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Edição Especial de Aniversário | nº 1108 | Abril de 2018

ANOS

QUASE UM SÉCULO DE HISTÓRIA


PE. JADIR ZARO, SAC

EDITORIAL

REVISTA RAINHA

jadirzaro@pallottipoa.com.br

95 ANOS DE EVANGELIZAÇÃO!

N

o presente mês, celebramos a história e a vida da revista Rainha dos Apóstolos! O primeiro passo deve nos remeter ao seu nascimento, que acreditamos ter sido pensado e elaborado como obra humana e inspiração divina, mais um dom de Deus destinado aos peregrinos que constantemente buscam compreender e viver a sua profissão e vocação. Perceber a importância de tal meio de evangelização e reconhecer que, após 95 anos, ela chega ainda com tanto apreço em inúmeros lares, paróquias, escolas, hospitais, entre outros ambientes e vidas, é o segundo passo. Mas isto se deve aos discípulos missionários que se dedicam a partilhar seu conhecimento, experiência e fé. Unido a esse processo, precisamos observar os milhares de leitores, que desejam e necessitam beber desta “fonte de água viva”, para poderem se instruir, terem em mãos meios de evangelização e perceberem tudo aquilo que a eles foi confiado. Ao celebrar esses 95 anos de evangelização, ao mesmo tempo que olhamos para o passado com gratidão humana e divina pela caminhada percorrida com fidelidade e dedicação, citamos as palavras de Mário Quintana, confiantes de que elas nos inspiram na continuidade dessa tão nobre missão: “Quando abro, a cada manhã, a janela do meu quarto É como se abrisse o mesmo livro Numa página nova...”

revistarainha.com.br

“Ajuda-me, Senhor, a expressar com minhas palavras Tua verdade envolta em Tua beleza.” Khalil Gibran

Hoje, ao abrir a janela nessa nova página, desejamos que a missão de humanizar e evangelizar permaneça como fonte inspiradora e luz para os nossos passos. Objetivo esse que vem fortalecido do desejo de contar com novos colaboradores, assinantes e discípulos missionários, cientes da importância da revista paras as suas vidas. Guiados por tal consciência é que continuamos oferecendo conteúdo para todas as idades, às mais diversas profissões e vocações, indivíduos e grupos, e os mais diferentes campos de missão. Acredita-se que, onde está o ser humano, onde existe uma família ou grupo reunido, ali deve-se ter subsídios adequados para iluminar suas mentes e seus corações, em vista de uma verdade bem maior. Por fim, nesse contexto de alegria pascal, de vida nova, em que somos convidados a retirar os olhos do sepulcro vazio e a contemplar o ressuscitado, agradecemos por cada um de vocês, colunistas, equipe interna, representantes e assinantes que, no passado, presente e futuro, souberam e sabem a importância de fazer parte dessa família, numa constante atitude de doação. Como já dizia Gibran “é através das mãos desses que Deus fala, e por detrás dos seus olhos que Ele sorri para a Terra”. Parabéns e obrigado! O autor, colaborador desta Revista, é padre palotino, mestre e Doutorando em Direito

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FLÁVIA POLO

ESPECIAL

flaviapolo@pallottipoa.com.br

REVISTA RAINHA DOS APÓSTOLOS Quase um século de história! ERA 23 DE ABRIL DE 1923. O PADRE PALOTINO RAFAEL IOP, INCANSÁVEL NO OBJETIVO DE CRIAR UMA PUBLICAÇÃO PARA DIVULGAR A MENSAGEM DE JESUS, IMPRIME O PRIMEIRO EXEMPLAR DA REVISTA RAINHA DOS APÓSTOLOS. NA ÉPOCA, REGINA

APOSTOLORUM, EM LATIM, E TINHA APENAS CINCO EDIÇÕES POR ANO.

