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Adventista.

Exemplar Avulso: R$ 3,15 – Assinatura: R$ 37,80

Revista

Julho • 2012

Deus me

ajudou a perdoar

Relato pessoal da única sobrevivente da tragédia que vitimou uma família missionária

6

Mensagem relevante

Ranieri Sales fala sobre a missão de pastorear jovens da era pós-moderna

16

Método incomparável

As parábolas representam um terço dos ensinos de Jesus nos evangelhos sinóticos

21

Por um mundo melhor

Igreja promove ações contra o cigarro e em favor da natureza


Editorial

Rubens Lessa

Daniel Oliveira

Empecilhos Deus quer remover o entulho que impede a obra de reavivamento e reforma

Rubens Lessa é editor da Revista Adventista. rubens.lessa@ cpb.com.br 2

A

estrada da vida cristã expõe os caminhantes a vários desafios: sofrimento, desprezo, renúncia e sacrif ício. Diante desses obstáculos, muitas pessoas desistem da caminhada, ao passo que a Bíblia descreve essas dificuldades como fatores de crescimento: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança” (Tg 1:2, 3, NVI). Por outro lado, há empecilhos que devem ser removidos o quanto antes, sob pena de continuar comprometida “a maior e mais urgente de todas as nossas necessidades”: reavivamento da verdadeira piedade (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 121). Após a assembleia de Atlanta, realizada em julho de 2010, os líderes adventistas começaram a falar sobre a necessidade de reavivamento e reforma. Essa iniciativa foi vista como “uma luz no fim do túnel”. Mas, decorridos quase dois anos, o cenário espiritual da igreja parece não ter mudado muito. Mesmo assim, há sinais de que uma parcela de líderes e membros da igreja está buscando o poder do alto. Isso é motivo de alegria. Contudo, precisamos estar atentos à seguinte advertência de Ellen G. White: “Não há coisa alguma que Satanás tema tanto como que o povo de Deus desimpeça o caminho mediante a remoção do obstáculo, de modo que o Senhor possa derramar Seu Espírito sobre uma igreja debilitada e uma congregação impenitente” (ibid., p. 124). Temos ainda muitos obstáculos a vencer, os quais fazem com que a maioria dos professos seguidores de Cristo continue como “ossos secos” (Ez 37) no vale laodiceano. É constrangedor escrever sobre esse tema, mas o senso do dever fala mais alto. 1. Divisões – “Divisões, e até amargas dissensões que infelicitariam qualquer comunidade mundana, são comuns nas igrejas, porque há pouco esforço para controlar os sentimentos errôneos e reprimir toda palavra de que Satanás se possa aproveitar” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 123). Alguém poderia dizer: “Ellen G. White descreve aqui uma situação que não mais existe.” Mas o que ela diria sobre a condição da igreja hoje?

Revista Adventista I julho • 2012

2. Orgulho – Santo Agostinho disse: “O orgulho não é grandeza, mas inchaço. O que está inchado parece grande, mas não tem saúde.” Quem se orgulha de talentos, cargos e posições não pode receber o Espírito Santo. Diz a Bíblia: “Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos” (Rm 12:16, NVI). Certa vez, Ellen G. White exclamou: “Ai, que orgulho prevalece na igreja, que hipocrisia, que engano, que amor ao vestuário, à frivolidade e ao divertimento, que desejo de supremacia!” (Ibid., p. 125). 3. Poder – Um dos grandes obstáculos à recepção do poder divino é o apego ao poder humano. Lamentavelmente, o Espírito Santo tem esbarrado nessa muralha. Os que gostam de mandar não estão capacitados para amar. Com muita propriedade, alguém afirmou: “Quanto mais mandamos, menos amamos; quanto mais amamos, menos mandamos.” A igreja não é lugar para pessoas mandonas, mas para servos abnegados. É perigoso exercer poder sem o poder celestial. 4. Mundanismo – Por falta de entrega total ao poder do Espírito Santo, está-se desenvolvendo entre nós uma geração “papel-carbono”: tudo se copia. Muitos incorporam os costumes do mundo na música, no vestuário, no estilo de vida. Às vezes, não se vê nenhuma distinção, porque a linha divisória se perde na mistura. Ellen White pergunta: “Ó meus irmãos, vocês entristecerão o Espírito Santo e darão lugar a que Ele Se afaste? Deixarão fora o bendito Salvador, por não estarem preparados para Sua presença?” (Ibid., p. 126). Algumas vezes, os quatro empecilhos mencionados acima ficam ocultos sob um falso manto de piedade! Diante desse cenário, procuremos um lugar à parte e abramos o coração a Deus. Peçamos a Ele que remova de nossa vida o orgulho, a ambição de poder, a discórdia e o mundanismo. Não nos contentemos com a religião do faz-de-conta. Permitamos que o Espírito Santo realize uma obra extraordinária em nossa vida. “A reforma não trará o bom fruto da justiça a menos que seja ligada com o reavivamento do Espírito” (p. 128). Não permitamos que a chama da espiritualidade se apague. Pela graça de Deus, saiamos das cinzas do indiferentismo a fim de brilhar por Jesus no lar, na igreja e na comunidade!


O Leitor Opina

Nº 1250

Julho, 2012

Ano 107

www.revistaadventista.com.br

Pu­bli­ca­ção Men­sal – ISSN 1981-1462 Órgão Ge­ral da Igre­ja Ad­ven­tis­ta do Sé­ti­mo Dia no Bra­sil. De­di­ca­do à Pro­cla­ma­ção da “Fé que uma vez foi en­tre­gue aos san­tos”. “Aqui está a pa­ciên­cia dos san­tos: Aqui es­tão os que guar­dam os man­da­men­tos de Deus e a fé de Je­sus.” Apoc. 14:12. E­di­tor Ru­bens S. Les­sa E­di­to­res As­so­cia­dos Paulo Roberto Pinheiro, Marcos De Benedicto, Sueli Oliveira, Francisco Lemos, Zinaldo Santos, Ivacy F. Oliveira, Michelson Borges, Diogo Cavalcanti, Neila D. Oliveira, Guilherme Silva, André Oliveira Santos, Márcio Nastrini, Nerivan Silva, Wendel Lima, Adriana Teixeira e Alex Machado. Co­la­bo­ra­do­res Ted Wilson, Erton Köhler, Magdiel Pérez, Marlon Lopes, Edson Rosa, Domingos José de Souza, Geovani Souto Queiroz, Gilmar Zahn, Helder Roger Cavalcante Silva, Leonino Santiago, Marlinton Lopes e Maurício Lima. Projeto Gráfico Levi Gruber Foto da Capa Karen Savignon

Segundo o dicionário Web, artista é a pessoa “que exerce uma das belas artes; que exerce um of ício com gosto; que interpreta uma obra musical, teatral, cinematográfica, coreográfica; artificioso, manhoso”. A palavra artista está relacionada ao termo “hypócritan”, que significa mostrar aos outros uma pessoa que você não é; convencer os outros por intermédio de gestos, ações e palavras não verdadeiros. Apropriadamente o pastor Erton escreveu na “Mensagem Pastoral” da RA (maio): “Ainda somos uma igreja que vê a música como um meio de adoração e transmissão da mensagem divina e, por isso, não buscamos referências seculares para inspirar aquilo que é sagrado.” Paulo Roberto dos Santos Hortolândia, SP

CA­SA PU­BLI­CA­DO­RA BRA­SI­LEI­RA Edi­to­ra dos Adventistas do Sétimo Dia Ro­do­via Es­ta­dual SP 127 – km 106 Cai­xa Pos­tal 34; CEP 18270-970 – Ta­tuí, São Paulo Fone (15) 3205-8800 – Fax (15) 3205-8900 Serviço de Atendimento ao Cliente Ligue Grátis: 0800 9790606 Segunda a quinta, das 8h às 20h Sexta, das 7h30 às 15h45 / Domingo, das 8h30 às 14h. Diretor Ge­ral José Carlos de Lima Diretor Financeiro Edson Erthal de Medeiros Re­da­tor-Che­fe Ru­bens S. Les­sa Ge­ren­te de Produção Reisner Martins Ge­ren­te de Ven­das João Vicente Pereyra Chefe de Ex­pe­di­ção Eduardo G. da Luz Chefe de Arte Marcelo de Souza

Na minha opinião, os cantores de nossa igreja não devem ser chamados de “artistas” porque o foco deles tem que estar no ministério e não na venda de discos. Antônio de Souza Mattos Alto Jequitibá, MG

Cartas Joias

Parabéns pelo excelente artigo “O valor simbólico das joias” (RA-junho), escrito por Vanderlei Dorneles. De

maneira clara e objetiva, o texto aborda os pontos principais de motivação para o não uso de joias em nossa igreja. Artigos como esse são muito importantes para que tenhamos subsídios (referências bíblicas, informações) no momento de testemunhar e dar orientações sobre esse assunto tão delicado. Oscar M. Varas São Caetano do Sul, SP

Entrevista

Muito oportuna e esclarecedora a entrevista realizada com o pastor Amin Rodor, na Revista Adventista de junho. Adquiri o livro O Incomparável Jesus Cristo, da autoria do pastor Rodor, o qual foi editado pela Unaspress. Excluindo a Bíblia Sagrada e o Espírito de Profecia, para mim, até o momento, não existe obra mais significativa em língua portuguesa que aborde com coerência bíblica a questão da natureza de Cristo e suas consequências para a justificação e santificação pela fé. João Antônio de Almeida (Jama) Tatuí, SP

Revista Adventista

É dif ícil expressar quanto me sinto feliz e abençoado por ser assinante da Revista Adventista há mais de seis anos! Cada vez que alguém é batizado em minha igreja, indico a RA para esse novo irmão. Aproveito para contar a ele como a revista me ajudou no início da minha vida cristã e continua me ajudando até hoje.

8 Deus me ajudou a perdoar

Jovem brasileira mostra como conseguiu perdoar o assassino de sua família. Melissa Otoni de Paiva

E­xem­plar Avul­so: R$ 3,15. Assinatura: R$ 37,80.

12 Gotas ou chuva torrencial?

A igreja precisa da chuva serôdia para finalizar a obra de pregação do evangelho. Luís Alexandre Aliboni

Nú­me­ros atra­sa­dos: Pre­ço da úl­ti­ma edi­ção. A Edi­to­ra só se res­pon­sa­bi­li­za pe­las as­si­na­tu­ras an­ga­ria­das por re­pre­sen­tan­tes do SELS – Ser­vi­ço Edu­ca­cio­nal Lar e Saú­de. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem prévia autorização escrita do autor e da Editora. 5843/26719

Pregar e viver

Louvado seja Deus por usar Seus servos escolhidos para nos exortar com mensagens como a do artigo “Pregar e Viver” (RA-maio). Dany Casale Jaú, SP

Parabenizo o pastor Erton Köhler pela mensagem pastoral da RA de maio, “Pregar e viver”. Precisamos de mais pastores com coragem para falar o que nós não queremos ouvir. Precisamos de pastores que digam o que é lícito e o que não é. Precisamos de pastores que não deixem o relativismo tomar conta de sua congregação. Janete Viana Ribeirão Preto, SP

Excelente a Mensagem Pastoral intitulada “Pregar e Viver” (RA‑ maio). O texto demonstra a visão correta de um líder que está preocupado não somente em evangelizar multidões, mas, acima de tudo, em elevar o nível espiritual do rebanho, metas que constituem a missão da Igreja, responsável pela manutenção inalterável dos oráculos eternos de Deus. Também merece referência o inspirado Editorial de Rubens Lessa, “A força da coerência”, publicado na mesma edição. Destaco a seguinte frase: “Algumas pessoas abandonam a igreja não por causa de verdades ditas, mas por causa de verdades não vividas.” Edio Oliveira por e-mail

Rodrigo Nogueira Xapuri, AC

Escreva para: Revista Adventista “O Leitor Opina”: Caixa Postal 34 18270-970 – Tatuí, SP, ou redcpb@cpb.com.br As cartas publicadas não representam necessariamente o pensamento da Revista.

As no­tí­cias para a re­vis­ta do mês se­guin­te de­vem es­tar na Re­da­ção até o dia 10. Não se de­vol­vem ori­gi­nais, mes­mo não pu­bli­ca­dos.

Ti­ra­gem: 20.500

Os cantores de nossa igreja devem ser chamados de artistas?

16 Método incomparável

Seis regras básicas para a interpretação das parábolas de Jesus.

20 Travesseiro de pedra

Fábio dos Santos

Dê sua opinião: De que modo o estrelismo se apresenta em nosso meio?

Seções 2 Editorial 3 O Leitor Opina / Cartas 4 Mensagem Pastoral 6 Entrevista 15 Boa Pergunta 18 Espaço Jovem 21 Notícias 38 Reflexões Em agosto •R  eserva perigosa

Em todas as circunstâncias, o Senhor está perto de Seus filhos. Josimar Rios Oliveira

•O  culto paralelo de Mitras

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Mensagem Pastoral

Reavivados por Sua Palavra Esse projeto é um chamado para buscarmos “as coisas do alto”

Erton KÖhler é presidente da Divisão Sul-Americana. 4

N

o dia 17 de abril deste ano, a igreja mundial lançou o projeto “Reavivados por Sua Palavra”. O movimento é destinado a unir toda a família adventista ao redor da leitura da Bíblia. As estatísticas estimam que há cerca de 17 milhões de membros em 204 países. Você já imaginou todos lendo um mesmo capítulo da Bíblia por dia, até a conclusão do projeto no dia 2 de julho de 2015, na abertura da próxima assembleia da Associação Geral, em San Antonio, nos Estados Unidos? Participei do lançamento do projeto lendo parte do primeiro capítulo de Gênesis, junto com os presidentes das outras Divisões da igreja no mundo. A partir daí, começou uma jornada que tem reunido mais participantes a cada dia. Para mim, pessoalmente, tem sido uma experiência extremamente gratificante e quero convidar você a fazer o mesmo. Aproveite a primeira hora do dia, quando você vai à presença de Deus. Estou certo de que Ele o despertará “todas as manhãs“ (Is 50:4), assim como fez com Isaías. Você vai estar unido à família adventista, certo de que, no mesmo dia, milhares ou milhões de pessoas estarão sendo abençoadas pelo mesmo texto bíblico. Vai acontecer o que foi dito por D. Pedro II, um dos imperadores brasileiros: “Eu amo a Bíblia, leio-a todos os dias e, quanto mais a leio tanto mais a amo.” Ellen G. White viveu essa experiência enriquecedora, que ela descreveu da seguinte maneira: “Sei em minha experiência diária que o Espírito Santo está presente quando leio Sua Palavra, implantando a verdade no coração, para que possa ser expressa a outros na vida e no caráter. O Espírito de Deus toma a verdade da página sagrada, onde Ele mesmo a colocou, e a imprime na alma. Que santa alegria, que esperança e consolo podem pertencer-nos para serem transmitidos a outros!” (Este Dia Com Deus [MM, 1980], p. 344). O lançamento desse projeto é um chamado para buscar as “coisas do alto” (Cl 3:1, 2). Ao mesmo tempo, tem por objetivo fortalecer a experiência de reavivamento e reforma de cada membro da igreja. Não existe nova vida com Deus sem forte relação com Sua Palavra. George Miller afirmou: “O vigor

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de nossa vida espiritual está na proporção exata do lugar que a Bíblia ocupa em nossa vida e em nossos pensamentos. Faço esta declaração com base na experiência de cinquenta e quatro anos.” Além de ser o primeiro passo para qualquer movimento de reavivamento, a Palavra de Deus também aponta claramente o caminho para a reforma e oferece o poder para que isso aconteça. Ao mesmo tempo, “Reavivados por Sua Palavra” é um movimento que une a igreja ao redor do mesmo propósito, apesar de tão dividida por países, idiomas, etnias e culturas. A unidade da igreja é prérequisito para o derramamento do Espírito Santo por meio da chuva serôdia. Esse sentimento de unidade ao redor da Bíblia tem sido reforçado cada dia através das redes sociais na internet. Muitos dos que estão participando leem o texto bíblico e compartilham as impressões no Twitter. Através de uma mensagem com apenas 140 caracteres, pode-se oferecer uma riqueza de lições e comentários sobre o capítulo do dia. Se você já está no Twitter, pode acompanhar os comentários pela tag #rpsp. Se ainda não conhece essa realidade, experimente-a. Todos os dias faço comentários no meu Twitter pessoal: @prertonkohler e repasso comentários de outros que estão envolvidos na mesma jornada. Para mim, a leitura da Bíblia está sendo enriquecida pelo fato de saber que estamos juntos cada dia, a cada passo, compartilhando pontos de vista e lições especiais. Você pode conhecer mais sobre o projeto, incluindo vídeos no site www.reavivamentoereforma. com, mantido pela igreja em português e www.reavivamientoyreforma.com, em espanhol. No dia 16 de julho, vamos começar a leitura do livro de Levítico e o vídeo especial estará disponível. Quero convidar você a fazer parte desse grande movimento. A exemplo de Maria, escolha a “boa parte” (Lc 10:42) cada dia. Com certeza, você vai ser fortalecido na Palavra, porque “Deus não despede ninguém vazio, exceto aqueles que estão cheios de si mesmo” (Dwight Moody). Não se esqueça de que “por trás de toda apostasia existe a história de uma Bíblia abandonada” (ibid.) “Enquanto outros livros informam e poucos reformam, só este [a Bíblia] transforma” (A. T. Pierson).

Ansel Oliver

Erton Köhler


Ministério Jovem

7-14 de julho

Semana de Oração JA Direto da igreja de São Caetano, com o Pr. Ivan Saraiva, na TV Novo Tempo. Participe desse programa espiritual! E no dia 14, participe do Projeto Vida por Vidas. Venha doar sangue, plaquetas ou medula óssea e salvar outras vidas.

Publicações

28 de julho

Dia do Colportor Existem pessoas habilitadas para diferentes ministérios, conforme os dons do Espírito distribuídos na comunidade de fé. Um dos ministérios mais desafiadores, mas, de grande importância, é a Colportagem Evangelística. Portanto, valorize e reconheça os Ministros da Página Impressa que celebram, nesse sábado, o dia do colportor-evangelista. Eles impactam vidas e fincam a bandeira do evangelho em lugares ainda não alcançados.

MARQUE NA SUA AGENDA Evangelismo somente pela web, de 22-29 de setembro. Pregações do Pr. Luís Gonçalves.

Evangelismo via satélite e web, de 17-24 de novembro. Prepare a sua igreja e os Pequenos Grupos para o evangelismo com Pr. Alejandro Bullón. Transmissão ao vivo, via satélite e pela internet.

Comunicação

PAC.COM A comunicação vai além das palavras escritas, faladas ou gestos. Entenda o conceito de comunicação e como a sociedade hoje lida com os meios e o próprio ato de se comunicar. Participe do Programa Adventista de Capacitação em Comunicação.

Divulgação Divulgue nosso site de Evangelismo: www.esperanca.com.br Notícias oficiais da Igreja Adventista do Sétimo Dia: www.portaladventista.org As notícias da Agência Adventista Sul-Americana (ASN) também estão disponíveis no: Youtube, você pode assistir aos vídeos gravados semanalmente pelo endereço www.youtube.com/videosasn Facebook, clique no botão curtir e veja as notícias on-line em sua página pessoal www.facebook.com/agenciaasn Twitter, siga o perfil www.twitter.com/iasd iTunes, em http://itunes.apple.com/ar/podcast/asn-tv/id455724708 Agosto 4 25

Dia de Ação Solidária e Serviço à Comunidade – ADRA Projeto “Quebrando o Silêncio” – Ministério da Mulher


Entrevista por Alex Machado

Jovens pós-modernos: desafios e oportunidades

Nascido em Catende, pequena cidade do interior de Pernambuco, o pastor Ranieri Barreto Sales é o décimo filho de uma família humilde, de origem católica. Aos seis anos de idade, mudou-se para um bairro na periferia do ABC Paulista, município de Mauá, onde teve sua formação básica em uma escola pública. No início da adolescência, começou a estudar música através de programas da prefeitura de Mauá e, posteriormente, na Escola Municipal de Música de São Paulo. Além de violonista clássico e clarinetista, ele é bacharel e mestre em Teologia. Casado com Mara Núbia Sales, professora universitária no Unasp-EC, tem dois filhos: Rennan (16) e Renata (10). O pastor Ranieri Sales possui inúmeras experiências ministeriais. Atuou como pastor em quatro distritos em São Paulo e Curitiba (1992-1998); foi diretor de jovens na Associação Sul-Riograndense (1998-1999) e na União Norte Brasileira (1999-2001), onde também trabalhou como diretor de Ministério Pessoal e Escola Sabatina (2001-2003). Entre 2003 e 2005, foi presidente da Associação Amazônia Ocidental, abrangendo os estados de Rondônia e Acre. Em 2005, na Assembleia da Associação Geral em Saint Louis (EUA), foi eleito secretário ministerial associado da Divisão Sul-Americana, função que ocupou por quatro anos. Em 2009, foi chamado para atuar como professor de Teologia e, no ano seguinte, como pastor 6

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da igreja do Unasp, em Engenheiro Coelho, SP.

