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- Ano 1 - Número 4 - Junho 2012 -

IRACI SALETE

AGROECOLOGIA EM PAUTA, NOS ACAMPAMENTOS DA REGIÃO >PAG. 2

MULHER DE FIBRA E CORAGEM >PAG. 4

TERRA VERMELHA

BOLETIM DO MST REGIÃO CANTUQUIRIGUAÇU

LEITE ORGÂNICO-EXPERIÊNCIAS DE SUCESSO >PAG. 3

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Um dos caminhos para produzir leite orgânico é implantar o Pastoreio Racional Voisin, conhecido popularmente Nullit PRV. pe earum aut harchil Ireno luptaquia doluptas et ad maio assitiae verae il mos como Váriasarumqui famílias berum do Assentamento Alvesvoloresto dos Santos desenvolvem essaeos técnica de pastagem em apedi inus eum expedit es unt quo molorectis sunt ex explibus sandanturem idist asit, omnimperiae intiat ese seus lotes, com a intenção de aumentar a produtividade do leite e diminuir os custos.

8º ENCONTRO AMPLIADO DA REDE ECOVIDA

PRODUÇÃO ORGÂNICA NO RECANTO DA NATUREZA

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CURSOS DO CEAGRO PARA ESSE ANO DE 2012 >PAG. 3


PÁGINA 2 - TERRA VERMELHA

Brasil é atualmente o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Mais de 10% do consumo mundial, ou 1 em cada 10 litros de venenos utilizados contaminam terras, águas e a gente do nosso país. Isso tudo acontece sem nenhuma consequência? É claro que não. Em quase todas as famílias temos casos de pessoas que sofrem ou sofreram com câncer e outras doenças para as quais não há uma explicação lógica. O uso de agrotóxicos faz com que o número de suicídios no meio rural brasileiro seja até 5 vezes maior do que nas cidades. São doenças para as quais há forte suspeita de que sejam causadas pelos pesticidas que utilizamos na agricultura. Pesquisas no brasil mostram que até mesmo o leite materno e a água já estão contaminados por agrotóxicos. Por outro lado as empresas fabricantes desses produtos enriquecem cada vez mais às custas da deterioração da saúde e do meio ambiente. O objetivo é o lucro, acima da vida. O que podemos fazer para mudar isso? O que fazer frente a esse problema? Precisamos mudar as causas que levam a esse estado de coisas. Uma delas é eliminar gradativa ou radicalmente o uso de agrotóxicos e transgênicos nas lavouras e nas criações de animais aqui em nossa região. O MST tem adotado desde muitos anos uma postura contrária ao uso de agrotóxicos e a favor da agroecologia. Desde o ano passado participamos da campanha permanente contra o uso de agrotóxicos. O Ceagro tem formado várias turmas de técnicos em agroecologia, numa tentativa de preparar a base técnica para a transformação da agricultura. Mais recentemente com a vinda da UFFS essas possibilidades se ampliaram.

Vejamos algumas iniciativas para enfrentar essa questão. -Implantação a partir do final deste ano, do laticínio para produção de leite orgânico, no assentamento 8 de Junho – a meta é envolver 400 famílias produzindo leite agroecológico -Realização de um curso de especialização em produção de leite agroecológico, em parceria com a UFFS – início segundo semestre. -Realização de uma nova turma do Curso médio Técnico em agroecologia, no CEAGRO, também no segundo semestre. -Desenvolvimento de pesquisas sobre técnicas de produção agroecológica. -Publicação de cartilhas e materiais técnicos sobre produção sem uso de venenos e adubos químicos. -Realização de feiras livres para venda de produtos agroecológicos diretamente ao consumidor (Laranjeiras, Quedas e Goioxim) Agora temos pela frente o desafio de construir em cada unidade de produção camponesa, em cada lote da reforma agrária em nossa região, uma forma de agricultura cada vez mais sustentável, que dependa cada vez menos de venenos e transgênicos. Sabemos que nosso modelo de agricultura funciona como uma pessoa viciada em crack, que depende da droga, que acha que é impossível viver sem ela. Mas também sabemos que o tratamento dessa agricultura viciada passa pela conscientização do problema e de assumirmos que cada família precisa mudar pouco a pouco seu jeito de produzir. E você, o que vai fazer para mudar essa realidade? Venha participar conosco das iniciativas e atividades para construir uma agricultura sem venenos e sem transgênicos. VIVA

A LUTA PELA

AGROECOLOGIA!

