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MANUAL TÉCNICO DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO INFANTIL PROJETO OPTIMIST 3-5 anos


Manual Técnico Optimist 3-5 anos

DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE FOMENTO

Autor: José AntonioAlcázar

Colaboraram: Pilar Álvarez José Amat Cristina Cano Reyes Carreño Marisol García Vela Ana González Gemma González Manuel González Juan Gutiérrez Pedro de la Herrán Carmen Lomas Milagros López Pilar Martín Lobo Pilar Mosteiro Paz Palomar Benigno Sáez Mahue Sánchez Marta San Román Francisco Vendrell

Para uso exclusivo do professorado de Educação Infantil dos colégios que desenvolvem o PROJETO OPTIMIST

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos

Tradução e adaptação:

Luciana Sellos

Revisão e adaptação:

Ana Cláudia Oliveira Vera Maria Anderson

Janeiro/2014

Este material não pode ser reproduzido ou veiculado sem permissão por escrito da Solar Colégios

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos

ÍNDICE I. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 5 A. Intenções Educativas ........................................................................................................ 5 B. A Aprendizagem Oportuna ............................................................................................... 6 II. OBJETIVOS GERAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL ................................................. 10 III. O PROJETO CURRICULAR ................................................................................... 12 IV. ORIENTAÇÕES GERAIS SOBRE A INCORPORAÇÃO NO CURRÍCULO DOS TEMAS TRANSVERSAIS ............................................................................................................. 12 V.ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS ...................................................................... 32 A. Orientações Metodológicas Gerais .................................................................................. 32 B. Orientações Gerais de cada Área ..................................................................................... 41 C. Critérios para escolha de Atividades de Ensino/Aprendizagem ...................................... 49 D.PROGRAMAS EDUCATIVOS ESPECÍFICOS. ALGUMAS SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM ..................................................................................................................................... 51 1. O programa neuromotor............................................................................................ 51 2. As Audições Musicais .............................................................................................. 61 3. Os Passeios de Aprendizagem ................................................................................ 70 4. Os Bits ....................................................................................................................... 74 5. Organização da sala de aula em cantos de atividades .......................................... 81 6. O método de leitura e escrita ................................................................................... 87 7. Plano de Ensino Intensivo de Inglês ........................................................................ 106 VI. O AMBIENTE E A CONVIVÊNCIA ESCOLAR, O CLIMA DA SALA DE AULA ... 115 VII. A EDUCAÇÃO DOS HÁBITOS NA ETAPA INFANTIL ........................................ 125 VIII. OS PAIS DOS ALUNOS ...................................................................................... 131 A. O Assessoramento Educativo Familiar ............................................................................ 132 B. Outros meios de formação para os Pais .......................................................................... 136 C. Os Casais Encarregados de Classe ................................................................................ 138 IX. CONHECIMENTO, PROJETO PESSOAL E VALORIZAÇÃO DA CRIANÇA ....... 139 A. Conhecimento da Criança ................................................................................................ 139 B. Diagnóstico Escolar ......................................................................................................... 153 C. Acompanhamento e avaliação de cada aluno ................................................................. 157 X. ADAPTAÇÕES CURRICULARES .......................................................................... 160 XI. AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE ENSINO E DO PROJETO CURRICULAR .... 174 XII.ORGANIZAÇÃO ESCOLAR ................................................................................... 176 A. Organização material da sala de aula .............................................................................. 176 B. Organização do tempo. Horários ...................................................................................... 177 C. A Professora Encarregada do Curso – PEC..................................................................... 178 D. A Equipe educativa da Educação Infantil ........................................................................ 180

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos I.

INTRODUÇÃO

A. INTENÇÕES EDUCATIVAS Nossas intenções educativas sintetizam as linhas mestras de uma educação centrada na pessoa, segundo a concepção cristã do homem e da vida. Outro aspecto relevante em nosso projeto é o princípio de que a responsabilidade primordial na educação dos filhos corresponde aos pais. Os colégios associados a Solar Colégios são fruto da iniciativa dos pais dos alunos, a quem se atenderá em primeiro lugar, para garantir uma colaboração eficaz entre a ação educativa familiar e a do colégio, que lhes permita proporcionar a seus filhos uma educação coerente, resultado de compartilharem os mesmos ideais educativos. O principal objetivo do Projeto Optimist é alcançar a formação completa e integral dos alunos. Baseado na Educação Personalizada que, nas palavras de Victor Garcia Hoz, não é um “método” de educação ou de ensino, mas uma forma de ver a educação, através da realidade mais profunda do homem, que é sua condição de pessoa1. A consideração de que o aluno é uma pessoa única e irrepetível, chamada a alcançar o máximo desenvolvimento possível de suas capacidades e atitudes, implica em conhecê-lo e respeitálo, atendendo às suas necessidades e características pessoais e a querê-lo como é. As recentes pesquisas sobre desenvolvimento infantil, demonstram que a etapa que abrange desde o nascimento até os 6 ou 7 anos de idade é o período mais significativo na formação do indivíduo, pois é nessa fase que se estruturam as bases físicas e psicológicas fundamentais da personalidade, que deverão se consolidar e aperfeiçoar ao longo das sucessivas etapas desse desenvolvimento. O conhecimento de que as estruturas biofisiológicas e psíquicas se encontram em processo de formação durante a fase préescolar, unido aos conhecimentos sobre a plasticidade do cérebro humano e a existência dos períodos sensitivos do desenvolvimento, nos conduziu à percepção da necessidade de estimular essas condições do psiquismo humano de forma estruturada e oportuna aproveitando cada período sensitivo. Desta forma o projeto Optimist fomenta a aprendizagem oportuna, para assegurar um desenvolvimento completo das capacidades das crianças e, assim, construir as bases para as aprendizagens nas etapas seguintes. Essa formação completa, que possibilita o pleno desenvolvimento da personalidade, manifesta-se nos seguintes aspectos: 1. O desenvolvimento físico-orgânico. Através de atividades físicas e neuromotoras se estimula o desenvolvimento sensorial e motor, que facilita uma correta organização neurológica. Além disso, essas atividades favorecem uma atitude de superação pessoal e hábitos de higiene. As pesquisas realizadas no campo da neurobiologia atestam que os primeiros anos da vida de uma criança são de uma importância decisiva para o desenvolvimento neurológico. Quanto mais estímulos a criança receber nos primeiros anos, melhor se estruturará o funcionamento cerebral e, através dele, a capacidade intelectual. 1

García Hoz, V. y otros, “Glosario de educación personalizada. Índices”, emTratado de Educación Personalizada, vol. 33, Madrid, Ediciones Rialp, 1997.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos 2. O desenvolvimento Intelectual. Proporciona conhecimentos, aprendizagens instrumentais básicas e os primeiros hábitos de trabalho. Procura alcançar o máximo desenvolvimento da capacidade de cada criança, aproveitando sua curiosidade natural e incentivando a interação com seu entorno, que deve ser rico de estímulos e objetos a explorar e conhecer. 3. A Educação da Vontade. Através da repetição frequente de pequenos atos se potencia a aquisição de hábitos bons, fundamento das virtudes. O projeto incentiva as crianças a cuidarem dos detalhes de ordem, iniciativa, obediência, sinceridade, autonomia, limpeza, zelo pelos materiais, delicadeza e qualidade humana no comportamento. Tudo isso concorre para um enriquecimento da personalidade e são demonstrações de respeito para com os demais, melhorando o ambiente de convivência. 4. O Desenvolvimento Afetivo e Social. A convivência com outras crianças oferece numerosas ocasiões para o desenvolvimento social da criança. A educação escolar colabora no aprimoramento das capacidades e atitudes necessárias para a integração na sociedade. Esse aprimoramento se produz, basicamente, como resultado do aprendizado que ocorre através da contínua integração com os demais, com os instrumentos de trabalho e com o ambiente. A vida dos meninos e das meninas, especialmente nessa etapa, está impregnada de afetividade. Nosso programa educativo promove o desenvolvimento da autoestima e da segurança pessoal, com um enfoque positivo e acolhedor. Nos diferentes capítulos deste documento se desenvolve a fundamentação teórica desses aspectos, as características das crianças na faixa etária de 3 a 5 anos e as orientações metodológicas gerais que se trabalham neste projeto. B. A APRENDIZAGEM OPORTUNA O projeto Optimist promove as aprendizagens oportunas, oferecendo aos alunos uma rica e organizada estimulação, para que alcancem, de acordo com as condições pessoais de cada um, níveis ótimos de maturidade neurológica, de desenvolvimento e aprendizagem. O desenvolvimento neuronal O neurônio é uma célula que tem capacidade de gerar diferenças em seu potencial elétrico e, através delas, gerar um impulso elétrico que se transmite ao longo do prolongamento neuronal (axônio) até outros neurônios, com os quais está em contato. A unidade funcional do sistema nervoso é a sinapse, o contato entre dois neurônios. Falamos, de maneira muito simplificada, de dois neurônios, quando na realidade um só neurônio pode receber informações, impulsos, de vários neurônios (em áreas complexas do cérebro ocorrem conexões de um neurônio com outros duzentos). Os circuitos neuronais são as conexões entre distintos neurônios que se referem, especialmente, ao controle de uma função corporal (circuito da fome, da sede, do movimento corporal etc.). Uma função poderá se realizar com maior controle e complexidade (sofisticação), quanto mais conexões existirem.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Um único neurônio pode estar envolvido em múltiplas funções, da mesma forma que componentes de um mesmo circuito podem desempenhar diferentes funções. O importante é que existam esses circuitos, que tais conexões sejam formadas, uma vez que, quanto maior o número de conexões e circuitos neuronais estabelecidos, maior capacidade funcional terá o cérebro. Como se formam os circuitos neuronais? A criança nasce com uma série de circuitos que perde, gradativamente, se não os utiliza (por exemplo, o reflexo de sucção para amamentar-se). Ao mesmo tempo outros circuitos são gerados, à medida que recebe a estimulação adequada, de modo que alguns neurônios crescem mais, estendendo suas ramificações até outros neurônios, com os quais estabelece uma nova conexão. Desta forma, as conexões neuronais e a multiplicação das sinapses são promovidas pelas experiências de aprendizagem, isto é, pelos estímulos a que está submetido o sistema nervoso e pela frequência e intensidade desses estímulos. O que faz com que um circuito seja gerado e se mantenha vivo é o seu uso. A capacidade de constituir circuitos (conexões entre distintos neurônios) começa no seio materno, vai diminuindo até os sete ou oito anos de idade e, a partir daí, a possibilidade de que se estabeleçam novos circuitos neuronais torna-se muito menor e mais difícil. A capacidade de aprender ou de se desenvolver novas habilidades continua sendo possível, porém, utilizando-se as conexões já estabelecidas nos primeiros anos. A primeira fase é de estabelecimento, de formação de circuitos; posteriormente, caberá enriquecê-los e aperfeiçoá-los com a utilização mais adequada. Sendo assim, é vantajoso aproveitar os períodos sensitivos. Cada período sensitivo constitui um momento no desenvolvimento evolutivo da pessoa onde, graças as melhores condições biológicas e psicológicas, é mais fácil assimilar um aprendizado. Nesse momento a configuração cerebral é mais moldável, facilitando a formação e o estabelecimento de novos circuitos. Se em tais períodos se restringem o exercício das funções que já são possíveis graças ao amadurecimento natural do sistema nervoso, então as possibilidades de formação e estabelecimento dos circuitos neuronais são menores. Dois hemisférios e um cérebro Os hemisférios direito e esquerdo do cérebro têm competências e funções distintas. Simplificando-se muito, o direito é analógico, maneja os conceitos, o aspecto intuitivo, afetivo e emotivo, tem visão de conjunto, é artista. O esquerdo se encarrega da ciência, da lógica, da análise, da avaliação, da concretização e do detalhe. Em muitas aprendizagens, como por exemplo, na da leitura, há a intervenção dos dois hemisférios cerebrais, que devem estar convenientemente conectados. Regiões homônimas dos dois hemisférios estão conectadas entre si por uma infinidade de fibras nervosas, que se denominam corpo caloso. Não cabe falar de dois cérebros paralelos, mas de um só cérebro que trabalha como uma unidade. Devemos procurar o desenvolvimento equilibrado dos dois hemisférios cerebrais na criança, para que obtenha um desenvolvimento amplo e harmônico. A Educação Oportuna Tudo o que foi anteriormente exposto a respeito do desenvolvimento cerebral tem importantes consequências na educação das crianças. Interessa facilitar e estimular o

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos desenvolvimento, a conservação e o uso do maior número possível de conexões e circuitos neuronais. Não se trata de conseguir um desenvolvimento artificial, forçado, precoce, mas, de permitir que as capacidades naturais que podem ser desenvolvidas, tenham essa oportunidade através da educação. Para isso, não é necessário impor às crianças inúmeros exercícios desagradáveis, mas, captar e oferecer a elas o que lhes atrai e interessa, de maneira tal, que seja proveitosa para a formação dos circuitos neuronais. Estímulos sensoriais Vias de entrada da informação

Comportamento Vias de saída

VISÃO

MOTRICIDADE GLOBAL

SISTEMA NERVOSO CENTRAL AUDIÇÃO

Processamento da informação no CÉREBRO TATO/CINESTESIA

LINGUAGEM

MOTRICIDADE FINA DESTREZA MANUAL

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RETROALIMENTAÇÃO É necessário fazer com que aquilo que desejamos que a criança aprenda seja, não apenas possível, mas também agradável e divertido para ela. A criança se diverte com sua aprendizagem e colabora com entusiasmo e interesse, quando se empregam as técnicas adequadas ao seu nível de desenvolvimento. Este é o verdadeiro sentido das metodologias específicas do projeto Optimist. E, como incidir no desenvolvimento neuronal da criança? Através da estimulação sensorial, oferecendo à criança uma ampla e variada gama de estímulos sensoriais, especialmente visuais, auditivos, tátil-cinestésicos, sem desprezar o paladar e o olfato, que também são importantes nesse processo. Estamos falando de cérebro e neurônios. É importante esclarecer que a Inteligência e o cérebro são duas realidades distintas, embora intimamente relacionadas, da mesma forma como se relacionam a visão e o olho. A inteligência supera o corpóreo, embora se utilize do organismo corporal. Portanto, trata-se de oferecer ás crianças numerosas ocasiões de colocar em prática seu potencial de aprendizagem (tanto físico, como intelectual, afetivo e volitivo), nos períodos de maior plasticidade neurológica e psicológica, nos momentos em que essas aprendizagens são adquiridas com maior rapidez, naturalidade e satisfação (períodos sensitivos). A criança deve receber:  os estímulos necessários  com as técnicas mais apropriadas

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no período de tempo mais favorável

Pais e educadores infantis O papel dos pais no desenvolvimento das aprendizagens oportunas é primordial. Uma parte importante do desenvolvimento cerebral se produz antes dos três anos, isto é, antes que a criança comece sua escolarização no 2º ciclo da Educação Infantil. Por isso, é muito interessante informar aos pais dos futuros alunos, sobre as grandes possibilidades educativas dos três primeiros anos de vida, oferecendo-lhes orientações práticas de como tornar a vida familiar uma fonte abundante de estímulos para o desenvolvimento. Nos anos de escolarização do ensino infantil, continua sendo muito importante que a ação educativa dos pais, esteja de acordo com a que se realiza no âmbito da escola, de modo que se reforcem mutuamente. Herança genética e educação. Maturidade e aprendizagem. Uma pessoa adulta é o resultado da livre aceitação e do desenvolvimento da estimulação recebida desde sua concepção. A herança genética é o ponto de partida. O ambiente educativo, ou estimulação, é o que põe em jogo a herança genética e torna possível o seu desenvolvimento. A parcela de herança genética no desenvolvimento final da pessoa pode ser avaliada em cerca de 30%, enquanto que a incidência da educação recebida em cerca de 70%. O amadurecimento é um processo fisiológico, que depende de fatores e que em cada órgão, ou conjunto de órgãos se manifesta de uma maneira e em um momento determinados, de acordo com a ordem natural, sem que seja necessário um aprendizado específico. Porém, a aprendizagem, a estimulação e a interação com o meio, imprimem a esses processos maior eficiência e rapidez e evita carências no desenvolvimento, sempre e quando exista um grau mínimo necessário de maturidade. Está demonstrado que as capacidades e habilidades alcançam maior e melhor desenvolvimento, quando se oferece e facilita à criança uma ampla quantidade e variedade de experiências, o mais cedo que o seu desenvolvimento prévio o permita. A educação oportuna facilita o amadurecimento e, ao obter níveis mais elevados de rendimento, dota o aluno de maior segurança, autoestima e aceitação social. No desenvolvimento infantil, a interação que existe entre o amadurecimento e a aprendizagem é contínua. A educação oportuna significa, portanto, começar a atividade educativa assim que o amadurecimento torne possível a assimilação dessa aprendizagem. Tal procedimento influencia no amadurecimento, que se realiza com mais riqueza e complexidade, abrindo a possibilidade para novas aprendizagens. Isto significa que, todo amadurecimento envolve uma aprendizagem e toda aprendizagem pressupõe um nível de amadurecimento que a sustente. Graficamente se pode expressar da seguinte forma:

HERANÇA

AMADURECIMENTO DESENVOLVIMENTO

RELAÇÃO COM O ENTORNO EDUCAÇÃO

APRENDIZAGEM

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Se uma determinada habilidade não é suficientemente exercitada, no decurso de seu respectivo período sensitivo, será mais difícil atingir um rendimento tão elevado, quanto seria se tivesse sido exercitada no momento propício. A aprendizagem oportuna é preventiva Prevenir supõe educar, tendo em mente o futuro, adiantar-se para evitar as dificuldades antes que apareçam; capacitar a pessoa para que as supere. Supõe, por exemplo, promover um hábito de conduta bom, antes que a criança se acostume com o hábito contrário, ou facilitar uma adequada lateralidade e estruturação espaço-temporal, antes que a criança apresente dificuldades de leitura. A educação oportuna é sempre preventiva para as crianças, ainda que não cheguem a apresentar deficiências. Colocar empenho na prevenção é sempre mais produtivo do que esperar que apareçam os problemas para tentar, então, remediá-los.

II. OBJETIVOS GERAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL Para o cumprimento de uma intenção, ou finalidade educativa é imprescindível fragmentá-la e concretizá-la em metas que representem condutas, ou resultados observáveis, isto é, em objetivos, que podem ser definidos como a descrição de uma conduta, ou resultado, que esperamos que seja alcançado em um determinado período de tempo. A primeira realização de uma intenção educativa são os objetivos gerais da etapa, que estabelecem quais capacidades devemos conseguir em cada uma das etapas educativas, neste caso, na Educação Infantil. Estão formulados como capacidades interrelacionadas. Não são condutas mensuráveis e não indicam o grau de desenvolvimento, que será diferente em cada aluno. Por isso, não podem ser diretamente avaliados, embora sejam o ponto de partida dos processos de avaliação, para que possa haver uma análise do progresso global obtido pelas crianças em suas capacidades. A seguir se enumeram os objetivos gerais da etapa da Educação Infantil dos colégios associados à Solar Colégios. Em negrito aparecem os objetivos, ou variáveis dos objetivos, que resultam da contextualização dos objetivos gerais estabelecidos nos Parâmetros Curriculares, de acordo com nosso Projeto Educativo. Ao finalizar a Educação Infantil, como resultado dos processos de ensino e aprendizagem, a criança terá desenvolvido a capacidade de: 1. Conhecer e controlar progressivamente o próprio corpo, também em relação com o espaço físico que a rodeia, mediante exercícios adequados – sensoriais e motores – jogos e um programa neuromotor, que facilitem o estabelecimento e desenvolvimento de conexões e transmissões neuronais abundantes e fluidas; ao mesmo tempo em que valoriza sua identidade sexual, adquire hábitos de saúde e bem estar e forma uma imagem positiva de si mesma. 2. Atuar de forma cada vez mais autônoma em suas atividades habituais, adquirindo progressivamente segurança afetiva e equilíbrio emocional e desenvolvendo suas capacidades de iniciativa e confiança em si mesma. 3. Estabelecer vínculos de relação com os adultos (pais, irmãos, professoras) e com seus iguais, respondendo aos sentimentos de afeto, valorizando sua dignidade

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pessoal e a dos demais, respeitando a diversidade e desenvolvendo atitudes solidárias de ajuda e colaboração. Deste modo será capaz de ir ampliando o âmbito de suas relações sociais, aprendendo progressivamente a articular seus interesses, pontos de vista e opiniões, com os dos demais, ao mesmo tempo em que conhecerá e cumprirá as normas básicas de comportamento no ambiente familiar e escolar. Observar e explorar o ambiente imediato, social e natural, com uma atitude de curiosidade, afã de aprender e cuidado, através dos ”passeios de aprendizagem” e outros exercícios ativos de observação do entorno, identificando as características e propriedades mais significativas – nomes, formas, detalhes – dos elementos que o formam e algumas das relações que se estabelecem entre eles. Usar com correção e cuidado os objetos materiais. Conhecer algumas manifestações culturais do entorno, mostrando atitudes de respeito, interesse e participação perante elas. Descobrir, representar e evocar aspectos diversos da realidade, vividos, conhecidos, ou imaginados e expressá-los mediante as possibilidades simbólicas que o brincar oferece. Expressar e compreender mensagens nas distintas linguagens: verbal, musical, dramático-corporal, lógico-matemática e plástica. Compreender e produzir mensagens orais e escritas em português, de forma adequada às diferentes situações de comunicação habituais, para expressar suas ideias, sentimentos, experiências e desejos; observar a própria conduta e influir na dos demais, utilizando um vocabulário o mais amplo e correto possível. Compreender e produzir mensagens orais e escritas simples e contextualizadas, em uma ou mais línguas estrangeiras. Exercitar sua inteligência na resolução de situações-problema, manipulativamente e mediante operações numéricas e associar, ou relacionar objetos por suas características. Enriquecer suas possibilidades expressivas, mediante a utilização dos recursos e meios a seu alcance, assim como apreciar diferentes manifestações artísticas de seu entorno. Escutar, conhecer e, na medida do possível, interpretar mensagens musicais, cultivando a sensibilidade. Utilizar novas tecnologias – computadores – em seus processos mais simples. Manifestar criatividade pessoal nas diversas situações da vida escolar. Adquirir hábitos mediante a repetição de pequenas ações de obediência, iniciativa, ordem, sinceridade, generosidade, laboriosidade e alegria, concretizados de modo adequado à sua idade. Conhecer sua condição de filho de Deus e o dever de honrá-Lo, como ao melhor dos pais. Aprender a querer à Mãe de Deus, que também é Mãe nossa. Mostrar a piedade filial através de costumes simples.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos III.

O PROJETO CURRICULAR Na elaboração do Projeto Educativo de Fomento Centros de Enseñanza (assumido e contextualizado à realidade brasileira pela Solar Colégios) houve a participação de toda a comunidade educativa dos colégios: Os comitês de direção, as associações de pais e antigos alunos, as equipes de professores e os próprios alunos, todos assessorados e coordenados pelo Departamento de Educação de Fomento. Em primeiro lugar foram analisados os Parâmetros Curriculares, foram revisados e especificados os objetivos gerais de cada etapa e se estabeleceram as relações entre estes e os objetivos gerais de cada área. Em segundo lugar, foram estabelecidas as relações entre os objetivos gerais de cada área e os conteúdos, que poderiam atender a esses objetivos. Em uma terceira etapa estudou-se a forma de concretizar a aplicação dos conteúdos e a extensão com que deveriam ser explorados dentro da ordem lógica de cada área, ao longo do segundo ciclo da Educação Infantil (para os conteúdos de conhecimentos, procedimentos e atitudes). A partir do estabelecimento desses critérios, foram selecionados os conteúdos do segundo ciclo da Educação Infantil, que são trabalhados nos colégios, levando-se em conta:  As leis fundamentais da aprendizagem.  A evolução psicológica do aluno.  A experiência docente.  Os critérios de avaliação. Para cada uma dessas etapas, foi adotado o seguinte processo: a) Revisão do anteriormente trabalhado na elaboração do Projeto Educativo. b) Redação de uma proposta base pela comissão Pedagógica, nomeada por Fomento para este fim e composta por diversos professores, de vários colégios, assessorados por uma equipe pedagógica especialista em plano curricular. c) Estudo realizado pelo corpo docente de cada colégio. Avaliação e propostas de melhorias. d) Redação definitiva do Projeto Curricular comum a todos os colégios de Fomento Centros de Enseñanza. e) Contextualização de cada colégio. Nesta edição do Manual Técnico aparecem unicamente aqueles aspectos do Projeto Curricular que afetam mais diretamente o trabalho das professoras.

IV. ORIENTAÇÕES GERAIS SOBRE TRANSVERSAIS NO CURRICULO

A

INCORPORAÇÃO

DOS

EIXOS

A educação deve potenciar o desenvolvimento integral da pessoa e preparar as crianças e os jovens para que saibam viver seu papel de cidadãos ativos e responsáveis em uma sociedade em constante mudança. Isto supõe que, através do ensino e da

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos aprendizagem das distintas disciplinas do currículo, alguns grandes temas vão sendo desenvolvidos, em relação muito direta com as finalidades educativas estabelecidas no Projeto Educativo, como o são a educação moral, a educação para a convivência e os valores sociais, a educação no e para o trabalho etc. Estes grandes temas, que estão por trás de toda a atividade educativa escolar, são os chamados eixos transversais, uma vez que atravessam e estão presentes nas diferentes etapas educativas e nas distintas áreas que compõe o currículo dessas etapas. Não são, portanto, temas secundários, nem conteúdos a trabalhar de maneira independente e eventual, em algum conteúdo. São temas que impregnam a atividade educativa, que aproximam a realidade escolar da vida e favorecem o desenvolvimento integral da pessoa. Os temas transversais Se apresentam como um conjunto de conteúdos que interagem em todas as áreas do currículo escolar e, seu desenvolvimento afeta a globalidade do mesmo. Sendo assim, não se trata de um conjunto de ensinamentos autônomos, mas de uma série de elementos da aprendizagem, presentes em todas as áreas. Não existem pautas metodológicas específicas, para trabalhar os temas transversais, mas se deve levar em consideração a metodologia própria de cada área, de acordo com o estilo de ensino previsto para todo o processo de ensino-aprendizagem. Tem se mostrado muito positiva a experiência de dedicar um, ou vários dias ao longo do ano, para a abordagem mais sistemática, com maior profundidade e presença na vida escolar, de alguns temas transversais. Toda a comunidade escolar deve participar na preparação e desenvolvimento destes dias. Os Temas Transversais definidos em nosso Projeto educativo são os seguintes:  A educação familiar  A educação moral  A educação para a convivência e os valores sociais (cívica, social e para o trânsito)  A educação para a solidariedade, a cooperação, a paz e a não discriminação (por razão de sexo, raça, religião, ideias políticas, classe social etc)  A educação ambiental  A educação para o amor (afetiva e sexual)  A educação como consumidor  A educação para a saúde física e mental  Educação na dimensão latino americana

A.

EDUCAÇÃO FAMILIAR

Por natureza, o direito irrenunciável e a responsabilidade da educação dos alunos correspondem aos pais, a quem o colégio auxilia em sua tarefa indelegável de primeiros e fundamentais educadores.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos A família é o âmbito próprio do desenvolvimento mais profundo da pessoa: as atitudes mais radicais perante a vida, a formação moral e religiosa, o uso responsável da liberdade e, em geral, a orientação e o cultivo da personalidade se educam principalmente na intimidade da família. Ali, a pessoa recebe os primeiros e mais decisivos estímulos para o seu desenvolvimento. Família e colégio se necessitam mutuamente, mas o protagonismo pertence à primeira. A responsabilidade dos pais na educação de seus filhos abarca todos os aspectos desta. Também sua aprendizagem, uma vez que essa atividade é um meio fundamental para a formação da inteligência e da vontade da pessoa. O colégio, escolhido responsavelmente pelos pais para seus filhos, é um complemento educativo da família, nunca um substituto. Quando a família e o colégio são dois ambientes equilibrados e coincidentes em valores, se fortificam as bases para uma educação de qualidade: projeto educativo pessoal na família e currículo escolar devem se harmonizar. Corresponde ao colégio, em primeiro e principal lugar, ajudar aos pais dos alunos, para que possam ser de fato, o que lhes corresponde por direito – os primeiros e principais educadores de seus filhos. Originariamente, os pais são os únicos que têm o direito e o dever de educar seus filhos. Os professores participam deste direito-dever, contribuindo, na medida em que os pais – sentindo-se insuficientes para realizar algumas funções educativas – solicitam ajuda, sem deixar de lado sua responsabilidade. De fato, são os pais que irão propor as metas educativas para seus filhos, são eles que irão traçar as linhas mestras de um autêntico projeto educativo pessoal: o que quero para meu filho? Como quero educá-lo? Na prática, começam a responder a essas perguntas, quando escolhem um determinado tipo de colégio para seus filhos. A educação familiar é, antes de tudo, uma educação positiva, de acolhimento incondicional, onde a criança é querida por ser filha e, onde aprenderá a querer aos demais. No seio da família e no ambiente do colégio, temos que nos esforçar para descobrir as boas possibilidades de cada um de nossos filhos e alunos, para dar-lhes oportunidades de crescer; para descobrir os valores de cada um, com os quais podem enriquecer suas vidas, tanto no âmbito pessoal, como na convivência com os demais. As profundas mudanças que ocorreram nos últimos anos, no que se refere à apreciação dos valores mais ou menos aceitos socialmente, têm afetado muito mais às famílias do que ao âmbito escolar. Muitos pais estão preocupados com a influência prejudicial do ambiente social no desenvolvimento da personalidade de seus filhos e não se dão conta da poderosa arma que tem em suas mãos: a educação familiar, de alcance e profundidade muito maiores, que a influência que seus filhos recebem do ambiente social. Quanto mais consciente, perseverante e coerente for a ação educativa familiar, menor será a influência do ambiente social na experiência de vida que os filhos vão adquirindo. É preciso voltar a descobrir que nem mesmo a formação intelectual é tarefa exclusiva da escola, porque também neste campo a família tem sua responsabilidade: a criação e a manutenção de uma cultura familiar, no sentido mais pleno do termo cultura – cultivo intelectual mediante a comunicação, a ajuda e o acolhimento mútuo em um ambiente de segurança, amor e aceitação. Quando falta esta vida educativa familiar, os filhos sofrem importantes carências em seu desenvolvimento. As mais recentes pesquisas e a experiência da psicologia clínica

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos dos últimos anos ressaltam a importância do tempo compartilhado entre pais e filhos para o desenvolvimento equilibrado das crianças e a construção de uma vida familiar sadia. Essas pesquisas destacam especialmente a importância do brincar e compartilhar atividades de lazer entre pais e filhos. Está demonstrado que a interação filhos/pais desenvolve a linguagem e a inteligência, favorece o desenvolvimento pessoal e a saúde mental, torna possível a socialização, a abertura aos demais e ao ambiente social. Podemos afirmar que os pais que desenvolvem atividades educativas com seus filhos em suas casas, geralmente conseguem bons desenvolvimentos intelectuais e volitivos. Esse tipo de relacionamento exige dos pais que dediquem tempo a seus filhos. Nesta dedicação é mais importante a qualidade do que a quantidade. A relação deve ser realmente educativa, gratificante, que deixem os pais felizes por estar com seus filhos – com cada um de seus filhos, em momentos intensos, sem pressas e cheios de afeto. Quando existe uma autêntica convivência familiar, as crianças aprendem a assumir diferentes papéis e adquirem habilidades de relacionamento, abertura e comunicação. Está comprovado que as crianças que brincam em família desenvolvem destrezas intelectuais e o sentido de equilíbrio social, contidos nas regras. Conversar com os filhos implica em conhecê-los e fazer-se conhecer por eles e, esse conhecimento tece e aumenta o amor, pois implica em expressar suas próprias emoções e ensinar os filhos a expressar as suas; em ensinar a resolver os problemas dialogando e em muitas outras coisas positivas. Muitas vezes o tempo de dedicação dos pais a seus filhos se encontra reduzido a finais de semana, cada vez menos compartilhados. É importante encontrar maneiras de facilitar e incentivar que os pais intervenham na educação de seus filhos, oferecendo-lhes ocasiões e segurança sobre suas enormes possibilidades educativas. Este eixo transversal se propõe, como objetivo primordial da atividade docente, oferecer aos pais ocasiões e meios para que atuem de forma educativa com seus filhos. A principal participação dos pais é a que podem realizar em seu âmbito próprio – o ambiente familiar, contribuindo com seu bom exemplo e, compartilhando o tempo com os filhos, em atividades realmente educativas para toda a família. O colégio procurará animar aos pais, em tom positivo, para que dediquem o melhor de seu tempo a seus filhos. Os pais precisam ser incentivados com entusiasmo e precisam se sentir seguros de sua capacidade para educar muito bem a seus filhos. As primeiras preceptorias, quando uma nova família ingressa no colégio, representam uma ocasião especialmente oportuna para insistir nessa ideia. Uma forma de favorecer esse protagonismo dos pais é mantê-los informados dos conteúdos que são trabalhados no colégio mensalmente e das possibilidades que o ambiente familiar oferece para a melhor aprendizagem desses conteúdos. Por isso, é importante estabelecer uma informação frequente e fluida do colégio às famílias, sobre os conteúdos e objetivos das atividades escolares realizadas por seus filhos, assim como dos êxitos que vão obtendo e das dificuldades a superar. Outros meios práticos de potenciar a ação educativa familiar, por parte do colégio, são:

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos  Disponibilizar aos pais um informe periódico da programação dos objetivos fundamentais de aprendizagem, de modo que possam colaborar – na medida do possível – com o cumprimento desses objetivos.  Sugerir aos pais atividades culturais, passeios, excursões, visitas, que possam realizar com seus filhos.  Oferecer aos pais meios que auxiliem e promovam a unidade e o diálogo familiar, como meios básicos de formação dentro da família.  Dar uma orientação mais prática às reuniões gerais, cursos intensivos e aulas permanentes, organizadas pelo colégio para as famílias, com sugestões objetivas de atuação educativa familiar. Incentivar, nessas reuniões, o intercâmbio de experiências positivas entre as famílias, que incentivem, animem e favoreçam a autoconfiança.  Orientar e sugerir aos pais sobre jogos, brincadeiras e atividades que conectem a aprendizagem escolar com a vida familiar. B.

EDUCAÇÃO MORAL

Os órgãos educativos internacionais indicam o caráter prioritário que se deve dar à educação moral nos diferentes sistemas educativos. A UNESCO recomenda aos países membros que orientem a atividade educativa segundo as seguintes prioridades:  desenvolvimento moral  atitudes e hábitos de comportamento  aptidões  habilidades e destrezas (saber fazer)  conhecimentos Os Parâmetros Curriculares exigem que os professores desempenhem tarefas de orientação e que se ocupem da formação cívica e moral dos alunos. Nos Projetos Curriculares das distintas etapas, é necessário indicar como será realizada a educação moral dos alunos no colégio. Neste capítulo será descrito o que entendemos por educação moral e como se integra na educação completa, personalizada e coerente que oferecemos às famílias que procuram nossos colégios. Para a etapa da Educação Infantil serão descritos os meios utilizados para incentivar a aquisição de hábitos morais, considerando o desenvolvimento evolutivo da criança, suas necessidades e possibilidades. Sentido e conteúdo da educação moral A sociedade atual reclama uma educação moral para a infância e juventude, talvez, como consequência da crise social generalizada, que tem algumas de suas manifestações na insegurança do cidadão, na disseminação de algumas doenças, ou nos atentados à vida e ao meio ambiente. Nos ambientes sociais, culturais e políticos, abriu-se espaço para o planejamento ético básico, sobre o qual se podem apoiar as relações humanas, tanto na esfera privada, quanto pública. Contudo, a educação moral (ou ética) pressupõe uma fundamentação antropológica.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Entendemos a pessoa como um ser singular e irrepetível, isto é, um ser racional e livre, capaz de abrir-se a Deus e aos demais. Nesse sentido, a educação ética pode ser compreendida como a educação da liberdade e da responsabilidade do aluno, que deve descobrir por si mesmo, a verdade e comprometer-se com essa verdade. Não existe exercício da liberdade sem responsabilidade, sem compromisso: a coação e a massificação são inimigas da formação moral. Sendo assim, a educação ética consiste em provocar no aluno a inquietação por descobrir os valores objetivos, aos quais deve acomodar sua conduta e uma ajuda para fortalecer sua própria vontade, de modo que possa responder livremente às exigências da verdade ou, às exigências da dignidade pessoal, da própria natureza. O doutrinamento manipulador e a neutralidade como reducionismos A educação moral não tem qualquer relação, portanto, com o doutrinamento, entendido como a imposição externa de normas morais, que amparam a coerção inerente às relações de superioridade, que não respeitam a liberdade do educando para escolher por si mesmo. Também não se trata da introdução de um liberalismo absoluto, que exclua qualquer princípio orientador da conduta fora do próprio arbítrio. O doutrinamento conduz ao fanatismo e o liberalismo, à ausência de solidariedade. O doutrinamento, ao ignorar a liberdade do homem – mais ainda, da criança – esquece que ninguém pode ser obrigado a amar, ou a odiar, ou a ter um determinado objetivo com a própria conduta. Ainda que um homem possa ser obrigado a praticar um ato externo, sua dignidade se fundamenta, precisamente, em sua capacidade para decidir por si mesmo o sentido de sua ação. Na realidade, o animal não pode resistir ao impulso de alimentar-se, quando tem fome, mas o homem, tanto pode resistir a esse impulso – por exemplo, quando deve fazer uma dieta, por prescrição médica - quanto pode considerar sua alimentação como um dever moral. No outro extremo, um liberalismo absoluto deixaria o aluno desconcertado, nas mãos de seus instintos, sujeito aos seus próprios gostos a cada momento, sem resposta às exigências da própria dignidade. Sob essa perspectiva, a capacidade de escolher inerente à liberdade, está limitada pela racionalidade que impõe uma orientação teleológica ao exercício da liberdade. O homem é livre na medida em que é capaz de descobrir o bem e segui-lo, enquanto que usa mal sua liberdade, quando ignora a verdade, isto é, quando entende sua liberdade como uma capacidade ilimitada de expansão de sua própria subjetividade, prescindindo da dignidade da pessoa. Este modo de proceder leva à solidão do indivíduo. Se a liberdade é o ponto de partida, a educação ética requer encontrar o modo de apresentar à criança, os valores morais, para que possa descobri-los por si mesma, admirarse diante deles, admiti-los e assumi-los livremente. A criança não descobrirá os valores de forma abstrata, mas deve conhecê-los por meio da conduta dos pais, dos professores, ou de outras pessoas, que se apresentam a seus olhos como exemplos a imitar. A apresentação dos valores, ou dos contra valores, é inseparável da tarefa docente e não é possível um ensino, ou uma educação neutra. Na realidade, o professor sempre oferece a seus alunos um modelo de conduta, através da maneira como atua na sala de aula, pelos temas que escolhe, pelo modo de tratar a cada pessoa, ou de realizar

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos uma avaliação. Querendo ou não, sempre irá oferecer um exemplo de amor à verdade, de generosidade, de justiça, de alegria, ou, pelo contrário, se apresentará como modelo de arbitrariedade, ou de cinismo ou de ceticismo. Uma pretensa posição neutra de um professor estaria correspondendo a uma filosofia da educação que postula um relativismo radical, que prescinde de valores absolutos, entendendo a liberdade pessoal como capacidade ilimitada de opções. Esse professor aumentará a perplexidade dos alunos, por não apresentar-lhes pontos firmes de referência, certezas que os ajudem a descobrir e a seguir a verdade. Atua de modo semelhante a alguém que ordena que se percorra uma estrada desconhecida, da qual foram retiradas as sinalizações mais elementares. Em resumo, não é possível uma educação ética mediante um simples doutrinamento, com orientações que não oferecem esclarecimentos sobre a verdade, nem uma apresentação dos valores morais como determinações dependentes de cada situação histórica, como um conjunto de princípios indeterminados, abandonados ao arbítrio do próprio eu. Entendemos a educação moral como educação da responsabilidade, da capacidade que o homem possui para comprometer-se com a verdade. Neste sentido, a educação moral, nada mais é do que ajudar a cada aluno, a descobrir, por si mesmo, o sentido dos valores e decidir a comprometer-se em um projeto pessoal de vida. A natureza humana, fonte dos valores Educação em que valores? Naqueles valores que têm sua origem sua justificativa na dignidade da pessoa, em sua natureza criada e redimida; aqueles que permitem o desdobramento da personalidade do educando em vistas a uma excelência humana. Esses valores são denominados virtudes, isto é, hábitos positivos que se adquirem por repetição de atos e concedem ao homem a facilidade para o exercício do bem: por exemplo, dizer sempre a verdade, ser solidário e generoso com os demais, ser ordenado e otimista etc. É necessário partir de um conhecimento certo sobre o conteúdo da dignidade radical da pessoa humana, para que seja possível um acordo entre os educadores sobre as virtudes que devem ser cultivadas no processo educativo. Esse acordo sobre a dignidade da pessoa humana, que é o pressuposto da tarefa educativa, não parece possível, sem recorrer a uma instância transcendente que sirva de fundamento e apoio. Se não encontramos um fundamento objetivo transcendente, nada impedirá que a pessoa seja subjugada pelo mais forte, pela ditadura de uma maioria de opressores, ou que fique fechada sobre si mesma, ao decidir entre o bem e o mal, em função de interesses meramente subjetivos e momentâneos. Sem dúvida, a consideração do homem como um ser criado, de natureza racional e livre, chamado a ser feliz e a uma vida perdurável depois da morte, nos conduz ao reconhecimento de uma lei moral. O homem é capaz de conhecer e aceitar essa lei moral, como princípio orientador de sua conduta em vistas a uma autorealização. A educação religiosa tem claras e importantes implicações na educação moral. Há conhecimentos, disposições, atitudes, sentimentos, motivos e intenções que são abordados e se desenvolvem de forma excelente através da educação religiosa e da prática de uma vida de fé.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos O homem conhece a lei moral através de sua consciência. O julgamento da consciência é a reflexão, pela qual a pessoa julga uma situação concreta à luz dos princípios morais, Portanto, a educação moral auxilia os alunos, para que possam responder à pergunta: esta atitude está de acordo com minha dignidade de pessoa? A educação moral é realizada, principalmente, através das relações pessoais, nas quais o exemplo dos adultos exerce uma influência sobre o educando, que o leva a imitar, a procurar fazer seus, os valores e os ideais que vê realizados no outro. Na família, a formação moral se adquire através das vivências mais corriqueiras, mais com fatos do que com palavras, com exemplos vivos de respeito e preocupação pelos demais, de espírito de serviço, de disciplina, de limpeza, de ordem, de cuidado dos pequenos detalhes materiais, de sinceridade – de virtudes. O amor, a confiança e a gratidão favorecem a formação da consciência e são condições básicas de um ambiente verdadeiramente educativo. A educação moral é um eixo transversal que afeta a todas as áreas, como afeta a totalidade da pessoa. Não se trata de considerar a moral como uma área de aprendizagem que se soma às outras, mas como algo que, presente em todas as atividades escolares, ressalta toda a riqueza do ser humano que vive as normas morais, livremente assumidas, nas circunstâncias de cada dia. Assim, a educação na liberdade se realizará através de muitos momentos distintos, nos quais se coloca o aluno frente à sua responsabilidade de decidir em cada situação, de acordo com os critérios de sua consciência bem formada, aplicando pessoalmente os princípios gerais – os valores que já incorporou – à situação concreta, para decidir com responsabilidade, buscando o bem. A formação moral, portanto, não é uma casuística externa, como uma receita pronta, ou código de conduta, que se incorpora à personalidade, levando-a a um desequilíbrio interior, a um empobrecimento pessoal. Uma boa educação moral torna-se uma fonte de liberdade, por sua permanente referência à verdade. Além disso, para que uma ação tenha um valor moral, ela deve ser livre, deve ser ocasião de compromisso pessoal, para o qual é necessária a deliberação racional e a decisão livre. A educação consiste em ajudar à criança a desenvolver suas capacidades e a superar suas limitações. O primeiro desses aspectos – desenvolvimento das potencialidades – corresponde mais propriamente, ao conceito de educação. À medida que desenvolvemos o positivo facilitamos a superação do negativo. A educação moral tem componentes cognitivos, volitivos e afetivos, que devem desenvolver-se de maneira harmônica, ao mesmo tempo em que se vai adquirindo uma estrutura de ideias e se aprende a aplicar as normas morais às circunstâncias de cada situação, de forma racional e prudente. Para agir corretamente, depois de tomada a decisão, é necessária a orientação das tendências e paixões - de acordo com os critérios da razão. A formação da consciência consiste, primeiramente, em facilitar ao aluno, o pensamento moral que o leve à reta aplicação dos princípios e normas morais e, por outro lado, em fortalecer a vontade – respeitando a liberdade pessoal – para que seja capaz de seguir os critérios da consciência, ordenando os movimentos da afetividade. Centrar-se em apenas um desses aspectos, suporia um reducionismo: para um intelectualismo ético, ou um voluntarismo sentimental.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Formação do entendimento Já foi indicado que a educação moral na liberdade não pode ser entendida como relativismo moral, uma vez que é necessário apresentar ao aluno os princípios morais como reflexo da verdade objetiva, que é possível conhecer e que se fundamenta na dignidade natural da pessoa humana e não num consenso ou na determinação relativa de um momento histórico. Nem cabe uma atitude aparentemente neutra, uma vez que – com a palavra e com a conduta – sempre se parte de alguns princípios e se apresentam alguns conteúdos morais determinados, sejam esses corretos, ou não. A diferença entre adoutrinar e formar a consciência, em muitos casos, não está tanto no que se ensina, mas no como se ensina. O importante é respeitar aos alunos, ajudando-os a assimilar e personalizar os valores que lhes são apresentados, os critérios de vida e as virtudes praticadas, através de um processo educativo que fomente um espírito crítico sadio. É importante conseguir um ambiente no qual os alunos se exponham e defendam sua própria argumentação e, onde o professor saiba escutar, com atenção e respeito, as reflexões dos alunos, procurando oferecer-lhes os pontos de apoio indispensáveis para que encontrem por si mesmos, uma sólida fundamentação racional. Ensinar a pensar, a desenvolver seus próprios critérios, facilita enormemente o desenvolvimento moral da criança, que recebe os valores através do juízo da razão, integrando-os na unidade da pessoa. A moralidade está relacionada com a dimensão racional do homem: o agir moral é sempre o mais razoável, o que melhor se ajusta à realidade das coisas. A educação da consciência sempre é, ao mesmo tempo, educação para a reflexão, para o sentido crítico, buscando a visão objetiva da realidade. Fortalecimento da vontade Pensar é um requisito indispensável, mas não é o suficiente para uma atuação moral correta. É necessário ajudar aos alunos a fortalecer a vontade e a adquirir virtudes humanas. A educação moral dirige também a atenção para a organização dos processos instintivos, favorecendo uma disposição generosa para o bem que, em certas ocasiões, exige sacrifício e renúncia para superar o próprio egoísmo. A aquisição de hábitos morais fortalece a autoestima do estudante e sua segurança pessoal, ao proporcionar-lhe facilidade e energia para atingir as metas a que se propõe. Pelo princípio da harmonia das virtudes, quando uma dessas qualidades melhora, se aperfeiçoam também todas as demais, porque todas residem na unidade da pessoa. Por isso, é interessante apoiar-se nas qualidades do aluno, reforçando seus pontos fortes pessoais, sem recorrer nunca a comparações com os demais, nem fomentar atitudes de competição com os outros. Contudo, não se deve esquecer que, uma das motivações fundamentais da pessoa é a participação nas atividades, em um ambiente de comunicação cordial. As virtudes morais costumam ser divididas em dois grupos: o individual e o social. No primeiro se integram a sinceridade (naturalidade, simplicidade, aceitação da própria identidade), a honradez (retidão, honestidade, boa vontade), a responsabilidade (sentido do dever, capacidade de cumprir os compromissos adquiridos), a humildade (autenticidade, coerência), a fortaleza (constância, paciência, serenidade, magnanimidade), a laboriosidade

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos (intensidade no trabalho, aproveitamento do tempo, acabar bem o que começa), a temperança (sobriedade, austeridade, pudor, desprendimento), alegria (otimismo, bom humor), ordem e espírito esportivo. Todas essas virtudes se referem também de algum modo, aos demais, pois, em caso contrário, não seriam virtudes, mas um mero perfeccionismo egoísta. No segundo grupo, encontram-se a piedade, o respeito (às convicções, aos bens, à fama), a sociabilidade (diálogo, veracidade, sinceridade), a solidariedade, a justiça, a caridade (delicadeza no relacionamento, amabilidade, companheirismo, amizade, lealdade e fidelidade) e a cidadania (respeito e cumprimento dos deveres cívicos, respeito à lei justa e à autoridade). Cultivo da afetividade Juntamente com o cultivo à inteligência e à vontade, é necessário considerar o desenvolvimento da afetividade. Os sentimentos contam muito na formação moral, porque influem de forma significativa – por exemplo – através da imaginação, na formação das atitudes e motivações. Ter bons sentimentos facilita uma vontade firme para optar pelo bem. As vivências e valores que se apoiam nos sentimentos e na afetividade, criam fortes raízes na consciência. Os sentimentos são movimentos da sensibilidade que brotam do interior do homem e expressam anseios, necessidades ou capacidades humanas. Não somos donos de nossas tendências e sentimentos, mas podemos educá-los: contar com eles, trazê-los à luz, quando for conveniente, para que ajudem a vontade a se voltar para o bem. Em resumo, o objetivo da educação moral é precisamente integrar a razão, a vontade e o sentimento, em cada ação da pessoa. Isto significa que devemos alimentar a inteligência com o conhecimento dos princípios morais e ensinar a refletir, para decidir pelo mais adequado em cada situação e, para avaliar imediatamente se a atitude pela qual se decidiu, é coerente com o fim buscado. Por outro lado, para fortalecer a vontade é necessário proporcionar ao educando, segundo seu grau de maturidade, ocasiões de agir livremente de acordo com os fins que já se tornaram próprios. Isto significa facilitar ao aluno oportunidades de exercitar-se – por exemplo, para educar a virtude da solidariedade, o aluno precisa ter oportunidades que lhe permitam sair de si mesmo para ajudar aos demais, realizando obras de serviço, nas quais se coloque também diante da necessidade alheia. A educação moral na Educação Infantil Ainda que a educação moral propriamente dita se inicie em fases posteriores, os primeiros modelos, usos e costumes – a vida no ambiente familiar – é uma parte fundamental do conteúdo da consciência. Nesta fase, família e colégio podem apresentar padrões de conduta às crianças (ser exemplo e oferecer exemplos) e promover, através da observação e da imitação, a aquisição de hábitos que, com o tempo, chegarão a racionalizar-se. É muito importante fazê-lo, atendendo ao período sensitivo do sentido da justiça (o que é bom e o que é mau) e procurar uma educação no momento oportuno e preventiva da consciência moral. Também ocorrem nessa fase, os momentos ideais para o desenvolvimento da ordem, obediência e sinceridade, que mais adiante poderão ser assumidos como valores e virtudes.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Conseguir que a criança adquira bons hábitos não diminui e sim, facilita a ação voluntária e deverão ser objeto da formação moral, especialmente nessa etapa, na qual a criança não é capaz de ponderar, ou de decidir por si mesma. Possuir esses e outros bons hábitos de conduta torna mais fácil a compreensão dos princípios morais. Embora ainda não façam uso da razão, convém combinar a exigência com o esclarecimento daquilo que se exige, colocando-se ao nível de compreensão da criança. Esta etapa é repleta de afetividade e é de especial importância o ambiente de carinho verdadeiro na família, sem permissividades. A capacidade de sentir das crianças está muito influenciada pela vivência e pela criação estética: a apreciação do belo através dos sons, cores e formas pode ser uma introdução para o desenvolvimento moral. É interessante incentivar os bons sentimentos, por meio de atitudes generosas e de preocupação pelos demais. Isso facilitará o desenvolvimento posterior das virtudes sociais e será um auxílio para que as crianças comecem a superar a limitação do egocentrismo comum nessa idade. Por esta mesma razão e, porque esta etapa é crucial na formação da autoimagem, deve haver a preocupação de não supervalorizar o sentimento de culpa nas crianças, diante de suas pequenas faltas.  Objetivos: 1)Estabelecer limites à atividade da criança, de modo que compreenda que o desejo subjetivo não pode ser absoluto. Mostrar à criança a existência de algumas regras alheias à sua vontade, que devem ser respeitadas. 2)Desenvolver a capacidade de autocontrole da criança, à medida que vai se consolidando seu amadurecimento cerebral. 3)Início da formação do caráter mediante o exercício, na vida diária, de hábitos básicos de conduta. - ordem: em horários, em atividades, com seus brinquedos... - obediência e iniciativa. - aceitação das regras dos jogos. - respeito à propriedade dos outros. - generosidade: dar e compartilhar objetos – brinquedos, livros, guloseimas... - progressiva compreensão das consequências dos próprios atos. - relacionamento com os demais – tratar aos outros como gostaria de ser tratado. - sinceridade. - prontidão para assumir pequenos encargos, com autonomia.  Meios - Se em todas as etapas será importante dar bom exemplo de forma habitual, na etapa infantil isso se trona ainda mais fundamental, pois é a fase em que a criança aprende imitando. - Exercer a autoridade. Ainda que a obediência não seja o único meio para educar, é um dos primeiros que se deve utilizar. Sem educação da obediência não existe educação da consciência: quem não aprendeu nos primeiros anos a obedecer a seus pais e educadores, dificilmente será capaz – mais adiante – de obedecer à voz de sua consciência.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos - Rimas, músicas, canções, criações sensibilidade e o gosto pelo belo.

artísticas..., que

desenvolvam a

Plano de Formação: convém incluir: - Contos e narrativas, lidos, dramatizados, ou em filmes. É imprescindível que as imagens e cenas sejam apresentadas à criança, de maneira artística (as imagens incentivam).Além disso, as narrativas mostram às crianças os papéis que podem representar na vida. - Programa de Ações Incidentais para a família e para a classe. - Encargos familiares e no colégio. No currículo planejado se faz referência, com relativa frequência, a alguns conteúdos de especial valor educativo, já que incidem mais diretamente no desenvolvimento moral das crianças. São eles:  A autoestima, aceitação e confiança em si mesmo.  A autoavaliação ou autocrítica e, o reconhecimento de seus acertos e erros.  A responsabilidade nas pequenas tarefas.  O autodomínio ou autocontrole do próprio comportamento.  A iniciativa.  O respeito à diversidade.  A obediência aos pais e professores.  A sinceridade.  O esforço.

