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BOLETIM INFORMATIVO A TRIBUNA - ÓRGÃO OFICIAL DA ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS

Ordenação presbiteral, Catedral Metropolitana de Campinas. Foto: Carolina Grohmann

ANO 104 - EDIÇÃO 3.900- MAIO/JUNHO 2014

Ordenação Presbiteral Quatro novos padres para a Arquidiocese de Campinas


Adeus ao Cônego Carlos Menegazzi

EXPEDIENTE Boletim A Tribuna

Publicação do Setor Imprensa da Arquidiocese de Campinas – SP

Arcebispo Metropolitano: Dom Airton José dos Santos Direção: Padre Rodrigo Catini Flaibam Editora-chefe: Bárbara Beraquet (MTb 37.454) Jornalista: Wilson Antonio Cassanti (MTb 32.422) Editora-assistente: Carolina Grohmann (MTb 72.958) Apoio: Giovanna Lima João do Carmo Costa Julia Lopes Marcela Rezende Mariana Maia Rafaella Cassia

Composição própria Distribuição gratuita Impressão: RIP Editores Gráficos Tiragem: 10 mil exemplares

D

esde 1999, assinava uma coluna no órgão oficial da Arquidiocese de Campinas, A Tribuna, sem deixar de colaborar a cada edição com seus textos que versavam sobre Direito Eclesial. Essa iniciativa evangelizadora por meio da comunicação social não se limitava, no entanto, ao espaço fixo de reflexão que ocupava, mas se estendia às inúmeras consultorias, que chamaremos aqui “aconselhamentos”, quando os temas tratados traziam em si algum impedimento. Os aconselhamentos do Cônego Carlos Menegazzi, falecido em 24 de março último, tinham algo de mesmerizante; lembrava-nos da misericórdia divina constantemente. Parece-nos que de toda a convivência, pouca se comparada aos seus muitos anos de trabalho e dedicação ao ministério sacerdotal, foi fácil guardar do Cônego, carinhosamente tratado por “Menega”, - mas não nos dirigíamos a ele assim, não, jamais! -, lembranças das mais ternas. Às quartas-feiras, quando a Cúria Metropolitana funcionava no Centro de Pastoral Pio XII, celebrava a primeira Missa do dia entre os funcionários. Sua gargalhada rouca e a forma jovem de olhar o mundo comoviam. A cadeira vazia, na Catedral Metropolitana, que abriga os membros do Cabido, dá a dimensão de seu tamanho. Sabemos que aquele era seu lugar e que presente foi sua vida à Igreja. Nós, amigos, queremos deixar aqui uma pequena homenagem ao nosso colunista, reunindo quatro de seus escritos e algumas imagens de sua vida. Não seria possível publicar todas as homenagens das pessoas que o queriam bem, que a seu lado trabalharam nas paróquias, comunidades, Cabido e Tribunal, mas selecionamos algumas. As fotografias não creditadas foram gentilmente cedidas pela sobrinha, Marisa Menegazzi. Boa leitura! Equipe Setor Imprensa

WWW.ARQUIDIOCESECAMPINAS.COM

REDACAO@ ARQUIDIOCESECAMPINAS.COM RUA LUMEN CHRISTI, 02 JARDIM DAS PAINEIRAS 13092-320 CAMPINAS, SP

Confira a versão digital do Boletim A Tribuna, que também está disponível para download em

www.arquidiocesecampinas.com/banca

02 - MAIO/JUNHO 2014 - BOLETIM A TRIBUNA


Dia Mundial da Juventude

O

Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Airton José dos Santos, reuniu-se no dia 13 de abril, após a Missa de Domingo de Ramos, com cerca de 200 jovens da Arquidiocese de Campinas, para realizar catequese que marcou a Jornada Diocesana da Juventude deste ano. A Catedral Metropolitana foi o ponto de partida da caminhada feita pelos jovens com a Cruz Missionária, momento do qual também participaram Dom Airton e o assessor da Área Pastoral Juventude, Padre Jonas Barbosa, até o antigo Externato São João (Dom Bosquinho), local da catequese. Dois jovens leram a carta do Papa Francisco para o Dia Mundial da Juventude (DMJ), divulgada em janeiro passado. Na carta, o Papa propõe três temas para serem discutidos neste e nos próximos dois anos que antecedem a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que ocorre em 2016 na cidade polonesa de Cracóvia. “Começaremos este ano meditando sobre a primeira: ‘Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu’ (Mt 5,3)”, diz a mensagem. Para 2015, o tema proposto é “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus”, (Mt 5, 8); e, em 2016, “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”, (Mt 5,7). Após a leitura, Dom Airton proferiu a catequese com foco no tema deste ano, conforme orientado pelo Santo Padre. Dom Airton falou sobre a importância da humildade e a necessidade de enxergar Jesus no próximo, deixar o egoísmo e o egocentrismo de lado, doando-se para ser instrumento de Deus. O jovem Rodrigo de Castro Borges, 16 anos, da Paróquia Santa Edwiges, acompanhou os ensinamentos de Dom Airton. “Percebo a necessidade que nós jovens temos, urgentemente, de nos atentarmos a isso, pois muitas vezes ignoramos o próximo e apenas pensamos

por Mariana Maia

em nós mesmos, alegando não ter tempo para doar-se ao bem, além de rejeitar os planos de Deus em nossas vidas”, explica. Comemorado junto com o Domingo de Ramos, o DMJ é o momento em que dioceses de todo o mundo promovem, em suas realidades e desafios particulares, a Jornada Diocesana da Juventude, com o propósito de preparar os jovens para a próxima JMJ. “O que mais me marcou foi o jeito cativante com que o arcebispo acolheu os jovens na catequese. Com palavras sábias de Dom Airton, percebi a importância do papel da juventude para a Igreja e para nossa Arquidiocese. Outro ponto importante abordado pelo bispo foi a importância de ir ao encontro do próximo em suas necessidades. Ouvir mais as pessoas, para que a cada dia possamos praticar o exercício do acolhimento. Muitas vezes deixamos de lado os amigos por causa desse mundo virtual que vivenciamos”, comentou Moniquele Cruz, da Paróquia Sant’Ana, em Campinas.

Dom Airton e Padre Jonas seguem, com os jovens, para a Catequese do Dia Nacional da Juventude. Fotos de Mariana Maia.

