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BOLETIM PARA PROFESSORES 4ª edição


O ano de 2016 termina marcado por muitas discussões em relação à educação no Brasil. A educação é um tema que, felizmente, é preocupação geral de nossa população. Nesta edição do Museu da Casa Brasileira para o boletim de professores, nosso principal objetivo foi mostrar o quanto uma entidade cultural pode contribuir para o desenvolvimento de ações educativas dentro e fora da escola. Começamos com uma entrevista com a diretora da Emei Dona Leopoldina, escola parceira do MCB, que conta sobre o conceito de “espaços educadores” presentes na escola e como a cultura contribui com a formação das crianças. Nossa indicação de “Sala de aula” desta edição é de uma atividade extra-classe: a produção de uma horta comunitária, e como ela pode contribuir com muitos outros objetivos além da simples produção de alimentos. Ao final do boletim, as dicas de passeios gratuitos trazem ótimas oportunidades de ampliar o conhecimento sobre a cidade de uma forma mais prática mas não menos teórica. Boa leitura!


MARCIA COVELO HARMBACH DIRETORA DA EMEI DONA LEOPOLDINA

Fotos: Educativo MCB

As tradicionais visitas escolares a museus são, no Museu da Casa Brasileira, verdadeiras parcerias contextualizadas no projeto pedagógico de cada escola. O trabalho é feito continuamente, com projetos que duram o ano inteiro. Nesta entrevista, Marcia Covelo Harmbach, diretora da Emei Dona Leopoldina, uma das escolas parceiras do MCB, conta quais são os principais conceitos deste projeto e seus principais benefícios.

Divulgação: Sinesp

ENTREVISTA


sobre o que se faz. O investimento nos pequenos os torna agentes transformadores de si e do mundo ao seu redor.

Fotos: Divulgação MCB

Como começou a parceria entre a Emei e o MCB?

Como é a proposta pedagógica da entidade? Nossa PPP chama-se Construindo Viveiros de Infância. O nome surgiu após a leitura de um poema do Manoel de Barros sobre a procura que faz dos achadouros de infância. Trabalhamos com a ideia de construir espaços educadores onde as crianças possam viver em contato com a natureza, encontrando o espaço que perderam da rua, do quintal. Como são esses espaços educadores? O Projeto possui três eixos: arte, brincadeira e educação ambiental, e os temas de trabalho transitam por esses eixos. Os tempos e espaços são pensados de maneira diferenciada

da rotina tradicional. Muitos espaços foram criados com a intenção de serem espaços educadores, como as salas verdes (salas sem paredes, cercadas de plantas, toquinhos de árvores, pneus), os ateliês (de costura, arte, cozinha), os jogos de percursos e pistas pelo chão, a sala multimídia (cinema, teatro, biblioteca), e os cantinhos em cada sala. Os tempos são diferenciados: pela manhã há uma turma definida que desenvolve um projeto de acordo com a curiosidade das crianças e transita por determinados espaços. À tarde temos as Estações do Brincar, as professoras planejam intervenções nos espaços e as crianças escolhem de qual atividade querem participar, com quem querem participar, por quanto tempo querem ficar.

Qual é o principal objetivo pedagógico? Fomentar a autoria e o protagonismo dos pequenos. Eles participam ativamente do Conselho de Crianças, nos indicando os caminhos a seguir, são bem críticos em relação às questões levantadas. Em uma das reuniões, apontaram a questão do lixo deixado em nossa calçada e chegaram à conclusão que faltavam lixeiras na rua, cobrando o Subprefeito, que rapidamente colocou as lixeiras. Esse projeto visa o desenvolvimento da autonomia e da autoria das crianças. A expansão das possibilidades de participação no mundo social é nossa tarefa primeira, pois ser humano e social significa ser sujeito de escolhas, e se constrói na tomada de consciência