C.

EDUCAÇÃO PARA A CONVIVÊNCIA E PARA OS VALORES SOCIAIS

Este tema transversal trata de estimular o desenvolvimento social da criança, de modo que vá aprendendo a conviver, a respeitar aos demais e a participar ativamente nas atividades na sala de aula. No projeto Optimist há um meio educativo especialmente interessante para este fim: os encargos de sala. Os encargos são pequenas doses de responsabilidade cotidiana que a criança realiza, colaborando com os demais (colegas de sala, membros da família), para o bom funcionamento da sala de aula, ou de sua casa. As crianças devem ser motivadas pela ideia de que, graças ao seu esforço, tudo funcionará melhor. Além de promover a aquisição da responsabilidade e de facilitar um ambiente educativo adequado, os encargos ainda:  Potenciam a confiança da criança em si mesma ao aumentar a percepção de sua capacidade para cumprir bem um encargo.  Desenvolvem capacidades e habilidades através da experiência: ao assumir uma pequena responsabilidade, a criança – com frequência – aprende a fazer algo que antes não sabia, despertando a satisfação pessoal pelo trabalho bem feito.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos 

Incentivam a preocupação com os demais, o espírito de serviço e o sentido da cooperação, pelo entendimento da necessidade de ser útil aos demais e pelo reconhecimento por seus colegas, do trabalho realizado. Além dos encargos, também se promovem:  A participação nas atividades em equipe.  A participação na determinação de algumas normas e regras.  A ajuda e colaboração em pequenas tarefas no colégio e em casa, com os adultos e com seus iguais. A educação para o trânsito está incorporada, mais especificamente, aos conteúdos da área de “Conhecimento do Mundo”. Convém aproveitar os passeios de aprendizagem e as saídas pedagógicas para orientar as crianças quanto às normas de segurança do trânsito: semáforo, faixas de pedestres, sinalizações mais significativas, etc. D. EDUCAÇÃO PARA A SOLIDARIEDADE, A COOPERAÇÃO, A PAZ E A NÃO DISCRIMINAÇÃO O autêntico desenvolvimento é realizado dentro da sociedade em que se vive. A educação da solidariedade e, de forma mais ampla, a formação das virtudes sociais e dos bons sentimentos (compreensão, aceitação, generosidade, colaboração, compaixão, solidariedade, justiça...) devem começar nos ambientes sociais mais próximos à criança: a família e o colégio. A ação, que cria bons hábitos, é o principal critério educativo na formação social. Qualquer planejamento educativo coerente deve procurar que os alunos prestem serviços reais a outras pessoas, sem caírem em meras especulações sobre as necessidades sociais. A educação das virtudes sociais (compreensão, generosidade, solidariedade, justiça) deve ser iniciada no ambiente natural da criança: a família e o colégio. Nesses ambientes trabalhamos através de jogos e brincadeiras que favoreçam:  que os alunos conheçam melhor uns aos outros.  que se destaquem os aspectos positivos, ou qualidades dos alunos.  que favoreçam o trabalho em conjunto.  que desenvolvam a expressão, a escuta ativa e a resolução pacífica e criativa de conflitos.  a solidariedade com situações de crianças menos favorecidas e a generosidade: pequenas renúncias em favor dos mais necessitados (doar brinquedos, etc). Quanto à educação que promova a igualdade de oportunidades para ambos os sexos, serão observados os seguintes aspectos:  que todos os meninos e meninas realizem todas as tarefas dos cantos de atividades.  que seja evitada uma linguagem sexista.  que os protagonistas das histórias não sejam sempre meninos, mas que também haja meninas.  que os espaços lúdicos sejam para meninos e meninas, em conjunto.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos 

que as responsabilidades e encargos sejam distribuídas igualmente para eles e elas.

E. EDUCAÇÃO AMBIENTAL Este eixo transversal aparece como uma resposta urgente aos graves problemas ambientais que se apresentam no mundo. A solução consiste em criar e desenvolver uma consciência de preservação do meio ambiente. Serão trabalhados, principalmente, nos conteúdos de procedimentos e atitudes, sem deixar de lado os conceitos que estão previstos nas diferentes áreas e, mais concretamente, nas áreas de Identidade e autonomia pessoal e Conhecimento do Mundo. Neste aspecto adotamos os objetivos para a Educação Ambiental propostos na Conferência Intergovernamental de Tbilisi:  Ajudar aos alunos a adquirir uma consciência ambiental global e ajudá-los a se interessar por essas questões.  Ajudar aos alunos a adquirir uma diversidade de experiências e uma compreensão fundamental do meio e dos problemas anexos.  Ajudar aos alunos a encarar com seriedade os valores do meio ambiente e a sentir interesse e preocupação por eles, motivando-os de tal modo que possam participar ativamente na melhoria e proteção dos mesmos.  Ajudar aos alunos a adquirir as atitudes necessárias para determinar e resolver os problemas ambientais.  Proporcionar aos alunos a possibilidade de participar ativamente nas tarefas que têm por objetivo resolver problemas ambientais. Através do conhecimento ativo do ambiente e de forma gradual, os alunos vão formando uma mentalidade crítica e participativa. Pretendemos conseguir a aquisição de hábitos e atitudes de atuação individual e em grupo, em seu ambiente mais próximo. Como atividades concretas, podemos propor: 

Passeios de aprendizagem pelo entorno natural (no jardim, no parque, nas ruas etc): fazendo com que as crianças percebam as coisas que sujam e contaminam a água, o ar, a terra; observando as cestas de lixo e aprendendo a utilizá-las; compreendendo a utilidade das plantas, das árvores, das áreas verdes etc. Na sala de aula, incentivando que em sala de aula haja animais pequenos, como algum passarinho e plantas de interior, cujo cuidado esteja a cargo das crianças – assim como, mantendo sempre um ambiente organizado e limpo, arrumando os materiais, depois de cada atividade. Ensinar a fechar bem as torneiras depois de usá-las, apagar as luzes, quando não são mais necessárias, reaproveitar o papel e outros recursos.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos F. EDUCAÇÃ0 DA AFETIVIDADE Hoje em dia, é comum o uso do termo Educação Sexual, embora seja necessário esclarecer que seria mais preciso falar de Educação da Afetividade, que diz respeito tanto à informação sexual (o que cada pessoa deve saber sobre sexualidade, de acordo com sua idade e circunstâncias), quanto à formação da vontade, integradas no processo harmônico que exige a educação completa de uma pessoa. A educação da afetividade é uma educação para o amor, que considera o amadurecimento dos sentimentos e a ordenação dos impulsos e paixões humanas. Dentro desta perspectiva entendemos a educação sexual como o conhecimento adequado da natureza e importância da sexualidade na vida humana e o desenvolvimento harmônico da pessoa até sua maturidade psicológica, visando à plenitude da vida social, ética, moral e espiritual. A sexualidade é vivida de maneira propriamente humana, quando, além de conhecida e assumida, se integra em um projeto global de vida, digno de uma pessoa humana. Devido aos vínculos estreitos que existe entre a dimensão sexual da pessoa e seus valores morais, este aspecto da educação deve levar aos filhos e alunos a conhecer e estimar as normas morais, como garantia necessária para um crescimento pessoal harmônico e responsável na sexualidade humana. A Educação da Afetividade deve tender a criar uma consciência reta dos fenômenos sexuais que devem estar vinculados à maturidade da vida humana, à ideia do amor verdadeiro, à ideia da família, à ideia da procriação, tudo dentro de um plano ordenado pelo fim último e transcendente do homem. Esta educação deve criar uma consciência na qual a ordem sexual consiste em submeter os impulsos sexuais às normas da vida humana, fortalecendo a ideia clara de que, quando o homem se deixa levar pelos impulsos, estes o tiranizam e degradam. A Educação da Afetividade deve ser planejada como uma orientação positiva oferecida aos jovens, para ajudá-los no esforço por submeter sua vida à verdade sobre o homem e sua capacidade geradora. Até alguns anos atrás, a educação sexual, tanto na família, como na escola, era considerada como um tema tabu e, hoje, em muitos casos, essa educação passou para o extremo oposto – igualmente errado – sendo massificada, desligada da educação integral, reduzida a uma simples instrução, desvinculada de uma formação ética. Todos nós somos conscientes de que uma educação sexual fria, destituída de valores humanos pode provocar, no mínimo, as mesmas desordens psicológicas que podem advir de uma carência, ou um falseamento prolongado dessa educação. Por essas razões, é premente redescobrir o verdadeiro sentido da educação sexual. Na situação sociocultural de hoje é urgente proporcionar às crianças, adolescentes e jovens, uma educação para o amor, que atenda a uma concepção do homem unitária e completa, veraz, positiva, íntegra e gradual. O silêncio nessa matéria, por parte dos educadores (pais e professores), resulta antipedagógico. Principalmente quando o sexo está presente nas ruas e no lar através dos meios de comunicação, sendo retratado de maneira banal e empobrecendo a figura do ser humano, ao ressaltar exclusivamente o aspecto corporal e o prazer erótico.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Convém esclarecer que a educação sexual, em muitos casos, foi reduzida a uma simples informação dos mecanismos biológicos da procriação, isto é, a uma informação biológica e anatômica, que sendo necessária, está incompleta. A informação sexual, não tem qualquer valor, educativo e formativo, se não estiver acompanhada dos aspectos morais, sociais e espirituais, presentes em qualquer outro aspecto da educação da pessoa, considerada em sua integridade e unidade. Assim, conscientes da dignidade da pessoa, faz-se necessária à educação da afetividade, isto é, uma educação para o amor. Desta maneira, a Educação da Afetividade permitirá aos educandos adquirir a dimensão autêntica do amor e do sexo, de tal forma que serão capazes de compreender o imenso valor que tem a possibilidade de doação pessoal, o que irá valorizar o sentido de respeito pelos demais e de respeito próprio e ajudará aos jovens no desenvolvimento de uma personalidade equilibrada e firme. Para que isto seja possível e para que os objetivos sejam atingidos, é necessário que a formação neste campo se realize gradualmente e, adequando-se às idades, circunstâncias e singularidades dos alunos, levando em consideração o que cada idade necessita e é capaz de assimilar adequadamente. Os mediadores na educação da afetividade dos alunos: pais e professores A família é o lugar próprio para a educação sexual dos filhos. Aos pais corresponde este dever-direito. O colégio tem uma tarefa somente subsidiária: apoiar, ajudar e cooperar com os pais, colocando-se dentro do mesmo espírito que os incentiva. Isto significa que os pais devem prepara-se para orientar seus filhos. O papel do colégio com relação à Educação da Afetividade deve ser, portanto, complementar e colaborar, sem jamais substituir o que os pais devem fazer no ambiente familiar. Os pais devem proporcionar aos filhos uma verdadeira formação sobre a vida, a família, o amor e o sexo. A amizade, sustentada pelo carinho, o respeito sincero entre pais e filhos, o ambiente de cordialidade, a unidade, as virtudes que os filhos veem nos pais, os conselhos e conversas oportunas etc, são aspectos de fundamental importância para que os filhos interiorizem a educação sexual. Este ambiente favorecerá que os filhos recorram com confiança a seus pais, em busca de explicações, ou esclarecimentos, quando tenham dúvidas, ou inquietações sobre este tema. Deste modo, os pais terão a oportunidade de formar corretamente seus filhos na dimensão sexual de suas vidas e saberão colocar os meios eficazes para prevenir os riscos de que adquiram uma visão errônea, ou incompleta, da sexualidade, proveniente da informação tendenciosa, tardia, ou incompleta, que podem receber através do ambiente externo. A formação de hábitos adequados, em especial, os que se referem ao modo de vida e ao desenvolvimento da formação pessoal, facilitarão a orientação da tendência sexual para o marco da dignidade da pessoa, considerada em sua totalidade. A melhor educação sexual é a que os pais oferecem, formando a consciência de seus filhos, para que se respeitem a si mesmos, respeitem aos demais e se façam respeitar por eles, para que se esforcem, com alegria, por ideais nobres. O colégio pode e deve colaborar com os pais nessa tarefa através dos meios pedagógicos que tem à sua disposição: desenvolver de modo positivo, delicado e oportuno,

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos os temas relativos à sexualidade; proporcionar ocasiões, na vida do colégio, para o exercício de hábitos e atitudes que complementem o amadurecimento afetivo; assessorar aos pais, oferecendo textos, argumentos, modos de dizer, orientações etc – para que realizem uma educação personalizada com cada filho. A informação sexual na escola deve garantir uma aprendizagem correta dos conceitos que configuram a conduta sexual e suas finalidades – por exemplo, parece coerente expor sempre os temas relacionados com a educação sexual com referência ao casamento e à família – com os métodos didáticos mais adequados para cada etapa. É muito importante sempre atuar, com a vênia das famílias e de forma subsidiária. No colégio, é preciso analisar com cuidado especial os programas e materiais didáticos adotados para trabalhar os temas relacionados à sexualidade humana. Convém que as manifestações sexuais não estejam dissociadas dos conteúdos éticos e morais, numa abordagem meramente naturalista ou simplificada. Isso poderia causar um grave dano na apreensão do conceito de sexualidade. Dificultaria também o desenvolvimento da virtude do pudor que – entendida de forma correta – significa o respeito à dignidade do corpo. A complexidade da tarefa de colaborar com os pais dos alunos na educação sexual requer dos professores, uma preparação cuidadosa e umas qualidades específicas, entre as quais se destaca: a) Maturidade afetiva do educador: personalidade madura, equilíbrio psíquico, visão exata e completa do significado e valor da sexualidade, coerência de vida e de atitudes do educador com tudo o que procura transmitir aos educandos. Somente quem integra corretamente a sexualidade em sua vida está em condições de educar nesse aspecto. b) Preparação psicopedagógica e profissional suficiente: o educador deve ter uma concepção positiva e construtiva da vida; uma profunda formação ética e moral; uma preparação didática séria, que lhe permita captar situações particulares que requeiram uma atenção especial; capacidade para comunicar aos pais dos alunos os aspectos positivos e negativos do processo educativo de seus filhos. A ausência dessa preparação leva alguns professores a evitar o comprometimento com essa tarefa importante e delicada. c) Sentido de responsabilidade: cada educador deve ter presente que a educação e formação dos alunos exige sua total entrega e responsabilidade profissional, estar ciente de que a tarefa que está realizando cumpre um papel complementar para a família, que não deve ser substituída – salvo situações especiais de incapacidade familiar – por outra pessoa, ou instituição. A educação sexual e os meios de comunicação social É evidente que os meios de comunicação exercem uma grande influência, a maioria das vezes desfavorável, em tudo o que se refere à educação sexual e a educação para o amor. Também é grande a influência e o poder de sugestão da televisão e da internet, sobretudo sobre os mais jovens, afetando de modo especial a formação de atitudes perante a vida. Diante dessa realidade, os pais precisam defender a saúde moral de seus filhos, evitando os programas nocivos (por seu conteúdo, ou pela abordagem de determinados temas), formando a seus filhos de modo que saibam utilizar de modo sensato esses meios

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos de comunicação. Convém ensinar-lhes a ter critério e a selecionar o que podem assistir, ou no que podem participar, compartilhando com eles um lazer que favoreça a convivência e o diálogo. Seria muito negativo que na família e na escola houvesse um ambiente que considerasse normal situações claramente imorais, como a homossexualidade, o adultério, as relações pré-matrimoniais, a pornografia etc. Mais importante do que reclamar e lamentar de determinadas situações, é necessário formar cultural e moralmente aos educandos, colocando os meios necessários para que adquiram uma consciência reta, apresentandolhes modelos autênticos que os motivem a desenvolver suas possibilidades de relação com os demais de maneira positiva. Em resumo, podemos falar de algumas condições para uma educação sexual adequada:  Informação sexual veraz, clara e completa É fundamental que a informação sexual se realize com veracidade, naturalidade, precisão e delicadeza, sem reduzi-la à mera exposição dos mecanismos biológicos. Aos filhos se deve falar de tal forma que, ao mesmo tempo em que suas curiosidades esclarecidas, sejam ensinados e auxiliados a assimilar a informação recebida e a orientar seu comportamento.  Informação sexual oportuna Os pais devem aproveitar as ocasiões mais favoráveis para transmitir a informação sexual a seus filhos. Estas se apresentam, geralmente, quando as crianças perguntam sobre o tema, ou em determinado momento de seu desenvolvimento, em torno dos sete anos, ou ao chegar à puberdade. Uma oportunidade que convém aproveitar se dá, quando a mãe, ou alguma conhecida está grávida. A informação também deve ser gradual, adaptada ao seu amadurecimento físico e psicológico, à sua idade, capacidade de assimilação, sexo e ambiente em que se desenvolve.  Informação sexual pessoal A informação sexual que se oferece às crianças deve estar integrada no contexto do amor humano e da família. Isto torna necessário que a informação seja dada a cada filho pessoalmente, porque cada um tem o seu jeito próprio de ser e de entender.  Informação sexual com sentido positivo, levando em consideração as circunstâncias da sociedade atual Deve ser mais orientada para os valores e para o amor, do que para a denúncia de riscos e perigos. Porém, é interessante observar que, geralmente, os pais consideram seus filhos mais inocentes do que eles próprios foram, e, além disso, livres dos perigos e tropeços pelos quais passaram em sua infância e juventude. É preciso aceitar a realidade de que, nos tempos atuais serão poucos os jovens que, por exemplo, não tenham assistido na televisão, cinema, ou internet a cenas eróticas, ou de baixa categoria.  Informação e formação Complementando tudo isso é necessário ensinar aos filhos o sentimento do pudor e da intimidade e ajudá-los a formar uma consciência clara, de acordo com sua dignidade,

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos sendo conscientes de que não se pode dar uma educação sexual à margem da moral, dos componentes éticos e espirituais da pessoa. A Educação da Afetividade na Educação Infantil Nesta etapa, a educação sexual se realiza através de acontecimentos diários, por meio de respostas simples e sinceras às suas perguntas, de acordo com sua capacidade de compreender. Sentem curiosidade pelo corpo e, por isso, a informação está direcionada a dados anatômicos e biológicos, como são as diferenças entre meninos e meninas, a origem da vida – “de onde vêm os bebês?” – o nascimento – “como acontece?”. É também o momento de promover hábitos de higiene e pudor, manifestados em pequenos detalhes da vida diária. Entre os três e os cinco anos Mais ou menos entre os 4 e os 5 anos, surge na criança – principalmente nas meninas – o sentido do pudor e começam a reparar nas diferenças anatômicas. Os pais podem aproveitar diversas circunstâncias para tratar com os filhos as perguntas sobre os órgãos sexuais, que costumam surgir nessa etapa. Podem, por exemplo, usar os momentos do banho para comentar, perguntando, diretamente, ao filho, ou filha, se já reparou as diferenças anatômicas que existem entre meninos e meninas. As crianças são curiosas, por isso, desde pequenos podem mostrar interesse por coisas relacionadas à origem da vida e podem fazer perguntas a respeito, mas que são destituídas de curiosidade sexual. Algumas respostas que se pode dar, quando um filho pergunta sobre a origem da vida são as seguintes: - Deus envia as crianças. No início, estão dentro do corpo da mamãe. - As crianças vêm de Deus e é Ele que lhes dá a alma e a vida. Deus prepara um lugar dentro do corpo da mamãe, que é como um ninho, onde o bebê cresce, pouco a pouco. Fica ali por nove meses, até que já esteja crescido o bastante, para poder deixar esse ninho e vir ao mundo. - A criança nasce de uma semente que se desenvolve, pouco a pouco, dentro da mamãe. Quando a criança está crescida, nasce. A mamãe vai ao hospital, para que o médico ajude o bebê a nascer. Ao contrário do que se possa imaginar, as crianças não necessitam de respostas longas e complicadas – muitas vezes o claro e simples é o suficiente. Os pais não devem mentir, por pensarem que a criança não irá entender sua resposta. Trata-se de dizer a verdade em um nível compatível com sua capacidade de compreensão. -“ Papai, é verdade que vou ter um irmãozinho?” - “Sim, filho, é verdade.” - “É por isso que mamãe está gorda?” - “Sim. Você já sabe que todas as crianças têm uma mãe. E Deus colocou dentro das mães um pequeno ninho, para que os bebês, quando ainda são muito pequenos, possam ficar ali, protegidos. Todos nós já estivemos dentro de um ninho assim. Você também. No início éramos tão pequeninos que nem se notava. Aos poucos fomos crescendo, porque a mamãe comia pelos dois – por ela e pelo bebê. Depois de algum tempo ficamos grandes o bastante, para poder nascer. Por isso, quando uma mãe vai ter um bebê,

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos fica mais gorda. Por isso também, temos que ajudar mais à mamãe, fazendo-a contente e ajudando mais nas coisas da casa.” - “E como nascem?” - “O bebê precisa sair da barriga, quando já está suficientemente grande e forte para nascer, o que acontece em torno dos nove meses. As mamães possuem uma pequena abertura, que se abre, quando o bebê vai nascer, para que ele possa sair. Primeiro sai a cabeça e depois saem os braços e as pernas. Foi assim que você também nasceu e mamãe e eu ficamos muito contentes, ansiosos para ver como você era bonito, pensando no seu nome. Mamãe e eu demos muitas graças a Deus porque você nasceu com saúde e por você ser nosso filho.” Entre os cinco e os seis anos O nascimento de um irmão, a gravidez de algum parente, vizinha ou amiga, é uma circunstância muito adequada para comentar que a barriga da mãe vai aumentando, a medida que o bebê vai crescendo. Algumas crianças, como já sabem de onde vêm os bebês, quando veem sua mãe engordar, perguntam: “Eu vou ganhar outro irmão?” ou, “Tem um irmãozinho aí dentro?” É comum que essas perguntas ocorram entre os seis e os sete anos. Diante delas podem ser dadas algumas explicações adequadas à idade, recordando de antemão, que as respostas devem ser naturais e verdadeiras. - “Os filhos nascem pelo mesmo lugar, onde o pai colocou a semente para que começasse a crescer dentro do corpo da mamãe.” – esta resposta costuma ser muito bem entendida e não se faz necessário entrar em maiores detalhes anatômicos nesse momento. Como às vezes perguntam, como é possível que um bebê nasça, saindo por um buraco tão pequeno, podemos dizer que Deus dá às mães, que vão ter um bebê, a capacidade de fazer com que o pequeno orifício aumente de tamanho, para que o bebê possa sair. Isto faz com que a mamãe sinta uma dor muito forte, que ela aguenta bem, porque ama muito seu filho. Convém dar esta explicação, um pouco mais detalhada, às meninas, para que saibam que, quando forem grandes e formem uma família, poderão ter filhos e se tornar mães também. É muito provável que nessa etapa, surjam as brincadeiras de mamãe, papai e filhos.

G. EDUCAÇÃO COMO CONSUMIDOR Vivemos em uma sociedade de consumo. A publicidade e as técnicas de venda formam parte de nossa vida cotidiana e incidem em nossas decisões de adquirir determinados bens e serviços. A educação para o consumo tem importância desde a etapa da Educação Infantil. Através de uma ação educativa oportuna e preventiva, podemos proporcionar às crianças experiências educativas valiosas, que lhes ajudem a ir adquirindo hábitos de sobriedade (no consumo de guloseimas e no uso e cuidado dos materiais escolares) e a ir conhecendo o valor das coisas, acompanhando os pais às compras, brincando de aproveitar as coisas para que durem mais etc.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos É importante orientar às famílias sobre temas de alimentação, compras para as crianças, presentes e brinquedos educativos, uso da televisão e de aparelhos eletrônicos, etc. Também é importante não estimular hábitos consumistas, pois em etapas posteriores será mais difícil cortá-los. H. EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE FÍSICA E MENTAL Este tema transversal considera o cuidado com a saúde, tanto física, quanto psicológica, como uma aprendizagem importante para a vida da pessoa. É abordado nos conteúdos relacionados com o corpo, o colégio, a rua, etc. É abordado também nas preceptorias com os pais, quando se fala do tema das rotinas: higiene, alimentação e sono. As seguintes atividades podem ser propostas:  A higiene geral da criança – lavar as mãos, escovar os dentes, o cuidado pessoal – para ir ao colégio e antes de voltar para casa etc.  Os hábitos que se referem à alimentação – aconselhar uma dieta equilibrada e nutritiva.  Elevar a autoestima da criança – valorizando suas qualidades pessoais.  Proporcionar um ambiente de brincadeiras e atividades, que seja sereno, onde as crianças possam se sentir seguras e que não gere ansiedade perante a aprendizagem o dia a dia escolar.

I.

EDUCAÇÃO NA DIMENSÃO LATINO AMERICANA

Múltiplas atividades podem ser planejadas de modo a desenvolver o sentido de pertencer ao continente americano – em particular à América Latina – como, por exemplo:  Iniciação à aprendizagem de uma língua, distinta da materna.  Elaboração de bits de inteligência sobre temas latino-americanos, como bandeiras, países, artistas etc.  Exploração de temas do folclore e da história dos países.

V. ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS A. ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS GERAIS Protagonismo dos pais no desenvolvimento infantil O papel dos pais é primordial, no que se refere ao desenvolvimento das aprendizagens oportunas. A maior parte do desenvolvimento cerebral acontece antes dos três anos, isto é, antes da criança iniciar sua escolarização no 2º ciclo da Educação Infantil. Um ambiente familiar rico em estímulos educativos é a melhor base para uma educação de qualidade.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos A influência da vida familiar afeta muito o desenvolvimento da criança. As crianças que recebem um forte apoio familiar apresentam maior capacidade de adaptação, de solução de problemas, de aprendizagem, melhor e maior capacidade de brincar e melhor habilidade social nas relações entre iguais. Neste contexto, a brincadeira e os jogos compartilhados são fundamentais, porque oferecem aos pais e aos filhos uma forma de estar juntos, que é ao mesmo tempo gratificante e educativa. Uma das características atuais da vida familiar é a saturação de ocupações e preocupações, que tornam difícil o aproveitamento da convivência no lar. Por esta razão, a relação entre a professora da Educação Infantil e os pais deve ser frequente, para que o colégio, através dela, possa oferecer uma assessoria educativa de qualidade. Os pais devem receber do colégio, orientações de atividades familiares adequadas ao nível de cada filho, em conexão com as aprendizagens escolares, sugerindo-lhes maneiras práticas de fazer da vida familiar uma fonte abundante de estímulos ao desenvolvimento. A professora, mediadora dos processos de aprendizagem dos alunos A professora não é uma mera transmissora de conhecimentos mais ou menos amplos, mas é a promotora de um desenvolvimento completo de cada um de seus alunos, com uma função educadora dirigida à totalidade da pessoa e, não somente à dimensão cognitiva. Para desempenhar sua tarefa com qualidade, com profissionalismo, precisa refletir constantemente sobre o próprio trabalho e sobre como pode melhorá-lo, com atitude de formação permanente e disposição para o trabalho em equipe. É necessário que cada professora descubra seu papel de mediadora da aprendizagem de seus alunos, de facilitadora dos seus descobrimentos. É o aluno quem, de fato, modifica e elabora seus esquemas de conhecimento, construindo sua própria aprendizagem. A educadora, dentro desta perspectiva, não assiste como espectadora aos efeitos do amadurecimento da criança, mas se converte em guia, o que faz com que as possibilidades das crianças se manifestem com toda sua intensidade, sempre que se saiba graduar as dificuldades e adaptá-las ao ritmo de cada uma. O valor educativo da brincadeira A brincadeira é uma ação recreativa, subordinada a algumas regras, que proporciona prazer e diversão. Deixa, em geral, um amplo espaço à livre iniciativa e liberdade dos participantes. A liberdade é relativa, pois está subordinada a algumas regras que marcam a atividade lúdica e que são frequentemente, determinadas pelas próprias crianças. A brincadeira é a atividade própria dessa etapa do desenvolvimento das crianças: para as crianças, todas as atividades se desenvolvem com um caráter lúdico. Se a atividade for apresentada de forma alegre e divertida, ainda que custe esforço, será aceita pelas crianças. A brincadeira é o meio de aprendizagem através do qual a criança investiga, explora e conhece o mundo que a rodeia, permitindo que desenvolva a linguagem e o pensamento, além de aspectos sociais e afetivos. É uma atividade significativa e importante para o desenvolvimento pessoal.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Por meio da brincadeira a criança adquire destrezas e hábitos que facilitarão sua aprendizagem posterior. Além disso, ao valorizar e respeitar a atividade mais importante da criança se está preparando a valorização de sua principal atividade futura, o trabalho. Aquele que, quando criança não teve oportunidade de expressar-se através da brincadeira, verá, como adulto, que sua capacidade criativa e imaginativa é limitada, o que traz consequências negativas na esfera profissional. Na maioria das grandes cidades, as crianças não podem brincar livremente nas ruas, o que faz com que o colégio se torne o espaço, onde os amigos podem se reunir, entre outras coisas, para brincar. As crianças de hoje brincam cada vez menos, apesar do grande desejo que têm de brincar e da importância que a brincadeira tem na aprendizagem. A brincadeira é uma forma de trabalho, uma atividade que afirma a personalidade, favorece as capacidades afetivas e emocionais, desenvolve a capacidade criadora e permite que as crianças ensaiem e experimentem seu entorno, coordenando ações com os demais. A brincadeira converte-se em um processo de educação completo, básico e fundamental para o desenvolvimento físico, intelectual e social da criança. A maior parte dos programas de Educação Infantil recomenda a inclusão da brincadeira, como estratégia principal de aprendizagem, assim como de atividades lúdicas nos diferentes cantos de aprendizagem. Se a professora quer ter êxito em suas propostas e atividades, tem que apresentá-las em forma de brincadeira, para que as crianças participem com maior interesse. Por isso, nesta etapa da Educação Infantil, muitas propostas didáticas são baseadas em atividades lúdicas, utilizadas como meio para se alcançar determinados objetivos educativos. É importante ressaltar a necessidade de ensinar as crianças a brincar. Ao conhecerem as regras, possibilidades, ou variações que a brincadeira oferece, podem aproveitar muito mais, com diversão e prazer. As crianças que brincam sem conhecer com segurança as regras do jogo, podem se aborrecer e mesmo se recusar a participar. Uma criança que brinca descontente, não brinca de verdade. Dentro de sala de aula, podemos distinguir algumas situações de brincadeira:  jogos de linguagem, motricidade e cognitivos;  situações de jogos planejados;  o “brincar por brincar” – brincadeira “livre”. Os jogos de linguagem, motricidade e cognitivos são, de modo geral, atividades dirigidas e organizadas pela professora, apresentadas de maneira a motivar e despertar o interesse das crianças (trava-línguas, imitação de movimentos e/ou ritmos, adivinhar objetos por sua descrição etc.). As situações planejadas são aquelas em que a brincadeira é utilizada para o desenvolvimento e aprendizagem das crianças. É o caso das atividades lúdicas nos cantos, onde se oferece ao aluno diversas situações, nas quais o jogo é a atividade principal. Possibilitam o desenvolvimento de capacidades diversas, como – por exemplo – os que envolvem manejar e manipular, construir e montar com objetos. Constituem uma base fundamental para o desenvolvimento da capacidade lógica e simbólica, assim como da motricidade e da habilidade corporal. O material oferecido determina o tipo de atividade lúdica que será desenvolvida. Por outro lado, essas situações também permitem a professora captar os conhecimentos das crianças e observar suas habilidades e competências.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos O “brincar por brincar” é uma necessidade da criança e um recurso para romper o ritmo, descontrair e descansar, sem esquecer que, ao mesmo tempo, a criança está desenvolvendo sua imaginação, criatividade e comportamento social. Merece uma menção especial o jogo simbólico, pois, através dele, a criança imita a sociedade adulta; se inicia nos papéis que poderá desempenhar no futuro; põe em prática seus conhecimentos dos contextos familiar, escolar e social, nos quais está inserida. Tratase de uma forma descontraída e agradável, de exercitar os conhecimentos sociais que possuem e, ao mesmo tempo, representa um marco para aprendizagens de conhecimentos e habilidades novas. A brincadeira infantil é uma aliada na tarefa educativa, na medida em que através dela se constroem novos conhecimentos e se retificam percepções errôneas da realidade social, de forma simples e segura. Para uma criança, a brincadeira é o principal meio de expressão, comunicação e elaboração de conflitos, pois, repete de forma simbólica as situações agradáveis e elabora aquelas que foram negativas, exteriorizando-as e dominando-as, através da atividade e da linguagem. A aprendizagem por descobrimento. A curiosidade As interações com pessoas e com o ambiente, que a cerca, oferecem à criança, experiências de descobrimento, com as quais deve estruturar o conhecimento de si mesma e do mundo. Descobrir coisas, imitar os demais, explorar etc., são necessidades para a criança. Ela explora o entorno para aprender a analisar e a se concentrar. A curiosidade coloca as bases para o meio de aprendizagem por excelência – a investigação. Estimulação sensorial e motora Incide diretamente no desenvolvimento neuronal da criança, oferecendo-lhe uma ampla e variada gama de estímulos sensoriais: visuais, auditivos e táteis-cinestésicos. O desenvolvimento da capacidade intelectual está muito ligado ao desenvolvimento sensorial. Quanto mais exercitamos os diferentes sentidos, mais favorecemos o desenvolvimento global da inteligência e a aprendizagem como um todo. Os circuitos motores, as audições musicais e os bits de inteligência incidem, por exemplo, diretamente neste desenvolvimento. A observação e a avaliação. Educação preventiva Nesta etapa é fundamental que a educadora dê muita importância à observação diária da criança, em cada uma das atividades, avaliando, prevenindo e obtendo dados concretos, que utilizará para orientar a criança e para transmitir aos pais, com a finalidade de chegar a um plano de ação comum. É necessário avaliar, com muita atenção, o desenvolvimento atingido pela criança, ajudando a cada uma a aumentar e melhorar as suas capacidades. É possível prevenir pequenos atrasos, utilizando estratégias de aprendizagem adequadas. O trabalho autônomo e cooperativo A criança tem direito a ser tratada com o mesmo respeito com que é tratada uma pessoa adulta. Respeito significa o reconhecimento de sua dignidade como pessoa. Isso se

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos reflete em atitudes coerentes e na criação de um ambiente adequado onde possa desenvolver suas capacidades. A autonomia e singularidade de cada criança devem ser respeitadas, deixando um espaço real para a iniciativa pessoal. Sem oportunidades de escolha, não pode chegar à capacidade de decisão. Para tornar-se consciente e responsável, a criança tem necessidade de sentir-se livre. Por isso, é importante que, em alguns momentos, a criança possa escolher sua ocupação. A professora deve promover a aprendizagem autônoma, tanto independente, como em conjunto com os demais alunos, de modo que, progressivamente, as crianças se tronem capazes de planejar e controlar sua própria aprendizagem. Ao adquirirem autonomia, as crianças estarão em melhores condições de enfrentar as situações do dia a dia. Saberão prever as consequências de seus atos e aprenderão com seus erros. Isso constituirá a base para uma atuação mais responsável, quando crescer. Os hábitos de generosidade, compreensão, solidariedade e justiça se reforçam mediante os trabalhos em equipe. Neste aspecto, é muito interessante favorecer o agrupamento flexível e o trabalho cooperativo entre os alunos. A globalização Um método é globalizado, quando, a partir de uma situação conhecida pelas crianças (o centro de interesse), se organizam as atividades de ensino, integrando os conteúdos das distintas áreas e das diversas atividades que se realizam. Com um enfoque globalizador, nos aproximamos do conhecimento da realidade, isto é, da forma como ela é percebida pelas crianças. Sendo assim é necessário estudar as áreas em função do centro de interesse e não o contrário. Estes devem ser suficientemente motivadores para que sirvam de fio condutor de experiências, brincadeiras, descobrimentos e atividades. A globalização é um estilo de ensino, uma forma de trabalhar que considera todas as áreas como colaboradoras para a compreensão de uma realidade única e complexa. Além do mais, na prática do dia a dia, não é possível desenvolver separadamente, cada uma das áreas, ou âmbitos de experiência. Dentre as possibilidades de procedimentos, optamos pelas unidades didáticas mensais, já que parecem ser um meio idôneo para realizar a globalização na Educação Infantil. Esta opção requer os seguintes princípios e estruturas: 1. Cada unidade didática desenvolve um tema que interessa às crianças, porque se aborda a solução de algum problema ou curiosidade que sentem. 2. A maioria dos conhecimentos novos deve ser descoberta pela criança: as atividades são planejadas de modo a favorecer esses descobrimentos. 3. As diferentes áreas que compõem o currículo escolar serão estudadas a partir da unidade didática, porém, sem perder sua estrutura lógica interna, para que seus conteúdos sejam assimilados com a sistematização necessária, sem que resultem forçados, ou artificiais. As aprendizagens devem contribuir para a solução dos problemas, ou curiosidades apresentados nas unidades. 4. Cada unidade deve trabalhar os conteúdos das diferentes áreas que estejam envolvidas e incluir o que já foi anteriormente visto, na medida em que isso seja

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos necessário. Desta forma, se garante melhor a globalização e se trabalha com mais naturalidade, assegurando a constante revisão de aspectos fundamentais. 5. Para a realização dessa tarefa é imprescindível o trabalho em equipe das professoras. A unidade da ação educativa facilita a globalização e garante a eficácia do trabalho desenvolvido. Assim, a perspectiva globalizadora está presente no projeto e deve se manifestar claramente através da programação das situações de ensino/aprendizagem, que devem se relacionar nas diferentes áreas de cada etapa, para organizar e articular os conhecimentos com sentido e intencionalidade. A aprendizagem significativa Falar de aprendizagem significativa significa, antes de tudo, ressaltar a importância do processo de construção de significados, como o elemento central do processo de ensino/aprendizagem. O aluno aprende um determinado conteúdo, quando é capaz de atribuir-lhe um significado. De fato, o aluno pode aprender também os conteúdos, mesmo que estejam desprovidos de significado – como ocorre quando aprende por memorização e é capaz de repetir, ou utilizar mecanicamente o que memorizou, sem compreender o que está dizendo, ou fazendo. As aprendizagens contribuirão para o desenvolvimento das crianças, à medida que seja possível estabelecer relações entre suas experiências prévias e as novas aprendizagens. Serão aprendizagens significativas, terão sentido e atrairão o interesse da criança. Cada conceito transmitido à criança deve ser utilizado em diversos contextos. As respectivas atividades devem ser realizadas em diferentes situações e ambientes, para que sejam devidamente fixadas, imprimindo um caráter de originalidade e interesse, evitando a monotonia. Por exemplo, ao trabalhar com elementos materiais, convém que a criança os perceba com todos os sentidos possíveis: se vai fazer uma atividade com uma laranja, pode observá-la, tocá-la, cheirá-la, comê-la e ouvir o barulho que faz, quando é jogada na mesa. Convém considerar os seguintes princípios:  Conteúdo significativo: a primeira condição é que o conteúdo possua uma lógica interna, um significado em si mesmo. Dificilmente um aluno poderá construir significados se o conteúdo for vago, estiver pouco estruturado, ou for arbitrário.  Conhecimentos prévios: é necessário partir dos conhecimentos prévios das crianças, de seu nível de desenvolvimento e interesse, respeitando seu momento evolutivo e suas possibilidades de aprendizagem. Por isso, nas atividades de avaliação e – mais detalhadamente - ao final do ano letivo e do ciclo, as equipes de professoras deverão preparar um informe no qual se avalie o processo de ensino/aprendizagem de cada grupo de alunos e o grau de desenvolvimento das unidades, ou blocos temáticos, nos quais foram estruturados os conteúdos para o ciclo. O ponto de partida para iniciar o processo de ensino/aprendizagem em cada ciclo é composto pelos informes precedentes, juntamente com as observações sistemáticas feitas sobre os alunos.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos 

Motivação: tem fundamental importância a intervenção pedagógica da professora para estimular a aprendizagem significativa. Cabe a ela orientar e guiar a criança na escolha e utilização de recursos adequados à realização das atividades. É necessário que a criança encontre sentido nas atividades escolares, que esteja motivada para aprender e que sinta interesse em colocar o esforço que a tarefa exige. A aprendizagem deve ser funcional. Significa que, todos os conceitos, conhecimentos, normas etc., que o aluno aprende, devem ser úteis, para que possa aplicá-los em qualquer circunstância que se faça necessário.

Cordialidade, afeto, respeito. Desenvolvimento da segurança e da autoestima A relação entre a professora e os alunos ocorre em um ambiente de afeto, com sentido positivo, com relações de compreensão, aceitação incondicional, confiança e respeito. Uma educação oportuna, bem focada, tende a desenvolver elevados níveis de autoconfiança e de motivação para o sucesso. Em um ambiente sereno e acolhedor, as normas claras e precisas colocam a criança em situação de compreender e dominar a realidade e de estar consciente de seu progresso, o que favorece sentimentos de capacidade e de autonomia. A professora deve tratar às crianças com grande cordialidade, simpatia e espontaneidade, de modo que todos se sintam carinhosamente acolhidos. Em algumas situações, o acolhimento se manifesta por meio da atenção ao que a criança diz, em outras, através de um olhar de aprovação ao que está fazendo. A cordialidade e a qualidade da relação dependem do quanto à professora está convencida, de que a criança é uma pessoa à qual se deve respeito. Os sinais de respeito são muitos:  Chamá-las sempre pelo nome, ou por um apelido carinhoso.  Olhá-las nos olhos, quando falamos com elas, procurando ficar à sua altura.  Respeitar o ritmo de trabalho de cada uma.  Não superproteger, ao contrário, ensiná-las o quanto antes a agir com autonomia.  Ouvi-las com atenção.  Incentivar seus esforços, para que façam as coisas cada vez melhor, mantendo um tom positivo e de confiança em suas possibilidades.  Indicar, com clareza, por gestos ou palavras, o que está bem e o que está mal.  Propor atividades bem planejadas, que facilitem o efetivo progresso.  Ser firme, quando a segurança de uma ou mais crianças esteja em perigo.  Evitar qualquer tipo de menosprezo ou humilhação.  Destacar, com frequência, os aspectos positivos de conduta. As professoras não são as únicas que mantém contato com as crianças. Para que a ação educativa seja efetiva e o ambiente escolar seja cordial e agradável, a equipe de educadores e todos os funcionários do colégio devem ser coerentes com essas indicações.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Devem ter consciência de que, para a boa adaptação das crianças à escola, é necessário que se sintam queridas por todas as pessoas à sua volta. O respeito que a criança sente por si mesma parte de sua percepção do quanto é valorizada pelas pessoas mais significativas para ela (pais e professoras). Sua atuação está relacionada com a imagem que faz de si mesma. Quando uma criança é aceita e amada, se aceita a si mesma, se propõe metas realistas, aceita os demais como são, aprende com maior eficácia, desenvolve sua criatividade e está feliz com sua vida. A autoestima influi na conduta. Quando uma criança se considera incapaz, espera fracassar e atua em consequência. A segurança pessoal, por sua vez, lhe proporciona energia para esforçar-se por alcançar novas metas e, atua em consequência. As avaliações positivas que as professoras fazem das crianças contribuem para construir uma boa autoestima. São tão importantes que podem transformar a visão negativa que uma criança tenha de si mesma. Não se trata de enganar as crianças, mas de criar situações nas quais possam conseguir os objetivos propostos e possam confiar mais em si mesmas e em suas professoras. É necessário combinar o êxito em pequenas coisas, com o apoio nos momentos de fracasso, sem, contudo, evitá-los. Quando existe a confiança, que se baseia no amor, as crianças têm mais capacidade para suportar seus inevitáveis pequenos fracassos. Convém dar uma atenção especial às crianças com dificuldades de aprendizagem, porque a ausência de êxito resulta na deterioração da imagem pessoal. Este enfoque positivo da educação leva-nos a incidir especialmente nos pontos fortes, tanto de cada aluno, como do grupo em geral e a trabalhar os pontos fracos, com espírito de superação. É interessante valorizar os pontos fortes, as qualidades dos alunos, estimulandoos de acordo com suas capacidades. Não convém fazer comparações nem incentivar atitudes competitivas. Ao contrário, uma das motivações fundamentais para a criança é a colaboração com os demais, através da participação em brincadeiras, trabalhos e ajudas, sempre em um ambiente de comunicação cordial. O tempo e a atenção pessoal que se dedica diariamente às crianças são sinais muito importantes do afeto que se tem por elas. Devemos nos esforçar para sermos ouvintes atentos, interessados pelo que dizem. A segurança se desenvolve em um ambiente de confiança, onde não se teme o “ser julgado”. Para que as crianças sintam essa confiança, nossas palavras devem coincidir com os gestos e expressões, que são captados com muita rapidez pelas crianças. Os juízos sobre a criança devem ser evitados, pois precisa estar segura de que não é má, ainda que tenha feito algo de errado – suas atitudes precisam ser corrigidas com carinho, para logo assimilar as ações positivas. A socialização e a comunicação O entorno familiar e escolar constituem dois âmbitos de socialização por excelência. Através das relações interpessoais estáveis com pais e irmãos, professoras e colegas, as crianças desenvolvem os sentimentos de bem estar, segurança e afeto, que são necessários para um desenvolvimento harmônico integral e uma adequada inserção social. A família é o primeiro âmbito de socialização da criança e que esta se integra na unidade familiar e na sociedade através do lúdico. Pode-se concluir, com isso, que, para o

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos desenvolvimento adequado de sua personalidade e para uma boa integração social, é imprescindível a participação dos pais e irmãos nas suas brincadeiras. A transição da família para o colégio é o momento no qual a criança se depara com a necessidade de integração a um grupo maior de crianças e adultos. Portanto, é o momento de desenvolver novas habilidades que lhe permitam a adaptação social. A partir da integração escolar, as crianças começam a abandonar seu egocentrismo e a adquirir maior estabilidade emocional. As atividades do grupo coloquial, o trabalho nos cantos de atividades e o contato com o entorno natural e social, que estão propostos em todas as unidades didáticas, contribuem para o processo de socialização e de comunicação. Atenção às novas tecnologias A incidência das novas tecnologias, na sociedade atual, ressalta a necessidade de que as crianças entrem em contato com os computadores de maneira adequada, dentro da sistemática de um programa educativo. Além disso, está comprovado que os recursos eletrônicos constituem um elemento motivador para as crianças. A utilização do computador em sala de aula favorece:  A aprendizagem autônoma.  A integração entre os iguais.  O trabalho em equipe de crianças, realizado com autonomia.  A autocorreção e a correção em grupo – ambas facilitam o descobrimento do valor positivo do erro, como meio para avançar na aprendizagem.  O desenvolvimento da motricidade manual, da atenção discriminativa, da estruturação espacial e do pensamento simbólico estruturado.  O descobrimento significativo da linguagem escrita.  O respeito ao ritmo pessoal de aprendizagem.  A preparação da criança para ser um futuro usuário do computador. O “canto da tecnologia” é um canto a mais na sala de aula da Educação Infantil, integrado nas atividades da classe. A professora incluirá em sua programação os softwares disponíveis para os alunos, de acordo com a faixa etária. Os métodos ativos de ensino Uma vez que, na fase da Educação Infantil, o pensamento das crianças está diretamente ligado à ação, o método de ensino tem que ser fundamentalmente ativo: o aluno é o protagonista de sua própria aprendizagem. Um método ativo oferece ocasiões contínuas de movimento e exercício físico e está direcionado de maneira completa e unitária à personalidade da criança, que organiza e constrói sua personalidade através do movimento e da atividade. Os métodos de trabalho que se empregam com as crianças devem colocá-las em situação de aprendizagem, sem forçar suas possibilidades de atuação, nem limitá-las naquilo que já são capazes de fazer.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Princípios do ensino ativo que se referem às atividades: a) As situações-problema colocam a atividade mental em estado de atenção, enquanto que as dogmáticas incitam à passividade. b) A atividade das crianças é mais estimulada através de dificuldades superáveis. Quando a professora faz e resolve tudo para as crianças, deixa de existir espaço para o esforço pessoal. Também, quando a dificuldade é insolúvel e ultrapassa os meios de que dispõe a criança, surge a desilusão e a passividade. c) O aprendizado operativo é um aprender fazendo. Em algumas situações isto significa realizar um trabalho externo e, em outras, simplesmente, desenvolver as capacidades da criança. Sempre que seja possível, a criança deve realizar algo bem feito, materializando sua aprendizagem. d) Na programação do trabalho, a professora deve dar mais atenção ao que as crianças terão que fazer para aprender, do que ao que ela irá fazer para ensinar. e) Devemos cultivar o trabalho autônomo. As atividades que levam a criança à autoaprendizagem são muito mais eficazes e motivadoras do que aquelas, nas quais necessitam da ajuda da professora. Esta deve se limitar ao essencial, uma vez que qualquer intromissão no que cada criança pode realizar por si mesma torna-se contra producente, do ponto de vista pedagógico. B. ORIENTAÇÕES GERAIS DE CADA ÁREA 1. Área do Conhecimento de Si Mesmo e Autonomia Pessoal Este âmbito de experiência se refere ao conhecimento, valorização e domínio que as crianças vão adquirindo sobre si mesmas e a capacidade para utilizar seus recursos pessoais, dos quais possam dispor, em diferentes situações. Neste processo, são especialmente importantes o crescente controle motor, a constatação de suas possibilidades e limitações, a identificação e manifestação dos próprios sentimentos e necessidades e a crescente autonomia em relação aos adultos. A identidade é uma das resultantes do conjunto de experiências que a criança tem na relação com seu Conhecimento do Mundo. Entre outros fatores, a imagem positiva de si mesma e os sentimentos de eficácia, segurança e autoestima interferem na construção da identidade pessoal. Estes sentimentos devem contribuir para a elaboração de uma autoimagem adequada, que permita que a criança perceba e atue de acordo com as próprias possibilidades e limitações. Na relação com os adultos, com outras crianças e com o mundo externo, as crianças atualizam suas possibilidades sensoriais e motoras, intelectuais, volitivas e afetivas. Neste processo de diferenciação progressiva se constrói a identidade pessoal, mediante o reconhecimento da própria individualidade, distinta da dos demais e do mundo. À medida que assume a identidade pessoal, de forma cada vez mais adequada, convém incentivar o trabalho em equipe e a realização de atividades dos cantos, que exigem cooperação, incentivando o respeito mútuo e as atitudes de ajuda. Com este tipo de atividade, as crianças aprenderão a controlar seu comportamento, submetendo-se a algumas normas básicas de convivência. Ao longo dessa etapa da Educação Infantil,

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos mediante uma estimulação abundante e diversificada, a criança adquire conhecimento do próprio corpo, desenvolvem ao máximo suas possibilidades perceptivas e motoras, reconhece (cada vez com maior precisão) as noções básicas de orientação espaçotemporal, identifica as sensações que experimenta e serve-se das possibilidades expressivas do corpo para manifestar-se. Através dos exercícios físicos e circuitos motores, desenvolve o equilíbrio, a coordenação, a orientação espacial e temporal e afirma a própria lateralidade. Este desenvolvimento, que facilita o amadurecimento do sistema neurológico, influi de forma decisiva no aprendizado da criança. Tem grande importância na Educação Infantil a aquisição de bons hábitos de saúde, higiene e nutrição. Estes hábitos contribuem, não somente para o cuidado do próprio corpo e dos espaços em que se vive como também, são fundamentais no processo de autonomia da criança. 2. Área do Conhecimento do Mundo Esta área se refere à ampliação progressiva da experiência infantil e à construção de um conhecimento sobre o Conhecimento do Mundo cada vez mais completo. Este conhecimento implica uma determinada representação do mundo e a existência de sentimentos de respeito, de integração, interesse e valorização dos elementos que integram esse ambiente. O objetivo desta área é facilitar a observação, exploração e compreensão do Conhecimento do Mundo no qual a criança está inserida. Esta realidade abarca o entorno e os objetos físicos, as organizações e relações sociais imediatas e outros âmbitos que, apesar de uma possível distância física e temporal, se encontram estreitamente ligados aos interesses das crianças. É também uma ocasião propícia para conhecer, valorizar e agradecer a obra criadora de Deus. A percepção rápida dos bits de inteligência e a observação detalhada das gravuras são uma ajuda para conhecer e identificar diferentes animais e plantas, obras de arte, instrumentos musicais, cidades, palavras escritas etc. A criança, que já se movimenta com certa autonomia em sua casa, deve ser também capaz de configurar, a realidade em termos de orientação espacial. Além disso, amplia sua percepção de tempo e de suas formas sociais, mediante a vivência dos dias de trabalho, finais de semana, feriados, férias e estações do ano. Nos passeios de aprendizagem, possibilitamos que conheça novos aspectos da realidade, amplie o vocabulário, coopere com os demais e respeite as normas de convivência. É interessante oferecer aos alunos ocasiões em que assumam pequenos encargos. São tarefas simples, relacionadas com a vida da sala de aula, ou de sua casa. Através deles irá desenvolvendo atitudes de cooperação, colaboração e ajuda, aprendendo também a compartilhar e cuidar do material. O descobrimento do ambiente implica uma atitude ativa da criança. Ela irá observar, explorar, armazenar informações, manipular objetos, construir brinquedos simples, planejar pequenos projetos, utilizar materiais e objetos muito diferentes. É importante estimular atitudes de participação, colaboração e respeito às pessoas e às normas básicas de convivência. Neste sentido, é muito útil o Programa de Ações

