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das associações empresariais do Vale do Itapocu Ano 2 | nº 8 setembro e outubro de 2010 R$ 8,90

Injeção de coragem Ousadia e empreendedorismo do empresário Isac Menegazzo Borges garante o sucesso dos postos da família em Corupá

Empreendedorismo: maior empresa de baquetas fica em Jaraguá

Entrevista: Bruno Breithaupt fala dos desafios à frente da Fecomércio


editorial

Os desafios do crescimento

A

Associação Empresarial de Guaramirim desempenha importante papel no desenvolvimento do município, o qual atualmente destaca-se em crescimento econômico na região e no Estado de Santa Catarina. As empresas e empresários, integrados ao Poder Público e comunidade, sem medir esforços, aplicam recursos e energias na constante busca pela sustentabilidade, inovação, melhorias e novos negócios. Dois gargalos dessa trajetória de sucesso vêm desafiando as lideranças. O primeiro trata da logística e da mobilidade urbana. Questão que clama pela humanização do atual trecho de oito quilômetros da BR-280 a ser duplicado do Km 50,8 (imediações do contorno que desviará a rodovia, próximo à WEG Química) até o Km 58 (próximo à Ponte do Portal). O fluxo vai melhorar muito com a conclusão da obra SC 413, que liga a Rodovia do Arroz/Rodolfo Jahn ao Rio Branco/Emilio Mahnke Junior, cujos pro4

jetos os órgãos competentes já estão elaborando; os trajetos mais longos serão contemplados com a execução do projeto da duplicação da BR-280, dividido em dois lotes de São Francisco do Sul até o bairro Nereu Ramos, em Jaraguá do Sul, com desvio passando pelo município do Schroeder, tendo previsão de conclusão para 2015. O segundo gargalo trata da qualificação da mão de obra através da educação técnica. Neste sentido, importante a contribuição do SENAI, presente na região com cursos técnicos; outro projeto importante o Centro de Educação Profissionalizante em Guaramirim: Cedup, cujo primeiro passo já está sendo dado com a turma de pós médio Técnico em Comércio, hoje em fase de estágio. A prática da tolerância, liberdade e autonomia têm sido constante na atual gestão da ACIAG. Tendo em vista a abertura de muitas novas empresas no município, a diretoria da ACIAG está fazendo esforço na busca da participação efetiva com a

adesão de novos associados. De outro lado, o fortalecimento da representatividade política em nível estadual com o projeto Voz Única e regional em conjunto com as demais entidades de Massaranduba, Schroeder, Corupá e Jaraguá do Sul, despertaram que o diálogo e a união fortalecem a classe empresarial, quando a meta é a organização para alcançar êxito nos projetos que permeiam a boa qualidade de vida. Convidamos o leitor a conferir o conteúdo das próximas páginas agradecidos pela atenção e oportunidade.

Eluísa Hertel Maiochi Presidente da Associação Empresarial de Guaramirim


sumário

16. Tiro certeiro na vida empresarial O sonho do cobrador de ônibus Isac Menegazzo Borges virou realidade às custas de muita dedicação e persistência, as quais levaram o morador de Corupá a ser dono de dois postos de combustível que completam 40 anos em 2011.

6

22. Toque de midas

30. Economia da banana

Com 20 anos de atuação, a Baquetas Liverpool, de Jaraguá do Sul, já exporta 20% da produção para 30 países e lidera o mercado nacional, onde começou para atender o ramo carnavalesco. Confira ops planos e trajetória da empresa comandada por Rafael Monforte.

Santantonio Materiais de Construção vira referência em Schroeder sob comando familiar. Sérgio e Márcia Pasquali estão à frente de um grupo que inclui ainda comércio, ramo de impermeabilizantes e terraplanagem.


26. Entrevista Homem incansável, empresário empreendedor e parceiro no associativismo, Bruno Breithaupt assumiu a Fecomércio com unanimidade de votos e a difícil missão de substituir Antônio Edmundo Pacheco, que faleceu ano passado. Otimista com o futuro do setor em Santa Catarina, o catarinense de Jaraguá do Sul recomenda foco na qualificação da mão de obra.

32. Eleições Comandadas pelo Cejas, entidades empresariais da região do Vale do Itapocu comemoram resultado da campanha pela conscientização do voto, que auxiliou na inclusão de um representante na Assembleia Legislativa do Estado.

E-mail para sugestão de reportagens revistanegocios@mundieditora.com.br

Conselho Editorial

Beatriz Zimmermann (ACIJS) Jean Carlo Chilomer (ACIAC) Francisco Ricardo Schiochet (ACIAS) Rogério Souza Silva (ACIAG) Ronaldo Corrêa (CEJAS) Danielle Fuchs (Mundi Editora)

Gerente comercial Eduardo Bellidio eduardo.bellidio@mundieditora.com.br Editora-chefe Danielle Fuchs danielle@mundieditora.com.br

Edição Danielle Fuchs danielle@mundieditora.com.br Textos New Age Comunicação - Liliani Bento Fotos Ricardo Silva, Ronaldo Corrêa, Flávio Ueta e divulgação Foto de capa Ricardo Silva Gerente de Arte e Desenvolvimento Rui Rodolfo Stüpp rui@mundieditora.com.br Diagramação Tiago de Jesus

Diretor executivo Niclas Mund niclas@mundieditora.com.br Rua Almirante Barroso, 712 - Sala 2 Vila Nova - Blumenau/SC - CEP. 89.035-401 Tel.: (47) 3035-5500 - www.mundieditora.com.br Esta é uma publicação das associações empresariais do Vale do Itapocu: Jaraguá do Sul (ACIJS), Corupá (ACIAC), Guaramirim (ACIAG), e Schroeder (ACIAS). Mais informações no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul (CEJAS), na Rua Octaviano Lombardi, 100 – (47) 3275-7000. TIRAGEM 3.000 exemplares


direitos & deveres

20 anos do Código de Defesa do Consumidor C

Mudanças, desafios e benefícios do grande parceiro dos brasileiros

H

á 20 anos o Brasil instituiu em seu ordenamento jurídico uma nova normatização para as relações de consumo, através da Lei 8.078/90, sancionada pelo então presidente Fernando Collor de Melo, cuja vigência se deu a partir de 11/03/1991. Não foi apenas mais uma das tantas leis brasileiras, foi a criação de um novo sistema jurídico baseado em diversos princípios constitucionais, sendo o mais relevante deles o reconhecimento da hipossuficiência do consumidor nas relações de consumo, o que significa, em outras palavras, considerar o consumidor como a parte mais fraca e vulnerável à vontade do fornecedor, nessa relação. Esclarece-se, aqui, que essa lei não foi

Essa lei humanizou a relação entre fornecedor e consumidor

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editada por simples vontade do presidente do País, mas por uma exigência da Constituição Federal de 1988. Passados 20 anos, cabe a reflexão: que mudanças na vida do cidadão brasileiro essa lei trouxe? Ao fazer essa reflexão, recordei-me que no final dos anos 70, meu pai comprou um veículo zero quilômetro e, feliz com a aquisição, convidou toda a família para irmos até a praia. Viagem curta, de aproximadamente 100 km, entretanto, nessa viagem os quatro pneus do veículo furaram. Todos tinham defeito de fábrica. Resultado, meu pai voltou a Jaraguá do Sul, tentou argumentar com a concessionária que lhe havia vendido o veículo, mas teve que comprar quatro novos pneus sem qualquer lei que amparasse o seu direito. Na época, não existia o Código do Consumidor. Alguém conceberia tal situação nos dias de hoje? Esse pequeno exemplo demonstra que essa lei trouxe mais do que um simples direito, trouxe uma nova cultura nas relações existentes entre consumidor e fornecedor. Estabeleceu regras claras com relação à oferta e a publicidade, bem como criou instrumentos de

proteção, através de órgãos como o Procon, por exemplo. Houve uma ruptura no comportamento humano e social após a edição e vigência dessa lei, humanizando as informações sobre o produto, a segurança que dele se espera e no seu manuseio e a própria relação existente entre consumidor e fornecedor. Vieram embalagens com adequado acondicionamento dos produtos, rótulos contendo data de validade, composição, peso líquido, identificação de fabricante, instruções para uso e manuseio, proibição da chamada “venda casada”. Sob meu modesto ponto de vista, essa lei trouxe mais benefícios do que prejuízos, em especial por ter humanizado a relação entre consumidor e fornecedor. Afinal, mesmo sendo fornecedores em alguns casos, passamos a consumidores em outros, nos beneficiando da lei.