Eu já havia feito um curso com o Barmak (coordenador do Educativo MCB), e o procurei para falar da minha ideia de parceria entre museu e escola, que ele também queria realizar. Conversamos com nossas equipes e delineamos um projeto de assessoria, onde uma equipe do Museu semanalmente iria até a escola para trabalhar a formação dos professores com textos teóricos e práticas sobre as diversas linguagens: plástica, musical, corporal , sobre o fazer pedagógico com os pequenos visando a autoria. O olhar dos arte-educadores para a escola foi fundamental para arejar nossas práticas, quebrar estereótipos, desenvolver a criatividade, o olhar e a escuta atenta às crianças e às nossas intervenções. Como você vê o papel da arte na educação? Não podemos falar de transformação sem falar em Arte, a Arte está sempre presente na vida da criança – ela é uma artista em potencial, tem sensibilidade no olhar, no falar, usa pura poesia para adjetivar o que vê; mas, infelizmente, às vezes a escola limita ou obscurece a criatividade, cerceia a curiosidade das crianças em nome de um produto final. Uma das nossas metas é

construir com as crianças formas de se encantar a escola, tornando-a mais bonita, aconchegante e brincante, propondo um olhar sensível. Você tem algum exemplo? As crianças ficaram maravilhadas com o projeto da casa na árvore, estão sonhando, desenhando, criando no tridimensional como querem a casa,

que tipo de telhado, a forma da porta, a escada, e os arquitetos do Museu estão transformando o projeto das crianças em um projeto arquitetônico formal. Protagonistas, autores e fazedores da própria história, essa é a realidade sonhada de uma história entre Museu e Escola: uma parceria possível e necessária.


SAIBA MAIS

HORTA COMUNITÁRIA Muitas escolas têm a vontade de fazer uma horta para trabalhar com a participação das crianças. Mas como começar? Quais são os pontos mais importantes para escolher o local, as plantas, e para desenvolver a interação dos alunos com a natureza?

1. Escolha do local

4. O que plantar

Desde antes de botar a mão na massa, as crianças podem começar a aprender sobre tudo de que uma horta precisa. As plantas precisam de sol para crescer, então a turma pode circular pela escola para descobrir o lugar onde bate mais sol. É uma boa oportunidade para desenvolver um outro olhar sobre toda a área da escola, e as crianças podem fazer o mesmo em suas casas.

Mesmo com um ótimo local, nem toda planta vai dar certo em toda horta. Por isso, é importante diversificar: hortaliças, tubérculos, temperos, flores etc. Então é preciso fazer acompanhamento, ver o que se desenvolveu e o que não conseguiu crescer, sempre com as crianças, para elas verem como tudo é um processo com suas tentativas e erros.

2. Fonte de água Tem alguma torneira perto do local da horta? Se for necessário puxar uma mangueira, isso vai dificultar a manutenção da horta com o tempo. O ideal é que a fonte de água esteja junto à área de plantio; se passar de 20 m, conforme passam os meses, essa tarefa vai ficar cada vez mais pesada. Essa descoberta também pode ser feita com as crianças!

Fotos: Horta no MCB - Por Alisson Ricardo

3. Água aproveitada Para contribuir mais ainda com a sustentabilidade, uma boa ideia é fazer uma cisterna para aproveitamento de água de chuva dos telhados. A água pode ser usada na horta e também na irrigação de outras plantas da escola. Não deixe de consultar profissionais especializados e seguir a norma da ABNT que versa sobre o assunto: NBR 15.527:2007.

5. Sobre a produção O principal objetivo de uma horta na escola é promover aprendizagem, ou seja, tão importante quanto o resultado final é o processo. É importante conseguir colher o que se produz, mas esta não deve ser a única preocupação. Plantar muitas sementes e mudas pode gerar uma expectativa grande

nas crianças, então é melhor começar com pouco. Além disso, o ataque de pragas também não precisa ser encarado como algo negativo, pelo contrário, entender o ciclo da natureza é uma grande lição: a couve é atacada pelo pulgão, este é atacado pela joaninha, e todos fazem parte da cadeia alimentar.

