Page 1


2

Direcção . Sandra Silva . Alexandre Cortez . Gonçalo Riscado Consultora literária . Mafalda Lopes da Costa Produção . Débora Marques . Fernanda Borba . Ana Reis Comunicação . Pedro Azevedo . Janine Lage . Myriam Zaluar Produção vídeo . João Pedro Gomes Estagiários RESTART . Joana Patrício . Sara Silva . Catarina Pimentel . João Cotrim Design . YUP/ Paulo Arraiano Fotografia . Isabel Pinto (p. 5) . Fernando Laszlo (p. 7) . Tó Trips (p. 9) . João Silveira Ramos (p. 14) MBarbaraM (p. 18 e 29) . Kelly Jeffrey (p. 26) Ilustração . Tó Trips (p. 11) WEB . Buran Design Studio Produtores . 101 Noites/ CTL - Cultural Trend Lisbon Parceiros Fundadores . Institut Français Portugal/ Goethe-Institut Portugal Entidade gestora . CTL – Cultural Trend Lisbon Impressão . Lisgráfica Tiragem . 45.000 Distribuição gratuita FESTIVAL SILÊNCIO

Trav. Do Carvalho 15, 1ºesq Lisboa 21 343 01 07 . festivalsilencio@festivalsilencio.com www.festivalsilencio.com Cinema S. Jorge . Av. Liberdade, 175 Musicbox . R. Nova do Carvalho, 24 (Cais do Sodré) Institut Français du Portugal . Av. Luís Bívar, 91 CEAUL Fac. Letras da Univ. de Lisboa . Al. da Universidade


O Festival Silêncio afirma-se como um evento internacional que dá voz às novas tendências artísticas e novas expressões urbanas em torno da palavra dita e do seu cruzamento com as outras artes. Atentos aos novíssimos movimentos que cruzam a palavra com a música, artes cénicas ou vídeo e imprimem à poesia uma nova dimensão, desafiámos criadores nacionais e estrangeiros de diversas áreas a apresentarem projectos que cruzem a palavra com as diferentes artes, espelhando assim a vitalidade dos novos movimentos em torno da palavra. Nesse sentido, o Festival Silêncio pretende não só dar a conhecer o trabalho de consagrados artistas representantes desses movimentos, como também promover a criação de novos projectos provocando encontros entre jovens artistas estreantes oriundos de diferentes áreas. Através de espectáculos transdisciplinares que cruzam a palavra com a música, artes cénicas ou vídeo, conferências, mostras de filmes e documentários, concertos, leituras encenadas, workshops, exposições e lançamentos de livros, o Festival Silêncio aposta na transversalidade e abre caminho para a conquista de novos públicos. Tendo como principais palcos o Cinema São Jorge e o Musicbox, o Festival Silêncio irá trazer na sua terceira edição grandes nomes da cena literária e artística nacional e internacional apresentando uma programação com novas rubricas e espectáculos em estreia absoluta que prometem transformar, de 15 a 25 de Junho, Lisboa na Capital da Palavra.

3


4

Espectáculo

MÚSICA DE PALAVRA(S) quarta 15 DE JUNHO . 22H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 1 15€ JOSÉ MÁRIO BRANCO, VOZ E GUITARRA; CAMANÉ, VOZ; CARLOS BICA, CONTRABAIXO; JOSÉ PEIXOTO, GUITARRA; E FILIPE RAPOSO, PIANO E ACORDEÃO.

A palavra cantada é filha da música e da poesia, uma filha que ganhou vida própria e autonomia a partir dos genes das suas progenitoras. A convite do Festival Silêncio, José Mário Branco e Camané, acompanhados por Carlos Bica, José Peixoto e Filipe Raposo, propõem uma incursão nesse mundo – ao mesmo tempo íntimo e universal – onde cada um de nós pode fixar as raízes da vida. Um jogo de tensões entre o silêncio e os sons, no espaço e no tempo cénicos, que é o apanágio da canção poética. Simples, profundo, nutritivo.


5

O encontro de uma música com umas palavras, de que resulta o nascimento de uma canção, é um encontro de significados que produzem novos significados. Melodias, harmonias, ritmos e timbres fundem-se com palavras, sílabas, fonemas e frases para formar novos e inesperados significados. No espaço sonoro de uma canção – seja interpretada ao vivo, seja fixada numa gravação – nenhum som ou silêncio é irrelevante, tudo é significante e discurso reapropriável. O artista, ao ocupar por um momento que seja o palco que o propõe à comunidade, está em situação de comprometimento, mesmo que a aparência do seu discurso seja a do descomprometimento. Exprime um discurso pleno de significados, mesmo que a sua aparência seja a da irrelevância. No canto, como em toda a vida social, não há neutralidade possível. Compreendo que isto seja insuportável para muita gente, mas há que entender esse tremendo destino como o preço da liberdade, neste caso, da liberdade de criação e de expressão. É um misto de Buda, de Wilhelm Reich e de Walter Benjamin. Por isso sempre recusei o labéu de cantor “de intervenção”, inventado pelas esquerdas para distinguir “os nossos” e logo retomado pelas direitas para marginalizar “os deles”. Esse labéu, proposto para José Afonso e para quantos o seguimos naquilo que

Fausto bem define como um movimento, tem dois defeitos. Primeiro, deixa parecer que quem não é “de intervenção” não intervém, o que, como vimos, é falso. Segundo, limita o alcance e as múltiplas facetas da obra desses criadores no seu todo, a qual pode incluir canções de protesto, de propaganda ou até programáticas mas também inclui simples divertimentos, canções de amor, canções de trabalho ou puros gritos de alma. É como se decidíssemos, lá porque escreveram “A forma justa” ou “Mudam-se os tempos”, que Sophia e Camões foram poetas de intervenção, o mesmo se aplicando a Antero, Pessoa ou Ruy Belo, ou a Walt Whitman, Maiakovski ou Lorca. Repito: não há neutralidade na arte porque aquilo a que se chama forma, longe de ser algo separável do que se chama conteúdo, é a própria materialização de um discurso carregado de sentidos. O discurso da irrelevância e da separação entre forma e conteúdo, pilar da estética pós-modernista, é um discurso totalmente comprometido com a des-socialização da arte e, por arrasto, tornou-se uma filosofia que nega a dimensão ética do homem, e acaba por ser, no plano político, uma tentativa de legitimar a morte da cidadania e uma apologia da servidão. Texto: José Mário Branco


6

Espectáculo

Dois Violões sábado 18 DE JUNHO . 22H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 1 . 15€ Arnaldo Antunes, voz; Chico Salem; betão aguiar, violões

Com 30 anos de uma carreira imparável, o brasileiro Arnaldo Antunes dispensa apresentações. A sua faceta de músico é apenas a mais mediática, com destaque para o seu papel como fundador dos míticos Titãs, assim como a participação nos Tribalistas. Mas Arnaldo Antunes é também e ainda poeta, artista gráfico, homem do palco, uma personalidade carismática e de uma alegria contagiante. O espectáculo que traz ao festival, Dois Violões, retoma músicas desde o tempo dos Titãs, como “Eu não vou me adaptar”, passando por canções compostas em parceria com Paulos Miklos (“Fim do Dia”) ou com os companheiros dos Tribalistas, Marisa Monte e Carlinhos Brown (“Consumado”). Trata-se de um espectáculo mais intimista, mas sempre com a energia esfuziante que caracteriza o artista paulistano. Acho que não há um silêncio – só consigo pensar no silêncio no plural: os silêncios. Existem vários tipos de silêncio. Existe o silêncio a que me refiro na letra da minha música “O Silêncio”, que seria o silêncio primordial, anterior à palavra, anterior a tudo… e que seria o branco total. Depois, há o silêncio que é a ausência de sentido, o silêncio que é o sentido calado, existe igualmente o silêncio que surge entre as palavras, as pausas, o silêncio que temos como fundo musical

para a música, como possibilidade de gestar uma música ou um discurso falado. Existe ainda o silêncio como omissão, o silêncio como contemplação e existe o silêncio como vazio, como espaço intermediário entre as coisas e que faz, possibilita o movimento… enfim, são muitos silêncios, eu penso no silêncio como plural. Penso nele como os silêncios. Texto : Arnaldo Antunes


