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Na lição do mestre em outra de suas obras (O nome do riso), não há arte privada, pois a arte requer sair à praça pública, percorrer as ruas, deixar-se admirar pelos olhos de todas e todos que se interessam por ela e, em última forma, nos dar motivação para a travessia, para a viagem, para o autoconhecimento, sem renunciar à presença dos olhares dos demais. A arte necessita e exige, pois, um espaço publico. Para o mestre, desde Virginia Woolf, a luta feminista contra o sistema de valores dominante e contra a exclusão das mulheres dos privilégios da divisão capitalista do trabalho encontra apoio para a conquista de um espaço e tempo próprios, diversos dos permitidos pelo denominado depredador patriarcal, embora complemente a metáfora do quarto próprio com a metáfora mais antagônica da consciência “ciborg” entendida como caminho único para enfrentar realidades com faces múltiplas de opressão e exploração. De modo geral, todas as teorias feministas contemporâneas, apesar das diferenças entre si, compartilham o objeto a ser enfrentado: o patriarcalismo como sistema de relações dominante, visto sob a ótica masculina, entendida aqui como a ótica masculina branca, proprietária e cidadã. Das teorias feministas que tentam superar os minimalismos políticos e essencialismos da diferença sexual, destacam-se, primeiramente, quatro teorias: a primeira teoria seria a do feminismo radical, centrado no problema da violência da relação entre os homens e mulheres na maioria dos espaços públicos e privados; a segunda teoria seria a do feminismo denominado liberal ou progressista, centrado nas políticas de discriminação positiva e preocupado em estabelecer políticas promocionais e sistemas de cotas; a terceira teoria seria o feminismo denominado materialista ou “marxista”, 20

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Rev. MPT RS, Porto Alegre, nº 2, p. 17-36, 2010.

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Revista do MPT-RS nº 2  

Revista do Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul editada sob responsabilidade dos procuradores do Trabalho lotados no Estado.

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