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INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA

História e Evolução do Abastecimento de Água na Cidade de Tavira Investigador/ Historiador : João Tomás Rodrigues TAVIRA – MARÇO 2016


Índice • Metodologia e Objetivos. • Percurso pela Antiguidade – a Água como fulcro de fixação de povos na

• • • •

• •

cidade de Tavira. A Água de Tavira e seu uso, como motor socioeconómico da cidade e concelho. Localização das fontes e poços de água, em Tavira. Evolução dos Sistemas de Distribuição de Águas, em Tavira. Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliario de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra e Análise. Notas sobre estudo e curiosidades. O Termalismo de Tavira e concelho.


Metodologia e Objetivos • 1.

• 1.

2.

Metodologia: Consulta e análise de fundos documentais - arquivísticos, literatura associada e periódicos. Consultas online. Acervos fotográficos, Infografias e material online Objectivos: Constituição de trabalho monográfico sobre a temática das águas no concelho, sobre o recurso água em si; os usos a ele associados e a evolução dos sistemas de distribuição, como elementos chave do desenvolvimento urbano e socioeconómico da cidade. Valorização da água como elemento patrimonial de memória e salvaguarda identitária da cidade de Tavira e suas gentes.


Percurso pela Antiguidade – a Água como fulcro de fixação de povos na cidade de Tavira.

Ocupação Fenícia / Turdetana (séc. VIII a III a.C)

• A fixação populacional inicial dos Fenícios, enquadrar-se-

ia e cingir-se-ia à área do Alto de Santa Maria.

•Os Fenícios como povo de cariz mercantil marítimo, usariam Tavira como porto de mar e área de escoamento de recursos entres os quais a abundante prata existente na altura, nas minas da serra algarvia e Vale do Guadiana. •As águas de Tavira, serviam de elementos fundamentais à produção de tintura púrpura – recurso reservado às elites -, bem como lavagens do minério de prata e de fornecimento de aguada às embarcações.


Percurso pela Antiguidade – a Água como fulcro de fixação de povos na cidade de Tavira. Ocupação Fenícia / Turdetana (séc. VIII a III a.C) • Como vestígios arqueológicos pontuam elementos, como os Poços Rituais fenícios, datados do séc. VI a.C e localizados no átrio do Palácio da Galeria. Escavados diretamente em leito de rocha encontravam-se associados à prática ritual de louvor ao deus máximo do Panteão fenício - Baal – deus das tempestades e que era cultuado para favorecimento dos navegantes. •Na imagem anterior de um vaso votivo, representava-se já em período turdetano - povo continuou a ocupação fenícia e influenciado por estes – o deus serpente Eshmun – que se associava ao culto das águas e saúde e que é revelador da importância das águas de Tavira, para estes povos.


Percurso pela Antiguidade – a Água como fulcro de fixação de povos na cidade de Tavira. Ocupação Romana (séc. I a.C – séc V d.C) • Tavira,

no período romano, era esparsamente povoada, funcionando como periferia da civitas de Balsa, capital do Algarve Oriental, densamente povoada e de grande dimensão (48 ha), apenas superada, na Península Ibérica, por Sevilha (Hispalis) e Mérida (Emerita Augusta) – capitais das províncias da Hispania Ulterior e da Lusitania •Tavira, inseria-se no Itinerário Antonino XXI, que ligava Balsa a Baesuris (Castro Marim) e que se inseria no regime produtivo do binómio garun (pasta de fermentação de peixe com especiarias e ervas, iguaria muito valiosa no Império Romano), fulcro da expansão e prosperidade de Balsa e do sal necessário à elaboração deste produto, que era proveniente de Baesuris. •Tavira, assentava essencialmente, num regime agrícola com duas villae (Bella Frigida e Atalaia) – casas dos donos agrícolas dos terrenos de Tavira e habitações subsidiarias dos trabalhadores agrícolas e usando as águas das nascentes da Fonte da Praça e Atalaia, para consumo humano dos referidos trabalhadores e para a rega de campos.


Percurso pela Antiguidade – a Água como fulcro de fixação de povos na cidade de Tavira.