Ranieri Barreto Sales

Revista Adventista: Como líder espiritual de milhares de jovens, quais são seus maiores desafios? Ranieri Sales: Nossa igre-

ja tem algumas características singulares. A principal delas, certamente, é a predominância de jovens universitários. Mas temos também uma grande comunidade de famílias de obreiros e de pastores jubilados, além das famílias de estudantes que vêm de todas as partes do país e de outros países. Essa heterogeneidade é desafiadora em vários sentidos, principalmente para a pregação. É necessário que o alimento espiritual seja relevante para todas essas classes de pessoas, e isso impõe um desafio ao pastor da igreja. Outra característica da igreja é que quase todos os membros moram nas proximidades, além dos quase 1.400 alunos do internato. Isso coloca o pastor em contato estreito e constante com a comunidade.

Em sua opinião, quais são as principais características do jovem pósmoderno?

A mente pós-moderna tem uma estrutura de pensamento e comportamento diferente da mente das gerações anteriores. O relativismo e a subjetividade do pensamento pós-moderno rejeitam conceitos e verdades absolutos e questionam toda forma de autoridade. Mas isso não deve ser visto apenas de maneira negativa. Os jovens pós-modernos gostam de ações altruístas e

defendem os direitos das minorias; portanto, são sensíveis às necessidades humanas. Eles suspeitam das grandes “verdades religiosas”, mas valorizam a espiritualidade e estão sempre com a mente aberta para novas experiências. Estão constantemente buscando pertencer a um grupo de relacionamentos, ainda que sejam virtuais. Uma vez alcançados pelo Evangelho, essa forma de pensar e agir pode levá-los a uma vida religiosa autêntica, cheia de significado e dedicada ao testemunho missionário. Infelizmente, muitos pastores e líderes da igreja se deixam levar pelo preconceito a tudo o que se denomina pós-moderno. Assim, ficam cegos às grandes oportunidades que existem para engajar nossos jovens na missão

Leandro Franco

Líder da maior igreja adventista da América do Sul realça a importância de uma igreja relevante para nossos jovens


da igreja com metodologias e estratégias que tenham o perfil deles. Para atrair o jovem pós-moderno, a igreja deve baixar suas normas?

A igreja nunca deve nem necessita baixar suas normas. O que a igreja precisa é ser relevante. Precisamos usar o “idioma” das pessoas a quem queremos alcançar com nossa mensagem e abordá-las no terreno delas. Desse modo, teremos possibilidade de influenciá-las com a Palavra de Deus e levá-las a se entregar à guia do Espírito Santo. Na prática, o que significa uma igreja relevante para os jovens?

Uma igreja relevante para os jovens é aquela que possui, entre outras, duas características indispensáveis. Em primeiro lugar, demonstra interesse e trata com seriedade as inquietações da juventude. Eles têm perguntas sobre questões afetivas, familiares, acadêmicas, religiosas, sociais, etc. A igreja precisa estar familiarizada com essas questões e encontrar a linguagem adequada para ser ouvida por eles. Em segundo lugar, o jovem precisa encontrar na igreja a motivação e a orientação necessárias para se envolver na missão. Isso não significa simplesmente dar cargos ou ocupações nas atividades da igreja, mas ajudá-lo a entender seu papel de representante de Cristo e equipá-lo para testemunhar. Uma igreja assim será relevante e atrativa para os jovens. Como pastor e músico, de que modo o senhor avalia as tendências atuais na música adventista?

Creio que precisamos fazer um esforço constante para preservar a igreja do mundanismo. Essa é uma batalha sem tréguas. E não é só na área da música, mas em todos os aspectos da vida cristã: vestuário, estilo de vida, política, entretenimentos, etc. Com relação à música na igreja, precisamos distinguir o que é mundano daquilo que simplesmente é novo. Não podemos rejeitar novos estilos de louvor musical com base apenas no gosto pessoal. Por outro lado, é muito preocupante a

indiferença com que muitos lidam com essa importante questão. A difícil tarefa consiste em assumir uma postura de equilíbrio cristão entre os princípios revelados acerca da música e a necessidade de permitir que a igreja seja, de fato, um lugar atraente e desejável para nossos jovens. Não é fácil encontrar tal equilíbrio. Recentemente, o senhor lançou um DVD com temas evangelísticos, cuja abordagem é bastante diferenciada. Conte-nos sobre esse projeto.

O DVD Paz Real contém uma série de dez temas bíblicos com participação musical de cantores consagrados de nossa igreja. O projeto foi iniciativa do empresário adventista Willians Mischur, de Cuiabá. Ele patrocinou toda a produção, motivado pela necessidade de termos um material atrativo às pessoas não religiosas e preconceituosas em relação à igreja e à Bíblia. Portanto, os temas são abordados numa linguagem aberta e sem proselitismo. Somos muito gratos a Deus porque temos acompanhado inúmeros projetos evangelísticos pelo Brasil, e em diversos outros países, tendo como material de apoio nosso DVD. A divulgação é feita pelo site www.pazonline.com.

Pesquisas revelam que os jovens adventistas estão se casando com mais idade e, consequentemente, o namoro tende a ser mais longo. Nesse contexto, como ajudá-los a lidar com a sexualidade?

Em primeiro lugar está a educação na família. O jovem que cresce numa família cristã equilibrada, onde os relacionamentos são repletos de amor, carinho, disciplina e consagração a Deus, terá toda a estrutura emocional e espiritual para entender e viver o ideal de Deus para a sexualidade humana. Em segundo lugar, a igreja precisa oferecer orientação clara sobre o assunto e definir seus posicionamentos de forma positiva. Ou seja, em lugar de ameaçar os transgressores com condenação e discriminação, deve proporcionar momentos de interação saudável entre ambos os sexos e enfatizar as

bênçãos reservadas àqueles que se enquadram no plano de Deus. É claro que o cuidado com os “alimentos da mente” é outro fator determinante para a conduta sexual dos jovens. Boa leitura, bons filmes e entretenimentos saudáveis irão contribuir grandemente nesse aspecto. Por fim, e mais importante de tudo, uma vida devocional intensa é a fonte de poder para resistir à onda de permissividade que nos rodeia e à inclinação humana para o pecado. As redes sociais fazem parte do cotidiano de inúmeros jovens adventistas. Como o senhor vê esse tipo de relacionamento virtual?

Bem, esse não é um assunto para ser discutido na base do “é certo ou errado”. A tecnologia e a internet entraram definitivamente na rotina dessa geração. Precisamos estar conscientes das circunstâncias perigosas criadas pelos relacionamentos virtuais, especialmente para crianças e jovens, mas também das oportunidades que oferecem. As redes são um canal muito eficiente de contato e interação com a juventude. Dou aconselhamento pastoral diariamente no Facebook e uso o Twitter para divulgar os temas das minhas pregações. E percebo que os jovens reagem muito positivamente a isso. O internato adventista ainda é um ambiente seguro para nossos jovens?

Sim, o internato é o melhor lugar para o jovem cristão. Isso não significa que seja livre de problemas. Mas é um lugar de muitas oportunidades. Aqui os jovens têm acesso a um ambiente social seleto, à prática de esportes, ao desenvolvimento artístico, à interação cristã com o sexo oposto, além de muita motivação para seu crescimento espiritual. Ao longo do ano, paralelamente às atividades acadêmicas, a escola promove semanas de reavivamento espiritual, simpósios com temáticas relevantes para a juventude e outras atividades religiosas, sociais e culturais. Revista Adventista I julho • 2012

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Matéria de capa

Melissa Otoni de Paiva

Relato pessoal da única sobrevivente da tragédia que vitimou uma família missionária

o momento em que pisamos na ilha, ficamos apaixonados por ela. As pessoas eram muito gentis, amorosas e receptivas. Meus pais, meu irmão Larisson e eu fomos recebidos com tradicionais colares de flores, de cheiro suave e adocicado. Nossa nova casa se localizava em um belo cenário, com vista para a floresta tropical e o oceano. Meu pai seria o novo pastor do distrito. Minha mãe se tornaria professora em nossa escola. Tínhamos muitos sonhos para os seis anos que pretendíamos passar em Palau.

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Revista Adventista I julho • 2012

Karen Savignon / www.karensavignon.com/blog

N

Deus


Um ano e meio depois, na noite de 21 de dezembro de 2003, havíamos passado momentos agradáveis em família, em atividades recreativas, conversando, cantando hinos cristãos até que fomos dormir. Minha outra lembrança daquela noite é ter sido acordada às três horas da madrugada por um barulho diferente. Logo vi um estranho dentro de casa. Meus pais e meu irmão estavam estendidos no chão. É quase impossível descrever os pensamentos e sentimentos que tomaram conta de mim naquela noite! Eu não conseguia sentir o chão sob meus pés, mas uma coisa eu senti: braços fortes me amparando. Tudo aconteceu rapidamente. Passadas 24 horas, esse estranho me deixou em uma estrada desconhecida, pensando que eu estivesse morta. Por um milagre, depois de algumas horas, fui capaz de me levantar e acenar para um carro. No veículo, estava um casal muito simpático, mas não tenho ideia de quem eram eles. Continuo acreditando que eram anjos. Ninguém passaria por aquela estrada deserta, especialmente àquela hora da manhã. Eles me levaram para o hospital, onde recebi cuidados de médicos e enfermeiras. Ali, fui vigiada por agentes do FBI (agência policial norte-americana em nível federal). A República de Palau é um pequeno país Recebi muitas visitas de membros da igreja, de amigos e até mesmo do embaixador norte-americano. Mas o que mais me deu força, insular da Micronésia, no Oceano Pacífico. naquele momento tão confuso, foi quando meus avós entraram em meu quarto. Nós nos abraçamos demoradamente. Isso foi como uma brisa refrescante durante o momento mais duro de minha vida. Aquele foi um Natal muito diferente, mas eu ainda podia sentir a alegria daquele período festivo por meio do amor daqueles que me cercavam.

me ajudou a

perdoar

Imagens: Fotolia

Superação – Algumas vezes, olho para

o passado e penso: “Passei realmente por isso?” Em muitas ocasiões, penso como se nada tivesse acontecido. Vejo isso como se Deus tivesse coberto meus olhos enquanto me carregava em Seus braços, de modo que não tenho que me lembrar continuamente do trauma pelo qual tive que passar, nem senti-lo com tanta intensidade. Hoje estou viva para dizer que Deus me salvou de maneira miraculosa, a qual nem mesmo consigo tentar explicar.

Não tenho nenhuma explicação humana para o motivo pelo qual não fui assassinada naquele dia. Creio apenas que Deus tinha planos diferentes para minha vida, e Seu propósito para mim na Terra ainda não se completou. O processo de cura se deu por meio de muitas lágrimas e orações. Certamente, isso não acontece da mesma forma com todas as pessoas e não há como fixar um prazo para que ele ocorra. Costuma-se dizer que o tempo cura as feridas. De fato, isso é verdade.

Mas quando colocamos nossa situação nas mãos de Deus, o tempo passa mais rapidamente. É muito importante que não permaneçamos prostrados, mas que nos levantemos. O fato de estar envolvida com estudos, música e com a igreja me ajudou muito a proteger minha mente de coisas negativas. Por meio do tempo dedicado à devoção pessoal, fui habilitada a desenvolver melhor relacionamento com Deus e lidar mais rapidamente com minha dor. Revista Adventista I julho • 2012

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Perdão – Creio que a cura e o perdão

Numerosas oportunidades surgiram, as altos do que os seus caminhos, e os Meus caminham de mãos dadas. Quando quais não existiriam se as coisas não tipensamentos, mais altos do que os seus você perdoa, a cura vem logo em sepensamentos” (Is 55:8, 9, NVI). vessem acontecido como aconteceram. guida. Aprendi que perdoar não signi“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Sefica necessariamente esquecer. Perdoanhor Jesus Cristo, Pai das misericórConfiança renovada – Não precimos e continuamos nos lembrando do dias e Deus de toda consolação, que samos de respostas para perguntas no que ocorreu, mas não mantemos mais nos consola em todas as nossas tribuestilo “por quê?”, “quando?” ou “como?”. nada contra a pessoa que nos feriu. Cerlações, para que, com a consolação que Devemos apenas confiar na direção tamente, não é possível perdoar alguém recebemos de Deus, possamos consodivina. se você não pedir a Deus que coloque o lar os que estão passando por tribulaAo compartilhar minha história, perdão dentro de você. O perdão não ções” (2Co 1:3, 4, NVI). meu objetivo não é dar apenas uma iné algo que ajuda apenas a pessoa perNunca poderemos dizer a alguém: formação ou obter reconhecimento. “Sei exatamente o que você está pasdoada. Também é algo que faz bem a Compartilho minha história para torsando.” Não temos essa capacidade. quem perdoa. Literalmente, é como nar conhecido o que Deus fez por mim, se você tirasse um fardo dos ombros. de maneira que outros possam ver Seu Toda pessoa tem uma experiência dipoder e Sua glória de um ponto de vista Como pecadores, não somos inclinados ferente e uma história particular. Apesar disso, creio que podemos confortar a perdoar, especialmente em situações diferente. Garanto a você que aquilo que como essa. Mas Deus é especialista em pessoas que tiveram experiências semeEle fez por mim também pode fazer por lidar com nossas emoções e pode mulhantes às nossas. você. Podemos estar certos de que “os dar os sentimentos ruins, se você perAntes de deixar Palau, eu disse às pesnossos sofrimentos atuais não podem mitir que Ele trabalhe em você. soas que poderia voltar algum dia como ser comparados com a glória que em nós Nas muitas conversas maravilhosas missionária. Não sei quais são os plaserá revelada” (Rm 8:18, NVI). que tive com minha avó, ela me relemnos de Deus para mim, porém sei que MELISSA Otoni DE PAIVA é estudante brou o grande conflito entre o bem e o Ele diz o seguinte em Sua palavra: “Os de Enfermagem na Universidade mal, dizendo que Satanás usou aquele Meus pensamentos não são os pensaAdventista Southwestern. Seu relato mentos de vocês, nem os seus camiindivíduo para praticar aqueles atos. foi originalmente publicado na Record Ela me ajudou a relembrar a oração de nhos são os Meus caminhos”, declara o Magazine, em março de 2012. Cristo, enquanto era pregado na cruz: Senhor. “Assim como os céus são mais al“Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que tos do que a Terra, estão fazendo” (Lc 23:34, NVI). O assastambém os Meus sino estava sob forte influência de Sacaminhos são mais tanás. Ninguém em seu perfeito juízo poderia cometer um ato tão cruel. Sendo que Cristo ofeDa perda receu o perdão enquanto morao perdão ria na cruz, por que eu não faria No dia 21 de dezembro de o mesmo? E sendo que Deus me 2003, o pastor adventista brasiperdoa, por que eu não podeleiro Ruimar Duarte de Paiva, de ria perdoar outro pecador como 42 anos, sua esposa Margareth eu? O julgamento do assassino Otoni de Paiva, de 37, e o filho Larisson, 11, foram assaltados não está sob minha responsae mortos em sua própria casa, bilidade. Isso compete a Deus. perto da sede da Missão da IgreEle vai acertar o que precisa ser ja Adventista em Babelthaup, acertado. Palau. A única sobrevivente da Estou aprendendo que o perfamília foi a filha do casal, Medão não é humano. É um atrilissa, com 10 anos, na ocasião. O pastor Ruimar havia atuado por vários anos no território da União Central-Brasileira. Depois disso, buto divino. Por isso, ele só pode cursou mestrado e doutorado na Universidade Andrews, nos Estados Unidos. De lá, foi servir como misvir do alto. sionário em Palau, na Micronésia, onde estava havia 17 meses como pastor da Igreja Adventista de Koror. Olhando para trás, posso ver A família foi assassinada por Justin Hirosi, de 43 anos, que admitiu à polícia ter cometido o crime sob que meus pais e meu irmão realiefeito de drogas. Hirosi invadiu a casa dos Paiva para roubar uma TV e um videocassete, matando os três zaram em sua morte muito mais a pauladas. O funeral aconteceu no dia 28 de dezembro e uniu duas mães na dor e em oração. Durante a do que fizeram em vida, e muitas cerimônia fúnebre, a mãe do pastor Ruimar, Ruth de Paiva, surpreendeu as mais de 400 pessoas presentes, ao oferecer perdão ao criminoso e pedir à mãe dele para se unir a ela em oração. bênçãos surgiram do que deveSegundo o presidente da República de Palau, Tommy Zemengesau, que assistiu à cerimônia fúnebre, a ria ter sido o fim de tudo. Pescapacidade da Sra. Paiva de perdoar permitiu à nação inteira começar um “processo de cura”. “A atitude soalmente, aprendi a ser uma dessa mãe ajudou muitas pessoas a olhar além da tragédia e ver que podemos nos perdoar e viver junpessoa mais forte, e meu relatos”, disse o presidente ao jornal Pacific Daily News. – Da Redação cionamento com Deus floresceu. 10

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Reavivamento

Luís Alexandre Aliboni

Gotas ou chuva torrencial?

A chuva serôdia cairá sobre os que se submeterem sem reserva de domínio ao poder do Espírito Santo

Promessa do Consolador – Após

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mado a respeito daquele evento. Mas a causa da tristeza consistiu no fato de que já era o terceiro dia e aparentemente nada havia acontecido, mesmo com o testemunho das mulheres diante do túmulo vazio. Nesse contexto, Jesus Se deu a conhecer. A alegria voltou a pairar na vida dos discípulos de maneira extraordinária. Cristo Se apresentou aos discípulos, relembrou-lhes por meio do Antigo Testamento o que estava escrito a Seu respeito e deu uma ordem explícita: “Eis que envio sobre vós a promessa de Meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24:49). De maneira mais explícita, Lucas apresenta, em seu segundo livro, a mesma ideia: “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra” (At 1:8). Por duas vezes, Lucas revelou o Espírito Santo como o poder de Deus, bem como a necessidade de o crente ser revestido por Ele.