Jackson da Costa Bastos Advogado (OAB/SC 11433) sócio do escritório Bastos Advogados Associados SS Vice-presidente jurídico-legislativo da ACIJS

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canal aberto

tribuna

frase

Mais força para os Bombeiros O Corpo de Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul, dentro de pouco tempo, contará com mais um caminhão Auto Bomba Tanque-ABT, que se somará aos cinco já existentes na corporação. O novo veículo deve estar pronto e entregue no início do próximo ano. O presidente da Associação de Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul, Giorgio Donini, conta que a WEG doou uma carroceria, no valor aproximado de R$ 250 mil, que será acoplada a um chassi que já havia sido doada pela empresa, em 2007. A corporação de Jaraguá do Sul tem uma das maiores frotas de Corpos de Bombeiros Voluntários de SC, resultado das doações da comunidade e empresas, além dos governos estadual e do Município. Este caminhão terá como diferencial dos demais a capacidade para alcançar com a bomba dá água até o 12º pavimento de um prédio. Os Bombeiros Voluntários de Jaraguá contam também com três caminhões Auto Bomba – AT, seis ambulâncias próprias, duas camionetas em comodato com o DEDC, um Jeep, uma camioneta Unidade de Resgate –UCR e um automóvel Gol para serviços de fiscalização. Além disso, conta com desencarceradores hidráulicos e manuais, desencarcerado, extintores de alta pressão, lancha, bote, canoas, equipamentos de mergulho, carregador de ar comprimido, entre outros. O trabalho do Corpo de Bombeiros Voluntários é imprescindível, visto que é o melhor equipado para atender as ocorrências na BR-280.

Ficou provado que se atuarmos de maneira integrada seremos mais fortes nas nossas reivindicações” Durval Marcatto Junior, comemorando a conquista de um representante do Vale do Itapocu na Assembleia Legislativa, vitória que contou com o apoio da campanha do Cejas

em alta X em baixa Delegacia da Mulher Desde o dia 14 de setembro, Jaraguá do Sul conta com a Delegacia da Mulher e de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso. A comunidade esperava há 15 anos pela instalação dessa delegacia, que tem como objetivo proteger e orientar a população nas mais diversas ocorrências - com atendimento prioritário à mulher. O delegado responsável é Weydson da Silva. Além dele, a delegacia dispõe de uma escrivã, dois agentes de polícia e dois agentes administrativos - esses cedidos pela prefeitura de Jaraguá do Sul. 10

Delegacia de Guaramirim A Delegacia de Guaramirim, que recentemente teve que reformar o telhado porque em um dos últimos vendavais houve destelhamento e entrou água no prédio. O prédio onde a delegacia está instalada é bastante antigo, por isso, tem problemas de infraestrutura. Além disso, o efetivo está abaixo do ideal. A delegacia está aguardando a vinda de mais policiais para a cidade. Mesmo com uma estrutura antiga, a delegacia consegue atender bem os municípios de Guaramirim, Massaranduba e Schroeder.


reportagem especial

Crescimento sustentável é desafio Pesquisa do Sebrae com o Vale do Itapocu mostra que gargalos da região continuam os mesmos

Problemas de infraestrutura viária ainda são os principais empecilhos ao crescimento da região que comporta 200 mil habitantes

O

desenvolvimento sustentável e qualitativo é o grande desafio do Vale do Itapocu, do qual fazem parte Jaraguá do Sul, Corupá, Guaramirim, Schroeder. Juntos, esses municípios representam quase 200 mil habitantes. A Região Norte de Santa Catarina é uma das que mais tem apresentado índices de crescimento. O bom desempenho da economia local, aliado à qualidade de vida, tem atraído muita gente para morar nessas cidades. Porém, junto com elas vêm alguns problemas sociais como o aumento do tráfico de veícu12

los, congestionamento na BR-280 e desemprego, visto que a maioria não tem qualificação para preencher as mais de 3 mil vagas abertas apenas em Jaraguá do Sul. Com o objetivo de apresentar números concretos sobre o desenvolvimento da região, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) acaba de compilar dados sobre esses municípios. O analista técnico do Sebrae, Marco Antônio Murara, explica que a série “Santa Catarina em Números” teve origem na necessidade da entidade de refinar as ações de planejamento, com um levantamento de informações sobre aspectos eco-

nômicos e sociais que permitam caracterizar os recortes territoriais, onde estão inseridas as micro e pequenas empresas do Estado. Murara explica que o Sebrae não realizou nenhuma pesquisa para elaborar o documento, que utiliza alguns dados antigos. O que ocorreu foi uma compilação de informações que já existiam e foram repassados pelas entidades de classe para que o Sebrae pudesse agrupar todos os indicadores em um único arquivo. “Assim fica mais fácil avaliar o potencial de cada município, atendimento em saúde, educação e qualidade de vida”, diz. O analista explica que a iniciativa deste estudo não se


esgota na publicação. A partir de agora, o Sebrae pretende atualizar os dados com mais periodicidade. “Sabemos que alguns dados estão bastante defasados. Mas, infelizmente, algumas coisas não mudaram muito. Por exemplo, os índices de saneamento básico”, explica. O relatório do Sebrae revela aspectos gerais, populacionais, sociais, econômicos e de infraestrutura por município. De acordo com Murara, desta forma, o potencial investidor tem condições de analisar os dados por município, como IDH, número de empresas concorrentes, entre outros, além de escolher a cidade que apresenta maior demanda.

Falta mão de obra qualificada na região Um dos problemas apontados por empresários e lideranças de entidades de classe, na região, é a falta de mão de obra qualificada. De acordo com o diretor-administrativo e financeiro do Comércio e Indústria Breithaupt S.A, Bruno Breithaupt, o crescimento da região e também o aquecimento da economia como um todo na pós-crise de 2008 são os principais motivos para a falta de qualificação. “Nós temos excelentes escolas, estamos bem dotados de faculdades e escolas técnicas. Porém, não está dando tempo para preparar a mão de obra na mesma evolução em que há crescimento”, alerta. Para o presidente do Sindicato Metal-mecânico da região, Célio Bayer, o problema da falta de mão de obra qualificada pode se agravar nos próximos anos com a duplicação da BR-280 e consequente aumento de investimentos no Vale do Itapocu. “Nós temos excelentes escolas. Mas até para trabalhar no operacional há exigência

Falta de mao de obra qualificada ainda aparece como obstáculo para o crescimento de certa qualificação. Não está dando tempo de preparar os nossos jovens. Por isso, tem vindo muitos profissionais de fora trabalhar e se estabelecer em nossos municípios.” Ele conta que o salário médio oferecido na região é de R$ 750,00. A evolução dos salários aliada à economia estável também trouxe outro problema para a região: o excesso de veículos em circulação. “Sabemos que esse é um problema geral no Brasil, mas precisamos investir em alternativas para desafogar o trânsito urbano e também nas rodovias”, diz o gerente de Trânsito e Transporte da Prefeitura de Jaraguá do Sul, José Antônio Schmitt.

