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Índice

EDIÇÃO 12 - ANO 3 - Nº 12 - ABR/2018

02 Biogra a 03 Entrevista com Cíntia Vieira 05 Entrevista com Eduardo Vieira 07 MEEF Responde 07 Entretenimento 08 Discernimento 08 Palavras convencem, exemplos arrastam

Editor Matheus Vieira Peres Revisão Geral Alfredo Henrique C. de Paula Colaboradores Abraão Brito Elias Iasmin da Silva Brito Vinícius Passeri Moraes de Souza Marcelo Junio Pennacchia Rodrigues Marco Túlio Simões Pontes Verônica Siriani Toledo Montagem Matheus Vieira Peres Revisão da Montagem Abraão Brito Elias

Esta é uma revista confeccionada e produzida pela Mocidade Espírita Eurydes Ferreira (MEEF) do Centro Espírita e Instituição Caminho da Luz (CEICAL), de circulação interna, sem ns lucrativos e de distribuição gratuita.

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EDIÇÃO 12 - ANO 3 - Nº 12 - ABR/2018


Biogra a

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Cecília Rocha

ecília Rocha nasceu no Rio Grande do Sul, na cidade de Jaguarão, no dia 21 de maio de 1919. Filha de José Rocha e Carmen Rocha atuou como professora e diretora de escolas em seu estado natal e foi integrante do Movimento Espírita Gaúcho. Em 1958, participou de uma Confraternização de Mocidades Espíritas do Norte e Nordeste que ocorreu em Teresina, estado do Piauí. Representando o rio Grande do Sul apresentou suas experiências ao lado de sua cunhada, professora Dinah Rocha. Na ocasião, conversou pela primeira vez com Divaldo Pereira Franco, que nessa oportunidade convidou-a para conhecer a Mansão do Caminho e orientar a escola lá existente. Cecília aceitou o convite e em 1960, passou de março a dezembro na Mansão do Caminho, onde trabalhou como diretora da Escola Primária da Obra Socioeducacional de Divaldo Franco, em Salvador, Bahia. Neste período atuou como uma verdadeira missionária da educação espírita, com devotamento e abnegação em favor do ideal. Sua jovialidade e conhecimentos técnicos cativaram a todos, contribuindo pedagogicamente para melhorar a educação das crianças internas da Casa, ensinando canto, jogral, coral, teatro e, sobretudo, disciplina, com base, sempre, na Codi cação Espírita. Durante a década de 70 atuou na direção de instituições como a Associação Educacional Mahatma Gandhi, em Porto Alegre, e Escola Primária do Lar dos Pequenos de Jesus, atendendo crianças carentes e classes especiais para alunos de cientes mentais. Nesta ocasião, cursou, com destaque, a Faculdade de Educação Porto Alegrense, concluindo em 1976 o curso de Licenciatura Plena em Pedagogia, com especialização em Administração Escolar. No ano de 1980, já aposentada, Cecília xou residência em Brasília, por solicitação do então presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), Francisco Thiesen, passando a integrar a diretoria da FEB, onde exerceu os cargos de diretora entre os anos de 1980 e 1982, e de vicepresidente, de 1983 até março de 2012. Por 31 anos, Cecília se dedicou à organização e desenvolvimento da Área de Estudo, no campo experimental da FEB e do Movimento Espírita Federativo, sobretudo no que diz respeito à implantação e aper feiçoamento das escolas de evangelização espírita infanto-juvenil e estudo doutrinário espírita de adultos.

Cecília Rocha

Cecília coordenou atividades educacionais da FEB em Santo Antônio do Descoberto, Estado de Goiás. Foi autora e organizadora de livros infantis editados pela FEB e da obra Pelos Caminhos da Evangelização. Em 2009, a editora da Federação Espírita do Rio Grande do Sul lançou a obra A Missão e os Missionários, de Gladis Pedersen de Oliveira, focalizando “a gura de Cecília Rocha mergulhada na ação evangelizadora de corpo e alma, isto é, de mente e coração”, resgatando “todo o seu esforço em prol da evangelização da criança e do jovem”. Aos 93 anos, Cecília Rocha desencarnou na madrugada do dia 5 de novembro de 2012.

