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13 ANO III

VERÃO

AGOSTO | SETEMBRO 2012 BIMESTRAL GRATUITO DIRECTOR VIRGILIO MACHADO jornaldpesca@gmail.com

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SURFCASTING Engodar na praia.

KAYAK

Lulas de verão.

SPINNING. COMO FUNCIONA. p. 4

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ACHIGÃ Finesse fishing.

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COMPETIÇÃO Engodar com precisão.

AS REPORTAGENS MAIS INTERESSANTES DE CAÇA E PESCA DA PENÍNSULA IBÉRICA.

OS MELHORES CONTEÚDOS INTERNACIONAIS.

300 HORAS DE ESTREIAS ANUAIS

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EDITORIAL

APOIOS E RESULTADOS

A VEGA em força em SETÚBAL.

Dizem os sábios que antes de começar o trabalho de modificar o mundo, se deve das três voltas dentro da nossa casa.

A marca VEGA acaba de promover mais um acordo comercial, desta vez aproveitando o lançamento da actividade de aluguer e saídas de pesca fundeada do barco MOREIRA, em Setúbal. Em colaboração com Miguel Ministro, proprietário do referido barco, a CASA PITA como distribuidor oficial da marca VEGA em Setúbal, e ainda da marca de iscos vivos VALBAITS, foi possível criar uma seria de vantagens para os pescadores que decidam alugar os serviços do barco MOREIRA para mais uma saída de pesca. De acordo com o protocolado entre as entidades acima referidas, todos os clientes pescadores do barco MOREIRA terão acesso a um VALE de DESCONTO de 10% em compras de artigos de pesca da marca Vega, a realizar nas lojas da CASA PITA em Setúbal, e caso apresentem ao Mestre da embarcação materiais de pesca (canas e/ou carretos) da marca Vega no dia da pescaria, poderão levantar um BONÉ grátis desta marca nas referidas lojas. Para além disso o MOREIRA irá ter à disposição dos seus clientes pescadores, em condições excepcionais, uma T-SHIRT alusiva ao dia da pescaria, para desta forma poderem recordar mais um dia bem passado na prática do seu desporto favorito, a pesca desportiva de barco fundeado. Esta parceria irá ter ainda uma ampla cobertura no JORNAL DA PESCA, estando previstos outros acordos deste tipo com outras entidades num futuro próximo.

Vem este milenar proverbio chines a propósito da forma como Portugal

tem encarado o desporto, para além do pontapé na bola, e das participações deste Nobre Pais, em Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo. É verdade que nos últimos anos temos sido confrontados com o desenvolvimento de modalidades que até à pouco tempo eram vistas de forma desinteressada pelos portugueses, pelo facto de se pensar que dificilmente se conseguia chegar à obtenção de bons resultado internacionais de uma forma consolidada. Para estas modalidades, onde podemos encaixar como exemplo a canoagem ou mesmo a pesca desportiva, os dirigentes foram sempre mentalizados a esperar o melhor, preparem-se para o pior e a receber o que vier. Isto ao contrario de outras modalidades que ao longo do tempo se vangloriaram das medalhas e dos resultados que obtinham que ficavam contudo aquém dos apoios que atletas e treinadores necessitavam de receber para poder representar condignamente este Nobre pais. A verdade é que foram estas modalidades que tem vindo a denotar que algo vai mal no desporto nacional, já que não é aceitável chegarmos a uma montra desportiva como os Jogos Olímpicos e assistir a exibições de atletas lusos, pouco ou nada adequadas ao estatuto destes desportistas. E não se venha dizer que foi um mau dia, ou que os atletas presentes em Londres treinam com dinheiro do seu bolso já que os apoios estão sempre atrasados. As dificuldades são como as montanhas. Elas só se aplainam quando avançamos sobre elas e disso é exemplo a selecção nacional de pesca desportiva de pessoas portadoras de deficiência que em Coimbra obteve um título de campeã do Mundo, com poucos ou nenhuns apoios e com o investimento do bolso de cada um dos participantes. É assim que vive uma das modalidades mais distinguidas internacionalmente neste Nobre pais. Pouco apoios, sem recepções aos atletas que conquistam títulos para Portugal e apenas com uns faxes e e-mails dos responsáveis do governo a congratularem-se com os títulos que vamos conquistando, assim vamos numa modalidade onde os seus dirigentes, de forma voluntaria, continuam a mostrar que sabem como poucos gerir os parcos recursos que lhe são atribuídos. Esperamos assim pois que os resultados menos positivos destes Jogos Olímpicos sirvam para se reflectir sobre a forma de olhar para o desporto nacional em todas as suas vertentes e de uma vez por todas perceber que a mais alta das torres começa no solo. Virgílio Machado Nº 13 ANO III VERÃO AGOSTO/SETEMBRO 2012 PROPRIEDADE Mundinautica, Lda. REDACÇÃO, PUBLICIDADE E MARKETING Lourel Park, Ed. 5 2710-363 Sintra T. 219 617 455 F. 219 617 457 EDITOR Jorge Mourinho DIRECTOR Virgílio Machado virgilio.machado@mundinautica.pt Redacção Paulo Soares paulo.soares@mundinautica.pt DEPARTAMENTO GRÁFICO Fernando Pina COLABORAM NESTE NÚMERO António Marques, António Xavier, Bruno Carvalho, Carlos André, Daniel Marques, Fernando Encarnação, Jaime Sacadura, João Sousa, Jorge Palma, Paulo Santos, Paulo Soares, Rui Carvalho e Vega.

Impressão Sogapal, S.A. Rua Mário Castelhano, Queluz de Baixo 2730-120 Barcarena T. 214 347 100 F. 214 347 155 DISTRIBUIÇÃO Chronopost TiRAGEM 12.000 Exemplares PERIODICIDADE Bimestral preço Gratuíto erc Nº registo: 125807 depósito legal Nº 305112/10 Nota: As opiniões, notas e comentários são da exclusiva responsabilidade dos seus autores ou das entidades que fornecem os dados. Nos termos da lei está proibida a reprodução ou a utilização, por quaisquer meios, dos textos, fotografias e ilustrações constantes destas publicações, salvo autorização por escrito. © Mundinautica Portugal, Lda.

Torneio de Margem da APPA

David Ala Vence a Norte Válter Silvestre a Sul.

Decorreu no passado dia 7 de Julho a terceira e última etapa da fase de apuramento da Zona Norte do Torneio Ventura Silva 2012. Etapa esta que foi concluída da melhor forma por David Ala, ao capturar um achigã de 52,5cm que constitui o maior exemplar do torneio até ao momento. Este exemplar valeu ao pescador do Vilarealense o primeiro lugar na prova, e, consequentemente o primeiro posto na classificação geral desta fase de apuramento.  Já na segunda etapa da fase de apuramento da Zona Sul do Torneio Ventura Silva, que se realizou no passado dia 16 de Junho, na barragem da Tapada Grande, nas Minas de São Domingos, Válter Silvestre foi o grande vencedor ao capturar dois achigãs com 48 e 35.5cm que totalizaram 43.5 pontos e lhe valeram a vitória Na segunda posição terminou Jorge Palma com 16.7 pontos, fruto da captura de um achigã com 36.7cm., enquanto Manuel Cascalho, extra-torneio, foi terceiro classificado com a captura de um exemplar de 36.5cm. A fechar o top cinco desta segunda etapa do torneio de margem da APPA, Márcio Henriques que capturou dois achigãs com 27.2 e 27cm, enquanto Carlos Iglésias ocupou a quinta posição com um total de 7.6 pontos, fruto da captura de um peixe com 27.6cm. Destaque ainda para Fernando Grácio que liderava a classificação do torneio antes desta prova, a terminar na sexta posição com a captura de um exemplar de 27.2cm. A próxima e última prova de apuramento da zona sul e que revelar os finalistas desta zona para a final do Torneio ventura Silva Probass e Mar / Marietel, está marcada para 8 de Setembro na barragem do Roxo.


NOTICIAS

Portugal é Campeão do Mundo.

Equipa Marietel assume liderança do nacional embarcado de Achigã.

Portugal conquistou em Agosto o Campeonato do Mundo de pesca desportiva para pessoas portadoras de deficiência de água doce, que decorreu em Coimbra. A pista de pesca do Choupalinho, foi palco desta vitoria portuguesa, onde o tetra campeão nacional, Jorge Marques, conquistou igualmente o titulo individual de campeão do Mundo. Pela frente Portugal contou com a forte concorrência de países como a Republica Checa que chegaram a este Mundial como os grandes dominadores da modalidade depois de terem conquistados os últimos três campeonatos do mundo. Bruno Valente, seleccionador nacional lembrou que a vitória de Portugal é fruto “do muito trabalho dos atletas e da Federação Portuguesa de Pesca Desportiva, para que fosse possível conseguirmos vencer esta prova que tinha lugar no nosso pais.

A equipa Joaquim Moio e João Grosso, foram os grandes vencedores da terceira e quarta prova do campeonato nacional de pesca embarcada ao Achigã realizada em Santa Clara. A equipa apoiada pela Marietel/TMN, foi bastante regular nesta jornada dupla do campeonato nacional, ao conseguir um quarto lugar na terceira prova, fruto da captura de cinco exemplares que pesaram 4,840 kg, enquanto Eduardo Fouto e Pedro Rodrigues, venciam a terceira prova com um total de 5,660 kg. A segunda posição no primeiro dia de Santa Clara, foi para a equipa apoiada pela VEGA, Jaime e João Sacadura, que conseguiram capturar cinco achigas que totalizaram 5,365 kg, enquanto no terceiro lugar terminou Nuno Pinheiro e Luís Caeiro, com um total de 4,970 kg. Contudo, o segundo dia de prova em Santa Clara, acabou por baralhar as contas da classificação geral do campeonato Nacional, com a equipa Joaquim Moio e João Grosso, a conseguirem novamente um quarto lugar com 3,950kg, numa prova muito complicada devido ao muito calor que se fez sentir. A jogar em casa, a formação da Sulpesca, Pedro Félix e Paulo Ramos, conquistou a vitória na quarta prova, com a captura de cinco peixes que totalizaram 5,815 Kg, enquanto os surpreendentes, André Ramos e Nuno Leal alcançavam o segundo posto, tendo apresentado à pesagem cinco Achigãs que pesaram 4,665 kg. A terceira posição desta quarta prova do campeonato nacional, coube á equipa Sérgio Sequeira e Silvestre Pinto, que totalizaram 4,085 kg No final desta jornada dupla de Santa Clara, a equipa da Marietel/TMN, assumiu a liderança do nacional com um total de 19 pontos, menos dois que os anteriores lideres, a equipa Paulo Gião e João Pedro Queiroga. A terceira posição do campeonato é agora ocupada por Nuno Bizarro e Pedro Sêncio com 25 pontos, enquanto a dupla da Sulpesca Pedro Félix e Paulo Ramos, ocupam o quarto lugar com 32 pontos. A próxima jornada do campeonato e última está marcada para a Barragem do Cabril a 29 e 30 de Setembro, altura em que se vai conhecer os novos campeões Nacionais.

C. N. CLUBES 2ª DIVISÃO - ZONA NORTE

Campeonato Nacional de Clubes

G. D. Pevidém na frente! TeamVega sobe ao terceiro lugar.

O Campeonato Nacional de Clubes da 2ª Div. Nacional arrancou nos dias 7 e 8 de Julho na pista de Penacova (Coimbra) e o Grupo Desportivo de Pevidém alcançou um resultado notável. O Clube patrocinado da Vega posicionou-se desde o primeiro dia no lugar cimeiro (com 22 pontos), conseguindo ainda melhorar a sua prestação e vincar a sua posição no segundo dia de prova (com 13 pontos). Obteve ainda os primeiros lugares absolutos durante o fim-de-semana e totalizou 35 pontos, deixando o Cp. Oliveira do Hospital em segundo lugar com 50 pontos e o CR Calhabé em terceiro com 51 pontos. Depois das transformações realizadas à Pista de Penacova, foi necessário muita concentração e ambição para alcançar este resultado, ficando mais perto a ascensão ao Campeonato Nacional de Clubes da 1ª Divisão.

