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Índice INTERNACIONAL

p. 3-10

Bolsonaro e Haadad se enfrentaram no segundo turno das eleitções do Brasil Desvalores da igreja catolica

política

Soluções de dois estados para Israel e Palestina

Eleições no Brasil 2018: Perpestiva da diáspora brasileira para Portgual

End Pólio now

Tancos a lá carte

sociedade

p. 15-21

Greves: a voz de quem exige os seus direitos As duas faces das praxes Nova greve dos enfermeiros prevista para outubro

DESPORTO

p. 11-14

Cultura

p. 22-26

365 Algarve Concerto de abertura do ano académico da UAlg com orquestra Festival Alternativo em Faro

p. 27-32

UAlg comprete do outro lado do mundo A aceleração da evolução Rei com trono novo, mas os favoritos são os de costume

FORA DA CAIXA

p. 33-40

Sinto-me feliz, apesar de, por vezes, ter recaídas Composição: farinha de inceto (3%)

p. 41-46

Um dos melhores momentos da minha vida Lar doce lar

SAÚDE

Sumos detox Pastelaria vegan abre em Portimão


editorial Neste mundo em que o tempo urge, em que a sociedade está mais ligada do que nunca, e as grandes mudanças estão a acontecer, eis que vos trazemos (de volta) a revista Mundo Contemporâneo. Nesta primeira edição da série, queríamos deixar bem esclarecido o nosso principal objetivo: olhar para o mundo atentamente e abordar aquelas que consideramos ser as mais importantes temáticas ou assuntos, sem medos, nem tabus. Porque acreditamos que é isso que é a contemporaneidade – tempo de enormes modificações económicas, sociais e políticas. Vivemos um momento histórico intensamente marcado pela internacionalização, pela globalização e pela inovação tecnológica. Liderar a revista Mundo Contemporâneo é, para nós, um orgulho. Quando embarcámos neste projeto, comprometemo-nos a dar continuidade a algo que tem sido tão importante para a nossa comunidade estudantil. A todos os envolvidos, intervenientes e apoiantes - o nosso obrigado. Obrigado pela vossa dedicação, tempo e interesse, que são fundamentais no desenvolvimento deste projeto. Nem sempre temos a sorte de construir uma equipa que trabalhe e funcione tão bem, como esta nossa equipa. E, por isso, estamos de parabéns. Aos nossos leitores, com quem estabelecemos o nosso principal compromisso, esperamos transmitir vários conhecimentos e proporcionar aprendizagens e contribuir para inserir-vos neste mundo global, porque acreditamos que, só assim, poderemos ser melhores, enquanto sociedade. Mas afinal quem somos nós? Somos alunos do 2º ano do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Algarve, uma grande equipa que dará o seu melhor para o manter informado acerca do que de mais importante se passa no mundo. Muito obrigado! Matilde de Assis (Diretora) e Tiago Lima (Subdiretor)

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INTERNACIONAL REPORTAGEM

Bolsonaro e Haddad se enfrentarão no segundo turno das eleições presidenciais do Brasil por Letícia Melo e Gustavo Costa

A votação final será no dia em 28 de outubro, aí irá definir-se se o próximo presidente do Brasil será o candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro, ou o candidato de esquerda, Fernando Haddad

No que se revelou a eleição presidencial mais teatral e extremista dos últimos anos, o primeira votação, realizada no dia 7 de outubro, teve um resultado que a maioria dos brasileiros já previra. Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), saiu na frente e levou 46% dos votos, seguido por Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), com 29%.

O Brasil vai enfrentar no segundo turno a escolha entre duas extremidades ideológicas, de um lado o flerte com o fascismo e do outro com o socialismo. O maior problema apontado pelos críticos da imprensa nacional é que os seguidores de cada candidato parecem ignorar todas as suas falhas. BolsoMito ou #EleNão?

No total, Bolsonaro somou cerca de 50 milhões de votos, enquanto Haddad ficou com 30 milhões, seguido por Ciro Gomes, candidato direitista do Partido Democrático Trabalhista (PDT) com 13 milhões. A segunda ronda de votações ficou marcada para o dia 28 de Outubro, aí ficará definido quem governará o Brasil de 2019 a 2022. As campanhas políticas dessas eleições foram diferentes de qualquer outra na história do Brasil. O candidato favorito à presidência teve gastos mínimos com publicidade, e seu apoio foi feito em maior parte por seus eleitores nas redes sociais.

Extremista e polémico, o ex-capitão da reserva militar e ex-deputado, Jair Bolsonaro, ficou conhecido na imprensa internacional como o «Trump tropical». A candidatura disse que ele é um político honesto e cristão, a favor da família tradicional brasileira e que acabava com a corrupção e a violência no Brasil, nem que seja com mais violência.

Ele apresentou-se como um político populista, com um carisma notável nas redes sociais, cujos ministros serão responsáveis por salvar a economia do país, já que o próprio admite não entender O Facebook e o WhatsApp foram as plataformas do assunto. É defensor da posse de armas para com mais discussão e notícias compartilhadas, a defesa dos cidadãos em um dos países mais frequentemente de origens duvidosas, em um violentos do mundo, a favor da criminalização do verdadeiro fenômeno de Fake News. aborto e contra a legalização do casamento gay.


Desde 2014, surgiram diversos movimentos nas redes sociais contrários à sua candidatura, uma vez que o político é conhecido pelas suas atitudes racistas, homofóbicas e machistas, além de ter se declarado a favor da tortura e do retorno da Ditadura Militar. Durante um comício em Minas Gerais, em setembro deste ano, Bolsonaro levou uma facada no abdómen. Esse atentado aumentou imensamente sua popularidade. Todos os jornais, noticiários e grupos de WhatsApp falavam dele. Várias igrejas evangélicas anunciaram apoio ao candidato, afirmando que ele tinha sido enviado por Deus para salvar a política brasileira e que como Cristo enfrentava injustiças. NoBrasil,aDitaduraMilitarocorreu desde o Golpe Militar de 1964 até as Revoluções Populares de 1985, tendo resultado em 1,8 mil vítimas de tortura de contrários aos governos militares. Neste momento, o fascismo parece cada vez mais um futuro possível no Brasil. A resistência a Bolsonaro ganhou representantes por todo o país e até internacionalmente, com a hashtag #EleNão. Famosos como Anitta, Caetano Veloso, Madonna e J.K. Rowling se posicionaram contra o candidato, apoiando a hashtag. Os meios de comunicação internacionais também se pronunciaram contra Bolsonaro. Entre eles o The Economist, El País, Le Monde e o The New York Times, todos alegando que o seu mandato seria um perigo para a democracia. Beatriz Moreira, estudante da Universidade de Brasília e

integrante dos movimentos online Mulheres Contra Bolsonaro e #EleNão, explica o porquê do repúdio: A comunidade LGBT+«Ele não é uma opção viável, porque não quero viver em um país em que as pessoas precisam ter medo de andar com a sua roupa e ideologia que elas apoiam, por medo de serem agredidas. Eu quero viver em um país no qual as mulheres não sejam mais vitimizadas quando sofrem uma agressão dentro de casa (mesmo com provas sólidas), da qual o agressor ainda sai impune. Eu não quero castração química para resolver o problema dos estupros, eu quero que haja um ensino consciente sobre educação e conscientização sexual, sem ideologia de género. Resumindo, quero um país com avanços, não com retrocessos que ferem a minha existência e a do próximo»também se demonstra temerosa do futuro do país, onde, sob o governo de Bolsonaro, o mesmo poderá se tornar ainda mais perigoso e preconceituoso. Segundo um relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB) publicado em 2017, a cada 19 horas 1 homossexual é assassinado no Brasil por homofóbicos. E esse número tende a crescer. Enquanto deputado, Bolsonaro foi um dos autores da proposta de lei da apelidada “cura gay”, e já declarou que não fará esforços na luta dos direitos LGBT+.

foi o escolhido do partido para representar o PT e Lula. Haddad é ainda menos popular do que a da ex-presidente Dilma Rousseff, também do PT, que sofreu um impeachment durante o seu segundo mandato em 2016. O resultado das eleições de Haddad é o pior que o PT teve nos últimos 29 anos, apontando uma significativa perda para a esquerda.

Haddad é Lula?

A situação política catastrófica da Venezuela serve como um exemplo do que os eleitores anti-PT temem que aconteça com o Brasil em um governo de esquerda. O candidato é simpatizante do regime vigente atual de Nicolás Maduro, na Venezuela, o qual defende ser uma democracia plena. A opinião dos eleitores brasileiros em Portugal

A candidatura de Haddad à presidência foi feita de última hora, pois previamente, o PT pretendia candidatar o ex-presidente, Luís Inácio Lula da Silva, impedido de o fazer por estar preso, envolvido em esquemas de corrupção. Até então, Haddad, que já havia governado São Paulo, não havia sido nomeado para concorrer a grandes cargos, mas

O Brasil está vivendo um declínio do poder do PT, que esteve no governo desde 2003 até 2016, com Lula e Dilma. O povo brasileiro viveu os piores anos de corrupção da história do país, graças à operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que expôs dezenas de políticos envolvidos com lavagem de dinheiro público, durante o governo PT. Por conta disso, a maioria da população do Brasil culpou o partido esquerdista pela crise de corrupção e, passou a ter aversão aos seus políticos. O ex-presidente, Lula da Silva, foi preso por crimes de corrupção, mesmo sem terem sido apresentadas provas concretas. O Comité da ONU pronunciou-se contra a prisão do ex-presidente, mesmo assim, a maioria dos antigos eleitores de Lula voltaram-se contra ele.

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A maior comunidade de brasileiros fora do seu país fica em Portugal, e esse ano cerca de 40 mil brasileiros foram às urnas em Faro, Porto e Lisboa. A vitória de Bolsonaro na primeira volta foi ainda maior entre os eleitores de cá, tendo chegado em Faro a 60% dos votos. A Revista Mundo Contemporâneo conversou com membros da comunidade brasileira do Algarve de diferentes opiniões para melhor exemplificar o pensamento do brasileiro atualmente. Segundo o estudante mineiro de Engenharia Mecânica da Universidade do Algarve, Vinícius Elias, seu voto foi para o candidato de direita porque Bolsonaro «não é filiado a nenhuma ‘quadrilha’ (PT, PSDB, MDB...), não fez conluio com ninguém e não está envolvido em nenhum processo de caráter público». Além disso, Vinícius é um dos milhares de brasileiros

que têm um «anseio de extinção do PT. O PT tem que acabar. Esse partido asqueroso começou com ideais revolucionários, mas se corrompeu ao longo dos anos. É hoje uma organização criminosa, especializada em sugar o dinheiro do povo brasileiro», completa o estudante. «Quanto aos efeitos de um possível governo Bolsonaro, acredito que uma disseminação de ideais capitalistas aconteça, [...] e o aumento da confiança para com o Brasil frente ao mercado exterior e maior combate ao crime organizado e intensificação na abordagem deste». Já para o estudante paulista de Marketing da UAlg, Kaique Bucci, o seu voto vai para Fernando Haddad, pois ele «foi um dos melhores prefeitos de São Paulo e possui um pensamento fora da


caixa, e não por ele ser do PT». Kaique, espera que o mandato de Haddad apresente «um tratamento humano para os casos sociais, retirando o pensamento apenas lucrativo que está impregnado na sociedade brasileira». Segundo o estudante, o outro candidato foi «construído pela concorrência, pelo último governo que propagou seu próprio ódio contra ele mesmo, representado pela revolta da sociedade que está perdida». Para ele, Haddad é a melhor opção para presidente do Brasil.

mais para o segundo turno, devido ao sentimento anti-PT crescente entre as classes populares, mas Haddad também irá ganhar todo o apoio daqueles que querem impedir a vitória de um candidato que representa para eles a ascensão do fascismo no Brasil e a consequente perda de liberdade de expressão.