7

“o silêncio” ANTES DE EXISTIR COMPUTADOR EXISTIA TEVÊ ANTES DE EXISTIR TEVÊ EXISTIA LUZ ELÉTRICA ANTES DE EXISTIR LUZ ELÉTRICA EXISTIA BICICLETA ANTES DE EXISTIR BICICLETA EXISTIA ENCICLOPÉDIA ANTES DE EXISTIR ENCICLOPÉDIA EXISTIA ALFABETO ANTES DE EXISTIR ALFABETO EXISTIA A VOZ ANTES DE EXISTIR A VOZ EXISTIA O SILÊNCIO O SILÊNCIO FOI A PRIMEIRA COISA QUE EXISTIU UM SILÊNCIO QUE NINGUÉM OUVIU ASTRO PELO CÉU EM MOVIMENTO E O SOM DO GELO DERRETENDO O BARULHO DO CABELO EM CRESCIMENTO E A MÚSICA DO VENTO E A MATÉRIA EM DECOMPOSIÇÃO A BARRIGA DIGERINDO O PÃO EXPLOSÃO DE SEMENTE SOB O CHÃO DIAMANTE NASCENDO DO CARVÃO HOMEM PEDRA PLANTA BICHO FLOR LUZ ELÉTRICA TEVÊ COMPUTADOR BATEDEIRA, LIQUIDIFICADOR VAMOS OUVIR ESSE SILÊNCIO MEU AMOR AMPLIFICADO NO AMPLIFICADOR DO ESTETOSCÓPIO DO DOUTOR NO LADO ESQUERDO DO PEITO, ESSE TAMBOR Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown


8

Espectáculo

Palavras do Fado Quinta 23 DE JUNHO . 22H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 1 . 15€ Cuca Roseta, Raquel Tavares, António Zambujo e Ricardo Ribeiro. Músicos: Luís Guerreiro (guitarra portuguesa), Pedro Pinhal (viola) e Ricardo Cruz (baixo). Imagem: Tó Trips

Um espectáculo que pretende sublinhar a íntima relação entre poesia e fado com uma forte vertente plástica e multimédia, reunirá em palco quatro novas vozes do fado, Cuca Roseta, Raquel Tavares, António Zambujo e Ricardo Ribeiro acompanhados pelos músicos Luís Guerreiro, Pedro Pinhal e Ricardo Cruz que irão interpretar poemas de grandes poetas portugueses seleccionados pela escritora e editora Maria do Rosário Pedreira.


9

Depois de ter atravessado há uns anos um período de relativo ostracismo, ei-lo de novo vivo e de boa saúde, o fado, como se prova pela quantidade de novas vozes, e tão singulares, que têm vindo a surgir, pela captação de um público cada vez mais vasto – e jovem – e até pela iminência da sua consagração como Património Imaterial da Humanidade. Se é verdade que é a melodia que nos faz identificar imediatamente este género, não nos podemos esquecer de que são as palavras (letras, poemas, o que quiserem chamar-lhes) que lhe conferem uma identidade mais profunda, tornando completamente distintos fados que têm a mesma base musical. Durante muitos anos, o fado socorreu-se de letras de raiz popular, algumas delas notáveis e essenciais para

a construção de um paradigma fundador. Porém, as transformações sociais e o aparecimento de intérpretes com outras exigências aproximaram o fado da poesia, quer pelo recurso ao nosso património literário, quer pela atracção que suscitou em poetas seus contemporâneos, que escreveram expressamente para ele. O espectáculo “Palavras do Fado” procura documentar isso mesmo, misturando vozes clássicas como as de Camões ou Garrett com as de poetas mais modernos como Pedro Tamen ou Fernando Pinto do Amaral. Talvez demonstra que o fado está onde menos se espera, não fosse ele, afinal, parte integrante da alma portuguesa. Texto : Maria do Rosário Pedreira


10

ESPECTÁCULO

A Secreta Vida das Imagens Sábado 18 DE JUNHO . 23.30H, Musicbox Lisboa . 6€ Miguel Loureiro e Jari Marjamäki Um espectáculo de leitura encenada a partir das imagens que o poeta Al Berto escolheu para a criação dos poemas do seu livro A Secreta Vida das Imagens.

A leitura dos poemas será feita pelo actor Miguel Loureiro sobre texturas sonoras de músico finlandês Jari Marjamäki.

ESPECTÁCULO

Moradas do Silêncio Sábado 25 DE JUNHO . CINEMA SÃO JORGE . SALA 2 . 15€ Sérgio Godinho, JP Simões, João Peste, Rui Reininho, Noiserv e Miguel Borges; Direcção Musical: Flak; Concepção espectáculo: Alexandre Cortez; Selecção de textos: Nuno Júdice

Quatro grandes nomes da música portuguesa juntam-se para uma homenagem a Al Berto num espectáculo único e irrepetível. Em “Moradas do Silêncio” cada artista é convidado a apresentar três temas inspirados na obra do poeta ou relacionados com o imaginário da sua escrita. Neste espectáculo transdisciplinar cada intervenção será precedida por curtos interlúdios em que, sob texturas musicais de Noiserv, serão declamados poemas seleccionados pelo escritor Nuno Júdice. O vídeo será de João Pedro Gomes sobre imagens e fotografias do poeta, manipuladas por Tó Trips (Mackintóxico). A banda suporte será constituída por quatro elementos dos Rádio Macau: Flak, Filipe Valentim, Samuel Palitos e Alex Cortez.


11

Atravesso a obra de Al Berto para uma escolha de poemas que funcione de um modo coerente e muitas linhas surgem de dentro desse painel formado por várias tábuas em que a sua personalidade se reflecte. O interesse pela pintura e pela fotografia, o gosto pelo mar, as deambulações nocturnas de muitas cidade e boémias, o olhar sobre os lugares em que viveu e as pessoas com quem se cruzava, tudo isso está presente e constitui um retrato do mundo que conheceu e em que viveu de um modo empenhado, que não deixava ninguém indiferente à sua presença. Comecei a dar-me com o Al Berto quando comecei a publicar na editora Contexto, onde ele ainda trabalhou algum tempo. Tornámo-nos amigos, e muitas vezes estive com ele em leituras e encontros literários onde se falava de poesia. O Al Berto era de uma exigência extrema quer no seu gosto estético, quer no modo profissional como impunha uma atenção total ao poema, que ele sabia dizer de uma forma única, construindo um todo

com a voz e as palavras. Lembro-me do respeito que ele sentia por poetas como a Sophia ou o Eugénio de Andrade, e esse respeito vinha também do modo como nesses poetas a poesia não era apenas um complemento, mas a própria vida; e o Al Berto também se investiu de modo total na poesia como um corpo de que ele fazia parte, e que gostava de partilhar com os leitores. Foi em função disso que escolhi um conjunto de poemas que poderão formar um auto-retrato do poeta (um entre muitos outros possíveis); e embora lhes falte essa voz que tantas vezes tive o privilégio de ouvir, os poemas continuam a transportá-la e a permitir o contacto com alguém que partiu demasiado cedo para aquilo que ainda se poderia esperar dele. Mas a obra que ficou está aí, e de cada vez que a ela voltamos não pára de nos surpreender. Texto : Nuno Júdice


12

Espectáculo

Poetry Reading QUARTA 22 DE JUNHO . 22H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 1 . 8€ Linton Kwesi Johnson + Poesia de Intervenção