Grandes feitos – A partir do capítulo dois, o livro de Atos apresenta

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esus havia ressuscitado. Vazio estava o túmulo. Dois homens testemunharam dizendo: “Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda convosco na Galileia, quando disse: Importa que o Filho do homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia” (Lc 24:5-7). Mas nem todos os Seus seguidores presenciaram o glorioso momento. Dois deles estavam a caminho de Emaús, tristes, abatidos. Jesus Se aproximou deles, os quais não O reconheceram, e perguntou: “Que é isso que vos preocupa?” (Lc 24:17). Uma resposta um tanto irônica saiu dos lábios de Cleopas: “És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias?” (Lc 24:18). A crucifixão de Jesus foi um assunto importante, pois desencadeou eventos incomuns: sinais no céu, ressurreição de mortos, tremor de terra. Seria impossível alguém, em Jerusalém, estar desinfor-

a Ceia, Jesus Se dirigiu ao Jardim do Getsêmani, a fim de orar. Durante a caminhada, revelou aos discípulos que Ele devia morrer, mas essa morte não seria uma separação eterna entre Ele e Seus amigos. Seria temporária (Jo 14:1-3), pois prometera voltar. Essa mensagem devia ser proclamada ao mundo. Mas nunca seria proclamada se essa iniciativa dependesse da força e da vontade humanas. Por isso, Jesus apresentou o novo companheiro de jornada dos discípulos (e não apenas deles), que foi chamado de Consolador, Espírito da Verdade, Espírito Santo. Sua função seria diferente da função de Jesus. O Espírito Santo viria para capacitar o ser humano a crer em Jesus. Deveria convencer o ser humano de seu pecado, da necessidade de arrependimento e da proposta salvífica de Jesus. Provavelmente, os discípulos não tivessem entendido isso de imediato. Jesus morreu. Os discípulos ficaram com medo. Mesmo após a ressurreição, dúvidas vieram à mente deles, pois o Mestre não havia restaurado o reino a Israel. Enfim, Jesus subiu ao Céu. Os discípulos voltaram para casa, onde desejaram estar preparados para receber a promessa do poder do alto. “Esses dias de preparo foram de profundo exame de coração. Os discípulos sentiram sua necessidade espiritual e suplicaram do Senhor a santa unção que os devia capacitar para o trabalho de salvar pessoas.”1


maravilhosos feitos dos discípulos: curas, pregações, conversões. Fala de três mil conversos num só dia e de cinco mil conversos. Depois, não fala mais em números: “Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2:47). Pedro pregou com intrepidez e citou o livro de Joel como se cumprindo naquele momento. Ele disse: “O que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel” (At 2:16), o qual afirma que haveria uma demonstração maravilhosa do poder de Deus (2:23, 28-32). O nome Joel provavelmente signifique “Yahweh é Deus”. Não se sabe muita coisa a respeito do autor, a não ser que ele é filho de Petuel. A evidência interna do livro não nos mostra nada a respeito da data de sua profecia, mas apresenta duas partes proféticas: a invasão de gafanhotos e a promessa da restauração por meio da graça divina.2 Ele recebeu a incumbência de chamar o povo de volta à adoração do Deus verdadeiro, à preocupação com o grande e terrível Dia do Senhor.3 O texto citado por Pedro no dia de Pentecostes está no capítulo dois de Joel. Últimos dias – Pedro citou o derra-

mamento do Espírito Santo em seus dias como sendo os últimos dias, mas Joel não usou a expressão “últimos dias”. O que Pedro pode estar sugerindo com esse acréscimo inspirado? Justo González afirma: “É dito que a profecia se refere aos ‘últimos dias’, à vinda do reino de Deus. Isso é de importância fundamental para o entendimento não só do discurso de Pedro, mas de todo o livro de Atos. O que aconteceu lá é que o reino de Deus é dinâmico. Estamos ‘nos últimos dias’, independentemente de quão longos esses últimos dias sejam. [...] O fato é que, com a morte e a ressurreição de Jesus e com o dom do Espírito Santo, o reino de Deus foi inaugurado. Agora, falta o cumprimento final, quando os ‘últimos dias’ terminarem.”4 Portanto, inspirado pelo Espírito Santo, Pedro afirmou que os últimos dias haviam se iniciado e que todos os ouvintes deveriam “arrepender-se e converter-se” (At 2:38). Era um chamado ao reavivamento e à reforma: o início do processo. Citando Joel, Pedro enfatizou que todos seriam capacitados para receber o poder do alto. No contexto de Atos, pode-se notar que a mensagem

alcançou seu objetivo, pois “os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas” (At 2:41). Pedro citou a mesma palavra de Joel ao se referir ao poder do Espírito Santo: derramar. No contexto de Joel 2, o derramamento do Espírito Santo está associado ao derramamento de duas chuvas que ele chama de temporã e serôdia (Jl 2:23). Que chuvas seriam essas? Duas chuvas – A palavra chuva em

Joel é o termo hebraico geshem, que frequentemente denota um “banho violento”, indicando chuva torrencial.5 Joel cita dois geshem: temporã e serôdia. A primeira ocorria nos meses de março e abril, chamada de primeiras chuvas, que molhavam a terra para o plantio (semeadura). A segunda ocorria nos meses de outubro e novembro, chamada de últimas chuvas, sem as quais as safras não seriam produtivas.6 Embora Pedro tenha mencionado que os “últimos dias” estavam começando, o Pentecostes simbolizava a chuva temporã, a primeira e poderosa chuva, a grande manifestação do Espírito Santo, iniciando a obra da Igreja.7 Afirma Ellen White que “o derramamento do Espírito nos dias dos apóstolos foi o começo da primeira chuva – a temporã –, e glorioso foi o resultado.”8 Mas quando deveria ser derramada a chuva serôdia, para a colheita? De acordo com Joel, alguns eventos aconteceriam no período das chuvas: O Sol se converteria em trevas, a Lua em sangue, haveria prodígios no céu e na Terra (Jl 2:30-31). O livro do Apocalipse (6:12-14) faz coro com o profeta Joel quanto aos sinais no céu e na terra e a história cita alguns eventos que estão de acordo com o que a profecia descreve. A pergunta é: Quando aconteceriam esses sinais? Uma poderosa evidência do livro de Joel diz que seria antes de se “invocar o nome do Senhor e receber a salvação” (Jl 2:32). Salvação – Quando acontecerá a sal-

vação? Estamos salvos ou seremos salvos? Como entender isso? Precisamos entender esse aspecto antes de voltarmos ao assunto da chuva serôdia. É fato que Jesus veio buscar e salvar o que estava perdido (Lc 19:10) e que aquele que crê em Jesus “não entra em juízo, mas

passou da morte para a vida” (Jo 5:24). Nesse contexto, a salvação já aconteceu. Mas, então, por que os pecadores que amam a Jesus continuam vivendo nesse mundo tenebroso? Porque Jesus foi preparar um lugar para Seus filhos e depois disso voltará. Nesse sentido, a salvação ainda não aconteceu, embora Seus filhos já estejam salvos. É um paradoxo real. O arrependido e convertido está salvo, mas a salvação ainda não se concretizou, pois Cristo ainda não retornou. De qual momento Joel estava falando? De estar salvo (pela justificação em Cristo no momento da aceitação) ou de ainda não estar salvo pelo fato de Cristo não ter voltado? A evidência do texto diz que a salvação ocorreria pela invocação do nome do Senhor após os prodígios no céu e na terra. Quais são esses sinais? Sinais – Analisando Joel à luz do Apo-

calipse, entendemos que o grande sinal na Terra foi o terremoto de Lisboa, ocorrido no dia 1º de novembro de 1755. Há relatos de que o terror foi indescritível e que as pessoas corriam por toda parte exclamando: “Misericórdia! É o fim do mundo.”9 Depois deveriam vir os sinais no céu, a saber, no Sol e na Lua. Está relatado que “foi precisamente a 19 de maio de 1780 que ocorreu o sobrenatural escurecimento do Sol, apenas sete anos depois da cessação da perseguição contra os santos. As narrativas que chegaram até nós sobre o grande escurecimento são perfeitamente comprobatórias da profecia. O continente americano foi o primeiro a ser envolto pelas densas e estranhas trevas, pois que se manifestaram nos Estados Unidos, desde as dez e meia da manhã até ao pôr do sol”.10 Sobre a Lua tornar-se em sangue é dito: “Foi também este o grande vaticínio do profeta Joel ao se referir à grande escuridão. Todos os entendidos sabem que a Lua é um satélite da Terra e que sua luz é a própria luz solar refletida. Na ocasião do escurecimento do Sol, a luz que este apresentava na ocasião era a única que a Lua podia refletir, a cor escura do sangue, o que mais uma vez confirma plenamente a cor do saco de cilício manifesta pelo sol.”11 Portanto, os sinais na Terra e no céu são datados a partir de 1755. Partindo Revista Adventista I julho • 2012

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desse princípio, pode-se entender que o contexto de salvação em Joel 2 não se refere à salvação por ocasião da aceitação da graça de Jesus (embora aquele que aceita a salvação na graça de Jesus passa a invocar Seu nome), mas a salvação oferecida pouco antes da vinda de Jesus. Logo, a última e poderosa chuva, a serôdia, seria derramada antes da vinda de Jesus para que Seu povo pudesse invocar Seu nome e receber a salvação prometida. Ellen White escreveu: “Esta obra será semelhante à do dia de Pentecostes. Assim como a chuva temporã foi dada no derramamento do Espírito Santo no início do evangelho, para efetuar a germinação da preciosa semente, a chuva serôdia será dada em seu encerramento para o amadurecimento da seara. [...] A grande obra do evangelho não deverá terminar com menor manifestação do poder de Deus do que a que assinalou seu início. As profecias que se cumpriram no derramamento da chuva temporã no início do evangelho, devem novamente cumprir-se na chuva serôdia, no término desse.”12 Necessidade de poder – Se houve

necessidade do poder do Espírito Santo no início da obra, também haverá a mesma necessidade no fim da obra da pregação do evangelho, após os sinais no céu e na Terra. Por que a igreja precisa da chuva serôdia para finalizar a obra e qual é a relação dessa chuva com o reavivamento e a reforma? A respeito da necessidade da chuva serôdia, Ellen G. White diz: “A menos que se arrependa e se converta a igreja que agora está a levedar-se com sua apostasia, comerá do fruto de seus próprios atos, até que aborreça a si mesma. Quando resistir ao mal e escolher o bem, quando buscar a Deus com toda humildade e alcançar sua alta vocação em Cristo, permanecendo na plataforma da verdade eterna, e pela fé lançando mão dos dons que para ela se acham preparados, então será curada. Aparecerá então na simplicidade e pureza que Deus lhe deu, separada de embaraços terrenos, mostrando que a verdade com efeito a libertou. Então, seus membros serão na verdade os escolhidos de Deus, os Seus representantes.”13 Nesse contexto, percebemos que a igreja que deveria ser a luz do mundo 14

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e anunciar a salvação a todas as nações nem sequer tem a salvação para si. Essa situação pode e deve ser analisada a luz de Apocalipse 3:14-22, no último período profético da igreja, antes da vinda de Jesus: Laodiceia. O termo Laodiceia é uma união de dois termos gregos – laós, povo, e díkaios, justo, derivado de dikaiosúne, justiça.14 O nome Laodiceia simboliza o último período profético da igreja, antes da vinda de Jesus e antes de Ele fazer justiça aos moradores da Terra. Da mornidão para o despertamento – Como está simbolizado o

povo da igreja de Laodiceia? Morno, a ponto de ser vomitado da boca do Senhor, infeliz, miserável, pobre, cego, nu. Em suma, uma verdadeira calamidade espiritual! Mas é nesse período que terminará a história da humanidade pecaminosa, com a vinda de Jesus. Como mudar esse quadro? Por meio do derramamento da chuva serôdia. Chegou o tempo para a realização de uma grande obra de reavivamento e reforma. “Quando essa reforma começar, o espírito de oração atuará em cada crente e banirá da igreja o espírito de discórdia e luta. Os que não têm estado a viver em comunhão cristã se aproximarão uns aos outros em união. Um membro que trabalhe de maneira devida levará outros membros a se unirem a eles em súplica pela revelação do Espírito Santo. Não haverá confusão, pois todos estarão em harmonia com o Espírito. As barreiras que separam um crente de outro serão derribadas e os servos de Deus falarão as mesmas coisas. O Senhor cooperará com Seus servos. Todos orarão com entendimento a prece que Cristo ensinou aos Seus servos: ‘Venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no Céu’ (Mt 6:10)”.15 Entende-se, portanto que a situação atual da igreja está fora dos padrões descritos pela Palavra de Deus e que há uma necessidade de reforma urgente, a mesma reforma pela qual os discípulos passaram nos dias de Pentecostes. Naturalmente, a reforma está intimamente ligada ao reavivamento. Basta olhar para os discípulos mais uma vez. Nada puderam fazer antes da chuva temporã. Mas, depois, batizaram três mil, logo cinco mil e logo perderam a conta, sem mencionar os poderosos milagres e curas

que realizavam. Ellen G. White escreveu: “Os servos de Deus, com o rosto iluminado e a resplandecer de santa consagração, se apressarão de um lugar para outro para proclamar a mensagem do Céu. Por milhares de vozes em toda a extensão da Terra, será dada a advertência. Serão realizados prodígios, os doentes serão curados, e sinais e maravilhas seguirão os crentes.”16 Isso vai acontecer quando a igreja experimentar a realidade de um poderoso reavivamento e completa reforma. Essa tarefa é urgente, pois “caso a cortina pudesse ser erguida, caso vocês pudessem discernir os propósitos de Deus e os juízos que estão para se abater sobre o mundo condenado, caso pudessem ver sua própria atitude, temeriam e temeriam por si mesmos e por seus semelhantes. Fervorosas orações e angústia de coração quebrantado se elevariam ao Céu. Vocês chorariam entre o alpendre e o altar, confessando sua cegueira e rebeldia espirituais”.17 A conclusão a que chegamos está bem definidada nas palavras do apóstolo Paulo: “Digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a vossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Rm 13:11-14, NVI). LUíS ALEXANDRE ALIBONI é pastor do distrito de Lins, SP. Referências 1. Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 37. 2. Seventh-day Adventist Bible Commentary, v. 4, p. 937. 3. Warren W. Wiersbe, Comentário Bíblico Expositivo, v. 4, p. 414. 4. Justo L. González, Atos – O Evangelho do Espírito Santo, p. 60. 5. Seventh-day Adventist Bible Commentary, v. 4, p. 945. 6. Wiersbe, p. 418 (cf. Nichol, 945-946). Ambas as obras afirmam que a chuva serôdia era para o momento da colheita. 7. Seventh-day Adventist Bible Commentary, v. 4, 945. 8. Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 54, 55. 9. A. S. Mello, A Verdade Sobre as Profecias do Apocalipse, p. 165. 10. Ibid., p. 166-167. 11. Ibid., p. 168. 12. Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 611, 612. 13. Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 3, p. 254. 14. Pedro Apolinário, Grego, p. 325, 330. 15. J. D. Douglas, O Novo Dicionário da Bíblia, p. 907, 908. 16. Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 3, p. 254, 255. 17. Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 612. 18. Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 3, p. 15.


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Quem incitou Davi a realizar o censo: Deus ou Satanás?

Poderiam me explicar as informações contidas em 2 Samuel 24:1 e 1 Crônicas 21:1? Afinal, foi Deus ou Satanás quem incitou Davi a ordenar a realização do censo em Israel? – A. P. G.

À primeira vista, as informações contidas nesses dois textos são contraditórias. Em 2 Samuel 24:1, afirma-se que “tornou a ira do Senhor a acender-se contra os israelitas, e Ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá”; já em 1 Crônicas 21:1, a informação é de que “Satanás se levantou contra Israel e incitou Davi a levantar o censo de Israel”. Uma vez que a Bíblia é fruto do Espírito Santo e não pode se contradizer, como, então, entender esses dois textos bíblicos? Para responder a essa questão, devemos recorrer à própria Bíblia e atentar para outros textos bíblicos que contêm informações aparentemente incoerentes e até contraditórias. De início, podemos afirmar que os textos de 2 Samuel e de 1 Crônicas não são contraditórios, mas dois aspectos de um mesmo relato. Na verdade, foi Satanás (cf. 1Cr 21:1) quem incitou o rei Davi a realizar o censo de seus soldados (para saber quão numeroso e forte era seu exército), com o claro objetivo de levar esse rei ao pecado do orgulho, o pecado original, que fizera com que Lúcifer se tornasse um diabo. Por isso, entendemos, então, que não foi Deus quem incitou Davi a realizar esse censo, pois seria inimaginável a Divindade incitar alguém ao pecado. Mas, como explicar o outro verso (2Sm 24:1), que diz que Deus incitou Davi a levantar o censo? Deve-se entender que, na Bíblia, encontramos a ideia de que aquilo que Deus não evita, mas permite acontecer, é como se Ele causasse. Ou seja, Ele acaba sendo responsabilizado por aquilo que deixa acontecer. Eis alguns exemplos: 1. O endurecimento do coração de Faraó: “Disse o Senhor a Moisés: Quando voltares ao Egito, vê que faças diante de Faraó todos os milagres que te hei posto na mão; mas Eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo” (Êx 4:21). Na verdade, não foi Deus quem, arbitrariamente, endureceu o coração daquele monarca egípcio, e sim ele mesmo se endureceu, como mostrado em Êxodo 8:32, na praga dos piolhos: “Mas ainda esta vez endureceu Faraó o coração e não deixou ir o povo”. O ocorrido foi que, tendo Deus permitido que o Faraó continuasse de coração endurecido, era como se Deus mesmo tivesse endurecido o coração daquele monarca.

2. Saul e o “espírito maligno da parte do Senhor”: “Tendo-se retirado de Saul o Espírito do Senhor, da parte deste um espírito maligno o atormentava” (1Sm 16:14). À primeira vista, parece que o texto está dizendo que Deus teria algum tipo de sociedade com o maligno, chegando a enviar um espírito mau para atormentar aquele rei israelita. Aqui, a ideia é a mesma: Visto que Deus havia retirado Sua proteção do rei Saul e permitido que o diabo tivesse livre acesso à vida daquele rei, então é como se Deus tivesse enviado aquele demônio para atormentar Saul. Na verdade, foi Saul mesmo, por sua atitude de rebeldia contra as ordens divinas (cf. 1Sm 15:22, 23), quem convidara o demônio a lhe controlar a vida. 3. Deus como Aquele que “cria” o bem e o mal: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; Eu, o Senhor, faço todas essas coisas” (Is 45:7). A dificuldade nesse texto é a expressão “crio o mal”. Como Deus pode criar o mal, sendo Ele santo? Devemos atentar para o fato de que esse texto está inserido no contexto da tomada de Babilônia pelo rei Ciro e a consequente libertação dos cativos judeus que ali residiam (ver caps. 40:1 – 52:12). Assim, para os babilônios, Deus “criaria as trevas e o mal”, ou seja, permitiria que fossem derrotados por Ciro (fato acontecido em 539 a.C.); e, para os judeus, Deus “criaria a luz e a paz”, isto é, através do mesmo Ciro, Deus os libertaria do cativeiro babilônico (fato acontecido em 537 a.C., ano em que Ciro decretou a volta dos cativos judeus à Palestina). Assim, voltando ao censo de Davi e seu orgulho, podemos tirar desse fato pelo menos quatro lições: (1) Pelo poder de Deus, devemos lutar contra o orgulho, pois foi através dessa atitude que o pecado entrou no Universo; (2) Há perdão para o pecado, desde que haja arrependimento e confissão, como ocorreu com Davi (cf. 1Cr 21:17); (3) Deus nos perdoa os pecados, mas não nos livra de suas consequências: Davi teve que escolher um entre três castigos propostos por Deus, e escolheu a peste (cf. 1Cr 21:11-14); (4) O pecado que cometemos não é algo que afeta somente a nós. Outros podem sofrer por causa dele, como foi o caso daqueles 70 mil israelitas que perderam a vida devido à peste escolhida por Davi (1Cr 21:14). Peçamos a Deus um coração humilde, que nos leve a dar a Ele o crédito por tudo o que temos e somos. Se quisermos nos gloriar, que seja na cruz de Cristo (Gl 6:14), através da qual obtemos a salvação e todas as demais bênçãos. – Por Ozeas C. Moura, doutor em Teologia Bíblica e coordenador do curso de Teologia do Unasp, Campus Engenheiro Coelho, SP. E-mail: ozeas.moura@unasp.edu.br Revista Adventista I julho • 2012

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ENSINO

Fábio dos Santos

Método incomparável O uso de parábolas é o meio mais eficaz de ensinar verdades bíblicas

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m Seus ensinos, Jesus demonstrou ser o Mestre por excelência. Seu conhecimento e sabedoria causaram admiração aos leigos e educadores daquele tempo. Sua metodologia de ensino era inigualável. Alguns de Seus ensinos mais sublimes foram expressos em linguagem figurativa, como as parábolas. “Ele não poderia haver usado método de ensino mais eficaz.”1 A reação dos ouvintes foi: “Jamais alguém falou como este homem” (Jo 7:46). Um exame minucioso desses ensinos é significativo pelo fato de que um terço de tudo que Jesus ministrou nos evangelhos sinóticos se apresenta em forma de parábolas.2 O evangelista Marcos comprovou esse fato quando escreveu: “Com muitas parábolas semelhantes [Jesus] lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes. E sem parábolas não lhes falava” (Mc 4:33-34). O que é uma parábola? – O conceito po-

Jo Card

pular de parábola é um tipo de figura de linguagem em que se fazem comparações. No Antigo Testamento, o termo utilizado em hebraico é marshal, também usado para designar provérbio ou enigma.3 No Novo testamento, o termo é parabole e “vem do grego para (“ao lado” ou “junto a”) e ballein (“lançar”). Assim, a história é lançada com a verdade para ilustrá-la.4 “No âmago do significado de parabole e marshal está a ideia de uma comparação entre duas coisas diferentes. A realidade de nosso mundo é posta em contato com um mundo narrativo da parábola para alguma comparação que produza uma nova compreensão.”5

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As parábolas de Cristo se relacionam com outras figuras de linguagem. As “similitudes” falam de costumes no tempo presente, fazendo uma comparação entre dois elementos e usam geralmente expressões como “assim como”, “tal qual”, “tal como”. Pedro usou uma símile quando escreveu: “Toda humanidade é como a relva” (1Pe 1:24, NVI). Já as parábolas falam de determinado momento do passado (“o semeador saiu a semear”, Mt 13:3). Também são perceptíveis as alegorias. “É uma figura de linguagem, mais especificamente de uso retórico, que produz a virtualização do significado, ou seja, sua expressão transmite um ou mais sentidos que o da simples compreensão ao literal.”6 Enquanto a parábola consiste num acontecimento factível, a alegoria pode ser tanto factível como fictícia. “Olhando para todas as parábolas que Jesus contou e as situações diversas em que Ele as proferiu, é razoável afirmar que Ele usou uma variedade de parábolas, algumas das quais eram meros símiles que não precisavam muito de alguma explicação (todos compreendiam imediatamente seu propósito), e outras que poderiam ser descritas como metáforas ou como de natureza alegórica e precisando de explicação.” 7 Por que Jesus falou por parábolas? – Assim como a Divindade foi revelada

por meio de Sua humanidade, ao usar os elementos da natureza em Suas parábolas, Jesus forneceu um veículo poderoso para a compreensão das verdades espirituais. “Tão ampla era a visão que Cristo tinha da verdade, e tão extensos os Seus ensinamentos, que cada aspecto da natureza foi utilizado para ilustrar verdades.”8 Ensinava com autoridade, uma vez que toda a criação era obra de Suas mãos. “O desconhecido era ilustrado pelo conhecido; verdades divinas [...] com as quais o povo estava mais familiarizado.”9 Mais tarde, quando os ouvintes se deparavam com os objetos ilustrados, os ensinos de Jesus vinham à mente deles.

