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ESPECIAL AGRONEGÓCIO

Ano XV - N 110- Junho/ Julho 2012

PECNORDESTE CEARÁ e

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2012

municípios

Integrando a Capital com o interior.

•NE tem a pior seca dos últimos 40 anos •Seminário discute Pecuária e o Código Florestal •Nordeste em discussão •Como produzir mais leite na seca

O único evento que reúne 10 segmentos da pecuária

Foto Luis Queiroz do studio 2 irmãos- Sobral

Governador Cid Gomes quer tirar o CE da zona de risco da febre aftosa


Associação Cearense dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador

ACCCMM

PECNORDESTE 2012

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EXCLUSIVO FERROVIA TRANSNORDESTINA UM VELHO SONHO

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José Ramos Torres de Melo Filho Vice-Presidente Diretor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA

m sistema capaz de integrar as ferrovias nordestinas é um sonho acalentado há longos anos, haja vista que, no final dos anos de 1950, o 1º Grupamento de Engenharia do Exército, em convênio com o extinto DNEF, instalou uma Residência de Construção, em Petrolina-PE A malha ferroviária daquela época, com seus cinco subsistemas regionais,

A Ferrovia tem as mais modernas características: bitola de 1,60m, rampa máxima de 1,5%, curva mínima de 400m, o que permitirá o tráfego de composições com 104 vagões, a uma velocidade de 80 km/ hora; era um arquipélago interligado, apenas pelo litoral. A iniciativa de sua ligação pelo interior obedeceu, sobretudo, a interesses de natureza estratégica. Na década de 1940, o principal elo de ligação entre as macros regiões brasileira era a navegação de cabotagem . O torpedeamento por submarinos alemães, de 34 navios brasileiros, além de causar a morte de 108 pessoas, pôs em colapso a nossa navegação costeira. Este fato provocou a Declaração de Guerra do Brasil à Alemanha e à Itália 4

Revista Ceará e Municípios

e, transferiu parte do fluxo de pessoas e carga, para o interior do País, utilizando-se as precárias rodovias existentes e a Hidrovia do rio São Francisco, no trecho Petrolina-PE a Pirapora-MG . O término da guerra, na Europa, em maio de 1945 e a inexistência de carga que justificasse investimentos, de grande vulto, interrompeu o sonho, que só viria a ser retomado em posteriormente. O novo projeto, com um outro traçado, parte de Eliseu Martins no Piauí até Salgueiro em Pernambuco, onde se bifurca para os Portos de Suape, no mesmo Estado e Pecém no Ceará, numa extensão de 1728 km e, mais 528 km de remodelação e recuperação. A Ferrovia tem as mais modernas características: bitola de 1,60m, rampa máxima de 1,5%, curva mínima de 400m, o que permitirá o tráfego de composições com 104 vagões, a uma velocidade de 80 km/hora; nos trechos a serem remodelados será acrescido um terceiro trilho, para permitir o tráfego dos trens atuais. 30 milhões de toneladas/ano é a previsão de carga a ser transportada: Produtos Atuais- cimento, matériasprimas siderúrgicas, granéis líquidos; Produtos Previstos-grãos dos cerrados do Maranhão, Piauí e Tocantins, minérios dos polos gesseiros de Araripina–PE e do Cariri cearense e frutas dos polos da agricultura irrigada. Quando perguntado qual a data de sua conclusão, tenho respondido, francamente, não sei, no Brasil, esta resposta sai da área da engenharia e invade o domínio divino.

30 milhões de toneladas/ano é a previsão de carga a ser transportada: Produtos Atuaiscimento, matériasprimas siderúrgicas, granéis líquidos; Produtos Previstosgrãos dos cerrados do Maranhão, Piauí e Tocantins, minérios dos polos gesseiros de Araripina–PE e do Cariri cearense e frutas dos polos da agricultura irrigada


NORDESTE: CONTRASTES E CONFRONTOS

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seca volta a castigar boa parte do Nordeste. Até aí nada fora do comum. Conforme Euclides da Cunha, no famoso ensaio intitulado “Plano de uma Cruzada”, as nossas secas “delatam, impressionadoramente, a nossa imprevidência, embora seja o único fato de toda a nossa vida nacional no qual se possa aplicar o princípio da previsão”. Ora, sabe-se pelos registros históricos que o fenômeno ocorre em média a cada dez anos e pode prolongarse por três, quatro e, mesmo, em caráter excepcional, até cinco anos. Nada fora do normal, também, o fato de que seja uma das piores nos últimos 30 anos, pois, segundo estudiosos, secas de tal gravidade acontecem de 30 em 30 anos. O que mudou é que os seus efeitos foram amortecidos pela previdência rural, pelo microcrédito e pelos programas sociais do governo federal. Porém o que mais chama a atenção nesse triste episódio é uma outra coisa. Trata-se do fato de esta seca colocar a nu, com toda a crueza, que, em pleno século XXI, parcela expressiva da população nordestina não tem água para beber e atender as outras necessidades humanas. E assim fica ela a mercê do carro-pipa, símbolo maior da imprevidência de que fala Euclides. Isso sem falar na repetição da triste e antiga paisagem do solo rachado, da roça perdida e das carcaças de animais espalhadas pelos caminhos das zonas de criatório. No entanto, ao mesmo tempo – aí os contrastes -, florescem na região, graças a vultosos investimentos, os complexos industriais e portuários: Itaqui, no Maranhão; Pecém, no Ceará; Suape, em Pernambuco; Camaçari, na Bahia, onde já se anuncia um novo, o Porto Sul. Esses complexos abrigam grandes plantas industriais, como refinarias, siderúrgicas, fábricas de cimento, estaleiros e montadoras de veículos, entre outras. Nada contra eles. Pelo contrário: são grandes empregadores de mão de obra direta e indireta e, por isso, geradores de renda. Com isso, contribuirão para trazer melhores condições de vida à população

Cláudio Ferreira Lima Economista e mais arrecadação de impostos pelo Estado, a fim de que este ofereça ao vasto semiárido nordestino a indispensável infraestrutura de convivência com a seca. É aí, porém, para se resolver esse problema, que entram os confrontos bem refletidos na luta orçamentária. Pois bem: quanto é difícil destinar recursos do orçamento para se enfrentar e resolver um problema mesmo que afete a tanta gente. Vejam quanto é minguado o orçamento de um órgão como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). E, não fosse ele, com a construção dos grandes reservatórios, como poderíamos explicar cidades tão populosas como Fortaleza, por exemplo? Ou como em um Estado como o Ceará, cuja industrialização foi tardia por não

Nada fora do normal, também, o fato de que seja uma das piores nos últimos 30 anos, pois, segundo estudiosos, secas de tal gravidade acontecem de 30 em 30 anos. O que mudou é que os seus efeitos foram amortecidos pela previdência rural, pelo microcrédito e pelos programas sociais do governo federal. dispor de um insumo básico como a água, poderia hoje assegurar o abastecimento não somente de toda a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), como ainda do Complexo do Pecém? Quem já trabalhou na elaboração de orçamento governamental sabe que não são poucos os projetos menores e de minorias que acabam reunindo peso político suficiente para abocanhar generosas fatias do dinheiro público. No entanto, há boas notícias. É que, nesse confronto para transferir recursos

públicos para as classes menos favorecidas e menos organizadas politicamente, os últimos governos, tanto os estaduais quanto o federal, registraram avanços formidáveis, realocando verbas para viabilizar programas sociais e garantir a universalização de uma demanda básica como a da energia. Chegou a hora – não obstante atrasada - de acabar de uma vez por todas com essa vergonha nacional de uma grande parte da população brasileira ficar sem água para beber e para salvar o pouco capital de que dispõe para sobreviver: o roçado e os animais de criação. Bem que poderia ser diferente esse quadro. Não alimento, todavia, ilusões de que ele se resolva logo – há quanto tempo a solução vem a contagotas! - somente de cima para baixo, ainda mais se a massa desfavorecida continua impassível olhando o céu na esperança da chuva. Dou razão a Gabriel Pensador: “Não adianta olhar pro céu/ Com muita fé e pouca luta”. E essa luta, no meu entendimento, não é unicamente do povo que sofre, mas, isto sim, de todos que desejam viver e conviver em uma sociedade menos desigual e mais humana.

Dou razão a Gabriel Pensador: “Não adianta olhar pro céu/ Com muita fé e pouca luta”. PECNORDESTE 2012

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SUMARIO

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PECNORDESTE 2012

ESPERA ATRAIR 38 MIL VISITANTES, 4 MIL PRODUTORES E GERAR MAIS TECNOLOGIA E NEGÓCIOS

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Revista Ceará e Municípios


NESTA EDIÇÃO

10 ARTIGOS

Flávio Saboya, Cid Ferreira Gomes e Nelson Martins explanam as melhores soluções para a seca

20 PECUÁRIA 22 INOVAÇÃO

Como produzir mais leite na seca

LUIZ GIRÃO: de leasing de vaca a barriga de aluguel (fertilização in vitro)

26 FLÁVIO SABOYA 42 MEDALHA PRISCO BEZERRA

Presidente da FAEC diz que PECNORDESTE busca transmissão de conhecimento

Deputado Estadual Roberto Claúdio, Empresário Livino Sales, eng. agrônomo Clinton Saboya Valente são os agraciados da 11ª edição

44 ESTIAGEM

O Nordeste em discussão, personalidades opinam (Roberto Smith - presidente da Adece, Secretário do Ministério da Integração Nacional

56 RIO+20

Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável

60 Código Florestal

Novo Código Florestal é aprovado com 12 vetos

CONFIRA AINDA Carta da Editora

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1ª Mão

09

Radiografando

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Prêmio Maiores Contribuintes Do Senar

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Adece participa da maior feira agrícola do mundo

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Produtores querem facilitar o acesso

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Nova revolução muda consumo de energia

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Projeto Biomas investe na pesquisa da caatinga do CE

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Energia Eólica Ventos e Negócios no Ceará Empreendedores investem na área e alcançam bons resultados, o que demonstra chance também para micro e pequenos empresários

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ZPE do Pecém em nova fase

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Fim da exclusividade do BNB em discussão

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Social

•Boas Práticas de Gestão na Assistência Social 2012 •Lançamento do PECNORDESTE na AL PECNORDESTE 2012

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CARTA DA EDITORA

O agronegócio da Pecuária, o Nordeste e a Seca em debate

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XVI Seminário Nordestino de Pecuária, PECNORDESTE, promovido pelo Sistema Faec/Senar, Sebrae-CE, Sindicatos Rurais e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil-CNA, com o apoio de diversos parceiros é o tema de maior destaque desta edição da Revista Ceará e Municípios, sem esquecer a problemática da seca, que se abate sobre o Nordeste com graves consequências para o meio rural, acompanhada da opinião de especialistas como o economista Cláudio Ferreira Lima, assessor especial do Banco do Nordeste do Brasil, Roberto Smith, presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado, Governador Cid Gomes, Secretário Estadual de Desenvolvimento Agrário Nelson Martins, Freitas Cordeiro, Presidente da CDL e ainda, um artigo especial do diretor infraestrutura da CNA José Ramos Torres de Melo Filho sobre a ferrovia transnordestina.

Ainda nesta edição, você vai conhecer os detalhes sobre o novo Código Florestal, aprovado pela presidente Dilma Rousseff com 12 vetos, a palavra do presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente, Paulo Henrique Lustosa, o Contraponto sobre os vetos da Senadora Kátia Abreu, Presidente da CNA. A revista destaca também a Rio+20, que acontece de 13 a 22 de junho, na cidade do Rio de Janeiro, o Projeto Biomas Caatinga, que vem sendo pesquisado também pela CNA aqui no Ceará, através de uma propriedade localizada no município de Ibaretama. As novas fontes alternativas de energia limpa, como a energia eólica e os novos medidores inteligentes de energia, conhecidos como medidores analógicos, também figuram na publicação. Espero que gostem e aproveitem as informações. Silvana Frota-Editora Geral

Valorizando as Melhores Ações e Exemplo de Cidadania Todos os dias: 01:00h, 09:30hs, 14:30hs e 20hs pela FGFTV, Canal Universitário de Fortaleza - retransmitido no canal 14 da Net. O Programa é visto por cerca de 100 mil assinantes da NET em Fortaleza, Região Metropolitana, Região do Cariri, Centro Sul, Sertão Central (Quixeramobim, Quixadá), Sobral etc.

Apresentadora: jornalista Silvana Frota

Expediente Ano XV - N 110- Junho/Julho 2012

Esta publicação é editada há 15 anos pela Editora Eventtus Ltda. Editora Geral jornalista Silvana Frota (653 JP) silvanaxgfrota@hotmail.com DIRETOR ADMINISTRATIVO Italo Frota Catunda REVISÃO Silvana Frota- MTB - 432 Carmem Frota Boelen Redação Silvana Frota e Assessorias de Imprensa EstagiáriA Polianna Uchoa popolianna@gmail.com Colaboradores ADECE, FAEC, SENAR, SDA, CIA DOCAS, CDL, GOVERNO DO ESTADO Fotografia Arquivo Revista, Assessorias, internet. ARTE/CRIAÇÃO Polianna Uchoa ANÚNCIOS Gerente de Contas Michelle Fernandes municipiosdoceara@gmail.com Avenida Dom Luis, 300, sala 725 Aldeota. Cep: 60160230 Aldeota Fortaleza- Ce Fones (85) 3264.3665 Cel. 96621700/88144719 Acesse nosso site: www.cearaemunicipios.com.br

Silvana Frota entrevistando Flávio Saboya e Paulo Hélder

Confira os vídeos no nosso site: www.municipiosdoceara.com.br 8

Revista Ceará e Municípios

municipiosdoceara Revista Ceará e Municípios

@CearaeMunicipio


Nordeste enfrenta a pior estiagem em 40 anos

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o todo são 525 municípios em estado de emergência, o semiárido nordestino enfrenta a pior seca em 40 anos. O problema está na dificuldade de água para beber à devastação de cultivos e perda de animais. Só para se ter uma ideia, em Pernanbuco as 70 cidades que estão em pior estado, a Secretaria Estadual de Agricultura fez um balanço e viu que a maioria dessa área, está com redução das chuvas, em média de 75%, chegando até 92% em alguns locais, e a maioria dos açudes localizados no Sertão estão com 30% da sua capacidade. A falta de chuvas provocou a perda de 370 mil toneladas de grãos. Nos 100 primeiros dias deste ano, o número de animais vendidos para fora do Estado é 73% maior que a da mesma época do ano passado. “Os criadores, a maioria deles pequenos, estão se desfazendo dos seus animais porque falta ração, falta capim, falta sorgo”, afirmou o secretário estadual de Agricultura e presidente do Comitê Integrado de Combate à Seca de Pernambuco, Ranílson Ramos. Ele prevê dificuldade de recomposição do rebanho depois da estiagem, já que as fêmeas de boa linhagem têm sido comercializadas para o Pará e Maranhão.

91% do território do Ceará sofrem com a estiagem Em busca de soluções urgentes, o governador Cid Gomes assinou no dia 28 de maio último, um decreto que reconhece a situação de emergência em 168 municípios cearenses. Dessa forma, 91% do território do Estado foi considerado comprometido pela

estiagem. No entanto, a burocracia tem sido uma grande inimiga das vítimas da seca no Ceará, atrasando a distribuição de recursos do Governo Federal. O documento vai agilizar o processo de socorro à população atingida pela estiagem. Antes, para que fossem beneficiados pelas verbas, os municípios tinham de aguardar homologação da situação emergencial, fosse da União ou do Estado, processo que demora para ser concluído, por levar em consideração diversos critérios. O método de avaliação que definiu as cidades em estado de emergência foi o da perda de safra. Logo, os que tiveram a colheita gravemente comprometida foram incluídos no decreto. “Em todos esses 168 municípios, foi constatada, conforme o secretário Nelson Martins (SDA), a perda de safra superior a 2,77% das receitas do municípios. Portanto, estou assinando a emergência de todos eles, remetendo ao Governo Federal e pedindo o apoio da bancada

MÃO

para que isso seja analisado com a maior brevidade e todas as ações que requerem essa providência sejam adotadas o mais rápido possível”, declarou Cid Gomes. Pagamento O governador se comprometeu a pagar parcela extra do Garantia Safra às prefeituras que estiverem quites com as parcelas do programa até 5 de junho. Então, um município que esteja com as contas em dia vai receber, por parte do Estado, uma parcela a mais de R$ 136 - para cada um dos cadastrados no programa - o que reflete um montante de R$ 716, em vez dos R$ 680 pagos pela União. Do socorro de R$ 10 milhões enviado ao Ceará, pelo Ministério da Integração Nacional, 25% deve ser empregado na restauração, perfuração e instalação de poços. Portanto, R$ 2,5 milhões, somados ainda aos R$ 13,5 milhões já reservados para essa finalidade, num total de R$ 16 milhões destinados à exploração de águas subterrâneas.

Estimativa da produção de grãos cai 74%

Com o agravante da seca no semiárido, a safra de 2012 no Ceará está passando por grandes dificuldades. Após uma empolgação em março, quando os agricultores pensavam que haveria um recorde na colheita cearense, a ausência de chuvas desde abril, diminiui consideravelmente a expectativa da produção agrícola em 74% no mês de maio, já que a expectativa inicial de 1,4 milhão de toneladas foi reduzida para 374 mil toneladas. O que se espera agora é que o Estado

produza 657.361 toneladas de grãos, em 2012. Quantidade bem abaixo da projeção original, que era de 1.438.395 t. Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a secretária do Grupo Coordenação de Estatísticas Agropecuárias do Ceará (Gcea-CE), Regina Feitosa Dias, os tipos de cultivo mais dependentes da água da chuva, foram os mais impactados. São eles

algodão herbáceo de sequeiro, amendoim, arroz de sequeiro, arroz irrigado, batata doce, fava, feijão de arranca de 1ª safra (Phaseollus), feijão-de-corda de 1ª safra (Vigna), girassol, milho (grão), milho (semente), sorgo granífero, cana-de-açúcar, mamona, mandioca e banana de sequeiro. “Além da irregularidade do tempo e espaço, caiu muito pouca chuva neste ano”, diz, ressaltando que em houve redução na estimativa em todas as 33 microrregiões do Estado. PECNORDESTE 2012 9


Artigos AÇÕES DA CNA NO COMBATE À SECA

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Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, com a parceria da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará – FAEC vem de elaborar uma série de propostas preliminares sobre o combate aos efeitos deletérios da prolongada estiagem por que passa a região Nordeste e, especialmente, o Estado do Ceará. O importante documento que foi por nós entregue ao Conselho Deliberativo da SUDENE – CONDEL, quando de sua reunião ocorrida no dia 27 de abril último findo, na sede da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, da qual participamos na qualidade de seu conselheiro, representando a CNA. A reunião do importante Conselho contou com a presença de Sua Excelência, o Senhor Ministro da Integração Nacional, Dr. Fernando Bezerra Coelho e de vários Governadores de Estados da região Nordeste. Naquela ocasião, tivemos a oportunidade de proceder a uma ampla exposição das ações entregues àquele Conselho, além de havermos abordado outros assuntos que dizem respeito ao combate dos efeitos da presente seca, citando algumas providências que deveriam ser adotadas, não só pelos governos estaduais da região, como pela própria SUDENE. Assim é que discorremos sobre a paridade dos juros incidentes sobre os financiamentos concedidos através das linhas especiais de crédito emergencial, entre os agricultores familiares que usufruirão de juros de 1% ao ano, enquanto os pequenos e médios produtores, por ficarem enquadrados no porte dos grandes, deverão arcar com juros de 3,5%, no exercício, razão por que defendemos para os de pequeno e médio porte, encargos de 2%. A exemplo do que ocorreu para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina que, através da Portaria Interministerial nº 144, de 1º/03/2012, estabeleceu parâmetros para a liberação de milho em grãos, em razão de um não tão prolongado período de estiagem naqueles estados, também reivindicamos a liberação de milho para atender aos produtores atingidos pela seca a preços diferenciados para a agricultura familiar de R$ 18,10, para a pequena e média produção, de R$ 21,00 e para os demais, R$ 27,00 por saca de 60kg, Na aludida reunião, abordamos, também, outros aspectos que visam a um apoio incondicional aos produtores rurais que sofrem os efeitos danosos de mais uma seca. O documento que contém as propostas da CNA, entregue ao CONDEL, está formulado com três tipos de ações.

MEDIDAS IMEDIATAS

A primeira representada pelas medidas imediatas; a segunda por medidas de sustentabilidade e a última pelas medidas de suporte. No campo das medidas imediatas, destacam-se quatro significativas ações, como se seguem: “1. Suspensão, pelo Governo Federal, dos pagamentos das parcelas de financiamentos rurais vencíveis no exercício de 2012, inclusive aquelas relativas às dívidas repactuadas, com base na Lei Nº 9138/95 e na Resolução Nº 2471, transferindo-as para o final do respectivo contrato; 2.Sobrestar as execuções judiciais, relacionadas com o financiamento rural, durante os exercícios 10

Revista Ceará e Municípios

de 2012 e 2013; 3. Paralisação, em 2012, das vistorias de propriedades rurais, pelo INCRA, para fins de reforma agrária e 4. Aprovação, pelo Conselho Deliberativo da SUDENECONDEL, de crédito rural, em caráter emergencial, pelo FNE, independentemente do porte do produtor rural”.

MEDIDAS DE SUSTENTABILIDADE

Flávio Viriato de Saboya Neto No que concerne às - Presidente da Federação de medidas de sustentabilidade das Agricultura do Estado do Ceará e atividades rurais, duas das mais representante da CNA no CONDEL representativas no combate às destruidoras conseqüências de uma seca, estão a seguir delineadas: “1. Liberação de créditos rurais, agrícola e pecuário, com juros compatíveis com a atual situação emergencial, com carência necessária para a sustentabilidade das atividades, agropecuárias; 2. Utilização imediata das áreas disponíveis nos Perímetros Irrigados Federais, visando à produção de alimentos, de forragens e sementes para a próxima safra”.

MEDIDADE DE SUPORTES

E, finalmente, aquelas medidas classificadas como de suporte, e que têm um efeito mais prolongado, estão consignadas como sendo as três aqui citadas: “1. Implantação, imediata, no cerrado dos Estados do Piauí e Maranhão e do oeste da Bahia, de três armazéns de estoques reguladores da CONAB (milho e soja), reduzindo, significativamente, os custos de fretes nas futuras remoções para postos de venda da Conab no Nordeste; 2. Instituição de uma linha especial de crédito, em caráter emergencial, para as atividades de irrigação de até 3 (três) hectares, beneficiando os pequenos, os pequenos médios e os médios produtores rurais, acoplados com medidores de energia elétrica de dupla tarifa, sendo esta com preços reduzidos, em até 12 horas de utilização, além de uma linha específica para o financiamento da cultura da palma forrageira e 3. Oferta, pela CONAB, até o mês de abril de 2013, de milho, no sistema Venda Balcão, para o atendimento aos detentores de Declaração de Aptidão ao PRONAF-DAP, estendendo aos pequenos, pequenos médios e aos médios produtores atingidos pela estiagem, com preço de R$ 21,00 (vinte e um reais), por saca de 60 Kg, a exemplo do que foi feito no Rio Grande do Sul e Santa Catarina este ano, através da Portaria Interministerial Nº 144, de 01.03.12, com a criação temporária de 100 (cem) postos de venda, disponibilizando um Sistema de Entrega aos produtores beneficiados”. Todas as ações supramencionadas despontam-se como de um efeito super valioso para o amparo àqueles produtores rurais que, mais uma vez, enfrentam os problemas catastróficos de uma seca nos sertões nordestinos e, como não dizer, no nosso estado do Ceará.


Contra a seca: determinação No Ceará e no Nordeste, a chuva vem caindo abaixo da média. Foram acionados sinais de alerta e agora é necessária uma série de medidas para diminuir o impacto provocado pela estiagem. No passado, seca era sinônimo de flagelo que espalhava fome e desespero. Ela continua Cid Ferreira Gomes - Governador do inevitável e, vez ou outra, Estado do Ceará retorna aos sertões, cumprindo uma espécie de ciclo. A diferença é que, hoje, já temos como enfrentá-la. Basta lançar mão das políticas, dos recursos materiais e do bom senso para tomarmos as medidas certas no momento certo. Na última segunda-feira, em reunião com a presidente Dilma Rousseff, em Aracaju (SE), os governadores do Nordeste expuseram a gravidade da situação. De imediato, a presidente antecipou para maio o pagamento das parcelas do Seguro Safra, que totaliza R$ 163 milhões (cinco parcelas de R$ 136) para o Ceará, e recursos para famílias rurais não contempladas pelo Seguro (cinco parcelas de R$ 80); antecipação das metas do Água para Todos, que compreende 1.500 sistemas simplificados de abastecimento de água; linha de crédito de R$ 12 mil com juro de 1%, três anos de carência e sete anos para pagar; preço mínimo do milho para assegurar a alimentação de animais e a edição da medida provisória para liberação de R$ 165 milhões para carros-pipa. No Ceará, já estão em marcha ações destinadas a combater os efeitos da seca. É o caso da construção de 5.700 quintais produtivos, sendo 4.200 com cisternas de enxurradas e mais 1.400 com barragens subterrâneas, representando investimento de R$ 82 milhões. O Governo está construindo 33.400 cisternas de placa que se somarão às 49 mil já concluídas. No âmbito do Projeto São José, desde 2007, 120 mil famílias foram beneficiadas com 1.730 ações de desenvolvimento agrário. Com o Banco Mundial, logo será firmada parceria que prevê US$ 100 milhões e mais US$ 50 milhões de contrapartida do Estado, para melhorar a vida das pessoas que moram no campo. A chuva pode escassear em nossos campos - isto jamais será novidade. O que não pode faltar é a determinação de vencer a adversidade, empenhando nessa batalha novos recursos que o crescimento da economia tem propiciado e a velha força de vontade que é uma das principais características do nosso povo. Cid Gomes comunicacao@casacivil.ce.gov.br Governador do Ceará

Artigo publicado no dia 26/04/2012 no Jornal O Povo

Convivendo com a seca no Ceará Quem anda pelo interior cearense sabe o quanto sofrem os nossos agricultores quando as chuvas não vêm. Historicamente, a seca é um tormento para o sertanejo e um desafio para o poder público. Apesar da complexidade, ainda é possível enfrentá-la e conviver com ela. Através da Secretaria do Desenvolvimento Agrário, o Governo do Estado do Ceará Nelson Martins - secretário de Desenvolvimento Agrário do Ceará adota políticas de estado para garantir ao agricultor familiar a convivência com a estiagem, mantendo-o no campo e oferecendolhe a possibilidade de produzir para a sua própria subsistência, comercializando o excedente. Para isso, é fundamental a parceria com o Governo Federal e os municípios. Em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), estão sendo investidos R$ 82 milhões na construção de 5.700 quintais produtivos, sendo 4.200 com cisternas de enxurradas e mais 1.500 com barragens subterrâneas, em 67 municípios cearenses, beneficiando 10.200 famílias de agricultores familiares. Também serão construídas 33.400 cisternas de placa, em 35 municípios. O equipamento acumula água para beber e cozinhar. 49.142 mil cisternas já foram construídas e outras 15.808 mil estão em obras. O investimento é de R$ 80 milhões, sendo que a metade deste valor é do MDS. Ainda em 2012 serão construídas mais 30 mil cisternas de placa, atendendo demanda do Plano Brasil Sem Miséria. Até o final do ano, a expectativa é de que mais de 98 mil famílias sejam atendidas. Em 2013 serão construídas mais 25 mil, todas, em municípios do semiárido cearense. Confirmamos parceria com o Ministério da Integração Nacional para investimento em projetos de irrigação voltados para agricultores familiares do interior cearense. Serão R$ 8 milhões 342 mil, com uma contrapartida do Estado do Ceará da metade deste valor. Serão 2500 projetos de irrigação beneficiados com esses recursos. A execução do programa será feita em parceria entre o DNOCS e a Ematerce. Temos ainda o Projeto São José, que está em sua terceira etapa. Desde 2007, 120 mil famílias já foram beneficiadas com cerca de 1.730 projetos de desenvolvimento agrário liberados, em investimentos que somam US$ 150 milhões, através de empréstimo contratado junto ao Banco Mundial. Agora, haverá investimentos de US$ 100 milhões, com uma contrapartida de US$ 50 milhões do Estado do Ceará, em novos projetos produtivos e no abastecimento d’água. Ainda no que diz respeito ao abastecimento d’água, um convênio com o Ministério da Integração Nacional beneficiará 75 mil famílias com 15 mil cisternas de consumo, 5 mil projetos de kits de irrigação e 1,5 mil projetos de abastecimento d’água. Junto a outros projetos, o objetivo é a universalização do abastecimento de água para toda a população cearense até 2014. Os municípios deverão apresentar projetos para contemplar comunidades que sofrem com a falta d’água. Ainda há muito o que ser feito, mas essas ações já trouxeram esperança para os agricultores de que é possível conviver com a seca. PECNORDESTE 2012

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Radi

grafando

Por Silvana Frota

A seleção brasileira vem aí

Agora, é para valer! O estádio Castelão terá jogos da fase de classificação da Copa das Confederações, incluindo pelo menos um da seleção brasileira, no dia 19 de junho de 2013. A abertura da Copa será no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. A Copa das Confederações será o evento-teste da Copa do Mundo de 2014. Assim, o Estado do Ceará e sua capital, Fortaleza, não podem passar por vexame internacional. Há tempo para fazer o que falta ser feito. Falta alargar a Alberto Craveiro, construir o viaduto da Raul Barbosa com Murilo Borges e - é bom não esquecer - uma campanha para ensinar o torcedor cearense a comportar-se em um estádio de padrão Fifa, sem alambrado. A Fifa está certa de que os brasileiros são educados. Somos?

Viver melhor Em matéria de felicidade, o Brasil coloca-se à frente de nações como a Alemanha (6,7), Chile (6,6), Espanha (6,5), Itália (6,1), Japão (6,1), Grécia (5,4), Rússia (5,3) e Portugal (5,2). Perde por pouco para Reino Unido (6,9), França (7) e EUA (7). E fica bem atrás da Dinamarca (7,8), Noruega (7,6) e Suécia (7,5). O índice "viver melhor" foi lançado no ano passado para marcar os festejos dos 50 anos de criação da OCDE, entidade sediada na França. Nasceu de um estudo elaborado sob a coordenação do Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz. O Brasil, incluído na pesquisa pela primeira vez, ocupa a 33ª posição entre 36 países, à frente da Turquia, do México e do Chile, apenas. A Rússia, outro país emergente incluído na pesquisa, surge na 32ª colocação. O critério utilizado pela OCDE leva em conta 11 quesitos.

