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Saúde Hoje celebra-se o Dia Mundial da Incontinência Urinária: conheça os tratamentos disponíveis

Segunda-feira, 14 de Março de 2011 | Mundo Universitário Sénior | Edição n.º 2 | Distribuição gratuita

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Universidade Vantagens de estudar depois dos 50 anos

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Entreajuda Projectos Aconchego e Lado a Lado

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DANÇAS Fomos bailar ao Mercado da Ribeira

Alimentos que tratam da sua saúde

Saber comer para saber viver

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Desporto No mexer o corpo é que está o ganho


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Mundo Universitário Sénior | Segunda-feira, 14 de Março de 2011

EDITORIAL Conversas de Primavera

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Veja a chegada da Primavera como uma boa altura para pôr medos e preconceitos atrás das costas.

Índice

Editorial Conversas de Primavera ................................................................... 02

SAÚDE Pedir ajuda é o primeiro passo Descubra como lidar com a incontinência urinária e saiba que tratamentos existem ....................................................... 04 Entrevista Dr. Luís Abranches Monteiro Associação Portuguesa de Urologia ................................................. 05

FORMAÇÃO Horas e dias com mais valor Oportunidades ao seu alcance nas Universidades Seniores........... 06

ENTREAJUDA Vivo com um estudante e gosto Saiba como ter ajuda em troca de alojamento ................................ 07

LAZER o mercado das danças Fomos dar um pezinho de dança ao Mercado da Ribeira .............. 08

DESPORTO Exercício depois dos 60 anos Conheça algumas modalidades desportivas que o ajudarão a ter maior qualidade de vida ................................. 09

Laura Alves • Directora lalves@mundouniversitario.pt

Daqui a exactamente uma semana entramos naquela que é, permitam-me dizê-lo, a estação mais bonita do ano. A Primavera é, mais do que malmequeres e papoilas a brotar pelos campos, sinónimo de renovação. Tal como as árvores que renovam a sua folhagem e se embelezam de flores – e não se esqueça que o dia 21 de Março é também o Dia Mundial da Árvore – esta deve igualmente ser uma época de auto-análise no que diz respeito aos seus próprios hábitos de vida. Falamos de alimentação, de actividade desportiva e cultural, mas também da capacidade de agarrar e concretizar novos desafios. Diz a língua popular que «burro velho não aprende línguas», como quem pretende passar um atestado de incapacidade a quem, em contrapartida, beneficia dessa valiosa ferramenta que é a experiência. É que o saber do povo, tantas vezes certeiro e fruto da observação recorrente, nem sempre é representativo da realidade – ou de toda a realidade. Actualmente, basta-nos estar vivos para aprender. E digo aprender não necessariamente no sentido académico. Já pensou na quantidade de novos processos, objectos e palavras que lhe entraram pela casa dentro nos últimos anos? Viver é aprender, todos os dias, a todo o momento. Quer seja num passeio matinal para desenferrujar os ossos, quer seja num bailarico com os seus compinchas de domingo à tarde – a propósito, não deixe de espreitar a reportagem que fizemos no Mercado da Ribeira –, quer seja num dos cursos em que se inscreveu na Universidade Sénior que frequenta, quer seja numa conversa sobre os temas que marcam a actualidade... E as conversas, já se sabe, são como as cerejas: vêm umas atrás das outras. Razão pela qual gostaria de destacar um tema que merece ser abordado, falado, discutido, desmistificado, não só hoje, mas durante todo o ano. Assinala-se hoje, a 14 de Março, o Dia Mundial da Incontinência Urinária, uma doença que atinge cerca de 600 mil pessoas em Portugal, de acordo com dados da Associação Portuguesa de Urologia. Normalmente, assuntos de tamanha intimidade são postos para ‘debaixo do tapete’, como que dizendo que o que não se vê não faz diferença e não incomoda. Acontece que quem sofre desta doença sabe bem quão incómodo e limitador pode ser guardar um segredo tão grande, só porque se tem vergonha de procurar auxílio, aconselhamento e tratamento. Angústias debaixo do tapete raramente dão bom resultado, acredite. Caso sofra ou conheça alguém que sofre de incontinência urinária, veja a chegada da Primavera como uma boa altura para pôr medos e preconceitos atrás das costas. Falamos-lhe deste tema nas páginas 4 e 5 desta segunda edição do Mundo Universitário Sénior – um jornal que é distribuído nas Universidades Seniores e que o/a convida, desde já, a partilhar as notícias e acontecimentos que fazem parte do seu mundo.

APETITE Comida sã para corpo são Na sua cozinha encontra alimentos que ajudam a prevenir algumas doenças. Saiba quais ........................................ 10

CULTURA Música e livros Sugestões culturais para celebrar a Primavera ................................ 11

Entre em contacto com o Mundo Universitário Sénior Queremos saber o que acontece de importante na sua universidade. Se tem uma história interessante, deseja divulgar um evento ou tem uma opinião que gostaria de partilhar, contacte-nos: Jornal Mundo Universitário Sénior – Moving Media Estrada da Outurela, 118, Parque Holanda-Edifício Holanda, 2790-114 Carnaxide Tel.: 214 201 350 | E-mail: senior@mundouniversitario.pt

ficHa TécNicA: Propriedade: Moving Media Publicações Lda | Empresa n.º 223575 | Matrícula n.º 10138 da C.R.C. de Lisboa | NIPC 507159861 | Conselho de Gerência: António Stilwell Zilhão, Francisco Pinto Barbosa, Gonçalo Sousa Uva | Directora: Laura Alves | Colaboradores: Andreia Arenga, Bruna Pereira, Emanuel Amorim, Magda Valente, Renata Lobo | Paginação: Filipa Andrade | Revisão: Catarina Poderoso | Marketing: Vanda Filipe | Publicidade: Margarida Rêgo (Directora Comercial), Elsa Tomé (Account Sénior), Mariana Jesus (Account Júnior) | Distribuição: José Magalhães | Sede Redacção: Estrada da Outurela n.º 118 Parque Holanda Edifício Holanda, 2790-114 Carnaxide | Tel: 21 420 13 50 | Tiragem: 7 500 | Distribuição: Gratuita | Impressão: Grafedisport; Morada: Casal Sta. Leopoldina – Queluz de Baixo 2745 Barcarena; ISSN 1646-1649.