Ocupação Islâmica (séc. X a XIII d.C)

• Pese ao domínio islâmico peninsular remontar ao séc. VIII d.C, Tavira ou

qarîa Tâbira (aldeia de Tavira) só tardiamente se estabelecerá como lugar de ocupação destacado, no Al-gharb al-andalusi, vindo em finais do séc.X e ínicios do séc XI, a constituir-se como importante porto, complementado pela atividade artesanal e comercial. •No séc.XII, de um povoamento inicial junto ao Alto de Santa Maria, o tecido urbano expadir-se-à tanto para o lado da Graça como para a área da Bela Fria, e com o êxodo massivo de populações vindas de Barlavento, na lógica da reconquista cristã, a expandir-se para a zona do rio, sendo elevada a mädina (cidade). •A existência de abundante água, servia na perfeição as atividades artesanais da cidade, quer para prática religiosa, tendo-se situado mesquita situada no Alto de Santa Maria, onde existia um lençol freático que supria água para usos religiosos (abluções e lavagem imposta nas orações pelo Corão) e sendo esta mesma nascente a base de fornecimento de água ao restante tecido urbano por via de um aqueduto que se projetava pelas muralhas.


Percurso pela Antiguidade – a Água como fulcro de fixação de povos na cidade de Tavira.

Ocupação Islâmica (séc. X a XIII d.C)

• Os

abundantes vestígios cerâmicos, entre os quais esta peça conhecida por “Cantil do Gato”, além das púcaros, bules e recipientes maiores como enfusas e cântaros, evidenciam a água como elemento de grande presença na cidade. •Pela natureza particular das águas da cidade e em concreto da nascente da atual Fonte da Praça, tépida com saída a 26ºC, fortemente mineralizadas e de cariz sulfuroso, eram de uso fundamental para a industria de curtumes, localizada na cidade, bem como manacial ao serviço dos banhos públicos da Alcaçaria, que se presume ter-se situado na área onde se encontra a Fonte da Praça. •No restante concelho, seriam prolificas as introduções de estruturas extrativas de água como é o caso das picotas, noras e minas de água, que alicerçaram o desenvolvimento e otimização da produtividade agrícola.


A Água de Tavira e seu uso, motor socioeconómico da cidade e concelho.

Usos Agrícolas • Como foi referido, a introdução de sistemas de extração de água,

mormente, no período islâmico, contribuiu para a inovação tecnológica necessária à otimização de rendimento agrícola, decisivo para a obtenção de recursos alimentares para uma população crescente. As cegonhas (ou picotas), as noras e as noras de mina mouriscas, complementaram, ao longo de séculos , a paisagem rural (e urbana) do concelho e justificam o recurso água como imprescindível à evolução popucional e económica de uma área, neste caso, a cidade e concelho de Tavira.


A Água de Tavira e seu uso, motor socioeconómico da cidade e concelho.

Usos Artesanais/ Industriais • Tavira, pelas características especificas das águas – sulfurosas e muito mineralizadas - da nascente da Fonte da Praça -, foi lugar de excelência para a atividade dos curtumes e sapateiros, pelas qualidades do precioso liquido na lavagem e secagem de pêles. Pelo elevado número de oficinas de trabalhos em pele, a toponimia do local ainda hoje se denomina Rua dos Pelames • Nas fontes históricas da Idade Média, em concreto na viragem do séc. XIV ao séc.XV, as Chancelarias Manuelinas, confirmam privilégios, a fidalgos locais como Francisco Aranha e Estêvão Rodrigues Berio, para que estes procedam a obras de canalização de águas para a área marginal ao rio Gilão, compreendido entre a Rua dos Pelames e a Bela Fria, de modo a abastecer os mesteres – curtidores e sapateiros - e com a escorrência das águas sobejantes da atividade destes, se construíssem moendas (moinhos de água), que pelo rendimento obtido, as rendas destes fossem aplicadas a favor da Coroa e da Câmara de Tavira.


A Água de Tavira e seu uso, como motor socioeconómico da cidade e concelho.

Atividade Marítima – Mercantil e Piscatória •Tavira através do do seu rio como elemento de ligação ao mar e às atividades a este associadas, foi desde tempos imemoriais com recurso às fontes de água adjacentes a este, concretamente, a Fonte da Praça, local de extrema importância para as embarcações e mareantes. •Esta fonte serviu de recurso para aguadas usadas nas embarcações e navios e indispensáveis à navegação. •De igual modo, esta e as restantes fontes de água de Tavira, tiveram usos diversos desde lavagem de minério e produção de púrpura dos tempos fenícios, até ao e desmancho de atuns e outros pescados e usos nas estivas de salga, usadas como conservas. •Nota final, para atividades e usos domésticos, como a lavagem de roupas, onde as lavadeiras sobre a escorrência das águas vindas da Fonte da Praça, fizeram parte da paisagem quotidiana da cidade.


