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Desempenho do frango vivo em 2020

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mbora faltem, ainda, alguns dias para o encerramento do ano, já se tem perfeita ideia de como será encerrado, em termos de preço alcançado pelo frango vivo, este conturbado 2020: com o melhor preço nominal e real da história moderna do setor. Até, praticamente, meados do ano, possivelmente ninguém tinha a mais leve ideia de que isso pudesse ocorrer. Profundamente afetado pelos efeitos da pandemia, o setor viu o primeiro semestre encerrar-se com um preço médio – R$3,19/kg – mais de 2% inferior à média do mesmo semestre de 2019. Mas ainda em junho surgiam os primeiros indícios de uma próxima reversão de mercado. Desde então e até novembro, a remuneração seguiu numa espiral ascendente, nada indicando que dezembro corrente possa ser muito diferente. Contribuíram para a retomada do mercado a flexibilização do isolamento social, a retomada (ainda que lenta) das atividades econômicas e a competitividade da carne de frango frente às demais carnes. Porém, há indícios de que o melhor desempenho no segundo semestre esteja sendo favorecido, também, pela “limpeza” compulsória efetuada no plantel reprodutor na fase mais crítica do isolamento social. Ou seja: a segunda metade do ano foi iniciada com um potencial de produção mais condizente com as novas condições do mercado, o que redundou em maior equilíbrio entre oferta e procura. Outro fator que merece ser avaliado é a possibilidade de a

produção independente – a que dita o preço do frango vivo – ter-se reduzido em relação a períodos anteriores. Esta, aliás, é uma tendência natural da atividade à medida que avança o sistema integrado. Mas em 2020 esse processo pode ter sido acelerado pelos altos custos das rações e suas principais matérias-primas. Essa tese, por sinal, ganha força ao se analisar a evolução do preço do frango no decorrer de 2020 em relação à sua curva sazonal (preços médios dos últimos 25 anos, ou seja, entre 1995 e 2019). Pois na fase mais crítica do ano (primeiro semestre), os preços registrados acompanharam com diferenças mínimas o comportamento sazonal. Já no segundo semestre, enquanto a curva sazonal evolui a uma média pouco superior a 2,5% ao mês, a de 2020 registra o dobro desse índice. E como, durante a maior parte do semestre, o mercado de aves vivas permaneceu relativamente firme, fica claro que a oferta esteve muito mais ajustada à demanda que em 2019. Em termos práticos, isso significa que o frango vivo completou os 11 primeiros meses de 2020 com um valor médio 10% superior à média de 2019, quando – pela curva sazonal – esse índice não passaria de 6%. Mas esse aparente ganho não tem o menor significado frente aos custos enfrentados pelo setor. Aliás, deflacionado o preço médio de 2019 pelo IPCA de outubro, constata-se que o ganho anual cai para apenas 8%.

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Revista do AviSite - Edição 133  

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