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Saúde tratamento. A incontinência urinária é um problema que atinge 600 mil pessoas em Portugal

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Nunca me fechei em casa por causa disso. Sempre que é necessário resolver algum assunto vou onde for preciso. Carminda Vaz, 80 anos

Contactos úteis Associação Portuguesa de Urologia Rua Nova do Almada 95 - 3ºA 1200-288 Lisboa Tel.: 213 243 590 E-mail: apurologia@mail.telepac.pt Associação de Doentes com Disfunção da Bexiga Apartado 3014 4716-909 Braga Tel.: 967 338 293

Pedir ajuda é o primeiro passo

Texto: Andreia Arenga

Vergonha e medo são alguns dos sentimentos comuns a pessoas que sofrem de incontinência urinária. Mas actualmente há vários tratamentos eficazes e 90 por cento dos casos têm cura. Carminda Vaz, de 80 anos, e José Monteiro, de 69 anos, procuraram ajuda médica e hoje levam uma vida normal. O que deve saber sobre a incontinência urinária • A incontinência urinária é a incapacidade de armazenar e controlar a saída de urina; • As mulheres têm mais probabilidades de serem afectadas do que os homens; • Existem dois tipos de incontinência urinária: * Incontinência urinária de esforço: perda involuntária de urina ao tossir, fazer esforços, espirrar, levantar objectos pesados. As principais causas deste tipo de

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empre foi uma pessoa activa, mas há cerca de 30 anos Carminda Vaz deparou-se com a doença. «Tive um traumatismo craniano e comecei a perder urina sem dar por isso», conta. Esta é, aliás, uma das causas da incontinência urinária (IU). Apesar de este ser um problema que se desenvolve sobretudo nas mulheres, após a menopausa e devido a problemas obstétricos graves, esta doença pode também surgir associada a problemas neurológicos. «Muitas destas incontinências têm por trás problemas como os AVC, traumatismos da coluna, a esclerose múl-

tipla, entre outros», explica Luís Abranches Monteiro, médico urologista no Hospital Curry Cabral e secretário-geral da Associação Portuguesa de Urologia. Um problema social Além de ser um problema de saúde, muitas vezes a perda de urina afecta também a vida familiar e social destas pessoas. Mas no caso de Carminda isso não aconteceu. A doença nunca interferiu com a sua vida social e nunca a impediu de sair de casa. Sempre levou uma vida normal. «É uma situação que me incomoda, mas na relação com os outros nunca me afectou. Nun-

ca me fechei em casa por causa disso. Sempre que é necessário resolver algum assunto vou onde for preciso, saio. Nunca tive esse tipo de problemas», descreve Hoje tem 80 anos, fez tratamento por fisioterapia e consegue levar uma vida normal apesar de não ter recuperado totalmente. «Claro que antes parava no meio da rua com vontade de urinar e, hoje em dia, isso já não acontece com essa intensidade, mas ainda continuo a perder urina», explica. Um homem em cada três mulheres Apesar de a maioria dos casos de IU afectarem as

problema são perturbações do aparelho urinário associadas à idade, gravidez ou parto, problemas obstétricos pós-parto ou menopausa; * Incontinência urinária de urgência: grandes perdas de urina e vontade súbita e incontrolável de urinar. As principais causas são: traumatismos neurológicos causados por AVC, traumatismos da coluna, esclerose múltipla, intervenções cirúrgicas na extração de tumores da próstata no caso dos homens.

mulheres – cerca de 40 por cento da população feminina – em algumas circunstâncias os homens também podem desenvolver este problema. Estima-se que em cada três mulheres exista um homem afectado pela doença. É o caso de José Monteiro (nome fictício), de 69 anos. «Fui operado à próstata em 2005 e não recuperei da incontinência com que fiquei. Se mexia em água ou ficava muito tempo de pé era uma desgraça», relembra. Ao contrário de Carminda, o problema acabou por afectar bastante a vida de José, tanto a nível psicológico como social. Deixou de sair,

evitava falar com os amigos e no local de trabalho também se sentia constrangido. «Não me sentia à vontade para sair. Tinha que colocar sempre um penso, mas mesmo assim ficava com receio, e nunca bebia nada fora de casa. Não gosto de falar nisto aos meus amigos e, por isso, ia poucas vezes ao café. No trabalho, tentava ir às vezes à casa de banho mas era um problema», recorda. Começou por tomar medicação, mas como não se sentia melhor, pediu ajuda à Associação de Doentes da Bexiga. Começou a fazer fisioterapia duas vezes por semana e aprendeu alguns

exercícios para controlar a bexiga. «Já estou bem e no trabalho já passo muito melhor. Mas a fisioterapeuta diz que devo fazer mais algumas sessões. Ainda tenho algum receio, mas já não molho o penso.» Durante quase seis anos, José Monteiro tentou ocultar a doença e hoje acredita que, se tivesse sido tratado mais cedo, tinha sido mais fácil controlar o problema. De acordo com a Associação Portuguesa de Urologia, a IU corresponde a uma situação clínica com tratamento, sobretudo se for detectada logo numa fase inicial. A taxa de cura desta doença é de cerca de 90 por cento.


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saúde

entrevista

Dr. Luís Abranches Monteiro Médico urologista no Hospital Curry Cabral e secretário-geral da Associação Portuguesa de Urologia

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Acho que o tabu e a vergonha estão a desaparecer.

Texto: Andreia Arenga

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omo é que uma pessoa pode detectar que está perante a doença? Por definição, a incontinência urinária (IU) é a perda involuntária de urina e quem faz o diagonóstico é o próprio doente. Ou seja, desde que a pessoa esteja a perder urina assume-se desde logo que está com uma IU. Isto não quer dizer de maneira nenhuma que saibamos logo à partida qual é o mecanismo que está a provocar isso porque há muitas formas diferentes de isso acontecer e aí é que nós, médicos, entramos.

Quais são as maiores dificuldades que os pacientes sentem ao lidar com a doença? Há vários tipos de IU, mas há dois que talvez sejam os principais. O primeiro, a que chamamos incontinência de esforço, são perdas de pouca magnitude provocadas por algum esforço maior que a pessoa faça como tossir ou espirrar. Esse é o mais frequente, o mais fácil de identificar e de tratar, e aquele que causa menos perturbação às pessoas. Claro que é muito aborrecido, mas não tem nada a ver com um outro tipo de incontinência, a incontinência por

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urgência, que já é uma espécie de desregulação do funcionamento da bexiga que se começa a contrair sem a pessoa querer. E aí acontece sem aviso, em que o paciente não tem tempo para reagir nem se defender. Socialmente isso é terrível porque a pessoa nunca sabe quando é que isso pode acontecer. Faz com que as pessoas não saiam de casa, não invistam em viagens, em espectáculos. A incontinência por urgência é aquela que tem mais influência no trabalho, ou seja, as pessoas chegam a ter medo de ir para reuniões e chegam, inclusivamente, a recusar empregos que obriguem a estar em contacto com o público. É uma limitação maior em termos sociais e médicos. Este tipo de incontinência é diferente da outra porque também não se trata com operações, é controlada com medicação. Qual a população mais atingida? As mulheres. A incontinência de esforço, que tem muito a ver com esta fraqueza muscular e tendinosa, afecta fundamentalmente a mulher pós-menopausa, entre os 45 e os 65 anos, muitas vezes com traumatismos obstétricos. Os homens normalmente não são muito atingidos por este problema, a não ser que tenham sido submetidos a uma operação para retirar algum tumor na próstata e aí ficam C

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Como combater a Incontinência urinária • Não sinta medo, este não é um problema raro e 90 por cento dos casos têm cura; • Procure um médico e fale com ele abertamente. Há tratamentos eficazes no combate à doença; • Há duas formas de tratamento, medicação ou cirurgia, dependendo do tipo de incontinência. O seu médico pode também ajudá-lo a controlar os sintomas e a conhecer o seu organismo através de pequenos exercícios; • Não sinta vergonha. Tente não se isolar em casa, procure os amigos mais próximos e familiares. Eles podem ajudá-lo a levar uma vida normal.