Não eram simples ilustrações como as que estamos acostumados a ouvir num sermão. A parábola envolvia as pessoas em um nível muito profundo de reflexão. Eram tão penetrantes que produziam efeitos diversos. Enquanto uns entregavam o coração instantaneamente a Cristo, outros procuravam matá-Lo. “Ele lhes respondeu: A vós outros vos é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas, para que, vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles” (Mc 4:11, 12). Percebe-se que o propósito das parábolas de Jesus era multifacetado. Ele as usava para revelar verdades e, ao mesmo tempo, para esconder derminadas coisas. Como “a multidão não julgava as parábolas, eram as parábolas que julgavam as pessoas”,10 ao ouvinte interessado e sincero era revelado aquilo que anteriormente estava oculto: o mistério do reino de Deus. Esse grupo sentia o desejo de ganhar a salvação enquanto o ouvinte desinteressado ouvia a parábola, mas não a entendia, porque o coração estava endurecido e por achar que sabia tudo. Para esses, restava-lhes apenas o juízo. No livro Parábolas de Jesus, Ellen G. White afirma que nem todos estavam preparados para aceitar e compreender Suas parábolas. Assim, Ele evitava que a multidão incrédula Lhe fizesse alguma acusação e rompesse com Seu ministério de maneira prematura.11 Interpretação de parábolas – No li-

vro Compreendendo as Escrituras,12 são apresentadas seis regras básicas: 1. Evite alegorização. Inicialmente, é importante diferenciar entre alegoria e alegorização. Como já foi citado, a alegoria usa uma metáfora ampliada para referir verdades fora do significado literal da narrativa. Já a alegorização é o processo de usar algum texto que não é alegórico por natureza e transformá-lo em alegoria, a fim de promover novos significados que o autor não tinha em mente. O teólogo Agostinho usou a alegorização para dizer que, na parábola do Bom Samaritano, o homem que descia de Jerusalém para Jericó era igual a Adão.13 Ele não foi o único a usar esse princípio interpretativo. Durante séculos, este foi o método mais usado, mas seu rompimento

se iniciou no movimento da reforma e terminou com o erudito alemão A. Jülicher, no século passado.14 A alegorização facilita enxergar qualquer coisa em quase todas as parábolas. Acaba impondo um significado que o autor jamais pretendia. 2. Reúna dados históricos, culturais, gramaticais e léxicos. O mundo em que vivemos é muito diferente do mundo dos aldeões da Palestina. Essa distância pode ser amenizada por meio de descobertas arqueológicas, uso de bons dicionários, comentários bíblicos e a leitura de livros que retratam os costumes dequela época. 3. Analise a narrativa da parábola. “As parábolas têm personagens, ações, cenários e suportes, e relações de tempo; elas têm um narrador e um leitor subentendido, um ponto de vista e um enredo. A análise destes ajuda o leitor a ver, de forma objetiva, a maneira pela qual é criado o impacto emocional da narrativa e ajuda a delinear os temas e ênfases da narrativa.”15 4. Determine o auditório. Para quem Jesus estava falando? Para escribas, fariseus, às multidões ou aos discípulos? A compreensão dessas perguntas ajuda o leitor a determinar se a aplicação da parábola é para os que estão dentro da igreja ou fora dela, para grupos ou pessoas. Também observe a reação dos ouvintes de Jesus, pois isso servirá de excelente pista para seu significado. 5. Espírito de Profecia. Os livros de Ellen G. White, especialmente Parábolas de Jesus, são ricos em detalhes e fornecem uma interpretação correta. Dessa forma, pode-se economizar muito tempo na busca de respostas em outras literaturas. 6. Aplique a parábola à situação de hoje. Identifique o princípio teológico ensinado por Jesus na parábola e aplique à sua vida pessoal. Lembre-se de que a aplicação provém da parábola em vez de ser imposta a ela. FABIO DOS SANTOS é pastor distrital em Barretos, SP. Referências 1. Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 21. 2. Grant R. Osborne, A Espiral Hermenêutica: uma nova abordagem à interpretação bíblica (São Paulo: Vida Nova, 2009), p. 372. 3. Ibid. 4. Roy B. Zuck, A Interpretação Bíblica: meios de descobrir a verdade bíblica (São Paulo: Vida Nova, 1994), p. 225. 5. George W. Reid, Compreendendo as Escrituras: uma abordagem adventista (Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2007), p. 232. 6. Ver HIPERLINK: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alegoria. 7. George W. Reid, Op. Cit., p. 225. 8. Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 20. 9. Ibid., p. 17. 10. Warren W. Wiersbe, Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento: (Santo André:SP: Geográfica Editora, 2006), v. 1, p. 157. 11. Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 21, 22. 12. George W. Reid, Op. Cit., p. 235. 13. Ibid. 14. Kennet Bailey, As Parábolas de Lucas (São Paulo: Vida Nova, 1995), p. 25. 15. George W. Reid, Op. Cit., p. 236.

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Edson Erthal de Medeiros

Uma vida no azul

Fotolia

Busque a sabedoria divina para ter equilíbrio financeiro e cumprir o plano de Deus em você

A

lgumas de nossas escolhas afetam a vida no presente e estabelecem grande impacto em relação ao futuro. Isso acontece especialmente quando o assunto é dinheiro. Suas escolhas presentes podem afetar fortemente seus próximos anos. As escolhas equivocadas de hoje podem fazer você perder grandes chances de crescimento profissional, desenvolvimento acadêmico e interação social.

O endividamento atinge todas as faixas etárias, mas pesquisas revelam que as pessoas estão se tornando endividadas cada vez mais cedo. Segundo pesquisa realizada pela Fecomércio Minas, 61,6% dos endividados estão entre 25 a 44 anos. Outra pesquisa, realizada pelo jornal Correio Brasiliense, junto ao SPC Brasil, aponta que mais de 30% dos jovens de 18 a 29 anos estavam com débitos em atraso. Uma pesquisa realizada com mais de 18 mil consumidores, feita pela Confederação Nacional de Comércio, Bens e Turismo (CNC), indica outra realidade preocupante: no mês de abril de 2012, o endividamento alcançou 56,8% dos consumidores brasileiros. Nesse grupo, 14,1% declararam-se muito endividados, 21,3% declararam estar com um endividamento médio e 21,4 disseram estar pouco endividados. Um dado alarmante sobre essa pesquisa é que 73,7% dos endividados informaram que devem no cartão de crédito, uma das piores dívidas que alguém pode ter no mercado financeiro (veja o quadro). Há mais de um século, Ellen G. White já alertava quanto à necessidade de se manter uma vida financeira equilibrada: “Devemos fugir de dívidas como de lepra” (Conselhos Sobre Educação, p. 203). Outro texto revelador está no livro: “Não nos devemos permitir ficar embaraçados financeiramente, pois o fato de estarmos com dívida enfraquece nossa fé e nos leva ao desânimo” (p. 254). Gastar

As piores dívidas O efeito perverso do endividamento pode ser visto no exemplo a seguir: Uma pessoa que coloque R$ 1.000,00 na poupança, depois de 12 meses terá aproximadamente R$ 1.064,57 (taxa mensal de 0,5228%, segundo o índice da poupança do dia 1o de maio de 2012). O mesmo valor, sacado do limite do cheque especial, depois de 12 meses se transformará em uma dívida de R$ 2.872,06 (taxa mensal de 9,19%, segundo o índice médio dos cinco maiores bancos brasileiros, no mês de maio de 2012). Se considerarmos a taxa do cartão, o valor de R$ 1.000,00 se transformará em incríveis R$ 4.817,90 (taxa mensal de 12% + 2% de multa por atraso). Após 12 meses, R$ 1.000,00 se transformam em: Poupança R$ 2.872,06

R$ 4.817,90 18

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R$ 1.064,57 Cheque especial Cartão de crédito


sem controle é o início da ruína financeira e também da ruína espiritual, pois a preocupação com a dívida “enfraquece a fé”. Se você deseja evitar cair nas armadilhas do endividamento, ou quer se libertar dessa situação preocupante, é hora de mudar de vida. Quero fazer algumas sugestões para você: 1. Ore a Deus para que Ele dirija seus planos. Esteja disposto a ouvir Sua voz, pois Ele sabe o que é melhor para você e para sua família. 2. Não se deixe escravizar pelo dinheiro. Seja seu dono. Não seja escravo das suas emoções. Gaste com racionalidade. 3. Jamais gaste além de suas entradas. Controle seus gastos, jamais seja controlado por eles. Uma sugestão interessante é dividir a renda recebida, de acordo com as necessidades presentes e futuras. Por exemplo, numa situação estável, 60% dos recursos deveriam ser gastos com as despesas correntes (alimentação, educação, transporte, lazer, etc.), 20% da renda poderia ser investida em projetos futuros (poupança, fundos de previdência, imóvel, etc.), 15% da renda ficaria reservado para doação (dízimo, ofertas, causas sociais) e 5% para situações emergenciais. 4. Evite desperdícios. Muitas despesas podem ser reduzidas sem nenhum prejuízo para você ou para sua família. Quem administra os centavos poderá gerir milhões. 5. Não seja presa fácil do endividamento de ocasião. Se você for a um centro de compras poderá constatar que tudo está em promoção e pode ser parcelado. Os apelos para o consumo inundam as vitrines e os comerciais de televisão. Se você não estiver atento, será iludido por uma falsa promoção e duas coisas poderão acontecer: (a) você vai comprar algo que não é necessário; (b) você vai comprar parcelado e pagar muito mais caro por algo que, à vista, seria a metade do preço. Lembre-se: normalmente, o juro está embutido no preço. Ao comprar parcelado, faça as contas e veja se realmente o negócio é tão bom quanto o anunciado. 6. Seja sempre aplicador e não tomador. “O que toma emprestado é servo do que empresta” (Provérbios 22:7). Algumas versões usam uma palavra mais dura do que servo, usam a palavra escravo. Não seja escravo de ninguém, não tome emprestado.

Crise x solução vida financeira é ainda O modo pelo qual alguém conduz sua Quando os recursos ficam mais visível nos momentos de crise. mos do lado da crise ou esta se ente mais escassos, torna-se evid da solução. ersidade Harvard, nos EsEm uma palestra a estudantes da Univ , a diretora-gerente do Funtados Unidos, durante o mês de maio tine Lagarde, afirmou que Chris ), (FMI do Monetário Internacional pode se transformar em a atual crise econômica na zona do euro que a ocorrida em 1930, o mesm até pior uma crise financeira global Diante desse quadro, 75 miconhecida como a Grande Depressão. uldades para encontrar um dific des gran lhões de jovens podem ter “emprego decente”. continue funcionando, as Em muitos casos, para que a economia com base em taxas de juros pessoas têm sido estimuladas a gastar perder de vista. No Brasil, a elas parc reduzidas e pagamentos em

7. Tenha objetivos claros para utilizar suas economias. Uma boa maneira de utilizar os recursos com sabedoria é ter um planejamento claro e objetivo das metas de curto, médio e longo prazo. Cada pessoa ou família deve ter seus planos escritos e trabalhar arduamente para alcançá-los. Afinal, sem esforço não se chega a lugar nenhum. Se o plano é aquisição de um imóvel, escreva no seu planejamento o valor, o local e a data prevista para a aquisição. Quem não tem metas dificilmente será um poupador eficiente. Focalizar aquilo que se quer alcançar é essencial. 8. Se estiver endividado, trace metas claras para se livrar desse fardo. A primeira medida para sair da dívida deve ser: saber exatamente o que se ganha e o que se gasta. Em seguida, faça um levantamento preciso de quanto deve. Já conversei com muitas pessoas endividadas. A maioria não tem certeza do valor que tem disponível para gastar e também não sabe com precisão quanto deve. Após determinar o valor exato das entradas e saídas, e o saldo total devedor, é a hora de planejar, cortar gastos, priorizar o pagamento das dívidas e buscar o mais rápido possível sair do vermelho. 9. Sacrifique um prazer imediato por uma realização futura. Nada lhe trará tanta satisfação quanto alcançar seus sonhos sem dever para ninguém. Prazeres imediatos tiram o foco, e sair do foco é o caminho do fracasso nas finanças. 10. Acompanhe mensalmente sua situação financeira. Tenha certeza de que suas metas estejam sendo cumpridas.

Lembre-se de que os recursos nos foram dados para honrarmos a Deus. Neste mundo em que vivemos, o prazer e a luxúria têm um apelo muito forte. Não seja presa desse estilo de vida. Estamos aqui só de passagem. Durante os poucos anos de nossa existência terrena, devemos viver de modo que honremos a Deus. Usar bem os recursos é uma das chaves para uma vida plena de realização e alegria. Uma vida equilibrada é uma bênção para nossa família, para igreja e para a sociedade.  EDSON ERTHAL DE MEDEIROS é pastor e mestre em Administração. Atua como Diretor Financeiro na Casa Publicadora Brasileira.

em risco principalmente a essa armadilha consumista pode colocar mais endividada. vez ascensão da nova classe média, cada do consumo compulsivo, maré na a alçad dade “Somos uma socie isso for, e em adquique o seja ’, interessada em ‘aproveitar a vida ou a escritora Lya alert is”, inúte que mo mes s, rir mais e mais coisa é subir de classe não “isso ela, Luft, na revista Veja. De acordo com ira”. lade osa perig uma de te dian r social: é saracotea fórmula para alguém eviDe acordo com Ellen G. White, a melhor uma bênção às pessoas ar torn se e o ômic econ stre tar o próprio desa e compaixão, segunde alida liber é viver com economia e doar com rezam a economia, desp itos “Mu . Deus de s bida do as bênçãos rece A economia, pohez. quin mes a confundindo-a com a avareza e Verdadeiramende. alida liber la amp mais a com rém, harmoniza-se É preciso que de. alida liber real ir te, sem economia não pode exist Jovens, p. 320). aos ns sage (Men dar” rmos pode de poupemos, a fim época de crise o jovem Seguindo a orientação inspirada, em uma erme Silva Guilh – ção. solu da e part ar torn cristão pode se

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DEVOCIONAL

Josimar Rios Oliveira

Travesseiro de pedra O travesseiro é um lugar de consulta ao coração

O

sono é uma necessidade básica do ser humano. Para dormir bem, há vários requisitos como: fazer refeições leves à noite, deixar de pensar em problemas, usar colchão confortável que alinhe a coluna cervical com o tronco, diminuir ou eliminar a iluminação e o barulho, mas também convém ter um bom travesseiro. Há pessoas que gostam de travesseiros altos, outras preferem os baixos, macios, mais duros, etc. O mercado oferece vários tipos de travesseiros: penas de ganso, espuma da NASA, fibra, microfibra, poliéster siliconada, entre outros. A oferta está apoiada nas principais promessas de serem macios, flexíveis, moldáveis, leves, se ajustarem facilmente ao formato da cabeça e ativarem a circulação sanguínea. As duas principais menções de travesseiro na Bíblia o colocam como um lugar de consulta ao coração (Sl 4:4) e símbolo de dependência e segurança do Senhor (Mc 4:38). Mas quem gostaria de ter um travesseiro de pedra sob a cabeça? Em Gênesis 28:11, lemos que Jacó fugiu de Berseba em direção à Mesopotâmia, dormiu ao relento e usou uma pedra como travesseiro. Mas pedras não dão bons travesseiros... Jacó estava nessa situação por sua própria conta, pois ardilosamente havia explorado a cegueira de seu pai e enganado duas vezes seu irmão. Deus escolheu Jacó entre os dois filhos de Isaque para receber a bênção de Abraão. Mas, ao que parece, Jacó quis dar uma “força” para Deus. Regido pela equivocada concepção de que o fim justifica os meios, ele tentou criar a maneira e o momento do 20

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recebimento da promessa. O terrível mal do imediatismo sempre leva o homem à manipulação do sagrado. Jacó não esperou o horário do relógio pontual da providência divina. Mas o que isso lhe valeu? Ele estava isolado, desamparado e com o peso do pecado que tinha cometido. Assim como Jacó, todo ser humano pode circunstancialmente usar um travesseiro de pedra quando, sozinho, reflete profundamente na insensatez que cometeu, ou com a qual concordou. Quando se encontra consigo mesmo, conclui que conseguiu enganar ou esconder algo de todo mundo, mas não de si mesmo. No fundo, sabe ser hipócrita, prepotente, egoísta, soberbo, orgulhoso, traidor, exibicionista, arrogante, falso, lascivo, leviano. Assim, a consciência não descansa confortavelmente, pois se reclina num circunstancial travesseiro de pedra, e a sensação é de condenação e fracasso. Após reclinar a cabeça sobre o travesseiro de pedra e dormir, Jacó sonhou que uma escada era posta na Terra cujo topo tocava o Céu e anjos subiam e desciam por ela. Apesar dos deslizes cometidos por Jacó e de seu imerecimento, a manifestação sobrenatural era uma garantia, da parte de Deus, de que seria cumprida a promessa de recebimento da terra e uma descendência forte e abençoada. Talvez, o único aspecto positivo para o homem, ao usar um circunstancial travesseiro de pedra, seja o de que tal situação é o ponto de maior incentivo para o abandono do salto alto da confiança própria e da soberba. Em muitos casos, o ser humano só deixa de olhar para o “próprio umbigo” quando está na sarjeta. Então, no fundo do poço da impotência humana é dissipada a névoa da dependência dos próprios métodos

e recursos e a pessoa enxerga Jesus, a única escada capaz de tirar alguém do abismo sem fim, dando-lhe acesso ao Céu. Apesar dos lapsos, Deus estava a cada momento junto de Jacó (Gn 28:16). O Senhor sempre está perto de Seus filhos, mesmo quando ludibriam a mente com a escusa de impunidade por estar longe de tudo e de todos, e secretamente cometem pecados; mesmo quando se sentem bastardos na casa de oração; mesmo quando estão imobilizados, espiritualmente, pela própria consciência que afere toneladas de culpas ou quando se sentem um caso perdido. A companhia divina também se faz presente quando se sentem feridos, traídos, humilhados, desprezados pela família ou pelos amigos. Se o homem se agarrar ao Senhor se apossando, pela graça de Cristo, do penhor do pleno cumprimento da promessa de que terá uma habitação na Canaã celestial, ele viverá intensamente a noção da presença e guia do Espírito Santo. A partir de então, sua experiência com Deus será radicalmente diferente. Haverá mais dependência, a presença do Senhor será mais sentida e percebida. O resultado será mais temor e respeito a Deus. Cristianismo não se limita a uma atitude comportamentalmente pontual, geralmente vivida entre as quatro paredes de um templo, mas, por ser um estilo de vida, se propõe a ser uma conduta linear de imitação e reprodução das virtudes de Cristo. Que o uso do circunstancial travesseiro de pedra seja o instrumento de unção do Céu para nos tornar submissos a Deus!  JOSIMAR RIOS OLIVEIRA é pastor distrital na cidade de Itabaiana, Sergipe.


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noticias@cpb.com.br

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Um jornal a serviço da igreja 

Cacique é batizado em GO e igreja evangeliza índios guaranis em SC Adventistas procuram restaurar o aspecto evangelístico dos cultos de domingo Todos contra o cigarro: igrejas, escolas e hospitais se unem no combate ao fumo Dia Mundial do Meio Ambiente: do passeio ciclístico à mostra cultural

Editor: Wendel Lima

Além dos muros Nesta edição, as matérias destacam o trabalho que a igreja tem para realizar além de seus muros. No fim de maio, por ocasião do Dia Mundial de Combate ao Tabagismo, escolas, igrejas e hospitais ergueram uma bandeira defendida há mais de um século pela denominação: o alerta contra o fumo. As ações se concentraram em passeatas realizadas pelos colégios, cursos organizados por igrejas e uma feira de saúde promovida pelo Hospital Adventista de São Paulo. Os estudantes ofereceram para os fumantes uma fruta em troca do cigarro. Em MS, a mobilização teve caráter mais legislativo. A ideia foi conseguir adesão para o projeto de lei que prevê a proibição do fumo em lugares públicos abertos, como parques e praças. No Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, os alunos voltaram às ruas, dessa vez, para entregar sementes de ipê e de crotalária juncea. No Vale do Paraíba, as atividades foram diversificadas nas nove unidades escolares: de passeio ciclístico à mostra cultural. Em Fortaleza, houve blitz ecológica; em Goiânia, apresentação do coral no parque e, em Pernambuco, plantio de mudas e feira de alimentos saudáveis no Iape, mais novo internato adventista do Brasil. Em junho, também foi lançada a campanha da Recolta 2012 em várias regiões do País. No oeste paulista, as doações deste ano serão destinadas à construção da sede do Centro Adventista de Apoio à Família (CAAF), entidade que tem oferecido moradia e suporte psicológico e espiritual para as famílias dos pacientes que fazem tratamento no Hospital Pio XII, em Barretos, SP. O hospital é referência nacional em oncologia. Hoje, as instalações do CAAF são alugadas, mas o novo prédio poderá abrigar até 32 famílias, além de contar com espaços mais adequados para a realização de oficinas de empreendedorismo e qualificação profissional. – Wendel Lima.