Entre essas alternativas ele cita a ampliação das ciclovias e ciclofaixas, projeto que já está em andamento no município – que já possui 18.230 metros de via destinada ao tráfego de bicicletas –, melhoria no transporte coletivo e implantação do VLT (espécie de trem bala) entre Jaraguá do Sul e Guaramirim. Schmitt explica que a rede ferroviária de transporte de carga está para ser desativada no centro da cidade e esses trilhos poderiam ser utilizados para esse meio de transporte. “Com um projeto bem elaborado, as pessoas poderiam deixar seus carros em casa e irem trabalhar ou estudar com o VLT”, diz empolgado. Trata-se de um percurso de 23 km. 13


reportagem especial

Região anseia por obras de infraestrutura para escoar produção Além da falta de mão de obra qualificada, os empresários reclamam da infraestrutura. O câncer que pode podar o ciclo de desenvolvimento pelo qual a região está passando ainda chama-se BR-280. Há anos, as lideranças esperam pela duplicação da rodovia. Recentemente, houve um aceno positivo de que logo começarão as obras. Porém, outras vias importantes da região também precisam ser revitalizadas para ajudar no escoamento da produção. O secretário em exercício da Secretaria de Desenvolvimento Regional de Jaraguá do Sul, que abrange os municípios já citados, Francisco Luiz de Souza, diz que existe um projeto para revitalizar trecho entre a rodovia SC-413 (Joinville) e o município de Guaramirim (pela Vila Nova), o que ajudaria a desafogar o trânsito na BR-280. O projeto está orçado em R$ 12 milhões. Por enquanto não há previsão de quando começará. O município de Schroeder também está investindo em infraestrutura. Está sendo asfaltada a Rua Erich Froehner, um trecho de 4.406,81 metros lineares que interliga o centro da cidade à área industrial do município. A Prefeitura também protocolou pedido na Secretaria de Desenvolvimento Regional de mais R$ 1,5 milhão para pavimentar três quilômetros da Rua Rio de Janeiro, continuação da Erich Froehner, que

Desenvolvimento esbarra na falta de infraestrutura viária para escoar produção liga o município a Guaramirim, que fica a um quilômetro da Rodovia do Arroz. No final do mês de setembro, a Prefeitura de Guaramirim assinou um convênio com o Badesc (Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina) no valor de R$ 4 milhões a serem utilizados na reurbanização da área central do município. De acor-

do com o prefeito Nilson Bylaardt, as obras devem começar em janeiro de 2011. A Prefeitura de Jaraguá do Sul também assinou convênio com o Badesc, no valor de R$ 15 milhões, para obras de pavimentação asfáltica, construção de pontes, viadutos, urbanização e arborização de vias urbanas, além de drenagem pluvial, entre outros.

As licenças ambientais do Ibama, que eram apontadas como o empecilho para abrir o processo, já foram obtidas. O projeto dos 71,5KM da rodovia está orçado em R$ 955 milhões. De acordo com o superin-

tendente estadual do Dnit, João José da Silva, a previsão é de que o processo licitatório esteja concluído em 90 dias e o prazo para conclusão da obra é de três anos após o início dos trabalhos.

Duplicação da BR-280 A esperança de duplicação foi renovada, no final de setembro, em audiência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) realizada para explicar aos interessados os detalhes da licitação. 14


Investimento em hospitais garante a saúde da região A saúde, que geralmente é um dos maiores problemas das cidades, não é o caso da região. Existem problemas, sim, como a falta de especialistas e de exames mais complexos em municípios de pequeno porte como, por exemplo, Schroeder. Porém, Jaraguá do Sul, que funciona como uma central no atendimento de saúde para esses municípios, está bem servida de hospitais, clínicas e laboratórios. O secretário em exercício da Secretaria de Desenvolvimento Regional de Jaraguá do Sul, Francisco Luiz de Souza, conta que o Hospital de Jaraguá do Sul está sendo reformado e contará com mais 200 leitos, além de capacidade para realizar cirurgias do coração. Atualmente, essas cirurgias são feitas em Blumenau ou Joinville. Estão sendo investidos mais de R$ 6 milhões. O Hospital Santo Antônio, em Guaramirim, também está passando por reformas e estará apto para realizar pequenas cirurgias. O gestor do hospital, Ivo Ranghetti, diz que a obra de readequação do hospital começa em 90 dias. Mas, por enquanto, continua funcionando o Pronto-Atendimento. O hospital conta com centro cirúrgico de média complexidade e maternidade. A obra de quase R$ 80 mil é necessária para que sejam feitas adequações exigidas pela Vigilância Sanitária.

Indicadores sociais: Município

Habitantes (2009)

Expectativa de vida (2000)

Mortalidade Índice de infantil (2006) habitantes por veículo

Corupá

13.380

75,3 anos

12,7

1,9

Guaramirim

31.910

75,2 anos

5,9

1,9

Jaraguá do Sul

139.017

74,1 anos

9,9

1,8

Massaranduba

14.500

77,8

6,9

1,9

Schroeder

14.000

75,3

16,6

2,2

Santa Catarina

6,1 mi

73,7

12,6

2,1

Brasil

191,5 mi

68,6

16,4

3,5

Índices econômicos: Município

PIB (2006)

Renda per capita

Nº de empresas formais

Empregos c/ carteira

Corupá

149424

290,19

641

3734

Guaramirim

767081

295,34

1795

9075

Jaraguá do Sul

2978318

414,14

8727

64433

Massaranduba

194303

319,15

809

4082

Schroeder

1595296

363,81

601

3198

Santa Catarina

93,2 bilhões

12.169,00

374629

1777604

Balança comercial: Municípios

Exportações

Importações

Balança Comercial

Corupá

5196386

567617,00

4628769

Guramirim

5668146

55931929

- 50263783

Jaraguá do Sul

827132219,00

228689364

598442855

Massaranduba

516.813,00

1434958,00

- 918145,00

Schroeder

967637

1595296

- 627660,00

Santa Catarina

8,26 bilhões

7,97 bilhões

287 milhões

Fonte: Pesquisa Sebrae 15


destaque empresarial

Fotos Ricardo Silva / PhotusPress

Persistência em dose dupla Unidades do Auto Posto Isac nascem da ousadia do então jovem Menegazzo Borges

C

om um sonho na cabeça, disposição e vontade de fazer da vida algo diferente do que conhecia na pacata cidade de Anita Garibaldi, em Santa Catarina, Isac Menegazzo Borges, aos 20 anos, deixou para trás a vida calma ao lado dos pais para trabalhar como cobrador na empresa de Ônibus Rex, em Lages. “Eu queria um futuro melhor para mim e para a família que viesse a formar. Se ficasse em minha cidade não conseguiria. Lá 16

eu ajudava meu pai a plantar milho e feijão”, conta. Tanto esforço resultou em uma vida de empresário. Hoje, o empreendedor é proprietário do Auto Posto Isac, com duas unidades na cidade de Corupá. O destino queria realmente algo muito diferente para a vida de Isac. Ele trabalhou em diversas linhas em Lages até ser transferido para a linha Indaial-Corupá. Na primeira viagem, dia 6 de janeiro de 1966, ele conheceu, dentro do ônibus, Teresa, que estava indo se matricular no Colégio

Divina Providência. Foi paixão à primeira vista e não demorou dois anos para se casarem. Ainda sem dinheiro, trabalhando como cobrador, mas sempre pensando em construir algo diferente para o futuro, logo surgiu a oportunidade que mudaria a vida dos dois. Em uma roda de chimarrão, conversando com os cunhados, Isac soube que a BR280 estava em obras e precisava de um posto de combustível. Cheio de expectativa e otimismo, Isac viajou para Curitiba para visitar


a Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga. “Precisava saber se eles tinham interesse em montar um posto na rodovia BR-280. Como eles demonstraram disposição e fizeram a instalação dos tanques e das bombas, além de fornecer uma quantia para capital de giro, então parti em busca da compra do terreno”, conta. A compra do terreno, às margens da BR-280, foi feita através de financiamento. O Auto Posto Isac foi inaugurado em 1971. Os negócios melhoraram e, hoje, o empresário possui dois postos de combustíveis. Isac diz que guarda com muito carinho a ajuda que recebeu dos cunhados, Silvio Lennert, Waldemar Schultz e Norbert Peter Kürh, que ficaram de avalista quando ele precisou. Agradecimento especial também para os falecidos sogros Miguel e Cristina.