Localização das fontes e poços de água, em Tavira Fontes e Poços públicos da Cidade de Tavira •

FONTES DE TAVIRA:

A. B. C. D. E.

FONTE DA PRAÇA FONTE DO CANO FONTE DO BISPO FONTE DE SANTO ANTÓNIO DA ATALAIA FONTANÁRIO DA ALAGOA

POÇOS PÚBLICOS DE TAVIRA

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. ++

POÇO DE SÃO ROQUE POCINHO DOS MOUROS POÇO DA MÓ ALTA (OU DO ÁLAMO) POÇO DOS MOUROS (OU DA CADEIA) POÇO DA NORA POÇO DE SÃO SEBASTIÃO POÇO DO BISPO POÇO DA CORREDOURA POÇO DA POMBA POÇO VAZ VARELA (LADO ORIENTAL - ENTRE A CASA AMBACA E O CC PLAZA


Localização das fontes e poços de água, em Tavira FONTE DA PRAÇA

FONTE DO BISPO

BALNEÁRIO SANTO ANTÓNIO / FONTE ATALAIA

FONTE DO CANO

(LOCALIZAÇÃO ATUAL)


Localização das fontes e poços de água, em Tavira OUTRAS FONTES LOCALIZADAS NO CONCELHO FONTE DAS TÁBUAS (STª CATARINA)

FONTE FÉRREA DO PINHAL (CACHOPO)

FONTE DO LEITEJO (CACHOPO)

FONTE SALGADA ( CURRAL DE BOIEIROS)


Evolução dos Sistemas de Distribuição de Águas na cidade. 1. Sistema de ligação Fonte da Praça -» Jardim da Alagoa (1873) Primeiro Sistema Público de Condução de Água na cidade de Tavira

• Visava dotar de fonte de abastecimento o lado oriental da cidade, que se debatia historicamente com escassez e falta de qualidade de águas • Assentava na condução de águas da Fonte da Praça, a um fontanário construído no Jardim da Alagoa (localizado junto ao entroncamento da atual Rua 5 de Outubro)

Especificação de sistema e funcionamento

• Sistema por ação gravítica – empírica -, conduzindo águas através de uma canalização em cobre saída da Fonte da Praça com passagem à base e junto dos arcos de cantaria da ponte romana e continuação pela atual Rua 5 de Outubro até ao fontanário do Jardim da Alagoa.

Principais problemas e limitações

• Pelo limitado declive da conduta, esta ficaria obstruída rapidamente, incapacitando o sistema de transportar água. Em 1889, a CMT procurava soluções, sendo depois em 1896 referido em ata que o sistema se encontrava já inutilizado. • O primeiro fontanário do Jardim da Alagoa seria demolido em 1905, sendo mantida apenas a conduta de cobre


Evolução dos Sistemas de Distribuição de Águas, em Tavira Esquema do Sistema de ligação Fonte da Praça -» Jardim da Alagoa (1873)


Evolução dos Sistemas de Distribuição de Águas em Tavira. Sistema Abastecedor Público Fonte da Praça -» Jardim da Alagoa (1917)

Descritivo de Sistema

Especificações de Conjunto Reservatório/ Sistema Elevatório

Considerações ao sistema

• Sistema de abastecimento público através de sistema elevatório eletromecânico e mediante condução de águas da Fonte da Praça a fontanário construído no Jardim da Alagoa. • Sistema auxiliar de rega do Jardim Público e de lavagem permanente de conjunto de latrinas públicas da cidade.

• Construção de edifício na Rua dos Pelames, junto à Fonte da Praça, para albergar reservatório com capacidade de 50 m3. • Sistema elevatório com conjunto de bombas centrifugas/ motor elétrico da empresa britânica Barleien and Sons.Ltd, com potência de 3.75 cv e funcionamento de 440V (C/C).

• Sistema criado, exclusivamente para uso público e abastecimento do lado oriental da cidade a partir do lado ocidental, com reaproveitamento de condutas de cobre de sistema construido em 1873. • O sistema em 1928, foi aberto a um reduzido número de consumidores particulares


Evolução dos Sistemas de Distribuição de Águas na cidade. Esquema Sistema Abastecedor Público Fonte da Praça -» Jardim da Alagoa (1917)


Projeto e Sistema de Abastecimento de Água Domiciliário, da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto e autoria- Resenha •Após concurso anunciado pela CMT em Junho de 1928, o Projecto da Distribuição D´Águas de Tavira, seria oficializado e apresentado em 1929, pelo engenheiro, a quem seria atribuída a responsabilidade de conceção do projeto e posterior consultoria às obras, Manoel Alves da Costa. •O sistema é por definição o primeiro destinado a consumo domiciliário, na cidade de Tavira •Professor interino das disciplinas de Estradas e Caminhos de Ferro no IST - do qual pediria demissão para assumir o projeto de Tavira em 1928 - continuaria percurso de trabalho depois de Tavira, em diversas obras no país, com titulação enquanto Engenheiro-Adjunto em 1930, Subchefe em 1937 e EngenheiroChefe de Divisão de Exploração em 1943. •Nascido em 1897, viria a falecer, no final da década de 50 do século passado.


