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- Ano 3 - Número 13 - Janeiro 2014 -

Formatura da Turma Josué de Castro no Ceagro >PAG.2

9° Encontro Regional de Mulheres da Via Campesina >PAG.2

TERRA VERMELHA

BOLETIM DO MST REGIÃO CANTUQUIRIGUAÇU

6º Congresso Nacional do MST >PAG.3

Lutadores do Povo: Sidnei Bortoluzi e Ana Hammel >PAG.4

Assentados conseguem perdão de 80% das dívidas do Pronaf >PAG.4


2 - TERRA VERMELHA

Editorial

A Coordenação Nacional do MST, composta por 280 dirigentes de 23 estados e do Distrito Federal, definiu “Lutar! Construir Reforma Agrária Popular!” como lema do 6º Congresso, que será realizado de 10 há 14 fevereiro em Brasília.

O lema é a síntese das tarefas, desafios e do papel do Movimento no período histórico que se abre depois do congresso. Desde o começo do ano retrasado, o MST está em período congressual, realizando o trabalho de base nos acampamentos e assentamentos para definir o programa agrário. O lema do último congresso do Movimento, realizado em 2007, foi “Reforma Agrária: por Justiça Social e Soberania Popular”. “O papel do MST é fazer a luta pela terra dos acampados e pela consolidação dos territórios já conquistados dos assentados, viabilizando a produção de alimentos saudáveis e educação para todas as famílias do campo”,

afirma Gilmar Mauro, Coordenação Nacional MST.

da do

O Movimento tem construído em debates com a militância, as famílias acampadas e assentados, pesquisadores da agricultura e apoiadores o programa de Reforma Agrária Popular, que contém propostas para o meio rural que correspondem ao novo período histórico de hegemonia do capital financeiro e ofensiva do agronegócio. Esse programa é considerado uma atualização da chamada Reforma Agrária Clássica, que foi realizada em outros países no contexto do desenvolvimento do capitalismo com base na indústria, que entrou em crise na década de 70 e com a implementação do neoliberalismo. “LUTAR CONSTRUIR REFORMA AGRARIA POPULAR!!!”

9° Encontro Regional de Mulheres da Via Campesina

Dia 08 de Março no Município de Diamante do SUL O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) juntamente com O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e as prefeituras da Cantuquiriguaçu, realizaram o 9° encontro regional de mulheres da via campesina, no dia 8 de março. O encontro será realizado no município de Diamante do Sul, conforme forrá discutido e encaminhado no encontro de mulheres do ano anterior em Quedas do Iguaçu. O encontro iniciara as 8 hr, com um delicioso café, em seguida todas as mulheres seguiram em

marcha até o pavilhão da Igreja Católica. A marcha será o espaço de diálogo com a sociedade, momento de apresentar nossa proposta de agricultura e de dar visibilidade ao papel da mulher no campo. Ainda no período da manhã será realizado um estudo sobre SOBERANIA ALIMENTAR, dando ênfase aos trabalhos desenvolvidos na região pelos Movimentos Sociais, por exemplo, PAA e PNAE, e demais políticas públicas. A nossa tarde será recheada de apresentações culturais realizadas pelas próprias companheiras que viram dos municípios. Convidamos a todas as companheiras que desejarem se juntar a nos neste dia festivo e principalmente de luta das mulheres da via campesina.

Formatura turma Josué de Castro

No dia 12 de dezembro de 2013, o Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (CEAGRO), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Escola Politécnica Joaquim Venâncio (EPSJV) e o Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), formou a primeira turma de técnicos em meio ambiente nomeada como “Josué de Castro”. Foram 23 camponeses e camponesas que comemoraram mais uma vitoria da classe trabalhadora

do campo. Com esta formação se busca implantar saúde ambiental, saneamento ecológico e extensão rural. Os formandos são de varias regiões do Paraná e também do estado de Santa Catarina e fazem parte do MST e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a sua maioria pretende contribuir no seu assentamento ou acampamento. A organização da formatura começou na 3° etapa do curso, na 4° etapa a educadora Maritânia A. Risso, ministrou uma oficina de artesanato com a qual desenvolveu atividades voltadas para a decoração do espaço onde acorreu a formatura, utilizando materiais natural. “Como o curso é voltado para o meio ambiente seria de importância trazer elementos naturais, valorizando os recursos que o meio ambiente

Foto: :Viviane Tavares

Jovens se formam na primeira turma de técnicos em meio ambiente do Ceagro

pode nos oferecer, a formatura ficou com um tom a mais visando que a decoração foi confeccionada por nos mesmos, instigando ainda mais a união e cooperação da turma em prol da formatura” diz Ediane Busto, educanda do curso. Foram realizadas reuniões com os educando e a coordenação

política pedagógica do curso (CPP), para planejamento de cada momento da formatura que conteve o café da manha para os familiares, a mística de abertura, colação de grau, o almoço , tarde dançante com um café colonial.