E

la nasceu humilde como o grão de mostarda do Evangelho. Podemos imaginar que esforços o fundador empregou para que a plantinha pudesse crescer e se tornar realidade, cumprindo seu ideal. No verso da capa da primeira edição da revista Regina Apostolorum, os editores davam um aviso: “Os leitores encontrarão diversos senões, provenientes da pouca prática que temos, esperando, porém, que o periódico, para o futuro, se apresente melhor”. Hoje, alguns “senões” eventualmente ocorrem, mas trabalhamos para que eles diminuam. Esta foi e continuará sendo a filosofia da revista: melhorar sempre! E assim, pouco a pouco, a publicação foi tomando o formato de uma revista como conhecemos hoje. O grande salto de qualidade ocorreu quando o Pe. Iop foi transferido de Vale Vêneto (São João do Polêsine) para Santa Maria, uma distância curta entre os dois municípios gaúchos, mas expressiva para a profissionalização da revista. Isso ocorreu em 1934. Apenas três anos depois, a tipografia foi aumentada com a aquisição de novas máquinas, e a revista passou a ser distribuída em todo o Brasil e também no exterior, nas missões dos palotinos. O conteúdo foi se diversificando, e a coluna que mais atraía a atenção do público era Tire suas dúvidas (conforme ilustração ao final da matéria). Em 1963, 6 | ABRIL 2018

a revista mudou de nome, e passou a se chamar apenas Rainha, agregou mais cores, apostou em entrevistas exclusivas e em um conteúdo ainda mais diversificado. Assim, viu crescer o número de assinantes. Foi um frutífero período para a publicação. Quinze anos depois, parte do parque gráfico da Gráfica Editora Pallotti foi transferida para Porto Alegre, e a revista acompanhou a mudança. Em 1995, ela subiu mais um degrau de patamar, e passou a ser impressa a quatro cores, tornando-se mais colorida e atraente. Quando completou 75 anos de história, em 1998, voltou ao nome de origem, Rainha dos Apóstolos, e entrou para a era tecnológica, por meio do site da Pallotti. Ano passado, um novo site, repaginado e de fácil acesso, foi criado (www.revistarainha.com.br) para se aproximar ainda mais dos assinantes. Além das informações encontradas na revista, você pode também efetuar a compra de um dos vários livros que produzimos, ou enviar algum comentário, contatar a nossa equipe editorial e comercial, solicitar um exemplar de forma gratuita. Por mais que a internet possibilite a aproximação com os leitores, ficamos felizes em ainda receber cartas escritas à mão de nossos queridos assinantes. Atualmente, a revista conta com colaboradores que escrevem artigos para todas as idades, da criança revistarainha.com.br


ao idoso, e com temas das mais diversas áreas, como ecologia, teologia, direito, psicologia, espiritualidade, pedagogia, cotidiano, entre outros.

Equipe da Revista Rainha dos Apóstolos Dezembro 2017 - Bianca Bugs, Flávia Polo, Jessica Becker, Bruna Conti, Pe. Jadir Zaro, Juarez Rodolpho e Priscila Soares

A equipe que faz a revista é compacta, mas todos são muito dedicados a esta tarefa de contribuir para que ela continue a chegar na vida de milhares de famílias. Com a direção do padre Jadir Zaro, a revista não é encarada apenas como uma profissão, mas como uma missão, que é a de continuar esta história, conforme o carisma palotino, evangelizando por meio da boa informação e da bela mensagem de Jesus Cristo. Quanto mais informação existe, mais relevante é o papel da revista Rainha ao fazer um filtro para mostrar o que, de fato, é importante. Parabéns, brava Revista Rainha dos Apóstolos! Parabéns aos colaboradores! Parabéns a todos os que ajudaram a revista a chegar até aqui. E um parabéns especial aos queridos assinantes que lutam, junto à publicação, para que esta história continue a ser escrita. Que Maria, a Rainha dos Apóstolos, e São Vicente Pallotti abençoem a todos! revistarainha.com.br

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DEPOIMENTOS UMA LONGA HISTÓRIA COMO A DA REVISTA RAINHA DOS APÓSTOLOS NÃO SE FAZ SOZINHA. MUITAS SÃO AS MÃOS QUE PASSARAM PELA PUBLICAÇÃO E CONTRIBUÍRAM PARA QUE ELA SE TORNASSE O QUE É HOJE, COM UM CONTEÚDO DIVERSIFICADO, ABRANGENTE E ATUAL, QUE SE PREOCUPA EM LEVAR ESPIRITUALIDADE

Nos tempos atuais, a Revista Rainha dos Apóstolos mantém seu compromisso fundacional de ser um instrumento para a promoção humana, anunciando o Evangelho, proporcionando formação para as famílias e para as lideranças eclesiais, e transmitindo, em seus artigos, sempre uma mensagem de esperança e de paz. A Revista Rainha é, sem sombra de dúvidas, um veículo de comunicação que envolve os nossos confrades e se torna um meio favorável para a formação cristã em nossas comunidades.

