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G R A V U R A

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Foto: Hildegard Rosenthal

POESIA DA LINHA E DO CORTE

Lasar Segall em seu ateliê, c. 1940

SESC | Serviço Social do Comércio Departamento Nacional Rio de Janeiro 2a edição – Junho de 2012

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desta publicação onal, sejam quais

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Serviço Social do Comércio Presidência do Conselho Nacional Antonio Oliveira Santos Departamento Nacional Direção-Geral Maron Emile Abi-Abib Divisão Administrativa e Financeira João Carlos Gomes Roldão Divisão de Planejamento e Desenvolvimento Álvaro de Melo Salmito Divisão de Programas Sociais Nivaldo da Costa Pereira Consultoria da Direção-Geral Juvenal Ferreira Fortes Filho Projeto e Publicação Gerência de Cultura Márcia Leite | DPS Equipe de Artes Visuais Caroline Soares de Souza Leidiane Alves de Carvalho Lúcia Helena Cardoso de Mattos Consultoria para as atividades Sabrina Rosas

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Produção Editorial Assessoria de Divulgação e Promoção | DG Gerência Christiane Caetano Supervisão Editorial Jane Muniz Programação Visual Ronan Pereira Editoração Estagiário de Produção Editorial Adonis Nóbrega ©SESC Departamento Nacional Av. Ayrton Senna, 5.555 – Jacarepaguá – Rio de Janeiro/RJ – CEP: 22775-004 Telefone: (21) 2136-5555 – site: www.sesc.com.br Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida sem autorização prévia por escrito do SESC Departamento Nacional, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos,

Impresso em junho de 2012

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A P R E S E N T A Ç Ã O

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SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO - SESC, reforçando sua ação educativa, vem divulgando a produção artística, principalmente em suas vertentes Moderna e Contemporânea, junto a sua clientela e comunidade em geral. O ArteSESC, projeto realizado pelo Departamento Nacional e os regionais, realiza exposições itinerantes em centros urbanos, tornando conhecidos os acervos de instituições culturais e obras de artistas plásticos de várias partes do país. Nesta oportunidade, o SESC se associa ao Museu Lasar Segall, visando oferecer ao público uma oportunidade privilegiada de apreciar a obra gráfica desse grande artista plástico.

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Lasar Segall 5

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L A S A R

S E G A L L

(1891-1957)

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asar Segall era um artista russo que viveu a maior parte da sua vida no Brasil. O seu pai escrevia textos no livro sagrado dos judeus, o Torá.

Rolo de Torá, 1933 – pintura a aquarela e guache sobre papel, 44,5 x 25 cm – Acervo Museu Lasar Segall

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A GRAVURA DE LASAR SEGALL

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m 1906, com quinze anos, Segall saiu de sua cidade natal, Vilna, e foi para Berlim, na Alemanha, estudar arte. Em 1910, mudou-se para Dresden, cidade onde montou um ateliê e juntou-se a um grupo de artistas expressionistas. O Expressionismo foi um movimento artístico que surgiu na Alemanha em 1905. Os artistas desse movimento buscavam a expressão através de formas simples e despojadas e eram influenciados pela arte primitiva.

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Poesia da Linha e do Corte

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aquela época, a Europa estava vivendo um momento muito difícil. Os tempos duros, de muitas privações, refletiam-se nas obras dos artistas. A gravura de Lasar Segall representa bem esse momento. Com traços precisos e fortes, Segall fez uma série de gravuras que retratavam as dificuldades dos povos da Alemanha, Lituânia e outros países.

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Quatro figuras, do álbum “Recordações de Vilna em 1917”, 1921 ponta-seca, 27,0 x 21,7 cm, Acervo Museu Lasar Segall

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S E G A L L

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B R A S I L

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egall veio ao Brasil, pela primeira vez, em 1913, para visitar dois de seus irmãos que moravam aqui. A partir de 1924, mudou-se definitivamente para São Paulo, junto com sua primeira mulher, Margarete.

L asar Segall Lasar Segall em uma plantação de bananas, São Paulo c. 1925 – Fotógrafo desconhecido – Acervo Museu Lasar Segall

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A GRAVURA DE LASAR SEGALL

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mudança de um país muito frio, destruído pela guerra, para um país quente, de clima tropical, provocou uma grande transformação na pintura de Segall. Aqui no Brasil, a luz do Sol e as cores eram diferentes. Era tudo mais brilhante e colorido. Imediatamente após a sua chegada, Segall começou a pintar a vegetação exuberante e o povo, com as suas misturas étnicas. O negro foi bastante representado em sua pintura nessa fase.

Menino com Lagartixas , 1924 - pintura a óleo sobre tela - 98 x 61 cm Acervo Museu Lasar Segall

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Poesia da Linha e do Corte

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á estabelecido no Brasil, Segall separa-se de Margarete e casa-se com Jenny, com quem tem dois filhos: Mauricio e Oscar. Com o tempo, Segall foi mudando o seu jeito de pintar. Começou a usar cores menos vibrantes e suas linhas ficaram mais suaves e arredondadas. Em seu ateliê, a jovem Lucy posava para ele fazer retratos.