2012 AGOSTO | SETEMBRO VERÃO

Depois de um início no campeonato nacional de clubes, de rio, menos positivo por parte da equipa do TeamVega, a equipa da VEGA, conseguiu na terceira e quarta prova, realizadas a 7 e 8 de Julho em Cavez, uma excelente prestação. Na sempre difícil pista de Cavez a equipa do TeamVega, realizou uma prestação notável ao conseguir dois segundos lugares, fruto da boa prestação dos seus pescadores. Assim na terceira prova realizada no sábado, o TeamVega, alcançou um total de 24 pontos, terminando atras da equipa da Barros & Trabuco que alcançou a primeira posição com 13 pontos. Já na quarta prova realizada no domingo, a formação do TeamVega, voltou a repeti o segundo lugar com um total de 28 pontos, novamente atras da formação da Barros & Trabuco que conquistou o primeiro lugar com apenas 12 pontos. No final desta jornada a classificação geral do Campeonato Nacional de Clubes da 1ª Divisão de água doce é liderada pela formação da Barros e Trabuco com 72 pontos, enquanto a equipa da Amorim & Dias está na segunda posição com 102 pontos e o TeamVega ocupa o terceiro lugar com 122 pontos. A próxima jornada do campeonato nacional de clubes da I Divisão está marcada para 6 e 7 de Outubro na pista de pesca de Penacova. Carlos Costa lidera Campeonato Nacional da I Divisão O campeonato nacional da I Divisão de água doce, está ao rubro, depois da realização da quinta e sexta provas que tiveram lugar na pista de Cavez, no Rio Tamega. Carlos Costa, pescador do TeamVega, esteve em plano de destaque nesta jornada ao assumir a liderança do campeonato depois de ter conseguido um terceiro lugar no seu sector na quinta prova e um quarto lugar na sexta prova. Com a classificação obtida em Cavez, Carlos Costa está na liderança do campeonato com um total de 17 pontos, os mesmos que José Amorim da Amorim & Dias que ocupa o segundo lugar. A terceira posição é ocupada por Nuno Santos do Carapinhense com 18 pontos, os mesmo pontos que Valentim Neto da Casa Filipe e Telmo Monteiro da Amorim & Dias. A próxima e última jornada do Campeonato Nacional da I Divisão de água doce está marcada para 20 e 21 de Outubro em Penacova, local onde se vai ficar a conhecer o campeão nacional deste ano, num campeonato que está a ser o mais emotivo dos últimos anos.A próxima e última jornada do Campeonato Nacional está marcada para 22 e 23 de Setembro, na barragem do Roxo, em Beja.

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SPINNING

FALAR DE SPINNING TEXTO E IMAGENS Fernando Encarnação

A

técnica do Spinning consiste em enganar um predador ou leva-lo a crer que está perante si uma possível presa, ferida ou debilitada, consoante a forma como animamos o peixe ou isca artificial. Desta forma o trabalhar natural (subentenda-se performances do artificial) é uma mais-valia potencializada pela animação que cada pescador lhe dá, isto é, uma isca artificial é um objecto inanimado por si só, cabendo-nos a nós dar-lhe vida, vida essa que chamará a atenção do predador e o fará atacar. Sendo estes pormenores de grande importância no Spinning, haverá outros que importa destacar. A procura dos predadores, os locais onde são mais frequentes, a sua biologia, reprodução, hábitos, etc. Alem de todos estes factores, ter-se-á de ter cada vez mais em conta a pressão e a evolução das espécies uma vez que existirá cada vez mais desconfiança das mesmas, devido á frequência da sua busca e captura. Um predador quando encosta à linha de costa é para se alimentar ou iniciar a fase reprodutiva, sendo estes dois acontecimentos responsáveis pelo aumento da percentagem de capturas. O Spinning é uma técnica como as outras, estando o seu êxito dependente da frequência com que é praticada por cada pescador, por exemplo, se praticarmos uma a duas jornadas de Spinning por semana, teremos teoricamente menos êxito em termos evolutivos e de capturas em comparação com alguém que faça regularmente mais jornadas, isto em termos comparativos. Creio que a melhor forma de evoluir no Spinning é realizando jornadas, trocando experiências com outros praticantes e procurando informação sobre as espécies, materiais e iscos artificiais.

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AOS ROBALOS

A evolução natural das espécies, apurou condições físicas, sensoriais e instintivas bastante significativas nos predadores em que no caso do Dicentrarchus Labrax, vulgo Robalo, têm destaque a morfologia e o mimetismo. A cor negra da área superior do corpo permite-lhe uma excelente camuflagem quando caça mais fundo sobre fundos rochosos e é visto de cima. Ao contrário, quando caça mais junto á superfície e é observado de baixo, a sua zona ventral sempre de cor branca é praticamente imperceptível devido á claridade reflectida na água. Em zonas oxigenadas e de maior turbulência da água, a sua coloração lateral apresenta-se relativamente neutra permitindo-lhe uma excelente dissimulação. Com um perfil fusiforme, o robalo é um excelente nadador, apresentando grande potência e velocidade o que lhe vale uma grande superioridade perante as suas presas, principalmente em águas com alguma agitação onde poucas são as espécies com capacidade par fugir às suas investidas. A linha sensorial lateral funciona como um sonar ou sensor, será como que o “tacto” dos peixes. É um órgão que na minha humilde opinião será responsável pela motricidade aquática do Robalo, quer na detecção de presas, como na formação de cardumes ou emboscadas a pequenos peixes. No Spinning terá grande importância na detecção das vibrações causada pelas amostras, para além de funcionar como um sonar em águas mais tapadas ou escuras na detecção das ondas hidrodinâmicas de outros peixes, isto é, presas. O olfacto é outro sentido bastante utilizado pelos robalos e que deveremos ter em conta apesar de não se verificar na pesca com artificiais, excepto

Fernando Encarnação com dois belos exemplares.

quando usamos algum aditivo. A visão, talvez o sentido mais importante, tende a ter uma grande interligação com a linha de detecção lateral, completando-a juntamente com os restantes sentidos. A pesca de qualquer espécie e mais especificamente a do robalo na modalidade do spinning, não se rege por regas rígidas e perfeitamente identificadas, dependendo obviamente da presença de indivíduos na zona. Essa presença depende no entanto de factores bióticos e abióticos. Os factores bióticos são todos os organismos vivos presentes no ecossistema e suas relações. Salientam-se as

relações de competição intra-específicas, quando a competição entre indivíduos da mesma espécie tem como característica regular as populações e está muito relacionada com as mudanças evolutivas. Ocorre com maior frequência com espécies com excessos populacionais, onde é mais forte a relação de competição. As relações interespecíficas, que ocorrem entre organismos de espécies diferentes, podem ser harmoniosas (Cooperação, Comensalismo e Mutualismo) ou divergentes (competição, amensalismo, predação e parasitismo). Factores abióticos são componentes não vivos que influen-

ciam a vida dos seres vivos presentes no ecossistema, a luz, vento, temperatura, salinidade, ph, etc. Através dos factores abióticos os seres vivos fazem adaptações para seu desenvolvimento. Esses factores variam de valor temporalmente e de local para local o que determina uma grande variedade de ambientes. Na prática a operacionalidade do spinning tem também muito a ver com os materiais utilizados. Com uma indústria em constante evolução, temos acesso a produtos cada vez melhores e a preços mais competitivos. Por estas razões devemos sempre optar pelos melhores mateVERÃO AGOSTO | SETEMBRO 2012


SPINNING

riais possíveis, dentro das nossas possibilidades. As canas devem ser leves e resistentes, com comprimentos entre 2,70m e 3,30m conforme as características dos pesqueiros onde pretendemos utiliza-las. Os carretos querem-se robustos e com drag de ajuste fino. Como exemplo de um

gaste estão apoiadas em 7 rolamentos de esferas em aço inox e tem um rácio de 5,2 voltas de rotor por cada volta de manivela que lhe permitem uma recuperação de cerca de 76cm por manivelada. O drag é muito bom, com calibragens perfeitas que inibem os indesejados “res-

terreno com 28g e 14cm com sistema interno de esferas móveis em tungsténio para grande precisão e capacidade de lançamento. A acção ondulante é muito natural e a profundidade média que atinge é de cerca de 60cm, sempre dependente dos diâmetros de fio que utilize-mos. A paleta de

cilíndrico apresentando uma secção “achatada”, vai com certeza bobinar mal e provocar perdas de lançamento além de aumentar também as “cabeleiras” nos lançamentos. Por outro lado, se não for impermeável vai absorver água tornando-se muito pesado o que afecta o lançamento e a ani-

te alguns factores ou variáveis que com experiência e tempo concluiremos que se cruzam mais depressa do que á partida possamos pensar, são os casos de: - Estado do mar (ondulação e período da vaga) - Condições climatéricas - Vento (quadrante e velocidade)

mação das amostras. O Fio Potenza Braided Line é caracterizado não só pela excelente impermeabilidade e pela sua secção perfeitamente cilíndrica mas por também incluir um revestimento anti salinidade que lhe prolonga a duração. Está disponível em bobines de 100m pegadas (até 600m) a partir de 0,12mm de diâmetro O Spinning é um misto de provas e tentativas, mudanças constantes de artificiais, testando e ensaiando diferentes artificiais em diferentes camadas de água e distancias, em “zig zag” ou em leque sempre que possível. Não existirá uma lei de base que justifique as capturas, mas existirão certamen-

- Temperatura do ambiente - Temperatura da água - Pressão atmosférica - Fase lunar - Amplitude da maré Estes pontos certamente darão informações bastante reveladoras de locais frequentados e de hábitos da espécie. Em suma o Spinning é um misto de frustração com alegria, frustração quando ferramos um exemplar e o perdemos ou não efectuamos durante algumas jornadas qualquer captura, e alegria, quando realizamos capturas que nos proporcionam momentos de adrenalina inexplicáveis.

Cana Triton e Carreto Insignia 40.

Algumas novas cores da Akada Original 140.

conjunto ligeiro que permita longas jornadas com um mínimo de cansaço, sugiro a cana Triton e o carreto Insígnia 40 da Vega. Disponível em 2,70m e 3,00m, esta é uma cana muito ligeira, fabricada em carbono de alto módulo C5 e que pesa apenas 200g aos 3,00m. Tem capacidade de lançamento até 35g e uma acção rápida que lhe permite ser excepcional na projecção de amostras mais leves como as que encontramos cada vez mais frequentemente no mercado. O Insígnia 40 é um carreto com características de topo. O corpo e o rotor são em liga de alumínio, as peças móveis de maior des-

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saltos” que tantas roturas provocam. O Insígnia vem ainda equipado com 2 bobines de alumínio, sendo uma delas match o que é perfeito para a utilização de fios entrançados finos sem necessidade de enchimentos. Tem capacidade para 150m de 0,18mmn na bobine match e 150m de 0,33mm na funda. No que a amostras diz respeito e dada a quantidade de modelos disponíveis no mercado, deixaremos para futuras edições uma análise mais cuidada a características e desempenhos de modelos, tamanhos e cores. Referência somente ao Jerkbait da Vega, Akada original 140F, uma todo

cores é bastante extensa, compreendendo actualmente 18 cores. Relativamente aos fios, de uma forma geral os mais utilizados são os multifilamentos por oferecerem uma resistência muito superior quando comparados com monofilamento de igual diâmetro. Esta característica além de permitir utilizar diâmetros muito finos com ganhos ao nível do lançamento, permitem-nos também pela sua ausência de elasticidade, uma animação mais facilitada dos artificiais. Aquando da aquisição deste tipo de fios, deveremos ter em conta dois factores muito importantes. A impermeabilidade e a cilindricidade. Se o fio não for

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SURFCASTING

TAINHAS

COM RABEIRAS C

omo todos sabemos a tainha é uma das espécies mais difíceis de capturar, nomeadamente com técnicas de surfcasting. As rabeiras quando as condições o permitem e quando bem utilizadas, podem facilitar a sua captura como se pode comprovar pela pescaria que realizei e que passo a descrever. O local escolhido foi a praia privada do Pinheiro da Cruz – Grândola. Estava uma manhã de céu tapado a ameaçar chuva, o vento soprava de sudoeste a cerca de 25/30 km/h e o mar não levantava quase nada, embora com uma ligeira corrente de norte para sul. Estavam então reunidas as condições para pescar às tainhas com rabeiras. O vento e a corrente são bastante importantes,