Missão a bordo



Que o número de usuários nos aeroportos brasileiros aumentou significativamente nos últimos anos, muitos sabem. O que poucos percebem, quando vão viajar de avião, é que alguns aeroportos reservam um espaço para a oração: as capelas ecumênicas ou interdenominacionais. No mundo, existem 140 dessas salas, como no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, SP. Criado em 1987, o espaço em Cumbica pode abrigar 40 pessoas que desejam privacidade para meditar ou orar enquanto aguardam um voo. A novidade é que, desde março, um dos principais aeroportos do Brasil tem um trabalho de capelania adventista. Três vezes por semana, pastores e membros se revezam no atendimento espiritual dos passageiros e abordam os viajantes oferecendo-lhes material personalizado. A cada livro missionário entregue, vai junto um “passaporte da esperança”, impresso que explica a obra. A iniciativa é uma vitrine oportuna para a Igreja Adventista num local em que trabalham 30 mil funcionários e transitam 80 mil passageiros por dia. Pág. 29

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Assistência Social

Alívio em meio à dor

ADRA abre casa de apoio e ajuda vítimas do câncer a escrever uma nova história. Iniciativa será um dos projetos beneficiados pela Recolta 2012 Ana Cláudia Moraes recebeu um diário e uma máquina fotográfica para registrar sua nova história no centro de apoio

Suellen Timm

Colaboradora

Yan Carlos Torres se mudou do Peru para o Brasil, a fim de salvar a filha recém-nascida de uma doença rara. A mesma sorte não teve Márcia Firmino, que acompanhou a luta perdida pelo marido contra a leucemia. O temido diagnóstico, dado há seis meses, também frustrou os projetos e sonhos da esteticista Ana Cláudia Moraes. O que une essas pessoas com histórias dramáticas é a convivência com o câncer e a mudança para a cidade de Barretos, SP, no intuito de encontrar cura no hospital que é referência em oncologia no Brasil. Os três recebem assistência do Centro Adventista de Apoio à Família (CAAF), entidade ainda em fase embrionária, que funciona num imóvel alugado. Mantido pela ADRA, o projeto receberá os donativos da campanha Recolta 2012 vindos do oeste paulista.

O sonho é ambicioso. Oferecer abrigo, apoio psicológico e espiritual, além de capacitação profissional para as famílias e pacientes que migram para a cidade em busca de tratamento. Tratase de um suporte muito bem-vindo, que tem ajudado a reorientar quem viu o chão desaparecer debaixo dos pés. Do Peru para o Brasil – Quando Aline nasceu, a segunda filha de Yan, ele e a esposa perceberam que havia algum problema com seu bebê. O diagnóstico foi dos piores: a menina tinha um câncer raro, só identificado nela e num outro homem que morava na Europa. A previsão foi de curta sobrevida. Aline foi submetida a um tratamento de 10 meses, mas sem sucesso. Yan procurou dois hospitais especializados nos

Estados Unidos, porém, nada mudou. “Quando você é pai, não se perde as esperanças. Você faz de tudo, até o fim”, justifica. O avô paterno da criança confortava o casal dizendo que era preciso orar para entender os propósitos de Deus. Pouco tempo depois, colegas de Yan, que moravam em São Paulo, indicaram o Hospital Pio XII, o Hospital do Câncer de Barretos. Sem pensar muito, o casal deixou o emprego no Peru e se mudou para o Brasil. Aline começou um novo tratamento, agora com um diagnóstico menos sombrio. Ela se recuperou bem da cirurgia que fez para retirar o tumor. “Acredito que foi Deus quem mexeu no câncer da minha filha”, revela o pai. Superação – Márcia Firmino chegou a Barretos, em 2009, para acompanhar o esposo na luta contra a leucemia. O casal ficou hospedado numa casa de apoio por dois meses, mas o tratamento durou dois anos. Em setembro de 2010, o médico liberou o marido de Márcia para voltar para casa. Porém, meses depois, um exame mostrou que a doença não havia sido vencida. “O tratamento foi tão forte que meu marido não resistiu e veio a falecer”, emocionase Márcia. Longe de casa e sem recursos, a viúva ficou numa situação difícil. Foi quando uma conhecida a convidou para trabalhar numa pousada, em Barretos. “Depois que comecei a trabalhar, não tive

Desde o fim de 2011, o CAAF funciona numa casa alugada. Com três funcionários e 30 voluntários, a entidade já atendeu 870 pessoas 22

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Mesmo depois de ter perdido o marido para a leucemia, Márcia Firmino não conseguiu deixar a cidade de Barretos. Hoje, ela trabalha numa pousada para pacientes do Hospital Pio XII

mais coragem de ir embora. Aqui, conheci várias pessoas que lutam contra o câncer e a luta deles passa a ser a minha. Somos como uma família”, explica. Mudança de rumo – Para Ana Cláudia Moraes, o diagnóstico de câncer, recebido há seis meses, foi traumático. “É uma bomba na vida, porque a gente tem projetos, tem sonhos. E quando você recebe uma notícia dessas, muita coisa muda na sua história”, desabafa. Devido aos custos para se manter durante o tratamento, ela teve que deixar a família no Pará e morar sozinha em São Paulo. “Quando você chega a Barretos, percebe que está todo mundo no mesmo barco. Você acaba olhando para o problema do seu vizinho e vendo que, às vezes, o caso dele é bem mais grave que o seu”, relata. O hospital – No oeste paulista, o Hospital Pio XII existe há mais de 40 anos. É um dos centros de referência nacional em oncologia. Embora seja uma iniciativa particular, o atendimento é realizado 100% pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Em oito unidades de atendimento, o hospital atende 3 mil pessoas por dia e recebe pacientes de mais de 1.300 cidades dos 27 estados do Brasil. Para garantir um serviço de qualidade, o hospital conta com 250 médicos, que trabalham em regime de exclusividade, e 2.500 colaboradores. “Muitos pacientes vêm despreparados. Deixam suas casas, vêm fazer alguns exames e acabam ficando para se tratar por mais tempo do que planejavam. Todas as manhãs, oferecemos 800 pães para as famílias e os pacientes. É necessário exercer nossa


Doações da campanha da Recolta no oeste paulista serão destinadas à construção da sede própria. Unidade poderá receber 32 famílias e oferecer serviços nas áreas de empreendedorismo e formação profissional

solidariedade”, relata Rosângela Rodrigues, presidente da Associação Voluntária de Combate ao Câncer de Barretos, instituição que atua há 15 anos na cidade. Rosângela relata que, para atender tamanha demanda, o voluntariado é fundamental. Centro de Apoio à Família – Foi com o intuito de dar apoio, acolhimento e esperança para as vítimas do câncer, que a sede administrativa da Igreja Adventista para o oeste paulista e a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) decidiram criar em Barretos, em dezembro de 2011, o CAAF. O objetivo não é oferecer mais uma pousada, mas um centro de atendimento integral, que amenize o sofrimento das famílias. Desde então, 870 pessoas foram assistidas por três funcionários e 30 voluntários. Além do atendimento no próprio CAAF, o trabalho se estende às casas de apoio da vizinhança do hospital. Maria de Nalva teve seus hóspedes auxiliados pela entidade adventista e ficou maravilhada com a experiência. “Desde que comecei meu negócio, há 12 anos, procuro atuar de alguma forma no ramo social. Mas, infelizmente, o excesso de trabalho não me permite dedicar tanto tempo a essa atividade. Assim, quando o CAAF me procurou com essa proposta, aceitei prontamente”, lembra. “O pessoal aqui tem achado essa iniciativa muito proveitosa, os pacientes têm se alegrado e aprendido muito com as palestras. Imagine se mais gente pudesse ser atendida! Isso realmente faria a diferença na vida dos pacientes”, analisa. Hoje, a realidade é modesta. A entidade funciona numa casa

alugada, mas o plano é audacioso: disponibilizar moradia para 32 famílias e instalações mais adequadas para a realização das palestras e cursos sobre culinária, estética, inclusão digital, depressão, autoestima, alimentação saudável e direito – serviços que já são oferecidos. Nova família – Para Yan, o CAAF tem sido muito útil para apoiar sua esposa e filhos, já que todos estão longe de casa. “Agradeço a Deus porque a Igreja tem um centro de apoio que faz com que nossa vida aqui seja mais tranquila, onde se pode respirar e sentir mais alívio. O CAAF acaba sendo uma família para nós”, garante. “Vim para Barretos sozinha, mas nunca me senti só. As meninas do CAAF são maravilhosas e acolhem tão bem! Gostei tanto que já me dispus a ser voluntária. No CAAF, as pessoas estão preocupadas com seu bem-estar. Para mim, lá tem sido um refúgio”, avalia Ana Cláudia. No centro de apoio, ela recebeu uma câmera fotográfica e um diário para registrar tudo, a fim de escrever uma nova história. “E realmente é isso. Você começa a matar um pouco do egoísmo e escrever uma nova história. São novos amigos, novos conhecimentos. Todo dia, quando ligo para minha filha, conto o que aprendi”, enfatiza. “Queremos oferecer muito mais do que abrigo. O CAAF se propõe a ser um centro de apoio social, psicológico e espiritual”, ressalta Carlos Roberto Alvarenga, diretor da Ação Solidária Adventista para o oeste do Estado de São Paulo. Segundo ele, além dos pacientes, o CAAF tem a missão de ajudar a comunidade no

campo do empreendedorismo e crescimento profissional. Para ajudar a entidade, basta colaborar com a campanha da Recolta deste ano. Quem não mora no oeste paulista, pode fazer sua doação e obter mais informações pelo site www.paulistaoeste.org. br/caafbarretos. “Queremos compartilhar o amor com es- O Hospital Pio XII, em Barretos, SP, sas pessoas e realizar sonhos, atende pacientes de todo o Brasil. fazendo com que o momen- Muitos doentes precisam de suporte to, desesperador aos olhos para moradia e manutenção durante o humanos, seja exatamente a tratamento hora em que a esperança estemílias”, finaliza Alvarenga. – Com ja mais viva no coração dessas fareportagem de Heron Santana. 

Núcleos infantis Na região central do Estado de São Paulo, o foco da Recolta está nas três unidades de assistência infantil, nas cidades de Campinas, Engenheiro Coelho e Rio Claro. No total, mais de 500 menores são atendidos. “Tem gente que implora para pôr o filho aqui dentro”, declarou Maria das Graças de Melo Feitosa, que mantém um filho no Projeto PAI (Plano de Assistência à Infância), como é conhecido o núcleo da ASA em Rio Claro. A deficiência de creches é um dos grandes desafios sociais do Brasil. O Proinfância, programa federal para a construção de novas unidades, anunciou, desde 2007, convênios para construir 2.528 creches e pré-escolas no país. Mas, segundo o Ministério da Educação, foram concluídas 411 unidades, das quais 338 estão funcionando. Isso representa cerca de 5% da meta do programa. Campanha vai beneficiar três unidades de assistência infantil da região central de São Paulo. Cerca de 500 crianças são atendidas nesses núcleos

Rápidas Em meados de maio, o 1º Encontro de Surdos e Intérpretes do Rio de Janeiro reuniu 50 pessoas no IPAE, em Petrópolis, RJ. O objetivo foi capacitar o grupo para esse tipo de evangelismo específico. Durante o evento, Rafael de Oliveira Valadão, um surdo, foi batizado. Ele conheceu a mensagem adventista por intermédio do amigo Otávio Dias. Caminhar 26 quilômetros com uma mochila nas costas. Andar 8 horas por dia no meio da mata. Acampar sem barraca, dormindo em redes ou no chão. Acender uma fogueira com galhos molhados. Atravessar um rio pendurado numa corda. E fazer tudo isso sem smartphone, com muita chuva e 2 graus negativos de sensação térmica. Esse foi o curso de sobrevivência encarado por cem líderes do Clube de Desbravadores, no feriadão de junho, em Guarapuava, PR. A razão? Preparo para enfrentar situações de risco e viver de forma harmoniosa com o meio ambiente. No início de junho, uma convenção inédita de líderes gaúchos da Escola Sabatina e de Pequenos Grupos reuniu 1.200 pessoas, em Pelotas e Porto Alegre, RS. A novidade é a proposta de integração das duas áreas, ou seja, a intenção é que cada PG forme uma unidade da Escola Sabatina. No evento, também foi dada ênfase ao preparo de candidatos para o Batismo da Primavera, em setembro. Líderes voluntários foram homenageados.

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Ministério Jovem

Jovens dedicam madrugadas para a oração e estudo da Bíblia. Congressos discutem a relação entre vida acadêmica e religião

Foto: Ítalo Melo

os congressistas. A dramatização conta como os ex-moradores de rua conseguiram vencer na vida. “Espero que vocês vejam que podemos vencer na vida quando seguramos nas mãos de Deus”, disse o advogado Luiz Cietto. Os universitários participaram de duas festas temáticas e ainda fizeram uma excursão para o Morro de Vídeo que narra a história de superação e São Paulo, um dos ponfidelidade dos amigos Luiz Cietto e Daniel da tos turísticos mais visitaSilva inspirou os congressistas. Ambos foram dos do Brasil. O evento foi moradores de rua organizado pela Associação de Universitários da FaculdaDa redação de Adventista da Bahia (Univir). Na Faculdade Adventista da Bahia (antigo Iaene), em Cachoeira, Bahia – O campus também seBA, o 11º Congresso Universitário diou uma vigília com mais de 2 mil jovens da região metroporeuniu 1.200 jovens do Nordeste e de outros estados. Pessoas, como o litana de Salvador, no dia 16 de empresário Mike Moschen, viajajunho. A busca pelo batismo do Espírito Santo, o senso de comuram quase 2 mil quilômetros para participar do encontro. Ex-aluno nidade e o reconhecimento da imda instituição, ele mora em Paraportância do discipulado foram gominas, PA. Os testemunhos de temas da programação. O ex-cansuperação e sucesso profissional tor do grupo Olodum e autor da associados à fidelidade a Deus fomúsica Água Mineral, Gilson Silva, testemunhou sobre a atuação ram o ponto alto do evento. Temas de Deus em seu processo de concomo motivação pessoal, voluntaversão. “Hoje valorizo cada insriado e estilo de vida cristão tamtante na companhia de Cristo. bém foram abordados. O vídeo Opostos, que narra Não troco meu relacionamento com Ele por nenhum outro”, disa história de dois amigos, Luiz Cietto e Daniel da Silva, inspirou se emocionado. Na ocasião, o líder

Dois mil jovens da região metropolitana de Salvador participaram de uma vigília no Iaene. Batismo do Espírito Santo, senso de comunidade e discipulado foram os tópicos do encontro 24

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de jovens adventistas do Nordeste, pastor Sósthenes Andrade, fez o lançamento da Missão Calebe 2013.

Fotos: Daniele Bahu

Uma geração ajoelhada

PE e AL – Em Recife, PE, no teatro da Universidade Federal de Pernambuco, 2 mil jovens da região metropolita- Sudoeste paulista: vigília de 21 horas pelo batismo Espírito Santo teve 1.700 participantes. Entre na passaram a noite do eles, o pastor Areli Barbosa, líder dos jovem em vigília, no dia 26 adventistas sul-americanos de maio. Na programação, os assuntos foram contunoradores se revezaram para exdentes: sexualidade, sábado, testeplicar os doze capítulos do livro. munho e compromisso com Deus. Grupos musicais do campus e de Com a entrada de 40 bandeiras, outras regiões se apresentaram. “Estamos vivendo esse tempo de uniforme oficial, som impactante, efeitos especiais e o desafio de salpregar a volta de Jesus. A profevar pessoas, a Missão Calebe, edicia já foi escrita e vai ser cumprição de julho, foi oficialmente landa”, justificou a escolha do tema, Felipe Tonasso, pastor auxiliar da çada no encontro. Quem participou do programa, Igreja do Unasp. como a jovem de 17 anos, Lysane No dia 19 de maio, foram os jovens do sudoeste paulista que Silva, saiu na manhã de domingo com uma certeza. “Sou estudante, passaram 21 horas em oração. estou no terceiro ano do Ensino Cerca de 1.700 participantes abriMédio, com o vestibular batendo ram mão de dormir e do conforto para uma empreitada espiritual à porta. Mas, depois de hoje, dena busca pelo batismo do Espíricidi duas coisas: quero ser fiel ao meu Deus antes de tudo; e, segunto Santo. A vigília foi realizada na do, em julho, vou ser Calebe, custe sede de acampamento da denoo que custar! Preciso me dedicar a minação, em Araçoiaba da Serra, salvar pessoas”, garantiu. e contou com a apresentação de Na mesma data, em Maceió, grupos musicais e a mensagem de AL, 600 pessoas dedicaram a mavários líderes, como o pastor Areli drugada para o louvor e a adoraBarbosa, diretor do Ministério Joção, na Igreja do Farol. O grupo foi vem para a América do Sul. desafiado a ter sua devoção pes“A Igreja Adventista do Sésoal todos os dias, às 6 horas, bem timo Dia mundial está falando como a interceder por seis amisobre reavivamento e reforma. gos. Os oradores falaram sobre Chegou a época em que preciprincípios da música e o uso da samos de uma geração que se lecriatividade e da comunicação na vante para testemunhar de Jesus e para receber o derramamenpregação do evangelho. Ao fim da vigília, um desjejum foi servido. to do Espírito Santo”, afirmou o pastor José Venefrides, organizaSudoeste paulista – No camdor da vigília. No sábado à tarde, pus Hortolândia, os jovens do os jovens entregaram milhares Unasp passaram uma noite em de livros missionários na cidaoração, no dia 26 de maio. Foram de. O grupo entendeu que a vida 12 horas de estudo e meditação cristã se caracteriza por oração no livro bíblico de Daniel. Doze e trabalho.


Hemocentro de Campinas, SP, no fim de maio; e por 45 jovens de Cascavel, PR, no dia 6 de junho. No interior paulista, a mobilização foi feita pelas redes sociais e, no Paraná, a iniciativa, que vai beneficiar o hospital do câncer local, foi destacada pela mídia. Twittcamp e batismo – Seis pessoas que participaram do Twittcamp, em abril, foram batizadas São Luís, MA: O batismo de seis no dia 26 de maio, em São pessoas é fruto do Twittcamp Luís, MA. Alana Cristina, realizado em abril, no norte do GO e CE – No dia 2 de juuma das batizadas, esteve Estado nho, 700 universitários de afastada da igreja por quatro anos, mas decidiu volMissão Calebe deste mês. – Com Goiás participaram de um tar depois de acompanhar reportagem de Daniel Cruz, Wagner encontro no Centro de Convenções de Goiânia, sobre a empolgação dos jovens da Almeida, Mariana Jósimo, Charlise apologética ou a defesa da fé Alves, Tatiane Lopes, Bianca Lorini, igreja de seu bairro na moRogério Lopes Macedo, Heron Sancristã. O orador foi o Dr. Ro- Pajuçara, CE: 300 universitários aprenderam sobre bilização feita pela rede sodrigo Silva, professor de Teo- as evidências arqueológicas e históricas em favor cial Twitter. Centenas de tana, Priscilla Stehling, Thais Firmijovens que testemunharam no, Thaiane Firmino, Felipe Lemos, logia do Unasp e apresenta- da Bíblia. O encontro teve destaque nas principais mídias locais o batismo e foram incenMárcio Tonetti, Rebbeca Ricarte, dor do programa Evidências, também distribuir sorrisos e lida TV Novo Tempo. “É de fundativadas a servir a Deus através da Patrick Rocha e Sidnei Roza. vros missionários. mental importância que a igreja promova encontros como esse. Sangue – No Dia Mundial do Além de interagir com os jovens, Doador de Sangue, 14 de junho, o nesse ambiente é possível reforçar Pelo segundo ano consecutiClube ADV, agremiação adventisos valores e bases de nossa crença”, vo, o Ministério Jovem sul-ameta da Zona Sul de São Paulo, que comentou o professor. Na prática, ricano vai transmitir os sermões os jovens aprenderam como dialoreúne 6.500 doadores de sangue, da semana de oração jovem via foi homenageada pelo Hospital gar melhor com seus colegas evosatélite. Com o tema “Escolhas”, o pastor Ivan Saraiva, orador do Sírio-Libanês. O grupo já contrilucionistas. Foi o primeiro enconministério A Voz da Profecia, prebuiu com mais de 3 mil doações tro do gênero no Estado. gará nos dias 7 a 14 de julho. Você para o hospital. “Um único grupo Em Pajuçara, CE, no fim de abril, poderá acompanhar essas mensarealizar 3 mil doações ao hospi300 universitários adventistas do gens pela TV Novo Tempo (canal tal é como se ele fosse responsável Estado se reuniram pela segun14 da SKY e sinal aberto em mais por três meses inteiros do suprida vez para discutir sobre religião de 500 cidades), às 21 horas (horámento sanguíneo deste hospital, o e vida acadêmica. O Dr. Rodrigo rio de Brasília) ou pelo Canal Exeque é algo realmente importante”, Silva foi um dos oradores. O grucutivo, às 20 horas. avaliou o Dr. Silvano Wendel, dipo ainda ouviu o professor de Teologia, Demóstenes Neves e o retor do banco de sangue e presidente da Sociedade Internacional historiador Matusalém Alves. No de Transfusão de Sangue, ISBT, evento, Eveline Andrade, profesRápidas com sede na Holanda. sora universitária, foi batizada. O Na cerimônia, foi feita menencontro teve destaque nas prinO 1º Congresso Sul-Americano de Tecnologia da Informação, reação à Igreja Adventista e a seus cipais mídias locais: o jornal Diálizado em maio, reuniu 120 profissionais da área que atuam na Igreja fiéis como incentivadores e doario do Nordeste e a TV Diário. Adventista. O objetivo foi unir o grupo e discutir uma padronização de procedimentos. A sede mundial da denominação foi representada pelo dores de baixíssima rejeição de pastor Juan Prestol, tesoureiro-associado. O intuito da igreja é usar o que material coletado. Alfredo QuiRS – Em Guaíba, RS, no dia 9 de há de mais moderno na pregação do evangelho. roz também foi homenageado. Ele junho, a Sociedade de Jovens Geé o fundador do Clube ADV e já ração 148 participou da feira do Cerca de 130 alunos do Colégio Adventista Bom Retiro gravaram um dolivro da cidade. Depois de distridoou sangue 150 vezes. O grupo cumentário sobre bullying no ambiente escolar, no dia 15 de junho, no buir sorrisos no semáforo e ensurgiu há oito anos, quando Quicentro de Curitiba, PR. Eles entrevistaram adultos que vivenciaram esse tregar os livros missionários em roz perdeu um sobrinho por faltipo de violência na infância, encenaram sobre o tema e distribuíram fota de sangue. Desde então, ele está vários bairros, os 25 voluntálhetos da campanha Quebrando o Silêncio. A iniciativa teve repercussão engajado na causa. O trabalho vorios foram ao evento para trocar na mídia estadual e se tornou uma edição do programa Plug, da TV RPC. A produção será usada na campanha interna do colégio contra o bullying. exemplares de A Grande Espeluntário é realizado em parceria com o Unasp, campus São Paulo. rança por abraços. Até o prefeito, O projeto Vovonet tem ajudado 30 idosos de Hortolândia, SP, a lidar com Esse gesto solidário, que tem Henrique Tavares, ganhou a litea informática. Todos os domingos pela manhã, o grupo recebe aulas no lase tornado uma marca da juvenratura. Na cidade de Rio Grande, boratório do Unasp, com alunos do curso de Sistemas de Informação. “O que a cada sábado, a agremiação de jotude adventista desde 2006, com eles mais querem aprender é se comunicar através de e-mail com os familiavens da Igreja Central do municía campanha Vida por Vidas, foi res e a fazer pesquisas”, explica o monitor da turma, Elias Aveiro. repetido por 200 voluntários no pio visita os asilos da cidade para Primeiro encontro universitário de Goiás orientou os jovens a como dialogar com seus colegas evolucionistas