E INFORMAÇÃO AOS ASSINANTES.

Parabéns à equipe da Revista Rainha dos Apóstolos por tão bonito e eficiente trabalho. Nós, da Província Nossa Senhora Conquistadora, desejamos que esta revista tenha vida longa e próspera na sua missão de levar a boa imprensa até nossas famílias.

Recebemos com muito carinho os depoimentos de pessoas que fizeram e fazem parte desta construção, além dos responsáveis por revistas católicas que lutam dia a dia, assim como nós, para se manter relevante para a sociedade.

Padre Clesio Facco Reitor Provincial

A todos vocês, o nosso MUITO OBRIGADO!

A Revista Rainha dos Apóstolos iniciou suas atividades em abril de 1923, com o objetivo de ser uma revista missionária para o Brasil. De fato, ela tem um papel fundamental na divulgação dos trabalhos missionários, no incentivo às missões e na formação dos leigos em todos os lugares de sua abrangência. Outro aspecto importante da revista é o registro da história das atividades missionárias realizadas pelos palotinos. Isto cria um elo comunitário muito forte entre as famílias e os membros da Família Palotina. Esta fraternidade faz com que muitos leitores se interessem pela promoção da evangelização, inclusive contribuindo espiritualmente, através de suas orações, e materialmente, através de gestos concretos na manutenção das atividades missionárias. 8 | ABRIL 2018

Por 23 anos estive presente na Revista Rainha dos Apóstolos. Como padre, senti forte o apelo de Jesus Cristo: ide e evangelizai. Na gratuidade, entrei no lar e no coração de muitas pessoas, mesmo sem conhecê-las pessoalmente. Senti muita alegria ao escrever, sempre colocando-me do lado de quem haveria de receber a mensagem. Isto ajudou-me, pois imaginava como cada palavra seria recebida. O salmista afirma que o bem que se faz permanece para sempre. A Revista tem feito muito bem ao longo de seus 95 anos. Que esta trajetória vitoriosa, que já deu tantos frutos agradáveis a Deus, continue sua missão de evangelizar, acreditando na eficácia da boa semente. Parabéns! Pe. Romeu Ullrich Ex-diretor da Revista Rainha dos Apóstolos revistarainha.com.br


É com grande alegria que participo do aniversário de 95 anos da nossa Rainha! Desde que fui convidado a escrever um artigo, pela primeira vez, há quase 22 anos, fui descobrindo em mim muitas coisas para repartir. Através desta publicação foi possível me comunicar com milhares de pessoas por todo o Brasil, o que me proporcionou um grande crescimento pessoal e profissional. Afinal, percebi que a responsabilidade era muito grande e que tinha que me manter sempre atualizado e em constante aprendizado. Parabéns, Rainha dos Apóstolos! Que essa trajetória de sucesso permaneça por muitos e muitos anos! Abraço a todos que fazem parte da família palotina! Carlos Veit Colunista e colaborador da Revista Rainha dos Apóstolos

É com alegria que venho parabenizar a toda a equipe, colaboradores e diretores da Revista pelos seus 95 anos, sendo presença na caminhada do povo. É uma grande festa a ser comemorada por todos nós, assinantes, representantes e leitores, e nos convida a sermos fiéis, corajosos e multiplicadores deste belo trabalho com conteúdo que nos ajuda na missão evangelizadora. É preciso anunciar, testemunhar e vivenciar Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida. É preciso também agradecer e louvar a Deus Pai em poder colaborar com esta Revista. É um trabalho gratificante, pois tenho 133 assinantes, dos quais 25 já assinam há mais de vinte anos. Sou representante há 19 anos, e muito mais tempo como assinante. Obrigada, amigas assinantes, pelo carinho e amizade! É motivo de alegria nos encontrarmos mensalmente com as boas notícias, mensagens de otimismo, animação e formação que a publicação nos traz.