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com uma situação muito parecida à das mulheres provocada por essa intervenção médica. Ainda existem estigmas sociais associados à incontinência urinária? Aqui há muitos anos era incrível como as pessoas estavam décadas sem fazer a sua vida social, sem fazer viagens, e usar fraldas para tentar ocultar o problema sem pedir ajuda a ninguém. Isto de certa maneira tinha alguma razão de ser porque tinham vergonha e como não se falava disso as pessoas pensavam que era uma doença rara. Aliando o medo à descofiança e ao pudor, estas pessoas preferiam não dizer nada. Hoje em dia é diferente por várias razões: uma delas porque

as pessoas começaram a ouvir falar deste problema e já não é tão dificil tratá-lo. Por outro lado, o tratamento que os media têm dado a este assunto também veio contribuir para que se falasse mais do problema. Acho que o tabu e a vergonha estão a desaparecer pela interferência benéfica da comunicação social ao nível deste tema.

e para lidarem melhor com aquelas grandes perdas e conseguirem socializar. As pessoas aprendem a lidar com a sua bexiga, a reter um pouco mais a urina e a contrair determinados músculos. Isso aliado à medicação funciona para que a pessoa possa levar uma vida normal, sair com os amigos, com a familia, socializar.

O que devem fazer para ter uma vida normal? As pessoas que sofrem de incontinência de esforço levam uma vida normal. Quanto às pessoas que têm incontinência por urgência a melhor solução, de facto, é a pessoa fazer a medicação, embora haja alguns truques que nós ensinamos aos doentes para se protegerem

Quais são as vantagens da cirurgia? Nós tentamos explicar que é realmente muito simples. Muitas vezes é feita em ambulatório e a eficácia é quase total. Portanto, obviamente que as pessoas optam por isso. É uma coisa quase sem internamento e que de um dia para o outro ficam com o problema resolvido.

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formação

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Há pessoas que nunca tiveram oportunidade de passear, de ir ao teatro, de pintar, de ter informática, e procuram a universidade com esse sentido, de fazer coisas que nunca fizeram antes.

Mundo Universitário Sénior | Segunda-feira, 14 de Março de 2011

osco! n n o c e l a F notícias

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Luís Jacob, presidente da RUTIS

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O Horas e dias com mais valor Onde estão as Universidades Seniores?

De Norte a Sul do País. Desde Viana do Castelo, passando pelo Porto, Aveiro, Coimbra, Lisboa, Santarém, Portalegre, Setúbal, Évora, Beja e Faro. Procure aquela que está mais próxima da sua área de residência em www.rutis.pt.

UNIVERSIDADES SENIORES Maiores de 50 anos optam por voltar à escola para recuperar o tempo perdido

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Combater o isolamento e dar conhecimento são os principais objectivos das universidades seniores, que estão espalhadas um pouco por todo o País. De Norte a Sul, nas grandes cidades ou nas aldeias, pessoas com mais de 50 anos encontram nestas escolas uma porta aberta para o mundo com actividades que nunca antes tiveram oportunidade de desenvolver. Texto: Andreia Arenga

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aria do Céu tem 58 anos e há dois que frequenta a Universidade Sénior de Benfica. É enfermeira, está reformada e decidiu inscrever-se para se manter activa. «É extremamente importante uma pessoa continuar activa. Há um ditado popular que diz ‘parar é morrer’ e as depressões, e o que se tem falado por aí sobre as pessoas que acabam por morrer sozinhas, acontece precisamente porque já chegaram a uma fase de isolamento que é muito difícil quebrar. Acho que não nascemos para viver sozinhos e, por essa razão, acho que este tipo de dinâmicas é fundamental», diz. Combater a solidão Essa é, aliás, uma das razões pelas quais as pessoas com mais de 50 anos optam por integrar estas escolas, para combater a solidão.

«Temos imensos casos de pessoas que lá chegam já em pré-depressão porque não sabem o que fazer às horas e aos dias. A universidade coloca-as em contacto com outras pessoas, novas actividades. No fundo vem animá-las. O primeiro objectivo é tirá-las de casa», conta Luís Jacob, presidente da Rede de Universidades da Terceira Idade (RUTIS). Por outro lado, a procura de conhecimento é também uma das motivações. Aqui, os alunos podem escolher as disciplinas que querem fazer consoante os seus interesses. Informática, Inglês e Cidadania parecem ser as preferidas da maioria, mas há também História, Saúde, Artes Decorativas e Ginástica. Aprender por gosto «Todas as pessoas querem aprender. E aqui a grande vantagem é que se aprende

por gosto. Um dos segredos do sucesso das Universidades Seniores é precisamente essa informalidade», diz Luís Jacob. Ao contrário das outras universidades, a RUTIS não atribui nenhum grau académico aos alunos. O objectivo é manter estas pessoas activas e combater o isolamento típico destas faixas etárias. «Há grupos de pessoas predominantemente domésticas que nunca tiveram oportunidade de passear, de ir ao teatro, de pintar, de ter informática, e procuram a universidade com esse sentido, de fazer coisas que nunca fizeram antes.» Uma rede sempre em crescimento O projecto da RUTIS arrancou em 2001 e, na altura, apenas a população de Lisboa e Porto tinha acesso às Universidades Seniores.

Neste momento contam-se 170 escolas em todo o País, desde os grandes centros urbanos, passando por zonas mais rurais como Penamacor, Borba ou Ilha do Pico na Região Autónoma da Madeira. Há cerca de 35 mil alunos e 80 por cento das pessoas que frequentam estas universidades são mulheres entre os 60 e os 80 anos. Mas o presidente da RUTIS diz que a aluna mais velha tem 96 anos e, no que diz respeito às habilitações, a população é extremamente heterógenea. «Este é um projecto claramente transnacional. Tem mais a ver com as habilitações das pessoas do que propriamente com o sítio onde estão. A maioria terá a antiga 4.ª classe ou o 5.º ano de escolaridade, mas há pessoas que têm desde a 4.ª classe até ao doutoramento.»