Semana de oração via satélite

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Espiritualidade

Reavivamento teen Movimento está mexendo com a espiritualidade de 3 mil adolescentes do Amazonas e Roraima

Iniciativa desafiou 3 mil adolescentes de Manaus e Boa Vista a desenvolver quatro áreas da vida cristã: comunhão, fidelidade, relacionamentos e missão Colaboradora

Pouco compreendida pelos adultos e a igreja em geral, a adolescência geralmente é vista como sinônimo de inércia espiritual ou abandono da fé. Foi procurando reverter esse quadro, que o Ministério do Adolescente da Igreja Adventista para o noroeste do Brasil – que até o ano de 2011 era agregado ao da Criança – agora levantou uma bandeira, criou uma marca e sua própria identidade. É a chance dos adolescentes mostrarem que são capazes de usar seu espírito revolucionário para a missão.

Lançamento – Em Manaus e Boa Vista, o projeto “Reavivamento Teen” foi lançado nos dias 12 e 13 de maio, com a participação de 3 mil adolescentes. Tudo foi cuidadosamente elaborado para esse público, desde a escolha dos temas das palestras ao kit missionário entregue. E a passividade foi desestimulada. Os adolescentes enfrentaram seus medos. Falaram em público, dirigiram com criatividade a Escola Sabatina e participaram de devocionais e do louvor, numa linguagem que todos entenderam muito bem. Os seminários trataram da importância da comunhão pessoal

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Renan Martin

Dayse Bezerra

com Deus, dos estudos bíblicos, da autoestima e da motivação, com o palestrante Antônio Matos. O grupo também ouviu testemunhos de adolescentes que já se envolvem no discipulado. Vítor Alves estuda a Bíblia com 15 colegas e Rainer Brasil levou quatro colegas ao batismo por meio do Clube de Desbravadores.

casa, colaborar na Escola Cristã de Férias e levar um amigo ao batismo. Quem se uniu a esse movimento foram os alunos da Rede Educacional Adventista e os desbravadores. Eles foram cadastrados no projeto, capacitados e agora evangelizarão outros amigos na escola, no clube, na rua e em casa. O clímax dessa mobilização deve ser o Batismo da Primavera, em setembro. Na escola, os adolescentes estão envolvidos em capelas temáticas, gincanas e classes bíblicas. Juan Gabriel Brandão, 14 anos, é um dos participantes. Ele tem estudado a Bíblia com um colega de classe, que já tomou a decisão pelo batismo. “É como se Deus estivesse trabalhando com mais intensidade com a gente, para fazermos algo maior para Ele”, definiu o garoto, que agora procura um novo colega para discipular. Surpresa? – Pais e professores já comentam sobre a nova atitude dos adolescentes em casa, na igreja e na sala de aula. A iniciativa mostra que, quando os erroneamente chamados “aborrecentes” se unem num ideal, com metas bem definidas, linguagem e materiais adequados à sua faixa etária, eles se tornam mais fortes e persistem até alcançar os objetivos. 


Missão

Nova tribo

Cacique é batizado em GO e igreja evangeliza índios guaranis em SC Ali, indígenas de várias tribos e estados do Brasil, que falam diferentes línguas, recebem alojamento enquanto realizam algum tratamento de saúde na cidade. Como se trata geralmente de doenças graves, alguns chegam a passar meses na entidade. Costumes – Com o sorriso um pouco tímido, Josué conta de seus costumes e responsabilidades como cacique. “Os colares que levo em meu pescoço significam o poder que tenho na tribo. Quanto mais colares, mais poder. O colar preto e branco significa a guerra e a paz, que é constante na vida, já o vermelho tem a função de atrair o inimigo, além de mostrar como somos guerreiros na caça”, explica. Todos os anos, Josué prepara o ritual da tucandeira, no qual meninos adolescentes colocam uma luva cheia de formigas como prova de bravura. Se passar no teste, o garoto poderá escolher uma esposa, apenas uma, já que Josué não permite a poligamia em sua tribo.

Pastor Anderson Lopes batiza o cacique Josué da Silva, na Igreja do Jardim da Luz, em Goiânia. Na Casa de Saúde do Índio vivem mais de cem pessoas e sete adventistas

Tatiane Lopes e Gustavo Cidral

Colaboradores

Era dia de festa na Casa de Saúde do Índio, em Goiânia. Depois de meses estudando a Bíblia e de testemunhar o batismo de sete indígenas que abraçaram a fé adventista, chegou a vez do cacique Josué da Silva demonstrar sua decisão pelo batismo. Josué nasceu na aldeia de Ponta Legue, em Barreiras, AM. Ele pertence à tribo sateré mawé, que significa “lagarto verde” e “papagaio falante”. Em 1917, seus bisavós tiveram contato com adventistas. Porém, ao crescer, Josué se afastou de sua aldeia, tomando o rumo de Goiás. A Casa de Saúde do Índio é mantida pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e recebe apoio de entidades assistenciais, como a Ação Solidária Adventista (ASA).

Missão – A evangelização dos indígenas tem sido feita pelo pastor Anderson Lopes e membros da Igreja Jardim da Luz, bairro próximo à Casa de Saúde do Índio. O local abriga mais de cem

pessoas, muitas das quais não falam o português, nem mesmo o tupi-guarani, língua falada por Josué. Por isso, testemunhar do cristianismo nesse contexto exige criatividade e adaptações. “Aprendi a contar as histórias da Bíblia fazendo gestos. Dessa maneira, os índios conseguem imaginar as situações. Como estão aprendendo o português, eles gravam o nome do personagem e associam com a mímica da história. O trabalho exige paciência, mas tem dado resultados”, garante o ministro. Nova tribo – Batizado próximo ao Dia do Índio, em 19 de abril, para Josué não existe mais acepção de tribos e línguas. Agora, ele e os outros adventistas da Casa estão empenhados em ensinar o português para os demais a fim de pregar sobre o Tupã (Deus) que eles conheceram. “Meu sonho é subir ao Céu com meus irmãos da tribo. Um Céu antes desconhecido, mas que agora se aproxima”, confessa. “A música faz parte da vida do índio, e todos juntos haveremos de cantar o cântico dos remidos formando uma única tribo”, conclui o cacique. SC – Em Garuva, norte de Santa Catarina, no dia 9 de junho foi realizada a primeira Escola Sabatina numa tribo de índios guaranis. Servidores da sede denominacional regional estiveram na aldeia para organizar a programação e entregar peças de agasalhos para os indígenas enfrentarem o inverno deste ano. Sete famílias vivem há nove anos na reserva, às margens da BR-101. Divididos em ocas com paredes de barro e telhado de palha, eles mantém costumes dos

Garuva, SC: Funcionários da sede denominacional realizaram programação e doaram roupas de frio para os índios. Semanalmente, 25 pessoas estudam a Bíblia na aldeia guarani

GO: Mãe e filha estão estudando a Bíblia por meio de mímica. Ambas não entendem português

ancestrais, como a caça, ensinada desde cedo aos meninos. O grupo se comunica em guarani, sua língua nativa, entende o português e também fala espanhol. A maioria é do Paraguai, de onde veio a cacique Lídia, uma das mais animadas com a presença dos adventistas. “Somos muito agradecidos”, resume a líder. Contato – O contato com a tribo começou há três anos, quando Cláudio, o cacique na época, bateu na porta do instrutor bíblico Luiz Carlos Martins Pinto. O índio pediu a informação de um endereço, mas Luiz o convidou para entrar e almoçar com sua família. Eles conversaram sobre religião e Cláudio recebeu um rápido estudo bíblico. O líder da aldeia ficou animado para falar aos outros índios sobre o que havia aprendido, principalmente sobre a guarda do sábado. Cada vez que ia à cidade, ficava na casa de Luiz para aprender mais. Com a abertura, Luiz começou a evangelizar os índios há dois meses, apesar de Cláudio ter falecido no ano passado. O missionário estuda a Bíblia com 25 índios toda sexta-feira. Ele tem o auxílio do pastor Dyotagnan Maia e de alguns colportores. “Pode não ser fácil se deslocar até lá e as condições do ambiente não são as melhores, mas foi para isso que o Senhor nos chamou”, justifica. Os adventistas trabalham para estabelecer uma congregação na aldeia.  Revista Adventista I julho • 2012

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Adoração

Culto renovado

Maringá, PR: Igreja do Horto Florestal, com 250 membros, tinha frequência média de apenas 40 pessoas aos domingos. Agora, o templo costuma ficar lotado e a igreja já colhe batismos. Congregação investiu em bons oradores e louvor ao vivo

Márcio Tonetti e Patrícia Ferreira

Colaboradores

Qual é o dia da semana em que é mais fácil levar um amigo da universidade ou um colega de trabalho para participar do culto na igreja? Provavelmente, não seja sábado de manhã, e sim domingo à noite. A razão é óbvia: boa parte das pessoas tem compromisso com trabalho ou escola no primeiro horário, enquanto estão com tempo disponível no segundo. Pensando nessa realidade, o projeto “Domingos Especiais” visa a resgatar o foco evangelístico dos cultos de domingo, envolvendo o maior número de jovens na preparação de uma programação de qualidade para esse momento. Temáticas instigantes, bons pregadores, música e recepção de qualidade dão uma “cara mais jovem” ao culto, tornando-o mais atrativo. “Se temos um bom programa, o povo aparece”, frisa Elmar Borges, líder dos jovens adventistas do Sul do Brasil e grande promotor da iniciativa. Nova dinâmica – O programa é coordenado pelo Ministério Jovem local e procura envolver todos os ministérios da congregação. É realizado desde o ano passado e já tem muitas histórias de sucesso. Uma delas é da Igreja do Horto Florestal, em Maringá, PR. “Uma vez, alguém definiu ‘inovação’ como mudar a forma sem alterar o produto. E é exatamente isso que estamos tentando fazer. O produto é 28

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o mesmo: pregação e louvor. Mas, a embalagem foi adaptada para as necessidades do século 21”, explica o pastor Agenor Simões, responsável pela ação local. Os jovens exercem papel ativo em todo o programa. Em Maringá, para atrair convidados, o projeto conta com o apoio da rádio Novo Tempo, das redes sociais e do infalível boca a boca. A igreja de 250 membros, que tinha frequência média de 40 pessoas nos cultos dominicais, agora testemunha lotação máxima e batismos aos domingos. Só em 2011, a recepção cadastrou mais de 200 interessados e 30 pessoas foram batizadas em parceria com as frentes missionárias da igreja. Batismos – Neste ano, a congregação já celebra a visita de 270 interessados e o batismo de dez pessoas. O ancianato da igreja comemora o resgate do caráter evangelístico do culto e o alto comprometimento da juventude. A conversão de Márcio e Caroline Amblard é fruto da iniciativa. O casal conheceu a Igreja Adventista há dois anos, passou a participar de pequenos grupos de estudo da Bíblia, mas apenas decidiu pelo batismo numa programação dominical. “Logo que chegamos, fomos muito bem acolhidos, nos sentimos em casa. Com o passar do tempo, não conseguíamos ficar afastados, era um domingo

Fotos: Clério Alves

Igrejas procuram restaurar o foco evangelístico dos cultos de domingo com a participação dos jovens. Iniciativa já tem bons resultados

Afastado da igreja havia dois anos, foi por influência dos cultos reavivados de domingo que Lucas Pereira decidiu ser rebatizado

Márcio e Caroline Amblard foram batizados no fim de maio. Depois de frequentarem um pequeno grupo por dois anos, a decisão foi tomada num culto de domingo

melhor que o outro, com pastores de todo o Brasil e batismos lindos. Sentíamos a presença do Espírito Santo”, relata Caroline. O casal foi batizado no fim de maio. Curitiba – Em 2011, a Igreja do CIC (Cidade Industrial), em Curitiba, também percebeu que deveria fazer algo para mudar a realidade dos cultos de domingo. A frequência era mínima, cerca de dez pessoas. Quadros mais atrativos, pregadores interessantes, campanhas na internet para convidar mais pessoas, tudo isso fez com que os cultos ganhassem mais dinamismo e público. Afastado da igreja havia dois anos, foi por influência do projeto que Lucas Pereira decidiu ser rebatizado. “Depois daquele domingo mudou tudo. Comecei a frequentar outros domingos e a ir nos sábados também. Voltei a ter prazer de ir à Igreja”, destaca o eletricista. No caso

de Sérgio Luiz de Brito, o convite foi feito pela namorada. Ele gostou do ambiente, das mensagens e resolveu ficar. “É um programa diferente, voltado para a realidade das pessoas. Sinto- me valorizado”, afirma. Na opinião de Eduardo Martini, que coordenou o programa no ano passado, um dos segredos é o envolvimento do maior número de pessoas. “Todo jovem tinha uma função, por menor que fosse; seja cumprimentando as pessoas à porta ou apagando e acendendo a luz na hora do vídeo. É assim que a gente cria líderes e um grupo unido”, ressalta. Limitações e envolvimento – Qual é a estrutura necessária para fazer essa revitalização? Mínima, segundo os voluntários da Igreja do CIC. Localizada num bairro de classe média baixa, a igreja dispõe de uma infraestrutura limitada. Contudo, na avaliação de Marlon Leinioski, líder do Ministério Jovem local, não é preciso ter muitos jovens nem dinheiro: “é preciso apenas vontade para fazer a diferença.” O programa deve ser adaptado para cada realidade e a sugestão que se inicie no domingo seguinte ao término da Semana Santa, estabelecendo assim uma conexão entre as duas programações evangelísticas. Segundo o pastor Elmar Borges, a iniciativa se justifica porque é preciso manter ao longo do ano a qualidade do programa da Páscoa. 

Modo de fazer Basicamente, o programa tem sete passos: 1. As recepcionistas cadastram os dados dos visitantes; 2. O diaconato cuida da acomodação dos interessados no templo; 3. O louvor é acompanhado por instrumentos, com músicas bem selecionadas; 4. São convidados grupos e solistas para as mensagens musicais; 5. Uma oração intercessora é feita em favor de pessoas ou circunstâncias específicas; 6. A pregação é dirigida pelo pastor local ou um convidado especial. Necessariamente, os jovens não precisam pregar. 7. No fim do programa é servido um lanche para criar um momento de socialização.


Missão

Passaporte missionário Aeroporto Internacional de São Paulo é o primeiro do Brasil a contar com capelania adventista. Nos EUA, igreja também presta esse serviço em Washington pessoas circulam anualmente pelo corredor principal do aeroporto, onde a capela está situada. Abordagem – Perto da capela encontram-se cartazes indicando a sala de oração. Com a chaPastores Rodrigo Cerencovich (esq.) e Heber Mascarenhas mada “Este é um na capela do aeroporto. Além de três horários de lugar de esperanculto ministrados pelos adventistas, projeto oferece passaporte personalizado com livro missionário ça, seja bem-vindo!”, os viajantes Rafael Brondani e Ansel Oliver são convidados para entrar e retiColaboradores rar o “passaporte da esperança”, maO Aeroporto Internacional de terial com uma breve sinopse sobre São Paulo, em Guarulhos, tem o livro missionário. cerca de 30 mil funcionários e Um dos pastores participantes do projeto, Rodrigo Cerencovich, atende 80 mil passageiros por dia. salienta que a iniciativa é uma viDevido ao trânsito intenso de pessoas, em 1987 a Infraero decidiu trine da Igreja Adventista no aecriar uma capela ecumênica. Priroporto. “São pessoas de todos os meiramente, o espaço foi utilizaestados e países que passam por do para missas católicas, depois, ali, e têm a oportunidade de nos conhecer e eventualmente contambém foi usado para cultos tatar-nos”, destacou Cerencovich, evangélicos. Recentemente, no que já relata algumas reações podia 24 de maio, foi a vez da Igreja Adventista realizar sua primeira sitivas dos passageiros. programação na sala. O ministro cita uma história No início de março, foram feirecente em que, um dos viajantes abordados, um passageiro da tos os primeiros contatos oficiais Bahia, que se identificou como adcom a administração do aeroporto. ventista, estava acompanhado de Os adventistas foram autorizados a usar o espaço três vezes na semaduas senhoras. Uma delas já havia lido o livro missionário e prona. As atividades têm total apoio da curava receber estudos bíblicos. sede administrativa da Igreja para o “Ao verem nossa igreja integrada Vale do Paraíba e conta com a parnuma missão organizada nos mais ticipação dos pastores da cidade de Guarulhos. Um material exclusivo diversos lugares, isso deve trazer um impacto muito positivo foi desenvolvido em forma de pasa nosso respeito”, completa saporte para ser entregue com o lio pastor. vro A Grande Esperança. O coordenador do projeto, pastor Heber Mascarenhas, conta Prudência – Por ser um espaço público e pluralista, que existe um grande potencial a ser explorado nesse trabalho. é preciso prudência no trabalho, caso contrário a Igre“Certamente, o Espírito do Seja pode perder a autorização nhor nos ensinará os melhores para atuar. “O local aparenta métodos para levar a mensagem ser de oração e não de culto, de esperança naquele movimentado aeroporto”, acredita. Seembora outras igrejas façam cerimônias por lá”, conta o gundo a Infraero, 6 milhões de

pastor Felipe Feitosa. “As pessoas que por ali passam demonstram ter fé, as crenças são diversas. Alguns fazem sinal da cruz, outros falam com Deus de olhos abertos e oram de tal forma que, para quem os observa, parece que tem alguém do lado deles”, acrescenta. A sala tem capacidade para 40 pessoas. Fica no piso de embarque, no corredor que liga os terminais de passageiros 1 e 2. Para quem quiser entrar em contato pela internet, foi criado um e-mail: capelania.aeroporto@esperanca.com.br. EUA – No Aeroporto Internacional de Washington, Estados Unidos, quem faz esse trabalho é o pastor Jose Barrientos Jr. Todas as terças-feiras, ele sai de casa às 5 horas para ministrar a um rebanho desconhecido e apressado, que não consta no rol de membros da igreja que lidera nas proximidades da Capital. Ele é o capelão mais novo do aeroporto e o único hispânico. Por isso, costuma atender passageiros latinos que precisam de informações turísticas e orientação espiritual. Por causa de sua nacionalidade, Barrientos também tem maior acesso aos funcionários da manutenção, de maioria hispânica.