As duas unidades do posto dispõem de Loja de Conveniências


destaque destaqueempresarial empresarial

Fotos Divulgação

Acima, a fachada atual de uma das unidades do Auto Posto Isac, abaixo, a fachada do primeiro posto, fundado em 1971

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Sem medo e com vontade No início, trabalhavam duas pessoas: o proprietário e um funcionário. Isac conta que, quando começou o empreendimento, dormiu muitas noites no posto de combustível, visto que eles trabalhavam no esquema de plantão. Quem precisava abastecer, apenas tocava a campainha. O primeiro mês de funcionamento fechou com venda irrisória. “Fechamos no vermelho. Mas desistir nem passava pela minha cabeça”, afirma. Além das adversidades normais de um negócio novo, Isac conta que também tinha concorrência de um posto de combustível de outra bandeira. Em 1974, destemido, Isac comprou o posto do concorrente e, como não havia movimento para dois postos da bandeira Ipiranga, visto que eram próximos, fechou as portas. Até hoje mantém o terreno. “Não tinha dinheiro, mas consegui emprestado e fiz o negócio”, lembra. Dois anos depois, comprou mais um posto de combustível, o antigo Posto Esso. Desta vez, no centro de Corupá, e atualmente ele também é da rede Ipiranga. Mais uma vez, recursos para o investimento não havia. Mas Isac tinha uma coisa nata em qualquer empreendedor: não tinha medo de arriscar. O proprietário fez uma oferta tentadora: 30% de entrada e o restante financiado sem juros diretamente com o proprietário para pagamento em cinco anos. Até hoje, passados mais de 30 anos, Isac se perde pensando como conseguiu negociar tanto sem dinheiro, visto que era um jovem com apenas 25 anos e cheio de ideias. “Acredito que se fosse hoje não me dariam atenção. Não me levariam a sério”, opina.


Muita caminhada pelo sucesso Na década de 1970, quando os negócios começaram, Isac caminhava todos os dias cerca de um quilômetro, o que o separava de sua casa até o posto de combustível. Comovido com o esforço, o sogro deu de presente para ele uma bicicleta Prosdócimo. “Eu não sabia andar de bicicleta. Mas aprendi e a bicicleta facilitou a vida. Foi bastante útil por uns dois anos, até que consegui comprar uma rural Willys usada”. Atualmente, o empresário anda com um Corolla. O Corolla é um excelente carro. Porém, saudosista, Isac diz que sente saudades de um Fusca que teve depois da rural. “Ainda vou comprar outro fusca e incrementar. Acho um carro lindo”, declara. Isac teve dois fuscas, um modelo 1973 e outro 1976. Todos enfrentaram muita lama. Lama na verdade é o que nunca faltou na vida do empreendedor. Isac conta que quando instalou o posto, o pátio era só lama para todos os lados. O pátio foi macadamizado por ele com um carrinho de mão e um caminhão emprestado do amigo Leopoldo Wullff (já falecido). Para encher o caminhão usava picareta e pá. Muitas foram as dificuldades e as noites maldormidas. Isac diz que não desistiu de tudo porque tinha o apoio incondicional da esposa. “Teresa foi a pessoa que sempre esteve ao meu lado, que me deu apoio, me incentivou e não me deixou esmorecer”, elogia. O casal teve quatro filhos: Juliano, Rodrigo, Isac Júnior e Rafael. Rodrigo e Isac trabalham na empresa familiar e Juliano possui uma loja de autopeças. Rafael é formado em gastronomia e irá tocar o restaurante, mais novo empreendimento da família. As obras do restaurante já começaram, em frente ao posto de combustível, e funcionará com o sistema la carte. O restaurante contará com 380 metros quadrados de área construída e 96 lugares. O projeto é para que esteja pronto até o final do ano.

Teresa foi a pessoa que sempre esteve ao meu lado, que me deu apoio, me incentivou e não me deixou esmorecer Isac Menegazzo Borges Empresário


empreendedorismo

Fotos Ricardo Silva / PhotusPress

Sucesso a partir de uma ideia simples Carnaval dá início a Baquetas Liverpool, maior empresa do ramo no Brasil, comandada por Rafael Monforte

D

e uma pequena empresa de torneados de madeira no interior de Santa Catarina para o mundo com a produção de baquetas. Assim começa a história da maior empresa fabricante de baquetas do Brasil: a jaraguaense Baquetas Liverpool, que já soma 20 anos de sucesso. A Monforte, empresa originária, continua existindo até hoje dentro do grupo empresarial da família do empreendedor João Prim. Ao grupo se soma ainda a Monforte - fabricante de ferramentas, administrada pelo filho, Juliano. A Baquetas Liverpool está sob a ba22

tuta do filho Rafael, 27 anos, que tem verdadeira paixão pela inovação e está sempre buscando aperfeiçoamento para as baquetas. Os enredos carnavalescos foram os precursores desta história de sucesso. Rafael conta que as baquetas surgiram meio que por acaso na Monforte. A empresa produzia torneados de madeira e o seu pai procurava uma forma de reaproveitamento das sobras de material. Foi quando surgiu a ideia de fazer baquetas para as escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo. Surpreendentemente, o negócio evoluiu e em 1995 a empresa come-

çou a fazer baquetas profissionalmente. A Liverpool se especializou na criação de uma linha profissional, adequada às necessidades dos bateristas brasileiros que, até então, tinham apenas opções de uma empresa nacional de baquetas. As demais marcas eram todas importadas. Os pedidos não paravam de chegar e foi necessário fazer investimentos pesados em maquinário. Em 2000, ocorreu a primeira exportação para a Alemanha. Ano em que a empresa participou da Music Messe, em Frankfurt, maior feira de produtos musicais do mundo. Com isto a empresa tornou-se conhecida tam-


bém no mercado externo. Paralelamente, com o intuito de se fortalecer no mercado interno, a Baquetas Liverpool também começou a participar da Expo Music em São Paulo. Hoje a Liverpool é distribuída em mais de 30 países e marca de referência no Brasil e no mundo. Os produtos Liverpool estão presentes na América do Sul, na Tailândia e nos Estados Unidos. As exportações representam algo entre 15% e 20% da produção da empresa.

