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IGREJA .- E COMUNICAÇAO SOCIAl

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esde o surgimento da imprensa, por meio de Gutenberg, a Igreja Católica teve dificuldades em acolher os meios de comunicação social. Esses obstáculos vão aos poucos sendo superados, como indicam os registros históricos. A vida eclesial toma novos rumos a partir do pontificado de Leão XIII (1878-1903). Nota-se uma maior flexibilidade em relação à imprensa e às novas tecnologias de comunicação, de modo especial o rádio e o cinema. É na encíclica Miranda prorsus que a instituição, por meio de Pio XII, reconhece as novas tecnologias como dons de Deus e que os seres humanos são responsáveis pelo uso que se faz delas. Mas, é com João XXIII, por meio do Concílio Vaticano 11 (1962-1965), que a Igreja inicia uma maior abertura no uso dos meios de comunicação social. Entre progressistas e conservadores, pela primeira vez, aparece a questão da comunicação. O decreto Inter mirifica (1963) é o segundo dos dezesseis documentos publicados pelo Concílio Vaticano 11. Após quatro meses da aprovação, Paulo VI, no dia 2 de abril de 1964, com o Mo tu proprio In fnlctibus multis, instituiu a Pontifícia Comissão para os Meios de Comunicação Social. No dia 7 de maio de 1967, a Igreja celebra o primeiro Dia Mundial das Comunicações Sociais. Quatro anos depois da celebração oficial do Dia Mundial, a 23 de maio de 1971, a Comissão Pontifícia promulgou a instrução Communio et progressio. Ela se distingue do Inter mirifica particularmente por seu estilo: o caráter moralizador e dogmático desaparece. A instrução ressalta que a comunicação social é um ele-

A Igreja quer ser motivo de inspiração, animação, exortação, orientação e colaboração ao mundo da comunicação

mento que articula qualquer atividade da Igreja, reconhecendo a legitimidade da formação da opinião pública dentro dela. O jornalista e monsenhor Amaldo Beltrami (1937-2001), vigário episcopal de comunicação da arquidiocese de São Paulo a partir de 1992, comentou sobre o Dia Mundial das Comunicações Sociais: "Além de louvar a Deus pela mídia e celebrar com alegria, o Dia da Comunicação nos educa para a recepção ativa e leitura crítica da comunicação de massa. Faz a gente tomar consciência dos limites da rnídia que desrespeita a dignidade e a liberdade, justifica a injustiça social, motiva para a violência e o sexo, alimenta rivalidades históricas e preconceitos raciais, promove vingança, sede de poder, além da falta de respeito pela vida e pelos direitos humanos". Para o jornalista, o motivo de celebrar o Dia Mundial é para estudar as exigências desta pastoral, levando as dioceses a rezar pela comunicação do reino, colocando os meios de comunicação social a serviço da família e da pessoa. O Dia Mundial das Comunicações Sociais é a única data comemorativa, discutida, aprovada e decretada pelo Concílio Vaticano 11. Paulo VI, no Primeiro Dia Mundial das Comunicações Sociais, em 1967, escreveu a mensagem Os Meios de Comunicação Social em Geral: "( ...) por causa do poder e eficácia destes meios, deve-se ter cuidado e responsabilidade no uso deles. Pois, com o mesmo direito que eles têm de não sofrer pressões, por causa de sua justa e responsável liberdade de expressão, assim também o público exige respeito à dignidade humana. Por isso, é sumamente útil e digna de aplauso, a iniciativa de formar a consciência

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crítica do leitor e espectador para que saibam servir-se dos MCS com critério sadio, moderação e autodisciplina, analisando as mensagens do ponto de vista técnico, estético, humano, moral e religioso. A Igreja quer ser motivo de inspiração, animação, exortação, orientação e colaboração ao mundo da comunicação. Desejamos que esse dia sirva para tomada de consciência e empenho solidário de todos, para que a imprensa, o rádio, a televisão e o cinema estejam sempre a serviço de uma verdadeira fraternidade e paz duradoura". Mas, é na encíclica Redemptoris missio (1990), de João Paulo 11, que a Igreja oficialmente apresenta os meios de comunicação social com um novo enfoque: "O primeiro areópago dos tempos modernos é o mundo das comunicações ( ... ). Os meios de comunicação social alcançaram tamanha importância que são para muitos o principal instrumento de informação e formação, de guia e inspiração dos comportamentos individuais, familiares e sociais. (...) Talvez se tenha descuidado um pouco deste areópago: deu-se preferência a outros instrumentos para o anúncio evangélico e para a formação, enquanto os mass-media foram deixados à iniciativa de particulares ou de pequenos grupos, entrando apenas secundariamente na programação pastoral. O uso dos mass-media, no entanto, não tem somente a finalidade de multiplicar o anúncio do evangelho: trata-se de um fato muito mais profundo porque a própria evangelização da cultura moderna depende, em grande parte, da sua influência. Não é suficiente, portanto, usá-Ios para difundir a mensagem cristã e o magistério da Igreja, mas é necessário integrar a mensagem nesta 'nova cultura', criada pelas modernas comunicações.

Cartaz do 44°. Dia Mundial das Comunicações Sociais 2010

É um problema complexo, pois esta cultura nasce menos dos conteúdos do -que do próprio fato de existirem novos modos de comunicar com novas linguagens, novas técnicas, novas atitudes psicológicas". Um dos principais desafios da Igreja é informar e formar o povo. Com esse intuito, o jornalismo da Rádio Imaculada Conceição 1490 AM é responsável por todas as informações veiculadas neste meio de comunicação. Frei Sebastião, diretor da Associação Milícia da Imaculada, ressalta que os profissionais são conscientes da linha editorial do jornal Milícia Sat, mas que não podem esquecerse de levar em consideração os limites das pessoas: "A Rádio Imaculada Conceição faz um jornal que a pessoa precisa OUVIr. Não tem sensacionalismo e as notícias são redimensionadas de uma forma tranquila, serena. Sempre com uma visão cristã". Bento XVI, na mensagempara042°DiaMundial das Comunicações Sociais, em 2008, afirmou: "Quando a comunicação perde as amarras éticas e se esquiva ao controle social, acaba por deixar de ter em conta a centralidade e a dignidade inviolável do homem, arriscando-se a influir negativamente sobre a sua consciência, sobre as suas decisões, e a condicionar em última análise a liberdade e a própria vida das pessoas. Por este motivo, é indispensável que as comunicações sociais defendam ciosamente a pessoa e respeitem plenamente a sua dignidade". JORNALISTA LOURDES CRESPAN MISSIONÁRIA DA IMACVLADA-P ADRE KOLBE

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Igreja e Comunicação Social II  

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