6. Os funcionários da escola Uma horta comunitária pode envolver, como diz o nome, toda a comunidade escolar. É um ótimo momento para que todos participem: professores, alunos e também funcionários. Há pessoas na equipe que têm gosto pessoal por plantio e jardinagem? Chame-os também para o processo, muitas vezes sua experiência vai agregar conhecimento à produção e à manutenção da horta.


ACONTECEU NO MCB

A segunda edição da feira gastronômica do MCB reuniu pequenos produtores de alimentos, bebidas e acessórios culinários nos dias 4 e 5 de novembro. O evento aconteceu nos dias 4 e 5 de novembro com o objetivo de retomar a tradição da cozinha brasileira, valorizando as receitas, temperos, cores e sabores nacionais, além de unir a cadeia de pequenos produtores diretamente ao consumidor final, fomentando um consumo consciente.

Foto da Feira Sabor Nacional, por Victor Neco

Projeto Balanço MCB + BoomSPDesign Durante os meses de agosto, setembro e outubro, o jardim do MCB recebeu uma retrospectiva dos 11 balanços projetados por designers e arquitetos brasileiros de diferentes gerações, integrantes da série iniciada em 2013 realizada pelo Museu em parceria com a BoomSPDesign e curadoria de Roberto Cocenza, sempre no jardim. A mostra também apresentou dois balanços inéditos, assinados pelo arquiteto Ruy Ohtake e pelo designer Hugo França.

30º Prêmio Design MCB A 30ª edição do Prêmio Design MCB premiou 48 produtos e trabalhos escritos que dividiram os 1º, 2º, 3º lugares e menções honrosas em oito categorias: construção, transporte, eletroeletrônicos, iluminação, mobiliário, têxteis, utensílios e trabalhos escritos. Eles

foram selecionados entre os 640 inscritos por duas comissões independentes de jurados – a de produtos coordenada por Marcelo Oliveira, doutor em Arquitetura e Urbanismo, e a de trabalhos escritos coordenada pela designer gráfica Priscila Lena Farias.

Lançamento livro Prêmio Design MCB – 30 edições Ainda em celebração às 30 edições do Prêmio Design MCB, o MCB lançou em parceria com a Editora Olhares um livro especial, que traz uma sequência histórica dos produtos premiados e faz uma reflexão sobre o Prêmio e o design brasileiro nos últimos 30 anos. A autoria é de três grandes pensadores da área: Chico Homem de Melo, Marcos da Costa Braga e Maria Cecília Loschiavo.

Educativo MCB – Atividades na calçada Em uma proposta de interação com os transeuntes da avenida Brigadeiro Faria Lima,

onde fica o Museu, o Educativo MCB levou algumas atividades relacionadas ao morar para a calçada. Essas ações são uma forma de ativar este espaço público de passagem e criar desafios, incentivando as pessoas a levantar questões a partir de suas próprias memórias e experiências, relacionando suas vidas ao principal tema do MCB: a casa brasileira. Em ‘Desenho sua casa’, a artista Helena Kuasne desenha a casa do participante a partir de uma descrição ou fotografia; a atividade ‘A casa estampada’ traz a artista Mônica Schoenacker para ensinar o público a gravar por serigrafia imagens de peças do Museu em panos de prato para levar pra casa; já em ‘As palavras e as coisas’, as educadoras Selma Kuasne e Beth Ziani elaboram transcrições poéticas com máquinas de escrever a partir de relatos relacionados ao morar; e a atividade ‘Objetos circulantes’ empresta ao público, por duas semanas, objetos do uso cotidiano para que registre seu uso.

Foto da Oficina Desenho sua Casa, por Alisson Ricardo

Feira Sabor Nacional


VISITAS EDUCATIVAS NO MCB

As férias estão aqui. Por que não aproveitar o tempo livre para conhecer os passeios gratuitos que a cidade de São Paulo tem para oferecer? Veja abaixo algumas dicas.