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Incidentais selecionadas para esta etapa. O ambiente educativo do Centro de Educação Infantil deve estimular a curiosidade da criança e satisfazer sua necessidade de atuar e experimentar. 3. Área de Comunicação e Representação O sentido fundamental desta área é a relação entre a criança e o meio. As diferentes formas de comunicação e representação são instrumentos que possibilitam a representação e a expressão do pensamento, sentimentos e vivências. A integração, em uma única área, das diversas formas de representação e comunicação, não impede, em nenhuma circunstância, que cada uma delas receba um tratamento específico, segundo as necessidades das crianças. Com relação à linguagem oral, trata-se de que as crianças enriqueçam sua capacidade de expressão e compreensão, em contextos cada vez mais complexos; que utilizem progressivamente um vocabulário mais amplo; que participem em conversações coletivas, relacionando-se com os adultos e com seus iguais. Convém facilitar às crianças numerosas situações, nas quais seja natural falar: narrativas, descrições, brincadeiras verbais, rimas, trava-línguas, adivinhações etc. Pais e professoras devem falar corretamente com as crianças, sem imitar seus defeitos gramaticais ou de pronúncia. É interessante incentivar os pais, para que conversem muito com seus filhos, orientando-os para que mantenham uma atitude positiva diante dos erros de pronúncia ou estrutura frasal, adotando uma postura de correção, através da repetição correta do que foi dito. O domínio progressivo da linguagem oral aproxima as crianças da linguagem escrita – leitura e escrita: começando pela interpretação, compreensão e expressão de imagens e símbolos simples, até a identificação de palavras em seu entorno, chegando a utilização de algumas convenções da escrita. Ainda que a leitura só apareça nos parâmetros curriculares no primeiro ciclo do Ensino Fundamental I, é evidente que as crianças podem aprender a ler, quando seu desenvolvimento neurológico já o permita. Desde os três anos podem praticar a leitura de imagens significativas, como uma etapa para chegar à leitura de códigos. O ritmo de aprendizagem de cada criança deve ser respeitado. Sem forçar, nem retardar a aprendizagem da leitura, pode-se estimular o desenvolvimento das atitudes que favorecem e incidem na leitura e escrita, como a percepção visual e auditiva, a organização espaçotemporal, a destreza manual etc. Se as crianças recebem uma estimulação adequada e abundante, logo estarão em condições de ler. Ajudamos as crianças a conhecer a escrita, a descobrir seu funcionamento, suas normas e utilizá-las, superando o conceito da aprendizagem espontânea da escrita. A escrita manual necessita uma coordenação visual-motora e um desenvolvimento da motricidade fina, que se atinge aos cinco ou seis anos, embora antes dessas idades já seja possível escrever em um teclado de computador, por exemplo. Todo o trabalho realizado para a leitura também favorece a escrita e nas salas de aula da Educação Infantil, o ambiente deve ser um convite à leitura e à escrita, através de cartazes, murais, livros etc. No que se refere à forma de representação matemática, deve ser considerado que o conhecimento lógico-matemático da criança se desenvolve através das relações que

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos estabelece entre os objetos. Através da manipulação, descobre as características dos objetos e também, as relações entre eles que possibilitam organizar, agrupar, comparar, ordenar etc. Por isso, as atividades que se referem aos conteúdos/objetivos de representação matemática devem se basear em um método prioritariamente prático. Com as atividades de manipulação a criança entra em contato com a numeração e o cálculo mental simples, através dos bits de numeração e cálculo. A expressão corporal está relacionada com a utilização dos recursos expressivos do corpo: gestos, atitudes e movimentos, com uma intenção imitativa, comunicativa e expressiva. Através da dramatização, as crianças brincam, principalmente, de representar pessoas e situações e com a expressão corporal, representam determinadas atitudes, estados de ânimo, etc. A criança se diverte e desenvolve atitudes expressivas e de participação, melhorando o controle postural, a iniciativa, a imaginação, a criatividade e a espontaneidade. As atividades de expressão artística plástica (pintura, desenho, modelagem) são muito úteis para o desenvolvimento da percepção, da habilidade manual, da precisão no uso de ferramentas. Através dela, a criança reflete o conhecimento que tem da realidade e cresce em respeito e interesse pelas produções e manifestações artísticas. A expressão musical é uma das formas de expressão e criatividade com maior valor motivador na etapa infantil. Desde muito pequena (mesmo no ventre materno), a criança percebe os sons e responde de maneira ativa aos estímulos sonoros. Aos três anos é capaz de expressar-se através do ritmo e da entonação, fases primárias da linguagem musical. No início, a criança capta a música de maneira global e depois, começa a discriminar sons e seus diferentes aspectos. Com a educação musical, se conseguem efeitos e valores positivos na personalidade da criança e na sua formação integral e harmônica como:  Organização das percepções musicais.  Desenvolvimento da sensibilidade.  Formação da criatividade musical.  Integração harmoniosa da personalidade.  Criação de vivências, inspirações e sensações enriquecedoras e positivas. As audições musicais são úteis para o desenvolvimento da discriminação auditiva – a condição básica na aprendizagem de outros idiomas - para educar a sensibilidade e para aproximar a criança da tradição cultural musical. 4. Área da Religião Católica Nesta fase da infância devemos despertar na alma da criança o sentido de Deus. Deus é, antes de tudo, um Pai muito bom, que a conhece, a ama, cuida dela e a acompanha sempre. É interessante desenvolver a capacidade de diálogo simples e espontâneo com Deus-Pai, com Jesus - nosso Irmão e Amigo, com Maria – nossa Mãe no Céu e também com o Anjo da Guarda. Além disso, se ensinará pequenas fórmulas de oração. As crianças também devem ter ocasião de expressar, corporalmente, seus sentimentos religiosos, através de gestos simples, como ajoelhar-se, beijar um crucifixo, ou uma imagem de Nossa Senhora, fazer o sinal da Cruz etc.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos É um bom momento para incentivar o amor a Jesus Sacramentado, com pequenas visitas a capela da escola e a devoção a Virgem Maria, por exemplo, celebrando de alguma forma suas festas. Algumas ideias devem estar presentes na estruturação desta área: 1. No ensino religioso, a professora deve estar consciente da diversidade de informações e influências a que o aluno está sujeito nos ambientes em que frequenta. Na família, na rua, na sala de aula, nos meios de comunicação social... Por isso, a professora deve utilizar todos os recursos, para que a criança possa apropriar-se das informações oferecidas, ajudando-a a alcançar o pleno desenvolvimento de suas capacidades. 2. Junto a esta realidade plural de agentes educativos, não se pode esquecer que, a criança ao escolarizar-se, acrescenta ao seu centro normal de gravidade, que é a família, outro centro de gravidade, que é a escola. Por isso é importante conseguir uma coordenação e colaboração entre a família e a equipe educativa do colégio. O papel da família no desenvolvimento da criança, incluindo a dimensão religiosa, é primordial. Faz-se necessário uma unidade de critérios educativos entre pais e educadores. 3. A comunicação entre pais e professoras deve ser fluida e com um sistema institucionalizado que a favoreça: facilitar a adaptação inicial das crianças ao ambiente da sala de aula e ao colégio, acompanhar de perto seus progressos em todos os âmbitos escolares, ter iniciativa para prevenir dificuldades e bloqueios.... 4. Os pais podem e devem ajudar pessoalmente seus filhos nas tarefas escolares e colaborar, também, na organização e realização de atividades que dizem respeito à sala de aula. 5. As orientações didáticas da área de ensino religioso são elaboradas de acordo com as características, situação ambiental e comportamento social da criança de três a seis anos. Significa considerar os seguintes aspectos: a) As características peculiares da religiosidade da criança nesta faixa etária: sua experiência familiar, o conhecimento de seu corpo, o contato com o entorno físico e social, a aquisição da linguagem, a formação do símbolo... b) O influxo das atividades lúdicas por meio das quais se canalizam modos de convivência, opções elementares, exercícios de expressão corporal etc. c) A preponderância que a afetividade exerce nesta etapa: relação com os pais, professoras, colegas, convivência com pessoas mais velhas, atitudes de generosidade, perdão, espírito de serviço, ou, de agressividade, isolamento etc. d) O sentido religioso como expressão corporal: gesto com as mãos, olhos, boca, braços: levantar as mãos para dar glória a Deus, unir as mãos para rezar, etc.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos e) A coordenação viso-manual também se incorpora à formação religiosa, para a realização e manipulação de objetos que familiarizam a criança com os símbolos religiosos e as imagens sagradas. f) As realidades concretas do entrono físico e social oferecem à criança, um campo de significados religiosos: seu bairro, o colégio, a paisagem... Em todas elas pode exercitar atitudes cristãs, de oração e de louvor a Deus Pai. g) A linguagem contribui de forma importante: o ensino religioso se dá também através de histórias, narrativas, brincadeiras que conduzem à criança a questionamentos e oferece um espaço para que se expresse, amplie seu vocabulário, desperte sua atenção etc. h) As produções musicais e artísticas de caráter religioso proporcionam à criança, meios para a educação de sua sensibilidade artística. 6. O método para que a criança progrida nos aspectos mencionados exige: a) Respeitar seu ritmo, sua originalidade religiosa, que são diferentes do ritmo e do modo de ser do adulto. b) Considerar o estritamente religioso como o objetivo de todo o processo educativo. O religioso, na criança de três a seis anos está unido à ação, já que é através desta que a criança desenvolve sua capacidade de crescimento. c) Ter consciência das experiências que a criança vive no seu mundo íntimo (alegrias, pequenas frustrações, carências), no seu ambiente familiar e no seu mundo cultural e social. d) Atender aos aspectos da globalização absolutamente indispensável nesta idade. A globalização é uma síntese interpretativa do real e ajuda no amadurecimento progressivo da criança. Significa começar a ensinar pelo todo. É, por exemplo, o processo de aprendizagem da leitura e da escrita a partir da frase, ou da palavra e não de cada letra separadamente. Organiza o ensino com um critério totalizador e unitário, buscando que, com uma única ação, o educador aborde um saber, ou suas respectivas atividades, não fragmentadas em diversas matérias. A globalização busca a integração da aprendizagem e, nesta integração, a formação religiosa tem um papel importante. A religião pode ser um aglutinador das experiências, atividades e aquisições que a criança de três a seis anos realiza, preparandose para captar no futuro, o sentido da vida e o significado último da existência humana. Neste ciclo se inicia uma aproximação da atitude de fé, deixando a porta aberta para o descobrimento posterior da grandeza do ser humano de acordo com o plano de Deus. 7. A avaliação na Educação Infantil se entende como a avaliação do processo em si e não da dimensão dos conhecimentos adquiridos pela criança, nem como uma avaliação da criança. Esta avaliação é fundamentalmente, uma autoavaliação do educador sobre seus próprios objetivos. Nessa faixa etária não é possível entrar em atividades profundas, nem em posturas pessoais perante a fé. O que pode ser avaliado é:  Certas atitudes básicas de atenção, interesse e colaboração.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos 

Que a criança perceba a si mesma como uma pessoa eficaz, competente e capaz, que faz parte da grande família de cristãos, no caso dos batizados.  Conhecimentos iniciais sobre Deus como Pai, Jesus como Irmão e Amigo, Maria como Mãe de Deus e nossa. Ao fazer a avaliação inicial, a professora levará em consideração a informação que a criança já possui, proveniente de seu ambiente familiar e social. Depois, de maneira continuada, a avaliação formativa permitirá ajustar as atividades sucessivas para ir conseguindo os objetivos propostos. A avaliação final deve atender ao caráter preventivo e compensatório da etapa infantil, antes de ingressar no Ensino Fundamental I. Como o ensino religioso não é obrigatório na Educação Infantil, não cabe pensar em objetivos mínimos para as crianças, ao final dessa etapa. O ensino religioso deve ser uma base e uma interessante ajuda que prepare as crianças para a etapa escolar seguinte. 5. Área da Língua Inglesa Para a aprendizagem natural de um idioma é conveniente aproveitar o período sensitivo, quando podem ser assimilados um ou vários idiomas, com mais facilidade e prazer. O método para o aprendizado da língua inglesa pode ser fundamentalmente vivencial e oral. As atividades realizadas em sala de aula não diferem das atividades aplicadas em outras áreas. São elas: o desenho livre, as rimas, contos e canções, o trabalho com bits e cartazes, as atividades artísticas etc. Com todas elas, se procura fazer com que as crianças entendam e se expressem em inglês, através da compreensão, assimilação, memorização e pronúncia correta. O planejamento do processo de ensino-aprendizagem de uma segunda língua se converteu, não somente em um tema de âmbito escolar, mas também em uma inquietação sócio cultural de grande atualidade. De fato, somos constantemente submetidos a uma infinidade de propostas e soluções mágicas, que pretendem convencer com slogans sobre como aprender inglês sem estudar, falar inglês sem esforço, ou dominar uma segunda língua em um tempo recorde. Do ponto de vista da idade, não nos consideramos menos capacitados que uma criança, para aprender um segundo idioma, embora, estejamos conscientes de que, de alguma forma, foram perdidas muitas possibilidades com o passar do tempo. Por isso, é importante considerar as ricas possibilidades de aprendizagem de outra língua, que as crianças possuem em seus primeiros anos de vida. O ensino de inglês é planejado com uma metodologia fundamentalmente vivencial, observando a aprendizagem da língua oral nativa em qualquer criança. Esta aprendizagem se desenvolve de forma espontânea, aparentemente sem grandes complicações: todos os pais observam como seus filhos aprendem a falar através da convivência diária em distintos ambientes e, através da incorporação do modelo linguístico que se apresente. O ensino de uma segunda língua deve ser realizado, oferecendo à criança as mesmas situações e vivências, com as quais ela aprende a falar sua própria língua. A maioria dos estímulos que a criança recebe na família, no colégio e no entorno social são em português. Por isso deve haver um esforço e uma preocupação em criar um

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos “espaço linguístico” novo para o aluno, no qual este aprenda a se desenvolver com segurança e confiança. É necessário multiplicar ao máximo os estímulos e informações que a criança irá receber na língua estrangeira. Este “espaço linguístico” deve ser criado pela professora, convencendo seus alunos de que a forma de comunicação com ela só é possível, aprendendo essa nova língua. Nesta etapa da Educação Infantil, os alunos buscam campos para desenvolver sua curiosidade, seu afã de explorar e aprender coisas novas, além da necessidade de integrarse ao ambiente escolar. Trata-se, portanto, de oferecer exatamente isso ao aluno, transmitindo de forma agradável e divertida, os instrumentos e a informação que o ajudarão a aprender a maneira de se desenvolver na aula de inglês. O professor dispõe de muitas possibilidades de linguagem, já que todas as situações e áreas de conhecimento podem ser instrumentos para o ensino de inglês. Qualquer conteúdo pode contribuir para o desenvolvimento da linguagem oral e, ao mesmo tempo, o aprendizado da língua inglesa reforça as diferentes áreas de conhecimento e os hábitos e atitudes que se propõe para cada uma delas. Por isso, o tempo dedicado ao segundo idioma deve ser considerado como um enriquecimento do projeto educativo geral. As atividades das aulas de inglês desenvolvem aprendizagens de distintas áreas:  Conhecimentos lógico-matemáticos: descrição de características dos objetos, relações entre eles, comparações, agrupamentos, manipulação de objetos em geral...  Expressão corporal: recursos expressivos do corpo, gestos, atitudes, tudo o que facilita uma comunicação expressiva.  Área de expressão plástica: desenho, pintura, modelagem – que reforçam o vocabulário em inglês, ao mesmo tempo em que reforçam destrezas e habilidades.  Audições musicais: facilita o desenvolvimento da discriminação auditiva de sons, condição básica para a aprendizagem de um novo idioma.  Aproximação da linguagem escrita, a partir da leitura de imagens e, em uma segunda etapa, a leitura do código. Qualquer tipo de informação se apresenta de maneira significativa para o aluno, facilitando numerosas situações, nas quais “falar” seja algo natural e espontâneo. Cada conceito aparece em diferentes contextos, situações e ambientes: observando, identificando, descrevendo, manipulando objetos, repetindo, imitando, escutando, memorizando... Isso será feito com a frequência, intensidade e duração conveniente, com uma atitude positiva, que reforce as aprendizagens, com uma apresentação clara de modelos a imitar e com uma estimulação adequada e abundante. Tudo isso exige uma sistematização de conteúdos que garanta ao professor trabalhar todos os aspectos fundamentais para o desenvolvimento da linguagem oral em inglês. O professor deve estar seguro de que as atividades planejadas possibilitam que a informação chegue a todos os alunos, graduando dificuldades e adaptando-se ao ritmo de cada um.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Os alunos da Educação Infantil recebem essa informação por meio de atividades de caráter lúdico, permitindo que desenvolvam a linguagem e o pensamento, ao mesmo tempo em que desenvolvem suas capacidades criativas e imaginativas. O lúdico é a forma de trabalho da professora, no qual apoia todas as situações de aprendizagem. Com elas a criança enriquece sua capacidade de compreensão e expressão oral e aprende a utilizar uma segunda língua, porque é divertido e interessante participar das atividades em sala de aula. O professor, desde o primeiro dia de aula, cria um “espaço linguístico” novo para o aluno, trabalhando com a ideia básica de dar “aulas em inglês”. Deve-se manter constante esse objetivo, animando aos alunos, que aguardam com curiosidade, o desenvolvimento desse novo campo a explorar. A utilização de todos os recursos expressivos da língua (gestos, ritmo, entonação...) contribui para criar um ambiente descontraído, no qual o aluno se sinta seguro e confiante. A partir deste momento, trata-se de estabelecer situações de trabalho e comunicação, com caráter lúdico e divertido e, com estratégias didáticas, que permitam aos alunos participar das distintas atividades. As características dos períodos sensitivos na Educação Infantil devem ser consideradas. Os períodos de atenção e concentração dos alunos costumam variar entre 10 e 15 minutos, depois de iniciada a atividade. Pensamento e movimento estão sempre unidos. Antes de iniciar uma atividade, a professora se certifica de que todos os alunos estão em seus devidos lugares: sentados ao redor do círculo, sentados em grupos, ou de frente para a professora, sentados em cadeiras. Dessa forma, estão em condições de escutar e de receber informações, podendo observar a professora e o material que apresenta, sem dificuldades. Nas primeiras aulas, as situações de comunicação estarão focadas na transmissão de informação, facilitando a compreensão dos alunos, com técnicas e recursos expressivos. O objetivo, porém, não se limita à transmissão, mas visa o intercâmbio de informação e, para isso, a professora deve provocar ações que impliquem na participação dos alunos nas distintas atividades: pedir a um aluno que indique algum objeto em uma gravura; repetir ações e movimentos, imitando um modelo; executar uma instrução simples de trabalho etc.

C. CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DE ATIVIDADES DE ENSINO/APRENDIZAGEM A tarefa mais complexa de toda a programação é a seleção das atividades de ensino/aprendizagem que melhor se adaptem a cada aluno. As atividades devem ser organizadas em forma de tarefas, ou pequenos projetos, executados pela criança. A tarefa é um conjunto organizado de atividades, que orienta o processo de aprendizagem dos alunos. Requisitos da atividade a) É intencional. O amadurecimento natural das diferentes atitudes, não pode ser considerado como um processo educativo. É educativo o que é adquirido por meio de um esforço voluntário, intencional, de modo mais ou menos direto. Nesta etapa, a intencionalidade recairá na professora.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos b) É composta por ações que aperfeiçoam a criança. A tarefa educadora consiste em potenciar as energias que representam um traço claramente positivo, não abrindo oportunidade de evolução àquelas com caráter negativo. c) A realização externa deve revelar a assimilação interna. d) As atitudes verdadeiramente formativas são aquelas que comprometem toda a pessoa, que põe em jogo todas as energias psíquicas e biológicas de cada criança. Tipos de atividades A seguir se apresentam os diferentes tipos de aprendizagem, necessárias para o desenvolvimento de uma unidade didática completa, indicando as fases que caracterizam o modelo de aprendizagem. a) Atividades de iniciação – são aquelas propostas pela professora com a finalidade de motivar a aprendizagem ou de facilitar ao aluno a relação com experiências, ou conhecimentos anteriores. b) Atividades de exploração – incluem o conjunto de atividades mais características dos métodos ativos. Sua finalidade é a de que as crianças tenham oportunidade de descobrir a informação. Exemplos: observar objetos, situações, animais. Medir, classificar, colecionar, ler, manipular, perguntar, comparar etc. c) Atividades de integração – são aquelas, de caráter individual ou de grupo, que estão planejadas de modo que as crianças organizem e relacionem os dados obtidos. Exemplos: fazer informes orais, colóquios de resumo etc. Essas atividades são muito importantes porque, os dados obtidos pelo aluno, na fase anterior, precisam ser relacionados, para ser compreendidos como parte de um todo e não como informações isoladas. d) Atividades de criação – são o resultado da transformação de aprendizagens adquiridas em elementos ativos para novas aprendizagens. Surgem como consequência da automotivação da criança, provocando processos de curiosidade e de criação imaginativa. e) Atividades de fixação e reforço – este tipo de atividade tem como finalidade a consolidação da aprendizagem, evitando o esquecimento. São as tarefas tradicionais de exercícios e memorização. Exemplos: repetir as rotinas diárias, ordenar e classificar as coleções de bits estudados etc. f) Atividades de aplicação – estão planejadas de modo a proporcionar às crianças, a ocasião de verificar, comprovar seus próprios descobrimentos, ou de fazer uso do que já foi aprendido. Exemplos: realizar experiências, formular e/ou resolver problemas simples etc. Ao selecionar as atividades é necessário considerar:  As necessidades educativas dos alunos  Os recursos (materiais, humanos, de tempo) de que se dispõe  Sua importância para o desenvolvimento de hábitos  Sua dimensão integral de potenciar o maior número de capacidades

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos D. PROGRAMAS APRENDIZAGEM

EDUCATIVOS

ESPECÍFICOS.

ALGUMAS

SITUAÇÕES

DE

1. O programa neuromotor A atividade motora A relação de interdependência que existe entre a motricidade e o psiquismo, a influência mútua que existe entre a atividade motora e as funções de ordem superior, são fatores muito valorizados no processo educativo atual. As ciências da educação ressaltam que, o tratamento adequado do desenvolvimento das faculdades de movimento representa um recurso privilegiado para o desenvolvimento eficaz do restante das faculdades humanas: intelectuais, volitivas, estéticas etc. Está comprovado, por exemplo, que um elevado número de fracassos escolares está relacionado com transtornos, ou déficits perceptivo/motores. Esta realidade contribuiu para o crescimento do interesse pelo desenvolvimento motor e pela educação do movimento nas crianças. Porém, em que se fundamenta a importância da educação do movimento infantil? A educação motora na educação oportuna se justifica, entre outros, pelos seguintes efeitos:  O crescimento da criança e o adequado desenvolvimento de sua estrutura orgânica/funcional recebem influência positiva da atividade motora, tornando-a mais resistente às doenças.  A alegria natural que a criança sente na realização da atividade motora e a sensação de domínio que experimenta, quando adquire habilidades de movimento, favorecem seu equilíbrio emocional e sua autoestima.  A melhoria das funções biológicas e do equilíbrio emocional tem repercussões positivas na capacidade da criança para concentrar-se nas tarefas em sala de aula e na sua relação com os demais, facilitando a aquisição de hábitos, base para as virtudes.  A prática de atividade física é um valor educativo importante hoje em dia e, paradoxalmente, as formas atuais de vida não contribuem para o desenvolvimento desse hábito na infância.  Os padrões básicos da motricidade humana têm seu momento privilegiado de desenvolvimento, justamente até os 7 anos. Estes padrões são o fundamento da competência motora posterior. Além do mais, a organização dos movimentos integrados a esses padrões, assim como a estimulação sensorial que os acompanha, são elementos imprescindíveis para o processo de organização funcional neurológica.  O desenvolvimento motor está na raiz do desenvolvimento intelectual das crianças. A educação do movimento ajuda às crianças a tomar consciência de si mesmas e a melhorar sua autoaceitação. A consciência que temos do mundo que nos rodeia depende, em certa medida, da consciência de tempo e espaço. Na educação motora, os conceitos de tempo e espaço são diretamente vivenciados e se unificam no movimento.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos 

Uma rigorosa e completa educação do movimento tem uma influência positiva nas aprendizagens escolares instrumentais (escrita, leitura, expressão plástica...), uma vez que também são, em parte, aprendizagens perceptivo/motoras.

As razões mencionadas reforçam a importância da educação motora em qualquer projeto educativo infantil. Fundamentos do desenvolvimento motor Padrão motor O padrão motor é um esquema de movimento básico, ou fundamental, de qualquer família de atividades motoras. O padrão motor consiste na combinação de movimentos organizados, segundo uma disposição espaço-temporal concreta, que supõe a base ou fundamento de uma habilidade motora. Assim, os padrões de movimento podem compreender, desde combinações motoras simples, até sequências corporais muito estruturadas e complexas. Os padrões motores básicos, ou fundamentais, são aqueles que correspondem a motricidade humana natural, sem aprendizagens específicas, uma vez atingidos os respectivos níveis de amadurecimento orgânico. Contudo, somente através da prática e do treinamento serão desenvolvidos e se tornarão eficazes. Habilidade motora básica A habilidade motora consiste na capacidade, adquirida por aprendizagem, de realizar um ou mais padrões motores, com uma intenção determinada. As habilidades básicas são atividades comuns da motricidade humana, que se realizam de acordo com padrões específicos e que constituem a base de atividades motoras mais avançadas e específicas, como as desportivas. Mesmo quando os critérios de classificação das habilidades motoras básicas são diferentes, podem ser sintetizados de forma geral como: deslocamentos, saltos, giros, equilíbrios, lançamentos e recepções. Amadurecimento da aprendizagem O amadurecimento é a tendência fundamental do organismo para organizar a experiência e convertê-la em assimilação. A aprendizagem é o meio de introduzir novas experiências nessa organização. Amadurecimento e aprendizagem se influenciam mutuamente, produzindo o desenvolvimento. Amadurecimento e aprendizagem não são fenômenos isolados, porque o organismo e o meio formam uma unidade inseparável no contexto do desenvolvimento. O amadurecimento permite, facilita, estimula e acelera o surgimento de certas funções motoras e de percepção, porém não é, de fato, a causa das mesmas. Estas se darão por meio do treino e da experiência (aprendizagem). Na aquisição ou aperfeiçoamento de qualquer habilidade, durante o processo de desenvolvimento infantil, não se pode distinguir entre os ganhos decorrentes do amadurecimento, daqueles decorrentes da aprendizagem.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Se uma determinada habilidade não é suficientemente praticada e só é adquirida depois de seu período sensitivo, as cotas de rendimento alcançadas pela criança, não serão tão elevadas, quanto se a habilidade tivesse sido treinada em seu momento ideal. O desenvolvimento dos padrões motores básicos tem seus períodos sensitivos ao longo da infância. Uma estimulação realizada no momento em que a maturidade da criança permita, acelera o desenvolvimento das estruturas funcionais hereditárias, que tornam possível a assimilação das aprendizagens. Dito de outra forma, a educação oportuna acelera os processos de amadurecimento, preparando a criança para aprendizagens mais complexas do que as que outras crianças, com a mesma idade, podem assimilar. Este treinamento oportuno, ao gerar níveis mais altos de rendimento, capacita a criança para uma melhor interação social e motivação. Uma análise qualitativa de qualquer habilidade perceptivo-motora, como a habilidade de leitura-escrita, por exemplo, nos permite, normalmente, detectar uma série de destrezas mais simples, que devem ser dominadas previamente. Uma criança pode não estar preparada para enfrentar com êxito a aprendizagem da escrita. Esta exige um domínio considerável do direcionamento, uma apurada coordenação motora fina, certo nível de coordenação óculo-manual, independência segmentar das mãos e dedos etc. Mas, seu grau de maturidade já pode permitir que realize atividades de manipulação de objetos diversos como, perfurar figuras com perfurador, colar, colorir, seguir ritmos, bater palmas, dedilhar, etc. Tudo isso, além de constituir por si só, um valioso exercício para a educação do movimento, facilitará a aprendizagem da escrita, uma vez que desenvolve os requisitos prévios e imprescindíveis para essa habilidade. As aprendizagens escolares da leitura e da escrita, como outras que também são perceptivo-motoras, exigem um alto nível de organização neurológica e esta exigência se vê facilitada, de maneira muito especial, pela prática dos padrões básicos de motricidade humana. As sessões diárias de treinamento para o domínio dos padrões mencionados oferecem uma grande quantidade de estímulos, que devem ser recebidos e processados pelo cérebro, para elaborar e emitir respostas eficazes. Por isso mesmo, os lugares de descanso nas escolas de Educação Infantil e – em geral –, os lugares onde as crianças brincam, devem ser amplos, funcionais e devem estar providos de equipamentos e objetos variados, que possam ser manuseados, sem riscos para as crianças. Está comprovado que uma ampla oferta de experiências motoras acelera o desenvolvimento das habilidades perceptivo-motoras. Os exercícios motores praticados desde a primeira infância estimulam a organização funcional dos neurônios, de modo que gerem outros circuitos, permitindo a assimilação de aprendizagens cada vez mais complexas. A geração de novas redes neuronais, ou o aumento de sinapses nas redes já existentes, depende da variedade e da progressiva complexidade das atividades que sejam praticadas, na etapa em que é possível a geração de novas estruturas, ou seja, até os oito anos.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos O desenvolvimento de habilidades motoras básicas Os estudos sobre o desenvolvimento do comportamento motor afirmam que o desenvolvimento motor humano segue uma sequência determinada, desde o momento do nascimento. Esta sequência está muito condicionada pelo processo fisiológico de amadurecimento do sistema nervoso central. Como já mencionamos, as funções – sejam elas motoras ou intelectuais – aparecem, quando o amadurecimento das estruturas o permite, mas as estruturas nervosas se desenvolvem antes e serão mais funcionais, na medida em que se exercitem os atos que uma determinada função possibilita. O processo de amadurecimento do sistema nervoso começa no quarto mês de vida do feto e se concluía na adolescência. No momento do nascimento o amadurecimento do sistema nervoso está se realizando. Inicia nas zonas subcorticais do cérebro avançando, progressivamente, para as zonas corticais. Por esta razão, com o predomínio da ação das zonas subcorticais, os movimentos do recém-nascido são, em grande parte, reflexos involuntários. Ao nascer, a criança apresenta os chamados reflexos primitivos, necessários para iniciar sua relação com o mundo exterior (sucção, micção, grito etc.). Esses reflexos desaparecem com o amadurecimento da zona cortical. Durante os seis primeiros meses de vida, temos a etapa do rastejar e do uso alternado dos dois lados do corpo. Esta é uma etapa cerebral rudimentar e simples. Já nesta fase, convém dar ao bebê todas as oportunidades para realizar movimentos. Manter o bebê em um ambiente sem estímulos não ajudará seu desenvolvimento. Também é necessário oferecer-lhe sons diversificados, para que possa aprender a distingui-los. Se um bebê é incapaz de ouvir corretamente, terá dificuldades para falar bem. Até os seis ou oito meses, os níveis de amadurecimento das áreas corticais sensitivas e motoras já permitem algum controle voluntário da musculatura e, os movimentos reflexos são suprimidos ou inibidos. Nesta primeira etapa da motricidade voluntária, os movimentos são imprecisos e parecem ocorrer ao acaso e sem finalidade concreta. É a fase em que surge o engatinhar. Trata-se de um momento crucial na captação de informação proprioceptiva e exteroceptiva. Esta informação vai se registrando na memória sensitiva na forma de engramas sensoriais, que permitem que a criança comece a tomar consciência de seu próprio corpo. É o prenúncio do chamado esquema corporal. A criança engatinha sobre suas mãos e joelhos e utiliza, simultaneamente, os dois lados do corpo, controlando braços, pernas, olhos, ouvidos e mãos. Ao invés de usar o cérebro e o corpo em lateralização alternada, o bebê aprende agora a usar os dois lados do corpo ao mesmo tempo e de maneira predeterminada. A isto chamamos “padrão cruzado”: uso simultâneo de ambos os lados do corpo para deslocar-se. Agora engatinha sobre as mãos e joelhos e, enquanto engatinha, usa simultaneamente as mãos e os joelhos direitos e esquerdos. Como a cabeça já não está mais sobre a superfície sobre a qual se movimenta, a criança aprende a usar os olhos ao mesmo tempo. O cérebro da criança começa a desenvolver a capacidade de assimilar duas sensações visuais distintas e simultâneas, enquanto também balbucia. O mesmo se aplica á audição. A partir do primeiro ano aparece a marcha e o lançamento. São capazes também de agarrar objetos que estão fixos. O amadurecimento se completa nas áreas corticais sensoriais e motoras. As fibras de associação entre as diferentes áreas sensitivas e motoras continuam seu amadurecimento, tornando possíveis funções cada vez mais complexas. O

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos número e tamanho das ramificações (dendritos) de numerosos neurônios aumentam, estabelecendo uniões com as zonas subcorticais e as zonas gnósticas e práxicas entre si. Este processo permite imprimir uma coordenação àqueles movimentos imprecisos e a criança os integra ao seu repertório de destrezas. Este período se caracteriza pelo começo de atividades exclusivas do gênero humano – falar e caminhar erguido. A criança começa a levantar-se sobre suas pernas, apoiando-se em móveis, ou na parede. A nova posição revela um mundo novo, no qual são necessárias distintas formas de equilíbrio. Usa as mãos de modo diferente. Até o mundo sonoro passa a ser diferente. À medida que adquire segurança em seus passos, caminha de forma mais estável e de acordo com um padrão mais coordenado (caminhar de forma coordenada é o resultado do engatinhar de forma coordenada, uma vez que os dois movimentos seguem o padrão cruzado). Entre os 3 e os 5 anos, o amadurecimento neurológico se completa nos campos da linguagem e nos grandes sistemas práxicos. Agora já é possível o controle voluntário da motricidade fina, assim como das operações de ajuste dos movimentos no espaço e no tempo. Um dos dois hemisférios cerebrais se converte em dominante e a criança desenvolve um predomínio lateral em seu corpo. Este processo começa aos dois anos de idade e se conclui aos seis ou sete anos. Nesse momento pode-se notar uma lateralidade preponderante (uso predominante do pé, olho, ouvido e mão, direitos, ou esquerdos). Os movimentos infantis se tronam cada vez mais complexos, à medida que a criança aprende a combinar uma série de ações segmentárias de seu corpo, organizando-as de acordo com um padrão de movimento. Com o treino e a experiência, esses padrões se tornam mais perfeitos e a criança os adapta, transformando-os em habilidades motoras (padrões motores executados com um objetivo concreto). A fase dos 2 aos 7 anos corresponde ao período sensitivo da aquisição de padrões motores fundamentais, verdadeiros núcleos cinéticos, que constroem as bases para uma motricidade futura mais complexa. A ampla e variada gama de ações motoras que, por inclinação natural, as crianças realizam para desenvolver seus padrões motores, provoca o amadurecimento das estruturas cerebrais e proporciona a organização neurológica completa. É uma época de aprendizagem básica em todos os setores, aprendizagem, na qual a psicomotricidade tem um papel muito importante, sendo por ela condicionada. Nesta fase, o pensamento e a ação se confundem e evoluem em conjunto. Para as crianças que não desenvolvem padrões motores maduros durante o período entre os 2 e os 7 anos, será cada vez mais difícil, à medida que passa o tempo, atingir padrões eficazes e, frequentemente, apresentam dificuldades na realização de habilidades mais complexas, tanto básicas, quanto desportivas. Com frequência, não se cuida adequadamente do desenvolvimento dos padrões motores fundamentais das crianças nessa fase, deixando que as experiências necessárias para seu desenvolvimento motor ocorram através de suas atividades lúdicas diárias. Mesmo que este período seja de grande riqueza e plasticidade, e as brincadeiras de algumas crianças sejam suficientemente variadas, uma educação eficaz deve cuidar da motricidade das crianças no ambiente escolar, da mesma forma que cuida da expressão oral e escrita, sem deixá-las por conta do acaso.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos

Padrões básicos de movimento trabalhados na Educação Infantil 3 anos 4 anos 5 anos Arrastar-se Engatinhar Caminhar (padrão cruzado) Pendurar-se Correr Balançar-se Saltar Equilibrar-se

Arrastar-se Engatinhar Caminhar (padrão cruzado) Pendurar-se Correr Balançar-se Saltar Rolar Braquiar Girar Cambalhota Lançar Bater a bola

Engatinhar Caminhar (padrão cruzado) Pendurar-se

“Marcha de soldado” Equilibrar-se

Correr Balançar-se Saltar Rolar Braquiar Girar Cambalhota Lançar Bater a bola “Marcha de soldado” Receber Equilibrar-se

Descrição da execução dos distintos padrões Arrastar-se: a posição inicial é: - deitado de boca para baixo - cabeça virada para o lado direito - braço direito em posição angular de maneira que os olhos possam fixar-se na mão - dedos da mão juntos - perna direita estendida - braço esquerdo dobrado, colocando a mão esquerda perto do peito - dedos da mão juntos - perna esquerda em posição de esquadro Movimento: arrastar-se para frente com o dedo grande do pé esquerdo e a palma da mão direita, ao concluir o impulso, o corpo fica na posição contrária, isto é: cabeça virada para o lado esquerdo, braço esquerdo em posição angular, colocando a palma da mão um pouco acima dos olhos, dedos juntos, perna esquerda estendida, braço direito dobrado, colocando a palma da mão perto do peito, perna direita em posição de esquadro.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos É importante que os movimentos se realizem de forma coordenada e que se aumente a velocidade, gradualmente. Engatinhar: o movimento deve ser em esquema cruzado, desenvolto e rítmico. - quando a mão direita se move para frente, a perna esquerda também se move para frente. Quando isto ocorre, a vista se dirige para a mão que se moveu para frente. - o engatinhar em esquema cruzado continua com a fase oposta, quando a mão esquerda e a perna direita se movem para frente, a vista (e não a cabeça) se dirige para a mão que se moveu para frente. - a palma da mão deve estar plana e voltada para baixo e com os dedos voltados para frente. Para ter êxito devem ser cumpridos os seguintes requisitos: 1. Avançar em esquema cruzado preciso. 2. Avançar com os joelhos separados à distância de um palmo da mão da criança. 3. Avançar com ritmo desenvolto. 4. Avançar com os dedos estendidos para frente. 5. Avançar, arrastando a parte de cima dos pés no chão. 6. Avançar, movendo perna direita e mão esquerda e vice-versa. 7. Avançar, dirigindo a vista para a mão que está à frente. Para que o engatinhar tenha eficácia no crescimento e na configuração neuronal, deve ser exercitado durante mais de 7 minutos seguidos a cada vez. Caminhar (padrão cruzado): a marcha se realiza, apoiando o pé do calcanhar até os dedos. As mãos balançam de modo sincronizado e alternado com as pernas. O padrão é cruzado, para forçar esse padrão é interessante que o dedo indicador da mão direita aponte, com certa ênfase, a ponta do pé esquerdo, dirigindo-se também o olhar e alternando-se o movimento direita/esquerda. A precisão e a coordenação são mais importantes que a velocidade – melhor será realizar o movimento devagar. O deslocamento deve ser feito, seguindo uma linha, por cima de uma passarela ou banco sueco. “Marcha do soldado”: na marcha, a mão direita bate suavemente o joelho esquerdo, quando este está levantado. A mão esquerda bate no joelho direito. Correr: a perna que impulsiona deve se estender rápida e completamente, para realizar bem sua ação. Para aumentar o comprimento do passo da corrida, o joelho da frente, que não está apoiado no chão deve ser mais levantado. Os braços balançam próximos das costelas e estão flexionados no cotovelo em ângulo reto, opondo-se às pernas. O padrão é cruzado. Deve ser realizado com ritmo, sem precipitações, dominando o corpo, evitando tensões. Cambalhota: se executa, apoiando as palmas das mãos no chão (para o impulso), apoiando a cabeça e deslizando-se sobre as costas, completamente encurvada, desde a nuca até o quadril. As pernas vão juntas e muito flexionadas e os calcanhares se apoiam junto aos glúteos, para facilitar a posição final em pé. Pode ser praticada para frente e para trás.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Rolar: deitado no chão, corpo esticado e braços ao longo do corpo, formando um todo que rola de lado, procurando não se desviar. Braquiação: consiste em se pendurar em uma escada horizontal, procurando passar, uma a uma, por todas as barras e voltar ao ponto de partida. Saltar: consiste em um desprendimento do chão, como consequência da extensão rápida de uma ou ambas as pernas, deixando o corpo suspenso momentaneamente no ar. O padrão consta de quatro etapas: 1. A posição prévia de agachamento, na qual os braços devem ficar estendidos por trás do tronco. 2. O desprendimento da superfície de apoio, que se produz pela extensão das pernas e pés, junto com o movimento simultâneo dos braços, para frente e para cima. 3. A fase do voo, na qual ocorre o que pretende com o salto – deslocamento do corpo em qualquer direção, lançar ou agarrar um objeto, manter um esquema rítmico etc. 4. A fase da queda, na qual se devem buscar boas condições de equilíbrio. Pendurar-se: manter-se com o corpo suspenso (sem contato com o chão). Essa suspensão se realiza por meio das mãos, das pernas, ou de ambas, que se agarram a algum tipo de suporte. Balançar-se: deslocar o corpo de forma pendular, enquanto se está suspenso em algum lugar. O balanço pode ser para frente, para trás, ou lateral e se produz, normalmente, com o auxilio do movimento simultâneo das duas pernas, ou se intensifica através dele. Girar: é o movimento mediante o qual o corpo muda de orientação, por meio de uma rotação em torno de um eixo longitudinal. O giro pode adotar diferentes formas: 1. Giro sobre a parte anterior de um pé. Ocorre mediante a rotação rápida da cabeça na direção do giro, acompanhada do movimento dos braços. 2. Giro no ar. A mecânica de execução é praticamente a mesma, porém, se realiza durante a fase de voo num salto. 3. Giro sobre a ponta de um pé e o calcanhar do outro pé. Utiliza-se para mudar a direção ou sentido, durante a marcha, ou corrida. Lançar: consiste em impulsionar um objeto no espaço, para que siga uma trajetória determinada. As formas mais normais de lançamento são as que se realizam com a mão, ou com o pé. 1. Lançamento com uma mão por cima do ombro. É a forma mais natural de lançar. Na fase preparatória, o corpo está voltado para o lado do braço que lança, a perna contrária está à frente e o braço que lança está deslocado para trás e dobrado pelo cotovelo, quase em ângulo reto. O lançamento se produz, mediante uma distorção do tronco, seguida do deslocamento horizontal do cotovelo para

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos frente e da extensão do mesmo, dando um passo com o pé correspondente para frente, para equilibrar-se. 2. Lançamento com o pé. O padrão se inicia com um movimento para trás com a perna que executa o chute, com o joelho flexionado. Na ação do lançamento, a perna que chuta se desloca para frente e a perna de apoio se flexiona ligeiramente. O braço oposto à perna que chuta se opõe a esta, para equilibrar a posição do corpo. Bater a bola: consiste em impulsionar sucessivamente a uma bola contra o chão. Quando a bola se aproxima do corpo, seu impulso se realiza mediante um movimento de flexo-extensão do cotovelo, mantendo a mão imóvel no prolongamento do braço. Para quicar a bola longe do corpo, durante uma corrida, o impulso se realiza com o movimento da mão. Receber: trata-se de segurar (normalmente com as mãos) um objeto arremessado. Ao receber o objeto, os olhos devem permanecer abertos e seguir a trajetória do mesmo. Os braços se colocam arqueados à frente do corpo. As mãos ficam com as palmas meio de frente, uma para a outra. Os dedos polegares próximos e os demais para cima. As duas mãos entram em contato ao mesmo tempo com o objeto, para agarrá-lo e absorvem o seu impacto com um movimento de flexão dos cotovelos, aproximando o objeto do corpo. Equilibrar-se: o equilíbrio é a capacidade de manter o corpo em uma posição estática, ou dinâmica, contra a força da gravidade. É um componente básico do movimento e constitui uma condição de toda ação motora eficiente. Esta habilidade fundamental deve ser desenvolvida juntamente com cada um dos padrões básicos, à medida que cada um deles o exija, nas suas distintas circunstâncias e formas de execução. Organização e estrutura dos circuitos neuromotores Os exercícios indicados se realizam integrados a um circuito neuromotor. É interessante integrar os diferentes exercícios em um circuito porque, torna-o mais atraente para a criança e facilita o trabalho da professora. Os circuitos serão compostos de três ou quatro estações. Em cada estação se exercita um padrão de movimento. Os alunos ficarão distribuídos em tantos grupos, quanto forem as estações planejadas. A experiência recomenda que a professora dedique mais atenção a uma estação por dia, pela qual todos os alunos irão passar, para que possa corrigir os movimentos que não se ajustam ao padrão. Os diferentes exercícios serão realizados de maneira gradual. Os exercícios serão mais difíceis para algumas crianças do que para outras. As dificuldades devem ser planejadas de maneira a evitar situações de incapacidade. Os exercícios propostos devem ser encarados pelas crianças e pela professora, com atitude lúdica e positiva, portanto, sem reprovações. Se uma criança não executa corretamente um exercício, a professora indicará a ela o que não foi bem feito, animando-a e mostrando-lhe o exercício bem feito por outro aluno ou dirigindo seus movimentos. É de

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos grande eficácia com as crianças, mostrar-lhes nossa aprovação sincera, mediante um sorriso, palavras de felicitação, aplausos... O tempo dedicado a cada exercício pode variar, mantendo um total de tempo de trabalho motor diário entre 20 e 30 minutos. Algumas crianças necessitarão de mais tempo, porque apresentam pouca habilidade, ou coordenação de movimentos. Nestes casos, convém informar à família e assessorá-la sobre maneiras práticas de auxiliar a criança a melhorar sua competência motora, fora do horário escolar. Cada circuito será praticado por, pelo menos, quinze dias e por, no máximo, um mês. Se as crianças estão desanimadas, ou pouco motivadas, o circuito pode ser modificado, antes de completar esse prazo. Nesta atividade é muito importante manter a rotina de trabalho - os exercícios que compõe cada circuito devem ser sempre os mesmos e na mesma ordem. Nas primeiras semanas de aula, a professora proporá exercícios motores, sem montar circuitos. Esses exercícios prévios têm como objetivo que as crianças aprendam a realizar bem cada um dos padrões, seguindo as orientações descritas. É o período em que aprendem a dirigir-se para o espaço de psicomotricidade, mantendo a ordem e a realizar muito bem, cada um dos padrões que serão trabalhados nos circuitos. Para isso é importante que a professora realize uma demonstração para as crianças, apresentando um modelo bem claro do padrão. A professora deve ter certeza de que cada uma das crianças realiza bem o exercício, ajudando-as no que for preciso. No início, é suficiente oferecer o modelo com clareza e deixar que a criança tente imitá-lo, sem esgotar todo o tempo. Dia a dia a duração da aula pode ir aumentando, até chegar ao previsto. A frequência diária e a qualidade com que se realizam os exercícios são mais importantes do que a quantidade de tempo dedicado à atividade. Os padrões serão incorporados, com uma variação progressiva. É importante não incorporar novos padrões aos circuitos antes que a maioria dos alunos tenha assimilado o que estão exercitando. Começa-se por um padrão: engatinhar. Como quase todos os alunos o realizam corretamente, pode-se acrescentar um segundo padrão e, assim, sucessivamente. A aula de psicomotricidade começa pela repetição, durante alguns minutos, do padrão já aprendido e, em seguida, as crianças exercitam um novo padrão proposto. Os circuitos motores são realmente eficazes, quando cada um dos movimentos, que se repetem, está bem feito, mesmo que sejam executados com lentidão. A rapidez e precisão, assim como uma melhor coordenação nos movimentos, serão adquiridas de maneira gradual. As crianças devem participar da aula, vestindo roupas adequadas – a professora também. É oportuno que as crianças realizem os exercícios descalços (ou com meias) para possibilitar a percepção das sensações táteis. Convém iniciar pelo engatinhar e pelo rastejar. No início é difícil realizar corretamente o movimento de rastejar, porque uma criança de três anos, já deixou de realizar esse padrão primitivo há algum tempo. No último ano da Educação Infantil já não se executa mais essa padrão. O padrão de equilíbrio pode ser realizado, em princípio, pisando sobre uma superfície acolchoada (um colchão) ou andando sobre um banco sueco. É muito interessante a experiência de utilizar algum tipo de balanço para os pés (prancha com molas) para treinar exercícios de equilíbrio.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos O padrão de pendurar-se, anterior à braquiação, pode ser praticado com uma corda com nós, ou com uma escada horizontal baixa. A braquiação também é difícil de ser realizada e convém iniciar, pendurando as crianças pelas mãos e fazendo com que se mantenham penduradas por alguns instantes. Assim perdem o medo. Começam, então, a avançar duas ou três barras, sempre seguros pela professora, até que consigam fazê-lo sozinhas. O exercício se torna mais fácil se é acompanhado por um ligeiro balanço do corpo, para impulsioná-lo para frente. O espaço da psicomotricidade Quando possível, os exercícios neuromotores da psicomotricidade devem ser realizados em um espaço destinado a este fim. O espaço da psicomotricidade deve contar com o seguinte material básico:  escadas de braquiação;  tapetes, ou colchonetes para cambalhotas e saltos;  pedestal baixo;  modelos para equilíbrio;  escorregador;  cilindro para rolar;  barras presas às paredes. O aparelho para braquiação pode medir até 3 m de comprimento, com 1,70 m de altura, espaço entre barras 28 cm e espessura da barra de 3 cm. Pode haver mais de um aparelho, com alturas diferentes, para o trabalho com as diferentes faixas etárias. É muito importante que esteja bem fixado ao chão. Quando não se dispõe de uma sala para a psicomotricidade, os exercícios podem ser realizados numa área externa: o jardim, a quadra de esportes, ou outro lugar do colégio, que não seja a própria sala de aula da criança. Convém prever também um espaço para exercícios informais ao ar livre. Podem ocorre durante o recreio das crianças, se é possível dispor de alguns materiais, tais como:  pneus ou câmaras de ar, pintados de cores vivas e colocados verticalmente, formando um túnel para engatinhar, ou horizontalmente, para saltar;  área gramada para rastejar, se possível, com uma inclinação suave;  labirintos, castelos etc.;  tanque de areia. 2. As audições Musicais O desenvolvimento da capacidade intelectual está associado ao desenvolvimento sensorial. Quanto mais exercitamos os diferentes sentidos, mais favorecemos o desenvolvimento global da inteligência e a capacidade para o aprendizado. Além das atividades de expressão musical incluídas na área de Comunicação e Representação estão programadas, para cada ano da Educação Infantil, as audições musicais. As audições musicais:

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos     

desenvolvem o sentido auditivo; facilitam a aprendizagem de outros idiomas; favorecem a capacidade de ouvir e a discriminação auditiva; cultivam a sensibilidade estética da criança e o gosto pela música; criam um ambiente adequado para a interpretação musical, a expressão pessoal e a criatividade.

