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Balanço preliminar 2020

Custos das matérias-primas colocam em xeque a competitividade da carne de frango frente às demais carnes

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nteriormente a 2020, o pior momento enfrentado pela avicultura em relação ao abastecimento de sua principal matéria-prima, o milho, foi registrado em 2016, devido à quebra de safra do grão. Na época, os preços do milho atingiram valores então considerados estratosféricos. A ponto de forçarem o setor a reduzir a produção, medida que redundou (segundo semestre de 2016) em recuperação dos preços do frango e, com ela a retomada do poder aquisitivo do produtor. Em decorrência dessa retomada, no final de 2016 o avicultor conseguiu adquirir, com o mesmo volume anterior de frangos vivos, 60% a mais de milho que no mês de maio Mesmo assim, na média daquele exercício, o poder de compra do produtor recuou 25% em relação ao ano anterior. Pois 2020 vem sendo pior. Porque, na média dos 11 primeiros meses deste ano de safra recorde do grão, o volume de milho adquirível pelo frango vivo vem sendo ainda menor que o de quatro anos atrás. Em novembro passado, por exemplo, uma tonelada de frango vivo adquiriu não mais que 3,316 toneladas de milho, quase 30% a menos que em novembro de 2016 – a despeito da forte valorização obtida pelo frango vivo neste último novembro. E não se diga que essa perda de poder aquisitivo só ocorre em relação a anos específicos. Nos nove primeiros anos desta década (isto é: aí inclusos os altos preços de 2016), uma tonelada de frango vivo possibilitou adquirir, em média, 4,560 toneladas de

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milho. Já em 2020 esse volume não vai além das 3,628 toneladas, ou seja, é 20% menor. Isoladamente, o desempenho do milho já corresponde a um problemão. Mas ele não está sozinho na escalada de preços: vem sendo acompanhado – e de forma mais contundente – pelo farelo de soja. Exemplificando, enquanto o milho alcançou, em novembro passado, valor quase 65% superior ao do final de 2019, o farelo de soja registrou alta de, aproximadamente, 105%, mais do que dobrando de preço. Independentemente das vindouras safras de milho e de soja, isso - tudo indica - veio para ficar. E representa o maior desafio a ser enfrentado pelo setor produtor de frangos, porque retira a competividade que sempre marcou o alimento frente às demais carnes. Do ponto de vista econômico, porém, esse desafio pode apresentar diferentes graus de implicação, conforme a característica de pelo menos três diferentes agentes do setor: as empresas com ações em bolsa, as cooperativas agropecuárias e os demais componentes da atividade. As primeiras, na maioria ou na totalidade exportadoras, vêm obtendo lucros e, portanto, têm caixa para bancar os altos custos das duas matérias-primas. As cooperativas, também na maioria, produzem o próprio milho e a própria soja e, portanto, têm o produto “dentro de casa”. E os demais?

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Revista do AviSite - Edição 133  

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