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TEXTO E IMAGEM Paulo Santos

até determinantes, quando queremos pescar com as rabeiras. O lançamento ideal é o lateral e se possível com o movimento de rotação com sentido contrário ao do vento. Se assim for, por acção do vento a nossa rabeira vai esticar no ar logo no início do lançamento, evitando enrolar-se na madre. Já na água será a acção da corrente, neste caso paralela á linha de costa, a manter a rabeira afastada da madre e em perfeito funcionamento. Comecei por utilizar rabeiras com 7m e 3 anzóis. Nas rabeiras utilizei o fio Akada FC 0,20mm por ser um fio revestido a fluorocarbono, bastante resistente e no entanto “leve” o que ajuda o trabalhar das mesmas. Nos empates optei pelo Potenza ST Fluorocarbon 0,21mm que já deu

imensas provas de qualidade e rendimento e pelos anzóis Potenza 5555 nº9, anzóis finos leves e resistentes, ideais para este tipo de pesca. Logo ao primeiro lançamento confirmei a presença de tainhas no pesqueiro pois capturei quase de imediato duas de tamanho razoável e ainda uma baila mais pequena. Com o decorrer do tempo e como estava a treinar, fui experimentando montagens clássicas de três anzóis mas por incrível que pareça não obtive nem mais um toque. Regressei ás rabeiras e quase como que por magia, ás capturas. O peixe estava difícil e a apresentação do isco desta forma foi determinante para o sucesso deste treino. Quantas vezes o pescador não as tem ali mes-

mo á frente e não as consegue fazer comer? Também por isso a tainha que é um peixe de múltiplos comportamentos, nos apaixona na tentativa da sua captura. O treino continuou e consegui ainda mais alguns exemplares pescando em cima de uma coroa logo a seguir á “vala” principal a cerca de 50 a 60m da margem. Como o vento se fazia sentir com alguma intensidade, optei por utilizar uma chumbada piramidal para que esta

se fixasse bem e só a rabeira trabalha-se em seu torno. Neste dia, embora tivesse a presença de algumas bailas e robalos no pesqueiro, optei por manter os anzóis nº 9 pois a pesca às tainhas era mais rentável e com anzóis nº 2 ou nº 4 seguramente não teria o mesmo rendimento. Pude comprovar isso mesmo junto de outros companheiros de treino que optaram pelas bailas e robalos e no final tinham menos capturas que eu.


BANCO DE ENSAIO

POTENZA SHOCK LEADER E DOUBLE SHOCK N

a Pesca de surfcasting moderno, nomeadamente em alta competição, é cada vez mais imprescindível que nos mantenhamos actualizados com todas as soluções disponíveis no mercado que nos permitam atingir as melhores prestações possíveis. A cada vez maior escassez de peixe junto á costa, mais acentuada em épocas balneares, obrigam-nos a pescar cada vez mais longe, por vezes a distâncias superiores a 150m. Atingir essas distâncias não está naturalmente ao alcance de todos os pescadores. No entanto alguns factores influenciam determinantemente a distancia que cada um de nós consegue alcançar. Logo á partida a técnica de lançamento, a qualidade e características da cana e do carreto que estejamos a utilizar, o formato da chumbada e a montagem que usamos, o tipo e tamanho das nossas iscadas, etc. Factor seguramente determinante é o fio que utilizamos e a seu diâmetro. Todos sabemos que quanto mais fino for o fio que utilizarmos no carreto, mais longe lançamos, assim estamos hoje a utilizar diâmetros de 0,26mm, 0,23mm, 0,20mm, 0,18mm e inclusive mais finos como medidas para o fio do carreto por forma a permitir uma saída fluida e com pouco atrito. Obviamente estes di-

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âmetros não aguentam os esforços e impactos necessários aos lançamentos a longa distância e necessitamos de utilizar pontas de fio de choque (shock leader), bastante mais resistente que os possam aguentar. É fundamental que esses shock leaders sejam cónicos para permitir uma correcta e forte união do fio mais fino com o mais grosso. Ligar apenas uma ponta de fio mais grosso ao mais fino do carreto vai provocar um ponto de união muito frágil. O nó será o ponto fraco da nossa linha, a sua resistência será menos de metade da resistência do fio mais fino e será extremamente grande para os passadores modernos, criando atrito no lançamento e dando muitas vezes origem a enrolamentos nos passadores com consequentes rupturas nos lançamentos. Por outro lado com as pontas de fio de choque cónico todo o conjunto será mais forte, fluido e mais eficiente em acção de pesca. Vem isto a propósito dos novos fios cónicos lançados pela Vega na sua gama Potenza, nos mercados português e espanhol e que vêm inovar por um lado e preencher uma lacuna existente por outro. A Vega inova com a apresentação do POTENZA DOUBLE SHOCK,

um fio para carreto que já inclui o shock leader, neste caso sem necessidade de nós. A ausência dos referidos nós elimina os pontos fracos mantendo a máxima resistência e fluidez possível durante o lançamento e elimina também mais um ponto de fixação de algas ou outros detritos quando na sua presença. Este fio tem uma particularidade que o seu próprio nome indicia, tem duas pontas cónicas permitindo em caso de ruptura, inverter o fio e utilizar a outra ponta de choque cónica. Este fio é apresentado em bobines de 300m, sendo 270m do diâmetro mais fino, 10m do diâmetro mais grosso em cada extremidade e 5m o comprimento da transição cónica entre o mais fino e o mais grosso (consultar esquema). Está disponível nos diâmetros 0,18mm-0,47mm, 0,20mm-0,47mm, 0,23mm-0,50mm e 0,26mm-0,50mm e tem um tratamento duplo-silicone para grande resistência á abrasão. Teoricamente será o melhor fio existente para surfcasting, na prática tem-se confirmado isso mesmo, mostrando-se realmente muito resistente e permitindo-me alcançar distâncias de lançamento que antes não conseguia. Depois de várias jornadas não apresenta sinais de enfraquecimento nem dife-

renças nos diâmetros nas pontas de choque o que confirma a elevada qualidade do material. Os POTENZA SHOCK LEADER vêm preencher algumas lacunas no que aos diâmetros diz respeito e fazem também um upgrade qualitativo ao que podíamos encontrar no mercado até agora. Efectivamente estas pontas de choque seguem a qualidade do fio POTENZA DOUBLE SHOCK mantendo o mesmo tratamento de silicone que lhe aumenta a resistência á abrasão e fluidez no lançamento. Está disponível nos diâmetros 0,18mm-0,47mm, 0,20mm-0,47mm, 0,23mm-0,50 mm e 0,26mm-0,50mm e é oferecido em bobines de 5 pontas com 15m em que

TEXTO E IMAGEM Daniel Marques

o choque (zona mais grossa) tem cerca de 8m. A conicidade destas pontas é muito progressiva, realizando-se a transição do fino para o grosso em cerca de 7m. Podemos cortar esta zona cónica no ponto que mais nos convier para ter o mesmo diâmetro do fio que tivermos no carreto e assim fazer um nó mais forte, mais pequeno e de maior fluidez. Utilizei estes shock leaders Potenza nas últimas pescarias às douradas para me permitir pescar longe e pesado, usando sempre iscadas generosas e tentando lançar o mais possível; no final destas jornadas verifiquei que os diâmetros das linhas não tinham alterações significativas bem como não se mostraram quebradiças. O comprimento de 8m da zona de choque permitiu-me trabalhar os peixes perto com toda a segurança sem originar rupturas na linha fina do carreto.

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SURFCASTING

SURFCASTING

TEXTO E IMAGEM António Xavier

A

pesca ao fundo, nas nossas praias, nos meses de verão, tem como peixes mais nobres a dourada e o robalo, embora sejam muito frequentes a captura de outros peixes como pregados, carapaus, cavalas, bogas, tainhas, sargos, etc. São o robalo e a dourada, no entanto, que durante os meses de águas mais quentes, todos os pescadores procuram encontrar. A sua pesca nas nossas praias realiza-se por muitas técnicas, umas mais produtivas outras de maior paciência e menor captura de peixes. No entanto, entre todas as técnicas utilizadas, a que mais resultados nos proporcionam principalmente na pesca do robalo, é a pesca com engodo na praia. O sucesso desta pesca é no entanto condicionado pelo conhecimento da praia onde vamos pescar e da observação do seu perfil, correntes e ondulação. A principal razão do que acabo de dizer é que, se o engodo que lançamos à água não trabalhar bem, nunca conseguiremos apanhar um peixe, a não ser por acaso! Quando bem utilizado, o engodo pode colocar no nosso pesqueiro, em plena praia, os peixes que naquelas águas estejam a alimentar-se e se sintam atraídos pelos pedaços de sardinha que no nosso pesqueiro aguardam pela sua chegada.

Pesqueiro para engodar.

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COM ENGODO È pois esta a técnica de pesca que vamos aqui descrever. Convidámos para nos acompanhar um grupo de amigos que nunca pescaram e fizeram assim o seu baptismo nesta pesca. A praia escolhida fica entre a Foz do Arelho e Baleal em pleno coração da região Oeste. Chegámos cerca das 18 horas, um fim de tarde de verão sem vento, o mar com ondas de Insígnia 60, qualidade e robustez.

metro sem força, apenas a oxigenar a água. A observação do perfil da praia mostrava-me que os pesqueiros se haviam deslocado mais para Norte. Caminhámos pela praia à procura do melhor local para engodarmos, esta é a parte mais importante e simultaneamente menos interessante da pesca. A vontade de começar a pescar é muita, mas se escolhermos mal o pesqueiro estragamos tudo, e

por vezes é preciso algum tempo para escolher o pesqueiro. Comecemos então por aí. Se iniciamos a nossa pesca na maré vazia, devemos escolher sempre um fundão; se a nossa pesca é de meia maré para a preia-mar já o pesqueiro a escolher pode não ser um fundão. Regra número um, o pesqueiro deve ter corrente perpendicular à linha de costa e ondulação frontal à praia. Se houver cor-

nos é difícil encontrar um pesqueiro com estas características, devemos procurar um local onde se verifique o choque de águas na rebentação, isto é, encontro de águas que correm em direcções opostas e convergentes. Para observarmos tudo isto temos que ter em atenção a orientação das ondas, se for lateral não presta, nem que seja apenas quando o mar se desorganiza, e a deslocação da espuma na borda, local onde o nosso engodo vai ser lançado, se também for lateral mais uma vez não vale a pena ficar. A espuma deve permanecer parada ou, quanto muito deslocar-se para fora na perpendicular ao nosso pesqueiro. Esta operação de escolha do pesqueiro é o segredo do nosso sucesso, e vai-se adquirindo com o tempo através dos dias de êxito e daqueles que, se costuma dizer, são para esquecer. Mas, na realidade, os

mos dúvidas em relação ao pesqueiro, podemos utilizar uma técnica que nos meus primeiros dias nesta pesca utilizei quando ia sozinho. Montamos uma cana com uma bóia buldo de 40 ou 60 gramas e lançamos logo a seguir à rebentação, se a bóia permanecer no pesqueiro com pequenas oscilações para um lado e para o outro ou se a corrente estica a nossa linha e puxa a bóia para fora, podemos começar a preparar-nos, temos pesqueiro! Em relação à maré a escolher, gostamos mais de pescar ou no princípio da enchente até meia maré/preia-mar, ou da meia maré até à preia-mar, quando o peixe encosta a pesca prolonga-se muitas vezes para além destes períodos. A maré a escolher depende também das praias para onde vamos pescar e do estado do mar. Quando o mar tem ondulação mais forte devemos escolher a baixa-mar para

dias de pesca nunca são para esquecer, se não passamos a nossa vida a repetir os mesmos erros. Se mesmo depois da observação dos elementos naturais ainda te-

iniciarmos a nossa pesca, por vezes até o fim da vazante, se as águas estão calmas o pesqueiro tem que ter mais água para o peixe entrar. Segundo os anti-

VEGA 1382 Exelero

rente lateral, nem que seja apenas quando entram umas ondas maiores, não vale a pena ficar nesse pesqueiro a engodar. Quando o mar está mais “trapalhão” e

Depois de escolhido o pesqueiro...

As espinhas e cabeças devem ser retiradas.

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SURFCASTING

A VEGA Exelero e mais uma baila.

gos pescadores de Peniche, sem dúvida os melhores nesta pesca, os melhores dias ou noites para pescar ao robalo são as vésperas

de rumor de Lua (mudança de lunação). Quanto às praias só a experiência nos pode ajudar. Há praias em que se costuma pescar na maré vazia para a en-

Sardinha despinhada pronta para engodo.