BOLETIM A TRIBUNA - MAIO/JUNHO 2014 - 03


Semana Santa por Mariana Maia

D

urante a Semana Santa, fiéis se reuniram

Adoração do Santíssimo Sa-

na Catedral Metropolitana de Campinas

cramento.

para vivenciar, em celebrações presididas

A Procissão do Senhor

pelo Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom

Morto, na sexta-feira,

Airton José dos Santos, a Paixão, Morte e Ressurrei-

dia 18, contou com a

ção de Jesus Cristo.

apresentação do canto

No Domingo de Ramos, 13 de abril, na Praça Ruy

de Verônica por Niza de

“A Paixão,

Morte e Ressurreição de Jesus Cristo

Barbosa, atrás da Catedral, os fiéis participaram da

Castro Tank. Da Basílica Nossa

bênção dos ramos e seguiram em Procissão, que lem-

Senhora do Carmo, os fiéis seguiram em oração até a

bra a entrada de Jesus em Jerusalém.

Catedral. A imagem de Jesus Morto ficou exposta na

Na manhã da Quinta-feira Santa, dia 17, o clero da Arquidiocese de Campinas se reuniu para Missa do

nave da Igreja, cercada pelo silêncio respeitoso dos fiéis.

Crisma e Bênção dos Santos Óleos. À noite, em to-

Na noite do Sábado de Aleluia, dia 19, foi celebrada

das as paróquias, ocorreu a celebração de Lava-pés,

Missa Solene de Vigília Pascal. O encerramento da

que reproduz o gesto de Jesus ao lavar os pés dos

Semana Santa ocorreu no Domingo de Páscoa, 20,

apóstolos. Após a celebração, tiveram início Vigília e

com Celebração Festiva da Páscoa do Senhor.

Dom Airton preside missa no Domingo de Páscoa, na Catedral. Domingo de Ramos, Missa de Lava-pés e Procissão do Senhor Morto. Fotos de Mariana Maia.

04 - MAIO/JUNHO 2014 - BOLETIM A TRIBUNA


Dia de Santa Rita de Cássia é celebrado nas paróquias dedicadas por Giovanna Lima

S

anta Rita de Cássia tem sua memória celebrada por seus inúmeros devotos no dia 22 de maio.Todos os anos, as diversas comunidades dedicadas a Santa mobilizam-se e apresentam programação especial. A Paróquia Santa Rita de Cássia, em Campinas, recebeu cerca de 12 mil fieis ao longo do dia da padroeira. Eles participaram das missas, uma a cada duas horas. Na última missa do dia, o Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Airton José dos Santos, realizou a Dedicação da Igreja, com a aspersão de água benta, a deposição da relíquia de Santa Maria Goretti, a unção sagrada do altar e da igreja, a incensação, a iluminação e, por fim, o principal, a Celebração Eucarística. Água benta e aproximadamente 15 mil rosas foram distribuídas aos devotos. Na Paróquia Santa Rita de Cássia, em Indaiatuba, foram seis missas, com a distribuição de 3 mil rosas e presença de cerca de 3 mil pessoas. Nesse mesmo dia, as duas paróquias comemoraram, também, Jubileu de Ouro. Santa Rita nasceu em 1381, na Itália, em Cássia. Ela queria se consagrar à vida religiosa, mas para satisfazer os pais, casou-se e teve filhos. Seu marido, que levava uma vida desregrada, mesmo depois de se converter com a ajuda de Rita, foi assassinado. Seus herdeiros queriam vingar a morte do pai, mas Santa Rita, que pediu a Deus que levasse os filhos antes que cometessem um grave pecado, teve seu desejo atendido. Após ficar viúva, tornou-se freira. Dedicou 40 anos de sua vida às questões religiosas. Em uma de suas orações, ela pediu a Jesus que a permitisse carregar um pouco de Seu amor, Sua entrega e Sua Paixão. “Jesus permitiu, lhe deu um estigma. O espinho do crucifixo da pintura sumiu, não estava mais na parede, mas cravou bem no centro da testa de Santa Rita uma ferida dolorosa, grande e mal-cheirosa”, conta o vigário paroquial da paróquia em Campinas, Padre Rodrigo Catini Flaibam, em homilia. Santa Rita morreu no Convento das Agostinianas, em Cássia, no dia 22 de maio de 1457. Foi beatificada em 1627 e canonizada em 1990.

Confira mais fotos do mosaico confeccionado pela “Reúna Arquitetos Associados” em nosso portal! Paróquia Santa Rita de Cássia, em Campinas Fotos: Carolina Grohmann

BOLETIM A TRIBUNA - MAIO/JUNHO 2014 - 05


ARQUIDIOCESE em destaque

Associação de Médicos Católicos tem primeira reunião No último dia 24 de abril, médicos católicos de Campinas (SP) e região reunirem-se ao Arcebispo Metropolitano, Dom Airton José dos Santos, e ao Padre Claudio Müller, que dará condução espiritual à Associação de Médicos Católicos, para formular e levantar os objetivos e encaminhamentos da associação.

Sobre a Associação dos Médicos Católicos

por Padre Claudio Müller

A Associação dos Médicos Católicos é um organismo que tem por intuito congregar os profissionais da medicina que se afirmam católicos e desejam exercer a sua profissão à luz dos princípios evangélicos. Tem por finalidade a definição e a difusão de princípios orientadores das atividades ligadas a saúde à luz da fé cristã, partindo da análise dos problemas e questões fundamentais do exercício contemporâneo da medicina nos domínios da ética e da moral, das ciências fundamentais e das ciências aplicadas e da saúde. Podem participar todos os médicos que desejem refletir à luz do Evangelho os problemas do exercício da sua profissão e estejam interessados em encontrar e difundir um espaço de reflexão e de oração comuns. A Associação deseja refletir questões práticas e doutrinais nomeadamente os que se referem ao exercício médico e às questões relacionadas com o início e o termo da vida humana, ao direito a morrer com dignidade, ao aborto, à humanização dos cuidados de saúde, à organização dos serviços, à deontologia profissional, etc. Para além destas atividades, primariamente orientadas para os profissionais de saúde, é preocupação da associação oferecer à comunidade uma opinião pública esclarecida com reflexões sobre problemas com interesse da sociedade em geral. Contato: c_wmuller@hotmail.com

Fotos de Carolina Grohmann

06 - MAIO/JUNHO 2014 - BOLETIM A TRIBUNA


No dia 11 de maio, Dom Airton José dos Santos, Arcebispo Metropolitano de Campinas, presidiu Celebração Eucarística com a instalação da Paróquia São Francisco de Assis, na Vila Brigadeiro Faria Lima (CECAP), em Indaiatuba, desmembrada da Paróquia Nossa Senhora da Candelária. O endereço da Matriz São Francisco de Assis é Rua Amadeu Furlan, 146, CECAP 1. Informações pelo telefone (19) 3875.2108.

