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Afetadas pelos desdobramentos externos da Covid-19, exportações de carne de frango encerram 2020 em semiestabilidade sobre 2019

A

ntes mesmo da virada do ano, eram as melhores possíveis as expectativas em relação às exportações de carne de frango de 2020 – ainda que, na segunda metade de 2019, tivessem enfrentado ligeiro retrocesso. E, na verdade, os resultados iniciais do ano superaram o que era esperado – no primeiro bimestre, aumento de 13% no volume embarcado – sinalizando que, mantido o comportamento médio do ano anterior, os embarques do primeiro semestre logo estariam superando as 400 mil toneladas mensais. Mas então o mundo descobriu estar enfrentando uma pandemia. E praticamente tudo se imobilizou. Inclusive a logística de movimentação de cargas e transporte. Mas, ainda assim, a primeira metade do ano foi encerrada com um incremento de pouco mais de 1%. E como, em maio, os números registrados pela SECEX/ME demonstravam boa recuperação, esperava-se que daí em diante o processo retornasse ao ritmo anterior, o que não ocorreu. Porque, efeito ainda da primeira onda da Covid-19, o mundo – já não tão imobilizado – continuou girando lentamente, com efeitos sobre o consumo doméstico dos países importadores, seu turismo e até mesmo suas grandes festas religiosas.

O resultado é que o ano deve ser encerrado com um volume praticamente igual ao de 2019, com ligeiras variações para cima ou para baixo – algo cuja certeza só virá em janeiro próximo, quando forem divulgados os resultados finais do corrente exercício. Mas o que mais pesou sobre o resultado das exportações foi o preço médio alcançado pela carne de frango no decorrer do período. Uma ocorrência, aliás, que não data de 2020, começou quase dois anos atrás, mas se acentuou neste ano. Poder-se-ia retrucar, neste caso, que o preço registrado é o prevalente no mercado internacional. Mas – é forçoso mencionar – o Brasil, como maior exportador mundial de carne de frango, é o principal formador dos preços internacionais do produto. Naturalmente, esse desempenho vem sendo influenciado não apenas por uma oferta que excede (devido, sobretudo, à Covid-19) as atuais demandas do mercado internacional, mas também pela desvalorização da moeda brasileira. Resulta, claro, em menor receita cambial mas, pelo menos, permite aos exportadores cobrirem os altos custos de produção registrados em 2020.

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Revista do AviSite - Edição 133  

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