Referências Bibliográ cas: http://www.correioespirita.org.br/secoes-do-jornal/biogra as/1094biogra a-cecilia-rocha http://www.evangelizacaoinfantil.com.br/index.php?option=com_content &view=article&id=259:cecilia-rocha&catid=60:biogra as-&Itemid=126 http://www.febnet.org.br/blog/geral/movimento-espirita/conselhofederativo-nacional-movimento-espirita/retorno-a-patria-espiritualcecilia-rocha/

por Iasmin da Silva Brito EDIÇÃO 12 - ANO 3 - Nº 12 - ABR/2018

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Entrevista

Entrevista com Cíntia Vieira

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proveitando a oportunidade de re etir sobre o tema educação, a equipe da Mundo CEICAL teve a oportunidade de conversar com dois educadores espíritas atuantes no nosso Estado. Cíntia e Eduardo são trabalhadores do movimento federativo estadual, tendo desempenhado funções diversas ao longo dos anos, com especial destaque na área de Infância e Juventude. A experiência, somada ao conhecimento espírita, proporcionou um ótimo bate-papo, em que ambos trouxeram suas opiniões acerca de questões instigantes envolvendo o processo educacional. Mundo Ceical: Há quanto tempo você trabalha com crianças/jovens? Cíntia Vieira: Eu participei dos trabalhos da evangelização desde muito cedo. Eu sou de família espírita; meus pais foram sempre muito zelosos na questão da educação espírita, da evangelização. No começo a gente participou no Centro Luz e Vida, em Goiânia, e depois no Posto de Auxílio Espírita, e desde essa época, que eu participava da evangelização quando criança, eu já me interessava por essa atividade. Quando passou a fase da infância, nos meus 11, 12 anos, além de participar do grupo de jovens, eu quei no grupo da infância como monitora, então eu comecei nessa área muito cedo, auxiliando, fazendo algumas atividades e ajudando os evangelizadores mais experientes. MC: Na sua visão, quais os maiores desa os na educação de jovens e crianças hoje? CV: Eu penso que hoje as crianças e os jovens têm tantas di culdades por não terem a questão da espiritualidade solidi cada no coração, por não perceberem a vida com uma visão mais ampla, que não se resume a esta existência. Hoje as crianças e os jovens passam por di culdades em casa e na escola, por falta de d i á l o g o co m o s p a i s e educadores. Com tanta violência, com nossas crianças deprimidas, jovens com tendência a suicídio, não só falta o apoio de familiares, mas também uma base religiosa, de valores humanos, morais, no sentido mais amplo, de enxergar a vida de forma espiritual, percebendo que nossa vida não acaba aqui, que nós temos outras possibilidades e que estamos de passagem. Então vejo que 3

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muitas di culdades das crianças e dos jovens, é porque as famílias não as incentivam a se desenvolverem espiritualmente. A educação atual se concentra só o viés cognitivo, de forma alguma prepara para a vida espiritual, prepara apenas para a vida material. MC: Há algum ponto que você acredita deva ser modi cado na forma como a educação é realizada hoje nas escolas tradicionais? CV: Eu percebo que nós educadores da atualidade somos frutos de uma escola tradicional. O maior desa o do educador de hoje é desconstruir essa base que foi aprendida na fase de formação, porque acabamos carregando esse tradicionalismo para sala. O maior desa o é nós percebermos que não existe padrão, não existe regra para conhecer a criança, é preciso perceber o que a criança gosta, no que ela tem interesse, perceber o que o jovem tem de possibilidade de ação. Enxergar a criança e o jovem como participantes ativos no processo educativo, sair um pouco da hierarquia do educador sendo aquele que sabe tudo e que a criança e o jovem estão ali só para aprender. É lógico que a criança e o jovem estão nesse percurso para reaprender, para reeducar tendências de comportamento, ações sentimentos, mas a gente não pode deixar de compreender que eles trazem


Entrevista alguma essência, algumas pendências e potencialidades de outras vidas. Não dá para a olharmos para uma criança em uma sala e achar que ela não sabe nada, que é só a gente que detém o saber. Eu acho que esse é um ponto interessante na mudança de concepção. Quem é essa criança, quem é esse jovem? E quem é o educador? O educador que conseguir ter essa visão mais ampla vai buscar possibilidades de criar ambientes educativos, estimulando na criança e nos jovens a curiosidade, no percurso do aprender. Portanto, é preciso buscar essa mudança nas concepções básicas e também buscar perceber a educação como um despertamento interior e não algo que vem de fora para dentro. MC: O que você acha do ensino religioso nas escolas? Acha que ensinar Espiritismo seria uma boa opção? CV: Na verdade, se nós trabalhássemos nas escolas os valores morais, a religiosidade, a espiritualidade, nós estaríamos fazendo também a base moral. Não digo uma aula de nida no currículo, mas que as nossas ações na escola, independentemente de ser uma disciplina ou não, sejam permeadas de espiritualidade. O que falta nas escolas, é a coerência moral. Às vezes a hora de falar para ser bom ou ser ruim é só na hora do momento religioso, na aula de religião, o que é incoerente com o resto do processo, que acontece na escola como um todo. Nós enxergamos uma escola que atende todos os aspectos, tanto físicos, emocionais, cognitivos, morais e espirituais. A partir do momento que as ações são pensadas nesse sentido, como um todo, não só um papel do professor na aula de religião transmitir religiosidade, mas dentro de uma perspectiva mais ampla, desde o diretor até todos os funcionários da equipe, todos são educadores. Então a visão de educação ampla, abrangendo todos os aspectos, desde o cognitivo, emocional e espiritual, transparece nas ações de todas as pessoas envolvidas no processo educativo, e não só do professor com relação ao cargo que ele ocupa.