Até ao dia 28 de outubro, brasileiros no mundo todo debaterão esse assunto e as ideologias por detrás dos dois candidatos à presidência. Não haverá estimativa certeira. Seja qual for o resultado, no Uma eleição presidencial circense dia 1 de janeiro de 2019 o Brasil pode esperar o Resta então saber o resultado final dessas início de mais uma era dos extremos. eleições. É uma situação complicada e delicada, que vai resultar em um futuro incerto e de muita instabilidade política e social, tanto em um governo Bolsonaro quanto em um governo Haddad. A tendência é a força de Bolsonaro crescer ainda

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NOTÍCIA

Casos de pedofilia na Igreja Católica por Jéssica Palmeiro, Raquel Branco, Rúben Bento

Igreja Católica volta a ser alvo de polémica devido a crimes de cariz sexual. Depois de Pensilvânia e Irlanda, vieram a público novos casos no Chile. O Papa Francisco, a partir de uma carta oficial, já se pronunciou sobre este escândalo. Nos últimos anos, muitos abusos por parte de membros da Igreja Católica, foram descobertos. Na Pensilvânia, EUA, mais de 300 sacerdotes foram acusados de abusar sexualmente de mais de 1000 vítimas, ao longo de um período de 70 anos. Apenas recentemente, se investigaram os casos pois, sendo a Igreja Católica protegida por alguns sistemas políticos, estes sempre foram escondidos. A maioria dos casos conhecidos até à data tiveram lugar nos Estados Unidos da América, tendo sido conhecidos através de uma investigação jornalística de 2001, o caso Spotlight, (que posteriormente deu origem a um filme). Foram então revelados nomes de abusadores, abusados e locais onde os crimes terão ocorrido. Porém, muitos casos ficaram encobertos. Um exemplo concreto aconteceu em Washington. Apenas no ano corrente (2018) foram feitas as primeiras acusações contra Theodore McCarrick, de 87 anos, um antigo cardeal norte-americano, que praticara abusos há cerca de 45 anos. Theodore, era conhecido como um dos principais apoiantes das políticas anti pedofilia na Igreja. A primeira vitima a denunciar o crime tem agora 60 anos. Após esta denúncia, seguiram-se muitas outras, nomeadamente de homens (na altura seminaristas), que eram forçados a passar a noite com o arcebispo. McCarrick foi suspenso das suas funções e, mais tarde, viria a demitir-se. No Chile, as acusações começaram no ano de 2010. Porém, apenas em 2018, com a visita do Papa ao Chile, os media divulgaram o sucedido,

levando à demissão de vários cardeais. O caso do Chile foi escondido por uma rede associada ao acusado, Fernando Karadima, que terá abusado pelo menos de quatro jovens, na década de 80. Identificaram-se 266 vítimas, mais de metade eram crianças. Estas receberam um pedido de desculpa do Papa Francisco. Foi a segunda vez que Francisco recebeu vítimas do Chile, no Vaticano. O Papa Francisco acabou por demitir o padre chileno Fernando Karadima do estado clerical, na sequência do escândalo de abusos sexuais. Em janeiro deste ano, o Papa admitiu não ter conhecimento total do sucedido, tendo mesmo pedido às vítimas provas dos abusos, afirmando que se tratava de calúnias. Só mais tarde, retificou as suas afirmações dizendo «reconheço e quero que o transmitam fielmente, que incorri em erros graves de valorização e perceção da situação, especialmente, por falta de informação verdadeira e equilibrada». Recentemente, foi publicado um manual de práticas para os sacerdotes, manual esse publicado online e retirado quase imediatamente. No capítulo relacionado com os afetos, existiam alíneas que proibiam os cardeais de ter contacto íntimo com crianças como «abraços demasiado apertados», «palmadas nos glúteos, tocar nas áreas dos genitais ou no peito», «fazer massagens» ou «dar beijos na boca».


NOTÍCIA

Solução de dois Estados para Israel e Palestina: Trump acredita que palestinianos voltem a negociar por Fábio Coelho

Donald Trump mostrou-se a favor de uma solução de dois Estados para Israel e Palestina e afirmou estar convicto de que os palestinianos voltarão a negociar com o EUA, assim como prometeu a apresentação de um plano de paz, dentro dos próximos meses. O Presidente norteamericano considerou que este objetivo é para concretizar até ao final do seu mandato.

Foi já após o fim da Segunda Guerra Mundial que o conflito israelo-palestiniano se intensificou, perdurando até aos dias de hoje com a mesma intensidade e violência. Israel, recorrendo ao uso da força armada, vai ocupando território palestiniano que hoje já se encontra bastante limitado. O papel dos EUA tem sido determinante para o desenvolvimento do conflito. Aplicando a sua política de polícias do mundo, a nação norte-americana reconheceu recentemente Jerusalém como capital de Israel. Desde então, os palestinianos cortaram qualquer tipo de contacto com os norte-americanos. A solução de dois Estados poderá voltar a trazer paz à região, isto já depois de um período

marcado pelo abrandamento do conflito, após a assinatura dos acordos de Oslo, há 25 anos. No entanto, a resolução deste grave problema está longe de ser um processo fácil. No passado dia 27 de setembro de 2018, Mahmoud Abbas, presidente palestiniano, garantiu, num discurso na Assembleia Geral da ONU, que a «Palestina não está à venda», e que, apesar de admitir retomar negociações com vista a criação de dois Estados, não abdica de Jerusalém enquanto capital da Palestina. De referir igualmente que, no início do mês de outubro de 2018, os EUA anunciaram um corte de financiamento à UNRWA- Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina. Quanto ao papel de Portugal aquando do conflito, este país é favorável à solução de dois Estados, posição que o embaixador da Palestina em Portugal, Nabil Abuznaid, elogia. Contudo, o mesmo acredita que o Estado português pode fazer mais em prol dos palestinianos, como refere numa entrevista ao Vozes ao Minuto. Assim, espera-se que nos próximos meses, talvez ainda antes do final do ano, as negociações entre norte-americanos e palestinianos possam ter início, tendo em vista a paz desta região do médio oriente.

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INFORMAÇÃO

End Polio Now, Rotary quer fazer história por Rúben Bento

Foi comemorado no passado dia 24 de outubro, o Dia Mundial do Combate à Pólio. Estabelecido pelo Rotary International há mais de uma década, este dia serve para divulgar o projeto internacional End Polio Now, um projeto do Rotary Internacional, que tem por objetivo erradicar a pólio no mundo.

A associação Rotary Internacional é composta por clubes, cujo objetivo é unir voluntários a fim de prestar serviços humanitários, promover valores éticos e promover a paz no mundo. O Rotary é composto por vários clubes de diferentes faixas etárias: Rotary Kids (>12 anos), Interact (12 aos 18 anos), Rotaract (18 aos 30 anos) e o Rotary (<30 anos). Existem mais de 34 mil clubes no mundo, totalizando cerca de 1,2 milhões de membros (chamados rotários em Portugal). Existem no nosso país mais de 150 clubes que planeiam e executam eventos com o objetivo de angariar fundos para apoiar projetos a nível local, regional, nacional ou até internacional, como é o caso do projeto End Polio Now. End Polio Now é um projeto criado pelo Rotary, em 1988, onde o objetivo dos voluntários é erradicar a poliomielite no mundo. A doença afetava 350.000 crianças mas, com o apoio da Organização Mundial de Saúde, da Unicef, do Centro NorteAmericano de Controle e Prevenção de Doenças, da Fundação Bill e Melinda Gates, de agentes de saúde e dos governos nacionais, este ano, apenas poucos casos ainda precisam de cuidados. O Dia Mundial de Combate à Pólio é comemorado em outubro em homenagem ao Dr. Jonas Salk, que liderou o desenvolvimento da primeira vacina contra a doença. A poliomielite, também denominada de pólio, é

uma infeção muito contagiosa e, por vezes, mortal. Este vírus é geralmente contraído pela ingestão de água ou de alimentos contaminados, ataca o sistema nervoso e pode levar à paralisia. Afeta principalmente crianças menores de cinco anos de idade. Não há cura para esta doença, mas esta pode ser prevenida por meio de uma vacina. Esta doença ainda persiste em três países: Paquistão, Afeganistão e Nigéria. Desde 1988, ano de início do projeto End Polio Now, o Rotary já reduziu em 99,9% o número de casos da doença em todo o mundo. Juntamente com os seus parceiros, já imunizou mais de 2,5 bilhões de crianças no mundo inteiro, de modo a que estas não sejam afetadas pela doença. Apesar da doença ainda existir em três países, nenhuma criança está a salvo. A única solução é erradicar a doença no mundo pois, enquanto esta não for erradicada, o mundo estará em perigo. Para ajudar a combater a pólio, qualquer cidadão poderá doar dinheiro ao projeto End Polio Now através do site endpolio.org/pt ou poderá fazer uma chamada através do número telefónico 760 30 2013, criado pelo Rotary. Por cada chamada que fizer, estará a contribuir com uma vacina para salvar a vida de uma criança, erradicando assim a pólio no mundo, ajudando o Rotary a fazer história.

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política ARTIGO DE OPINIÃO

Eleições Presidenciais do Brasil (2018). Perspetiva da diáspora brasileira em Portugal. por Artur Raposo

As eleições presidenciais do Brasil, este ano, albergam o título da mais afluente das últimas décadas. Aproximadamente, 147 milhões de brasileiros foram chamados às urnas, de modo, a que se decida qual será o trilho político a seguir. Portugal, com uma comunidade brasileira expressiva, revela-se o maior colégio eleitoral brasileiro, na Europa. Cerca de 40000 brasileiros têm o direito a votar, em solo português. Número muito superior ao da eleição antecedente (2014) 30000. Faro, de onde a Universidade do Algarve é natural, é um dos pontos de votação. Abrange os inscritos da região do Algarve, baixo, litoral e alto Alentejo. Lisboa e Porto, entram igualmente na equação. Nas redes sociais e noutras plataformas informativas somos invadidos com publicações referentes aos ideais políticos a adotar no Brasil. A eleição não passa em vão para ninguém. A questão alastrou através do plano social. Será que o candidato da extrema-direita vai subir ao poder? E em que circunstâncias o fará? Terá que se unir a outros partidos? Qual será a coligação? Será forte o suficiente para o manter no poder? O Brasil teve dois presidentes depostos nos últimos 30 anos. E estas questões assolam o povo brasileiro

que se encontra completamente dividido. Uma franja encontra-se esgotada dos governos do PT. Outra receia que o país caia, novamente, no flagelo de uma ditadura militar e que as minorias sejam completamente reprimidas. Em Portugal, a tendência é Jair Bolsonaro – candidato do PSL. Em Lisboa, teve 56 % dos votos. Ganhou, igualmente, em Faro e no Porto. Junto aos consulados, foi comum encontrar, na primeira volta, várias pessoas com Bandeiras Nacionais, mensagens alusivas a vários candidatos. Em particular, via-se manifestações em relação a Bolsonaro e Haddad, o candidato do PT, que irá disputar a segunda volta. Nota-se que a batalha, primeiramente, consiste em optar ou não por Jair Bolsonaro. O nome deste candidato repete-se cada vez mais, à medida que se torna cada vez mais difícil negar que se trata do principal interveniente, da questão fulcral. «Coiso». «Salvador do Brasil». «Fascista». «Comandante». Vários termos são utilizados para se referir, indiretamente, à sua pessoa. A ambiguidade adjetiva torna patente quão divididas as águas estão. Uma coisa é certa. O Presidente tem que ser de todos. Assim o será? Aguardemos pela segunda volta.