Segall pintando Lucy Citti Ferreira em seu ateliê de São Paulo , c. 1945 Fotógrafo não identificado Acervo Museu Lasar Segall

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A GRAVURA DE LASAR SEGALL

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uando viajava para Campos do Jordão, cidade montanhosa perto de São Paulo, carregava seu cavalete e fazia pinturas da paisagem.

Lasar Segall e Geraldo Ferraz em Campos do Jordão, c.1950 Fotógrafo não identificado Acervo Museu Lasar Segall

Gado em repouso, 1930 pintura a aquarela e guache sobre papel 38 x 50 cm Acervo Museu Lasar Segall

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Poesia da Linha e do Corte

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egall viveu 66 anos. Foi um artista completo, pois além de pinturas, esculturas, desenhos e gravuras, fez também móveis para sua casa, figurinos e cenários para peças de teatro e bailes de carnaval. Depois que ele morreu, sua mulher e seus filhos montaram o Museu Lasar Segall na casa onde a família morava em São Paulo.

Entrada do Museu Lasar Segall

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EXPOSIÇÃO

A GRAVURA DE LASAR SEGALL Poesia da Linha e do Corte

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esta exposição, você conhecerá algumas gravuras que Lasar Segall fez de 1913 a 1930.

L asar Segall 17

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A GRAVURA DE LASAR SEGALL

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s gravuras com o tema da emigração enfocam a viagem de navio e a chegada à nova terra. Nestas gravuras em metal, Segall utiliza-se de linhas mais suaves e sinuosas para retratar o mar, as gaivotas e as curvas do navio.

Navio e montanhas, 1930 ponta-seca 28 x 41,5 cm Acervo Museu Lasar Segall

Marinheiro deitado com cachimbo, 1930 ponta-seca 19 x 36 cm Acervo Museu Lasar Segall

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Poesia da Linha e do Corte

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s gravuras sobre O Mangue retratam a vida das mulheres que se prostituíam nessa região da cidade do Rio de Janeiro. Nas xilogravuras, os contrastes são mais fortes e os traços mais simplificados.

Mulher do Mangue com espelho, 1926 xilogravura 31 x 24,5 cm Acervo Museu Lasar Segall

Casal do Mangue com persiana I, 1929 xilogravura 26,5 x 20,5 cm Acervo Museu Lasar Segall

Casa do Mangue, 1929 xilogravura 31,5 x 42 cm Acervo Museu Lasar Segall

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A GRAVURA DE LASAR SEGALL

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Q U E

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ravura é o nome dado a uma técnica manual de impressão. A madeira, a pedra, o linóleo e o metal são utilizados como matrizes. O artista grava imagens na matriz fazendo cortes ou sulcos, com ferramentas cortantes, tais como as goivas e os buris. Sobre a matriz, o artista passa tinta e depois imprime a imagem em um papel, que sai invertida. Se quiser, pode tirar várias cópias iguais, obtendo assim uma tiragem. A característica mais importante da gravura é a de não ser uma obra única, pois pode ter múltiplas cópias.

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Poesia da Linha e do Corte

Xilogravura

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ocê certamente já brincou com carimbos de borracha. Se você olhar de perto, verá que os carimbos têm um pequeno desenho, em relevo, e que a tinta só pega na parte mais alta desse relevo. Este é o princípio da xilogravura: a matriz de madeira funciona como um carimbo. A tinta só fica em sua parte mais alta, aquela que não foi cavada, e o papel só vai ser “carimbado” pelas áreas que estiverem cobertas de tinta.

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Gravando uma matriz com goiva

Matriz sendo entintada

Cópia em papel japonês

Matriz e sua cópia

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A GRAVURA DE LASAR SEGALL

Gravura em metal

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a gravura em metal o processo é diferente. A placa de cobre, latão ou zinco, é desenhada com instrumentos pontudos ou com ajuda de ácidos corrosivos que criam sulcos na sua superfície. Depois de receber uma camada de tinta, a placa é limpa para a retirada do excesso e a tinta só fica em sua parte mais baixa. Gravando uma placa de cobre

Entintando a matriz com uma boneca

Retirando o excesso de tinta

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ara imprimir uma gravura em metal é necessária uma prensa que exerce pressão muito grande para que o papel entre em contato com a tinta que está dentro dos sulcos da placa.

Prensa

cópia

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A GRAVURA DE LASAR SEGALL

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s artistas do início deste século, especialmente os expressionistas, achavam que a gravura era uma forma de fazer arte muito acessível. Ao mesmo tempo que divulgava a obra para um maior número de pessoas, era vendida com mais facilidade, por um preço muito menor. Além disso, as imagens que resultavam desse processo prestavam-se muito bem à reprodução em jornais, revistas e livros. Era também uma técnica muito barata comparada com a pintura, que requer tintas mais sofisticadas e caras. No Brasil, muitos artistas passaram a se preocupar com uma linguagem mais acessível ao público. Alguns deles foram influenciados por gravadores europeus, e também pela literatura de cordel. Os artistas de cordel trabalham ainda hoje em regiões do norte e nordeste do Brasil. Eles escrevem pequenas histórias reais ou imaginárias e as ilustram com xilogravuras. Depois, imprimem pequenos livrinhos e vendem nas feiras populares por preços bem baratos.