A comunicação se faz mais dinâmica, principalmente pelo avanço da internet e das ferramentas digitais. Comunicar e evangelizar é um privilégio e um desafio a ser vencido a cada dia. É uma luta árdua, porém, muito gratificante, pois estamos trabalhando para levar a mensagem de Cristo. O Verbo que se fez carne e habitou entre nós! O Verbo nos chama a seguir, a persistir, a perseverar e a semear a palavra de esperança e de vida por onde passarmos e a todos quantos conseguirmos alcançar. Temos, antes de tudo, a responsabilidade pessoal de comunicar a verdade e a esperança que Cristo nos trouxe. Parabenizo a Revista Rainha dos Apóstolos por ser um veículo que há 95 anos leva a mensagem do Evangelho. Que Deus abençoe a todos aqueles que trabalharam para que estes 95 anos se tornassem realidade. Luciana Mendes Editora da Revista de Aparecida, do Santuário Nacional de Aparecida.

Parabéns! É com alegria que podemos participar deste momento histórico para a imprensa católica no Brasil. Em tempos de mídias digitais, é reconfortante contar com a tradição, o cuidado e o zelo que envolvem a produção de uma revista impressa como a Rainha dos Apóstolos. Falta pouco para um século de formação e informação de qualidade promovidos pelos palotinos no Brasil. Parabéns à equipe da Rainha dos Apóstolos! Túlia Savela Responsável pelas revistas impressas da Milícia da Imaculada (Província São Francisco de Assis dos Frades Menores Conventuais)

Natalícia Camera Representante da revista Rainha dos Apóstolos há 19 anos revistarainha.com.br

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Ao celebrar seus 95 anos de história, a Revista Rainha dos Apóstolos reafirma, junto aos cristãos católicos, a importância desse veículo no apostolado da evangelização. É quase um século de trabalho e dedicação com um único propósito: anunciar a Boa-Nova de Jesus. A Revista Ave Maria parabeniza a toda a equipe envolvida na produção da Revista Rainha dos Apóstolos e, principalmente, a seus assinantes, que também fazem parte desse projeto que, sem dúvida, atende a uma necessidade iminente do nosso tempo.

Uma publicação que chega aos 95 anos tão bonita, atual e instigante, informando com responsabilidade, qualidade e, sobretudo, evangelizando ao comunicar esperança, paz, alegria e fraternidade merece nossos mais efusivos cumprimentos. Aquela que dá nome à revista certamente inspirou, inspira e seguirá inspirando a todos os que trabalharam nessa trajetória de 95 anos da Revista, da qual temos o privilégio de ser leitores e parceiros! Salve a Rainha dos Apóstolos!

Pe. Luís Erlin, CMF Diretor da Revista Ave Maria

Padre Reinaldo de Sousa Leitão, RCJ Diretor da Revista Rogate de Animação Vocacional

TÚNEL DO TEMPO Uma pequena viagem visual no decorrer de nossos 95 anos!

Padre palotino Rafael Iop e o primeiro exemplar da revista Rainha dos Apóstolos. Na época, Regina Apostolorum, com apenas cinco edições por ano.

Capa Rainha 1970 Revista Rainha 1969 Resolva suas dúvidas Uma página onde os assinantes enviavam suas dúvidas sobre os mais variados assuntos. As respostas eram encaminhadas através de cartas. Quem respondia era o Dr. Gentil. Esta página marcou época entre nossos assinantes.