PRODUÇÃO DE LEITE E MEL ORGÂNICO NO RECANTO DA NATUREZA

As famílias do Acampamento Recanto da Natureza buscam uma alternativa de produção familiar que considere o respeito com a natureza e com o homem

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m 13 anos de ocupação muitas coisas já foram feitas no Acampamento Recanto da Natureza em Laranjeiras do Sul. As 19 familias que lá vivem estão divididas em lotes de 5 a 7 alqueires desde 2006, onde todos já tem luz e água encanada e gerando auto-sustento para a família. Com uma produção diversificada de alimentos, algumas famílias chegam a produzir 5 mil litros de leite por mês, sendo algumas já entregam sua produção para cooperativa de leite Coopera. Além disso, às famílias tem uma produção coletiva de mel de abelha em um projeto com o Fundo Nacional de Solidariedade e Caritas brasileira. “Desde os 13 anos que a gente esta aqui, já vem discutindo uma produção que seja alternativa que ela não dependa muito do fora, e sempre o que você tem aqui no espaço” diz Elcimo Ferreira dos Santos, agricultor do acampamento Recanto, que há quatro anos vem implementando

LONA PRETA

Foto: Sebastião salgado

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EDITORIAL

INFORMAÇÕES DOS ACAMPAMENTOS DA REGIÃO

AGROECOLOGIA EM PAUTA

Acampamento de Espigão Alto do Iguaçu e de Porto Barreiro discutem a produção agroecológica como necessidade atual das famílias. o mês de maio, aconteceu um truição do planeta. Sendo que hoje, o circuito de encontros nas áreas desafio para às famílias camponesas, de reforma agrária na região. O é pensar na maneira de cuidar da nafoco central das discussões era pen- tureza e gerar renda para seus familiasar o modelo de assentamento que às res sem depender do uso de venenos famílias querem para o futuro. O Movi- e de sementes modificadas. Foto: Jaqueline Boeno mento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em parceria com a Rede ECOVIDA, realizaram esses debates para pensar a agroecologia como um sistema de produção sustentável que vai viabilizar os assentamentos futuros. A Rede ECOVIDA, atua no desenvolvimento da agroecologia nas áreas de reforma agrária na região, dando um suporte para às famílias camponesas que pretendem trabalhar com a produção agroecológica em No dia 17 de maio, se realisuas propriedades. Com a expansão zou o Seminário de Leite orgânico no do agronegócio no campo, a agroeco- acampamento Porto Pinheiro, em Porlogia vem cada vez mais se tornando to Barreiro. Nessa ocasião a atividade um assunto da pauta de luta dos mo- econômica definida pela maior parte vimentos sociais, que buscam uma das famílias foi a produção leiteira. nova forma de produzir alimentos Na fala do Prof. Dr. Paulo Masaudáveis em contraposição da atual yer se apresentou a importância de informa de produção com alimentos al- troduzir meios para a produção de leitamente envenados. te orgânico, levando em consideração No dia 16 de maio, foi reali- que o modelo de reforma agrária atual zado um encontro pela Rede ECO- é o modelo agroecológico. O semiVIDA, no acampamento 2 Conquista nário proporcionou o conhecimento (Fazendo Solidor) em Espigão Alto de que é possível produzir alimentos do Iguaçu. A preocupação maior das saudáveis por meio da agroecologia, famílias era de pensar a produção seguindo com dicas de pastagens orgânica e sua comercialização. O para a produção leiteira voltada para encontro apresentou que o modelo a transição agroecológica. capitalista de sociedade causa a des-

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Foto: Geani Paula

em seu lote o sistema agroecológico, evitando antibióticos e rações para os animais, procurando sempre uma forma de reduzir o veneno e adubos químicos nas plantas. A diferença foi bastante grande, segundo Elcimo, que agora se sente autônomo em suas plantações diversificadas, pois todo ano guarda sementes, e assim não depende mais de sementes transgênicas e se torna independente para plantar e colher em seu lote.