A actuação de Linton Kwesi Johnson é um dos momentos mais aguardados do Festival Silêncio. Nascido na Jamaica, o cantor e poeta vive em Brixton, Inglaterra. Integrou, em 1970, o movimento Black Panthers e trabalhou com os Rasta Love. Em 1974 publicou o seu primeiro livro de poemas, Voices of the Living and the Dead. Linton Kwesi Johnson, conhecido como o pai da Dub Poetry – embora ele prefira definir-se como um Poeta Reggae –, distinguiu-se na década 1980 pelos seus textos anti-Thatcher e de denúncia da violência policial. Estudou sociologia, foi jornalista e fundou a sua própria editora, a LKJ, com milhões de discos vendidos em todo o mundo. Na mesma noite, um conjunto de jovens poetas contemporâneos declamam poemas de intervenção.


conversa

palavras para quê? sábado 18 DE JUNHO . 19.30H, CINEMA SÃO JORGE . SALA2 Entrada livre Roberta Estrela d’Alva (BRA) +Joana Brabo (ESP) + Wolf HogeKamp (GER) + Sergio Garau (ITA) O Poetry Slam é um fenómeno recente em Portugal mas que nalguns países tem já uma enorme expressão na área das artes performativas. O que aqui se debate

é a relevância destes torneios de poesia enquanto potenciadores da escrita, do spoken word e da divulgação da poesia.

cinema

Slam Nation sábado 18 DE JUNHO . 20.30H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 3 Entrada livre . Língua: Inglês Slam Nation narra a história da viagem da equipa de Poetry Slam da cidade de Nova Iorque a Portland, Oregon, para a competição nacional, quando esta se encontra com os mais de 120 poetas de 27 cidades durante os quatro dias das eliminatórias.

Desde as inevitáveis rivalidades altamente carregadas de controvérsias às personagens incomuns, emergem algumas lutas clássicas que envolvem a arte versus o ego, ou ainda, a auto-expressão versus a auto-promoção.

Espectáculo

Slam Internacional sábado 18 DE JUNHO . 00.30H, Musicbox Lisboa 6€ para os 2 espectáculos da noite Roberta Estrela d’Alva (BRA), Joana Brabo (ESP), Wolf HogeKamp (GER), Sérgio Garau (ITA), Nástio Mosquito (ANG) e Leandro Morgado (PT) O Festival Silêncio desafiou alguns slammers de diferentes países a apresentarem uma performance na qual irão demonstrar que a linguagem poética do slam

é neste momento verdadeiramente universal e sem qualquer tipo de barreiras linguísticas ou fronteiras geográficas.

cinema

Louder Than a Bomb quarta 23 DE JUNHO . 20.30H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 3 Entrada livre . Língua: Inglês O filme conta a história de quatro equipas de Poetry Slam de Chicago que se preparam para competir no maior evento mundial de Poetry Slam juvenil. Entre

esperança e desolação, o filme capta a vida turbulenta dessas inesquecíveis crianças, explorando os caminhos da escrita que formam o seu mundo e vice-versa.

espectáculo

Poetry Slam + Festa de Encerramento sexta 25 DE JUNHO . 23.30H, Musicbox Lisboa . 6€ Depois do sucesso das duas primeiras edições, o Festival Silêncio volta a lançar o repto a todos os poetas urbanos: o conceito é simples, basta escolher um tema, tratálo de forma crítica e espirituosa, adicionar algumas rimas e declamá-lo de forma dramática no espaço de três minutos no palco do Musicbox. Ao longo destes dois anos, este movimento urbano em torno da palavra

dita conquistou inúmeros adeptos e o slam passou a marcar presença regular em vários espaços nocturnos da capital. Da Bica ao Cais do Sodré, de Alfama à Pena e, mais recentemente, em Angra do Heroísmo, o slam vê-se, ouve-se e convence cada vez mais poetas e actores, artistas e improvisadores, músicos e amantes da palavra viva.

13


14

ten truths about silence 1. SILENCE IS THE SUM OF ALL SOUNDS 2. SILENCE IS OFTEN MORE ELOQUENT THAN WORDS 3. SILENCE IS THE BEGINNING OF ANY TEMPEST 4. SILENCE IS THE ALL THAT REMAINS AT THE END 5. SILENCE IS THE ULTIMATE WISDOM 6. SILENCE IS THE SAFEST REFUGE 7. SILENCE IS THE STRONGEST SCREAM 8. SILENCE IS THE NOISE IN DISGUISE 9. SILENCE IS NEVER SILENT IF YOU HAVE GOOD HEARING 10. SILENCE IS THE BEST FESTIVAL IN THE WORLD Zoran Živkovic´


15 PALAVRA PUXA PALAVRA DESAFIA ESCRITORES PORTUGUESES A APRESENTAREM ESCRITORES ESTRANGEIROS CONVIDADOS PELO FESTIVAL NUM ENCONTRO SINGULAR EM QUE A PALAVRA VIAJA AO SABOR DAS AFINIDADES LITERÁRIAS SALIM BACHI E PAULO MOURA

SEXTA 17 DE JUNHO . 18H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 2 Entrada livre . Língua: FrancÊs Paulo Moura, grande repórter do jornal Público que recentemente cobriu a revolução egípcia e os distúrbios na Líbia conversa com Salim Bachi, escritor argelino radicado em França e marcado pela guerra civil no seu

país natal. Autor dos livros Le silence de Mahomet (2008) e Amours et aventures de Sindbad le Marin (2010), o seu primeiro romance Le chien d’Ulysse foi amplamente aclamado pela crítica e galardoado com vários prémios.

ZORAN ZIVKOVIc E JOSÉ MÁRIO SILVA SÁBADO 18 DE JUNHO . 18H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 2 Entrada livre . Língua: Inglês

Considerado pelo New York Times como “candidato ao lugar” de “novo Borges”, o sérvio Zoran Živkovic´ é apresentado ao público português pelo poeta, jornalista e autor do blogue O Bibliotecário de Babel, José Mário

Silva. Zoran Živković irá lançar durante o Festival Silêncio a sua mais recente obra O Último Livro (Cavalo de Ferro), vencedor do World Fantasy Award.

Maylis de Kérangal e Nuno Júdice Quarta 22 DE JUNHO . 18H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 2 Entrada livre . Língua: FrancÊs

O poeta, ensaísta e director da revista Colóquio Letras, Nuno Júdice, apresenta a francesa Maylis de Kérangal, cujo último romance, Nascimento de uma Ponte (Teorema/Leya), lhe valeu o prémio Medicis em

2010. A obra será lançada durante o Festival Silêncio. Maylis de Kérangal foi editora da Gallimard e fundou em 2004 as edições Baron Perché.


festival silêncio . programa 15 de Junho, Quarta

22h . São Jorge 1 . 15€ ESP/ Música de Palavra(s) José Mário Branco + Camané + Carlos Bica + José Peixoto + Filipe Raposo 16 de Junho, Quinta

18h e 20h30 . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ Best of Zebra 19h30 . São Jorge 2 . Ent. Livre CONF/ Poetry Film . Thomas Zandegiacomo del Bel 22h . São Jorge 2 . 6€ ESP/ The Voice of the Word Muriel Bloch + Laura Simms + Luísa Gonçalves + Iris 22h . Musicbox Lisboa . 6€ ESP/ 15ºAniv. Bíblia . Agência de Viagens + Dj 17 de Junho, Sexta

18h . São Jorge 2 . Ent. Livre CONV/ Salim Bachi + Paulo Moura 19h . São Jorge (Foyer) LANC/ Último Livro, Zoran Zivkovic, Ed. Cavalo de Ferro 19h30 . São Jorge 2 . Ent. Livre CONV/ Palavra d’ Escrita António Jorge Gonçalves + Jorge Silva; José Vegar 21h . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ FILMAGENS . Concurso Internacional de Poetry Film 22h . São Jorge 2 . 6€ ESP/ Pimenta na Boca, Osso Vaidoso . Ana Deus + Alexandre Soares + Ghuna X ESP/ IO Game Over . Sergio Garau 24h . Musicbox Lisboa . 8€ ESP/ Rapública XXI . MC’s Bambino, Mundo, Sagas, Xeg, Valete e Dj Nel Assassin 18 de Junho, Sábado