Maria Graciosa Martins, 60 anos Há quanto tempo frequenta as aulas aqui? Há dois anos. Porque decidiu inscrever-se? Porque uma amiga disse que estava a gostar muito e eu vim também. E gosto. E o que fazia antes? Estava a trabalhar em contabilidade. O que é que gosta mais aqui? Gosto muito de Ginástica e Informática. E acha que é importante haver estas actividades? Acho importantíssimo. Para ocupar o tempo e a mente.

Maria do Céu Portugal, 62 anos

Há quanto tempo frequenta as aulas aqui? Este é o segundo ano. Porque decidiu inscrever-se? Para não estar parada, para conviver, para aprender. E o que fazia antes? Era técnica de laboratório. E o que é que os seus familiares acharam de vir para a escola novamente? Acharam bem. (risos) O que é que gosta mais aqui? Gosto de Pintura, gosto de História de Lisboa e da Ginástica. E acha que é importante haver estas actividades? É muito importante. Tanto pelo convívio como por aquilo que se vai aprendendo. Como a minha área de estudos era muito específica, com Química e Matemática, muitas disciplinas como História de Arte ou Pintura passaram-me ao lado. E agora nesta universidade tenho oportunidade de aprender sobre essas matérias. É mais cultura geral, portanto estou a gostar muito.


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entreajuda

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SOLIDARIEDADE. Dar alojamento em troca de ajuda e companhia

Enquanto cá estão são a melhor companhia que se pode ter. Maria José, 87 anos

Programa Aconchego, no Porto Sabia que o Programa Aconchego foi distinguido, em Novembro passado, com o prémio ‘This is European Social Innovation’? Das 100 candidaturas iniciais, foram escolhidas pela Euclid Network, em parceria com a Comissão Europeia, a Social Innovation Exchange e o Bilbao Social Innovation Park, 10 projectos de 23 países que são exemplo de iniciativas sociais e solidárias inovadoras. Se está interessado em obter mais informações sobre o Programa Aconchego pode contactar a Fundação Porto Social, através do telefone 225 899 260, e a Federação Académica do Porto, pelo telefone 226 076 370.

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Programa Lado a lado, em Coimbra Se conhece alguém que vive em Coimbra e que poderá estar interessado, não hesite em pedir mais informações junto da Direcção Geral da Acção Social Académica de Coimbra, através do telefone 239 410 400, ou ainda junto do Centro de Acolhimento João Paulo II, através do número 239 404 483.

Vivo com um estudante e gosto

Tem dias em que as paredes lá de casa lhe pesam mais do que os anos? Gostava de ter alguém com quem falar sobre tudo e nada em particular? Alguém que lhe aviasse a receita médica, que o levasse ao cinema, que lhe regasse as plantas ou que lhe fizesse apenas companhia à hora de jantar? Com os programas Aconchego e Lado a lado poderá beneficiar da companhia e da ajuda de estudantes universitários sem ter de pagar nada por isso. Texto: Bruna Pereira

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afalda Guedes tem 21 anos e Maria José 87. Ambas moram na mesma casa no Porto desde Setembro de 2010, graças ao Programa Aconchego, e nem uma nem outra se imagina a voltar a viver sozinha depois desta espécie de ‘amor à primeira vista’. «Gosto muito da Maria José, porque é uma espécie de avó, mas também amiga. Fazemos limpezas juntas, cozinhamos o almoço juntas, vemos os mesmos programas de TV juntas e se tenho algum problema sei que posso desabafar com ela», diz Mafalda Guedes, aluna do Curso de Solicitadoria no Instituto Superior da Maia (ISMAI) e natural de Santa Marta de Penaguião, Vila Real. A diferença de idades, nem se dá por ela, acrescenta a estudante. «Eu e a Maria José já fomos ver concertos de rock juntas e, recentemente, vimos ‘O Turista’, o

filme em que entra o Johnny Depp e a Angelina Jolie e ela gostou muito! (risos)», contou Mafalda, acrescentando que esta experiência tem sido muito enriquecedora para ela, já que poupa dinheiro com a habitação e os pais até ficam mais descansados, porque ela não vive sozinha. Para Maria José, a experiência também não podia estar a ser melhor, ou não fosse já o quarto ano a ter jovens lá em casa. «Soube do Programa Aconchego através de uma amiga, que me disse que eu podia deixar de viver sozinha se fizesse como ela e aderisse à iniciativa. A Mafalda é já a quarta pessoa que tenho comigo, porque os estudantes chegam, vão para ERASMUS, formam-se e depois vão embora. Mas enquanto cá estão são a melhor companhia que se pode ter. Já não me imagino a voltar a viver sozinha.»

Troca vantajosa Desde 2004, ano em que começou a dar os primeiros passos, o Programa Aconchego já juntou mais de 40 outros pares bem-sucedidos de jovens/seniores na Cidade Invicta. Esta iniciativa da Câmara Municipal do Porto, desenvolvida em parceria com a Fundação Porto Social e a Federação Académica do Porto assenta numa perspectiva inter-geracional, onde o sénior disponibiliza casa ao estudante e o estudante contribui, através da sua companhia, para a diminuição do sentimento de solidão e de isolamento do sénior. «Aconselho vivamente esta experiência a todas as pessoas de idade que se sintam sozinhas. Tenho conhecido jovens muito educados, cultos e sérios e é com eles que tenho dividido a minha vida nos últimos anos, sem que se perca a privacidade de cada um», refere Maria José.

Se ficou interessado depois de ler esta história real, saiba que podem aderir ao programa seniores com mais de 60 anos residentes no concelho do Porto que vivam sozinhos ou com o cônjuge e com condições na sua casa para o acolhimento de um estudante. Quanto aos candidatos, estes serão obrigatoriamente estudantes do ensino superior, com idade entre os 18 e 35 anos, não residentes no concelho do Porto e que anseiem por uma troca de experiências entre gerações, ao mesmo tempo que poupam dinheiro na renda da casa. Em Coimbra, Lado a lado Com objectivos semelhantes, é em Coimbra, cidade dos estudantes por tradição, que podemos encontrar o Projecto Lado a lado, cujo mote solidário é ‘Ajudar e ser ajudado’. A iniciativa, que vai já no seu terceiro ano de existência, é uma

versão do Programa Aconchego moldada ao contexto demográfico coimbrão e pretende ser «um compromisso inter-geracional, no qual um estudante universitário recebe alojamento grátis, em troca de acompanhamento diário a um idoso.» O projecto recebe qualquer estudante da Universidade de Coimbra que seja deslocado, com comprovadas carências económicas e com aproveitamento escolar, disposto a apoiar um idoso nas mais variadas tarefas, desde ir ao supermercado, até acompanhá-lo a uma consulta médica. Se está a ler este artigo e já fez cara de desconfiado, tenha calma, porque como explica Francisco José Guerra, coordenador-geral do Pelouro da Acção Social Académica de Coimbra, este processo de recrutamento e selecção dos alunos é bastante demorado, minucioso e conta com a colaboração do