Seminário de Leite Orgânico e Implementação de PRV No encontro do dia 12 de junho, às famílias do Acampamento Recanto da Natureza, apresentaram a necessidade de terminar com a utilização de venenos no plantio para que as pessoas parem de comer comida envenenada. Então, a principal preocupação das famílias que levou a despertar o interesse para pensar a agroecologia como um

modelo de produção de alimentos, foi de querer proteger o meio ambiente, já que a agroecologia envolve a preservação da própria vida. O território da Cantuquiriguaçu conta com o Núcleo Regional “Luta Camponsa” que desenvolve a agroecologia por meio da Rede Ecovida. Os representantes do núcleo

desenvolveram no encontro, no período da tarde, uma oficina sobre o PRV e outra, sobre hortaliças e frutas. Nessas condições, às famílias adquiriram aprendizados referente ao desenvolvimento da produção orgânica para a superação de um modelo de campo que visa principalmente o lucro e não a vida.


BOLETIM DO MST REGIÃO CANTUQUIRIGUAÇU - PÁGINA 3

LEITE ORGÂNICO: EXPERIÊNCIAS DE SUCESSO NO ASSENTAMENTO IRENO ALVES

Tenho conciência que não estou colocando veneno nos produtos para os outros comer”, é assim que Anildo Welter morador do assentamento Ireno Alves dos Santos, de Rio Bonito do Iguaçu, fala sobre seu lote, que há onze anos não usa nada de produtos químicos em suas plantações, pois zela por uma saúde melhor. Welter desde novembro de 2011 vem implantando em seu lote o Pastoreio Racional Voisin (PRV), um sistema que aumenta a produtividade das pastagens e fornece um pasto com melhor qualidade nutricional. Com isso, diz ter tido uma diferença de 100% no pasto, e hoje tem pasto sobrando, ele teve ajuda do solo que não tinha contaminação de venenos, com isso aumentou também a quantidade de leite depois da implantação do projeto. Em um lote de 13.3 hectares, 5.7 é dedicado ao PRV, que ajuda na produção de leite orgânico, pois com esse sistema bem manejado proporciona uma melhoria na qualidade do solo, e a quebra do ciclo de parasitas, tendo também uma maior produção de alimentos com qualidade. “A grande coisa não é ganhar dinheiro, o principal é a saúde, situação financeira se ajeita, mas saúde é o principal” disse Anildo Welter orgulhoso com o novo investimento. “Hoje não produzo um grão

Foto:Geani Paula

para a venda, mas tenho bastante coisa, poís planto de tudo orgânico, e diversificado”, disse Welter, orgulhoso com a plantação que tem em seu lote. Hoje ele entrega alimentação para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), e esta a espera da certificação orgânica de seus produtos pela Rede Ecovida.

IMPLANTAÇÃO DO PASTOREIO RACIONAL VOISIN

O PRV é um sistema de manejo de pastagem que preconiza a divisão da área de pasto em várias parcelas, onde, são fornecidos água e sal mineral. Os pastos são manejados de tal forma que, aumentam a produtividade e favorece na conservação do solo. O nome Pastoreio Racional Voisin é dado em homenagem ao pesquisador francês André Voisin. Para a implantação do PRV é necessário que o lote esteja em boas condições de água, pois com o sistema de piqueteamento, é necessário que todos sejam abastecidos com água. A divisão da área deve ser com as melhores condições de pastagens, proporcionando um menor pisoteio e permitindo um descanso aos pastos. No dia 04 de abril, cerca de 40 produtores participaram do Seminário de

Leite Orgânico, no Assentamento Ireno Alves dos Santos, com a equipe que dá assistência técnica pelo CEAGRO. Esse Seminário se realizou com o objetivo de discutir o projeto estratégico de leite orgânico da região centro, e assim cadastrar às famílias interessadas na produção de leite orgânico. Foram feitos encontros nas seguintes comunidades: Nossa Senhora Aparecida, Nova Conquista, Alta Floresta, Agua Mineral, Santa Rosa, Açude Seco e Sede, com a participação de mais de 200 famílias. Atualmente, o assentamento Ireno Alves dos Santos, conta com aproximadamente 20 famílias que já implementaram em seus lotes o PRV. Desse

modo, a geração de renda na área leiteira confirma a viabilidade desse manejo de pastagem rico em nutrientes que ajuda a aumentar a quantidade de leite produzido e reduzir os gastos com a produção, sobrando mais renda para às famílias. A equipe da ATER, que trabalha no Assentamento Ireno Alves via INCRA e CEAGRO, esta prestando esclarecimentos para os produtores que desejarem implantar esta técnica em suas terras, quem estiver interessado é só procurar os técnicos na Central das Associações Comunitárias do Ass. Ireno Alves dos Santos (CACIA), na comunidade Arapongas ou pelo telefone (42) 8419 1615, e falar com Andréia.

