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Exportações avícolas | 45 anos

"Os compradores japoneses eram exigentes e de tolerância zero, que na época afirmei que se passássemos no vestibular para o Japão seríamos capazes de produzir e exportar para qualquer mercado no mundo. E isso efetivamente aconteceu"

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empresas daquelas regiões. Na época eram poucos os mercados para os quais podíamos exportar e isso fez com a empresas exportadoras se unissem no âmbito da ABEF e a atuarem em prol da abertura de novos mercados. Como foi a introdução de novos produtos ou novas apresentações à base de frango no mercado consumidor brasileiro à partir das exportações? Inúmeros foram os produtos que desenvolvidos para a exportação acabaram por representar grandes êxitos no mercado doméstico. Hoje quem não conhece a "coxinha de asa" e vou narrar como isso surgiu. Eu tinha vendido para o Japão um contrato de tebasaki ou 2 joint wing (junto do meio e ponta da asa) e me sobraram umas 45 toneladas de drumettes, como eram então conhecidos. Pedi então ao colega que se ocupava do mercado interno na Perdigão se ele conseguiria me vender os drumettes. Expliquei que o produto era a primeira junta da asa que a conectava a carcaça. Sua resposta foi "hum, hum, deixa-me ver o que posso fazer". Dois dias depois ele me ligou de um cliente perguntando se vender o produto por preço de asa inteira estava bom. Fiquei felicíssimo com a notícia e animado fui buscar novos pedidos de "2joint wings" no Japão e Hong Kong. Dias depois esse colega de diretoria me liga e diz: "o Osler esse tal produto é a coxinha da asa", demonstrando que ela não sabia o que tinha vendido e o cliente não sabia o que tinha comprado. Tentei registrar o nome "coxinha da asa", mas o INPI indeferiu. Passadas uma duas semanas o colega me liga e diz que seu cliente queria mais 50 toneladas de drumettes. Eu disse que não tínhamos e ele explodiu dizendo que me havia tirado de um problema e que eu agradecia colocando em risco sua relação com um dos maiores clientes do varejo brasileiro. Disse-lhe que fosse adiante e tratei de ligar para meus clientes japoneses e de Hong Kong. Os japoneses disseram que não ti-

nham tido êxito com a "2 joint wings", mas que podiam me comprar o tebanaka (middle joint wing ou junta do meio da asa). O cliente de Hong Kong disse que tebasaki ou mesmo tebanaka não eram conhecidos na China, mas que se eu pudesse fazer um bom preço pelos "wing tips" (ponta da asa) ele seguramente podia comprar qualquer quantidade. Vou fazer curta uma longa história. Passados uns seis anos eu estava trabalhando na Sadia e conduzindo o que era chamado de "Projeto Japão", fundamentalmente salas de corte e treinamento do pessoal em cortes para o Japão, que acabou assegurando-nos uma boa presença naquele mercado. Os compradores japoneses eram exigentes e de tolerância zero, que na época afirmei que se passássemos no vestibular para o Japão seríamos capazes de produzir e exportar para qualquer mercado no mundo. E isso efetivamente aconteceu e conquistamos vários mercados graças à nossa flexibilidade de produção. Tal beneficiou enormemente o mercado interno, que hoje representa o terceiro mais importante mercado mundial de carnes de aves, depois dos Estados Unidos e China. Recordo-me que um dia o vice presidente industrial me chamou para mostrar que estavam fazendo mais de 170 cortes de frango e que tal não era possível. Examinamos os produtos mais complexos de fazer e no final se constatou que eles já tinham conquistado um lugar no mercado interno, lançando as bases para o atendimento ao food service. Foi também da exportação que aprendemos a importância de classificar cada peça por peso (sized), a apresentá-las congeladas individualmente (IQF), a cuidar das embalagens primárias e secundárias, a inovar constantemente e sermos orientados por um processo de melhorias contínuas. Tínhamos conquistado a copa do mundo, com a diferença que a da exportação não mais a perdemos, e portanto podíamos apresentar belos

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Revista do AviSite - Edição 133  

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