O programa de visitas educativas é composto por visitas regulares às exposições temporárias e de longa duração do MCB. O público atendido é diverso, desde alunos de escolas públicas e privadas, da educação infantil ao ensino superior, participantes de Organizações Sociais (ONGs, associações, clubes, fundações etc.) até mesmo o público espontâneo. Para agendamento, entre em contato pelo telefone (11) 3026-3913 ou pelo e-mail agendamento@mcb.org.br.

Imagem: Mapa de São Paulo, fonte: www.caminhadanoturna.com.br

MCB INDICA

A Giro in Sampa promove passeios em São Paulo para despertar um novo olhar sobre os atrativos da cidade, tanto para o morador quanto para turistas. Os roteiros promovidos levam em consideração o conceito do Turismo Cultural e visam à valorização do patrimônio paulista e brasileiro, destacando aspectos de nossa cultura e modo de vida. Conheça as opções de passeios no site www.giroinsampa.com.br.

Caminhada noturna pelo centro Todas as quintas-feiras, às 20h, um grupo de pessoas se reúne para participar do projeto ‘Caminhada Noturna’, que promove um percurso abordando aspectos históricos e culturais da cidade, pelas imediações do Teatro Municipal de São Paulo – ponto de encontro e de término do passeio. Veja a programação e mais informações no site www.caminhadanoturna.com.br.

Descubra São Paulo a pé O projeto ‘Descubra São Paulo a Pé’ mostra a turistas e paulistanos a diversidade histórica e cultural da cidade, por meio de roteiros temáticos em diferentes locais, acompanhados por guias credenciados pelo Ministério do Turismo. Há roteiros gratuitos, do tipo ‘pague quanto vale’ e outros a partir de R$ 15,00 por pessoa. As opções e mais informações estão no site www. descubrasaopauloape.com.

Foto: Educativo MCB

Giro in Sampa


PROGRAMAÇÃO MCB Exposição 30º Prêmio Design MCB Visitação: até 15 de janeiro de 2017 A mostra apresenta os autores dos trabalhos vencedores (1os, 2os e 3os lugares), menções honrosas e selecionados pelo júri em cada categoria do Prêmio Design MCB. Também fazem parte os cartazes do Concurso do Cartaz: o trabalho vencedor, o escolhido por voto popular e mais dez selecionados pelo júri. A linha do tempo das 30 edições, diagramada pela Editora Olhares para o livro Prêmio Design MCB 30 Edições, compõe a exposição.

Foto: Coleção MCB, crédito Alisson Ricardo

Exposição Coleção MCB – novas doações

mesmas tipologias já existentes no acervo. Uma linha do tempo mostra o desenvolvimento da coleção do Museu desde sua origem, e imagens do projeto “Casas do Brasil” ampliam o repertório sobre a diversidade do morar brasileiro.

Painel expositivo Pioneiros do Design Brasileiro: Anísio Campos Visitação: até janeiro de 2017 A 4ª edição da série que acompanha o Prêmio Design MCB mostra o trabalho de Anísio Campos, designer que criou mais de 15 automóveis entre 1960 e 2005, com destaque para o carro Obvio 828 que está presente no Museu.

Painel expositivo Entre

Visitação: até março de 2017

Visitação: até fevereiro de 2017

O MCB apresenta o trabalho de requalificação do acervo desenvolvido nos últimos oito anos de gestão do Museu pela A Casa Museu de Artes e Artefatos Brasileiros. Estão em exposição as novas peças recebidas em doação, dialogando com as

Projeto de exploração do território feito em parceria entre MCB, Instituto Tomie Ohtake e o curso de design de móveis da Etec Guaracy Silveira na região entre as três instituições: a av. Faria Lima. O resultado das saídas investigativas está exposto em painéis no jardim do MCB.


Museu da Casa Brasileira av. brigadeiro faria lima, 2705 - SĂŁo Paulo (11) 3032 3727 | www.mcb.org.br

4o semestre professores  
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