16

13h30 . São Jorge 2 . Ent. Livre WK/ Poetry Slam for children . Biru 18h . São Jorge 2 . Ent. Livre CONV/ Zoran Zivkovic + José Mário Silva 18h . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ FILMAGENS . Concurso Internacional de Poetry Film 19h . São Jorge (Foyer) LANC/ Audiolivros Ed. 101 Noites e Boca 19h30 . São Jorge 2 . Ent. Livre CONV/ Palavras para Quê? Roberta Estrela d’Alva + Joana Brabo + Wolf HogeKamp + Sergio Garau + Leandro Morgado 20h30 . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ Slam Nation 22h . São Jorge 1 . 15€ ESP/ Dois Violões . Arnaldo Antunes 23h30. Musicbox Lisboa . 6€ ESP/ A Secreta Vida das Imagens . Miguel Loureiro + Jari Marjamäki ESP/ Slam Internacional . Roberta Estrela d’Alva + Joana Brabo + Wolf HogeKamp + Sergio Garau + Leandro Morgado 19 de Junho, Domingo

16h . São Jorge 2 . 6€ ESP + WK/ Trava ou Destrava Línguas . Anabela Brígida + Carla Bolito + Bruno Reis 17h . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ O Nome das Coisas de Pedro Clérigo (Sophia M. Breyner) APRES/ Inês de Medeiros 19h30 . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ Escrever, Escrever, Viver de Solveig Nordlund (A. Lobo Antunes) APRES/ Ana Sousa Dias + Realizadora 19h30 . São Jorge 2 . Ent. Livre CONV/ Poesia dita ou Cantada JP Simões + Sérgio Godinho + Paula Moura Pinheiro 22h . Musicbox Lisboa . 10€ ESP/ Lee Ranaldo 21 de Junho, terça

18h30 . São Jorge 2 . Ent. Livre LANC/ Gráfico de Vendas com Orquídea, Dinis Machado, Ed. Quetzal 19h30 . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ Mais um dia de Noite de António José de Almeida APRES/ José Pedro George + Realizador 22h . São Jorge 2 . 6€ ESP/ Nilson Muniz + Márcio-André LEGENDA . CINE/ Cinema

ESP/ Espectáculo / CONF/ Conferência


festival silêncio . programa 22 de Junho, Quarta

18h . São Jorge 2 . Ent. Livre CONV/ Maylis de Kérangal + Nuno Júdice 19h . São Jorge (Foyer) LANC/ Verdadeira Hist. Bandido Maximiliano, Jacinto Rego de Almeida Ed. Sextante 19h30 . São Jorge (Foyer) LANC/ Nascimento de uma Ponte, Maylis de Kérangal, Ed. Teorema/Leya 19h30 . São Jorge 2 . Ent. Livre CONV/ Escrever Hoje João Tordo + Afonso Cruz + Pedro Vieira + Anabela Mota Ribeiro 19h30 . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ Tomai lá do O’Neill de Fernando Lopes (Alexandre O’Neill) APRES/ Nuno Artur Silva + Realizador 22h . São Jorge 1 . 8€ ESP/ Poetry Reading . Linton Kwesi Johnson + Poesia de Intervenção 23 de Junho, quinta

18h . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ Autografia de Miguel Gonçalves Mendes, (Mário Cesariny) APRES/ Eduardo Pitta + Realizador 18h30 . São Jorge (Foyer) LANC/ Coisas Que Nunca Aconteceriam em Tóquio, Alberto Torres Blandina, Ed. Quetzal 20h . São Jorge 2 . Ent. Livre CONV/ Palavras com Cinema Dentro. Miguel Gonçalves Mendes + João Botelho + Ana Sousa Dias 20h30 . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ Louder Than a Bomb 22h . São Jorge 1 . 15€ ESP/ Palavras do Fado Cuca Roseta + Raquel Tavares + António Zambujo + Ricardo Ribeiro 22h30 . Musicbox Lisboa . Ent. Livre ESP/ Clube da Palavra / Canal Q . Chullage + Thomas Bakk + Luiz Gabriel Lopes + António Jorge Gonçalves ESP/ Writing Mirrors . Pedro Vieira + Paulo Ferreira + Cláudia Clemente 24 de Junho, sexta

18h . São Jorge 2 . Ent. Livre LANC/ Apenas Miúdos, Patti Smith, Ed. Quetzal APRES/ Jorge Pereirinha Pires + showcase Carla Bolito + Inês Jacques + Luís Filipe Valentim 19h . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ Duvidávida de António José de Almeida (David Mourão-Ferreira) APRES/ David Ferreira + Realizador 19h30 . São Jorge 2 . Ent. Livre CONV/ Palavra, um jogo sem fronteiras. Juva Batella + Agualusa + Richard Zimler + José Mário Silva 21h . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ FILMAGENS . Entrega dos Prémios Jameson Filmagens 22h . São Jorge 2 . 6€ ESP/ Estilhaços de Mário Cesariny . Adolfo Luxúria Canibal + António Rafael + Henrique Fernandes + Jorge Coelho 23h . Musicbox Lisboa . 8€ ESP/ Suicida-me de Alberto Torres Blandina . Nuno Costa Santos + Dulce Maria Cardoso + José Mário Silva + Patrícia Portela. PROD/ Booktailors 1h . Musicbox Lisboa . 8€ ESP/ Grand Pianoramax feat Mike Ladd 25 de Junho, sábado

18h . São Jorge 2 . Ent. Livre CONF/ Art of Writing . Colson Whitehead 19h . São Jorge 3 . Ent. Livre CINE/ Jorge de Sena – O Escritor Prodigioso de Joana Pontes APRES/ Vasco Graça Moura + Realizadora 20h . São Jorge 2 . Ent. Livre ESP/ Des Papous dans la tête 22h . São Jorge 1 . 15€ ESP/ Moradas do Silêncio . Sérgio Godinho + JP Simões + João Peste + Rui Reininho + Noiserv + Miguel Borges 23h30 . Musicbox Lisboa . 6€ ESP/ Poetry Slam Portugal + Festa de Encerramento Outras datas

15 a 25 Junho . Institut Français du Portugal . Ent. livre EXPOSIÇÃO/ Les cent ans de Gallimard 15, 16 e 17 de Junho, 18h . Fac. Letras (UL) . 40€; Inglês WK/ Contadoras de histórias . Muriel Bloch + Laura Simms 21, 28 e 30 de Junho, 14h/17h30 . Fac. Letras (UL) . 100€; Inglês WK/ Translating Poetry Workshop . Margarida Vale de Gato 30 de Maio, 1 e 2 de Junho, 15h/19h30 . Fac. Letras (UL) . 100€; Inglês WK/ Creative Writing . Brian Evenson WK/ Workshop / CONV/ Conversa

LANC/ Lançamento / APRES/ Apresentação

17


18


Provocar em torno da palavra o encontro singular em palco entre escritores e artistas de diferentes áreas é o objectivo destas conversas. Do cinema, à música, aos novos suportes da escrita, passando pelas artes plásticas, as “Conversas do Silêncio” convidam à reflexão sobre a transversalidade da palavra escrita e dita

Palavra d’ Escrita

SEXTA 17 DE JUNHO . 19.30H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 2 Entrada Livre Convidados: António Jorge Gonçalves e Jorge Silva Moderador: José Vegar A palavra não é só significado e significante, a palavra tem forma e corpo de letra e a partir dela nascem alfabetos para o desenho e a ilustração. Uma conversa

transversal entre o designer Jorge Silva e o ilustrador e autor de banda desenhada António Jorge Gonçalves com moderação do escritor e jornalista José Vegar.