2012 AGOSTO | SETEMBRO VERÃO

chente, o caso das praias entre Peniche e Foz do Arelho, outras onde apenas perto da preia-mar se consegue encostar o peixe.

De dia ou de noite? Na maior parte das vezes esta pesca é nocturna, apenas nos meses de Inverno quando as águas estão muito tapadas devemos escolher o período

de dia para pescar. Claro que tudo isto é muito discutível e a nossa experiência é que nos deve ajudar a construir os nossos próprios

conhecimentos e ideias sobre esta ou qualquer outra técnica de pesca. Mas esta também é uma das características mais apaixonantes da pesca: não há verdades absolu-

Bola de engodo.

tas. Todas as regras ou teorias têm sempre um dia que são atraiçoadas por factor que ignoramos... O mar é imenso!

Engodo e engodagem A sardinha para esta pesca tem que ser preparada com alguma antecedência. Normalmente passa sempre pelo gelo para ganhar

algumas características que a tornam mais atraente e “pescareira”. Atenção a sardinha nunca deve cheirar mal. A sardinha para en-

godar deve ter algumas características diferentes da sardinha que utilizamos para pescar. A primeira deve estar mais macia para fazer um engodo mais homogéneo, a segunda mais consistente para iscar melhor no anzol. Segundo o Carlos André a sardinha nunca deve levar sal e antes de ser congelada tem que ser sangrada. Este processo consegue-se colocando

Engodagem.

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SURFCASTING

Quando o engodo trabalha...

um saco de areia ou qualquer volume macio mas pesado sobre a sardinha para a “pisar”. Quando a sardinha tiver sangrado bem, já pode ser congelada. Para a realização do engodo agarramos a sardinha pela cabeça com a mão esquerda e com o polegar e indicador da mão direita vamos ripando pequenos filetes da sardinha no sentido da barbatana caudal e ao longo da espinha dorsal (ver fotos da preparação do engodo). As espinhas e a cabeça nunca se juntam ao engodo, pois flutuam e nós não queremos o peixe a comer à superfície. Para além disso o engodo no fundo aguenta-se muito mais tempo no pesqueiro. Quando já preparámos uma boa dúzia de sardinhas que vamos colocando na areia aos nossos pés, começamos a amassar os filetes de sardinha com areia até formar uma bola sem contudo esmagar os pedaços de sardinha que devem ser mais ou menos do mesmo tamanho da sardinha que apresentamos no anzol. Feita a bola de engodo resta dirigirmo-nos o mais perto possível da água, junto à rebentação, e lançar a bola por detrás da rebentação, se tal for possível claro. No início devemos lançar as bolas de engodo com alguma frequência, mas assim que o peixe entra no pesqueiro devemos engodar com menos intensidade, o suficiente para manter o peixe no pesqueiro. Para iscar utilizamos normalmente os lombos perto da barbatana caudal, podemos colocar a sardinha no anzol com a pele virada para fora ou com a pele

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virada para dentro. Quando as águas são mais tapadas a pele pode ser um factor atractivo principalmente a sua parte mais prateada e brilhante, se as águas estão abertas ou se há “ardentia”* na água, devemos colocar a sardinha com a pele “escondida” por dentro da iscada, ficando a carne virada para fora. *Ardentia - termo utilizado para caracterizar a água do

Material de pesca a utilizar Trata-se de uma pesca feita sempre perto da rebentação a pouco mais de uma dezena de metros, podendo nalguns casos ir a algumas dezenas de metros de distância da praia. Nunca precisamos de uma cana rija. Podemos precisar de uma cana com acção mais forte para lançar chumbadas mais pesadas, mas nunca vai ter que fazer lançamentos violentos. Utilizamos dois tipos de cana sempre de

O Krypton 55 é ideal para os equipamentos mais ligeiros.

acção semi-parabólica: uma com acção até 100/120 gramas e outra com acção até 200 ou 250 gramas. O tamanho entre os 4,20 metros e os 4,50 metros. Nunca canas muito grandes ou pesadas, dado que esta pesca é normalmente feita com a cana na mão. Logo uma cana pesada vai provocar mal-estar passado algum tempo, o que, para além de ser prejudicial à nossa saúde, é também prejudicial para a nossa pesca. Se estivermos cansados os nossos reflexos tornam-se mais lentos e o tempo de resposta aos estímulos maior. Logo mais ferragens falhadas. O carreto, no primeiro caso, de uma cana mais leve, pode ser de meio-fundo com linha mais fina, 0,25 a 0,30. Se necessitarmos de pescar com uma cana mais forte e utilizar chumbada mais pesadas, devido às condições meteorológicas, que podem devido a vento forte arrastar a pesca para fora do pesqueiro, demos utilizar um carreto mais forte com linha um pouco mais grossa, até 0,35

de diâmetro. Ao escolher o carreto para esta pesca deve ter em atenção a sua velocidade de recuperação. O ideal será um carreto lento mas com força para trabalhar peixes maiores. Não necessitamos de um carreto rápido pois pescamos a poucas dezenas de metros de distância. Outro aspecto a considerar é o drag do carreto que deve permitir uma afinação perfeita para não sermos surpreendidos por um robalo mais vigoroso e enérgico na primeira arrancada. Não esquecer que a quantidade de linha que está a trabalhar é relativamente pouca pois a distância que separa o anzol da ponteira não é muito elevada. Quanto às montagens de pesca utilizadas, eu prefiro pescar com montagens apenas com dois anzóis, enquanto os pescadores que mais praticam esta técnica preferem montar baixos-de-linha com três anzóis. Com três anzóis temos mais sardinha na água e por isso mais capacidade de atrair o peixe, é uma questão de gosto pessoal. A madre das montagens é feita em linha 0,40 e os estralhos desde 0,25 até 0,40 consoante as condições e a dimensão dos peixes. O tamanho dos anzóis varia entre o número dois e o três zeros, podendo ser maior quando os robalos grandes encostam. Por último não posso deixar de referir um dos aspectos mais importantes deste artigo. As fotos que aqui vão retratando o que ficou dito foram feitas apenas numa tarde de pesca com um grupo de amigos como comecei por dizer. Todo o peixe foi capturado ainda de dia, ao cair da noite cerca das 21 horas já estávamos a arrumar as canas pois a fome já apertava. Todos os robalos sem medida foram devolvidos à água e todos os que levamos foram o nosso jantar! Ficaram fãs os meus amigos, que já marcaram nova pescaria para o próximo ano quando regressarem a Portugal.

mar quando as ondas ao rebentarem parecem emitir luminosidade ou quando a areia molhada friccionada emite pequenos pontos luminescentes. Este fenómeno deve-se há presença de grandes quantidades de plâncton que contêm uma substância química que produz esse efeito na água ou na areia molhada.

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KAYAK

TEXTO Rui Carvalho IMAGENS www.pescadekayak.com

A

lguns membros da Tribo FishYak foram testar alguns dos novos palhaços da VEGA, e uma das canas indicadas para pescar às lulas. Na minha opinião, a cana é o equipamento principal na pesca às lulas, palhaços existem de várias formas, tamanhos e cores, mas é na cana que está uma das maiores diferenças entre deixar escapa-la ou conseguir dominar a poderosa lula. Seja de kayak ou de barco, uma cana de embarcada com ponteira sensível de 2,4m a 2,7m é o mais indicado, a minha experiencia pessoal leva-me a preferir utilizar a cana de 2,70m pois este comprimento permite naturalmente uma maior flexibilidade e amplitude, ajudando quando fisgamos a lula e evitando que rasgue os frágeis tentáculos durante a luta. Outra vantagem numa cana um pouco maior é na utilização das montagens clássicas com múltiplos palhaços, em que o chumbo fica na extremidade do fio e os palhaços acima deste. Ao termos a possibilidade de utilizarmos uma montagem mais comprida, podemos aumentar o espaçamento entre as amostras, aumentado também a área da coluna de água em que estamos a

Palhaços Vega para lulas e chocos.

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A PESCA ÀS LULAS

DE KAYAK intervir. Uma cana de qualidade com uma boa acção parabólica e um drag bem afinado são indispensáveis, pois ao contrário do que muita gente pensa, uma lula de boa dimensão obriga a que cedamos alguma linha para evitar a ruptura da mesma se muito fina ou dos tentáculos da lula.

As montagens As montagens devem variar conforme a profundidade e a força da corrente. A mais tradicional e utilizada por quase todos é semelhante à montagem da pesca ao fundo com 3 anzóis, neste caso os anzóis são substituídos pelos palhaços, optando alguns por manter os estralhos e outros por “empatar” os palhaços directamente á madre. Pessoalmente como pesco quase sempre a profundidades compreendidas entre os 7m e os 15m e sou um inconformado, procuro sempre utilizar duas canas com diferentes montagens, experimentando e porque não, inventando na busca da melhor estratégia/montagem para a zona em que me encontro. Numa destas minhas experiências obtive bons resultados com uma montagem muito simples que consiste num chumbo furado de

10g a correr na madre, um destorcedor e um estralho com cerca de um metro com o palhaço na ponta (ver esquema). Daí para cá tenho usado esta montagem em diversas condições e confirmei que é a que melhores resultados tem apresentado em condições de águas mais paradas e marés pequenas. Quando não temos presença de correte, permite-nos lançar e cobrir uma área maior sem ser necessária a deslocação do kayak. Outra vantagem está na

forma de procurar a lula, consigo cobrir toda a cota de água com enorme conforto e consigo melhores animações da amostra. A Vega apresentou este ano um novo modelo de palhaço especialmente indicado para as lulas, que tem feito as delícias dos japoneses, verdadeiros aficionados desta pesca. Este novo modelo, Swim Egi, está disponível num só tamanho com cerca de 24g e em três cores que se têm mostrado bastante apelativas

Os swim Egi que tanto sucesso têm feito no Japão.

para este cefalópode. A principal característica deste palhaço é a cabeça em chumbo que imita um peixe e que tem a argola de fixação no topo e não na extremidade como habitualmente. O formato desta cabeça e o balanço que proporciona, permitem trabalhar este palhaço como se de uma regular amostra de paleta se tratasse e com variadíssimas animações. O peso que tem permite grandes lançamentos com o obvio ganho na área prospectada assim como com facilidade se consegue atingir profundidades consideráveis. Quando as lulas se encontram próximas da superfície, podemos trabalhar o Swim Egi com técnicas mais rápidas de animação ao estilo do spinning, o que se tem provado mortífero... para as lulas.

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BÓIA

CANA DE BÓIA

TEXTO Bruno Carvalho

IMAGENS Bruno Carvalho e redação

VEGA SAMURAI A

evolução verificada nos carbonos e resinas nestes últimos anos têm proporcionado equivalentes evoluções nas prestações das canas de pesca em geral e nas de bóia em particular. Podemos hoje encontrar com alguma facilidade canas extremamente ligeiras, com acções bastante rápidas e rígidas proporcionadas pelos carbonos de alto módulo. Estas canas no entanto são muitíssimo caras e habitualmente não têm poder para pescar a distâncias grandes com bóias pesadas ou mesmo capacidade para usar fios mais grossos ou suspender um peixe num pesqueiro difícil. O inverso também será muito fácil de encontrar, canas fabricadas com carbonos de alta resistência, baratas e muito fortes. São regra geral acessíveis no preço mas bastante pesadas e algumas vezes extremamente desequilibradas. Mesmo

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A correcta eleição de uma cana de bóia deverá depender de um conjunto de características técnicas nem sempre fáceis de avaliar e identificar. quando o excesso de peso não se verificar mas a cana for desequilibrada, tenderá a ser muito incómoda e cansativa o que bastas vezes ditará o menor sucesso da jornada. No caso de não podermos adquirir diferentes canas para as diversas condições de pesca que certamente iremos encontrar nas nossas jornadas, será bom ter em conta alguns aspectos técnicos antes da aquisição: · Capacidade de lançamento; devemos procurar saber não só o peso máximo que a cana pode lançar, como o mínimo que lança correctamente e em que intervalo tem o seu melhor rendimento. · A cção; devemos identificar se a cana tem acção de ponta, semi-parabólica ou parabólica, sendo que quanto mais rígida e acção A (de ponta) tiver mais competente será no lançamento e na ferragem nomeadamente a distancias maiores, e inversamente quanto mais parabólica e macia for, mais perdulária será com a

utilização de fios muito finos. · Resistência; está dependente dos carbonos utilizados no seu fabrico, da espessura das paredes dos seus elementos e na distribuição dos passadores. Serve esta introdução para apresentar a mais recente cana de topo da Vega para a pesca á bóia, a Samurai. Após aturada experimentação e correcção de protótipos, chegou ao mercado a versão final de uma cana que pelo seu equilíbrio dinâmico e prestações técnicas pode confirmar-se como uma matriz/modelo a ser seguido.