A audição musical é uma atividade diária, de 2 a 5 minutos de duração, que deve estar cercada de um ambiente de alegria e atenção. Antes de cada audição, a professora dirá o nome do autor da peça, o nome da peça e o movimento. Por exemplo: vamos ouvir uma obra do compositor ANTONIO VIVALDI. As Quatro Estações: O verão. Concerto em sol menor. 2º Movimento – Adaggio. A professora transmitirá essas informações às crianças imediatamente antes de começar a audição. As crianças voltarão a ouvir essa informação básica no próprio cd, antes do início da audição. Enquanto as crianças se colocam sentadas para ouvir a audição e a professora prepara o cd, é interessante oferecer-lhes outras informações complementares, como alguns dados biográficos do autor, ou algumas noções culturais. Convém que a informação seja apresentada com entusiasmo e a professora também poderá utilizar “bits” de retratos dos autores, instrumentos musicais etc. Esta série de informações, ou brevíssimas explicações sobre os instrumentos, o tema, as características da música etc., incentiva a audição ativa. Há uma ficha para cada audição musical, contendo tais informações. A seguir, há um exemplo de uma série dessas fichas, que podem ser complementadas, ou modificadas. AUDIÇÃO MUSICAL Nº 1 – 3 ANOS PERÍODO: BARROCO COMPOSITOR: ANTONIO VIVALDI (1678-1741) AUDIÇÃO SELECIONADA: AS QUATRO ESTAÇÕES - 2º CONCERTO “O VERÃO” - 2º MOVIMENTO – ADAGIO DURAÇÃO: 2’27” BIT – ( ) SIM ( ) NÃO

INFORMAÇÃO CULTURAL A – BIOGRÁFICA Vivaldi é um compositor italiano. Nasceu no ano de 1678 em Veneza. Era sacerdote e ruivo, por isso era chamado de “o padre ruivo". De toda a Europa lhe pediam partituras e era muito famoso. B. MUSICAL Um concerto é uma peça musical dedicada a um instrumento. A orquestra acompanha. “As quatro estações” são um conjunto de quatro concertos cuja temática são as estações do ano: primavera, verão, outono e inverno.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos As crianças podem comentar dados da peça de que se recordam, porque ouviram há pouco tempo. Porém, a professora não deve provocar situações de avaliação a respeito da audição, fazendo perguntas às crianças, nem mesmo perguntas gerais (Quem se recorda de...?). Não existem avaliações diretas, nem imediatas, sobre o que as crianças aprenderam. Isso não significa que professora deva observar e estar ciente de quem assimila melhor uma nova informação. Podem também acompanhar a música com algum movimento, em silêncio, em seus lugares, fazendo de conta que tocam um instrumento ou acompanhando a música com gestos alegres etc. Deve-se ouvir a mesma peça musical durante duas semanas. A audição não deve ocorrer em momentos de muito relaxamento, como após o almoço, quando a atenção está mais oscilante e a percepção musical fica neutralizada – a criança ouve a música sem prestar atenção. É necessária a utilização de um equipamento de qualidade para a sala de aula. As gravações devem ter som claro, nítido, sem ruídos de fundo. O material deve estar preparado com antecedência, para que os programas previstos possam ser desenvolvidos, sem improvisos. É aconselhável que a cada equipe de professoras disponha dos seguintes materiais, desde o início das aulas:   

as gravações os bits as fichas com informações biográficas e culturais

Em algumas ocasiões pode ser interessante substituir a gravação, pelo filme de um concerto ou, por uma apresentação feita por alunos mais velhos. Para uma adequada estimulação auditiva é interessante oferecer a possibilidade de ouvir um registro de sons (graves-agudos) o mais amplo possível. Cada instrumento e composição musical têm seu registro de sons. Cada idioma, por sua vez, possui um registro distinto: quanto mais ricas, melódicas e variadas forem as audições musicais, mais a aprendizagem de diferentes idiomas será favorecida. A música mais adequada para essa faixa etária é a barroca, especialmente os movimentos lentos e melodiosos (que costumam ser o 2º dos três movimentos da maioria das composições barrocas). O canto gregoriano também é interessante e capta a atenção das crianças.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Audições para crianças de três anos 1. ANTONIO VIVALDI (1678-1741) As quatro estações: O verão. Concerto em Sol menor RV 315 2º Movimento (Adaggio) 2:27 2. GEORG FRIEDRICH HÄNDEL (1685-1759) Música Aquática. Suite Nº 2 em Ré maior Bourrée 1:21 3. ANTONIO VIVALDI (1678-1741) As quatro estações: O inverno. Concerto em Fá maior RV 297 2º Movimento (Largo) 1:49 4. CAMILLE SAINT-SAËNS (1836-1921) O carnaval dos animais Aquarium 2:31 5. JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750) Suíte orquestral Nº 2 em Sí menor Minuet y Badinerie 2:54 6. ANÔNIMO: CANTO GREGORIANO Puernatus in Bethlehem2:01 7. ANTONIO VIVALDI (1678-1741) Concerto Piccolo, RV 443 2º movimento 3:12 8. JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750) Concerto de Brandemburgo Nº 4, BWV 1049 2º movimento (Andante) 2:47 9. GIUSEPPE TORELLI (1658-1709) Concerto para trompete 1º movimento (Allegro) 1:54

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos 10. JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750) Tocata em Ré menor 2:42 11. ANÔNIMO: CANTO GREGORIANO Laetatus sum 2:21 12. ANTONIO VIVALDI (1678-1741) Concerto para flauta op. 10 nº 3, RV 428 "Il gardellino" 2º movimento (Largo) 2:32 13. ANÔNIMO: CANTO GREGORIANO Mandatumnovum do vobis1:43 7. ARCANGELO CORELLI (1653-1713) Concerto grosso op. 6 nº 8, em Sol menor "de Natal" 2º movimento (Allegro) 2:30 15. JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750) Concerto para violino, cordas e baixo contínuo em Mi maior BWV 1042 3º movimento (Allegro Assai) 2:37

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Audições para crianças de quatro anos 1. ANTONIO VIVALDI (1678-1741) Concerto op.3 nº 1 em Ré maior, RV 549 "L'estroarmonico" 1º movimento (Allegro) 3:50 2. JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750) Suíte Nº 2 para orquestra Polonesa 3:04 3. ANÔNIMO: CANTO GREGORIANO Alleluia Dies Santificatus2:28 4. ANTONIO VIVALDI (1678-1741) Concerto para 2 violinos em Lá maior, RV 552 3º movimento (Allegro) 3:29 5. ANTONIO VIVALDI (1678-1741) Concerto op 8 nº 5, RV 253 "La tempestadi mare" 1º movimento (Allegro) 2:52 6. CAMILLE SAINT-SAËNS (1836-1921) O carnaval dos animais Marcha do leão 1:59 7. JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750) Suíte orquestral Nº3 Air 4:26 8. ANÔNIMO: CANTO GREGORIANO Kyrie fonsbonitatis4:05 9. GEORG FRIEDRICH HÄNDEL (1685-1759) Música Aquática, Suite Nº 3 Hornpipe 3:00 10. JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Concerto de Brandemburgo Nº 6, BWV 1051 3º movimento (Allegro) 11. CAMILLE SAINT-SAËNS (1836-1921) O carnaval dos animais O elefante 1:22 12. GEORG PHILIP TELEMANN (1681-1767) Concerto em Ré Maior para trompete e 2 oboés 1º movimento 13. ANTONIO VIVALDI (1678-1741) As quatro estações: A primavera. Concerto em Mi menor RV 268 3º Movimento (Largo) 3:53 14. GEORG FRIEDRICH HÄNDEL (1685-1759) Música Aquática. Suíte Nº 2 em Ré maior Coro 1:23 15. FELIX MENDELSOHN BARTHOLDY (1789-1847) Romance sem palavras "Canção de primavera"

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Audições para crianças de 5 anos 1. ANTONIO VIVALDI (1678-1741) As quatro estações: A primavera. Concerto em Mi maior RV 269 1º Movimento (Allegro) 3:16 2. C. DEBUSSY A menina dos cabelos de linho Prelúdio para piano solo 3. CAMILLE SAINT-SAËNS (1836-1921) O carnaval dos animais. O Cisne 3:04 4. ANÔNIMO: CANTO GREGORIANO Puernatus est nobis3:40 5. JOHANN PACHELBEL (1653-1706) Cânone em Ré maior Canon 3:50 6. GEORG FRIEDRICH HÄNDEL (1685-1759) Concerto para harpa em Sí bemol, op. 4, Nº 6 Larghetto 4:40 7. WOLFGANG AMADEUS MOZART (1756-1791) Concerto para violino Nº 5 em Lá maior 2º movimento (fragmento) 5:00 8. JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750) Concerto de Brandemburgo Nº 1, BWV 1046 1º movimento (Allegro) 3:56 9. GEORG FRIEDRICH HÄNDEL (1685-1759) Música para os reais fogos de artifício La rejouissance 3:41 10. ANTONIO VIVALDI (1678-1741)

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Concerto para dois bandolins em Sol maior, RV 532 3º movimento (Allegro) 3:50 11. JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750) Concerto de Brandemburgo Nº 2 em Fá maior, BWV 1047 1º movimento (Allegro) 5:21 12. HENRY PURCELL (1658-1695) Trumpet Tune and Air 2:52 13. ANÔNIMO: CANTO GREGORIANO Ave MundiSpes María 4:22 14. ALESSANDRO MARCELLO (1684-1750) Concerto para oboé, corda e baixo contínuo em Ré menor 2º movimento (Adagio) 4:22 15. TOMASO ALBINONI (1671-1750) Concerto para trompete op.7, Nº 3 2º movimento 2:25 16. JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750) Concerto para oboé em Ré menor 2º movimento 3:04

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos 3. Os Passeios de Aprendizagem Passear aprendendo e aprender passeando, poderia ser uma descrição resumida desta situação de aprendizagem, que consiste em realizar um breve passeio diário pelo colégio, exteriores, jardins etc. Tal atividade oferece grandes possibilidades de aprendizagem para as crianças e a possibilidade de melhorar o grau de empatia entre a professora e os alunos. A barreira das paredes da sala de aula é rompida por meio dos passeios, que possibilitam maior contato com a natureza e uma aprendizagem diretamente dela, em um ambiente de alegria e tranquilidade. É uma situação de aprendizagem para a criança: um conjunto de atividades que desenvolve a motricidade, os sentidos, a memória e os hábitos de conduta. A aprendizagem por meio do passeio pode ser dividida em três momentos: a) Em primeiro lugar, indicar o motivo do passeio (vamos dar um passeio para...). Quando a professora prepara as crianças para o passeio, deve recordar-lhes as normas básicas de comportamento a serem respeitadas, ressaltando alguns aspectos como: ficar perto da professora, percorrer o caminho sem gritar, não incomodar outras crianças, durante o percurso. Durante os primeiros meses é importante que os alunos adquiram alguns hábitos de ordem e atenção, que permitirão obter maior rendimento dessa estratégia de aprendizagem. b) A realização do passeio, por si só, é uma situação que permite observar a espontaneidade dos alunos e incentivar atitudes positivas perante a aprendizagem. c) Na volta à classe, as crianças podem realizar diversas atividades relacionadas com o passeio, como fazer um desenho, ou conversar sobre o que foi observado. O passeio deve ser diário, com hora fixa para o início, sempre a mesma, e com duração de, no máximo, 15 minutos. O itinerário deve ser programado com antecedência e as paradas relacionadas com a informação que se quer transmitir às crianças (vocabulário). É importante cuidar para que todas as crianças estejam ouvindo e olhando o objeto indicado e, para isso, pode ser conveniente que se organizem em volta da professora, que deve falar alto e claro. Em cada parada, a professora deve indicar o objeto e seu respectivo nome. Os nomes dos objetos devem ser precisos – não servem as generalizações (árvore) – é necessário especificar (araucária, mangueira, cipreste etc.). Este vocabulário é determinado de acordo com o progresso de cada grupo de crianças. Durante o passeio, a professora não fará perguntas às crianças, a respeito do vocabulário que estão aprendendo e permitirá que as crianças fiquem suficientemente à vontade, para nomearem espontaneamente, os objetos observados. A informação prevista será transmitida, empregando-se sempre os mesmos termos. Os passeios devem conter 10 nomes de objetos. Cada passeio será repetido durante 2 semanas. Nos passeios da primeira semana, a professora irá nomeando os objetos. Na segunda semana, a professora ampliará a informação, dando mais alguma característica dos mesmos 10 objetos, uma vez que a maioria das crianças já assimilou os dados anteriores. As crianças conseguem desenvolver sua curiosidade intelectual, sua capacidade de observação e análise. Enriquecem muito seu

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos vocabulário, quando a professora as ajuda a observar as formas e os detalhes, que lhes permitam descrever adequadamente os objetos observados. Em cada passeio, além dos nomes dos objetos, a professora transmite às crianças, alguma informação que implique na utilização de um conceito básico (é diferente de, está acima, junto a...). Para cada passeio, se trabalham no máximo três conceitos básicos diferentes. Cada professora deve preparar uma programação anual de passeios, estabelecendo os percursos e o vocabulário concreto que deve ser aprendido, assim como os conceitos básicos que podem ser trabalhados em cada um deles. Os itinerários dos passeios variam de acordo com a faixa etária das crianças. Para um melhor aproveitamento da atividade, quando as classes ultrapassam o número de 30, é conveniente dividir em dois grupos de alunos. Enquanto um grupo realiza o passeio, o outro fará uma atividade em sala de aula. Também pode ser uma experiência interessante realizar, em alguns dias, um passeio em inglês, além do passeio programado. Outra experiência que costuma trazer bons resultados é programar uma excursão mensal pelo colégio. Trata-se de um passeio mais longo, no qual se repassa o vocabulário e se realizam atividades, como recolher folhas, observar coisas novas etc. Apresentamos a seguir, um modelo de ficha de passeio, para facilitar a programação.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos FICHA DO PASSEIO DA CLASSE ....................................: CONCEITOS BÁSICOS

ESQUEMA

1. Acima

___________________________________

2. Através

PARADA 1

3. Longe

LUGAR:

4. Junto a

VOCABULÁRIO:

5. Dentro

C. BÁSICOS:

6. Algumas, porém poucas

___________________________________

7. No meio

PARADA 2

8. Poucas

LUGAR:

9. Mais longe

VOCABULÁRIO:

10. Em torno de

C. BÁSICOS:

11. Em cima

___________________________________

12. Mais larga

PARADA 3

13. Mais

LUGAR:

14. Entre

VOCABULÁRIO:

15. Inteira

C. BÁSICOS:

16. Mais perto

___________________________________

17. Segundo

PARADA 4

18. Esquina

LUGAR:

19. Vários

VOCABULÁRIO:

20. Atrás

C. BÁSICOS:

21. Fila 22. Diferente 23. Depois 24. Quase 25. Metade

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos 26. Centro 27. Tantas 28. Lado 29. Começando 30. Outro 31. Semelhante 32. Nem primeiro, nem último 33. Nunca 34. Debaixo 35. Faz par com 36. Sempre 37. Tamanho médio 38. Direita 39. À frente 40. Zero 41. Por cima 42. Cada 43. Separadas 44. Esquerda 45. Par 46. Saltar 47. Igual 48. Em ordem 49. Terceiro 50. Menos

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos 4. Os Bits A. Os Bits de Inteligência Um dos objetivos do projeto é proporcionar às crianças uma gama variada e rica de estímulos. A criança, ao nascer, tem um enorme potencial intelectual e um ambiente rico em estímulos favorece que esta capacidade se desenvolva. Antes dos 8 anos, o cérebro está se configurando em um ritmo surpreendente e possui uma grande capacidade de assimilar informação. Com a estratégia dos bits, estamos proporcionando uma grande quantidade de estímulos de forma lúdica, sem criar tensões, sem obrigar; como uma forma de aprender sem esforço e divertida. O conhecimento se baseia na informação assimilada de fatos como: palavras, números, imagens etc. As crianças aprendem a falar, ler e escrever, ao mesmo tempo em que estão adquirindo informações sobre ciências, arte, música, cultura... Sobre tudo o que interessa ao homem. Os bits de inteligência proporcionam uma grande quantidade de informação, rica e complexa, que, apresentada à criança de forma adequada ao seu momento evolutivo, tornase um meio muito eficaz de estimular a atenção e a memória e de incentivar seu interesse pela aprendizagem. Os objetivos fundamentais que buscamos atingir através dos bits de inteligência são: o desenvolvimento da memória visual e auditiva, a criação de redes neuronais de informação, o aumento da capacidade de retenção da informação, o desenvolvimento da inteligência, aprendendo a relacionar umas informações com outras e a criação das bases para a aquisição de futuros conhecimentos. Os bits de inteligência podem ser considerados como uma oportunidade inigualável para proporcionar às crianças uma linguagem rica, que lhes facilite alimentar a fantasia, a curiosidade e, além disso, a formar as bases para o pensamento científico. Tratase de uma ferramenta que contribui para a aprendizagem oportuna da leitura, estimula a inteligência, aumenta o vocabulário, melhora a capacidade de atenção, desenvolve a memória e a adequação da mente à realidade. Os bits de inteligência devem reunir as seguintes características:  Detalhes precisos. Os detalhes serão os apropriados, de maneira que o objeto possa ser identificado com clareza e sem deixar dúvidas. O traço do desenho, ou da fotografia, deve ser claro.  Um só conteúdo. Cada bit de inteligência terá um só elemento de conteúdo, um só objeto. Não serve, por exemplo, um bit no qual aparecem diversos animais, quando a intenção é mostrar apenas um deles.  Informação correta. A informação que forma parte de cada bit deve ser exata, de interpretação inequívoca. Por exemplo, uma andorinha deve ser apresentada como ANDORINHA e não como “pássaro pequeno”.  Novo, claro e grande. Ainda não conhecido pela criança, sem outros elementos que distraiam sua percepção e do tamanho adequado para que se perceba com facilidade.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Se faltar alguma dessas características, não é um bit de inteligência e não deve ser incluído na programação. Se todas as características estão presentes, pode ser considerado como tal e será facilmente assimilado pela criança. As coleções de bits Cada coleção é composta por 10 bits. A seleção dos temas sugeridos foi realizada, considerando-se temas de interesse para as diferentes faixas etárias. A cada mês são trabalhadas duas coleções. Bits para crianças de 3 anos Árvores Instrumentos musicais Rafael Murillo Bandeiras da América Latina Insetos Dinossauros Monumentos da cidade Aves Autoretratos de pintores Silhuetas dos Estados do Brasil Flores Monet Animais do mar (1) Bits para crianças de 4 anos Mamíferos Sinais de trânsito Van Gogh Bandeiras do mundo Velásquez Quadros do Museu do Prado Leonardo da Vinci Escritores brasileiros Mamíferos Monumentos do mundo (1) Compositores Pintores brasileiros Inventores Obras primas da escultura Plantas de interior Bits para crianças de 5 anos Músicos

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Polígonos Picasso Animais do Brasil Prêmios Nobel Animais do mar (2) Personagens famosos Manet Exploradores Monumentos do mundo (2) Obras primas da arte Goya Animais silvestres Pedras preciosas Desportistas famosos Confecção dos bits de inteligência Para a confecção dos bits são necessários os seguintes materiais:  Cartolina branca forte de tamanho 28 x 28 cm aproximadamente;  Foto ou ilustração precisa, de um tamanho nunca inferior à metade da superfície da cartolina;  Caneta de ponta grossa;  Cola;  Plástico para plastificar, ou papel tipo contact. As imagens selecionadas devem ser coladas sobre as cartolinas, procurando que haja contraste suficiente entre a figura e o fundo branco. No verso da cartolina se escrevem a categoria a que pertence o bit e as dez informações referentes à imagem. Convém que a cartolina seja suficientemente rígida, para que não se dobre com o uso. Tendo em conta as características anteriores, as imagens também podem ser obtidas pelo computador, utilizando-se uma impressora de qualidade. Como se organizam as informações Cada coleção deve ter, em média, dez bits e, cada bit, dez informações. Em alguns casos, dependendo da categoria, pode haver mais, ou menos bits, podendo ocorrer o mesmo com as informações. As informações devem ser organizadas em uma ordem específica, começando sempre pela informação mais simples e finalizando com a mais complexa. Cada vez que se monta uma coleção de bits de Inteligência é necessário estabelecer um critério para a seleção e organização das informações. A seguir, apresentase uma sugestão para organizar as informações em bits sobre obras de arte. Este é um exemplo e muitos outros podem ser escolhidos, lembrando-se que, sempre se deve estabelecer um critério que sirva de base para a organização e que deve ser o mesmo para os dez bits: 1. Nome do artista

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos 2. Onde foi produzida a obra 3. Que tipo de obra é 4. Tema da obra 5. Algum detalhe da obra 6. Quando foi feita e em quanto tempo foi concluída 7. Técnica utilizada 8. Algum fato interessante relacionado à obra (de preferência, divertido) 9. Onde se encontra a obra 10. Alguma informação sobre o artista Uma vez escolhidos os bits e decidido o critério de organização das informações, passa-se à etapa de buscar as informações referentes a cada bit. No caso de crianças da Educação Infantil, caso seja considerado mais conveniente, algumas informações poderão ser suprimidas, mantendo-se o critério para organização das mesmas. A técnica dos bits A apresentação dos bits deve ser feita em um ambiente tranquilo, na sala de aula. As crianças devem permanecer em silêncio. Os bits são apresentados às crianças durante 2 minutos, duas vezes ao dia, em seções diferentes e espaçadas (manhã e tarde). Em uma das vezes, as crianças estarão sentadas em grupo coloquial e os bits serão passados de uma só vez. Na outra vez, os bits serão passados enquanto as crianças estiverem nos cantos de atividades, em equipes. Com isso, conseguimos que as crianças mais dispersas, também fiquem atentas. A professora deve iniciar a atividade, anunciando o tema da coleção: tenho aqui, algumas aves, que mostrarei a vocês... Em seguida, mostra rapidamente os bits, enquanto lê as informações anotadas no verso de cada figura. A mesma coleção é apresentada durante duas semanas. Na segunda semana, quando as crianças já conhecem as figuras, a professora pode alternar diariamente, a sequência de apresentação. Nos primeiros três dias, a professora dará apenas uma informação sobre cada bit. Nos três dias seguintes, duas informações e nos dias restantes, poderá incluir mais algumas, se perceber que as crianças estão assimilando bem. Cada classe deve ter um jogo completo das coleções de bits que serão passadas ao longo do ano. Algumas coleções de bits, que já tenham sido vistas, podem ser utilizadas nos cantos de atividades, para que as crianças possam brincar com elas. Essa técnica também pode ser aplicada à leitura (bits de palavras e frases), para a aquisição de vocabulário em português e inglês e a outras atividades de aprendizagem. B. Os bits de leitura São bits de palavras para a leitura global. Os bits de palavras serão passados três vezes ao dia (manhã, tarde e em grupo coloquial e/ou cantos de atividades) durante alguns segundos, cada um.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos A professora anuncia a palavra de forma clara e segura. Ao segurar o bit, deve tomar o cuidado de não cobrir parte da palavra com sua mão. As crianças devem estar sentadas no chão, em fileiras, de frente para a professora, para que possam visualizar os bits corretamente. A seguir um exemplo de como trabalhar os bits de leitura: 1º dia: a professora irá apresentar a palavra osso; 2º dia: a palavra osso será apresentada novamente; 3º dia: a professora trabalhará a palavra osso e a palavra oca – nesta ordem; 4º dia: palavras: osso, oca, olho; 5º dia: osso, oca, olho, orelha; 6º dia: osso, oca, olho, orelha, ovo; 7º dia: osso, oca, olho, orelha, ovo, ouriço; A cada dois, ou três dias e fora do momento de passar os bits para os alunos, a professora fará uma atividade, na qual as crianças possam manipulá-los, favorecendo assim, a sua interiorização:  a professora espalha os bits no chão e pede que cada criança entregue a ela um determinado bit;  esconde um e pergunta às crianças qual está faltando;  as crianças devem procurar uma letra já trabalhada, nas palavras dos bits;  combinar substantivos, adjetivos e verbos, formando jogos de palavras ou frases com os bits já trabalhados;  apresentar desenhos, ou imagens das palavras;  relacionar os desenhos com as palavras;  com os adjetivos, artigos, pronomes e conjunções, ajudar as crianças a formar frases, acrescentando-os aos substantivos já trabalhados. A professora pode confeccionar um jogo de bits, com o nome das crianças de sua classe. C. Os bits de matemática (numeração e cálculo) Os bits são um apoio para a aprendizagem da matemática. Com esta técnica aplicada ao descobrimento das quantidades, da numeração e do cálculo, aproveitamos a capacidade de memorização das crianças e a sua facilidade de passar do particular para o geral. Como se tratam de uma estratégia de aprendizagem, o desenvolvimento lógicomatemático ficaria muito incompleto, se estivesse limitado à aprendizagem dos bits: é necessário desenvolver os conceitos matemáticos por meio dos jogos e da manipulação. Os bits de matemática devem ser passados duas vezes por dia (manhã e tarde), durante alguns segundos, cada um. A professora dirá o número, a quantidade, somas e subtrações, de forma clara e segura. Deve tomar cuidado para não cobrir parte do bit com sua mão. No verso da imagem, deve haver as anotações, escritas com letra grande e clara, a respeito da quantidade, ou operação que está representada no bit. As crianças devem estar sentadas de frente para a professora. Os bits serão nomeados sempre da seguinte maneira:

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos   

ao apresentar a quantidade, a professora diz: um, dois, três... ao apresentar os dígitos diz: um, dois, três... ao introduzir a operação da adição dirá: um mais um igual a dois, um mais dois igual a três, um mais...  ao introduzir a subtração dirá: dez menos um igual a nove, dez menos dois igual a oito, dez menos três igual a ... Duas vezes por semana e fora do horário da atividade de passar os bits, a professora fará uma atividade, na qual as crianças terão que jogar com os bits, para garantir sua interiorização:  deixando os bits no chão e pedindo para que peguem um determinado;  escondendo um e perguntando qual está faltando;  colocando junto ao bit, a quantidade de objetos que esse indica;  associando bits de dígitos, com os de quantidades;  contando de dois em dois, ou de três em três, sempre com números já conhecidos pelas crianças;  procurando o resultado de uma soma, ou subtração – sempre com as somas e subtrações já trabalhadas;  procurando quais as somas e subtrações têm o mesmo resultado.  Bits de matemática para crianças de 3 anos 1º dia – trabalhar o número 1, passando a quantidade e em seguida, o dígito; 2º dia – trabalhar novamente o número 1; 3º dia – continuar trabalhando o número 1; 4º dia - trabalhar o número 1 e o número 2, passando as quantidades e, em sequência, os respectivos dígitos; 5º dia – trabalhar novamente os números 1 e 2; 6º dia – continuar trabalhando os números 1 e 2; 7º dia – trabalhar os números 1, 2 e 3, passando as quantidades e, em sequência, os respectivos dígitos. A mesma técnica é adotada para todos os números, acrescentando-se um novo número a cada três dias. Ao se chegar ao número 10, retira-se o número 1 e se acrescenta o número 11. Em seguida, retira-se o número 2 e se acrescenta o número 12, de maneira tal que a coleção seja formada sempre por dez bits de quantidades e dez bits de dígitos. No primeiro trimestre se trabalha até o número 15  Bits de matemática para crianças de 4 anos Durante o primeiro mês, a professora fará uma revisão da numeração de 1 a 30, apresentando um número a cada dia e, acrescentando um novo por dia. Ao chegar ao número 10, retira-se o 1 e acrescenta-se o 11 e assim sucessivamente até terminar a revisão. A coleção será composta por dez bits de quantidades e dez bits de dígitos. A partir do 2º mês de aula, são introduzidos os novos números, sendo o primeiro o 31 (se apresentam do 22 ao 31, para que a coleção tenha sempre dez bits). Os bits serão

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos passados duas vezes ao dia, separando as seções. Até o terceiro dia serão trabalhados os mesmos números e depois, a professora continuará com a mesma técnica até o número 60, acrescentando um novo número a cada três dias. A partir do 5º mês de aula, a professora começa a introduzir a soma, acrescentando uma nova soma a cada semana. Pela manhã, a professora trabalhará as quantidades e os dígitos e, à tarde, na outra seção, trabalhará as somas com as quantidades e dígitos: 1º dia – trabalhar a soma 1 + 1, apresentando primeiro o bit de quantidade e, como segundo bit, o resultado. Em seguida se faz o mesmo com os dígitos; 2º dia – trabalhar a soma 1 + 1 novamente; 3º dia – trabalhar a soma 1 + 1 e a soma 1 + 2; 4º dia – trabalhar a soma 1 + 1 e a soma 1 + 2 novamente; 5º dia – trabalhar as somas 1 + 1, 1 + 2 e 1 + 3; 6º dia – trabalhar as somas 1 + 1, 1 + 2 e 1 + 3 novamente. A mesma técnica é adotada para todas as somas. Ao chegar ao 1 + 5, retira-se o 1 + 1, para poder acrescentar o 1 + 6 e assim sucessivamente, de maneira que cada coleção tenha cinco bits de somas de quantidades e cinco bits de somas de dígitos.

 Bits de matemática para crianças de 5 anos Durante o primeiro mês, a professora fará uma revisão da numeração de 1 a 60, apresentando dois números por dia e acrescentando dois novos por dia. A coleção sempre será composta por dez bits de quantidades e dez bits de dígitos. A partir de 2º mês de aula, são introduzidos os novos números, sendo o primeiro o 61 (se apresentam do 52 ao 61 para que a coleção tenha dez bits). A professora utiliza a mesma técnica emprega para as crianças de 3 e 4 anos, passando a quantidade e o respectivo dígito. No 3º mês de aula, a professora inicia as somas, na mesma ordem e com a mesma técnica e organização empregada com as crianças de 4 anos. No 5º mês de aula, a professora começa a introduzir a subtração. As coleções contêm as seguintes operações: 1º - subtração com minuendo de 1 a 9, com subtraendo 1. 2º - subtração com minuendo de 2 a 9, com subtraendo 2. 3º - subtração com minuendo de 3 a 9, com subtraendo 3. 4º - subtração com minuendo de 4 a 9, com subtraendo 4. 5º - subtração com minuendo de 5 a 9, com subtraendo 5. 6º - subtração com minuendo de 6 a 9, com subtraendo 6. 7º - subtração com minuendo de 7 a 9, com subtraendo 7. 8º - subtração com minuendo de 8 a 9, com subtraendo 8. 9º - subtração de 9 – 9

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos 1º dia – trabalhar a subtração 1 – 0. A professora apresenta primeiro o bit do minuendo, a seguir o bit que apresenta o subtraendo e, por último, o resultado. Apresentamse três bits, um após o outro. A professora diz: um menos zero é igual a um. Primeiro se apresenta a subtração com as quantidades e, em seguida os bits com as subtrações em dígitos; 2º dia – repetir; 3º dia – trabalhar as subtrações 1 – 0 e 1 – 1; 4º dia – repetir; 5º dia – trabalhar as subtrações 1 – 0, 1 – 1 e 2 – 0; 6º dia – repetir. A mesma técnica é adotada para todas as subtrações. Ao chegar ao 2 – 2, retirase o 1 – 0 para poder acrescentar o 3 – 1 e assim sucessivamente, de maneira que cada coleção tenha cinco bits de subtrações de quantidades e cinco subtrações de dígitos. 5. Organização da sala de aula em cantos de atividades A organização da sala de aula em cantos de atividades é muito apropriada para a dinâmica de uma classe de Educação Infantil. A alternância de variadas técnicas, oferecidas dentro de um planejamento organizado, facilita o trabalho da professora. Ela consegue dar atenção ao processo evolutivo de cada criança, ajudando-a a enfrentar as aprendizagens básicas, de acordo com seu nível de maturidade ao mesmo tempo em que não refrea o processo de crescimento geral. A organização em cantos permite uma grande versatilidade no emprego de recursos didáticos e estimula o interesse da criança, que encontra estímulos, para trabalhar se divertindo e se divertir, trabalhando. Por outro lado, esta organização permite que, em algumas situações, as crianças possam escolher entre várias possibilidades, promovendo o desenvolvimento da criatividade e da iniciativa pessoal. Neste ambiente, torna-se fácil ajudar à criança a se conhecer e a aceitar suas limitações, incentivando a superação pessoal, mantendo um nível alto de aspirações. Ao mesmo tempo, oferece muitas oportunidades de formação, com relação ao relacionamento com os demais colegas, e de exercício da solidariedade. Os cantos de atividades oferecem um modelo educativo especialmente adequado à Educação Infantil por suas características especiais:  potenciam a socialização, ao facilitar a realização conjunta de atividades e ao oferecer ocasiões de compartilhar espaços e materiais;  favorecem a autonomia da criança;  convertem a criança em agente de sua aprendizagem, porque pode explorar o entorno, manipular objetos, escolher entre diversas possibilidades de atividades e de brincadeiras, aplicar sua criatividade – aprender por ela mesma;  desperta a curiosidade e o interesse pelas diferentes atividades propostas;

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos 

facilitam a organização do espaço da sala de aula e ajudam a criança a situar-se nele;  favorecem a comunicação interpessoal, que desenvolve a linguagem. Além disso, esta organização dinâmica da sala de aula oferece, entre outras, as seguintes possibilidades:  as crianças podem trabalhar de maneira independente, ou em grupos com outros colegas, sem necessitar da presença constante da professora para ajudá-las;  facilita o ambiente de ordem: que cada coisa tenha um lugar e que haja um lugar para cada coisa;  cria um ambiente de atividade espontânea e organizada; ambiente agradável, que proporciona segurança. A organização da sala de aula em cantos de atividades consiste em organizar espaços dentro da sala, que determinem os lugares onde se realizam as diferentes atividades de aprendizagem individual e em pequenos grupos. Distribui-se o mobiliário e os materiais da maneira mais conveniente para que as crianças possam utilizá-los com facilidade. É interessante manter um espaço livre no centro da sala, onde as crianças se reúnem, sem que seja necessário alterar a disposição dos móveis. Esta zona dedicada ao trabalho coletivo tem muita importância na Educação Infantil. Também é interessante prever pequenos espaços que possibilitem o trabalho independente. Grande parte da habilidade profissional da professora da Educação Infantil consiste em estabelecer o equilíbrio entre as atividades programadas para grupos coloquiais, ou para o trabalho em cantos, com a atenção às necessidades individuais. Distribuição dos cantos na sala de aula O mobiliário é distribuído no espaço disponível de forma a compor diferentes cantos de aprendizagem e um espaço para o grupo coloquial. A quantidade de cantos de atividades deve se adaptar as possibilidades de cada colégio. Os seguintes cantos são considerados os mais apropriados para que se desenvolvam todas as áreas de aprendizagem: 1. 2. 3. 4. 5.

Linguagem-biblioteca – pré-leitura, leitura e escrita; Artes – pintura, modelagem etc; Sensorial e lógico-matemático; Experiências – observação e manipulação; Tecnologia.

Repetem-se em todos os níveis da Educação Infantil, com atividades e materiais diferentes. Os cantos podem ser nomeados de maneiras diferentes em cada nível da Educação Infantil. Os móveis não devem ultrapassar 1 metro de altura e, se possível, com rodinhas. Devem ser adaptados de modo que os materiais estejam à vista e ao alcance das crianças. Assim será um convite à atividade e ao trabalho. Convém posicionar próximos os cantos de

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos atividades podem relacionar-se pela atividade que realizam e, manter afastados aqueles cantos que necessitam de mais silêncio. Os limites entre um canto e outro devem ser mais ou menos definidos e, as estantes baixas e abertas, ajudam muito essa organização. Nos cantos não deve haver material, nem móveis desnecessários, ou que as crianças não possam manipular. Todos os materiais devem ser apresentados às crianças, durante o grupo coloquial, antes que sejam colocados à disposição para o trabalho nos cantos. As atividades dos cantos devem ser planejadas de acordo com a faixa etária e com o período de desenvolvimento das crianças. Por isso, para cada curso são planejadas atividades diferentes, se possível, sempre introduzindo materiais e técnicas novas.

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Recursos materiais Material comum: lousa magnética; livros variados sobre animais, plantas, profissões, países etc.; livros de figuras; gravuras de observação, atenção, inserção de frases etc.; estante de livros ao alcance das crianças. Deve ser muito atraente e expor as novidades e os livros relacionados com os centros de interesse; CDs de histórias gravadas, canções, trava-línguas, poesias; fichas de palavras, histórias etc.; fantoches; bits de leitura; outros materiais de acordo com a criatividade da professora, ou das próprias crianças, incluindo livros elaborados por elas. Material para 5 anos Livros de iniciação à leitura. Canto de Artes Material comum: vários aventais para as aulas com tinta; cavaletes: que podem ter dois lados, para que duas crianças possam usá-los ao mesmo tempo, ocupando pouco espaço. Deve haver pelo menos um por sala. Também podem ser feitos murais recobertos com material lavável, fixados às paredes; pincéis de cabo grosso; cartolinas, papéis de seda, celofane, papel crepom, jornais; tintas líquidas, giz de cera, lápis de cor etc.; massinha para modelar e argila; bolsa com pedaços de papel; bastão de cola;

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos        

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mesa de carpinteiro, com instrumentos adequados às respectivas faixas etárias. Material para 4 e 5 anos: argila; verniz; palitos de sorvete; sementes variadas; canetas hidrocor grossas; espirais de cadernos; agulhas de costurar lã. Canto de Experiências Material comum: potes de vidro, ou plástico, com algodão úmido e sementes para o acompanhamento da germinação e do crescimento das plantas. Cada criança pode ter o seu; gravuras de observação de flores, plantas, frutas, animais etc.; aquário com dois ou três peixes; gaiola com pássaros, ou coelho etc.; caracóis, conchas do mar etc.; coleções de pedras de diferentes tamanhos e cores; gravuras de diferentes estações do ano, paisagens, países, famílias de animais etc.; quando possível, ter um canto para uma pequena horta, ou jardineira, onde as crianças possam mexer na terra, semear, regar etc. com utensílios apropriados à sua idade.

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Canto Sensorial e Lógico-matemático Material comum: construções de madeira, plástico, ou outros materiais de diferentes tamanhos e formas; quebra-cabeças de diferentes medidas, cores e cenas; réguas; materiais de diferentes texturas, espessuras, sabores etc.; jarras com água fria e quente; blocos lógicos; material de atividades pré-matemáticas; medidas de peso e capacidade; balança de pratos; recipientes para líquidos; pequenas tábuas de lixa, com números; bits de números, conjuntos e operações simples.

Material para 3 anos Animais de borracha e bonecos de diferentes cores e tamanhos.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Material para 4 e 5 anos  Tecidos e papéis de diferentes texturas. Quando existe uma dificuldade relacionada ao pouco espaço da sala de aula, as atividades desse canto podem ser realizadas no espaço utilizado para os grupos coloquiais, sem mesas, trabalhando no chão.

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Canto de Tecnologia: um ou dois computadores; impressora; papel; software educativo.

Programa de atividades nos cantos A professora deve ter uma programação bem planejada, para que não se percam os objetivos que se pretende atingir: a) Assimilação de novos conhecimentos; b) Desenvolvimento de capacidades: atenção, observação, discriminação visual e auditiva, lateralidade, orientação espaço-temporal, coordenação motora e visualmotora, destreza manual etc.; c) Aquisição de hábitos de autonomia, higiene, alimentação, comportamento e piedade. Os objetivos devem ser atingidos por meio das atividades que são realizadas nos diferentes cantos. As atividades dos diferentes cantos devem ser programadas com antecedência, organizando os respectivos materiais que os alunos utilizarão. Na programação semanal das atividades a serem realizadas em cada canto, deve haver uma distinção entre as atividades obrigatórias – que todos os alunos devem realizar em primeiro lugar, e que correspondem aos objetivos fundamentais – das atividades secundárias – que podem ser escolhidas pela criança, quando já terminou a primeira. A atividade das crianças nos cantos A professora informa, no grupo coloquial, as atividades que serão realizadas naquele dia e distribui os grupos de trabalho. Os grupos devem ter no máximo 6 crianças. Um grupo permanece o mesmo pelo período fixo de 1 mês. As crianças podem dar um nome à equipe, com a ajuda da professora. A duração diária da atividade nos cantos é de 1 hora. As segundas e quartas-feiras de cada semana, a professora explica as atividades que serão realizadas nos próximos dois dias. As equipes passam pelos diferentes cantos (dois cantos por dia), para realizar as atividades individuais, ou em grupo, de modo que, ao terminar a semana, todas as crianças passaram duas vezes por cada canto. Esse sistema limita, em certa medida, a liberdade de atuação da criança, mas facilita a ela desenvolver a noção de ordem, e a situar-se no tempo semanal. Em um dia da semana, as crianças podem escolher o canto em que irão trabalhar. Se alguma criança se recusa a trabalhar, ou demora muito em um determinado canto, a professora a anima para que realize outras atividades.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos A professora deve estar totalmente pendente do trabalho das crianças nos cantos: observar, animar, orientar, corrigir com carinho, ajudar a um aluno ou grupo em particular, elogiar as atividades bem feitas etc. Durante o tempo destinado às atividades nos cantos, a professora está atendendo a um, ou outro, grupo de alunos, mas sua atenção deve estar em toda a classe. Sua posição dentro da sala deve permitir a observação de tudo o que acontece nos cantos. Ao final da atividade nos cantos, sentadas no chão, as crianças podem contar o que fizeram: é um momento de autoavaliação. É uma boa oportunidade de observação por parte da professora, pois as crianças costumam querer ensinar aos outros sobre aquilo que fizeram. Colaboração dos pais Nessa organização de trabalho, os pais têm a possibilidade de ajudar:  mostrando interesse pelas atividades realizadas por seu filho;  participando, dentro do possível, na confecção de algum material (preparando fantasias, enfeites, fornecendo materiais, construindo brinquedos etc.). Distribuição dos espaços A sala de aula não é um espaço a ser ocupado, mas um espaço a ser vivenciado. É um espaço aberto à intervenção, uma vez que os alunos põem em funcionamento suas capacidades de aprendizagem através da exploração, do contato direto e concreto com o espaço. Não se trata apenas de dividir o espaço, mas de que este seja cômodo, e convide à atividade. Cada sala de aula tem suas vantagens e inconvenientes. A distribuição dos móveis não deve ser permanente e pode ser modificada durante o ano. Por isso, oferecemos algumas orientações gerais:  a circulação dentro da sala deve ser fácil;  cada canto deve manter certa independência;  a decoração da sala deve ser abundante e renovada com frequência;  os materiais devem estar disponíveis às crianças;  é interessante que um dos cantos – o sensorial, por exemplo – disponha de um espelho grande, fixado à parede;  em todas as classes deve haver um mural grande na parede, que fique à altura das crianças, onde se expõe seus trabalhos, cartazes, calendário, relógio etc.;  um mural de cortiça para trabalhos, fotos etc.;  a área do grupo coloquial pode ser forrada, ou dispor de almofadas, que facilitem as diferentes atividades: reuniões, narração de histórias, trabalhos em grupo, jogos etc.;  a iluminação deve ser boa, para evitar esforços visuais;  alguns cantos podem ter ainda uma luz dirigida, como por exemplo, o canto de pintura e modelagem.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos 6. O Método de Leitura e Escrita A. O Método de Leitura Toda a metodologia exposta até esse momento deve servir como marco de referência, para se aplicar o método de leitura integrado no projeto Optimist. Embora a leitura não apareça como um conteúdo de ensino/aprendizagem nos parâmetros curriculares para a Educação Infantil é evidente que as crianças podem aprender a ler, logo que seu amadurecimento neurológico lhe permita. O desenvolvimento intelectual da criança, no segundo ciclo da Educação Infantil permite a leitura. Trata-se, portanto, de respeitar o período ideal do desenvolvimento e do aperfeiçoamento dessas capacidades. Se as crianças são adequadamente incentivadas e estão habituadas a olhar, tocar, ouvir em seu entorno, desde muito cedo, se encontram preparadas para distinguir as semelhanças e diferenças visuais, sonoras e táteis. Desde os três anos podem praticar a leitura de imagens significativas, para passar à leitura de códigos. É importante respeitar o ritmo de aprendizagem de cada criança, sem forçar, nem retardar a aprendizagem da leitura e estimular o desenvolvimento oportuno das atitudes que propiciam e incidem na leitura. Como por exemplo, a percepção visual e auditiva, a organização espaço-temporal, as capacidades de atenção e memória etc. Se as crianças recebem estímulos adequados e variados, logo se encontram em condições de iniciar a leitura.

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As crianças da Educação Infantil podem aprender a ler, pois: estão na melhor idade para isso; a curiosidade e o interesse natural por aprender tornam mais fáceis o processo de ensino e de aprendizagem; o programa de ensino/aprendizagem pode adaptar-se às necessidades, interesses e ritmo pessoal de cada aluno, sem a rigidez, que muitas vezes ocorre na etapa do Ensino Fundamental I (horários menos flexíveis, distintas áreas de aprendizagem, pressão social etc.); querem ler. A leitura as encanta. Sentem curiosidade e gosto pela leitura. A leitura é a diversão mais interessante para as crianças.

A aprendizagem leitora se reforça em um ambiente global, que estimula a leitura. Um ambiente de imersão linguística, no qual a criança está familiarizada com diferentes tipos de escrita: livros, cartazes, jornais, murais, cartas, que se encontram ao alcance de todas, sendo uma fonte de informação, de prazer e de satisfação de sua curiosidade natural. O desenvolvimento sensório-motor merece também uma especial atenção, porque torna possível uma organização neurológica correta. Do ponto de vista da leitura, a percepção visual e auditiva, tem importância especial. Perceber é reconhecer e comparar, captar determinados indícios para interpretar o percebido. As crianças reconhecem imagens e sons, comparando uns com os outros, descobrindo as diferenças e semelhanças.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Em Educação, chamamos método, a uma estratégia de organização do sistema de ensino/aprendizagem que favorece a aprendizagem dos alunos, de modo mais direto e eficaz possível. Inclui o planejamento didático, as técnicas, os procedimentos, os recursos etc. É importante ressaltar que a existência de um método não elimina as decisões que cada professor deve tomar diariamente, perante seu grupo de alunos, aos quais dirige o ensino. Todo método comporta uma margem de flexibilidade. O método de leitura proposto para o projeto Optimist é um método combinado, que pretende facilitar o desenvolvimento completo da criança, trabalhando os dois hemisférios cerebral. O método combinado facilita a prevenção de dificuldades na leitura e na escrita. Trata-se de um método global-analítico-sintético. Partindo do trabalho, da observação e intuição da criança, das palavras do seu entorno, vai-se avançando na leitura, ou seja, a partir de uma unidade significativa (a palavra) ajuda-se o aluno a descobrir e analisar (essa unidade), até reconhecer seus elementos menores. Em primeiro lugar, este método pretende contribuir para o desenvolvimento global da criança, potenciando as capacidades de atenção, discriminação visual e auditiva, seriação, memorização, associação e atribuição de significados. Aproveita o período sensitivo da curiosidade infantil, orientando-a para a aprendizagem da leitura e da escrita. Favorece deste modo, a compreensão do mundo que rodeia a criança, cheio de conteúdos culturais e sociais transmitidos através da linguagem. Este método possui as seguintes características: 1. Adequado ao momento de desenvolvimento das crianças Tanto os materiais, quanto as estratégias empregadas estão de acordo com a maturidade da criança e seu grau de interesse. Para que a criança possa ler com comodidade, o material oferecido está adequado à sua maturidade visual (letras maiores no início, com grande contraste - em vermelho sobre fundo branco). As características desses materiais variam de acordo com o amadurecimento infantil. 2. Respeita o ritmo de aprendizagem de cada criança É especialmente importante o respeito ao ritmo de aprendizagem de cada criança, para não forçá-la. Também interessa para aproveitar a dinâmica do grupo, para despertar o interesse de todos, permitindo que cada um possa perguntar e aprender. As crianças não começam a ler todas ao mesmo tempo, nem com a mesma idade, nem com a mesma perfeição. Isso depende muito da estimulação que cada uma recebe e da maturidade neurológica e linguística de cada uma. O método marca um ritmo-base, comum para todos os alunos, mas se complementa com a atenção dada a cada um deles. Esta atenção inclui exercícios individuais, da criança a sós com sua professora, de modo que, para cada criança, a professora proporá metas novas, de acordo com seus progressos. O ritmo-base determinados pelos materiais utilizados, pode ser modificado, seguindo o critério de avaliação da professora. Nessa fase, é normal que nem todos os alunos se encontrem em um mesmo nível e nem todos avancem com o mesmo ritmo. Um elemento que colabora com o ritmo próprio

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos de cada aluno são as atividades e jogos relacionados com a leitura e que são realizados nos cantos de atividades. É importante que as professoras lembrem, com frequência, aos pais dos alunos a ideia de que se colocam os meios oportunos para facilitar o processo da leitura das crianças, mas não se deve ter pressa, nem estabelecer comparações, que provoquem ansiedade e resistência por parte das crianças. 3. Motivador A leitura é uma atividade muito interessante e não pode ser vista como uma obrigação. Se a criança não demonstra nenhum interesse pela leitura, deve ser respeitada, porque seu amadurecimento trará esse interesse e sã inquietação. Além do mais, enquanto pinta e recorta, está captando o que dizem à sua volta e isto atua como um fator de motivação. A professora e a família devem oferecer à criança as oportunidades de aprender e ajudá-la a fazê-lo, mas nunca obrigá-la, ou forçá-la. A atitude da professora e dos pais deve ser paciente, evitando a ansiedade, para não prejudicar o desenvolvimento da criança. A atmosfera, que envolve as atividades de aprendizagem leitora, deve ser afetiva e acolhedora. O enfoque perante os exercícios de leitura deve ser muito positivo e alegre: a leitura é um prêmio. 4. Progressivo A aprendizagem leitora se desenvolve de modo progressivo. A leitura de imagens precede a leitura de textos. Para aprender a ler, a criança deve combinar três estratégias que se complementam:  reconhecer as palavras que já viu muitas vezes e que estão memorizadas;  descobrir palavras desconhecidas, graças ao contexto que conhece e às antecipações que este lhe permite;  decifrar a palavra mediante a análise de seus componentes. As aprendizagens são propostas em ordem crescente de dificuldade e com cada vez menos ajuda da professora. Começará pelas vogais e depois pelas consoantes. Estas últimas devem ser aprendidas, pelo critério da frequência de uso. Cada unidade de trabalho termina sempre com exercícios, que apresentem uma dificuldade superável pelo aluno. Para que a progressividade do método seja de fato respeitada, é muito importante a constância e a sistematização, assim como o trabalho diário. A progressão é marcada pelo próprio aluno, através de sua aprendizagem e, por isso, é muito necessária a flexibilidade e a elaboração de materiais, adaptados às circunstâncias. 5. Promove uma aprendizagem significativa O vocabulário e os temas apresentados à criança, têm significado profundo para ela, assim como também os passeios, os bits, as histórias... 6. Facilita a colaboração família-escola Os progressos das crianças são transmitidos aos seus pais, através de uma comunicação frequente do colégio com esses. Os pais podem facilitar uma educação

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos oportuna, através de brincadeiras e jogos, que favorecem especialmente a área do desenvolvimento sensorial e motor, estimulando a criação de circuitos neurológicos e o desenvolvimento de processos psicológicos, que influem positivamente na aprendizagem, também da leitura e da escrita. Resumo metodológico Estrutura do processo metodológico: 1ª Fase global – Inicia-se com a apresentação de uma pequena história ilustrada, em cursiva, contendo algumas palavras que devem ser apresentadas, de acordo com a sequência indicada na programação, destacando a que servirá como palavra de apresentação. 2ª Fase analítica – Continuar com a palavra de apresentação, de forma tal que seja possível extrair o fonema-grafema objeto de estudo. 3ª Fase sintética – Finalizar com unidades significativas – de maior ou menor amplitude – em torno do fonema aprendido. O ponto de chegada será a mesma história em letra bastão (de imprensa). Observações: a) O tratamento silábico se realiza de forma ativa e manipulativa, conduzindo sempre a palavras significativas. b) Os sinais diacríticos se apresentam desde o início, uma vez que estão presentes nas histórias trabalhadas. c) A grafia maiúscula se apresenta nos protagonistas das histórias e nos nomes das crianças da sala, para que seu conceito seja adquirido corretamente. Da mesma forma, também será utilizada no início das frases, cumprindo desse modo, o princípio metodológico básico de não apresentar imagens conceituais errôneas. d) A etapa fonológica será abordada através de todos os âmbitos sensoriais, incrementando, ou modificando a segmentação auditiva, os recursos fonomímicos, musicais, ou linguísticos. e) Em todo o processo a professora não deve antecipar aquilo que a criança é capaz de descobrir por si mesma e com seu próprio esforço. Para isso, serão propostas atividades significativas, de dificuldade adequada e crescente. f) É preciso estabelecer no método, um processo contínuo entre a recepção da informação (facilitada primordialmente pelos bits de leitura espontânea) e as descobertas do aluno diante do texto escrito, utilizando sua experiência/preparação prévia. Possibilita-se, assim, a construção da aprendizagem por parte do aluno.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos

EXPERIÊNCIA DIRETA

INFORMAÇÃO RECEBIDA

DESCOBERTA PESSOAL

MEMORIZAÇÃO

APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

ALUNOS DE 3 ANOS As crianças de três anos podem ler, mediante o reconhecimento perceptual, isto é, podem reconhecer palavras, perceber um estímulo visual e associá-lo a seu significado. Isso se dá se os estímulos visuais são apresentados a elas, levando em consideração o nível de amadurecimento da faixa etária (letras claras, grandes, pronunciadas em voz alta e moduladamente). Este tipo de leitura se denomina leitura espontânea, que é diferente da leitura sistemática analítico-sintética, que já pode ser acompanhada da escrita. Esta última requer uma precisa coordenação visual-motora, um maior desenvolvimento da memória e um maior domínio da linguagem falada (sem erros de pronúncia, por exemplo). O ambiente escolar é muito rico em estímulos linguísticos. A estimulação sensorial e motora é realizada, de modo especial, através das metodologias próprias do projeto Optimist. A preparação para a leitura inicia-se aos três anos, com a estratégia dos bits de palavras e a leitura espontânea de palavras e frases. Mediante a leitura dos bits de palavras se desenvolve a percepção visual e auditiva, melhora-se a capacidade de atenção e memória, ampliando o vocabulário da criança. Este sistema de trabalho apoia-se na apresentação da informação com a frequência, intensidade e duração adequadas à assimilação. Para a atividade de leitura são dedicados cerca de 30 a 40 minutos por dia, divididos em dois momentos diferentes. É interessante introduzir, o quanto antes, os artigos, adjetivos, verbos, pronomes e conjunções – e formar frases, acrescentando-os aos substantivos já trabalhados. Para reforçar a aprendizagem das palavras já trabalhadas, é interessante colocar as coleções de bits já aprendidas nos murais da sala, ou deixá-las no canto de linguagem, ou espalhá-las pelos diferentes cantos, para que as crianças possam brincar com elas. Duas vezes por dia, em horários diferentes dos que são passados os bits, as crianças brincam com eles, para garantir sua interiorização. A brincadeira pode ser:  deixar os bits no chão e pedir que nos entreguem um determinado;  esconder um e perguntar qual está faltando;  procurar, nas palavras, uma letra já trabalhada;

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos   

combinar substantivos, adjetivos e verbos, formando jogos de palavras ou frases, com os bits já trabalhados; apresentar desenhos das palavras; relacionar os desenhos com as palavras.

É interessante montar coleções de minibits e imagens, para os cantos. A professora pode confeccionar um jogo de bits com os nomes das crianças da classe. A experiência mostra que as crianças aprendem muito bem as primeiras palavras, depois, mais adiante, quando o ritmo e o número de palavras novas aumentam, algumas crianças aprendem todas as palavras apresentadas e outras não... Isso, porém não deve preocupar, porque com esse sistema de estimulação linguística através da leitura espontânea, está sendo preparado o terreno para o método de leitura, que começará de modo sistemático aos 4 anos. Os bits de leitura espontânea são passados às crianças, pelo menos, três vezes por dia. As crianças devem visualizar corretamente os bits. Os bits também podem ser passados durante as atividades de cantos. As palavras iniciais devem corresponder às vogais. A cartolina com a palavra é apresentada, por cerca de 10 segundos e a professora diz a palavra com voz alta e clara. Quando a professora percebe que a maioria das crianças reconhece a palavra, se acrescenta outra. A professora começa, perguntando qual é o primeiro bit e, em seguida, acrescenta-se o novo. A aprendizagem das primeiras palavras deve ser feita uma a uma, para evitar confusões e para que a professora possa observar se as crianças estão assimilando. Quando já reconhecem as primeiras palavras, a professora já pode propor brincadeiras com elas, deixando os bits no chão e pedindo a uma criança que pegue uma determinada palavra. Os exercícios de jogos com bits de leitura são muito importantes no processo de leitura espontânea e convém realizá-los, sempre que seja possível. A cada dia a professora introduz uma nova palavra, até completar uma coleção de dez bits de leitura. A partir daí, a cada vez que se introduz uma nova palavra, uma antiga é retirada. A professora pode:  colocar nos murais as palavras que são retiradas das coleções de bits de leitura, ou deixá-las nos cantos, para que as crianças possam brincar com elas;  criar um ambiente de expectativa e interesse, em torno da apresentação da palavra nova que é introduzida a cada dia. Para a correta aprendizagem das letras é conveniente que as crianças aprendam a identificá-las, progressivamente, através dos bits trabalhados, desenhando-as na lousa, repassando-as com o dedo etc. Convém fazer bits grandes das letras trabalhadas e brincar de reconhecer as letras nas palavras. ALUNOS DE 4 ANOS O tempo total dedicado à aprendizagem da leitura é de 45 minutos diários, distribuídos em três momentos: 1. jogos de leitura; 2. trabalho sistemático com os cadernos de leitura;

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos 3. atividades nos cantos. Os bits de leitura são apresentados às crianças, pelo menos três vezes por dia (uma delas durante a atividade nos cantos). Utiliza-se o mesmo processo que se emprega com os bits de imagens: passa-se uma vez toda a coleção, correspondente a cada letra do estudo. São os mesmos bits trabalhados no curso de três anos, mas as palavras são escritas em preto sobre fundo branco. As palavras que as crianças aprendem com os bits de leitura, são as mesmas nas quais se apoia o método de leitura com o qual se inicia este curso – contendo as letras e as sílabas de uso mais frequente. A professora apresenta a coleção correspondente à letra que estão trabalhando. A primeira das apresentações é a que da inicio à atividade de leitura do dia. É preferível que as crianças não adquiram o hábito de seguir com o dedo, ou com a régua, a leitura que realizam, ainda que não haja inconveniente se isso lhes dá segurança em alguns momentos da fase inicial. Atividades e jogos com bits e minibits Além das atividades indicadas a seguir, muitas outras podem ser planejadas, envolvendo associação, reconhecimento e atribuição de significado, tanto em atividades com todas as crianças, como nos cantos:  Deixar no chão os bits e pedir que nos entreguem um determinado.  Esconder um e perguntar qual está faltando.  Buscar nas palavras, alguma letra já trabalhada.  Combinar substantivos, adjetivos e verbos, formando jogos de palavras, frases, etc., com os bits já trabalhados.  Apresentar desenhos ou bits de imagens das palavras.  Relacionar desenho com palavra.  Com os artigos, adjetivos, verbos, pronomes e conjunções, podem formar frases acrescentando-os aos substantivos já trabalhados. A professora pode confeccionar um jogo de bits com os nomes das crianças de sua classe. A avaliação será contínua, e realizada durante todas as atividades de rotina; sendo a observação sistemática da leitura individual de cada criança a mais indicada para estas idades. É importante registrar o progresso de cada criança. Não se aconselha o processo de leitura individual das vocais. Com a introdução das consoantes, interessa mais que as crianças pratiquem com frequência a leitura individual de palavras, frases, ou inclusive de pequenas histórias, de acordo com as possibilidades de cada uma. Para essa atividade de leitura individual pode ser necessária a colaboração de outra pessoa, em classes com mais de 25 alunos. Será necessário elaborar algum material auxiliar para a leitura individual. Um bom momento para a leitura individual pode ser enquanto ocorrem as atividades nos cantos. É importante sempre repassar o que já foi trabalhado: letras e sílabas já estudadas - se possível, utilizando jogos.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Tem especial interesse o trabalho do Quarto dia, no qual as crianças recortam as sílabas, identificando-as, para formar novas palavras. A professora pode utilizar esse jogo com as sílabas, também nos cantos de atividades, para que as crianças brinquem com elas, fazendo o seu reconhecimento e formando palavras. Não há inconveniente em acrescentar sílabas novas, além das que se propõem, ficando isso ao critério da equipe de professoras. Trabalhar a sílaba – aspecto importante do método de leitura e escrita – não significa que as crianças farão leitura “silabada”. Se alguma criança, por sua imaturidade, faz essa análise, a professora deve orientá-la para que pense internamente a palavra, antes de dizê-la em voz alta. Nos cantos se pode brincar:  de formar palavras com sílabas grandes desenhadas em cartolinas;  de formar sílabas, ou palavras, com massa de modelar;  de desenhar, ou colorir sílabas;  de associar palavras e imagens;  com os minibits;  de ler, ou elaborar pequenas histórias;  de desenhar as histórias que conhecem;  etc.