Poesia dita ou Cantada

Domingo 19 DE JUNHO . 19.30H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 2 Entrada Livre Convidados: JP Simões e Sérgio Godinho Moderador: Paula Moura Pinheiro Com a poesia em pano de fundo, JP Simões e Sérgio Godinho – dois conhecidos cantautores de duas diferentes gerações – falam com a jornalista e sub-directora da RTP2

Paula Moura Pinheiro sobre escrever, musicar e dar voz à palavra.

Escrever Hoje

Quarta 22 DE JUNHO . 19.30H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 2 Entrada Livre Convidados: João Tordo, Afonso Cruz e Pedro Vieira Moderador: Anabela Mota Ribeiro João Tordo, Afonso Cruz e Pedro Vieira, três autores da novíssima geração, debatem com a jornalista Anabela Mota Ribeiro as razões e o sentido da escrita

nos nossos dias, os desafios dos jovens escritores, bem como os novos caminhos da literatura portuguesa contemporânea.

Palavras com cinema dentro

Quinta 23 DE JUNHO . 20H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 2 Entrada Livre Convidados: Miguel Gonçalves Mendes e João Botelho Moderadora: Ana Sousa Dias Entre ficção e documentário, a relação do cinema com a palavra junta, em conversa com a jornalista Ana Sousa Dias, dois realizadores: o cineasta João Botelho e o realizador

dos documentários José e Pilar (sobre José Saramago) e Autografia (sobre Mário Cesariny) – filme este que será exibido na mostra Word Cut Docs do Festival Silêncio.

Palavra, um jogo sem fronteiras

Sexta 24 DE JUNHO . 19.30H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 2 Entrada Livre Convidados: Juva Batella, José Eduardo Agualusa e Richard Zimler Moderador: José Mário Silva Diferentes culturas, diferentes universos, uma paixão única: a palavra. Escrita, dita ou cantada, a palavra enquanto motor para uma cultura transnacional e transversal. Uma conversa moderada pelo jornalista

José Mário Silva e que junta à mesma mesa escritores de várias nacionalidades: o brasileiro Juva Batella, o angolano José Eduardo Agualusa e o norte-americano Richard Zimler.

19


20

ESPECTÁCULO

Clube da Palavra / Canal Q + Writing Mirrors quinta 23 DE JUNHO . 22.30H, Musicbox Lisboa entrada livre CP/ Chullage, Thomas Bakk, Luiz Gabriel Lopes e António Jorge Gonçalves + WM / Pedro Vieira, Paulo Ferreira e Cláudia Clemente O Clube da Palavra irá apresentar uma noite especial no Musicbox em que a palavra em português – dita, cantada, lida, desenhada, improvisada – é o mote para um projecto que junta em palco intérpretes de várias áreas de expressão artística. Nesta edição do Clube da

Palavra teremos ainda o espectáculo “Writing Mirrors”, em que a partir de imagens projectadas num espelho/ ecrã, três jovens escritores lêem textos de sua autoria. Participam os escritores Pedro Vieira, Paulo Ferreira e Cláudia Clemente.

ESPECTÁCULO

Suicida-me Sexta 24 DE JUNHO . 23H, Musicbox Lisboa . 8€ autor: Alberto Torres Blandina Produção: Booktailors Apresentador: Nuno Costa Santos Escritores: Dulce Maria Cardoso, José Mário Silva e Patrícia Portela Espectáculo inédito em Portugal criado para o Festival Silêncio pelo escritor espanhol Alberto Torres Blandina. Trata-se de uma competição de escrita em directo entre três escritores, Dulce Maria Cardoso, José Mário Silva e Patrícia Portela, que irão criar três personagens

que buscam o suicídio perfeito. O público irá decidir o vencedor desta espécie de reality show em que a morte é o prémio. O espectáculo será apresentado pelo seu criador e terá como mestre-de-cerimónias o guionista, escritor e humorista Nuno Costa Santos.

ESPECTÁCULO

Des Papous dans la tête Sábado 25 DE JUNHO . 20H, cinema São Jorge . sala 2 Entrada Livre . Língua: Francês Françoise Treussard, Hervé Le Tellier, Jean-Bernard Pouy, Lucas Fournier e Jehanne Carillon Espectáculo radiofónico em torno de jogos literários com apresentação de Françoise Treussard e a participação dos escritores franceses Hervé Le Tellier, Jean-Bernard Pouy,

Lucas Fournier e a cantora Jehanne Carillon. Criado em 1984 por Bertrand Jérôme, o programa Des Papous dans la tête é transmitido todos os domingos na France Culture.


Escolhemos dez palavras e convidámos os escritores Pedro Vieira e Afonso Cruz a escrever um texto jogando com elas

21

Silêncio, que se vai cantar o fardo, dizem eles, que a moda da guitarra viola diva entrapada de preto a glosar o povo que lava no rio, que talha com o machado, que compra a crédito, já foi chão (povo) que deu uvas, agora a música é outra, a história guinou para o sentido contrário, parece andar para trás, para os anos 80, para os anos do fardo da dívida, lá está, do FMI e dos preços tabelados, dos caramelos-quase-contrabandeados a partir de Badajoz antes do mercado livre, dos sabonetes Heno de Pravia e da monopolista RTP, agora há mais pluralidade, dizse, mas parece que há uma ou outra palavra que teima em permanecer na cabeça dos portugueses, e dos outros europeus, também mas menos, a não ser que sejamos gregos. Ou irlandeses. Ou islandeses, que afinal parecem ter as bolas no sítio. Crise. Fig. Conjuntura perigosa; momento perigoso e decisivo. Parece que nunca mais passa, a danada crise, mais as enxaquecas da dívida, os juros que disparam mais do que as kalashnikovs dos guerrilheiros, dos terroristas, dos sabotadores, há quem lhes chame “market traders” ou “especuladores” e eu cá até concordo, se ninguém os põe em silêncio no que toca a compra compra compra vende vende vende, se ninguém segura os mercados pela trela estamos bem tramados com f, a gula não tem piedade de nós, mexilhões, agarrados ao rochedo da classe média ou pior com medo de dar voz à frustração, de escrever com o coração ao pé da boca, de falar

grosso, ou mesmo de levantar a garimpa, como se diz quando se abusa do coloquial na prosa escrita, é difícil ser literato quando temos a avó no prego, o LCD na “loja de penhores Constância, penhores à confiança”, o que nem sequer rima, lá está, aquilo do país de poetas pode não passar de uma vigarice pegada. Enfim, estamos numa encruzilhada da história em que não sabemos se havemos de produzir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia como diz o cantautor de bigode que glosou a troika e outros demónios com mais de 30 anos de avanço, é obra, próprio de quem tem o dom da palavra apoiada na pauta, ou então podemos enfiar a cabeça na areia ou então largamos o burgo ao mar despegando da península como se fossemos uma versão mirrada da jangada de pedra, a vogar na direcção oeste ao som das gaivotas dos albatrozes dos urubus também conhecidos como opinion-makers-do-jornaldas-9, ou podemos enfrentar o touro, o pensamento único, pelos cornos, jogamos o jogo e esperamos que nos calhe uma pontinha de sorte, sorte como em fortuna, de que tanto andamos precisamos agora que (quase) todos parecemos condenados a passear de alma carregada e algibeiras vazias, uma tristeza o fado que nos fabricam de ouvido e do qual aceitamos sempre enfiar a carapuça. Silêncio? Isso é que era doce. É gritar, vilanagem.

Suicídio: O Silêncio, quando se sentiu livre, disse em voz rouca uma palavra. E depois outra, e outra (é isso a Criação e a História e a Realidade: um grande jogo de palavras), e depois uma frase como “o silêncio é o som dum poeta”. E trauteou uma música infinita que ficava debaixo da realidade como um exaustor ligado. Nunca

mais se calou ao longo de toda a História que já passou e daquela que ainda está por escrever. As serpentes não morrem com o veneno que produzem, mas o Silêncio sucumbe graças a todos os sons que ele próprio cria.