Jubileus!

Fotos de Cleiner Malta

Nova Paróquia São Francisco de Assis

Nossa Senhora de Fátima

Dias de Estudo do Clero

A Paróquia Nossa Senhora de Fátima realizou nos dias 17 e 18 de maio a 26ª Festa da Padroeira. Já tradicional no Bairro do Taquaral, a festa atraiu milhares de pessoas da cidade. Foto de Carolina Grohmann

No mês de junho, o Padre Carlos José Nascimento, completa 20 anos de ordenação (Jubileu de Porcelana), no dia 17. Dia 25, Padre Jorge José da Silva, também comemora o Jubileu de Porcelana (20 anos). Na última semana de junho, as comemorações são pelos 50 anos (Jubileu de Ouro) de ordenação do Padre José Rello, no dia 29, e pelo Jubileu de Prata (25 anos) do Padre Pereira de Abreu, dia 30. O segundo semestre começa com a comemoração do Jubileu de Rubi (40 anos) do Padre Wilson Denadai, no dia 7 de julho. No dia 14, a Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Catedral), comemora 240 anos de sua fundação.

Os Velhinhos do Lar

De 20 a 22 de maio, o Arcebispo Metropolitano e todos os Presbíteros e Diáconos participaram de um encontro de estudos, com o tema a Exortação Apostólica do Papa Francisco, “Evangelii Gaudium”, A alegria do Evangelho, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. O encontro foi realizado no Centro Caná, assessorado pelo Prof. Dr. Padre Paulo Sérgio Lopes Gonçalves, Professor da PUC-Campinas, e pelo Prof. Dr. Cônego Antônio Manzatto, professor na PUC-SP.

Foto de Bárbara Beraquet

Os Velhinhos do Lar é um documentário que reúne histórias dos moradores do Lar dos Velhinhos de Campinas (LVC), que pouco têm a oportunidade de conversar sobre o passado. A página do Facebook é www.facebook. com/osvelhinhosdolar. A pré-estreia do documentário ocorreu durante a 12ª Semana de Museus, organizada pelo Ibram, de 12 a 18 de maio, e o documentário será publicado na internet. Foto: Diogo Zacarias

BOLETIM A TRIBUNA - MAIO/JUNHO 2014 - 07


08 - MAIO?JUNHO 2014 - BOLETIM A TRIBUNA


Ordenação Presbiteral Na foto maior, abaixo, Padre Renato, Padre Claudiney, Padre Nilo e, à frente, Padre André.

da Redação

A

Arquidiocese de Campinas acolheu, pela

Foto de Maurício Aoki

ordenação presbiteral, quatro novos padres, então diáconos André Ulisse da Sil-

va, Claudiney Ferreira de Almeida, Nilo Cavalcante de Oliveira Júnior e Renato de Moura Petrocco. A cerimônia de ordenação presbiteral, presidida pelo Arcebispo de Campinas, Dom Airton José dos Santos, ocorreu no dia 26 de abril, na Catedral Metropolitana. Os padres receberam uso de ordem como vigários paroquiais em paróquias de Campinas e Sumaré, onde já atuavam. Padre André Ulisses da Silva é agora vigário na Paróquia Santa Clara de Assis, em Sumaré. Na Paróquia Divino Salvador, em Campinas, a responsabilidade é do Padre Claudiney Ferreira de Almeida. Padre Nilo Cavalcante de Oliveira Júnior é vigário na Paróquia Sagrada Família, em Campinas, e o Padre Renato de Moura Petrocco, na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, em Campinas.

Fotos de Carolina Grohmann BOLETIM A TRIBUNA - MAIO/JUNHO 2014 - 09


Assembleia Geral reúne bispos em Aparecida da Redação

O

Arcebispo Metropolitano de Campinas,

leiro aprovou dois documentos, um sobre a Renovação

Dom Airton José dos Santos participou

Paroquial e outro que trata da Questão Agrária no Bra-

junto de mais de 350 bispos, dos 18 re-

gionais, da 52ª Assembleia Geral da CNBB, que discutiu e refletiu, este ano, sobre o tema “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”. Outras pautas também foram levantadas como a Questão Agrária, Laicato, Liturgia, Evangelização da Juventude, Eleições 2014, Campanha contra a Fome e Copa do Mundo.

sil. O primeiro discute a renovação das paró-

“Discute a

quias e quer contribuir para dinamizar a vida de comunidade. Já o segundo

renovação das paróquias e quer contribuir para dinamizar a vida de comunidade

Realizado no Centro de Eventos Padre Vítor

discute a questão agrágria no início do século XXI. Foi aprovado também um estudo que tem como tema prioritário “Os cristãos leigos e leigas”. Para receber a contribuição dos leigos,

esse texto será enviado às dioceses do

Brasil, para que no próximo ano, posso ser

Coelho, no Santuário de Aparecida, cidade paulistana, nos dias 30 de abril a 09 de maio, o episcopado brasi-

avaliado novamente e, assim, haja aprovação dessa vez como um documento oficial sobre o laicato.

Fotos: Bárbara Beraquet

Assembleia tem a questão agrária na pauta, entre outros temas. Na primeira foto, Dom Airton faz uma pausa antes do atendimento à imprensa.

10 - MAIO/JUNHO 2014 - BOLETIM A TRIBUNA


Anchieta é proclamado Santo da Redação

C

anonizado pelo Papa Francisco em 03 de abril deste ano, Padre Anchieta, agora chamado São José de Anchieta, foi o segundo jesuíta a ser declarado santo pelo Papa, ele mesmo

membro dessa ordem. O primeiro foi o francês Pedro Fabro, em 2013. O processo de canonização foi um dos mais longos historicamente levou 417 anos-, e veio depois de o Papa ouvir o relatório sobre a vida e a obra do “Apóstolo do Brasil” e assinar o decreto que reconheceu a figura e a grandeza do missionário. A Paróquia da Arquidiocese de Campinas que tem o Santo como padroeiro celebrou, em 02 de abril, missa pela canonização. Presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Airton José dos Santos, a celebração reuniu cerca de 1.500 fieis, de acordo com levantamento da paróquia. Na homilia, Dom Airton lembrou a importância histórica do Santo. Durante a Missa, Dona Linda, paroquiana ativa na comunidade desde a fundação, entregou a Dom Airton uma relíquia do jesuíta espanhol que ainda jovem veio ao Brasil como missionário. A relíquia foi colocada ao lado de uma imagem do santo, na igreja. A Paróquia, que fica em Valinhos e tem como pároco Padre Rogério Canciam, passou a se chamar, a partir da canonização, São José de Anchieta. Ao ser declarado santo, ele foi escolhido como Padroeiro dos Catequistas pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Retrato (arquivo), quadros de Benedito Calixto retratam Anchieta e foto de Carolina Grohmann, missa em Valinhos.