MPX e GE ampliarão Usina Solar de Tauá

Informa a MPX, empresa de geração de energia elétrica do grupo EBX: A General Electric, que se tornou dona de 0,8% do capital da organização controlada pelo bilionário Eike Batista, vai fornecer os equipamentos para a ampliação da capacidade de geração da Usina de Energia Solar de Tauá, no Oeste do Ceará. A usina, que hoje tem potência de 1 MW, será ampliada para 2 MW e, na fase seguinte, para 5 MW, conforme os planos originais da MPX. Como a GE é fornecedora também de equipamentos para parques de geração de energia eólica e tendo em vista que a MPX se associou, recentemente, à alemã E. ON, que atua na área de energia renovável, prevê-se investimentos maiores do grupo EBX nesse setor. A GE e a EBX têm parceria estratégica.

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Feira do Camarão De 11 a 14 deste mês, em Natal, será realizada a IX Feira Nacional do Camarão (Fenacam). A Adece, a Secretaria de Pesca, o Instituto Agropolos e os Carcinicultores da Costa Negra, liderados por Livino Sales, representarão o Ceará.

Olho na vacina Presidente da Adece, Roberto Smith (foto) esteve em Israel. Onde tratou, junto ao Ministério da Indústria daquele País, de uma parceria na área da saúde. O Governo do Ceará pretende ter - no futuro Polo Industrial de Saúde do Eusébio - a boa expertise dos israelenses na produção de vacinas.

Não foi uma lei debatida por um segmento. Foi uma discussão de 100% do Congresso.

Senadora Katia Abreu Em declaração sobre a reforma do Código Florestal aprovada na Câmara

Reconhecimento Sobre o título de Cidadão de Fortaleza a Ivo Ferreira Gomes, o deputado Mauro Benevides exaltou o seu currículo de intelectual de méritos incontáveis. Procurador, porque fez concurso público; Curso de Mestrado concluído na respeitável Universidade de Harvard. Os amigos e admiradores.


SEBRAE E NOVAS OPORTUNIDADES

O Sebrae vai fazer um mapeamento das oportunidades e necessidades de negócios das empresas do Ceará. O programa vai ser desenvolvido em parceria com o Banco do Nordeste e visa facilitar a participação de empresas locais nos empreendimentos âncora do Estado. Será feito um “raio X” das necessidades de negócios para que as empresas sejam capacitadas para fornecer produtos e serviços para esses empreendimentos. O trabalho será coordenado pela Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace), ligada à USP de Ribeirão Preto. As universidades locais como UFC e Uece participarão do projeto.

Sábado com navio

Paulo André Holanda (foto), presidente da Companhia Docas do Ceará, administradora do Porto do Mucuripe, celebra a parceria com a Maestra Navegação e Logística, cujos navios de cabotagem farão escala todos os sábados em Fortaleza vindos de Santos (SP) e Navegantes (SC).

MÓVEIS PARA ALEMÃES

A Osterno Móveis fechou contrato com a rede alemã de restaurantes Vapiano, que vai construir 50 lojas da rede no Brasil. A companhia cearense vai fornecer mobílias, acessórios e pisos dos novos restaurantes. A direção da Osterno esteve recentemente na Alemanha e na Áustria para visitar os restaurantes da Vapiano, que pretende abrir as novas lojas nos próximos quatro anos.

Castanhão das tilápias O Ministério da Pesca e Aquicultura

está acertando com o governo estadual, através da secretaria estadual da Pesca, a expansão do parque aquícola da barragem do Castanhão. Tudo com aval da Agência Nacional das Águas (ANA), que está assegurando a autorização. A ordem é elevar de 10 mil toneladas/ano a produção de tilápia para 30 mil toneladas/ano, segundo o superintendente da ANA, Francisco Viana Lopes. Isso quer dizer que o número de grupos que exploram esse tipo de atividade no Castanhão deverá aumentar. Viana deu poucos detalhes da ação, mas garante que tilápia tem sido um dos pontos fortes do aproveitamento dessa barragem. O cearense já consome muita tilápia produzida ali, mas a ideia é, com a expansão da exploração, buscar mercados via exportação.

Projeções para o Ceará A projeção para o ano é de um

crescimento da economia nacional de 2,7% a 3%. Uma média de desempenho semelhante a conseguida pelo País na década de 90. No caso do Ceará, aperspectiva é de desempenho um pouco melhor que a média do País. E pasmem: provavelmente também puxado pelos setores de indústria e serviço. O segmento de construção civil ajuda bastante o índice de atividade industrial o Estado e, por essa razão, é esperada uma melhora nos indicadores. A greve dos trabalhadores da construção civil, entretanto, deve ter impacto no PIB no segundo trimestre.

Brasil deve ocupar 5º lugar

Melhoria de renda, população crescente, empresários jovens, alta produtividade e câmbio fortalecido são alguns dos atrativos vistos pelos investidores internacionais. No entanto, eles criticam a infraestrutura. “Achamos que o Brasil tem potencial para muito crescimento. E com os jogos olímpicos e a Copa do Mundo a infraestrutura vai mudar”, avalia o executivo do banco americano, Merrill Lynch, Richard Wilson, que palestrou no dia 1º de junho no evento Gestão Nordeste 2012 . De acordo ele, até 2030 a economia do Brasil pode se tornar a 5° do mundo.

Diminuindo custos de impostos e melhorando infraestrutura. “Outra coisa boa no País é que os empresários são jovens. A população vem crescendo, outros países não têm disso, e aqui eles estão prontos para trabalhar, eles têm uma média de até 29 anos aqui”, diz Wilson. Quem também falou no encerramento do evento foi o professor e diretor da Portfolio Gestão e Capacitação, Cássio Germano. Ele diz que mesmo dentro da empresa é possível eleger um funcionário que fique encarregado da gestão de projetos.

Talvez nenhum Estado brasileiro tenha uma rede de formação profissional como o Ceará.

Senador Inácio Arruda que, ao mesmo tempo em que registrava e destacava a inauguração da 87ª Escola de Ensino Médio Profissional no Estado do Ceará; defendia que a presidente Dilma, assim como fez o presidente Lula, construa mais dessas escolas.

Jovens empresários e a política O fato de quatro jovens empresários estarem assumindo o comando de influentes partidos está sendo saudado como fator positivo para o processo político-partidário. E até lembrando quando deste mesmo CIC saíram Tasso Jereissati, Amarílio Macedo, Beni Veras que, liderando um grupo de jovens empresários, passaram a ter uma destacada posição na política deste Estado. Assim é que, quando Eduardo Diogo, Robinson de Castro, Alexandre Pereira e Pedro Fiúza, aceitam ter essa decisiva participação, a iniciativa deve ser vista como importante na medida em que fortalece a democracia e motiva a que outros segmentos da sociedade se interessem pela política.

Sustentabilidade é tema na convenção

O tema foi pauta das discussões da 25ª Convenção Estadual Lojista, organizada pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL). O encontro que realizou-se nos dias 14, 15 e 16 em Fortaleza reunindo representantes de todas as CDLs do Estado. São 65 ao todo; há presença das Câmaras em 85 dos 184 municípios cearenses. PECNORDESTE 2012

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PECNORDESTE 2012 XVI SEMINÁRIO ESPERA ATRAIR 38 MIL VISITANTES, 4 MIL PRODUTORES E GERAR MAIS TECNOLOGIA E NEGÓCIOS

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XVI Seminário Nordestino de Pecuária- Pecnordeste, que será realizado de 18 a 21 de junho no Centro de Convenções, em Fortaleza, tem como tema central este ano “Pecuária Nordestina e o Novo Código Florestal” e a cada duas horas apresentará uma vasta programação incluindo seminários, mesas redondas, oficinas de capacitação, minicursos, feira de produtos e serviços agropecuários, encontro dos secretários municipais, Mostra Pet, PECLEITE (concurso leiteiro), e duas palestras globais abertas ao público uma com o mesmo tema do Pecnordeste e outra sobre a "A importância da Transnordestina para o desenvolvimento da pecuária regional, que será ministrada pelo Diretor de Infra estrutura e Logistica da CNA, José Ramos Torres de Melo Filho." " O evento é promovido pelo Sistema FAEC/SENAR e SEBRAE-Ce com o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil- CNA, Banco do Brasil, BNB, Governo do Estado,entre outros parceiros. É o único evento do Brasil que reúne no mesmo espaço dez segmentos da cadeia produtiva do agronegócio da pecuária, lembra o Coordenador Geral Paulo Helder de Alencar Braga, destacando a bovinocultura, avicultura, apicultura, caprinovinocultura, suinocultura, aqüicultura e pesca, equino-cultura, estrutiocultura, artesanato, turismo no espaço rural e natural. A expectativa dos organizadores é de que o PECNORDESTE deste ano leve ao Centro de Convenções um público de cerca de 38 mil pessoas, com a participação de 4 mil produtores em cursos e caravanas e cerca de 280 expositores, gerando pelo menos R$ 38

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milhões em negócios. Haverá concurso leiteiro de bovinos e caprinos de leite, no espaço do PECLEITE, uma exposição especializada de bovinos e caprinos, com cerca de 100 expositores, sendo a grande novidade deste ano dentro do evento, cooordenada pelo engos agronomos Paulo Helder, Rejane Bastos Dias e Eduardo Queiroz. O Presidente da FAEC, Flávio Saboya grande entusiasta do Pecnordeste, disse que a Federação e seus parceiros buscam com este evento, trazer mais infoirmações e tecnologias aos produtores rurais, principais interessados no Seminário, e que este ano, devido a problemática da seca, a Federação vai discutir ações voltadas para o médio produtor rural, que se ressente de uma política diferenciada. Na qualidade de conselheiro da CNA junto ao Conselho Deliberativo da Sudene, ele apresentou uma série de medidas de caratér emergencial e de longo prazo àquele colegiado, e ainda aos Governos do Estado e Federal.

O Seminário Nordestino de Pecuária busca o fortalecimento do agronegócio da pecuária nordestina, trazendo à discussão temas atuais que atendam as demandas do setor produtivo, com o intuito de transformar novos conhecimentos e difundir novas tecnologias realizando assim um grande esforço de capacitação e de intercâmbio de informações entre as cadeias produtivas e os mercados de produção e de consumo.


traz o campo para a cidade Principais Novidades P Tenda do Camarão P P Casa do Bode P

Boteco do Suíno PECLeite

10 segmentos presentes no evento P P P P P P P P P P

Apicultura Aquicultura e pesca Bovinocultura Avicultura Caprinovinocultura Artesanato Suinocultura Equinocultura Turismo no espaço rural e natural Estrutiocultura

DIA DE CAMPO VIRTUAL Durante o XVI Seminário Nordestino de Pecuária- Pecnordeste, o segmento da bovinocultura traz uma novidade, o Dia de Campo Virtual, que vai ser realizado nos dia 21 e 22 e junho durante o III Seminário Tortuga, no Salão A Superior - Bloco A (Superior). No dia 21, de 09h às 11h, terá a apresentação do Projeto da Fazenda Flor da Serra, localizada em Limoeiro do Norte, de propriedade de Luiz Prata Girão, que por meio de vídeos e fotos serão demonstrados a produção de leite em pasto por pivô central, dados zootécnicos, instalações e depoimentos do proprietário. No dia 22, 08h às 14h, haverá uma visita a Fábrica Tortuga,. Os 40 participantes poderão conhecer de perto as instalações, processamentos, laboratório de qualidade, coordenados por Francisco Christian Sales Bezerra, da empresa Tortuga.

Paulo Helder, coordenador Geral do PEC e presidente da Associação Cearense de Criadores - ACC

A TORTUGA A unidade Industrial do Pecém, está localizada a 65km de Fortaleza, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante. Possui 25 mil m² de área construída. A fábrica tem produção de 3.000 ton por mês, aumentando em 60% a fabricação de suplementos minerais para a nutrição animal. PECNORDESTE 2012

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PECLEITE QUER MOSTRAR O POTENCIAL DO CE O Ceará é um estado com grande potencial para a pecuária de leite, uma tradição que se mantém a vários anos . Hoje, o Estado produz cerca de 1 milhão e 216 mil litros de leite/dia, possuindo um rebanho efetivo de 2 milhões e 500 mil cabeças, das quais 540 mil são vacas ordenhadas. Segundo Eduardo Queiroz, um dos cooordenadores da exposição, o Estado, ainda possui áreas disponíveis para produção de leite, principalmente na Chapada do Apodi, e no Baixo Acaraú onde o DNOCS mantém projetos de irrigação com áreas disponíveis para produção de pasto, podendo duplicar a produção atual, que pode chegar a 146 milhões de litros de leite/dia. Com a idéia de mostrar esse potencial leiteiro, foi que os organizadores do Pecnordeste resolveram realizar este ano o PECLEITE, uma exposição de bovinos e caprinos de leite que será realizado em todo o Bloco G. Ocupando uma área de 1.938m2, contando com a presença de 100 animais de raças leiteiras de várias espécies, além de julgamentos, premiações e concurso leiteiro. Dentro da programação do PECLEITE está previsto acontecer o concurso leiteiro com prêmios para os animais que Eduardo Queiroz apresentarem maior produção de leite durante os três dias com um dos coordenadores da Comissão Técnica do PECNORDESTE uma equipe de técnicos que acompanharão todo esse processo. A Coordenação do Pecnordeste contará com o apoio hectares ociosos de perímetros da Agfencia de Defesa Agropecuária-Adagri na checagem e públicos poderão ser usados contenção de animais, e monta uma estrutura responsável pelo para produzir forragens recebimento, embarque e desembarque dos mesmos. Segundo o coordenador geral do PECNORDESTE, engenheiro agrônomo é a redução na Paulo Hélder de Alencar Braga, todos os animais que estarão no produção de leite evento terão que estar com o controle de sanidade em dia, e 100 animais de alta esperada pela Betânia com a GTA – Guia de Transporte de Animais paga . linhagem participam para os próximos meses A expectativa do Coordenador é de que o PECLEITE possa da exposição que fortalecer a pecuária leiteira, fazer a transferência de novas informações aos produtores sobre manejo e produção de leite, ocupa uma área visando o aumento da produção e da produtividade.

Números 10 mil

25%

total de 1.938 m2 no Bloco G.

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PERSPECTIVA DA EXPOSIÇÃO PECLEITE Baia de Bovinos

Baia de CAPRINOS

PECLEITE FARÁ JULGAMENTO DE ANIMAIS E CONCURSO LEITEIRO CONCURSO LEITEIRO

O concurso é dividido em duas categorias: Bovinos 1ª. categoria- vaca jovem até 36 meses 2ª. categoria- vaca adulta acima de 36 meses Caprinos 1ª.categoria- animal jovem com até 3 mudas ( 5 dentes) 2ª.categoria: animal adulto boca cheia( 8 dentes). O concurso leiteiro da Pecleite terá cinco ordenhas no período de 19/06 a 21/06, em horários diferenciados. As ordenhas oficiais terão duração máxima de 15 minutos para cada animal participante e serão realizadas em ordenhadeiras mecânicas. Serão vencedores os animais que obtiverem maior produção em quilogramas, na somatória das 4 ordenhas, a premiação ocorrerá no dia 21/06/ no encerramento do evento.

A Comissão organizadora do Pecleite Coordenador Geral Paulo Helder de Alencar Braga Comissão Técnica Maria Rejane Mesquita Bastos Dias e Eduardo Queiroz Comissão de Sanidade Adagri Comissão de Admissão Francisco Bartolemeu e Antonio Nogueira Magalhães Comissão Concurso Leiteiro Eduardo Barroso Comissão de Inscrição José Cid Gomes Carneiro e Wellignton Responsável Técnico Antonio Gilson Araújo Juiz Julgador Raul Castro Pimenta PECNORDESTE 2012

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PECLEITE PRODUTORES APOIAM PECLEITE

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om o objetivo de divulgar o PECLEITE a Comissão organizadora promoveu um encontro com diversos produtores de bovinos e de caprinos para colher sugestões sobre o evento, bem como a elaboração do concurso leiteiro e de animais, que envolverá as raças Jersey, Simental, Girloande e Pardo Suíço e o layout da área reservada ao evento. Entre as sugestões apresentadas pelos produtores durante a reunião estão a de doar uma parte do leite que será ordenhado nos três dias da Feira, para alguma instituição ; o leite servir

“No Ceará existem em torno de 10 criadores com um plantel de mil animais registrados, com uma média de lactação de 21 a 22 kg de leite / dia por produtor. É importante participarmos de mais este evento, acho que é uma inovação”. Presidente do Núcleo dos Criadores de gado da raça Pardo Suíço, Eulino Oliveira Filho “A idéia do PECLEITE é muito boa, divulga o potencial do nosso estado como uma grande bacia leiteira, mas acho que falta apoio ao criador, e que o governo deveria incentivar mais o crédito bancário, tornando-o menos burocrático, oferecer taxas de juros menores.” Presidente da Associação Cearense de Gado Jersey, Alex Sá O Presidente da Associação dos Criadores de Caprinos Leiteiros do Estado do Ceará, Caprileice, Daniel Pimentel Gomes, disse que o PECLEITE traz a oportunidade de transferência de tecnologias, e que o Ceará precisa produzir mais leite de cabra.

para a preparação de produtos para a degustação. A Pecleite vai oferecer uma premiação no valor total de 15 mil reais para as grandes campeãs das raças expostas, jovens e adultas do concurso leiteiro de bovinos e caprinos, inclusive a entrega de troféus aos campeões. Conforme determina o regulamento, os julgamentos serão públicos, devendo porém ser feito por um jurado único. Os jurados não poderão criar classes ou categorias e nem subdividir as estabelecidas pelo regulamento. O regulamento obedecerá Código de Ética da Associação dos Criadores de Gados e de Caprinos.

Os irmãos Luis Landim e Teoberto Landim, são criadores da raça Jersey, Simental e Girolande e estão expondo seus animais no PECNORDESTE. Luis Landim, tem uma fazenda em Apuiarés onde cria outras raças como a Girolande e Simental, com uma produção de 320 litros de leite /dia, e cerca de 80 animais. Segundo ele a idéia é motivadora e inovadora.

Bruno Brandão e Alberto Almeida, gerente e diretor respectivamente da Fazenda Vital, que vai participar com a raça Simental, de origem alemã, disseram que a raça tem dupla aptidão para carne e leite, com uma produção hoje de 2.500 litros/ dia, fornecidos para as industrias de leite Maranguape e Danone. Para eles, expor no Centro de Convenções será uma oportunidade de divulgar ainda mais os produtos da Fazenda que comercializa também sêmen de animais, que saem de Maranguape diretamente para Campinas e Sorocaba, em São Paulo, onde a Vital tem outra grande fazenda de criar gado.

QUEM VAI EXPOR NA PECLEITE

Participam da exposição os seguintes produtores e ou fazendas:

BOVINOS •PARDO SUÍÇO: Eulino Filho, Gilvan Sabino, Walfrido Monteiro; •JERSEY: Leopoldo Vasconcelos, Luiz Landim, Teoberto Landim;

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•SIMENTAL: Fazenda Vital, Luiz Landim; •HOLANDÊS: Bessa Junior; •GUZOLANDIA: Fazenda Teotônio

CAPRINOS •Daniel Pimentel •Tufi Said •Emanuel Ricarte da Silva •Clauber Rocha •Francisco Eugênio

Vasconcelos •Wagner Cassiano Teles •Ricardo Willame •Amadeu •Jonatas Brito de Alencar


Em 2010 produção de Leite cresceu no Brasil e no Ceará Em 2010, o Brasil produziu 30,85 milhões de ton e importou 148,2 mil toneladas de leite e derivados. O leite em pó representou 54% do volume importado de lácteos, produzindo 644 mil ton no ano. Quinze novas propriedades passaram a fazer parte dos maiores produtores de leite no estado do Ceará em 2010, com uma produção de 70,8 milhões de litros. Segundo o Anuário do Leite, quando comparado com o levantamento realizado em 2009, o volume de leite produzido pelos 100 maiores produtores aumentou 22,5%. Dos 85 produtores que se mantiveram na lista em 2010, 56 aumentaram a produção de leite Em 2010, a média de produção diária dos produtores foi de 1.941 litros, superior à média do ano anterior, que foi de 1.735 liitros. Segundo a publicação, os números mostram que os produtores estão trabalhando para aumentar a escala de produção, e acreditando mais na atividade. Hoje, temos o 5º maior produtor nacional de leite, produzindo 57 milhões/kg localizado na região de Umirim. Trata-se do produtor Francisco de Araújo Carneiro.. Fonte: Anuário do leite Ceará 2011 - CNA

Seca causa perda de 15% em 2012

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om o advindo da seca em toda a região semiárida, o gado e com isso o leite acaba sofrendo as consequencias pela falta das chuvas. Cerca de 30 mil produtores de leite do interior do Ceará estão sentindo os impactos da estiagem em seus rebanhos, que tem sido prejudicados com a escassez de alimentos providos do solo. Os prejuízos refletem na cadeia produtiva do leite, que em abril chegou a sofrer queda de aproximadamente 15%, informou o diretor-presidente da Betânia, Bruno Girão. A expectativa é de que a situação eleve os preços de leite e derivados em até 10% a partir de meados de maio. No dia 27 de abril, o Governo Federal anunciou medidas emergenciais aos produtores nordestinos atingidos pela seca, o Governo Federal liberou para as cidades ationgidas, R$ 60 milhões para ações da Defesa Civil. Ceará, Sergipe, Paraíba e Pernambuco receberam respectivamente R$ 10 milhões para serem investidos em abastecimento de água e outros R$16 milhões deverão ser destinados para instalação e perfuração de poços profundos. Participaram o governador Cid Gomes e o ministro da Integração, Fernando Bezerra, no entanto, a parte da venda do milho balcão não agradou so segmento, já que foi liberado apenas 3kg de milho por produtor.

Impactos na cadeia produtiva do leite no Ceará Com a estiagem, as vacas acabam não se alimentando de silagem e feno, pois com a falta das chuvas o solo não produz esse alimento

Sem esta alimentação natural, as vacas acabam emagrecendo. Com isso, os produtores estão preferindo levar logo estas ao abate, para obter mais lucro, preferindo vendê-las ao abate antes que morram

A distribuição dos derivados para os mercados, também é feita pelas indústrias, que acabam sentido aumento nos preços

É na industria que o leite se transforma nos seus devirados, queijo, iogurte, requeijão etc.

“Quando não chove, não tem pasto, não tem comida para vaca, logo, não tem leite”, explicou Girão. A Betânia trabalha ainda com um cenário de redução de 25% na oferta nos próximos meses, afirmou o diretor-presidente. O presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Feac), Flávio Saboya, aponta medidas emergenciais para resolver o problema. Uma delas já foi discutida com representantes do setor, o ministro da Integração e o governador Cid Gomes. Trata-se da possibilidade de cessão de parte dos 10 mil hectares ociosos de

Dessa forma, com as vacas indo mais para o abate a produção de leite acaba diminuindo mesmo com 30 mil produtores no Estado. O leite produzido no Ceará é coletado por pequenos produtores com base familiar, que produzem menos que 50 litros/dia, e por produtores de irrigação nas regiões do rio Banabuiú, Jaguaribe e Quixeramobim que produzem mais de 200 litros/dia

As coletas de leite nas fazendas é feita pela indústria, mas com volume em menor escala do que em outras épocas

perímetros públicos para a produção de forragens, que poderão minimizar os efeitos da seca. Outro aspecto discutido foi o crédito emergencial para os agricultores familiares, que poderão realizar empréstimos até R$ 12 mil por 1% de juro ao ano. Quantias superiores terão 3,5% de juros. A SECA A seca tem causado queda no setor do leite: falta de chuva prejudica o solo, que deixa de produzir nutrientes para o rebanho, gerando redução no volume de leite. O consumidor deverá sentir no bolso o impacto da queda de produção. PECNORDESTE 2012

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Como produzir mais leite na seca

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Pastejo Rotacionado é uma das Soluções

Ceará produz atualmente 1 milhão e 216 mil litros de leite /dia, embora a demanda seja por 2 milhões de litros/dia. Dobrar esta capacidade é o grande desafio que se impõe ao Estado, e somente através da tecnologia é possível reverter esta situação. Neste período de seca, a situação da produção tende a cair, em torno de 15%. A Federação das Associações do Perímetro Jaguaribe-Apodi (FAPIJA) sugeriu ao Governo do Estado, doar no mínimo 10 pivôs centrais para irrigar uma área maior no Projeto de Irrigação do DNOCS, para produzir pastagem. Os 10 Pivôs de 50 ha cada, se instalados no Apodi, poderão produzir 150 mil t de silagem por ano, diz a FAPIJA. Conforme informou Francisco Zuza de Oliveira, assessor da CBLCompanhia Brasileira de Alimentos S/A e ex-presidente da ADECE, a empresa Betânia está fornecendo ração aos seus produtores de leite, para conservar as fêmeas nas fazendas, gerando renda para o produtor e leite para atender a demanda industrial. Animados os pecuaristas começaram a investir mais na atividade, resultando em aumento da oferta de leite. Também atraiu para o Estado fornecedores de Segundo Zuza, a técnica de pastejo rotacionado irrigado, introduzida no Ceará em meados da década passada, proporciona um aumento na produção no período de estiagem que na época das chuvas, inverte uma lógica secular na região. A irrigação dos pastos também trouxe a certeza da produção independentemente de o ano ter boas chuvas ou não.

Zuza de Oliveira Assessor da CBL

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insumos, empresas de genética bovina, laticínios e mais produtores de leite. Num futuro bem próximo eles poderão estar utilizando-se de cerca de 200 mil hectares de áreas irrigáveis boa parte delas com toda infraestrutura instalada, mas parcialmente ociosa, como é o caso dos perímetros do Departamento Nacional de Obras-DNOCS. Em 2010, a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) resolveu traduzir em números o que muitos pecuaristas de áreas irrigadas já sabiam: é possível produzir leite com lucro no Ceará. Mais que isso: seria possível produzir com indicadores econômicos iguais ou superiores às mais destacadas bacias leiteiras do mundo. “Hoje, produzimos leite a US$ 0,30 por litro, enquanto o custo médio nos Estados Unidos é de US$ 0,38. Quando o real estava menos valorizado, chegamos a produzir por US$ 0,22, que é o preço conseguido pela Nova Zelândia, referência mundial em produção leiteira”, diz o consultor Raimundo Reis, um dos responsáveis pelo estudo Projeto Leite Ceará, elaborado pela Adece. Na época em que esteve à frente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará - Adece, Zuza foi responsável pela estruturação do Projeto Leite Ceará, que visa a produção intensiva de leite em áreas irrigadas. Tudo começou em 2000, quando o governo cearense resolveu apostar no Projeto Pasto Verde, que consistia em repassar para pequenos produtores as vantagens do pastejo rotacionado irrigado. Cinco anos depois, mais de 1.400 pecuaristas já haviam adotado o sistema. “Quando vinha uma seca, o pecuarista deixava de produzir o leite e ainda precisava comprar alimento para o rebanho durante meses. O pastejo rotacionado irrigado é adotado em mais de 5.000 hectares e responde por cerca de 25% da oferta de leite no Ceará. O mais importante não é o volume, mas sim a segurança de que o leite está disponível o ano inteiro, faça chuva ou sol. A Danone, por exemplo, investiu em 2000 R$ 60 milhões para

reativar uma fábrica em Maracanaú, a 20 quilômetros da capital cearense, a partir da qual trabalha para abastecer os mercados do Norte e Nordeste. O Laticínio Sabor e Vida, em Maranguape, a 50 quilômetros de Fortaleza, também está apostando no crescimento do setor. “Concluímos um investimento que triplicou nossa capacidade de produção, que passou para 20.000 litros ao dia”, diz Osvaldo Vieira, da área comercial da empresa. UM NOVO OLHAR SOBRE OS PERÍMETROS IRRIGADOS O estudo lançou ainda um novo olhar para áreas dos perímetros irrigados do Dnocs – que só no Ceará chegam a 40.000 hectares. “São áreas com oferta de água, energia, comunicação, estradas, bons solos e preço baixo – média de R$ 2,5 mil por hectare – e que não estão plenamente ocupadas”, conta Francisco Zuza, presidente da Adece. O estudo da Adece, que considerou todas as variáveis econômicas para a implantação de projetos em módulos de 8 a 210 hectares, chegou a resultados surpreendentes – é possível obter até mais lucro com gado leiteiro nas áreas irrigadas que com a produção de frutas – e sem o perigo das oscilações de demanda e preço do mercado internacional. De acordo com o estudo, a implantação de um módulo de 8 hectares - que comporta a criação de até 100 vacas e requer investimento total de R$ 279 mil – proporciona uma receita de R$ 51,9 mil por ano, com lucro de 30%. O estudo aponta ainda que, quanto maior o módulo, mais vantajoso é o investimento. Para uma área de 210 hectares, o lucro estimado é de 40% e o investimento necessário, de R$ 6,1 milhões, se paga em seis anos e dois meses. O QUE É PASTEJO ROTACIONADO A técnica não é nova e consiste em práticas muito simples: fazer com que a cada dia os animais se alimentem de volumoso (capim) em uma área diferente, oferecendo assim pasto sempre novo e nutritivo o ano inteiro. E o capim cresce com vontade no Ceará, por conta da quantidade de sol disponível por ano (300 dias) e da temperatura média constante elevada (30 ºC). Quem adota o pastejo rotacionado irrigado está obtendo mais de 100 litros de leite diários por hectare.


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inovação

LUIZ GIRÃO: de leasing de vaca a barriga de aluguel (fertilização in vitro)

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m termos de assistência ao produtor, é difícil encontrar um modelo como o adotado pela Laticínio Betânia, segundo maior produtor de leite do Ceará(em 2011 produziu 16.600 litros/leite/ano). Em sua unidade de Limoeiro do Norte, a empresa fornece aos parceiros terra, gado, pivô central para irrigação, insumos, orientação técnica e ainda garante a compra do leite a R$ 0,80. Entrando somente com a “administração” do negócio, oito parceiros têm lucro líquido de até 30%, o que pode proporcionar para alguns deles até R$ 15 mil por mês. Na Fazenda Flôr da Serra, alimentar uma vaca com capim irrigado, utilizando pivô central, custa R$ 1 por dia. O custo por litro é de R$ 0,40. O proprietário da fazenda, Luiz Girão, é um nome reverenciado no setor pelas suas investidas visionárias e corajosas. Foi dele, há alguns anos, a iniciativa de fazer “leasing” de vaca: um empréstimo para ser pago com leite, no qual quem recebia o animal tinha a possibilidade de comprá-lo por um valor pequeno ao final de três anos. Girão, que também é proprietário do Laticínio Betânia, chegou a alugar 4.700 vacas. Foi ele também que, de maneira pioneira, começou a utilizar os perímetros irrigados do Dnocs para produzir com pivô central milho e leite. Hoje, em suas áreas próprias na Chapada do Apodi, com seus 1.300 hectares, a Flôr da Serra desenvolve outra experêincia que desperta atenção: toda a estrutura da fazenda foi disponibilizada a “parceiros”, que têm como única obrigação vender ao laticínio o leite produzido. E não é uma estrutura qualquer. São 200 hectares irrigados com cinco pivôs, 3 mil animais (1.300 em lactação), currais, ordenhas mecânicas, insumos, inseminação artificial, além da garantia de aquisição do leite a R$ 0,80 o litro. 22

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A Betânia está fornecendo ração aos seus produtores de leite, para conservar as fêmeas nas fazendas, gerando renda para o produtor e leite para atender a demanda industrial

A Betânia é hoje a segunda maior produtora de leite do Ceará em 2011, produziu 16.600 litros/leite/ano FERTILIZAÇÃO IN VITRO Recentemente, Luis Girão e o o seu sócio da CBL,empresário Jorge Parente trouxeram para uma palestra no Pacto de Cooperação da Agropecuária CearenseAgropacto, o economista e ex-diretor presidente da Associação Brasileira de leite Longa Vida, e sócio diretor da BrainStock-Consultoria Empresarial, Almir José Meireles, com a participação do proprietário da Fazenda Basa, no Estado de Minas Gerais, com experiência em fertilização in vitro Edmar Guimarães e do médico veterinário e doutor em fertilização “in vítro” pela Universidade do Canadá, José Henrique Fortes Pontes. O tema foi “Modernização leiteira no Nordeste” e aconteceu no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará-FAEC, com a participação de dezenas de empresários do segmento agropecuário. Presente ao encontro, o empresário Luis Girão, foi logo mostrando seu lado empreendedor, foi o que mais perguntou sobre o método conhecido também como ‘barriga de aluguel’, entrando em detalhes nos resultados e consequências para a produção leiteira . Girão também foi um dos primeiros a disponibilizar-se a adotar a fertilização” in vitro” em sua fazenda. “ Se o Governo do Estado, através da ADECE apoiasse na implantação de um laboratório de transferência de embrião na Região no Baixo Jaguaribe, teria

mercado para a compra dos embriões o que geraria mais produção, mais emprego e renda no campo, disse Girão, garantindo que pelo menos um grupo de 10 a 15 empresários adotariam a nova técnica. “Estou disposto a entrar nesta nova investida, porque estou consciente de que sem tecnologia não avançaremos muito”, disse ele, que levou até sua fazenda os técnicos especialistas na área para um diagnóstico e tomada de decisão .