Centro de Acolhimento João Paulo II, enquanto intermediário com os seniores. «A Associação Académica explica as condições aos alunos interessados e encaminha-os para o Centro João Paulo II, onde passam por um acompanhamento psicológico de forma a perceber se são ou não compatíveis com os idosos interessados em fazer parte do programa.» O que se procura é «um casamento perfeito», garante Francisco José Guerra, pois mais do que um encontro inter-geracional, o Projecto Lado a lado é uma lição de vida. «Muitos idosos do projecto foram estudantes de Coimbra em tempos e sabem muitas coisas sobre como era a cidade na época. Gostam de partilhar essas memórias e são muito carinhosos. Os estudantes aprendem com eles coisas que não estão nos currículos académicos e que são uma mais-valia pessoal sem preço.»


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Mundo Universitário Sénior| Segunda-feira, 14 de Março de 2011

lazer

©Mónica Moitas

Actividade barata e saudável

MATINÉ. Fomos espreitar os bailes do mercado da Ribeira, em Lisboa

Licínio de Carvalho, responsável pelos bailes no Mercado da Ribeira, afirma que o sucesso da iniciativa se deve «à localização central, à forma como é gerida, à amplitude do espaço e à arte de bem acolher.» O público está, maioritariamente, acima dos 50 anos. «É um espaço de convívio, um ponto de encontro para pessoas que estão muito sós e isoladas em casa. Vêm aqui, fazem o seu lanche de aniversário com os seus amigos e conhecidos e combatem à solidão. E, até mesmo do ponto de vista da saúde, é um óptimo exercício físico e faz-lhes muito bem dançar.» Os preços são convidativos. «Durante os dias de semana são 2,50 euros, aos sábados 3 euros e aos domingos 3,50 euros.»

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Fecho anunciado Infelizmente, por estes dias o Mercado da Ribeira vai fechar portas. «A Câmara Municipal de Lisboa promoveu um concurso público para a concessão do piso superior do mercado e naturalmente vão fazer-se obras no espaço para o adaptar aos novos projectos que aí vêm.» Os bailes vão funcionar até ao final de Março, todas as quartas, sextas, sábados, domingos e feriados das 15h00 às 19h00. Depois dessa data «ainda não se sabe o que vai acontecer. A intenção é reabrir os bailes da ribeira noutro espaço próximo, mas ainda não sabemos qual é.» Licínio de Carvalho garante que a alteração será devidamente anunciada.

Nos dias de baile não há peixeiras a apregoar o peixe mais fresco ou a couve mais tenra, nem se ouve o burburinho dos fregueses. Ouve-se, sim, a música ao vivo que incentiva a dar uns pezinhos de dança. O Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré, tem-se enchido para os bailaricos de outrora, servindo de convívio, passatempo ou mesmo terapia. Texto: Magda Valente

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ma sala ampla acolhe os muitos dançarinos que decidiram vir até à Ribeira. Todas as quartas, sextas, sábados, domingos e feriados há baile. E não há melhor desculpa para sair de casa. Deslizam leves e soltos, conversam, fazem amigos, cantam e convivem como se o tempo tivesse parado numa tarde de mil novecentos e troca o passo quando ainda eram jovens. Dançar e namorar Irene, 73 anos, e Antero Cardoso, 76 anos, podiam ser a Rita peixeira e o Chico pescador que Amália Rodrigues cantava. A história é mais ou menos semelhante. Namoriscavam de formas diversas, dois caixotes de sardinha, dois dedos de conversa. E foi assim que conheceram

o baile. Ainda são «do tempo em que esta sala só abria aos fins-de-semana.» Sempre gostaram de dançar, namoravam ao som das melodias e dizem que esse é o segredo de um casamento sem ‘zaragatas’. É isso que os faz vir todas as semanas ao baile do Mercado da Ribeira. Isso, e o facto de se encontrarem com os amigos que já fizeram por lá e com quem partilham estas matinés. «É o que mais gostamos de fazer nesta altura da vida. Dançar, comunicar com o corpo um do outro e observar os nossos amigos que também dançam bem.» Dizem que o convívio é do melhor e já não passam sem ir ao baile. «Incentivamo-nos um ao outro para virmos e termos uma tarde diferente. Se não viermos já nem é a mesma

coisa. Até procuramos um lugar todos juntos porque gostamos da presença das pessoas.» Antero confessa que a ideia está aprovada pela médica de família que lhe diz para «não parar porque movimentarmo-nos ao som das músicas faz-nos muito bem.» Não são dançarinos profissionais e nem pretendem sê-lo. «Fazemos o que gostamos e a mais não somos obrigados. O tango é o nosso favorito.» Irene faz um convite a todos os que nos estão a ler: «venham conviver, gozar a vida, conhecer pessoas e conversar. Não fiquem dentro de casa, porque para isso já basta o resto dos dias.» Espantar as tristezas Os grupos musicais variam. Há músicas de diferentes gé-

neros para agradar a todos. Se quer dançar e não tem par, não é preciso chamar o António. É esperar que um qualquer cavalheiro com este ou outro nome venha ter consigo e a convide para um pezinho de dança. São muitas as senhoras que estão sentadas à conversa com as amigas e outras que até dançam sozinhas. Foi assim que encontrámos Olinda Leite, 75 anos. Só há três anos é que soube dos bailes no Cais do Sodré; veio ao primeiro e desde então não falha nenhum. «Sou viúva, tenho uma família enorme, mas os meus filhos estão espalhados e esta foi a forma que eu encontrei para combater a solidão.» Já fez muitas amigas: «há muitas senhoras viúvas que também vão ao baile. Elas conversam muito comigo e quando não venho elas estranham logo e até

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O mercado das danças

Irene Cardoso, 73 anos

Incentivamo-nos um ao outro para virmos e termos uma tarde diferente. Se não viermos já nem é a mesma coisa.

telefonam para minha casa a perguntar o que é que se passa.» Quando querem dançam umas com as outras e outras vezes dançam sozinhas. «Não danço com homens. Os homens que cá vêm e costumam vir ter comigo já sabem», diz Olinda, recordando a primeira vez que foi ao baile. «Vinha de kispo vestido, encostei-me à parede e fiquei a ver. Depois vieram-me buscar para dançar e a partir daí fiquei mais à vontade.» Já gostava de o fazer quando era mais nova mas cedo deixou bailar. «Um dos meus maridos não gostava de dançar e o outro queria ir aos bailes sozinho. Eu ficava em casa. Agora, eles os dois já morreram e eu estou a viver a minha vida. Os meus filhos sabem e apoiam-me porque es-

tou a fazer o que eu gosto. Venho aqui para esquecer tudo o que me chateia durante a semana e aliviar o stress.» Tempo bem passado A festa na Ribeira não é só para quem gosta de dançar. Entre um e outro pé de dança pode ir ao bar pesticar um salgadinho e matar a sede. Há lugar para todos, incluindo os pés de chumbo. Que o diga Alberto João, de 58 anos, que decidiu vir aos bailes por «simples distracção, para conviver com as pessoas, beber uma imperial e passar o tempo.» Considera que a iniciativa «é saudável, uma forma de descontrair e não pensar nos problemas.» E além disso ainda «é uma forma económica de nos divertirmos.»