Características Construída em carbono Radial de alto módulo C5 (40 TON) e reforçada com uma espiral cruzada de carbono de alta resistência (30 TON), a Samurai é apresentada em dois tamanhos, 6,00m e 7,00m, e acções similares. O carbono de 40 TON confere a esta cana uma elevada rigidez mantendo o peso muito reduzido e o reforço em carbono de 30 TON

adiciona-lhe a resistência necessária para elevar até cerca de 4kg sem problemas. Sendo muito potente a acção rápida de ponta é no entanto muito progressiva, revelando-se bastante funcional no lançamento situação em que permite bons desempenhos com pequenas bóias de 5/6g e inclusive com grandes piões com cerca de 100g como os que usámos nos testes. No entanto a sua amplitude óptima de lançamento revelou-se entre as 15g e as 60g, o que convenhamos, é de uma versatilidade excepcional. Outras vantagens que identificámos nesta acção rápida e progressiva foi a capacidade de ferragem mesmo a distâncias superiores a 40m e a permissividade á utilização de fios muito finos sem provocar rupturas. Em ambas as versões de 6,00m e 7,00m, o porta-carretos que é de cremalheira, está colocado a 50cm da extremidade inferior da cana em posição invertida. O acabamento do cabo, do porta-carretos para baixo é em “Sensor Grip” o que proporciona uma pega firme, mesmo quando molhado ou sujo de engodo. A cana de 6,00m tem seis secções enquanto a de 7,00m tem sete secções. Os passadores com anilha interior em Silicone Carbide (SIC), são monopata curtos, o que representa uma vantagem a nível de resistência, nomeadamente em pescas mais pesadas no mar.

Em ambas as versões o primeiro passador é de diâmetro 25mm e o passador de ponteira de 6mm, o que permite a passagem de nós de correr ou stoppers quando usados em montagens de correr. De referir que todos os encaixes das secções são reforçados e que os acabamentos, irrepreensíveis, incluem uma inserção em EVA na secção do cabo que evita que as secções entrem demasiado dentro umas das outras, danificando os passadores e prendendo essas mesmas secções como tantas vezes acontece. Concluindo, a Samurai é uma cana com prestações de topo e muito versátil, que sendo ideal para pescas fortes e a grandes exemplares, permite pela sua capacidade de lançamento e sobretudo de ferragem, pescar a grandes distancias. Em pescas “finas” e necessariamente leves, cumpre de forma muito muito efectiva. De destacar o excelente equilíbrio conseguido neste modelo que nos permite pescar com grande comodidade durante muitas horas, chegando mesmo a dar ideia de estarmos a utilizar canas de dimensões inferiores. Será sem dúvida “a cana” que me acompanhará para zonas ou pesqueiros em que por acção das condições de mar, vento, ou mesmo das diferentes espécies que possam “entrar”, necessite de elevado desempenho em diferentes técnicas de pesca.

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NÁUTICA

YAMAHA

AUMENTA LIDERANÇA EM 2011

A

Yamaha Motor Portugal apresentou os resultados em relação ao ano de 2011. A marca japonesa não só manteve a sua posição de líder em 2011, como ainda a reforçou com um aumento considerável da quota de mercado. A estatística do mercado náutico elaborada pelo ICOMIA chega 6 meses depois com todos os resultados totais (marca e concorrência). Assim, em 2011 a Yamaha não só esteve em número 1, como ainda aumentou a sua quota de mercado, em todos os seus produtos náuticos: motores fora de borda e motos de água. 

Motores fora de borda A Yamaha deteve em 2011 uma Quota de Mercado de 41,54%, no mercado total Português,

num total de 501 unidades vendidas, face a um decréscimo do mercado de -30,45%, comparativamente a 2010, num total de 1206 unidades vendidas.

Análise de mercado por tecnologia Se analisarmos o mercado por tecnologia, nos 4Tempos, que

representa cerca de 97% do mercado total, a Yamaha lidera contando com 39,80% de Market Share e 466 unidades vendidas. Em comparação com 2010, a Yamaha apresenta um aumento de 4,27% de Market Share, embora um decréscimo de 133 unidades (-22,2%), enquanto o mercado baixa 30,55%.

Análise de mercado por valor de venda (Value Share) Analisando agora a posição da Yamaha ao nível de Valor de Venda (Value Share) a marca líder atingiu o 1º lugar em Vendas, num total de 501 unidades, 41,54% de Market Share e 42,92% de Value Share (Valor de Venda). Comparativamente a 2010, os resultados da Yamaha apesar das dificuldades de mercado são de louvar: +4,23% em Market Share; +7,5% em Value Share.

Resultados 2012 (Janeiro a Abril de 2012) Até final de Abril 2012 a Yamaha detém 49,31% de Market Share, no mercado total e mais concretamente 46,52% de quota de mercado na tecnologia 4Tempos.

Motos de água Em relação às motos de água, em 2011, a Yamaha obteve uma quota de mercado de 58,75%, o que representa um aumento de +9,58% em relação a 2010. De Janeiro a Abril 2012, a Yamaha detém a mesma quota de mercado.


PESCA EMBARCADA

TEXTO E IMAGENS Redacção

R

CONVÍVIO VEGA

OS AMARELOS -

ealizou-se no passado dia 29 de Julho em Setúbal, um evento que compreendia vários objectivos; a apresentação oficial da embarcação de actividades marítimo-turísticas “Moreira” que realizou recentemente uma parceria com a Vega, a comemoração do título nacional de pesca embarcada brilhantemente alcançado pelo grupo desportivo “Os Amarelos” na época transacta e a experimentação de algumas novidades a apresentar brevemente pela marca Vega. A organização deste evento foi promovida por Bruno Russo, gerente da Casa Pita e da escola náutica Aquamaster, ambas na rua das Fontainhas em Setúbal. Desde sempre ligada ao comércio e distribuição de produtos para a pesca profissional e lúdica e para a náutica de recreio, a Casa Pita é “a” loja da especialidade em Setúbal e uma referência a nível nacional. Dando seguimento á já longa parceria com Os Amarelos também apoiados pela Casa Pita, a Vega associou-se também em parceria ao Moreira, embarcação recentemente reconstruida e englobada num ambicioso e

bem estruturado projecto marítimo-turístico que além das actividades habituais, pretende a divulgação da pesca embarcada nomeadamente na sua vertente da competição e das boas práticas ambientais com passeios no Sado e a observação de golfinhos. A divulgação da marca passa então também a ser uma responsabilidade do Moreira, que será também um grande apoio para Os Amarelos. Concentrados manhã cedo junto á Casa Pita para as fotos da praxe e para algumas aquisições de última hora, embarcámos no Moreira e navegámos rumo a Sul. A viagem decorreu em amena cavaqueira proporcionada pelo espirito festivo e pela comodidade da embarcação que permitiu juntar os pescadores para um pequeno-almoço á mesa. Aproximando-se a zona de pesca, iniciaram-se os preparativos dos iscos, camarão, navalha e berbigão, e a montagem de canas. Refira-se que as canas utilizadas quase em exclusividade foram as Zoom Boat de 4,0m, referência na pesca embarcada em Portugal, nomeadamente em alta competição.

Um novo prototipo já em testes com algumas Zoom em pano de fundo.

Chegados ao destino, fundeamos numas marcas conhecidas e após um pequeno briefing para sorteio do posto de cada pescador e das regras para este convívio, iniciámos a pesca a cerca de 35m de profundidade. A captura de algumas safias e choupas iniciaram-se quase de imediato, mais para uns que para outros, o que provocou algumas brincadeiras entre os pescadores.

A manhã foi avançando e as capturas, não sendo extraordinárias, lá se iam sucedendo. Pelo meio uma outra poitada para estimular a crença dos menos afortunados. O aparecimento de grandes cavalas serviu para testar fios, anzóis, canas e os “nervos” de alguns elementos que desesperavam com os emaranhados de montagens provocados por múltiplas capturas. O espirito competitivo e o de-

sejo de constante evolução dos pescadores dos Amarelos, não deixou que este convívio se ficasse por isso mesmo, assim acabou por se realizar mais um treino em que se afinaram estratégias, práticas e materiais com vista aos futuros desempenhos individuais e colectivos da equipa. Alguns dos pescadores da equipa tiveram oportunidade de testar as versões finais de algumas canas e

ZOOM BOAT E OS AMARELOS

O novo Camaro, brevemente disponivel.

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A Zoom Boat tem sido a nossa cana de eleição nos Amarelos de á dois anos e meio a esta parte. Tivemos papel activo na sua concepção, seleccionando a acção e procedendo a algumas alterações que nos pareceram pertinentes na altura e que se vieram a confirmar mais tarde. Esta cana rapidamente ganhou fama (e proveito) transformando-se na mais representada na 1ª e 2ª divisões nacionais. A Zoom foi construída em carbono Radial de alto modulo C5 e tem 3 ponteiras de carbono maciço com acções muito equilibradas. O sistema de bucha de EVA permite utilizar a cana

aos 3,00m e aos 4,00m o que reforça a sua versatilidade. A acção de ponta é muito importante na competição, permitindo ferragens muito rápidas mesmo a profundidades superiores a 50/60m, no entanto quando em esforço a cana parece “dar” sempre um pouco mais, permitindo utilizar fios muito finos quando as condições se revelam realmente difíceis. Em resumo, a singularidade da Zoom permite-lhe grandes prestações na competição, mantendo características excepcionais em pescas tão diferentes como as que fazemos ás douradas grandes na Vereda.

VERÃO AGOSTO | SETEMBRO 2012


PESCA EMBARCADA

- MOREIRA Concentração junto á Casa Pita.

carretos da Vega que serão brevemente comercializados pela marca e para as quais contribuíram com aconselhamento e testes. Das canas, destaque para uma que apresenta um inovador sistema de extensão, permitindo a afinação do seu comprimento em qualquer ponto entre 3,10m e 3,50m. Esta cana que terá o nome “Dynamica”, apresenta uma acção muito potente e rápida e quatro ponteiras intermutáveis de diferentes sensibilidades, sendo duas em carbono e duas em fibra. O cabo ergonómico permite uma pega muito cómoda e os passadores tipo K seguem as últimas tendências nos componentes. Já o carreto que tem feito furor junto dos pescadores dos Amarelos e que será alvo de um banco de ensaio na próxima edição do Jornal da Pesca, chamar-se-á Camaro e tem corpo e rotor em liga de alumínio e 10 rolamentos em aço inox. Estará disponível em dois tamanhos, 50 e 60 e com recuperação de 5,5 e 4,6 voltas de rotor por volta de manivela, respectivamente. Este foi então um dia de comemoração e rejubilo pelo título conquistado pelos Amarelos e pela apresentação da parceria da Vega com o Moreira, que se pretende tão frutuosa e duradoura como a da marca com a equipa de pesca embarcada em barco fundeado.

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Bruno Russo com o conjunto Camaro-Dynamica.