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PERGUNTAS PARA LUIS GIRÃO

O problema do Nordeste Quanto mais passa o tempo, mais eu me convenço que o gargalo do Nordeste é a educação, a falta de cultura e de informação, de discernimento. Existem produtores nossos de leite, que produzem hoje, até 40 mil litros de leite num hectare de terra por ano, enquanto há outros que não conseguem produzir 400 litros. Então, é preciso que haja uma mudança cultural e para isso é preciso muita informação, muita confiança na assistência técnica e, acima de tudo, constância na relação entre a indústria e o produtor, na confiabilidade de preço, no relacionamento, coisas que a Betânia está retomando de novo. O crescimento da Betânia Em 1975. O primeiro momento foi muito difícil, mas fomos devagarinho, sempre com muita dedicação e trabalho. Ao longo de 10 anos, de 1975 a 1985, fomos ganhando a liderança de leite pasteurizado. Na época, chegamos a superar a maior empresa de laticínio da região, que era a Cila. Os resultados


Foto Jarbas de Oliveira, de Maranguape (CE), publicado no Globo Rural

continuaram bons e praticamente invadimos o Nordeste. Entramos no Pará e em Goiás. Chegamos a somar 13 unidades industriais. Nós soubemos aproveitar as oportunidades do grande crescimento econômico do País, na época do milagre econômico da década de 80. Principalmente do programa de distribuição do Ticket do Leite, do presidente Sarney, que fez com nós crescêssemos a taxas estrondosas. Chegamos a crescer entre 35% e 40%, ao ano. No ano de 1995, faturamos US$ 100 milhões. Éramos a quinta ou sexta maior empresa em termos de faturamento no Estado. Crescimento no Nordeste Este crescimento perdurou até 1995, quando do advento da Era Collor, que acabou com o programa do leite do Sarney e mudou o perfil das empresas. Nesse período, quase todas as empresas nordestinas do setor foram à bancarrota, faliram. E as que não faliram, como a Alimba, da Bahia, a Cilpe, de Pernambuco e a Betânia, foram compradas por grandes empresas multinacionais, como a Parmalat. Não tínhamos como enfrentar aquela onda gigantesca de abertura do mercado nacional às empresas do capital internacional, que chegaram com preços subsidiados e comprando tudo aqui dentro. A verdade é que o Brasil estava despreparado para o mercado global. Vendemos a empresa também devido aos anos difíceis do início do Plano Real, em que os juros internos chegaram a 7% a 8%, ao mês. A Betânia foi vendida exatamente no dia 31 de dezembro de 1995. Retomada da Parmalat e a Betânia Em meados de 2002, voltamos a operar no setor leiteiro, através da CBL, atualmente administrada pelo meu filho Bruno, e da qual sou apenas conselheiro. Nós recebemos a Parmalat praticamente com os setores de produção e de compra de leite desestruturados.Ela deixou a bacia leiteira totalmente quebrada, desorganizada foi preciso reorganizá-la. . A Parmalat estimulou o atravessador de leite no Ceará. Colocou entre o produtor e a empresa uma quantidade imensa de atravessadores, que são válvulas criminosas do setor. Mas com o nosso processo de refrigeração do leite na própria fazenda, já estamos voltando a eliminar isso. Neste ano, já estamos com 60% a mais de captação própria.

Luís Girão, um dos grandes produtores de leite e grande incentivador da atividade leiteira no Ceará. Ele disponibiliza toda a estrutura para parceiros que têm como única obrigação vender ao lacticínio o leite produzido. A CBL Atualmente, garantimos a compra de leite de, em torno 3.000 produtores do CE para fábrica de Morada Nova, de 500 produtores de PE para fábrica de Pedra PE e, para a fábrica de Nossa Senhora da Glória em Sergipe, de 300 produtores, com uma captação média diária de 350 mil litros. O grupo empresarial CBL, além das fábricas citadas também opera com uma fábrica em Campina Grande PB, com a marca Lebon e uma no Pará, que produz queijos mussarela, prato e ralado... Aqui, trabalhamos com produtos longa vida, leite pasteurizado, requeijão, manteiga e queijos comuns, de coalho. A empresa de Campina Grande produz

a parte de refrigerados, como iogurtes e batigutes. Ao todo, temos 25 produtos, desde a coalhadinha, que é a caçula, até os achocolatados. Lançamos novos produtos, como o “cream cheese”— queijo creme — e bebidas lácteas à base de frutas, produtos de alto valor agregado. Outro lançamento previsto foi o leite achocolato em embalagens pequenas, de 200 ml, próprias para o lanche. A parte operacional da empresa é presidida pelo meu filho Bruno Girão. Os empresários são mortais, mas as empresas devem ser eternas, e a gente tem que planejar isso. Atualmente, sou apenas conselheiro da empresa. PECNORDESTE 2012

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inovação Polo de referência do leite O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) ganhará um laboratório de referência na certificação de produtos alimentares ligados à cadeia produtiva do leite. O equipamento será instalado no campus avançado de Morada Nova e atenderá a produtores de laticínios de todo o Estado. O laboratório funcionará também como espaço didático para as atividades do curso técnico em Pecuária do Leite, a ser instalado no campus avançado de Morada Nova, ligado à unidade de Limoeiro do Norte. Além disso, o equipamento oferecerá oportunidades de capacitação abertas à comunidade. A iniciativa é fruto de parceria entre o IFCE, o Governo do Estado e o Instituto Zooprofi Láttico Superimentalle da Itália, firmada por meio de acordo de cooperação em 2009. O objetivo é transformar o complexo, dividido entre Limoeiro do Norte e Morada Nova, num polo de referência em estudo e produção de leite na região Nordeste, oferecendo certificação em nível nacional e internacional. 24

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Nessa volta da Betânia, adquirimos um novo sócio, que foi parceiro nosso na luta para resolvermos o problema da empresa, que é o empresário José Parente Frota, Ele detém 20% do controle acionário da CBL aqui do Ceará, em Morada Nova. Temos ainda um outro sócio, pequeno acionista, que é nosso diretor administrativo financeiro, o Arinilo Macena. E o restante é da nossa família, e está sob a guarda do Bruno. Globalização Já temos uma parceria com a Laticínios Jaguaribe, para quem pagamos royalties e fazemos toda a produção, envazo e distribuição do Leite Jaguaribe no Ceará. Estamos também tentando parcerias com os demais concorrentes, porque achamos que unidos, será mais fácil concorrermos no mercado mundial. A união é uma coisa hoje cada vez mais comum, porque a necessidade de produção em escala é cada vez mais

crescente. Mais Tecnologia O que falta é um pouco mais de tecnologia, para que nos tornemos pelo menos, auto-suficientes. É vergonhoso o Ceará importar 80%, 90% do leite que consome, na forma ainda de pó. O leite Longa Vida também tem um grande consumo por causa da praticidade e da possibilidade de ser guardado por mais tempo.

Temos que aproveitar este momento de crise diante de mais uma estiagem, para nos superarmos e encontramos novas alternativas para modernizar a atividade leiteira.

Jorge Parente, Diretor da CBL

Quem é Luiz Girão Natural de Maranguape e criado nas fazendas de Morada Nova, no Ceará, o agropecuarista e empresário Luís Prata Girão, 60, é hoje símbolo da pecuária leiteira nordestina. Casado e pai de quatro filhos, administrador de empresas por profissão e pecuarista por paixão, Luís Girão é o precursor de uma das maiores marcas de laticínios do Nordeste, a Betânia. Com 40 anos dedicados à agropecuária cearense, sua história se confunde com a da própria marca. Como faz questão de frisar, foi aluno de grandes mestres da administração e da economia, como o “grande professor e governador Beni Veras”. Mas relata que foi na lida diária da fazenda, junto ao homem do campo — onde aprendeu a arreiar cavalos, laçar bois e cuidar do rebanho — que reconheceu o valor da atividade pecuária, aliás considerada por ele, a principal base da economia cearense. Girão tentou a carreira política, foi deputado federal, em 1990, e depois suplente de senador de 95 a 2003, na chapa de Lúcio Alcântara, mas logo desistiu,retornando àquilo que sabe e gosta de fazer que é gerenciar a sua fazenda Flor da Serra.

O LABORATÓRIO DE FERTILIZAÇÃO IN VITRO Segundo o economista Almir José Meireles, o laboratório de fertilização “in vitro” custaria algo em torno de R$ 150 mil e iria mudar completamente o panorama da pecuária cearense, na medida em que ele traz uma nova visão de como gerar o processo de modernização através de uma tecnologia nova e disponível de recursos competitivos, que é a fertilização “in vitro”, sem esquecer que há ainda a necessidade de importação de animais de alta produtividade. Na visão do especialista, o Nordeste e o Ceará especialmente, tem mostrado potencial por ter recursos hídricos, clima, e um grupo de empresários bastante interessados podendo ter no futuro próximo uma alta produção de leite, capaz de dobrar a atual com qualidade e sustentabilidade. Já o médico veterinário José Herinque Fortes Pontes, acha que um laboratório de fertilização “in vitro” poderá transformar o Ceará em um estado apto a oferta de leite para outras regiões do Nordeste. Enquanto isso, o diretor da Fazenda Basa, disse que sua empresa que já trabalha com fertilização há 30 anos, tem interesse em instalarse aqui, mas, para tanto, faz-se necessário uma

demanda de no mínimo 500 mil embriões/ ano. Segundo ele, com 100 animais jovens consegue-se fazer 1.500 animais/ ano, no caso de sua fazenda Almir Meireles, Henrique Pontes e Edmar Guimarães instalada em Minas Gerais, ele trabalha especialmente com a raça Gír e Holandês. Caso seja instalado o laboratório me comprometo a trazer pelo menos 5% do meu rebanho, que faria um bem enorme ao conjunto do Estado,afirma o dono da Basa.

Reunião do Agropacto na FAEC


CAPRILEIcE

CE necessita de mais produtores de leite de cabra Assim afirmou o presidente da Associação dos Criadores de Caprinos Leiteiros do Estado do Ceará –CAPRILEICE, Daniel Pimentel Gomes, que está desenvolvendo uma campanha institucional visando uma maior atenção para com os produtores de leite de cabra, produzirem mais leite, além da adesão de novos produtores.

Atualmente, são cerca de 20 produtores efetivos nas regiões de Caucaia, Pecém, Apuiares, Guaiúba, Horizonte e Quixadá, com produção de sete mil litros por semana. O litro do leite de cabra está custando em torno de R$ 1.20 atualmente, enquanto o litro do leite de vaca é comercializado a R$ 0.80, e segundo Daniel Pimentel isso decorre pela falta do produto no mercado. Conforme dados da Caprileice existem cerca 500 animais em produção seca e amojada, dos quais 150 estão em fase de gestação. Segundo o presidente da Caprileice, são inúmeras as vantagens de criar cabra leiteira, entre elas estão: estes animais podem se desenvolver em qualquer lugar e sob as mais diversas condições sujeitas a grandes secas, dispõe de pequeno espaço, geralmente 8 cabras comem o mesmo que uma vaca, a produção média é de 3 a 4kg de leite/dia/ animal, havendo casos de 5 a 6kg de leite/dia/animal, possui ciclo reprodutivo curto e maior números de crias por parto, fornece leite, carne e pele, sociável, mansa, rústica e integrase facilmente ao homem. O Governo do Estado do Ceará, juntamente com a Caprileice em convênio com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário –SDA, desenvolveram o Programa Compra Leite, onde o governo compra o leite de cabra com garantia de preço durante o ano e distribui para alimentação escolar para gestantes e idosos, nas localidades de Cascavel, Beberibe, Pacajus, combatendo a fome e adesnutrição e aumentando a eficiência e produtividade da atividade leiteira, inserindo o agricultor na cadeia produtiva. Já na cidade de Horizonte, esse programa está em fase de cadastramento. Também existe o Programa do Governo Federal, Fome Zero, que abrange a região de Quixadá, Choró, Banabuiú e Ibaretama, onde os produtores fornecem leite de cabra para programa, tratar-se de uma estratégia desenvolvida pelo Banco do Brasil, em parceria com Secretaria de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural (SAFDR), por meio do Programa de Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS). Além da garantia de compra do leite, os criadores estão recebendo, ainda, auxílio técnico na área de melhoramento genético, tanto para produção de carne como de leite. Com a junção dos dois programas, existe cerca de 112 produtores efetivos, produzindo mais de 10 mil litros de leite.

Rejane Bastos uma apaixonada por exposições agropecuárias

A engenheira agrônoma Rejane Bastos tem por exposições uma paixão, segundo ela “o Governo deveria fomentar políticas públicas que incentivem o desenvolvimento do setor agropecuário do Estado, pois são nas exposições agropecuárias que os criadores tem a oportunidade de certificarem do grau de evolução dos seus planteis expostos, através dos julgamentos que ocorrem no evento”, completa. Há oito anos ela vive o momento da exposição, com suas caracterizações com roupas que chamam a atenção de quem a vê nos eventos. Vestindo bota, chapéu, e todos os adereços possíveis, Rejane Bastos tem como um de seus objetivos a conscientização dos criadores da necessidades e das vantagens de pôr em prática os métodos de seleção zootécnica, incentivando-os ao controle e registro genealógico dos produtos obtidos e inscrição nos serviços de provas zootécnicas Rejane já trabalhou na Secretaria de Agricultura e Abastecimento em 1982, desenvolvendo projetos como o “Sertanejo”, “Programa da Cunha”, e durante treze anos interruptos foi Coordenadora Técnica da Expoece e há três anos é Coordenadora Administrativa e membro da Comissão Técnica das Exposições Agropecuárias do estado do Ceará.

A LUTA PELA CAPRINOVINOCULTURA

José Almir de Souza Proprietário das Fazenda Santa Rosa, em Reriutaba e da Fazenda Vertentes, em Santa Quitéria é um exemplo de perseverança na atividade que abraçou com um plantel de 100 caprinos e 60 bovinos, que juntos produzem cerca de 100 litros de leite/dia, ele é um entusiasta da caprinovinocultura, inclusive já realizou um trabalho de divulgação da Caprileice visando aumentar a produção de leite nos municípios cearenses, como um alimento de alto valor protéico e que deveria ser compartilhados com os prefeitos e o Governo do Estado. PECNORDESTE 2012

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ENTREVISTA

Presidente da FAEC diz que PECNORDESTE busca transmissão de conhecimento

O

ano de 2011 trouxe um saldo positivo regional, bem como na manutenção de práticas que impactam de grandes conquistas para o setor positivamente no cenário nacional. agropecuário brasileiro. Ano de muitos Mesmo diante dos avanços alcançados, é fundamental debates e discussões, produtivas recorde, destacar alguns problemas que afetam a pecuária nordestina, consumo interno e exportações crescentes. como a gestão do Agronegócio, com ênfase na inserção Exigiu do setor agropecuário não somente a dos agricultores familiares como alavanca do processo de força e a competitividade, mas o dinamismo e a competência desenvolvimento, ao lado de outras variáveis coml alimentação, necessários para continuar produzindo alimentos de qualidade sanidade, nível genético, manejo, assistência técnica, e acesso e a baixo custo. O setor agropecuário tem se mostrado um ao crédito rural. importante componente na Neste contexto, o XVI Seminário formação do produto interno Nordestino de Pecuária se insere Bruto da economia brasileira, como um importante evento de O tema geral do evento será "A Pecuária corresponde a 25% do nosso caráter regional, mas de abrangência Nordestina e o Novo Código Florestal, PIB e a 37% dos empregados nacional, que estimulou durante todos assunto em evidência e que ainda está gerados no Brasil, de acordo estes anos a discussão de temas que sendo discutido na Câmara Federal, uma com a CNA. apontam para o desenvolvimento conquista para o setor em 2011 que A demanda crescente sustentável do nordeste, apoiado no apresenta possibilidades de consolidar por produto de origem fortalecimento do agronegócio da o Brasil como potência agrícola e animal, tanto no mercado pecuária e na solução das questões ambiental”, interno quanto no mercado ambientais. O PECNORDESTE interno quando no externo, contribuiu positivamente para o Presidente da Faec, Flavio Viriato de Saboya tem propiciado a pecuária, a desenvolvimento da pecuária regional, Neto, que após receber as sugestões de temas obtenção de bons resultados criando oportunidades para um da comissão organizadora, resolveu escolher econômicos para os amplo debate, através da capacitação o código florestal como tema central. produtores e exportadores, de técnicos e produtores rurais, como tem contribuído, discutindo e propondo dos problemas significativamente, para o que afetam a pecuária nacional. crescimento da economia TRANSMISSÃO DE CONHECIMENTO nacional e para a melhoria dos indicadores de desenvolvimento Estamos numa trajetória de dezesseis anos, com humano e social. grandes investimentos em transmissão de conhecimentos e Na pauta das exportações, a pecuária representa um tecnologias, capacitação e estímulos á integração da produção bom desempenho para a balança comercial, contando com com os mercados de insumos e de consumo, como também 38% das exportações brasileiras. Mesmo adiante do cenário a integração do agronegócio da pecuária regional com o da internacional e da crise esperada para 2012 das economias pecuária nacional. desenvolvidas, que podem contrariar a demanda mundial, as projeções para o desenvolvimento das exportações do setor neste ano são promissoras e indicam que devem chegar a US$ Revista Municípios- Dr. Flávio, por que a escolha do tema 92,9 bilhões, mantendo - se positivas em relação a 2011, cujo “Pecuária Nordestina e o Novo Código Florestal”, para o valor foi de US$ 90,3 bilhões, segundo dados da CNA. PECNORDESTE 2012? NOVAS ALTERNATIVAS Flávio Saboya- Com a aprovação, pelo Congresso Nacional, No caso da pecuária nordestina, com atenção especial ao semi - árido, os setores envolvidos trabalham arduamente na do novo Código Florestal, será por demais justo que se relacione busca e no desenvolvimento de novas alternativas e tecnologias o nosso grande evento PECNORDESTE ao novo dispositivo, que para obter um melhor desempenho e contribuir para o equilíbrio dita as normas ambientais do setor agropecuário.

ENTREVISTA FLÁVIO SABOYA

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Revista Ceará e Municípios


C.M. O Código Florestal aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pela Presidente Dilma Rousseff, atende os anseios dos produtores rurais? F.S.- Não restam dúvidas de que o Novo Código Florestal que aí está, contempla os produtores de alimentos, notadamente, aqueles de pequeno e médio porte, considerando que estes são os que menos usufruem das políticas públicas do governo. R.M.- Qual a atuação da Presidente CNA, Senadora Kátia Abreu, na aprovação do Código Florestal? F.S.- Como não poderia deixar de ser, a Presidente da CNA teve uma forte atuação para que se obtivesse um documento, que não só beneficiasse os ambientalistas ou a frente parlamentar ruralista, mas, sobretudo, o Brasil como um todo, visando um maior crescimento da economia do setor primário, obtendo como resultado um maior volume da produção agropecuária, permitindo ao consumidor o produto mais barato do mundo R.M.- A FAEC apresentou suas propostas para a nova Lei Ambiental junto à SEMACE, quais as principais mudanças sugeridas? F.S.- Não se trata de uma lei ambiental, apenas a FAEC colaborou na elaboração de uma nova Resolução do Conselho Estadual do Meio Ambiente – COEMA, que atualiza os critérios e parâmetros aplicados aos processos de licenciamento ambiental, notadamente para as atividades do setor agropecuário, face as suas especificidades naturais. R.M.- A FAEC tem hoje o senhor como representante da CNA para a região Nordeste, com assento no Conselho Deliberativo da SUDENE. Qual a importância desta participação e o que o senhor já apresentou àquele Conselho? F.S.- A nossa indicação pela CNA, para representá-la junto ao Conselho Deliberativo da SUDENE – CONDEL, em âmbito regional, tem uma inusitada importância, não só para a Federação da Agricultura do Ceará, como para o setor agropecuário como um todo, o que devemos exercer a função em estrito interesse das ações exercidas pelo sistema sindical rural, em prol do crescimento do setor primário e do bem-estar dos produtores rurais e de seus familiares, especialmente neste momento crítico por que passam os pequenos e médios produtores rurais, face a devastadora seca que se abate na região. R.M.- Nós estamos vivendo um dos momentos mais difíceis este ano com uma seca no Nordeste nunca vivida há anos, o senhor

Flávio Saboya, presidente da FAEC

acha que ainda faltam políticas públicas eficientes para o enfrentamento desta situação de calamidade? F.S.- As políticas públicas emanadas dos governos estaduais e federal são insuficientes para atender as necessidades e, em especial aqueles integrantes das atividades rurais, com mais gravidade quando se trata de problemas relacionados com os estados de emergência e/ou de calamidade pública, que atingem um contingente específico de pessoas abrangidas por situação de seca e/ou de estiagem prolongada R.M.- Que sugestões a FAEC apresentou ao Governo e ao CONDEL com relação ao enfrentamento da seca em nosso Estado F.S.- Na realidade, as propostas preliminares elaboradas são da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA que, através da FAEC e do seu Presidente, foi apresentada ao Conselho Deliberativo da SUDENE – CONDEL e para a Diretoria da CNA. Referidas propostas, a seguir elencadas, além de outras, visam minimizar os efeitos da grande estiagem que se abate sobre o Nordeste e, notadamente, em nosso Estado, as quais estão caracterizadas como medidas imediatas, ─ Suspensão, pelo Governo Federal, dos pagamentos das parcelas de financiamentos rurais vencíveis no exercício de 2012.  Sobrestar as execuções judiciais, relacionadas com o financiamento rural, durante os exercícios de 2012 e 2013, paralisação, em 2012, das vistorias de propriedades rurais, pelo INCRA, aprovação, pelo Conselho Deliberativo da SUDENE-CONDEL, de crédito rural, em caráter emergencial; de sustentabilidade das atividades rurais, liberação PECNORDESTE 2012

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ENTREVISTA de créditos rurais, agrícola e pecuário, com juros compatíveis com a atual situação emergencial, utilização imediata das áreas disponíveis nos Perímetros Irrigados Federais; de suporte instituição de uma linha especial de crédito, em caráter emergencial, para as atividades de irrigação de até 3 (três) hectares, beneficiando os pequenos, os pequenos médios e os médios produtores rurais, acoplada com medidores de energia elétrica de dupla tarifa; oferta, pela CONAB, até o mês de abril de 2013, de milho, no sistema Venda Balcão e as de atuação imediata da CNA Intermediar a instituição de uma linha específica de crédito, tendo como beneficiários os pequenos e médios produtores rurais, inclusive destinada ao financiamento da cultura da palma forrageira, Estabelecer o rito sumário para a concessão de todo o crédito emergencial, independente do porte do beneficiário e do respectivo valor financiado, Instituir uma tarifa reduzida de energia elétrica para o pequeno e médio irrigante, com duração de até 12 horas, acoplada com medidores de energia elétrica de dupla tarifa, disponibilizada pelas

empresas concessionárias de energia,  Disponibilização, pela CONAB, de milho para os produtores rurais atingidos pelos efeitos da seca, no Sistema “Venda Balcão”, a preço de R$ 21,00 por saca de 60kg, para os pequenos e médios produtores,  Suspensão, até 30.09.2013, da cobrança dos tributos PIS/COFINS, nas operações de aquisição de rações para a alimentação de seus rebanhos,  Elevação do preço, por litro de leite, pago aos pequenos e médios produtores, pelo Governo Federal, através do Programa Leite Fome Zero, que hoje é de R$ 0,62 por litro do produto. R.M.- A FAEC trabalha para que as medidas de caráter emergencial, os programas e projetos beneficiem também, o médio produtor rural, o senhor acha que o médio produtor rural está esquecido? F.S.- As propostas apresentadas objetivam contemplar todo o contingente de produtores rurais, prejudicados pelos efeitos nefastos de mais uma seca de grandes proporções que ocorre no presente ano. Ressalte-se, porém, que o produtor rural de pequeno e médio

porte, vem sendo posto à margem dos benefícios proporcionados pelos governos, há algum tempo, face sua própria condição de médio, tendo em vista que os pequenos são sempre bem aquinhoados e os classificados como grandes, pouco necessitam de ajuda governamental. R.M.- O que a FAEC espera com a realização do PECNORDESTE? F.S.- O Seminário Nordestino de Pecuária – PECNORDESTE já é, plenamente, consagrado como o maior evento relacionado com o crescimento da pecuária regional, mercê de seus alentados resultados que, a cada ano de sua promoção, são superados em relação as suas edições anteriores. Tratase do único evento do setor a contemplar nada menos do que dez segmentos de atividades, oito dos quais vinculados diretamente ao setor primário, contemplando, ainda, as atividades não agrícolas no meio rural, representadas pelo turismo no espaço rural e natural e pelo artesanato. É um certame que a cada ano de sua realização, apresenta atividades de renovação tecnológica.

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Parlamentares e gestores destacam papel do Pecnordeste “Ou nós mudamos, ou iremos desaparecer, por isso devemos aprender alternativas de convivência com a seca, diz o Presidente da FAEC durante lançamento do evento na Assembleia Legislativa do Ceará”. Flávio Saboya - presidente da FAEC

C

Paulo Helder Braga, Coordenador do Pecnordeste apresentou o Seminário aos parlamentares

om a presença dos Deputados Hermínio Rezende, presidente da Comissão de Agropecuária e Recursos Hídricos da Assembleia Legislativa, Manoel Duca da Silveira, terceiro secretario da mesa diretora e da Deputada Fernanda Pessoa, do Secretario de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, Nelson Martins, e diversos representantes do segmento produtivo da pecuária a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceara, lançou no dia 29 de maio, na Assembleia Legislativa, o XVI Seminário Nordestino de PecuáriaPecnordeste e a XVI Feira de Produtos e Serviços Agropecuários. Educação do homem do campo Presidente da FAEC, Flávio Viriato Saboya Neto, a grande preocupação é buscar alternativas de sustentabilidade para as propriedades nordestinas e cearenses, composta 85% de pequenos proprietários. Saboya acha que o grande problema ainda é o homem, ou seja, preparar o homem para conviver com

as adversidades do semi-árido.Temos um manancial importante de água acumulado de 17 bilhões de metros cúbicos d’água, programas de capacitação e de gerenciamento da propriedade. De acordo com Saboya, quem mais sofre é o pequeno agricultor. Ele destaca que 85% das propriedades contam com menos de 100 hectares, tornando-se um desafio à sustentabilidade de propriedade deste porte. “Este ano iremos presenciar um Pecnordeste com belos animais, concurso leiteiro, tudo isso numa época de estiagem muito forte. O Pecnordeste é voltado também para alternativas de convivência com a seca”, completou o Flávio Saboya, solicitando à sua equipe para incluir a Convivência com a Seca, dentro dos segmentos do Pecnordeste para a próxima edição. SECA NÃO DEVE SER OBSTÁCULO Na ocasião o coordenador geral do PECNORDESTE,, Engº, agrônomo Paulo Hélder de Alencar Braga, apresentou toda a programação que envolve dez segmentos da cadeia produtiva do Agronegocio: apicultura, aquicultura

e pesca, avicultura, artesanato, bovinocultura, caprinovinocultura, equinocultura, suinocultura e turismo rural. Mesmo com um este grave período de seca, temos que mostrar o que o Ceará, tem que continuar realizando eventos do porte do PECNORDESTE, porque é uma oportunidade de trocarmos experiências e até de nos fortalecermos diante da gravidade climática, disse o coordenador geral do Pecnordeste Não podemos nos abater, temos que enfrentar, dar respostas positivas e no PECNORDESTE serão mais de 150 atividades durante os três dias de eventos, incluindo 90 cursos. O leite produzido nas baias será utilizado para produção de produtos lácteos pelos técnicos do Senar, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que vão ministrar também vários míni-cursos e oficinas de produção e capacitação.Para o superintendente do Senar-Ce, Anízio de Carvalho Junior, presente ao lançamento do evento na Assembleia, estamos vivendo a era da informação e o Senar está cumprindo seu papel dentro deste contexto também no PECNORDESTE. PECNORDESTE 2012

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O QUE ELES PENSAM Secretário Nelson Martins destaca PECNORDESTE

O Secretario de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará (SDA), Nelson Martins, destacou a importância do Seminário Nordestino de Pecuária (Pecnordeste), dada a sua amplitude, mas destacou três aspectos: o primeiro como um mecanismo importante que serve para a comercialização e divulgação da nossa pecuária. Em segundo lugar, a preocupação do Pecnordeste em fazer um trabalho de inovação, mostrando novas tecnologias e o ponto mais forte, de acordo com o Secretário é a educação. O melhor investimento que se faz é no homem, na sua capacitação, pois os dirigentes passam e ele é quem fica para dar conta da produção. “Acho que a FAEC cumpre muito bem este objetivo, e um dos exemplos mais importantes é a parceria permanente do debate que se realiza no Agropacto [Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense], que se reúne semanalmente, promovendo quase que uma capacitação dos produtores com temas dos mais importantes, de modo que vocês dão um grande exemplo, promovendo esta capacitação, eu estou tentando melhorar esta parte na Secretaria”, disse Nelson Martins.

anisio carvalho júnior superintendente do Senar-CE O PECNORDESTE hoje é o maior evento da pecuária brasileira no que diz respeito a área de capacitação, existem alguns eventos grandes, mais voltado para feiras com rodeios, mas o PECNORDESTE é especificamente voltado à capacitação, esse é o maior evento da pecuária brasileira. Isso já diz da sua importância, o PEC é um evento voltado para formar o produtor rural, o pecuarista que venha ao evento receberá novos conhecimentos, se atualizará ano a ano, haja vista que nós vamos realizar o 16º esse ano, e cada ano a frequência aumenta, nós somos procurados por um maior número de pessoas, aumenta a parte de stands de feiras. O produtor sente que vindo ao PECNORDESTE ele vai realmente acumular conhecimento, ele vai sair mais preparado para enfrentar o ano seguinte. DUAS PALESTRAS GLOBAIS ABERTA AO PÚBLICO A cada duas horas apresentará uma vasta programação incluindo seminários, mesas redondas, oficinas de capacitação, minicursos, feira de produtos e serviços agropecuários, encontro dos secretários municipais, Mostra Pet, PECLEITE (concurso leiteiro), e duas palestras globais abertas ao público uma com o mesmo tema do Pecnordeste e outra sobre a “A importância da Transnordestina para o desenvolvimento da pecuária regional, que será ministrada pelo Diretor de Infra estrutura e Logistica da CNA, José Ramos Torres de Melo Filho.” e A Pecuaria Norstina e o novo Código Florestal, a ser ministrada pelo deputado federal Raimundo Gomes de Matos, presidente da Comissão de Agropecuária da Camara Federal. 30

Revista Ceará e Municípios

NÚMEROS DO PECNORDESTE •50 caravanas •280 expositores •R$ 38 milhões em negócios •150 atividades •81 palestras setoriais •2 palestras globais •15 mesas redondas •2 painéis •14 oficinas •11 minicursos •2 Dias de Campo

DEPUTADOS DESTACAM PAPEL DO PECNORDESTE O deputado estadual Manoel Duca, que é presidente da Subcomissão do Caju da Assembleia, destacou que falta ao Ceará conhecimento técnico e vontade política para transformar a realidade do campo. Embora, os produtores cearenses tenham que vencer este período de seca a melhor alternativa, segundo ele, é potencializar os Perímetros Públicos Irrigados para receber culturas variadas. Para o presidente da Comissão de Agropecuária e vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional, Recursos Hídricos Minas e Pesca da Assembleia Legislativa, Hermínio Resende (foto), o Pecnordeste irá acontecer num período difícil, já que o Estado sofre com a estiagem. No entanto, segundo o parlamentar, é necessária a participação de produtores no Pecnordeste para que tenham conhecimento sobre as alternativas tecnológicas disponíveis. “O Governador Cid Gomes já está preocupado com o próximo ano, pois se a seca persistir como o agricultor irá plantar? Temos é que desenvolver políticas públicas de convivência com a seca, caso contrário os produtores ficarão endividados” afirmou Resende. O parlamentar levou ainda um pedido do ex-presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Francisco Zuza de Oliveira, para isentar o ICMS sobre a ração de animais. Esta ação implicará numa queda significativa de custo para o produtor rural. “Não é possível imaginar que o poder público resolva todos os nossos problemas. O nosso produtor fica esperando São José, no dia 19 de março, se ele não vem com a chuva, esperamos uma resposta do Governo” ressaltou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC), Flávio Saboya. “Ou nós mudamos, ou iremos desaparecer, por isso devemos aprender alternativas de convivência com a seca” destacou. Segundo ele, o Ceará possui 64% de toda a água do Nordeste, significa dizer que o Estado conta com uma reserva hídrica de 17 bilhões de metros cúbicos de água armazenada.