as suas relações passam a ser mais profundas, mais conscientes. A Doutrina Espírita traz a consciência espiritual, e ter consciência espiritual é processo educativo. Toda obra organizada por Kardec foi pedagogicamente pensada. Desde as primeiras obras, os Espíritos trouxeram essa formatação de uma maneira muito organizada e Kardec soube nos trazer esse viés educativo, até pela sua formação, e pela in uência que teve de Pestalozzi na sua vida. O Espiritismo atua como um processo educativo justamente por isso, porque ele nos ensina as causas, ele respeita a liberdade do ser, a partir do livre arbítrio, trabalha com amor e, dentro desta perspectiva ampla, a busca é da evolução, é da educação dos nossos pensamentos, dos nossos sentimentos, e, consequentemente, das nossas ações, tornando nossa vida mais coerente, mais consciente e cada vez mais próxima da essência divina. por Marco Túlio Simões Pontes Abraão Brito Elias Alfredo Henrique C. de Paula Matheus Vieira Peres

MC: De que forma o Espiritismo pode contribuir para a melhoria da educação? CV: Eu estou aqui exatamente preparando uma palestra, para fazer em uma cidade na Suíça, falando de Kardec, como ele tem o per l educador e como ele trouxe isso para a organização da Doutrina. O Espiritismo é eminentemente educativo, porque ele traz na sua proposta a melhoria do ser espiritual, a busca de sua essência, a partir do “conhecete a ti mesmo”, ampliando as ações como a evolução. A perspectiva cientí ca, losó ca e religiosa, que é o tríplice aspecto da Doutrina, contempla toda a base educativa, não só na parte moral, mas cientí ca e também na parte do pensar. A criança e o jovem que tem que o conhecimento da Doutrina Espírita tem uma visão mais ampliada de mundo, EDIÇÃO 12 - ANO 3 - Nº 12 - ABR/2018

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Entrevista

Entrevista com Eduardo Vieira Mundo CEICAL: Há quanto tempo você trabalha com crianças/jovens? Eduardo Vieira: Trabalho com crianças e jovens desde o ano de 2001. Sou do Centro Espírita Irmã Scheilla e lá fui evangelizador de crianças por pouco mais de 1 ano. Depois coordenei a mocidade do Centro por cerca de 3 anos. Da coordenação da mocidade passei a colaborar no movimento espírita estadual e na Federação Espírita do Estado de Goiás coordenei o Setor de Juventude (Projeto Mocizade) por 5 anos; depois assumi a Diretoria de Infância e Juventude da FEEGO por 4 anos. No movimento espírita brasileiro, por cerca de 1 ano e 3 meses, fui Coordenador da Coordenação Nacional da Juventude da Área de Infância e Juventude do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira (FEB). MC: Na sua visão, quais os maiores desa os na educação de jovens e crianças hoje? EV: Muitos são os desa os no trabalho educativo de crianças e jovens na atualidade, mas creio que um deles e que possui grande relevância seja fazer com que nesta fase da existência o espírito reencarnado desperte para os reais valores da vida e consiga trilhar o caminho do bem, edi cando o seu progresso moral e colaborando para a construção de um mundo mais humano, fraterno e feliz para todas as criaturas de Deus. Vivemos em um mundo em que a grande questão posta é: “Qual o sentido da Vida?”