BOLETIM A TRIBUNA - MAIO/JUNHO 2014 - 11


Fé, trabalho e amizade

Homenagem ao Cônego Carlos Menegazzi

C

ônego Carlos faleceu no dia 24 de março, no Centro Médico de Campinas, em razão de um choque cardiogênico e insuficiência cardíaca congestiva. Aos 92 anos de idade, era o Padre mais idoso da Arquidiocese de Campinas e exemplo de jovialidade e vitalidade. Nascido no dia 09 de outubro de 1921, em Amparo (SP), filho de Gaudêncio Cezar Menegazzi e Albina Nora Menegazzi, entrou para o Seminário Diocesano de Campinas, em 1938; cursando Filosofia e Teologia no Seminário Central do Ipiranga, SP, de 1939 a 1945. Foi ordenado Presbítero no dia 08 de dezembro de 1945, na Catedral de Campinas, por Dom Paulo de Tarso Campos. Entre muitas experiências, que incluíram ser diretor de estudos, diretor espiritual, capelão e professor, inclusive da PUC-Campinas, Carlos Menegazzi foi pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Taquaral, em Campinas, de 1953 a 1956; da Paróquia Nossa Senhora da Candelária, em Indaiatuba, SP, de 1956 a 1960; da Paróquia São Manuel, em Leme, SP, de 1960 a 1963, da Paróquia São José, em Mogi Mirim, SP, de 1963 a 1966, e da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Botafogo, em Campinas, onde permaneceu por mais de 30 anos, de 1966 a 1997. Fez o Curso “Por um Mundo Melhor”, com o Padre Ricardo Lombardi, Rocca di Papa, Roma, Itália de 1960 a 1961.

da Redação

Foi nomeado por Dom Paulo de Tarso Campos como Cônego Honorário do Cabido Metropolitano em outubro de 1965. Em 13 de julho de 1968 foi nomeado Cônego Catedrático do Cabido Metropolitano de Campinas. Cônego Carlos foi Juiz do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Campinas desde 1975. Ao completar 75 anos de idade, renunciou à Paróquia Sagrado Coração de Jesus e partiu para Roma, onde fez o Curso de “Prassi e Giurisprudenza Ecclesiastica” (DC) na Pontifícia Universidade Urbaniana em Roma, de 1997 a 1998. Voltou para o Brasil em novembro de 1998 e foi nomeado Vigário Judicial Adjunto do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Campinas. Foi, também, Presidente do Cabido Metropolitano, em 30 de março de 2000. Em 31 de outubro de 2002, recebeu o Título de Cidadão Campineiro outorgado pela Câmara Municipal de Campinas. “A poetisa e jornalista Cecília Meireles deixou-no s este pensamento: ‘Há pessoas que nos falam e nem as escut amos; há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam; mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre’. São marcas profundas que nos deixa o Cônego Carlo s Menegazzi. Marcas de amor, alegria, juventude, desp rendimento, serviço, doação, fidelidade, lealdade e muito mais que se quiser atribuir a um homem que testemunhou, verdadeir amente, com sua vida, o Evangelho de Jesus Cristo. Nosso coração transborda de alegria e agradecim ento a Deus por ter-nos proporcionado a honra e o prazer de termos convivido com um homem da grandeza do Cônego Carlo s”. Wilson Cassanti Jornalista da Arquidiocese de Campinas

Ao lado do sobrinho, Padre Cláudio Menegazzi, durante a Missa dos Santos Óleos, em 2013. Foto de Carolina Grohmann

12 - FEVEREIRO/MARÇO 2014 - BOLETIM A TRIBUNA


“Sua presença entre nós foi e sempre será um presente de Deus. Sempre ao nosso lado, vimos a cada dia crescer em nós o amor pelo Evangelho infundido pelos seus ensinamentos. Nunca se importou em ganhar presentes, pois não tinha apego por bens materiais. Em seus aniversários gostava apenas que sua canção ‘Padre Carlos’, composta por agentes da comunidade em comemoração aos seus 60 anos de sacerdócio, fosse entoada intensamente por toda a assembléia, numa só voz, reunidas em torno do altar, ficando todo entusiasmado, emocionado e com os olhos marejados com tal pequeno gesto de gratidão. Mesmo com as suas limitações, incansável, esteve sempre à disposição. Em sua última missa, a qual tivemos a honra de celebrar junto com ele no dia 16 de março deste ano de 2014, estava imensamente feliz em retornar à Comunidade São Lucas na qual sempre esteve presente desde a sua fundação e, que hoje vem sendo reconstruída. Contemplou as grandes obras do Senhor, admirando a nova capela com que tanto sonhou, expressando a sua inabalável fé, fazendo muitos planos de um futuro melhor”. Sílvia Caetano, Paróquia Nossa Senhora de Fátima

C o-herdeiro do Reino O breiro do Senhor N auta das águas profundas E leito para o presbitério G ladiador do Evangelho O rientador de almas

Padre Carlos Compositores: Reinaldo e Silvana (Letra adaptada) Homenagem da Comunidade São Lucas / Paróquia Sagrada Família ao nosso amado e eterno Cônego Carlos Menegazzi

C atalizador de fiéis A rauto da Boa Nova R estaurador de corações L egionário da esperança O ficiante da Eucaristia S emeador do Reino

1.Deixou um lar, deixou uma família Para fazer o que o Pai mandou. Pregar a paz, o amor, a alegria, Servir o próximo com muito amor. Padre Carlos, nosso pastor Foi tão grande tua missão. Anunciar o Salvador, Muitos anos de dedicação. 2.Era pequeno quando se levantou E disse: “vou servir o meu Senhor”. E na pequena Pirassununga, Sua missão começou. 3.Aqui chegou com muita humildade Nos dando amor e atenção. Nos ensinando o dom da paciência E como é a vida de um cristão. 4.Nesse tempo que passei contigo Muitas coisas eu aprendi. Você é um grande amigo, Que bom que Deus te trouxe aqui.