Capa Rainha 1993

Capa Rainha 1986 Capa Rainha 1969 Capa Rainha 1961

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PE. PEDRO SERGIO BALDIN, SAC

EVANGELHO EM SUA VIDA

pierobaldin@hotmail.com

01 de Abril

RESSURREIÇÃO DO SENHOR Ele devia ressuscitar dos mortos

At 10,34a.37-43 | Sl 117 | 1Cor 5,6b-8 | Jo 20,1-9 Branco | Ofício Solene

A

Páscoa é a maior festa cristã. Neste dia, a Igreja se reúne para recordar e celebrar o núcleo de sua fé, isto é, que o Messias de Deus, Jesus de Nazaré, foi morto, pregado numa cruz, mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, constituindo-o Cristo e Senhor dos vivos e dos mortos. É, portanto, uma celebração especial, porque a Páscoa é a “Mãe de todas as festas cristãs, a que dá origem e significado a todas as outras”. O texto do Evangelho propõe a primeira de três cenas (Jo 20,1-10.11-18.19-29) que, no capítulo vinte, narram as aparições do Ressuscitado no “primeiro dia da semana”, primeiramente a Maria Madalena, depois aos discípulos. Nessa primeira cena, o argumento principal a servir de prova da ressurreição de Jesus é “o túmu38 | ABRIL 2018

lo vazio”. O relato do sepulcro vazio se abre com a grande protagonista das duas primeiras cenas, Maria Madalena, que vai ao túmulo de Jesus bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e o encontra aberto, então corre para dar a notícia aos discípulos, e estes, também correndo, vão e constatam que, de fato, o túmulo está aberto e o corpo de Jesus não está lá. A cena encontra o seu ápice no momento em que o discípulo que Jesus amava entra no sepulcro. Desse discípulo se diz que “viu e acreditou”. No entanto, os dois voltaram para casa, enquanto Maria permaneceu chorando. Tirando momentaneamente de foco Maria Madalena que é, de fato, a grande personagem do episódio, o narrador convida o leitor a estender o olhar aos dois discípulos que correm na direção do túmulo de revistarainha.com.br


Jesus. Não estaria ele querendo demonstrar que no movimento destes dois discípulos se exprime duas dimensões imprescindíveis na vida da Igreja gerada na morte e na ressurreição de Jesus? Certamente não é por acaso a deferência que Pedro recebe neste texto e, sobretudo quando, mais adiante, será designado por Jesus, às margens do Mar da Galileia, como pastor e chefe institucional do rebanho do Senhor: “Pedro, tu me amas? Apascenta minhas ovelhas” (Jo 21,15-19). Portanto, Pedro é figura representativa da liderança, da instituição que dá objetividade e solidez à fé cristã. O outro discípulo, por sua vez, indicado no texto e em diversas outras passagens do Evangelho de João como “o discípulo que Jesus amava”, representa a dimensão eclesial do amor; aquele entusiasmo inspirado e inspirador, mas que precisa gradativamente ir amadurecendo até se tornar fé sólida, capaz de oferecer ao mundo um testemunho qualificado e consistente. Assim sendo, no primeiro dia da semana, correm ao sepulcro de Jesus a Igreja institucional e a Igreja imersa na esfera do amor. O discípulo amado chega primeiro porque o amor sempre tende a se antecipar na intuição do novo. Entretanto, porque “o amor é paciente, não é invejoso, não é arrogante, não é orgulhoso e nem guarda ressentimento” (1Cor 13) ele se contém e deixa que seja Pedro a entrar primeiro, pois quem foi gestado no amor sabe que “o amor jamais passará”. De Pedro se diz que “entrou e viu”, ao passo que o discípulo amado “viu e acreditou”. O amor com que Jesus o amava o tornou capaz de ver, naquele túmulo vazio, a manifestação do plano de Deus. Todavia, também o discípulo que corre mais veloz deve deixar que os diversos aspectos da única fé pascal que a Igreja professa, alcance nele a mesma maturidade que Pedro alcançou lentamente. Este texto do Evangelho, ambientado no jardim onde foi depositado o corpo de Jesus, nos permite chegar à feliz conclusão de que o discípulo amado é todo aquele que professa a sua fé cristológica em plena comunhão com a Igreja Apostólica. O relato sobre o túmulo vazio e o episódio dos dois discípulos a englobarem, cada qual a seu ritmo, o significado da morte e da ressurreição de Jesus, revistarainha.com.br