Na capela do aeroporto, frequentada por 300 pessoas diariamente, o pastor ministra cultos uma vez por mês. A demanda de trabalho para Barrientos é muito grande. O aeroporto tem 30 mil funcionários e recebe anualmente 24 milhões de passageiros. “Nós só temos influência quando nos misturamos com as pessoas e passamos tempo com elas, atendendo seus interesses, em vez de nossas necessidades”, pontua Gary Councell, diretor do Ministério de Capelania Adventista. Nesse sentido, Barrientos é pastor, mas acaba atuando como guia turístico, crítico de restaurante e relações públicas. Com cabelo escuro espetado e terno cinza-escuro com gravata verde, ele mistura um estilo formal com jovialidade, natural para um ministro de 28 anos de idade. Contato – No aeroporto, a abordagem deve ser rápida e adequada. “Os passageiros geralmente estão nos dois extremos: muito felizes ou tristes”, explica Barrientos. Alguns vão visitar parentes e outros viajam em função de doença ou morte de conhecidos. Por isso, Barrientos procura fazer uma leitura rápida do rosto da pessoa com quem vai conversar. Quando há abertura, o pastor fala sobre os serviços de culto da capela e oferece literatura, geralmente o livro Caminho a Cristo, de Ellen G. White. No mundo, 140 aeroportos têm capelas, em sua maioria, interdenominacionais. Fica aqui uma ideia que pode levantar voo no meio adventista. 

De informações turísticas a orientação espiritual, o pastor Barrientos procura dar assistência aos passageiros e funcionários latinos do aeroporto internacional de Washington (EUA). Trinta mil empregados trabalham para atender 24 milhões de usuários

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Evangelismo

Escola de pescadores Programa de formação de evangelistas envolve fiéis e torna mais missionárias as igrejas do Sul e do Norte do Brasil

Auditório no bairro Santa Mônica: nova congregação tem 60 pessoas. O plano é que os Resultado – Como re- pastores invistam o dobro de seu tempo em sultado da campanha, evangelismo público

Macapá, AP: Série do evangelismo-escola atraiu mil pessoas a cada noite. Mobilização, que começou em março, levou quase 600 pessoas ao batismo

Márcio Tonetti

Colaborador

Em setembro de 2011, um grupo de pastores participava da primeira escola de evangelismo organizada no Sul do Brasil. Edilson Cardoso era um dos ministros integrantes da turma de 43 alunos. Dez meses depois, o que se vê no distrito de Vila Maria Antonieta, na região metropolitana de Curitiba, é resultado, em grande parte dos métodos e técnicas que ele absorveu naquele curso. Hoje, sua visão e de sua igreja sobre evangelismo público mudou. Ambos estão mais focados na missão. O projeto é um programa oficial da Igreja Adventista para a América do Sul. Até 2015, todos os pastores do continente devem passar por essa reciclagem.

tinha ouvido no treinamento. Por isso, escolheu o bairro Santa Mônica, em Piraquara, PR. A comunidade tem 10 mil habitantes e tinha apenas oito adventistas, seis deles recém-batizados. A campanha evangelística começou com a entrega do livro A Grande Esperança, 90 dias antes da distribuição dos convites para as reuniões públicas. Logo depois, foi feita uma pesquisa de interesse pela Bíblia e a entrega do DVD O Grande Conflito. O passo seguinte foi envolver os voluntários da Missão Calebe. Como se pode ver, o projeto tem ênfase na integração dos ministérios e iniciativas já existentes. Um dos “calebes” foi o técnico de enfermagem, Eliezer Araújo, de 27 anos. Ele ministrou estuPassos – Edilson percebeu que dos bíblicos e auxiliou em proprecisava “pescar de rede”, como jetos comunitários. Afastado da igreja havia dez anos, Eliezer tomou a decisão pelo rebatismo ao se envolver na missão. “Quando a primeira pessoa que eu estava dando estudo bíblico se levantou e aceitou o batismo, percebi que Deus estava me chamando”, Tubarão, SC: Aulas teóricas pela manhã, visitas conta o técnico de na parte da tarde e atuação numa série pública enfermagem, batizaà noite. É a oportunidade de os ministros do durante a campaaprenderem na prática com evangelistas nha evangelística. experientes, como o pastor Luís Gonçalves

uma congregação foi aberta no bairro Santa Mônica, onde se reúnem 60 pessoas. “A Igreja Adventista ficou conhecida no bairro. Dezenas de pessoas pararam de fumar. Mais de 200 estiveram presentes nas reuniões e uma nova igreja foi formada. Foram mais de 40 batismos”, comemora o pastor Edilson Cardoso. Um Clube de Desbravadores, com 45 integrantes também foi estabelecido, sendo Eliezer o líder da agremiação. No Sul, a iniciativa do evangelismo-escola estimula os pastores a dobrar o investimento de tempo e recursos para campanhas públicas. No caso de Edilson, o número de dias dedicados ao evangelismo já deve chegar a 60 neste ano. “Foram 23 em janeiro e serão mais 23 em agosto e 14 dias em setembro”, confirma.

SC – No início de junho, pastores dos três estados participaram da segunda edição do curso, realizado em Criciúma e Tubarão, SC. Nessa escola, a dimensão prática do processo de aprendizagem é fundamental. “Temos chamado de evangelismo-escola e não de escola de evangelismo. Isso porque o foco está na prática. A ideia é fazer o evangelismo transformando-o em uma escola”, esclarece o pastor Luís Gonçalves, coordenador do projeto e um de seus professores. Os pastores assistem às aulas expositivas de manhã, à tarde realizam visitas e, à noite acompanham a aplicação dos conceitos numa série real. É a oportunidade única de pastores distritais aprenderem observando evangelistas experientes. Igreja – Na região central do Paraná, o programa ganhou uma versão adaptada para os membros. O curso é dado num fim de semana. Os fiéis aprendem a

ministrar estudos bíblicos, a dirigir um evangelismo público, escolher um local, fazer apelos, orçamentos e planejamentos. Um DVD de apoio, com o passo a passo do evangelismo, também ajuda os alunos. Como resposta a esses incentivos, o número de batismos no primeiro semestre na região dobrou: de 300 pessoas em 2011, para 600, neste ano.

AP – Em Macapá, AP, a segunda semana de junho foi dedicada ao evangelismo-escola. Os pastores Luís Gonçalves, Leonino Santiago e Ivanildo Cavalcanti dirigiram as aulas acompanhadas por pastores das sedes administrativas da Região Norte. Cerca de mil pessoas assistiram às pregações noturnas, realizadas no CEAP, com a participação do quarteto Arautos do Rei e do pastor Ivan Saraiva. A semana de colheita e o curso para evangelistas foram a coroação de um investimento de médio prazo dos líderes eclesiásticos locais. Desde março, a igreja na região foi mobilizada a participar de pequenos grupos, duplas missionárias, classes bíblicas e atuar como instrutores bíblicos. Como resultado, toda a mobilização resultou em quase 600 batismos. RO – Em Ouro Preto do Oeste, RO, a semana de 26 de maio a 2 de junho foi marcada pelo primeiro fruto do evangelismo-escola realizado em abril, pelo pastor Luís Gonçalves, nas cidades de Ji-Paraná, Cacoal e Rolim de Moura. O programa no distrito contou com a presença de 70 pessoas e envolveu boa parte dos membros das igrejas. Foram realizados seminários pela manhã, visitas à tarde e pregações à noite. A igreja local já colheu vários batismos. Para este ano, a previsão é que mais 12 campanhas semelhantes sejam realizadas no sul de Rondônia. – Com reportagem de Ivo Mazzo.  Revista Adventista I julho • 2012

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Saúde

Todos contra o cigarro Escolas organizam passeatas, igrejas promovem cursos antitabagistas e hospital realiza feira de saúde

Mesmo debaixo de chuva, alunos do Colégio Adventista do Rio de Janeiro fizeram uma passeata nas proximidades da estação Afonso Pena do metrô Da redação

Apesar de o número de fumantes no Brasil ter reduzido de 16,2% para 14,8% nos últimos cinco anos, segundo relatório Vigitel 2011, o tabaco ainda custa 19 milhões de reais para os cofres do SUS e a vida de 80 mil brasileiros, por ano. O estudo divulgado pelo Ministério da Saúde, em abril, justifica as mobilizações realizadas por adventistas e instituições da denominação contra o fumo, em 31 de maio, Dia Mundial de Combate ao Tabagismo. Essa bandeira é defendida pelo adventismo há mais de um século e motiva os fiéis e a denominação a continuar oferecendo motivação, informação e suporte para os dependentes do cigarro que

Florianópolis, SC: Em três cruzamentos do calçadão da Rua Felipe Schmidt, os estudantes ofereceram 300 maçãs e mil folhetos para os pedestres 32

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desejam deixar o vício. Dentre as principais ações, estão o curso antitabagista de uma semana e os programas de desintoxicação de nossas clínicas e hospitais. Porém, no dia 31, as iniciativas se concentraram em passeatas promovidas pelas escolas adventistas, cursos organizados por igrejas e uma feira de saúde promovida pelo Hospital Adventista de São Paulo. RJ – Em parceria com o Hospital Adventista Silvestre, a Igreja de Botafogo realizou um curso antitabagista de cinco dias para 50 pessoas, na última semana de maio. Para atrair o público, os organizadores distribuíram folhetos e colaram folders nas principais estações de metrô da Zona Sul do Rio de Janeiro. “Já temos resultados do projeto. Várias pessoas deixaram o vício e algumas famílias estão frequentando a Igreja da Rocinha e de Botafogo”, destaca o pastor local, Willians do Carmo.

Em parceria com o Hospital Adventista Silvestre, Igreja de Botafogo sediou curso para 50 fumantes

A equipe multidisciplinar do hospital está se revezando para dar assistência continuada à população antes dos cultos de quarta-feira e domingo. Além dos muros da igreja, a população carioca também foi alertada sobre os riscos do fumo pelos alunos do Colégio Adventista Rio de Janeiro. Com o lema, “troque a nicotina por uma vitamina”, eles desafiaram os fumantes a trocar o maço de cigarros por uma fruta. Mesmo com o clima chuvoso, a passeata com faixas e cartazes terminou na estação de metrô Afonso Pena. “É emocionante ver essas crianças com essa campanha na cidade. Fumei por muito tempo, mas há 20 anos deixei o vício. Hoje, sinto-me um jovem, pude renascer e me tornar uma nova pessoa”, aprovou o aposentado Samuel Mantilha. SC – Iniciativa semelhante tiveram 20 alunos do Ensino Médio do Colégio Adventista de Florianópolis, unidade centro. Em três cruzamentos do calçadão da Rua Felipe Schmidt, os estudantes ofereceram 300 maçãs e mil folhetos para os pedestres. “Pouquíssimas pessoas rejeitaram a troca. A maioria ficou feliz. As pessoas querem

parar, falta só um incentivo”, avaliou o pastor Paulo Orling, diretor do colégio. Jornais impressos e radiofônicos cobriram a manifestação. GO – Em Barro Alto, GO, 400 alunos de escolas públicas desfilaram com faixas, distribuíram panfletos e encenaram um suposto velório do cigarro. “Nunca houve uma passeata contra o fumo em nossa cidade e acho a iniciativa muito importante”, opinou Pedro Veloso. Dona Luzia Pereira, proprietária de um bar em que são vendidos cigarros, não se importou que colocassem uma grande faixa contra o tabagismo em seu estabelecimento. “Eu sei o mal que o cigarro faz, e não me importaria se nunca mais vendesse ele. Mesmo perdendo dinheiro, ganharíamos saúde”, declarou. A mobilização faz parte de uma estratégia diferenciada do pastor local, Ivan Mancila. Apesar de a cidade ter um templo adventista, não tem membros. O caminho, segundo o ministro, foi envolver a população em ações sociais que dessem visibilidade à denominação. Para tanto, o pastor organizou um comitê de ações sociais com as autoridades locais. A passeata deu abertura a um curso antitabagista de 15 dias, realizado no templo adventista. MS – No Estado, houve mobilizações nas cidades de Corumbá, Campo Grande, Mundo Novo e Nova Andradina, como parte do projeto “Brasil + Verde”, que visa a sensibilizar a bancada estadual e nacional com um abaixo-assinado e uma petição online. O objetivo é proibir o fumo em locais públicos abertos, como praças e áreas de lazer.

Bairro Alto, GO: pastor adventista mobilizou as escolas públicas e autoridades locais numa passeata contra o cigarro. Na sequência, templo adventista sediou curso antitabagista


Waleska Mendonza, coordenadora do projeto pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, uma das instituições que promovem a mobilização contra o tabaco há cerca de seis anos na cidade, convidou toda a população a se unir por essa causa. “Temos o apoio da OAB- MS e estamos promovendo esse abaixo-assinado online para mandar ao Congresso Nacional. A população que é a favor desse projeto, pode acessar o site www.corumba.educacaoadventista.org.br, assinar a petição pública e fazer alguma coisa em defesa das crianças”, incentivou. “O cigarro pode gerar câncer na boca, no pulmão e tantas outras doenças. Sua fumaça irrita o nariz e não é nem um pouco bom, por isso, todo mundo tem que mostrar que o cigarro faz mal”, afirma Yeri Júnior, aluno do 5º ano. Orgulhoso do filho, o senhor Yeri ajudou o garoto a confeccionar o

curso antitabagista de uma semana no bairro Jardim Vermelhão, em Guarulhos, SP, no início de maio. Participaram profissionais de saúde, como médicos de Em quatro cidades do Mato Grosso do Sul, manifestação das escolas adventistas procurou diversas especialidades, nutricionista e apoiar o movimento que pede a proibição do fumo em lugares públicos abertos psicólogo. Durante o cartaz da passeata e falou da imcurso, uma equipe de enfermaportância da família na prevenção gem do HASP ofereceu atendidos vícios. “A família é a unidade mento de avaliação de glicose e estrutural de uma sociedade e por pressão arterial. isso procuramos encaminhar os “Além do conhecifilhos num bom caminho”, disse. mento sobre os maEm Campo Grande, 300 alulefícios do cigarro, nos das duas unidades escolares é importante levar se uniram numa passeata que perum programa descorreu as principais ruas da cidases para as pessoas a de. Um cigarro gigante e até um fim de ajudá-las a deicaixão foram usados para chaxar de fumar, pois, mar a atenção de quem passava. apesar de a maioria Segundo os organizadores, uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde mostra que o fumo passivo mata 7,5 mil brasileiros por ano. Sendo que 40% dessas vítimas são crianças que morrem de infecções respiratórias. A mobilização virou matéria nas emissoras de TV Globo, Record e Bandeirantes. SP – O Hospital Adventista de São Paulo (HASP) realizou um

Espiritualidade

Movimento kids Crianças da região metropolitana de Salvador realizam jornada espiritual de 21 dias

Thaiane Firmino

Colaboradora

“Aqui estou aprendendo mais como devo ser para estar para sempre com Jesus”, disse Mateus Barreto, de 10 anos. Para a juvenil Ana Carolina Mendes, a ação é inovadora, “agora não preciso buscar nas apostilas dos adultos as informações diárias para ser batizada pelo Espírito Santo, já tenho a minha”. “Posso explicar a outros sobre o que aprendi aqui. Foi muito bom”, contou Letícia Lima, de 7 anos. Esses depoimentos de crianças demonstram a seriedade com que 500 juvenis da região metropolitana de Salvador, BA, encararam

o desafio de realizar uma jornada espiritual de 21 dias. Em meados de maio, essa turminha participou do lançamento da apostila Ligados em Jesus, material que visa a incentivar a busca diária pelo batismo do Espírito Santo, a intimidade com Deus, o senso de comunidade e estimular o testemunho cristão. A ideia é inspirada no Seminário de Enriquecimento Espiritual, lançado há alguns anos para os adultos, e que agora na região, tem abordagens específicas para as mulheres, jovens e crianças. A programação foi dinâmica e contou com músicas, palestras, cantatas e atividades pedagógicas. “Estou ainda mais motivada para

trabalhar nessa área. Com essa jornada espiritual, nossas crianças entenderão ainda mais sobre

saber das desvantagens do cigarro, a parte mais difícil é abandonar o hábito de fumar”, comentou o pastor Walter Tamandaré, capelão do hospital. No domingo, dia 13, o projeto teve seu clímax com uma feira de saúde sobre os oito remédios naturais. Cada estande abordou os benefícios e como usar cada recurso natural. – Com reportagem de Dina Karla Miranda, Tatiane Lopes, Daniel Gonçalves, Lívia Gaertner (do jornal Diário Online), Rosemeire Félix, Lucimar Almeida e Felipe Lemos. 

Guarulhos, SP: Hasp realizou curso antitabagista e feira de saúde sobre os oito remédios naturais, no bairro Jardim Vermelhão

Jesus”, disse Rosana Oliveira, líder do Ministério da Criança da Igreja de Plataforma.  Salvador, BA: 500 crianças aceitaram o desafio de realizar uma jornada espiritual de 21 dias. O plano é desenvolver hábitos devocionais e missionários nos menores

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Sustentabilidade

Cuidado com a natureza

Dia Mundial do Meio Ambiente foi lembrado pelas escolas com mostra cultural, passeio ciclístico, distribuição de sementes e feira sobre alimentação saudável

O coral da Escola Adventista do Novo Mundo se apresentou no Parque Vaca Brava, em Goiânia, GO Da redação

O Dia do Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, foi marcado com aula de campo, em Gravatá, PE. Oitocentos alunos das redes pública e privada – de Recife, Caruaru, Vitória do Santo Antão, Belo Jardim, Garanhuns, Sairé, além de Gravatá – participaram de ações de preservação e consumo consciente. A programação foi realizada no Instituto Adventista Pernambucano de Ensino (IAPE), o mais novo internato adventista do Brasil. O colégio começará a funcionar somente em 2013, mas, há quatro anos, já se preocupa em transformar o espaço numa região arborizada e rica em produtos naturais da terra. Por isso, a unidade de ensino já conta com 4 mil pés de árvores diversas, entre elas, pés de manga, graviola e frutas típicas da região.

Rio: alunos distribuíram sementes de ipê nas principais ruas da cidade 34

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No dia 5, as crianças puderam plantar sementes e raízes de frutas e legumes que, daqui a alguns meses, farão parte do cardápio do refeitório do internato. Além dos cuidados com a horta, os alunos aprenderam a consumir produtos naturais de forma consciente, através da 1ª Mostra de Produtos Orgânicos da Rede Adventista da região. Frutas, verduras e legumes diversos, e, o melhor, sem agrotóxicos. Mel de abelha e engenho, bolos com farinha integral e redução de açúcar, rapaduras e sucos integrais estavam entre os produtos disponíveis na feira. Da horta para a mesa – “Foi um dia de aprendizado. As crianças esperam por esse momento, pois vivem muito presas nas cidades, em meio ao concreto. Elas precisam desse tempo de contato com a natureza. Por meio dessa ação, incentivamos a plantação, o consumo, e até na hora de levar pra casa, eles aprenderam a importância da sustentabilidade, pois só usamos

sacolas retornáveis”, comentou a professora Raquel Ricarte, coordenadora da rede escolar para o agreste e sertão de Pernambuco. Para as crianças, o dia de aula fora da sala valeu a pena. Izadora Franco, 11, levou a mãe com ela, e saiu com a sacola cheia de produtos orgânicos. “Alface, cenoura, rúcula e rapadura! Mamãe ajudou a escolher, né? Mas foi muito bom, porque aprendi que a alimentação sem agrotóxico faz bem pra natureza e é saudável pra mim”, comentou a menina, que voltou para casa com motivos suficientes para entender que cuidar da natureza pode ser bem gostoso. CE – Em Fortaleza, os alunos do Colégio Adventista Paulo César Afonso fizeram uma blitz ecológica ao som de músicas de alerta à sociedade. Eles distribuíram lixeiras para automóveis, panfletos e mudas de plantas no trecho de convergência da Avenida da Universidade com a Domingos Olímpio. Foram entregues sacolas retornáveis aos clientes da praça de alimentação do shopping Benfica, do banco Bradesco e aos oficiais do comando da Polícia Militar, instituições apoiadoras das iniciativas do colégio. A mobilização externa foi precedida pelas atividades educativas em sala de aula. Os alunos confeccionaram objetos com garrafas plásticas, reciclaram papel para a produção de cartões e revitalizaram a horta do colégio. A mídia local deu visibilidade às ações dos estudantes. GO e DF – Em Goiânia, os colégios dos bairros Jardim Europa e Novo Mundo participaram de uma programação no Parque Vaca Brava, com outras escolas municipais, num evento organizado

PE: 800 alunos plantaram mudas e aprenderam sobre alimentação saudável no Iape, mais novo internato adventista do Brasil

pela Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA). O coral da Escola Adventista do Novo Mundo se apresentou e sementes de crotalária juncea foram distribuídas. A planta tem sido usada nas mobilizações da Rede Educacional Adventista por atrair libélulas, predadoras do mosquito da dengue. Em Brasília, a Infraero promoveu palestras, debates e exposições nos dias 4 a 6 de junho, na sede da empresa. Organizado pela Superintendência de Meio Ambiente (DTME), o evento contou com a participação do Coral Infanto-Juvenil do Centro Educacional Adventista Milton Afonso e de órgãos governamentais e empresas ligadas ao setor, como Ibama, Ministério do Meio Ambiente, Senado Federal, Companhia Energética de Brasília e O Boticário.