Cônego Carlos Menegazzi Acróstico dirigido ao Cônego Carlos por José Benedetti Netto

M inistro da Igreja E stagiário da vida N orteador de condutas E missário sacramental G lossário de saber A mante eucarístico Z elador do Reino Z agueiro do time do Senhor I ncansável sacerdote

“Esteve sempre à disposição” No alto da página, foto de Carolina Grohmann. Ao meio, em 2005, Jubileu de 60 anos de ordenação sacerdotal. Ao lado, lembrança pelos seus 90 anos e 66 anos de sacerdócio.

BOLETIM A TRIBUNA - FEVEREIRO/MARÇO 2014 - 13


PUBLICADO EM A TRIBUNA, edição Setembro DE 2006

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI! assim passa a glória do mundo... por Cônego Carlos Menegazzi

N

o dia 25 de junho passado, às 16h21 de Brasília, o mundo ficou estarrecido com a notícia da morte do cantor norte-americano Michael Jackson, aos seus 50 anos de idade, por uma parada cardíaca em sua casa. Foi uma celebridade que se tornou mito da juventude pela sua música pop, criando uma nova geração, conhecida como do “pop rock”. A editora do Correio Popular, conceituado jornal de nossa cidade, em seu artigo nesse jornal de 06/07/2009, escreveu: “Ultimamente, o brilhante músico foi perdendo o fôlego, o rosto mudando de forma e a pele mudando de cor. Para as novas gerações, provavelmente, Jackson era mais conhecido por sua figura estranha do que por suas canções. Perdeu ritmo, perdeu dinheiro. Mas nunca deixou de ser ícone”.

“Perdeu ritmo, perdeu dinheiro. Mas nunca deixou de ser ícone”

in memoriam

De imediato à notícia de sua morte inesperada, que chocou os sentimentos de milhões de fãs de todas as raças, nações, idades, classes sociais, mas, sobretudo, os jovens, a mídia e todas as formas de comunicação, espalharam a notícia pelo mundo inteiro. Pelas imagens projetadas por todas as TVs se via uma “consternação universal!”. Nessa hora, veio-me à mente, ex abrupto, aquela frase latina que encabeça esta matéria. Lembrei-me que fora dita muitos séculos atrás, por São Francisco Borgia, um nobre espanhol de muito prestígio na corte do Imperador Carlos V (século 16). Ele o mandara a Paris para trazer o corpo da sua esposa, a Imperatriz Izabella, considerada de extrema beleza, que falecera naquela cidade, para ser sepultada no Mausoléu de Granada, na Espanha. Consta na biografia do santo que, ao abrirem o caixão mortuário, pela última vez, antes da partida do cortejo fúnebre, ele viu o rosto desfigurado da Imperatriz. Da sua apregoada beleza, nada ficara. Este espetáculo impressionou de tal modo Francisco que, tocado pela graça divina, pronunciou em cima do cadáver da rainha aquelas palavras, e o levou a tomar a decisão definitiva de deixar sua vida na corte, renunciar a todos os seus títulos ho-

14 - MAIO/JUNHO 2014 - BOLETIM A TRIBUNA


Foto de Carolina Grohmann.

noríficos e às riquezas terrenas e ingressar na Companhia de Jesus, que Santo Inácio de Loyola acabava de fundar em Roma, da qual foi, mais tarde, membro insigne, tornandose, até, o 3º Superior Geral da Ordem. Veio a falecer, em grande santidade, após uma vida plena de realizações, no dia 10 de outubro de 1572, sendo sepultado na igreja di Gesù, em Roma. Vale, nestas horas, meditar nas palavras de Coélet, o sábio que fala em nome de Deus no Livro do Eclesiastes, 11, 9 e 10. Diante da fugacidade da vida, ele deixa um conselho aos jovens de viver bem esta vida, antes que chegue ao fim: “Jovem, regozija-te na tua mocidade e alegra-te na flor da idade; vai aonde o coração te

leva e os olhos te atraem; mas saibas que sobre tudo isso Deus te pedirá contas de todas essas coisas. Expulsa a melancolia de teu coração, afugenta as dores de teu corpo, porque a juventude e os cabelos negros são efêmeros”. E termina, advertindo: “Antes que o fio de prata se rompa e a taça de ouro se parta, antes que o jarro se quebre na fonte e a roldana rebente no poço. Então o pó volta para a terra de onde veio, e o sopro vital retorna para Deus que o concebeu”. ... “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade!” (Ecl.12, 6-8 e 12).

“O levou a tomar a decisão definitiva de deixar sua vida na corte, renunciar a todos os seus títulos honoríficos e às riquezas terrenas”

BOLETIM A TRIBUNA - MAIO/JUNHO 2014 - 15


PUBLICADO EM A TRIBUNA, edição Junho-Julho DE 2004

Casei com a pessoa errada! por Cônego Carlos Menegazzi in memoriam

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requentemente vem ao nosso Tribunal gravidez indesejada que os levam ao casagente que apresenta como motivo para mento, sem estarem preparados. pedir a nulidade de seu casamento o Nem sempre os jovens querem casar-se; defato de ter-se casado com a pessoa errada. sejavam, simplesmente, “curtir a vida” por Conta que esperava do parceiro uma coisa e mais tempo... Mas logo são pressionados pena união matrimonial mostrou-se completa- los familiares a assumirem o erro que fizemente diferente. Quantas decepções logo de ram ante o pavor da filha ficar “mãe solteira”, início. É bem frequente o que essa gente diz, o que seria uma infâmia para a família, ou, máxime em nossos tempos em que o mopara alguns pais, o pensamento de se delo de casamento são as novelas. livrar de um peso a mais na vida Aí E do que se queixam? De mufamiliar; o fato é que decidem danças inexplicáveis no comque eles têm que se casar. abrem os olhos portamento da pessoa. Muitos Argumento positivo também para enxergar a tiveram namoros que duraram para essa decisão é a preocuaté anos; outros foram extremapação de se dar uma satisrealidade mente breves. Pensavam, nesse fação à sociedade; por isso, nua e crua tempo, que se conheciam bem, procuram realizar o casamento vivendo aquela rotina de encontros até com certa solenidade, sobree desencontros. Frequentemente esses tudo no religioso, com direito à festa, queixosos declaram que tinham desentendi- lua de mel e casa pronta. mentos por coisinhas de nada ou por questão Começa, então, o dia-a-dia da vida conjude ciúmes. Chegavam, algumas vezes, até em gal, para a qual não estavam absolutamente se separar, porém, atraídos pela paixão, re- preparados. Aí é que abrem os olhos para enconciliavam-se. xergar a realidade nua e crua, como se diz. Mas o que, na verdade, os atraía e seguraNas entrevistas, vemos claro os motivos que va? É que, logo que se conheceram, entrega- os levaram à separação. vam-se a “intimidades” (palavra muito usada Se é ela, diz que ele, antes de casarem, não para significar “relacionamento sexual”), que era como se manifestou logo depois: bruto, até hoje, infelizmente, estão em moda entre não dava nenhuma atenção ou carinho a ela adolescentes e jovens dominados pelo panse- nem ao filho por nascer; não queria trabaxualismo reinante. Consequência disso, em lhar; era assíduo frequentador de bar onde ia quantos desses relacionamentos, surge uma beber, jogar cartas ou snooker; queria levar