PROJECTO MOREIRA Falámos com Miguel Ministro, principal mentor do projecto “Moreira”, para melhor perceber a filosofia e objectivos do mesmo. JORNAL DA PESCA - Miguel, Já tinha alguma experiência nestas andanças com barcos de marítimo-turística? MIGUEL MINISTRO - Iniciei-me na actividade marítimo-turística á cerca de 14 anos quando o meu pai, também Miguel Ministro e grande carpinteiro naval, me construiu a primeira embarcação o “Cruzeiro do Sul”. Esta foi a “ferramenta” que ele me deu e a partir daí sempre tentei evoluir nas condições e serviços oferecidos. JP - É dessa evolução que nasce o projecto Moreira? MM - Sem dúvida, com a experiencia que já tinha e com a minha ligação ao mar decidi investir juntamente com o meu sócio, na aquisição do Moreira. À semelhança do Cruzeiro do Sul, pretendi que o Moreira fosse um barco maior, mais rápido, espaçoso e com todas as condições para que os pescadores pudessem desfrutar de um óptimo dia de pesca. Para isso foi necessário alterar toda a estrutura do barco ao mesmo tempo que promovíamos a sua renovação. Mais uma vez o meu pai, com a ajuda do meu tio e primos, foi o responsável por esta obra de excepcional resultado final. Investimos num novo motor, electrónica moderna e fiáveis sistemas de navegação e segurança. Todo o projecto demorou cerca de um ano a concretizar-se mas pensamos que valeu a pena pois estamos hoje na vanguarda da oferta neste tipo se serviços. JP - Que serviços são esses e em que o diferenciam das demais ofertas já presentes no mercado? MM - Como lhe disse, renovamos totalmente o Moreira que oferece um espaço moderno, amplo e bastante estável onde podem pescar cerca de 12 pessoas com toda a comodidade. À popa temos uma mesa com capacidade para 10/12 pessoas, onde normalmente se almoça e á proa temos um novo salão que proporciona uma área de descanso a quem necessite. Dispomos ainda de cozinha para fazer uma bela caldeirada a bordo, fogareiro para uma sardinhada e WC com privacidade. Além disso os nossos Mestres são altamente qualificados e experientes, mostrando-se sempre disponíveis para auxiliar os pescadores em qualquer dificuldade que possa surgir. Em suma, aumentámos a oferta mantendo os preços muito competitivos. A juntar a tudo isto, realizámos uma parceria com a Vega, marca de qualidade e em ascensão com a qual pretendemos também crescer pelo que serão naturalmente de esperar futuras iniciativas promovidas pela marca.

João Silva com uma bica.

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SURFCASTING

COISAS DO MAR TEXTO António Xavier

T

IMAGEM Redacção

odos nós sabemos que os pescadores mais velhos e experientes são os que mais peixes apanham. Nos tempos em que iniciei a minha aprendizagem, os pescadores mais antigos sabiam e faziam certas coisas que muito me intrigavam. Muitas vezes relacionavam superstições ou crenças de caracter religioso com os bons dias de pesca, o que ainda me deixava mais baralhado. Porque é que o peixe ontem estava aqui em grande quantidade e hoje desapareceu por completo? Esta e muitas outras perguntas ficavam sem resposta. E o que mais me intrigava era a certeza, quase infalível, que o meu mestre de pesca tinha, nos dias em que o peixe encostava. Como é que ele adivinhava? Ao longo dos anos em que fui amadurecendo os meus conhecimentos, muitas destas dúvidas foram sendo esclarecidas. Sem dúvida, que o conhecimento empírico, que as muitas saídas para a pesca me proporcionaram, contribuiu decisivamente para as respostas que eu tanto ansiava. Os movimentos do mar e os comportamentos dos peixes que o habitam estabelecem uma relação de caracter alimentar. É sempre com base neste princípio fundamental que poderemos compreender os momentos em que as grandes pescarias se fazem. Dito assim até pode parecer que é fácil. Puro engano. A diversidade de factores é quase infinita, entre os mais importantes temos: a variação da temperatura da água, a direcção e intensidade do vento, a amplitude da maré, o momento da maré, a pressão atmosférica, a influência do Sol e da Lua, etc., etc., etc. Tomemos como exemplo a praia, na pesca de Surf-casting. A observação constante das transformações que se operam no perfil transversal e longitudinal da praia são fundamentais. As condições meteorológicas e marítimas são também mui-

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NO SURFCASTING to importantes. O mar quando está calmo não produz energia. Só quando se torna encrespado na superfície, pela acção do vento se inicia um processo ainda muito diminuto de formação de corrente de ondulação, movimento circular que praticamente não tem repercussões no fundo do mar. Com a intensificação do vento as ondas aumentam a sua amplitude começando o seu movimento até à linha de costa, produzindo já uma quantidade de energia considerável. Esta energia que origina um movimento turbilhonar em profundidade, é tanto mais forte quanto mais altas forem as ondas. A partir de um certo momento as areias do fundo do mar começam a ser remexidas pela energia libertada e com ela os organismos que as habitam e que constituem o repasto das nossas presas. Para compreender melhor a acção da ondulação em cada praia é fundamental conhecer o seu perfil. Numa praia profunda a ondulação rebenta de forma muito diferente de uma praia de perfil baixo. Na primeira a rebentação faz-se sempre junto á linha da praia e a corrente de refluxo é normalmente forte, na segunda a rebentação chega a verificar-se a muitas centenas de metros da costa e as correntes laterais são mais fortes que a de refluxo. Resultam da ondulação duas correntes distintas uma, primária, no sentido do vento e da ondulação até á praia, outra, secundária, de

refluxo da ondulação no sentido contrário à primeira. É do jogo entre estas duas correntes que resultam os melhores momentos de pesca. A corrente secundária que transporta para o largo detritos e organismos vivos é fundamental para excitar os peixes que procuramos na praia. Esta corrente quando perde a sua força (dependente da ondulação) acumula os detritos com uma importante componente orgânica em bancos no fundo do mar mais ou menos perto da praia. São estes os locais onde a nossa chumbada deve chegar para que os anzóis possam ferrar peixe. Os bancos detríticos formados por esta corrente têm um formato serpenteado e são interrompidos pelos curveiros, canais profundos cuja corrente secundária é muito forte. Estes locais, na maioria das situações meteorológicas são excelentes pesqueiros. No entanto quando a ondulação é fraca, produzindo por isso pouca energia, os únicos locais onde poderá haver alguma movimentação no fundo são, exactamente, os bancos detríticos formados pelas correntes secundárias. Nem sempre é fácil distinguir os bancos de detritos orgânicos dos bancos de areia e seixos sem vida, pois a sua configuração é muito semelhante. Muitas vezes só a experimentação nos permite distingui-los e, essa, faz-se indo à pesca! Os pescadores que apanham grilo nas praias sabem bem que nem todas as coroas de areia são boas para procurar o grilo na

maré baixa. Quando o mar movimenta “areia velha” que se note pela sua cor mais escura, onde abunda a matéria orgânica, o grilo normalmente é abundante bem como o caranguejo da areia e outros pequenos seres vivos que habitam as águas das praias. Quando a areia que o mar movimenta nas praias é “nova”, e nota-se pela sua cor muito clara, não se encontra vivalma. O mesmo se passa nas areias que nós não podemos ver, por estarem sempre debaixo de água, onde nadam os peixes que procuramos! A percepção destas baixas pode ser facilitada nalguns casos pela observação do comportamento das ondas. Ao passar pelos bancos de depósitos a onda forma uma pequena crista que se alonga num risco de espuma sobre o azul do mar. Este movimento de espuma realiza-se do centro da onda para a periferia e é suave. A onda nunca chega a rebentar, forma apenas uma crista de espuma. Nos bancos de areia e seixos a onda normalmente forma uma crista muito mais ampla e rebenta com violência. Os bancos de areia e matéria orgânica são excelentes locais de pesca, os bancos de areia, pelo contrário, não são bons pesqueiros. Normalmente estes locais têm correntes laterais muito fortes que nos impedem de manter a chumbada parada. Um pequeno aparte em relação às correntes laterais, em vez de aumentarmos o peso da chumbada, devemos deslocar-nos ao lon-

go da costa até a chumbada parar e aí sim assentarmos arraiais. Normalmente é onde a corrente pára que o peixe aguarda a comida. Tal como a nossa chumbada, a corrente arrasta até estes locais os organismos vivos que são alimento dos peixes. O peixe procura comida nadando sempre contra a corrente para mais facilmente capturar as suas presas, ou então aguarda-as nas vertentes laterais dos fundões onde acorrente abranda. Quantas vezes nos acontece sentirmos a chumbada a ser arrastada até parar, e é exactamente nesse momento que o peixe ferra. Nestas condições o lançamento deve ser feito para a corrente de forma a que a isca ao chegar ao peixe, no momento em que pára, o faça de forma o mais natural possível, tal como os outros alimentos também arrastados pela corrente. Se lançarmos directamente para o local onde anteriormente ferrámos o peixe o mais certo é não apanharmos mais nenhum. Esta é uma das razões porque o peso e forma da chumbada são fundamentais na praia. Se a chumbada for demasiado pesada ou demasiado leve o aparelho ou fica ferrado ou corre demais. Mas nem sempre o peixe “quer” a chumbada a correr. Os sargos muitas vezes só se ferram se a chumbada for pesada e estiver bem agarrada à areia. Nestes casos não somos nós que ferramos o peixe, mas sim a própria chumbada! Sobre este tema voltarei numa próxima oportunidade. VERÃO AGOSTO | SETEMBRO 2012


BANCO DE ENSAIO

TEXTO Carlos André

IMAGENS Andreia Silva

PARA COMPETIÇÃO E LAZER...

KING SWORD A

pesca à bóia é uma modalidade que abrange muitas formas de pescar. Já se sabe que esta é uma prática que requer muito conhecimento e que por ser bastante técnica, é uma forma de avaliar a capacidade de cada indivíduo. Também ao nível dos materiais, nomeadamente das canas, existe uma enorme diversidade de características que diferenciam não só as suas capacidades como também a forma como encaramos a própria pesca à bóia. Entramos então na abordagem à ficha técnica da cana King Sword para que se compreenda todas as suas características e possibilidades de utilização.

mo nos ataques mais subtis. Em acção de pesca mostra-se uma cana leve e bastante equilibrada no peso, com o porta-carretos montado a cerca de 51cm do fundo. Com um carreto apropriado às circunstâncias e depois de algumas horas de pesca o cansaço não se faz sentir, consequência dos mais avançados processos tecnológicos da sua construção. Possui um “trabalhar” preciso e seguro ao nível do lançamento, não deformando a iscada que se apresenta no anzol, mesmo com bóia fixa e no limite das suas capacidades. No que toca à pesca de competição para a qual penso que

FICHA TÉCNICA NOME VEGA KING SWORD MATERIAL DE CONSTRUÇÃO Hi-Modulus CS Radial Carbon MEDIDAS DISPONÍVEIS 6,0m e 7,0m COMPRIMENTO FECHADAS 1,45m (ambas as medidas) PESO 310g (6,0m), 330g (7,0m) PASSADORES SIC (Silicone Carbide) 9 (6,0m), 10 (7,0m)

Ainda que ligeira a King Sword permite a captura de bons exemplares.

ACÇÃO 6-30g

Mais uma com uma tainha...

Esta cana não foi planeada somente para a pesca de competição, mas também para a pesca de lazer. Tem um comportamento bastante equilibrado o que se nota sobretudo com a cana montada na horizontal, pois mantém-se toda ela alinhada e sem pender. Tem uma ac-

esta é uma cana muito versátil e especialmente indicada, adaptando-se a diferentes situações como quando o peixe se encontra na profundidade máxima do pesqueiro (não ultrapassando os seis ou sete metros), meia água ou na superfície. Mesmo onde a corrente das águas é for-

zer, especialmente quando utilizada por pescadores menos experientes, devem-se observar alguns cuidados em função das suas características e materiais e construção: Deve-se sempre colocar a linha nos passadores com a cana fechada, montar bóia, chumbos e

terceiro ou quarto elemento Certificar-nos de que não existe nenhum cabo eléctrico na área de pesca e nunca pescar com este tipo de cana em dias de trovoada; Nunca exceder a capacidade de lançamento Em dias de vento forte, torna-se complicada a sua utilização

riadíssimas espécies, sobretudo em pesqueiros ao nível do mar, mesmo onde existem obstáculos à nossa frente, como por exemplo rochas e limos, ou mesmo quando a rebentação é mais forte. Esta eficácia deve-se ao seu elevado alcance, à sua leveza e à facilidade

ção semi-parabólica, isto é, actua essencialmente com os três últimos elementos, factor importante quando se pesca com linhas finas. Esta acção fica visível na resposta à luta exercida pelo peixe, evitando que este se desferre ou que haja rotura da própria linha mesmo quando esta é muito fina. A King Sword revela grande capacidade no acto de ferragem, mes-

te, com o seu tamanho aguentamos a bóia naquela distância, para que esta não se desloque para a margem por resultado da acção da própria corrente. Que o digam as enormes tainhas capturadas na barra de Aveiro. Qualquer pescador de competição de bóia no mar não abdica de uma cana com estas características para as suas provas. Já relativamente à pesca de la-

anzol e só depois abrir, sempre com ela apoiada nos braços. Se em algum momento temos de interromper a pesca deve-se apoiar a cana num tripé ou espeto próprio para o efeito e nunca nas rochas. No caso de a montagem ficar presa, evitar dar esticões bruscos para trás com a própria cana pois pode quebrar. Normalmente esta rotura dá-se no

devido ao seu comprimento, nestes casos é preferível procurar-se pesqueiros abrigados Devemos ter especial cuidado quando temos de lançar contra vento moderado a forte, uma vez que a pressão contrária ao movimento de lançamento é muito grande e pode originar rupturas. Ainda sobre a pesca de lazer, a Vega “King Sword” revela-se muito eficaz na pesca de va-

do seu manuseamento, permitindo assim grande agilidade ao pescador em acção de pesca. É muito precisa a ferrar, resultado do seu tamanho e especialmente da acção que possui. É uma cana com pouco poder de levantamento de peso, o que se pode resolver fazendo-se uso de um camaroeiro ou mesmo encalhando o exemplar.