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CRÓNICA

Tancos à la carte por Carla Gonçalves, Elisabete Sousa e Susana Monteiro

Não consigo definir toda esta trapalhada do roubo das armas de Tancos, senão como uma novela dividida em várias partes, composta por inúmeros capítulos. A nossa atribulada saga até à data (pelo menos que eu saiba) divide-se em três partes: Na primeira parte, desenrola-se uma das principais cenas de ação: o furto das armas dos Paióis Nacionais de Tancos. Na noite de 27 para 28 de junho 2017, o país e o mundo ficaram a conhecer o roubo de explosivos e de diverso armamento militar nos Paióis Nacionais de Tancos, distrito de Santarém. Um assalto desta dimensão não pôde ser investigado de ânimo leve. A Polícia Judiciária Militar (PJM) foi mobilizada para a investigação deste caso, mas quem acabou por tomar as rédeas da situação foi a Polícia Judiciária (PJ) que

conduziu paralelamente a Operação Húbris. Os portugueses estavam incrédulos e a questão do momento era apenas: «Como foi possível?» Contudo, este mistério era o mais simples de desvendar. A videovigilância estava avariada há vários anos, as vedações estavam velhas e já ferrugentas, as torres de vigilância não eram usadas e, muitas vezes, as patrulhas de segurança eram realizadas com o mínimo de homens ou nem sequer eram feitas. Facilitismos! Dentro das instalações de Tancos existiam aproximadamente vinte paióis e apenas três foram assaltados, justamente aqueles que tinham material relevante. Os restantes, alguns vazios, outros com pouco material, ficaram intactos. Quatro meses depois, mais precisamente no dia 18 de outubro, dá-se a recuperação do armamento


estranhamente desaparecido. Aqui desenrola-se a aventura da segunda parte. A localização do material bélico desaparecido em Tancos foi denunciada através de uma chamada anónima. O arsenal surge misteriosamente a cerca de 25 quilómetros do perímetro militar, abandonado num terreno na zona da Chamusca. Segundo consta, não havia um inventário que discriminasse o material existente e o material em falta. Prova disso foi a caixa de cem explosivos que foi encontrada a mais. A PJM e a GNR acreditam que o autor do furto é um homem referenciado pelas autoridades como traficante de droga e armas que, assustado pela repercussão mediática do caso, terá contactado um agente da GNR, amigo de infância, para o ajudar na devolução do material, discretamente. A detenção de suspeitos surge na terceira parte da trama. O esconderijo pertencia à família do suspeito João Paulino, ex-fuzileiro, que se encontra de momento em prisão preventiva, juntamente com o coronel Luís Vieira, diretor da PJM. Atualmente, assistimos à quarta parte, que trata do apuramento das responsabilidades. A busca incessante pela verdade. O Coronel que dirigia a Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, confessou ao juiz que o aparecimento do material bélico não passou de uma encenação ditada pelo “interesse nacional”. Mas admitiu, também, que ele e o major Vasco Brazão terão

dado conhecimento ao Ministro da Defesa, Azeredo Lopes, da encenação montada na Chamusca em conjunto com a GNR de Loulé, em torno da recuperação das armas furtadas. Azeredo Lopes desmentiu, mas, pressionado pelas circunstâncias reveladas, não teve alternativa senão apresentar demissão. Já foi substituído no cargo, mas as chefias militares mantêm-se em funções. Entretanto, o CDS propôs uma comissão de inquérito a Tancos para apurar responsabilidades políticas do Governo. Assim, entramos no segundo capítulo da quarta parte da nossa apaixonante saga. A investigação da PJ e do Ministério Público concluiu que, afinal, tudo não passou de uma encenação em que a PJM e a GNR incorreram na prática de vários crimes! O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tem reiterado a necessidade de tudo apurar e esclarecer. Temos aqui grandes atores! Talvez a maioria ainda não se tenha apercebido da dimensão dos factos, mas para um país de brandos costumes, Portugal desenvolveu mais um feito épico: estamos perante o maior assalto da história militar. Continuo ansiosamente a acompanhar os próximos capítulos desta extraordinária novela, envolta em mistérios com contornos escabrosos e repleta de pontas soltas ainda por elucidar! Enfim, não perca os próximos episódios, porque nós também não!

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sociedade INFORMAÇÃO

Greves: A voz de quem exige os seus direitos por Victoria Sajin e Filipe Vilhena

Num país democrático, que se habitou a lutar e reivindicar os seus direitos, os confrontos pacíficos entre patrões e empregados vão-se sucedendo.

Portugal é o 10º país da Europa com maior adesão às greves, segundo os dados da PORDATA (2011). Analisando os vários significados de greve, percebemos que esta é uma suspensão coletiva da prestação de serviços dos empregados, com o objetivo de reivindicar ou defender os seus direitos enquanto trabalhadores. A partir de meados do século XIX, a industrialização espalha-se no mundo. As greves tornam-se uma necessidade tendo em vista uma maior organização dos operários, face aos seus patrões. Surgem sindicatos, ou seja, associações de trabalhadores constituídas para defender os interesses sociais, económicos e profissionais relacionados com a atividade laboral dos seus integrantes. O principal objetivo deste tipo de organizações é negociar as condições de contratação com as entidades patronais, sendo uma espécie de elo de ligação entre empregador e empregado. Portugal viu a legalização e o aumento da frequência das greves a partir do 25 de abril de 1974. As razões pelas quais se recorre às greves não se alteraram muito: procura de melhores condições de trabalho, salários mais justos, definição de um número semanal de horas de serviço, entre outros. Se compararmos o setor público ao setor privado, o primeiro vence em larga margem no que toca à realização de paralisações. Contudo, as greves têm perigos inerentes. As mesmas são um direito laboral e social, mas

que tem implicações para lá da esfera socioprofissional, afetando a vida de muitas pessoas. Aqueles que recorrem a este tipo de manifestações, a chamada “arma da greve”, correm uma panóplia de riscos, sendo um dos mais graves o desemprego. Sempre que um grevista sai à rua, o mesmo sente-se ameaçado pelo despedimento. Porém, nem isso o faz parar. Atualmente, a greve passou a ser utilizada como um instrumento de poder. Os trabalhadores unem-se para demonstrar que juntos são mais fortes e que conseguem enfrentar quaisquer problemas, reclamando os seus direitos. Professores manifestam-se contra congelamento de carreiras No corrente ano, já foram ocupados 50 dias úteis por algum tipo de pré-aviso de greve dos docentes. As greves têm origem no congelamento das carreiras dos professores, o qual dura há mais de 9 anos. Os sindicatos de professores defendem que “não faz sentido apagar este tempo de trabalho”. O governo admite que pode descongelar até dois anos de trabalho. A Federação Nacional de Professores (FENPROF) e a Federação Nacional da Educação (FNE) são dois dos sindicatos mais conhecidos e que mais voz têm quando se fala em greves. O avanço na carreira dos professores tem como base o tempo de serviço.


Por: economia.uol.com.br

Por: economia.uol.com.br

Contudo, também depende da obtenção da classificação de bom na avaliação (que é diferente do SIADAP) e, a frequência de um número mínimo de horas de formação. Nos dois escalões superiores, é ainda obrigatória a observação de aulas por professores exteriores à escola. Desta forma, os docentes deveriam progredir de quatro em quatro anos. O descongelamento abrange todos os funcionários do setor público, mas os professores estão a ser tratados de forma diferente. Nos casos em que o avanço na carreira depende do tempo de serviço – como é o caso dos professores –, o período de prestação de serviço entre 2011 e 2017 não é contado. Ou seja, quem já tinha os quatro anos necessários para a progressão na altura em que o congelamento foi imposto, poderia progredir logo em janeiro de 2018. Quem não tinha, terá de esperar até acumular os anos necessários. Estes efeitos estão previstos numa norma do Orçamento do Estado para 2011, que tem sido consecutivamente renovada Os docentes exigem também que seja contabilizado o intervalo entre 2005 e 2007, onde tiveram também as carreiras congeladas. Os militares, as

forças de segurança ou as magistraturas, também têm progressões dependentes do tempo de serviço. De acordo com os dados do Governo, do total de 668 mil trabalhadores das administrações públicas, cerca de 220 mil têm modelos de valorização profissional assentes no tempo de serviço. Destes, 60% são professores. Enfermeiros continuam a lutar pelos seus direitos Cada vez mais assistimos a uma reivindicação da classe dos enfermeiros contra a falta de direitos no trabalho, salário inferior à sua hierarquia e o fim dessa mesma hierarquia. Os sindicatos exigem que o Governo invista em novas propostas para outros assuntos que já estão em cima da mesa, como, por exemplo, o acesso à aposentação voluntária dos enfermeiros. Além disso, pretendem que «sejam incluídas medidas compensatórias da penosidade da profissão, nomeadamente, a compensação resultante do trabalho por turnos» (Público, 2018). A maioria dos enfermeiros vê a sua profissão como «nobre, exercida com paixão», como diz Elisabete Rodrigues, enfermeira há 13 anos. 16


na área da saúde está a aumentar. No entanto, as condições que este posto oferece, Em 2004 estavam em Portugal 2400 enfermeiros estão longe de agradar a todos os trabalhadores. estrangeiros, segundo os dados da PORDATA. Contrariamente, o número de emigrantes licenciaA enfermeira mostra-se indignada pois recebe o dos em medicina tende a aumentar. «mínimo que um licenciado recebe em Portugal, como se o meu curso não tivesse a mesma complexidade». As razões prendem-se com os baixos ordenados, falta de condições nos serviços, falta de assistênIsto porque, muitas vezes, as pessoas esquecem-se cia aos profissionais e o medo de não avançar de que «cuidar é sinónimo de ser responsável e, na carreira. Os jovens procuram no estrangeiro com uma grande responsabilidade, vem um grande condições que Portugal não oferece, o que causa conhecimento», pelo que, qualquer enfermeiro netambém o envelhecimento da população. cessita de uma grande formação. A alteração da carreira, com a revisão salarial e a A formação, porém, é cara. Elisabete admite que compensação para os enfermeiros especialistas, é «implica fazer tudo em horário pós-laboral, e privar outro dos grandes motivos das greves. o meu filho ainda mais da sua mãe». Para além do valor «sentimental que a formação exige, temos a Atualmente, os especialistas estão a receber um questão monetária». acréscimo ao ordenado de 150 euros, que tinha caráter provisório. A enfermeira diz que são «6000€ só em propinas Contudo, na última proposta, o Governo colocou para pagar, para além de que, estando numa ilha, este valor como fixo. Os enfermeiros exigem ainda muita da formação implica ter que viajar até Pora contabilização dos anos de congelamento para tugal Continental». progressão na carreira e a harmonização da mesma para contratos em função pública e contratos O número de profissionais estrangeiros a trabalhar individuais de trabalho.