ENCONTRO DA REDE ECOVIDA: CULTIVANDO CEAGRO OFERTA CURSOS PARA O ANO DE 2012

SONHOS, DANDO ECO À VIDA

O Encontro da Rede visava fortalecer a agroecologia para a produção de alimentos saudavéis, ecológicos e socialmente justos.

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8º Encontro Ampliado da Rede Ecovida, aconteceu de 28 a 30 de maio em Florianópolis - Santa Catarina, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O encontro que teve por objetivo reunir agricultores dos estados da região sul, contou com a participação de aproximadamente 1.000 produtores certificados pela Rede Ecovida. Ao decorrer do encontro foram organizadas mais de 30 oficinas e quatro seminários, dentre eles o de Insumos e Poder na Agroecologia, onde teve o depoimento da Agronoma Maria José, que desde a década de 80, trabalha com a agroecologia. “Questão de insumos é uma questão estratégica para a sobrevivência dos agricultores”, completa ela, ao falar que as pessoas precisam ter consciência do que estão fazendo e do que põem em sua mesa todos os dias. Durante o encontro ampliado estava acontecendo a Feira de Saberes e Sabores na praça da Cidadania da UFFS, onde agricultores e agricultoras, associações e cooperativas puderam expor e comercializar produtos ecológicos e artesanatos. No espaço pode ser encontrado também a partilha de saberes e a troca de sementes e conhecimentos entre os produtores da feira. O novo núcleo da região Cantuquiriguaçu, “Luta camponesa” teve presença marcada no evento, em que 20 companheiros produtores da região se deslocaram rumo ao estado vizinho. “Para mim o encontro esta sendo muito importante para conhecer mais coisas que posso fazer no meu lote”, diz Izabel Passos, agricultora de hortaliças orgânicas de Nova Laranjeiras, “vou chegar em casa e já fazer uma reunião

Foto:Geani Paula

com minha família para pôr em prática tudo que estou fazendo aqui”, completa ela.

NÚCLEO LUTA CAMPONESA

Em julho de 2010, uma assembléia realizada na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), desencadeou a criação do pré-nucleo Cantuquiriguaçu com aproximadamente 100 pessoas de municípios da região. Com o apoio de várias entidades como UFFS, CREHNOR, CEAGRO, EMATER, APPA, COPERIGUAÇU, ASSESOAR, RURECO e MPA o núcleo tem hoje 27 grupos identificados com 15 famílias certificadas em 11 municípios da região. Os produtos certificados pela Rede Ecovida são comercializados nas feiras que acontecem duas vezes por semana em Laranjeiras do Sul, e em Quedas do Iguaçu que é realizada todos os sábados. O nome do núcleo “Luta Camponesa” foi batizado em uma votação que os agricultores fizeram na Assembléia da Rede Ecovida em Florianópolis.

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Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (CEAGRO), nesse ano de 2012, intensifica seus cursos profissionalizantes para os trabalhadores e trabalhadoras que vivem no campo. Os cursos ofertados pelo CEAGRO, para esse ano são: Curso Técnico em Saúde Ambiental, Especialização em Produção de Leite Agroecológico, Graduação em Economia e Curso Técnico em Agroecologia. O curso Técnico em Meio Ambiente tem previsto seu início na primeira quinzena de setembrio, com a duração de 18 meses (aproximadamente um ano e meio), com 4 etapas de um mês (Tempo Escola) cada uma. Os requisitos para ingresso no curso é ter o Ensino Médio completo, ter algum envolvimento de atuação na área da saúde ou Meio Ambiente no campo. Esse curso é oriundo de uma parceria entre: CEAGRO, Setor de Saúde Nacional do MST, FIOCRUZ, CONDETEC e UFFS. O curso de Especialização e Extensão em Produção de Leite Agroecológico inicia em agosto, sua duração é de 1 ano, com 7 etapas de sete dias (Tempo Escola) cada uma. Os requisitos para a inserção nesse curso é ser graduado em qualquer área, como já ser técnico ou prestar serviços nas áreas de Reforma Agrária e principalmente ter vínculo com a produção de leite. Esse curso é uma parceria entre CEAGRO, UFFS e Setor Nacional de Produção do MST. O Bacharel em Economia terá início no mês de novembro ou dezembro com a duração de 4 anos, distribuída em 10 etapas de 40 dias (Tempo Escola) cada uma. Os requisitos para ingresso é ter o Ensino Médio completo, atuar em áreas de reforma agrárias e ter o vínculo com o campo. Esse curso é uma parceria entre CEAGRO, UFFS e Setor Nacional de Produção do MST.