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desporto

FAÇA DESPORTO. Mexer-se um pouco todos os dias só lhe vai fazer bem à saúde e ao espírito

BENEFÍCIOS DO EXERCíCIO FÍSICO Rui Barros Instrutor da cadeia Womanfit www.womanfit.pt

Os benefícios de um estilo de vida fisicamente activo incluem uma redução da incidência de diversos tipos de doenças, nomeadamente as doenças vasculares, a diabetes, a obesidade e a osteoporose. Além disso, são vários os benefícios psicológicos e sociais inerentes à prática de actividades físicas e desportivas. Está cientificamente provado que quando associada a uma boa condição cardiorespiratória, a actividade física verifica uma diminuição da taxa de mortalidade. No entanto, para se obterem os efeitos benéficos descritos é necessário que a actividade física seja praticada de forma regular.

Exercício depois dos 60 anos

Cuidados a seguir Antes de iniciar qualquer modalidade existente no fitness, desenhadas para alcançar os objectivos desejados, é necessário que tenha em conta o seu estado de saúde e condição física. Através de uma avaliação funcional de qualidade, os treinadores recolhem dados que serão fundamentais na prescrição das actividades indicadas e adequadas para o objectivo pretendido. Numa avaliação séria e cuidada, é necessário medir a pressão arterial, medir o Vo2 máx, medir a percentagem de massa gorda para cruzar com o índice de massa corporal, medir os perímetros, a força e flexibilidade. Só através da recolha destes dados é possível orientar para um exercício adaptado ao seu estado de condição física e ajudá-lo a melhorar a sua qualidade de vida, dando mais vida aos seus anos. Se os leitores estiverem em algum ginásio que não siga este procedimento, ‘desconfie’, ou só por mero acaso conseguirá atingir os seus objectivos!

Texto: Renata Lobo

Quem disse que a idade é incompatível com o exercício físico? Não só pode fazer desporto, como deve! Claro que, adaptando sempre a sua condição física à actividade escolhida, e sempre com a supervisão de especialistas do desporto, fisioterapeutas e médicos. A par de uma boa alimentação, o exercício físico é fundamental para combater a falta de energia e ter maior qualidade de vida. Nunca é tarde para começar. O aquecimento Se está destreinado, não convém atirar-se ao exercício como se não houvesse amanhã. Primeiro precisa de uma fase de aquecimento, de cinco a dez minutos, esticando suavemente os músculos e respirar fundo, fazendo ligeiras flexões. Assim não corre tanto risco de se lesionar. Movimentos circulares com os braços, rotação de ombros e cabeça e exercícios de respiração podem ser feitos em casa. E fica mais uma sugestão para o dia-a-dia: todos os dias ao acordar… espreguice-se! Determine o ritmo cardíaco Para calcular o ritmo cardíaco adequado ao exercício físico subtraia a idade a 220 e mul-

tiplique o resultado por 0,65. Para saber o seu ritmo cardíaco actual é só medir as ‘bpm’ (batidas por minuto) no pulso ou pescoço. Conte as pulsações durante dez segundos e multiplique por seis. Caminhadas, para que vos quero Todos sabemos que o sol a bater num banco do jardim é sempre um excelente convite para nos sentarmos. E que tal primeiro dar umas voltas ao jardim? As caminhadas são um dos exercícios mais recomendados, até porque se adaptam com mais facilidade à condição física de cada um, e pode andar com o seu próprio tempo e velocidade. Uma coisa é fundamental: ter calçado adequado.

Caminhar não exercita apenas as pernas. Costas e abdominais são também usados, além de melhorar a circulação sanguínea e aumentar o equilíbrio. Em termos psicológicos é uma excelente ajuda. Um bom passeio alivia o stress enquanto se observa o meio ambiente. Os benefícios do ioga Sabia que a quantidade de oxigénio que respiramos normalmente ocupa apenas um quarto da capacidade pulmonar? Na prática do ioga são levados a cabo uma série de exercícios respiratórios que aumentam a circulação de oxigénio nos vasos sanguíneos. É importante respirar pelo nariz e expirar pela boca, libertando maior quan-

tidade de dióxido de carbono do corpo. O ioga é benéfico também para a melhoria da mobilidade das articulações e traz a vantagem de trabalhar a meditação. Há cada vez mais locais onde pode encontrar ioga direccionado para a terceira idade. Meter água é bom Pode, também, optar pela natação ou pela hidroginástica. Quando estamos dentro de água o nosso corpo fica mais leve, tirando muito peso das costas, braços e pernas. Também aqui há cada vez mais oferta direccionada, no sentido de exercício de manutenção e prevenção de doenças, num ambiente normalmente agradável. Ao contrário do ioga, este tipo

Maria José Pontes, 68 anos Engenheira química reformada, pratica ioga numa escola na zona da Foz, no Porto. «Comecei a fazer exercício há quatro anos pela primeira vez na minha vida. Tive necessidade, porque senti a minha postura com algumas incorrecções. Escolhi o ioga porque não queria modalidades mais violentas. O que faço é mais interiorizado, faz-se exercício, mas com controlo de respiração.»

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de ginástica tem um impacto menos elevado nas articulações, apesar de as trabalhar, e reforça o sistema cardiovascular.

E dançar, porque não? Não precisa de ser um grande bailarino, mas a dança aquece o corpo e o espírito e isso parece suficiente. Da dança rítmica à dança de salão, estimula o corpo e permite melhorar o equilíbrio, bem como a coordenação motora. Além disso, pode sempre transportar o que aprendeu para fora das aulas quando for dar um pezinho de dança ao bailarico mais próximo. Ou mesmo, quem sabe, participar na Gala de Dança Sénior, organizada pela Universidade Sénior da Nazaré.