Projeto e Sistema de Abastecimento de Água Domiciliário, da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto – sobre o Caderno 1º - Memória Estudo Hidrológico e Analítica de Águas Especificações do Sistema Elevatório – Materiais e grupo bomba-motor

Especificações sobre Distribuição

Caderno nº 1

Memória

Descritivo de rede – Projeção de Canalizações

Estudo Económico de projeto


Projeto e Sistema de Abastecimento de Água Domiciliário, da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto – MAPA DESCRITIVO DE REDE


Projeto e Sistema de Abastecimento de Água Domiciliário da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto – sobre o Caderno 2º - Orçamento

Valores Captação ValoresEstação Elevatória a) Edifício

Valor Total

b) Equipamento c) Conduta Elevatório

Caderno nº2 Orçamento

Complementos Administração; Direção e Arredondamento

Valores – Distribuição a) Reservatório b) Rede


Projeto e Sistema de Abastecimento de Água Domiciliário da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto – Totais Orçamentados Descrição 1) Captação

Valor 6.670$00

2) Estação Elevatória - Edifício

26.948$00

- Equipamento

20.000$00

- Conduta Elevatória

13.456$00

3) Distribuição - Reservatório

86.447$00

- Rede

471.588$00

Soma:

627.306$00

Direção, Administração e Arredondamento

TOTAL

42.694$00

670.000$00


Projeto e Sistema de Abastecimento de Água Domiciliário da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Resumo de Estudo Económico patente no Projeto – previsão e factualidade Item de Estudo

Previsão

Factualidade

Valor de empréstimo

670.000$00

1.500.000$00

Juro e Prazo

9% a 15 anos

8% a 15 anos

Valor anual de amortização

83.119$30

113.201$30

Cobertura de prédios ( volvidos 5 anos)

1000

557

Média de consumo (anual)

70.000 m3

38.900 m3

Consumo por prédio (anual)

70 m3

38.9 m3

Preço de kW/ hora para elevação

1$25

1$25

Potência elevatória (anual) necessária

6.200 kWh (base a 70.000m3)

3.445 kWh (base 38.900 m3)

Custo da Potência (Potência elevatória anual x preço KW)

7.750$00

4.306$00

Despesa anual de exploração ( Encargos Pessoal +Encargos elevatória+ Encargos Empréstimo + Administrativos)

107.000$00

132.000$00


Projeto e Sistema de Abastecimento de Água Domiciliário da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto – sobre o Caderno 3º - Desenhos

Caderno nº 3 Desenhos (Formatos Blueprint)

Esquema de captação – área da Rua dos Pelames/ Rua da Fonte

Alçados do edifício da estação elevatória e esquematização com cotas da captação e do reservatório da captação

Esquemas e alçados do reservatório da Cerca da Galeria, estrutura dos pilares, das condutas de ascensão e desenvase do mesmo e estrutura em cimento armado


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto – sobre o Caderno 3º - Desenhos Planta de captação – área da Rua dos Pelames/ Rua da Fonte


Projeto e Sistema de Abastecimento de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto – sobre o Caderno 3º - Desenhos Planta do Reservatório – Cerca da Galeria


Projeto e Sistema de Abastecimento de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto – sobre o Caderno 3º - Desenhos Planta do Estrutura de betão armado e pilares do Reservatório


Projeto e Sistema de Abastecimento de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto – sobre o Caderno 3º - Desenhos Corte Transversal do Reservatório


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto – sobre o Caderno 3º - Desenhos Alçados Estação Elevatória


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto – sobre o Caderno 3º - Desenhos Planta Estação Elevatória


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Projeto – sobre o Caderno 3º - Desenhos Corte Transversal - Esquema Bombas e Reservatório de Captação


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Especificações de elementos de obra •

Elemento

Especificação

Estação Elevatória: Edifício de 41m2, construído sob o local da ressurgência que aspiravam água Edifício de estação elevatória 41m2 . subdividido em três salas – sala motor - bombas centrifugas / salas maquinistas sobre a nascente da Fonte da Praça tendo um reservatório de captação subjacente, sendo instalado grupo duplo de motor elétrico-bomba centrifuga de 15 cv cada bomba, em corrente continua de elétrico-bombas 440v, proveniente da Estação Elétrica da Cidade. Especificações grupo motor centrifugas Motor elétrico 440 v (CC) 2 Bombas de 15 cv – 7000 rpm Conduta Estação Elevatória --» Reservatório

150 mts – diâmetro 0,20Ø

Reservatório

620 m3 (capacidade total), situado na Cerca da Galeria a uma cota de fundo de 40 mts e uma cota de coroamento de 50mts.