O QUE ELES PENSAM

diretor de agronegócio da adece - Reginaldo Braga Lobo

c A Adece tem uma linha muito bem focada que é a questão de trabalhar os investimentos que hoje chegam no Ceará, e também, fazer uma provocação para futuros investidores. Essa questão do Código Florestal já se insere nesses investimentos que têm seus planos de negócios pensados e desenvolvidos para o estado do Ceará. O Pecnordeste pela sua história de 16 anos se apresenta como o principal evento voltado não só mas para a pecuária nordestina, mas para a pecuária nacional. Especificamente para o estado do Ceará, ele se apresenta como uma oportunidade de uma grande oficina onde se estabelece as relações entre produtores, instituições, entidades de pesquisa, entidades bancárias, ou seja o Pecnordeste hoje, tem sua relevância extrema e é importante exatamente para fazer a provocação do desenvolvimento do produtor rural.

Jorge prado Coordenador Técnico Cientifico A importância do PECNORDESTE é que ele traz coisas novas, traz novas tecnologias e isso é bom para o estado do Ceará, haja vista que o nosso produtor, está no campo, longe de tudo e o PECNORDESTE é como um prato de alimento para que ele busque e se saceie de tecnologias que podem ser utilizadas dentro da sua propriedade, com isso melhora a situação social dele e da família. Uma das novidades é a exposição do leite, que nós vamos colocar no Centro de Convenções 60 vacas leiteiras e 40 cabras leiteiras, num concurso para mostrar aos cidadinos urbanos que o leite não sai da caixinha, sai da vaca e sai da cabra.

EUVALDO BRINGEL PRESIDENTE DO INSTITUTO FRUTAL O PEC tem uma importância por sempre trazer novas atualizações, novas tecnologias para mobilizar toda a comunidade. E um evento desses é formado por várias associações, por vários sindicatos que se juntam para fazer o PECNORDESTE, então só ai, já é uma grande mobilização. É também de grande importância no momento em que anima todo o processo de pecuária, aproxima as instituições do Governo do Estado, do Governo Federal, dos Centros de pesquisas, das universidades, e isso faz com que todos estejam sempre se atualizando. O PECNORDESTE, já surgiu com esse critério de fazer negócios, de expor os produtos e sobretudo de trazer novas tecnologias.

Augusto Junior presidente da Adagri Sem dúvida nenhuma, é um seminário no qual traz novos conhecimentos para que seja disseminado com nossos produtores, não só do estado do Ceará, mas do Nordeste como um todo, inovando com tecnologias viáveis economicamente para aproveitar a produção e produtividade desse setor, tanto do estado como em todo o Nordeste. A Adagri que trabalha com a defesa agropecuária, está trazendo para o PECNORDESTE a questão do pleito que o Governo do Estado junto com o Ministério da Agricultura e a Organização Mundial de Saúde Animal para o Estado, tornar-se zona livre de febre aftosa com vacinação.

Dr. Rivônio MORAIS Superintendente do Banco do Nordeste É extremamente importante, ele é um dos maiores eventos de toda a pecuária nordestina, é uma oportunidade de negócios, de conhecer novas tecnologias. É de fundamental importância, tanto que o banco entende essa importância, que é um dos patrocinadores do evento e tem também uma participação efetiva. O BNB estará participando dentro do evento com uma palestra dos servidores.

Paulo Jorge - ARTICULADOR DE AGRONEGÓCIO DO SEBRAE -CE Como sabemos a pecuária é a principal responsável pelo desenvolvimento do Ceará na área do sertão. E o PECNORDESTE é de fundamental importância porque ele capacita os produtores de todo o Estado, através de seminários, palestras, encontros, o local onde é repassada toda a inovação tecnológica das universidades, dos órgãos de pesquisa como a Embrapa e isso é de fundamental importância porque é a oportunidade do produtor estar recebendo essas tecnológias e utilizando-as no campo.

Maria Luiza – superintendente federal do Ministério da Agricultura Ao longo desses anos o PECNORDESTE tem contribuído através de inovações e tecnológias e ao mesmo tempo vem trazer o homem do campo para aprender a modernidade, e isso tem feito com que o PEC tenha dado um incremento muito grande na agropecuária do estado do Ceará. PECNORDESTE 2012

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BOVINOCULTURA PROGRAMAÇÃO TÉCNICO - CIENTÍFICa diversificada

A

programação técnico científica foi elaborada com a participação de representantes de diversos órgãos públicos e privados e segundo o engo.agrônomo Jorge Prado, Presidente da Comissão, visa atender a demanda dos produtores, trazendo para o debate temas e informações tecnológicas importantes, devendo oferecer aos participantes uma programação diversificadas e com palestrantes de alto nível de conhecimento inclusive de nível nacional e internacional. Dez segmentos da cadeia produtiva do agronegócio estarão representados. Confira a programação O segmento de Bovinocultura coordenado pelo eng. agrônomo Eduardo Queiroz (foto), mostra os projetos em desenvolvimento no nosso estado, como o Projeto Balde Cheio, PAS Leite e Educampo, tem como novidade o “Dia de Campo Virtual”, durante o III Seminário Tortuga Nordeste com Apresentação do projeto da Fazenda Flor da Serra - Proprietário Luiz Prata Girão”. Seguirá com as seguintes palestras: “Manejo e aproveitamento de dejetos no sistema de produção de leite”,

“Palma na alimentação de vacas leiteiras”, Programa Estadual de controle e erradicação da Brucelose e Tuberculose no Ceará”, “Especialidades nutricionais: pensando na LONGEVIDADE e PRODUTIVIDADE da vaca leiteira”, “Novos conceitos em recria leiteira: pensando na vaca excelente”, “Planejamento da utilização de alimentos volumosos nos sistemas de produção do Semiárido Brasileiro”, “Estratégias para a redução do estresse de vacas leiteira”, “Produção de leite a pasto: manejo de pastagens como ferramenta de auxílio na alimentação de vacas leiteiras.”

Coordenador Técnico Cientifico do PECNORDESTE Jorge Prado

Vacinação febre aftosa é lançada em Sobral

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cumprindo 76% das exigências, um crescimento de 14% se comparado com o ano anterior. Intensificação Segundo Augusto Júnior, a Adagri intensificará o trabalho em pelo menos quatro vertentes. "Vamos continuar, de forma intensiva, a fiscalização nas fei-ras agropecuárias e pedimos a contribuição dos organizadores para que nos comuniquem e facilitem nosso trabalho, principalmente em Paca- “Quero estar em 2013 acompanhado do governador Cid Gomes jus, Cascavel e Quixadá", na França, para recebermos o certificado de que o Brasil é um país livre da febre aftosa”. afirmou. Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho Outro ponto importante diz respeito matadouros, também receberão atenção às barreiras do Ceará para que animais especial, assim como o controle de do Rio Grande do Norte e da Paraíba não vacinação nas farmácias veterinárias. entrem no Ceará. São os dois Estados do Conquistas Nordeste que alcançaram nota menor O presidente também destacou as que 70 na avaliação do Mapa. "A Polícia conquistas da Adagri no último ano. Um Militar e a Polícia Rodoviária Federal já delas foi a aprovação pela Assembleia estão nos apoiando nessa fiscalização. Legislativa do Fundeagro, que indeniza o O Estado de Pernambuco que faz produtor quando um animal é sacrificado. fronteira com a Paraíba está empenhado O fundo, de acordo com Augusto Júnior, nisso", disse Augusto. As propriedades é formado por 10% de tudo aquilo que a próximas às áreas de risco, como lixões e Agência arrecada. divulgação SDA

A Campanha de Vacinação Contra a Febre Aftosa de 2012 foi lançada pelo governador do Ceará Cid Gomes, acompanhado do Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, no último dia 1º de junho em Sobral. A solenidade aconteceu no Parque de Exposições João Passos Dias, e contou com a presença de prefeitos e lideranças políticas de várias cidades da zona norte. O senador Eunicio Oliveira e o deputado federal Raimundo Gomes de Matos também prestigiaram o evento. A meta para este ano é superar os números de 2011 quando o Ceará bateu todos os recordes estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, vacinando mais de 94% do rebanho. O Ceará tem cerca de 2 milhões e 500 mil animais, entre bovinos e bubalinos. Segundo o presidente da Agência de Defesa da Agropecuária do Ceará (Adagri), Augusto Júnior, 263 propriedades serão escolhidas por sorteio, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 138 Municípios do Ceará. Os animais selecionados terão de seis a doze meses, podendo se estender até 24 meses. A sorologia será feita em 30 animais de cada propriedade. O Ceará passou pela auditoria do Mapa em março e conseguiu nota 3 na avaliação que vai de um a cinco,


Sebrae incentiva produção de leite no interior

O

negócio da pecuária leiteira vem sendo desenvolvido pelo SebraeCE, nas três principais bacias leiteiras do Estado: Sertão Central (Quixeramobim), Vale do Jaguaribe (Limoeiro do Norte, Morada Nova, Jaguaribara e Jaguaribe) região centro Sul (Iguatu e Quixelô) em três projetos básicos : Balde Cheio, Educampo e Pás leite,este ultimo em parceira com a União dos Produtores de Leite de Iguatu, Upece. BALDE CHEIO- é um programa modelo já desenvolvido pela Embrapa São Paulo, que visa melhorar a gestão e a produção para aumentar a produtividade, através da implantação de unidade demonstrativa-UD de leite em pequenas propriedades rurais do Brasil. No ceará, o Programa Balde Cheio iniciou em maio de 2011, em parceria com a Empresa Betânia, Sistema Faec/ Senar, Secretarias de Agricultura de Quixeramobim e de Morada Nova e o Sebrae, atendendo atualmente a 60 produtores no município de Quixeramobim, todos clientes da Betânia. Segundo o articulador de agronegócio do Sebrae-CE, Paulo Jorge Mendes Leitão, o programa vem apresentando excelentes resultados na questão da produção de volumosos de qualidade, através

da implantação de unidades de pasto rotacionado, balanceamento da ração, controle zootécnico, controle econômico financeiro, e a recuperação de pastagens, sendo realizado inicialmente o diagnóstico de todas as propriedades. Em Quixeramobim: 30 produtores atendidos e em Morada Nova: 24 produtores atendidos pelo Programa Balde Cheio

EDUCAMPO - o Sebrae-Ce em parceria com a empresa Danone, atende a 17 produtores na região metropolitana (Maranguape) e do sertão central, (Quixeramobim, Quixadá) devendo ser ampliado para 33 produtores. O trabalho do Sebrae, é baseado em experiência já desenvolvida no estado de Minas Gerais, que visa basicamente trabalhar a gestão nas propriedades rurais, com o foco no incremento da produtividade e melhoria da qualidade do leite. Com o Educampo, o produtores recebem pela qualidade, quanto maior a qualidade do leite, maior o preço para o produtor. A empresa mede vários itens para chegar à qualidade do leite como : quantidade de células somáticas, proteína, contagem bacteriana total e o quanto maior estes índices maior a receita do produtor, que pode aumentar em média de R$ o,6 centavos, no litro de leite.

BALDE CHEIO: MORADA NOVA - Nº DE PROPRIEDADES ASSISTIDAS: 24 ÍTEM

AÇÕES

ANTES

DEPOIS

%

1

Uso de Inseminação Artificial

1

12

50

2

Exames Reprodutivos em Matrizes

0

158

20

3

Análise de Solos

0

16

67

4

Pastejo Rotacionado

1

13

50

5

Controle Zootécnico

0

20

83

6

Controle Financeiro

0

20

83

7

Vacina contra Aftosa

Sem Dados

24

100

8

Balanceamento de Concentrado

2

12

50

9

Custo de Produção

ALTO

MÈDIO

100

10

Pagamento de Contrapartida

0

18

75

11

Planejamento de Atividades

Sem Foco

24 (Foco na Produção de Leite)

100

12

Satisfação do Produtor

Sem Perspectivas

Visualiza Melhorias

100

DESENVOLVIMENTO DA BOVINOCULTURA LEITEIRA DE JAGUARIBE-CE N° DE BENEFICIÁRIOS

120

MUNICÍPIOS

JAGUARIBE, MORADA NOVA, JAGUARETAMA, JAGUARIBARA, ALTO SANTO, LIMOEIRO DO NORTE, IRACEMA, SÃO JOÃO DO JAGUARIBE, TABULEIRO DO NORTE E RUSSAS.

RESULTADOS

A Bovinocultura de leite é uma atividade de ciclo longo e, portanto, os resultados quantitativos aparecem a médio e longo prazo. - Melhoria da Renda do produtor

Ud – Fazenda Retiro Francisco Leitão Recuperação do Pastejo Em 5 meses a fazenda saiu de R$ 1.500,00 de prejuízo, para zero em novembro e possivelmente, R$ 500,00 de lucro líquido dezembro.

UD – FAZENDA BEIRA RIO. Antonio Lopes equipe na montagem do sistema de irrigação para 3000m² de capim tifton, produtor nunca havia produzido leite no verão por falta de alimento, já produz 400 litros por mês, deverá superar 500 até janeiro de 2012.

VI FESTIVAL DO QUEIJO COALHO DE JAGUARIBE O Sebrae-Ce participou ativamente do VI Festival do Queijo Coalho de Jaguaribe confira os ganhadores: 1° lugar – Francisco Adelino Diógenes – ME (Queijo SANTANA) 2° lugar – Gerson Eduardo Menezes Bezerra (Queijo MENBEZ) 3° lugar – Izaura Paes Diógenes Nogueira (Queijo da MAÇÃ) Resultado do I Concurso Melhor Prato a Base de Queijo Coalho: 1° lugar – Sorriso Lanche Prato: Arroz Piamontese 2° lugar – Casa da Empada Prato: Empada 3° lugar – Restaurante Talheres Prato:

- Recuperação da Auto-Estima do Produtor de Leite - Integração da Família na Atividade GANHOS DE PRODUÇÃO

Houve incremento na produção leiteira com novas técnicas de manejo alimentar e sanitário; como também descarte de animais que não estavam produzindo.

GANHOS DE FATURAMENTO

Ainda não temos como medir, mas sabemos que houve melhoria na renda do produtor.

N° DE OCUPAÇÕES

200

GANHOS TECNOLÓGICOS

Adoção de novas tecnologias, tais como: Recuperação da produção de volumoso de qualidade, Utilização de Inseminação Artificial, Melhoria e Implantação de Pastejo Rotacionado, Análise de Solos para recuperação da fertilidade, Utilização de Controle Zootécnico e Financeiro.

EXPORTAÇÕES

Não houve exportações no setor.

VENCEDOR VI CONCURSO DO QUEIJO COALHO REGIONAL

PECNORDESTE 2012

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AQUICULTURA e PESCA

O

segmento de Aquicultura e Pesca tem uma programação direcionada as seguintes palestras: “Marco institucional para a prática da Aquicultura no estado do Ceará”, “Perspectiva mercadológica da Tilapicultura Nacional”, “Novo Código Florestal e sua repercussão na Aquicultura Nacional”, “ Identificação e controle de enfermidades na Carcinicultura”, “Implantação de estaleiro para embarcações pesqueiras - Perspectivas de revitalização da Pesca Marítima”, “Rede da Aquicultura nas Américas - Papel importante da Aquicultura para a diminuição da pobreza e fome na América Latina e Caribe e mesas-abordando os eeguintes temas: Custos de produção da Tilapicultura - formatação e acompanhamento, Plano Aquícola Nacional - Política e sua implementação, Marco para o desenvolvimento da Maricultura Brasileira - Acquario Ceará e pesquisas em andamento no estado do Ceará.

Ce é o 2º maior produtor de tilápia Por ano, são cerca de 30 mil toneladas de tilápia, o que põe o estado do Ceará no topo do setor no país. Os dados são da Associação Cearense de Aquicultores (ACEAQ). E ainda segundo eles, a espécie é a mais produzida no território nacional (155 mil toneladas em 2010), seguida da carpa (94 mil ton) e do tambaqui (54 mil ton). Na soma das espécies, o estado cai para a quarta posição em volume de produção da aquicultura continental, procedido por Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina. A soberania do Ceará na produção de tilápia é explicada, entre outras coisas, pelo fato de as espécies terem sido introduzidas no Brasil pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), sediada em Fortaleza. “A partir de 1997, as iniciativas de cultivo para tilápias foram direcionadas a tecnologias de tanques redes. A disponibilidade de peixes de qualidade protéica, frescos e com constância, em diferentes mercados do estado ‘caiu no gosto’ de cearense de forma natural”, afirma o engenheiro de pesca e secretário executivo da ACEAQ, Antônio Albuquerque. Nos últimos dez anos, a pescado ganhou força com a profissionalização, tanto em ternos tecnológicos, como comerciais.

Ameaças Líder na produção, nos últimos tempos o Ceará tem visto o seu trono ser ameaçado pela entrada de tilápia a um menor custo, principalmente da Bahia e do Pernambuco. Albuquerque alega que os produtores desses estados reduzem o custo por conta da maior escala de produção e da constante renovação das águas devido as hidrelétricas. “Infelizmente, em se tratando de tilápias inteiras, eles têm adentrado o Ceará A tilápia é muito apreciada pelo cearense sem qualquer documento do processamento, embalagem, selo, que comprove a sanidade do pescado e que garanta a arrecadação rótulo”, explica o secretário executivo da fiscal. Em resumo, sem Selo de Inspeção ACEAQ. Ainda de acordo com ele, para Federal ou sem destino para plantas de que se possa implementar a produção beneficiamento que possuem tal selo ou o do filé é preciso que o restante do peixe também seja aproveitado, assim o selo estadual”, denuncia Albuquerque. A deficiência dos cearenses no produtor não perde com isso. Preço beneficiamento do filé é outro fator que Comparado aos pescados do atrai o produto baiano. “não é que se tenha mar, o valor da tilápia é quase 40% poucas indústrias [de beneficiamento do filé]. Os produtores cearenses estão menor, chegando a R$9/kg. O quilo realizando investimentos, porém o filé do filé, contudo, parece bem elevado, ainda é ‘caro’, corresponde a 30% do equiparando-se ao do peixe do mar, peso do peixe e existe todo o custo entre R$13 e R$15.

Quixelô promove Festival do Peixe

Com o aumento da criação de tilápias em gaiolas instaladas em várias comunidades ribeirinhas no Açude Orós durante a última década, o município de Quixelô resolveu comemorar os resultados positivos de aumento da renda familiar e melhoria de vida, de centenas de piscicultores, o 2º Festival do Peixe. que aconteceu no dia 24 de maio último na localidade de Jiqui, zona rural deste Município, Centro-Sul do Ceará. O evento foi promovido pela Secretaria de Agricultura do Município, em parceria com várias instituições que apoiam o projeto produtivo. Os primeiros criatórios começaram a ser implantados há dois anos e hoje totalizam nove grupos, beneficiando 124 piscicultores nas localidades

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de Jiqui, Boa Vista, Ilha Grande e Vassouras, no entorno do Açude Orós. Foram investidos R$ 1,5 milhão por meio do Programa de Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS), do Banco do Brasil, com recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os piscicultores comercializam o quilo do pescado a R$ 4,50 e a produção atual está em torno de 60 toneladas. Em toda a bacia do Açude Orós a produção chega em média, por mês, a 340 toneladas, oriundas de 40 grupos associativos de criação de tilápias e de sete mil tanques redes. "Essa produção é o dobro da verificada no Açude Casta-nhão", observa o engenheiro de pesca, Paulo Landim. "O mercado é amplamente favorável e a

demanda é crescente". O Festival do Peixe de Quixelô inclui apresentações culturais de jovens da comunidade, concurso de histórias de pescador, concessão de comendas e palestras sobre temáticas ligadas à atividade. As perspectivas da pesca no Ceará e as formas de atuação do programa de Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil foram explanadas para os participantes. O evento foi realizado nas margens do Açude Orós e foram instaladas cinco tendas para proteger os participantes do sol.


Cristiano Maia: Produção de Camarão pode chegar a 35 mil ton mesmo na seca

A

pesar da seca e da dificuldade no aumento das áreas de cultivo de camarão de cativeiro, tendo em vista a proibição da utilização de áreas de apicum e salgado pelas regras do novo código florestal, a expectativa é de um crescimento em torno de 20 a 25%, o que representa 35 mil toneladas nos cinco polos de criação no Estado. Não será possivel ampliar tanto a produção do Estado, o que deixa o presidente da Associação dos Criadores de Camarão em Cativeiro- ACCC e presidente da Câmara Setorial do Camarão Cristiano Maia triste, pois a criação do camarão nessas áreas, não agride o meio ambiente, pelo contrário, gera emprego e renda para 15 mil pessoas sem falar que a seca não atrapalha a produtividade. Veja o que diz o presidente da ACCC, Cristiano Maia: Revista Municípios: A seca que assola nosso Estado atrapalha a produção de camarão? Cristiano Maia: De forma alguma a seca atrapalha a produção de camarão, a nossa produção não será afetada em nada com essa estiagem, e sim com certeza o camarão pode ser uma boa alternativa de alimento também nesse periodo. R.M. O novo Código Florestal aprovado prejudica o crescimento da atividade? C.M. Isso prejudica o futuro, quem quer ampliar a produção de camarão não pode ficar na área de apicum e salgado, depois do levantamento do Governo, por causa do referenciamento dessas áreas. O que nós vamos fazer agora? Vamos falar com o Governo, voltar a falar com o Congresso Nacional, ver e discutir esse veto, negociar a medida provisória novamente. Até porque, o Estado é pobre, e a carcinicultura, emprega 15 mil pessoas lá no campo, gerando emprego e renda formais, todo mundo de carteira assinada. Estamos produzindo alimentos, pagando impostos, gerando empregos e não estamos em áreas que agridam o meio ambiente, assim é nosso pensamento. O apicum e o salgado, não tem vida. O camarão que colocamos é em uma água equilibrada para sobreviver com menos sal, senão nem ele sobreviveria. R.M. Qual a perspectiva de produção de camarão desse ano, em relação ao ano passado? C.M. Esperamos em 2012 novamente um crescimento de 10 a 20%, acredito que vamos chegar a 34 mil, 35 mil toneladas só com manejo das próprias fazendas, e que pode aumentar. No meu caso aumentei a minha área de produção, quem pode aumentar e

não estava no apicum nem no salgado que representa 65% do total, pode aumentar sua produção. R.M. Essa produção vai atender a demanda local e internacional? C.M. Nosso camarão fica todo no mercado interno, nós temos muita demanda, com a melhoria do salário da população e o menor preço do camarão hoje, em torno de R$10 reais na fazenda, e além disso, nós temos mercado. Todos os dias eu recebo ligação na Associação e na fazenda atrás de camarão. A população está comendo camarão, você vê camarão em qualquer self-service do país, então o consumo tem aumentado. O que tem-se que fazer para atender essa demanda é aumentar a produção, só tem esse jeito. Aumentando a produção, o camarão até baixa. Nós já estamos começando a pensar no camarão para ir pra fora, voltar a exportar, porque em 2005, 90% ia pro exterior, hoje fica todo Brasil. R.M. Porque essa mudança aconteceu? C.M. Nós baixamos o preço, aumentamos a produção e estimulamos às famílias a criar o hábito de comer camarão, conquistamos esse mercado às nossas custas, vendendo camarão a baixo preço de custo. Isso quem fez foi o produtor mesmo, nós baixamos o preço, para fazer o costume de comer camarão. A nossa luta hoje é para a importação, pois lá o salário mínimo é US$40, e não tem carga tributária, além do quilo da ração é R$0,70, aqui é R$2,00. O custo de produção asiático é muito menor que o nosso, se comparar com aqui, muitas fazendas irão fechar. Nós estamos tentando voltar a exportar para poder disputar com o mercado francês, que considera o camarão brasieliro, o melhor.

Cristiano Maia presidente da Associação dos Criadores de Camarão em Cativeiro- ACCC e da Câmara Setorial do Camarão

fora, se ele vier acondicionado, higienizado dentro de um equipamento frigorífico deve ser permitida a sua entrada para evitar uma competição de produtores das cidades vizinhas, porque senão, eles vão fazer o mesmo com o nosso produto. Ai fica uma guerra que eu não quero que aconteça.

R.M. E em relação a produção de tilápia do Ceará que está sofrendo com a entrada irregular de peixes da Bahia e de Pernambuco. Na sua opinião o que deve ser feito? C.M. Isso, às vezes, é uma faca de dois gumes, você começa a barrar o produto que vem de

R.M. E sobre a premiação do empresário Livino Sales, receber a medalha do Mérito Rural Prisco Bezerra? C.M. O camarão agora está na mídia, antes nós éramos meio ausente, e o Livino é um estimulador da situação. Ele conseguiu certificar o camarão desde sua origem até sair da fazenda e chegar na mesa, esse prêmio é um incentivo ao setor. Eu louvo a FAEC que teve a felicidade de escolher o Livino por ele ser um grande estimulador, ele tem laboratório, ele cria, faz o engorda de beneficiamente em três fases. É importante esse prêmio, pois é um estímulo para todo setor que ficou agradecido a FAEC pela escolha do Livino, e ele é uma pessoa que tem trabalhado muito por esse setor.

O produtor de camarão não degrada o meio ambiente, se o ambiente não estiver saudável o camarão pequeno não sobrevive no viveiro. Além disso, nós cumprimos o Plano de Monitoramento Ambiental, que está sempre atualizado e que acompanha a estrutura das fazendas de criação.

R.M. O camarão da Costa Negra está sendo certificado na Europa e por que não certificar em outras regiões? C.M. O certificado de camarão, só existe o nosso e na região da Costa Negra. Por que não certificar o restante das outras costas? A Associação está fazendo um trabalho de incentivo e estímulo para que também a Costa Leste, que tem o Vale do Jaguaribe como o maior produtor, produzindo 55% do camarão no Estado, e a tendência é que agente certifique. Pois, certificando você tem uma rastreabilidade, por isso que eu acho que há uma tendência muito forte do setor de camarão em todo o Estado em ser certificado. PECNORDESTE 2012

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caprinovinocultura

O desafio de organizar o mercado de carne ovina brasileira

A

produção de carne ovina está em processo de expansão, estimulada principalmente pelo elevado potencial do mercado consumidor e pela ampliação dos polos de criação de cordeiro, espalhadas pelo país. Outro fato que também tem contribuído bastante é a entrada de pessoas com visão empresarial nesse mercado, estimulando a profissionalização do setor e a divulgação da carne. Apesar de promissora e rentável, a cadeia de produção precisa vencer um grande desafio: a desorganização. De acordo com o ex-presidente da ABSI (Associação Brasileiro de Santa Inês) e da Câmara Setorial Nacional da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos, Ricardo Falcão, as causas do problema se devem, em parte, ao descaso do governo e, por outro lado, ao comportamento informal e despreparado do criador. Ele explica que o governo precisa investir em fiscalização, combatendo o abate clandestino e a comercialização inadequada da carne, que tanto pode se dá

pelas condições sanitárias do local de venda (feiras livres, frigoríficos), como pela falta de acompanhamento do plano de sanidade no âmbito federal, limitando a exportação. “Essas dificuldades atrapalham a profissionalização”, afirma. Crédito rural Outro aspecto necessário para a impulsão do mercado de carne ovina é a concessão, por órgãos competentes, de créditos rurais para os criadores, sobretudo os de pequeno e médio porte, que são maioria no setor. O objetivo é estimular o melhoramento genético do rebanho, exemplo do programa Pro-Genética criado para os bovinos. Profissionalização O criador também precisa fazer sua parte. De acordo com Ricardo Falcão, o primeiro passo é deixar de lado o amadorismo e a informalidade e avançar para um comportamento mais profissional, enxergando o abate de ovinos como um comércio potencial, rentável e formal, regido por certificações sanitárias, critérios técnicos e definição clara de objetivos e metas.