Nossas crianças e jovens também estão inseridas neste dilema que atinge grande parcela da população. Temos visto em todas as faixas etárias, independente do nível cultural ou mesmo da posição socioeconômica, uma grande turbulência íntima vivenciada pelos indivíduos, que inclusive se re ete nos relacionamentos familiares e sociais, gerando um cenário, em grande parte, de desrespeito aos semelhantes e não valorização da vida. Neste contexto percebemos que a criança e o jovem que tiveram (ou estão tendo) a oportunidade de estudar e vivenciar o Evangelho, à luz da doutrina espírita, seja no trabalho de evangelização da infância e/ou da Mocidade Espírita, gradativamente, vão conquistando maturidade espiritual que lhes proporcionam condições íntimas de enfrentarem com equilíbrio e serenidade os desa os e revezes da atual existência. Em outras palavras, passam a compreender com mais profundidade o sentido da vida, valorizando-a em todos os instantes. A proposta do evangelho é educativa; eduquemos, pois, à luz do evangelho, nossas crianças e jovens! MC: Há algum ponto que você acredita deva ser modi cado na forma como a educação é realizada hoje nas escolas tradicionais? EV: Acredito que um dos pontos que precisa ser revisto na forma como a educação é realizada atualmente em nossas escolas diz respeito à conduta e métodos utilizados pelos educadores em relação aos educandos. Vejo que é preciso se valorizar mais o educando enquanto indivíduo que traz consigo suas experiências, seus conhecimentos e suas contribuições para construção de um legítimo e verdadeiro espaço de aprendizagem. Sob a ótica espírita de que somos espíritos imortais, tal assertiva se aplica com ainda mais ênfase, pois que todos nós somos um microuniverso em ação e estamos constantemente aprendendo uns com os outros. Isto é, precisar-se-ia prestigiar ambientes mais adequados ao diálogo, sem que uns cassem necessariamente de costas para os outros; sem que um detenha a palavra e os demais precisem permanecer em silêncio o tempo todo; sem que a organização que é necessária se traduza em hierarquia excessivamente verticalizada, onde o educador invoque para si a condição daquele é, que pode e que tudo sabe e que o educando ainda não é, ainda não pode e ainda não sabe. Precisamos valorizar a efetiva participação dos educandos no processo ensino aprendizagem, prestigiar a integração e o protagonismo de nossas crianças e jovens, valorizando-se o espírito que se encontra reencarnado sedento por aprender, mas que também tem condições de colaborar com suas experiências para o coletivo em EDIÇÃO 12 - ANO 3 - Nº 12 - ABR/2018

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Entrevista desenvolvimento. Se sentir útil é uma necessidade imanente das criaturas humanas, quando esta necessidade é plenamente atendida, os ambientes se transformam, as pessoas se imolam e o processo educativo se revela prazeroso e edi cante para todos.

melhoria da educação difundindo os valores espirituais que veio revelar. por Abraão Brito Elias Alfredo Henrique C. de Paula Matheus Vieira Peres

MC: O que você acha do ensino religioso nas escolas? Acha que ensinar Espiritismo seria uma boa opção? EV: Vivemos no Brasil em um estado democrático de direito e que tem como um de seus pilares se estruturar de forma laica, isto é, sem se sujeitar a uma religião ou mesmo ser por ela institucionalmente in uenciado. Sobre o tema, o Supremo Tribunal Federal, no mês de setembro de 2017, julgou improcedente Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo Ministério Público Federal em que o órgão ministerial questionava o modelo de ensino religioso nas escolas da rede pública de ensino do país. Ou seja, o Supremo entendeu ser possível sim que o ensino religioso nas escolas públicas brasileiras tenha natureza confessional. A par da calorosa discussão, entendo que o ensino religioso pode sim colaborar para a formação, especialmente moral, dos indivíduos. O Espiritismo, no seu tríplice aspecto, nos oferece relevantes conhecimentos e se traduz sim em uma boa opção de formação intelecto-moral. Se no ambiente escolar/acadêmico ou em instituições espíritas, temos sempre que ter em mente que a proposta da doutrina não é formar doutores em espiritismo, mas sim, homens e mulheres de bem. Se a proposta do ensino religiosa nas escolas se reveste deste propósito acho viável e salutar. MC: De que forma o Espiritismo pode contribuir para a melhoria da educação? EV: O Espiritismo se revela como sendo o cristianismo redivivo. Ou seja, tem por proposta explicar e reviver, em espírito e verdade, os ensinamentos de Jesus. Na medida em que a convivência direta do Mestre entre nós foi um hino de louvor à vida e um roteiro educativo seguro para o aperfeiçoamento das criaturas ante o determinismo da evolução, entendo que a doutrina espírita, na condição de consolador por ele prometido, pode contribuir para a EDIÇÃO 12 - ANO 3 - Nº 12 - ABR/2018

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MEEF Responde 1. Como a Doutrina Espírita enxerga a educação moral? Enxerga-se como moral aquilo que Jesus caracterizava como o caminho da redenção humana, o roteiro de libertação dos vícios e a rota segura para se alcançar a vivência da Lei Divina em toda a sua plenitude. Allan Kardec, em seu comentário à questão 685-a de O Livro dos Espíritos, destaca que a educação moral re ete o conjunto de hábitos adquiridos durante a vida, sendo, portanto, diferenciada da intelectual por não ser encontrada apenas em livros. Segundo o codi cador, a educação moral consiste na “arte de formar os caracteres”.