REPORTAGEM

As duas faces da Praxe por Laura Nery, Isabela Martins e Marrisa Houghton A praxe ou Praxis (derivado do latim) é um costume tradicional que visa a receção dos novos alunos. É um conjunto de atividades que são transmitidas de geração em geração académica.

Na UAlg, cada vez mais, para além das típicas atividades lúdicas, tenta-se que a praxe tenha um carácter solidário. De acordo com o 2ºartigo do código de praxe da Esta iniciativa tem sido cada vez mais recorrente Universidade do Algarve (UAlg), esta tem como na academia e, ao longo dos tempos, tem vindo objetivos acolher e integrar os novos alunos na a ter um maio impacto, não só na comunidade instituição e na cidade; transmitir as tradições escolar, como também na cidade que acolhe do curso e, principalmente, incutir aos recém- anualmente centenas de alunos. chegados o espírito académico que se refletirá até ao final do seu percurso. Ao longo dos anos, vários momentos destacam o lado solidário da praxe. No ano letivo de 1993/1994, foi elaborado o Um caso, por exemplo, de 2014, em que os novos primeiro código de praxe, com a finalidade de alunos dos cursos de Biologia Marinha e Biologia orientar e estipular regras para que esta tradição colaboraram com a CIAA - Combate à Indiferença e fosse mais controlada e menos abusiva. Abandono Animal -, um grupo informal que resgata e ajuda animais abandonados ou negligenciados.

Por: Marisa Franco 18


Em 2015, o curso de Educação Social colaborou no serviço alimentar, levado a cabo pela Ordem Franciscana Secular de Faro aos mais pobres num quiosque em frente à Igreja Franciscana. Os alunos ajudaram na confeção da sopa, na limpeza do quiosque e na distribuição de refeições a pessoas carenciadas.

Apesar do caráter solidário e de integração, em 2015, ocorreu um acontecimento que alterou a reputação da praxe universitária do Algarve até aos dias de hoje, devido ao caso de uma caloira que frequentava o curso de Biologia.

O ritual dessa praxe implicava que os caloiros cavassem buracos na areia e, seguidamente, entravam Em 2016, os alunos dos cursos de Biologia Marinha nos mesmos, ingerindo bebidas alcoólicas de forma e de Biologia voltaram a colaborar com a CIAA e, excessiva. Posteriormente, tinham de rastejar pela os alunos do curso de Turismo colaboraram na areia e mergulhar na água. Esta prática fez com que a manutenção da horta do Banco Alimentar contra aluna, Ana Galego, entrasse em coma alcoólico. a Fome, nas instalações da Direção Regional de Agricultura e Pescas, no Patacão. Como consequência deste episódio, foi instaurado um processo disciplinar em que dois alunos da Em 2017, pelo quarto ano consecutivo, caloiros dos universidade receberam advertência escrita e, cursos de Biologia Marinha e Biologia ajudaram a um outro aluno foi transferido para uma outra recolher fundos para o grupo CIAA. instalação universitária, visto não cumprirem com os direitos de integridade física e moral, a Porém, em 2018, as praxes solidárias tiveram um liberdade e a segurança dos alunos. maior impacto na cidade de Faro. Novamente os cursos de Biologia Marinha e Esta situação levou o Reitor António Branco a emitir um despacho sobre as praxes, em que declara que a Universidade do Algarve oferece uma tolerância nula a quaisquer atividades que ponham em causa os direitos humanos consagrados na lei da República Portuguesa. Da mesma forma, o Magnum Concilium Veteranorum (MCV), - órgão que rege e tutela a tradição e costumes académicos na Universidade do Algarve -, apela a uma maior adesão a praxes transigentes, amistosas e menos humilhantes, que utilizem maioritariamente passatempos, entretenimentos e jogos para a integração dos novos estudantes.

por Marisa Franco

Numa tentativa de recolha de alguns testemunhos sobre as praxes, chegou-se a duas visões bastante diferentes sobre esta temática. “Eu sou anti praxe por várias razões”, declara o aluno Fábio Coelho.

“Não concordo e nem me agrada a ideologia que foi criada em torno desta tradição, a dita praxe”, Biologia marcaram presença nesta iniciativa solidária, acrescentou o estudante do segundo ano da sendo que, desta vez, os alunos recolheram cerca licenciatura de Ciências da Comunicação. de 114 kg de lixo na Ria Formosa, mais propriamente Ele considera que para se ser integrado no curso na praia de Faro. Os cursos de Imagem Animada, Design de e na vida académica, dando as boas vindas aos Comunicação e de Artes Visuais juntaram-se na novos alunos, não é necessário passar pela praxe e a existência de hierarquias. manutenção da pintura de paredes pela cidade.


“Sou contra esta tradição pois, vemos sempre casos de praxes que são violentas e, mesmo que não aconteçam de ano para ano, não deixam de ser frequentes”. Por outro lado, Carlota Madeira, também aluna do curso de Ciências de Comunicação. Ela por sua vez aceitou e foi praxada este mesmo ano. No entanto, “inicialmente, estava receosa e a minha primeira impressão foi um pouco estranha, pois não tinha ainda noção do que iriam ser as praxes e não estava familiarizada com esta nova mudança”. Porém, assim que entrou no espírito “senti-me rapidamente muito bem integrada e recebida”, acrescenta ainda Carlota. Para si, as praxes foram “fundamentais para a criação de amizades e laços com os restantes colegas”, e para a sua integração em todo o espirito académico. Num outro lado, Daniel Valente, membro do MCV, considerou fundamental deixar uma possível

mensagem aos futuros caloiros que podem estar indecisos sobre a sua participação nas praxes. Assim, sugere que “aqueles que queiram participar nas praxes têm de vir de mente aberta e não se podem basear em casos passados. Simplesmente, têm de se deixar levar pelo espirito académico e tentar tirar o máximo de proveito das praxes, tanto em companheirismo e união, como na diversão”. A praxe tem sido uma prática utilizada ao longo de várias décadas, pelo que está sempre em constante evolução. Como forma de inovação e integração de novos direitos, são alterados os códigos de praxe, tornando-os mais atuais e tentando que estes sejam menos abusivos. Em declarações ao Observador (2017), o ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, defende que é preciso “não arredar pé” no “combate para dar a volta às praxes”, promovendo as práticas positivas, em detrimento das que são “negativas e humilhantes”.

Aqueles que queiram participar nas praxes têm de vir de mente aberta e não se podem basear em casos passados

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NOTÍCIA

Nova greve dos enfermeiros prevista para outubro por Margarida Rego

Os enfermeiros voltam a lutar, em outubro, pela renegociação da carreira, com o objetivo de alcançar uma valorização salarial. Esta greve, como foi referido anteriormente, tem como principal aspeto a renegociação da carreira com a respetiva valorização salarial para todos os enfermeiros, a necessidade da aplicação do subsídio no valor de 150 euros a todos os enfermeiros especialistas, a valorização do exercício das funções dos enfermeiros especialistas e, muiEstão previstos 6 dias de greve, mas estes são tos mais aspetos pelos quais os mesmos andam a setoriais, ou seja, em cada dia, apenas um grupo lutar há imenso tempo, sem terem tido sucesso. de enfermeiros faz greve. Independentemente de existir uma greve geral, é sempre necessário que No entanto, as reivindicações dos enfermeiros e outros funcionários públicos tiveram êxito, recenos serviços mínimos sejam garantidos. temente, no decréscimo do horário semanal de quarenta para trinta e cinco horas. O SEP (Sindicato dos Enfermeiros Portugueses) prevê para dia 10, 11, 16, 17, 18 e 19 de outubro uma greve que abrange todos os enfermeiros. Esta tem como objetivo a alteração da carreira de enfermagem e, a luta pela melhoria do futuro desta profissão.


Cultura REPORTAGEM

365 Algarve: uma viagem à descoberta da música por David Santos e Leila Coelho Por: Leila Coelho

4 DE OUTUBRO DE 2018. O JARDIM MANUEL BÍVAR, EM FARO, ACOLHEU A ABERTURA DA 3 EDIÇÃO DO EVENTO 365 ALGARVE, TENDO COMO ANFITRIÃO O HUMORISTA RUI UNAS.

A esplanada do Columbus Cocktail & Wine Bar foi o local escolhido para a apresentação desta edição. Em primeiro lugar, foi feita a apresentação do programa cultural. Seguidamente, foi mostrado um vídeo com testemunhos de turistas sobre as edições passadas. A opinião parece ser unânime: todos elogiam o evento. Rui Unas chama ao pequeno palco improvisado Isabel Corte-Real, chefe de gabinete do Secretário de Estado da Cultura e Ana Mendes, secretária de Estado do Turismo.

Explicam, com um ar bem-disposto, porque decidiu o governo apostar neste programa. «O 365 Algarve é mais do que uma união bem conseguida entre cultura e turismo. É um verdadeiro instrumento de coesão territorial que usa a criação artística feita e pensada pelos agentes locais para atrair público regional, nacional e internacional a todos os concelhos do Algarve, sem exceção. Não se esgota nos principais centros. Mostra uma oferta cultural continuada, fora da época alta, ao longo de 8 meses. 22


É uma forma original de contar uma história que vai além do sol e mar, que tanto nos atrai nos meses de calor. Essas histórias são contadas por quem sabe: os artistas e estruturas locais», refere Isabel Corte-Real. Este evento mostra-nos um Algarve rico em diversidade. Exemplos disso são o Festival do Contrabando em Alcoutim, o Lavrar o Mar, que esgota as sessões em Aljezur e Monchique, ou os concertos de jazz em Silves. A chefe de gabinete do Secretário de Estado da Cultura refere ainda que é a primeira vez que a oferta cultural e a oferta turística se juntam para comunicar o destino Algarve. Já Ana Mendes diz que o programa cultural desta edição se resume a três elementos decisivos: «Este programa representa, para mim, o que eu vejo para o Algarve em 3 palavras.

Tendo como cartão-de-visita a ideia de viagem, o espetador é levado a um patamar cultural e musical de excelência, no qual o jazz, a música portuguesa, africana e brasileira se misturam. «O concerto resulta de um desafio lançado pelo 365 Algarve a talentosos músicos algarvios para que nos guiassem numa viagem musical que percorre destinos completamente diferentes e territórios longínquos, sem esquecer a música popular algarvia e portuguesa ao ritmo de um viajante muito particular: o acordeão», refere Rui Unas.