Texto : Pedro Vieira

Texto : Afonso Cruz


22

Invertendo o conceito da imagem que vale mil palavras, mostrar as mil imagens de uma palavra através de uma mostra de documentários sobre escritores. A exibição dos filmes será antecedida por uma breve apresentação O Nome das Coisas

domingo 19 DE JUNHO . 17H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 3 Entrada livre Realização: Pedro Clérigo Apresentação: Inês de Medeiros Um filme sobre Sophia de Mello Breyner Andresen

Com testemunhos de quem com ela conviveu e também de quem, com a necessária distância, consegue analisar a dimensão da sua obra, este documentário dá a conhecer aquela que é considerada por muitos como um dos mais importantes poetas portugueses do século XX. Como ela própria afirmou: “eu posso dizer que escrevo para transformar o mundo. Eu penso que a poesia deve transformar o mundo!” A exibição deste filme será antecedida por uma breve apresentação por parte do realizador Pedro Clérigo e da actriz e realizadora Inês Medeiros.


Escrever, Escrever, Viver

domingo 19 DE JUNHO . 19.30H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 3 Entrada livre Realização: Solveig Nordlund Apresentação: Solveig Nordlund e Ana Sousa Dias Um filme sobre António Lobo Antunes António Lobo Antunes, no auge da sua carreira, recebe o Grande Prémio de Literatura da Feira Internacional do Livro em Guadalajara, México. A entrega do prémio é o ponto de partida para uma passagem em revista da sua vida e obra. A infância, a psiquiatria, a guerra colonial, o 25 de Abril, os livros, a doença. Em 2006 foi-

-lhe diagnosticado um cancro. Foi grave, foi operado. O perigo de morte está ultrapassado. Mas a doença deixou marcas, a sua atitude perante a vida modificou-se, só vai publicar mais dois livros… A exibição deste documentário será antecedida por uma breve apresentação por parte da realizadora e da jornalista Ana Sousa Dias.

Mais um dia de Noite

terça 21 DE JUNHO . 19.30H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 3 Entrada livre Realização: António José de Almeida Apresentação: António José de Almeida e José Pedro George Um filme sobre Luiz Pacheco Ao longo de 58 minutos temos a oportunidade de ouvir o testemunho do próprio Luiz Pacheco e o daqueles que com ele conviveram ou ainda convivem de perto. José Saramago, Mário Soares, Rui Zink, Eduardo Ferro Rodrigues, Vítor Silva Tavares e os próprios filhos, entre outros, falam da sua experiência e da sua opinião acerca de um homem que está longe

de gerar consensos. Episódios únicos, relatados na primeira pessoa, com frontalidade, humor e emoção, intercalados com a representação dos seus próprios textos. A anteceder a exibição deste filme, o realizador António José de Almeida e o estudioso da obra de Luiz Pacheco, João Pedro George, farão uma breve apresentação.

Tomai lá do O’Neill

quarta 22 DE JUNHO . 19.30H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 3 Entrada livre Realização: Fernando Lopes Apresentação: Fernando Lopes e Nuno Artur Silva Um filme sobre Alexandre O’Neill “Trata-se de um tributo pessoal. Não uma biografia, muito menos uma análise crítica da obra poética de Alexandre O’Neill. Isso está feito e refeito. Trata-se, sobretudo, das vivências criativas, sentimentais e afectivas de um poeta, um dos maiores do nosso século XX, com

quem tive o privilégio de conviver”. As palavras do cineasta Fernando Lopes sobre este documentário cuja exibição será antecedida por uma breve apresentação por parte do próprio e do director das produções Fictícias e do Canal Q, Nuno Artur Silva.

Autografia: Um Filme sobre Mário Cesariny quinta 23 DE JUNHO . 18H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 3 Entrada livre Realização: Miguel Gonçalves Mendes Apresentação: Miguel Gonçalves Mendes e Eduardo Pitta

Com este documentário pretende-se retratar não o poeta e pintor Mário Cesariny mas sim a sua vida, o seu percurso e a sua individualidade. Como espaço de acção privilegiou-se o seu quarto, por ser este actualmente a base da sua criação e da sua intimidade. É aqui que resiste tudo o que não se perdeu. Sendo este um trabalho que vive sobretudo das questões colocadas (ausentes) e das respectivas respostas, optou-se por assumir como

fio condutor um dos seus poemas – “autografia” – que servirá de mote, através da sua análise para as questões intencionadas, de modo a que o filme assuma um carácter intimista, estabelecendo-se um diálogo entre quem o vê e quem é retratado. O realizador Miguel Gonçalves Mendes e o crítico literário Eduardo Pitta falarão sobre o filme e o poeta Mário Cesariny antes da exibição deste documentário.

Duvidávida

sexta 24 DE JUNHO . 19H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 3 Entrada livre Realização: António José de Almeida Apresentação: António José de Almeida, David Ferreira Um filme sobre David Mourão-Ferreira “Quando os deuses morrem, há algo em nós, mortais, que morre também…”Assim escreveu David Mourão-Ferreira em 1950 no seu diário íntimo, a propósito da morte de um dos seus grandes mestres, Paul Valéry. Passados mais de 50 anos, muitos dos que conheceram de perto o trabalho e o carácter de David Mourão-Ferreira têm razões para pensar o mesmo. Poeta,

ficcionista, ensaísta, professor, divulgador, tradutor e dramaturgo. Estes são aspectos que caracterizam o percurso de um homem que deixou marca nos locais por onde passou e nas pessoas que conheceu. David Ferreira (filho do escritor) e o realizador do documentário, António José de Almeida, farão uma breve apresentação do filme antes da sua exibição.

Jorge de Sena – O Escritor Prodigioso sábado 25 DE JUNHO . 19H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 3 Entrada livre Realização: Joana Pontes Apresentação: Vasco Graça Moura e Joana Pontes

Pela voz da sua mulher, Mécia de Sena, e na sua casa em Santa Bárbara, Califórnia, vai cruzar-se a sua vida de escritor, pai de família, professor e português exilado, com a obra que deixou, com as memórias do tempo em que viveu, memórias sociais, política, literária e familiar. A narrativa é organizada como um diário da estadia em Santa Bárbara. São lançados

temas de conversa à volta dos quais se tece a figura de Jorge de Sena. O Escritor Prodigioso é a procura de Jorge de Sena, um dos mais importantes poetas portugueses, trinta anos após a sua morte. A exibição deste documentário será antecedida por uma breve apresentação por parte da realizadora Joana Pontes e do escritor e poeta Vasco Graça Moura.

23


24 Cinema

BEST OF ZEBRA quinta 16 DE JUNHO . 18H e 20.30H, cinema São Jorge . sala 3 entrada livre Apresentação: Thomas Zandegiacomo del bel De Jean Cocteau a Peter Handke, passando por Man Ray ou ainda Tim Burton, são muitos os cineastas para os quais um poema serviu como ponto de partida para a experiência cinematográfica. Numa altura em que a poesia ganha novas formas de expressão artística em cruzamento com as outras

artes, o Festival Silêncio associa-se pelo segundo ano consecutivo ao Festival de Cinema de Poesia ZEBRA e recupera essa ligação entre cinema e poesia com o Best Of Zebra na qual se propõe uma pequena mostra dos filmes vencedores das anteriores edições deste festival berlinense.

Conferência

Poetry Film quinta 16 DE JUNHO . 19.30H, cinema São Jorge . sala 2 Entrada Livre . Língua: Inglês Apresentação: Thomas Zandegiacomo del bel Thomas Zandegiacomo Del Bel, representante do ZEBRA Poetry Film Festival, o maior fórum internacional de cinema e poesia nascido no âmbito do Festival de Literatura de Berlim, em cooperação com Literaturwerkstatt interfilm

e uma plataforma única para a exibição e produção de curtas-metragens poéticas, profere uma conferência que tem na poesia o ponto de partida para o desenvolvimento estético e formal de uma visão cinematográfica.