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REPENTE/1997 - Marcelo Novaes - 90/100

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A GRAVURA DE LASAR SEGALL

A GR AVUR A DE SEGALL

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egall acreditava que a gravura deveria reproduzir formas chapadas, com muitos contrastes entre o preto e o branco. Ao tirar c贸pias de suas matrizes de madeira, carregava nas tintas, cobrindo totalmente as partes altas da placa. O resultado deveria mostrar o essencial, como um folheto de cordel.

Lasar Segall Casal do Mangue com persianas I, 1929 - xilogravura - 31 x 24,5 cm Acervo Museu Lasar Segall

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A T I V I D A D E S

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A GRAVURA DE LASAR SEGALL

1.

Experimente colocar uma folha de papel sobre uma superfície áspera (pode ser o chão, a parede ou a porta). Passe sobre a folha um giz de cera deitado. Você verá que o giz de cera deixará marcas no papel, resultantes do relevo da superfície escolhida. Este método de trabalho, muito usado por artistas do início do século, chama-se frottage, uma palavra fancesa que significa esfregar.

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Poesia da Linha e do Corte

2.

Corte uma batata ao meio. Com uma pequena faca cave uma forma bem simples na superfície da batata. Você irá perceber que a batata transformou-se em um carimbo. Em seguida, com uma tinta guache bem grossa, da cor de sua preferência, faça marcas no papel com a batata, uma, duas, três ou mais vezes.

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A GRAVURA DE LASAR SEGALL

3.

Solte a página 35 e recorte a figura que está no centro. Você acaba de fazer uma máscara, que servirá como matriz. Com um rolinho de espuma pequeno e tinta bem grossa você poderá fazer marcas iguais por toda a folha de papel. Esse método, também muito utilizado por artistas até hoje, permite que você faça repetidos padrões, como se fosse uma gravura. Tente fazer você mesmo uma máscara com outra figura. Serão necessários um papel grosso, uma tesoura ou estilete de corte e tinta.

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Poesia da Linha e do Corte

4.

Pinte com tinta guache bem grossa uma superfície de plástico ou acrílico. Em seguida, coloque uma folha de papel em cima, pressione uniformemente com a palma da mão por trás do papel e levante a folha. Você verá que obteve uma cópia da pintura que fez. Como é uma cópia que não pode ser repetida, ela se chama monotipia. A monotipia é a forma de gravura mais simples de todas pois não tem matriz. Artistas desse século fizeram várias obras em monotipia.

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A GRAVURA DE LASAR SEGALL

5.

Olhe para a xilogravura de Lasar Segall abaixo:

Casal do Mangue, 1929 - xilogravura - 28 x 14,5 cm Acervo Museu Lasar Segall

Observe que, nesta obra, Segall simplificou bastante os traços. Com poucas linhas, ele retratou um casal, provavelmente em um abraço. Não existem cinzas, apenas áreas pretas e brancas, de muito contraste. Repare que o preto da xilogravura é especial, pois revela a textura da madeira utilizada. A cabeça do homem é toda preta, em uma área chapada, e a da mulher é feita com linhas.

Coloque esta imagem diante de um espelho e veja como ela era quando Segall gravou a matriz. Faça uma imagem com um par de duas figuras: uma chapada e outra com linhas.

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artista que faz uma gravura deve também preocupar-se em inverter a imagem, ou seja, o que estiver à direita passa para a esquerda e vice e versa. Todos esses cuidados, e muitos outros com a impressão das cópias, são fundamentais. São pequenos detalhes que fazem da gravura uma técnica muito sofisticada, de resultados surpreendentes. Resultados que fizeram das gravuras de Lasar Segall uma obra tão interessante.

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Este caderno foi elaborado especialmente para acompanhar a exposição itinerante A gravura de Lasar Segall: poesia da linha e do corte, organizada pelo Museu Lasar Segall - IPHAN, MinC, em 1998, para o SESC Departamento Nacional Museu Lasar Segall - IPHAN - MinC DIRETORES

Carlos Wendell Magalhães Marcelo Mattos Araujo

TEXTO

Claudia Werneck Saldanha SUPERVISÃO

Denise Grinspum, Rosa Esteves e Marcelo Mattos Araujo REPRODUÇÕES DA OBRA

Luiz Hossaka Fotografias

Amauri Botelho APOIO

Associação Cultural de Amigos do Museu Lasar Segall MUSEU LASAR SEGALL - IPHAN - MinC

Rua Berta 111, 04120.040 - São Paulo/SP Tel: (011) 5574-7322 - Fax: (011) 5572-3586

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