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ACHIGÃ

PESCAR COM

TEXTO E IMAGENS Jaime Sacadura

S

FINESSE FISHING

alvo raras excepções, muitas das jornadas de pesca dos dias de hoje revelam-se complicadas e difíceis. Tirando alguns períodos pontuais de maior atividade nas grandes barragens nacionais ou quando temos o privilégio de pescar em pequenas charcas quase intocadas, na maior parte dos restantes dias de pesca os achigãs mostram-se esquivos e desconfiados, tornando raras as capturas. Nestas condições o pescador não deve resignar-se e continuar a pescar como habitualmente, confiando apenas na sorte para evitar a habitual “grade”. É a altura para recorrer ao arsenal de soluções que ajudam a resolver os dias complicados e estas passam por sermos mais espertos que o peixe.

Finesse fishing Quando se fala em “finesse fishing” a maior parte dos pescadores associa imediatamente

esta designação à utilização de linhas finas e amostras de reduzida dimensão. E não se pode dizer que estão errados, já que uma das principais soluções para resolver o problema das jornadas difíceis passa, precisamente, por reduzir o diâmetro das linhas e o tamanho das amostras utilizadas. O princípio básico que suporta esta modificação de estratégia baseia-se na constatação que, para aumentar o número de ataques, devemos apresentar ao achigã uma presa mais fácil de capturar. E, na natureza, os animais mais jovens são, habitualmente, presas fáceis, dada a sua juventude e inexperiência. Por outro lado, a opção por reduzir o tamanho das amostras pode conduzir a uma diminuição do tamanho das capturas, um fenómeno fácil de explicar já que existe uma tendência para o predador escolher o tamanho da presa em função

da sua própria dimensão. No entanto, quando a ocasião se apresenta e as pequenas presas abundam, nenhum predador, independentemente do tamanho, recusa uma refeição fácil, por muito pequena que ela seja – basta pensarmos nas alturas em que nos enchemos de aperitivos, enquanto aguardamos pela refeição principal ou quando conseguimos ainda arranjar espaço para umas colheres de sobremesa, mesmo após uma refeição abundante. Assim, apesar de constatarmos que a apresentação de artificiais de menor dimensão pode contribuir para uma redução

Vinil finesse.

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do tamanho médio das capturas, é indiscutível que essa redução pode proporcionar um maior número de oportunidades de entrar em contato com peixe que, em períodos de menor atividade ou sujeito a maior pressão de pesca, podia ignorar as amostras de tamanho normal que lhe apresentamos.

Pesca astuciosa Se bem que, na sua essência, qualquer técnica de finesse implique, normalmente, uma redução (da dimensão do isco, do diâmetro da linha, do peso utilizado), isso não implica que

apenas quando utilizamos linhas muito finas e iscos muito pequenos estejamos a utilizar esse tipo de técnicas. Se uma pequena modificação, mais subtil, produzir o efeito desejado, essa subtileza, essa astúcia utilizada pelo pescador, pode perfeitamente enquadrar-se na definição mais larga do conceito de finesse. E, muitas vezes, basta essa pequena alteração ligeira, inclusivamente no modo como apresentamos a amostra ou a trabalhamos, para produzir um ataque quando tudo o resto falha. Claro que, quando o objetivo é conseguirmos efetuar algumas capturas, como acontece em situações de competição, o downsizing, isto é, a redução do tamanho das amostras utilizadas, potencia o número de ataques e pode traduzir a diferença entre apresentar alguns pequenos achigãs à pesagem ou trazer um viveiro vazio. Ainda assim, não basta reduzir apenas o tamanho das amostras para conseguir efetuar algumas capturas. A redução tem que se aplicar também ao diâmetro das linhas e, nos diversos tipos de empates, ao

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ACHIGÃ

ASTÚCIA tamanho dos pesos utilizados. Com efeito, não serve de muito passar para um pequeno vinil de 3 polegadas, se continuarmos a pescar com a linha de diâmetro elevado que estávamos a utilizar. A linha de maior diâmetro vai prejudicar o trabalho e a animação da amostra, retirando-lhe fluidez e naturalidade. Como já referi, o princípio básico das técnicas de finesse, passa por refinar e aperfeiçoar toda a ação de pesca, dando especial atenção a um conjunto alargado de pormenores que são menos importantes quando os peixes apresentam níveis de atividade elevados, mas se tornam cruciais em situações de pesca mais difíceis.

Downsizing e não só Assim, a chave do sucesso para os dias difíceis não passa apenas por reduzir o tamanho das amostras. É necessário ajustar todo o material utilizado e isso implica uma seleção adequadas das linhas, dos anzóis, dos pesos e até da cana e do carreto adequado. O material de spinning é o mais indicado e o mais utilizado, pois é o que mais se adequa ao leque habitual de opções utilizadas. Pescar com material de casting, nomeadamente os carretos, associando-os a linhas de menor diâmetro é contraproducente e ineficaz. A opção por uma cana de spinning, de ação ligeira a média (L, ML ou M), adequada às amostras e técnicas utili- zadas e associada a um carreto de qualidade, com um bom freio, é a melhor solução. As linhas são funda mentais para este tipo de técnicas e, um bom monofilamento, resistente e com pouca memória, é essencial na maior parte das situações. Para as técnicas de fundo, o fluorocarbono revela-se, habitualmente, a escolha mais acertada, não só porque ajuda a detetar os toques mais subtis com maior facilidade, mas também porque este tipo de linhas revela-se bastante mais resistente aos diferentes

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elementos abrasivos que podem contribuir para a rotura das linhas finas utilizadas nestas condições. Quando optamos pelos vinis, o que acontece na grande maioria dos casos, a escolha da técnica, do tipo e tamanho do peso utilizado, e do anzol adequado, revela-se fundamental para uma boa harmonia do conjunto.

Técnicas mais utilizadas Com efeito, a decisão sobre do tipo de empate mais adequado a utilizar em cada situação pode ser decisiva, principalmente quando pescamos com vinis de pequeno tamanho. O empate Texas, por exemplo, que muitos pescadores utilizam quando pescam com imitações de plástico mole, nem sempre é a melhor opção quando se pretende uma m a i o r subtileza na apre- sentação. O objetivo principal, nestes casos, passa por conseguir iludir pei- xes desconfiados e pressionados, e conseguir apre- sentar uma imitação d e uma presa habitual, que se movimente de forma natural, é o desafio principal. Para conseguir uma movimentação fluida e atrativa, o empate escolhido deve privilegiar a liberdade de movimentos do vinil, daí se recorrer tantas vezes ao split-shot ou ao drop-shot, embora a utilização de pequenos cabeçotes seja compatível com este tipo de abordagem. Qualquer um dos empates mencionados proporciona animações mais naturais, pois o peso está separado fisicamente da amostra, o que permite

Libertar para preservar.

uma fluidez de movimentos impossível com outro tipo de soluções. Como alternativa, podemos optar por inserir pequenos pesos afilados dentro do vinil (inserts) e empatar o anzol mais perto do centro da amostra. O desequi- líbrio que este empate, tipo wacky, proporcio- na, principalmente com imitações em vinil de pequenos peixes, confere às amostras os movimentos delicados e realistas de uma presa moribunda e fácil de capturar. Noutras situações, podemos optar por empatar os vinis como no empate Texas, mas sem peso (weigthless), confiando apenas no peso do anzol para ajudar a propulsionar a amostra durante o lançamento. Em qualquer destas técnicas é obrigatório escolher adequadamente o tipo de anzol adequado a cada situação, quer o tamanho, quer o modelo, pois a mesma técnica utilizada com diferentes tipos de anzóis pode produzir resultados completamente diferentes.

Amostras rígidas

de ataques pelo que são opções a considerar, como acontece também com as amostras de superfície, como pequenos poppers, passeantes ou até jerkbaits. Nestes últimos, dada a delicadeza e perfeição de muitas destas pequenas amostras, podemos abrandar o ritmo das animações e da recuperação sem riscos de denunciar a sua artificialidade.

Efetuar longas pausas mantendo a amostra imóvel por longos períodos, entrecortando com ligeiríssimos toques de ponteira (twitching), permite manter os artificiais na zona de ataque do peixe e é uma estratégia muito utilizada, principalmente com peixes muito inativos.

Conclusão Nos dias de hoje muitas jornadas de pesca podem revelar-se complicadas e frustrantes. No entanto, a grande pressão de pesca que se faz sentir em muitas massas de água pode ser combatida com recurso a uma ação d e pesca mais inteligente por parte do pescador. Este deve optar por técnicas que permitem uma maior naturalidade na movimentação aquática dos artificiais utilizados, associada a um maior cuidado com a apresentação e animação das amostras. Na maior parte das situações, a opção por reduzir o tamanho das amostras, adequando em simultâneo todo o restante equipamento, contribui também para potenciar o número de ataques e de oportunidades de efetuar capturas.

Por último, não devemos descurar a utilização de amostras rígidas nestas situações complicadas. Claro que a opção pelos pequenos vinis é a mais frequente, mas as amostras de reação, como os crankbaits e os spinnerbaits, utilizados em tamanhos mais pequenos que o habitual, podem ser muito produtivos. Nem sempre conseguem selecionar achigãs de bom porte, mas têm potencial para aumentar muito o número

O drop-shot revela-se efectivo.

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COMPETIÇÃO

ENGODAGENS TEXTO António Marques

IMAGENS Redação

PRECISAS T

odos reconhecemos a importância que a engodagem tem na pesca, estimulando a apetência dos peixes para se alimentarem e proporcionando a sua concentração em determinada área. Essa engodagem FSL 30 quando feita sem critério ou de forma menos precisa, pode ter um efeito contrário ao que pretendemos, especialmente se nos encontrarmos em alta competição e tivermos concorrentes ao nosso lado. Determinante para o sucesso das engodagens é não

FSL 40

só a qualidade do engodo mas a também a precisão com que o colocamos em determinado ponto. A utilização de fisgas para engodar, seja com engodo, sementes ou asticot, está amplamente difundida mas ao contrário do que alguns pescadores possam pensar, nem todas apresentam um correcto desempenho. De facto,

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alguns factores influenciam determinantemente o seu desempenho. Um cabo pouco ergonómico ou escorregadio, um copo inadequado ou mesmo elásticos com consistência irregular vão impossibilitar que coloquemos a nossa engodagem constantemente no mesmo ponto. Ao fim de algum tempo teremos vários pesqueiros que ao invés de concentrar os peixes num só, vai estimular a sua circulação pelos vários pontos onde vai caindo a comida. A gama de fisgas TeamVega, composta por cinco modelos, foi desenvolvida com recurso aos melhores materiais e utilizando os componentes mais adequados para a sua utilização nas nossas águas. Estudadas para durar, são fabricadas com polímeros de nylon de alta qualidade e apresentam alguns apontamentos em borracha para uma pega mais eficiente e confortável. Estas fisgas são equipadas com elásticos de latex natural de alta densidade que impede a deformação dos mesmos com as extensões e contracções. O sistema de fixação

FMR 50

evita a torção desses mesmos elásticos aumentando o seu desempenho e durabilidade. Os copos são em plástico macio, resistentes ao sol e apresentam três tamanhos adequados á utilização de diferentes engodagens. Todas as fisgas TeamVega são vendidas FLR 70

com um par de elásticos suplentes, encontrando-se ainda disponíveis no mercado elásticos e copos

de substituição para todos os modelos. Cada um dos modelos destina-se a uma utilização distinta e específica que passo a descrever. FSL 30 É uma fisga ligeira, equipada com elásticos de 3mm e copo pequeno (CE2). É ideal para pescar á francesa engodando com poucos asticots. FSL 40 Fisga mista para pescas á francesa e á inglesa a curta distância engodando pequenas quantidades de asticots e sementes de cânhamo. Tem elásticos de 4mm e copo CE2. FMR 50 Fisga média com elásticos de 5mm e copo de dimensão média (CE4) para engodagens com bicho (asticots) colado á inglesa ou bolonhesa. Muito versátil, é também bastante utiliza-

da para engodar com sementes como trigo e cânhamo ou mesmo asticot solto quando pretendemos uma engodagem mais abundante. FLR 60

FLR 60 A dimensão e robustez da armação, os elásticos de 6mm e o copo de grande dimensão (CE6) tornam-na ideal para engodar bicho colado a grandes distâncias. FLR 70 A fisga mais potente da gama. Está equipada com elásticos de 7mm e copo CE6. É ideal para lançar bolas de engodo a grandes distâncias inclusive na modalidade de Carp Fishing.