poderão ser melhor entendidos à luz do discurso de Pedro na primeira leitura do Domingo de Páscoa. Dirigindo-se a uma assembleia de pagãos, o líder da Igreja Apostólica demonstra, com uma argumentação sólida, como a obra realizada por Deus em Jesus Cristo seja uma obra de cura e de libertação dos oprimidos: “Deus ungiu com o Espírito Santo e poder Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele”. Merece destaque, nesta breve síntese da pregação apostólica, o uso do verbo katadynasteuō (submeter, dominar, oprimir), em referência à submissão que o diabo impõe às pessoas. Trata-se do mesmo termo que a Bíblia grega (a Setenta¬) emprega para descrever a condição de escravo à qual foi submetido o povo de Deus durante sua estada no Egito. De fato, em Ex 1,13, encontramos a seguinte afirmação: “E os egípcios submeteram os filhos de Israel a duros trabalhos”. Esta afirmação nos permite intuir como “a submissão àquele que é homicida desde o princípio encontra sempre expressões históricas que manifestam o poder destruidor do pecado” (M. Grilli). Por isso, a Páscoa do Senhor é a mãe de todas as festas litúrgicas. Ela nos leva a recordar do dia da nossa libertação definitiva. Libertação do poder da morte e, por isso mesmo, é também, dia de contestação veemente de toda a maldade incarnada na história que impede brilhar no mundo a vida nova que recebemos no momento em que Jesus Cristo, do alto da cruz, respirando pela última vez, entregou o seu Espírito ao Pai e a todos os que nele creem. LEITURAS DA SEMANA Seg. At 2,14.22-33 | Sl 15(16),1-2a.5.7-11 (R/.1) | Mt 28,8-15. Ter. At 2,36-41 | SI 32(33),4-5.18-20.22 (R/. 5b) | Jo 20,11-18. Qua. At 3,1-10 | SI 104(105), 1-4.6-9 (R/. 3b) | Lc 24,13-35. Qui. At 3,11-26 | Sl 8,2a.5-9 (R/. 2ab) | Lc 24,35-48. Sex. At 4,1-12 | Sl 117(118),1-2.4. 22-24.25-27a (R/. 22) | Jo 21,1-14. Sáb. At 4,13-21 | SI 117(118),1.14-21 (R/. 21a) | Mc 16,9-15.

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FRAGMENTOS DA VIDA

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PE. JUDINEI VANZETO, SAC jvanzeto@gmail.com

o fazer uma busca em um dicionário, descobri que “Nazaré”, provavelmente, vem do hebraico “Natzráth” e quer dizer “consagrarse a Deus”. Nazaré é a capital econômicoadministrativa e a maior cidade do Distrito Norte de Israel, no Oriente Médio. Anualmente, conta com grande número de peregrinos cristãos, pois biblicamente falando é a cidade onde o anjo Gabriel anunciou à jovem Maria que ela teria um filho pela ação do Espírito Santo, e também é o local onde Jesus teria passado sua infância.

solicitar informações. Descobri que a Casa de Nazaré fica localizada no centro da Vila Nossa Senhora das Graças, ou seja, uma das tantas vilas pobres da capital gaúcha. Tive que deixar o veículo na travessa de acesso ao local e seguir a pé com os instrumentos de gravação até avistar a movimentação das crianças, adolescentes e adultos diante de um bolo de trinta metros.

Mas não é a história de Nazaré, do Oriente Médio, que quero falar nesta edição. Mas da Casa de Nazaré que consiste num Centro de Apoio ao Menor junto à comunidade da Vila Nossa Senhora das Graças, no Bairro Cristal, em Porto Alegre (RS), onde descobri, em pleno século XXI, uma experiência marcada pela doação e entrega a Deus em prol da vida.

apresentado aos presentes como o jornalista que iria divulgar as coisas boas que acontecem na vila. Assim, então, comecei meu trabalho conversando com as pessoas, fazendo fotos e gravando entrevistas. Olhando nos olhos dos presentes, percebi brilho e sinal de esperança.