BOLETIM DO MST REGIÃO CANTUQUIRIGUAÇU - 3

6º Congresso Nacional do MST

Com presença em 23 estados, além do Distrito Federal, e com mais 900 assentamentos que abrigam 150 mil famílias, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) completou 30 anos no mês de janeiro. E entre os dias 10 a 14 de fevereiro, mais de 15 mil militantes participaram do VI Congresso Nacional, em Brasília. A instância máxima de direção do Movimento se debruçou sobre as táticas e estratégias na atual conjuntura para a consolidação da luta por uma Reforma Agrária Popular. O primeiro Encontro Nacional do MST reuniu 80 trabalhadores do campo em Cascavel, no Paraná, em 22 de janeiro de 1984. O Movimento já realizou, ao longo de sua história, mais de 2,5 mil ocupações, acumulando duas mil escolas em assentamentos, além de outras conquistas como acesso a crédito para a produção.

Nossa Matriz Agroecologica O MST tem avançado no confronto ao modelo do capital no campo em outras frentes: na ressignificação do

O processo de agroindustrialização defendido e praticado pelo MST, dentro do contexto de Reforma Agrária Popular, tem confrontado a forma de apropriação capitalista da indústria agrícola convencional, bem como suas formas de gestão. Produzir com base na matriz da agroecologia, em equilíbrio com a natureza e sem o uso de venenos agrícolas. Implementar agroindústrias na forma de cooperativas, para beneficiar os alimentos e aumentar a renda dos trabalhadores do campo. E incluir a democratização da educação, cultura, comunicação e saúde como uma necessidade do desenvolvimento social. São mudanças para a construção de um novo modelo agrícola que represente desenvolvimento para o povo, e depende de uma aliança de toda classe trabalhadora.

O Programa Agrário Defendido hoje pelo MST se funda na divisão e democratização das terras, ampliando o acesso a este meio de produção fundamental para os Sem Terra, mas vai além deste primeiro passo. Nunca houve reforma agrária no Brasil. Nós tivemos apenas programas pontuais de criação de assentamentos, frutos da luta direta e da pressão social, que obriga os governos a desapropriar algumas fazendas e as transformarem em assentamentos.

A chamada Reforma Agrária Popular, defendida pelo MST, busca responder às demandas da conjuntura atual, que extrapola a reivindicação de condições e medidas coorporativas apenas para os camponeses. Apresentase como uma alternativa aos problemas estruturais do campo e de toda a sociedade brasileira. Para transformar o campo num lugar melhor para se viver, tanto para que, quem mora nele tenha esse sentimento, como para quem está na cidade saiba que o meio rural é onde se produz alimento e vida e, onde o povo se coloca em marcha pra concretizar esse sonho.

Por isso, as táticas do MST incluem a aliança com a classe trabalhadora na cidade, com os jovens e todos os movimentos sociais urbanos. O capital está adotando um modelo de exploração da agricultura que se chama agronegócio. Nesse modelo, há uma nova aliança das classes dominantes, que aglutina os grandes proprietários, as empresas transnacionais e a mídia burguesa, que se utiliza de todos os seus instrumentos para desmoralizar a reforma agrária e as lutas sociais do campo.

Foto: Arquivo MST

A atual conjuntura coloca novos rumos ao movimento e a luta no campo. Os parâmetros das mudanças propostas pela Reforma Agrária Popular significam reorganizar os bens da natureza e a produção agrícola para, em primeiro lugar, produzir alimentos sadios para todo o povo.

trato dado pela sociedade à natureza, hoje mercantilizada; no estabelecimento de novas relações de produção e assumindo o desafio da transição para uma nova matriz tecnológica no campo, a agroecologia; e na disputa das instituições do Estado para que estas reorientem sua atuação, que hoje apenas privilegia o agronegócio, em detrimento da agricultura camponesa.

