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Conferência e Exposição Concept Paper

“História da Guiné-Bissau através da história de mulheres – como as mulheres participam na reconstrução do país”

Lisboa Bissau 30 de Janeiro de 2013

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I. Contexto

A Musqueba é um Movimento de mulheres que visa a educação e valorização das mulheres africanas nos contextos onde se inserem com vista a potenciar o seu contributo na luta pela paz e justiça social. Tem-se verificado que as mulheres enfrentam graves dificuldades na sua participação. Por um lado, debatem-se com o escasso reconhecimento que lhes é atribuído, o que implica uma fraca promoção e atribuição de valor ao seu contributo a nível individual, social, político e religioso; o que por outro lado, aumenta a sua falta de auto estima e encorajamento para a participação e engajamento nas várias esferas da vida de um país. A maioria dos países, de entre os quais se destaca a Guiné-Bissau, necessitam de promover uma educação inclusiva das mulheres africanas, não só como agentes participativos mas também como líderes da sua própria família e comunidade, desempenhando um papel importante na educação dos seus filhos, uma vez que é nesta cena que se podem criar espaços de igualdade e paridade de oportunidade entre géneros. A importância das jovens raparigas descendentes de imigrantes guineenses conhecerem a história é fator de desenvolvimento, educação e cidadania. Poderão dessa forma buscar estratégias para garantir uma mais saudável reflexão acerca da sua identidade. Isto porque conhecendo a sua história terão uma maior hipótese de escolher como e onde querem contribuir para a alterar. Países em vias de desenvolvimento, como é o caso da Guiné-Bissau, necessitam do apoio de todos os seus filhos e filhas. E dessa forma educando para a paz, na diáspora e, promovendo uma maior consciencialização daquilo que as mulheres têm feito e podem fazer, poderá afigurar-se como mais um recurso possível para o desenvolvimento. Isto porque reconhecendo que quando estamos verdadeiramente inspirados ou algum acontecimento marcante toma lugar na nossa vida sentimonos capazes de tomar decisões que mudam a vida de pessoas, comunidades e países. E é por isso que através deste Projeto queremos criar oportunidades para que incidentes críticos tenham lugar na vida de várias mulheres guineenses e que estas de alguma forma sejam capazes de contribuir para a paz, estabilidade e desenvolvimento do seu país.

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Entendemos que devem ser as mulheres a contar as suas vivências e a serem capazes de educar os seus filhos pois só assim podem resgatar e mapear as suas próprias histórias.

Porque é que é importante o Dia da Mulher Guineense e honrar a história das mulheres na luta pela independência?

Desde a luta pela independência temos verificado que as mulheres guineenses têm estado a disputar inúmeras batalhas para convencer outros que merecem direitos iguais aos dos homens (Kimble, 1979) independentemente da etnia a que pertencem. Esta é uma luta contra as próprias mulheres e homens que persistem em manter um sistema limitador de direitos e liberdades. Os quais são indispensáveis e se afiguram essenciais para que cada mulher possa prosperar e alcançar a qualidade de vida que acredita merecer (Adaptado de Teodora Gomes, 1979). As mulheres continuam a dominar os fatores indispensáveis à sobrevivência do país como o sector produtivo agrícola, a educação das crianças e a economia não formal do setor terciário. Mas por outro lado, não se vêm enquanto massa coletiva com interesses e limitações comuns, não se vêm em condições para mudar o presente, passam dificuldades económicas e sociais, têm fraca auto estima e poucas oportunidades de acesso à educação. Por isso, partindo-se da fragilidade do quadro social, educativo e económico que o país enfrenta aliado à falta de uma visão esperançada para o futuro sem lideranças consistentes, sentem-se pouco encorajadas para definir caminhos e percursos que possam alterar o estado em que se encontram. Por conseguinte, sentimos que esta é uma luta que obriga a reescrever os valores tradicionais que dão estrutura ao país. A questão que se coloca é que das poucas estruturas existentes, esta é uma das que, pelo menos, orienta a vivência em sociedade. Porém a mesma não é garante de emancipação das mulheres e por isso nesta dicotomia questionamos: qual é a força que nos une? Que princípios desde a luta pela independência temos conseguido manter que assegurem o nosso envolvimento e participação nos processos de transformação social? Neste momento nenhuns, é a resposta. Queremos e acreditamos que é importante lutar de forma concertada e com resultados concretos, contudo para isso, já não nos podemos limitar a fazer "pouco a pouco" ou a esperar que venham fazer por nós. Há que tomar uma posição!

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O tempo vai passando e a situação da Guiné vai-se deteriorando. Situação que afeta a vivência em sociedade na medida em que os homens vão assumindo outros papéis e outras formas de estar (migrações, falta de assunção dos compromissos maritais, não garante do sustento família, etc ...) e as mulheres têm necessidade de se ajustar a uma nova tipologia de vivência em sociedade e em família. Enfim, é neste contexto, que se vê como oportunidade mudar a ideia do pacto social e silencioso existente entre homens e mulheres no país. É a oportunidade de se assumir que as mulheres contribuem com responsabilidade e continuamente para o bem-estar da Guiné. É neste contexto que se quer reivindicar um conjunto de direitos importantes para que de fato o contributo seja valorativo e comprometido para com o desenvolvimento. Esses valores prendem-se com a: 1) Valorização efetiva da participação em espaços públicos; 2) Liberdade de escolha de projetos pessoais; 3) Oportunidades de educação tendo em conta a condição de mãe; e 4) Cultura de prestar contas e cultivar a confiança entre pares. Entende-se que este deve ser um Movimento feito pelas mulheres e com as mulheres. O que exigirá um processo de consolidação da confiança entre pares, o entendimento da história do país enquanto movimento de emancipação de um povo e irá pressupor a envolvência em lutas ideológicas, culturais e políticas para que reais mudanças aconteçam. E com esse pressuposto apostamos na educação das mulheres sobre a história de emancipação para que a partir daqui se possa construir laços de confiança que valorize a diferença entre etnias, religiões, idades e condições socioeconómicas.

II. Metodologia e objetivos

Pretende-se valorizar o conhecimento da história e a experiência de partilha de histórias das e pelas mulheres, que ajudam a promover uma maior auto estima e uma consciencialização cultural sobre os benefícios da participação das mulheres na sociedade. Em suma, são 3 os objetivos primaciais do Movimento:  Educar as mulheres sobre os caminhos de emancipação trilhados pelo povo guineense; 4


 Colocar as mulheres como protagonistas na história de (re)construção da Guiné; e  Criar laços de solidariedade entre pares e géneros independentemente do contexto social, económico e/ou político.

III. Temáticas a abordar

1.

Líderes mulheres africanas;

2.

História da Guiné-Bissau através de histórias das mulheres;

3.

Direito e contributo das mulheres na proteção do ambiente;

4.

Super heroínas africanas;

5.

Interligação entre a participação das mulheres e o poder de mudar o futuro.

IV. Resultados a obter

1.

Troca de experiências através da histórias de pessoas, partilhadas entre mulheres africanas;

2.

Inspirar estratégias de educação não formal da comunidade guineense e africana;

3.

Compilação das histórias e reflexões numa revista;

4.

Encontro da diáspora feminina;

5.

Exposição sobre mulheres e as suas histórias.

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Concept paper Dia da Mulher Guineense