No Vale do Paraíba, as nove unidades escolares participaram de mobilizações: de entrevistas para programas de rádio a passeio ciclístico e mostra cultural


SP e RJ – Na região metropolitana de São Paulo, o Colégio Adventista de São Caetano realizou uma mostra sobre energias renováveis, no dia 27 de maio. O evento recebeu a visita de 400 pessoas da comunidade escolar, que acompanharam como tecnologias ecologicamente corretas têm sido desenvolvidas e usadas em 13 países. No dia 17 de junho, no Unasp, campus Engenheiro Coelho, foi realizada uma mostra científica que teve como tema a sustentabilidade. A ênfase esteve na res-

Unasp: Mostra cientícica apresentou desfile com roupas recicladas

ponsabilidade de cada indivíduo na condição ambiental do planeta. As salas de aulas foram transformadas em espaços de ensino prático sustentável e um desfile apresentou vestidos confeccionados com materiais recicláveis. No Vale do Paraíba, SP, foram mobilizados 6.700 alunos das noves unidades escolares. Em Cruzeiro, a escola trabalhou com o apoio da Secretaria de Meio Ambiente e a Polícia Ambiental. Na cidade de Jacareí, os estudantes participaram de um programa da Rádio Novo Tempo. Visibilidade semelhante tiveram os alunos de São José dos Campos. Ali, eles foram acompanhados pela TV Novo Tempo. Em Lorena, a data foi lembrada com um passeio ciclístico e uma mostra cultural na escola. Na Capital fluminense, alunos do Colégio Adventista Rio de Janeiro e da Escola Adventista de Botafogo distribuíram sementes de ipê nas principais ruas da cidade. PR – Em Guairá, PR, a escola adventista participou de

uma passeata com outros colégios públicos. Os estudantes caminharam pela Avenida Mate Laranjeira e se concentraram na Praça do Chafariz, onde fizeram apresentações culturais. Destaque para o coral da escola, a fanfarra do clube de aventureiros e a dramatização realizada pelos desbravadores. Na oportunidade, também foi organizado um posto de coleta de lixo eletrônico. A data – Essa data foi estabelecida pela ONU (Organização das

Clique verde

Nações Unidas), em 15 de dezembro de 1972, devido à Conferência de Estocolmo, na Suécia, marcando assim um encontro importante entre vários países na busca da defesa do meio ambiente. Em junho, o mundo e, especialmente os brasileiros acompanharam discussões semelhantes por ocasião da Rio +20. – Com reportagem de Fúlvia Franks, Dina Karla Miranda, Gabriel Stein, Vanderleia Xavier, Rebbeca Ricarte, Julianna Curado, Thais Firmino e Olivandro Maia. 

No mês em que foi comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente e realizada a Rio+20, o Portal da Educação Adventista lançou o hotsite Esperança para o Planeta. O projeto visa a promover as campanhas de preservação do meio ambiente desenvolvidas pelas escolas adventistas, bem como conscientizar a comunidade sobre seu papel transformador em uma sociedade sustentável. O site aborda os principais problemas ambientais da atualidade e sugere soluções a partir de pequenas mudanças em nosso cotidiano. Acesse www. educacaoadventista.org.br/esperanca-planeta.

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Gente Bodas de Diamante (60 anos)

De Deodato e Eulália Oliveira, em Belém, PA, pelo pastor Marcos Góes, na Igreja do Coqueiro. O casal teve oito filhos, 15 netos e seis bisnetos.

Bodas de Ouro (50 anos)

De João de Souza e Terezinha Camargo Machado, em Videira, SC, pelo pastor Djack Douglas Stuart. O casal frequenta a Igreja Central da cidade. Eles têm sete filhos e onze netos. De Arnaldo João e Lenita Gade em Taquara, RS, pelo pastor Wallace Barreto Esterci. Familiares e amigos prestigiaram a cerimônia.

Responsabilidade Social

Ensino de valores Unasp recebe prêmio Trote Solidário como reconhecimento de seus projetos de extensão

Câmara Municipal de São Paulo homenageou o Unasp por seu programa de trote solidário

Murilo Bernardo

Colaborador

No Unasp, campus São Paulo, a recepção dos calouros não é um momento de apreensão e medo para os novatos, como em boa parte das universidades. Ao contrário, quem ingressa na instituição adventista é convidado a servir à comunidade em seus inúmeros projetos de extensão. Foi por essa visão diferenciada, e coerente com a filosofia de educação cristã, que o centro universitário recebeu o 1º lugar no Prêmio de Cidadania Universitária Edison Tsung-Chi Hsueh, o “Trote Solidário”, concedido pela Câmara de São Paulo, no dia 24 de maio. Ações – Entre as diversas ações que o Unasp organizou, estão as feiras de saúde, que ofereceram a coleta de exames médicos para comunidades que vivem longe de 36

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olhar dos moradores para sua própria realidade. O Unasp ainda levantou um senso do bairro, o qual servirá de base para futuras ações. Todos esses projetos tiveram a liderança das professoras Hildenir Bahia, diretora do Programa de Apoio ao Discente (Proad), e Cristina Tavares, coordenadora da extensão universitária do campus. Cidadania – O presidente da Câmara Municipal, José Police Neto, ressaltou a importância do trabalho do Unasp para a sociedade paulistana. “O Unasp vem formando cidadãos, e isso é motivo de orgulho para a cidade de São Paulo. O reconhecimento de hoje aponta para o que está nos princípios do Unasp”, afirmou. Para a Câmara Municipal, é motivo de orgulho não só o prêmio, mas a existência do Unasp”, concluiu José Police Neto. Segundo o diretor geral do campus, Hélio Carnassale, o Trote Solidário é uma fonte de motivação para a vocação solidária que a instituição já possui. “Mais importante do que o prêmio, para mim, é a motivação filosófica que está por trás disso. É passar para nossos alunos a compreensão de que estão chegando a uma instituição diferente, que preza o serviço desinteressado em favor do semelhante”, enfatiza. Cinquenta alunos dos cursos de Pedagogia e Enfermagem prestigiaram a cerimônia. 

um posto de saúde. A participação das crianças em brincadeiras pedagógicas; a orientação para que os jovens façam seu primeiro currículo; e a atenção prestada aos idosos, através de atendimento clínico psicológico mostram que é integral a atuação do Unasp na comunidade do seu entorno. Outras atividades da instituição deram contribuições mais abrangentes para o bairro. Creches e asilos, por exemplo, receberam doações de leite. Através do projeto “Sonhar Colorido”, as principais vias de acesso da comunidade Jardim Colombo foram pintadas em tons Quando ingressam no Unasp, alunos são convidados a participar dos vários projetos de extensão da vivos, uma tenta- instituição: de feiras de saúde ao atendimento tiva de mudar o psicológico de idosos

Revistas de julho

Vida e Saúde

Superbactérias – Por que elas existem, o mal que podem causar e o que fazer para evitar que se multipliquem. DPOC – Você não sabe o que é isso? Sete milhões de brasileiros sofrem com uma Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. É bom se prevenir. Sapoti – Essa fruta exótica é doce e tem muitas vitaminas e fibras que vão deixar você mais tranquilo.

Conexão 2.0 Capa – Educação Física não é só correr atrás de uma bola. Existem 127 opções de atividades. Chegou a hora de levar essa aula e sua saúde à sério. Caravaggio – Entenda a linguagem de luz e sombra do gênio italiano. Aborto – Três pontos de vista. Aprenda inglês – Fale uma nova língua de uma vez por todas.

Nosso Amiguinho Página da Luísa – Damos todas as dicas para você construir um brinquedo divertido, que o ajudará a desenvolver estratégias e trabalhar com a lógica. Recortar & Armar – Complete sua coleção de bonecos de papel, montando o Mindinho e o Azeitona. Mundo Amigo – Veja alguns dos pontos turísticos mais interessantes de Londres, a terra das Olimpíadas de 2012.

Nosso Amiguinho Júnior

Os países têm culturas diferentes. Conheça um pouco das características de vários países e aprenda com elas.


João de Souza Mendes – Aos 75 anos, em Sumaré, SP. Foi um dos pioneiros da Igreja de Jardim Denadai. Deixa esposa, filhos, netos e bisnetos.

Era nascida em família adventista. Frequentava a Igreja de Campinas, em São José, SC. Atuava como diretora de Escola Sabatina e missionária voluntária. Deixa o esposo, Jakes, e a filha, Kimberly.

Elza Frida Alvina Appel – Aos 87 anos, em Sinop, MT. Era adventista havia 53 anos. Deixa seis filhos, 18 netos e 15 bisnetos.

Jordino José Nunes – Aos 67 anos, em Machadinho do Oeste, RO. Era adventista havia nove anos. Deixa a esposa, Djanira, nove filhos, treze netos e um bisneto.

Nedir Silva de Lima – Aos 75 anos, em Porto Alegre, RS, de câncer. Era nascida em lar adventista. Foi pioneira da igreja de Vila Pitinga, na capital gaúcha. Deixa seis filhos, 21 netos e 10 bisnetos.

Eunice Pedrosa Costa – Aos 93 anos, em Rio Tinto, PA. Era adventista havia 27 anos. Frequentava a Igreja de Várzea, PB. Deixa oito filhos, 23 netos e 14 bisnetos.

Luciano Fernandes dos Santos – Aos 37 anos, em São José dos Campos, SP, de câncer. Era membro da Igreja do Bosque dos Eucaliptos.

Eva Schubert Motzkus – Aos 89 anos, em Hortolândia, SP. Atuou no serviço social e na ação missionária. Deixa três netos e três bisnetos.

Manoel de Assunção Duarte – Aos 64 anos, em São Paulo, de câncer. Era adventista havia 47 anos. Frequentava a Igreja de Parque Bristol. Deixa esposa.

F A LECI M ENTOS “Bem-aventurados os que desde agora morrem no Senhor” Ap 14:13 falecimentos@cpb.com.br

Alípio Ribeiro de Sá – Aos 92 anos, em Campo Mourão, PR, de broncopneumonia. Era adventista havia 74 anos. Foi pioneiro da igreja na cidade. Deixa cinco filhos e seis netos. Ana da Silva Schiavo Joveliano – Aos 75 anos, em Taquaritinga, SP, de infarto. Era adventista havia 38 anos. Foi pioneira da igreja em Santa Ernestina, SP. Atuava principalmente como missionária voluntária e diaconisa. Também era reconhecida pelos serviços à comunidade. Deixa seis filhos e seis netos. Ana Medina de Souza – Aos 85 anos, em São Paulo, de insuficiência respiratória. Era adventista havia 10 anos. Deixa seis filhos, 18 netos, sete bisnetos e um trineto. Ary Amador dos Reis – Aos 71 anos, em Taquara, RS, de infecção generalizada. Nascido em Rolante, na Fazenda Passos, era sobrinho-neto de José Amador dos Reis, primeiro pastor adventista brasileiro. Deixa a esposa, um filho e seis netos. Benedita de Lima Rossi – Aos 89 anos, em Londrina, PR. Foi uma das pioneiras do adventismo na cidade. Ao lado do esposo, José Rossi, levou muitas pessoas ao batismo. Deixa nove filhos, 32 netos e 33 bisnetos. Cândida Pinheiro da Silva – Aos 74 anos, em Ouro Preto do Oeste, RO. Era adventista havia 53 anos. Foi pioneira da Igreja Central, na cidade. Atuou como diaconisa. Deixa cinco filhos e sete netos. Djanira Pessanha Pacheco – Aos 100 anos, em Rio Comprido, RJ. Era membro da Igreja Central do Rio de Janeiro. Missionária voluntária, levou muitas pessoas ao batismo. Durval de Azevedo – Aos 89 anos, em Taquaritinga, SP, de falência múltipla dos órgãos. Era adventista havia 23 anos. Atuou como tesoureiro por 20 anos

na igreja de Artur Alvim, na capital paulista. Deixa nove filhos, 21 netos e nove bisnetos.

Florinda Maria de Oliveira Silva – Aos 75 anos, em Belém, PA, de embolia pulmonar. Era adventista havia 60 anos. Destacou-se no trabalho social e espiritual prestado à igreja e à comunidade. Deixa esposo, seis filhos, 13 netos e uma bisneta. Iolanda Jacy dos Santos – Aos 86 anos, em Curitiba, PR. Era adventista havia 15 anos. Frequentava a Igreja de Vila Sandra. Deixa quatro filhos, 13 netos, 20 bisnetos e dois trinetos. Iracema Abreu Gondim – Aos 81 anos, em Campo Grande, MS, de derrame cerebral. Era adventista havia 50 anos. Frequentava a Igreja de Santo Amaro, na capital sul-mato-grossense, da qual foi pioneira. Apoiou diversos projetos da igreja na área social, de saúde e de educação. Deixa esposo, dois filhos e três netos. Isabel Pereira – Aos 69 anos, em Salvador, BA. Era membro da Igreja de Valéria 2. Atuava como diaconisa. Jairo dos Santos – Aos 77 anos, em Mato Francês, SC. Era adventista havia 42 anos. Foi um dos pioneiros da igreja na região. Deixa a esposa, Otília, duas filhas e três netos.

Manoel Pereira da Silva – Aos 81 anos, em São Paulo, de falência múltipla de órgãos. Era adventista havia 54 anos. Como missionário voluntário, ajudou na fundação de diversas igrejas na capital paulista. Foi um dos fundadores da igreja de Ponte Rasa e atualmente frequentava a igreja de Piedade, SP. Deixa quatro filhos, nove netos e três bisnetos. Márcio Rogério de Carvalho – Aos 35 anos, em São José dos Campos, SP, vítima de acidente automobilístico. Formado em Teologia, atuava havia 10 anos no ministério pastoral. Estava à frente do distrito de Bosque dos Eucaliptos, na mesma cidade. Deixa a esposa, Daniela, e os filhos, Caique e Ithan. Maria Ferreira de Albuquerque – Aos 95 anos, em Campina Grande, PB. Era adventista havia 75 anos. Frequentava a Igreja de Fagundes, PB. Foi uma das fundadoras da Igreja de Baixada Verde. Deixa cinco filhos, 21 netos, quatro bisnetos e um trineto. Maria Lobato Reis – Aos 66 anos, em Mogi Guaçu, SP, de diabetes. Deixa esposo, filhos e netos. Nara Gomes Dias da Silva – Aos 41 anos, em Florianópolis, SC, de aneurisma da aorta abdominal.

Raimundo Brito de Santana – Aos 69 anos, em Presidente Dutra, MA, de problema cardíaco. Frequentava a Igreja do bairro Fátima. Era adventista havia 30 anos. Deixa a esposa, Romana, cinco filhos, sete netos e uma bisneta. Raimundo Maurílio Campos – Aos 73 anos, em São José dos Campos, SP. Era membro da Igreja do Bosque dos Eucaliptos. Deixa esposa e filhos. Rudy Weidle – Aos 84 anos, em Hortolândia, SP. Foi pastor em diversas igrejas. Também trabalhou na Missão Catarinense, Associação Paulista e A Voz da Profecia, atuando como tesoureiro. Deixa a esposa, Ivone, três filhas e quatro netos. Ygia Corrêa Kuntze – Aos 84 anos, em Tubarão, SC. Era membro da Igreja Central. Serviu como professora e preceptora no Instituto Adventista Paranaense (IAP). No Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS), em Taquara, RS, fundou e dirigiu o curso normal e a escola de aplicação. Com seu esposo, Milton, fundou a Escola Adventista de Tubarão, atuando como primeira diretora. Na igreja, foi diretora da Escola Sabatina, tesoureira, líder de assistência social, diaconisa e professora dos departamentos infantis. Deixa o esposo, três filhos e dois netos. Zoraide Santos Lourenço dos Reis – Aos 78 anos, em Aracaju, SE, de insuficiência respiratória. Era adventista havia 73 anos. Foi professora em escolas adventistas em vários estados. Era membro da Igreja de Siqueira Campos. Participou da fundação de diversas igrejas. Leitora assídua da Bíblia, leu a Palavra de Deus 129 vezes, de capa a capa. Deixa dois filhos e três netos. Revista Adventista I julho • 2012

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Reflexões

Natal Gardino

A responsabilidade é proporcional ao conhecimento que se tem das verdades bíblicas

T

alvez você já tenha ouvido a ideia popular de que os pecados nao têm diferença de tamanho. Pensando assim, muitas pessoas se aventuram a mergulhar e chafurdar no lamaçal do pecado, em vez de tentar resisti-lo ou parar onde estão. Acreditam que, se erraram uma vez, não fará muita diferença se forem mais longe. Acontece, porém, que esse tipo de argumento contém apenas uma parte da verdade e, na maioria das vezes, meias-verdades podem ser perigosas o bastante para enganar totalmente. Diante da pergunta: “Existe gradação de pecados?”, o que você responderia? Neste estudo, vamos entender o que a Bíblia ensina a respeito desse assunto. Para se ter uma visão completa, temos que reconhecer três fatores muito importantes:

1. “Coisa alguma que contamine” – Em relação a tudo aquilo que ficará do lado de fora dos portões do Céu, os pecados realmente não têm diferença de tamanho. As chamadas “listas” das coisas que não poderão entrar no Céu incluem desde assassinato e adultério até a mentira.1 Nesse ponto, realmente, não importando o tamanho do pecado, o Céu terá as portas fechadas aos portadores desses pecados, pois jamais entrará ali coisa alguma impura.2 Além disso, sabendo quanto é repulsivo o pecado para Deus e ponderando no preço infinito que Lhe custou nosso resgate, o verdadeiro cristão não deseja ser responsável por algo que possa causar qualquer separação entre ele e seu Salvador, no mínimo que seja. Todo pecado é grave por entristecer seu Salvador.3

NATAL GARDINO é doutorando em Teologia Pastoral na Andrews University, Michigan, EUA. 38

2. Proporcional à culpa – Por outro lado, a resposta é também SIM: os pecados têm diferentes pesos quando se trata de quanto eles podem arruinar a vida de uma ou mais pessoas em todos os aspectos possíveis. E Deus não ignora o fato de que alguns indivíduos vão muito mais longe do que outros em sua rebeldia, ousadia ou maldade. Assim, encontramos nas Escrituras a ideia de que o Senhor “retribuirá a cada um conforme as suas obras”,4 fazendo com que a punição seja proporcional5 à culpa jamais confessada enquanto havia tempo. Essa lição é reforçada pela parábola registrada em Lucas 12:42-48, na qual o dono de uma propriedade com muitos servos voltou inesperadamente de uma

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Marcelo Santos

Gradação de pecados viagem e surpreendeu os servos que o traíam. “Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (v. 47, 48). Foi por isso que Jesus, sem diminuir a culpa de Pilatos, lhe disse que o pecado de Judas era ainda maior. Judas, que acompanhou o Mestre por anos, tinha muito mais luz do que Pilatos. Assim, no juízo final, “alguns são destruídos em um momento, enquanto outros sofrem muitos dias. Todos são punidos segundo as suas ações. Tendo sido os pecados dos justos transferidos para Satanás, ele tem de sofrer não somente pela sua própria rebelião, mas por todos os pecados que fez o povo de Deus cometer”.6 3. Perdão: sem tamanho – Além dos dois primeiros fatores acima que respondem à pergunta sobre a gradação de pecados, existe ainda um terceiro que não pode ser esquecido: os pecados também não têm tamanho para Deus no que diz respeito ao Seu poder e graça para perdoar. Enquanto Cristo ministra em nosso favor no santuário celestial, todos os seres humanos têm a oportunidade de receber o cancelamento de sua culpa e ser aceitos como santificados membros da família de Deus.7 Mas chegará o dia em que Ele terá que sair desse lugar para vir buscar os Seus e dar fim ao pecado. Desde os pecados mais “aceitáveis” socialmente (que também fecham as portas do Céu ao seu portador) até os mais abomináveis (tanto na escala divina como na humana)8, todos podem ser anulados. Jesus já pagou o preço e hoje faz o convite para que todos tenham a oportunidade de salvação: Portanto, a resposta à pergunta sobre gradação de pecados depende do ponto de vista em que se pergunta: do Céu, do castigo ou do perdão. Referências 1. 1Co 6:9-11; Gl 5:19-21; 2Tm 3:2-9; Ap 22:15. 2. Ap 21:27. 3. Is 59:2; Ef 4:30; Rm 8:27. 4. Mt 16:27; Ap 22:12. 5. Mt 10:14, 15; 11:21, 22, 24; 23:14; Tg 3:1. 6. Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 673. 7. Ef 2:19; Hb 6:20; 10:10. 8. Os padrões de Deus para avaliar a gravidade dos pecados podem ser bem diferentes dos nossos. Veja, por exemplo, Pv 6:16-19.

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