Utilização dos cadernos de leitura Primeiro dia       

Passar a coleção de bits correspondentes à letra trabalhada. Apresentação da história, através da ilustração. Leitura pausada e expressiva da história pela professora. Diálogo sobre a história e reconhecimento visual de algumas palavras já trabalhadas nos bits. Apresentação da palavra da página seguinte à história. Leitura e reconhecimento desta palavra nos bits, escrevendo-a na lousa e procurando-a na história. Repassar com o dedo a letra grande, seguindo a direcionalidade adequada. Trabalho sobre o fonema/grafema de forma sensorial e variada:  Destacar o som, exagerando sua pronúncia.  Incorporar algum movimento corporal ou gesto etc.  Reproduzir a letra no chão, no ar, na lousa etc.  Nova leitura pausada e expressiva da professora. Segundo dia

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Passar a coleção de bits correspondentes à letra trabalhada. Reconstrução oral da história. Leitura pausada e expressiva da história, feita pela professora. Apresentação das oito palavras da terceira página. Ler as palavras em voz alta, ao mesmo tempo em que as crianças assinalam a palavra respectiva. Reconhecer nas palavras, as letras já estudadas.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos   

Construir frases com essas palavras. Deixar os bits no chão e pedir que uma criança pegue um determinado. Deixar a brincadeira livre com os bits. Terceiro dia

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Passar a coleção de bits correspondentes à letra trabalhada. Leitura pausada e expressiva da história. Distribuir antes, entre as crianças, os bits das palavras da coleção que está sendo trabalhada e que aparecem na história e outros, que a professora possa ter elaborado. Quando se chegar à palavra em questão, a criança que tem o bit deverá levantá-lo. Na metade da quarta página há cinco desenhos com a palavra correspondente escrita abaixo de cada um deles. Na outra metade se encontram essas mesmas palavras e outras que não têm nenhum desenho na página. As crianças devem:  Ler as palavras.  Identificar as palavras da metade inferior que estão acima. Assinalar as que não estão e localizá-las na página anterior  Identificar letras conhecidas nas palavras. Apresentação da grafia maiúscula:  Recordar o nome do menino ou menina protagonista da história.  Escrever seu nome em tamanho grande na lousa. Observar a primeira letra e seu tamanho grande.  Dizer nomes de meninos ou meninas da classe que comecem pela letra trabalhada. Escrevê-los na lousa.  Mostrar o bit do nome do protagonista da história. A professora escreve esse nome na lousa. Todas as crianças, ao mesmo tempo, leem as palavras escritas na lousa. Quarto dia

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Passar a coleção de bits correspondentes à letra trabalhada. Na metade da quinta página se apresentam às crianças quatro desenhos. Na outra metade estão escritas cinco palavras. As crianças devem:  Ler as palavras.  Identificar as palavras que tenham seu respectivo desenho. Assinalar a que não o tem e localizá-la na página anterior.  Construir frases com essas palavras.  Identificar letras conhecidas nas palavras. Apresentação da letra bastão (de imprensa). A professora faz a leitura pausada e expressiva da história em letra cursiva (ficha separada, não incluída no caderno de leitura), enquanto as crianças observam o tipo de letra em suas fichas. Não se pretende –de momento– que aprendam a ler este tipo de letra, mas que se familiarizem com ela. Reconhecerão visualmente algumas palavras. Devem sublinhar as palavras reconhecidas e desenhar o que mais lhes impressionou na

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos

história. Podem recortar seu desenho pela linha pontilhada e guardá-lo, montando uma coleção de histórias ilustradas por elas mesmas. Trabalhar nos cantos, com a parte direita da ficha: as crianças leem as letras ou sílabas que já conhecem. Ao observar que não possuem significado, quando separadas, tentam uni-las, formando palavras. Recortar cartõezinhos com sílabas e brincar de formar palavras. Depois podem colá-los em folhas e desenhar a figura correspondente. Podem formar várias palavras da coleção de bits trabalhada no momento. Quinto dia

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Passar a coleção de bits correspondentes à letra trabalhada. As frases da última página devem estar escritas na lousa. A professora lê as frases e depois todas as crianças leem, ao mesmo tempo. Estabelecer uma conversa sobre as frases escritas, para facilitar a compreensão.  Identificar as frases que têm a ilustração correspondente.  Reconhecer nas três primeiras frases as letras trabalhadas anteriormente.  Leitura da história da primeira página. A professora lê a história, interrompendo-a em alguns momentos, para que as crianças completem com a palavra correspondente.  Dramatização da história. As frases da última página de cada unidade estão estruturadas da seguinte forma: três são frases com letras já estudadas e outras três são frases simples da história, com palavras estudadas. Nestas últimas, aparecem letras ainda não estudadas, que servem para a leitura global da frase. À parte dos cadernos de leitura, existem fichas de leitura com frases que contêm fonemas/grafemas estudados anteriormente e que podem ser de grande utilidade para a professora. ALUNOS DE 5 ANOS O tempo total dedicado à aprendizagem da leitura é de 45 minutos diários, distribuídos em quatro momentos: 1. jogos de leitura; 2. trabalho sistemático dos cadernos de leitura; 3. leitura individual; 4. atividades nos cantos. Neste curso, é especialmente importante atender a cada aluno, individualmente, para que progrida no seu próprio ritmo. É necessário que as crianças leiam individualmente com a professora diariamente. A entonação deve ser muito observada e trabalhada pela professora, com atenção aos sinais de pontuação e à leitura compreensiva, através das perguntas das crianças. A atenção especial, individualizada, aos alunos que apresentem certo atraso leitor, assim como aos alunos novos, deve ser constante. Por isso, é recomendável que as salas com mais de 25 alunos, recebam a ajuda de outra pessoa para a leitura individual. Pela mesma razão, é interessante dispor de uma pequena biblioteca na sala, para que as crianças, que

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos tenham um ritmo mais acelerado, dediquem um tempo do dia à leitura de livros adequados ao seu desenvolvimento. Desde o início a professora se depara com o fato de que, os alunos têm diferentes níveis de leitura: em grupo coloquial a professora mantém um ritmo geral, comum para todos, e individualmente e nos cantos, ela trabalha de acordo com o ritmo de cada um. Tem sido uma experiência positiva nos colégios:  formar equipes para o trabalho nos cantos, de acordo com o nível de leitura. Alguma equipe pode continuar trabalhando com os cadernos de quatro anos;  que os alunos mais avançados sejam monitores de outros alunos e os ajudem a ler. A leitura de bits de palavras se realizará com novos bits de palavras (diferentes dos que se trabalham aos 3 e 4 anos). Os bits são passados três vezes cada dia. Duas vezes em grupo coloquial, para todo o grupo de alunos. A terceira vez pode ser enquanto os alunos estão trabalhando nos cantos – para o grupo de cada canto. É interessante realizar, com frequência, atividades de associação, reconhecimento e de atribuição de significado, tanto em grande grupo como nos cantos, como por exemplo:  Deixar no chão os bits e pedir que nos entreguem um determinado.  Esconder um e perguntar qual está faltando.  Procurar dentro da palavra, por uma letra, ou sílaba, já trabalhada.  Brincar de decompor palavras em sílabas, ou de formar palavras com sílabas.  Combinar substantivos, adjetivos, artigos e verbos formando jogos de palavras e frases, com os bits já trabalhados. A professora pode confeccionar um jogo de bits com os nomes das crianças da classe. Também é necessário confeccionar bits de frases, de sílabas e de letras para ler e brincar com eles. Trabalho sistemático dos cadernos de leitura Primeiro dia   

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Passar a coleção correspondente de bits. Apresentar a palavra chave; lê-la; reconhecê-la nos bits; escrevê-la na lousa; construir frases. Trabalhar com as sílabas, de forma sensorial e variada:  Destacar o som, exagerando sua pronúncia.  Repassar a palavra na lousa. A professora escreve as palavras trabalhadas na lousa. Dar especial atenção às sílabas que se trabalham. Escrevê-las à parte. A professora faz uma leitura pausada e expressiva das palavras da primeira folha e as crianças repetem a leitura. Observação e reconhecimento dos artigos, das letras maiúsculas e das palavras já conhecidas.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos 

Colocar (e escrever na lousa) o artigo (os possessivos, os adjetivos ou o trabalhado anteriormente) nas palavras. Segundo dia

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Passar a coleção de bits correspondente. Apresentar as dez palavras da parte esquerda da segunda página. Ler as palavras em voz alta, enquanto as crianças as indicam. Reconhecer nas palavras as letras trabalhadas na parte esquerda da folha. Observar os desenhos da parte direita e localizar seu nome na parte esquerda. Construir frases com as palavras trabalhadas. Escrever e ler as palavras na lousa. Buscar palavras que contenham a sílaba que se trabalha. Escrever e ler essas palavras na lousa. Terceiro dia

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Passar a coleção de bits correspondente. A professora lê as frases. Procurar a frase que corresponde a cada ilustração. Observar a letra maiúscula no começo de uma frase e os sinais de pontuação. Localizar nas frases as sílabas conhecidas, com especial insistência nas que estão sendo trabalhadas. Quarto dia

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Passar a coleção correspondente de bits. A professora realiza uma leitura da poesia. Descobrir palavras novas e explicar seu significado. Localizar na poesia as sílabas conhecidas, com especial insistência nas que estão sendo trabalhadas. Quinto dia

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Passar a coleção de bits correspondente. Brincar com os minibits e as imagens do livro, por exemplo:  Localizar palavras iguais.  Associar palavra com desenho.  Formar frases; escrevê-las na lousa; fazer a leitura etc. Ordenar frases na lousa, ou com bits. Leitura de sílabas, palavras e frases.

B. A escrita Na escrita se unem dois aspectos, o perceptivo-motor (a escrita se realiza mediante o deslocamento do braço e da mão em um espaço e com uma direção) e o linguístico (uma vez que as palavras escritas transmitem a linguagem).

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Leitura e escrita são dois aspectos de um mesmo processo. Por isso é conveniente que exista certa simultaneidade no aprendizado. No entanto, em uma metodologia de aprendizagens oportunas não é possível uma sincronização total, pois a maturidade neurológica da criança lhe permite ler antes de escrever. Uma forma de amenizar essa ausência de sincronia consiste em, sempre que seja possível, proporcionar atividades paralelas, de modo que a criança reproduza graficamente aquilo que está lendo. A etapa do rabisco costuma desenvolver-se entre um ano e meio e três anos. Esta fase é necessária para que a criança possa chegar com êxito, às fases posteriores da aprendizagem da escrita. É interessante oferecer ocasiões de reforçar esta etapa prévia, nos primeiros meses de escolarização do segundo ciclo da Educação Infantil. Aos três anos, a criança é capaz de verbalizar o grafismo que realizou. Neste momento, no qual a criança pode desenhar círculos fechados, quadrados, retângulos, espirais, traços retos, etc. já é capaz, também, de traçar algumas letras isoladas, mesmo não sabendo reproduzir suas formas e trajetórias gráficas. Entre os quatro e os cinco anos consegue, progressivamente, alinhar as letras no espaço gráfico, na direção esquerda/direita. Rapidamente consegue dar-lhes sentido e compreende que as letras têm nomes e uma pronúncia. Também é capaz de localizá-las na palavra falada e escrita. É importante assinalar que as funções motoras que intervém na escrita têm um processo de amadurecimento lento, assim como o desenvolvimento da lateralidade corporal alcança um nível suficiente entre os 6 e os 7 anos. Por isso, as aprendizagens desenvolvidas na Educação Infantil (ainda que a maioria das crianças chegue a escrever sem problemas) devem ser consideradas como aprendizagens de pré-escrita. Em outras palavras, o trabalho da aprendizagem da escrita deve ser estendido até os oito anos, para garantir que a totalidade dos alunos encontre as ocasiões e o apoio necessários para escrever bem. A atividade grafomotora deve ser acompanhada de uma atividade psicomotora adequada, já que quanto mais evoluída esteja a motricidade geral, mais facilidade encontrará a criança para o desenvolvimento grafomotor. O projeto Optimist de aprendizagens oportunas incorpora o circuito neuromotor como atividade diária dos alunos. É importante oferecer uma rica estimulação geral, e especialmente cognitiva e motora, considerando sempre, que não se pode forçar o ritmo de progressão das crianças. Cada etapa do grafismo deve ser profundamente explorada, sem dar saltos que deixem lacunas em seu desenvolvimento. Como em toda aprendizagem, é necessário valorizar a motivação e o respeito ao ritmo pessoal da criança. Para que seja possível adequar o ensino aos distintos ritmos da aprendizagem, a professora deve observar os trabalhos e ajudar a cada um, no nível em que se encontre. Não queremos dizer com isto que se exclui a aprendizagem sistemática, com toda a classe, mas que a aprendizagem sempre é um processo fundamentalmente individual. A professora dever ter claro que os objetivos que a criança não consegue atingir produzem um efeito de rejeição à aprendizagem. A criança precisa ser colocada em situação de êxito. As fichas de grafomotricidade e escrita serão realizadas pelas crianças depois de numerosas atividades prévias, que assegurem o êxito na realização da tarefa.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Da mesma forma que a leitura, a escrita está presente na vida cotidiana da criança. O ambiente da classe também deve ser estimulante para a escrita. O ambiente de trabalho na classe deve ser tranquilo e alegre, e o tempo diário dedicado à grafomotricidade e escrita, prazeroso. Nos exercícios de pré-escrita e escrita se utiliza a letra cursiva vertical enlaçada. Os estudos dos especialistas nos revelam que este tipo de letra:  Não apresenta inconvenientes para a leitura da criança.  Reduz os problemas de direcionalidade.  Trabalha sobre a palavra como autêntica linguagem escrita.  Favorece a percepção global da palavra.  Ajuda à unidade do pensamento escrito como um todo.  É legível, clara e estética.  Favorece a velocidade.  Permite um movimento mais fluido na escrita. A grande maioria da produção escrita se realiza em letra de imprensa (script) e, por isso, é necessário que o aluno conheça ambos os tipos de letra. Uma vez que a letra cursiva é a que se vai utilizar na escrita, convém que seja também a letra pela qual inicie o processo de leitura. Uma vez dominada a técnica da leitura, a professora apresenta às crianças, textos de imprensa para leitura e reconhecimento. Desta maneira, ao finalizar o processo da aprendizagem da leitura e da escrita, a criança está capacitada a escrever em cursiva e a ler nos dois caracteres. Escolhemos a pauta quadriculada pelas seguintes razões:  Favorece de modo especial a atenção.  Facilita a aquisição de hábitos de ordem e a orientação no espaço.  É o meio idôneo para obter um traçado regular, uniforme, seguro e legível nos primeiros níveis de escrita.  É aconselhável para prevenir problemas de disgrafia.  Ajuda ao aluno a situar-se no espaço gráfico e (unido a um tipo de letra cursiva enlaçada) constitui uma eficaz prevenção contra os transtornos de leitura e escrita.  Com um esforço proporcional para o aluno, se consegue resultados gratificantes. Desde os três anos, dentro do círculo traçado no chão da classe, haverá uma pauta quadriculada grande, traçada com quadrados de 40 cm cada. Na lousa, haverá uma quadrícula na parte inferior, com 10 cm de largura cada quadrado. O instrumento de escrita será, em geral, o lápis macio e grosso. Não deve ser duro, já que impediria a percepção e organização das sensações, assim como a soltura no movimento. Em princípio, não se utiliza a borracha trifásica para apoio dos dedos, mas pode ser conveniente adotá-la para as crianças que seguram muito mal o lápis. Isso se fará por um tempo, para ajudar e ensinar a posição adequada, de modo que percebam a trajetória do movimento (modelo cinestésico). A preensão com a mão é mais cômoda se o instrumento de escrita é grosso.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Grafomotricidade para 3 anos O trabalho de grafomotricidade para três anos pretende desenvolver:  a discriminação auditiva e visual;  a organização espaço temporal;  a correta pressão e preensão do instrumento de escrita;  o domínio da mão. A dissociação de ambas as mãos;  a desinibição digital e a separação dos dedos;  a direcionalidade;  a coordenação óculo-manual;  o domínio do traço;  o processo de lateralização;  a pressão correta do instrumento de trabalho. Aos 3 anos a criança terá experimentado em profundidade a etapa do rabisco. É imprescindível que seja suficientemente explorada por meio de atividades como desenhar, colorir, preencher, riscar etc., para que a criança possa enfrentar com êxito as etapas posteriores e, para chegar à realização dos traços básicos anteriores à escrita: o vertical, o horizontal, o oblíquo, o espiral e o de volteio. Por esta razão, nos primeiros meses, especialmente fevereiro e agosto, é interessante dedicar tempo ao rabisco, ao decalque e ao pontilhado. As primeiras páginas do primeiro Caderno de Grafomotricidade têm este objetivo. O primeiro caderno só deve ser iniciado, após ampla exploração desses aspectos. Antes de trabalhar com as fichas do caderno, a criança realiza as atividades prévias programadas para cada grafia, uma vez que é necessário que o próprio aluno conquiste o domínio dos movimentos através da experimentação: deslocamento do corpo no espaço, o trabalho sobre superfícies grandes (lousa, chão...). Quando a criança automatizar estes movimentos, começam as atividades na folha de papel. Todos os dias devem ser realizadas atividades prévias às fichas.

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As atividades prévias serão as seguintes: Alguns exercícios de motricidade fina, para praticar duas ou três vezes diariamente. Observações de gravuras, crianças, objetos da classe ou do exterior nos quais aparece o traço que se está trabalhando. Atividades corporais e motoras: andar, correr, saltar, imitar com o corpo... Atividades com objetos móveis (carrinhos, bolas ou outros objetos) que possam percorrer o traço. Atividades com o dedo sobre o traço pintado, ou imaginado, (na lousa, no ar, etc.) Representação variada com distintos utensílios (giz, massa de modelar, cordas, caneta hidrocor, pintura de dedos) sobre diferentes superfícies (lousa, papel contínuo, areia, chão, etc.)

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos É interessante contar com a participação das crianças que podem sugerir movas atividades. Em seguida, a ficha de trabalho é apresentada e as crianças iniciam a atividade. O tempo diário dedicado à grafomotricidade, entre atividades prévias e ficha de trabalho (quando corresponda, pois estão previstas duas fichas semanais) será de vinte minutos. Para os alunos de três anos, a professora apresenta o traço completo a cores, para que a criança o repasse, em primeiro lugar, com o dedo indicador. Em seguida a criança trabalhará sobre uma pauta pontilhada, utilizando pintura de dedo, giz de cera macio, lápis de cor macios e grossos, ou caneta hidrocor grossa. Em algumas fichas de trabalho aparecem vários ícones. Neste caso a criança deve escolher com qual das técnicas realizará a atividade. Com a realização destas atividades de forma sequenciada, a criança consolida uma prática grafomotora cada vez mais precisa. A professora está atenta para que as fichas de trabalho sejam realizadas o mais corretamente possível, incentivando a pedagogia do êxito. Para isso servem as experiências significativas, o ambiente descontraído e a atenção individual. Estas fichas se realizam em um espaço de tempo muito breve, e sem incluir outra atividade com um objetivo distinto do que propõe a ficha (colorir, recortar, etc.).

Grafomotricidade e escrita para 4 anos

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Os objetivos que se pretendem nesta fase são: Introduzir relações espaciais sobre o plano. Garantir o traço de linhas horizontais, verticais, oblíquas, onduladas e quebradas adequando-as ao quadriculado. Garantir a relação encadeada de traços retos e a relação encadeada de traços curvos, adequando-os à quadrícula. Aprender a interromper o traço (freiada). Buscar a regularidade do traço.

O tempo total dedicado à grafomotricidade e à escrita será de trinta minutos diários. Todos os dias a professora trabalha a grafomotricidade e a escrita, mediante atividades prévias, tanto em grupo, como nos cantos. Somente em alguns dias se realiza uma ficha. É importante que a professora dirija o ritmo de trabalho e não se empenhe em fazer todas as fichas dos cadernos. Não há problemas se algumas fichas não são trabalhadas, ou se, ao contrário, são feitas mais fichas porque se avançou com bom ritmo. O importante é ir trabalhando bem e progredindo sem lacunas. Antes de realizar cada um dos traços, ou grafemas, no caderno, é preciso explicar à criança o que ela vai fazer, mediante atividades prévias e de forma lúdica. Para isso a professora utiliza o chão, a lousa e o material dos cantos. Em primeiro lugar realizam atividades sobre a quadrícula desenhada no chão da classe, com o objetivo de familiarizarem-se com esta pauta. Podem realizá-las com seu próprio corpo e com materiais acessórios, como bastões, cones, cordas etc. Por exemplo:

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos      

Percorrer as linhas no chão de várias maneiras: devagar, depressa, saltando, correndo, com os pés juntos, na ponta dos pés. Brincar de saltar dentro e fora dos quadrados. Ensinar às crianças a parar de repente. Formar traços e linhas sobre a quadrícula do chão, com bastões, cordas etc. Desenhar traços, linhas e bordas sobre a quadrícula do chão e percorrê-las. Deitar-se sobre as linhas do chão, marcando com o corpo as bordas ou linhas traçadas ou que se vão fazer.

Em seguida são trabalhados os traços, na lousa previamente quadriculada. A professora faz os traçados para que as crianças os repassem com giz colorido e com o dedo. Também realiza os traços no ar com a mão para que as crianças a imitem. Quando a professora escreve na lousa, deve fazê-lo à altura da criança, para que fique bem visível. Numa atividade do canto de biblioteca (linguagem), podem-se apresentar às crianças, folhas quadriculadas com distintos modelos de traços e bordas, que elas devem reproduzir noutra folha quadriculada, utilizando palitos, massa de modelar, ou outros materiais. Os alunos que estão mais adiantados podem ir trabalhando o caderno, ou outras fichas, de escrita. Por último, a professora deve dedicar alguns minutos (3 a 5 minutos) todos os dias para realizar exercícios de coordenação dinâmico-manual. Durante o primeiro trimestre, são reforçadas as pré-escritas dos três anos e se realizam algumas combinações (2 fichas semanais). Nesta etapa é muito importante prestar especial atenção à direcionalidade. É interessante comprovar se estão assimilando e não se deve seguir adiante sem que todas as crianças estejam seguras. Nos Cadernos Lendo e Escrevendo 1 e 2, encontram-se duas fichas por semana. A professora estabelece a quantidade de fichas mais conveniente para seu grupo de alunos. O Caderno Lendo e Escrevendo 1, oferece, para cada semana, uma ficha muito fácil e outra que exige mais domínio manual. É interessante realizar a primeira no início da semana e a segunda no final. Repassam-se as letras, tanto maiúsculas como minúsculas e se copiam linhas sobre a pauta quadriculada, que no início será de 2 cm. Se o trabalho com quadrículas foi suficientemente explorado aos três anos, com as quadrículas do chão e da lousa, será rápida a adaptação à quadrícula de escrita dos cadernos. O Caderno Lendo e Escrevendo 2 apresenta maior nível de dificuldade. A professora faz cópias de letras e frases e pode começar os ditados de palavras já conhecidas. Ao final do curso as crianças já escrevem sobre pauta quadriculada de 6 mm. A professora deve determinar o ritmo de trabalho das fichas, de acordo com os avanços de seu grupo de alunos, considerando que é preferível a qualidade à quantidade, e que não há problema, se julgar conveniente, terminá-lo no início do ano seguinte. Escrita para 5 anos Neste último ano da Educação Infantil devem ser concluídos os objetivos já iniciados aos quatro anos. A escrita necessita da aquisição prévia da leitura e, sendo assim, as atividades de escrita necessitam de um reforço dos conteúdos trabalhados no tempo

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos dedicado à leitura. O trabalho de escrita está incluído nos cadernos mensais de atividades. Alguns exercícios de motricidade fina e coordenação dinâmico-manual ainda são diariamente trabalhados nesse ano. Realizam-se pré-escritas, que apresentam maior dificuldade de execução, na pauta de 6 mm. Exatamente como eram feitas no ano anterior. Em algumas ocasiões é conveniente reforçar o último caderno de quatro anos, antes de começar com o de cinco anos. Alguns exercícios de cópia, ditado e escrita livre podem ser propostos para alunos mais avançados. No terceiro trimestre já se pode passar para uma pauta de 5 mm, igual a utilizada no 1º ano do Ensino Fundamental 1. C. Outras atividades de linguagem A aquisição da linguagem se realiza essencialmente por imersão, imitação e repetição. Por isso, as histórias, as poesias e as canções infantis, assim como os jogos de linguagem, trava-línguas e adivinhações, desempenham um papel essencial nesse processo. Com essas atividades diárias, as crianças vão adquirindo uma articulação mais clara e maior memória e compreensão verbal. As histórias, narradas para toda a classe representam momentos de uma agradável intimidade entre a professora e seus alunos. Esses momentos podem ser frequentemente repetidos, já que para as crianças pequenas a repetição estimula a memória, sem gerar desinteresse. As histórias, ou narrativas gravadas devem ser evitadas, porque não dispõe dos importantes complementos, que são os gestos e comentários da professora, com os quais ela dá vida à narração. Por isso, é importante declamar, modular a voz, dar vida aos personagens e aos momentos de emoção. As histórias ou narrativas nas quais aparece uma criança ou um animal jovem, querido por seus pais, que protagonizam algumas aventuras com final feliz, costumam ser as que mais atraem a atenção das crianças menores. Na escuta atenta das narrativas, as crianças põem em jogo sua imaginação e suas emoções. Convém preparar o momento da história. As crianças podem estar sentadas em cadeiras ao redor da professora, ou no chão. A professora deve criar um ambiente mágico, fechando um pouco as cortinas para ficar a meia luz, o que costuma agradar muito às crianças. As histórias infantis têm grande importância na formação moral da criança, já que transmitem valores, falam do bem e do mal do homem, contendo verdadeiras riquezas de humanidade. O plano de formação deve se apoiar em breves histórias que apresentem as virtudes, ou hábitos que desejamos que as crianças valorizem e adquiram. A professora deve dedicar um momento do dia à narrativa de histórias com os menores (alunos de três anos). Com os alunos de 4 e 5 anos são suficientes três dias cada semana. O diálogo surge com facilidade, quando o assunto é a história narrada. É o momento de valorizar a compreensão oral, trabalhar algum vocabulário e de fomentar a criatividade e a imaginação, por exemplo, criando finais diferentes ou inventando alguns contos com as crianças.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos As poesias Aos quatro e cinco anos, a criança é muito sensível aos jogos de palavras e à poesia. Com a poesia, as crianças enriquecem sua sensibilidade e exercitam a memória. A professora pode iniciar as atividades pela manhã, recitando com as crianças alguns versos de uma poesia, a que está prevista para a quinzena do mês, nas atividades de memorização. É interessante determinar um horário fixo diário, pela manhã ou ao meio dia, para memorizar poesias. Os poemas curtos, de 4 a 6 versos, são facilmente memorizados pelas crianças de três anos. As crianças de quatro e cinco anos podem memorizar poemas de 8 a 12 versos. A professora deve decorar previamente o poema e ensaiar a entonação adequada, pronunciando-o com clareza e convicção aproveitando os recursos de sua própria voz. Pode convidar às crianças a fechar os olhos, enquanto escutam o poema. O poema se repete duas ou três vezes, sem explicações. Em seguida, a professora convida às crianças a que repitam as palavras, ou pedaços que lhes parecem mais bonitos, e as ajuda, em voz baixa, a recordar todo o poema. Também é interessante ajudá-las a descobrir seu significado. É essencial evitar o cansaço e manter o interesse em aprender. As canções Cantar na escola é, antes de tudo, satisfazer um desejo e canalizar uma energia. Além disso, aprender a cantar é aprender a controlar a respiração. O momento preferencial da canção é pelas manhãs, pois, de modo divertido, reaviva a atividade mental e facilita o despertar respiratório, atenuado depois das horas de sono. Também são adequadas as canções para eliminar tensão, para relaxar. Convém cantar de pé e olhando a professora, que dirige a canção. As crianças repetem, com alegria, as canções aprendidas, tanto em coro como individualmente. É muito interessante que os pais conheçam o repertório de canções que seus filhos aprendem e cantam na escola, para que também possam brincar de cantar com eles. Alguns exercícios vocais podem ser praticados antes de cantar, para aquecer as cordas vocais e conseguir uma respiração mais profunda. Estes exercícios, muito breves, podem ser feitos, com canções já conhecidas. Em seguida, se cantam as canções que estão aprendendo. Jogos de linguagem: adivinhações e trava-línguas O jogo das adivinhações, que tanto agrada às crianças, é muito útil para desenvolver a compreensão e para que as crianças estabeleçam relações entre conceitos. Para que seja assim, a simples memorização da adivinhação deve ser evitada: é mais interessante que as crianças entendam o “porquê”. Uma adivinhação é trabalhada a cada duas semanas, ainda que não haja inconveniente em utilizar mais, ou em voltar a brincar com as já aprendidas. Os trava-línguas põem em exercício a musculatura buço-facial e facilitam o domínio da articulação, o que repercute em uma expressão oral mais rítmica, clara e fluida.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Um trava-línguas é trabalhado a cada duas semanas, gradualmente. Primeiro devem ouvir à professora, para ir aprendendo frase a frase e depois conseguir uni-las. Primeiro aprenderão a falar devagar e depois poderão fazê-lo com mais ritmo e rapidez. 7. Plano de Ensino Intensivo do Inglês Este modo ativo de aprendizagem exige, por parte da professora, um contínuo trabalho de repetição de expressões simples, que os alunos devem compreender, assimilar e repetir, ou utilizar em situações significativas. Todas as dramatizações que se realizam em classe necessitam uma ambientação adequada para encenar um diálogo, um jogo de adivinhações, uma rima, ou uma história. Uma ambientação, que a maioria das vezes, pode ser tão simples quanto eficaz: mesas e cadeiras colocadas de forma a representar uma sala de aula imaginária, um balcão de uma loja, um cômodo de uma casa... A participação dos alunos acontece de acordo com suas possibilidades e o ritmo de aprendizagem de cada um. O aluno tem que compreender que papel representa na cena, que ação, ou movimentos deve realizar, para sentir-se seguro e confiante em cada uma das atividades e jogos das aulas de inglês. Tomando como modelo uma aula com duração de uma hora, a professora deve preparar pelo menos quatro atividades distintas e não ultrapassar, em nenhuma delas, o período médio de atenção dos alunos dessa fase, que costuma ser de 15 minutos. Nunca se realizam duas atividades seguidas nas quais as crianças tenham que permanecer no mesmo lugar e com o mesmo material. Desta maneira, se segue um plano de trabalho no qual, a passagem de uma atividade à outra exige uma mudança de situação na classe e uma mudança de materiais. Por exemplo, depois de um jogo de adivinhações no qual se utilizam cartões de imagens, representando distintos objetos, e no qual os alunos participam sentados ao redor do círculo, pode ocorrer outra atividade, na qual os alunos tenham que sentar em outro canto da classe, em frente à lousa. O êxito e a eficácia de cada uma das atividades que realizamos em classe dependem em grande medida da imaginação e dos recursos da professora. Mostrar uma gravura pode ser uma atividade monótona e rotineira, se a professora se limita à descrição mecânica das imagens que apresenta. A atividade pode durar só alguns minutos e o trabalho fica limitado a um exercício de compreensão oral. Mas, ao contrário, se a professora sabe criar um ambiente de expectativa, a gravura é um material novo e atraente. A professora se utiliza da curiosidade que a situação desperta - desdobrando devagar a gravura e até mesmo, interrompendo essa ação lenta e cuidadosa, a cada vez que alguma criança precisar ser lembrada de que a professora não continuará com a atividade se não estão todos atentos. Os alunos ajudam então a conseguir o ambiente adequado que se pretende: gestos e pedidos de atenção entre eles, advertindo ao que não atende, porque todos querem que a professora continue porque querem conhecer o material novo que ela vai mostrar. A professora aumenta a expectativa, fazendo perguntas: ”Is this a classroom? Is this a family? Is this a zoo?...” para as quais o grupo dá respostas simples - “Yes” ou “No” - à medida que vão observando pistas do desenho na gravura que se desdobra. Todos contemplam com atenção e a professora surpreende.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Nessa atividade ocorre o intercâmbio de informação e participação de todos, interferindo, adivinhando, buscando objetos, descobrindo outros mais escondidos... Ação e movimento. Depois a professora organiza toda a informação, repete com o grupo, trabalha com perguntas e respostas simples, utilizando o mesmo modelo de frase ou construção gramatical, seguindo ritmos e entoações distintas - explorando o desenvolvimento da linguagem oral. Alguns alunos apontam na gravura o que a professora indica. Em outro momento o grupo pergunta e é a professora quem tem que responder; um aluno faz o papel de professor e a classe segue suas instruções. As variações podem ser múltiplas e todas enriquecedoras. A atividade ocupa o tempo pré-estabelecido, é eficaz, significativa e cumpre os objetivos, enquanto diverte e trabalha a atenção. Atividades alltogether 1. Explicação de uma gravura de observação A professora deve situar-se em frente às crianças que devem ficar sentadas, suficientemente perto para ver com clareza o desenho. Ela inicia a descrição da gravura, utilizando uma linguagem simples, mas ao mesmo tempo rica em detalhes, comentários e considerações sobre os distintos componentes do desenho. A professora deve enfatizar as construções gramaticais trabalhadas em cada unidade, sem restringir-se a elas. Durante a descrição, a conversação e o diálogo com os alunos podem ser ricos e variados, de acordo com o planejamento da professora. Os alunos não precisam assimilar todo o conteúdo, após a primeira explicação da gravura. Essa atividade tem como objetivo um contato inicial com parte do tema e, o restante do conteúdo deve ser desenvolvido ao longo da programação da unidade, com outra série de atividades que nos ajudam a cumprir com os objetivos da aprendizagem. 2. Role play Para realizar esta atividade, todos os alunos se sentam no chão, em círculo. A professora propõe a dramatização de uma conversação, um diálogo ou uma cena, que tenham trabalhado anteriormente. A participação é sempre voluntária. Alguns alunos encenam, enquanto os demais observam. Os grupos se alternam e podem ser escolhidos pelos próprios alunos. De acordo com o planejado pela professora, a conversação pode ser feita em duplas, grupos maiores ou com somente um aluno como interlocutor diante de todo o grupo. O role play pode variar de muitas maneiras, dependendo do conteúdo de cada gravura, do número de alunos, do seu grau de participação, da imaginação e dos objetivos do professor. 3. Rima Para realizar essa atividade, a professora pode utilizar a lousa ou sentar-se em frente às crianças com um papel grande em branco e uma caixa de lápis de cor.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Trata-se de ir representando o conteúdo da rima através de desenhos. Enquanto recita os versos desenha cenas simples que ilustram e ajudam a compreender o significado global de cada verso. Quando termina esse processo, as crianças, juntamente com a professora, recitam a rima completa, indicando os desenhos correspondentes. Quando os alunos já compreenderam o significado, memorizam a rima, repetindo verso por verso junto com a professora. Como o processo de memorização não se completa no primeiro dia, a rima é repassada frequentemente, ao longo da programação da unidade. 4. Trabalho com bits de imagens Os bits de imagens são utilizados como cards de trabalho em grupo. Para realizar esta atividade, as crianças devem sentar no chão, em círculo. Existem diversas formas de trabalhar com esses bits, sendo que a mais simples consiste em espalhá-los sobre no chão no centro do círculo, de modo que todo o grupo possa vê-los com clareza. A professora repassa com os alunos os nomes que correspondem a cada desenho ou imagem. A seguir chama alguns voluntários. Pede a cada criança que pegue do chão um determinado desenho, de forma que o aluno tem que identificá-lo e selecioná-lo entre todos os bits do círculo e levá-lo à professora. Variando este processo, pede-se ao aluno que pegue um dos desenhos do chão e que se dirija a um colega. Com ele estabelece um diálogo simples perguntando-lhe o nome da imagem que escolheu. Se o companheiro acerta a resposta, o primeiro aluno se senta e continua aquele que acertou. Este agora continua com o jogo e escolhe outro desenho, dentre os bits espalhados, para estabelecer de novo o diálogo com outra criança do grupo. Quando os bits estão relacionados a diferentes objetos existentes na classe, esses podem ser espalhados pela sala, dispostos nos seus respectivos lugares, de acordo com as imagens dos objetos que representam. Desta forma, as orientações da professora variam, indicando aos alunos que coloquem cada bit em um lugar determinado da classe, ou que o localizem nesse lugar, ou que o peguem e entreguem à professora. Os diálogos e as construções gramaticais trabalhados com os bits podem ser muito variados e dependem dos conteúdos de cada unidade. Como exemplo, no caso de bits sobre diferentes tipos de alimentos, os alunos podem ficar em grupos, seguindo o critério de seus gostos, ou também, reunir os desenhos dos alimentos seguindo o critério de sua composição: produtos lácteos; carnes e peixes, frutas, massa etc. Quando o conteúdo da unidade aborda o tema das roupas, a professora dispõe de infinitas possibilidades de estabelecer diálogos entre os alunos: alguns escolhem umas determinadas peças de vestuário e explicam o que vestem, de acordo com os desenhos que escolheram, podem fazer desfiles, arrumar de malas para viagem etc. No tema dedicado aos animais, é possível também agrupar os bits seguindo o critério dos respectivos habitats: o sítio, o bosque, a selva... A diversidade de atividades que se podem realizar, com a utilização de bits é muito ampla e depende, em grande parte, da imaginação da professora e do grau de participação dos alunos.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos 5. Canção Memorizar um texto associado a uma música é sempre relativamente fácil para os alunos e é um recurso da aprendizagem muito válido. A canção pode ser apresentada de várias maneiras. Em primeiro lugar, escutando-a diretamente do cd. Em seguida, a professora explica o texto, sem a música e utilizando papel e lápis de cor representa o conteúdo. A melodia é ensaiada, com as palmas, ou qualquer outro recurso, para seguir o ritmo. Uma vez que as crianças tenham cantado uma ou duas vezes a música, a professora volta a tocar a canção para que todos a ouçam novamente. Também se pode começar o processo com a explicação do texto, antes de conhecer a melodia ou ainda, aprender a canção com a professora e ouvi-la em seguida. Isto costuma surpreender muito às crianças, pois se alegram quando ouvem uma canção que elas já sabem. Em qualquer caso, a professora não pretende que no primeiro dia aprendam a melodia e o texto de memória, como no caso da rima e, por isso, a canção deve ser repassada frequentemente ao longo das semanas previstas para a programação de cada unidade. 6. A história Na programação de cada unidade se inclui, como mais uma atividade, a leitura de histórias, que devem ser curtas, com ilustrações adequadas à idade das crianças e com um texto simples que elas podem, inclusive, conseguir memorizar em parte. A primeira vez que a professora lê uma história, deve fazê-lo de forma atraente e motivadora. Ela pode comentar parte do conteúdo, antes de começar com a leitura. No início, a leitura deve ser muito lenta e a professora deve deter-se em cada uma das ilustrações, para descrevê-la com detalhe e estabelecer um diálogo com os alunos a partir do que observam. Quando já assimilaram e compreenderam bem a história, o trabalho pode ser aprofundado. A professora pode mostrar algumas palavras do texto, apenas como forma de despertar o interesse das crianças, sem a intenção de fazê-las ler, treinando a observação global de palavras e frases escritas. Em leituras sucessivas, os alunos podem participar, juntamente com a professora, porque conseguem memorizar trechos da história – realizam uma leitura participada. Em muitos casos, os alunos conseguem memorizar a narrativa completa, o que representa um recurso importante para aumentar a fluência no idioma. Essa atividade contribui no trabalho de facilitar a compreensão, assimilação, memorização e pronúncia. 7. Gravura A professora pode preparar um a gravura, com uma cena que represente a parte mais importante dos conteúdos de cada unidade didática. Este material é utilizado, principalmente, de duas maneiras: em primeiro lugar, se faz uma descrição detalhada da cena, repassando o vocabulário do tema representado no desenho. Os alunos se sentam em grupo de frente para gravura, que é colocada a uma altura adequada, para que todos possam observar bem o desenho. A seguir, a professora complementa a atividade, estabelecendo um diálogo ou conversação sobre a cena. A professora pede que um voluntário indique na gravura determinados objetos, ou palavras do vocabulário do tema, estabelecendo uma troca de perguntas e respostas,

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos utilizando as construções gramaticais trabalhadas na programação. A conversação se amplia para o resto do grupo: um aluno pergunta e os demais respondem de acordo com o que observam na gravura, ou vice-versa. 8. Trabalho com a cesta de materiais para manipulação Dentro do material previsto para cada unidade da programação é necessário organizar uma cesta, que contenha os objetos do vocabulário mais importante. De acordo com a unidade, podem ser objetos reais (por exemplo, quando o tema é sobre o material da sala de aula) ou representações deste vocabulário (como no caso do tema dos animais, da comida...). O material é colocado no centro do círculo e são tirados da cesta ao mesmo tempo em que a professora nomeia cada objeto. Em duplas, enquanto as outras crianças permanecem sentadas ao redor do círculo, são estabelecidos diálogos, a partir da manipulação desse material. Os objetos também podem passar de mão em mão, por todos os alunos, seguindo uma ordem. Cada um faz um comentário sobre o material, observa e o passa adiante. Essa atividade é um complemento do trabalho realizado previamente com os bits de imagens, utilizando agora, objetos reais e próximos às crianças. 9. Lousa A lousa é muito utilizada para os desenhos e para repassar o vocabulário e as construções gramaticais que foram trabalhados em cada unidade. Enquanto os alunos observam sentados em grupos de frente para a lousa, a professora desenha e faz perguntas, motivando-os a adivinhar, antes que ela finalize o desenho, ou a palavra. Também pode haver voluntários para desenhar, mostrar na lousa, ou perguntar ao grupo sobre o vocabulário. 10. Atividades de expressão dinâmica Os alunos trabalham noções de ritmo, de localização espacial, ou de movimento em geral. A professora pode selecionar esses conceitos, seguindo o critério de repassar, dentro da área de Inglês, alguns dos conteúdos fundamentais que as crianças já trabalharam ou irão trabalhar nas aulas em português. Os exercícios de movimento, que trabalham ações, preposições e advérbios da programação de cada unidade didática de inglês, também podem ser incluídos nessas atividades. Os alunos se deslocam por toda a sala, seguindo as ordens da professora, realizando os movimentos, ou exercícios, que ela indica e que estão relacionados com o emprego do vocabulário que ela quer trabalhar. 11. Jogos Esta atividade, além da prática dos jogos em si, pressupõe um trabalho anterior de explicação das regras dos mesmos e de compreensão oral e assimilação de seu funcionamento por parte dos alunos. Podemos escolher jogos tradicionais e populares, adaptando-os à aula de inglês, como jogos especificamente elaborados para trabalhar determinados conteúdos de cada unidade didática. É conveniente selecionar aqueles nos

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos quais se trabalhem rimas e canções, ou que de alguma maneira possibilitem a intervenção oral dos alunos, utilizando expressões curtas e simples. 12. Bits de inteligência e passeios de aprendizagem Essas atividades são planejadas com o objetivo de estimular a inteligência da criança, aumentar seu vocabulário em inglês, melhorar sua capacidade da atenção e desenvolver a memória. O professor de inglês trabalha essas atividades, seguindo os planejamentos e orientações próprias dessas técnicas que aparecem no projeto Optimist. 13. Memorização de orações Todos os dias ao começar a aula, a professora trabalha em grupo a repetição e memorização de orações simples, mantendo os objetivos do projeto Optimist, relacionados ao ensino religioso.

Atividades teams 1. Desenhos Estes trabalhos realizados pelas crianças podem ser utilizados como decoração da classe, ou podem ser levados para casa. Eles ajudam a enriquecer parte dos conteúdos, servem como revisão e também para reforçar determinados aspectos de uma unidade. Para a professora, os desenhos também são uma ferramenta de avaliação com os quais pode verificar se as crianças compreenderam determinadas ordens ou explicações. Enquanto os alunos realizam este trabalho, é interessante manter música ambiente - canções infantis em inglês, o que ajuda a aumentar o grau de concentração e também familiariza as crianças com a pronúncia e a entonação. A professora deve caminhar pela classe, supervisionando os trabalhos, comentando-os e corrigindo-os com sinais (sticks) que valorizem e incentivem a atividade individual dos alunos. A professora também pode chamar as crianças à sua mesa, para fazer essas observações de forma mais pessoal. Qualquer variação no modo e lugar de correção dos trabalhos sempre representa um enriquecimento no conjunto das ordens e instruções, normalmente utilizadas na rotina normal da sala. 2. Trabalho individual no livro do aluno O trabalho dos alunos em seu livro ajuda a professora a consolidar grande parte da aprendizagem e dos conteúdos de cada tema. Além disso, contribui para que os pais conheçam em casa o desenvolvimento do trabalho de seus filhos e possam de alguma maneira, avaliá-lo com a professora. A realização das atividades implica no seguimento de algumas ordens de trabalho específicas, relacionadas ao lugar onde os alunos devem sentar-se, que material precisam utilizar ou, simplesmente, como devem completar cada um dos exercícios propostos. A explicação de cada ficha pode ser feita na lousa ou, com a professora sentada em frente ao grupo, mostrando a página da atividade ou, ainda, orientando o trabalho, colocando-se no centro da sala, quando as crianças já estão sentadas.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Há um determinado tipo de atividades para as quais é mais conveniente que a professora explique no início do trabalho e deixe que os alunos as completem sozinhos. Outras necessitam de explicações passo a passo e as crianças trabalham mais devagar, seguindo, uma por uma, as ordens da professora até finalizarem o trabalho. A professora deve caminhar pela classe, observando o trabalho individual das crianças, dando-lhes indicações, ideias ou, avaliando através da observação direta. Também é possível, como no caso dos desenhos, que vá chamando um por um à sua mesa para corrigir os trabalhos. A atenção individualizada sempre representa uma motivação para que os alunos se empenhem mais. Ao término da atividade, a professora pode repassá-la em grupo, sem que os alunos saiam de seus lugares. A professora orienta e as crianças indicam em sua ficha uma determinada parte do desenho, um objeto, ou repetem a frase que corresponde ao conteúdo trabalhado. Para acostumar os alunos com a escrita do novo idioma e com uma leitura espontânea e global, as atividades contêm algumas palavras do vocabulário ou construções simples e breves (principalmente no terceiro ano da Educação Infantil). Alguns alunos começam a se interessar pela na leitura porque já dispõe de capacidade ou maturidade leitora. Durante a realização de algumas atividades muito simples, a professora pode utilizar também um cd com canções infantis. O aluno que termina seu trabalho antes dos demais pode se entreter com livros da biblioteca de inglês, brincar com os bits de imagens correspondentes ao tema, ou trabalhar com a cesta de materiais para manipulação; sempre de acordo com a orientação da professora. 3. Atividade de modelagem Essa atividade possibilita o mesmo trabalho realizado através das demais, explorando as construções gramaticais e ordens orais, necessárias para indicar aos alunos onde devem situar-se na sala, que material devem utilizar, como recolhê-lo etc. O procedimento habitual consistirá em modelar os objetos do vocabulário explorado na aula do dia. É conveniente - da mesma forma que quando realizam um desenho livre ou alguma atividade do livro - utilizar canções infantis como música de fundo, o que sempre ajudará as crianças a se familiarizarem com a pronúncia inglesa. A orientação para o trabalho pode ser dada, quando os alunos já estão sentados. Também pode ser positivo que o grupo fique sentado em frente à professora observando como ela modela, para, então, dar início ao trabalho próprio. Nesse procedimento, a professora coloca o que modelou sobre um banco no centro do círculo, para que os alunos possam observá-lo, quando já se sentaram para trabalhar. Os trabalhos concluídos são reunidos, também servindo de modelo para o grupo, principalmente para aquelas crianças que têm mais dificuldade em idealizar a representação de um determinado objeto. Os melhores trabalhos podem ficar expostos em algum lugar visível da sala.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos 4. Trabalhos de artes Com essa atividade, a professora espera que o aluno realize, dentro da aula de inglês, algumas das tarefas próprias da programação da área de expressão artística. A professora escolhe algumas, nas quais pode utilizar um vocabulário familiar para a criança, e que servem de ajuda para incrementar o número de ordens e construções gramaticais que aprendem em inglês. As técnicas de trabalho das elaborações artísticas devem estar de acordo com a programação prevista pela professora de português para a área de expressão artística. As tarefas estão relacionadas com os conteúdos de cada unidade didática de inglês. Com essas atividades a professora pretende explorar o vocabulário próximo e cotidiano para a criança como: colar, recortar, rasgar, rechear etc. Da mesma forma que em outras atividades, como os desenhos e fichas de trabalho, a professora repassa conteúdos e reforça alguns aspectos de cada unidade didática através dessas técnicas de elaborações artísticas, ampliando o repertório de vocabulário e instruções de trabalho de seus alunos. Planejamento semanal A professora pode elaborar um planejamento semanal para facilitar o desenvolvimento e a organização do tempo de aula, durante a programação de cada unidade didática. Nesse planejamento, pelas razões já explicadas anteriormente, deve haver uma média de quatro atividades para cada aula de uma hora. Desta maneira, se combinam as diversas atividades, de grupo e de cantos, seguindo o critério da eficácia pela mudança de lugar e materiais na transição de uma atividade para outra. Exemplo de planejamento semanal: SEGUNDA

TERÇA

QUARTA

QUINTA

SEXTA

Explicação de Atividades de uma cena em expressão uma gravura de dinâmica observação

Gravura

Lousa

Explicação de uma cena em uma gravura de observação

Role play

Narrativa da História

Canção

Role play

Ficha de trabalho do livro do aluno

Atividade plástica

Trabalho com cards de vocabulário Atividade de modelagem ou desenho

Ficha de trabalho livro do aluno

Ficha de trabalho do livro do aluno

Jogo

Trabalho com cartelas de vocabulário

Rima

Passeio de aprendizagem

Bits de inteligência

Bits de inteligência

Bits de inteligência

Trabalho com o material para manipulação Bits de inteligência

Bits de inteligência

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Observações: As atividades se repetem de modo alternado, ao longo da semana, considerando que uma determinada aprendizagem, ou a memorização dos conteúdos e vocabulário de cada unidade, necessitam um constante trabalho de repetição. Por esta razão atividades sobre um mesmo conteúdo podem ser diversificadas, desenvolvendo diferentes técnicas, possibilitando que todos os alunos atinjam os objetivos fundamentais, cada um no seu ritmo de aprendizagem. Não é obrigatório programar um momento específico para a revisão de rimas, canções e jogos. Qualquer situação habitual de aula pode servir a essa finalidade: enquanto as crianças recolhem o material, antes de começar uma nova atividade, ou quando sobra tempo ao final de uma aula e a professora já terminou todas as atividades programadas. Cantos de atividades Ao preparar o planejamento para o terceiro ano de Educação Infantil, está previsto que a professora organize uma atividade de cantos voltada para um primeiro contato com a leitura. Essa atividade deve ocorrer, pelo menos uma vez por semana, com uma série de exercícios diferentes, para cada canto da aula. As orientações de trabalho destas atividades de cantos são as mesmas que aparecem no projeto Optimist e trabalham, além dos objetivos específicos da programação de inglês, todos aqueles aspectos que desenvolve este Projeto sobre organização da classe em cantos. O trabalho está planejado da seguinte forma: 1. Canto de leitura: Reading MATERIAL: Livros de leitura; histórias com imagens e palavras, ou frases simples. A professora trabalha com os alunos desta equipe a leitura global de palavras, associando-as a imagens. Ela participa da atividade, sentando-se com as crianças que escutam o que a sua leitura, enquanto identificam, associam palavras e imagens, desenvolvendo os objetivos da programação de conteúdos que se refere à abordagem da linguagem escrita. 2. Canto de jogos: Games MATERIAL: Cartelas de vocabulário e de palavras. Os alunos realizam jogos e atividades, associando desenhos e palavras, ou simplesmente, manipulando o material desse canto de atividades, familiarizando-se com o vocabulário de cada unidade e com palavras escritas. 3. Canto de expressão plástica: Artes MATERIAL: Massa de modelar, lápis de cor, revistas, giz de cera, cola... e qualquer tipo de material relacionado com a área de expressão artística. Os alunos trabalham com distintas técnicas, realizando elaborações plásticas orientadas à assimilação de uma parte do vocabulário ou conteúdos da unidade didática correspondente. 4. Canto de tecnologia: Informática MATERIAL: CD-ROM

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos O objetivo desse canto é o desenvolvimento da sensibilidade auditiva dos alunos, identificação e assimilação do vocabulário, iniciação à observação de palavras escritas..., como um apoio informático à programação do curso, utilizando técnicas de trabalho especialmente atraentes e interessantes para a criança. Os cantos de trabalho ocorrem, pelo menos, uma vez a cada quinze dias, a partir do terceiro trimestre do curso. Dentro do planejamento semanal, as atividades programadas para a segunda-feira, são substituídas por esse trabalho nos cantos. Nessa semana, a atividade lúdica pode realizar-se em algum momento da aula de qualquer dia entre terça e sexta. Decoração da classe É interessante preparar e decorar um espaço específico da sala de aula, de preferência, perto do mural, onde a professora pode expor alguns trabalhos de inglês dos alunos e ambientar a classe, de acordo com a unidade didática trabalhada no momento. A decoração pode ser feita, utilizando-se parte do material específico de algumas atividades, como cartazes, cartelas de vocabulário, cesta de materiais para manipulação, ou palavras escritas. Desta maneira, os alunos a assimilam os conteúdos de inglês como mais um aspecto de seu entorno escolar e de seu processo da aprendizagem.

