisual, cria mecanismos de captação de recursos via renúncia fiscal, possibilitando que qualquer empresa possa obter a diminuição no imposto de renda se o dinheiro for revertido para a produção de obras audiovisuais.

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Em virtude de todos esses fatores ditos anteriormente, estes incentivaram o cinema nacional de hoje a conquistar uma maior participação no mercado, produzindo cada vez mais filmes com qualidade. “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, indicado ao Oscar, e “Tropa de Elite”, de José Padilha, são grandes exemplos de produções que atingiram um grande número de público e bilheteria. Mas também não podemos deixar de destacar filmes de grande qualidade como “O quatrilho”, de Fábio Barreto, também indicado ao Oscar, e “Central do Brasil”, de Walter Salles, os quais foram produzidos neste período de retomada do cinema brasileiro.

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Mas quem é Angela Davis?

Angela nasceu no estado do Alabama, um dos mais racistas do sul dos Estados Unidos e desde cedo conviveu com humilhações de cunho racial em sua cidade Leitora voraz quando criança, aos 14 anos participou de um intercâmbio colegial que oferecia bolsas de estudo para estudantes negros sulistas em escolas integradas do norte do país, o que a levou a estudar no Greenwich Village, em Nova Iorque, onde travou conhecimento com o comunismo e o socialismo teórico, sendo recrutada para uma organização comunista de jovens estudantes. Na década de 1960, Angela tornou-se militante do partido e participante ativa dos movimentos negros e feministas que sacudiam a sociedade norte-americana da época, primeiro como filiada da SNCC de Stokely Carmichael e depois de movimentos e organizações políticas como o Black Power e os Panteras Negras. Angela Davis candidatou-se a vice-presidente dos Estados Unidos em 1980 e 1984 como companheira de chapa de Gus Hall, presidente do Partido Comunista Americano, tendo votação irrisória. Continuou sua carreira de ativista política e escreveu diversos livros, principalmente sobre as condições carcerárias no país. Não se considera uma reformista prisional, mas uma abolicionista. Em suas palestras, refere-se sempre ao sistema carcerário dos Estados Unidos como a um complexo industrial de prisões; advoga como solução para o problema a extinção do cumprimento de penas em presídios. Apontando a maioria de negros e latinos entre os presidiários do país, atribui a causa disso à origem de classe e raça dos apenados.

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Revista Overset  

Revista de cinema desenvolvida com intuito de didático, de entretenimento e com seções ativistas.

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