As baquetas profissionais começaram a ser produzidas em 1995, mas a primeira exportação veio em 2000 Rafael Monforte Administrador da empresa


empreendedorismo

A empresa está sempre inovando e oferece uma gama de mais de 400 produtos entre baquetas e acessórios para bateria e percussão, com uma produção que chega a mais de 150 mil pares mensais de baquetas. O cuidado com a qualidade está em primeiro lugar e as baquetas são confeccionadas com madeiras criteriosamente selecionadas e livres de impurezas. São usados cinco tipos de madeiras: marfim, jatobá, goiabão, roxim e Hikory, importada e a preferência dos músicos. Todos os anos são lançados entre 20 e 25 produtos novos. A fabricação atende ao mais alto nível de qualidade exigido pelos bateristas e muitos modelos possuem características originais da empresa, como formato de cabeça, corpo e madeira utilizada. Os pares são constituídos a partir de baquetas com coloração, peso, comprimento, diâmetro, timbre, formado de cabeça e pescoço idênticos, isentas de empenamento ou qualquer outra deformidade que possa comprometer sua aderência, equilíbrio ou rebote. Tanta preocupação com a qualidade rendeu à empresa o selo de qualidade ISO 9000. Os produtos estão sempre sendo testados por profissionais gabaritados. Atualmente, a empresa conta com quase 30 endorsees (músicos que testam as baquetas e auxiliam com dicas de como podem ficar melhores e dizem como querem seus modelos). Entre eles os bateristas do Skank, do J Quest e do cantor Roberto Carlos. Além disso, a Liverpool também patrocina alguns bateristas como Cândido Mendes Júnior dos Serranos e Ismaile do Fernando e Sorocaba. 24

Fotos Ricardo Silva / PhotusPress

Liverpool oferece mais de 400 produtos


Baquetas são exportadas para mais de 30 países, o que representa 20% da produção da empresa

Preparada para crescer A sede própria foi construída em 2006 no Condomínio Industrial, em Jaraguá do Sul, e resultou num investimento de aproximadamente R$ 300 mil. Rafael conta que a empresa ocupa uma área construída de 1.000 metros quadrados em uma área total de 6 mil metros quadrados. “Compramos uma área maior pensando na ampliação quando for necessário”, diz. De acordo com Rafael, a previsão é de um crescimento de 23% no faturamento para esse ano. E, como todos os anos são registra-

dos crescimento e o lançamento de novos produtos, já há um projeto para ampliação. Além disso, todos os equipamentos contam com alguma inovação tecnológica implantada por Rafael, que é engenheiro. “Dependendo da necessidade que temos para determinado produto, faço adaptações no equipamento para atender nossa demanda”, conta. Com uma mente inovadora e irrequieta, Rafael conta que trabalha cerca de 12 horas por dia e, mesmo quando está descansando, sua cabeça não pára. O Kit Forró, que ven-

dem e são os únicos que produzem, é resultado de uma ideia que teve quando assistia ao programa “Bem Amigos” da Sport TV e tinha um grupo de forró tocando zabumba com uma maçaneta cortada e adaptada com uma meia e uma vareta de goiabeira para reproduzir o som que precisavam. Deste momento de lazer, Rafael teve a ideia de criar o kit que é composto de maçaneta e bacalhau para zabumba. Enviou o kit para o músico que aprovou e o produto passou a fazer parte da linha da Liverpool. 25


entrevista

Um homem incansável À frente da Fecomércio e da empresa, Bruno Breithaupt é exemplo de associativismo e trabalho

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runo Breithaupt, 59 anos, eleito, este ano, presidente da Federação do Comércio de Santa Catarina (Fecomércio) para uma gestão de quatro anos – sendo que já vinha exercendo a função desde o ano passado, quando Antônio Edmundo Pacheco morreu –, é um homem incansável. Além de uma participação forte no associativismo, também trabalhar algo entre 10 e 12 horas por dia como diretor-administrativo e financeiro do Comércio e Indústria Breithaupt S.A. É também conselheiro da Associação Comercial e Industrial de Jaraguá do Sul (ACIJS) e do Hospital e Maternidade Jaraguá do Sul. O currículo justifica a eleição por unanimidade, com o voto dos 15 diretores da Fecomércio: 34 anos de experiência no varejo catarinense e 19 de atuação na federação, somando-se os períodos como conselheiro e segundo vice-presidente. O empresário passou por todas as áreas da empresa familiar, com mais de 80 anos, o que lhe deu uma visão muito boa e facilitou a administração. Soma-se a isso a experiência no associativismo como presidente da Associação Industrial e Comercial, da Câmara de Dirigentes Lojistas, do Sindicato do Comércio Varejista e do Hospital da cidade. Todas essas experiências conferem a Bruno Breithaupt as qualidades necessárias para gerir a Fecomércio, entidade com um orçamento que gira em torno de R$ 200 milhões. 26


Revista Negócios – Qual o maior desafio do senhor como presidente da Federação do Comércio de Santa Catarina? Bruno Breithaupt – Sob o guarda-chuva da Federação, temos o Senac e o Sesc. O objetivo do Senac está relacionado ao treinamento e qualificação da mão de obra para os segmentos de comércio, serviço e turismo. O Sesc está voltado para educação, cultura e lazer. Temos por objetivo fortalecer o papel destas duas instituições que são de suma importância para o trabalhador do comércio. O Senac é necessário como mola propulsora para a qualificação da mão de obra. E o Sesc nas atividades complementares voltadas para educação e saúde. Temos que oferecer um diferencial para que a faculdade do Senac se mantenha no mercado como uma das melhores opções nos cursos oferecidos. RN – No momento, o que de mais relevante está sendo feito em favor dos comerciantes? BB – Estamos privilegiando a instalação de câmaras setoriais. Hoje temos a de Material de Construção, com um ano, e a do Turismo, que tem cerca de três meses. Mas queremos mais câmaras setoriais. Elas são importantes porque reúnem empresários de um mesmo segmento com o objetivo de discutirem problemas comuns e a melhor forma de solucioná-los. A Federação oferece a estrutura e eles aproveitam este espaço para trocarem experiências. RN – As duas câmaras que existem já apresentaram algum resultado? BB – Este é um resultado difícil de ser mensurado. Mas eu diria que já apresentaram resultados, visto que tem ajudado na resolução de problemas inerentes a todos destes dois setores. Elas servem também para motivar os empresários a participarem mais da Federação. É necessária a união do setor e a discussão dos temas ligados ao turismo, bens e serviços, que são os segmentos

que abrangemos. RN – Qual é a realidade orçamentária da Fecomércio? BB – A Fecomércio vive dos empresários do comércio. Temos recolhimento do percentual para o Senac e para o Sesc e o imposto sindical. Além disso, quando sobram vagas nos cursos e atividades tanto do Senac quanto do Sesc abrimos para a comunidade com preços de mercado (comerciários contam com preços especiais). Esses recursos também são da Fecomércio. Tenho sob meu comando uma equipe de 2,7 mil pessoas e um orçamento de aproximadamente R$ 200 milhões, o equivalente à previsão de gastos de um município do tamanho de Palhoça, na Grande Florianópolis. RN – O senhor substituiu Antonio Edmundo Pacheco, que ficou 14 anos à frente da Federação. Qual legado ele deixou para o comércio catarinense? BB – Ele ficou bastante tempo à frente da Federação e imprimiu muitas mudanças, além de ser uma liderança nata. O legado dele foi muita mudança. A Fecomércio, hoje, é uma federação moderna e atual. Eu pretendo manter a mesma linha nos quatro anos de gestão que tenho pela frente. RN – O senhor sente o empresariado do comércio motivado? BB - Nosso trabalho na Federação é de lutar pelos interesses não só dos comerciantes, mas também dos segmentos de bens, serviços e turismo. Sinto que estamos em um momento de economia aquecida e isso, por si só, deixa as pessoas mais motivadas. Há uma previsão otimista de um crescimento de até 7% para a economia Brasileira. Eu acredito que teremos algo perto de 5% no comércio. Porém, precisamos tomar cuidado com esse ‘boom’ de crescimento, visto que para atender a demanda precisamos de mão-de-obra qualificada. Além disso, o mercado muda com muita rapidez. É necessário estar atento as