Na ocasião da comemoração dos trinta anos de fundação da instituição, fui convidado para fazer uma reportagem. Isso ocorreu na tarde do dia 09 de maio de 2017, quando acionei o endereço da instituição no GPS do carro e segui conforme a orientação do aplicativo. Quando cheguei ao bairro Cristal, o aparelho não conseguia definir a localização exata e sugeria outra direção. Só consegui chegar ao local do evento após 48 | ABRIL 2018

Ao entrar na vila, confesso que senti medo e a sensação de estar perdido. Mas meu coração se tranquilizou quando fui visualizado pelo diretor da casa e

Atualmente, a instituição atende a cerca de 770 crianças e adolescentes, oferecendo gratuitamente reforço escolar, alimentação e cursos profissionalizantes. O principal objetivo da casa é promover vidas, dando oportunidades. O tráfico de drogas na região, infelizmente, é intenso, o que torna a comunidade socialmente vulnerável. Também existe pouco acesso aos serviços públicos de saúde, assistência social, educação, esporte e lazer. revistarainha.com.br


Entretanto, o que mais chamou a atenção foi a origem desta obra. Ao entrevistar a fundadora, Irmã Conceição de Andrade, da Congregação das Franciscanas Bernardinas, descobri que ela ingressou na vida religiosa na doçura da idade, fez os devidos estudos, acompanhamentos e concretizou os votos de castidade, obediência e pobreza. Ela contou que, nos primeiros anos de sua missão, sentia-se muito entusiasmada, mas com o tempo foi perdendo o sentido religioso de ser. Segundo ela, não estava mais contente com o modo de viver e agir. “Eu não percebia mais sentido naquilo que fazia. A vida religiosa não me preenchia mais, parecia que faltava algo. Foi assim que resolvi abandonar tudo e seguir a minha vida de modo diferente. Por três anos vivi fora da minha comunidade religiosa. Não queria mais essa vida. Até que um dia comecei a repensar a minha vocação. Intuí

afora tem apenas um sentido e significado: amar e servir conforme o próprio Jesus Cristo, o fundamento da vida cristã.

que precisava realizar algo mais concreto e inserido entre os necessitados. Isso moveu meu coração. Foi o motivo que me levou a retornar para a congregação, e estou morando nesta vila há trinta anos”.

A Casa de Nazaré remete à infância de Jesus, bem como aos cuidados recebidos de seus pais. A Irmã Conceição buscava um sentido para sua vida e descobriu o caminho promovendo vidas, dando oportunidades para pessoas que são consideradas invisíveis na sociedade. Ela doa a sua vida para melhorar outras vidas. Quem sabe você ainda está buscando um sentido para sua vida! Sugiro: escolha uma pessoa, uma família ou uma comunidade e faça a diferença, dê oportunidade!

Os moradores testemunharam que quando a irmã Conceição chegou para morar na vila, todos a olhavam com espanto e desconfiança. Ao iniciar o projeto da casa, enfrentou muita incompreensão. Mas persistiu e, aos poucos, foi conquistando as famílias e com muito amor passou a atendê-las. Qualquer hora do dia ou da noite ela pode passar entre os casebres, e todos a reconhecem e a respeitam. A ação social promovida pela irmã Conceição e outras tantas congregações religiosas pelo mundo revistarainha.com.br

Ao finalizar a entrevista, perguntei: “Irmã, qual é a sua maior alegria morando aqui há trinta anos?”. Ela respondeu: “A minha maior alegria é receber um abraço diário das crianças e dos adolescentes, filhos das primeiras famílias que foram atendidas pela casa e que continuam no caminho do bem. Outra alegria é vê-los felizes por conseguirem um emprego e continuarem estudando”. E também acrescentou: “Minha maior tristeza é quando um menino resolve sair da casa e entrar no mundo do tráfico. Mas mesmo assim continuo querendo bem e, quando tenho a oportunidade, recebo-o com um abraço”.

O autor, colaborador desta revista, é jornalista e padre palotino, em Cascavel (PR) ABRIL 2018 | 49


GALERIA

IMIGRANTE acolher, para aprender e ensinar A reportagem da Revista Rainha sobre “migrantes” (novembro 2017) veio ao encontro de um tema trabalhado pela Escola Municipal de Ensino Fundamental João Corso, de Serafina Corrêa (RS), que recebeu para uma conversa um imigrante vindo do Senegal. Atualmente, ele reside em Serafina Corrêa e contou aos alunos que o motivo de ter buscado outro país foi a tentativa de conquistar uma vida melhor, com pagamento mais justo pelo seu trabalho, e dian-

te desta possibilidade, poder enviar algum recurso para sua família que está no Senegal.

tância da hospitalidade para com as pessoas imigrantes que vivem uma situação de guerra, miséria ou exploração.