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uma vida de solteiro; jogar peladas ou sair à Alguns erros se referem à própria “pessoa”, noite com os amigos, chegando, muitas ve- que não tem as qualidades esperadas; ouzes, em altas madrugadas; quando não era tras, em relação ao “casamento em si”, que usuário de drogas... E muitas outras coisas. não conseguiram realizar. Neste caso, o erro Se é ele, ela não mostrava mais o amor que é mais profundo, pois atinge a natureza mestinham antes; tornou-se frígida; não era boa ma do matrimônio ou suas “propriedades esdona de casa, pouco sabia fazer; queria sem- senciais”: a unidade, que proíbe a ligação sipre ir para a casa dos pais; saía muito e não multânea por dois vínculos conjugais e leva dava satisfação; gastava demais, etc, etc... à exigência da fidelidade, que nem sempre é Então perguntamos: será que por fácil, e a indissolubilidade - comuesse caminho pode-se intronhão da vida toda, até que a Mas há duzir no Tribunal Eclesiásmorte os separe. tico um processo de nuliMas há ainda outros eleainda outros dade matrimonial? mentos essenciais que elementos essenciais O Juiz Auditor deverá nem sempre são consideter muita cautela ao ouvir rados, como as “relações que nem sempre são do(a) demandante seu reinterpessoais” que exigem considerados lato sobre o caso, primeiro uma identidade mínima de passo para o processo, para amor, o direito-dever de prodescobrir com habilidade, as poscriação e educação da prole e tansíveis ou principais causas do “erro”, pois, tos outros mais que concernem à convivênsegundo o Código de Direito Canônico, são cia conjugal. muito sutis e nem sempre fáceis para definir Quantos desses erros, nas questões supra as interpretações diferentes. lembradas, não conjugam com a doutrina Geralmente o motivo da queixa do(da) de- evangélica e surgem, surpreendentemente, mandante se refere à falta de qualidades que depois do casamento, deixando a outra parnão encontrou na outra parte ou de seu pro- te num mar de angústias. cedimento não condizente com o que espePara muitos desses casos, não há solução rava dele ou dela. Mas, que qualidades es- senão a separação e buscar, posteriormente, perava? São substanciais ou acidentais ao o nosso Tribunal, na tentativa de reparar o matrimônio? Não raro, a queixa é uma mis- erro e refazer uma vida conjugal que não foi tura de tudo, principalmente nos casos des- pautada segundo a vontade de Deus e as leis ses matrimônios mal preparados, como infe- da Igreja. Um bom processo e seu julgamenlizmente são hoje a maioria e que geralmente to é que dirão como foi esse casamento com se classificam como casamentos de pessoas a pessoa errada. “imaturas”.

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Excomunhão: o que é?

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por Cônego Carlos Menegazzi in memoriam

uando o Santo Padre Bento XVI viajava para sua visita ao Brasil, no avião deu uma entrevista aos repórteres credenciados que o acompanhavam. Entre os diversos assuntos, surgiu o de “Excomunhão” de que nossos jornais aproveitaram

A Igreja é uma Sociedade que precisa acautelar-se com os “delitos” que seus membros, os ministros ordenados e mesmo os fiéis cristãos possivelmente cometam contra a sua instituição e os bens que ela administra, a pureza da fé, os sacramentos, o exercício dos ministérios

tratar como um “prato cheio”, bem ao sabor do que a imprensa gosta, sempre ávida de criar “sensacionalismos”. Poucos de nossos leitores entendem o que é uma “excomunhão” porque são muito raras da Igreja. Esta palavra vem do latim: “excommunione” que significa: fora da comunhão eclesial ou participação dos bens eclesiásticos, sobretudo os espirituais. Este assunto se insere na legislação da Igreja, o Código de Direito Canônico, onde ocupa longo espaço no Livro V, sob o título de “Sanções, Penas e outras Punições”.

e dos bens eclesiásticos. Quem pode aplicar essas penalidades? O código diz: “Quem goza do poder de legislar pode também munir-se de uma pena adequada à lei que emana de sua iniciativa e autoridade no âmbito da sua própria competência”. Assim o Papa, em relação a todas as leis universais na Igreja. Os bispos, relativamente às leis particulares em suas dioceses; os Capítulos gerais e os Superiores maiores, no âmbito de seus Institutos religiosos. A “excomunhão” se aplica só em casos de gravíssimos delitos, segundo o espírito do Concílio de Trento que recomendava aos pastores da Igreja que, levando-se em conta a fragilidade humana, “devem os Prelados estar atentos ao preceito do Apóstolo de se repreender os culpados, suplicar-lhes, esconjura-los com toda a bondade e paciência, pois vale mais a benevolência que a severidade, mais a extorsão que a ameaça, mais a caridade que o poder”.

“A ‘excomunhão’ só se aplica em casos de gravíssimos delitos”

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Ao lado, durante o trabalho, no Tribunal Eclesiástico.

À guisa de ilustração, podemos lembrar de algumas excomunhões clássicas, como a do Cisma do Oriente, quando a Igreja Grega Ortodoxa separa-se de Roma, no século XI e, mais tarde, a imposta à heresia do Protestantismo de Lutero, todos por questão de fé. Em nossa Igreja de Campinas houve a célebre excomunhão do Cônego Manoel Carlos de Amorim Correia, que foi vigário em Itapira e que em 03/02/1913 o “excluiu” da Igreja Católica por ter fundado naquela cidade a Igreja Católica Apostólica Brasileira (Icab), não se sujeitando à disciplina eclesiástica, como devia.

Há muitos motivos que levam a Igreja a aplicar essa forma de pena que, neste curto espaço, não nos permite desenvolver. Mas, além da forma de sanção penal, há também outras, como: penas medicinais, visando que o réu se corrija; penas expiatórias, reparação pública causada pelo dano à comunidade pela infração da lei; as advertências, a imposição da penitência, etc. Mas, acima de tudo, vale lembrar que o “excomungado” não está separado do “Corpo místico de Cristo”, no qual se realiza a Comunhão dos Santos, ao qual o cristão está unido pelo seu batismo, mas tão somente, do “corpo jurídico-social da Igreja” que priva o seu fiel de determinados direitos de participação nela. A perda da comunhão com Cristo só se dará pela perda da “fé”. PUBLICADO EM A TRIBUNA, edição Agosto DE 2007

Durante dias de estudo do clero, em 2013. Foto de Carolina Grohmann.