O concerto contou ainda com a presença de Moçoilas, um grupo de três mulheres que mostraram como o sotaque algarvio se pode aliar à melodia. Quem também subiu ao palco foi Ana Bacalhau, a célebre vocalista dos Deolinda. No final, deu-se a verdadeira fusão de ritmos e estilos Em primeiro lugar, vejo um programa de paixão, musicais, quando todos se juntaram para uma um casamento entre cultura e turismo. Segundo, última canção. é um programa que quer dar vida e mostrar que ela existe. A terceira palavra é futuro, sobretudo O evento de abertura desta edição seguiu com a se o soubermos fazer. atuação do DJ Chewbacca, prolongando-se pela Não podemos ficar de braços cruzados, devemos noite dentro. mostrar a autenticidade desta região. O futuro, quer dizer, sobretudo, que este casamento está a Mais do que uma oferta cultural, o 365 Algarve é dar frutos». uma descoberta constante do que esta região tem para oferecer. Privilegia as mais diversas áreas Às 21h15, chegou o tão aguardado momento: o como a literatura, a música, a dança, a pintura, a concerto de abertura do evento. Rui Unas subiu exposição, as artes digitais, o teatro, o cinema e o mais uma vez ao palco, num espetáculo em que o património. talento algarvio se destacou. A festa iniciou-se com João Frade e o seu O 365 Algarve é, assim, uma forma de combater acordeão, num estilo alternativo a que se dá o a sazonalidade e uma oportunidade para o nome de corrido de fusão. Depois, Sara Afonso, crescimento do turismo. uma talentosa cantora nascida em Faro, brindou o público com a sua voz doce. Com cerca de 400 eventos, esta atração conjuga o divertimento com a aprendizagem, não só por Espanhol, português e francês foram alguns dos parte dos turistas estrangeiros, mas por parte de idiomas cantados pela algarvia, o que remete para todos os portugueses participantes. No Algarve, o mote da edição deste ano. todas as oportunidades contam. No Algarve, todos os dias contam.


REPORTAGEM

Concerto de Abertura do Ano Académico da Universidade do Algarve com a Orquestra Clássica do Sul por Catarina Cunha A comunidade académica e a população em geral tiveram a oportunidade de celebrar a Abertura do Ano Académico 2018/2019, no passado dia 6 de outubro, com o concerto da Orquestra Clássica do Sul realizado no Claustro do Museu Municipal de Faro. A iniciativa teve como principal objetivo integrar os novos alunos, não só na vida universitária, mas também na cidade e na região que os acolheu. A Orquestra interpretou obras de autores como Mozart, Marcos Portugal, Rossini, Mascagni, Delibes, sob a direção do maestro José Eduardo Gomes, tendo como barítono João Merino. A Orquestra Clássica do Sul apareceu primeiramente como Orquestra do Algarve em 2002 e, 11 anos mais tarde - em setembro de 2013 -, adotou o nome atual com o objetivo de englobar ainda as regiões do Alentejo, da península de Setúbal e da Andaluzia (Espanha). Iniciou a atividade artística em outubro de 2013 e até à atualidade já contou com a colaboração de

inúmeros maestros oriundos de várias partes do globo. Atualmente é uma orquestra profissional, composta por músicos de catorze nacionalidades diferentes, selecionados num concurso público internacional e é composta por instrumentos de cordas (violinos, violas, violoncelos, contrabaixos), instrumentos de sopro (trompas, trompetes, flautas, clarinetes, fagotes, oboés) e percussão. A missão da Orquestra passa por desenvolver uma atividade educativa junto de novos públicos, levando a música clássica a todas as camadas sociais de forma a contribuir para o enriquecimento musical e cultural das populações, e promover o desenvolvimento de novos talentos. 24


REPORTAGEM

Festival Alternativo em Faro por Patrícia Baião e Patrícia Franco A música underground voltou à cidade de Faro com o festival Faro Alternativo, que decorreu nos dias 4, 5 e 6 de outubro, na Associação Recreativa e Cultural de Músicos. Pela primeira vez, o festival contou com três dias de concertos, dezassete bandas nacionais e duas internacionais, a banda espanhola Blowfuse e a banda brasileira Desalmado. Um local acolhedor que chamou à atenção tanto dos farenses como de visitantes estrangeiros que a pouco e pouco entravam e por ali acabavam por passar a noite. O carácter descontraído do espaço permitia o convívio entre aqueles que vivem um estilo alternativo e aqueles que procuravam um novo conceito da noite algarvia. A organização do evento revela que pelo feedback recebido, as bandas mais esperadas pelo público seriam HochiminH, uma banda que toca pela quarta vez, em oito edições de Faro Alternativo e chama sempre muito público. O grupo BESTA também era muito esperado, por não tocar no Algarve há já algum tempo. The Parkinsons, um conjunto com muita exposição e a banda espanhola Blowfuse, que vieram pela segunda vez ao Algarve, também atuaram neste evento algarvio. Mas nem só de música se fez esta oitava edição. Este ano a organização apostou noutras áreas, como a tatuagem, com o estúdio Whatever Tattoos do tatuador Miguel Carvalho. Outras áreas de

“O carácter descontraído do espaço permitia o convívio entre aqueles que vivem um estilo alternativo e aqueles que procuravam um novo conceito da noite algarvia.”

por Patrícia Baião e Patrícia Franco

interesse foram a fotografia e o desenho, com exposições dos trabalhos do fotógrafo Roberto Raposo e do projeto Gat.Uno. A dança também não foi esquecida. No dia de abertura foi possível assistir à performance da dançarina farense Inês Sousa, que apresentou ao público um estilo de dança oriental de fusão. Uma das grandes apostas deste ano foi a sustentabilidade. Esta ação que desperta, cada vez mais, junto da população a preocupação pela preservação do espaço, levou a que existissem postos de reciclagem um pouco por todo o lado. Em relação à comida servida esta seguia um plano de alimentação vegano. Rafael Rodrigues, organizador, explica que a escolha serve para contrariar a tendência da maioria dos festivais em Portugal, onde as escolhas alimentares muitas vezes se esquecem dos veganos.


por Patrícia Baião e Patrícia Franco

A vertente solidária também foi abrangida pela organização, com uma recolha de alimentos e de mantimentos à entrada do evento para ajudar a Associação Cabana Aldeia dos Palheiros – ACAP. A associação que em conjunto com Rafael Rodrigues organiza anualmente o Dia Mundial do Veganismo juntou-se este ano pela primeira vez ao Faro Alternativo. O organizador explica que apoia esta associação por esta acolher, abrigar e tratar de cerca de uma centena de animais entre os quais cavalos, aves e répteis que não podem ser esquecidos. “A ACAP tem feito um trabalho excecional, são animais que podiam estar no prato e eles recolhem-nos, e tratam-nos como se fossem um filho”, acrescenta.

oportunidade de tocar em grandes palcos, mas que precisam de uma oportunidade para se apresentarem ao público”, completa. Por fim, Rafael Rodrigues deixa uma mensagem de recomendação para aqueles que pretendam visitar o festival nas próximas edições: “é necessário que as pessoas se desliguem um pouco daquilo que ouvem na rádio e na televisão, porque o mainstream por muita qualidade que tenha, já massacrou o YouTube e o Facebook, as pessoas não têm vontade de conhecer música nova, por isso, acho que é importante, as pessoas olharem para um cartaz e se conhecem uma ou duas bandas, tentarem ir e ouvir o resto das atuações”.

O conceito deste festival é tentar abrir espaço a bandas com pouca exposição. Assim, no primeiro dia de festival manteve-se a entrada livre, “porque muitas vezes as pessoas não estão preparadas para pagar para ver bandas locais, mas com esta medida as bandas conseguiram mostrar-se, o que foi bom tanto para as bandas como para o festival”, explica Rafael. Com o passar dos anos e com o consequente crescimento do festival, a organização passou a investir em bandas mais alternativas, ou seja, bandas que não tinham

“acho que é importante, as pessoas olharem para um cartaz e se conhecem uma ou duas bandas, tentarem ir e ouvir o resto das atuações”

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DESPORTO ENTREVISTA

UALG compete do outro lado do mundo por Rita Afonso

A Universidade do Algarve esteve, no passado dia 23 de setembro de 2018, representada na competição de Dragon Boat Race organizada pela Ocean University de Shanghai – China. A Universidade Oceânica de Shangai convidou a Universidade do Algarve para participar na sua competição anual de Dragon Boat Race. Este desporto, praticado nos tradicionais barcos em forma de dragão, tem grande popularidade neste país oriental, contando com uma história superior a 2 mil anos. Miguel Rita foi um dos atletas que representou a Universidade portuguesa e conta-nos a sua experiência do outro lado do mundo. Como surgiu a oportunidade de participar nesta competição? Vi uma publicação que colocaram num dos grupos de desporto da UAlg que falava sobre uma competição e viagem à China. Os meus colegas de curso começaram a combinar, inscrevermonos juntos e, apesar de, ao início, estar de pé atrás por não saber quais seriam as condições e por ser tão longe, lá acabei por me inscrever também. E qual era a sua experiência com esta modalidade? Nenhuma (risos), já tinha tido aulas de canoagem na licenciatura, mas a técnica de remada nem se compara. Claro que me deu vantagem, como saber colocar-me numa superfície semelhante sobre a água e saber como funciona a canoa ao nível de direção e deslocação. E os restantes adversários? Também não tinham experiência? Não tenho bem a certeza, mas sei que fomos das poucas equipas que apenas experimentou o desporto dois dias antes da competição (risos). No total, treinámos cerca de 3 a 4 horas. Mas também tínhamos equipas profissionais a competir contra nós.

Como foi a sensação de estar a competir num desporto no qual não tens experiência, do outro lado do mundo? Foi um desafio, e eu gosto de me sentir desafiado. E fora do barco, como foi estar do outro lado do mundo? Foi das melhores experiências da minha vida! Nunca tinha viajado para tão longe, nem durante tanto tempo [a viagem dos alunos da UAlg durou 6 dias, partiram na quinta-feira de madrugada e regressaram na terça-feira seguinte, por volta das 15 horas]. Gostei da experiência, deu para conhecer uma cultura completamente diferente, costumes e tradições que desconhecia… e fomos muito bem recebidos, fizeram de tudo para que nos sentíssemos bem. Até nos deram a oportunidade de ir ao centro de Shanghai que ficava ainda um pouco longe do campus da Universidade. Como surgiu a oportunidade de participar nesta competição? Vi uma publicação que colocaram num dos grupos de desporto da UAlg que falava sobre uma competição e viagem à China. Os meus colegas


por Diogo Pescada de curso começaram a combinar, inscrevermo-nos juntos e, apesar de, ao início, estar de pé atrás por não saber quais seriam as condições e por ser tão longe, lá acabei por me inscrever também.

regressaram na terça-feira seguinte, por volta das 15 horas]. Gostei da experiência, deu para conhecer uma cultura completamente diferente, costumes e tradições que desconhecia… e fomos muito bem recebidos, fizeram de tudo para que nos E qual era a sua experiência com esta modalidade? sentíssemos bem. Até nos deram a oportunidade de ir ao centro de Shanghai que ficava ainda um Nenhuma (risos), já tinha tido aulas de canoagem pouco longe do campus da Universidade. na licenciatura, mas a técnica de remada nem se compara. Claro que me deu vantagem, como E em relação ao grupo enquanto equipa? saber colocar-me numa superfície semelhante sobre a água e saber como funciona a canoa ao O nosso grupo teve uma grande união, o que só nível de direção e deslocação. veio tornar a experiência mais agradável. Criei amizades, vi uma cidade lindíssima e aprendi E os restantes adversários? Também não tinham imenso acerca de uma cultura que desconhecia. experiência? Houve algum aspeto menos positivo nesta viagem? Não tenho bem a certeza, mas sei que fomos das poucas equipas que apenas experimentou o A única coisa que não foi tão boa foi a diferença desporto dois dias antes da competição (risos). No da comida chinesa para a europeia. Têm métodos total, treinámos cerca de 3 a 4 horas. Mas também de confeção muito diferentes e, gostos também… tínhamos equipas profissionais a competir contra nós. Para o ano há mais? Como foi a sensação de estar a competir num desporto no qual não tens experiência, do outro O convite foi verbalizado pelos anfitriões, se houvea lado do mundo? disponibilidade, é bem provável! Foi um desafio, e eu gosto de me sentir desafiado. Como resumes a tua experiência? E fora do barco, como foi estar do outro lado do Descoberta, vivência. Novas experiências. mundo? Universidade do Algarve ocupou o oitavo lugar Foi das melhores experiências da minha vida! na corrida dos 500 metros e, o nono na categoria Nunca tinha viajado para tão longe, nem durante dos 200 -, entre as doze equipas que correram tanto tempo [a viagem dos alunos da UAlg durou nos barcos em forma de dragão nesta competição 6 dias, partiram na quinta-feira de madrugada e organizada pela Ocean University de Shanghai. 28


INFORMAÇÃO

A ACELERAÇÃO DA EVOLUÇÃO por Ruy Jimenez

A Fórmula 1 é a mais popular modalidade de automobilismo do mundo. É a ategoria mais avançada do desporto automóvel, sendo o produto de uma rápida evolução tecnológica.