Rede – Extensão e Tonelagem de Tubagens

12.200 metros e 45 toneladas

Tipologia de Condutas

Mannesmann –marca “Poltes” (GER): Mestra (0,20mØ); Primária (0,15mØ); Secundária (0,10mØ); Terciária (0,08mØ) e Quaternária (0,06Ø)

Elementos acessórios

Torneiras-adufas; Ligadores, Cones; Tampões, Anéis; Bocas de Rega/Incêndio e Ventosas; Portinholas em ferro para cobertura de torneiras –quadro de serviço da CMT.

Contadores

Tipo Naiade da francesa CDC (Compagnie des Compteurs) - 12mm/ 1,5m3 caudal – 175 unidades Tipo Protos da alemã Siemens – 13/12mm / 1,5 m3 caudal-400 unidades

Outros materiais :

Chumbo e estopa alcatroada.

Instalação complementar

Máquina de produção de gelo com capacidade de produção diária de 150 kg, com câmara frigorífica e recurso a amoníaco como elemento de refrigeração.


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Participação Multidisciplinar

PARTICIPANTES

ÁREA TÉCNICA

Manoel Alves da Costa

Autoria e Engenheiro-Chefe do Projeto

Raúl Lino

Arquiteto e consultor arquitetónico da Estação Elevatória

Ricardo Esquível Teixeira Duarte

Engenheiro construtor do Reservatório da Cerca da Galeria

João Segurado

Engenheiro de captação

Arthur Gottschalk

Engenheiro responsável pela montagem do grupo bombas centrifugas/motor elétrico

Ernst Joseph Fleury

Professor e investigador –Estudo Hidrológico

Charles Lepierre

Professor e chefe de equipa de analítica de águas

Herculano de Carvalho

Assistente da equipa de analítica de águas


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Fornecedores

FORNECEDORES

ELEMENTOS FORNECIDOS

João Félix da Silva Capucho, Lda.

Representante da empresa alemã POLTES – Tubagens Mannesmann, Boas de Rega e Incêndio, Torneiras –Adufas; Materiais diversos de ligação de ramal; câmara frigorífica.

Nogueira Lda.

Fornecimento de contadores Naiade- representante português da Compagnie des Compteurs francesa

Siemens

Casa –mãe alemã e representante comercial em Portugal – Contadores Protos e Aegir

José Correia das Neves e J.J Celorico da Palma

Lingotes de Chumbo

Sociedade Portuguesa de Explosivos, Lda.

Cargas de detonação para captação

Augusto da Silva Reis – Esmoriz -

Estopa Alcatroada

J.A. Pacheco

Assemblagem e ligações de ramal domésticos

Consórcio Tavirense de Canteiros – Chalaça, Mendonça, Paz e Oliveira

Cantarias e Materiais da Estação Elevatória.


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Materiais - Catálogo Tubagem Mannesmann

Torneiras - Adufas

Boca de Rega/ Incêndio


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Materiais - Catálogo Elementos de ligação ramais e canalizações gerais e domésticas


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Materiais - Catálogo Acessório de corte de tubagens em carga


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Materiais - Catálogo Contadores –Naïade CDC e Protos Siemens


Projeto e Sistema de Abastecimento de Água Domiciliário da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Estruturas - Catálogo Grupo Motor Elétrico – Bombas Centrifugas –Estação Elevatória


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Estruturas - Catálogo Reservatório – 1931 -


Projeto e Sistema de Abastecimento Domiciliário de Água da cidade de Tavira (1928/31) – Projeto, Obra, e Análise. Obras – Periodização e dados mais salientes Curso de obras

Periodização

Apresentação de edital para projeto pela CMT

Junho.1928

Atribuição de concurso e formalização e de projeto

Setembro.1929

Início de construção do Reservatório da Cerca da Galeria

Janeiro de 1930

1ª fase de ligação de rede – Condutas Mestras / Primarias e Secundárias / Terciárias

Março de 1930

Início da construção da Estação Elevatória das Fontainhas

Abril de 1930

Término da construção da Estação Elevatória

Outubro de 1930

Instalação do grupo motor/bombas

Outubro de 1930

2ª fase de ligação de rede – rede quaternária zona ocidental da cidade

Fevereiro de 1931

Ligação de ramais

Dezembro de 1930 – a Maio de 1935

Instalação dos primeiros contadores

Dezembro de 1930

Término da construção do Reservatório da Cerca da Galeria

Julho 1931

Inauguração e funcionamento pleno

Julho 1931

3ª fase de ligação de rede – rede quaternária zona oriental da cidade

Agosto de 1931


Notas sobre o Estudo Regulamentação Inicial do Serviço de Abastecimento de Águas na Cidade de Tavira