Em 2011, as coisas serão diferentes de 2010. Teremos um crescimento menor e, com essa pausa, teremos tempo para treinar a mão de obra”

mudanças e as exigências de mercado. RN – O senhor tem como traçar um perfil do consumidor? BB – Hoje vejo um equilíbrio. O consumidor não está voltado para um único segmento, como vimos no ano passado, quando houve redução do IPI e ficou mais fácil adquirir carros e produtos da linha branca. Hoje há interesse no vestuário, no eletrônico, em bens duráveis. Esse equilíbrio é saudável para o comércio. RN – O ano pode ser considerado positivo para o comércio? BB – Com toda certeza. As previsões para este último trimestre são bem positivas. O consumidor está mais confiante, está empregado e vendo a economia aquecida. Isso motiva o consumidor a comprar mais. Com crédito facilitado e segurança de emprego, ele realiza mais sonhos, se sente estimulado a gastar. RN – O senhor citou a necessidade de mão-de-obra qualificada. Temos visto muita reclamação nesse quesito. Como está o comércio? BB – Hoje realmente temos um problema de falta de mão-de-obra qualificada em todos os setores. Com o crescimento do País, mais precisamente da região, as empresas abriram novos postos de trabalho, mas não havia tan27


entrevista

Você tem que servir à empresa e não se servir dela. É necessário disciplina, paciência e muito trabalho. O trabalho em equipe é fundamental”

tas pessoas assim preparadas. E treinar um funcionário leva tempo. Por isso, há tanta reclamação. Há muita demanda para pouca procura pelos cargos que exigem mais qualificação. Em Jaraguá do Sul, temos, pelo menos, 3 mil vagas de empregos em diversas empresas e segmentos. RN – O senhor acredita que o problema irá se agravar? BB – Em 2011 as coisas serão diferentes de 2010. Teremos um crescimento menor e, com essa pausa, teremos tempo para treinar a mão-de-obra. Com isso, acredito que diminuirá o número de

“O mais interessante e saudável para a economia é que a cidade está crescendo como um todo. Não temos um setor específico que está crescendo em detrimento de outro”

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vagas não-preenchidas. Teremos tempo para qualificar os candidatos. Atualmente, temos muitos cursos profissionalizantes gratuitos. Porém, a formação dos candidatos não ocorre na mesma velocidade que a economia cresce e também, em alguns setores, não há interessados. Tivemos o caso de um curso para pedreiros, que oferecemos gratuito em Joinville, e não apareceu um interessado. RN – A falta de mão-de-obra qualificada é um dos indícios de que há crescimento na economia local. Existe um setor específico que está puxando esse crescimento? BB – O mais interessante e saudável para a economia é que a cidade está crescendo como um todo. Não temos um setor específico que está crescendo em detrimento de outro. Todos os segmentos estão aquecidos, contratando e gerando riquezas. Nossas empresas não têm dificuldades de vendas. Temos um parque fabril bastante diversificado. RN – Santa Catarina é um Estado empreendedor por natureza e tem bons exemplos em todos os segmentos. A que o senhor atribui isso? BB – Está no nosso DNA. Isso só comprova a competência dos nossos empresários e a disposição para o em-

preendedorismo. Temos também um modelo de associativismo forte em diversas cidades o que faz com que os jovens empresários tenham muito apoio, através de informações e treinamentos. RN – Jaraguá do Sul é conhecida em todo o Estado pela união dos empresários. É comentário geral, em reuniões de empresários, a força das lideranças de Jaraguá do Sul que buscam, juntas, soluções para a cidade. Isso é cultural? BB - Isso é cultural. É uma cultura que disseminamos dentro do Centro Empresarial de Jaraguá do Sul, que abriga todas as entidades patronais, ACIJS, CDL e Apevi. Os problemas de Jaraguá do Sul são discutidos no centro empresarial com representantes de todos os segmentos. Juntos, buscamos resolução para os problemas da cidade. RN – O senhor vem de uma empresa familiar, com mais de 80 anos de história. Qual o segredo do sucesso de uma empresa familiar ser bem sucedida na transição entre gerações? BB – Eu tenho uma máxima que é a seguinte: você tem que servir à empresa e não se servir dela. É necessário disciplina, paciência e muito trabalho. O trabalho em equipe é fundamental.


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GESTÃO

Do sonho à realidade Casal cria grupo empresarial que se transforma em uma referência de Schroeder Uma professora e um bancário, jovens e com um filho, há 20 anos queriam fazer algo diferente da vida. Escolheram um caminho difícil, de muito trabalho, mas passadas duas décadas, têm certeza que fizeram a coisa certa quando resolveram empreender. Márcia, 45 anos, e Sérgio Pasquali, 47 anos, acreditavam que Schroeder tinha muito a crescer e, por isso, resolveram fundar uma fábrica de tubos de concreto e artefatos de cimento, empreendimento que não existia na cidade. Logo, também começaram a trabalhar com terraplenagem. Os negócios iam bem e, depois de 10 anos de dedicação, resolveram investir também no comércio. Foi quando inauguraram a Santantonio Material de Construção. Mais recentemente, o investimento foi na Selamix, fabricante de impermeabilizantes. Os produtos da Selamix, devido à qualidade, logo se tornaram conhecidos e são vendidos em todo o Brasil. Márcia conta que nem ela nem o marido tinham experiência no ramo de tubos ou de comércio. Porém, tinham muita vontade de aprender, de fazer o negócio dar certo e prosperar. “Trabalhamos arduamente, não tínhamos experiência e fomos aprendendo com os clientes”, conta. Por isso, não tardou para os resultados aparecerem e o casal, conhecedor do mercado, começou a investir em outros nichos em que o município apresentava carência. A loja de departamentos, com material de cons30

Loja de material de construção tem mais de 15 mil itens em duas unidades

trução, utilidades domésticas, acabamentos, entre outros artigos, é a mais completa de Schroeder, com mais de 15 mil itens. Na verdade, atualmente, são duas lojas para atender bem a clientela. A loja sede conta com 840

metros quadrados de área construída e mil metros quadrados de depósito. Márcia explica que na filial, com cerca de 80 metros quadrados, são feitos os pedidos, mas as entregas permanecem com a sede.

Focados no trabalho, foram além do que sonhavam Focado no trabalho, o casal ultrapassou os sonhos. “Queríamos crescer, conquistar nosso lugar no mercado. Mas chegamos além do que sonhávamos”, afirma Márcia. Hoje, os dois filhos se dedicam aos negócios da família. De acordo com a empreendedora, nunca passou pela cabeça deles se dedicar a outro tipo de negócio, visto que desde pequeninos já

tiveram contato com a empresa da família. “Meu filho mais velho, o Luís, adorava brincar no meio dos tubos. Já cresceu talhado para seguir o passo dos pais”, brinca. Hoje, o primogênito é responsável pela empresa de terraplenagem e conta com o auxílio de Dayane Persch. Márcia diz que fazer o negócio prosperar com filhos pequenos só foi


possível porque contou com o apoio da sogra, Alma. Quando era necessário, ela cuidava das crianças para os pais investirem no sonho deles. Além da saudade das crianças, Márcia conta que os primeiros tempos foram bastante difíceis. “No início, trabalhávamos em um galpão alugado e o escritório ficava dentro da fábrica de tubos. A minha mesa para receber clientes era de cimento”, lembra. O marido fabricava as formas e com a ajuda de três funcionários davam conta da produção. “Tínhamos que fazer de tudo na fábrica”, brinca. Hoje eles contam com uns 65 funcionários no grupo. Do galpão alugado, hoje, eles são proprietários de todas as sedes dos empreendimentos da família. Mesmo com os filhos ajudando na administração dos negócios, Márcia diz que nem ela nem o marido pensam em parar de trabalhar. “Quando gostamos do que fazemos, o trabalho jamais representará um fardo”, afirma. Mesmo sendo professora de formação, Márcia diz que se encontrou mesmo foi no comércio.