PROGRAMAÇÃO DO SEGMENTO DE CAPRINOVINOCULTURA O Pecnordeste traz uma vasta programação com as seguintes palestras: “Estratégias de coordenação da cadeia produtiva para superar os desafios da ovinocultura e da caprinocultura no Brasil”, “Panorama geral da Caprinovinocultura nacional: leite, carne e couro”, “Transferência de tecnologia como estratégia para o desenvolvimento rural sustentável”, “Bem estar animal”, “Alternativas de alimentação para caprinos e ovinos no semiárido”, “Produção de leite de cabra em pastagem cultivada”, “Criação de Cabras Nativas”, “Evolução da produção de leite de cabra no Nordeste”, “Produção de queijo de cabra como estratégia de agregação de valor”, “Diagnóstico, tratamento e prevenção das principais enfermidades de caprinos e ovinos no semiárido”, “Orçamento Forrageiro: Planejamento alimentar visando garantir a sustentabilidade da produção animal no semiárido nordestino”, “Controle integrado da artrite encefalite caprina – CAE” e a “Ovinos e Caprinos na integração lavoura-pecuária”.

Números

O efetivo de caprinos em 2010 foi de 9,3 milhões de cabeças, um aumento de 1,6% em relação a 2009. A região Nordeste do país mantém o maior efetivo de cabras, com mais de 90,0% do total nacional, tanto para produção de leite como de carne. Os principais municípios desse rebanho eram Casa Nova (BA), com 284,2 mil, Juazeiro (BA), com 184,5 mil e Floresta (PE), com 181,7 mil. Entre os 20 municípios com maiores efetivos, 10 estão na Bahia.

Ceará

O Estado é o 4º colocado com: 1 015 927 de efetivos de caprinos em 31.12 (cabeças)

Embrapa Caprinos e Ovinos inaugura Laboratório de Ciência e Tecnologia de Alimentos No último dia 18 de maio a Embrapa Caprinos e Ovinos fez a inauguração do Laboratório de Ciência e Tecnologia de Alimentos (LCTA). “Esta obra vem para nos ajudar a enfrentar desafios. Que as tecnologias aqui geradas possam ser adotadas pelos produtores. Que o leite de cabra não seja comprado somente por programas de merenda escolar, mas conquiste outros mercados. Que, em vez de importarmos queijos de outros países, tenhamos queijos produzidos aqui mesmo, gerando renda”, afirmou o chefe-geral Evandro Holanda Júnior. O Laboratório de Ciência e Tecnologia de Alimentos é um complexo de cinco laboratórios: Processamento de Leite e Derivados, Bioquímica, Microbiologia, Análise Sensorial e Físico-Química. Esta estrutura possibilita análises em bactérias probióticas em produtos lácteos; físico-química de leite e derivados e cárneos; bioquímica de leite e derivados e cárneos; proteases vegetais; contaminantes e patógenos 36

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em alimentos lácteos e cárneos. Na estrutura, foram investidos R$ 900 mil, em recursos do Governo Federal. Outros R$ 429 mil foram investidos na compra de equipamentos, entre recursos do PAC Embrapa, emenda parlamentar da bancada federal cearense e projetos de pesquisa. Evandro e Edilson Maia descerram placa


PECNORDESTE 2012

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suinocultura

Versatilidade da carne será apresentada no Boteco do Suíno

O

Boteco do Suíno será um ambiente, especialmente, criado para oferecer aos participantes do Pecnordeste a degustação de vários pratos com a carne suína. A novidade estará localizada no Bloco F, do Centro de Convenções do Ceará. No dia 14 e 15 de junho, o evento contará com a realização de oficinas para ensinar corretamente os tipos de cortes da carne. O curso será aplicado por Daniel Furtado. Além disso, os participante terão a oportunidade de aprender com a instrutora de culinária do Senac, Nilza Mendonça, a fazer pratos da culinária cearense, utilizando a carne suína, com degustação desses pratos após a aula. “A oficina de corte e de gastronomia irão demonstrar a versatilidade da carne suína no cotidiano do consumidor”, afirma Paula Braga, gestora do Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (PNDS) no Estado. De acordo com o 1º vice-presidente da FAEC, Paulo Helder Braga, que

Governador Cid Gomes em visita ao stand do Boteco do Suíno no PECNORDESTE 2011

preside a Associação dos Suinocultores do Ceará, o objetivo do PNDS é aumentar o consumo per capita da carne suína em 2kg, tanto a nível estadual como nacional. Hoje o consumo no Estado é de 5,5kg por pessoa, no País este consumo chega a 14,5 kg per capita por ano. O Boteco do Suíno faz parte de uma campanha do PNDS que foi encetado em todo o país, com vistas a ampliar a participação da carne suína na mesa

Quer o mesmo tratamento Depois de reuniões e consultas aos associados, o engenheiro agrônomo Paulo Helder de Alencar Braga, presidente da Associação dos Criadores de Suíno, viajou a Brasília, para tentar junto com o Ministério da Agricultura, resolver um problema para os criadores do Ceará, que querem receber o mesmo tratamento que foi dado aos criadores do Rio Grande do Sul, que adquiriram a saca de milho a R$ 21,00 e o produto para os do nosso Estado está sendo vendido a R$ 27,00, disse Paulo Helder. Os gaúchos foram tratados diferenciadamente devido a um pequeno veranico que tomou conta daquele Estado, "mas ocorre que nós também estamos passando por uma seca, diferente daquele Estado". Helder disse ainda que na sua estada em Brasília se reuniu com a bancada cearense a quem pediu apoio, "que é importante", comentou. 38

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do brasileiro, onde já se vislumbra alguns resultados positivos. Entre eles, Paulo Helder destaca o aumento do consumo per capita nacional que era de 13 kg, e hoje é de 14,5 kg por pessoa. Além disso, segundo o presidente da ASCE a apresentação nas gôndolas dos supermercados com cortes que facilitam a vida da dona de casa, também melhorou.

PROGRAMAÇÃO SUINOCULTURA

O justo é R$ 21,00, preço liberado para o Rio Grande do Sul quando enfrentaram seca

Afirmou o presidente da Associação Cearense de Suinocultores, Paulo Hélder, em reivindicação à Conab para a redução do preço da saca do milho atualmente a R$ 27,00.

O setor de sunicultura terá uma programação diversificada, com apresentação de painéis, mesas-redondas, oficinas e as seguintes palestras: “Panorama da Suinocultura Brasileira”, “Importância da gestão de dados na Suinocultura”, “Controle das emissões contaminantes (dioxinas, metais pesados e micotoxinas) em produção animal”, “Gestão Ambiental: Importância, risco e questões práticas”, “Produção Sustentável: Oportunidades de conhecimento e viabilidade para a instalação de biodigestores”, “: Linhas de Crédito para a Suinocultura”, “Recentes avanços na utilização de enzimas para suínos”, “Suplementação Nutricional para incremento de resultados em nuliparas e primíparas”, “Importantes aspectos fisiológicos a serem considerados na nutrição do leitão desmamado”, “Atualização em nutrição de cachaços” e “Análise de falhas reprodutivas”.


XI Simpósio ACETAV discute uso de ácidos orgânicos

Outras novidades da programação científica AVICULTURA

Entre as novidades destacase a realização do XI Simpósio ACETAV, e um dos palestrantes será o Frédéric Beaujean - Gerente Sênior – Europa e América – Perstorp Performance Additives, com a palestra: “O Uso de Ácidos Orgânicos em Avicultura”. A programação segue com as seguintes palestras no decorrer do evento “Ganhos econômicos x Índices zootécnicos em postura comercial, Micotoxina e Sistema Imune.” “Existe Correlação?, Gestão e alternativas para agregação de valor aos resíduos da Avicultura”, “Importância de dietas pós - eclosão e pré-iniciais para Aves”, “Instrução Normativa 56 / 59”, “GTA Eletrônico, Fitase e suas implicações na digestão e absorção de nutrientes”, “Qualidade intestinal, seus benefícios e alternativas”, “Integridade intestinal de frangos de corte quanto ao uso de novos aditivos nas dietas modernas”, “Uso de óleos essenciais na avicultura “, “Balanço eletrolítico e equilíbrio ácido – Base”, “Problemas locomotores e prevenção utilizando minerais orgânicos.

EQUINOCULTURA

Aulas práticas, palestras e mesasredondas. As Aulas práticas serão sobre Adestramento - Prática de flexionamento e equitação, o Manejo de problemas dentários nos eqüinos, Avaliação Clínica dos problemas de locomoção nos eqüinos realizadas no Aras Japuaharas em Caucaia e no Sítio Shanadu em Aquiraz, As palestras serão realizadas no Centro de Convenções, abordando os temas: “Influência do flexionamento na prática da equitação”, “Influências dos problemas dentários na saúde e performance dos eqüinos” e uma mesa

redonda com o tema: “Sanidade Equina - Cuidados e desafios.”

ARTESANATO

Palestras e oficinas abordando a Preservação do Meio Ambiente através do artesanato sustentável, com oficinas de Beneficiamento da Fibra da Bananeira, com a fibra beneficiada usando técnicas artesanais - Bordado,

ESTRUTIOCULTURA

Sua programação está composta por uma mesa redonda, realizada no dia 20, abordando o tema: “Programa para a Estrutiocultura no Ceará”, ministrado por Valter Mendonça Falci - Diretor comercial da O.A. Criatório de Avestruz Ltda e Pedro de Alcântara Pitombeira Maia - Engenheiro Agrícola com especialização em Irrigação e Drenagem e em Fitossanidade, ocupa atualmente a Coordenação de Agronegócio da Secretaria da Agricultura e Pecuária de Sobral.

TURISMO NO ESPAÇO RURAL E NATURAL

Com as palestras: “As oportunidades de negócios para o turismo rural visando a Copa de 2014”, “O espaço, a paisagem e a arquitetura no turismo rural”, “Eventos na sua propriedade – como agregar valor ao seu produto rural”, “Caso de Sucesso: Gospel Fazenda Park Hotel”, “Um Chef no turismo rural – dicas para incrementar seu cardápio”, com a mesa redonda abordando o tema: “Debate sobre as atuais leis do Turismo Rural (PLC 19/2011).

Balcão Tecnológico

Serão apresentados algumas instituições locais que fomentam a inovação tecnológica. O balcão tecnológico foi dividio em três ambientes, o primeiro é o das instituições André Siqueira tecnológicas, coordenador do balcão onde estam sendo tecnológico apresentados aos visitantes do PECNORDESTE as novas tecnologias, ou tecnologias que ainda não estão no mercado, dentre elas a Embrapa e o Renorbio, através do doutorado da Rede Nordeste de BioTecnologia. Segundo o coordenador, André Siqueira, “existem algumas tecnologias envolvendo o Nordeste que podem ser utilizadas no mercado, e essas tecnologias serão todas apresentadas na primeira parte do balcão”. O outro segmento do balcão é reservado para as incubadoras, que são instituições que ajudam as empresas a surgirem e a conquistarem seu mercado. “Vamos imaginar, que eu chegue no balcão tecnológico, vi uma tecnologia interessante lá exposta e vou querer empreender e usar aquilo na minha empresa, então eu posso pegar aquela ideia, ir na incubadora de empresa e pedir apoio, de como vai se formalizar, como vai registrar a empresa, então a incubadora serve para isso, até ele poder andar com as próprias pernas”, afirma André. Para fazer isso, foi convidado a Rede de Incubadoras do Ceará, que tem sete empresas que estarão apresentando no PEC. O último segmento do balcão são as instituições de fomento financeiro, segundo Siqueira “elas apoiam com recursos financeiros pesquisas e empresas. Para isso nós convidamos a Funcap e o BNB que vão apresentar seus editais de como acessar recursos para essa inovação”.

I Feira Pet disponibiliza serviços para o seu animal de estimação Outra novidade do XV Seminário Nordestino de Pecuária é a realização da I Feira PET que reunirá, de 14 a 16 de junho, no Bloco G, do Centro de Convenções do Ceará. A ideia é reunir desde aficcionados até profissionais do ramo, como adestradores, veterinários, pet shops, criadores e fabricantes de itens voltados para o mercado pet. A programação esta sendo coordenada pelo KENNEL Clube, AVIPEC e Prática Eventos. O evento vai contar com um Desfile de Animais, Concurso do Animal Mais Bonito e Mais Bem Cuidado, banho e tosa, sorteios, adestramento, adestramento e apresentação dos canis das policias Militar e Rodoviária Federal. Além disso, a Feira PET irá disponibilizar animais para adoção e, também, clínicas veterinárias com profissionais especializados que irão prestar atendimento aos animais dos visitantes. O cliente deverá apresentar o cupom de compra de produtos ou serviços das empresas participantes da Feira. PECNORDESTE 2012

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SeminÁrio de Apicultura e Meliponicultura APICULTURA E MELIPONICULTURA A programação do segmento de apicultura tem como novidade o Seminário de Apicultura e Meliponicultura, durante todos os dias do evento (19,20 e 21), trazendo as seguintes palestras: “ Qualidade do mel: padrão para o mercado externo”, “ Sanidade Apícola: riscos para a produtividade e qualidade do mel”, “Produção de rainhas nas condições do semiárido”, “ Produção de colônias em abelhas africanizadas, Estratégias para exploração do mercado interno de produtos apícolas”, “Projeto Meliponários Urbanos, Polinização do Cajueiro, S.I.E.: Registro de instalações para processamento de mel”, “Defensivos agrícolas: riscos e manejo para proteção das colméias”, “ Meliponicultura: A importância das espécies vegetais de floração em massa para abelhas sem ferrão e Clinicas de capacitação de produtores”, com a presença de autoridades e lideranças do setor. Todas ministradas por médicos veterinários, engenheiros agrônomos, professores ligados ao setor.

CE atingiu a segunda colocação em produção de mel no País Um total de 4.735 toneladas/ano, perdendo apenas para São Paulo.

O trabalho que foi desenvolvido durante o ano de 2011, no 1º Destaque do Sebrae – Ce – Escritório Regional de Crateús – 2011, desenvolvimento da cadeia produtiva da apicultura no território Crateús - Inhamuns, envolveu 18 municípios beneficiando 1037 famílias de apicultores que já obtiveram 37.000 Colméias. No ano de 2011 foi produzido por estas famílias 950 toneladas de mel em todo o território. Com o evento, foi possivel ao Sebrae dar consultorias tecnológicas direcionadas para a implantação e monitoramento do programa de alimentação dos enxames, manutenção da infra-estrutura dos apiários mais antigos, por meio da construção de suportes resistentes para sustentação das colméias, nos mais variados modelos, visando eliminar os riscos de prejuízos causados pela queda dos enxames mais pesados e populosos, ou seja, daqueles com maior reserva de alimento, aos apicultores locais. Além da realização de consultorias

Essa é a grande visão dos 16 apicultores do Município de Paramoti, que aderiram à produção de mel orgânico em uma das regiões mais secas do Nordeste. A meta é incentivar a agricultura familiar nas ações vinculadas à distribuição de produtos agropecuários para pessoas em situação de insegurança alimentar. A compra é feita diretamente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por preço compensador, respeitando as peculiaridades e hábitos alimentares regionais e a situação de mercado local. Parceria entre o Instituto Agropolos do Ceará, Ematerce, Sebrae e Secretaria da Agricultura de Paramoti tem possibilitado o crescimento dessa cultura agropecuária nos sertões de Canindé. Este ano, os avanços da 40

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FOTO: ANTÔNIO CARLOS ALVES

Apicultores de Paramoti produzem mel orgânico produtividade na região tem sido significativos. Novas técnicas são empregadas para garantir maior produtividade. 400 colmeias irão produzir 4 toneladas de mel orgânico em 2011, ao preço de R$ 10,00 o quilo. O técnico Wllissis Gonçalves de Sousa, do Instituto Agropolos do Ceará, que garante assistência técnica sistemática aos apicultores de Paramoti, destaca o potencial de mercado para a apicultura. Aponta dados do IBGE, mostrando que o Ceará atingiu a segunda colocação em produção no País, num total de 4.735 toneladas/ano, perdendo apenas para São Paulo.

Implantação da ficha zootécnica

tecnológicas direcionadas para o sombreamento artificial dos enxames, a construção de bebedouros próximos aos apiários, a utilização das práticas de manejo para substituição dos favos velhos, e a realização de consultorias tecnológicas direcionadas para o nivelamento do plantel de enxames.

Apicultores de Icó agregam valor ao mel Uma máquina que embala mel em sachê, trouxe ao município de Icó a ampliação da renda de pequenos apicultores. O equipamento foi adquirido com recursos próprios de alguns produtores da Associação dos Apicultores do município, que acreditam na viabilidade econômica da atividade. Os primeiros resultados são positivos e os produtores estão animados ante a perspectiva de ampliação das vendas para o comércio local e para a merenda escolar na rede municipal. A máquina está instalada no Centro Vocacional Tecnológico (CVT) de Icó, entidade parceira da Associação dos Apicultores. Há pelo menos cinco anos praticamente não havia produção de mel de abelha no Município.

Alguns apicultores estavam sem treinamento, isolados, produzindo de forma errada e, obtendo, portanto, baixa rentabilidade. Após a criação da Associação dos Apicultores de Icó, o quadro começou a mudar para melhor. Atualmente, cada produtor cadastrado pode comercializar até R$ 4.500,00 por ano. O preço do produto no mercado regional também é animador. O quilo do mel é vendido por R$ 7,50. A Associação dos Apicultores de Icó tem 80 sócios, mas apenas 30 estão ativos. “É um grupo que acredita no sucesso da apicultura como geradora de fonte de renda complementar”, explica João Anselmo Santos. Neste ano, a produção de mel de abelha deve chegar a 12 toneladas.


INFRAESTRUTURA Porto de Fortaleza incrementa transporte de cabotagem

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Porto de Fortaleza, administrado pela oferece linha regular todas as Companhia Docas do Ceará (CDC), assinou sextas-feiras. Ou seja, o que em maio contrato com a empresa Maestra estamos fazendo é ampliando Navegação e Logística que garantirá a as opções de atendimento aos escala de navios de cabotagem, todos os nossos clientes”, frisa Paulo sábados, vindos dos Portos de Santos (SP) e André. O Presidente da CDC informa Navegantes (SC) e partindo para estes portos e também para o Porto de Manaus (AM). O contrato representa mais uma opção que, ainda no segundo semestre de 2012, o Porto para estimular empresários cearenses e de Fortaleza de outros estados a incluir o transporte de Paulo André destaca que poderá receber cabotagem na sua matriz de logística. graças aos investimentos navios com até “A cabotagem é a navegação entre 70 mil toneladas portos marítimos de um mesmo país. oriundos da Secretaria de carga – Paulo André Holanda - presidente da CDC Quando se fala em transporte de cargas de Portos Presidência incrementando com grandes volumes, seja de produto da República (SEP/PR), a movimentação. “Concluímos a obra de acabado ou de matéria prima, o transporte marítimo é a melhor opção. Atualmente, o capitaneada pelo cearense dragagem, que deixou o Porto de Fortaleza Porto de Fortaleza recebe navios com até Leônidas Cristino, o Porto com profundidade de -14 metros. Atualmente, estamos realizando a batimetria final. Até 50 mil toneladas de mercadorias de uma de Fortaleza cresce e se dezembro de 2012 estaremos aptos a receber só vez. Além de ganhar em escala, o modal moderniza a cada dia. navios maiores, o que representará uma aquaviário é mais seguro contra roubos e economia logística para os nossos clientes”, acidentes e bem menos poluente ao meio complementa. ambiente”, destaca Paulo André Holanda, Presidente da CDC. Quando a cabotagem é vantagem Pela cabotagem pode-se transportar todos os tipos de -Quando se transporta alto volume de mercadorias. mercadoria, desde sal, fertilizantes, medicamentos, frutas, -Quando a distância transportada é superior a 1.000 km. móveis a equipamentos de grande porte, como carga de projeto -Quando se precisa reduzir o custo final de transporte da carga. e equipamentos agropecuários e industriais. “Pelo Porto de -Quando se necessita de agilidade e eficiência logística. -Quando se necessita de segurança no transporte de carga. Fortaleza, além da Maestra, a Log-in Logística Intermodal

Em quatro anos, cerca de R$ 15 bi para portos do Brasil

Até 2022, a estrutura portuária do Brasil deve estar entre as dez melhores do mundo. É o que diz o ministro dos Portos, Leônidas Cristino. Segundo ele, foi realizado um estudo e o País ocupava em 2010 o 41º lugar. Para o fim de 2012, a ideia é ficar entre os 30 primeiros. Ele afirma que nos próximos quatros anos haverá investimentos nos portos de cerca de R$ 15 bilhões (entre Governo Federal e iniciativa privada). O ministro participou de uma conferência internacional em um hotel em maio, em Fortaleza. A importância das cifras cabe dentro do panorama das exportações: “O comércio exterior está crescendo a passos largos. A movimentação no Brasil passou US$ 378 bilhões em 2010 para US$ 483 bilhões em 2011”. A estrutura física dos portos também

deve ser melhorada pelo fato de 95% das cargas comercializadas passarem por eles. O ministro também comentou sobre as obras de ampliação e melhoria do Porto do Mucuripe. A obra de dragagem (profundidade entre a superfície do mar e a parte mais profunda do casco do navio) foi finalizada e já está sendo realizada a batimetria. Assim, ainda não é possível atracar navios mais pesados. A profundidade do porto passará de -10,5 metros para -14 metros. Conforme o presidente da Companhia das Docas do Ceará, Paulo André Holanda, com a nova profundidade, haverá um aumento de 30% na movimentação de cargas e navios. “A dragagem não incrementa a movimentação sozinha. E, sim, todas as obras de infraestrutura: reforço no cais comercial, pavimentação

Ministro Leônidas Cristino

industrial, iluminação, aumento das tomadas frigoríficas para receber frutas”, explica. Para a estrutura foram necessários R$ 80 milhões, R$ 60 milhões para dragagem e mais R$ 149 milhões do Terminal de Passageiros, com previsão de término em dezembro de 2013. PECNORDESTE 2012

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MEDALHA do mÉrito rural

11ª Medalha Prisco Bezerra

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Diretoria Plena da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará, FAEC, presidida por Flávio Saboya, escolheu os três homenageados que irão receber este ano a Medalha do Mérito Rural Professor Prisco Bezerra, durante solenidade de abertura do PECNORDESTE, dia 18 de junho próximo: Deputado Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra, presidente da Assembleia Legislativa do Estado, que inclusive é sobrinho do agrônomo Prisco Bezerra (in memoriam) dentro da categoria Área política e ou administração pública; pelo apoio que vem dando ao segmento produtivo do Estado; o empresário Livino Sales, representante da área da produção rural, ou liderança classista, pelo seu trabalho incessante no segmento da carcinicultura inclusive com a obtenção do selo de identificação do camarão da Costa Negra expedido pelo INPE; e o eng. agrônomo Clinton Saboya Valente, na categoria área de desenvolvimento científico, econômico, tecnológico ou de ensino e da produção rural, pelo seu trabalho como extensionista da ANCARCoordenador da Pecuária do Serviço de Extensão Rural do Ceará.

Conheça os Homenageados Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra

Natural de Fortaleza-CE, nascido no dia 15 de agosto de 1975, é médico-sanitarista, formado pela Universidade Federal do Ceará, com mestrado e PhD em saúde pública pela Universidade do Arizona-EUA. Sua experiência profissional é focada no planejamento e avaliação de políticas de saúde pública, tendo atuado como consultor e professor da UFC. Foi eleito pela primeira vez em 2007, com 21.283 votos, tenho sido votado em 146 municípios. Em 2010, foi o sétimo deputado

mais votado, tendo obtido 68.469 votos pelo PSB, em 161 municípios, com 16.020 votos em Fortaleza. No dia 17 de janeiro de 2007 foi convidado pelo Governador Cid Gomes para ser o vice-líder do Governo na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. Foi presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Casa e Vice-presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto. Sua área de atuação esteve preferencialmente dirigida ás causas da Educação, Saúde e Ciência e Tecnologia e no avanço desses e outros setores, dedicou o seu esforço, através da apresentação dos projetos de lei, audiências públicas, dentre outras iniciativas parlamentares. Foi representante do poder Legislativo no CONSEA-CE (Conselho de Segurança Alimentar do Estado do Ceará), participou como membro titular na Procuradoria da Assembleia Legislativa, na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Tecnologia da Informação e Comunicação CSTIC, no Conselho Superior do Hospital Waldemar de Alcântara e na Comissão de Determinantes Sociais da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará. Fez parte do Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia, como representante da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, dentre outros. Foi escolhido seguidas vezes por observatórios independentes como um dos mais influentes e de melhor desempenho do Poder Legislativo. É atualmente o Presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, eleito a 01 de fevereiro de 2011.

Clinton Saboia Valente

Natural de Fortaleza, nascido no dia 17 de Janeiro de 1932, formado como Engenheiro Agrônomo pela Escola de agronomia da UFC turma de 1956; Curso de infantaria – Centro de Preparação de Oficiais da Reserva – Ministério da Guerra – CPOR de Fortaleza – Ce em 1952 sendo declarado Aspirante a Oficial R-2; Magister Scientiae em Zootécnica com tese sobre Nutrição – Dezembro de 1970 junho de 1972 – Centro de Ensenanza e Investigacion – Turrialba – Costa Rica – OEA.

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Politica e/ou Administração pública 2011 – Vice-governador do Estado Domingos Gomes de Aguiar Filho 2010-Senadora Kátia Regina de Abreu 2009- Deputado Estadual Antônio Hermínio Bezerra Resende 2008-Hypérides Pereira de Macêdo 2007-Francisco Ariosto Holanda 2006-Ministro Roberto Rodrigues 2005-Prefeito Cid Ferreira Gomes 2004-Prefeito Cirilo Antônio Pimenta Lima 2003-Deputado Federal Roberto Soares Pessoa 2002- Senador Lúcio Gonçalo de Alcântara

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Quem jA ganhou:

Produção e/ou Liderança Classista 2011-Raimundo Everardo Mendes Vasconcelos 2010- Antonio José Bitar 2009-Francisco de Araújo Carneiro 2008-José Alberto Costa Bessa Júnior 2007-Carlos Prado 2006-Domício Pereira 2005-João Araújo Carneiro 2004-Antônio Ernesto Werna de Salvo 2003-Empresária Maria Hosana Matos Lima 2002-Jaime Tomáz de Aquino

Científica, Econômica, Tecnológica ou de ensino 2011-Prof. Abelardo Ribeiro Azevedo 2010-EMBRAPA 2009-Banco do Nordeste do Brasil – BNB 2008-Escola de Agronomia da UFC 2007-João Ambrósio de Araújo Filho 2006-Breno Magalhães Freitas 2005-Prof. José Ferreira Nunes 2004-Expedito José de Sá Parente 2003-Prof. José Júlio da Ponte Filho 2002-Engenheiro Agrônomo José Tarquínio Prisco


Livino Sales diz que Medalha é um reconhecimento aos carcinicultores

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ssa Medalha do Mérito Rural professor Prisco Bezerra instituída pelo Sistema Faec/Senar é muito importante para mim, principalmente porque nós somos do setor do Agronegocio da carcinicultura, lutamos pelo selo de certificação do camarão da Costa Nega que o mundo todo já tomou conhecimento e, agora, estamos trabalhando para registrá-lo na Europa, disse o empresário Livino Sales . Segundo ele, são mais de 30 anos de dedicação e esta homenagem eu quero dividir com todos os carcinicultores do Ceará, que geram alimento, emprego e renda para milhares de pessoas. Como novidade para o setor, Livino Sales anunciou que a Associação dos Carcinicultores da Costa NegraACCN da qual é presidente, está trabalhando pelo zoneamento da Região, que engloba três municípios: Acaraú, Cruz, Jijoca e que outro passo importante a ser dado, é o incremento do turismo daquela região, um das metas da Associação que promove pelo 4º ano o Festival Internacional do Camarão da Costa Negra, que se realizará de 13 a17 de novembro, terá como novidade a presença de um grande Chefe francês instalado na China e que faz o melhor prato de camarão chinês. Outra novidade, é que o Deputado Estadual Manoel Duca lançou o Projeto de Lei nº 83/12 afim de conceder o Título de Cidadão Cearense ao empresário Livino José Silveira Soares Sales. A justificativa para esta condecoração é que o empresário é responsável por empreendimentos que tem trazido desenvolvimento comercial, econômico e social aos habitantes da região da Costa Negra.

Ao conceder o título de cidadão cearense ao senhor Livino Sales, presta-se uma justa homenagem a este piauiense que trabalha aliado ao desenvolvimento regional em nosso estado.

Deputado Estadual Manoel Duca da Silveira

O Ceará deve orgulhar-se de ter um cidadão do nível e visão do Livino Sales, que está nos ajudando a divulgar o Estado a nível local, nacional e internacional.

Bismark Maia, secretário de turismo do Estado do Ceará

Livino Sales é um piauiense de exportação que veio se firmar na Fazenda Cacimba, onde está fazendo um revolução no ramo da carcinicultura.

