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Sempre devemos fixar o nosso olhar na família de Nazaré para saber descoblir a beleza do estar juntos, caminhar juntos, especialmente encontrar momentos de Deus para dialogar e rezar. Teresa de Ávila era muita atenta; quando falava, ela dizia: "eu não gosto de afirmar que é assim e assado, prefiro dizer 'parece-me que é"'. Com ela tenho aprendido que toda afirmação dura é sempre uma expressão ditatorial que impede de viver a alegria da busca. Quem afirma está, às vezes, fechado ao amor e ao diálogo. A família é o lugar mais belo criado por Deus, onde deve existir espaço sagrado para parar e deixar fora os problemas que nos atacam, e ver as coisas não mais com os olhos econômicos ou de lucro, mas sim com os olhos do amor. Com este olhar do amor percebemos uma nova dimensão, a dimensão do diálogo. Por muito tempo eu jurava que sabia o que era o diálogo, mas hoje devo confessar que na maioria das vezes não dialogava, só monologava sozinho e a minha única tentativa era que o único que poderia ter a última palavra era eu e não outro. Refletindo sobre isto, me veio à memória uma palavra de São João da Cruz, místico experto no diálogo com Deus e com os outros: "É necessário esvaziar-se de si mesmo para poder se comunicar com Deus e, por conseguinte, com os outros". Quem não tem a humildade de achar que não possui a verdade plena, dificilmente saberá dialogar. Do diálogo nasce a escuta, a oração. Na família, o marido deve escutar a esposa com amor, sem precon-

ceito e nem barreira, para poder compreendê-Ia melhor. E a esposa deve ser capaz de oferecer o "ouvido do seu coração" para que as palavras e gestos do marido sejam compreendidos e amados. E os pais juntos necessitam se colocar numa atitude de escuta do grito, dos olhares, dos sofrimentos e das esperanças dos filhos que buscam novos caminhos na vida. E os filhos não podem se fechar ao que os pais dizem porque romperiam a harmonia, e a seiva do diálogo não chegaria a todos os membros do corpo. Família não é pedra, nem casa, nem móveis, nem geladeira e nem TV, mas família é gente que interage na busca da verdade e do verdadeiro amor. Aprende a dialogar com Deus

que entra em comunhão com o seu povo e diz: "escuta Israel!". E com o ser humano que responde para Deus: "escuta Senhor a minha oração!". Toda escuta nasce do amor e leva ao amor. A porta do diálogo nunca pode ser fechada, ela sempre deve estar aberta para todos e em todas as necessidades. Família, lugar de escuta, não de domínio; de diálogo, não de imposição. Família nasce da presença do amor que leva a nunca buscar a própria satisfação, mas sim o projeto dos outros. Pare e escute ... e só depois de muita reflexão responda e verá a vida nascer de novo e as flores da harmonia e da alegria presentes no jardim de sua família. FREI PATRíCIO SCIADI 1- OCO

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Família, Lugar de Diálogo