Conceição de Sousa Pereira 65 anos Há muitos anos que, sempre que pode, faz caminhadas com o marido na Serra do Gerês, Serra da Cabreira ou na Serra Amarela. Costumam ficar entre 15 a 20 dias, caminhando dia sim, dia não, ou fazendo percursos mais curtos todos os dias. Quando não estão a respirar o ar da serra, optam por fazer caminhadas à beira-mar. «Gostamos mais da Serra por causa das subidas, mas não só. Assim os nossos cães também podem correr à vontade. E enquanto tiver forças vou continuar.»


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Apetite

Comida sã para corpo são

Conselhos Dra. Teresa Andrade nutricionista Texto: Magda Valente

A prática de uma alimentação saudável é essencial em qualquer etapa da vida. O que propomos hoje é que troque a sua ida à farmácia por uma ida ao mercado, feira ou supermecado mais próximo. Conheça, a seguir, alguns dos melhores aliados da sua saúde e faça dos seus alimentos os seus medicamentos.

• Nesta fase da vida deve fazer uma alimentação menos calórica e mais rica nutricionalmente; • As refeições devem ser pouco abundantes e repartidas em intervalos de cerca de três horas para não sobrecarregar demasiado o estômago; • Confeccione as refeições de forma a facilitarem a mastigação. Pode optar por alimentos alimentos cozidos, picados ou ralados; • Como o apetite tende a diminuir, é importante que a refeição seja atractiva em termos de paladar e consistência. Experimente usar ervas aromáticas, especiarias ou sumo de limão;

MAÇÃ

ANANÁS

É um fruto que, que além de saboroso, é muito rico nutricionalmente. As vitaminas do complexo B regulam o sistema nervoso e o aparelho digestivo. O seu consumo é recomendado a quem tenha problemas intestinais, obesidade, reumatismo, diabetes e patologias nervosas, devendo ser feito com o aproveitamento da casca, em que se encontra a maioria das vitaminas e minerais. Contém ainda fibras solúveis que facilitam a eliminação de toxinas juntamente com as fezes, ajudando a manter os níveis de colesterol.

Contém uma poderosa enzima, a bromelina, que facilita a digestão. Actua como anti-inflamatório, antialérgico, antibiótico e antitumoral, além de ajudar na recuperação de doenças cardiovasculares. Destaca-se, ainda, o seu conteúdo em potássio, magnésio e vitamina C, que lhe confere uma acção antioxidante. É um forte aliado em patologias em que exista dor, inflamação (doenças reumáticas, dores osteoarticulares e musculares) e edema. É, ainda, importante em patologias respiratórias como sinusite, asma, rinite e bronquite crónica.

• Procure consumir alimentos ricos em fibra que asseguram um bom funcionamento intestinal, auxiliam na prevenção e tratamento do colesterol; • Coma duas a três peças de fruta por dia; • Ingerir leite e derivados diariamente já que as necessidades de cálcio e vitamina D são superiores nesta idade; • Faça exercício físico. Pode caminhar, dançar, fazer hidroginástica ou alongamentos.

ÁGUA, essA grande aliada

PEIXE

À medida que a idade avança, a sensação de sede diminui, contribuindo para um estado de desidratação comum e frequente na 3.ª idade. Nesta fase da vida as reservas hídricas são menores e o funcionamento dos rins menos eficiente. Desta forma, oconsumo adequado de líquidos previne um conjunto de problemas de saúde. Existe uma grande variedade de bebidas disponíveis para além da água: chá, infusões, sumos de fruta, leite e sopa, para além do consumo de alimentos ricos em água tais como os hortícolos frescos, fruta, queijo fresco e os iogurtes. Manter-se hidratado previne e evita as infecções urinárias, pedras nos rins, pedra na vesícula e doenças respiratórias. A recomendação média de 1,5 litros de água por dia é válida também para esta idade.

Uma fonte rica em proteínas, ferro e outros minerais. Contém ómega 3, um ácido gordo que, não sendo produzido pelo organismo, precisa de ser obtido através dos alimentos. Está presente em peixes de água fria como o salmão, atum, sardinha, e revela-se fundamental para o bom funcionamento do coração: aumenta o HDL, o colesterol bom, prevenindo enfartes, derrames e aterosclerose. Além disso diminui o risco de doenças degenerativas do cérebro como o Alzheimer e o nível de insulina, impedindo o desenvolvimento da diabetes. Reduz a celulite e ajuda a aliviar diversos problemas de pele como a psoríase, eczema, e dermatites. O consumo regular de peixe ajuda à boa coagulação do sangue, protegendo o organismo de inflamações.

ESPINAFRES São um excelente antioxidante. Fortalecem o sistema imunitário, auxiliam no combate às infecções e neutralizam as toxinas presentes no organismo, como o stress, o tabaco e a automedicação. A par com os lacticínios (leite e derivados) e outros vegetais verde escuro (os bróculos) são dos mais fortes aliados na prevenção da osteoporose uma vez que são ricos em cálcio. Contribuem também para a redução do risco de doenças cardíacas e de enfarte, bem como algumas formas de cancro, sobretudo de estômago e da pele. Alivia os sintomas de prisão de ventre. É um alimento especial para o sistema nervoso e para o cérebro, ajudando a combater a fadiga prolongada.

TOMATE

ARROZ INTEGRAL FEIJÃO Este tipo de arroz é uma fonte de proteínas, hidratos de carbono e fibra. Mais saudável do que o comum arroz branco. A sua casca contém propriedades benéficas na redução dos níveis de colesterol sanguíneo. O seu consumo é importante para o bom estado psíquico e físico devido ao seu elevado teor energético. É desintoxicante e ajuda a regular as funções intestinais, aumentando a qualidade sanguínea, a resistência orgânica e o sistema imunológico. É aconselhado na recuperação da mucosa intestinal aquando de alterações por diarreia e gastrenterites, por exemplo.

É uma importante fonte de proteína e fibra solúvel, que pode ajudar a baixar os níveis de colesterol e a evitar a prisão de ventre. Rico em ferro, tem um papel crucial na produção de energia, no sistema imunitário e no transporte de oxigénio no organismo. É um alimento que tem um índice glicémico muito reduzido, ou seja, os seus açúcares são libertados mais lentamente para a corrente sanguínea. Esta é uma característica especialmente benéfica para diabéticos ou para pessoas em risco de desenvolver diabetes.

É uma boa fonte de vitaminas A,B e C e de sais minerais como o fósforo, ferro, potássio e magnésio. Entre alguns dos seus benefícios destaca-se o facto de ser um excelente revigorante do organismo e purificador do sangue. Ajuda a prevenir doenças do fígado, do estômago, cancro da próstata, a controlar a tensão e as contracções musculares. Rico em licopeno, ajuda a prevenir doenças cardiovasculares. O licopeno é uma substância lipossolúvel que é melhor absorvida quando cozinhada com o azeite. É um alimento de baixo teor calórico e deve ser consumido diariamente.