VI. O AMBIENTE E A CONVIVÊNCIA ESCOLAR. AMBIENTE DA SALA DE AULA A. IMPORTÂNCIA DO AMBIENTE ESCOLAR A influência do colégio como um todo, atua envolvendo e condicionando as tarefas escolares, facilitando-as ou dificultando-as. Todos os elementos materiais e pessoais que constituem o colégio interferem no processo, juntamente com as atividades programadas. A ação do ambiente é, ao mesmo tempo, marco e sistema de estímulos para a vida e a convivência humana. O colégio é, ao mesmo tempo, um âmbito para a convivência e um conjunto de estímulos para a aprendizagem sistemática. Ao colégio se vai para aprender e a aprendizagem não é somente a aquisição de conhecimentos e destrezas: a convivência em si, exerce uma enorme influência sobre a formação pessoal e por isso, merece uma atenção consciente e sistemática. A necessidade de cuidar do ambiente escolar é clara, pois representa o canalizador do influxo educativo do colégio como um todo. Os distintos fatores da vida do colégio – a leitura e o cálculo, os trabalhos práticos, os passeios de aprendizagem, os livros e materiais utilizados – atuam produzindo, cada qual, seu resultado próprio. Porém, todos convergem e estão condicionados – auxiliados ou bloqueados – pelo ambiente cotidiano da sala de aula e do colégio. B. CONDIÇÕES DO AMBIENTE ADEQUADO Como fator condicionante, o ambiente facilita, ou dificulta, a vida em geral. Por isso é imprescindível que haja um ambiente adequado para viver, que facilite o desenvolvimento do próprio ser das crianças na relação com as pessoas situadas no seu mesmo âmbito, que estimule o esforço e a atividade, e que produza sensação de bem estar.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Bem estar O primeiro elemento do estar “à vontade” é o bem estar. Há um bem estar material, que procede da adequação dos elementos físicos do ambiente (espaço, luz, cores, móveis...) às nossas condições biológicas. A sala de aula deve estar limpa e ser ampla, para que possa ser organizada em zonas distintas (por meio de estantes ou armários separadores, por exemplo), com uma iluminação adequada que diminua o esforço visual, e com ventilação adequada, que possibilite manter uma temperatura ambiente agradável. Deve estar organizada de modo a facilitar os deslocamentos ao passar de uma atividade a outra, auxiliando a realização das distintas tarefas, com cantos de trabalho amplos e com o material organizado de maneira acessível às crianças. A decoração deve ser estimulante e renovada, pelo menos, mensalmente: cartazes, fotos, palavras, plantas, livros, murais, revistas, catálogos... Durante o mês, a decoração deve ser gradativamente enriquecida. A exposição dos cartazes e outras atividades deve ser montada, sempre à altura das crianças. O conforto físico e a higiene das crianças também são componentes desse bem estar material: que possam secar-se, se estão molhadas, que possam lavar-se, se estão sujas; que os uniformes sejam confortáveis, adequados à atividade que estão realizando; que possam descansar em um espaço tranquilo etc. Comunicação cordial A organização dos elementos é sem dúvida um componente do bem estar, mas há também um bem estar psíquico, que depende da cordialidade nas relações pessoais dos que compartilham um mesmo ambiente e da confiança que se estabelece entre todos. A professora deve tratar as crianças com atitude positiva, grande cordialidade, simpatia e espontaneidade, de modo que todos se sintam carinhosamente acolhidos, como está descrito em maiores detalhes no cap. VII sobre as Orientações metodológicas. Estímulo para as atividades e o esforço O colégio é um espaço de aprendizagem e de trabalho e, por isso, além do conforto físico, deve oferecer um ambiente que estimule e facilite a atividade e o esforço dos escolares, sem causar ansiedade. Em outras palavras, deve incentivar uma agradável disponibilidade ao trabalho, seja este realizado individualmente, ou em grupo. O ambiente da sala de aula deve ser sereno, proporcionando tranquilidade e, prevenindo o desgaste daquelas crianças que se excitam com mais frequência. Este ambiente também prevê uma adequada variedade de atividades, físicas e intelectuais, que atendam às necessidades naturais de mobilidade e satisfação da curiosidade e do afã de aprender, próprias das crianças. – e que facilitem o resultado positivo das atividades das crianças, animando e estimulando, principalmente à criança com tendência inativa, sob a orientação da professora, cada vez que seja necessário. É importante propor às crianças atividades com dificuldades crescentes, evitando a estagnação de seus progressos, ao mesmo tempo em que se devem observar sintomas de cansaço, de enfermidade, ou de possíveis deficiências visuais ou auditivas, muito frequentes nessa faixa etária. Em resumo, o ambiente adequado para a educação é aquele no qual a criança encontra:

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos   

comodidade; estímulo para as atividades e para o afã de superação; comunicação cordial, carinhosa. As condições objetivas mencionadas estão diretamente relacionadas com as grandes motivações humanas. O sentir-se à vontade em uma determinada situação implica em sentir-se seguro, aceito por aqueles com quem se convive e em comunicação cordial com eles. Podemos dizer que, um ambiente adequado é aquele que facilita às crianças o desenvolvimento e reforço dos sentimentos de segurança, autoestima positiva e o espírito de colaboração. Para conseguir que a vida diária do colégio mantenha um ambiente com essas características é necessária uma cuidadosa e constante atenção das professoras e, em geral, de todos os membros da comunidade escolar, que devem estar sempre atentos a uma infinidade de pequenos detalhes:  As crianças dessa faixa etária demandam uma atenção contínua. Assim que chegam à escola, precisam guardar sua mochila, tirar o casaco, aguardar confortavelmente pela chegada dos colegas e pelo início das atividades. A professora se dedica a todos e a cada um: recebe os que chegam, anima aos retraídos, aos sonolentos e aproveita este momento privilegiado do dia para estabelecer contatos pessoais com as crianças. A disposição contínua de acolhida e interesse são muito importantes para as crianças na etapa Infantil.  Durante as aulas, devem ter a possibilidade de mover-se com serenidade, manipular, sentir, provar, brincar, falar, rir, comunicar-se com outros, trabalhar em grupos, trabalhar sozinhos etc.  O recreio deve ser um momento de redobrada atenção, quando a professora cuida para que: as crianças não fiquem por muito tempo expostos ao sol, ou ao frio; possam brincar à vontade; não se sintam excluídas das brincadeiras e jogos; possam sentar-se, ou descansar.  No decorrer dos circuitos de psicomotricidade e outras atividades físicas e motoras a professora deve estar atenta à segurança das crianças e ao seu conforto, com relação às roupas.  No refeitório, enquanto que as crianças comem, convém observar a qualidade da alimentação e a apresentação dos alimentos; a autonomia, que vão adquirindo no manejo dos talheres e, os momentos em que necessitam de ajuda. Também é importante que comam com tranquilidade, sem pressões constrangedoras.  No horário do sono das crianças de três anos, a professora deve observar se todas estão confortáveis em seus colchões, se a temperatura da sala está adequada para que não passem frio, ou calor e se há o necessário silêncio. A professora pode colocar uma música de fundo que seja repousante e contribua para o clima de serenidade.  Antes de voltar para casa, ao término da atividade escolar, a professora deve arrumar as crianças, para que saiam penteadas, lavadas e com uniformes limpos.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos C. O AMBIENTE ESCOLAR PERSONALIZADO O ambiente tem dupla importância - como meio educativo e como objetivo geral da educação. Esta segunda possibilidade traz a necessidade de construir um ambiente escolar que exerça uma influência positiva. A personalização do ambiente implica:  A existência de vínculos entre as crianças e suas professoras, relações que vão além do puramente didático e do rendimento acadêmico.  A ausência de anonimato no conjunto da escola.  A mútua projeção entre a vida escolar e da vida fora da escola.  O sentido familiar e de atenção especial a cada criança.  O espírito de iniciativa, flexibilidade e autonomia das professoras e dos alunos. Toda a organização do colégio condiciona – de certo modo – seu ambiente, mas não podemos esquecer que este nasce, fundamentalmente, da própria vida que se desenvolve no colégio. O ambiente escolar se constrói com os estímulos gerados pela presença, pelas atitudes e atividades das pessoas que convivem nesse centro educativo. A influência das pessoas no ambiente educativo tem início, se fortalece e se enfraquece, de acordo com a persistência das condutas pessoais. A continuidade da conduta revela uma tendência estável, isto é, um hábito. Dessa consideração podemos concluir que, a possibilidade de modificar o ambiente, encontra-se no exercício de hábitos que sejam adequados ao ambiente que se quer construir. A construção do ambiente através das Ações Incidentais 2 O Círculo de Educação Personalizada – grupo de estudo e investigação pedagógica, criado e dirigido por Victor Garcia Hoz – se dedicou, durante os anos de 1988 a 1991, ao estudo das possibilidades educativas do ambiente, partindo da observação direta da vida escolar. Utilizou-se um marco teórico que tipifica os atos educativos em quatro categorias. Aqui nos interessa a primeira delas, a Ação Incidental 3, momentânea, realizada em um ato único. As Ações Incidentais são ações simples e cotidianas que contribuem para a formação dos hábitos, valores e virtudes nas crianças. Como são realizadas de forma frequente e num contexto natural, estas pequenas ações vão despertando nas crianças um sentido e uma postura positiva em relação aos valores. No estudo mencionado se estabeleceram três tipos de Ações Incidentais:   

Ações que se referem ao cuidado e uso das coisas e instrumentos. Ações que se referem ao relacionamento com os colegas, professores e outras pessoas. Ações que se referem à postura e autonomia pessoais no comportamento.

2 GARCÍA HOZ, V. “Creación y refuerzo del ambiente escolar”, en Boletín de Información y Orientación Pedagógica, nº 54, abril-junho, págs. 3-12, 1991. GARCÍA HOZ, V. “La práctica de la educación personalizada”, Tratado de Educación Personalizada, vol. 6. Madrid: Rialp, 1988. 3 NT. Traduziremos o termo “Obras Incidentales” por Ações incidentais

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Não é difícil ver que estes três tipos de ações condicionam, podem modificar e de fato modificam o ambiente escolar. Basta pensar que o homem se relaciona com o que lhe rodeia, mediante sua presença e sua atividade, influenciando em seu entorno através delas. A influência da presença nasce do que se pode chamar de postura pessoal. A atividade se manifesta através do relacionamento com as pessoas e do uso das coisas. Um ambiente escolar é adequado para a educação, quando oferece comodidade, estímulo para atuar e comunicação cordial. A comodidade de um ambiente baseia-se na facilidade do uso agradável dos objetos materiais, que delimitam e caracterizam o ambiente em que nos encontramos. Entre eles, o prédio e as instalações fixas, dificilmente serão modificados pela professora. Ao seu alcance estão a organização do tempo e a forma de utilizá-lo para o seu melhor aproveitamento. Outros tipos de objetos como, móveis e elementos decorativos, podem ser manipulados ou modificados, organizando-os e reorganizando-os para tornar confortável a permanência e a atividade dos alunos. A comodidade também pode ser entendida em sua dimensão estética e psicológica, como uma sensação geral de bem-estar. Nesse sentido, as relações sociais, que se estabelecem, e as condutas individuais, constituem elementos decisivos. O ambiente propício para o trabalho requer, principalmente, a utilização adequada dos espaços e o cuidado e uso dos instrumentos necessários para as atividades escolares. Por fim, as relações sociais são o elemento mais importante para criar um clima psicológico cordial, no qual, aqueles que compartilham o ambiente posam se sentir estimulados e orientados para uma convivência real e positiva. O mesmo ambiente, em outras ocasiões, poderá atuar como agente tranquilizador, neutralizando possíveis situações de ansiedade e agitação.

Condições do ambiente

Tipos de Ações Incidentais

Comodidade material Atividades eficazes

Uso de objetos e instrumentos da vida diária

Comunicação cordial

Relação social participando em brincadeiras e atividades

Sensação de bem-estar

Porte e autonomia pessoal

As Ações Incidentais servem de base para uma programação sistemática, para a criação de um ambiente adequado e para a promoção e reforço dos hábitos pessoais. Programa de Ações Incidentais na Educação Infantil As Ações Incidentais, serão mais eficazes, se passam a integrar um programa estruturado, cuja aplicação exigirá da professora apenas uma aula inicial sobre o tema e a

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos observação continuada dos alunos. Cabe a professora o empenho em ajudar seus alunos a incorporarem tais ações de forma gradual e com liberdade. Dentro da vida escolar, cada Ação Incidental deve ser compreendida como expressão de um pequeno hábito, que será adquirido por todos e por cada um dos alunos. A relação de Ações Incidentais se constitui em uma espécie de temário que indica, por um lado, uma série de ideias que os alunos precisam assimilar e, por outro lado, uma série de hábitos necessários para realizá-las. A missão da professora é a de conscientizar seus alunos da necessidade desses hábitos na vida social, isto é, estimulá-los e orientá-los para que cheguem a compreender e a valorizar as Ações Incidentais. Como uma consequência deste conhecimento, torna-se imprescindível a aquisição de hábitos para a realização desses pequenos atos. A fim de realizar uma ação sistemática de aprendizagem e formação de hábitos é importante ordenar as Ações Incidentais de forma que, cada uma delas receba a atenção necessária em um período de tempo determinado. A preparação do programa de Ações Incidentais exigirá da equipe de educadores, uma distribuição prévia do tempo que se irá dedicar a cada uma delas, ao longo do ano letivo. Em outras palavras, prever como serão distribuídas as Ações Incidentais, da mesma forma como se distribuem os temas de cada uma das disciplinas do currículo. Existem muitas possibilidades de distribuição das ações, que podem ser trabalhadas isoladamente, como agrupadas em temas. A eficácia do programa de Ações Incidentais está vinculada a duas condições essenciais:  

Primeira: que a professora cuide de sua própria postura e conduta, realizando bem essas ações. Segunda: envolver os alunos na programação, realização e acompanhamento das Ações Incidentais.

Em qualquer caso, a realização do programa deve começar por sua apresentação, transmitindo aos alunos uma ideia clara do sentido e do valor que tem as pequenas ações do dia a dia, conscientizando-os, dentro de suas possibilidades. É necessário falar também de outros ambientes, além da escola, nos quais se inserem as crianças, onde podem ser realizadas as Ações Incidentais. O primeiro ambiente, sem dúvida, é a família. É evidente que muitas Ações Incidentais são tão próprias da vida escolar como da vida familiar, como por exemplo, agradecer a um favor, cumprimentar as pessoas, guardar os objetos em seus devidos lugares, etc. Estas ações, que são a expressão de hábitos determinados, devem ser consideradas como atividades-ponte, pois constituem objeto de atenção na família e na escola, simultaneamente. Podem ser estabelecidos programas conjuntos de Ações Incidentais, de forma que a atenção dada a uma determinada ação no colégio possa ser repetida na família. Tudo isso vem a reforçar a influência conjunta dos ambientes familiar e escolar no processo educativo da criança.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos D. CONVIVÊNCIA ESCOLAR Através das atividades organizadas, das ocasiões de atuar por iniciativa própria e do constante incentivo ao esforço se obtém uma disciplina espontânea, que ensina a agir sob o impulso interior da vontade (querer ser, querer fazer), colocando as bases de uma personalidade madura e responsável. Através do respeito às normas básicas de convivência às crianças são preparadas para atuar no futuro com liberdade pessoal nas tarefas civis e servir ao bem comum. Esta formação no sentido da responsabilidade social favorece a busca pela aquisição de hábitos de convivência, de cooperação, de solidariedade e de respeito pela liberdade dos demais. Assim também inicia a educação para a paz, a cooperação e a solidariedade entre os povos. E. OS ENCARGOS DOS ALUNOS Considerações gerais Os encargos são pequenas parcelas de responsabilidade cotidiana que a criança realiza, colaborando com os demais (colegas de sala, membros da família). Os encargos devem ser úteis e relacionados com o bom andamento da casa, ou da classe. É interessante motivar as crianças, fazendo-as perceber que com sua ajuda e seu esforço tudo funcionará muito bem. Para que um encargo estimule a responsabilidade, a criança deve estar ciente de que o cumprimento de sua tarefa reflete sobre os demais. A professora encarregada da sala, ou um dos pais deve supervisionar periodicamente o cumprimento dos encargos. Também pode desempenhar essa tarefa um aluno, ou um irmão mais velho. Realizar encargos forma parte do programa de Ações Incidentais de Educação Infantil. Além disso, determinados encargos podem incluir a responsabilidade de supervisionar a realização de Ações Incidentais relacionadas, como por exemplo, recolher os papéis no chão, manter a ordem nos materiais de uso comum etc. A criança precisa saber exatamente em que consiste seu encargo, para que possa cumpri-o bem, desde o primeiro momento. É preferível que esta explicação seja dada individualmente a cada criança. Na distribuição dos encargos, convém avaliar qual poderia ser mais educativo para cada filho, ou aluno, considerando seu caráter, hábitos e o período sensitivo em que se encontra. A experiência recomenda a alternância frequente dos encargos, para essa faixa etária. O objetivo fundamental dos encargos é que sejam instrumentos educativos. Os encargos no colégio Convém explicar aos alunos que o objetivo dos encargos é aprender a prestar um serviço aos demais, com esforço e constância, assumindo pequenas responsabilidades. As funções próprias de alguns encargos (porta, luzes, janelas, lousa, mesa do professor etc.) influenciam na distribuição dos lugares na sala de aula e, por isso, convém revisá-los sempre que se modifique a distribuição inicial de encargos. Toda professora deve preocupar-se com o cumprimento dos encargos, em sua classe. Ela deve estar atenta a esta estratégia de formação, principalmente, no começo e no final de cada aula.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Um mesmo aluno pode ter vários encargos, ou vários alunos podem se responsabilizar por um único encargo. A professora encarregada de classe considera esse fato, ao distribuir as tarefas. Além disso, é evidente que alguns dos encargos sugeridos não são adequados para os alunos menores. Também é interessante distribuir encargos nas atividades extras, incentivando a responsabilidade e facilitando o bom andamento da atividade.

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Relação de possíveis encargos: Biblioteca Cesto de papéis Mesa da professora Chefes de equipe Lousa e giz Guardar o material Distribuir do material Ordem da classe Recados Luzes e porta Torneiras e toalhas do banheiro Portas de armários Organização do refeitório – distribuição de pratos, talheres, guardanapos...

Os encargos na família Como em qualquer aspecto da educação, o exemplo dos pais tem uma influência fundamental na educação da responsabilidade. A função principal dos pais, com relação aos encargos, é exercer adequadamente a autoridade: dirigir a participação dos filhos na vida familiar, orientando sua iniciativa. Com os encargos familiares, os filhos aprendem, desde pequenos, a colaborar para o bom andamento da casa. Ter um encargo concreto aos 3 ou 4 anos torna possível que aos 15 ou 16, seja lógico e natural que se preocupem com o conjunto do ambiente doméstico, procurando manter um clima familiar acolhedor. Pode acontecer que, cada filho se esforce muito por realizar seus encargos, encarando-os apenas como um trabalho a cumprir, sem perceber sua responsabilidade no conjunto do ambiente da família. Por isso, ao lado da distribuição de tarefas familiares em forma de pequenos encargos, os pais devem incentivar a colaboração contínua de todos no dia a dia familiar, para que todos se sintam responsáveis por tudo. Também é preciso corrigir, com afeto, aquele que não está cumprindo com sua parte. Os filhos pequenos começam ajudando a realizar algum trabalho doméstico. É importante pedir-lhes ajuda em pequenas tarefas que possam fazer bem, para que sintam a satisfação de terem realizado, sozinhos, um trabalho bem feito. Rapidamente poderão passar da ajuda à colaboração efetiva, entendendo que os trabalhos domésticos são de todos, de acordo com as possibilidades de cada um. A experiência aconselha que na família haja dois tipos de encargos: uns mais duradouros (por exemplo, um trimestre) e outros rotativos (diários ou semanais). Além disso,

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos cada filho deve aprender a se responsabilizar por situações pessoais (fazer a cama, ordenar a mesa de estudo, guardar a roupa, etc.). Sugestão de possíveis encargos: Encargos trimestrais Regar as plantas Jogar fora o lixo Abençoar à mesa Deixar a roupa suja em seu lugar Atender ao telefone

Encargos rotativos Ajudar a arrumar e tirar a mesa Recados em casa Ajudar na limpeza Avisar sobre os consertos necessários

F. ALGUMAS SITUAÇÕES QUE NECESSITAM DE ATENÇÃO ESPECIAL 1. O Refeitório A alimentação adequada é condição para o desenvolvimento bom somático. Nessa etapa de crescimento das crianças é imprescindível controlar a quantidade e a qualidade dos alimentos que são oferecidos aos alunos no refeitório escolar. 

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Orientações sobre o cardápio: O cardápio é organizado, incluindo os distintos grupos de alimentos, de forma variada e equilibrada, com a finalidade de que forneça todos os nutrientes necessários para um crescimento adequado. Deve ser elaborado por profissionais da área de nutrição. O cardápio é elaborado mensalmente e apresentado à direção da escola para sua aprovação, ou de acordo com o que estiver combinado. Informe aos pais Nos últimos dias de cada mês, os pais devem receber o cardápio do mês seguinte. Desta forma os pais sabem o que seus filhos comem diariamente no colégio e podem organizar o cardápio doméstico, enriquecendo e variando a dieta dos filhos. Atenção às crianças A professora, ou a pessoa encarregada deve estar presente no refeitório, considerando esse momento como mais uma aula: com dedicação, carinho e competência profissional. Se as turmas são muito numerosas, ou as crianças muito pequenas (3 anos), convém que outra pessoa a ajude. É preciso dedicar o tempo suficiente, para que a refeição seja um momento sossegado e tranquilo. Tarefas a realizar:  Animar às crianças para que comam todo tipo de alimentos – favorecer e controlar a situação, evitando conflitos. É preferível uma exigência crescente e moderada, a uma situação angustiante para a criança.  Ensinar os hábitos elementares e a boa postura à mesa.  Manter um clima de alegria e espontaneidade com o comportamento adequado.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos  Conseguir que nenhuma criança fique atrasada no refeitório.  Anotar observações de cada um, para conhecê-los melhor e informar aos pais. Hábitos a desenvolver  Lavar as mãos e a boca antes e depois de comer.  Esperar a benção dos alimentos, antes de começar a comer.  Sobriedade, evitar caprichos. Não se muda nenhum alimento, a não ser por motivos de saúde.  Sentar-se bem.  Pôr as duas mãos em cima da mesa.  Utilizar bem os talheres: colher e garfo como a primeira meta, a faca depois.  Comer sozinhos, não esperar que outra pessoa os ajude no que eles podem fazer.  Utilizar o guardanapo.  Deslocar-se no refeitório segundo as indicações da professora.  Não levantar da mesa até que todos tenham terminado.  Falar sem gritos.  Dialogar com os colegas.  Deixar o lugar ordenado, limpo e colocar a cadeira em seu lugar. Estes hábitos devem ser aprendidos e reforçados na família. Quando são negligenciados, ou esquecidos, depois do final de semana ou das férias, devem ser relembrados na tutoria com os pais. Possíveis problemas e suas soluções Excesso de ruído no refeitório Uma meta de toda a equipe de professoras ou das encarregadas do refeitório deve ser conseguir um clima de ordem. Onde se possa conversar com tom de voz normal, sem gritos nem estridências e que cada criança seja autônoma nesta atividade. Em alguma ocasião, pode ser necessário ter mais pessoas para ajudar nesta tarefa, para se alcançar esse objetivo. O exemplo da professora é a peça chave: se a professora grita, os alunos também gritarão. Grupos de alunos que não comem de tudo A criança que come de tudo em sua casa não costuma apresentar dificuldades para comer no colégio. Por isso, diante deste problema é imprescindível conversar com os pais e combinar uma atuação conjunta. Além disso, nos primeiros dias de aula convém programar cardápios simples, que gerem poucos conflitos. Pouco a pouco, se introduz um cardápio mais variado e completo. Demasiados doces na sobremesa A fruta é muito conveniente no cardápio, mas apresenta algumas dificuldades, porque as crianças não sabem descascá-la. É preferível colocá-la em pedaços, ou como salada de frutas, a oferecer com frequência, doces na sobremesa.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos 2. Os Alunos Novos Os alunos novos, em especial com três anos, enfrentam um ambiente diferente, uma situação nova e pessoas desconhecidas a seu redor. Deve-se procurar atenuar este choque, organizando visitas prévias. Costuma ser benéfico organizar as chamadas Vivências: quando a criança passa o dia na escola (ou pelo menos um período). Informalmente ela participa das atividades e se familiariza com o ambiente. Além disso, é importante preparar de modo muito especial os primeiros dias de aula:  arrumar a sala de um modo especial, com cantos de atividades especialmente estimulantes e atraentes;  procurar que as crianças que mais conhecem o colégio ou que vêm de um berçário se incorporem em primeiro lugar e os demais, espaçadamente, durante a manhã, de modo que a professora possa recebê-los um a um, com uma atenção especial;  ensinar-lhes onde estão os banheiros e passear com elas pelo jardim, para que vejam onde podem brincar e estar;  prestar uma especial atenção à comida e ao horário do sono, que podem ser momentos de tensão. Do mesmo modo, também é interessante ter prevista a recepção de um aluno novo que ingresse no colégio após o início das aulas. Depois das férias são necessários uns poucos dias para que as crianças voltem a seus costumes e retomem os pontos de referência espaço/temporais. Portanto, durante esses primeiros dias é necessário ter paciência e não convém planejar atividades novas.

VII.

A EDUCAÇÃO DOS HÁBITOS NA ETAPA INFANTIL

A educação de uma criança pode resumir-se no estímulo e desenvolvimento de hábitos bons que lhe permitam agir bem. Um hábito é uma qualidade estável em virtude da qual o homem consegue realizar ações boas com facilidade, perfeição e complacência. A educação deve promover os hábitos que têm sentido positivo na existência de cada pessoa e na dos demais, que a aperfeiçoam, isto é, que gerem virtudes e valores. Para as crianças dessa faixa etária cabe falar de hábitos bons, que se converterão em virtudes com o uso de razão e da liberdade.

A. A ORDEM A ordem é uma virtude que está na base de muitas outras virtudes humanas, servindo-lhes de apoio. A educação da ordem começa com a própria vida da criança, sendo indispensável para seu correto desenvolvimento físico, psíquico e espiritual:  Ordem nos horários das refeições.  Ordem nas horas de sono.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos  

Ordem no cuidado pessoal: higiene, necessidades fisiológicas... Ordem em suas saídas de passeio, seus tempos de brincadeiras... As crianças vão desenvolvendo seu próprio sentido de ordem lógica e tendem a ordenar por tamanhos, por cores etc. Assim vemos que guardam todos os carrinhos juntos, todas as bonecas juntas, ou que distribuem um grupo de livros em grandes e pequenos. O período sensitivo propício para o desenvolvimento desse hábito ocorre entre um e três anos de idade. Uma criança de dois anos sabe perfeitamente que cada coisa deve ter seu lugar. Uma criança de pouca idade é capaz de se divertir, sendo organizado e, além disso, necessita ordem e estabilidade em seu ambiente. Quando uma criança se acostuma a ter os brinquedos arrumados no mesmo lugar, tende a manter a ordem, e o faz como um jogo, encontrando satisfação em fazê-lo. Nessa faixa etária, não é difícil conseguir que a criança guarde seus brinquedos ou sua roupa sempre no mesmo lugar. Para isso, basta brincar com ela repetidas vezes de pôr as coisas no mesmo lugar e na mesma ordem. Quando aprende, passa a se divertir, colocando, ela mesma, as coisas em seus lugares. A criança também entende que tem seu lugar e normalmente lhe agradará dormir na mesma cama e sentar-se na mesma cadeira para comer. Como conseguir que as crianças deixem as coisas em seu lugar sem ter que lembrá-las? Em primeiro lugar deve ficar claro qual é o lugar de cada coisa. A seguir, é preciso ser muito paciente e muito perseverante na apresentação de modelos de conduta ordenada. É interessante que as crianças disponham de caixas, estantes e um espaço para jogos e brinquedos, onde possam guardar suas coisas. Assim se aprende que cada coisa tem um lugar e sempre é o mesmo. Para que as crianças possam desenvolver o hábito da ordem, além de mostrá-lo, devemos proporcionar bons exemplos. Elas necessitam que os pais, ou outros adultos, ofereçam exemplos a serem imitados. Com a mesma facilidade com que são capazes de imitar a ordem, têm habilidade para imitar a desordem, se os adultos que servem de exemplo, têm o hábito de deixar as coisas cada vez em um lugar diferente. Para as crianças pequenas são muito eficazes as cadeias de acontecimentos, isto é, ações sequenciadas, que se repetem todos os dias, por exemplo, ao regressar do colégio devem: 1) Cumprimentar quem está em casa 2) Pendurar o agasalho e guardar a mochila. 3) Lavar as mãos. 4) Tirar o uniforme. Etc. Os adultos devem estabelecer uma sequência de ações para a hora de acordar, de dormir, de fazer o circuito neuromotor etc. Por exemplo, as crianças devem habituar-se a:  Atender prontamente, quando sua mãe chama.  Guardar os brinquedos ao terminar de brincar. Não se trata de que as crianças imitem o conceito de ordem que têm seus pais, que são adultos, mas que aprendam a ordenar as coisas. Elas têm seus próprios critérios,

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos que devem ser respeitados. Por isso, é preciso exigir que suas coisas estejam organizadas, mas de acordo com os critérios infantis. Convém convidar as crianças a participar em atividades como ordenar os livros da biblioteca, limpar e ordenar os utensílios na cozinha, etc. Também é interessante conversar com as crianças sobre a lógica da organização e da escolha dos lugares, onde se guardam as coisas, para despertar seu interesse em encontrar e sugerir o lugar apropriado para cada objeto.

B. A OBEDIÊNCIA A criança pequena obedece porque reconhece intuitivamente a autoridade de seus pais. Eles oferecem segurança e carinho e tudo isso a leva a cumprir seus desejos, ainda que, às vezes, se sinta inclinada a desobedecer para provar sua força e suas possibilidades de atuar com independência. Com a idade de três anos surge, o que se costuma chamar, a “idade do não”. Esse momento do processo evolutivo normal de uma criança – tão incômodo para os pais manifesta o aparecimento da vontade infantil. Já então se fazem necessárias as primeiras argumentações dos motivos que, pouco a pouco, irão fundamentando sua liberdade. A partir dos quatro anos, ou até antes, convém combinar a exigência com a explicação da razão de ser do que se exige, de tal modo que a criança obedeça também se é possível - porque entende o motivo. Também pode cumprir por carinho com seus pais, reconhecendo que sua obediência é um modo de manifestá-lo. A desobediência das crianças dessa faixa etária, não provoca aparentemente mais danos morais do que a irritação de seus pais e professoras. Paradoxalmente, em troca, é o momento de começar a ensinar às crianças a obedecer por motivos elevados, com o objetivo de que adquiram o hábito de obedecer antes da fase da puberdade. A obediência é facilitada através de uma atuação ordenada da parte de quem educa. Isto significa que a aquisição desta virtude seria impossibilitada, se nos comportássemos de um modo instável e imprevisível, seguindo o estado de ânimo de cada momento. Obediência e autoridade estão intimamente relacionadas. Para que haja obediência é necessário que haja autoridade. Nestes primeiros anos, fundamentais para a aquisição desta virtude, os educadores se esforçam por exigir o cumprimento de tudo o que se manda. Se, por exemplo, a professora ou a mãe indicam à criança que pendure o agasalho ao chegar à sala ou em casa, não deve recuar até que o tenha feito. Se ela desiste e faz pela criança, perde uma dose importante de autoridade. Quando damos uma informação clara, no momento oportuno, com uma exigência serena, perseverante, amorosa e alegre, os resultados costumam ser positivos. Convém agradecer e incentivar a obediência das crianças, reconhecendo o que está bem feito. Quando entendem que percebemos seus esforços, correspondem com maior interesse em obedecer.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos C. A INICIATIVA Entre os seis e os sete anos, as crianças já adquiriram os hábitos básicos de autonomia tanto na sua higiene pessoal como nas relações com outras pessoas. Isso permite que tenham maior iniciativa. Pais e professoras podem estimular o pensamento criativo das crianças, sua iniciativa ao enfrentar problemas e situações novas, para que busquem modos alternativos de realizar as tarefas habituais. No âmbito escolar, os objetivos individuais da aprendizagem (por exemplo, os realizados nos cantos de atividades) são um modo especialmente eficaz de incentivar o desenvolvimento da iniciativa. Estes objetivos, diferentes dos objetivos fundamentais, que devem ser alcançados por todos os alunos, muitas vezes são planejados em função da iniciativa e dos interesses da própria criança. Nessa fase, a professora pode sugerir diversas possibilidades de atividades, para que a criança escolha uma, ou pode também, incentivar a criança a que sugira a atividade que gostaria de desenvolver. A organização do trabalho escolar deve prever momentos nos quais a criança escolha, na medida em que isto seja possível, o conteúdo e a forma de trabalhar. A vida diária da classe também pode proporcionar à criança ocasiões de buscar alternativas: na resolução de problemas, na composição literária de narrações, contos, diálogos, etc. Estas atividades fundamentam o futuro trabalho cientifico. Não convém dar sempre as tarefas completamente resolvidas. De vez em quando, cada vez com mais frequência, o adulto deve deixar uma margem de reflexão, decisão e iniciativa, como por exemplo: que presentes nós daremos aos primos no Natal? Como gostaria de decorar o seu quarto? É interessante propor às crianças, tanto no ambiente familiar como no colégio perguntas do tipo “o que você faria se...?” ou “o que aconteceria se...?”, animando-a a buscar possíveis soluções para sair das situações propostas. Um ambiente familiar ou escolar rígido, por autoritarismo ou superproteção, empobrece muito o desenvolvimento dos hábitos de iniciativa. D. A JUSTIÇA As crianças devem aprender em seus primeiros anos, com a orientação de seus pais, professoras e irmãos mais velhos, o que "está bem" ou é justo, e o que "não está bem" ou é injusto. Aprendem, inicialmente, na relação com os irmãos que têm uma idade parecida e com seus colegas e amigos. Nessa faixa etária, as regras dos jogos são aprendidas com facilidade. Os pais iniciarão o processo e, depois, no colégio surgirão novas normas de conduta. De fato, qualquer educador percebe como as crianças pequenas apelam com frequência aos adultos, para resolver problemas de justiça em seus jogos. Por outro lado, a partir dos nove anos, aproximadamente, as crianças discutem as regras entre si e recorrem aos mais velhos, somente quando ocorre algo que não podem controlar. Até essa idade, oito ou nove anos, convém propor uma educação na justiça que destaque as normas nos jogos, na convivência na família e no colégio, mostrando com clareza o que é justo e o que não é. Isto se faz, buscando uma compreensão profunda dos motivos, para ajudá-los a adquirir os hábitos com carinho, compreensão e exigência. Concretamente seria oportuno propor objetivos do seguinte tipo:

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos   

aprender a estabelecer um acordo com um irmão ou com um colega e cumpri-lo. aceitar as regras dos jogos, uma vez conhecidas - respeitar a propriedade alheia: não tirar, não quebrar, pedir licença para usar o que é de outro, etc. respeitar certas necessidades e direitos alheios: os quartos dos irmãos, o silêncio em momentos de estudo, ou trabalho, escutar os outros, bater à porta antes de entrar, não interromper uma conversa, etc.

Nesta fase podem ocorrer pequenos furtos, que preocupam muito aos pais. Nestes casos, mais que dirigir nossa atenção a essa conduta, convém que nos perguntemos por que isso acontece. Pode ser que talvez falte à criança um sentido de propriedade, do uso do dinheiro e sua administração, ou pode ser necessário ver se atrás dessas faltas há um desejo imediato de atenção ou uma carência afetiva. Convém que pais e professoras evitem que a criança adquira este mau hábito retirando-lhe a oportunidade de pegar coisas, sem dramatizar. E. A GENEROSIDADE Nesta fase, as crianças tendem ao egoísmo. Por volta dos três anos vivem sua primeira crise do “eu”. Representa sua autoafirmação como “eu-corpo”, quando descobrem que são diferentes dos demais. É a “idade do não”, onde a teimosia (como autoafirmação) e a fácil irritabilidade têm certa semelhança com a crise da puberdade, quando virá a segunda afirmação do eu. Esta primeira crise não favorece a tendência ao desprendimento, mas um grande sentido de posse. A partir dos dois ou três anos, as crianças já distinguem perfeitamente o “meu x teu” e gostam de deixar clara a diferença. Desde essa idade, é preciso estimular o hábito de dar, mais como costume do que como virtude, estabelecendo a relação entre o dar com a alegria de querer aos demais. É conveniente fazer-lhes ver que DAR algo constitui uma demonstração de carinho. É interessante que a criança se esforce por ser generosa com as pessoas de quem gosta, buscando agradar-lhes. O sorriso, o agradecimento cheio de afeto, que reconhece e aprecia o esforço, será motivo para continuar agindo assim com outras pessoas. Neste momento é preciso ensiná-la como quem brinca, acostumando-a a relacionar as palavras: DAR-AMOR-ALEGRIA-BEM. Convém incentivar no colégio que as crianças emprestem coisas uns a outros, ainda que seja pelo interesse na troca. Trata-se de proporcionar muitas possibilidades para que se exercitem em dar e compartilhar, mesmo que os motivos sejam, em princípio, insuficientes. Além disso, com paciência, é interessante sugerir aos filhos atos de generosidade e explicar-lhes a necessidade que têm muitas pessoas de receber, para que desenvolvam o hábito de atuar em favor dos menos favorecidos. F. A SINCERIDADE O período sensitivo da sinceridade é vivido de forma especialmente intensa entre os três e os seis anos. Por instinto, as crianças sabem que as pessoas devem dizer a verdade, sem necessidade de instruções especiais sobre a sinceridade.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Nesses anos, vivem a sinceridade como uma inclinação e, desde os primeiros momentos, distinguem entre verdade e mentira; sabem que a mentira é algo que não se deve dizer. Ao chegar ao uso de razão, começam a compreender o valor moral da verdade e são capazes de vivê-la, ainda que, às vezes, lhes custe. Durante a etapa infantil, o motivo fundamental para serem sinceras é se sentirem queridas por seus pais e professoras, sem nenhum tipo de julgamento. Podemos incentivar o hábito da sinceridade, estimulando as crianças para que contem coisas de sua vida diária, por exemplo, nas conversas familiares, ou nas reuniões na sala de aula, com os colegas. Se há comunicação, podem ser orientadas. As crianças de três anos costumam ter uma grande percepção quanto ao fato de serem enganadas e uma grande facilidade para captar a qualidade da sinceridade de seus educadores. Neste campo, como em todos os demais, o exemplo dos pais e professoras tem um papel fundamental e as crianças, tanto podem aprender a amar a verdade, como a ser excelentes mentirosas. Falsear a verdade por fantasia é muito normal entre três e cinco anos e não deve ser considerada como uma mentira. As crianças acreditam na fantasia como algo real e a expressam assim, sem chamá-la mentira. No entanto, é conveniente que aprendam a diferenciar o real do imaginário. Esta etapa passa em pouco tempo. Também nesta idade é interessante desenvolver a imaginação, mas fazendo constar continuamente a diferença entre o real e o imaginário. A mentira por defesa é muito perigosa e deve ser corrigida com firmeza e compreensão, porque pode facilmente se converter em hábito. A criança costuma negar que cometeu um erro, acusando outro pelo ocorrido. Não se trata de expor a falsidade com severidade e exageros, mas de fazer-lhe ver que precisa assumir seus erros para se tornar uma pessoa justa e feliz. No entanto, é importante conhecer a razão pela qual uma criança mente: por medo de algo, para chamar a atenção, etc. Quando os pais e educadoras analisam as causas que provocaram a mentira, estão em melhores condições de argumentar e corrigir. As crianças não devem ser chamadas de mentirosas, quando recebem uma correção por sua falta de sinceridade. Na realidade, não são mentirosas, nem desejam a mentira – os educadores devem corrigir o seu erro, sem causar humilhação. A mentira deve ser encarada como um acidente que não deve se repetir. É muito importante o diálogo frequente dos pais com a professora, para atuarem em conjunto, solicitando a ajuda de um especialista, se for necessário. G. HÁBITOS DE VIDA CRISTÃ A piedade, mais do que ensinada, deve ser vivida. A criança, antes de rezar, deve ver que seus pais e professoras rezam. É através dessa manifestação de piedade sincera que a criança vai descobrindo intuitivamente a presença misteriosa, mas real e viva, de Deus. O sentimento de confiança em Deus Pai é uma das principais atitudes religiosas. Pode ser despertada muito rapidamente nas crianças, a quem a presença protetora de seus pais infunde segurança e confiança. Antes de ingressar no colégio, as crianças podem ter aprendido a rezar, com pequenas frases dirigidas a Jesus, a Maria e ao Anjo da Guarda.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Nessa fase podemos despertar na alma da criança o sentido de Deus, como o bom Pai do Céu que lhes quer bem, lhes cuida e acompanha sempre. Convém incentivar a oração espontânea e confiante, com diálogos simples com Deus Pai, com Jesus e com Maria, ensinando com paciência o sentido das palavras. Podese rezar com todos os alunos ao começar e ao terminar as aulas. Também é possível educar seus sentimentos religiosos, através de gestos simples: ajoelhar-se para rezar, beijar um crucifixo, fazer a sinal da cruz etc. A partir dos quatro anos, podem ser incentivados à piedade eucarística, tomando consciência da presença misteriosa, mas real, de Jesus Sacramentado. Também nessa idade, é natural tratar com afeto à Virgem Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa, e ter devoção à imagem da Virgem de sua sala de aula. As festas mais importantes de Nossa Senhora podem ser celebradas em família e na escola, vivenciando-as de modo simples, adequado à sua idade, especialmente no mês de maio. I. O PLANO DE FORMAÇÃO HUMANA DOS ALUNOS Do mesmo modo que para as demais etapas educativas, existe um plano de formação dos alunos da Educação Infantil, que se desenvolve em uma atividade semanal de duração entre 20 e 30 minutos. Nele se propõe uma pequena meta a ser atingida por cada uma das crianças. O objetivo será frequentemente recordado, e os comportamentos positivos, reforçados.

VIII.

OS PAIS DOS ALUNOS

A atividade educativa dos colégios deve ser considerada como apoio da ação familiar, pois, a responsabilidade na educação dos filhos corresponde, primeiramente, aos pais. A colaboração família-colégio é imprescindível, já que a mesma pessoa é filho na família e aluno no colégio e as influências que recebe desses ambientes podem facilitar, ou dificultar o seu desenvolvimento. Os pais dos alunos da Educação Infantil estão em um momento ótimo para integrar-se à comunidade da escola e começar uma etapa de aperfeiçoamento em sua tarefa de primeiros educadores. A preceptora é o caminho normal, pelo qual se estabelece a relação entre o colégio e a família. A primeira preocupação da preceptora deve ser conseguir uma comunicação fluida com os pais de seus alunos, que permita ajudá-los a levar a cabo sua tarefa de primeiros educadores. Redescobrir os pais: uma tarefa urgente Por natureza, o direito irrenunciável e a responsabilidade da educação dos alunos correspondem aos pais. O colégio auxilia os pais nessa tarefa e tem um papel relevante.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Mas, por maior que possa ser a influência educativa escolar, não tem a profundidade, nem a extensão, nem a continuidade da influência do ambiente familiar. A responsabilidade dos pais na educação de seus filhos abrange todos os seus aspectos. Também sua aprendizagem, por ser um meio fundamental para a formação da inteligência e da vontade da pessoa. A escola é um complemento educativo da família, nunca um substituto. Nem sequer a formação intelectual é tarefa exclusiva da escola, ainda que o seja preferencialmente. Corresponde ao colégio ajudar os pais dos alunos para que possam ser, de fato, os primeiros e principais educadores de seus filhos. São os pais que devem propor as metas educativas, que traçam as linhas mestras de um autêntico projeto educativo pessoal: “Que quero para meu filho?” “Como quero educá-lo?”. Na prática, começam a responder a essas perguntas quando escolhem um determinado tipo de escola. Quanto mais consciente, perseverante e coerente seja a ação educativa familiar, maior será sua influência na formação dos filhos. Quando falta esta vida educativa familiar, ocorrem consideráveis carências no processo de desenvolvimento. O tempo dedicado aos filhos é muito importante para um desenvolvimento equilibrado e para a construção de uma vida familiar sadia. E, nesta dedicação, é mais importante a qualidade do que a quantidade. Envolver os pais na educação Por todas estas razões, é interessante facilitar e incentivar o envolvimento dos pais na educação de seus filhos. Esta tarefa se coloca como objetivo primordial da atividade das professoras: oferecer aos pais ocasiões e meios de atuar com seus filhos, no ambiente familiar, com seu bom exemplo e compartilhando o tempo em atividades realmente educativas e enriquecedoras para toda a família. O colégio deve ajudar os pais para que consigam dedicar o melhor de seu tempo aos filhos. Os pais precisam ser encorajados a acreditar que são capazes de educar muito bem a seus filhos e devem receber do colégio muitas sugestões práticas de ações educativas na família. A organização de sessões de educação familiar, cursos, palestras, a orientação sobre leituras selecionadas, são alguns dos meios que o colégio coloca à disposição dos pais para que possam adquirir os conhecimentos necessários que facilitem a educação de seus filhos. Outro modo de favorecer este protagonismo é mantê-los informados sobre os conteúdos trabalhados no colégio e das possibilidades que o ambiente familiar oferece para sua melhor aprendizagem. A. O ASSESSORAMENTO EDUCATIVO FAMILIAR: as preceptorias De modo muito especial nesta idade deve haver continuidade entre o ambiente escolar e o familiar. Dai a importância da atuação conjunta concretizada nas conversas da professora preceptora com os pais dos alunos. A professora encarregada da classe na Educação Infantil, normalmente é a pessoa que assume a responsabilidade de assessorar os pais na educação de seu filho, favorecendo a ação educativa conjunta entre família e colégio. Se a professora preceptora atendesse aos alunos, mas não a seus pais, estaria perdendo grande parte de sua influência educativa, porque os pais geralmente são as pessoas que melhor conhecem a criança. Os pais são os primeiros modelos de seus filhos,

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos a quem estes imitam com grande naturalidade, até assumirem traços físicos, gestos, forma de falar e caráter. A família tem um enorme potencial educador, mesmo que em meio a ambientes completamente adversos. E, em sentido contrário, os pais possuem uma capacidade muito alta para destruir em pouco tempo – com um mau exemplo ou com sua displicência– um plano educativo pacientemente traçado na escola. Por essas razões a professora preceptora precisa contar com a opinião e com a colaboração ativa dos pais. Juntos traçarão o programa educativo que convenha a criança, colocando em prática os meios necessários para levá-lo a termo. As preceptorias com os pais A relação dos pais com a preceptora supõe que o colégio seja muito mais que uma empresa de serviços à qual se pode exigir resultados em forma de boas qualificações. Esta relação tem como meta facilitar uma atuação comum entre a família e o colégio, e a coerência nas motivações e influências que o aluno recebe em um e outro ambiente. Assim concebidas, as preceptorias dos pais serão autênticas entrevistas de assessoramento educativo-familiar. Os pais comparecem com satisfação às preceptorias e aceitam as orientações da preceptora, quando percebem que ela aceita, conhece, compreende e ajuda seu/sua filho/a. A preparação cuidadosa da tutoria é uma elementar manifestação de profissionalismo e de respeito da preceptora para com os pais. Deve ter os dados mais recentes sobre o aluno, e uma breve pauta dos assuntos que a tratar. Quem conhece muito bem a seu filho ou filha, com todos os antecedentes, são os pais. Por isso, antes de falar, a preceptora deve escutar o que os pais têm a dizer. A professora deve manter um tom de delicadeza e sinceridade, sem dar a impressão de querer dar lições, ou de que sabe mais que os pais. Em qualquer caso, o diálogo com os pais deve ter um enfoque positivo: falar do que vai bem e do que deve mudar, mas com esperança, porque a pessoa sempre tem a possibilidade de melhorar, ainda que algumas situações sejam mais complicadas. A preceptora, para cumprir bem suas funções, precisa conhecer através dos pais alguns dados do aluno (seu caráter, comportamento em casa, etc.) e sobre o ambiente familiar. E, ao mesmo tempo, deve informar aos pais sobre a atitude da criança no colégio e sobre os objetivos educativos de cada período escolar. A colaboração e o intercâmbio de pontos de vista entre os pais e a preceptora permite traçar-se o projeto educativo que mais convenha à capacidade, à situação e à atitude da criança. Quando consegue a confiança dos pais, a preceptora pode realizar um autêntico trabalho de orientação familiar, ajudando-os a conseguir em seu lar um clima de amável exigência que facilite a educação dos filhos. Toda a ação educativa do colégio está apoiada na relação pessoal da preceptora com a criança e com seus pais por que:  É colaboradora dos pais, na tarefa de educar a criança.  Procura a unidade de critérios e de ação educativa entre a família e o colégio.  Promove a formação dos pais, base indispensável para conseguir a de seus filhos.  Promove, atualiza e desenvolve um projeto pessoal de melhora de cada aluno, em estreita relação com seus pais.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Alguns critérios para as preceptorias * A atenção aos pais é uma tarefa prioritária para a preceptora. Não é suficiente a plena confiança que os pais depositam no colégio e no bom desempenho das professoras para que a criança progrida adequadamente. *Para orientar adequadamente, a preceptora necessita ter um conhecimento profundo de cada aluno: capacidades, limitações e possibilidades, para poder estabelecer um plano conjunto e concreto de ação educativa sobre a criança. Os diários, as pautas de observação da conduta ou as fichas pessoais, adquirem uma especial relevância para o preparo das preceptorias e para estabelecer planos de ação educativa. * Deve mostrar-se sempre cordial no trato com os pais, e enfrentar com atitude positiva as deficiências ou dificuldades da criança sugerindo estratégias de ajuda. * É sinal de prudência escutar com atenção aos pais, que são quem melhor conhecem a seus filhos, sem emitir juízos, quando não se dispõe de dados suficientes. * A oferta de meios de formação para os pais é muito ampla e é interessante que elaborem seu plano pessoal de formação no início do ano escolar, de acordo com suas possibilidades, experiência e interesses, orientados pela preceptora. * É necessário conhecer, querer e orientar a cada família na construção de um ambiente educativo: - formação de hábitos (alimentação, sono, higiene, ordem ...) - sugestões de estimulação sensorial e motora - situações da aprendizagem, linguagem, destrezas manuais ... * O lugar das preceptorias é o colégio. É interessante que a preceptora conheça o ambiente da família, mas é preferível que não aceite convites para almoçar, jantar, aniversários, etc. Muitas vezes, esses convites se fazem por cortesia e podem ser recusados com delicadeza. Além disso, ao aceitar esses convites, outras famílias podem pensar que existem preferências pessoais por parte da professora, o que prejudicaria o clima de naturalidade que deve existir no colégio, já que não é possível manter essa atenção com todas as famílias. * Quando um aluno falta ao colégio por doença, a preceptora manifesta seu interesse por sua saúde, o quanto antes, telefonando para os pais. Os pais costumam agradecer muito uma curta visita, quando a ausência é prolongada - neste caso, a professora deve consultar antes a família e o corpo diretivo do colégio, para concretizar o momento da visita. * A preceptora conhece através dos pais alguns dados imprescindíveis para seu trabalho: o comportamento habitual da criança na família, deficiências e limitações, situações e preocupações familiares. Deve guardar o silêncio de oficio em relação aos assuntos da intimidade familiar, que os pais manifestam nas preceptorias. * Antes de terminar a entrevista é preciso estabelecer um plano de melhora para a criança, concretizado em planos de ação, que serão avaliados na seguinte tutoria. * Se ocorrer alguma situação familiar extraordinária ou irregular, a preceptora contará com a assessoria da Coordenadora ou da Orientação do colégio. Temários das preceptorias Os temas que podem ser abordados em cada ocasião são muito variados, já que os pais e a preceptora, que compartilham um interesse comum pela formação completa de

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos uma pessoa, não podem limitar-se a comentar o desenvolvimento intelectual e a aquisição de aprendizagens, ainda que seja importante tratar este ponto com profundidade e, aparentemente, seja o assunto que mais preocupe os pais. Algumas sugestões de temas: PRIMEIRA PRECEPTORIA

  

  

1. Desenvolvimento orgânico Comentário sobre o questionário de pais. Sono e alimentação. Domínio do corpo (movimentos coordenados, domínio esquerda-direita, equilíbrio, coordenação olho-mão, etc.) 2. Formação intelectual Como é sua linguagem, destreza manual e motricidade? Como trabalha? (atenção, interesse, memória, atitude...). 3. Educação da vontade Formação humana:  Hábitos pessoais de higiene (lavar-se, pentear-se, escovar os dentes...).  Sabe vestir-se sozinho?  Empresta suas coisas aos demais?  Tempo que os pais compartilham com os filhos (jogos, trabalhos, leituras) em dias de semana e nos finais de semana...  Horário: levantar-se, deitar-se...  Circunstâncias familiares (avós, empregadas, viagens dos pais...).  Prêmios, castigos: motivos, frequência...  Como os pais exercem a autoridade?

Formação espiritual  Possibilidade e interesse em manter uma entrevista pessoal com o capelão.  Rezar pela manhã e pela noite: (a Jesus, a Nossa Senhora, ao Anjo da Guarda).  Abençoar os alimentos.  Viver em família as festas litúrgicas mais importantes.  Exemplo dos pais. Meios de formação.

Formação como educadores  Plano de formação pessoal, adaptado às circunstâncias.