Tudo começou no dia 13 de maio de 1950, num

dos circuitos mais emblemáticos da história do automobilismo, o circuito de Silverstone, que se situa no Reino Unido. Disputavam-se apenas 6 grandes prémios (GPs): Reino Unido, Mónaco, Suíça, Bélgica e Itália. Atualmente disputam-se 21 GPs, sendo este um número que se altera todos os anos. O surgimento desta modalidade desportiva foi conturbado por se seguir aos anos da guerra, dificultando a evolução do automobilismo, mas, em relativamente poucos anos, este tornou-se o desporto automóvel rei. No início, o piloto contava apenas com a sua habilidade, com um carro que estava longe de alcançar as condições de segurança necessárias e com a sorte. Os anos 60 ficaram marcados por uma série de acidentes mortais, o que levou a várias alterações nos carros. Porém, as mortes continuavam a surgir ano após ano. Foi 1994 que marcou a história da fórmula 1, sendo considerado o annus horribilis (o ano horrível), por ser um ano de muitas mortes entre elas a de Ayrton Senna da Silva, considerado por muitos o melhor piloto de todos os tempos. Atualmente, o piloto tem ao seu dispor um grande conjunto de condições, entre elas, uma equipa composta por vários engenheiros, cada um com a sua função específica e comunicações rádio entre

o piloto e a sua equipa, o que facilita a tarefa do piloto devido a todos os conselhos e informações que os engenheiros lhe transmitem ao longo da corrida. Existe uma grande controvérsia entre os pilotos de antigamente e os da atualidade. Isto porque muitos defendem que os primeiros venciam apenas pelo seu próprio mérito, enquanto que os pilotos de hoje em dia têm melhores condições e novas tecnologias, que permitem um maior sucesso. Defendem, no entanto, que os novatos tiveram que trabalhar muito para se conseguirem adaptar às novas tecnologias que foram implementadas. Este foi um desporto que teve uma evolução muito grande desde o seu início, passando por várias fases. As tecnologias de hoje também serão um dia ultrapassadas, devido ao trabalho das equipas e dos seus engenheiros em criar formas de tornar o carro mais rápido e seguro, com o objetivo de obter uma maior eficiência.


NOTÍCIA

Shangai Masters 2018 Em 2018, Shangai recebe a 10ª Edição do ATP World Tour Masters 1000. por Tomás Raimundo

Shangai volta a receber uma série de fãs e tenistas profissionais para a 10ª edição do Shangai Masters 2018, um torneio de grande reputação que faz parte do ATP World Tour Masters 1000. Esta competição decorreu entre o dia 6 de outubro e o dia 14 de outubro, no Qizhong Tennis Center. O torneio é a oitava competição das nove que fazem parte da série ATP World Tour Masters 1000 e que são realizadas anualmente na Europa, na América do Norte e, desde 2009, com um acordo entre a Associação Chinesa de Ténis e o ATP World Tour, de Shangai, Asia. A série é constituída por torneios de competição profissional de ténis masculino de grande prestígio e renome. O torneio já obteve cinco nomeações para Torneio do Ano, denominadas ATP Masters 1000 Tournament of the Year, sendo a competição constituída por dois

tipos de jogo, individual e pares. O torneio conta com a participação de 77 tenistas de renome mundial, como, por exemplo, os jogadores: João Sousa, Roger Federer, Novak Djokovic, Alexander Zverev, Juan Martin del Potro e Marin Cilic. Após as qualificações, 32 jogadores e 24 equipas de pares, lutam até à final. Este evento irá decorrer no campo de ténis de piso duro do Qizhong Tennis Center. Aí os oito jogadores com mais pontos do ranking ATP são qualificados para as finais do ATP World Tour 2018 que decorrerão em Londres. É importante não esquecer o facto de que o vencedor desta competição leva para casa sete milhões de dólares. Uma competição a não perder, tanto para um fã de ténis como para um espetador casual.

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NOTÍCIA

Rei com trono novo, mas os favoritos são os do costume por Leonardo Mascarenhas

Começou no passado dia 16 de outubro de 2018 a temporada da liga mais emocionante do mundo, a NBA, a principal liga norte-americana de basquetebol. Nesta nova temporada NBA 2018/19 existem, novamente, vários motivos de atração para o público em geral, sendo que o maior de todos eles será certamente a forma como Lebron James, indiscutivelmente o melhor jogador do mundo e, para alguns, o melhor de sempre, elevará a sua nova equipa, os Los Angeles Lakers, a um patamar de campeã. No entanto, Lebron não terá a vida facilitada, pois, pela primeira vez na sua carreira jogará naquela que é considerada a conferência mais forte, a Conferência Oeste. Nesta destacam-se os principais favoritos ao título da NBA e atuais bicampeões, os Golden State Warriors, que juntaram às suas fileiras mais um all-star, Demarcus Cousins, para muitos o poste dominante de toda a liga. Este, no entanto, sofreu uma grave lesão no final da temporada regular do ano passado e, por isso, não atraiu o interesse de nenhuma outra equipa. De seguida, os Houston Rockets, comandados por Chris Paul e James Harden, o MVP da liga na temporada transata, que perderam Ariza, mas que colmataram a sua saída com a entrada de Carmelo Anthony, extremo que obteve um buyout de Atlanta, numa troca com a sua antiga equipa, os Oklahoma City Thunder. Os Thunder conseguiram manter Paul George, adquirir, via troca, Dennis Schroeder e, via free agency, Nerlens Noel, os quais poderão vir a acrescentar a qualidade que faltava ao banco de OKC. Outras equipas que se poderão opor ao domínio dos Warriors no Oeste são os já referidos Lakers, comandados por Lebron, os Utah Jazz, que baseiam o seu jogo no poste Rudy Gobert e, no rookie de segundo ano Donovan Mitchell. De realçar ainda, os Denver Nuggets, os New Orleans Pelicans, liderados por Anthony Davis, por muitos considerado o melhor

jogador da liga nos próximos anos. Também é de destacar os sempre relevantes San Antonio Spurs treinados pelo veterano Gregg Popovich, os quais este ano já não contarão com a presença de Manu Ginobli, uma vez que este se retirou no final da época passada. No entanto, beneficiam

Por: Brkicks Bleacher Report

P


por Brkicks Bleacher Report kicks

da participação de DeMar Derozan, ex-Toronto Raptors. Da Conferência Oeste passamos para a Conferência Este, que este ano viu chegar Kawhi Leonard, extremo ex-Spurs, que na temporada passada se recusou a jogar, por motivo de lesão. Esta justificação não era confirmada pelos resultados dos exames médicos efetuados pela equipa, facto que conduziu à sua troca para os Raptors, equipa que o ano passado ficou em 1º lugar na conferência. Tal como os Raptors, também os Boston Celtics se assumem como candidatos, não só ao título de conferência como também ao título de campeões, contando com o regresso de Irving e Hayward à competição; juntando-se o crescimento dos rookies, Tatum e Brown. Num segundo patamar

de candidatos, temos os Philadelphia 76rs, liderados pelo poste dominante Joel Embiid e por Ben Simmons, o vencedor do prémio de rookie, o ano passado. De destacar ainda, os Milwaukee Bucks, com Giannis Antetokounmpo, à cabeça; os Indiana Pacers, liderados por Victor Oladipo, vencedor do prémio Most Improved Player e que se espera que tenha uma época de consolidação este ano; os Washigton Wizards apoiados no seu backcourt formado por John Wall e Bradley Beal; e, por fim, os Chicago Bulls que apostam numa grande época do rookie de segundo ano, Lauri Markannen e Jabari Parker adquirido este ano via free-agency. Espera-se uma época marcada por grandes jogos, grandes desilusões e grandes surpresas ou, não fosse esta a melhor liga do Mundo.

Por: www.nba.com 32


SAÚDE

por universityobserver.ie

ENTREVISTA

“Sinto-me feliz, apesar de, por vezes, ter recaídas” por Luana Guerreiro e Joana Benvindo

A anorexia é um distúrbio alimentar caracterizado pela restrição da ingestão de alimentos. A obsessão pela magreza e o símbolo de beleza e perfeição são duas das causas que mais afetam as pessoas na faixa etária entre os 16 e os 30 anos. Portadora desta doença, Victoria, uma estudante da Universidade do Algarve, com vinte anos, testemunha acontecimentos passados.

O que originou este problema? Tudo começou no 11º ano, tinha 16 anos. Uma antiga melhor amiga sempre que me via dizia: «Victoria, estás mais gorda»; «Victoria, tu nunca vais conseguir emagrecer». Não sei se era brincadeira, mas eu estava na fase da adolescência, uma era uma altura propícia a esses problemas. Fiquei em choque, comecei a ter pensamentos menos positivos. Deixei de comer e fazia desporto a mais. No início, queria perder apenas dois quilos.


Como foi a tua vida social afetada? Deixei de sair com os meus amigos, no entanto, a minha vida de estudante nunca foi afetada, a minha família foi o meu maior apoio. De que forma o exercício físico influenciou a tua vida? O desporto para mim não é, nem nunca foi, sinónimo de perder peso, mas sim um estilo de vida. Eu corria, fazia Hip Hop e ginástica em casa, mas cheguei a uma altura que já não aguentava mais, estava muito magra e não tinha forças. Neste momento, dedico-me ao ginásio. Descreve a tua alimentação, desde o momento mais difícil até hoje.

Que conselhos darias a alguém que está a passar ou que possa passar pela anorexia? Primeiro, quem acha que está gordo(a) se está bem com o seu corpo, deve ficar assim. Não se deve ligar à opinião de terceiros, não podemos agradar a todos. Se tens um peso acima do ideal e não te sentes bem, podes sempre fazer desporto e investir numa vida saudável. Quem está a passar por isto, é uma fase muito complicada, é preciso ter muito auxílio. Deve-se procurar ajuda de um médico e fazer caminhadas. Muita gente não percebe a tempo: eu pesava 30 kg com 18 anos, muita coisa podia correr mal. Uma sugestão: continuem a lutar, porque é uma doença, sim. Estás feliz com o que alcançaste?

Quando achei que estava gorda, cortei na minha alimentação. Era à base de fruta e água, muita das vezes suportava o meu dia com uma maçã ao almoço. Tornei-me vegetariana, devido a um costume da minha terra, o ramadão: durante oito semanas, não comia nada de origem animal, nem açúcares e tudo isso favoreceu a minha perda de peso. Fiquei com anemia e, quando comia, o meu estômago rejeitava. Mais tarde, comecei a praticar uma alimentação mais rica e com maior frequência frutos, legumes, peixes e peito de frango.