Através da Pastoral do Imigrante, ele foi acolhido e auxiliado a lidar com as primeiras dificuldades encontradas em relação ao idioma, diferenças culturais, problemas de saúde, emprego e adaptação.

Ressaltamos que é necessário compreender que a vida em uma nova sociedade, cuja cultura se diferencia da nossa, exige, no mínimo, que conheçamos as pessoas antes de julgá-las ou evitá-las. “Bamba” disse não ter sido vítima de preconceito na cidade, sente que as pessoas o observam, mas entende como curiosidade pelas suas diferenças físicas. Por fim, está feliz entre os brasileiros, apesar de sentir falta de seus familiares.

“Bamba”, como se apresentou aos alunos, relatou curiosidades culturais do Senegal em relação à família, religião, modo de vida e de pensar, bem como as condições precárias de alguns países africanos que o fizeram percorrer outras onze nações. Essa experiência oportunizou seu crescimento enquanto ser humano e a aquisição de conhecimento, tal qual a compreensão de cinco idiomas. Trabalha arduamente na construção civil, ofício que aprendeu em seu país de origem, e aponta a impor-

Para a escola, foi uma oportunidade imprescindível de avaliar alguns valores humanos, de trocar informações culturais, de praticar a tolerância entre os povos e o verdadeiro acolhimento. Renata Valiátti Orientadora Educacional Escola Mun. João Corso Serafina Corrêa (RS)

O GRUPO DE ORAÇÃO CORRENTE DA ESPERANÇA, Junto à sua coordenadora Terezinha F. Quaini, agradece a toda a Equipe da Revista Rainha dos Apóstolos pela dedicação, pelo carinho e pela atenção durante todo o ano de 2017. Parabenizamos a todos pelo belo trabalho realizado! Coordenadora e Representante Terezinha Fava Quaini

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Homenagem pelas Bodas de Ouro do casal

INÊS LUIZ GABBI STRADIOTTO E ARMANDO STRADIOTTO A celebração ocorreu no dia 14 de outubro de 2017, na Igreja Três Mártires, em Júlio de Castilhos (RS), mesmo local onde foi realizado o casamento. Júlio de Castilhos (RS)

ENCONTRO DA FAMÍLIA BATTISTI REÚNE CENTENAS DE PESSOAS EM PALMITOLÂNDIA

O evento contou com as presenças do arcebispo de Maringá (PR), Dom Anuar Battisti, e do padre José Battisti, de Palotina (PR), que celebraram uma missa pela manhã e foram os anfitriões do encontro.

Foi realizado o 16º Encontro da Família Battisti. O evento ocorreu no salão da igreja em Palmitolândia, distrito de Tupãssi (PR). A organização estima que aproximadamente seiscentas pessoas participaram do encontro. Alguns participantes vieram de outros estados, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso, além de uma família que veio do Paraguai.

A festa também teve café da manhã, almoço, desfile para escolha dos ‘‘bambinos’’ (uma espécie de concurso de beleza) e animação com música ao vivo. “Este é um momento especial de confraternização, em que encontramos os familiares e amigos para celebrar a vida e fortalecer os laços familiares”, explica o Pe. José Battisti, que também é um dos principais organizadores do evento. PRÓXIMO ENCONTRO O encontro da Família Battisti já virou tradição e é realizado todos os anos em cidades diferentes. O próximo já tem data marcada: será em janeiro de 2019, em Xanxerê (SC). Murilo Battisti

Envie suas fotos por carta, e-mail ou whatsapp revistarainha.com.br

Av. Assis Brasil, 1768 | 91010-001 | Porto Alegre (RS)

contato@revistarainha.com.br | — (51) 995-441-322 ABRIL 2018 | 63

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