2. Qual a responsabilidade dos educadores para a formação dos jovens? Na pergunta 208 de O Livro dos Espíritos diz-se que os espíritos devem concorrer para o progresso uns dos outros. Partindo dessa premissa, os Espíritos que recebem por missão guiar outros recém-chegados à matéria devem desenvolver estes últimos através da educação. Naturalmente, se falharem os educadores que falham nessa tarefa podem ser responsabilizados, se agiram de forma negligente, não usando todos os recursos que estavam ao alcance. Considerando isso Deus muitas vezes concede a maus espíritos bons educadores, na esperança de que seus conselhos o encaminhem para um caminho melhor, como foi dito na pergunta 209 do Livro dos Espíritos.

por Vinícius Passeri Moraes de Souza

Entretenimento

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Artigo

Discernimento

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educação é um dos principais aspectos para o desenvolvimento de um país. Por essa razão, é um tema amplamente discutido em todas as esferas de pensamento. A Doutrina Espírita, enquanto ciência losó ca de consequências morais, analisa o assunto através várias linhas de raciocínio. No cenário nacional, é fato que estamos passando por diversas conturbações no sistema educacional, tanto pela falta de investimento quanto pela falta de interesse dos docentes e discentes. Mas, essa barreira pode ser facilmente vencida a partir de mudanças realizadas na base educacional. Emmanuel, em Seara dos Médiuns, a rma que “a educação confere discernimento. E o discernimento é a luz que nos ensina a fazer bem todo o bem que precisamos fazer”. Ou seja, sem discernimento para ”separar o joio do trigo”, a base educacional pode ser usada, muitas vezes, para ns inconsequentes.

C o m u m e n t e, a c o m p a n h a - s e a u t i l i z a ç ã o d e conhecimentos acadêmicos para a prática do mal. Há uma corrupção exacerbada, não apenas no ramo político, mas de valores, o que afeta todas as áreas da sociedade. A resolução da questão da educação do ser está diretamente ligada ao futuro da humanidade. A Doutrina Espírita propõe uma solução que parte de dentro de cada indivíduo e de como cada um utiliza as ferramentas que lhes são dadas. A educação auxilia na formação do caráter. Aliás, estes conceitos são praticamente simbióticos quando o bem-estar social é o alvo a ser atingido. Com o despertar da consciência individual, a construção de um melhor mundo, em que coletivo e individual não se sobreponham, torna-se iminente.

por Marcelo Pennacchia

Artigo

Palavras convencem, exemplos arrastam

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o desenvolvermos nosso senso crítico durante a vida, é natural que comecemos a perceber o mundo em nossa volta de forma muito diferente. Recebemos, analisamos e processamos milhões de informações, palavras e atitudes na nossa biblioteca mental ao longo da encarnação. Em muitas ocasiões, encontramos incoerências justamente entre as crenças e palavras que recebemos, em comparação com as ações dos interlocutores. Dizem que acreditam em determinadas coisas, mas as atitudes mostram o extremo oposto. Seriam essas pessoas hipócritas? Acontece que é muito fácil analisar, processar e julgar as atitudes alheias, mas na maioria das vezes, não conseguimos enxergar nossas próprias incoerências. É aí que a ferramenta pedagógica da educação pelo exemplo pode atuar com e ciência no processo de auto

aper feiçoamento, de inspiração, e de in uência verdadeira. Antes de exigir gentileza, buscar ser verdadeiramente gentil nas atitudes diárias. Antes de exigir compreensão, ser compreensivo. Antes de exigir paciência, ser paciente. E todas as virtudes que desejemos ver nos outros, cultivemos primeiro em nós mesmos. Para que pelo nosso exemplo, seja despertada a vontade dos nossos companheiros de fazer o mesmo, e retroalimentar este ecossistema de trabalho no bem. por Abraão Brito Elias

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Educação - Abril/2018  
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