Cinema FILMAGENS

sexta 17 DE JUNHO . 21H, cinema São Jorge . sala 3 entrada livre Exibição dos filmes a concurso apresentados pelo Presidente do Júri Wolf Hogekamp sábado 18 DE JUNHO . 18H, cinema São Jorge . sala 3 entrada livre Exibição dos filmes a concurso (repetição) sexta 24DE JUNHO . 21H, cinema São Jorge . sala 3 entrada livre Apresentação dos filmes finalistas e entrega dos Prémios Jameson Filmagens 2011 Na edição de 2011, o Festival Silêncio apresenta FILMAGENS – Concurso Internacional de Poetry Film – com o objectivo de criar uma plataforma de incentivo à produção de curtas-metragens independentes que tenham a palavra e a poesia como mote. Com o intuito

de realçar a estreita ligação existente entre o cinema e a poesia, este concurso pretende igualmente promover o diálogo entre estas formas de expressão bem como o desenvolvimento de novas correntes criativas e cruzamentos artísticos.


25 “deixemos o sonho para quando os corpos se perderem no excesso das imagens ou na sua imitação” Al Berto “Filmagens” As relações entre o cinema e a poesia são profundas e produtivas. De certo modo (mas também de modo muito certo), se recuarmos a Apollinaire e aos seus caligramas a poesia como arte verdadeiramente visual começa aí. O cinema, a sétima das artes, tem consequências absolutamente indesmentíveis quando olhamos para o que fizeram as vanguardas do início do século XX em poesia. Não quer isto dizer que a eclosão dessas vanguardas – o Modernismo de Orpheu (1915), para dar conta do mais evidente – tenha reconhecido, logo de início, a influência sociocultural do cinema no campo da literatura. Na nossa poesia do século XX são inúmeros os textos que remetem para a aventura do filme, e que sustentam que a vida, a ser alguma coisa, é – como queria Calderón – “sonho”. Se atravessarmos a poesia contemporânea veremos que à medida que o século XX foi avançando o cinema foi estando cada vez mais presente na poesia. Particularmente sedutor é o testemunho de Herberto Helder a respeito de “Cinemas”, essas “comunidades das pequenas salas” onde o poeta vai (onde todos vamos?) “em busca [não] de catarse directa mas de arrebatamento, cegueira, transe. Vão alguns em busca de beleza, dizem. É uma ciência dos movimentos, a beleza, ciência de ritmo, ciclo, luz miraculosamente regulada, uma ciência de espessura e transparência de matéria? De todos os pontos a todos os pontos da trama luminosa, ao fundo da assembleia sentadamente muda morrendo e ressuscitando segundo a respiração da noite das salas, a mão instruída nas coisas mostra, rodando quintuplamente esperta, a volta do mundo, a passagem de campo a campo, fogo, ar, terra, água, éter (ether), verdade transmutada, forma. A beleza é a ciência cruel, imponderável, sempre fértil da magia? Então sim, então essa energia à solta, e conduzida, é a beleza.” Infinitamente mais pobres seríamos sem Orson Welles e Kurosawa, sem Yasujiro Ozu e Fritz Lang, sem Federico

Fellini ou Jean Renoir, sem essa narrativa poética que é, quanto a mim, o mais marcante filme do Cinema, Esplendor na Relva, de Elia Kazan e a que Ruy Belo dedicou este magnífico poema (um soneto!): Eu sei que deanie loomis não existe mas entre as mais essa mulher caminha e a sua evolução segue uma linha que à imaginação pura resiste A vida passa e sem passar consiste e embora eu não tenha a que tinha ao começar há pouco esta minha evocação de deanie quem desiste na flor que dentro em breve há-de murchar? (e aquela que no auge a não olhar que saiba que passou e que jamais lhe será dado a ver o que ela era) Mas em deanie prossegue a primavera e vejo que caminha entre as mais No desencontro-encontro de que é feita a vida suponho que, ao ver-se um filme, restauramos qualquer coisa que, creio, a poesia igualmente promete ou reactiva. Quando vi pela primeira vez Apocalipse Now, sem saber que por detrás desse filme está a descida aos infernos não só da Guerra do Vietname, mas do livro O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, percebi (porque também a música teve em mim um efeito ainda hoje inquietante – “The End”, na voz arrastada e grave de Jim Morrison), quanto o cinema põe a vida em palco, dando-a a ver de um modo que não supomos possível: porque estamos ali, na tela, no seu esplendor que revela a nossa miséria, a nossa grandeza. No esplendor da tela. Texto: António Carlos Cortez


26

Espectáculo

Lee Ranaldo (Sonic Youth) domingo 19 DE JUNHO . 22H, Musicbox Lisboa . 10€

Lee Ranaldo, mais conhecido entre nós como guitarrista e vocalista dos Sonic Youth, traz ao Festival Silêncio um espectáculo de uma surpreendente e intensa actuação na qual mistura spoken word, música e imagem. Casado com a artista experimental Leah Singer, Ranaldo é dono de uma carreira multifacetada, dividida entre a música, a escrita e as artes visuais. É ainda produtor de várias bandas e foi incluído pela Rolling Stones na sua lista dos cem melhores guitarristas do mundo.


27

espectáculo

Rapública XXI sexta 17 DE JUNHO . 24H, Musicbox Lisboa . 8€ MC’s Bambino, Mundo, Sagas, Xeg, Valete e Dj Nel Assassin Rapública XXI é o título do álbum que há 17 anos despertou em Portugal o interesse pelo hip hop. O Festival Silêncio convidou Sagas (Micro), em tom de homenagem a esta edição seminal do rap português, a apresentar um espectáculo com alguns dos nomes

mais importantes do actual hip hop nacional: os MC’s Bambino (Black Company), Mundo (Dealema), Xeg e Valete, acompanhados pelo Dj Nel Assassin, contam a história do hip-hop em Portugal protagonizada pelos seus principais intérpretes.

Espectáculo

Grand Pianoramax feat Mike Ladd sexta 24 DE JUNHO . 1H, Musicbox Lisboa8€ Há várias histórias que se cruzam em palco e ganham uma vida única, feita de momentos especiais e de comunhões que transpiram verdade. A história de Grand Pianoramax (vencedor da primeira edição do prémio Piano Solo do prestigiado Montreux Jazz Festival) com Mike Ladd (personagem histórica do hip-hop norte-

-americano) é traçada por poucas aparições públicas, no entanto memoráveis. É de amor, vida, e rua que falam em palco, suados e carregado de jazz. Ambos com novos álbuns editados, trazem para o Festival Silêncio uma proposta que passa pela comunhão dos dois trabalhos num só espectáculo, único e irrepetível.


28 ESPECTÁCULO

The Voice of the Word /A Voz da Palavra quinta 16 DE JUNHO . 22H, cinema São Jorge . sala 2 . 6€ Muriel Bloch, Laura Simms, Luísa Gonçalves (piano), Iris (dança) The Voice of the Word /A Voz da Palavra junta a nova-iorquina Laura Simms e a parisiense Muriel Bloch, duas das mais conceituadas contadoras de histórias na actualidade, com a música Luísa Gonçalves e a bailarina e coreógrafa Íris. Em parceria com o congresso Women

and the Arts: Dialogues in Female Creativity in the U.S. and Beyond, organizado pelo CEAUL, este espectáculo procura explorar a dimensão única da criatividade no feminino, numa proposta que se constrói no limiar entre várias linguagens artísticas.