Moacir Soares, secretário de Turismo de Fortaleza

Quem é Livino José Silveira Soares Sales É natural do Piauí, nascido em Teresina, no dia 17 de setembro de 1958, filho de José Rubens Sales e Maria Inês Soares Sales. Livino adotou o Ceará desde a infância, vivida nos municípios de Paracuru e Acaraú. As belezas litorâneas lhe deram inspiração para ações produtivas e comerciais junto ao mar, rios, lagoas e enseadas. Seu ponto de partida foi a Fazenda Cacimbas, a três quilômetros da área urbana de Acaraú. Desde 1978, Livino Sales se dedica à

carcinicultura, atividade promissora, geradora de renda e emprego e com boas perspectivas para desenvolver o turismo na região. Dinâmico e empreendedor, Livino Sales descobriu um diferencial na área litorânea e criou a Costa Negra, com base em estudos do solo. Como lição empreendedora ele cita a frase de Joel Barker: “Uma visão sem ação não passa de um sonho. Ação sem visão é só um passatempo. Mas uma visão com ação pode

mudar o mundo”. O empresário Livino Sales é presidente da Associação dos Carcinicultores da Costa Negra e idealizador e realizador do Grand Shrimp Festival – Festival Internacional do Camarão da Costa Negra. È casado com Sandra Maria Rios Sales e pai de dois filhos: Rubens Rios Sales e Hugo Rios Sales. Rubens segue os passos do pai na indústria da pesca e preside a Nutrimar. PECNORDESTE 2012

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SECA

O NORDESTE EM DISCUSSÃO

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assados mais de 53 anos de criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste-Sudene, 60 anos do Banco do Nordeste do Brasil e 102 anos do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas-DNOCS, a região comeca a mostrar vigor na economia, mas o Brasil ainda segue sem conseguir as desigualdades regionais. Se o Nordeste brasileiro mantiver o ritmo de desenvolvimento econômico atual, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita da renda só chegaria à marca de 75% do valor nacional, em 2074, daqui a 62 anos. A observação é do secretário Nacional de Desenvolvimento Regional, do Ministério da Integração Nacional, Sérgio Duarte de Castro, que esteve recentemente em Fortaleza, participando do lançamento do Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional, no Banco do Nordeste. As desigualdades sociais ainda são profundas, separando os estados do Norte e do Nordeste do país, das regiões Sul e Sudeste. Em um diagnóstico preliminar o Secretário Nacional do MI, mostrou que em 2009, enquanto o Nordeste reunia 28% da população brasileira e contava com a participação no PIB de 10%-porcentual que se mantém desde a época de 198O- os três estados do Sudeste concentravam 65,4% do PIB Nacional, dos quais São Paulo, sozinho, concentra 37,9%. Numa leitura dos valores percentuais de transformação industrial (VTI) entre os anos de 1968 a 2009, ele mostrou que o Nordeste até que avançou, subindo de 5,9% no inicio da década de 1970, para 10,3%,em 1984; 7,4% em 1995, para retornar aos 10% somente em 2009. Na outra “ponta”, mais rica o Sudeste concentrava em 1968, 81,3% do VTI e que agora mantém-se em 60,5%, o que revela uma queda substancial da concentração industrial na região, mas, conforme ele próprio “ainda distante das regiões menos desenvolvidas". De acordo com o secretário, essa diferença foi fruto de uma fragmentação da nação, decorrente da ausência de planejamento e de um projeto nacional de desenvolvimento registrados, sobretudo, na década 44

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Reunião da SUDENE para tratar da problemática da seca com a presidente Dilma Rousseff

de 1980,considerando o período do neoliberalismo econômico. RETOMADA DO DESENVOLVIMENTO Segundo o Secretário Sérgio de Castro, nos últimos dez anos, ocorreu um processo de desconcentração industrial e de redução das desigualdades regionaisiniciado na década de 1970-só foi retomado na década de 2000, ainda assim de forma pontual . Na sua visão o Nordeste foi beneficiado pelo avanço das fronteiras agrícolas, transferência de parte dos setores têxtil e de calçados à região motivada pelos incentivos fiscais,pela busca por mão de obra barata e dos recursos dos fundos constitucionais como o FNE e o FNDE, do Banco do Nordeste, além dos programas sociais. Para o secretário o caminho está na integração das políticas públicas de infra-estrutura, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), com os planos nacionais de apoio logístico e educacional, com estratégias nacionais de ciência e tecnologia e com o Plano Brasil Maior-que é a nova política industrial do País-tudo integrado no

Plano Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR). Ele reconhece que "O Brasil precisa distribuir melhor a sua estrutura Economica e produtiva de formas regional e intraregional”. Maior nas operações de credito Segundo estudo do Banco do Nordeste que baseou-se em dados do IBGE, do FMI, do Ipece e do Escritório Técnico de Estudos Econômicos, (Etene), as vendas no ramo de varejo em 2011,cresceram 7,9% na Região,acima do resultado nacional, de 7% . O mesmo estudo apresenta o Nordeste também com uma maior expansão de operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional(SFN), de 26,1%, acima do patamar do Pais, de 20,6%. Projetos Estruturantes entre os projetos Estruturantes em implantação na Região estão a Ferrovia Transnordestina que ligará vários estudos por linha ferroviária, e a Transposição das Águas do Rio do Francisco.


Desenvolvimento passa pelo fortalecimento dos órgãos regionais? Para a Presidente da Associaçáo dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil Rita Josina, um dos Pilares para o fortalecimento da Região Nordeste é o fortalecimento das instituições regionais. O que se vê no momento é o esvaziamento da SUDENE que desde a sua recriação não consegue se restabelecer enquanto instituição que pensa o planejamento do Nordeste, e do DNOCS, este último um órgão secular que tem inúmeros serviços prestados à região. A Codevasf, a Chesf e o próprio BNB, que vive um momento ímpar: a mesma medida do governo federal que pode alavancar sua ação, fortalecendo-o e aumentando seu capital social, pode fragilizar o BNB, com a retirada da exclusividade de operações do FDNE.

SUDENE vai investir R$ 25 bilhões até 2017 A Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) vai atingir o patamar de R$ 25 bilhões em recursos disponíveis na Região até 2017, somando-se ao Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), e o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste(FDNE). No entanto, isso ainda depende da aprovação da Medida Provisória 564, que, dentre outros aspectos, financeiriza o FNDE. Para 2012 a expectativa é aplicar cerca de R$ 14 bilhões, dois bilhões a mais que em 2011. A MP vai dar celeridade na liberação de recursos, e vigor à economia regional diz o superintendente da SUDENE, Luiz Gonzaga Paes Landim. A instituição demanda também substituição e ampliação de seus servidores 162 servidores. Com o processo de aposentadoria até o final do ano ficarão apenas 99 servidores.

O QUE ELES PENSAM

Cearenses opinam sobre o atual momento do Nordeste A revista Ceará e Municipios foi ouvir algumas autoridades estaduais sobre o que pensam sobre o desenvolvimento do Nordeste.

Roberto Smith Presidente da Adece

A economia do Nordeste, ao contrário do que ocorria quando da criação da Sudene na década de 50, se encontra integrada à economia nacional. Frequentemente os indicadores do PIB mostram um crescimento maior do que o da média do Brasil. Contudo a disparidade no seu desenvolvimento ainda é significativa, e vem decrescendo de forma muito lenta. Atualmente a realidade nordestina vem mudando com protagonismo regional, que nada mais tem a ver com o "pires na mão". A política nacional da última década disparou algo que permaneceu adormecido em toda a história da região: a estruturação de seu mercado interno, entendido não apenas como consumo final, mas sobretudo como mercado interno para o capital. O processo de integração tem implicado em avanço em infraestrutura logística, elevação do emprego e um efeito importante de reversão na direção dos fluxos migratórios, para o Nordeste. Apesar disso, afirmar que a região faz parte da agenda nacional de desenvolvimento não condiz com uma observação rigorosa dos fatos. A omissão e mesmo descaso do governo federal em relação às decisões envolvendo a gestão das principais instituições voltadas para o desenvolvimento regional evidenciam um “desagendamento”, e um passo atrás. Sempre me guiei pela concepção de que uma política de desenvolvimento regional deva estar contida numa política nacional.

Essa diretriz foi bem fundamentada e esclarecida através da contribuição da professora Tania Bacelar e fez parte dos programas de governo do candidato Lula até a sua eleição. O Bolsa Família, o Luz para Todos, a expansão do crédito, do microcrédito, do Pronaf, a recuperação do poder de compra dos salários, o avanço em relação às energias limpas e renováveis, são exemplos de políticas nacionais que afetam mais fortemente o Nordeste. O Brasil é um País com grandes diferenciações internas. Isso é muito positivo, principalmente porque temos dimensões continentais, mas não temos dissenções internas, nem problemas de relacionamento com os nossos vizinhos, excetuando-se algumas rixas de caráter futebolístico. Essas diferenciações evidenciam uma complexidade no tratamento federativo, e no que se refere a políticas compensatórias. Entendo que o Nordeste não deva ser tratado de forma especial, porque isso é o que já vem ocorrendo. A forma especial que o Nordeste vem sendo tratado pode ser referida, sem meias palavras, como tratamento politicamente preconceituoso. Por exemplo, o ministério da Fazenda tem dificuldade em acreditar que o Ceará apresenta uma das situações mais saudáveis e positivas em relação às suas finanças, com recuo da carga tributária, nível baixo de endividamento destacando-se como o terceiro estado da federação em valor absoluto de capacidade de investimento. Temos, no entanto, a todo momento, que comprovar que as marcas registradas do passado tradicional que nos foram imputadas como mazelas do subdesenvolvimento não podem ser aplicadas. Como se fossemos herdeiros de uma culpa que temos que carregar, tal como cultura saxônica tenta comparar à cultura ibérica, o confronto entre os mundos do trabalho, da racionalidade aos mundos do ócio, (preguiça ibérica) e da falta de racionalidade. É o discurso da dominação, e se cairmos na esparrela como fazem alguns intelectuais, políticos e empresários, estaremos previamente derrotados. Certas mazelas não são prerrogativas regionais, os Cachoeiras estão em São Paulo e em Nova Iorque, ou melhor em Wall Street.

Não, a guerra fiscal não é necessária porque todos perdem. O problema da guerra fiscal é de natureza federativa. Os incentivos fiscais, no entanto, constituem um instrumento necessário dentro da lógica de uma política nacional de desenvolvimento regional pactuada com maturidade em termos federativos no âmbito da tão esperada reforma tributária.

Roberto Smith Presidente da ADECE PECNORDESTE 2012

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O QUE ELES PENSAM

SECA

Freitas Cordeiro

Presidente da CDL- Fortaleza

Ceará e Municípios: O senhor acha que o Nordeste deveria estar incluído dentro de um planejamento nacional? Freitas Cordeiro: Com certeza. O Nordeste tem sido historicamente um emissor de emigrantes para o Sudeste do País em busca de oportunidades. Inserir a região no Plano Nacional significa destinar recursos para investir em infraestrutura e educação no NE, aliado ao forte combate à fome e à pobreza. Isso significa fazer do NE uma região com um consumo interno forte, capaz de sustentar seu crescimento a longo prazo. C.M.: A Sudene (recrIada em 2003), está cumprindo o seu papel de incorporar o NE no seu processo de desenvolvimento regional? F.C.A Sudene tem a missão de coordenar e ordenar o desenvolvimento do NE, através de planejamento e seleção de projetos estruturantes para a Região. Esse esforço requer a percepção de que hoje cada Estado nordestino tem seu próprio planejamento e suas prioridades. Caberá à Sudene harmonizar todo o processo regional de crescimento integrando as propostas estaduais. Daí a importância do Conselho Deliberativo, formado pelo Ministério da Integração Regional e pelos governadores da região. De 2003 até os dias de hoje a Sudene propôs importantes mudanças no FINOR, mas apenas isso não tem sido suficiente para dar maior visibilidade ao papel da SUDENE. C.M.: Cite pelo menos três ações que deveriam ser implantadas com vistas ao maior desenvolvimento do Nordeste. F.C.: a) Investir em infraestrutura urbana ou coordenar os investimentos privados nesse setor, principalmente nas capitais e em cidades de porte médio, evitando a imigração para as capitais; b) Contribuir para a atração de investimentos privados no NE, gerando 46

Revista Ceará e Municípios

emprego, renda e melhorando o desenvolvimento tecnológico, e c) Realizar e coordenar investimentos em Educação, Saúde e Habitação. C.M.: O que acha da divisão FDNE entre BNB e BNDES? F.C.: O FDNE é um instrumento de desenvolvimento regional e como tal deve ser gerido por uma instituição financeira regional, com as diretrizes traçadas pela SUDENE. Logo, o BNB deve ser o Banco operador. Obviamente, que o BNDES pode ser co-financiador dos projetos mais importantes e que demandem um volume maior de recursos. C.M. A política de incentivos fiscais foi insuficiente para o desenvolvimento do Nordeste? F.C.:Eu diria que hoje as políticas regionais estão sendo fortemente complementados pelas políticas sociais, de caráter nacional. Isso é muito importante. Antigamente, quando as políticas sociais de combate à fome e pobreza não eram tão presentes, somente os incentivos não eram suficientes para alavancar a economia da Região. Hoje, existe uma grande complementaridade entre as políticas regionais e as políticas sociais de abrangência nacional. Assim os resultados são mais perceptíveis. O NE deixou de ser o patinho feio e passou a ser a "China" brasileira.

O tamanho do nordeste população: 53.078.137 homens: 25.906.209 mulheres: 27.171.928 urbano: 38.816.895 rural: 14.261.242 PIB: 5,04% 18% do território nacional

Bnb pode perder exclusividade do FNDE O BNB completa seis décadas de existência e é foco de um debate nacional em função da Medida Provisória 564, que altera regras de uma das principais fontes de recursos nas mãos do Banco, o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). A MP 564 torna o Fundo uma fonte com recursos cumulativos e atribui 100% do risco da operação ao agente operador, ao invés dos 10% atuais. O FNDE é uma das principais fontes de captação do BBB,que perderá a atual exclusividade de operação caso a MP seja aprovada .O presidente do BNB, Jurandi Santiago não considera que tenha um movimento de enfraquecimento do banco, se perdermos a exclusividade não temos duvida de que continuaremos sendo o principal agente do fundo,porque temos conhecimento da Região, no mercado .

DNOCS tem R$ 350 milhões do PAC Com 102 anos de existência o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas-DNOCS, a despeito de seu grande portfólio de obras Estruturantes no Nordeste, especialmente na área de açudarem e poços, hoje passa por um grave momento não somente em termos de recursos, sendo há muito tempo um mero repassados de recursos, como de pessoal. Segundo dados divulgados pela Coordenação de Planejamento, o órgão terá em quatro anos, todos os seus servidores aposentados,com excesso de 82 que prestaram concurso recentemente.

No tocante aos recursos, o DNOCS tem garantido até agora R$ 350 milhões, são investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento-Pac, e aguarda a liberação de R$ 260 milhões do Programa Água Para Todos.


PRÊMIO MAIORES CONTRIBUINTES DO SENAR

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Maiores contribuintes do Senar na solenidade de homenagens em 2011

o dia 19 de junho, às 19h, durante o XVI Seminário Nordestino de Pecuária- Pecnordeste, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Administração Regional do Ceará (SENAR-AR/CE) vai realizar a entrega do Prêmio Maiores Contribuintes 2011. O prêmio é um reconhecimento ao espírito de cidadania dos dirigentes e à responsabilidade tributária e social das empresas que foram, no exercício de 2011, as dez maiores contribuintes para este Serviço. A principal receita do SENAR

é proveniente de recolhimentos compulsórios feitos à Secretaria da Receita Federal do Brasil, por produtores rurais, pessoas físicas e jurídicas, agroindústrias e empresas adquirentes - sejam cooperativas, consumidoras ou consignatárias - de produção rural, de produtor pessoa física na condição de substituta tributária, além de sindicatos, federações e confederação patronal rural. Do total dos recursos arrecadados, obrigatoriamente, 80% devem ser aplicados na missão do Serviço, com foco na realização das ações de Qualificação Profissional RURAL (FPR) e Promoção Social (PS), para os pequenos produtores, trabalhadores rurais e suas famílias.

Empresas Homenageadas

PROJETO CIDADANIA RURAL

1º Ypióca Agroindustrial LTDA 2º Companhia de Alimentos do Nordeste – Cialne 3º Cascaju 4º Fazenda Amway Nutrilite do Brasil Ltda 5º Companhia Brasileira de Resinas – Resibras 6º Companhia Brasileira de Lacticínios CBL 7º Iracema Indústria e Comércio de Castanha de Caju Ltda 8º Usina Brasileira de Óleos e Castanha Ltda - USIBRÁS 9º Pecém Agroindústrial Ltda. 10º Xerez Avícola LTDA

O Projeto Cidadania Rural, lançado em 1999, tem como objetivo disseminar conhecimentos na legislação previdenciária na área rural e na que rege a contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR, Serviço Social Autônomo, integrante do Sistema S, cuja missão é desenvolver ações da Formação Profissional Rural – FPR e atividades da Promoção Social – PS voltadas ao homem e mulher na ambiência rural, contribuindo para a sua profissionalização, sua integração na sociedade, melhoria da qualidade de vida e para o seu pleno exercício da cidadania. É com os recursos da contribuição compulsória devida ao senar, por seus contribuintes diretos, produtores rurais pessoas físicas, jurídicas, agroindústrias, sindicatos, federações e confederação patronal, bem como, pelas empresas que adquirem a produção de produtor rural, pessoa física, que são por expressa disposição legal, sub-rogadas na obrigação do produtor rural, sejam essas cooperativas, consumidoras ou consignatárias, e mesmo as que são isentas de cota patronal,

Superintendente Anizio de Carvalho Júnior entrega prêmio ao representante da CBL

as optantes pelo simples e os órgãos públicos. As ações do Projeto Cidadania Rural são executadas no Ceará, desde de 2004, com palestras ministradas por auditores fiscais da Receita Federal do Brasil e técnicos do INSS, e já foram realizadas em 33 municípios, capacitando mais de 2.000 participantes, entre contribuintes e contadores. São parceiros do SENAR na execução do Projeto no Ceará, a Receita Federal, o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, o Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Ceará – CRC, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará - FAEC e os Sindicatos de Produtores Rurais - SINRURAL. O SENAR-AR/CE, mantém em sua estrutura um Núcleo de Arrecadação, que conta com uma técnica especializada para atender prontamente as demandas, e promove ainda, sistematicamente, vistas de orientação aos contribuintes e contadores. A empresa ou contador que desejar receber uma visita e gratuitamente receber o Manual de Orientação da Legislação Previdenciária Rural deve entrar em contato através do site: www. sernarce.org.br ou contato: (85) 3535.8015/ 3535.8000, ivonisa@senarce.org.br PECNORDESTE 2012

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O CEARÁ EM ISRAEL

Adece participa da maior

O

Presidente Roberto Smith apresentando o Ceará em Israel

presidente e o diretor de Agronegócio da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Roberto Smith e Reginaldo Lobo, respectivamente, foram a Israel, no último mês de maio, onde participaram da Exposição Agrícola Internacional - Agritech 2012: considerada a o maior evento de inovação tecnológica na agricultura do mundo. Além de buscar novas tecnologias, os representantes do Governo do Estado prospectaram negócios, através da interação com empresários israelenses. Para tanto, eles participaram de um seminário dentro do evento, ocasião em que apresentaram a infraestrutura do Ceará ao mundo. “Mostramos tudo o que o Governo do Estado está fazendo nesse aspecto, como o Ceará está se preparando para o futuro. As vantagens comparativas e competitivas que oferecemos, como o Complexo Industrial e Portuário do Porto do Pecém (Cipp), o Cinturão Digital e o Centro de Eventos”, explicou Reginaldo Lobo. Durante o evento, que durou uma semana, também foi debatido um projeto de cooperação entre instituições do Ceará e o Ministério da Indústria, Comércio e Trabalho de Israel para implantação de um Centro de Demonstração de Tecnologias para a Produção Agrícola no Ceará. “A ideia é tentar trazer para 48

Revista Ceará e Municípios

a Fazenda Normal da Ematerce, em Quixeramobim”, revelou o diretor. Visitas a áreas técnicas onde são desenvolvidas técnicas de gestão de água, irrigação racional e cultivos protegidos também integraram a passagem do grupo pelo País. MINISTRO – Durante a estada em Tel Aviv, Smith e Lobo foram recebidos pessoalmente pelo ministro da Indústria Comércio e Trabalho de Israel, Shalom Simhon. O presidente aproveitou a oportunidade para relatar ao Ministro as áreas de interesse comum e intuito de parceria entre o Governo do Ceará e de Israel, com destaque para os setores da saúde. “Queremos contar com o apoio de Israel para o desenvolvimento de vacinas no Pólo de Saúde do Euzébio, na indústria química”, revelou o presidente. Simhom fez menção à experiência de cooperação que o governo de Israel vem desenvolvendo na Índia e na Tailândia e que agora terá a sua primeira ação no Brasil. O ministro expôs o seu conhecimentoa respeito dos avanços da economia brasileira e da importância das soluções hídricas em marcha e sua resposta na fruticultura no Ceará. Assessoria de Comunicação da Adece _ Jully Gomes (85) 3244. 7976


feira agrícola do mundo

Comitiva de cearenses e da Adece na Exposição Agrícola Internacional - Agritech

A ADECE o que faz? A Agência desempenha papel estratégico no desenvolvimento das atividades econômicas do Ceará, divulgando pesquisas proporcionando infraestrutura adequada e atraindo investidores para o Estado

19 Câmaras Setoriais apoiam o trabalho da Adece. As Câmaras são órgãos consultivos, formados por representantes de entidades privadas, ONG’s e órgãos públicos. PECNORDESTE 2012

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EMPREENDEDORISMO

Jovens empreendedores rurais mudam gerenciamento do campo A história de um cearense, filho de agricultores que venceu na vida e voltou para ensiná-los como conviver com as adversidades climáticas

W

agner Gomes é um cearense de Apuiarés, cidade localizada no Vale do Curu. Ele tem apenas 30 anos de idade, e sofreu muito ao lado de seus pais que são agricultores com a problemática da seca, mas conseguiu vencer na vida, veio para Fortaleza, formou-se em economia e voltou para sua terra mais preparado para ajudar não somente aos seus pais, como aos seus conterrâneos e mais seis municípios através de uma entidade fundada por ele e um grupo de jovens – a ADEL, Agência de Desenvolvimento Local. Hoje, são mais de 60 jovens envolvidos com projetos de desenvolvimento sustentável, única forma de trabalhar a convivência com as adversidades climáticas. Seu trabalho extrapolou fronteiras, já recebeu o Prêmio Generosida da Editora Globo, o Prêmio Empreendedor de Futuro da Folha de São Paulo e Prêmio Pnud Boas Práticas promovido pela Assembléia Legislativa do Ceará. Você vai se emocionar com esta história. Texto de Silvana Frota (que entrevistou Wagner Gomes no seu programa Boas Práticas de Gestão na FGF-TV Canal Universitário de Fortaleza). Confira: Silvana Frota: Como tudo aconteceu na sua vida? Wagner Gomes: Esse nosso trabalho alia a questão do emprendedorismo, com a juventude e com a cooperação, eu sou filho de dois agricultores, de uma comunidade rural de 25 famílias de Apuiarés, estudei sempre em escola pública, quando era criança eu ia para a escola de pau de arara, numa distância de 35 km, e sempre pensei em vir embora para Fortaleza, quando terminasse o ensino médio. No inicio de 2000 tive contato com uma experiência de Pentecoste, chamada Press-Programa de Educação em Células Cooperativas, onde aprendi que era possível a um jovem chegar a uma faculdade e aprender a cooperar, e através deste programa entrei para o curso da Economia na UFC, assim como eu mais de 500 jovens vieram para esta Universidade com o mesmo propósito. Nesse contato, nós decidimos antes de nos formarmos criar uma Agência de Desenvolvimento Econômico Local, seria 50

Revista Ceará e Municípios

uma forma de voltarmos para as nossas comunidades de forma estruturada, com um plano estratégico, voltassemos não para fazer voluntariado, mas para nos inserirmos nos mercados potenciais locais, porque a nossa missão é potencializar e articular os saberes e as oportunidades locais. Os nossos pais são agricultores e produziam muito de forma tradicional, hoje nós conseguimos inserir técnicas mais modernas e adequadas para a produção de ovinos, caprinos e produção de mel. S.F. A Região onde você trabalha é muito focada na ovinocaprinocultura? W.G- Muito, é tanto que nós temos até um evento o Tejubode, em Tejuçoca, que divulga e potencializa estes dois segmentos para o Ceará, para o Nordeste e para o Brasil. S.F- No inicio a ideia era evitar o êxodo rural. É difícil fazer este trabalho? W.G- Quando começamos o trabalho em 2007 numa pequena comunidade chamada Canafístula, com apenas 20 agricultores, seis meses depois nós já estávamos em 10 comunidades e 4 municípios, numa parceria

Estamos construindo agora o Centro de Formação de Jovens Empreendedores Rurais, com capacidade para trabalhar até 60 jovens por ano, com sede em Pentecoste. Ele passa um ano em processo de formação, através de uma parceria com a UFC. Só é possível construir um Novo Sertão com formação. Desde 2008 nós temos um programa de inclusão digital no Vale do Curu, mas temos problema com problema de acesso a telefonia e internet, então fizemos o levantamento e enviamos para Oi Futuro, que aprovou nosso projeto e está implantando 7 plataformas de Tecnologias de Comunicação e Informação, para nos comunicarmos entre a Adel e as comunidades com o mundo, usando o sentido de tutoria, através de um portal on-line. Para fazer aulas e palestras e montar uma rede social de jovens empreendedores rurais. Wagner Gomes

com o Banco do Nordeste, um banco que fomenta o desenvolvimento do Nordeste, junto com o crédito, negociamos um plano de estruturação dessas cadeias produtivas, trabalhando a formação dos agricultores com novas técnicas, assistência técnica. É possível a médio e longo prazo, evitar o êxodo rural, é tanto que no decorrer deste trabalho percebemos que a juventude rural não estava inserida nos grupos. Então a ADEL fez uma parceria com estes municípios para desenvolver este trabalho e percebemos que menos de 5% dos participantes eram jovens. Então, em 2008, nós montamos um programa exclusivamente para atender a juventude rural, chamado JOVEM Empreendedor RURAL. S.F. Como funciona o Programa Jovem Empreendedor Rural ? W.G- Trabalhamos com o Instituto Sousa Cruz, braço direito da Souza Cruz, com as Prefeituras, com a Fundação Konrad Adenauld, e agora fechamos com a Uno Habitat. Hoje, temos 217 jovens que já passaram pelo programa ou já estão em formação, que utiliza a pedagadogia da alternância, onde o jovem chega no nosso Centro de Formação passa o dia estudando, duas semanas na comunidade com assistência técnica acompanhada e com 15 semanas ele sai com um plano de negócios dos seus empreendimentos. Ai a Adel entra, através de um fundo apoiado pelo Banco do Nordeste e outras organizaçõesFundo Veredas- que faz um aporte financeiro aos empreedimentos dos jovens. Já temos aproximadamente R$ 60 mil reais investidos nos emprendimentos desses jovens, que geram renda e consequentemente evitam o êxodo rural desses jovens, temos casos de jovens que saem de Fortaleza e retornam às suas cidades de origens, porque lá estão tendo oportunidades de trabalho, como é o caso do Neto Ribeiro, que está investindo em dois negócios de apicultura e criação de ave caipira. S. F. Quais são os municípios que estão hoje integrados ao trabalho da Adel? W.Gomes: Nós começamos em Pentecoste, depois fomos para Apuiarés, General Sampaio, Tejuçuoca, e ano passado fomos para outro território, Itarema e Umirim, são 6 municipios em aproximadamente 40 comunidades rurais, atendendo a 600 agricultores, nessa tecnologia social.


Eu cursava economia e os demais jovens estavam em cursos em áreas mais técnicas, como agronomia, zootecnica e economia rural. E vimos uma oportunidade para desenvolver um trabalho enfocando no fortalecimento das cadeias produtivas da agricultura familiar – para ajudar as nossas famílias, os nossos vizinhos e as nossas comunidades a estruturarem suas atividades produtivas e a comercialização dos produtos locais. E assim, juntos, criamos, em 2007, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel). Wagner Gomes

Nós fizemos um estudo no território, e no Pronaf Jovem, menos de 10 jovens acessaram a essa política pública, estou falando ai de uma ordem de 60 mil jovens, é a prova de que as políticas publicas não estão chegando na base, falta divulgação, articulação, entrosamento. Nós estamos trabalhando na ADEL. Wagner Gomes

S.F- Hoje a ideia do jovem não é ficar no campo, ele quer se profissionalizar, o que falta para que o jovem se fixe mais no campo, para mudar a vida do produtor ? W.G. Nós da Adel, acreditamos muito fortemente que ainda são deficientes os programas de políticas públicas para a juventude, de forma integrada, só existe desenvolvimento local se for integrado, não adianta ter assistência técnica se as organizações trabalham isoladas. Não adianta só a Adel ter um programa desses, as iniciativas públicas tem que trabalhar integradas conosco, envolvendo toda a comunidade. Nós fizemos um estudo no território, e no Pronaf Jovem, menos de 10 jovens acessaram a essa política pública, estou falando ai de uma ordem de 60 mil jovens, é a prova de que as políticas publicas não estão chegando na base, falta divulgação, articulação, entrosamento. Nós estamos trabalhando na ADEL esta articulação, integrar, ser um agente que articule. Nós temos os Fóruns de Desenvolvimento Territorial, envolvendo todos os órgãos que estão na cadeia produtiva do agronegócio S.F. E o crédito ainda é difícil? W.G. Eu acredito que os juros, principalmente na linha do Pronaf são muito atrativos, se o projeto for viável, bem estruturado ele dá certo. Há dez anos atrás os programas e projetos eram liberados muito aleatoriamente sem um planejamento, eles pegavam o crédito e se endividavam, ficaram sem capacidade de pagamento, hoje é possível fazer de forma diferente, de forma

planejada. Negociamos inclusive com o BNB a implantação de algumas agroindústrias para agregar mais valor ao produto, o mel não tinha qualidade, certificando o mel, estamos entrando com o processamento de carne de ovinos e caprinos em hambúrguer, cafta, tudo a base de bode, Pentecoste tem hoje uma agroindústria que entrega para a merenda escolar. Sem qualidade o produtor não tinha como vender, a gente entrava na casa dos produtores e encontrava o mel dentro de garrafas ou baldes, ai nós agregamos valor e qualidade ao produto, e hoje processamos o mel e já somos o segundo maior produtor de mel do Estado. S.F. Foi difícil mudar a cabeça dos produtores? W. G. Para nós que somos filhos de produtores não tem sido difícil mudar esta mentalidade, porque nós falamos a mesma linguagem deles, nós estamos inseridos dentro deste mercado. O atual diretor técnico da Adel foi produtor até 22 anos de idade, o pai dele produzia leite-bovino. Toda a comunidade nos conhece, às vezes nós estamos em nossas casas, até dia de domingo e eles nos procuram para um aconselhamento. Não montamos palestras com linguagem difícil. Desde 2008 nos promovemos encontros. Somos uma Agência que surgiu da base e a gente está conseguindo comunicar isso para fora. S.F. E a assistência técnica? W.G.Fechamos uma parceria com várias organizações, uma delas é o Governo do Estado, através do Instituto Agropolos, temos visitas coletivas para fortelecer o capital comunitário e visitas na porteira. S.F.A vida dessas pessoas mudou para melhor? W.G. Hoje, eu digo que a vida de muitos jovens e muitos agricultores, com a Adel estão construindo a nova Cara do Sertão. Lançamos uma campanha para lançar o sertão a partir dos seus potenciais por muito tempo o sertão foi visto pelas mídias alguns espaços mais conservadores, mostram o sertão como a fome e a miséria, aproveitam agora a seca,

O sertão ele não é um mar de miséria e de fome, o sertão é um mar de oportunidades. Se soubermos aliar conhecimento com a teoria, com a prática, adaptando às novas tecnologias, sem agredir o produtor é possível construir essa nova cara. Wagner Gomes

para explorar esta questão. A nova Cara do Sertão, veio para mostrar o sertão a partir dos novos potenciais, que é possível sim conviver com a seca, na realidade não adianta combater a seca, é um fenômeno, nós temos é que ter planos, de médio e longo prazo para conviver com ela. S.F. É possível conviver com a seca? WG: Sim é possível, o que precisamos é ter plano de médio e longo prazos, e conviver com ela, água não é mais problema no Ceará. A seca de hoje, é diferente das anteriores, fizemos um mapeamento dos reais impactos dentro dos nossos grupos, estamos nos reunindo com várias prefeituras e organizações para debater o acesso desses jovens em programas emergenciais, mas antes nós já havíamos trabalhando a questão da apicultura, para que quando viesse uma seca como essa, nós tivemos planos mais estruturados, mais estoques, preservar o meio ambiente, não desmatar tanto as áreas. Trabalhamos muito os roçados ecológicos. A Adel é uma agência de desenvolvimento local, que atua com base em três pilares estratégicos: empreendedorismo, juventude e cooperação. O objetivo global dessa estratégia é contribuir para o desenvolvimento local endógeno do território, criando condições para o fortalecimento da agricultura familiar e para a inclusão socioprodutiva de jovens empreendedores rurais. A estratégia é composta de quatro eixos fundamentais para uma ambiência adequado e próspera ao empreendedorismo rural, em todos os níveis. PECNORDESTE 2012

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energia rural

Produtores querem facilitar o acesso

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Diretor Institucional da Coelce, José Nunes (ao centro), foi ao Agropacto explicar a posição da Coelce sobre energia rural

m reunião no Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense (Agropacto), realizada no auditório do Banco do Brasil, produtores rurais sugeriram à Companhia Energética do Ceará (Coelce) a realização de uma reunião conjunta com a participação do Governo do Estado, via Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) e Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec). O objetivo é facilitar o acesso dos consumidores rurais aos medidores da companhia. Hoje, esse equipamento é comprado pelo produtor e custa em torno de R$ 900,00. “Vemos com bons olhos a elaboração de um programa para facilitar o acesso dos consumidores”, disse o diretor institucional da Coelce, José Nunes de Almeida. Nos esclarecimentos feitos aos presentes, José Nunes - que foi debater sobre a Revisão Tarifária de energia rural -, disse que essa é uma determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), mas reconhece que é “oneroso 52

Revista Ceará e Municípios

para o produtor”. Ele também acha viável esta discussão entre Coelce, Governo e Faec, “para futuro encaminhamento à ANEEL, que dará a última palavra sobre o assunto”, explicou. Em sua exposição, o diretor informou que no dia 22 de abril começam a valer os novos índices tarifários, sinalizados pela Agência em audiência pública realizada no último mês de março, no auditório da Fiec, em Fortaleza. Nela, as demais classes de consumidores teriam uma redução tarifária, enquanto que a classe rural teria 8%, sob o argumento de equalização de tarifas. Segundo informou, nos demais estados do País, a tarifa rural corresponde a 60% do valor da tarifa residencial.