Obrigatoriedade de instalação em área urbana onde se encontrassem canalizações; da instalação do serviço de águas a prédios de rendimento coletável igual ou superior a 60$00

Imposição camarária através de postura no valor de 30$00 mensais aos aguadeiros, visando desincentivar o recurso de populações a estes e de modo a “forçar” adesões ao serviço público de abastecimento

Imposição de custos de instalação e de aluguer de contador aos proprietários

Decreto 19.106 –Diário do Governo – I Série –nº286 – 5 de Dezembro de 1930

Fixação da obrigatoriedade de pagamento de taxa única de consumo de 2m3, quer houvesse ou não consumo

Obrigatoriedade de contração do serviço a inquilinos em regime de usufruto dos referidos prédios


Notas sobre o Estudo Formalização de Regulamento de Águas da Cidade de Tavira – 1934 -

Disposições do Decreto 19.106 – Diário do Governo – I Série –nº286 – 5 de Dezembro de 1930

Aplicação de coimas por danos e alterações em contadores; ligações de ramal sem supervisão

Aplicação de regime de execuções administrativas e supressão de serviço e de não retoma em caso de dívidas por saldar.

REGULAMENTO DO SERVIÇO DE ÁGUAS DE TAVIRA 1934


Notas sobre o Estudo Preços Dados relevantes e Análise comparativa – salários do quadro CMT // preço por m3.

• Numero limitado de consumidores (não ascendendo a uma dezena) • O serviço destinava-se apenas a um restrito grupo de consumidores das famílias mais abastadas da cidade. • Escalão único -5$00 /m3

Prévio a 1928

Novembro de1931 – Tarifário Início do sistema de abastecimento

• Preço de água fixado em três escalões.Escalão 1 – de 1 a 5m3 -3$00; Escalão 2 – de 6 a 10m3 -2$50 ; Escalão3 – superior a 11 m32$00 • Encargo fixo mínimo incluía 2 m3 de água + aluguer de contador (2$50) **(+ valor variável segundo parcelamentos solicitados por proprietários para instalação. Fatura mínima total :8$50 (18.76 €) • Para um consumo de 10 m3 mensais, o valor seria de 27$50. (60.72€) • * O valor em euros, foi calculado, a partir da percentagem de ordenado de um zelador camarário – 240$00-, aplicada relativamente ao salário mínimo atual -), configurando à correspondência de então, um escudo (1$00) a €2.20 (dois euros e vinte centavos).


Notas sobre o Estudo Preços Análise comparativa – Dados relevantes

Novembro de 1932 – Atualização de escalões do tarifário do sistema de abastecimento

• Atualização de Tarifário de água, fixado em quatro escalões. Escalão 1 – de 1 a 5m3 -3$00; Escalão 2 – de 6 a 10m3 -2$50; Escalão 3 – a 11 m3 a 30m3-2$00 ; Escalão 4 – superior a 31m3 – 1$50 • O escalão 4, visava alavancar a atividade comercial, industrial e de funcionamento de instalações como quarteis militares instalados na cidade.

• Fatores como inflação estacionária e valores salariais sem aumentos significativos, irão determinar a constância de preços, tendo-se mantido o preço do m3 estacionário até 1970, apenas registando-se incremento de valor de consumo mínimo imposto • A discrepância entre valores de receita e imperativos de despesa, determinaria que a primeira não alcançasse mais de 35% da segunda –até cerca de 1943- e a qualidade da água não permitia, que se processe a qualquer atualização. • A falta qualidade da água da rede irá obrigar a Câmara a prescindir da cobrança da taxa mínima de consumo em 1935 • O valor de avenças a serviços especiais como o quartel do RI 4, não cobririam em meses de maior afluência de soldados – De Novembro de 1932 à década nomeadamente meses de primavera e verão, o valor de 100m3 pagos – 150$00 - como total de gasto desta instalação militar da de 70, o tarifário não sofrerá cidade, superando largamente o consumo avençado e com prejuízo à edilidade. alterações


Notas sobre o Estudo Qualidade de Águas- Analítica Periódica

1922 Estudos conduzidos pelo Dr. Afonso Betencourt do Instituto Bacteriológico de Lisboa, aplicados ao sistema de abastecimento de Tavira em 1917, são reveladores, relativamente às águas da Fonte da Praça, dos elevados teores de sais e de tendência à contaminação bacteriológica

1926

1928

Estudos prévios ao sistema de abastecimento feitos pelos técnicos do IST e com orientação do professor Charles Lepierre, indicam os limites de potabilidade das águas dos principais conjuntos de fontes de Tavira –Fonte da Praça e Banhos de Santo António –Fonte da Atalaia, com indicadores de contaminação residual de agentes patogénicos.