O curso Técnico em Agroecologia que ao longo de sua oferta formou 5 turmas e que nesse ano vai formar a turma herdeiros de Chico Mendes (turma 06), demonstrando mais uma vitória para o campo brasileiro. A próxima turma iniciará em dezembro e terá a duração de 07 etapas de 45 dias (Tempo Escola) cada uma (aproximadamente 3,5 anos). Os requisitos são ter o Ensino Fundamental completo, ter atuação em uma área de Reforma Agrária e principalmente ter vínculo com o campo. Esse curso é uma parceria entre CEAGRO e IFPR Campus de Campo Largo. Esses cursos ofertados pelo CEAGRO, tem a perspectiva de habilitar técnicos para atuar no campo como agentes de transformação do modelo de agricultura, imposto pelo agronegócio que, sobre tudo, depende exclusivamente de agrotóxico, monocultivo e do acúmulo de terras, os latifúndios. Os cursos ofertados pelo CEAGRO, afirmam a necessidade de pensar a agroecologia como um sistema de produção praticado por camponeses e camponesas que evita venenos e adubos químicos, utilizando os elementos da própria natureza para manter o equilíbrio do ecossistema, buscando uma qualidade de vida por meio da relação saudável entre homem e natureza. Foto:Xagu Comunicação


PÁGINA 4 - TERRA VERMELHA

LUTADORA DO POVO S

IRACI SALETE STROZAK: MULHER DE FIBRA E CORAGEM LEMBRO DELA...

entir indignação contra qualquer injustiça cometida, contra qualquer pessoa, é a qualidade mais bela de um revolucionário, é assim que se pode descrever Iraci Salete Strozak, uma pessoa que não se cansava na luta dos movimentos sociais, em busca de uma sociedade justa à todos e todas. Iraci nasceu no Rio Grande do Sul no dia 21 de dezembro de 1969, filha de Francisco e Amélia Longa, que em 1971 se mudaram para Guaíra no Paraná. A mesma sempre se destacou entre os irmãos pelas suas habilidades com a educação, pois ajudava-os nas tarefas escolares. Aos catorze anos, ela tem seu primeiro contato com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), onde participou da primeira ocupação no município de Ortigueira e já se juntou ao trabalho da Frente de Massa do movimento. Contribuindo sempre mais, Iraci Salete passou para o setor de Educação, ajudando na alfabetização de jovens e adultos. Sempre interessada nas discussãoes do movimento, Iraci se emancipou aos dezoito anos para viajar a Cuba estudar sobre o socialismo, e teve a oportuni-

TV EERRM ERL HAA Grupo Cooperativo da Reforma Agrária MST Cantuquiriguaçu Editado com a colaboração da parceria do MST com a Fundação Mundukide - MONDRAGON EQUIPE TÉCNICA: Coordenação: Andrés Bedia Editora: Geani Souza Repórter: Jaqueline Boeno Desenho gráfico: Xabier Duo Fotografia: Equipe de Comunicação do MST CONSELHO EDITORIAL: Elemar Cesimbra Laureci Leal Pedro Ivan Christoffoli Ciliana Federici Toni Escobar CONTATO PARA INFORMAR OU ANUNCIAR: Resp. Comunicação: Geani Souza Escritório CEAGRO-DEPES Rua 7 de Setembro, 2885 CEP: 85301-070 Laranjeiras do Sul - PR Tel: (42) 3635-4329 Email: comunicamst.centro@gmail.com TIRAGEM: 6.000 exemplares CIRCULAÇÃO: Acampamentos e Assentamentos da Reforma Agrária da região de Cantuquiriguaçu Este trabalho foi licenciado com Licença Creative Commons 3.0. Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos

