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Quem quiser falar mal do Peréio fale agora, ou cale-se para sempre Na gaveta desde 2010, documentário sobre o ator deve ser concluído este ano por Márcia Scapaticio “Quem quiser falar mal do Peréio fale agora, ou cale-se para sempre.” É com essa frase que o cartunista Allan Sieber conta aos leitores do seu blog que está terminando a edição do documentário sobre o ator Paulo César Peréio, que atuou em filmes emblemáticos do cinema nacional durante os anos 60 e 70, como Os Fuzis, de Ruy Guerra (1964), Terra em Transe, de Glauber Rocha (1967) e Toda Nudez Será Castigada, de Arnaldo Jabor (1973). Eles se conheceram no ano 2000, quando o ator participou da dublagem de seu curta de animação, Os Idiotas Mesmo. Por cinco anos, Sieber e a cineasta Denise Garcia acompanharam seu cotidiano e entrevistaram ex-mulheres, atores e amigos. Depois de tentarem, sem muito sucesso, garantir o financiamento do documentário da maneira convencional, ou seja, inscrevendo-o em editais públicos, pensaram em desistir do projeto. "Em 2010, a Lara Velho, filha do Peréio e dona da produtora responsável pelo Sem Frescura, programa que ele tinha no Canal Brasil, me procurou para retomarmos o filme. Aí comecei a editar as fitas, ver e rever o material, aquela coisa insana de edição. A ideia era lançar em 2010, ano em que ele completava 70 anos de idade e 50 de carreira.” Mas a insatisfação de Sieber com a primeira versão e a dificuldade de conseguir apoio financeiro postergaram a estreia. “Acho que o filme tem uma carga meio negativa: tudo que pode dar errado, dá errado. Ele atrai muita coisa ruim. Para começar, tem um diretor muito ruim, como eu”, diz , sem conter o riso. Essa ironia afiada não surpreende quem acompanha o trabalho do cartunista – seu humor sem pudor transparece em cada traço. Além disso, não faz média para agradar as pessoas e, nesse ponto, se assemelha ao próprio Peréio. Envolto nesse drama ácido, Sieber só quer lançar o documentário e agora procura a solução. Veja na entrevista abaixo como você pode ajudá-lo: De quem foi a ideia de ouvir pessoas falando mal de Peréio, já que, em documentários, é mais comum tratar bem o personagem central? Nós nos conhecemos em 2000, quando ele ainda estava morando em Olhos d’Água, cidadezinha perto de Brasília, vivendo uma especie de “rehab”. Peréio começou a frequentar o estúdio por causa da participação no curta Os Idiotas Mesmo, que nos deixou mais próximos. A Denise logo pensou em fazer um documentário, já que ele solta uma pérola atrás da outra. Ele concordou e sugeriu que os entrevistados falassem mal dele. Eu topei, até porque seria difícil encontrar alguém que fizesse o contrário. Seguimos essa onda, instigando as pessoas a contarem as piores histórias e, dentro do possível, destruírem nosso objeto, o Peréio. E essa será a sua estreia como diretor? Sim. Só dirigi animação, nunca tinha me aventurado com longas-metragens. Muitas pessoas que assistiram ao trailer comentam que tiveram sentimentos controversos, porque o filme acaba sendo meio triste, melancólico, até. Todos


falam mal dele no documentário, o que acho engraçado, já que me identifico com seu tipo de humor. Qual a situação de seu documentário hoje? Estou finalmente seguro quanto ao caminho do filme. Ele estava ficando engraçadinho e não engraçado. Tinha muita piadinha, e isso não estava me agradando. Deste ano não passa, quero me livrar dessa cruz, esse filme me faliu, me deixou doente (risos). Por isso, divulguei no blog que precisava de imagens cedidas do Rio de Janeiro dos anos 70, em especial do Bar Antonio’s, no bairro do Leblon, frequentado por ele. As fotografias devem ser cedidas, porque não tenho mais um tostão para investir. Na linha final que o roteiro tomou, o Antonio's tem um papel relevante. Se, no final das contas, eu não conseguir o material, usarei ilustrações e desenhos, pois a ideia é terminar o filme ainda este ano. É isso, eu podia estar roubando, mas estou fazendo um filme a que ninguém vai assistir.


Entrevista Allan Sieber