O Ceará está entre os cinco Estados do País em qualidade no fornecimento de energia elétrica, com apenas 9 horas/ano de falta de energia, enquanto há Estados nos quais existem ‘blecautes’ de até 30 horas. Em se tratando da capital (Fortaleza), é a melhor do País. José Nunes de Almeida

AVALIAÇÃO

O representante da Faec junto ao Conselho de Representantes da Coelce, Erildo Pontes, disse que a audiência pública promovida pela ANEEL foi bastante participativa e a situação dos consumidores rurais foi enfatizada, ficando acertado que no dia 17, a agência deve anunciar os índices a serem aplicados na revisão tarifária. Ele também acha interessante trazer o Governo do Estado para o debate sobre a questão da aquisição dos medidores e, ainda, sobre a ampliação do horário de redução dos custos de energia, que segundo proposta do setor produtivo, poderia ser estendido até às 12 horas, já que hoje ela é praticada somente no horário de 21h30 às 6 horas. O Superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SenarCE), Anízio de Carvalho Júnior - que coordenou a reunião do Agropacto -, disse que a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará irá propor uma audiência com a SDA e a Coelce, para encontrar uma alternativa viável com relação à aquisição dos medidores pelos produtores rurais.


visão de futuro

Nova revolução muda consumo de energia

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ocê, assim como 67% dos brasileiros, provavelmente não sabe o que é "smart grid". Essa expressão inglesa, que designa redes de energia elétrica inteligentes, deverá se popularizar no País, em um futuro próximo. O mecanismo mudará o modo como consumimos energia, funcionando como fator de suma importância na cadeia que contempla uma cidade inteligente. Hoje, nossa relação de consumo se resume meramente a utilizar a energia e receber uma conta todo mês. Com a chegada do "smart grid", será possível acompanhar, em tempo real, o quanto estamos gastando, o que permite um controle muito maior da fatura.

Economia de até 20%

Por conta disso, nos lugares em que já vigora o sistema inteligente, há uma redução média de 20% no consumo. Para que a sistemática seja efetivada e massificada no Brasil, é preciso a instalação de medidores inteligentes nas residências. A regulamentação dos equipamentos está prevista para ser editada no próximo mês pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Posteriormente, faltará apenas uma certificação do Inmetro para que a

Uma visão de futuro Uma rede composta por microrredes que podem monitorar e corrigir a si mesmas

tecnologia passe a valer. Em todo o território nacional, existem cerca de 68 milhões de aparelhos analógicos, os atuais, que precisam ser trocados. No Ceará, 100 medidores inteligentes já funcionam, em caráter experimental, em Fortaleza e Aquiraz. "Com o medidor eletrônico, vamos permitir que você identifique tudo que está consumindo com cada eletrodoméstico", explica o diretor da Aneel, André Pepitone. Atualmente, informa, os eletrodomésticos não são compatíveis com o modelo, mas isso poderá ser revertido facilmente com a aquisição de smart plugs (espécie de tomadas adaptadoras). A tendência é que, com o tempo, os aparelhos de uso doméstico já sejam fabricados com essa tecnologia embutida.

Posição da Coelce

De acordo com a Coelce (Companhia Energética do Ceará), a "implantação massiva das redes inteligentes no Brasil é iminente. No entanto, ainda são desafios para as empresas de distribuição de energia elétrica a homologação dos medidores inteligentes e os altos custos em infraestrutura de telecomunicações, sistemas de tecnologia da informação e da implantação das redes. Aplicativos inteligentes Podem desligar em resposta a flutuações da frequência Gerenciamento de demanda O uso pode ser transferido para fora dos horários de pico para economizar dinheiro

Tarifas diferenciadas

Pepitone destaca também a tarifa branca, regulamento que prevê valores diferenciados durante o dia no consumo de energia. Das 22h às 17h do dia seguinte, a tarifa será reduzida. "Você pode esperar um pouco para usar o secador de cabelo, ligar o ar condicionado em temperaturas menores e, assim, economizar". A diferenciação de preços por faixa de horário depende de dois fatores, de acordo com o diretor da Aneel: a presença de medidores inteligentes e o fato de a concessionária já ter passado pelo 3º ciclo de revisão tarifária. No Ceará, a Coelce já teve esse processo concluído, faltando somente os aparelhos eletrônicos. Estima-se que, dentro de uma década, o Brasil se torne o terceiro país do planeta em smart grid, com um mercado de mais de 36 bilhões de dólares. "Muitas cidades já estão implementando soluções que economizem energia e, ao mesmo tempo, melhorando as condições de iluminação, que tem efeito direto na segurança pública. Uma coordenação eficiente de todos os atores envolvidos (agência reguladora, empresas e população) e uma gestão eficiente da utilização da energia pelos órgãos públicos são aspectos que indicam o grau de inteligência de uma cidade", avalia Cézar Taurion, especialista em inovação da IBM.

Sensores Detectam flutuações e distúrbios. Podem sinalizar áreas a serem isoladas

Em todo o território nacional existem cerca de 68 milhões de aparelhos analógicos. No Ceará, 100 medidores analógicos já funcionam em caratér Processadores experimental Executam esquemas especiais de segurança em microsegundos

Geradores A energia de pequenos geradores e painéis solares pode reduzir a demanda geral na rede

Armazenamento A energia gerada fora dos horários de pico de consumo pode ser armazenada em baterias para uso posterior PECNORDESTE 2012

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O futuro que queremos

RIO+20

Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Caatinga na Rio mais 20: preservação é urgente

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bioma, que cobre cerca de 90% do território cearense, será um dos focos das discussões levadas pelo Ceará para a Rio mais 20. A Declaração da Caatinga ponta alternativas para preservação do bioma. Entre as possíveis soluções, está a criação de um fundo financeiro para a caatinga Quase todo o território cearense é coberto pela caatinga. O bioma, exclusivamente brasileiro, está presente também no Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Bahia, Sergipe, Alagoas, Maranhão e Minas Gerais. Dados do Ministério do Meio Ambiente apontam que, dos ecossistemas originais da caatinga, 80% já foram alterados, em especial por causa de desmatamentos e queimadas. A preservação da caatinga é urgente. O Ceará e os outros estados do Nordeste mais Minas Gerais levarão o bioma para discussões na Rio +20. A Declaração da Caatinga, preparada com a participação do poder público, comunidade acadêmica, movimentos sociais e setor privado, após encontros em vários estados, apresenta alternativas para preservação da caatinga. O documento final foi concluído em maio, durante a I Conferência Regional de Desenvolvimento Sustentável do Bioma Caatinga - A Caatinga na Rio +20. Entre as possíveis soluções, o documento aponta a mobilização de recursos financeiros para a implementação dos compromissos assumidos na declaração. Seria o chamado Fundo Caatinga, semelhante ao Fundo Amazônia. 56

Revista Ceará e Municípios

O mecanismo, já existente, capta recursos de doações voluntárias não reembolsáveis. A verba é destinada para apoio às ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento das florestas da Amazônia. Serve ainda para promover a conservação e o uso sustentável do bioma. “Precisamos de recursos para ampliar políticas públicas que já existem e pensar em outras formas de preservação”, frisou o presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente do Ceará (Conpam), Paulo Henrique Lustosa. O projeto Mata Branca, ligado ao Conpam, que já existe no Ceará e na Bahia, é um dos exemplos que podem ser expandidos, apontou ele. Por aqui, o trabalho é feito nos Inhamuns. Os agricultores da região, suscetível à desertificação, recebem capacitação e aprendem a usar a terra de forma sustentável. Uma das práticas incentivadas, de acordo com Lustosa, é a agricultura familiar com cultivo de produtos orgânicos. Outra iniciativa apontada por ele é a mudança do tipo de energia usado por fábricas de cerâmica na região do Jaguaribe. “Estamos estudando outras fontes de energia, que possam ser usadas no lugar da lenha”. O cearense Iranildo de Sousa, representante da juventude ambientalista brasileira na ONU, ressaltou ainda que uma outra proposta de valorização da caatinga, inclusa na declaração, é o reconhecimento do bioma como patrimônio nacional. “É um bioma frágil e único que precisa ser urgentemente preservado”.

Outras iniciativas Além da caatinga, a agenda do Ceará na Rio +20, prevê apresentação do selo verde e debate sobre a política estadual de resíduos sólidos. O selo verde, segundo Lustosa, que deve ser decretado no próximo dia 5, vai conceder tratamento tributário diferenciado aos produtos fabricados de forma sustentável. “Produtos cearenses que vão usar reciclados, por exemplo, vão vir com selo indicativo”. A política estadual de resíduos sólidos também deve ser debatida na Conferência. O projeto ainda não foi aprovado. A intenção, de acordo com o presidente do Conpam, Paulo Lustosa, é cumprir as exigências legais até o ano que vem.

ENTENDA A RIO+20 •A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, será realizada de 13 a 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de janeiro •A Rio+20 é assim conhecida porque marca os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) •O objetivo da conferência é a renovação do compromisso com o desenvolvimento sustentável e a definição da agenda para as próximas décadas.


Desmatamento é menor em 23 anos O Brasil atingiu a menor taxa de desmatamento registrada na Amazônia Legal desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a fazer a medição, em 1988. Segundo dados apresentados no dia Mundial do Meio Ambinete, 5 de junho, pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, entre agosto de 2010 e julho de 2011, a região teve 6.418 quilômetros quadrados da sua área desmatada, o que representa a menor taxa em 23 anos e uma redução de 8% em relação ao apurado no mesmo período entre 2009 e 2010. O anúncio foi feito em solenidade no Palácio do Planalto. Os dados mostram que o Pará foi o Estado que mais desmatou no período (3.008 quilômetros quadrados), seguido de Mato Grosso (1.120 quilômetros quadrados), Rondônia (865 quilômetros quadrados) e Amazonas (502 quilômetros). A ministra Izabella destacou que os dados de 2012 são mais promissores ainda em relação à redução do desmatamento. Os números de agosto de 2011 a maio de 2012 mostram que há uma redução de 25% no desmatamento ante a menor taxa registrada, que é referente ao período de agosto de 2010 a julho de 2011. Segundo a ministra, isso mostra que “é possível crescer, incluir e preservar”. A presidente Dilma Rousseff, presente à solenidade, afirmou que “sustentabilidade é agenda econômica, social e ambiental” e que, se não for vista dessa forma, será insuficiente. Segundo ela, no Dia Mundial do Meio Ambiente, “temos muito a celebrar, mas também

EU VOU Iranildo de Sousa, embaixador Climático do Brasil, vai participar do evento oficial da Rio+20 no grupo Crianças e Jovens. na conferência, Iranildo terá dois minutos para falar sobre algo relacionado ao desenvolvimento sustentável. “ Depois das discussões com o grupo, vou analisar o que é mais importante frisar e vou falar sobre isso”.

Trechos da Declaração da Caatinga

Mobilizar os senadores e deputados federais (...), visando à aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que transforma a caatinga em patrimônio nacional. Promover o desenvolvimento, a adaptação, a difusão, a aquisição e a transferência de tecnologias sustentáveis. muito a avançar”. Há o desafio, destacou, de produzir alimentos e água para alimentar os povos e que esse é “o maior desafio universal”. “Não recuaremos diante desse grande desafio”, afirmou a presidente, ressaltando que é preciso alimentar os povos, gerando energia limpa e preservando. Na ocasião, Dilma anunciou um pacote de medidas para a área ambiental que inclui a criação e a ampliação de unidades de conservação e a homologação de áreas indígenas. As duas novas unidades de conservação criadas são a Reserva Biológica Bom Jesus, no Paraná, e o Parque Nacional Furna Feia, no Rio Grande do Norte. Três unidades serão ampliadas: o Parque Nacional do Descobrimento, na Bahia, que passa de 1,5 mil para 22,6 mil hectares incorporando fragmentos da Mata Atlântica; a Floresta Nacional Araripe-Apodi, no Ceará, que passa de 706 hectares para 39,3 mil hectares e a Floresta Nacional de Goytacazes, no Espírito Santo, que receberá mais 74 hectares de Mata Atlântica.

Promover a cooperação técnica e científica na área do combate à desertificação e da mitigação dos efeitos da seca. Promover a integração de estratégias de erradicação da pobreza nos esforços de combate à desertificação e de mitigação dos efeitos da seca. Pesquisar e definir modelos de manejo sustentável para espécies da caatinga, levando-se em consideração as possibilidade de aproveitamento econômico.

PARA LER Zero Draft - Documento de referência para a Rio+20. Disponível em:www. onu.org.br/rio20/documentos Nós somos os senhores do clima Tim Flannery (edição para jovens) Sustentabilidade: O que é – O que não é – Leonardo Boff Governança Ambiental Global: Opções & Oportunidades - Daniel C. Esty Ecoeconomia - Uma Nova Abordagem - Hugo Ferraz Penteado PARA NAVEGAR ONU - www.onu.org.br/rio20 O Futuro que nós queremos - www. ofuturo quenosqueremos.org.br Rio + 20 - www.rio20.gov.br Radar Rio - www.radarrio20.org.br

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CAATINGA

PROJETO BIOMAS

Vitrine Tecnológica instalada no Ceará Com intenção de encontrar áreas para implantar as vitrines tecnológicas, pesquisadores do Projeto Bioma Caatinga,Embrapa, CNA e demais instituições de pesquisa, desde outubro de 2011, estiveram em busca de parceria com os produtores rurais para desenvolver experiências de produção sustentável e reintrodução de árvores nas propriedades rurais dos estados de Pernambuco e Ceará. No Ceará a propriedade escolhida pelo projeto foi a Fazenda Triunfo, com área total de 700 há, localizada 10km de Ibaretama, Microregião do Sertão de Quixeramobim, do proprietário ao Francilino Gomes Cavalcanti. Nessa área os pesquisadores encontraram diferentes tipos de solo e de coberturas vegetais da região, foram encontradas áreas de matas ciliares que sofreram pouca ação humana, desta forma servirão como modelo de replantio e recuperação de áreas ribeirinhas, a identificação e catalogação das melhores espécies nativas para a recuperação e proteção do solo ampliando as funções ecológicas da floresta. Durante nove (9) anos são firmados contrato de concessão de uso entre o proprietário da fazenda com a área emprestada a Embrapa e a CNA. Nesse período, os pesquisadores terão que transitar livremente dentro da propriedade, a área tem que necessariamente haver um rio para que os pesquisadores possam proceder as pesquisas em APP (Área de Preservação

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Revista Ceará e Municípios

Permanente) conjugadas as pesquisas em Reserva Legal (RL) e seus entornos. De acordo com os pesquisadores a idéia é também conhecer as espécies nativas como potencial econômico para os produtores. Objetivo do projeto Viabilizar soluções técnico-cinetífica para a proteção das paisagens rurais nos diferentes biomas brasileiros, envolvendo centenas de pesquisadores que irão experimentar de forma de uso sustentável das áreas rurais dosbiomas brasileiros, tendo a árvore como principal elemento. Sendo cinco etapas para cada bioma: Preparação: articulação com parceiras locais para formar uma rede de pesquisadores para cada bioma. Seleção e Caracterização: serão caracterizadas as áreas experimentais e de referencia de biomas, onde serão implantados projetos de pesquisa propostos pela rede de pesquisadores. Pesquisa: realização de pesquisa das áreas selecionadas, envolvendo o plantio de árvores como alternativa para diversificação do uso nas áreas rurais. Extensão: será incentivada a replicação dos resultados das pesquisas em outras propriedades rurais. Capacitação: Com o auxilio do SENAR, haverá a capacitação dos agentes locais para que possam transferir conhecimentos obtidos para os produtores rurais, fazendo que os resultados práticos se estendam.

Projeto Biomas Caatinga já tem área para viveiro de mudas A área fica em Quixadá, dentro do IFCE- Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnológica do Ceará, parceiro do Projeto Biomas Caatinga, uma iniciativa da Embrapa e da CNA.

CAATINGA Ocupando quase 10% do território nacional, com 736.833 km², a Caatinga abrange os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia, sul e leste do Piauí e norte de Minas Gerais. Região de clima semi-árido e solo raso e pedregoso, embora relativamente fértil, o bioma é rico em recursos genéticos dada a sua alta biodiversidade. O aspecto agressivo da vegetação contrasta com o colorido diversificado das flores emergentes no período das chuvas, cujo índice pluviométrico varia entre 300 e 800 milímetros anualmente. A Caatinga apresenta três estratos: arbóreo (8 a 12 metros), arbustivo (2 a 5 metros) e o herbáceo (abaixo de 2 metros). A vegetação adaptou-se ao clima seco para se proteger. As folhas, por exemplo, são finas ou inexistentes. Algumas plantas armazenam água, como os cactos, outras se caracterizam por terem raízes praticamente na superfície do solo para absorver o máximo da chuva. Algumas das espécies mais comuns da região são a amburana, aroeira, umbu, baraúna, maniçoba, macambira, mandacaru e juazeiro. No meio de tanta aridez, a Caatinga surpreende com suas "ilhas de umidade" e solos férteis. São os chamados brejos, que quebram a monotonia das condições físicas e geológicas dos sertões. Nessas ilhas é possível produzir quase todos os alimentos e frutas peculiares aos trópicos do mundo. Essas áreas normalmente localizam-se próximas às serras, onde a abundância de chuvas é maior.

Curiosidades

. Estudos recentes mostram que cerca de 327 espécies animais são endêmicas (exclusivas) da Caatinga. São típicos da área 13 espécies de mamíferos, 23 de lagartos, 20 de peixes e 15 de aves. Entre as plantas há 323 espécies endêmicas. ·A Caatinga compreende quase 10% da área total do território brasileiro, com aproximadamente 740.000 km2. · Uma área de Caatinga mais conservada pode abrigar cerca de 200 espécies de formigas, enquanto nas mais degradadas há de 30 a 40. · Cerca de metade da paisagem de Caatinga já foi deteriorada pela ação do homem. De 15% a 20% do bioma estão em alto grau de degradação (com risco de desertificação). · Uma formação de relevo característica na depressão nordestina é o ‘inselberg’, bloco rochoso sobrevivente ao desgaste natural. · Na estação seca a temperatura do solo pode chegar a 60ºC. · A perda das folhas da vegetação da Caatinga é estratégica. Sem folhas, as plantas reduzem a superfície de evaporação quando falta água. · No idioma tupi, Caatinga quer dizer Mata Branca, referência à vegetação sem folhas que predomina durante a época de seca.


ENERGIA LIMPA

Energia Eólica Ventos e Negócios no Ceará

Empreendedores investem na área e alcançam bons resultados, o que demonstra chance também para micro e pequenos empresários

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iante de mudanças climáticas, fontes renováveis de energia se apresentam como solução para muitos problemas ambientais. Dentre as fontes, a eólica se destaca. Além de inesgotável e não poluente, é uma das mais baratas. Houve o aumento de 31% na geração eólica mundial em 2009, segundo dados do Conselho Mundial de Energia Eólica (GWEC, sigla em inglês). O Brasil ficou em 21º lugar, entre os países que participaram dessa alta. Entretanto, o engenheiro Adão Linhares, ex-presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), afirma que o Brasil é o país que mais cresce no uso dessa fonte de energia. “A perspectiva é de que, nos próximos anos, o País cresça ainda mais e os fabricantes de aerogeradores se voltem

para o mercado brasileiro”, diz Adão. Prova disso é o surgimento de novos micro e pequenos empreendedores no mercado.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicou, em 17 de abril deste ano, a resolução normativa nº 482, estabelecendo normas gerais para o acesso de microgeração e minigeração distribuída aos sistemas de distribuição de energia elétrica. É o caso do paulista José Aparecido Cardoso. Veio para Fortaleza com o objetivo de desenvolver grandes transformadores para o grupo J. Macêdo. Trabalhou três anos nessa área até começar a interessar-se por prestação de serviços. “Como o grupo J. Macêdo não quis entrar nessa área, eu saí e montei minha empresa de serviços”, conta. Em 2009,

José montou a Transfortech. Inicialmente, trabalhava apenas com instalação de transformadores. Um ano depois, entrou na área da energia dos ventos. Desde que começou a trabalhar com instalação e manutenção de aerogeradores, a Transfortech passou de um faturamento de R$ 18 mil para R$ 200 mil por mês, informa. “Hoje, 50% ou mais dos nossos investimentos estão na área de aerogeradores”. Ou seja, agora o consumidor de energia já pode utilizar geradores eólicos na própria residência, por exemplo. Segundo Adão Linhares, essa resolução viabiliza o nível de investimento para pequenos geradores, como pousadas e fazendas. Adão ressalta que os investimentos em microgeração de energia eólica nos próximos anos vai se destacar no Estado e haverá “um reflexo positivo na economia da região e do País”. Fonte: Jornal O Povo 02/06/2012 PECNORDESTE 2012 59


CÓDIGO FLORESTAL

Novo Código Florestal é aprovado com 12 vetos

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Diário Oficial da União (DOU) publicou, no dia 28 de maio último, a sanção ao novo Código Florestal Brasileiro. A presidente Dilma Rousseff justificou os vetos parciais e modificações feitas no Código Florestal alegando “contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade” no projeto aprovado na Câmara. A Lei nº 12.651, que dispõe sobre o novo código, contém 84 artigos, com 12 artigos vetados e 32 modificações ao texto decretado pelo Congresso Nacional. Dilma vetou os artigos 1º, 43º, 61º, 76º e 77º e realizou vetos parciais em parágrafos e incisos dos artigos 3º, 4º, 5º e 26º. Os vetos passam agora pela análise dos parlamentares da Câmara e do Senado e ainda não tem data para serem votados. De acordo com a nova lei, haverá um escalonamento das faixas de recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) de acordo com o tamanho da propriedade. Para o ministro da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams, as mudanças e vetos vão beneficiar os pequenos agricultores. Também foi publicada, na mesma edição do DOU, a Medida Provisória nº 571, que complementa o código, por trazer as alterações às leis que dispõem sobre proteção ambiental. Na definição do objetivo do Código Florestal, foi vetado o artigo 1º. Em mensagem encaminhada ao Congresso Nacional, a presidenta esclarece que o parágrafo vetado não indica com precisão os parâmetros que norteiam a interpretação e a aplicação da lei. Na MP, o texto que substitui o parágrafo 1º diz que a lei tem como fundamento a proteção e uso sustentável das florestas, em harmonia com o desenvolvimento econômico. As disposições gerais do código ainda estabelecem que as “florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação nativa são bens de interesse comum a todos os habitantes do País”. 60

Revista Ceará e Municípios

O que mudou:

Áreas de Proteção Permanente – O código delimita as áreas de proteção permanente e o percentual da Reserva Legal, que é a parcela que todo imóvel rural deve preservar com a vegetação nativa. De acordo com o texto, as propriedades localizadas na Amazônia Legal devem preservar um percentual que varia de 20% a 80% da área do imóvel, dependendo se ele está situado em área de florestas, cerrado ou campos gerais. Nas demais regiões do país, a área de Reserva Legal é de 20%. Exploração de Florestas – A exploração de florestas nativas, de acordo com o código, dependerá de licenciamento por órgão do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisama). O órgão do Sisama também será responsável por coordenar e fiscalizar, por meio de sistema nacional, a origem da madeira, do carvão e de outros produtos ou subprodutos florestais. Controle do desmatamento – As obras ou atividades que causem desmatamento serão embargadas por órgão ambiental competente, de acordo com o código. Agricultura familiar – O artigo 52 da lei permite que o pequeno agricultor utilize áreas de preservação permanente e de reserva legal para atividades de baixo impacto ambiental. No entanto, deverá existir declaração ao órgão ambiental

competente e o imóvel deve estar inscrito no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Crédito ambiental – A MP estabelece que os proprietários de imóveis rurais têm até cinco anos para se inscrever no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e se regularizar para ter acesso ao crédito agrícola. Recuperação de vegetação – A presidenta vetou o parágrafo que trata sobre a recuperação de áreas de preservação permanente em áreas rurais, pela redação ser “imprecisa e vaga, contrariando o interesse público e causando grande insegurança jurídica quanto à sua aplicação”. De acordo com mensagem da presidenta, o dispositivo parece conceder uma ampla anistia aos que descumpriram a legislação sobre áreas de preservação até 22 de julho de 2008, “de forma desproporcional e inadequada”. Definição de pousio - Foi vetado o Inciso XI do art. 3º, que trata da definição de pousio, que é a interrupção temporária de atividades agropecuárias para possibilitar a recuperação do solo. Segundo a presidenta, o conceito aprovado não estabelece limites de tempo e de território para sua prática, o que possibilitaria que uma área rural permanecesse em pousio por tempo indeterminado, impedindo fiscalizações. Fonte: Portal do Planalto


Novo Código é chance para Ceará elaborar próprias leis

Presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), Paulo Henrique Lustosa Após a aprovação do novo código pela presidenta Dilma Rousseff, o Ceará tem agora o desafio de elaborar sua própria legislação de proteção ao meio ambiente. De acordo com o presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), Paulo Henrique Lustosa (PMDB), os vetos anunciados pela presidente, não repercutem diretamente no Ceará. “O mais importante é que, nos próximos meses, vamos ter uma grande tarefa no Ceará de construir um regramento estadual para a política ambiental. É um desafio, temos que regulamentar isso”, afirmou Lustosa. Ele explica que, como o Código Florestal remeteu muito do regramento para a competência estadual, o Ceará poderá legislar pensando em seus rios intermitentes, por exemplo. “Como calculo a área de preservação permanente (APP) de rios no Ceará? Grande parte dos nossos rios não são permanentes”, destacou. A preocupação, segundo ele, é que os vetos de Dilma deixam um vácuo na legislação que pode dar margem a várias interpretações. “Esse período de transição, quando a medida provisória ainda não foi convertida em lei gera insegurança. Teremos que acompanhar de perto a tramitação da medida provisória”, disse o presidente. Na avaliação da assessora do Instituto Terramar, ONG que atua na causa ambiental, Camila Garcia, os vetos de Dilma parecem ter sido uma ação de mediação dos interesses de ruralistas e ambientalistas e não atendem às necessidades de conservação que o meio ambiente precisa hoje. PECNORDESTE 2012

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CÓDIGO FLORESTAL

Estados devem delimitar APPs, diz Kátia Abreu

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senadora Kátia Abreu afirmou no dia 4 de junho último, que o grande erro do texto aprovado pela presidente Dilma Rousseff para o Código Florestal é não deixar com estados a responsabilidade de definir o tamanho das “APPs” nas margens de rios. “Desta forma, não haveria risco nem ao meio ambiente nem para a agricultura”, salientou a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em evento. Segundo ela, seria muito mais democrático e justo que a questão pudesse ser avaliada caso a caso. Embora ela reconheça que o texto sancionado por Dilma tenha melhorado a situação das pequenas propriedades, Kátia afirma que a nova redação ficou mais rigorosa para os produtores de médio porte, que terão que preservar 30 metros nas margens de rios. A presidente da CNA salientou que, "Um meio termo seria que tivesse uma margem mínima saindo de Brasília para os Estados." APP mundial Kátia informou que a CNA irá apresentar a proposta de uma Área de Proteção Permanente (APP) global durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20. O conceito já foi apresentado na França em março, durante o Fórum Mundial da Água e será detalhado em documento a ser desenvolvido durante o evento no Rio de Janeiro por cientistas convidados pela entidade. A APP Mundial será discutida no dia 20, em audiência pública conjunta das Comissões de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), do Senado. Segundo ela, independentemente da crise mundial, será difícil que a proposta seja colocada em prática em razão das indenizações que serão necessárias. “Todo o mundo vai resistir, mas será que não seria possível começar pelas nascentes dos rios?”, questionou a dirigente.