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cultura

A Primavera já chegou e com ela chegaram também os dias mais longos, as temperaturas mais amenas e o canto dos pássaros. Para o ajudar a melhor aproveitar a beleza desta estação do ano, escolhemos quatro discos e quatro livros para apreciar enquanto as andorinhas fazem o ninho debaixo da varanda. Texto: Emanuel Amorim

Dina Isabel Directora de antena

MÚSICA

LIVROS

Cristina Branco Não Há Só Tangos em Paris Com uma carreira de sucesso lá fora, Cristina Branco só mais recentemente viu reconhecida a beleza da sua voz em Portugal. ‘Não Há Só Tangos em Paris’ é o nome do seu novo disco, em que cruza o fado com tango, mostrando que é mais aquilo que os une do que aquilo que os separa. Para conseguir esse cruzamento, convocou escritores como Manuela de Freitas, António Lobo Antunes ou Carlos Tê. Na parte musical conta com composições de Mário Laginha, Pedro da Silva Martins (Deolinda), entre outros.

Alexandra Lucas Coelho Caderno Afegão A editora Tinta-da-China tem vindo a ganhar o seu espaço no panorama editorial graças à excelência do seu catálogo. Uma das colecções que mais tem contribuído para esse reconhecimento é a colecção de literatura de viagens, em que se inclui a obra de Alexandra Lucas Coelho, jornalista, que escreveu várias reportagens sobre o médio-oriente para o jornal Público. ‘Caderno Afegão’ é baseado nessas reportagens. Um importante documento para melhor compreender o Médio Oriente, as várias culturas e as tensões existentes. Obrigatório.

aPRENDER TODOS OS DIAS A Rádio Sim transformou as nossas vidas desde há mais de dois anos a esta parte. Mas mudou principalmente a nossa forma de olhar para as pessoas mais velhas. Definitivamente, os seniores de hoje não se contentam com uma vida inactiva que os empurra para um canto sem possibilidade de intervir socialmente. São homens e mulheres com uma qualidade de vida bastante considerável e disponíveis para tomar as rédeas do seu tempo livre. As Universidades Seniores são disso um bom exemplo. Crescem em número e em qualidade. Despertam interesse nas mais diversas áreas: da informática às línguas, da literatura à música, dos trabalhos manuais à História. Em Ano Europeu do Voluntariado é bom lembrar que muitos dos voluntários que prestam serviço e apoio ao próximo são seniores. O nosso site (www.radiosim.pt) e a nossa página do Facebook têm uma adesão acima do inicialmente expectável. As nossas actividades (concertos e chás dançantes) esgotam com facilidade. Os seniores de hoje têm agenda, viajam, vão ao teatro, fazem exercício e interpelam cada vez mais o mercado. O Censos deste ano comprovará certamente o aumento de cidadãos portugueses acima dos 50 anos. Se neste momento são mais de 30 por cento da população (com dados de há 10 anos) o número aumentará seguramente. A Rádio Sim, a mais jovem rádio do grupo r/com renascença comunicação multimédia acredita nisso, melhor, sabe disso! Trabalhamos com orgulho para um público cada vez mais vasto. Tocamos a música que marcou esta geração. Fazemos rádio com tempo, sem correrias, com espaço para ouvir e conversar. Fazemos uma rádio positiva, que cria laços, que informa e que distrai. Os nossos ouvintes são cada vez mais exigentes, que bom! A exigência deles motiva-nos e surpreende-nos. Tal como em qualquer Universidade Sénior… Aprendemos todos os dias! É por isso que somos a Rádio Sim.

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Os seniores de hoje têm agenda, viajam, vão ao teatro, fazem exercício.

Mariza Fado Tradicional Depois de algumas experiências de fusão do fado com outras sonoridades, Mariza volta às composições tradicionais da canção portuguesa. Esse regresso às raízes resulta num disco mais despojado, em que a voz e a guitarra portuguesa assumem o protagonismo. Mariza, essa, mostrase ao seu melhor nível, em interpretações muito suas de fados que outrora foram cantados por outros. Márcia Dá O nome singelo casa na perfeição com a voz também ela singela e cristalina de Márcia, uma revelação da música portuguesa que muito merece a nossa atenção. Canta, toca viola e escreve letras inteligentes, demonstrando domínio perfeito da arte da canção. Tem aquela rara qualidade de nos fazer sentir confortáveis ao ouvi-la pela primeira vez, como se já a conhecêssemos bem. ‘Dá’ é um disco para ouvir sentado no cadeirão enquanto anoitece lá fora. Carlos do Carmo Bernardo Sassetti Quando dois músicos geniais de diferentes gerações se encontram em disco, nem sempre o resultado corresponde às expectativas geradas. A história está recheada de exemplos que o comprovam, mas este encontro entre o veterano Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti não é um desses exemplos. O cantor e o pianista revisitam alguns clássicos, celebrizados por nomes como Sérgio Godinho, Zeca Afonso ou Leo Ferre. A voz de Carlos do Carmo junta-se ao delicado piano de Sassetti, num ambiente intimista que apetece ouvir vezes sem conta.

Isabel Freire Amor e Sexo no Tempo de Salazar O Antigo Regime foi alicerçado num ideal de família e de valores morais que transformava em tabu tudo o que se relacionasse com o amor, com corpo e com o sexo. Isabel Freire desmistifica algumas ideias que ainda perduram, com o recurso ao depoimento de 12 homens e mulheres que viveram aquele tempo. Uma obra rigorosa, mas acessível a todos, que ajuda a perceber não só como era o amor e o sexo no tempo de Salazar, mas também o papel da mulher na sociedade. Aida Gomes Os Pretos de Pousaflores Aida Gomes é uma angolana que se estreia na escrita com este romance que conta a história de Silvério, que aos 18 anos partiu para Angola em busca de uma vida melhor. Passados 40 anos, a guerra civil explode em Angola e Silvério vê-se obrigado a regressar à aldeia portuguesa de Pousaflores com os seus três filhos. Com o coração em Angola, Silvério e os filhos têm que aguentar as desconfianças de uma aldeia beata e pouco habituada a lidar com a diferença. Ao mesmo tempo divertido e profundo, ‘Os Pretos de Pousaflores’ é um romance sobre a memória colonial. Nigella Lawson Delícias da Nigella Quem já assistiu aos programas televisivos de Nigella Lawson sabe que a inglesa não complica a arte de cozinhar. Descomprometida e divertida, Nigella reinventa receitas tradicionais de forma inovadora e apetitosa. ‘Delícias da Nigella’ está dividido em secções como Pequenos-Almoços Tardios ou Jantares diante da TV. Perfeito para todos aqueles que gostam de se divertir a cozinhar e de saborear refeições e sobremesas irresistíveis.

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