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por Cônego Carlos Menegazzi in memoriam

Os fiéis cristãos e a política

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á tivemos oportunidade de desenvolver nas colunas desta Revista, em números passados, os direitos que a Legislação Eclesial lhes assegura no seu Código de Direito Canônico, a partir do cânon 208 até 231, por fazerem parte integrante do “Povo de Deus” a que pertencem, juntamente com os Pastores da Igreja, os Sacerdotes, Diáconos e Religiosos consagrados, pela sua condição de “batizados” que guardam sua fidelidade ao Cristo Jesus. A igualdade, a dignidade e a liberdade são a base desses direitos. Hoje, quisera me referir a um direito “específico” resguardo pelo Cânon 227 que passo a transcrever: “É direito dos fiéis leigos que lhes seja reconhecida, nas coisas da sociedade terrestre, aquela liberdade que compete a todos os cidadãos; usando tal liberdade, procurem imbuir suas atividades com espírito evangélico, e atendam à doutrina proposta pelo magistério da Igreja”. Já estamos em tempo de eleições. A Igreja no Brasil, pelo seu órgão máximo, a CNBB, sempre tem emitido suas orientações sobre “questões políticas”, estimulando os fiéis a votarem bem, isto é, que analisem aqueles candidatos que, nos diversos cargos, assegurem ao cidadão brasileiro o seu “bem estar”, o uso amplo de seus direitos, a tranquilidade de vida, a aspiração a dias melhores para si e a todos os seus.

Desse cânon se deduz, também, que os pastores, sobretudo os que têm contato mais direto com os fiéis, saibam respeitar sua liberdade de escolha, de opinião, sua inserção partidária, naturalmente buscando orientá-los à luz da doutrina da Igreja, exposta nessas Cartilhas que citamos, como a da última Assembleia dos Bispos, exarada ainda neste mês de maio passado. Mas deve-se notar bem que, nesta questão, uma coisa é “orientar” conforme a Igreja propõe, e outra, “impingir” suas próprias ideias, tendências ou preferências que podem causar até “desunião” entre os fieis cristãos. À luz deste cânon, vemos igualmente assegurada aos “Christifideles” que apresentam uma clara “vocação política” e demonstram competência pela sua formação, não só doutrinária, mas também, pelo conhecimento de nossa realidade e que lutam pelo bem comum, sua candidatura aos cargos eletivos com apoio da própria comunidade, respeitando sempre, como acima dissemos, o direito de escolha, de cada um, a seus próprios candidatos. Pareceme que é nesse exercício livre e consciente do fiel cristão que vemos transparecer a sua maturidade e a sua “unidade de vida”, no temporal e no espiritual.

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PUBLICADO EM A TRIBUNA, edição Outubro DE 2006


Cônego Carlos Menegazzi e o Cabido

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ônego Carlos Menegazzi teve presença marcante no Cabido Metropolitano de Campinas. Conhecido por seu dinamismo, defendeu a existência e atualização dos Cônegos buscando uma presença maior na Arquidiocese e sua integração na vida da Igreja. Não admitia a possibilidade de colocar o Cabido num segundo plano, por isso, sugeriu a mudança do Estatuto e o cuidado com os bens culturais e históricos da Arquidiocese como uma das atividades, além das funções litúrgicas solenes na Catedral. Em outubro de 1965 recebeu o título de Cônego Honorário e em julho de 1968 assumiu a cadeira dos Cônegos Catedráticos na Catedral Metropolitana. Alegria, bom humor, simpatia e dedicação ao estudo e trabalho contrastavam com a enérgica defesa do direito e da justiça. Muitas vezes precisou ser intransigente ao insistir na organização do Arquivo dos livros e documentos da Cúria, bem como dos bens de valor histórico.

Cônego Carlos deixa para o Cabido Metropolitano e para a Arquidiocese um legado de valores que permanecerão sempre presentes na mente e no coração de todos quantos com ele conviveram. Com ele aprendemos a amar a vida, amar a Igreja, partilhar o tempo com os pobres, ser presença em todas as atividades do Presbitério, apesar das limitações de uma cadeira de rodas. Menegazzi conseguiu realizar muitos de seus sonhos, entre os quais organizar o Livro “Arquidiocese de Campinas, Subsídios para a História”, rever o Estatuto do Cabido, elaborar o “Diretório sobre a conservação dos Bens Culturais e Históricos, Construção, Reforma e Restauro de Templos e Capelas”, e a Celebração do Centenário, em 2009. Cabe bem ao Cônego Carlos um pensamento de Bruce Lee: “O que você sabe não tem valor; o valor está no que você faz com o que você sabe”. Cônego Luiz Carlos F. Magalhães, Arcediago e Pároco da Paróquia Cristo Rei, em Campinas

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Cônego Carlos Menegazzi: retrato vivo de um ser cristão!