Grupo empresarial: Santantonio Indústria e Comércio de Materiais de Construção: Rua Marechal Castelo Branco, 4015, Centro, Schroeder Pasquali Terraplenagem e Serviços Ltda.: Rua Jorge Lacerda, 256, Bairro Centro Norte Selamix Impermeabilizantes: Rua Marechal Castelo Branco, 3668, Centro, Schroeder Santantonio Materiais de Construção (loja-sede): Rua Marechal Castelo Branco, 5588, Centro, Schroeder Santantonio Materiais de Construção (filial): Rua Erich Froehner, s/n


Institucional

Entidades comemoram um deputado Campanha de conscientização colaborou com inclusão do Vale na AL, mas ainda há muito a evoluir Com a realização do primeiro turno das eleições 2010, a campanha coordenada pelo Centro Empresarial de Jaraguá do Sul (CEJAS) com a participação das demais entidades do sistema associativista do Vale foi considerada positiva na mobilização por maior representatividade política da região. A avaliação é do presidente da ACIJS, Durval Marcatto Junior, considerando que a eleição de um deputado estadual, alterou a situação anterior de nenhuma representação na Assembleia Legislativa. “É um resultado muito positivo neste sentido, mesmo que a eleição de um deputado ainda não corresponda à representatividade econômica da nossa região. Acreditamos que houve um avanço na medida em que não tínhamos nenhuma representação”. Durval Marcatto entende, por outro lado, que os resultados demonstraram que ainda há um número excessivo de candidatos. “Os partidos precisam se conscientizar desta questão, pois ficou provado mais uma vez que a quantidade de candidaturas inviabiliza os esforços que a comunidade faz por maior representação. Além disso, a diluição de votos favorece aos candidatos de outras regiões que buscaram votos no nosso colégio eleitoral”, comenta o empresário, lembrando o que já havia acontecido nas eleições de 2006. No pleito deste ano também se verificou a dispersão de votos que impediu a eleição de um segundo nome para a Assembleia Legislativa. Por outro lado, o número de votos nulos ou em banco somou mais de 30 mil, prejudicando o coeficiente eleitoral. Na avaliação final, entretanto, Durval Marcatto entende que o trabalho da região deve ser intensificado. “Ficou provado que se atuarmos de maneira integrada seremos mais fortes nas nossas reivindicações. As entidades organizadas e a comunidade em geral deram um exemplo de mobilização que precisa ter continuidade em todas as questões de interesse regional”. 32

“Os partidos precisam se conscientizar, pois ficou provado mais uma vez que a quantidade de candidaturas inviabiliza os esforços que a comunidade faz por maior representação” Durval Marcatto Coordenador da campanha


ACIAG fomenta Missão à China Empresários dos mais diversos ramos se preparam para visitar a maior feira da China: Cantor Fair A Feira, que acontece em Guangzhou, China, tem edição semestral e é dividida em três fases. A primeira fase, que terá participação do grupo de empresários local, acontece de 15 de outubro a 19 de outubro de 2010 e tem como tema a “grande maquinaria e equipamentos”. Essa fase é considerada a mais importante da feira e estarão em exposição uma enorme variedade de produtos chineses no mais diversos ramos da indústria. Na última edição, a Feira atraiu mais de 35 mil expositores Chineses, com mais de 150 mil produtos expostos e compradores vindos de mais de 200 países, com um volume de venda de mais de 45 bilhões de dólares. A estrutura conta com três pavilhões, uma área de total de 950 mil m2 e quase 30 mil estandes. A Feira que se inclina para o comércio de exportação e também para negócios de importação, funciona como um evento global de importância internacional. A viagem com destino a China, composta por vários empresários da cidade (titulada Missão China), inicia no dia 12 de outubro de 2010 e tem como objetivo principal visitar a Maior Feira Multisetorial de toda a Ásia, a Cantor Fair. Desde julho, o grupo vem preparando em conjunto com a ACIAG a visita à Feira. Com o intuito de incentivar a classe empresarial em sua busca de conhecimentos e inovações internacionais, a entidade também disponibilizou ao grupo estrutura para a organização da Missão.

Entidades do Cejas ganham uma Cooperativa de Crédito O CEJAS iniciou em 1º de outubro as operações da cooperativa de crédito própria. Autorizado pelo Banco Central, a CEJASCred atuará no sistema de cooperativa de livre admissão de associados e irá operar em todas as modalidades oferecidas pelo serviço financeiro convencional, utilizando a bandeira do SiCOOB/SC. Segundo o presidente Gentil Luís Marció, a cooperativa passa a oferecer todos os serviços de uma instituição de crédito, como operações em conta corrente, poupança, aplicações, empréstimos, financiamentos e os demais serviços de um banco.

Serviço Maior Feira Multisetorial da Ásia - a Cantor Fair Data: 15 a 19 de outubro de 2010 Local: Guangzhou, China


Institucional

Vale otimista com vendas de Natal Associações empresariais retomam campanhas e distribuem muitos prêmios no fim de ano Para estimular os clientes a comprar na região os presentes de fim de ano, os lojistas de Corupá, Guaramirim, Jaraguá do Sul e Schroeder estão reeditando campanhas de premiação que nos últimos anos têm distribuído premiações e reforçando a importância de valorizar o comércio local. Este ano, as campanhas começaram mais cedo e a expectativa é de superar os resultados. Luciléia Bernardes, coordenadora do Núcleo de Comércio da Associação Empresarial de Schroeder, acredita que as campanhas tornam o segmento mais forte e participativo na economia do município. “É importante mostrar ao nosso cliente que comprando na cidade ele está gerando impostos, ajudando a melhorar na geração de empregos e distribuição de renda”, assinala. Dona de uma loja de calçados e confecções que a família mantém há 25 anos, Luciléia diz que o comércio vem melhorando muito na oferta de produtos e no atendimento. A criação do Núcleo do Comércio, há 4 anos, ajudou na união do setor. “A Associação Empresarial nos dá possibilidades de participarmos de cursos que ajudam a melhorar a gestão. Com treinamento, motivando os nossos funcionários e cuidando do visual das lojas, estamos conseguindo maior fidelização do cliente. Não adianta você ter preço e produto se o atendimento deixar a desejar”, orienta. Para ajudar ainda os lojistas, a ACIAS idealizou a promoção “Compra Feliz”, que teve largada no início de setembro e termina em 15 de janeiro de 2011 com o sorteio de 3 motocicletas, 1 televisor LCD de 32 polegadas e 1 notebook. Conforme 34

Francisco Ricardo Schiochet, executivo da ACIAS, são 33 empresas participantes e a expectativa é de que a campanha cresça até 23% em relação a procura dos clientes pelos 550 mil cupons emitidos. Para concorrer

aos prêmios o cliente recebe 1 cupom para cada R$ 30,00 em compras. O investimento é de R$ 50 mil, e além dos recursos da entidade a iniciativa conta com o apoio da Prefeitura e da rede de supermercados Rancho Bom.


Meta é crescer 50% Mário Fischer, atuando há 11 anos no segmento de tintas, também aposta nas campanhas para atrair clientes para as lojas que mantém em Guaramirim e Jaraguá do Sul. “No ano passado, ficamos surpresos com o resultado da campanha e para 2010 estamos esperando que as vendas cresçam pelo menos 50%. É um projeto de muita qualidade que só traz benefícios ao comércio”, elogia. A Associação Empresarial de Guaramirim dá início à promoção em 6 de outubro, mas a procura pelos cupons já é intensa. O sorteio vai acontecer no dia 24 de dezembro, véspera de Natal, e a premiação inclui 1 automóvel Fiat Uno, 1 certificado de barras de ouro no valor de R$ 1.500,00 e 67 bicicletas (uma para cada loja participante), além de 1 viagem com acompanhante e estadia por 7 dias a Porto Seguro, na Bahia, ao vendedor do cupom premiado com o primeiro prêmio. A ACIAG investe cerca de R$ 42 mil em prêmios, com meta de superar em 79 dias de promoção 350 mil cupons emitidos até a data de sorteio. A expectativa é de que o movimento de fim de ano chegue a 10% em relação ao ano passado, índice que está dentro da previsão do setor em todo o Estado.”É algo bom para o comércio porque atrai o cliente para que ele venha às lojas da sua cidade”, completa Márcio Fischer.