Contraponto - Um Código Florestal para o Brasil O novo código deve garantir que o Brasil continue produzindo alimentos melhores e mais baratos Feijão e arroz interessam a todos, assim como água limpa e ar puro (Rolf Kuntz, 8/5/2012, no site "Observatório da Imprensa"). Mas esses dois lados não recebem o mesmo peso nas avaliações dos formadores de opinião. Predomina o enfoque da preservação ambiental em detrimento da produção de alimentos. A proteção do ambiente é, hoje, uma preocupação de todos os seres humanos e vemos com alívio que governos, empresas e consumidores estão mais conscientes de que os recursos da Terra devem ser explorados de modo sustentável. No Brasil rural não é diferente -basta observar os índices cada vez menores de desmatamento e o desenvolvimento de técnicas avançadas como a agricultura de baixo carbono. No entanto, também é importante que os países produzam mais alimentos para um mundo desigual, em que atualmente 900 milhões de pessoas passam fome, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Será que é racional abrir mão de 33 milhões de hectares da área de produção de alimentos, que representam quase 14% da área plantada, para aumentar em somente 3,8 pontos percentuais a área de vegetação nativa do país? Essa troca não me parece justa com os brasileiros, pois corremos um alto risco de aumento no preço dos alimentos sem um ganho equivalente na preservação ambiental. Reduzir 33 milhões de hectares nas áreas de produção agropecuária significa anular, todos os anos, cerca de R$ 130 bilhões do PIB (Produto Interno Bruto) do setor. Para que se tenha uma noção do que representam 33 milhões de hectares, toda a produção de grãos do país ocupa 49 milhões de hectares. O Código Florestal não foi construído para agradar a produtores ou ambientalistas, mas, sim, para fazer bem ao Brasil. Agora, está nas mãos da nossa presidente, a quem cabe decidir, imune a pressões, o que é melhor para sermos um país rico, um país sem miséria, que é a grande meta da sua gestão. 62

Revista Ceará e Municípios

A utopia ambientalista, no entanto, não respeita a democracia política, muito menos a economia de mercado. Há líderes do movimento verde que pregam abertamente um Estado centralizado, com poderes para determinar a destinaç��o dos recursos, da produção e até mesmo do consumo. Nesse tipo de sociedade autoritária, não há lugar para a liberdade e para as escolhas individuais. Salvam a natureza e reduzem a vida humana à mera questão da sobrevivência física. Mas slogans fáceis e espetáculos midiáticos não podem ofuscar a eficiência da agropecuária verde-amarela. O Ministério da Agricultura acaba de divulgar os dados do primeiro quadrimestre de 2012. Exportamos US$ 26 bilhões, gerando superavit de US$ 20,8 bilhões. Nunca é demais lembrar que o agro exporta somente 30% de tudo o que produz. E, para isso, usa apenas 27,7% do território, preservando 61% com vegetação nativa. Qual país do mundo pode ostentar uma relação tão generosa entre produção e preservação? Os ambientalistas, em sua impressionante miopia, ainda cobram que a agropecuária deva elevar a produtividade. Nos últimos 30 anos, com apenas 36% a mais de área, a produção de grãos cresceu 238%! Eles não consideram que os índices brasileiros já são elevados e que aumentos são incrementais. Exigem maior produção em menor área, mas condenam sistematicamente as plantas transgênicas, o uso de fertilizantes químicos e de defensivos contra pragas e doenças, pregando a volta dos velhos métodos tradicionais herdados de nossos avós. É fundamental que o novo Código Florestal garanta segurança para que o país continue produzindo o melhor e mais barato alimento do planeta. É inaceitável que o Brasil abra mão da sua capacidade produtiva, deixando de contribuir plenamente para a redução da pobreza, já tendo a maior área de preservação do mundo. KÁTIA ABREU, 50, senadora (PSD-TO) e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), escreve aos sábados, a cada 14 dias, neste espaço. Artigo publicado no jornal Folha de São Paulo em 12/05/2012


investimento

ZPE do Pecém em nova fase

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novo presidente da Empresa Administradora da Zona de Processamento de Exportação do Pecém – EMAZP, Eduardo Santos Alcântara Macêdo, tomou posse no dia dois de maio último. O novo gestor é filho do economista e consultor internacional de negócios, Alcântara Macedo que já foi presidente do CIC - Centro Industrial do Ceará. A Revista Ceará e Municípios foi ouvir o novo presidente que tem apenas 34 anos. Revista Municípios: Qual o objetivo da EMAZP? Eduardo Macedo: O princípio básico é atrair empresas exportadoras. O ideal é que a empresa queira exportar os 100% da produção, porque a receita que for absorvida pelo mercado interno não vai gozar dos benefícios da ZPE R.M.: Que setores estão sendo mais buscados? E.M. :Estamos buscando um aumento das exportações dos alimentos e frutas que podem ser dois dos principais focos de prospecção da Empresa Administradora da Zona de Processamento de Exportação do Pecém (Emazp). Isso se deve pelo fato destes segmentos terem forte atuação no Estado e possuirem grande potencial de crescimento. Ele informou ter tido uma reunião com uma multinacional, recentemente, que garantiu interesse prioritário para se instalar no Ceará, principalmente por conta da logística e do suporte dado pelo Terminal Portuário do Pecém. R.M. :Que ações a EMAZP desenvolve? E.M. : A Emazp desenvolve ações de atração de novas empresas em parceria com o Governo do Estado, por meio da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece). A gente está fazendo um planejamento estratégico para a captação de investidores. Em função da ZPE ter diferenciais, a gente está trabalhando para que, em um curto prazo, possamos vender o nosso peixe melhor. A ZPE precisa ser um bom negócio para as indústrias e também tem que ser um bom negócio para o Estado. Outro desafio da zona de processamento é a liberação dos benefícios tributários à Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), única grande indústria se instalando em uma ZPE no País. “Estamos trabalhando com um cronograma para que, em dezembro deste ano, a ZPE esteja totalmente alfandegada”.

“Venho da iniciativa privada. Minha ótica é sempre do “Desde que foi aprovada pela Assembleia Legislativa a criação empreendedor. Entendo que a ZPE do Pecém está entrando em uma da EMAZP várias empresas já protocolaram solicitação junto ao CEDE-CE de reserva de terrenos para instalação de fábricas nova fase, porque já tem uma grande empresa em instalação em sua na Zona de Processamento para Exportação do Ceará”. área, que é a Companhia Siderúrgica do Pecém”, afirma Macêdo. Eduardo Santos Alcântara Macêdo

Geração Y busca novos desafios tecnológicos O estado do Ceará todos os anos aprova cerca de 40 pré-universitários no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) em São José dos Campos, em São Paulo, e estes jovens de elevado quociente intelectual e mentes inovadoras, anualmente, estão ficando pela região sul do país, poucos são os que retornam para o Estado, afim de por em prática seus ensinamentos adquiridos no ITA. “Mais do que simples soluções, precisamos criar problemas para o que realmente interessa. O que mais nos interessa é criar significados às coisas, para o que fazemos no dia a dia, e não apenas ganhar dinheiro”, aponta o estudante do ITA, o

cearense de Missão Velha, Lúcio Alves. Empreendedorismo Morando em São Paulo, eles explicaram o que buscam e apontaram o que falta no Ceará para que retornem para empreender na terra natal. “Faltanos o ecossistema de negócios, um ambiente mais empreendedor”, avalia o jovem empresário Macedo. “Falta-nos (no Ceará) desafios para empreender, empregos desafiantes, disposição para investir no novo”, acrescenta Lacerda. “Sentimos falta de um líder inspirador, que nos motive pelo exemplo da solução de problemas sociais”, destacou Alves.

Ele ressalta no entanto, que com o surgimento de novos empreendimentos de energia eólica, solar e a refinaria começa a se formar no Estado um novo ambiente de desafios e de oportunidades, que deve começar a ser percebido pelos jovens, mas também pelas empresas. Opinião semelhante tem o diretor Adjunto de Educação e Tecnologia da CNI, Sérgio Moreira. Participante do seminário, ele disse que se reúne hoje, com o presidente da Fiec, Roberto Macedo, com quem irá discutir a formação de um projeto para criar um ambiente de atração e de desafios estimulantes para esses jovens cearenses. PECNORDESTE 2012

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Medida provisória

Fim da exclusividade do BNB em discussão

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mpresários e políticos se encontraram na Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará) dia 22 de maio para discutir a proposta de Medida Provisória 564, que foi apresentada no dia seguinte no Congresso Nacional. Entre outras questões ligadas ao Plano Brasil Maior, a MP que sugere o fim da exclusividade do Banco do Nordeste (BNB) na operação do Fundo do Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). Parte da bancada do Nordeste, liderada pelo senador Inácio Arruda (PCdoB), defende que o BNB continue com a exclusividade do fundo. O senador propôs ainda que se os recursos forem operados por outros bancos federais, como pretende o Governo Dilma Rousseff, o BNB passe a coordenar a gestão do Fundo. O relator da MP na Comissão Mista do Congresso, deputado federal Danilo Forte (PMDB), fez oposição às propostas e disse que o fim da exclusividade será positivo. Segundo Forte, as queixas de setores econômicos são com relação à priorização de alguns setores e à morosidade na aprovação de projetos. Forte defendeu que a capitalização do banco é mais importante do que a exclusividade das operações. “A concorrência pode ser salutar do ponto de vista de fazer com que os recursos cheguem para que os empresários possam tocar seus empreendimentos e o fundamental é que o banco tenha recurso financeiro para aumentar sua capacidade de investimento”, destacou. O relator disse ainda que será incluído na proposta um aporte de recursos para a capitalização do banco. Inácio propôs que a medida contemplasse um volume de R$ 10 bilhões de capitalização para ser liberado ao longo dos próximos anos pelo orçamento da União. Forte disse que apresentará um projeto que contempla uma capitalização imediata, mas com um valor menor, 64

Revista Ceará e Municípios

Jurandir Santiago, presidente do BNB provavelmente de R$ 4 bilhões para que seja aprovada e liberada já no orçamento do próximo ano. “Mas tudo ainda será votado”, esclareceu. A ideia é de que até junho toda a Medida Provisória tenha sido votada nas casas legislativas e enviada para a presidente Dilma Rousseff.

"Isso é um coisa que está em discussão pela bancada. Quem vai decidir, na verdade, são os deputados federais e os senadores, que estão discutindo a MP, com o intuito de ver qual é a proposta final que será encaminhada para aprovação. Esta decisão não cabe a nós do BNB" Jurandir Santiago, presidente do BNB

Autonomia Sem o comando do Fundo e sem a exclusividade, há um enfraquecimento do Banco e da Região como um todo, segundo Inácio. “Propus que as operações sejam feitas no âmbito do Banco do Nordeste, que tem expertise para isso”, destacou. Ele disse ainda que ainda será possível pressionar por mudanças na MP. Sobre a proposta, Forte destacou que o Banco precisaria se capitalizar para emprestar mais. Além da capitalização imediata, outra proposta seria que 75% do lucro e rendimentos do banco retornem automaticamente para a sua autocapitalização, como acontece na iniciativa privada. O deputado disse ainda que o governo pretende dar prioridade a cerca de 20 setores incluídos no Plano Brasil Maior e a partir disso traçar uma política industrial que deverá ser seguida pelo BNB e por outros bancos que deverão ser responsáveis pela liberação dos recursos, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.


O mistério do aquecimento: as nuvens

O

s céticos das mudanças climáticas reconhecem que a liberação de gases estufa fará o planeta se aquecer. Mas afirmam que as nuvens —que, dependendo de seu tipo, podem aquecer ou resfriar a terra— vão mudar de modo a combater a maior parte da elevação prevista na temperatura mundial. “As nuvens são a maior incerteza”, falou Andrew E. Dessler, pesquisador climático da Universidade Texas A&M em College Station. “Os céticos climáticos dignos de crédito estão apostando todas suas fichas nas nuvens.” Richard L. Lindzen, professor de meteorologia no Instituto Massachusetts de Tecnologia, é um dos principais proponentes da ideia de que as nuvens serão salvadoras. A posição de respeito que ocupa em seu campo —ele vem fazendo contribuições seminais para a ciência climática desde os anos 1960— ampliou sua influência. Lindzen diz que a terra não é especialmente sensível aos gases estufa porque as nuvens vão reagir para combater esses gases. Ele acredita ter identificado um mecanismo especial. Num planeta em processo de aquecimento, diz ele, a cobertura menor de nuvens altas nos trópicos permitirá que mais calor escape para o espaço, combatendo a elevação na temperatura. “Muita coisa assustadora que simplesmente não faz sentido vem sendo aventada”, disse. Lindzen recebe tratamento de astro em reuniões de céticos das mudanças climáticas. Quando ele aparece nas conferências do Instituto Heartland, a principal organização americana a promover o ceticismo quanto às mudanças climáticas, é recebido com aplausos retumbantes. Mas a maioria da comunidade científica afirma que Lindzen foi além de qualquer leitura razoável das evidências, para fornecer um perigoso álibi para a inação. Termostatos naturais É verdade que as nuvens exercem efeito enorme sobre o clima. A energia que move a vida na terra chega como luz solar. Para permanecer em temperatura estável, a terra precisa devolver para o espaço a energia que recebe, principalmente sob a forma de calor. As nuvens alternam o fluxo de energia nas duas direções. Tudo contabilizado, as nuvens têm o efeito de resfriar a terra. Nuvens densas e baixas são as responsáveis pela maior parte desse efeito, na medida em que refletem a luz solar de volta para o espaço. Muitas nuvens altas e finas exercem influência oposta, permitindo a passagem da luz solar que chega e prendendo o calor que tenta escapar da atmosfera. “É como tampar uma panela que está sobre o fogão”, disse Andreas Muhlbauer,

pesquisador de nuvens na Universidade de Washington. Ao liberarem gases estufa, que também bloqueiam o calor que procura escapar, os humanos estão perturbando o equilíbrio de calor da terra. No século 19, químicos comprovaram que esses gases, especialmente o dióxido de carbono resultante da queima de combustíveis fósseis, funcionam como um cobertor invisível na atmosfera, bloqueando parte do calor que procura escapar para o espaço. Na metade do século 20, quando ficou clara a rapidez com que estavam subindo os níveis de dióxido de carbono, alguns cientistas começaram a prever um aquecimento do planeta. Mas é difícil traçar uma previsão precisa do aquecimento do planeta, por várias razões, especialmente a questão de como vão reagir às nuvens. Pesquisadores têm virtual certeza de que a quantidade de vapor de água na atmosfera vai subir, juntamente com a temperatura. Mas isso não revela muito sobre o tipo ou a localização das nuvens que vão se condensar a partir desse vapor. Os programas de computador mais complexos chegaram a uma conclusão ampla comum: é pouco provável que as nuvens mudem o suficiente para contrapor-se à maior parte do aquecimento causado pelo homem. Alguns acreditam que as nuvens podem amplificar a tendência de aquecimento, por meio de vários mecanismos, incluindo a redução de algumas das uvens baixas que refletem muita luz solar de volta para o espaço. Outras análises de computador prevêem um efeito neutro. Uma meta importante das pesquisas climáticas é melhorar o modo como as nuvens são representadas nas análises computadorizadas, e alguns dos dados mais importantes para isso estão vindo do pico de uma montanha na zona rural do Oklahoma, perto da cidade de Lamont, onde o Departamento de Energia dos EUA comanda a maior instalação mundial para mensurar o comportamento de nuvens. Recentemente, novos radares no valor de US$ 30 milhões foram instalados no Oklahoma e em outros locais de pesquisas, prometendo uma visão melhor das entranhas das nuvens. Satélites também estão fornecendo dados melhores e as teorias da atmosfera estão sendo aprimoradas. “Estamos a caminho de melhorar muito”, opinou o pesquisador da Nasa Anthony D. Del Genio. A teoria da fuga de calor Lindzen concorda que o dióxido de carbono é um gás estufa e diz que quem discorda disso é “maluco”. Ele também concorda que o nível de dióxido de carbono na atmosfera está subindo em decorrência da atividade humana e que isso deve levar ao aquecimento do clima. Mas, há mais de dez anos, ele vem afirmando que, quando a temperatura de

superfície se eleva, as colunas de ar úmido que se elevam nos trópicos vão provocar mais chuva, deixando menos umidade disponível para virar gelo, que forma as nuvens finas e altas conhecidas como cirrus. Assim como os gases estufa, as nuvens cirrus reduzem o resfriamento da terra e uma redução nessas nuvens contrabalançaria o aumento dos gases estufa. Lindzen chama esse mecanismo de efeito íris, devido à íris do olho, que se abre à noite para permitir a entrada de mais luz. A “íris” de nuvens altas da terra se abriria para a fuga de mais calor. Quando Lindzen divulgou essa teoria, em 2001, disse que ela era fundamentada por dados de satélite obtidos sobre o oceano Pacífico. Mas outros pesquisadores disseram que os métodos que ele empregou para analisar os dados eram falhos e que sua teoria fez suposições que não condizem com os fatos conhecidos. Aguardar e os riscos que isso encerra Hoje, a maioria dos pesquisadores considera a teoria de Lindzen desacreditada. Ele não concorda, mas vem tendo dificuldade em apresentar seus argumentos na literatura científica. Em 2009, Lindzen publicou um artigo apresentando mais evidências em favor de sua teoria, mas novamente outros cientistas identificaram erros, entre eles o fato de não terem sido explicadas imprecisões conhecidas nas medidas feitas por satélite. Lindzen reconheceu que o artigo de 2009 continha “alguns erros estúpidos” nos dados dos satélites. No ano passado, ele tentou propor mais evidências em favor de seu argumento, mas, depois de analistas de um periódico americano de prestígio terem criticado o artigo, Lindzen o publicou num periódico coreano pouco conhecido. Lindzen diz que outros cientistas estão determinados a reprimir visões divergentes. Os outros cientistas alegam que ele retrata incorretamente os trabalhos de outros pesquisadores. Lindzen disse: “Se eu tiver razão, teremos poupado dinheiro” ao evitar tomar medidas para limitar as emissões de gases. “Se eu estiver enganado, saberemos disso em 50 anos e poderemos fazer alguma coisa.” Mas os cientistas da visão majoritária respondem que o impulso da sociedade de esperar para agir apenas intensifica os riscos. Com o tempo, ficará evidente como as nuvens estão reagindo. Mas, segundo os cientistas, pode levar décadas para isso ficar claro, e, se a resposta for que uma catástrofe está a caminho, provavelmente já será tarde para evitá-la. Até lá, dizem os cientistas, a atmosfera conterá tanto dióxido de carbono que o aquecimento substancial será inevitável, e o gás só poderá retornar a um nível normal após milhares de anos. Por JUSTIN GILLIS - The New York Times


SUPERAÇÃO

Agricultores criam um oásis produtivo em meio à seca

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esmo com a seca a comunidade de Caatingueirinha, em Potiretama, est[a conseguindo enfrentar a estiagem com a intensificação na plantação de hortas, árvores frutíferas e a criação de galinhas no quintal de casa. Além da iniciativa ser própria, as sementes em estoque também são do lugar. O que era alternativo virou principal e logo em seguida, a renda é maior com o que produz no quintal do que a própria plantação de milho e feijão em regime sequeiro. As atividades da comunidade, que foram incentivadas pela Cáritas Diocesana, tiveram início há cinco anos. Atualmente, possuem hortas, pomares e criação de animais que ajudam na subsistência das famílias. Antes mesmo que virasse uma política pública de Estado, os quintais produtivos da Caatingueirinha já contrastavam com grande parte do sertão ressequido, marcado pela fome e sede. Apoio Agora os projetos da comunidade já são apoiados pelos bancos e, assim, foi possível potencializar a ideia própria. O quintal de Antônia das Graças Moura Oliveira é talvez a parte mais importante da casa. Ali, ela com o marido e todos os filhos plantam, colhem e criam. A geladeira está cheia de ovo caipira, a macaxeira acabou de sair do fogo, e mesmo quase não chovendo desde o Carnaval tem água para a horta suspensa de onde sai cheiro verde, coentro, pimentão e pimentinha. Logo mais à frente, árvores frutíferas garantem o suco do almoço. A Caatingueirinha tem 59 famílias, e quem não vive no serviço público ou aposentadoria pode dizer que o “inverno tá ruim como um todo”´, mas “com certeza poderia estar pior”, afirma Antônia das Graças, a “Gracinha”. Ao todo 30 famílias da comunidade desenvolvem os seus quintais produtivos. A água para o regadio foi garantida pelas chuvas nos dias de carnaval: a cisterna calçadão (com um grande espelho de concreto, por onde escorre a água) ainda está com 66

Revista Ceará e Municípios

bom volume e ainda dá para mais meses. Um viveiro de mudas garante plantas das mais diversas espécies. A que não for frutífera, dá para um bom chá ou tempero. As frutas são comercializadas na região. O que admirou até mesmo a Dona Gracinha, é que a produtividade no seu quintal está rendendo mais do que ela consegue normalmente na produção de milho e feijão em regime de sequeiro. “Aqui chegamos a tirar mais de R$ 5 mil reais por ano, só com essas plantas e a criaçãozinha aqui”, define o seu quintal. Pode parecer pouco, mas ainda é mais do que a família tem conseguido anualmente na plantação de milho e feijão. A Associação dos Trabalhadores de Caatingueirinha possui uma Casa de Semente com grãos produzidos ali mesmo, sem depender da remessa do Governo do Estado. O estabelecimento foi construído após uma gincana popular para arrecadação de fundos. O nome é bem sugestivo: Casa de Sementes Renascer do Sertão. Ali tem sementes de reserva que se continuar a “seca braba”, eles tem estoque das mais variadas frutas e leguminosas para plantio nos quintais da comunidade. As atividades da comunidade tiveram início cinco anos atrás, a partir do incentivo da Cáritas Diocesana de Limoeiro do Norte. Técnicos da instituição ensinavam como criar projetos de convivência com o semiárido. Hoje eles desenvolvem, além da casa de sementes, sistema agrossilvopastoril, farmácia viva, quintal produtivo e a criação de lideranças comunitárias. Também existiu apoio do P1+2 (Programa uma terra, duas águas), em parceria com a Articulação do Semiárido (ASA). “Quando o governo começou a incentivar a agricultura orgânica nos quintais de casa, nós já estávamos fazendo

aqui”, lembra dona Gracinha. Mas hoje a comunidade mantém as atividades com apoio do Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Organização Barreira Amigo Solidário (OBAS) e da Cáritas Diocesana. O ano de 2013 poderá ter os efeitos da seca amenizados, ainda que naquele ano chova tão menos quanto neste. Isso pelo menos para as famílias que criarem os quintais produtivos, agora amparado pelos governos Estadual e Federal. Por meio de convênio assinado entre o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e Secretária do Desenvolvimento Agrário (SDA) serão construídos 5.700 quintais produtivos. Uma parte tendo água a partir do sistema de barragem subterrânea e outros com cisterna calçadão. Ao todo serão aproximadamente R$ 82 milhões do Governo Federal com contrapartida estadual. A estimativa é de que 67 municípios sejam beneficiados até o final do programa. Matéria e foto de Melquíades Júnior do Jornal Diário do Nordeste


SOCIAL

LANCAMENTO DO PEC NA ASEMBLEIA

O Pecnordeste e a XVI Feira de Produtos e Serviços Agropecuários foi lançado no dia 29 de maio em sessão especial na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará com a presença do presidente da FAEC, Flávio Saboya, coordenador Geral do PECNORDESTE, Paulo Hélder de Alencar Braga, superintendente do SENAR Anisio de Carvalho Junior, dos deputados Manoel Duca da Silveira - presidente da Sub-Comissão do cajú, Herminio Resendepresidente da comissão de Agropecuária, Fernanda Pessoa, do secretário de Desenvolvimento Agrário Nelson Martins, diretor de Agronegonegócio da Adece - Reginaldo Braga Lobo, Articulador de Agronegócio do Sebrae Paulo Jorge e o assessor da presidencia do Sebrae Germano Blumm, Maria Luiza Rufino, delegada federal do MAPA no Ceará, diretor de Agronegócio do BNB, Rivônio Morais, Augusto Júnior, Presidente da ADAGri. A sessão foi requerida pelo deputado Hermínio Resende.

Paulo Hélder coordenador Geral do PECNORDESTE

diretor de Agronegonegócio da Adece - Reginaldo Braga

Paulo Jorge, articulador do Sebrae

Presidente da ACCN Cristiano Maia

Augusto Junior, Presidente da ADAGri

Dr. Antonio Peixoto ex-coordenador do PEC

Euvaldo Bringel Instituto FRUTAL

Anisio de Carvalho, superintendete do SENAR

diretor de Agronegócio do BNB, Rivônio Morais

André Siqueira organizador do Balcão de Inovações Tecnológicas

Germano Blumm e Eduardo Queiroz- FAEC/ SENAR

Deputado Hermínio Resende

XXIV CONFAN

Maria Luiza Rufino, delegada federal do MAPA no Ceará

Pres. Flávio Saboya discursando sobre o PEC

Secretário com presidente da Caprileice, autoridades presentes ao Daniel Pimentel evento

Paulo Hélder mostrando a programação do PEC

Coordenador Técnico Cientifico Jorge Prado

MULHERES EMPREENDEDORAS

Numa promoção conjunta da BPW Brasil e BPW Ceará, realizou-se o XXIV CONFAN Convenção da Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil, no Salão Atlântico Hall, do Marina Park Hotel, em Fortaleza. O evento teve solenidade de abertura no dia 3 de junho, inicinado suas atividades técnicas no dia 4 e finalizando tudo no dia 6/06 quando ocorreu o plantio de uma árvore no Bosque do Marina Park do Projeto “Árvore é vida” da BPW Brasil e a noite aconteceu uma confraternização com um grupo de 60 mulheres BPW no Restaurante Alpendre da Vila. O CONFAN reuniu representantes de 17 estados do Brasil, tendo o Ceará como anfitrião, sendo representado pela presidente da BPW Ceará, Maria Glória Ribeiro, a presidente da BPW Brasil, Suely Batista dos Santos que afirmou que “Sete milhões de mulheres são hoje empreendedoras no Brasil”. Na abetura do evento foi entregue pela presidente da BPW Ce, Glória Ribeiro certificados ao presidente da Funcip, João Bosco Freitas Cordeiro, a deputada federal Gorete Pereira, que estava na China em missão oficial e foi representada por sua assessora Cristina Magalhães, a primeira dama do Estado Maria Célia Habib Ferreira Gomes e ao secretário da Controladoria e Ouvidoria Geral do estado João Alves Melo. Confira alguns flashs do evento:

Autoridades presentes a abertura do evento

secretário João Melo

Presidente da BPW Brasil e Ceará ao lado de amigas BPW

Carlos Hilsdorf fez a palestra magna do evento ao lado das presidentesda BPW CE e BR

Cearenses que prestigiaram o evento

EXPOCONFAM

Cases Programa Mulheres de Negócios do Sebrae

sec. Nelson Martins e o presidente da FAEC Flávio Saboya

Público presente

jornalista Silvana Frotaassessora de imprensa e sua equipe de trabalho

Gloria Ribeiro presidente da BPW Ce falando aos presentes

Freitas Coredeiro presidente da CDL e auoridades

Orquestra de Câmara do Maestro Poti

Roberto Sérgio e Graça Ferreiraex-presidente da BPW CE

Mulheres BPW Ceará

Cerimônia das velas

Projeto Plante uma árvore, no Bosque do Marina


SOCIAL

BOAS PRÁTICAS NA ASSISTÊNCIA SOCIAL

Trinta e dois municípios cearenses e seis personalidades foram homenageadas pelas Boas Práticas de Gestão na Assistência Social, em solenidade realizada dia primeiro de junho ultimo, no Salão Meireles, do Ideal Clube. Entre as autoridades presentes destacamos o Secretario do Trabalho e Desenvolvimento Social, Evandro Leitão,e a gestora do Programa Primeiro Passo Simone Veras, os deputados federais Mauro Benevides e Chico Lopes, os estaduais, Neto Nunes, Lula Morais e Cirilo Pimenta, o Presidente da CDL de Fortaleza, Freitas Cordeiro,a vicepresidente da Apdmce Jô Farias, primeira dama de Horizonte, diversos prefeitos, primeiras damas, secretários de assistência social,vereadores. O evento coordenado pela jornalista Silvana Frota, editora da Revista Ceará e Municipios, teve o apoio e patrocínio da Caixa Economica Federal, Banco do Nordeste do Brasil, Governo do Estado, através da Stds e ASPEC, Maxdata e SC Serviços. Confira as autoridades e municípios participantes:

Secretárias de Assistência Social dos municípios homenageadas

Mesa das autoridades

jornalista Silvana Frota falando aos presentes

FORTALEZA

MOMBAÇA

GRAÇA

OCARA

ACARAPE

ACOPIARA

GUAIÚBA

HORIZONTE

ORÓS

PORANGA

ARACATI

IBIAPINA

QUIXERAMOBIM

Foram realizados sorteios de brindes e 03 melhores colocados receberam prêmios

1º LUGAR - QUIXERAMOBIM Recenu um Notbook doado pela Aspec

2º LUGAR - LIMOEIRO DO NORTE 3º LUGAR - ACOPIARA Recebeu uma impressora da SC Serviço Recebeu uma Câmera Digital doada pela MaxData 1ª Dama de Horizonte, Jô Farias e Cristiane Leitão esposa do Secretário de Trabalho e Desenvolvimento Social do Estado receberam ramalhetes de rosas doados pela Floricultura Cearosa

Repres. da Evidência Collection entregando uma peça da grife ao prefeito de São Benedito

Repres. da HERBALIFE Isabela marinho distribuiu kits de beleza e alimentação


6 personalidades receberam homenagem especial: 1ª Dama do Estado, Vice-Governador, Pres. da AL, Pres. do BNB, Super. da CEF, STDS

Silvana, Marina e

Silvana e Italo Frota ao lado do sec. Evandro Leitão e Familia

BATURITÉ

ICÓ

RERIUTABA

CANINDÉ

IPAUMIRIM

SÃO BENEDITO

1ª Dama de Reriutaba, Teté Lemos, Silvana Frota e Dep. Mauro Silvana Frota e Edite Ximenes Benevides

Casal Italo e Silvana Frota e o médico

CARNAUBAL

LAVRAS DA MANGABEIRA

TAUÁ

Silvana Frota e Dep. Chico Lopes

CARIRÉ

LIMOEIRO DO NORTE

TEJUÇUOCA

Silvana Frota e esposo e Prof Jonas Luis e esposa e Marina da FGF

Silvana e Eugênio Rabelo

Clônia de Reriutaba em Fortaleza

IRAPUAN PINHEIRO

MARACANAÚ

Secretário do Trabalho e Desen. Social Evandro Leitão, destacou os projetos do governo na STDS

Silvana e Rochele Pouchain

Foram homenageados os seguintes municípios: Acarape (Melhor Projeto: Grupo de Convivência da Terceira Idade), Acopiara (Brinquedoteca), Aracati (Casa do Cidadão), Baturité (Circo Escola), Canindé (CRAS), Crateús (Cozinha Comunitária), Catarina (Projovem Adolescente), Carnaubal (Pintores da Inclusão), Cariré (Click Móvel), Guaiúba (Arte em Movimento), Graça (Criatividade Vivendo Tempo), Fortaleza (CRAS Itinerante), Ibiapina (Projovem Adolescente), Deputado Irapuan Pinheiro (PROJOVEM ADOLESCENTE), Horizonte (Programa Nossa Casa), Icó (Projovem Adolescente) Ipaumirim (CRAS), Lavras da Mangabeira (GALPÃO DAS ARTES), Limoeiro do Norte (OPA- Orientação para Pais Atentos), Maracanaú (CRAS Indígena), Mombaça (Projovem Adolescente), Morada Nova (Grupo de Inclusão e Brincadeirasa Infantis), Orós (Cozinha Comunitária),Ocara (FLor da Idade),Poranga (CRAS Volante),, Quixeramobim (Centro de Convivência para Idosos) Reriutaba (Grupo Infantil Arco-Iris), São Benedito (Mentes e Corpos Sarados), Sobral (Incluir com Arte na Cultura) Santa Quitéria (Projeto Vida Ativa), Tauá (Prato Cheio), Tejuçuoca (Bolsa Tejuflora) . PECNORDESTE 2012

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