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ão é sempre que nós temos a possi- da, consistente, de vida eucarística e oração bilidade de ver cometas grandiosos, diárias, que soube de forma invejável, integrar bonitos e brilhantes cruzando o espa- Fé-e-Vida. Um homem de uma coerência radiço atingível de nosso Planeta. Cometas assim cal e irradiante, que transpareceu a cada inscostumam ser raridades! Ao longo da história tante, o que a Igreja um dia lhe pediu: “Transda humanidade, há raríssimas pessoas que forma em fé viva o que leres, ensina aquilo são como os cometas raros. O Cônego Carlos que creres e procura realizar o que ensinares”; Menegazzi é uma dessas pessoas! Deus me “Toma consciência do que vais fazer e põe em concedeu a imensa graça do grau de paren- prática o que vais celebrar, conformando tua tesco direto a ele; de conviver longos vida ao mistério do cruz do Senhor” anos lado a lado e de partilhar (pedidos nos dias da Ordenação Um da mesma vocação, como sadiaconal e presbiteral). cerdotes-presbíteros da IgreO Cônego Carlos foi um hohomem marcado ja. Que graça! Que privilégio! mem que amou os pobres, expelo sentido de Que responsabilidade-desacluídos e sofredores intensafio! mente, de maneira ordinária justiça Falar do Cônego Carlos é dos e extraordinária. Nunca viveu testemunhos mais fáceis e agrasem eles. Deu a vida pelos pobres, dáveis, pela amplitude de suas virtudes, va- no exemplo e seguimento de Jesus pobre. A lores, realizações e história de vida. Ao mes- periferia das cidades era o centro do seu como tempo, é das realidades mais difíceis, pela ração. As dores, explorações e opressões dos profundidade com que viveu cada passo, cada sofredores de toda ordem, eram o âmago do gesto, cada palavra de seus 92 anos e 5 meses seu sentir e agir. Compaixão – sofrer com os de vida! que sofrem – foi sua companheira cotidiana. Destaco algumas características de sua be- Um homem marcado pelo sentido de justiça, líssima existência. O Cônego Carlos foi um ho- em todas as suas dimensões, especialmente mem marcado pela Fé. Acima de tudo, Fé em pela Justiça do Reino de Deus. Cônego Carlos Deus, em Deus-Trino – Pai, Filho e Espírito amou o trabalho. Trabalhava, incansavelmenSanto. Ele amava Deus e irradiava este Amor, te, por puro amor, 14 horas por dia ou mais, como essência de sua vida. Um homem que se todos os dias da vida... Trabalhou assim até o deixou conduzir por Jesus Cristo e pelo seu último dia antes de sua internação hospitalar Evangelho; por isso, íntimo do Senhor, e do derradeira. Fez do trabalho não um sacrifício, Senhor se fez íntimo; apaixonado por Ele. Um mas um dom. Viveu com profunda disciplihomem de uma espiritualidade cristã profun- na, com rigor e austeridade. Era um homem

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PADRE Cláudio Zaccaria Menegazzi, Sobrinho e Pároco da Paróquia São João Batista

Fotos gentilmente cedidas

aberto, progressista, otimista, alegre. Enxergava a História, a sociedade, a vida, em geral, como um horizonte aberto, plural; enxergava mundos a serem transformados... Mantinha o que era essencial; mas em tudo buscava o novo, as mudanças, a liberdade, a construção da vida. Com 76 anos de idade, foi para uma universidade da Europa, para se especializar na área do Direito, por dois anos, a fim de servir melhor o povo, a Igreja, o Senhor. Concluiu o Curso, diplomandose de forma exemplar. Soube integrar, maravilhosamente, Amor, Sabedoria, Fé, Práxis e Santidade, como nunca antes eu encontrei alguém assim... Empenhou-se sempre e em tudo, pela comunhão, fraternidade, disponibilidade e seriedade do Presbitério da Arquidiocese de Campinas e de toda a nossa Igreja Local. Um homem erudito, estudioso; ao mesmo tempo, abriu inúmeras trilhas na lama, nos sítios, nos presídios, nos porões de cortiços, nos asilos e creches, em incontáveis barracos e quartos de hospitais e incontáveis lugares de dor, onde sempre serviu... No espaço tão curto que aqui me cabe, posso testemunhar com a mais absoluta convicção: o Cônego Carlos Menegazzi viveu em plenitude o que o Apóstolo Paulo um dia expressou: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

Primeiro à esquerda, ao lado dos irmãos Nelson e Clóvis, no Natal de 1930, em Campinas. Em 1937, no Seminário em Pirassununga, é o segundo da esquerda para a direita. Em sua ordenação sacerdotal, em 1945.

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Homem de Deus, homem do povo

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Serviço de Comunicação da Arquidiocese de Campinas solicitou-me palavra a ser publicada, a respeito do Cônego Carlos Menegazzi. Prometi fazê-lo, com satisfação. Desde logo, me reconheci incapaz de abraçar, num pequeno “artigo”, a grandeza original de uma vida privilegiada como esta, em foco. Não pensei trazer datas e momentos cronologicamente importantes. Nem sua genealogia e outras coisas também importantes. Não teria, honestamente, como fazer, por incompetência e por carência de tempo. Pensei que poderia dar um testemunho da vida do Cônego Menegazzi, apontando alguns elementos da vida deste Sacerdote, segundo o Evangelho de Jesus Cristo. Em toda vocação, há um elemento basilar. O dom da Fé que condiciona o SIM ao Pai do Céu, como aquele de Maria que condicionou (penso que podemos falar assim), mesmo não sabendo como Deus trata o problema da liberdade humana. Sempre vi e ouvi o nosso Carlos dizendo sim a Deus e à Igreja.

Tenho lembranças muitas da sua inesquecível dedicação à Igreja e consideração confiante ao pobre Bispo que com ele conviveu por longos anos. Homem sem jaça, Sacerdote impoluto, que viveu a coerência de suas escolhas baseadas na Fé do Evangelho de Jesus. Amigo leal dos seus colegas sacerdotes aos quais nunca se referia desabonadoramente. Viveu, do melhor modo, a fraternidade sacerdotal. Era portador de grande zelo pelo bom testemunho da Igreja de Campinas. Tive ocasião de ouvir queixas justas de sua parte sobre comportamentos inadequados que podiam levar a posturas desfavoráveis à sua querida Igreja. Caráter firme, têmpera de aço, quando em jogo a Justiça e a Verdade. Estas afirmações poderiam ser embasadas em fatos. Não me pareceu, todavia, ser conveniente fazê-lo, sem provocar desencontros inoportunos. A lembrança dos homens é curta. Mas a lembrança do exemplo do Côn. Menegazzi vai perdurar o tempo da nossa existência. Ficarão outras recordações no livro que, com outros historiadores, publicou sobre Campinas, por Caráter firme, ocasião do Centenário da criação da Diocese de Campinas. E enquanto viverem pessoas têmpera de aço que conheceram sua abençoada existência. Em todos os serviços prestados, sempre O que importa, acima de tudo, é a recomteve a aprovação do povo fiel que não costu- pensa prometida aos que foram fiéis à graça ma se enganar a respeito dos seus pastores. concedida a quem viveu segundos os critérios Reconheço erros lamentáveis contra sacerdo- do Evangelho. tes, mas quando são contra. Novos modelos Louvo a Deus, meu Pai, nosso Pai, por ter de santidade, na Igreja, têm a voz do povo fiel conhecido e, naturalmente, trabalhado nesta como indicativo de aprovação para a canoniza- Igreja querida de Campinas com o santo sação. Todos nos lembramos do “Santo, presto”! cerdote, Cônego Carlos Menegazzi! Está aí, São João Paulo II, gigante da Fé, modelo para nossa Igreja e para todos que amam Dom Gilberto Pereira Lopes, a Justiça e desejam a Paz! Arcebispo Emérito

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