Corupá sorteia carro e bicicletas

Em Corupá, a campanha “Natal Premiado” também começou em setembro e prossegue até 23 de dezembro, envolvendo 56 estabelecimentos comerciais que vão premiar clientes com 1 Fiat Uno e 56 bicicletas. O investimento é de R$ 40 mil e a meta é a mesma das cidades vizinhas, ou seja, fixar na comunidade a preferência pelo comércio local. “Uma campanha de premiação sempre aquece o comércio, principalmente em uma época tradicional como é o Natal. Mas queremos é sensibilizar os corupaenses de que temos ótimas opções e que valorizando as empresas da região estamos estimulando um crescimento na região”, afirma o executivo Jean Carlo Chilomer. Em Jaraguá do Sul, a campanha “Sonho de Natal” promovida pela Câmara de Dirigentes Lojistas vai dar R$ 100 mil em prêmios, incluindo 2 automóveis (1 Ford Fiat Linea e 1 Ford K), 5 televisores LCD de 32 polegadas e 35 vale-compras de R$ 500,00. A distribuição de cupons começa no dia 8 de novembro e o sorteio da premiação ocorre em 24 de dezembro. A cada R$ 40,00 em compras o cliente terá direito a 1 cupom. Para motivar ainda mais o cliente, a CDL investe na decoração natalina em ruas e áreas públicas, e incentiva os lojistas a capricharem no visual de vitrines. Junto com a Fundação Cultural de Jaraguá, a entidade participa de programação especial que começará no dia 16 de novembro com uma caminhada da igreja Matriz até o calçadão, onde o papai-noel será recepcionado e a iluminação de época será ativada.

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acontece

ACIJS ACIAS Reunião de Diretoria Data: 1/11, 18h30min Reunião Núcleo de Recursos Hum anos Data: 7/11 Reunião Núcleo do Comércio Data: 9/11, 19h30min Teatro Treinamento - Seu Chico Data: 9/11 Reunião de Diretoria (Plenária) Data: 15/11, 19h30min Reunião Núcleo de Jovens Emp resários Data: 16/11 Reunião Núcleo do Comércio Data: 23/11, 19h30min

Reunião Plenária Data: todas as segundas-feiras Programa “Treinamento e desenvolvimento – RH” Data: 19 a 22/10 Palestra “Custos e controles de gestão empresarial pelo método UP” Data: 27/10 Curso “Gestão de custos e formação do preço de venda” Data: 29 e 30/10 Curso “Memorização” Data: 8 a 10/11 Curso “Operacional de exportação” Data: 10 e 19/11 Custo “Gestão por processos” Data: 16 a 19/11

Reunião Núcleo de Jovens Emp resários Data: 26/11

Curso “Formação de auditores líderes SGQ ISO 9001: 2008” Data: 22 a 26/11

Reunião de Diretoria Data: 29/11, 19h30min

Curso “Planejamento econômico-financeiro” Data: 22 a 24/11 Curso “Marketing pessoal e etiqueta profissional” Data: 24 a 26/11 Palestra “Visão estratégica: a orientação para o sucesso do seu negócio” Data: 24/11

ACIAC Capacitação: Qualidade no Atendimento Data: de 18 a 22/10, 19h15min às 22h15min Evento em comemoração aos 25 anos da ACIAC Data: 26/10 Reunião do Núcleo de Meio Ambiente Data: 27/10

Reunião Plenária Data: todas as segundas-feiras

Palestra para Mulheres Data: a definir (em novembro)

Consultoria BRDE Data: 14/10, 10/11 e 08/12

Sábado Especial Data: 6/11, 8h às 16h

Promoção Sábado Aberto Data: 09/10 e 06/11

Reunião do Núcleo de Meio Ambiente Data: 10/11, 16h

endo com Curso “Como vender mais e melhor - Cresc sucesso” Data: 18 a 21/10

Reunião do Núcleo do Comércio Data: 16/11, 8h Abertura do Projeto Natal Iluminado de Corupá 2010 Data: 19/11, 20h Início do Concurso de Decoração Natalina 2010 Data: 19/11, 20h

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ACIAG

des Reunião Núcleo das Empresas de Contabilida 27/10 e 13/10 Data: 13 e 17/10 de Reunião Núcleo das Imobiliárias e Corretores Imóveis Data: 14/10 e 28/10


ponto de vista

O talento faz a diferença

A

lvin Toffler, o mundialmente conhecido consultor de corporações, lançou na década de 1980, sua celebre obra, intitulada de “A Terceira Onda”, discorrendo sobre as distintas fases vividas pela humanidade, ao longo de sua história. Para o autor, o palco da denominada Primeira Onda, também conhecida como “Era da Agricultura” se estendeu pelo menos por 5 mil anos; sua identidade estando alicerçada nas lides da terra onde emanava o poder e a supremacia de uma pessoa sobre outra e de grupos humanos sobre outros humanos, berço das civilizações antigas, como a egípcia, a grega e a romana. Já, com o advento da máquina a vapor, na virada de página do Século 18 para o Século 19, eis que surge a “Segunda Onda”, comumente conhecida como “Era Industrial”, então, grandes contingentes de campesinos, enrolando seus poucos pertences e abandonando o trabalho duro da roça, literalmente, se enfornarem em fábricas insalubres, vendendo a preço vil sua força de trabalho, propiciando o aceleramento do desenvolvimento econômico de nações que passaram a ditar suas regras que resultou no desenfreado mundo consumista da atualidade, nele, o ser humano sendo considerado não mais do que um mero recurso a ser explorado e descartado tal qual máquina inservível que vira sucata. Na visão de Toffler, o surgimento da Terceira Onda, denominada por ele de “Era da Informação” e recentemente rebatizada de “Era do Ser”, surgida no final da primeira metade do Século 20, com a invenção do computador em 1945 por Neumann que acabou amplificando seus megabytes sociológicos com a revolução hippie 38

dos anos 60. Talvez, você se pergunte: - O que isso tem haver com talento ou recurso, não é? Então, vamos lá. O fato é que a “Era da Informação” tem propiciado um desenvolvimento tão acelerado do mundo que a própria humanidade, simplesmente, começa a se perguntar: - Afinal, o que queremos? Para onde estamos indo? Que sentido tem tudo isso, se apenas somos reduzidos a meros recursos e não talentos? Analisando sob esta ótica, podemos compreender que o ser humano tem tudo e não tem nada, pois, essa corrida desenfreada pelo ter, deixa adormecido o desejo de ser, que é o que todas as pessoas aspiram para suas vidas. Neste aspecto, nossa argumentação prende-se ao fato de que como o ser humano é um talento a ser potencializado, cabe às organizações investirem na capacitação adequada tanto dos talentos já existentes nas organizações, quanto também na geração de oportunidade aos talentos novos que forem surgindo. Assim, compreendendo o sentido das três grandes ondas da civilização humana, especialmente, da Terceira Onda, a chamada “Era do Ser” entenderemos que qualquer pessoa, na incessante busca de realização profissional, deseja um ambiente acolhedor onde possa trabalhar; ali expressando seu sentimento de pertença, primeiramente, “tendo parte” qual seja, estar inserido na organização onde atua e não um mero recurso a ser explorado e

depois descartado; em segundo lugar, “tomando parte”, qual seja, considerando-se um membro ativo que sugere, discute, aprova, desaprova, colabora, colocando a alma no que faz e, finalmente, “sendo parte”, ou seja, obtendo reconhecimento pelo que faz, razão que faz dele um talento a ser desenvolvido e lapidado e não um mero recurso que, repentinamente, pode acabar sendo descartado, por não mais atender aos interesses de uma economia consumista e predadora.

Francisco Herbert Schork Diretor da Schork Talentos Humanos Pedagogo e pós-graduado em Gestão de Pessoas Consultor Organizacional e Palestrante



Revista Negócios - Ed. 08