Eu sinto-me feliz, apesar de, por vezes, ter recaídas. Foi e ainda é uma longa caminhada para percorrer. A vida é bonita, há muitas pessoas que gostavam de estar no nosso lugar. Deus deu-me uma razão para estar viva e, eu vou aproveitá-la da melhor forma. Durante um ano e meio a menstruação desapareceu e tive de tomar comprimidos para voltar a tê-la. No meu caso, o problema foi resolvido, mas nem sempre é tratável. Pesava-me sempre depois de correr, sempre que via 1kg ou 100g [a menos] ficava feliz, até que a situação ficou descontrolada e a idade não me ajudou. A minha mãe sofreu muito com isto.

Quanto peso perdeste?

Porque aceitaste contar a tua história?

Perdi 22 quilogramas.

Eu conto a minha história, não para as pessoas terem pena, mas porque tenho a noção do que passei e estou a passar. Também porque muitas pessoas passam por isto. E só essas é que sabem a luta que é, eu sei que nós sofremos pelas pessoas que sofrem com isto, mas só percebemos quando estamos na pele delas. Um psicólogo ajuda imenso a nossa mente. Nós temos que exercitá-la, pois é ela que controla tudo e foi o que eu estraguei quando passei por isto. Por isso, tenho que me cuidar todos os dias.

Quando paraste para pensar no teu futuro? Frequentemente, ouvia imensos comentários desnecessários. Até que um dia, olhei para o espelho e não gostei daquilo que vi. Cheguei aos 30 quilogramas, era inacreditável. Por fim, acabei por perceber que não estava bem, eu era só pele e osso. Tinha de mudar por mim e, por todos os que estavam ao meu redor.

“Façam o que vos fizer felizes.” 34


Por: pixabay.


NOTÍCIA

composição: farinha de inseto (3%) por Marta Barbosa No início deste mês de outubro saíram uma série de notícias que nos dão conta de que os insetos já fazem parte da nossa alimentação, involuntariamente. Dá que pensar, uma coisa destas. Ainda que hesitemos em ingeri-los inteiros, vão até ao nosso estômago como parte integrante de farinhas que são utilizadas para os mais diversos fins, como, por exemplo, bolachas ou pão. Ainda que estes insetos em pó não sejam a totalidade da farinha utilizada na nossa alimentação futura, alega-se que a farinha de baratas, por exemplo, aumenta o valor proteico do pão em 133%. Não falamos apenas de baratas, falamos de larvas, dos mais variadíssimos insetos, incluindo grilos. Nesta matéria, as águas dividem-se claramente. Não há como ser cem por cento inclusivo, num mundo onde cada vez existem mais culturas alimentares distintas, com filosofias bastante

diferentes. O certo, é que temos que nos habituar. Em território nacional, ainda mais acesa se torna a troca de ideias. O povo português sempre teve costumes muito típicos. Em termos de gastronomia, somos detentores de uma das cozinhas mais ricas do mundo, com uma variedade de pratos incontáveis. Sempre fiéis aos mesmos sabores e tradições, duvido que um bacalhau com broa se possa transformar num bacalhau com broa confecionada com farinha de baratas. Sempre fomos bastante reticentes em relação a inovações, arrisco-me a dizer medricas. Por enquanto, fala-se apenas de estudos nesta matéria de insetos, mas não creio que vá demorar muito tempo até esta possibilidade se tornar uma realidade comum. Resta-nos esperar para verificar se este rumo da cadeia alimentar terá algum sucesso.

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INFORMAÇÃO

SUMOS DETOX por Beatriz Guerreiro

A moda dos sumos detox veio para ficar. Vamos ver até quando. Mas será que estes sumos são assim tão saudáveis, como pensamos? natural, os rins! O facto de certos alimentos serem detox, não está cientificamente provado que façam essa desintoxicação; para isso, somente e exclusivamente, os nossos rins e, obviamente, que, se os mesmos deixarem se funcionar corretamente, só um tratamento ou transplante substituirá os mesmos nesse processo natural de desintoxicação, que o nosso corpo precisa. Não são os sumos que os vão substituir! Logicamente que o consumo destes alimentos é importante e, por serem compostos por elementos que O nosso organismo já tem um órgão fundamental rapidamente eliminam toxinas e gorduras do para efetuar todo este processo de desintoxicação nosso corpo, devem ser consumidos, mas com O termo detox provém da palavra desintoxicar. Supostamente, ao consumirmos com frequência certos alimentos como o abacaxi, o gengibre, a canela ou o limão, adicionados na liquidificadora para produzirem os sumos, estes vão não só ser um boost de energia e saúde, como vão também ajudar o nosso corpo a limpar o organismo de todas as toxinas. Mas, vamos lá saber, como funciona todo este processo e que cuidados fundamentais devemos ter?


moderação, porque podem trazer problemas! A maior parte dos nutricionistas apoia os sumos detox, mas alerta para os cuidados que devemos ter. Existem muitas dietas que remetem para o facto dos sumos detox substituírem as refeições, durante um período máximo de 7 dias. Contudo, os detox apenas ajudam a perder peso num curto espaço de tempo, assim que voltar a uma rotina alimentar saudável, voltará a ganhar peso. O aconselhável será mesmo substituir refeições leves como um lanche ou o jantar, por um sumo detox e aí, teremos resultados mais promissores. Os detox são mesmo um boost e, de lés a lés, devemos beber um, até porque têm um ótimo sabor. No entanto, não devemos enveredar por modas e muito menos aderir a dietas sem o acompanhamento de um especialista.

SUMO DETOX DE CANELA (107 Kcal) 2 kiwis 1 maçã ½ pepino ½ limão 1 ½ colher de café de canela em pó

Todos e quaisquer alimentos consumidos em excesso também têm os seus efeitos nocivos!

SUMO DETOX DE ABACAXI (93 Kcal) 2 rodelas de abacaxi Gengibre q.b 50g Hortelã

AQUI FICAM DUAS RECEITAS DE SUMOS 38


NOTÍCIA NOTÍCIA

PASTELARIA VEGAN ABRE PASTELARIA EM PORTIMÃO VEGAN

ABRE EM PORTIMÃO por Matilde Dias

Por Matilde Dias

A Vegana é uma pastelaria-restaurante detox, batidos e cafés. Têm versões que à procura de uma forma de que vegan de bolos tradicionais portugueses, A responde Vegana é uma pastelaria-restaurante responde à procura de uma forma de viver viver exclua, na medida do possível como o pastel de de nata, sem nata eque são queque exclua, na medida do possível e do praticável, formas exploração de crueldade e do praticável, de público exploração e D. a especialidade da Arade, casa, até de contra animais.formas Abriu ao na Rua Carlos I, Edifício em mousse Portimão. de crueldade contra animais. Abriu ao chocolate e bolas de berlim, havendo público na Rua D. Carlos I, Edifício Arade, também outras sobremesas. Se estiver em Portimão. numa de almoçar, servem-se burritos de Pastelaria 100% vegan, onde toda a família se pode sobremesas. Se seitanas estiver numa de almoçar, arrozoutras e feijão em wrap, (bifanas divertir e100% experimentar novas;a oferece servem-se burritos de arroz feijão ou em wrap, Pastelaria vegan, coisas onde toda família uma de seitan caseiro), vegan bowlse (doce de comidas e bebidas à basecoisas de plantas. seitanas de seitan caseiro), se variedade pode divertir e experimentar salgada), ou(bifanas hambúrgueres caseirosvegan de bowls No menu, têm também opções sem açúcares (doce ou salgada), ou hambúrgueres caseiros de novas; oferece uma variedade de comidas feijão ou quinoa. Tudo é caseiro, feito na refinados e sem glúten; é uma boa alternativa, não feijão ou quinoa. Tudo é caseiro, feito na hora e e bebidas à base de plantas. No menu, têm hora e 100% vegan. Também aceitam só para os que são vegan, como também para 100% vegan. Também aceitam encomendas de também sem apenas açúcares refinados e encomendas de bolos de aniversário. aquelesopções que desejam comer algo saudável. bolos de aniversário. sem glúten; é uma boa alternativa, não só para os espaço que sãoque vegan, como também Há pratos fixos nonomenu, tambémháhá É um se destaca de todos para os outros, Há pratos fixos menu, mas mas também pratos do aqueles que desejam apenas comer algo pratos do dia, que se podem acompanhar onde se demonstra que os sabores da doçaria dia, que se podem acompanhar com sumos sem saudável. sumosde sem adição de açúcar, por Detox são possíveis de ser obtidos sem ingredientes com de adição açúcar, por exemplo, o Smoothie origem animal, pela qualidade dos produtos, e pela (que leva espinafres, Detox sumo de limão gengibre, exemplo, o Smoothie (que leva Tem se a possibilidade take away. maça, spirulina e água), partir de €2,50. É sua um variedade. espaço que destaca dede todos espinafres, sumo de limãoagengibre, maça, A simpatia dos funcionários e a consciencialização os outros, onde se demonstra que os spirulina e água), a partir de €2,50. ambiental seu apanágio. Atualmente, há mais pessoas com alergias sabores dasãodoçaria são possíveis de alimentares é bompessoas que cadacom vez mais surjam estes ser obtidos sem ingredientes de origem Atualmente, há emais alergias Servempela pequenos-almoços almoços, têm espaços eque serão que alternativas aos mais tradicionais, animal, qualidade dose produtos, e uns alimentares é bom cada vez belíssimos sumos naturais, sumos detox, batidos que não são gluten free. pela sua variedade. Tem a possibilidade surjam estes espaços que serão alternativas e cafés. Têm versões vegan de bolos tradicionais de take away. A simpatia dos funcionários aos tradicionais, que não são gluten free. portugueses, como o pastel de nata, sem nata A Vegana assume-se como um novo espaço para e aque consciencialização sãomousse seu de usufruir melhor qualidade de vida na cidade. são a especialidadeambiental da casa, até apanágio. A Vegana assume-se como um novo espaço chocolate e bolas de berlim, havendo também para usufruir melhor qualidade de vida na Servem pequenos-almoços e almoços, cidade. têm uns belíssimos sumos naturais, sumos


“A Vegana assume-se como um novo espaço para usufruir melhor qualidade de vida na cidade.”

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FORA DA CAIXA ENTREVISTA Alexandre Martins, não tem medo de se dar ao mundo e responde a algumas questões da revista Mundo Contemporâneo. Atira-se sem medos, de cabeça num salto de avião, e contanos como foi a sua experiência. Já alguma vez tinha saltado de avião ou foi a um minuto a cair a duzentos quilómetros hora e primeira vez? depois, assim que o paraquedas abre é só “curtir” o momento e a paisagem. O mais impressionante é Não, nunca tinha saltado de avião, mas eu trabalho perceber que, quando nós chegamos cá abaixo, as na área de business e life coaching e tenho duas pessoas dizem: “vamos outra vez!” clientes que tinham o sonho de saltar de paraquedas, então durante sete dias estive a prepará-las para o mesmo, já que iam saltar 4200m de altura em Qual foi a parte do salto que mais gostou e porquê? queda livre.

