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I DOMINGO DO ADVENTO – ANO A Estamos iniciando um novo ano litúrgico na Igreja com este primeiro Domingo do Advento. O Prefácio da missa vem em nosso auxílio com o seguinte texto: “Revestido da nossa fragilidade, Ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido da sua glória, Ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude, os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos”. Encontramos aqui uma síntese completa da teologia e da espiritualidade desse tempo santo do Advento. Somos todos convidados a seguir por um caminho de preparação, para fazer memória da primeira vinda de nosso Senhor. Advento é espera, mas não se trata aqui de uma espera qualquer. É o tempo santo de uma feliz expectativa. A humanidade inteira espera o dia da vinda de Nosso Senhor e a celebração do Advento, torna essa realidade mais próxima de cada um de nós. O Advento é, também, uma espera vigilante da segunda vinda de nosso Senhor na sua glória. Porém, não podemos simplesmente separar uma vinda da outra, porque trata-se de um só e mesmo mistério: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós!” É o mistério do esvaziamento de Jesus, que deixando sem apego algum a Sua condição Divina, assume a nossa condição de homens que caminham em busca de Deus e do Seu Reino de amor. Essa verdade nós podemos rezar em outro prefácio desse tempo santo que diz assim: “Agora e em todos os tempos, Ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização do seu Reino”. A liturgia que celebramos em todos os domingos, vai pouco a pouco, preparando-nos para viver essa realidade plena de encontro e de acolhida do mistério de Jesus e a Sua santa encarnação. “Ele está no meio de nós”, é o que respondemos sempre na celebração Eucarística. Isso torna claro para nós que a Sua presença em nosso meio é uma continuidade daquela promessa feita aos Discípulos de todos os tempos: “Estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”. O que celebramos em comunidade nos aproxima constantemente dessa realidade e o Advento de Nosso Senhor, quer nos despertar para vivermos uma verdadeira vigilância nessa preparação para acolher o Enviado do Pai: “Vigiai, porque não sabeis em que dia virá o Senhor”. Quando encontramos esse convite para a vigilância na Sagrada Escritura, podemos ter a certeza de que essa é uma


atitude própria daqueles que estão atentos aos acontecimentos da vida, que sabem ler nas situações mais corriqueiras a presença de Deus e do seu amor; igualmente, sabem reconhecer os apelos de Deus e tudo aguardam em serena expectativa, pois sabem que a promessa de Deus se cumprirá. Aquele que permanece nessa contínua vigilância, consegue viver a virtude da esperança com alegria, porque reconhece no aqui e no agora a presença de um Deus que salva e que promete a libertação de tudo aquilo que é contrário ao Seu plano de amor. O amor de Deus nos torna homens livres de tudo o que nos distancia Dele. Ele deu o primeiro passo e veio ao nosso encontro; Ele só espera que perseveremos junto Dele para que Ele possa ser tudo em todos num amor infinito. São as nossas atitudes como autênticos seguidores de Jesus Cristo que darão aquela nota essencial de perfeita comunhão do nosso coração de homens e o Seu coração sagrado e transbordante de amor, nessa constante vigilância. Quando estamos, de fato, atentos aos acontecimentos que nos rodeiam, pela fé, podemos perceber que a mão poderosa de Deus vai nos conduzindo ao melhor caminho, para as mais puras e belas pastagens, com a segurança própria que encontramos em quem nos ama de verdade. A expectativa da vinda de Nosso Senhor jamais nos deve causar medo, porque temos a certeza de que Ele fez e fará tudo para nos salvar. Deus estabeleceu com a humanidade uma Nova Aliança com a Cruz de seu Filho Amado. “Deus estabeleceu a nova e eterna aliança, através da sua cruz, constituída a nova e definitiva arca da salvação”, como encontramos na carta de São Paulo aos Efésios, que é semelhante àquela arca construída por Noé, quando a terra foi inundada pelas águas do dilúvio. Diante dessa certeza, encontramos o novo Noé, Jesus Cristo, que fez-se homem, assumiu a nossa carne para oferecer a todos aqueles que nele creem, a possibilidade de uma vida nova, em tudo semelhante à Sua vida divina com o Pai. Ele é a verdadeira videira! Ele veio para que nós, enxertados Nele, possamos desfrutar das verdadeiras alegrias, que só poderemos abraçar e acolher, quando livres das coisas passageiras desse mundo. Teremos assim, elevada a nossa alma para atingir os dons da eternidade, reservados para aqueles que professam a fé na Sua primeira vinda e aguardam o dia santo de um novo encontro com Ele no fim dos tempos.


Percebemos que os homens de todos os tempos sofrem de uma cegueira espiritual constante. Também hoje constatamos essa realidade em nossos dias. O homem enxerga muito pouco da vida, porque está limitado, na maioria das vezes, ao que está em sua mesa, ou a quem está do seu lado, mas não consegue transcender e perceber que para além do que se vê, existe um Deus que se doa a todo instante e que, por ser um Pai amoroso, se desdobra para nos oferecer o seu braço forte e santo para a nossa defesa; para nos sustentar com o seu carinho, o seu amor, na certeza de Ele nos deu seu próprio Filho, como alimento de salvação. Vigiar, portanto, é dedicar atenção especial a tudo aquilo que nos faz viver plena comunhão de amor com esse Deus Trinitário, que chama a cada um de nós à plenitude, que ultrapassa os limites da nossa curta vida terrena, diante da infinitamente grande graça da eternidade que nos espera. Jesus, vindo a esse mundo, torna-se para nós o caminho seguro, a presença constante, o Deus conosco que está sempre ao nosso lado. Deus espera que estejamos sempre vigilantes, como estava Maria, a escolhida, a mais perfeita dentre todas as mulheres da terra para nos trazer Jesus. Ela esperava vigilante e aguardava a prometida manifestação de Deus. Ela amava a Deus mais que à sua própria vida e, por isso, em seu seio virginal, “o verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós”. Jesus espera que estejamos sempre em atitude de vigilância, para acolher e amar Jesus em todos os momentos da nossa vida e que transformemos a nossa existência numa busca contínua de viver no amor/caridade e no serviço/missão , manifestando ao mundo inteiro que somente por esse caminho de amor vigilante e de comunhão fraterna, poderemos anunciar que Ele veio ao mundo para levar o mundo até o Pai e que o Pai, por amor, não desiste de nenhum dos seus, mas renova sempre o seu compromisso para acolher a todos na sua eternidade de amor.

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