Foto: Arquivo MST

MST realiza VI Congresso Nacional e defende novo tipo de Reforma Agrária


4 - TERRA VERMELHA

Lutadores do Povo Foto: Arquivo MST

Sidnei Bortoluzzi e Ana Hammel lutadores na educação

Todos os anos, o início do ano letivo escolar é aguardado com muitas expectativas, tanto por parte dos educandos, quanto por parte dos educadores e, até mesmo da comunidade em geral, muitos ansiosos para conhecer as pessoas com as quais irão conviver quase que diariamente. Para o Colégio Iraci Salete, 2014 já é um ano de mudanças significativas, pois além das alterações no quadro de educandos e educadores, tivemos no final de 2013, a mudança na direção de

TERRA VERMELHA Grupo Cooperativo da Reforma Agrária MST Cantuquiriguaçu Editado com a colaboração da parceria do MST com a Fundação Mundukide - MONDRAGON EQUIPE TÉCNICA: Coordenação: Andrés Bedia Editora: Monica Macedo Desenho gráfico: Xabier Duo

TIRAGEM: 3.000 exemplares CIRCULAÇÃO: Acampamentos e Assentamentos da Reforma Agrária da região de Cantuquiriguaçu Este trabalho foi licenciado com Licença Creative Commons 3.0. Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos

reflexão acerca do assunto. Quando se pensa em direção, temos que ter em mente que isto está relacionado a um coletivo, com uma determinada concepção de educação e, portanto detentores de objetivos, e consequentemente, dispondo assim de estratégia e táticas para sua efetivação. Ou seja, fazem parte da direção todos aqueles e aquelas que conduzem tal projeto, tendo

Desde 2008, um dos pontos na pauta de reivindicações dos movimentos sociais do campo é a renegociação das dívidas dos assentados, que os deixava inadimplentes, não podendo acessar mais nenhum crédito do governo. No dia 30 de dezembro, uma notícia boa para os agricultores: foi publicado no Diário Oficial da União o decreto da Presidenta Dilma Rousseff concedendo perdão de 80% das dívidas dos agricultores familiares e assentados do Programa Nacional de Fortalecimento de Agricultura Familiar (Pronaf), dos grupos A e A/C. Nos últimos anos os produtores assentados deixaram de plantar e comercializar devido às dívidas e falta de acesso ao Sistema Financeiro Nacional, e agora serão beneficiados pela reestruturação da dívida anunciada pelo governo no fim de 2013.

“Essa renegociação é importante porque vai incluir vários agricultores que estão excluídos da obtenção de créditos e da produção”, afirma Jean Carlos Pereira, do setor de produção do MST. As famílias assentadas poderão quitar suas dividas com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e se inserir em um novo crédito para produção. Para o Governo, 230 mil agricultores serão beneficiados com a renegociação.

Assentados conseguem perdão de 80% das dívidas do Pronaf

Todas as quartas-feiras na Rádio Rio Bonito FM 87,9 Das 11:15 hrs ás 12:15 hrs da manhã

Programa “ Vozes do Campo” O Programa feito para você camponês

Para Jean Carlos, ainda há pendências na quitação das dívidas. “Agricultores com dívidas mais antigas, que já estão em dívida ativa da União, por enquanto há sinalização, mas não garantia de que estes consigam renegociar”. O Pronaf é um programa de investimento para a produção, que os agricultores acessam para obter crédito na produção de alimentos a serem comercializados e assim gerar renda à família. Foto: Arquivos do MST

CONTATO PARA INFORMAR OU ANUNCIAR: Resp. Comunicação: Monica Macedo Escritório CEAGRO-DEPES Rua 7 de Setembro, 2885 CEP: 85301-070 Laranjeiras do Sul - PR Tel: (42) 3635-4329 Email: comunicamst.centro@gmail.com

escola, saindo o diretor Sidnei Bortoluzzi, que passou no Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE e, da diretora auxiliar, Ana Cristina Hammel, que passou no concurso público da Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS. Em seus lugares assumiram Eliziane de Almeida e, Rudison Luiz Ladislau, respectivamente. Dessa maneira, o momento é oportuno para uma breve

em vista as disputas entre as diferentes concepções. O Colégio Iraci, chegou até aqui, graças aos inúmeros companheiros e companheiras que travaram a luta dentro e fora da escola, defendendo este projeto de formação humana, que de tão disputado, levaram a confrontos até os limites possíveis. Certamente a companheira Ana Hammel e o companheiro Sidnei Bortoluzzi, são dois desses que deram muitas contribuições, estando sempre na linha de frente dos embates, onde desempenharam um papel estratégico para a consolidação da atual proposta. A eles, fica o reconhecimento sincero do coletivo deste colégio.


Terra Vermelha N° 13  

Terra Vermelha MST/ Cantuquiriguaçu

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