dade de conhecer Fidel Castro. Nos anos de 1989 e 1990 esteve também no Peru e no Chile, onde conheceu seu companheiro, Malaquias Ezequiel Espinoza Moreno (Chico Chileno). No inicio dos anos 90 Iraci ainda contribuia como representante da frente de massa no norte do Paraná e também nas relações internacionais do movimento. Em 1993 casa-se com Chico Chileno e mudase para Cantagalo para começar um trabalho na equipe pedagógica com o antigo curso prolongado para filhos de assentados, visando a formação para a organização social da terra e da comunidade, que estava acontecendo no Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (CEAGRO). A escola funcionava em um barraco de lona feita pelos proprios alunos. Iraci Salete também morava em um desses barracos. Nessa epoca passavam muitas dificuldades, pois a única coisa que tinham para se sustentar era uma sopa feita de repolho, que alimentava todos na escola. Em 1994 a companheira assume a coordenação estadual do setor de educação do MST no Paraná. No mesmo ano nasce seu primeiro filho, Camilo Andrêis

Foto: Arquivo Escola Iraci Salete

Strozak Espinosa. Em 1996 acompanha o setor de educação no acampamento Buraco, em Rio Bonito do Iguaçu. Em 1997, quando voltava de uma prova, faleceu vitima de um acidente na BR-277 entre Laranjeiras do Sul e Cantagalo. Iraci Salete tinha 27 anos, e tentava chegar em casa antes, pois havia deixado sua segunda filha, Amanda Elisa Strozak Espinosa, que tinha apenas 40 dias.

PRODUÇÃO ORGÂNICA EM QUEDAS

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ngerir alimentos saudavéis, cuidar bem da saúde familiar é só uma questão de escolha, é assim que às seis famílias do Assentamento Celso Furtado, se organizam na produção de horta orgânica certificada pela Rede Ecovida, para ter uma vida mais saudável e ainda gerar lucro e sustento para a família. Segundo Roseli Borges, produtora de hortaliças na linha Tapui, a produção orgânica teve um crescimento grande, pois seu marido foi intoxicado com veneno e hoje não pode comer alimentos que não sejam orgânicos. A mudança começou dentro de casa e vendo a importância dessa alimentação agroecológica decidiram começar a entregar em mercados e feiras, fazendo disso a renda mensal para a familia. O grupo de produtores formado por seis familias certificadas pela Rede Ecovida, todo sabado montam uma feira na Praça da Biblia, onde já tem tem um encontro marcado com a população, por causa dos seus produtos agroecologicos. “Os consumidores já sabem que a gente

vem ali, não precisa nem anunciar”, diz Roseli. A feira que esta montada a pouco mais de 1 ano, acontece todos os sabados de manhã, porém os mesmos ainda esperam auxilio da prefeitura para ter uma condição melhor de espaço, pois as barracas são pequenas, e quando chove as dificuldades aumentam. Os alimentos entregues na feira e vendidos nos mercados são todos com certificação orgânica da Rede Ecovida. Foto: Geani Paula

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RECEITA AGROECOLÓGICA CALDA BORDALESA DE INVERNO Função: É um fungicida que controla várias doenças em frutiferas e hortaliças. Deve ser aplicada quando as frutiferas estiverem em repouso (sem flores e folhas) pois é muito concentrada (forte); Ingredientes: 400 gramas de cal virgem ou 500 gramas de cal hidratada, 400 gramas de sulfato de cobre, 20 litros de água; Modo de Preparar: Como o sulfato de cobre se desmancha lentamente deve-se usar água morna ou colocá-lo no dia anterior. A cal virgem é colocada num balde com um pouco de água para hudratá-la. Depois, misturar na cal mais de 5 litros de água (o que ficará um leite de cal). Derramar o sulfato sobre o cal, nunca o contrário. Mexer algumas vezes, coar a msitura e despejar no pulverizador, completando com água até 20 litros. Para evitar a queima das folhas, devido a acidez, fazer o teste. Pingar o produto sobre uma faca com lâmina não inoxidável, se após 3 minutos ficar uma mancha avermelhada é sinal que esta muito ácida. Misturar então mais leite de cal até ficar neutra.

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Jornal Terra Vermelha MST - Cantuquiriguaçu - Paraná

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