PRECEPTORIAS SUBSEQUENTES 

Formação humana  Cumprimento de encargos em casa e no colégio.  Metas do plano de formação do trimestre: Avaliar ganhos e concretizar metas para viver em casa.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos  Sociabilidade: relacionamento com as crianças no colégio, relações familiares.  Hábitos vitais básicos: hora de sono, higiene.  Refeições: comer de tudo pouco a pouco, uso dos talheres, uso do guardanapo, comer de boca fechada, lavar as mãos.  Hábitos sociais: obediência, ordem, sinceridade, etc. 

Formação espiritual  Orações que conhece: rezar em casa.  Orações para aprender no colégio.

Aprendizagem  Atenção: Buscar objetivos para reforçar em casa.  Observação: aproveitamento de passeios.  Motricidade.  Memorização: Acompanhamento de bits.  Linguagem: Poesias, canções e trava-línguas.  Trabalho escolar rotineiro.  Aprendizagem da leitura e escrita.

Atividades familiares  Jogos e brincadeiras.  Diálogo com a criança.

  

Aspectos positivos a destacar na criança. Aspectos a melhorar no trimestre. Metas para o colégio e para casa.

B. OUTROS MEIOS DE FORMAÇÃO PARA OS PAIS O colégio oferece aos pais, além das preceptorias com a professora, um completo programa de educação familiar, que permite aprofundar nas distintas facetas da personalidade de seus filhos e em sua atuação como pessoas e como pais:  Reuniões Gerais.  Palestras.  Cursos Intensivos.  Atividades de formação pessoal.  Entrevista com o capelão.  Sessões culturais e oficinas. Sempre que se organizem atividades devem ser cuidadosamente programadas nos seguintes aspectos:  deve haver um chefe de equipe, professora ou responsável, que coordene a atividade;  é necessário preparar com antecedência os materiais que serão utilizados;

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos 

o lugar de trabalho deve estar bem cuidado. É uma atividade que deve prestigiar o colégio.

As reuniões gerais As reuniões gerais são trimestrais, com todos os pais de uma classe ou série. Nelas são abordados alguns aspectos concretos da educação dos filhos desta idade, informando-lhes sobre as atividades escolares e assuntos que afetem ao conjunto de crianças. A experiência aconselha organizar a primeira Reunião Geral com os pais novos antes de iniciar o ano letivo. Nessa reunião os pais esperam receber informação sobre o funcionamento do colégio nos seguintes aspectos:  professora que seu filho terá;  classe em que ficará;  atividades de rotina das aulas;  refeitório e transporte escolar;  questões práticas: a quem devem recorrer em uma eventualidade, como se informa aos pais em caso de que alguns não comam bem, ou em caso de doença etc... A reunião pode ter o seguinte roteiro: 1. Cumprimentos e introdução de da Diretora ou algum membro da Equipe de Direção 2. Informação sobre o projeto Optimist. 3. Apresentação das professoras que atenderão a seus filhos. 4. Visita às classes. 5. Propostas das primeiras metas para viver em casa. É muito conveniente tomar nota das observações e sugestões dos pais sobre qualquer tema da vida do colégio. Além disso, são muito interessantes outras atividades com as mães de cada grupo de alunos, como são as reuniões de café da manhã, as convivências, etc. A aula permanente Consistem em sessões periódicas - geralmente uma por mês para pais cujos filhos estudam um determinado ciclo. A presença regular neste tipo de reunião facilita a necessária coesão família-escola e é ocasião de refletir sobre como se está educando os filhos e o que se pode fazer para melhorar nesta tarefa. As reuniões de aula permanente costumam incorporar um debate no qual uma professora, ou pai modera as intervenções dos pais assistentes, que consultam ao conferencista suas dúvidas, manifestam suas opiniões, ou oferecem sugestões sobre os temas tratados na reunião. As sessões da Aula Permanente podem ter formas muito distintas, por exemplo:  Ciclos de conversas educativas, preferivelmente seguidas de debate.  Cine-forum sobre temas educativos.  Mesas redondas sobre um tema concreto com vários especialistas.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Cursos Intensivos São programas intensivos de educação familiar, que se referem, normalmente, a um determinado momento evolutivo. São dirigidos por professores especialistas em orientação familiar e voltados para a análise de situações familiares. São muito úteis para que os pais aprofundem em sua missão de educadores. Costumam ser organizados em um modelo intensivo - em um final de semana - ou distribuídos em 7 ou 8 semanas seguidas. Atividades de formação pessoal A capelania do colégio dá cursos de teologia e promove recolhimentos espirituais para as mães que desejam esta formação. Os pais ou mães, que desejarem, podem conversar com o capelão do colégio. Atividades culturais e oficinas O colégio pode ser um promotor de cultura para a família. É uma experiência muito positiva organizar ciclos, conferências, mesas redondas, ou debates para os pais dos alunos. Em alguns colégios foram organizadas "oficinas de materiais": Um grupo de mães colabora com a equipe de professoras para:  elaborar bits de inteligência;  enquadrar gravuras de histórias usadas para atividades de linguagem, colóquios sobre centros de interesse, etc.;  decorar corredores, colocar plantas etc.;  acompanhar as crianças a visitas culturais;  preparar fantasias e roupas para festas de Natal, teatros ou formaturas;  etc. C. OS CASAIS ENCARREGADOS DE CLASSE O colégio é também um núcleo de convivência de pais e professores, para estreitar a relação entre uns e outros. Os pais podem ter iniciativas para melhorar a eficácia e a qualidade do colégio, com uma crítica construtiva e cordial. A Associação de Pais propõe a alguns casais, interessados e com algum tempo disponível, uma colaboração mais estreita: são os casais encarregados de classe. Suas funções são:  Centralizar e encaminhar sugestões e inquietações de outros pais da classe.  Colaborar de modo mais direto com a professora encarregada da classe, especialmente na organização e acompanhamento das atividades dirigidas aos pais.  Conhecer os pais da classe e estimular sua colaboração com o colégio.  Motivar os pais, para que se formem como educadores, participando das atividades que se organizam para eles.  Dedicar uma especial atenção aos pais novos.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos IX.

CONHECIMENTO, PROJETO PESSOAL E AVALIAÇÃO PERSONALIZADA DA CRIANÇA

A. CONHECIMENTO DA CRIANÇA Nenhuma tarefa educativa deve ser planejada, sem considerar a quem é destinada. Por isso, as professoras necessitam conhecer as características do sujeito a quem dirigem suas atividades de ensino. Este conhecimento é relativamente fácil de adquirir, quando – além do interesse – se conta também, com uma base de conhecimento de psicologia básica. Necessitamos conhecer a cada aluno para orientar seu correto desenvolvimento e adaptação ao grupo e ao colégio e, também, para estar em condições de prevenir as possíveis dificuldades e superar as que se apresentem neste período de preparação para todas as aprendizagens posteriores. Perfis de desenvolvimento integral As crianças, assim como todas as pessoas em qualquer lugar, são infinitamente diversas, independente da classe social, cultural, ou econômica a que pertençam. Por isso, a psicologia evolutiva tem dificuldade para estabelecer delimitações precisas das características que se manifestam em determinadas idades. Sendo assim, as características evolutivas se agrupam, seguindo o critério de observação dos processos mais significativos dessa faixa etária. Este breve estudo das crianças de 3 a 6 anos pretende apenas ajudar à professora a conhecer os limites normais do desenvolvimento infantil e a detectar anomalias, ou deficiências. Crescer é um processo que se realiza unido às demais atividades humanas e implica em uma multiplicidade de interações complexas. Um desequilíbrio no desenvolvimento das capacidades pode gerar dificuldades emocionais, afetivas e intelectuais em épocas posteriores da vida. Cada criança nasce com certa capacidade para todo tipo de atividade intelectual e volitiva e, em geral, tem a possibilidade de desenvolver uma grande inteligência e uma vontade forte. É importante proporcionar a cada um desses aspectos a oportunidade de máximo desenvolvimento. A influência educativa familiar é decisiva no desenvolvimento somático-orgânico, psicológico, intelectual e de hábitos de conduta, em todo o processo de amadurecimento pessoal. Atualmente não há dúvidas de que um bom desenvolvimento sensoriomotor durante a infância é a base para uma aprendizagem adequada. Este desenvolvimento incide de forma notável no psiquismo das crianças, já que o desenvolvimento intelectual se apóia na maturidade do sistema nervoso. Desde os primeiros momentos da vida, a criança responde aos estímulos do meio ambiente, através do movimento. Os exercícios físicos que a criança realiza favorecem o desenvolvimento de sua percepção, atenção, inteligência, vontade etc. São, além disso, preparação para a aprendizagem da leitura, da escrita e do cálculo.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos O processo de formação pessoal da criança não seria completo e natural se atendesse somente à área cognitiva, ou intelectual, desconsiderando a percepção, sensibilidade, capacidade de decisão e de querer, para vivenciar as experiências com a totalidade da pessoa. Ao mesmo tempo, estas experiências vividas a partir do próprio corpo – base do intelectual e do afetivo – possibilitam uma captação diferente do mundo, uma apreensão de conceitos que, sendo vivenciados, deixa uma marca mais profunda que os conhecimentos teóricos. Desenvolver as faculdades sensoriais e cognitivas da criança de forma equilibrada ajuda-as a enfrentar as exigências das aprendizagens. A criança de três anos apresenta características diferentes das de cinco, ou seis anos; além disso, os limites de idade e o desenvolvimento costumam ser muito variáveis, em função das peculiaridades de cada criança e do ambiente familiar e social em que se desenvolve. Sendo assim, torna-se mais importante a etapa de aprendizagem na qual se encontra a criança, do que a sua idade cronológica. Como a aprendizagem influi no amadurecimento cerebral e vice-versa, não se deve propor um esquema rígido, em função das idades, nos programas educativos da Etapa Infantil. Perfil de desenvolvimento da criança de três anos Nesta etapa o processo mental preponderante é o desenvolvimento das sensações. No nível do desenvolvimento neuro-fisiológico, corresponde ao amadurecimento funcional das zonas primárias do córtex cerebral. Desenvolvimento motor Início da coordenação nas habilidades motoras grossas. Possui movimentos suaves, agilidade e alguma força muscular. Inicia a "marcha" e faz curvas acentuadas ao correr. Caminha, seguindo uma linha reta com a cabeça e a coluna erguidas, para frente e para trás. É capaz de deslocar-se para trás "de quatro". Pode manter-se em equilíbrio sobre um pé durante alguns segundos. Salta com os pés juntos, em um pé e do último degrau de uma escada com os dois pés. Gosta de saltar dois ou três degraus ao mesmo tempo. Pedala um triciclo e sobe uma escada, alternando os pés e sem ajuda. Pode andar sobre as pontas dos pés, ou com apoio nos calcanhares. Pega uma bola com os braços estendidos. Quica a bola várias vezes, sem que caia de suas mãos. Gosta da atividade física; confia em seu corpo. Começa a controlar seus movimentos: corre mais rápido e sabe dominar sua velocidade. Escala com agilidade. Evita os obstáculos e faz curvas, correndo. Caminha em todas as direções. Chuta com força. Gosta de dançar, quando ouve música. Trata de adaptar-se aos ritmos, mas reage com algum atraso e de maneira pouco fiel. Quanto às habilidades motoras finas, possui certa coordenação óculo-manual, pode abotoar e desabotoar um botão grande; rabisca com intenção; começa a ter controle com o lápis, sendo capaz de partir de um ponto e chegar a outro, seguindo um traçado e de completar desenhos e fechar figuras abertas. Aprende a recortar com tesouras, seguindo um

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos traçado. Pode dobrar um papel pela metade. Enfia contas. Gosta de pintar com um pincel grande, utilizando todo o papel. Desenvolvimento da linguagem Possui um vocabulário em torno de 1.500 palavras. Explica ações, nomeia imagens e utiliza frases de três, ou quatro palavras. Usa os pronomes e preposições corretamente, emprega adjetivos simples e, ainda que não use o tempo verbal adequadamente, demonstra certo sentido do tempo. É capaz de assimilar duas ou três ordens seguidas. Compreende a linguagem familiar e 80 % do que lhe dizem os estranhos. Compreende mais palavras do que costuma empregar. No jogo utiliza o monólogo. Modula as palavras. Às vezes realiza substituições fonéticas e utiliza formas gramaticais não convencionais. Usa os plurais. Utiliza o “eu” e não o "mim/me". Sabe descrever a atividade do presente e as experiências do passado. Conhece várias canções infantis. Utiliza o "por que", o que lhe permite brincar de adivinhações, que são de seu agrado. A criança de três anos se encontra em pleno período sensitivo da fala, podendo aprender vários idiomas com mínimo esforço, do mesmo modo que aprende o idioma materno. Desenvolvimento cognitivo O desenvolvimento cognitivo depende, em parte, do desenvolvimento da linguagem. Aos três anos atravessa um período pré-conceitual. Está passando da aprendizagem sensorial à intuitiva, como mostra o desenvolvimento da memória e a representação simbólica. A criança se libera da realidade e é capaz de mergulhar na fantasia, ou de dividir a realidade em partes e reconstruí-la de modo distinto, para criar acontecimentos mágicos. A criança usa os brinquedos para representar realidades diferentes (os cubos se convertem em pontes), prevê consequências das ações, representa dramaticamente, imitando os que lhe rodeiam. Tenta solucionar os problemas mediante tentativa e erro. Aprende por imitação, pelo desenho e pela linguagem e se expressa por meio desses mesmos meios. Dá nome aos desenhos. Constrói com cubos, seguindo modelos. Gosta de brincar de quebra-cabeça. Pode encaixar formas cilíndricas, cúbicas e triangulares. Copia círculos e imita a cruz. Reconhece figuras geométricas planas. Verifica as características de um objeto por meio do tato. Identifica símbolos visuais dentro de seu âmbito de experiência. Tem uma ideia clara de seu corpo, distinguindo-o do espaço e dos objetos. Desenha um homem com cabeça e é capaz de assinalar uma, ou duas partes. Associa 2 ou 3 cores primárias e - se for suficientemente estimulado sensorial e motoramente – pode chegar a associar outras cores básicas. Conhece o nome de várias cores. Conta mecanicamente até 10, ou mais. Compreende o número 3, segura três elementos e retém três números. Faz coleções com mais de três elementos.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Desenvolvimento afetivo e social A criança está preparada para atuar com a autonomia que conseguiu e utilizar suas habilidades para adquirir outras novas e interagir com os demais. Se não sente confiança em suas possibilidades e sua autoestima é negativa, pode se fechar e sentir-se culpada e envergonhada de si mesma. É agressiva ante a frustração. É teimosa, alegre e ainda muito individualista. A memória e a fantasia distorcem a realidade, em algumas ocasiões, provocando medo e ansiedade. Estabelece vínculos afetivos com pessoas distintas dos pais. Mantém uma relação carinhosa e colaboradora com seus irmãos. Conhece sua identidade sexual, embora seja indiferente ao brincar com outras crianças. Não compreende as crianças de sua mesma idade, aos quais atribui seus próprios desejos e necessidades. Tem necessidade de estar com elas, imitá-las e cooperar em certo grau. Gosta de brincar no chão. Começa a assimilar as regras que regem a vida social, com uma atitude progressivamente realista. Entende o que significa compartilhar algo. Evita as situações que podem ter consequências desagradáveis: é prudente com os desconhecidos, nas escadas, com fósforos, facas, vidros, animais, chuva etc. Aquisição de hábitos de conduta Começa a utilizar o garfo para comer, come sozinha, sem derramar da colher ou da xícara, que segura pela asa. Desamarra os sapatos; pode despir-se (batas, vestidos simples); consegue vestirse sem ajuda, mas não consegue abotoar bem. Seca as mãos depois de lavá-las; expressa os desejos de ir ao banheiro (bexiga ou intestino) com gestos ou palavras, mas necessita ajuda. Mostra ser consciente do que está bem e do que está mal, mas somente manifesta sentimento de culpa, quando é descoberto. Pode recorrer a um amigo imaginário para responsabilizá-lo. Mostra-se ansiosa por agradar e solicita atenção e aprovação. Tem consciência clara de si mesma, mas em dependência do adulto. Está orgulhosa do que sabe fazer e é muito sensível ao elogio. Gosta de colaborar com o adulto. Realiza pequenos encargos de ajuda em casa. Escolhe uma roupa entre duas propostas. Está concluindo o período sensitivo da ordem, que começou aos dois anos. Por instinto, tem a ideia clara de que "cada coisa deve ter seu lugar", mas assim como é capaz de imitar a ordem, também imita a desordem. Sente prazer em ser organizado. O período sensitivo da sinceridade começa nesta idade. A criança tem um conceito intuitivo da justiça e sabe que as pessoas devem dizer a verdade. A criança de três anos vive a sinceridade como inclinação e distingue entre verdade e mentira; sabe que a mentira é algo que não se deve dizer. Demonstra grande sensibilidade ao sentir-se enganada e tem facilidade para captar o grau de sinceridade de seus pais e educadores. Tende a ser sincera, mas quando não se incentiva esse costume, pode descobrir as grandes vantagens de saber mentir.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Desenvolvimento religioso A criança de três anos está na idade apropriada para acreditar na existência de Deus. O amor a Deus deve ser uma consequência do exemplo de seus pais. Pode viver práticas de piedade apropriadas à sua idade. Perfil de desenvolvimento da criança de quatro anos Nesta etapa o processo mental preponderante é o desenvolvimento das percepções e da linguagem. A percepção é um processo mental de caráter sintético, que consiste na captação dos objetos e fatos da realidade. Na percepção, todas as qualidades sensoriais de um objeto se integram em uma unidade, que permite identificar tal objeto como distinto dos demais. A percepção amadurece à medida que aumenta o desenvolvimento sensorial, a assimilação das estruturas espaço-temporais e com o aperfeiçoamento dos processos de captação e diferenciação de estímulos e respostas. O desenvolvimento da percepção corresponde, a nível neurofisiológico, com o amadurecimento funcional das zonas secundárias e terciárias do córtex cerebral. Desenvolvimento motor A melhor coordenação em suas habilidades motoras grossas a leva a saltar e dançar. As situações de risco são estimulantes. Salta em uma perna, sem impulso, com um ou dois pés, ou por cima de um objeto. Corre com mais harmonia e é capaz de descompor os ritmos regulares de seu passo. Pode andar em todas as formas simétricas: para frente, para trás, para a direita e para a esquerda. Anda com bom equilíbrio sobre uma linha de 6 cm de largura. Gosta de andar em trilhos. Sobe e desce escadas. Anda "de quatro" para frente, para trás e de lado. Pode, inclusive, correr nessa posição. Lança uma bola, ou objeto, para cima - ou por cima de seu ombro - alcançando certa distância. Tenta encestar e às vezes consegue. Lança e recebe, mas sem precisão. Dobra um papel em várias dobras e sabe picar diferentes tipos de papel. Desenha figuras planas. Pode fazer nós simples e colore formas simples com certa precisão. Desenvolvimento da linguagem Seu vocabulário aumenta notavelmente. Utiliza cerca de 2.000 palavras e pode compreender um número ainda maior. O ceceio é um sintoma de imaturidade, que geralmente se corrige com o tempo. É chantageador. Utiliza o futuro. Joga com as palavras e gosta de dizer absurdos. Por sua maior facilidade de expressão, pode fazer exercícios de trava-línguas, dramatizações, brincadeiras com fantasias etc, fazendo-se entender por pessoas alheias à família. Alonga suas frases e expressa, em algumas delas, relações de causa e efeito: "Você é mau, por isso eu bato em você". Utiliza bem os adjetivos possessivos, mas se equivoca com os pronomes "me", "meu", "teu"... Os "como" são frequentes em sua conversação. A criança pergunta para conhecer a função dos objetos e sua razão de ser. Utiliza a linguagem como jogo.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos A criança de quatro anos está na fase final do período sensitivo da fala e é fácil aprender idiomas, do mesmo modo que aprende a língua materna. Desenvolvimento cognitivo Aprende intuitivamente mediante a própria atividade e a iniciativa para ensaiar formas novas e criativas de fazer as coisas. O mundo imaginativo vai dando lugar à realidade à medida que usa sua experiência para antecipar o resultado correto. Ainda não possui pensamento lógico. É capaz de escolher a peça mais pesada e de agrupar objetos para formar coleções. Prefere os jogos de construção e os de água. Gosta dos livros que têm ilustrações muito bonitas e ler é uma diversão. Deseja aprender a ler. Cria jogos de imaginação. Começa a orientar-se temporalmente e é capaz de representar itinerários mentalmente. Desenvolvimento afetivo e social A criança de quatro anos passa mais tempo com crianças de sua idade, mas ainda requer a vigilância do adulto e não se desempenha bem em grupos grandes. Usa mais a linguagem do que a agressividade, para conseguir as coisas. Gosta de dizer grosserias. Deve sentir-se responsável por seu comportamento. Adota facilmente o comportamento que se espera dela. Está desejosa de agradar à pessoa que o atende, e se enche de remorsos se é descoberta, fazendo algo de errado. Coopera no jogo com as outras crianças. Recita, canta e dança para divertir aos demais. Como afirmação de si mesma, gosta de guardar os brinquedos por si só. Possui senso de humor, com referência ao absurdo, ao exagerado, ou a quedas, caricaturas, gestos, etc. As crianças desta idade se acariciam e se beijam com facilidade. Aquisição de hábitos de conduta Come com o garfo, sem ajuda. Bebe através de um canudo sem amassá-lo. Calça o sapato correspondente a cada pé. Veste-se sem vigilância (distingue a frente e a parte de trás da roupa). Abotoa as roupas. Lava e seca as mãos sozinha e sem sujar a toalha; lava o rosto, escova os dentes e penteia os cabelos. Tem independência para urinar. Pode fazer pequenos serviços e dar recados, ajudar aos adultos e colaborar em pequenos encargos domésticos. Pode deslocar-se em grupo: círculo, fila, etc. Atravessa o período sensitivo da sinceridade, sendo válido o mesmo procedimento indicado a este respeito, para as crianças de três anos. Desenvolvimento religioso Está na idade apropriada para crer na existência de Deus. O amor a Deus deve ser uma consequência do exemplo de seus pais e professoras. Pode viver práticas de piedade apropriadas à sua idade.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Perfil de desenvolvimento da criança de cinco anos A criança de cinco anos costuma atravessar uma breve etapa mais tranquila em seu desenvolvimento, na qual organiza as experiências e conhecimentos adquiridos na etapa anterior. Diminui a expansividade e é mais dono de si mesmo, relacionando-se melhor com sua família e o ambiente. Tenta conhecer com maior profundidade o que anteriormente foi descobrindo, passa de uma fase exploratória de um mundo mágico, fantástico e irreal, ao conhecimento das novidades e realidades do mundo concreto que acaba de descobrir. Se encontra feliz, brincando durante várias horas em casa, gosta de representar papéis e assistir a dramatizações nas quais são ressaltadas situações da vida real e doméstica, como brincar de ser professores, mães, fazer comidas, vestir bonecas, ir às compras, representar profissões etc. Interessa-lhe conhecer o que fazia em idades anteriores, gosta de cuidar dos menores, porque assim se sente maior. Ainda apresenta um forte sentido de posse. Mostra-se orgulhoso de "suas coisas". Tende a ser realista e concreto e a falar em primeira pessoa. Continuará fazendo perguntas em família ou em ambientes conhecidos, com maior profundidade que anteriormente. “Para que serve isto? Como funciona isto? De que é feito este caminhão?”. Nesta idade as crianças dão a impressão de haver aumentado sua competência e estabilidade, porque já são capazes de manter a atenção durante mais tempo, e gostam de comportar-se bem e assumir certas responsabilidades e privilégios. Buscam o apoio e a orientação dos adultos na maioria de suas atividades. Mostram-se ansiosos por saber coisas, demonstrando satisfação pelo que sabem. Para conseguir o êxito e aceitação social, buscam afeto e aplauso e se esforçam em realizar bem as coisas e levar do colégio para casa algo bem feito, para reforçar sua aceitação. Ainda têm uma forte união emocional com a mãe, obedecem a ela com facilidade, ajudam-na em casa e com os irmãos menores; encanta-lhes que a mãe leia histórias, antes de dormir. Continuam sendo grandes faladoras, com um considerável aumento de vocabulário e a articulação infantil está praticamente superada. O ajuste emocional costuma ser bom, ainda que pode apresentar angústias, pesadelos e temores momentâneos e concretos, como medo do escuro, da solidão, de trovões... Em síntese, a criança de cinco anos tem um bom equilíbrio emocional, se sente cômoda consigo mesma e com o que lhe rodeia, e tem desejos de integrar-se no entorno. Desenvolvimento motor O aspecto físico das crianças de cinco anos se aproxima bastante do que terá como adulto. Observa-se já uma maior proporção e harmonia nas distintas partes de seu corpo. É mais ágil que aos quatro anos e possui maior controle da atividade corporal. Seu sentido do equilíbrio é mais maduro e parece mais seguro e arriscado no esporte ou em jogos. Salta, alternando os pés sem dificuldade e com soltura, pode saltar alturas de 60 cm, equilibrar-se em um pé, ficar na ponta dos pés por alguns segundos, pular corda, dançar e fazer coreografias simples, seguindo um ritmo, realizar exercícios físicos, subir e pode mover-se com desenvoltura em qualquer esporte, ou atividade rítmica, já que seu grau de

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos coordenação lhe permite iniciar esportes e atividades como nadar, patinar, andar de bicicleta, etc. Sua atividade motora grossa está bem desenvolvida e pode estar bastante madura. A facilidade e economia de movimentos se observam também nas coordenações finas. Começa a usar preferencialmente uma das mãos, pode introduzir objetos pequenos em garrafas com boca estreita e é capaz de desenhar objetos reconhecíveis, como a figura humana que já apresenta as partes fundamentais do corpo. Pode recortar figuras, ainda que movimente o papel mais do que a tesoura; pode fazer dobraduras, mosaicos; costurar com agulha grossa, picar ou furar papel ou cartolina, recortar com os dedos, fazer colares, etc. Tudo isto revela um progresso no domínio neuromotor dos eixos vertical (para baixo), horizontal (da esquerda para a direita) e obliquo (para baixo), embora esse último seja ainda difícil de executar. Desenvolvimento da linguagem O nível linguístico de uma criança de cinco anos é muito mais amplo e desenvolvido do que o de uma criança de quatro anos. Já fala sem articulação infantil; suas respostas são mais ajustadas ao que se lhe pergunta; suas perguntas são mais escassas e mais voltadas para a informação que obtém, dirigidas à finalidade, utilidade e razão de ser das coisas ou situações, são mais sérias e têm mais sentido. Fazem as perguntas para aumentar seus conhecimentos e obter informações e não somente por razões sociais, ou para praticar a habilidade de falar, como fazia aos quatro anos. Tem verdadeiros desejos de saber. É mais pragmática, descreve os objetos que conhece em função da utilidade: um copo é para beber, uma bicicleta para passear. Começa a aprender através da linguagem; pode manter uma só linha de pensamento. Utiliza de 2200 a 2500 palavras, que correspondem às suas preocupações e interesses. Relata histórias, conta piadas e pergunta o significado das palavras. Modula bem as frases com preposições, advérbios e conjunções. Pode recitar poesias, dizer travalínguas, adivinhações, etc. Gosta de aprender poesias simples e falar ou comentar o que significam refrãos, trava-línguas, etc. Gostam de adivinhações e jogos de palavras. Sua nova aquisição é a aprendizagem da leitura e da escrita. O conhecimento e o uso de símbolos na leitura e a interpretação de suas mensagens, são o objetivo fundamental desta nova aprendizagem que lhe interessa muito, se foi bem motivada. Toma parte ativa na leitura. Como ouviu repetidas vezes leituras em casa e no colégio, tem seus contos e histórias favoritas que quer ler. Ás vezes repete de memória, simulando que sabe interpretar os símbolos escritos. Aprende a ler, mas é frequente que cometa erros: troca umas letras por outras, agrega, ou omite letras ou sílabas, repete etc. Começa a escrever, reproduzindo, ou copiando letras ou palavras que leu e trabalhou previamente, podendo cometer erros similares aos da leitura. Emprega a linguagem como meio de comunicação e adequação à realidade. Nesta fase, quase todas as crianças se fazem compreender pelos estranhos.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Aumenta a agressividade verbal, já que utiliza a linguagem como meio de expressar suas contrariedades. Dirige-se a qualquer pessoa e fala muitíssimo. Gosta de dialogar sobre os acontecimentos diários e faz dramatizações, personificando fenômenos naturais ou acontecimentos que presenciou, nos quais mescla sua fantasia - ainda que muito do que diz seja uma forma de "monólogo coletivo”, onde não aparecem relações causais, ou lógicas. A linguagem já está completa em estrutura e forma, se expressa com frases corretas e acabadas, inclusive orações subordinadas. Desenvolvimento cognitivo O processo mental mais importante nesta idade é o pensamento intuitivo e o jogo simbólico. Do conhecido e concreto passa-se a intuir processos novos e desconhecidos e ao final se chega a alcançar uma primeira generalização. A criança de cinco anos já é capaz de utilizar o processo mental da representação. Através dele pode operar com as imagens mentais dos objetos, sem necessidade de que estes estejam presentes. Através do conhecimento e da experiência, interioriza esses objetos e ações, podendo manejá-los mentalmente. Este processo mental é complexo e implica em um processo de análise e síntese mental – que ainda não domina aos cinco anos. Contudo, pode realizar juízos práticos sobre a ordem e a sucessão dos fatos, assim como sobre a orientação dos mesmos - por isso consegue seguir perfeitamente a trama de um conto e captar a sucessão de fatos importantes. Os progressos na linguagem têm um papel importantíssimo para o desenvolvimento da representação - servem para codificar e simbolizar a realidade. De fato, está muito ligado, a nível neurofisiológico, com o desenvolvimento das regiões corticais, encarregadas das funções linguísticas. Uma vez que a criança é capaz de representar mentalmente imagens da realidade, está capacitada para desenvolver de modo paralelo a imaginação criativa, manipulando e combinando representações e imagens já possuídas e assimiladas. O pensamento continua sendo egocêntrico e carece da capacidade de reflexão que lhe permitiria identificar sua consciência e forma de pensar como algo subjetivo independente do mundo objetivo, e confunde a causalidade física com a motivação psicológica. Por isso, tem ainda uma inocência intelectual e dá vida a tudo que é inanimado (brinquedos, bonecos, objetos de uso doméstico, etc.). Este fato contrapõe a aparente maturidade que manifesta e seu discurso verbal racional, com o domínio da gramática e da linguagem. Pode resolver problemas simples, que envolvam relações geométricas e espaciais. Pode realizar problemas de sequências e organização do menor para o maior, fazendo juízos sobre o realizado. Tem capacidade de percepção da ordem, forma e detalhe. No desenho da figura humana mostra já a diferenciação de partes da cabeça aos pés. Pode contar e diferenciar os objetos, inclusive pode fazer algumas somas simples. Sabe dizer sua idade. Está mais desenvolvido o sentido do tempo e da duração dos acontecimentos. Pode recordar lugares visitados e longínquos, com clareza. Pode recordar uma música, ou canção e, ao pintar, a ideia precede a representação sobre o papel.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Desenvolvimento afetivo e social Nesta idade termina a etapa da rebeldia e autoafirmação. A criança acata melhor as situações e seu comportamento geral melhora. Demonstra bom espírito de serviço e é um verdadeiro colaborador da mãe. Encontra-se cômodo e contente em casa, e se mostra protetor e carinhoso com os irmãos menores. É obediente e se pode confiar nele. Normalmente é pouco o trabalho que dá para dormir, vestir-se, ir ao banheiro e cumprir com suas obrigações diárias. A criança de cinco anos é capaz de participar em jogos de interação simples, com crianças de sua idade. É dogmático: muda as regras do jogo, segundo sua conveniência. Está assimilando as normas de comportamento e aceita as de sua família e grupo de colegas. Possui autoestima suficiente para empreender atividades por sua conta, sem necessidade de permissão, ou atenção. Pode adotar o papel de protetor de crianças menores. Tem certa capacidade para a amizade, brinca com grupos de dois a cinco amigos e com companheiros imaginários. Gosta mais dos jogos associativos. Manifesta suas preferências por determinados companheiros de brincadeiras e aparecem os amigos inseparáveis do mesmo sexo. Pede continuamente aprovação e permissão para o que faz e tenta adaptar-se ao que se lhe exige. Destacam-se sua naturalidade e simplicidade. É sério e bastante equilibrado, mostra seu contentamento e orgulho em seus êxitos e conquistas. Mostra calma e, às vezes, indiferença perante situações nas quais os adultos se angustiam, como acidentes, ou tragédias. Imita aos pais com afã de possuir as qualidades positivas do modelo. Aquisição de hábitos de conduta Mostra maior independência dos adultos em todas suas necessidades. Começa a utilizar a faca para acompanhar o garfo. Mantem-se à mesa durante toda a refeição e se comporta adequadamente. Amarra os sapatos. Pode abotoar os botões da camisa, mas não os de trás. Vestese sozinho. Participa da higiene geral (banho). Penteia-se. Tem independência total em suas necessidades (micção e evacuação). Comporta-se adequadamente em sala de aula e compartilha materiais com seus companheiros. É capaz de manejar e guardar algum dinheiro. Atravessa uma rua. Pode guardar os brinquedos de forma ordenada e adapta-se aos horários. A partir desta idade - cinco anos - pode dizer mentiras, que já não são fantasias: não acredita no que está dizendo, mas é capaz de fazê-lo para evitar castigos, ou repreensões. Perfil de desenvolvimento da criança de seis anos O sexto ano de vida de uma criança traz consigo uma série de mudanças fundamentais, tanto somáticas como psicológicas e, por isso, é considerada uma idade de transição. Muda sua fisionomia. Desaparecem os dentes de leite e aparecem os primeiros molares permanentes. Aumenta sua propensão a adquirir doenças infecciosas e é menos robusta e forte que aos cinco. Surgem mudanças evolutivas importantes, que afetam a visão e todo o sistema neuromotor.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Desde os cinco anos e meio começa a manifestar reações extremas, de modo que, perante situações alternativas a criança opta por um extremo em um momento e, em seguida, pelo extremo oposto, já que ambos exercem atração sobre ela e lhe resulta difícil escolher. O que era fácil aos cinco anos, agora se vê complicado por um maior conhecimento das situações, ou por fatores emocionais. A complicação de aspectos a considerar representa maior maturidade que antes, mas sua incapacidade para decidir, indica que não tem experiência para optar pelo melhor, mais vantajoso, ou mais aceito pelos demais. Nesta mesma linha se encontram suas reações emocionais bipolares: chora com mais facilidade e seu pranto converte-se em riso. Às vezes se aproxima da mãe, ou da professora para dizer-lhe "te amo" ou "como você está bonita" e poucos minutos depois pode dizer "não gosto de você", ou "você é feia". Pode manifestar timidez diante de um desconhecido, ou lançar-lhe um insulto. Mostra-se muito inexperiente nas relações humanas complexas. Esta dificuldade para distinguir entre possibilidades opostas não se dá somente nas relações emocionais e sociais, mas também na aprendizagem - por exemplo, ao reproduzir letras, pode mostrar tendência a invertê-las, ou mudar a orientação. Não tem ainda domínio de seus impulsos motores, nem de suas relações sociais, porque percebe mais coisas e maiores possibilidades das que pode manejar. Quer sempre ganhar, ser a primeira. Isto a torna muito propensa à acusação das falhas alheias e a brigar nos jogos e na obtenção de prêmios, ou posições de destaque. Tem um forte sentido de reciprocidade: "Eu te dou um presente, e você me dá outro presente", "você me empurra e eu te empurro". Busca ser o centro da atenção e do carinho, tenta chamar a atenção sobre si, por exemplo, apresentando-se como voluntária para todas as atividades, pedindo aprovação no que faz, mostrando seus trabalhos para que sejam elogiados, ou premiados. Com estas e outras condutas busca sua segurança, aceitação e estima. Mostra um grande interesse pelas festas com outras crianças, como as de aniversário, mas nelas costumam estar muito inquietas, excitadas, alvoroçadas; manipulando os presentes, pedindo as guloseimas. Espera cada um obter o primeiro prêmio de algo, esbanjam energias e alegria, mas não possuem o controle suficiente nas relações sociais. Possui uma grande energia, uma criança sadia de seis anos é flexível, sensível, ativa e está alerta ante qualquer convite à atividade e criatividade. Este é um aspecto muito aproveitável pela professora, já que – mediante técnicas ativas se canalizam este movimento e energia criadora – consegue facilmente que a criança se identifique e interesse por tudo o que é proposto e acontece em seu redor. É positivo o desenvolvimento de programas e projetos que proporcionam experiências pessoais e culturais, que organizam suas emoções, sua atividade motora e seus interesses crescentes. A criança nesta idade aprende mais por participação e autoativação criadora, do que memorizando mecanicamente. Nas classes de crianças desta idade é preciso criar um ambiente de tolerância, segurança pessoal e sentido do humor que favoreça a tendência natural da criança a

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos expressar e organizar suas experiências, mediante reações francas, não esquecendo a ordem e respeito às normas adequadas, das quais costumam ser cumpridoras zelosas. Desenvolvimento motor Os seis anos é uma idade ativa. Entretém-se subindo, correndo, montando em triciclo, mudando frequentemente de atividade. Tem atração por jogos com areia, água, argila... Está em atividade constante, tanto de pé como sentada. Domina melhor o espaço, pelo qual empreende atividades cada vez mais arriscadas, que aumentam sua resistência física e força muscular. Gosta dos jogos de ritmo, da música, da bola e se mostra impulsiva e "briguenta", tanto com seus colegas como com pessoas da família, mas não sabe encontrar os limites para sua desordenada atividade. Interessam-lhes especialmente os jogos de subir, escalar ou balançar, o balanço está entre seus brinquedos favoritos. Não lhe assustam os tombos, nem o rolar pelo chão. É preciso vigiar e controlar seus impulsos motores para evitar acidentes. Possui maior domínio óculo-manual. Embora ainda seja pouco hábil em algumas tarefas de motricidade fina, a criança está motivada em experimentar essas atividades, o que favorece sua progressiva maturidade e domínio das mesmas. Sustenta e move com maior agilidade o lápis, gosta de desenhar, colorir e escrever. Tem ainda dificuldades para manter-se quieta durante algum tempo e muda de posição com frequência. Suas atividades são acompanhadas pela conversação. Tem pressa em terminar os trabalhos e mostrá-los, ainda que lhe custe fazê-los bem. Há mais atividade, do que realizações corretas. Distrai-se com muita facilidade e observa outra criança, para comparar-se com ela ou imitá-la. Suas execuções estão marcadas pela impulsividade e atividade constantes. É um período muito adequado ao exercício progressivo que leve ao ganho de sua maturidade motora fina, à correta assimilação de seu esquema corporal e à aquisição do domínio lateral. Desenvolvimento da linguagem Aos seis anos a maioria das crianças possui uma articulação correta. Em alguns casos pode apresentar algum problema com consoantes de aquisição tardia, como /ch/, /z/, /ll/, /rr/, /f/, /x/. Sua expressão é abundante e mais socializada. É uma contínua conversadora, escutando com atenção quando se trata de qualquer tema que lhe interesse minimamente. Troca informação objetiva, mas lhe custa expressar ideias e sentimentos. Seu vocabulário aumenta consideravelmente e gosta de conhecer e incorporar palavras novas. Seu exercício constante da comunicação favorece este processo. Nesta idade dispõe – segundo sua capacidade e ambiente – de 3000 a 5000 palavras. Sua evolução linguística integrou as estruturas gramaticais essenciais, como a utilização de todos os tempos verbais, o uso de singular e plural, e a utilização correta de nomes, adjetivos e pronomes. Situa acontecimentos no espaço e tempo por meio de advérbios e preposições, formula distintos tipos de frases e ainda não usa a voz passiva. As crianças, que por sua maturidade e estimulação recebida, conseguiram a aprendizagem da leitura e da escrita em anos anteriores, podem alcançar um aceitável nível lecto-escritor ao longo do sexto ano.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos As crianças desta idade apreciam muito as histórias de aventuras reais e fantásticas e, um pouco menos, as de fadas – gostam de ouvi-las, tanto em casa, como no colégio. Desenvolvimento cognitivo Esta idade é um período de transição entre o conhecimento intuitivo, cuja característica é a ação, e as operações concretas do pensamento. Está culminando a fase do período pré-operacional e que supõe progressos significativos na área intelectual, de linguística e de aprendizagem. Entre as aquisições desta fase podemos destacar a capacidade de utilizar símbolos em seus pensamentos e ações. A função simbólica foi adquirida em idades anteriores e agora é capaz de representar mentalmente fatos, ações e imagens. Através do jogo simbólico chegou a uma expressão intelectualizada e real de suas próprias necessidades, suas inquietações, desejos, ou temores. O pensamento egocêntrico está reduzido e dá lugar às suas necessidades socializadoras, o que lhe permite perceber que seus pontos de vista são mais um, entre muitos e adequa sua linguagem à do interlocutor; permite também perceber outros papéis além do próprio, e começa a adaptar-se melhor às normas sociais. Capta as relações existentes entre séries de objetos, tendo em conta mais de uma característica. Ainda não conseguiu separar totalmente o real do irreal, diferenciar os fatos vividos dos sonhos, ou das fantasias. Até agora não interiorizava os conhecimentos adquiridos por meio da ação. Nesta idade ocorre a passagem da ação à operação, com a respectiva representação mental. Contudo, seu pensamento ainda não adquiriu totalmente o conceito da reversibilidade, que facilita a compreensão de muitas operações matemáticas e fenômenos físicos, ou naturais. Seu pensamento amadureceu de forma considerável, o que foi possibilitado pela experiência e a memória para recordar as experiências, assim como pela maior capacidade para simbolizá-las. Mostra grande interesse por aprender mais. Suas perguntas são mais profundas e não lhe interessa tanto para o que serve algo, porque conhece o uso de muitas coisas. Agora se interessa por saber como as coisas funcionam. Dá importância ao ponto de vista alheio e pode chegar a conhecimentos complexos, que envolvem diferentes atitudes intelectuais, como processos de leitura compreensiva, resolução de problemas etc. Desenvolvimento afetivo-social A criança de seis anos se sente apta a acomodar-se às rotinas diárias. Apesar de sua inexperiência nas relações com os demais, sabe que pode ser aceita, querida e líder. Sabe acolher e retribuir o carinho dos que lhe cuidam. Sente prazer na companhia dos demais, mas tem comportamentos inconsequentes e nem sempre acertados, quando se trata de fazer amizades. Muda frequentemente de amigos, possui normas de conduta muito

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos subjetivas para julgar suas atitudes e as dos demais companheiros de brincadeira, e frequentemente recorre aos adultos para confrontar opiniões, ou pedir conselho sobre as normas morais e culturais, aceitando-as de bom grado. Sua emotividade oscila muito, segundo as circunstâncias que considere favoráveis ou adversas. Aos seis anos a criança é alegre, risonha, mostra satisfação nos olhos e movimentos corporais, depois de uma determinada situação, como a narrativa de uma história, uma brincadeira, a ajuda que presta a um adulto etc. Costuma se autoelogiar e parabenizar por seus êxitos, mencionando-os, esperando o reconhecimento dos demais. Em geral, mostram-se orgulhosa de seus atos, realizações, roupas, do que sua família ou seus irmãos possuem: é o centro de seu próprio universo. Diverte-se, fazendo coisas, ainda que com esforço e gosta de ser útil e colaborar. Ainda alterna momentos felizes, com outros menos alegres e menos maduros; momentos de negativismo, enfados súbitos, insultos, implicâncias etc. Porém, ao término do ano, se nota um progresso na capacidade de reflexão e interiorização de si mesmo, que será característica dos sete anos. Nas relações interpessoais em família, a criança de seis anos costuma desafiar a paciência dos pais, gerando tensões, que devem ser tratadas com tolerância e senso de humor. As explosões de irritação são transitórias e costumam passar logo. Nesses momentos é preferível recorrer a alguma história infantil conhecida, onde a criança possa se identificar com algum personagem e perceber que está agindo mal, do que apelar para castigos e cenas de impaciência. São muito sensíveis aos estados de ânimo, emoções e tensões entre os pais, ainda que estes possam pensar que não o demonstram. Admiram a mãe, captam suas expressões e não podem vê-la chorar. Esta sensibilidade contrasta com suas expressões duras ou rudes para com ela, ou com atitudes desafiadoras, ou insolentes, que surgem em algumas ocasiões. O pai deve desenvolver um papel importante nesta etapa da vida da criança: conversando com ela, fazendo alguma atividade juntos, lendo uma história antes de dormir, ajudando-a a vestir-se pela manhã, brincando com ela... Estas oportunidades de intervenção paterna são muito valorizadas e favorecem a intimidade entre os dois. As crianças desta idade costumam se comportar bem com os irmãos pequenos, ainda que, às vezes os intimide e seja prepotente com eles. Gostam de brincar com outras crianças e são poucas as que têm dificuldades para relacionar-se com crianças de sua idade, ou maiores. Mantêm melhor o jogo coletivo ao ar livre que em casa. Não têm preferências por amigos de um ou outro sexo e essas só dependem da disponibilidade das crianças próximas a elas. Os grupos de duas crianças são os mais comuns. Não se dão muito bem com seus companheiros de brincadeiras, embora tenham muito interesse por eles e falem muito de seus "amigos do colégio". Em geral, a atitude com cada criança pode adotar formas extremas: ou goza do favor dos demais e os procura, ou os rejeita e exclui dos jogos. Sofrem com implicâncias e, às vezes, com agressões. Com frequência são bruscos nos jogos e alguns se assustam e sofrem por isso, o que pode levá-los a se retraírem nestas relações que tanto lhes atraem.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Aquisição de hábitos de conduta Grande parte das dificuldades das crianças de seis anos provém de sua incapacidade para mudar, ou modificar sua conduta em um determinado momento, por não saber que comportamento, ou reação, é oportuna em cada situação. Entre os hábitos de conduta mais frequentes podemos indicar:  A grande capacidade de movimento: são incansáveis perante o que lhes motiva.  O afã de protagonismo e desejo de aprovação em tudo o que fazem.  Mostram-se como as "sabichonas".  São muito ruidosas e desorganizadas nas brincadeiras.  Desejo e interesses sociais, mas carência de formas de conduta socialmente aprovadas.  Desejo de colaboração com os adultos.  Sensíveis e necessitados de afeto, especialmente familiar.  Desejo de aprender coisas novas. Predisposição positiva para a aprendizagem.  Está ainda no período sensitivo da sinceridade. Desenvolvimento religioso Tudo que está relacionado ao religioso lhes interessa e atrai. Gostam de ouvir falar de Deus e é propício iniciar a prática de normas de piedade.

B. DIAGNÓSTICO ESCOLAR "O diagnóstico escolar é uma avaliação que, depois de uma exploração científica adequada, se estabelece acerca das possibilidades e limitações que um sujeito apresenta em seu desenvolvimento educativo". (García Hoz) Segundo esta definição, a realização de um diagnóstico escolar não se limita ao estudo daquelas crianças com problemas ou dificuldades, mas pretende chegar ao conhecimento de todos e cada um dos alunos e alunas, com a finalidade de ajudá-los em seu desenvolvimento e de realizar uma programação de acordo com as características particulares de cada criança. Poderíamos dizer que isto se conseguirá na medida em que se atinjam os seguintes objetivos:  Conhecer as diferenças individuais.  Descobrir deficiências biológicas ou psicológicas.  Determinar os ganhos que se pode esperar de cada criança  Descobrir as atitudes especiais (excelência pessoal).  Conhecer a integração dos alunos em seu grupo e no colégio. Para conseguir estes objetivos, a professora utilizará diferentes técnicas, cujos resultados, unidos aos dados facilitados pela família e pelas demais professoras do colégio, nos darão elementos de conhecimento da criança, que serão o ponto de partida de sua educação. Quando conhecemos nossos alunos, podemos ajudar àquelas crianças com

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos limitações, ou deficiências e exigir a todos um rendimento satisfatório, de acordo com suas possibilidades. A tarefa de diagnóstico fica facilitada se este é acumulativo, isto é, se os dados obtidos e utilizados em um determinado momento são arquivados para considerações posteriores, quando necessárias. Assim, um novo dado de observação, ou os resultados de uma avaliação psicotécnica, não se consideram isoladamente, mas junto com as demais informações que se possui sobre a criança, favorecendo a objetividade e a avaliação em função da dinâmica evolutiva e do amadurecimento de cada aluno. As técnicas de que se pode valer a professora são: a exploração, o diálogo ou entrevista e a observação. Exploração biológica Para a professora é relativamente fácil conhecer uma série de aspectos relativos à constituição física de seus alunos, como por exemplo, a sua altura e peso.. Estes aspectos, unidos a outros relativos ao desenvolvimento físico da criança, podem ter pequena ou grande incidência no terreno educativo; assim, uma estatura, ou peso inadequado a uma determinada idade, um estado de saúde deficiente, uma deficiência visual, ou auditiva, podem ser, entre outras, causas de uma aprendizagem lenta, ou de uma inadaptação escolar. É certo que o diagnosticar qualquer anomalia física é tarefa do especialista, neste caso do médico, mas a professora pode, e de fato assim ocorre, descobrir ou suspeitar de alguma deficiência e informar à família, que deve buscar a confirmação e, se for o caso, empregar os meios para solucionar a questão, o quanto antes. O estudo biológico da criança de Educação Infantil deve incluir, ao menos, os seguintes aspectos: * estatura * peso * nível de desenvolvimento auditivo * nível de desenvolvimento visual * nível de desenvolvimento tátil * deficiências orgânicas * doenças e sequelas atuais * estado de saúde habitual (fortaleza ou debilidade) * atrasos ou deficiências motoras * alimentação * descanso-sono Exploração psicológica Dos múltiplos aspectos que podem ser estudados neste item, selecionamos aqueles mais úteis à professora, que permitam um conhecimento objetivo da criança entre os três e os seis anos:  Capacidade intelectual  Maturidade para a aprendizagem da leitura e escrita  Motricidade  Lateralidade

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos  

Ajuste emocional Integração social

Conhecimento do ambiente familiar Para conseguir a imprescindível unidade de ação entre família e colégio – primeira garantia de eficácia na educação das crianças –, é preciso conhecer muito bem o ambiente familiar. Este conhecimento é obtido através do questionário inicial e, primordialmente, nas preceptorias periódicas da professora com os pais. A observação Para que a observação dos alunos seja realmente útil, é necessário que seja realizada sistematicamente. Para facilitar esta tarefa são de grande utilidade umas pautas de observação da conduta da criança. A observação é a técnica mais acessível e útil para a professora. Por isso é conveniente que todas as professoras se capacitem para utilizá-la bem. As pautas de observação devem contemplar:  Desenvolvimento orgânico.  Formação intelectual.  Educação da vontade e formação espiritual. A seguir estão relacionados os aspectos que podem ser objeto de observação por parte da professora:

1. - DESENVOLVIMENTO ORGÂNICO Desenvolvimento sensorial  Auditivo  Visual  Tátil Desenvolvimento motor  Domínio do esquema corporal.  Lateralidade.  Coordenação motora geral.  Motricidade grossa.  Motricidade fina.  Orientação espaço-temporal.  Ritmo. Dominância lateral  Ouvido  Olho  Pé  Mão

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos 

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2. - DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL Atitudes e aprendizagem  Raciocínio lógico  Percepção da realidade  Imaginação e criatividade  Discriminação e associação  Memória  Atenção Linguagem oral  Compreensão  Expressão Linguagem escrita  Leitura  Escrita Expressão lógico-matemática  Blocos lógicos  Conceito de número  Numeração: ordinais e cardinais Expressão Plástica  Habilidade e agilidade manual em pintura e artesanato Expressão Musical  Audições musicais  Instrumento musical Expressão Corporal  Mímica  Dramatização  Ritmo Língua estrangeira  Compreensão oral  Vocabulário  Expressão oral Utilização do computador Observação do ambiente  Curiosidade  Identificação de nomes, formas e detalhes Assimilação de informação (bits de inteligência) 3. - EDUCAÇÃO DA VONTADE Traços do caráter  Autoimagem. Confiança nas próprias possibilidades.  Segurança afetiva  Reações Hábitos  Vitais básicos:

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos  Alimentação  Sono  Higiene  Virtudes:  Ordem  Obediência  Justiça  Sinceridade  Generosidade  Responsabilidade nos pequenos encargos  Piedade  De vida cristã. 4. - COMPORTAMENTO NA FAMILIA E NO COLÉGIO 5. - RELAÇÃO FAMILIA-COLÉGIO Tarefas da professora em relação à avaliação A tarefa da professora no âmbito da avaliação se pode resumir nas seguintes atividades: 1. Estudar a informação do registro pessoal de cada criança e dados mais relevantes de sua vida, através de seus pais (questionário inicial e preceptorias). 2. Observar sistematicamente a atuação e progressos de cada criança e registrar os dados obtidos em uma agenda-registro. 3. Reunir de forma organizada os dados obtidos mediante a observação, para informar e orientar aos pais, procurando a atuação educativa coordenada da família e do colégio. 4. Realizar um seguimento da evolução de todos e de cada um dos alunos. Para isso, é interessante registrar as observações significativas, já que serão de grande utilidade para as preceptorias com os pais e para os informes trimestral e final.

C. ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO DE CADA ALUNO A avaliação dos alunos, isto é, conhecer até que ponto atingiram os objetivos programados é uma tarefa fundamental de toda professora, juntamente com as de programação, ensino e orientação. As atividades de avaliação devem estar integradas ao processo educativo e devem ser desenvolvidas de forma contínua. Somente deste modo será possível introduzir no momento oportuno as adaptações e os apoios necessários, de acordo com os progressos realizados pelos alunos, sem esperar pelo término de um período de tempo mais ou menos prolongado. A informação aos pais desses progressos, em determinados momentos ao longo do ano, deve entender-se como reflexo desta avaliação contínua. A avaliação tem nesta etapa uma evidente função formativa, sem objetivo de promoção, ou qualificação dos alunos. Na avaliação dos alunos de Educação Infantil,

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos entendida como processo, podemos distinguir: a avaliação inicial, a avaliação contínua – de caráter formativo – e os resultados finais, ou avaliação somativa. Em todos os casos, a avaliação do processo da aprendizagem se expressará em termos qualitativos, refletindo os progressos realizados por cada criança e, se for o caso, as medidas de ajuda pedagógica, ou adaptação curricular, realizadas. Avaliação inicial o de diagnóstico Refere-se ao conhecimento prévio do aluno e sua situação de aprendizagem como ponto de partida da atividade educativa. Por isso deve ter em conta as seguintes dimensões do aluno: – História familiar e pessoal – Constituição física e saúde – Atitudes intelectuais – Nível de desenvolvimento – Conhecimentos que possui – Traços da personalidade – Adaptação – Hábitos de comportamento Para facilitar este conhecimento, deve haver um questionário de avaliação inicial a ser preenchido pelos pais dos alunos que ingressam na Educação Infantil. É muito interessante preparar a primeira tutoria com os pais com os dados que constam no questionário. Assim como marcar esta primeira entrevista o quanto antes, com os pais das crianças que apresentam indícios de atrasos ou outros problemas. O questionário, uma vez revisado e comentado com os pais, deve ser arquivado na pasta pessoal de cada aluno. Além da informação que se recebe dos pais, através do questionário e da primeira entrevista, a observação direta das crianças durante os primeiros dias de aula, também pode contribuir com dados significativos para a avaliação inicial. São elementos de análise: – a relação com os adultos e com outras crianças – autonomia ou dependência – o comportamento ante as novas situações que encontra – adaptação à aula – traços de caráter – etc. Outra fonte de conhecimento são as informações que se recebem de outro colégio que a criança tenha frequentado. A avaliação global, contínua e formativa A avaliação global, contínua e formativa está relacionada à função de ajuda e orientação da criança. Trata-se de comprovar (mediante a observação sistemática da realização das atividades e do comportamento) se cada aluno está assimilando todos e cada um dos objetivos.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Esta avaliação, ao facilitar o conhecimento dos progressos e dificuldades no momento em que ocorrem, torna possível a maior eficácia na aprendizagem, o estímulo do trabalho e a motivação dos alunos, que sabem imediatamente o que fizeram bem. Aborda também estratégias de intervenção educativa adequadas a cada situação. As professoras realizam este tipo de avaliação durante todo o período letivo baseando-se, fundamentalmente na observação sistemática dos trabalhos e atividades realizados pela criança na classe, assim como de seus hábitos e atitudes: * Se o ambiente facilitou a movimentação, favorecendo encontros e relações que tenham possibilitado a comunicação. * O que fazem e o que podem fazer em um momento dado de seu desenvolvimento e quais são suas necessidades educativas, talvez diferentes para cada um. * Suas atitudes e motivações. * As estratégias e procedimentos que utilizam para uma tarefa determinada, isto é, como enfrentam os problemas. * Os obstáculos com que tropeçam na realização da tarefa (problema de motivação, de compreensão da mensagem, falta de informação, incompreensão de certos termos, dificuldade de ordem motora, organização material ou temporal inadequada para o desenvolvimento da tarefa etc.). Ao identificar esses obstáculos, a professora pode oferecer uma ajuda eficaz e individualizada às crianças, mediante sua intervenção no momento oportuno. Da mesma forma convém observar e avaliar: * Como foi a atuação por parte do educador com relação à criança. * Se os materiais utilizados estavam adequados. * Se o tempo programado foi o suficiente. A observação direta e sistemática da criança e as preceptorias com os pais são as técnicas de avaliação mais adequadas às características desta etapa educativa. Os resultados da avaliação constituirão uma base permanente para a programação de atividades diárias, semanais, etc., como também para estabelecer as atividades e procedimentos mais adequados para sanar as dificuldades que possam surgir. Como instrumentos de observação se utilizam, entre outros:  registros de condutas.  escalas de observação graduais.  listas de controle de tarefas.  preceptorias e conversações.  análise de produções. As professoras devem dispor de uma agenda, ou diário, que sirva de registro da observação sistemática. A avaliação final Tem um caráter global, referente ao conjunto de capacidades expressadas nos objetivos gerais da etapa e de cada uma das áreas, indicadores contínuos do processo da avaliação.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos A professora preceptora elabora um informe anual, de caráter global, ao término de cada ano, onde registra os dados obtidos através da avaliação contínua. Ao término do ciclo, o informe final resumirá os aspectos mais relevantes dos informes anuais anteriores. O informe final permite avaliar o grau de cumprimento dos objetivos gerais, ou seja, o grau de desenvolvimento das capacidades, alcançado durante o ciclo. As reuniões de avaliação Semestralmente terá lugar uma reunião conjunta de toda a equipe docente com objetivo de avaliar os progressos alcançados pelas crianças a seu cargo e de preparar os informes semestrais para os pais dos alunos. Informe de avaliação para os pais Os informes semestrais de avaliação para os pais têm como finalidade fundamental fazê-los participar dos ganhos e avanços conseguidos por seus filhos nos diferentes aspectos de seu processo educativo: maturação orgânica, formação intelectual e educação da vontade. Este informe é entregue aos pais nos meses de junho e dezembro. Em algumas ocasiões, é muito interessante acompanhar o informe de avaliação com alguns trabalhos realizados pelas crianças, com alguma indicação que ajude a avaliá-los.

X.

ADAPTAÇÕES CURRICULARES A. SIGNIFICADOS DO TERMO ADAPTAÇÃO CURRICULAR

O termo adaptação curricular pode ser considerado em dois sentidos distintos: a) Como uma mudança significativa do currículo planejado, para um aluno, ou grupo de alunos, com graves dificuldades de aprendizagem, ou para crianças excepcionalmente capazes, isto é, uma mudança de currículo especialmente planejada para crianças com necessidades educativas especiais. É o caso das crianças com deficiências auditivas, motoras ou intelectuais, ou que apresentam graves dificuldades em seu desenvolvimento emocional, ou socio-afetivo. Também é o caso das crianças com habilidades mentais superiores a media, que não encontram motivação em aprendizagens já assimiladas. Antes de proceder a uma adaptação curricular deste tipo, é necessário contar com um diagnóstico, o mais preciso possível, da situação da criança, realizado pela equipe educadora com a ajuda técnica necessária, assim como com uma ajuda pedagógica convenientemente planejada, da qual participem estreitamente relacionados os pais das crianças e as professoras especialistas da etapa. b) Como uma personalização do currículo para um determinado aluno, que não se diferencie significativamente do currículo planejado para os alunos da educação infantil do colégio. É o caso de uma adaptação metodológica (ajuda individual a um aluno, ou pequeno grupo, que englobe alguns conteúdos, empregando métodos de ensino que se

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos adaptem melhor a seu estilo da aprendizagem), ou da avaliação (adaptando os instrumentos, ou procedimentos de avaliação, ao modo de ser, ou aprender, das crianças), ou da sequência dos conteúdos (para insistir em alguns conteúdos que precisam ser reforçados, para avançar mais rapidamente na sequência estabelecida em um princípio, ou para conectar melhor com os interesses das crianças nesse período), ou da priorização de uns objetivos (desenvolvimento de algumas capacidades) sobre outros. Neste sentido, a adaptação curricular é parte do trabalho diário das professoras no exercício responsável de sua função tutorial e orientadora, ao mesmo tempo em que é uma exigência de uma autêntica educação personalizada, que tenha em conta o ritmo e estilo pessoal de aprendizagem. B. ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS Os alunos de uma mesma idade, ciclo ou curso, apresentam diferentes estilos e ritmos de aprendizagem. Isto significa que, de certo modo, todos os nossos alunos têm necessidades educativas especiais. Esta realidade tem algumas consequências para o trabalho da professora: cada criança requer sua atenção pessoal. Esta atenção pessoal exige: a) Conhecer a cada um dos alunos – suas possibilidades e limitações, virtudes e defeitos – para estabelecer um diagnóstico o mais exato possível de sua situação pessoal e de suas possibilidades de melhora, e para determinar o rendimento que se pode esperar de cada criança, estimulando-a para que atinja o nível mais alto segundo sua capacidade, sem aceitar como satisfatório um rendimento inferior. A partir deste conhecimento, se pode estabelecer um projeto pessoal de melhora para cada estudante, de comum acordo com os pais. b) Desenvolver as atividades escolares de maneira que se respeite o ritmo pessoal de aprendizagem. Por isso, em cada unidade didática se distinguem dois tipos de objetivos: - os objetivos fundamentais, que devem ser dominados por todos os alunos, por corresponderem aos conteúdos básicos, ou fundamentais, e por sua importância formativa. - os objetivos individuais, que permitem aprofundar em qualquer aspecto da unidade didática. c) Utilizar recursos metodológicos ativos que favoreçam a cada criança, a possibilidade de realizar as aprendizagens programadas, segundo seu ritmo e estilo pessoal, de modo que se obtenha o máximo de cada aluno. O desenvolvimento de capacidades, a aquisição de conhecimentos e a promoção de hábitos de comportamento, necessitam um enfoque metodológico geral, que fomente a atividade do aluno e sua participação na sala de aula. Este enfoque, através da utilização de distintos métodos e situações da aprendizagem, facilita também a socialização e o trabalho cooperativo e solidário, assim como a ajuda mútua entre colegas. O termo "métodos ativos" deve ser entendido como um conjunto de estratégias didáticas, que permitem e estimulam os alunos a participar como protagonistas de sua própria aprendizagem. d) Realizar uma avaliação personalizada que tenha em conta o diagnóstico e o prognóstico realizados, e que fixe a atenção nos ganhos alcançados por cada criança. Para

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos isso, se pratica uma avaliação contínua – ou formativa – ao longo de todo o processo educativo, precedida pela avaliação inicial, ao começo de cada ano letivo, ou ciclo, e matizada pela avaliação global, ao término de cada período estabelecido. C. ALUNOS COM DIFICULDADES OU HABILIDADES ESPECIAIS 1. Alunos com transtornos de atenção com hiperatividade O transtorno de atenção é um dos problemas que mais preocupam às professoras. Repercute no ritmo normal da aprendizagem, e costuma levar ao fracasso escolar. Frequentemente, este transtorno está associado a uma conduta hipercinética e impulsiva e, não tão frequentemente, à passividade ou apatia. Critérios diagnósticos - Inquietação frequente: movimentos de extremidades ou de posição. - Dificuldade para permanecer sentado, quando a situação o exige. - Facilidade para se distrair, por estímulos alheios à atividade que realiza. - Dificuldade para aguardar sua vez, em jogos, ou situações de grupo. - Frequência de respostas precipitadas (antes de concluir as perguntas). - Dificuldade para seguir as instruções recebidas (não por negligencia ou erro de compreensão - exemplo: não finaliza as tarefas encomendadas). - Dificuldade para manter a atenção em jogos. - Dificuldade para brincar com tranquilidade. - Fala em excesso. - Interrompe ou se intromete na atividade de outros alunos. - Não escuta o que se lhe diz. - Perde os objetos necessários para realizar uma atividade (brinquedos, lápis, livros, ou cadernos). - Pratica atividades físicas perigosas e arriscadas. Causas Durante muito tempo, esta deficiência foi associada a problemas neurológicos menores, por falta ou deficiência de maturidade, com o nome genérico de "disfunção cerebral mínima". Atualmente se usa mais a descrição dos sintomas sem referências a lesões cerebrais, já que há diversas causas que podem produzir a sintomatologia exposta: ambientais, familiares, escolares, de relação e aceitação do grupo, transtornos de conduta, problemas da adaptação social. Muitas vezes estes sintomas vêm associados a sinais de baixa autoestima, insegurança, pouca tolerância à frustração, irritabilidade e fracasso escolar. Também costumam apresentar-se junto a sinais neurológicos menores e disfunções perceptivomotoras. Em síntese, as causas dos transtornos de atenção com hiperatividade podem ser: - Anomalias do Sistema Nervoso Central (neurotoxinas, paralisia cerebral, epilepsia, ou outras alterações) que predispõe a este transtorno. - Ambientes caóticos, ou muito desordenados (famílias desunidas, traumas afetivos, abusos e maus tratos, ausência de critérios educativos, comportamentos parentais ambivalentes...) - Má adaptação ao ambiente escolar.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos - Excesso de sensibilidade afetiva, falta de afeto. Tratamento Médico: - Os alunos com estes transtornos devem ser controlados por médicos pediatras. Os casos de certa gravidade necessitam um tratamento farmacológico. A medicação é uma ajuda temporal - não um fim, mas um meio - para que a criança consiga algumas normas de conduta melhor adaptadas, de modo controlado. Os tratamentos que obtêm melhores resultados são os ativadores psicoestimulantes, que melhoram a capacidade de concentração. Pedagógico: - Detectar se é um transtorno simples (sem problemas escolares ou de conduta) ou complexo. A conduta a seguir em um caso, ou em outro, será distinta. Simples. Para estes casos é preciso propor programas dirigidos a: - Prestar-lhes maior atenção: Dar-lhes instruções pessoais muito precisas, supervisionar muito frequentemente suas realizações, motivar e estimular à ação encomendada. Não solicitar várias coisas ao tempo. Estimular-lhes positivamente os ganhos. Manifestar-lhes interesse e afeto. - Levar paralelamente um programa de colaboração com a família, recomendandolhes afeto, ordem e seguimento. - Oferecer aos próprios alunos, algumas orientações sobre como comportar-se para ser aceito. Propor atividades de jogo em grupo, fazer que respeitem as normas. Complexos. Deve ser realizada uma exploração psicológica e neurológica complementar. Necessitam um tratamento psicopedagógico e medicação, sobretudo se há sinais neurológicos associados, ou risco de fracasso escolar. 2. Alunos com limitação intelectual Dentro deste item se incluem dificuldades, que alguns alunos apresentam, para seguir normalmente o ritmo geral de compreensão e realização das atividades de classe no colégio. Podemos incluir também aqui, as deficiências intelectuais leves. Isto é, a das crianças que na maioria dos testes psicológicos obtêm quocientes intelectuais compreendidos entre 70 e 85, tendo em conta que os valores normais se situam entre 95 e 115. Critério diagnóstico por observação. Alunos que: - Compreendendo a linguagem usual de sua idade, não captam o sentido das ordens ou instruções. - Com uma motivação adequada, não realizam convenientemente as atividades propostas depois de uma explicação completa. - Reagem com lentidão ante os estímulos e dão respostas sem sentido, vagas ou pouco acertadas. - Mantêm uma atenção inicial, mas "se perdem" ou "desconectam" em atividades de classe, e realizam atividades diferentes das propostas, ou sem sentido.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos - Por exploração psicológica Através de testes realizados por psicólogos especializados. Intervenção educativa Se o atraso é confirmado convém considerar: - Se pode estar integrado em um grupo normal de classe, ou necessita assistir a aulas com menor número de alunos, e se pode seguir as orientações mínimas da aprendizagem estabelecidas pelo colégio. - Se sua presença no grupo não prejudica, ou atrasa, a marcha normal da classe. - Se a professora pode prestar-lhe a ajuda individualizada suficiente, para que desenvolva ao máximo sua capacidade. Tratamento Uma vez realizado o diagnóstico, deve ser descartada a existência de outros déficits relacionados que poderiam encobrir o problema (por exemplo: o atraso linguístico pode ser interpretado erroneamente como atraso mental). É preciso conhecer a causa do atraso e contar com a colaboração da família no tratamento. As crianças com atrasos leves, ou limites, são capazes de seguir, com maior esforço pessoal e da professora, o ritmo normal da classe. Psicológico: - A cargo do profissional escolhido pela família, em acordo com o colégio. Pedagógico: - Atenção individualizada. - Programação personalizada de objetivos mínimos a conseguir. - Motivação contínua nas realizações e progressão das tarefas. - Estímulo frequente da professora para a aprendizagem e para a sua integração no grupo. - Metas de curto prazo e reforçadas positivamente. - Integração em grupos de jogos e atividades livres em que possa se sair bem. - Situar a criança com alunos que lhe estimulem e não lhe depreciem. Médico: - São crianças que costumam ter outros problemas físicos associados. É recomendável um controle pediátrico contínuo. 3. Alunos com passividade ou apatia Existem crianças que na idade de 4 ou 5 anos manifestam um caráter apático, de falta de interesse pelo que lhes rodeia. Sintomas diagnósticos: - Desinteresse por seu entorno. - É difícil que algo ou alguém lhes cause impacto. - Estado de ânimo continuamente tranquilo, porque nada lhes impressiona. - Dificuldade para manifestar seus sentimentos - são reservadas e tímidas, pouco efusivas, ainda que muito fiéis na amizade.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos - Não há oscilações em seu humor; não se irritam nem se enfadam, não apresentam problemas de conduta, nem alteram a ordem estabelecida - são dóceis. - Costumam ser obedientes, pouco questionadoras e interrogam pouco aos que lhes rodeiam, ainda que sejam inteligentes - são acomodadas. - Não são crianças especialmente tristes, mas tampouco alegres. - são serenas, mesmo em momentos de tensão, ou medo. Causas: - Podem ser orgânicas ou genéticas. - Estes sintomas também podem aparecer em crianças com carências afetivas, ou procedentes de ambientes nos quais são ignoradas, ou sofreram traumas. - Costumam também serem crianças com problemas endócrinos, ou com debilidade física muito patente, ou com deficiência mental. - Podem ser apenas de "temperamento". Traços característicos externos: - Costumam estar sem fazer nada e buscar desculpas para evitar a atividade, tanto física, como intelectual. - os traços físicos mais comuns são: cara alongada, oval, olhos inexpressivos, boca estreita, pele fina, cabelos loiros e delicados, mãos alongadas... - Estão sempre doentes e faltam ao colégio com frequência. Tratamento: Médico: Costumam serem crianças com vitalidade muito baixas e propensas a contrair a maioria das doenças próprias da infância. Isto fomenta a superproteção dos pais e, por isso, costumam faltar ao colégio e se alimentam mal. Necessitam controle pediátrico e ajuda farmacológica, para aumentar suas defesas e vitalidade. Pedagógico: Na família: Exigência, e evitar a excessiva dependência e apego materno. Necessitam que pouco a pouco se tornem mais responsáveis e independentes. A família deve colaborar com o pediatra para estabelecer um plano de alimentação e de vida sadia e exigente. No colégio: Acompanhá-las muito de perto para mantê-las em atividade. Procurar que não nos passem "despercebidas” - é um refúgio. Promover atitudes ativas na classe, questionando-as e estimulando suas respostas com frequência. Fazê-las trabalhar e brincar em grupo, sobretudo com crianças ativas. Em resumo, estimular-lhes permanentemente à ação. 4. Alunos com enurese A enurese é a emissão involuntária de urina, durante o dia ou pela noite, na cama ou na roupa, em uma idade na qual se pode esperar que controle seus esfíncteres.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Critérios diagnósticos A frequência que determina essa alteração é a existência de pelo menos dois episódios mensais em crianças de 5 e 6 anos; ou um episodio ao mês em crianças maiores. Para considerá-lo como transtorno, a idade mental deve ser superior a 4 anos e a cronológica a 5 anos. Não se incluem neste item, as incontinências originadas por problemas orgânicos, como a diabetes, a epilepsia, ou as infecções urinarias. Considera-se enurese secundária, se aparece precedida de um período de controle de esfíncter de um ano ou mais. Em caso contrário, a enurese é primaria. Entre os 18 e os 24 meses começa o controle diurno, e pode se conseguir um controle total de dia e de noite ao redor dos 4-5 anos. Superada esta idade convém indagar as causas da enurese. Causas Há alguns fatores que predispõe à enurese: - o atraso no desenvolvimento da musculatura da bexiga - o atraso na aquisição de hábitos higiênicos. - o stress psicosocial produzido por uma má adaptação ao colégio, o nascimento de um novo irmão, tensões familiares, carência afetiva, fracasso escolar, insegurança, desajustes pessoais causados por expectativas pouco realistas por parte de seus pais. - Fatores genéticos. - Transtornos do sono, afetivos, depressão infantil... Tratamento Podem ocorrer posturas extremas. Alguns aconselham esperar que o passar do tempo solucione o problema (ao redor dos 18 anos costumam curar-se), outros insistem em administrar medicamentos e em aplicar técnicas de treinamento. Em concreto, existem os seguintes tratamentos: a) não fazer nada e esperar atingir os 18 anos, quando100% de meninas e 99% de meninos superam o problema. É o mais aconselhável nos casos leves, sem complicações quando não há ansiedade nem frustração da criança, nem da família, com relação a episódios esporádicos; ou também, quando fracassam as demais técnicas utilizadas. b) Medicação. É comum a administração de algum tipo de antidepressivo. Somente são positivos em 60% dos casos. É preciso ser muito prudente na administração desses medicamentos, pelas contraindicações e efeitos secundários que apresentam. c) Limitar as quantidades de líquido a ingerir. Costuma ser ineficaz e produz angustia na criança, já que só reduz a frequência de micção, mas não facilita o autocontrole. d) Técnicas de treinamento. Muito complexas e estruturadas. Incluem vários passos. 5. Alunos com transtornos do sono Dentro deste item podemos agrupar aquelas alterações que afetam ao descanso necessário e aos períodos de sono continuado das crianças. São considerados transtornos do sono unicamente os que têm um caráter crônico, isto é, uma duração superior a um mês. São excluídas as alterações transitórias, como

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos podem ser o sono entrecortado - em situações de stress emocional, ou as produzidas por ingestão de medicamentos indicados para certos tratamentos (por exemplo, para gripes ou analgésicos), ou também as produzidas por alguma enfermidade. Muitas vezes, estes transtornos são sintomas de algumas patologias, inclusive o sintoma principal, como no caso dos transtornos depressivos, a ansiedade etc. Indicamos aqui alguns dos transtornos mais frequentes na idade infantil e adolescente: 1. - Negar-se a ir dormir A criança atrasa o momento de ir para a cama, recorrendo a pretextos, ou a condutas de manipulação. Frequentemente solicita a presença de um dos pais para ir para a cama (ou os dois), ou pede para dormir na cama dos pais. Podem existir também condutas rituais (pedir água, que todos vão ao seu quarto para beijá-los, etc.). Em todos estes casos a criança pretende obter um beneficio secundário neurótico: conseguir doses extras de atenção e chegar a "ser o dono da situação" mediante condutas manipulativas com os que a rodeiam. 2. - Levantar-se durante a noite Costuma ser uma manifestação semelhante à anterior e, às vezes, complementar. O pretexto costuma ser o medo. A finalidade é que se lhe permita dormir com os pais, ou deslocar um deles da cama, para ficar com o outro. Seu objetivo é conseguir maior atenção. Também é um transtorno funcional. 3. - Terrores noturnos : Os terrores noturnos consistem em episódios recorrentes de despertar subitamente, que aparecem durante o primeiro terço do período principal do sono e que se inicia com um grito de pânico. Cada episódio é acompanhado de ansiedade intensa e sinais de ativação vegetativa (taquicardia, dispneia, transpiração). A criança normalmente responde mal, incoerentemente, às perguntas. Após o episódio há, invariavelmente, um período de alguns minutos de confusão e desorientação, junto com movimentos estereotipados (por exemplo: agarrar-se ao travesseiro). Se a criança volta a dormir antes de cessar o período de confusão, é provável que no dia seguinte não se lembre do ocorrido. Na maioria das vezes, trata-se de um transtorno benigno, transitório e que raramente requer um tratamento. Desaparece de forma espontânea. Ainda assim, se persiste sem melhora, deve ser objeto de estudo neurofisiológico. 4. - Pesadelos A criança acorda frequentemente chorando e/ou gritando, mas é fácil comunicar-se com ela e consolá-la nesse momento. Como consequência, costuma apresentar estados de preocupação e ansiedade. É comum que as crianças tenham pesadelos depois de sofrerem algum tipo de medo, ameaça ou depois de assistirem a filmes, ou programas de TV inadequados a sua sensibilidade, ainda que se tratem de programas infantis, como os que mostram monstros, bruxas, ou situações de risco. Em geral, todos os programas excitantes, ou que engendrem preocupações e angústias são contra indicados, já que as imagens ficam gravadas na

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos mente das crianças e, posteriormente, lhes impedem de conciliar o sono tranquilo, reaparecendo em forma de pesadelos. 5. - Sonambulismo A criança, sem acordar, se levanta da cama e perambula por seu quarto, ou pelo resto da casa. É uma alteração no ritmo do sono, com imaturidade dos mecanismos inibitórios, responsáveis pelo relaxamento e a imobilidade. Se os episódios não são frequentes, nem implicam em riscos, pode ficar sem tratamento, já que costuma desaparecer de forma espontânea. Quando os episódios são frequentes, a situação deve ser explorada a nível neurofisiológico. 6. - Insônia É a dificuldade para conciliar o sono ou acordar, durante a noite e não voltar a dormir. Este transtorno na infância, ou adolescência, vem associado com transtornos de ansiedade, ou com estados depressivos. Em algumas situações, está associado a problemas somáticos, assim como aos tratamentos com fármacos que contêm excitantes, cafeína ou ativadores do sistema nervoso. Pode ocorrer insônia relativa, quando a criança fica muito excitada antes de ir para a cama; ocorreram situações de tensão (programas de TV, filmes, competições esportivas etc.) ou outras situações que gerem temores físicos, como a hospitalização, alguma doença, tensões no lar etc. Se for persistente, ou sem causa aparente, é interessante consultar um psicólogo de confiança. 7. - Hipersonia A criança tende a dormir durante o dia. Às vezes está associada à insônia e, outras vezes, deriva de uma alteração dos ritmos do sono, ou da síndrome da apneia durante o sono. Também pode aparecer nos casos de depressão. Convém considerar que alguns fármacos produzem sono, como os tranquilizantes, os anti-histamínicos, algum xarope etc. Quando é persistente e não está relacionada a causas conhecidas, é interessante um estudo neurofisiológico, ou neuropsicológico. Tratamento dos transtornos do sono a) Transtornos funcionais do sono Consideramos neste item os grupos 1 e 2. Os problemas ocasionados por este tipo de transtornos se solucionam na maior parte dos casos, mudando as condições ambientais, que estão favorecendo o beneficio secundário e que detalhamos a seguir. É conveniente atuar do seguinte modo: - A criança deve ir para a cama à hora estipulada e os pais devem comunicá-lo à criança com clareza, dizendo-lhe que deve permanecer na cama. Ainda que grite, ou chore, não se modifica esta norma. Os problemas de gritos, birras, ou prantos podem durar horas, mas passam. É preciso solucionar o problema, fazendo com que a criança perceba que a decisão é séria e que não vai conseguir modificá-la com suas birras.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos - Como métodos de "negociação" - pode deixar-se a porta de seu quarto aberta, ou uma luz acesa, ou permitir que brinque no quarto, até que sinta sono, não importando a hora. Pode ouvir música relaxante, ou sua canção preferida, ou assistir a desenhos animados. Tanto faz: o importante é não abrir mão da permanência no quarto. O processo deve transcorrer com muita calma, sem que os pais se deixem impressionar pela encenação dramática que a criança possa tentar. É necessário que mostrem firmeza e serenidade, para acalmar o ambiente e ajudar a criança a assumir uma conduta adequada. Se os pais se angustiam porque seus filhos reclamam e se descontrolam, ou porque os veem angustiados, cada um reforça a angústia do outro. “A que idade é conveniente que as crianças comecem a dormir sozinhas?” A criança deve permanecer no quarto dos pais, somente nos primeiros meses de vida. Depois dos 6 meses em raríssimas ocasiões isso será necessário. O bebê, ou criança, deve ter seu próprio quarto, próximo ao dos pais e no qual está cercado de seus objetos preferidos: mamadeiras, brinquedos, pelúcias, quadros de seus “artistas” dos desenhos animados etc. Quando vai dormir, os pais devem lhe desejar boa noite, apagar a luz e deixá-la a sós. “O que fazer se ela chora?” Nada. Somente comprovar que não tenha algum problema e repetir a indicação de que deve dormir sozinha e que já não voltarão ao seu quarto. Isto deve ser cumprido, sem mudar de atitude, fazendo-lhe companhia, ou tirandolhe da cama. Se por motivo de doença, ou viagem, os pais relaxam as regras e surgem novos problemas similares, será necessário voltar a utilizar a técnica indicada. É preciso que se mostrem muito seguros e inflexíveis, salvo em casos de força maior (viagem, doença, etc.) se querem de verdade, resolver estes problemas. Este processo deve ser adotado por todas as pessoas que estejam em contato e cuidem da criança, tanto outros familiares, como babás e pessoas de serviço. b) Transtornos orgânicos do sono O terror noturno e o sonambulismo podem ser expressões de uma regulação pobre dos processos do sono. São transtornos benignos que não costumam necessitar tratamento e com frequência cessam depois dos 15 ou 16 anos. A insônia costuma estar associada à ansiedade ou depressão. É preciso investigar primeiro as causas, para determinar o caminho a seguir. As insônias "relativas" a excitações, TV, ou medicamentos, respondem bem à retirada do agente causal. Se persistirem, convém consultar o pediatra. As hipersonias, com origens diversas, devem ser diagnosticadas segundo as causas e tratar-se pertinentemente. Se estes transtornos são efeitos secundários de outra enfermidade, o tratamento deve ser dirigido a essa. 6. Alunos com ansiedade A ansiedade é uma resposta normal e adaptativa perante ameaças reais, ou imaginárias, mais ou menos difusas, que prepara o organismo para reagir diante de uma

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos situação de perigo. Se este tipo de ansiedade ocorre, perante estímulos específicos – tratase de medo. Os medos são respostas instintivas e universais, sem aprendizagem prévia, que têm como objetivo proteger às crianças de diferentes perigos. Exemplos de medos são: de pessoas estranhas, do escuro, da separação de pessoas queridas, de alturas, de animais... A maioria das crianças experimenta muitos temores leves e transitórios associados a distintos estímulos, que se superam espontaneamente. Em alguns casos pode permanecer o medo aos estranhos (medo social) em forma de timidez. Entende-se por ansiedade o medo infantil, ou adulto, sem que se possa encontrar uma razão para senti-lo. É a emoção que aparece, sempre que a pessoa se sente ameaçada, seja a ameaça real, ou não. Sintomas diagnósticos a) Tensão motora: Se caracteriza pelo tremor, dor muscular, inquietação motora, fadiga etc. b) Hiperatividade vegetativa: Dispneia (muitas vezes em suspiros), taquicardia, disfagia ("nó na garganta"), sensação de instabilidade, transpiração, náuseas etc. c) Hipervigilância : Exagero das respostas de alerta ou de alarme, sensação de que "algo vai acontecer", dificuldade para se concentrar, transtornos do sono, irritabilidade, hiperatividade etc. Tipos de ansiedade Há três tipos de transtornos de ansiedade característicos da infância e da adolescência: A) Ansiedade de separação: é a mais típica da infância. é a ansiedade que a criança sente, quando se separa real, ou supostamente, de seus entes queridos, especialmente da mãe. Quando permanece dentro de certos limites, é um mecanismo de defesa e protetor, para evitar perigos nos primeiros anos de vida. Este tipo de ansiedade pode adquirir um caráter preocupante e até patológico, quando aparece devido a um afastamento da criança em relação aos pais, em períodos curtos, como ao ir ao seu trabalho, ou à entrada da criança na escola ou, quando a criança vai brincar na casa de um amigo ou, vai passear com outras pessoas. O transtorno de ansiedade por separação costuma incluir ideias angustiosas e fantasias catastróficas (inclui a presença de medos irracionais de ficar sozinha, de ficar na cama com a luz apagada, visão de fantasmas ou monstros etc.). A criança acredita e tem a sensação de que algo vai acontecer que não lhe permitirá ver de novo aos seus queridos. As crianças pequenas costumam apresentar esta ansiedade em momentos de separação real. Os maiores podem apresentar ansiedade de antecipação diante da possibilidade de separação (por exemplo, ao ouvir falar da possibilidade de uma viagem). É muito frequente que em crianças com este problema, a ansiedade se generalize perante outros estímulos - presença de animais, presença de desconhecidos, medos irracionais de ficarem sozinhas - e que apresentem transtornos de sono ou pesadelos coerentes com seus temores. As crianças maiores, ou adolescentes, ocultam a razão da ansiedade por vergonha de que sejam consideradas muito infantis e acabam por manifestar uma ansiedade aparentemente sem motivo, diante de situações de separação.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos A determinação deste transtorno inclui a angústia excessiva, durante um período superior a duas semanas e deve apresentar os seguintes sintomas: - Preocupação exagerada e persistente pelos possíveis danos que possam sofrer as pessoas próximas à criança; temor de que não regressem; temor de que uma catástrofe provoque a separação. - Recusa em ir à escola, insistência para permanecer mais tempo em casa junto às pessoas as quais está vinculada. - Temor por dormir fora de casa, ou de ficar sozinha. - Pesadelos sobre temas de separação. - Angustia pela antecipação, ou queixas somáticas, quando a criança prevê uma separação. - Queixas exageradas, quando as pessoas afetivamente vinculadas se ausentam (birras, súplicas para que não se afastem, retraimento, apatia, tristeza etc.). Causas que a produzem: A aquisição e os fatores de manutenção deste quadro clínico não são claros entre as hipóteses da origem deste transtorno estão: - Em crianças menores, a ausência real frequente dos pais, ou uma superproteção excessiva, que gera uma rejeição à escola e é causa de déficits na aprendizagem posterior. - As experiências traumáticas de separação (divórcio, hospitalização, morte de um dos pais...). - O reforço de condutas de dependência por parte dos pais, sobretudo se a criança é medrosa. - Pais ansiosos, que transmitem seu medo à separação do filho, ou medo de algo de mal aconteça. Consequências derivadas deste transtorno: - Pode ser a causa de ansiedade excessiva na adolescência. - Pode ser o começo de uma agorafobia (temor aos espaços abertos e do ar livre) e sentimentos diversos de pânico. - Pode dar origem à manifestação de outras fobias, entre elas é mais frequente a fobia escolar - condutas de ansiedade somente, quando se separa da mãe para ir ao colégio. B) Ansiedade pelo contato social: Este transtorno aparece, quando a criança evita excessivamente o contato com pessoas desconhecidas por um período de, pelo menos 6 meses, sendo menos frequente que o tipo anterior. Este transtorno interfere nas relações sociais com os colegas de brincadeiras, ou do colégio e vem acompanhado de um aumento na intensidade do contato com pessoas conhecidas. Está unido a um claro desejo de afeto e aceitação de si mesmo perante os demais. Há um predomínio feminino nas crianças afetadas por este transtorno que tende a manifestar-se em torno dos 12-13 anos.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos Pode diagnosticar-se este transtorno a partir dos 2 anos e meio, se ocorrem as manifestações indicadas. Estas crianças costumam ser inseguras, tímidas, sem capacidade para dizer o que realmente querem dizer, ou para fazer o que realmente querem fazer. As consequências deste transtorno nas crianças podem gerar dificuldades para a aquisição de habilidades sociais no processo de adaptação a um ambiente que, nessa fase, pode ser muito variado, podendo ocasionar isolamento social, ou depressão. Dependendo das diferentes situações de socialização, podem gerar na vida adulta, inclusive, fobias sociais. A ansiedade pelo contato social costuma ser acompanhada de outros transtornos de ansiedade. C) Ansiedade excessiva: Consiste em um excesso de ansiedade, ou preocupação injustificada, de duração maior que 6 meses e provocada por estímulos diversos, ou por temor antecipado. Por exemplo: a criança que se preocupa angustiosamente por situações futuras como, visitas ao médico, por chegar atrasada no colégio, por não poder cumprir suas obrigações, por temer acidentes, pelo que os outros podem comentar etc. Neste transtorno, a tensão e o perfeccionismo estão sempre presentes, assim como a preocupação por fazer, ou ter feito as coisas bem. Os estímulos que provocam a ansiedade podem ser muito variados: o rendimento escolar, a opinião dos demais, as relações sociais, o desempenho esportivo, o medo de acidentes etc. Os sintomas diagnósticos deste transtorno são: - Preocupação excessiva, ou não realista por: acontecimentos futuros, condutas do passado, adequação pessoal no colégio ou em outros ambientes. - Podem aparecer componentes somáticos de ansiedade: transtornos do sono, cefaleias, gastrites, sensação de inquietação e tensão. Exagerada auto- observação. - Necessidade obsessiva de reafirmação, em uma grande variedade de situações, sentimentos de tensão e incapacidade para relaxar. As crianças afetadas por este transtorno apresentam uma idade media de 13 anos, com igual incidência em ambos os sexos. Causas mais frequentes e características pessoais coincidentes: Este transtorno aparece, com frequência, em famílias reduzidas, onde os membros vivem constantemente preocupados pela obtenção de êxitos e com uma dinâmica de excessiva exigência, que as crianças não são capazes de assimilar. As crianças ansiosas tendem mais ao retraimento que à ação, mais ao isolamento que à participação social, mais à experimentação subjetiva de ansiedade e mal estar, do que à indiferença perante os distintos tipos de estímulos. Se a ansiedade excessiva se refere especialmente às relações interpessoais, ou ao rendimento escolar, pode complicar-se e coexistir então com o transtorno de rejeição ao contato social, ou com a fobia escolar, respectivamente.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos Prognóstico: A ansiedade excessiva surge sem um começo claro e tende a tornar-se crônica com o passar do tempo, com agravamento adicional perante as situações de stress (provas, por exemplo) e com o surgimento de sintomas diversos (tiques nervosos, medo de falar em público etc.). É frequente que este quadro clínico se prolongue, gerando o transtorno de ansiedade generalizada na vida adulta. Tratamento da ansiedade Geralmente o transtorno de ansiedade infantil se apresenta em crianças cujas mães também apresentam transtornos de ansiedade excessiva. Nestes casos é imprescindível o tratamento familiar, já que de outra forma as tentativas de tratar à criança são perturbadas pelas condutas angustiadas e angustiantes das pessoas que constituem seu ambiente mais próximo. É vital que os pais não cultivem a ansiedade da criança. Devem ser orientados para evitar os benefícios secundários que a criança possa obter por seu transtorno: atenção excessiva, superproteção, ausência de responsabilidades, companhia constante, mesmo quando não a necessita etc. É possível empregar técnicas psicoterapêuticas para que a criança aprenda a eliminar a ansiedade (como o relaxamento), ou a não gerá-la (técnicas cognitivas). Qualquer clínica psicoterapêutica dispõe de recursos para combater a ansiedade das crianças. Conduta do pediatra 1º - Comprovação de que se trata realmente de um estado de ansiedade. Os critérios diagnósticos antes descritos em cada caso devem ser avaliados, para fazer um diagnóstico específico. 2º - Em casos leves, muito relacionados com ansiedade da mãe, vale a pena tentar medidas de modificação ambiental, ou familiar. 3º - Em casos graves, é idôneo enviar ou solicitar ajuda de uma equipe de especialistas em psicologia ou psiquiatria, segundo a gravidade do caso. Os transtornos de ansiedade podem tornar-se crônicos e interferir no correto desenvolvimento da personalidade. 7. Alunos especialmente dotados A criança superdotada necessita do apoio de seus pais e professores para desenvolver-se. Para poder proporcionar esta ajuda é preciso, em primeiro lugar, identificar estas crianças desde cedo. Como identificar uma criança superdotada de 3 a 6 anos? Resumimos diferentes estudos nos seguintes indicadores: - Desenvolvimento motor precoce. - Grande capacidade de atenção, observação e memória. - Vocabulário avançado, que utiliza de modo adequado. Estrutura linguística complexa. Grande interesse pela leitura. - Aprende a ler em pouco tempo. Paradoxalmente, às vezes, demora mais para dominar a escrita.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos - Destreza superior na resolução de problemas. Desde muito pequena, faz perguntas exploratórias e não se conformam com qualquer resposta. - Mente indagadora. Muito curiosa. - Reflete e raciocina para conseguir e gerar soluções aos problemas apresentados. - Sente satisfação com a autoexpressão. - Grande sensibilidade e preocupações profundas. Interesse por questões morais - Maior maturidade perceptiva e memória visual precoce. - Alta capacidade criativa. - Facilidade e rapidez na aprendizagem, quando está interessada – pode se desinteressar da escola. - Desenvolvimento motor. - Criatividade. Para estas crianças é preciso planejar programas educativos individualizados, com maior amplitude temática e um nível mais alto de complexidade. É interessante ter em conta que um programa diferenciado precisa de materiais diferenciados, especialmente na Educação Infantil. Se a criança é quem marca seu próprio ritmo de trabalho, a motivação se torna elevada. Convém dar a possibilidade de trabalhar em temas pelos que demonstre um especial interesse, e estar prevenidos contra ou perigo de dedicar-se a atividades “intelectuais”, esquecendo outras igualmente importantes, como a motricidade, a brincadeira, ou a autoaprendizagem através de programas de computador. Áreas de especial atenção com crianças com estas habilidades: - Autoconceito - Desenvolvimento afetivo - Motivação - Criatividade - Socialização e habilidades sociais - Expressão oral e escrita - Desenvolvimento de habilidades cognitivas - Resolução de problemas

XI.

AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE ENSINO E DO PROJETO CURRICULAR

A. AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE ENSINO A avaliação dos processos de ensino está estreitamente vinculada ao processo de aprendizagem dos alunos. Trata-se de constatar, que aspectos da intervenção educativa favorecem a aprendizagem e que outros poderiam ser acrescentados, modificados ou, aperfeiçoados. Deste modo, as atuações individuais e da equipe educadora são aperfeiçoadas e adequadas às necessidades dos alunos, unindo-se a avaliação à ação educativa – o que trará um aperfeiçoamento profissional. A equipe de professoras avalia:

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos - a organização das unidades didáticas: (objetivos, atividades de motivação, ensino/aprendizagem e de avaliação, seleção de materiais didáticos) e sua distribuição ao longo do ano (programação). - as atividades de ensino e aprendizagem: • Estão adequadas aos objetivos propostos? • Estão adaptadas à realidade e interesses dos alunos? • Há uma progressão coerente de conteúdos? • É possível trabalhar de modo globalizado? • Considera as diferenças individuais? - os recursos: Pessoais * Como as atividades foram orientadas e desenvolvidas? * Como foi a coordenação entre as professoras de cada série e do ciclo? * Como foi a relação com as famílias: regularidade das entrevistas pessoais com as preceptoras, presença nas reuniões organizadas para os pais. Participação dos pais nas atividades da aprendizagem sugeridas para desenvolver em família. Qualidade desta relação. * Relação das crianças entre si e com as professoras. Materiais * Material utilizado *Adequação dos materiais às atividades previstas. Os alunos conseguem utilizálos com autonomia? Facilitam a socialização? * Necessidade de novos materiais. Espaços * Funcionalidade e motivação do ambiente da classe. * Adequação do espaço externo às atividades previstas. *A organização material da classe: mobiliário, decoração, iluminação, ventilação etc. Tempos * Foi adequada a duração programada para as unidades didáticas? * O tempo previsto suficiente para a realização das atividades previstas é suficiente? * Está previsto um tempo para o espontâneo e o individual? * Sugestões para alterações de horários. - a eficácia dos métodos de ensino utilizados. - os resultados dos planejamentos específicos adotados, para atender à diversidade.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos O principal procedimento para esta avaliação é a reflexão da equipe de educadores - que se reúne, pelo menos 1 vez ao mês, com uma pauta de reunião, estabelecida previamente – a troca de experiências, a análise dos progressos realizados pelos alunos etc.

B. AVALIAÇÃO DO PROJETO CURRICULAR Ao término de cada ano letivo, nos trabalhos de avaliação do ano, a equipe de professoras avalia o Projeto Curricular vigente e elabora as modificações que pretendem realizar, transmitindo ao Comitê Diretivo as propostas de modificação. É interessante também, contar com a opinião dos pais dos alunos, através dos sistemas de colaboração estabelecidos no colégio. • Aspectos a avaliar:                 

XII.

Adequação ao Projeto Educativo do colégio. Adaptação ao entorno e às expectativas dos pais dos alunos. Relação com as programações das aulas. Utilidade para a formação dos professores. Adequação dos objetivos gerais do ciclo com ou Projeto Educativo do Colégio. Adequação dos objetivos gerais do ciclo às características do colégio e dos alunos do ciclo. Relação entre os objetivos gerais da série com cada matéria. Adequação dos conteúdos. Conexão dos conteúdos com os objetivos gerais. Adequação da sequência e organização dos conteúdos às possibilidades dos alunos/as. Abordagem dos diferentes tipos de conteúdo. Grau de inclusão dos eixos transversais. Coerência, continuidade e eficácia das metodologias adotadas. Adequação dos critérios de avaliação aos alunos/as. Eficiência das estratégias e técnicas de avaliação empregadas. Frequência, conveniência e eficácia da aplicação dos objetivos individuais adotados e as adaptações curriculares empregadas. Quantidade e qualidade dos meios previstos para incentivar uma relação frequente e fluida com as famílias.

ORGANIZAÇÃO ESCOLAR

A. ORGANIZAÇÃO MATERIAL DA SALA DE AULA O ambiente do colégio deve ser rico em estímulos e afeto, para que a criança possa desenvolver ao máximo todas as suas capacidades.

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos A diversidade de materiais e sua respectiva organização é parte integrante desse ambiente educativo de que a criança necessita. Uma sala de aula deve ser para a criança um mundo repleto de estímulos: palavras escritas, indicando o nome de cada coisa, plantas, animais (pássaros, peixes) etc. As paredes precisam estar repletas de decorações, com os trabalhos das crianças expostos nos murais. Todo o material da classe, jogos, quebra-cabeças, pinturas etc, deve estar ao alcance das crianças em um lugar previsto e conhecido. Em um dos murais da sala, precisa haver um cartaz com as fotos das crianças e seus respectivos encargos. A distribuição material mais adequada do mobiliário é em cantos. Cada um com a respectiva ambientação e os materiais necessários para a realização das atividades específicas. Cada sala tem um espaço livre, ao centro, para os grupos coloquiais. O material escolar Para evitar a desorganização nas classes, é interessante que o colégio disponha de um local para armazenar todo o material que será utilizado durante o ano pela Educação Infantil e, que as salas disponham de um armário, onde deve ficar armazenado somente o material, cuja utilização está prevista para um determinado período de tempo, que pode ser um mês, ou uma quinzena. A ordem e catalogação deste material facilitam o uso frequente e o aproveitamento de tudo o que se dispõe, evitando desperdícios, ou carências de produtos. Também é interessante registrar informações sobre a utilidade pedagógica dos materiais e experiências de uso em distintos projetos de trabalho, já que os mesmos materiais podem ser aproveitados para diversas finalidades. A equipe pedagógica pode organizar uma tabela de horários, para que instrumentos de uso coletivo, como rádios, projetores, teatro de fantoches etc, possam ser utilizados em todas as salas, seguindo um cronograma. As professoras devem zelar pela adequada conservação dos materiais didáticos, ensinando as crianças a cuidar de tudo o que utilizam, indicando a necessidade de reparo dos objetos danificados e, sugerindo a substituição dos que não têm conserto, ou já estão muito velhos. Também cabe às professoras propor, quando seja necessário, a aquisição, ou atualização de material pedagógico. B. ORGANIZAÇÃO DO TEMPO. HORÁRIOS No horário estão previstas todas as atividades que se realizarão e o tempo que se empregará para realizá-las. As atividades devem ser variadas e de curta duração, para evitar que a desmotivação e facilitar os pequenos esforços de atenção. Cada grupo de idade tem um horário próprio, adequado às suas características. Ao elaborar o horário convém considerar: - As dificuldades: limitações dos locais, ocupação das salas de usos múltiplos, ou da quadra de esportes, os períodos de descanso dos alunos de outros níveis, a disponibilidade das professoras e do material. - As vantagens e os recursos com que se conta: possibilidades de acesso a outras dependências, localização de laboratórios, possibilidade de cultivar uma pequena horta etc.

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos - A alternância de atividades necessária às crianças dessas idades: - entre os momentos de exploração livre e os de assimilação de informações; - entre as atividades de grupo coloquial, as individuais e as de colaboração em pequenos grupos; - entre as atividades que necessitam atenção e as que exigem ação. - A adequação do horário, aos ritmos das crianças. A organização do tempo deve respeitar suas necessidades: afeto, atividade, relaxamento, descanso, alimentação, exploração, manipulação, expressão, comunicação, interação, movimento, brincadeira, criação etc. - Estabelecer rotinas diárias contribui para estruturar a atividade da criança e facilita a interiorização de marcos de referência temporal. A sucessão clara de atividades ajuda à criança a construir sua ordem interior. É muito importante para uma criança, a atitude com que a professora a recebe e acolhe. Um sorriso, acompanhado de uma pergunta sobre algo pessoal, faz com que a criança sinta-se querida, favorecendo uma disposição aberta e positiva para começar as atividades do dia. A acolhida tem uma importância muito especial para as crianças menores; para elas é importante diferenciar esse momento inicial, do primeiro grupo coloquial da manhã – é a melhor ocasião para estabelecer relações de afeto com cada uma, à medida que vão chegando ao colégio. Quando as crianças já penduraram suas mochilas, rezaram e estão sentadas no chão, para o grupo coloquial, a professora explica as atividades de cada canto (se for essa a atividade inicial) e mantém uma breve conversa sobre o centro de interesse que estão trabalhando, recordando uma ou duas ideias, expostas no dia anterior. É o melhor momento para recordar-lhes a virtude que está sendo trabalhada, ou insistir em algum detalhe concreto para esse dia. Antes de terminar a jornada escolar, a professora propõe uma espécie de avaliação do dia, em grupo coloquial, repassando alguns dos temas trabalhados e enfatizando as realizações e atitudes positivas das crianças durante o dia.

C. A PROFESSORA ENCARREGADA DE CURSO (PEC) A professora encarregada de curso tem a seu cargo os alunos de uma classe e coordena todas as ações das outras professoras. Para desempenhar bem seu encargo, é imprescindível que esteja identificada com os princípios básicos que inspiram toda a atividade escolar e que conheça em profundidade o projeto Optimist. Deve ter presente, em todos os momentos, que é um modelo educativo para seus alunos que nessa faixa etária, aprendem, fundamentalmente, pelo que observam nos adultos. A professora, querendo ou não, influi com a sua pessoa - sua presença e suas atitudes - na pessoa da criança. Ainda que sua primeira responsabilidade seja estimular uma aprendizagem concreta, não se pode eximir da responsabilidade, compartilhada com os pais, na formação da pessoa do pequeno estudante. Sua atitude constante deve ser a de estimular e orientar a realização das diferentes atividades, com postura positiva. No relacionamento com as crianças se mostrará

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Manual Técnico Optimist 3 – 5 anos carinhosa e firme, tratando a cada uma de acordo com suas necessidades, respeitando a personalidade de cada criança e aceitando suas limitações. As professoras nunca impõem castigos. Papel das professoras Nos primeiros anos de vida se constroem os fundamentos básicos da personalidade: o desenvolvimento neurológico, as aprendizagens que preparam para as etapas seguintes e a criação dos hábitos básicos. A tarefa da professora da Educação Infantil não é a de cuidar e procurar ocupações para um grupo de crianças e sim, tornar possível o máximo desenvolvimento harmônico de uma pessoa: o crescimento físico e o amadurecimento orgánico, o despertar da inteligência e a formação de alguns hábitos relacionados à educação da vontade. Com seu trabalho diário, as professoras da Educação Infantil devem motivar às crianças, estimulá-las para um trabalho bem feito, despertar seu afã de conhecer, incentivar a criatividade, acolher e compreender a cada criança, transmitindo a segurança que necessita para confiar em suas possibilidades. O trabalho das professoras se desenvolve em uma zona de autonomia, delimitada pelo Projeto Curricular de Colégio, de forma tal que, cada professora possa desenvolver seu próprio estilo e suas possibilidades educadoras. A atividade das professoras não está limitada àquela que desenvolvem na presença dos alunos, já que também programam e preparam suas aulas, avaliam os programas, o material pedagógico empregado e os resultados. Por isso, a tarefa das professoras pode ser resumida nas quatro tarefas seguintes:    

Programar as atividades de ensino/aprendizagem. Estimular a atividade - trabalho e jogo - das crianças. Orientar o trabalho das crianças, para que resulte um trabalho bem feito. Avaliar os progressos dos alunos, os programas educativos e os materiais empregados.

Para um trabalho de qualidade, as professoras da Educação Infantil necessitam realizar uma avaliação contínua, que se pode conseguir através:  da reflexão sobre o próprio trabalho,  da troca de experiências no trabalho em equipe,  da participação na investigação ativa dos problemas educativos,  da participação em cursos e congressos,  do estudo e da leitura. Deste modo contribuem para que o colégio seja também um centro de aperfeiçoamento pessoal e profissional das professoras. Perfil pessoal da professora de Educação Infantil Uma pessoa coerente que se esforça por viver o que quer conseguir com seus alunos. É cordial, alegre, carinhosa, exigente e flexível. É sempre positiva. No

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Manual Técnico Optimist 3-5 anos relacionamento com as crianças procura ser acolhedora e amistosa. Sua atuação e suas palavras são sinceras e corretas. Espontânea, imaginativa, criativa e delicada de trato. Trabalha de forma sistemática e com dedicação constante. Disposta a falar, rir, cantar, brincar e trabalhar com as crianças. Sente prazer e se diverte com seu trabalho. É organizada, ordenada, observa e registra os progressos e as dificuldades de cada criança. D. A EQUIPE EDUCATIVA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A ação educativa da professora não é fruto de uma atuação solitária, mas solidária e coordenada em uma equipe de educadores. O conjunto de professoras que trabalham com um mesmo grupo de alunos constitui uma Equipe Educativa, ou Equipe Pedagógica. São professoras especialistas de distintas funções docentes e orientadoras, que atuam de forma coordenada, em favor da educação completa de cada criança. O trabalho em equipe com as demais professoras não implica em renunciar ao próprio estilo pessoal. Tem sua razão de ser na coerência e continuidade que devem ter as aprendizagens e a formação dos alunos sob a orientação de suas professoras. A equipe de professoras é a que programa as atividades de orientação e avalia o trabalho realizado. Deste modo, se otimiza o rendimento dos recursos humanos e materiais disponíveis no colégio. Com outro procedimento, os alunos estariam submetidos a diversos critérios educativos e metodológicos, prejudicando a coerência e sistematização de seu processo de formação. O contraste de opiniões nas reuniões da equipe pedagógica reduz o risco da subjetividade nas considerações de cada professora. Convém ter presente que se deve evitar dar um caráter definitivo aos juízos sobre as pessoas. A equipe pedagógica da etapa infantil está formada por todas as professoras envolvidas nessa etapa e é coordenada pela professora coordenadora da Educação Infantil. Nos colégios com três ou mais salas por série há uma equipe educativa para cada uma das séries. As funções de Equipe Educativa são:  Concretizar e aplicar as indicações e diretrizes da Equipe de Direção nas atividades de rotina do colégio.  Programar e coordenar as atividades escolares, de acordo com as características particulares das crianças.  Avaliar o ambiente de trabalho e de convivência, o desenvolvimento das atividades, os progressos dos alunos e a adequação dos programas.  Facilitar o intercâmbio de informação entre as professoras. As reuniões da Equipe Educativa, ou Pedagógica, ocorrem com frequência semanal ou, pelo menos, quinzenal, com pauta dos assuntos a tratar, estabelecida previamente.

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