ESPECTÁCULO

Pimenta na Boca/osso vaidoso Sexta 17 DE JUNHO . 22H, cinema São Jorge . sala 2 . 6€ Ana Deus (voz) e Alexandre Soares (guitarra) e Pedro Augusto aka Ghuna X (programações) / primeira parte Sergio Garau “Pimenta na Boca” é o título do espectáculo que a dupla Osso Vaidoso criou para o Festival Silêncio. Ana Deus e Alexandre Soares apresentam uma continuação de Degrau, o CD incluído no último livro de Alberto

Pimenta Reality Show. Na primeira parte, o performer e slammer italiano Sergio Garau apresenta “IO Game Over”, um espectáculo transdisciplinar em que ritmo, música, vídeo e texto interagem.

ESPECTÁCULO

Nilson Muniz | Márcio-André TERÇA 21 DE JUNHO . 22H, cinema São Jorge . sala 2 6€ Dois espectáculos que têm em comum o universo da palavra. Nilson Muniz apresenta a performance COISA PRAdiZER, uma colectânea de pequenos textos que exploram a multiplicidade poética através do universo

imagético da palavra. Márcio-André traz uma nova performance em que explora as possibilidades do texto através do processamento electrónico da fala e da projecção de palavras.

ESPECTÁCULO

Estilhaços SEXTA 24 DE JUNHO . 22H, cinema São Jorge . sala 2 . 6€ Adolfo Luxúria Canibal (voz), António Rafael (piano e programações), Henrique Fernandes (contrabaixo) e Jorge Coelho (guitarra) “Estilhaços” foi um espectáculo de spoken word em que Adolfo Luxúria Canibal lia alguns textos e poemas do seu livro homónimo, acompanhado por António Rafael. Já com a participação de Henrique Fernandes, daria lugar

à edição do primeiro CD do projecto. Para 2011, juntase Jorge Coelho (guitarrista que colaborou em projectos como Zen ou Mesa), apresentando um novo espectáculo intitulado “Estilhaços de Cesariny”.


29

Entre nós e as palavras há metal fundente entre nós e as palavras há hélices que andam e podem dar-nos morte violar-nos tirar do mais fundo de nós o mais útil segredo entre nós e as palavras há perfis ardentes espaços cheios de gente de costas altas flores venenosas portas por abrir e escadas e ponteiros e crianças sentadas à espera do seu tempo e do seu precipício Ao longo da muralha que habitamos há palavras de vida há palavras de morte há palavras imensas, que esperam por nós e outras, frágeis, que deixaram de esperar há palavras acesas como barcos e há palavras homens, palavras que guardam o seu segredo e a sua posição Entre nós e as palavras, surdamente, as mão e as paredes de Elsinore E há palavras nocturnas palavras gemidos palavras que nos sobem ilegíveis à boca palavras diamantes palavras nunca escritas palavras impossíveis de escrever por não termos connosco cordas de violinos nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar e os braços dos amantes escrevem muito alto muito além do azul onde oxidados morrem palavras maternais só sombra só soluço só espasmos só amor só solidão desfeita Entre nós e as palavras, os emparedados e entre nós e as palavras, o nosso dever falar Mário Cesariny “You Are Welcome To Elsinore” in Pena Capital, Assírio & Alvim, 2ª Edição, 1999


30

Workshop

Poetry Slam for children sábado 18 DE JUNHO . 13.30H, cinema São Jorge . sala 2 Entrada Livre biru Destinado aos mais novos e dirigido pelo slammer português Biru, um grupo de crianças entre os 7 e os 13 anos vai trabalhar a interpretação de um curto texto previamente escrito por elas com vista a sua apresentação em palco. No final, as crianças mostram os resultados do workshop numa sessão aberta ao público. Duração 3 horas.

Espectáculo +WorkshoP

Trava ou Destrava Línguas domingo 19 DE JUNHO . 16H, cinema São Jorge . sala 2 6€ Criação e interpretação: Anabela Brígida, Carla Bolito. Produção: Bruno Reis Trava ou Destrava Línguas é um espectáculo de teatro dirigido a crianças entre os 6 e os 10 anos de idade construído a partir de lenga-lengas, trava-línguas e poemas de vários autores portugueses. Anabela Brígida e Carla Bolito apresentam em palco, de forma lúdica e pedagógica, exercícios sobre dicção e literacia, lançando o desafio uma geração imersa na

actual realidade tecnológica e virtual e nas “formas literárias” que lhe são próprias. O espectáculo é seguido de um atelier, no qual os participantes poderão experimentar jogos e exercícios de concentração e dicção e abordar diferentes métodos de comunicação com o outro, sempre com o intuito de promover e exercitar a oralidade e a dicção.

Conferência

Art of Writing sábado 25 DE JUNHO . 18H, cinema São Jorge . sala 2 entrada livre . Língua: Inglês Colson Whitehead O carismático escritor norte-americano, Colson Whitehead, profere a convite do Festival Silêncio uma conferência na qual aborda com humor algumas das regras da arte de escrever. Autor de diversos romances, dos quais se destacam os aclamados The Intuitionist (A Intuição é Tudo, Planeta Editora) e John Henry Days, Whitehead nasceu em 1969 na cidade de Nova Iorque

onde ainda hoje vive e escreve e que marca a sua obra. Licenciado em Harvard, o autor iniciou a sua carreira na revista The Village Voice como crítico literário, musical e televisivo e é colaborador da nata da imprensa nova-iorquina, vendo os seus textos, críticas e ensaios publicados no New York Times, The New Yorker, New York Magazine e Harper’s, entre outros.


Um programa diário de lançamentos de livros e audiolivros, performances e leituras encenadas transformará o Cinema São Jorge num ponto de encontro entre escritores, artistas, editores e leitores. Em parceria com a Bertrand, durante o Festival Silêncio, o Foyer do Cinema São Jorge irá acolher uma livraria onde o público poderá encontrar os livros, Cd’s, DVD’s e outros suportes de divulgação da obra dos artistas e escritores convidados Lançamento

Último Livro SEXTA 17 DE JUNHO . 19H, CINEMA SÃO JORGE . foyer Entrada Livre de: Zoran zivkovic (SRB); Editora Cavalo de Ferro

Apresentação

audiolivros sábado 18 DE JUNHO . 19H, CINEMA SÃO JORGE . foyer Entrada Livre Editoras 101 Noites e Boca

Lançamento

Gráfico de Vendas com Orquídea terça 21 DE JUNHO . 18.30H, CINEMA SÃO JORGE SALA 2 . Entrada Livre de: Dinis Machado (PT) Rui Zink, José Eduardo Agualusa e Mário Zambujal, Rita Machado e Piedade Ferreira; Editora Quetzal

Lançamento

A Verdadeira História do Bandido Maximiliano Quarta 22 DE JUNHO . 19H, CINEMA SÃO JORGE . foyer . Entrada Livre de: Jacinto Rego de Almeida (PT) Apresentação: Manuel Villaverde Cabral; Editora Sextante

Lançamento

Nascimento de uma Ponte quarta 22 DE JUNHO . 19.30H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 2 Entrada Livre de: Maylis de Kérangal (FRA); Editora Leya

Lançamento

Coisas Que Nunca Aconteceriam em Tóquio quinta 23 DE JUNHO . 18.30H, CINEMA SÃO JORGE . foyer . Entrada Livre de: Alberto Torres Blandina (ESP) Apresentação: Sara Figueiredo Costa; Editora Quetzal

Lançamento + espectáculo

Apenas Miúdos sexta 24 DE JUNHO . 18H, CINEMA SÃO JORGE . SALA 2 Entrada Livre de: Patti Smith (EUA); Apresentação Jorge Pereirinha Pires Showcase com Carla Bolito, Inês Jacques e Luís Filipe Valentim Editora Quetzal

31


parceiros institucionais

patrocinadores

parceiros media

parceiros de produção

parceiros fundadores

parceiros de programação

parceiros editores

apoios à produção

apoios à divulgação

produção

iniciativa inserida

REVISTA_SILENCIO_2011  

Revista Festival Silêncio_2011

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you