O estudo hidrológico para o projeto de distribuição de águas, aponta para a evidência de maior caudal e menor qualidade – química e bacteriológica - de águas da nascente Fonte da Praça, por oposição a uma maior qualidade, mas menor quantidade de caudal do conjunto de nascente da Atalaia. Esta relação irá pesar, na escolha das águas da Fonte da Praça como fulcro de abastecimento.


Notas sobre o Estudo Qualidade de Águas- Analítica Periódica

Análises regulares de 1931 a 1935 Evidência que a ampliação da captação da Fonte da Praça, para as obras de captação às águas usadas o sistema de distribuição à cidade, implicou um extraordinário acréscimo de valores de sais, concretamente cloreto de sódio, acrescendo o cariz salobre e não potável da água da rede

De 1937 a 1947

1941 a 1944

Cumprimento do vaticínio do estudo de Ernest Fleury, em 1928, que indicou que a uma aumento do número de habitantes da cidade e pela localização dos núcleos populacionais jacentes sobre às áreas de escorrência de águas superficiais sobre calcários, as águas de abastecimento de Tavira, recorreriam ciclicamente em períodos de inquinação, com nota ao ano negro de 1947.

Através do relatório da Junta Autónoma de Águas, para que a CMT através de parecer da Direção Geral de Serviços Hidráulicos e Elétricos, pudesse recorrer a instrumentos financeiros para procurar alternativas a fontes de municiamento de águas ao sistema abastecedor da cidade. Por este meio, foi possível contrair novo empréstimo de 400.000$00 junto da CGD, para que Ricardo Esquivel Teixeira Duarte, conduzisse vasto conjunto de prospeções na área da Campina da Luz.


Notas sobre o Estudo CONTRASTE ENTRE OBJETIVOS E RESULTADOS DO SISTEMA ABASTECEDOR

OBJETIVOS

RESULTADOS

•O Sistema de Distribuição de Água à cidade, visou universalizar, o acesso à água, concretamente, a populações como as do lado oriental da cidade, que historicamente, se debateram com problemas como a falta de qualidade de águas dos seus poços domésticos e inexistência de poços e fontes de uso público.

•A universalização do serviço, nunca foi efetiva, pois largas franjas da população de menores rendimentos, não tiveram possibilidade de contrair o serviço, por limitantes económicas impostas e porque os preços praticados- quer do preço por m3, como dos encargos com taxas e instalação retiraram a possibilidade de instalar o sistema.

•Os materiais usados e equipa multidisciplinar envolvida na conceção de projeto e instalação do sistema de distribuição, foram de excelente qualidade.

• Não obstante a qualidade de materiais e a seriedade dos estudos do projeto, o sistema de abastecimento viria a revelar-se, imediatamente ,após a sua posta em marcha, um fracasso, determinado por um fator fulcral que foi o da qualidade da água da rede. Esta de cariz salobre e não potável, com valores de sais como Cloreto de Sódio elevadíssimos e com recorrência de focos de inquinação, limitaria todos os aspetos – económicos ou de confiança dos consumidores que poderiam representar o sucesso do sistema.

•O regulamento de águas da cidade e decretos de lei da tutela associados às águas de Tavira, asseguraram instrumentos legais, fundamentais para regulamentar direitos e deveres de consumidores, bem como consubstanciar o conjunto de obrigações da edilidade face às suas responsabilidades.

. As disposições regulamentares, representaram na prática, instrumentos de imposição aos consumidores para adesões compulsórias ao sistema. A imposição de obrigatoriedade de serviço a prédios com rendas coletáveis iguais ou superiores a 60$00, não levou em conta muitas das condições de quem nestes prédios vivia em regime de usufruto e inquilinato, que eram consumidores de baixos recursos e que numa lógica natural, incumpriram em grande número, as obrigações que a contração do sistema impôs.


Notas sobre o Estudo e curiosidades CONTRASTE ENTRE OBJETIVOS E RESULTADOS DO SISTEMA ABASTECEDOR

OBJETIVOS

RESULTADOS

•No estudo económico do projeto, o valor orçamentado da obra foi de 670.000$00, valor que o engenheiro responsável pelo projjeto julgava adequado para a consumação da obra e para garantir um bom abastecimento à cidade durante várias décadas.

•A consubstanciação do projeto com os valores considerados, não ocorreu. A obra em termos de valor final, situou-se nos 880.000$00, resultantes de trabalhos a mais nas obras da captação e nas fundações do reservatório.