Esse salto era um sonho ou um objetivo? Bem, sim. Numa das sessões, uma delas desafioume a saltar de avião e, sim, é verdade, era um sonho, mas era um desejo para o futuro e não uma prioridade. A minha cliente acabou por me persuadir, já que eu estava a prepará-las para o salto, não havia ninguém melhor que eu para saltar com elas. Nem hesitei por um segundo, e disse que iria e que queria ser o primeiro a saltar porque era a minha maneira de as encorajar na vida. Na vida existem momentos fantásticos, mas também existem momentos maus e quero que esse salto tenha simbolizado a concretização de um sonho. O meu objetivo era que quando eu e essas duas pessoas víssemos o avião a subir para quatro mil e duzentos metros nada, mas mesmo nada, corresse mal. Eu fui o primeiro a saltar e foi aí que percebi que gosto pouco de teorias, gosto de práticas, não gosto do “blá blá blá”. Durante a viagem de avião até ao ponto do salto, nós fomos dizendo âncoras para acalmar os nossos níveis de ansiedade, o objetivo era ver todo aquele momento como algo normal, mesmo sabendo que aquela situação é brutal nas nossas vidas. Sabemos ainda que poucas pessoas têm a coragem de o fazer, mas dá uma grande libertação à pessoa que salta. É mais ou menos

Sem dúvida alguma, a queda livre, porque quando entras na asa e de repente estás a olhar para o céu, porque não podes olhar para baixo, é uma das regras que te impõem, só mais tarde é que podes olhar à vontade, isto tudo para evitar que as pessoas fiquem com medo e não queiram saltar. Tu sentes que estás a entrar no vazio, porque entras numa velocidade tão louca, é uma sensação indescritível, a adrenalina é tanta, o pico de energia é tão elevado, que tu não tens tempo de pensar em nada. É nesse momento que realmente nos apercebemos do que está a acontecer. Depois, quando o paraquedas abre são mais dez/ quinze minutos apenas a “curtir” a viagem. Uma das pessoas que me acompanhou, disse-me que após o nascimento da filha, este salto tinha sido o momento mais feliz da sua vida, ou seja, marcou-a de alguma maneira. Este salto não é algo normal, é algo fora da caixa!

Existiu alguma parte do salto que menos lhe agradou? Para mim foi tudo espetacular! A única coisa que aumentou o nosso nível de ansiedade e que tivemos de trabalhar, foi mesmo o facto de o salto ter atrasado uma hora e meia, de resto foi tudo fantástico.


â&#x20AC;&#x153;Um dos melhores momentos da minha vidaâ&#x20AC;? por Carolina Figueiras, Catarina Lopes, Manuel Manero

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Como via a vida antes e depois do salto? Isto vai ficar na minha memória eternamente. É um momento que está registado para sempre como um dos melhores momentos da minha vida.

Alguma vez sentiu medo? O medo faz parte de nós, através dele sabemos distinguir o que é real do que não é real, do que é seguro ou do que não é seguro. Eu tenho noção que saltar de paraquedas é perfeitamente seguro. No entanto, não saltava sozinho, primeiro tinha de me preparar, tirar o curso de paraquedista, entender como funcionam todos os ventos e a mecânica. Assim, estaria preparado para saltar. O medo é normal, o importante é enfrentá-lo. Eu não tenho receio de quebrar uma barreira sobre o medo.

Que conselho é que dá a alguém que tenha receio de marcar o salto? O primeiro passo é marcar, porque quando se

Alexandre Martins, autor, orador motivacional e coach de alta performance tem como lema de vida: “temos de ser o exemplo, não devemos falar apenas por falar”.

marca há um compromisso. Algo muito importante também é agendar um dia para ir ao local e para que as pessoas se ambientem, foi isso que eu fiz com as minhas clientes. Para ver se realmente as pessoas querem ou não!

Acha que esse salto é importante para a vida das pessoas? Sim, é importante, se as pessoas virem o momento dessa maneira, se criarem uma âncora. Assim, olhamos para a vida de uma maneira diferente. No entanto, pode ser visto como apenas uma experiência. Uma ótima experiência.


LAR DOCE LAR por Carolina Figueiras

A História da vida na Terra como nunca a imaginamos. O Planeta Terra é a nossa casa, o nosso lar, o nosso ninho. Afinal, para que serve a Vida e o que fazer com ela? O Mundo é um constante mistério. O que sabemos nós? Nada? Quase nada? Bom, na verdade, sabemos, sim! Sabemos algumas coisas. Que um início (de algo) se deu há muitos, muitos milhões de anos, com o surgimento dos mais variados componentes, desde rios, rochas, minerais, oceanos, vulcões e até glaciares. Não havia ainda vestígios do Homo. De onde viemos? Para onde vamos? O que queremos? Na verdade, por vezes parece que não sabemos apreciar o nosso lar e a beleza que dele advém, nós não paramos para pensar apesar de sermos dotados de pensamento e raciocínio. É quase ingrato o que fazemos todos os dias. O planeta é como uma explosão de cores, um arco-íris, um milagre vivo. O amarelo do enxofre, o azul do cobre, o vermelho do ferro, o negro do carbono…

existência. Esta pertence a um ciclo que está em constante renovação, desde rios, cascatas, vapor, oceanos, glaciares, nuvens, chuva e até nascentes. Pode ainda passar pelos seus três estados: líquido, sólido e gasoso. Mesmo sendo tão importante, ainda hoje tantas pessoas não tem acesso a água e morrem, por falta dela. Graças a esta somos seres cheios de vida, porque nada é autossuficiente e está tudo ligado. É como o cordão umbilical que alimenta o bebé através da mãe. Neste caso a mãe é a Terra/Natureza que por sua vez alimenta os seus filhos, os seres vivos, NÓS. As Árvores, são um exemplo disso mesmo, são esculturas, ornamentos vivos, perfeitos, que crescem em direção ao sol e se alimentam de luz e vivem para nos dar aquilo que também precisamos para viver, o oxigénio.

No entanto, o que sabemos nós sobre os seres vivos? Sobre as espécies…quantas conhecemos? Quantas estão por conhecer? Quantas viveram e deixaram de existir sem as conhecermos? As profundezas do mar, por exemplo, permanecem em segredo. O que conhecemos nós do Mundo Há muito mais para além disto, a água, por Marinho, do qual exemplo, que é um recurso não renovável. A nossa fonte de energia e vitalidade. A garantia da nossa 44


só vemos pouco mais do que a superfície? Todas as espécies são essenciais à vida e fazem parte do equilíbrio terrestre, nenhuma espécie é substituível ou prescindível, mesmo sendo vulnerável. Assim, o que dizer sobre aqueles que se encontram em vias de extinção a um ritmo alucinante, o que fazer para os proteger, para evitar ou prevenir? Temos de agir, temos de ser rápidos! Chegado a este ponto, é de referir a importância do surgimento do Homem, da Civilização, da Sociedade e da Humanidade (ou não…). Existe realmente o respeito pelo próximo? A partilha? O bom senso? Bom, no início, quando surgiu o ser humano, este retirava apenas o necessário do planeta, existindo uma espécie de respeito, aliança e equilíbrio entre o Homem e o nosso Lar. Até que, como sempre, o Homem, abusou, excedeu-se. Tudo no Mundo está numa constante evolução, mas para melhor? Depois do Homem, surgem as suas primeiras grandes criações. Falamos neste caso da Agricultura. O objetivo, como sempre, foi e é aumentar a produtividade e a variedade. A ideia é boa, o problema surge quando entram os períodos de seca ou o solo fica impróprio para o cultivo. E isto porquê? Porque o Homem abusou de novo. A Agricultura é sem dúvida uma tradição de trabalho árduo, que se mantem ainda hoje porque é uma questão de sobrevivência, mas a vida mudou. Nos dias de hoje, a agricultura não é como antes, nada é como antes, agora fala-se de cidades, arranha-

céus, novas tecnologias. Era inevitável, a máquina substituiu o homem. Não há como negar, somos geniais, especiais, inteligentes, mas a que preço e à custa de quem? Esta questão implica um outro tópico: a diferença entre os mais ricos e os mais pobres. Será que estas disparidades podem continuar? Por todo o planeta os mais pobres tentam viver dos restos, enquanto nós usamos todo o tipo de recursos, sem os quais não sabemos viver. Somos fúteis, consumistas e vangloriamo-nos por tal. O mundo gasta doze vezes mais em armas do que em melhorar e ajudar países menos desenvolvidos. Nesta linha de pensamento, é importante referir as guerras, o ódio, a vingança que trazem a destruição e a existência de refugiados, tudo causado pelo ser humano que destrói tudo por onde passa, até a si mesmo. O preço das nossas ações é muito alto e pelas atitudes de uns sofrem todos. Ainda não percebemos isso. Fome, outro tema, muito delicado também. Novas técnicas de cultivo e a chegada dos pesticidas aboliram a fome. Mas será que esta acabou mesmo? Na verdade, não. Há mais num lado e menos no outro, visto que mil milhões de pessoas estão a morrer à fome. Sim, mil milhões, lês-te bem! Recusamos responsabilidades daquilo que fazemos sozinhos, e sozinhos criamos fenómenos que não sabemos controlar, e não assumimos as responsabilidades.


Por falar em fenómenos, graças a nós as estações do ano estão irreconhecíveis, o clima mudou totalmente em poucos anos e o aquecimento global é uma realidade nossa conhecida, que vivenciamos todos os dias, visto que perturba o equilíbrio climático da terra. A erosão do solo é mais um exemplo da destruição causada pelo ser humano, assim como a desflorestação, que destrói o essencial para dar lugar ao supérfluo. O degelo é mais um exemplo destas disparidades criadas pelos humanos, que muitas vezes alcançam proporções gravíssimas, tais como furacões, secas ou terramotos. Com o aumento da população, o consumo de carne tende a elevar-se, para acompanhar as necessidades. Agora pergunto, como alimentar tantas pessoas sem ter de recorrer a uma pecuária que mais se assemelha a uma aglutinação de animais que termina num matadouro, quase como uma luta entre gladiadores.

que a natureza de melhor nos oferece. A vida na terra está irreconhecível. A magia do mundo está mesmo em frente dos nossos olhos. Basta ver, o problema é que ignoramos os sinais, isso porque criamos muros e barreiras. Mas isso pode mudar, basta acreditar, em mim, em ti, em nós! A cultura, a investigação, a educação e a inovação são recursos inesgotáveis. Nós podemos inverter a situação, ainda não é tarde! Esta harmonia entre o ser humano e a natureza pode passar a ser a regra e deixar de ser a exceção. Porque não, sermos mais moderados, usarmos mais a inteligência para um final feliz? Porque não, partilhar e ajudar a preservar os recursos que a terra nos dá? Mais importante do que o passado é o presente e o futuro. Não arranjemos mais problemas, mas sim soluções. Do que estamos à espera?

A energia é, de facto, fascinante. Ver as grandes cidades iluminadas, é um espetáculo de luzes brilhante. Parece um céu estrelado numa noite limpa. O automóvel que também é símbolo de energia e conforto, desenvolve-se devido à nossa incessante busca de minerais, porque quanto mais temos mais procuramos, mais queremos. Em pouco tempo vamos esgotar as reservas mundiais de minerais. Ainda não percebemos que estamos a gastar, a esgotar, a extorquir o

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Mundo Contemporâneo | 10ª Temporada | 1ª Edição  

Revista Mundo Contemporâneo, elaborada pelos alunos do 2º ano de Ciências da Comunicação no âmbito da Unidade Curricular de História Contemp...

Mundo Contemporâneo | 10ª Temporada | 1ª Edição  

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