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CARP FISHING

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE CARP FISHING TEXTO E IMAGENS João Sousa

A

APCF criou o Carp Adventure de forma a proporcionar aos sócios da associação e aos amantes da modalidade a pesca legalizada, em Portugal, na modalidade de carpfishing. Nesta prova, voltei a fazer equipa com o Ricardo Pimenta, que mais que um companheiro de pescarias, é também um amigo. Saímos bem cedo de Guimarães rumo a Castelo Branco, onde fizemos uma viagem sem problemas. Por volta das 11h e já com todos os participantes ansiosos que a prova começasse, iniciou-se o sorteio dos pesqueiros que foi efetuado por ordem de inscrição das equipas. Às 12h teve início a prova. E começamos com os trabalhos de sondagem/engodagem. Como o pesqueiro era bastante homogéneo em termos de profundidades, decidimos colocar as montagens na ordem dos 3m a 4m. De acordo com as informações que recolhemos, a barragem tinha muitos pimpões, pelo que não seriam aconselhados iscos de pequenas dimensões, como as sementes. Para ser considerada pontuável, uma captura teria de se tratar de uma Carpa e pesar no mínimo 2,5kg. Optámos então por fazer uma engodagem mista, ou seja, engodamos com boilies de 20mm, pellets, milho cozido, noz tigrada, e mistura para pombos. Eram cerca das 4 horas da manhã, quando um alarme nos colocou em sobressalto, mas era um arranque pouco convincente, fazendo apenas uns bips isolados. Peguei na cana e reparei

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CARP ADVENTURE

A Associação Portuguesa de Carp Fishing, que tem como principal objetivo a divulgação e o desenvolvimento do Carp Fishing em Portugal, realizou no passado dia 13 de Julho mais uma edição do Carp Adventure 2012, prova que se estendeu por 3 dias - 13 a 15 de Julho - na Barragem da Marateca, em Castelo Branco e que teve a VEGA como seu principal patrocinador. que estava ali a primeira captura da equipa. Nem sequer a pesamos, foi libertada de imediato, em perfeitas condições. Com esta captura, apercebemo-nos que a estratégia utilizada era a correta, pois o peixe estava a comer na engodagem. Já no dia seguinte fomos surpreendidos, por um alarme, desta vez, o do Ricardo e que resultou numa captura que viria a ser a primeira carpa pontuável da prova. Chamámos a organização da prova que rapidamente tratou de pesar a carpa que marcou 3,200kg e acabou por ser a carpa que nos deu o 1º lugar do Carp Adventure 2012. Pouco depois, a dupla Orlando Loureiro/Pedro Ramos tirou uma carpa que acusou 2,600kg e que seria o segundo peixe pontuável e o 2º lugar do Carp Adventure. Seguiram-se inúmeras capturas, mas infelizmente, com peso abaixo dos 2,5kg exigíveis para pontuar, incluindo eu e o Ricardo, que não conseguimos voltar a bater os 3,200kg da primeira captura. As jornadas de convívio entre os participantes sucederam-se ao longo da prova, com muita a gente a partilhar aquilo que tinha, quer fosse o almoço ou até mesmo um café. Tudo era desculpa para passar umas horas a conhecer gente nova e a conviver! Até ao último minuto de prova, perdemos conta às capturas que

foram efetuadas na ordem dos 1,5 a 2kg. No final, foram capturadas apenas duas carpas pontuáveis, o que ficou abaixo das expectativas de toda a gente. Ainda assim, penso que toda a gente gostou de participar na prova. Todas as equipas capturaram peixe, e só o facto de poder passar este fim-de-semana a pescar em Portugal, legalmente, vale bem a pena o esforço de tantas horas de pesca, independentemente de sair peixe ou não. Classificação final 1º João Sousa / Ricardo Pimenta 2º Pedro Ramos / Orlando Loureiro 3º Rui Peixoto / António Ferreira 4º Gabriel Pereira / José Pedro Pereira

5º Carlos Amaral / Guilherme Loureiro 6º Carlos Falcão / André Martins 7º Paulo Costa / Rogério Silva 8º Paulo Gomes / Daniel Marques 9º Paulo Costa / Rogério Silva

Prémios Como ficamos em 1º lugar, eu e o Ricardo trouxemos para casa duas fantásticas canas VEGA Voltage Carp de 13 pés (3,90m) e 3,5lb de ação. Trata-se de canas de topo, equipas com passadores SiC e fabricadas em carbono de alto módulo, que lhes confere uma certa leveza e ao mesmo tempo potência para lançar chumbadas de pelo menos 120gr. Ganhamos ainda uma noite no Lago da Alfarófia. O 2º Prémio foi para a dupla Pedro Ramos / Orlando Loureiro que levou para casa dois sacos para canas VEGA Exceed, sacos estes que são exatamente aquilo que um carpista procura: Segurança no transporte das canas; 2,10m de altura, que permite transportar as canas montadas com os respetivos carretos; diversos bolsos que servem para

transportar coisas como os suportes das canas, e o camaroeiro, entre outras coisas. Ganharam ainda um conjunto de boilies Decathlon. A partir daqui, devido à ausência de peixes pontuáveis, tiveram de ser sorteados os restantes prémios. O 3º Prémio ficou com a dupla Rui Peixoto / António Ferreira que levou para casa dois excelentes sacos de transporte de canas VEGA Prime, idênticos aos do 2º prémio. Ganharam ainda dois sacos de pesagem. Prémios como boilies comerciais, boilies caseiros, pellets, milho normal e aromatizado, pop-ups entre outros pequenos artigos, como óculos polarizados, roupa APCF (tshirts e camisolas polares), sacos de pesagem, pastas e coletes de pesca, foram distribuídos por todos os participantes. Queria deixar aqui em nome da APCF, o agradecimento à VEGA por ter patrocinado o Carp Adventure 2012 e deixar os meus votos de que esta parceria seja para durar e que seja benéfica para ambas as partes.

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BIOLOGIA

O ROBALO TEXTO E IMAGENS Jorge Palma

O

robalo é sem dúvida alguma, uma das espécies mais cobiçadas na costa continental portuguesa e para muitos, o troféu máximo de uma jornada de pesca. É uma espécie que pode habitar água costeiras até aos 100 metros de profundidade, mas com maior preferência por profundidades mais baixas. Tem uma elevada plasticidade na escolha dos habitats, e pode por isso, ser encontrado em diversos tipos de ambientes, desde zonas lagunares com fundos de lama, zonas rochosas e fundos de areia. Os individuos de pequeno porte tendem a formar cardumes numerosos, enquanto que os animais de maior tamanho, tendem a deslocar-se isoladamente ou em pequenos grupos, comportamento que é apenas alterado durante a época de reprodução. As técnicas de pesca empregues na sua captura evoluiram notavelmente nos últimos anos e de entre elas, o spinning foi a que mais cresceu e que mais adeptos angariou. Até há uma década atrás, as técnicas mais comuns eram sem dúvida o surfcasting, à bóia e corrico, técnicas essas que exploravam, não só a característica oportunistica da espécie que culmina na enorme plasticidade de presas que consome, mas também, e sobretudo, aquela que é a sua principal arma, a sua agressividade como predador de topo. A maioria das espécies de peixes tendem a não desperdiçar oportunidades de se alimentarem, mesmo que o alimento que se lhes depara no momento não seja o seu preferido. O surfcasting e bóia exploram bem essa caractística do robalo, e muitos são os iscos utilizados que logram capturas, desde diferentes espécies de poliquetas (minhocas), de camarões, de caranguejos (ex., Carcinus, pilado) de cefalópodes (incluido, choco, polvo ou lula) e de peixes (sardinha, cavala e outros), bivalves ou mesmo de gastrópodes. Estes is-

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cos, são preferencialmente consumidos em determinadas fases do ciclo de vida do robalo e por isso, certos iscos, capturam mais peixes de menor porte, enquanto que outros, têm o potencial de conseguir exemplares de maior porte. Por seu lado, o corrico, explora a característica predadora da espécie e recorrendo à utilização de imitações de pequenos peixes através de pingalins, raglous ou “chico-fininhos” consegue boas capturas. No entanto, dado o tamanho diminuto destas imitações, é recorrente capturar exemplares de um tamanho não muito grande e só pontualmente se conseguem capturas de bom porte. Bons exemplares, dependendo da época do ano, têm um maior potencial de serem capturados ao spinning, uma técnica que emprega artificiais de tamanho superior, e esse, é um factor decisivo na selecção e captura de maiores exemplares. O spinning utiliza dois tipos de artificiais, as amostras duras e os vinis. As amostras duras, sejam jerkbaits, poppers ou passeantes têm o seu lugar consoante o local, a hora do dia ou o grau de actividade da espécie. Da mesma forma, os vinis ganharam o seu terreno e dependendo dos mesmos factores, podem lograr boas capturas. Na vertente em-

barcada, ou em locais de águas mais profundas, zagaias e jigs tornam-se artificiais fundamentais na captura da espécie. A cor da amostras tal como para outros predadores deve ser armonizada não só com a presa do momento, mas também como a luminosidade. Amostras escuras em condições de pouca luz e amostras claras em condições de mais luz. Pode parecer estranho usar amostras escuras em noites sem lua, mas quando na água um objecto branco ou tão somente claro, visto numa perspectiva de baixo para cima, tem um perfil escuro, por isso, usar amostras já de si escuras, maximiza a sua detecção dos artificiais no fraco contra-luz da superficie. Os peixes possuem uma maior acuidade visual que os humanos por isso, estas pequenas variações de cor podem ser determinantes. Infelizmente, a evolução das diferentes técnicas empregues na pesca lúdica e acima de tudo a pesca comercial desregrada contribuiram para uma diminuição significativa das populações desta espécie e a captura de exemplares de grande porte são cada vez mais reduzidas. É por isso fundamental adoptar uma mentalidade que zele pela salvaguarda da espécie, de

forma a que os seus efectivos se possam manter saudáveis e estáveis. A libertação dos individuos abaixo do tamanho minímo de captura em águas nacionais é uma medida funtamental que deve ser cumprida sem hesitação. Esta medida de 36cm é uma média aproxima-

da do comprimento com que a espécie cumpre a sua primeira reprodução. Por isso, capturar apenas exemplares acima deste valor é um garante que o individuo capturada já se reproduziu pelo menos uma vez, dando assim o seu contributo para a perpetuação da espécie.

NOME COMUM Robalo CLASSE Actinopterygii ORDEM Perciformes FAMÍLIA Moronidade NOME CIENTÍFICO Dicentrachus labrax (Linnaeus, 1758) OUTROS PEIXES DA MESMA FAMÍLIA Baila DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA Desde a Noruega as costas de Marrocos, Senegal e Mediterrâneo. ALIMENTAÇÃO Peixes, crustáceos, moluscos cefalópodes e moluscos bivalves e anelídeos (poliquetas). ÉPOCA DE REPRODUÇÃO Inverno, com variações dependentes da latitude. RECORD EFSA Dependendo da classe de linha varia entre 5.990 gr e 10.330 gr.

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Jornal da Pesca Nº 013  

Engodar na praia - Kayak - Achigã - Competição - Spinning