•O estudo económico do projeto refere que se poderia pelos valores considerados e pelo funcionamento do sistema a preços projetados, permitir que a instalação fosse amortizada a 15 anos.

•A expressiva discrepância, anual, entre uma receita de 45.000$00 e despesa de 132.000$00, representando a primeira apenas 34% da segunda, não permitiriam gerar receitas que cobrissem as necessidades de amortização do empréstimo contraído, não obstante,que a premissa do sistema fosse a da prestação de serviço público com intuito do “lucro da dignificação” da cidade e seus munícipes.


Notas sobre o Estudo CONTRASTE ENTRE OBJETIVOS E RESULTADOS DO SISTEMA ABASTECEDOR

OBJETIVOS

RESULTADOS

•O projeto referia que a nascente da Fonte da Praça garantiria, sem problemas, o abastecimento da cidade durante várias décadas e que as condições de higiene seriam substancialmente melhoradas face à realidade de abastecimento com recurso a poços públicos

•Cedo se verificou que as piores expectativas com alertas dados pelo estudo hidrológico – tanto a nível químico com bacteriológico – se confirmariam. A nível químico, o problema da excessiva mineralização agravou-se com o alargamento da captação. •No sistema de 1917 registou-se a presença de com 840 p.p.l de Cloreto de Sódio, que determinavam que a água fosse classificada comonão potável. Após o alargamento da captação em 1930, o valor deste sal, quase triplicou, piorando drasticamente a qualidade de água da rede. •O incremento da população na cidade e sobre zonas jacentes sobre as áreas de escorrência de águas superficiais, também inquinaria recorrentemente a água tanto da rede como de poços públicos, tornando-a bacteriologicamente, uma armadilha com reflexos na saúde pública. •Evidenciou-se também passados cerca de dez anos, uma evidente redução de caudal da água da Fonte da Praça.


O Termalismo de Tavira e concelho • Não despiciendo, uma das valias que chamou,

historicamente, a Tavira, gentes das mais diversas partes do país, foi o seu termalismo e as qualidades características das suas águas. •Um das primeiras menções às fontes termais de Tavira, documentadas, remonta ao ano de 1726, pelo médico de D. João V, Dr. Francisco da Fonseca Henriques, na sua obra Aquilégio Medicinal do Reyno, onde detalha a Fonte Quente de Tavira (Fonte da Praça), pelas características sulfurosas e de água tépida e os usos específicos para lavagens em curtumes e estabelecendo as características medicinais desta. •Nesta caracterização, será introduzida ainda como elemento histórico, o da existência, desde tempos árabes, das alcaçarias (banhos públicos).


O Termalismo de Tavira e concelho Caraterização das Fontes de Tavira e concelho, constantes no Aquilégio Medicinal, do Dr. Francisco da Fonseca Henriques, médico real de D.João V, entre as quais a Fonte Quente de Tavira (Fonte da Praça) e a Fonte de Santa Catarina (presumivelmente, a Fonte das Tábuas) – págs . 71 e 220/221


O Termalismo de Tavira e concelho Séc. XIX •A

caracterização das águas das fontes de Tavira, serão também enfatizadas, na opus magna sobre a região escrita em 1841, pelo novel estudioso João Baptista da Silva Lopes, com a sua Corografia – Memória Económica, Estadistica e Topográfica do Reino do Algarve •Nela são caracterizadas de forma notável, quanto à localização, características, composição e usos das águas das duas principais fontes de Tavira – a Fonte da Praça e o conjunto termal da Atalaia. •A base deste estudo, no relativo ás águas, havia sido estruturada pelo ilustre médico tavirense, João Nunes Gago, ligado à corte de D. Fernando de Áustria (consorte de D.Maria II), que em base ao seu estudo, promoveu, junto de notáveis figuras da medicina nacionais, de forma muito significativa o termalismo de Tavira, criando as condições para que este campo particular, fosse utilizado como primórdio da oferta turística da cidade, tanto no país, quanto internacionalmente.


O Termalismo de Tavira e concelho

Tavira e o contexto termal, na Exposição Universal de Paris de 1867 • Através

do já referido, ilustre médico tavirense, João Nunes Gago, com os estudos sobre as mais valias do termalismo tavirense e fruto da sua ligação ao Dr. Agostinho Vicente, chefe do comissariado português à Exposição Universal de Paris de 1867, pela proposta de mostra do nosso país, incidindo sobre o binómio termalismo –turismo, fariam Tavira constar no prospeto apresentado por Portugal, neste importantíssimo certame que traduz a entrada plena na contemporaneidade .


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